Masayuki Okumura
okumura.h@uol.com.br
A DERSA
(Desenvolvimento Rodoviário S.A.)
Empresa de economia mista, tem como maior acionista o Departamento de Estradas de
Rodagem (D.E.R.), autarquia vinculada à Secretaria de Estado dos Negócios de
Transportes do Estado de São Paulo. Anteriormente às privatizações, tinha sob sua
jurisdição três sistemas rodoviários:
S.A.I.
Sistema Anchieta – Imigrantes
(176 Km.): Anchieta - SP. 150 (56 Km.); Imigrantes - SP. 160 (70 Km.); Piaçaguera –
Guarujá - SP. 140 (30 Km.) e Pedro Taques - SP. 170 (20 Km.);
S.A.B.
Sistema Anhanguera – Bandeirantes
(392 Km.): Anhanguera -SP. 330 (100 Km.); Bandeirantes - SP. 348 (88 Km.); Santos
Dumont - SP. 075 (79 Km.); Regis Bittencourt - BR. 116 (60 Km.) e Castelo Branco - SP. 280
(65 Km.);
S.I.T.
Sistema dos Trabalhadores
(282 Km.): Ayrton Senna da Silva – SP. 70 (49 Km.); Governador Carvalho Pinto - SP. 70
(88 Km.) e D.Pedro I - SP. 65 (145 Km.).
Fig. 4
A POLICIA MILITAR RODOVIARIA
É parte integrante do sistema, com a finalidade de disciplinar, orientar e autuar os
motoristas infratores, colocando em funcionamento, no início das rodovias a OPERAÇÃO
SANEAMENTO, que consiste em impedir ou retirar da circulação, veículos sem condições
de transitar.
OPERAÇÃO COMBOIO
Quando as condições meteorológicas (nevoeiro, temporal etc.) da pista impeçam a visão ou
prejudiquem a segurança dos usuários, é posicionada uma viatura à frente de uma fila de
veículos, para orientar a circulação, a uma velocidade compatível com a situação. Utiliza-se,
também, desta providência, para bloquear a pista para pouso de helicóptero, quando
necessário.
Fig. 10
Decidiu-se que as vítimas fatais (com exceção das mortes óbvias) - deveriam ser
transportadas para os hospitais, para serem verificadas pelo médico plantonista, porque
atendentes, enfermeiros, bombeiros e para - médicos não sendo médicos, não têm
condições de atestar o óbito. Essa conduta foi adotada também pelo Conselho Regional de
Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP), em reunião realizada em sua sede social, a
2 de junho de 1993.
Essa orientação, associada à rapidez com que as vítimas de acidentes estão sendo
transportadas para os hospitais (em geral ao redor de 10 minutos) tem aumentado a
estatística dos óbitos hospitalares, porque já não constariam como ocorridos nas estradas.
EQUIPE DE SOCORRO
Constituída por um motorista e um atendente de primeiros socorros, ou enfermeiro, e um
médico responsável pelo serviço, que fica à disposição do sistema durante as 24 horas.
Fig. 1
Em janeiro de 1976, a Diretoria da DERSA decidiu HUMANIZAR ESTRADAS (fig.02),
implantando o S.A.U. (Serviço de Ajuda aos Usuários), que foi planejado com o objetivo de:
1.Desobstruir o mais rápido possível as pistas de rolamento;
2.Prestar os primeiros socorros e transporte rápido aos hospitais dos acidentados nas
rodovias do sistema viário, possibilitando o imediato salvamento de suas vidas ou
minimizando os efeitos de seus ferimentos;
3.Dar socorro mecânico aos veículos em pane, através de prestação de serviço mecânico,
elétrico, de abastecimento de água e de troca de pneus;
4.Prover o guinchamento de veículos acidentados ou com avaría mecânica;
5.Dar combate a incêndio em veículos;
6.Prestar informações aos usuários.
Fig. 5
Fig. 11
Conta com a colaboração:
a) Das Guarnições do CORPO DE BOMBEIROS das cidades percorridas pelas rodovias,
que são acionadas quando há veículos incendiados ou indivíduos presos nas ferragens;
b) Da CETESB (Companhia Estadual de Tecnologia de Saneamento Ambiental), quando há
acidentes com veículos transportando cargas perigosas, principalmente tóxicos ou
corrosivos, para evitar a contaminação de mananciais;
c) SABESP (Saneamento Básico do Estado de São Paulo) para cuidar do sistema de
captação, distribuição e tratamento de águas;
d) ELETROPAULO quando há acidentes envolvendo energia elétrica;
e) DEFESA CIVIL dos Municípios vizinhos;
f) POLICIA MILITAR;
g) POLICIA CIVIL;
h) POLICIA CIENTIFICA (Polícia Técnica);
i) INSTITUTO MÉDICO LEGAL;
j) UNICOR.
De outubro de l993 a março de 1995, a COSESP (Companhia Seguradora do Estado de
São Paulo) colaborou com o Sistema, instituindo o Seguro Pedágio ou Seguro S.O.S.,
cobrindo os custos hospitalares e indenização por invalidez temporária, ou permanente, e
morte dos usuários acidentados nas rodovias.
Fig. 2
Fig. 17
Transportava, ainda, para utilização imediata:
Talas gessadas descartáveis;
Colar cervical;
Material para imobilização de coluna vertebral;
Respirador manual tipo “ambú”;
Materiais para pequenos curativos;
Maleta de emergência contendo: momanômetro (aparelho para medir a pressão arterial),
estetoscópio, faixa de Esmarch e cânula de Guedel.
O médico tinha à sua disposição, duas ambulâncias, durante 24 horas, equipadas como as
demais do Sistema, porém, providas de materiais para:
Entubação endotraqueal;
Material para pequena cirurgia, para a eventual pratica de traqueostomia,
drenagem de tórax e amputação de membros (já realizada duas vezes)
quando, estando a vítima presa nas ferragens, impede-se a retirada e
comprometa a vida do acidentado.
Frascos contendo soluções salinas, glicosadas, expansores de volume
sanguíneo e solução hipertônica de cloreto de sódio, para serem
utilizadas em resgate demorado.
Sedativos, inclusive aqueles potentes, como a morfina ou derivados (
Meperidina).
Medicamentos para estado de emergência.
O Estado de São Paulo conta com o Serviço de Resgate, operado por 2 enfermeiros e um
motorista do Corpo de Bombeiros (fig.18).
Nota-se que utilizamos apenas duas pessoas, devido à utilização da maca portátil, mesmo
quando destinada a atender vítimas com suspeita de fratura ou luxação da coluna vertebral,
que necessitaria de pelo menos três pessoas para o transporte, sem flexioná-las.
Fig. 18
Fig. 12
Enquanto que todas as macas conhecidas e utilizadas atualmente, com exceção da marca
Ferno Washington Inc., Ohio, como a similar nacional por nós adaptada (com registro de
patente no Brasil), necessitam que a vítima seja manuseada por três pessoas, isto é,
enquanto uma apóia a cabeça, a segunda os pés e a terceira a bacia, para que a vítima
seja elevada e colocada na maca na posição horizontal, não podendo ser fletida para evitar
a lesão medular.
Na Via Dutra, os Anjos do Asfalto, utiliza uma mini UTI, tendo na equipe, um médico, dois
enfermeiros e o motorista.
S.A.U.
SERVIÇO DE AJUDA AOS USUARIOS
O ineditismo consistiu em colocar em funcionamento:
O Centro de Controle Operacional (CODE);
Serviço de Inspeção de Tráfego;
Socorro Mecânico;
Guincho;
Serviço de Atendimento de Primeiros Socorros.
1- O CENTRO DE CONTROLE OPERACIONAL (C.C.O.)
Comanda e coordena o SAU, recebendo as solicitações de auxílio, selecionando,
controlando e acionando os recursos disponíveis.
Está equipado com:
Mesa de controle do SAU;
Mesa de controle dos fones de emergências (call box);
Rede de radio VHF que se comunica com todos os veículos da rede SAU e com o médico
responsável pelo Serviço de Atendimento de Primeiros Socorros;
Rede UHF, que se comunica com: a) Estações fixas dos postos de pedágios;
b) Postos de pesagem de veículos de carga e ônibus;
c) Pátio de recolhimento de veículos apreendidos;
d) A Diretoria Administrativa;
e) O médico da estrada;
Rede privativa das Polícias Militar e Rodoviária e do Exercito;
Fones da TELESP para contatos com o Corpo de Bombeiros, Polícia Civil, hospitais de
retaguarda, além da imprensa escrita, falada e televisionada e do atendimento público,
informando as condições de tempo, visibilidade, tráfego e mensagens para as empresas
comunicando avarias em seus veículos, e para os familiares dos usuários.
Fig. 6
Baseado nesse convênio, a COSESP manteve um Serviço Aéro-Médico, a cargo da
UNICOR, que colocou três helicópteros, pousando: dois na Rodovia dos Imigrantes (Km. 28
- no planalto paulista e Km 60 - na baixada santista) e o terceiro, na Rodovia dos
Bandeirantes -junto à pista (km 58)
A equipe Aero-Médica era constituída de um médico e um piloto aeronáutico, funcionando
durante o dia, sob a orientação da Base Aérea de São Paulo.
Foram mantidos convênios com 101 hospitais de retaguarda, situados nas cidades
localizadas ao longo das rodovias, em condições de dar atendimento secundário, desde
aquele realizado em modestos pronto socorros ou maternidades, até o terciário, efetuado
em hospitais escolas das faculdades de medicina das regiões, que funcionam como
hospitais de referência, como o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da
Universidade de São Paulo (fig. 07) e Santa Casa de São Paulo, UNICAMP e Irmãos
Penteado em Campinas, Hospital e Maternidade de Jundiaí e Santa Casa de Santos.
Fig. 19
Fig. 13
A maca portátil tem a vantagem de ser desmontada na longitudinal, transformando-se em
duas pás e a vitima é resgatada estendida, sem flexão, porque uma das partes da pá é
colocada longitudinalmente ao longo e sob o corpo, pela elevação de cerca de 5 cm. da
lateral; repete-se a manobra para o outro lado e articulam-se as extremidades.
Nos hospitais de retaguarda, todos os contatos foram realizados em alto nível, do ponto de
vista ético, moral e profissional. Os convênios, sem contratos formais, simplesmente foram
mantidos através de acordo de cavalheiros.
OPERAÇÃO MULTIDISCIPLINAR
Para atender as vítimas presas nas ferragens e veículos acidentados nos precipícios, foi
organizada uma Equipe Multidisciplinar, constituída por: Batalhões da Polícia Militar
Rodoviária do Estado de S. Paulo, sob o comando do Cel. PM. Clodomiro José Paschoal, e
dos Grupamentos de Incêndio, sob o(fig.23)(fig.23)(fig.23)(fig.22)(fig.20)
comando do Cel. PM. Milton de Almeida Pupo, e da Defesa Civil dos Municípios, CETESB,
SABESP e ELETROPAULO, do
Eng. José Carlos da Rocha Secchi (DERSA) e do Médico responsável pelo Serviço de
Atendimento de Primeiros Socorros, que praticamente se constituiu no embrião do atual
Sistema de Resgate do Estado de S.Paulo. (fig.20 a 24).
Fig. 14
Fig. 7
Fig. 3
O hospital secundário, para ser conveniado, deveria, como requisito mínimo, manter em seu
plantão: médico clínico-cardiologista, cirurgião geral e anestesista em período de tempo
integral e médicos plantonistas à distância: neuro - cirurgião, ortopedista e cirurgião plástico.
Manter em funcionamento, durante as 24 horas: aparelho de raios X, ultra-sonografia e
eletrocardiografia, além de instalações de banco de sangue e laboratório de análises
clínicas.
Com essa manobra, a vítima é colocada na maca sem o perigo da flexão do tronco, e, ao
chegar ao pronto socorro, ela é retirada , destravando-se apenas as extremidades e
afastando as pás sem movimenta-la.
No Sistema utilizamos atendentes de primeiros socorros em lugar de bombeiros, como é
utilizado mundialmente, porque, num estudo realizado de janeiro a março de 1990 em 787
eventos, apenas 25 vezes (3,18%) os bombeiros foram acionados para atenderem
incêndios nos veículos ou por haver vítimas presas nas ferragens, liberando-os para
exercerem a sua nobre e honrosa missão.
(fig.23)
(fig.20)
Nesses 20 anos (1976-1995) de atividade, o CC0 registrou: 3.594.698 eventos, assim
distribuídos: SAI - 1.337.479; SAB - 1.590.317; SIT - 666.902; tendo passado pelos
pedágios - 752.257.963 veículos.
Acionaram-se: Primeiros Socorros - 97.755; Socorro Mecânico - 1.477.504; Guincho 708.663 e Inspeção de Tráfego - 1.310.776, num total de 3.594.698 eventos.
2- SERVIÇO DE INSPECÇÃO DE TRAFEGO
Com a finalidade de detectar qualquer anormalidade na pista, porque a maior preocupação
no rodoviarismo é a presença de objetos (corpos estranhos), principalmente veículos ou
animais que estejam no trajeto e que possam ocasionar acidentes ou prejudicar o livre
trânsito - causas freqüentes de acidentes.
Posicionou-se uma pick-up de tal maneira que, circulando ininterruptamente pelas estradas
a uma velocidade constante de 60 Km/h., percorre o trecho pré-determinado em uma hora.
Portanto, o usuário que necessite de auxílio não fica mais de uma hora sem assistência.
Dos 1.310.776 eventos, ocorreram: SAI - 475.714; SAB - 491.124; SIT - 343.938.
3- SOCORRO MECANICO
Veículo com um mecânico treinado nas montadoras, tendo o prazo de meia hora para sanar
a pane; se o defeito for maior, que necessite mais tempo para o reparo, é solicitada a
presença do guincho.
Atendimentos efetuados: SAI - 513.526; SAB - 765.248 e SIT - 198.730, num total de
1.477.503 veículos. Quando necessário, acompanha-se o usuário para a aquisição de
peças de reposição.
4- SERVIÇO DE GUINCHO
Para retirar veículos médios ou pesados da pista, com a finalidade de desobstruí-la,
transportando-os para uma área de refúgio ou saída da rodovia. Não se coloca o veículo no
acostamento, pois, se trata de local perigoso, onde se tem demonstrado que 1% dos
acidentes ocorreram nessa faixa da estrada.
Foram removidos: 708.633 veículos: SAI - 311.993; SAB - 289.857 e SIT - 106.813.
(fig.23)
Fig. 15
Fig. 8
VITIMAS FATAIS
No início das atividades (janeiro de 1976), foi convocada uma reunião com: os
comandantes da Polícia Militar Rodoviária do Estado de São Paulo, da Polícia Civil e dos
Bombeiros, além dos Delegados da Polícia Civil, Militar e Científica (Polícia Técnica), do
Diretor do Instituto Médico Legal do Estado de S.Paulo, do Gerente do Sistema Anchieta Imigrantes e do Médico Responsável pelo Serviço de Atendimento de Primeiros Socorros.
O único requisito para a contratação do atendente era o de estar registrado no Conselho
Regional de Enfermagem (COREN), depois de três meses de curso de primeiros socorros,
ministrado pela Associação Brasileira de Enfermagem (ABEn), treinamento em serviço e
reciclagem periódica.
O médico era Professor Associado de Clínica Cirúrgica do Hospital das Clínicas e Vice
Diretor do Pronto Socorro do Hospital das Clinicas da Faculdade de Medicina da
Universidade de S.Paulo, permanecendo à disposição do Sistema durante as 24 horas do
dia.
AMBULÂNCIAS
Utilizamos veículos simples, cujo projeto desenvolvemos inicialmente junto à Carbruno , e
posteriormente à Sulamericana, Rontan, ABNT - Envemo, apenas para a remoção de
vítimas, equipadas com:
5- SERVIÇO DE ATENDIMENTO DE PRIMEIROS SOCORROS
Com uma ambulância posicionada a cada 30 Km. da rodovia, para assistir às vitimas de
acidente de trânsito, ou portadora de mal súbito na viagem, durante as 24 horas.
Foram transportadas para os hospitais de retaguarda: SAI - 36.246; SAB - 44.088 e SIT 14.421, total de 97.755 vítimas.
UNIDADES FIXAS
Tem o apoio de:
Pedágios;
Balanças fixas e móveis;
Postos de recolhimento de veículos acidentados ou autuados por infração;
Fones de emergência (call-box), situados a cada 1 Km. das rodovias (nas pistas da serra, a
cada 500 metros, tendo as três primeiras unidades, telefone e radio transmissor - receptor,
para comunicação com o Centro de Controle Operacional (CCO).
Fig. 9
Fig. 16
Analisou-se, principalmente, o problema das vítimas fatais das rodovias, freqüente causa de
acidentes secundários, devido à curiosidade dos usuários e lindeiros.
1.
2.
Duas macas convencionais e uma portátil desmontável;
Aparelho para aspiração e oxigenação.
(fig.23)
(fig.22)
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Okumura_2009_6p_Primeiros Socorros