CONFLITOS DE INTERESSE
Quem sou eu?
• Preceptor do PRM de Clínica Médica do
Hospital Nossa Senhora da Conceição, Porto
Alegre, RGS
• Presidente da Pan American Society of
Hospitalists
• Como vice-presidente da AMERGHC já fiz
festas e torneios esportivos financiados por
laboratório em troca de “atividades
científicas”
• Já colaborei na organização de evento médico
em parceria com a indústria farmacêutica para
mais de 5000 participantes, na sua maioria
estudantes de Medicina
Avandia
FDA Announces New Restrictions on Rosiglitazone
Europe Suspends the Drug
Anvisa cancela registro do medicamento
Quem sou eu?
• Não sou contra as indústria farmacêuticas, sei da
sua importância e reconheço que existirão
sempre conexões entre laboratórios e médicos e que inclusive muitas podem (e algumas devem)
existir.
• O que defendo é separação entre farmacêuticas e
médicos para educação médica mais
independente. E tenho, em parceria com
entidades e muitos colegas, demonstrado que é
possível.
“ ...dizer em público o que muitos conhecem no
isolamento e na privacidade não é supérfluo.
Justamente o fato de alguma coisa estar sendo
escutada por todos confere a tal coisa um poder
e um brilho que confirmam sua existência real.”
Hannah Arendt
Como corporação, podemos optar por sermos
vistos como parte da solução, ao invés de,
indiferentes, sermos inevitavelmente considerados
parte do problema, ou o que é pior, o problema em
si.
Conflitos de interesse
“Um conjunto de condições em que o julgamento
profissional relacionado a um interesse primário (bem
estar do paciente ou validade de uma pesquisa) tende
a ser definitivamente influenciado por um segundo
interesse (ganho financeiro, status)”.
Thompson, DF
Conflitos de interesse
• Enquanto muitos médicos consideram que as preocupações são
justas e que discutir o assunto é necessário, outros se ofendem ao
simplesmente observar esta discussão vir à tona (“é uma afronta a
nossa integridade e põe em cheque a ética profissional de toda a
corporação”).
• Esses indivíduos acreditam que sua devoção a Medicina e aos
pacientes (que efetivamente costumam ter) os protegem de
influências externas.
• Entretanto, esta visão pode se basear em falta de compreensão ou
entendimento incompleto da psicologia humana.
• Conflitos de interesse são problemáticos não apenas porque são
comuns, mas principalmente porque as pessoas pensam
incorretamente que sucumbir a eles ocorre apenas por corrupção
intencional, o que não é verdade. Sucumbir a conflitos de
interesse pode ocorrer sem que percebamos.
Não insistamos em encontrar mocinhos e
bandidos nesta discussão...
• “ Lapsos éticos quase nunca
são casos de pessoas ruins,
tomando atitudes ruins, por
motivos ruins. Ao contrário,
são boas pessoas, fazendo
coisas ruins, por bons
motivos.”
O cérebro ético
•
Estudos em neurociência e psicologia sugerem que toda pessoa pode ser um pouco mais
influenciável do que costuma pensar que seja.
•
Há evidências científicas suficientes para que se possa afirmar que todo processo de tomada
de decisões é mediado tanto por fatores racionais (dados, informações, custo, benefício, etc)
quanto afetivos. Negar sempre e veementemente a possibilidade de influências externas no
processo de tomada de decisões é negar a existência do subconsciente e a própria natureza
humana.
•
Demonstrações psicológicas de conflitos subconscientes
– Em avaliação publicada em 2005, no J Gen Intern Med, de estudantes de Medicina, 85%
considera inadequado que políticos recebam presentes de corporações, mas somente
46% acha que os médicos não devem receber presentes da indústria farmacêutica.
– No JAMA, em 2002, publicaram dados sobre questionário aplicado a autores de
diretrizes clínicas. Oitenta e sete por cento declarou algum tipo de relacionamento com
a indústria farmacêutica. Perguntaram também: 1. “Este relacionamento influencia suas
recomendações?”; 2. “Este relacionamento influencia nas recomendações de seus
colegas? Sete por cento respondeu sim para 1, enquanto 19% respondeu sim para 2.
– Em junho deste ano, no Archives of Surgery, publicaram outra survey que mais uma vez
demonstra que médicos pensam que eles próprios seriam menos afetados pela relação
com farmacêuticas do que os seus colegas. Cerca de 35% aceita que pode ter sua
prescrição afetada, enquanto 52% acredita que os colegas seriam influenciados.
The multibillion-dollar
continuing medical education
(CME) industry
JAMC • 18 JANV. 2005; 172 (2)
As atividades de ensino médico se
tornaram altamente dependentes
da indústria para sua realização, o
que fez com que médicos tenham
perdido o controle sobre sua
própria educação. Estima-se que
60% do investimento em atividades
de educação continuada seja
oriundo da indústria.
JAMA 2008;299:9:1060-2
‘Doctors’ education: the invisible
influence of drug company sponsorship
by Ray Moynihan, University of Newcastle, New South Wales, and visiting editor, BMJ
• We’ve all been there—the educational
seminars, the medical symposiums, and the
scientific conferences generously sponsored
by big drug companies. The visible signs of
sponsorship at these events are obvious. But
what about inside lecture theatres, where
high quality education is delivered to doctors
by respected speakers?
• It is not uncommon for drug company sponsors
to suggest speakers at sessions that are assumed
by the thousands of general practitioners who
attend them to be totally independent;
• In the case of one popular Australian provider of
medical education, HealthEd, leaked documents
and emails from a range of sources show drug
company sponsors having input into the selection
of some speakers at seminars held in recent
years, despite the fact that these have been
aggressively sold to general practitioners in
brochures claiming that “all content is
independent of industry influence.”
Doctors in the dark
about sponsorship?
• In an email to the drug giant Sanofi-Aventis, HealthEd asks, “Could
you please suggest a couple of speakers for our scientific
committee’s approval?” One of the speakers suggested by the drug
company sponsor is subsequently accepted and delivers a
presentation at a HealthEd seminar. Doctors attending that seminar,
held at a university, were not verbally informed of the sponsor’s
role in suggesting speakers.
• In another email the drug company Organon, now part of ScheringPlough, writes that “we would like to put forward the following two
doctors for consideration” as speakers for a seminar on women’s
health. The educational provider replies, “We will do our best to
accommodate your request.” The drug company’s suggested
speakers are ultimately accepted, provoking this grateful response
to the educational provider: “I would like to again sincerely thank
you for the political help . . . in respect of orchestrating the
favourable consideration of the proposed topic and speaker.”
• When asked about its sponsorship
arrangements with HealthEd, ScheringPlough’s managing director in Australia, Shaju
Backer, said that “as part of the sponsorship,
[drug] companies are allowed to suggest
speakers and topics”
• top level “platinum” sponsors were routinely
offered the chance to “work with us to
determine a speaker and topic for the
programme”
Changes in drug prescribing patterns related to commercial company
funding of continuing medical education
• Pesquisa feita com médicos 6 meses após a
participação deles em cursos patrocinados
pela indústria sobre medicamentos;
• Foi solicitado uma média de prescrições dos
medicamentos abordados nos cursos,
comparando-se antes e depois.
Changes in drug prescribing patterns related to commercial
company funding of continuing medical education
Course 1 (sponsor nifedipine)
% of prescriptions
60
50
54
48
40
30
22
26
20
30
20
10
0
Nifedipine
Diltiazem
Verapamil
Before
After
Changes in drug prescribing patterns related to commercial
company funding of continuing medical education
Course 2
(sponsor metoprolol)
% of prescriptions
35
30
30
27
After
25
25
18
20
15
Before
32
14
10
5
0
Metoprolol
Atenolol
Propanolol
CME is a public safeguard,
not a guild decision.
• Soluções que foquem
somente nas pessoas e
não no sistema
continuarão sendo
inócuas.
• Eu sou influenciável! Por
favor, regulem-me.
Ou pelo menos controlemos a
*
qualidade para dar os “pontinhos”
• Ferramentas existem:
– The Ontario CME Bias Scale - Takhar J et al., 2007. Developing an
instrument to measure bias in CME. Journal of Continuing Education in the Health
Professions 27(2):118-123.
– The CACME Risk Stratification Tool - Barnes B et al., 2007. A Risk
Stratification Tool to Assess Commercial Influences on Continuing Medical
Education. Journal of Continuing Education in the Health Professions 27(4):234240.
– The Marjorie Bowman Technique - Bowman, M. A. 1986. The
impact of drug company funding on the content of continuing medical
education. Journal of Continuing Education in the Health Professions 6(1):6669.
– Commercial Bias Inventory - Carlat D et al. 2006. A New Measure
of Industry Bias in Psychiatry: The Commercial Bias Inventory. Presentation,
APA Meeting May 2006.
* Sou a favor da Recertificação, mas não da maneira que está a EMC.
Obrigado!
[email protected]
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drGuilhermeBarcellos