Devoção e Festas na
Historiografia Brasileira
Edilece Souza Couto
Departamento de História - UFBA
O ato de festejar...
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Implica uma determinada estrutura social de
produção. A festa é preparada, custeada,
planejada e realizada segundo regras
elaboradas no interior da vida cotidiana;
Envolve a participação coletiva na sociedade
ou em grupos nos quais os participantes
ocupam lugares distintos e específicos;
Aparece como uma interrupção do tempo
social, suspensão temporária das atividades
diárias;
Articula-se em torno de um ente real ou
imaginário, um acontecimento social ou
político;
Pode gerar produtos materiais ou
significativos, principalmente a produção de
uma identidade.
O tempo festivo
“Seja qual for a complexidade de
uma festa religiosa, trata-se
sempre de um acontecimento
sagrado que teve lugar ab origine e
que é, ritualmente tornado
presente. Os participantes da festa
tornam-se os contemporâneos do
acontecimento mítico” (Mircea Eliade. O
Sagrado e o Profano, p. 75).
Por meio das festas – religiosas,
cívicas ou carnavalescas – podemos
conhecer uma coletividade,
identificar atitudes,
comportamentos, tensões, visões de
mundo, representações culturais e
simbólicas.
Festa: objeto da História
“[...] assim como não há uma História
imóvel, também não há uma festa
imóvel. A festa na longa duração,
assim como a podemos analisar
através dos séculos, não é uma
estrutura fixa, mas um continuum
de mutações, de transições, de
inclusões com uma das mãos e
afastamentos com a outra...” (Michel
Vovelle. Ideologias e Mentalidades, p. 251).
A Puxada do Mastro de São Sebastião –
Olivença (Ilhéus-Ba)
O Mastaréu
O Mastro de São Sebastião
Festas e tempo histórico
Transformações sociais, políticas e econômicas:
1850 – Fim do tráfico negreiro;
1854 – Proclamação do dogma da Imaculada
Conceição;
1888 – Libertação dos escravos;
1889 – Proclamação da República. D. Luís
Antônio dos Santos ordena o fechamento das
portas da Igreja do Bonfim no dia da festa;
1912 – Início das reformas urbanas em
Salvador;
1924 – Entrega do 1° presente a Mãe d’Água no
Rio Vermelho;
1930 – Nossa Senhora Aparecida é a nova
padroeira do Brasil. Em Salvador, separação
entre a festa de Sant’Ana e a de Iemanjá;
1931 – Inauguração do Cristo redentor no Rio de
Janeiro.
Veraneio – Os arrabaldes e subúrbios dessa
capital, bem como as pitorescas povoações à
beira-mar já se acham plenas de veranistas e
famílias que abalam da cidade para o gozo de
melhores ares, na estação das frutas e dos
banhos de mar.
Rio Vermelho, Barra, Itapagipe, Itaparica, Mar
Grande, Madre de Deus e Bom Jesus já saíram
da monotonia do costume e se vão tornando
aprazíveis logradouros risonhos, com a presença
do belo sexo e das crianças travessas.
Em todas essas localidades, uma nova vida, uma
alegria nova.[1]
[1] VIDA elegante. Diário de Notícias,
Salvador, 10 dez. 1913. Diário Social, p. 2.
Santa Bárbara e Iansã
Antigo Mercado de Santa Bárbara na
Cidade Baixa – Salvador-Ba
Saída da procissão
no Pelourinho
Terreiro de Jesus
Chegada da procissão ao Corpo de
Bombeiros
Banho de Cheiro
Santa Bárbara e
o alimento ritual
de Iansã
Nossa Senhora da Conceição da
Praia e Iemanjá
Diversidade do culto a Senhora da
Conceição em Salvador
Conceição da Praia da Irmandade de N. Sra. Da
Conceição da Praia – Igreja Matriz, 8 de
dezembro;
Conceição dos pescadores do mercado – Igreja
Matriz, 9 de dezembro;
Conceição dos empregados, despachantes,
ajudantes e caixeiros – Alfândega Federal, 9 de
dezembro;
Conceição dos funcionários – Diretoria das
Rendas – Catedral, 15 de dezembro;
Conceição dos Pobres dos moradores da Caixa
d’Água – Igreja do bairro, meados de dezembro;
Conceição Amparo dos Artistas – músicos e
moradores de Periperi – Igreja do bairro, 17 de
dezembro.
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