XVII SEMEAD
Seminários em Administração
MARKETING E DIVERSIDADE: UM NOVO DESPERTAR
THIAGO ASSUNÇÃO DE MORAES
CEUT
[email protected]
SEVERINO DOMINGOS DA SILVA JÚNIOR
Universidade Federal da Paraíba - UFPB
[email protected]
ANDERSON DA TRINDADE MARCELINO
UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO
[email protected]
NELSIO RODRIGUES DE ABREU
Universidade Federal da Paraíba - UFPB
[email protected]
HELLEN TAYNAN DA SILVA CAVALCANTI
UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO
[email protected]
outubro de 2014
ISSN 2177-3866
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ÁREA TEMÁTICA: Marketing (Marketing, Sociedade e Outros Temas)
MARKETING E DIVERSIDADE: UM NOVO DESPERTAR
RESUMO
Discussões acerca da diversidade são comumente abordadas na área de gestão de pessoas,
mas no que concerne à área de Marketing, especificamente ao consumo, essa abordagem
torna-se incompleta, necessitando, pois, atenção. Assim, este ensaio objetiva iniciar uma
discussão sobre a importância de entender aspirações e anseios de grupos minoritários. Para
isso, realizou-se uma revisão teórica apoiada em dados estatísticos da realidade brasileira. A
análise da revisão apoia a reflexão acerca da necessidade do debate, em razão do pouco
quantitativo em trabalhos nesta temática na academia brasileira. Desse modo, pretende-se
contribuir no avanço desta discussão.
Palavras-chave: Marketing, Diversidade, Grupos Minoritários.
MARKETING AND DIVERSITY: A NEW AWAKENING
ABSTRACT
Discussions about diversity are often addressed in the People Management area, but
concerning the Marketing area, especially regarding consumption, the approach is
incomplete, requiring, therefore, attention. Thus, this essay aims to start a discussion on the
importance of understanding the aspirations and anxieties of minority groups. For this, was
carried out on various sources and statistical data of the Brazilian reality. The analysis of the
review supports reflection of the need for debate, because of little quantitative work on this
theme in Brazilian academia. Thus, we intend to in this way to contribute to this discussion.
Keywords: Marketing, Diversity, Minority Groups.
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1. INTRODUÇÃO
O interesse em estudos acerca da diversidade tem evoluído à medida que se expande a
compreensão acerca da necessidade de valorização da liberdade do ser humano em construir
sua própria identidade. As pesquisas em geral, de cunho acadêmico ou prático geralmente
relacionam a diversidade à perspectiva de gestão. Assim, fala-se de gestão da diversidade
(Diversity Management), em especial direcionando-as às práticas de Gestão de Pessoas a fim
de lidar com uma força de trabalho miscigenada. No marketing, as ações voltas à diversidade
focam no atendimento a clientes de várias etnias, estereótipos, crenças e estilos de vida
(Diversity Marketing).
A diversidade abordada sob o contexto supracitado denota tentativas incipientes de
teóricos e práticos de construção de conceitos embasados em compensação de estigmas
históricos. Assim, direcionando a diversidade a uma perspectiva cultural, fincam a visão em
estigmas e preconceitos.
Estudos sobre a sociedade implicam em uma atividade complexa, pois em si, já
envolve uma diversidade de valores pelos aspectos subjetivos que envolvem a percepção de
mundo de cada indivíduo e de como ele próprio se percebe nos grupos. Compreender e aceitar
a diversidade é fundamental para proporcionar a todos o livre acesso ao consumo e o
tratamento igualitário. Tal compreensão também deve ser percebida pelas empresas como
oportunidades de direcionar negócios que atendam a demanda do grupo específico
Por entender a importância de se estabelecer e valorizar uma relação entre o Marketing
e a diversidade, propõe-se provocar neste trabalho uma reflexão acerca dos discursos
provenientes das pesquisas. Do mesmo modo, busca ampliar a reflexão sobre as ações
empresariais que vêm sendo desenvolvidas em prol do consumo em grupos minoritários.
A diversidade, embora seja tema de políticas públicas de inclusão, campanhas sociais
e promocionais, ainda é permeada por desinformação. Por entender a complexidade presente
na abordagem da diversidade, este ensaio considera as diversidades em dois pontos de vista.
O ponto de vista determinístico trata de uma diversidade que limita a capacidade de
consumo pela própria condição imposta ao indivíduo; sem interferência dele. Sob este
enfoque, de modo geral, pode-se incluir os idosos, os deficientes físicos e mentais, negros.
O ponto de vista de construção de identidade trata de uma diversidade que foi
construída por aspectos subjetivos, o que não exclui a possibilidade de uma ação biológica,
mas de modo geral, foi desenvolvida deliberadamente. Neste aspecto, pode-se incluir as tribos
e demais organizacionais informais que se formam por afinidade incluindo aquelas que
envolvem valores religiosos e identidade de gênero.
A problemática do tema aqui discutido é a uma reflexão que caracteriza o estudo como
um ensaio teórico onde, através do levantamento de aspectos relacionados a estudos da
diversidade do marketing e suas congruências, objetiva proporcionar uma reflexão teórica
acerca da necessidade de uma teoria que amplie a ideia de Marketing e Diversidade na
academia, abordando os grupos minoritários sem discriminação, mas sim como consumidores
ativos no processo de decisório de compra e de consumo.
A discussão proposta envolve a necessidade de ratificar a visão na perspectiva
mercadológica, mas acrescentando a perspectiva teórica que relaciona-se aos aspectos
sociológicos do Marketing. Uma vez que entende que o público consumidor é influenciado
por aspectos múltiplos de caráter objetivos e subjetivos. Tomando por base esta visão, esperase incitar o desenvolvimento de outros ensaios que ampliem a compreensão do Marketing e
Diversidade focando em grupos minoritários específicos.
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2. MARCO TEÓRICO
2.1. Marketing
Culturalmente, diz-se que o marketing é adaptável ao seu contexto, uma vez que
práticas de comércio ou de políticas públicas inadequadas em uma comunidade, podem ser
aceitas em outra. O que é necessário à adaptação, é o respeito e o entendimento dos padrões
éticos e morais da cultura em que se aplica.
Para Layton (2007, 2008) um sistema de marketing, estende-se em diferentes lugares e
meios e é definido como uma rede de indivíduos, grupos e/ou entidades, embutidos em uma
matriz social, conectados direta ou indiretamente por uma sequencial e compartilhada
economia de trocas. Essas trocas coletivas, criam valores econômicos com e para os
consumidores ofertando produtos, serviços, experiências e ideias, antecipando-se à demanda
ou atendendo a necessidade dela. O sistema agregado de marketing influencia e é influenciado
pelos ambientes institucional e de conhecimento em que é atuante, também está entre os
resultados e os processos de tomada de decisão de compra e venda. A eficiência e efetividade
do Sistema de Marketing com cada sistema de marketing individual é determinante para a
qualidade de vida de toda uma sociedade (COX et al., 1965; FISK, 1967; WILKIE e
MOORE, 1999, 2012).
Assim, o marketing, entendido como um sistema agregado, já é em si um conceito que
possui interminável diversidade por sua onipresença e pela quantidade de variáveis que o
integram. A partir disto, o conceito de diversidade não se limita apenas ao processo de compra
e venda, mas a toda e qualquer relação de troca e mesmo quando a literatura enfatiza apenas a
visão prática e gerencial, abordam-se as práticas competitivas no espaço e no tempo, seus
atores e seus processos.
As organizações devem buscar soluções efetivas para lidar com os desafios da
diversidade, dado que seu significado é muito mais amplo e profundo do que era entendido
até meados do século XX, quando havia predomínio dos preconceitos, o que ocasionava
grande resistência em aceitar a diversidade. As políticas para os grupos minoritários, quando
existiam, eram ínfimas e concentravam-se na diversidade determinística. Assim, as
organizações que incentivam políticas que atendam à diversidade podem contribuir
positivamente para o desenvolvimento de novos projetos, combater à intolerância e criar
vantagem competitiva ao cooperar para o avanço social como um todo.
Muitas organizações incluem em seu quadro, colaboradores incluídos em grupos
minoritários. Para Dwyer, Richard e Chadwick (2003) e Malik e Zhao (2013), os benefícios
de uma força de trabalho diversificada podem ser favoráveis dependendo do contexto e de
suas relações com a diversidade, uma vez que pela flexibilidade e criatividade desenvolvidas
com a diversidade há uma contribuição favorável para o crescimento das empresas.
Acadêmicos e empresários concordam que o gerenciamento da diversidade não é uma
tarefa fácil (RICHARD, KOCHAN e MCMILLAN-CAPEHART, 2002; PLOYHART, 2006).
Políticas públicas, incentivam as organizações a contratar público dos grupos de diversidade
determinada e isso é positivo para a imagem da empresa e para o sentimento de valorização
do próprio funcionário.
A força de trabalho da diversidade construída, deve ser valorizada da mesma forma,
principalmente por sua capacidade em atender outros grupos. Muitos o abordam usando seu
gerenciamento simbólico, expresso em seus valores, implementando programas de
treinamento e equipes multifuncionais, estimulando o fluxo da comunicação e promovendo a
justiça e a igualdade nas práticas de recursos humanos (ROBERGE, LEWICKI,
HIETAPELTO e ABDYLDAEVA, 2011; TORELLI et al., 2014).
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Alguns estudos abordam as categorias mencionadas acima como o de Thibeaux et al.
(2006) que analisa os programas de treinamento com a participação de todos os gerentes de
uma organização, enfatizando os ganhos nas competências gerenciais de comunicação de
cima para baixo na pirâmide organizacional, enquanto considera o impacto de fatores como
religião, estrutura familiar e atitudes. Okoro, Cardon, Marshall e Thomas (2011) descrevem
em seu paper um estudo sobre a comunicação transcultural e suas dimensões, utilizando uma
análise híbrida de tendências coletivistas e individualistas entre estudantes de administração
afro-americanos e euro-americanos. Paterson, Cowley e Prasongsukarn (2006), avaliam as
justiças distributiva, procedural e interacional e seus impactos nos níveis de satisfação com as
experiências de consumo, e para isso aborda conceitos de justiça associados à orientação
cultural e satisfação.
Pode-se afirmar que o conceito de aplicação do marketing na temática ‘diversidade’ é
tão grande quanto os fatores e as variáveis consideradas quando é estudado. As necessidades
expostas proporcionam oportunidades que precisam ser enxergadas e atendidas para evoluir a
própria teoria de Marketing, gerando inovação na oferta de produtos e serviços adequados
para os grupos.
É requerida a participação de todos os atores sociais em prol da redução do
preconceito no gerenciamento conciso da diversidade. O caráter dinâmico do Marketing
permite através da adequação do seu sistema equilibrado de trocas, o bem-estar dos grupos
minoritários, logo, cada parte deve agir para estruturar o todo e formar um sistema agregado
de marketing que reconheça ações que ampliem suas políticas a todos os grupos.
2.2. Consumo
Na sociedade moderna, o consumo tornou-se um dos fenômenos mais importantes
uma vez que atua como mediador das relações sociais. Reale (2011) aponta que estudar o
consumo é fundamental na constituição da realidade. Embora o consumo apresentado aqui
faça referência ao Marketing, deve-se mencionar que o estudo do consumo não se restringe à
perspectiva mercadológica, antes encontra respaldo em conceitos mais antigos com raízes
filosóficas, antropológicas, sociológicas e psicológicas. Assim, o consumo deve ser estudado
a partir de uma visão multidisciplinar, uma vez que está presente na essência humana e em
todas as suas relações.
No Marketing, o consumo pode ser definido, segundo McCraken (1988) como criação,
a compra e o uso de produtos e serviços. Durante muito tempo, o consumidor foi visto quase
como um indivíduo isolado; suas decisões não eram consideradas sob a influência do meio
social conforme enfatizou Douglas e Isherwood (1996).
O consumo apresenta como discurso dominante a necessidade e o desejo. O que se
percebe é uma inclinação que aproxima o consumo da sociedade moderna a uma satisfação de
desejo, proporcionando o prazer, enquanto nas sociedades tradicionais, o consumo partia de
uma necessidade, proporcionando uma utilidade.
A visão teórica de Campbel (1998, 2001) permite uma reflexão acerca da “Hierarquia
das Necessidades” de Maslow, as interpretações levam a perceber que na verdade existe um
esforço para fazer com que os atos de consumo sejam justificados apenas no aspecto
funcional. Mas o indivíduo é subjetivo e ao considerar que as necessidades psicológicas são
subjetivas, pode-se inferir que a própria hierarquia das necessidades de Maslow, fornece um
quadro que pode ser concebido em uma evolução da necessidade para o desejo. Isso justifica
que o consumo é proveniente de necessidades biológicas (precisar) e necessidades
psicológicas (querer). Mais do que isso, a teoria que sustenta a ideia de Maslow, abrange a
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discussão de que o consumo por desejo é inerente ao ser humano, uma vez que os aspectos
psicológicos, que emanam da psique nunca foram separados da essência do homem.
Desse modo, é coerente afirmar que nas sociedades pré-industriais o consumo por
desejo foi omitido apenas porque não existia de fato um estímulo extrínseco que permitisse a
extrapolação do que o ser humano entendia por desejo. A industrialização não criou o
consumo por desejo, antes, despertou a ideia de que o ser humano não precisava mais se
contentar só com o que era necessário uma vez que o consumo do que é desejado, além de
utilidade, promove o prazer.
Aldridge (2003) faz a relação entre os sentimentos de prazer e felicidade. Citando
Aristóteles ele embasa seu argumento a favor da diferenciação entre os possíveis sentimentos
gerados pelo consumo. Ele afirma que o consumo não pode gerar felicidade, uma vez que
esta, relaciona-se à virtude. O consumo gera prazer através da satisfação do desejo. Aldridge
destaca que “consumption delivers only pleasure, not happiness. But happiness, not pleasure,
is the final goal of human life, and only virtuous people can be happy” (ALDRIDGE, 2003, p.
9).
Uma vez consciente do sentimento de satisfação que o consumo desperta através do
alcance de um desejo, as empresas devem segmentar seu mercado para atender grupos
específicos a fim de proporcionar que as necessidades e desejos de consumo sejam satisfeitas
para todos os grupos, afinal em um mercado diversificado, é imperativo que o consumo
proporcione a oportunidade de desenvolvimento de retórica que permitam a diferentes grupos
justificar suas necessidades e seus desejos de consumo em um ambiente capaz de gerar
satisfação na experiência de consumo.
2.3. Diversidade
O conceito de diversidade encontra-se enraizado em diferentes linhas do
conhecimento. Evidencia-se que existem estudos sistemáticos em torno do tema, constituindoo cada vez mais como uma área específica do conhecimento. Desse modo, é possível
encontrar revistas que tratam diretamente de Diversidade, como é o caso do Journal of
Diversity Management.
Antes de qualquer construção moderna acerca da diversidade, está a concepção
filosófica que ao promover ao homem a liberdade de questionar-se sobre sua existência,
despertou para o entendimento de que não existe homogeneidade racional quando se valora
aspectos subjetivos. A Filosofia rompe com a ideia de mito, descontruindo o ideal de verdade
absoluta. Essa foi a primeira concepção de que a diversidade existia e que deveria ser vista
como uma manifestação da essência de liberdade do homem.
À medida que o homem consegue perceber-se, ele está apto a percepção do outro e
assim, as diferenças percebidas amplia a visão de individualidade na Filosofia para uma visão
mais coletiva, de cunho sociológico. É nos grupos que se percebe a diversidade. Assim, a
abordagem sociológica analisa a diversidade de acordo com os aspectos que envolvem o
relacionamento em grupos. Assim, a diversidade pode ser entendida à luz de um constructo
que envolve todos os aspectos adquiridos e subjetivos e intrínsecos do homem.
A fim de compreender os conflitos existentes no homem individual e social, a
psicologia debruça seus esforços a promover uma explicação, sobre as motivações na busca
de satisfação de necessidades e desejos. A intenção de consumo que parte de motivações
intrínsecas, justificam a abordagem psicológica da diversidade. A área de Marketing que
estuda o consumo admite influências intrínsecas e extrínsecas na decisão de consumo.
Assim, a complexidade e o caráter do conceito de diversidade encontram-se agrupados
às características históricas, sociais e culturais da sociedade. Sacristán (2002) enfatiza que a
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diversidade está relacionada com as pretensões e liberdade das pessoas para realizar sua
autodeterminação, assim como as obrigações de conduzir socialmente as diversas realidades
locais, respeitando a liberdade de cada um. A diversidade faz menção às distintas tradições de
uma sociedade e segundo Cardoso e Muzzeti (2007), está atrelada ao desenvolvimento do
contexto do grupo.
O consumo na óptica do Marketing e Diversidade também é influenciado pela cultura.
Uma vez que a cultura é um processo construído, os grupos se formam a partir de semelhantes
que vão criando sua identidade cultural e em algum tempo é possível reconhecer os pares. O
público de orientação sexual minoritária do recebe influência cultural significativa uma vez
que o caráter minoritário aproxima os sujeitos iguais e o processo de identificação favorece o
consumo.
Assim, estudar a diversidade cultural, é importante a fim de valorizar o aspecto
subjetivo ligado à percepção. Do ponto de vista do consumidor, uma vez valorizando a
percepção deste, reconhece-se que a noção do desejo de consumo ultrapassa os frutos de
mercadorias oriundas de transações comerciais. É indispensável à criação de um ambiente
capaz de beneficiar programas de desenvolvimento, colocando a cultura como um dos
elementos fundamentais. E entendendo por cultura qualquer valor compartilhado que oriente a
ação do grupo.
Para Adler e Rodman (2000), a cultura influencia a maneira como os grupos se
comportam através de fatores implícitos e regras que direcionam o comportamento das
pessoas envolvidas nos grupos. Por isso, os grupos possuem algumas características que
facilitam a adaptação na interação: as regras e normas (os padrões que são aceitos no grupo),
os papéis (modelos de conduta esperado pelos participantes), padrões de interação
(corresponde ao fluxo de informações trocadas pelos integrantes) e os métodos de tomada de
decisões (consenso e as regras de autoridade).
É sabido que o comportamento influencia as relações dentro dos grupos. Robbins
(2006) conceitua comportamento como o conjunto organizado das intervenções escolhidas em
função das informações alcançadas do ambiente por meio das quais os participantes
relacionam com suas disposições. O comportamento indica transformação, oscilação ou a
resposta a qualquer grupo ou sistema relacionado a seu ambiente.
Para Robbins (2006) o comportamento pode ser dividido em áreas que facilitam a
compreensão e o estudo aprofundado. Para a Psicologia, a conduta constitui seu próprio
objeto. A Biologia indica que todas as ações e reações das pessoas são relacionadas ao meio
que pertence. Os antropólogos estudam as características das culturas e suas relações com o
homem. Economistas analisam os estudos esperados pela teoria da racionalidade e as
determinações dos agentes econômicos. Os sociólogos contribuem com a análise das
atividades das pessoas participantes dos grupos.
Deste modo, observa-se que existem fatores que influenciam o comportamento das
pessoas, numa abordagem micro e macro. Para os fatores macro encontra-se a cultura, classe
social, família, amigos, instituições, experiências e leituras, enquanto que nos fatores micros,
que são influenciados pelo macro, encontra-se valores, crenças, atitudes, emoções,
competências e motivação.
Para McCracken (2003), as transformações manifestadas no mundo moderno são
reflexos do comportamento e dos bens de consumo da sociedade. Os objetos utilizados pelas
pessoas demonstram a cultura e a identidade social na qual o participante está envolvido. Os
hippies, punks, gays, feministas e tantos outros grupos ou tribos utilizam os bens materiais
para se afirmar em determinada classe, diferenciando-se do restante da sociedade pelas suas
visões de mundo refletidas nos seus estilos de vida, preferências e atitudes. Cada grupo tem
suas normas e regras, existindo diversos tipos de grupos, dentre os quais: de aprendizagem,
resolução de problemas, crescimento e os sociais.
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Do ponto de vista de construção de identidade, pode-se destacar o público GLBTT
(gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais). Tal grupo, configura um nicho de mercado
que até pouco tempo foi marginalizado pela população, empresas e demais organizações.
Esses consumidores são exigentes e possuem alto poder aquisitivo, o que os tornam
consumidores potencialmente atraentes ao mercado que aos poucos se dedicam a atender esta
demanda. O perfil desse grupo direciona seus prazeres com moda, turismo, decoração,
esportes, cultura, viagens, comendo fora ou indo a clubes, gastam em média 30% a mais do
que os heterossexuais.
Sob a perspectiva determinística, onde não há a construção consciente de identidade,
apresenta-se outro grupo minoritário que merece destaque, a saber, os deficientes. Segundo o
IBGE (2010), aproximadamente 24% da população, ou seja, 45 milhões de brasileiros
alegaram possuir alguma deficiência, seja ela motora, visual, auditiva ou mental. Esse
mercado consumidor corresponde a uma movimentação anual de R$ 1 bilhão, dos quais
metade são gastos com compras de cadeiras de rodas e automóveis adaptados. Assim o
mercado deve preocupar-se em considerar que as pessoas com deficiência, fazem parte de um
público que além de suas necessidades especificas de consumo, apresentam anseios comuns a
qualquer grupo como compras de roupas, alimentos, entretenimento, entre outros segmentos.
São necessidade e desejos de consumo que as empresas devem considerar e estender a
produção para atender esse público.
A respeito de idosos observa-se que a imagem deste grupo, modificou-se ao longo do
tempo. Hoje, a concepção de idosos limitados por enfermidades, sentados em suas cadeiras
contando histórias para os netos enquanto a vida se esvai, foi modificada devido a uma
postura de maior independência desse público. A autonomia promovida pela tecnologia e
também pelo próprio Marketing, mostrou que a atividade em busca de satisfação, não deve
limiar-se com a idade. Hoje os idosos correspondem a um segmento de mercado em forte
crescimento tão ou mais ativo que os jovens. De acordo com o IBGE (2010), no Brasil, o
número de idosos (pessoas com mais de 60 anos), que era de 4,8% da população em 1991,
passando a 5,9% em 2000 e chegando a 7,4% em 2010. O número de idosos cresce, assim
como suas necessidades e anseios por produtos e serviços personalizados. O mercado de
turismo e vestuários está despertando para esse público, para isso precisam estar atentos em
como lidar de forma diferenciada, para este segmento de mercado.
Outro exemplo de diversidade é aquela provocada por fatores étnicos que geram um
aculturamento promovido pela imigração. O aculturamento consiste em uma atividade
unidirecional de assimilação cultural onde a minoria absorve ou herda a cultura do local onde
se instala (PHINNEY, 1990), não deixando de integrar ao novo sua cultura original. É um
processo que resulta do contato entre diferentes culturas (MOYERMAN e FORMAN, 1992),
havendo uma troca mútua de influências culturais, refere-se à diferença entre indivíduos em
muitos atributos que levam à percepção de que a outra pessoa é diferente de si. O grupo de
minorias étnicas, se estende a distinções de religião, língua ou história e origem compartilhada
ou nacionalidade (VENKATESH, 1995).
Ainda abordando o tema, é interessante citar o debate sobre o sobrepeso e a obesidade.
Embora os dados da OMS (Organização Mundial de Saúde) mostre que hoje, o grupo de
indivíduos acima do peso não é minoria no Brasil, ainda há estigmas de uma sociedade que
dita padrões estéticos que excluem esse grupo. O Marketing deve estar atento às necessidades
dos obesos uma vez que identifica-se insuficiência de produtos e serviços especializados,
como roupas e academias direcionadas a esse público, assentos em geral e transporte público
não adaptado.
Segundo Andrade e Chamon (2001), no trabalho, esse fator já começa a ser tratado
com preocupação por algumas companhias que promovem programas de qualidade física e
mental para os empregados, quase sempre extensivos às famílias, que visam prevenir doenças,
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combater o estresse, promover a autoestima e criar um ambiente agradável de trabalho. Essas
iniciativas podem ter início no local de trabalho do indivíduo que sofre com o sobrepeso e
obesidade, mas se estendem por toda sua vida, e principalmente o atinge como consumidor de
bens e serviços e de políticas públicas que visem seu bem-estar.
Nos últimos anos, ficou mais evidente o aumento nos compromissos das organizações
que envolvem diretamente a eliminação de práticas de discriminação, confrontando esse
quadro com políticas direcionadas aos direitos à diferença e orientação por valores de
diversidade. Esse direcionamento, que também pode partir do Estado, sugere que o sistema
agregado de marketing abordado por Wilkie e Moore (1999, 2012) e Wilkie (2005, 2007),
deve entender a diversidade como reconhecimento cultural de uma sociedade e assim
equilibrar as relações de troca, que possuem em seu contexto aspectos como etnia, religião,
língua, ritos, rituais etc., para o mais próximo possível de um bem-estar social.
A discussão sobre os diferentes grupos minoritários e suas necessidades de valorização
enquanto pessoas comuns evidenciam a necessidade de políticas de Marketing voltadas a esse
público. As empresas devem ampliar as opções de consumo para públicos específicos,
enxergando além da oportunidade de retorno econômico, a possibilidade de contribuir para a
construção de uma sociedade livre de estigmas e distorções preconceituosas.
3. DISCUSSÃO
Através do entendimento amplo do termo Diversity Marketing (DM), é possível
alinhar a necessidade do mercado em valorizar os grupos minoritários estendendo o retorno
econômico a uma satisfação pessoal onde a partir de sua promoção, as empresas
proporcionam aos grupos minoritários um sentimento de autonomia e aceitação na sociedade.
O termo Diversity Marketing (DM) vem sendo adotado mais em práticas gerenciais do que de
reflexões acadêmicas, mas não o excluí de uma aplicação nesta perspectiva. Em português,
não há uma tradução literal para o termo, mas Diversity Marketing pode ser entendido como
marketing da diversidade, marketing para a diversidade ou simplesmente como Marketing e
Diversidade (M&D).
A construção histórica evidencia o Marketing ora como respondendo à necessidade da
demanda ora criando essa necessidade. Na perspectiva do Diversity Marketing, observa-se
que a diversidade construída, sofre muitas influências do caráter criador de demanda do
Marketing. O incentivo ao consumo determina que aquela oferta é interessante e à medida que
vai ganhando adeptos, torna-se como modelo que caracteriza algum grupo. Quando a atenção
volta-se à Diversidade referindo-se a grupos minoritários não é coerente esperar que o
Marketing crie a demanda por que ela já existe. Nesse caso, o mercado deve expandir seu
nicho para atender as necessidades desse grupo. O DM é considerado um paradigma que
direciona os esforços de marketing para a comunicação com diversos públicos-alvo. Nesse
sentido, o foco principal é criar métodos de comunicação efetivos e um mix de comunicação
apropriado para cada grupo ativo no mercado, levando em conta suas características culturais
e sociais (DAHL, 2002).
As estratégias de comunicação voltadas à diversidade têm sido desenhadas tanto pela
perspectiva do marketing gerencial, com o propósito de gerar receitas para as empresas,
quanto pela perspectiva do marketing social, na tentativa de provocar mudanças sociais. Em
quaisquer dos casos, já existem em muitas empresas áreas específicas para a gestão da
diversidade.
Uma visão mercadológica para tratar o Marketing e Diversidade, pode ser percebida
nos estudos de McDonald (2011) que a partir das considerações sobre os anseios de cada
geração, engloba os grupos minoritários que segmentam o Marketing. Embora o trabalho de
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McDonald tenha pouca densidade teórica e seja direcionado à prática empresarial, suas
considerações balizam reflexões acerca do próprio papel do marketing em torno da
diversidade. É importante aqui registrar que os esforços de McDonald (2011) se configuram
como uma releitura de Krone (2007) com exemplos que ajudam a melhor compreender os
aspectos apontados por este autor sobre Diversity Marketing and Cultural Awareness.
O Diversity Marketing em sua percepção mercadológica tem caminhado, embora
discretamente, buscando atender os grupos. Contudo, a academia carece de um arcabouço
teórico especializado no tema. Esse fato, surge como fator complicador na produção
científica, de modo que o cenário atual pratica sem a devida dimensão reflexiva que o tema
exige.
Trazendo a abordagem de Marketing e Diversidade para o campo social, percebe-se o
benefício social que esta valorização pode trazer ao permitir que as pessoas consumam
produtos e serviços direcionados às suas especificidades. Visualiza-se que grupos até então
marginalizados pelo mercado apresentam uma necessidade social latente atrelada ao consumo
e à inclusão no mercado de trabalho. A própria necessidade de entender melhor o novo
cliente, faz com que elementos desse público passem a integrar a força de trabalho, como
falado anteriormente, independentemente de ser uma imposição legal ou estratégica
(LAKSHMINARAYANAN, 2006).
Nesse âmbito, o olhar para a diversidade e as mensagens em torno dela podem estar
relacionadas não à oferta de produtos e serviços em si, mas na transformação da sociedade
com a quebra de preconceitos com as diferenças culturais, psicológicas, ideológicas,
fisiológicas, econômicas e sociais. Fazer com que o diferente possa ser visto e aceito como
normal pela sociedade pode ser o maior desafio para os esforços que permeiam entre
marketing e diversidade.
A padronização de produtos, e na medida do possível também de serviços generalizou
o público, criando estereótipos que minimizam as diferenças e particularidades de cada cliente
ou de grupos de clientes. A ideia da globalização das atividades e das ofertas ao mercado
tende, cada vez mais, a dar espaço a compreensão e atenção às necessidades específicas de
grupos até então considerados desinteressantes ou com pouco potencial de gerar receitas para
as empresas.
Sem ter acesso a produtos e serviços que melhor atendam suas necessidades ou que
melhor se adequam aos estereótipos ou limitações físicas, grupos minoritários sofrem as
consequências de da discriminação, ficando impossibilitados de serem aceitos socialmente ou
de terem suas dificuldades minimizadas para viver de forma mais normal possível. Fazem
parte desses grupos pessoas com algum tipo de deficiência, diferentes etnias, cores, credos,
orientação sexual, enfim todos aqueles que contribuem para a diversidade populacional.
Por muito tempo as empresas fecharam seus olhos para essas diferenças, a ponto de
ser necessário legislação específica de ações governamentais de apoio à inclusão de minorias
no mercado de trabalho, sob a forma de cotas. No marketing essa ampliação de visão foi
ocorrendo naturalmente no meio acadêmico e, a partir de redefinições e diversificação de
conceitos, hoje é dado um foco especial na sociedade e nas externalidades negativas do
marketing (LAYTON, 2011; FERNANDO, SAAD e HARON, 2012).
De fato, uma das formas de praticar o Marketing e Diversidade é oferecer vagas no
quadro da empresa para esse público, vão se identificar com a empresa que demonstra
valorizar esse profissional e importar-se com as diferenças. Neste sentido, ações de marketing
voltadas à diversidade têm sido adotadas por empresas como a Dell, Coca-Cola, Wal-Mart,
dentre outras, mas sua discussão no âmbito acadêmico tem sido ainda restrita e relacionada
principalmente a ações de responsabilidade social empresarial (INSTITUTO ETHOS, 2000;
GODIWALLA e DAMANPOUR, 2006), enquanto a maioria dos estudos procura tratar a
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questão da diversidade relacionada à força de trabalho (AMARAN, 2007; HOLTON, 2009;
ROBERGE, LEWICKI, HIETAPELTO e ABDYLDAEVA, 2011).
Quaisquer que sejam as motivações para atender a diversidade, esta passa a surgir
como uma área específica nas empresas com diretores específicos para lidar com questões de
relacionamento com funcionários e com clientes, como ocorre na General Motors (GM) e na
AVON, as quais tem desenvolvido novas formas de atuação visando melhor atender seus
clientes globais, majoritários e minoritários, procurando promover e aceitar as diferenças.
Em todo mundo não faltam leis buscando promover a diversidade e combater o
preconceito. No Brasil, de acordo com o Instituto Ethos (2000, p. 17-18),
Um levantamento de 1997 registrou a existência no país de 26 medidas
legislativas federais relacionadas ao racismo e à discriminação, além de
outras quatrocentas de âmbitos estadual e municipal. A Constituição Federal
considera o racismo crime inafiançável e imprescritível. A Lei 7.716/89,
atualizada pela lei 9.459/97, estabelece pena de um a três anos de reclusão e
multa para quem induzir, incitar ou praticar os crimes de discriminação ou
preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. O Brasil é
signatário, desde 1965, da Convenção nº 111 da Organização Internacional
do Trabalho, assumindo o compromisso de formular e aplicar uma política
nacional que tenha por fim promover a igualdade de oportunidades e de
tratamento em matéria de emprego e profissão. Na definição da Convenção
nº 111, discriminação compreende “toda distinção, exclusão ou preferência
fundada na raça, cor, sexo, religião, opinião política, ascendência nacional
ou origem social que tenha por efeito destruir ou alterar a igualdade de
oportunidades ou tratamento em matéria de emprego ou profissão”. O país
também assinou outros acordos internacionais relativos à discriminação,
como a Convenção nº 100 da OIT sobre Igualdade de Remuneração de Mãode-Obra Feminina por um Trabalho de Igual Valor, de 1951; a Convenção da
ONU sobre Eliminação de todas as Formas de Discriminação Racial, de
1966; a Convenção da ONU sobre Eliminação de todas as Formas de
Discriminação contra a Mulher, de 1979, a Convenção nº. 169 da OIT, sobre
os Direitos dos Povos Indígenas e Tribais; e a Declaração de Princípios
Fundamentais e de Direitos no Trabalho da OIT, de 1998.
Percebe-se ainda uma incipiência na obrigação legal para as empresas direcionarem
seus esforços para atender mercados consumidores diversificados, as políticas desenvolvidas
são essencialmente discriminatórias ao estabelecer cotas para participação de grupos
minoritários na força de trabalho. Atender clientes diversificados é visto como um diferencial
competitivo, o que nem sempre pode ocorrer com a força de trabalho diversificada. Prefere-se
colocar a questão da diversidade como uma questão de ética do que se tentar extrair o máximo
proveito das competências de uma equipe disciplinar diversa.
O Instituto Ethos, por exemplo, preparou um manual informando “como as empresas
podem (e devem) valorizar a diversidade”, no qual a diversidade é apontada como importante
para: desenvolver um fator crítico de sucesso; adaptação ao perfil dos clientes; um melhor
desempenho financeiro; redução da rotatividade; melhoramento da produtividade; aumento da
satisfação no trabalho; menor vulnerabilidade legal; valorização da imagem corporativa;
maior flexibilidade e adequado reconhecimento. O instituto aponta o marketing como uma das
formas da empresa incentivar a diversidade: “assegure que os princípios de diversidade
orientem as campanhas de publicidade e marketing de seus produtos. Faça também marketing
institucional de suas iniciativas pela valorização da diversidade” (INSTITUTO ETHOS, 2000,
p. 49).
11
4. CONCLUSÃO
A carência de reflexões que enriqueçam o debate teórico acerca do Diversity
Marketing é evidente ao realizar uma busca on-line sobre “Diversity Marketing”. A maioria
dos resultados aponta para sites de empresas ou organizações, que propõem conceitos,
modelos, estratégias e ferramentas de marketing ou de RH para trabalhar com a diversidade.
O esforço deste ensaio estende-se a ampliar o alcance do termo “Diversity Marketing”
para que a academia desperte para questões simbólicas do consumo presentes nos grupos
minoritários. O grupo que compõe o que se chama Diversidade, demanda uma compreensão
de fatores subjetivos, muitas vezes ligados ao sentimento de exclusão que foi construído pela
própria miopia da sociedade que, valorizando o retorno econômico, não conseguiu olhar além
do que se pode contar.
Segundo a UNESCO (2001, on-line), é preciso:
Estar convencido de que as atividades culturais, bens e serviços têm simultaneamente
uma natureza econômica e cultural, porque são portadores de identidades, valores e
significados, não devendo, portanto ser tratados como se tivessem apenas valor
comercial; [e] notando que, embora os processos de globalização, que tem sido
facilitado pelo rápido desenvolvimento das tecnologias da informação e comunicação,
criam condições inéditas de interação reforçada entre as culturas, elas também
representam um desafio para a diversidade cultural, designadamente no que se refere
aos riscos de desequilíbrios entre ricos e países pobres.
Portanto, entender bem as particularidades subjetivas, envolvendo cultura ou
limitações impostas faz parte das ações dessa nova forma de marketing, pois um produto
idealizado para um público minoritário hoje, tem um grande potencial mercadológico e social.
A principal contribuição deste ensaio explicita-se em sua proposta de despertamento.
Deve-se de fato, despertar a sociedade para o entendimento das minorias como consumidores.
Numa visão mais ampla, entender a minoria como seres humanos capazes de escolher com
autonomia o que lhes é conveniente, realizando seus desejos e percebendo que não é visto
como vítima ou marginal, mas como senhor de suas vontades equiparado a qualquer outro
grupo. Deve-se compreender a diversidade como ela se apresenta, dotada de percepções e
expectativas quanto ao consumo, onde os indivíduos buscam sua qualidade de vida e atuação
como membro de uma sociedade.
Fazer isso não configura uma prática de responsabilidade social empresarial, mas uma
ação empresarial como qualquer outra, focada em um determinado nicho. Mais do que
mostrar-se uma empresa que valoriza o diferente, é agir como uma empresa que considera
seus clientes com equidade, onde todos contribuem para o desenvolvimento da sociedade e
devem ser reconhecidos através do acesso ao consumo sem quaisquer restrições.
A proposta do título do paper remete ao pensamento de que as práticas de marketing
direcionadas à diversidade humana devem considerar o público não pela característica
minoritária que lhe é atribuída, mas pela complexidade de emoções que o torna humano. O
entendimento da diversidade para o Marketing traz para o debate pontos que transcendem os
aspectos comerciais das relações de troca, inclusive o arcabouço legal que promove justiça e
desenvolvimento social. Direcionar o consumo a atender a diversidade como parte da
sociedade e não à parte desta, é o primeiro passo que aproxima o marketing das relações
sociais rumo ao respeito à diversidade.
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