Revista Eletrónica de Educação e Psicologia
Ano 1, Volume 1, 2014, pp. 39-46
ISSN 2183-3990
edupsi.utad.pt
Atividades Lúdicas na Educação Infantil: Resignificando a Prática Pedagógica
Playful Activities in Early Childhood Education: Re-signifying the Pedagogical
Practice
Sandra Alves de Oliveira*1 / Maria de Fátima Pereira Carvalho** / Jany Rodrigues Prado***
*/**/*** Departamento de Educação de Guanambi-Campus XII da Universidade do Estado da
Bahia (UNEB).
…
RESUMO
Compartilhamos neste relato de experiência algumas atividades da Oficina: Atividades Lúdicas
na Educação Infantil: Re-Significando a Prática Pedagógica, realizadas no segundo semestre de
2012, com a participação da turma do 6º período (Semestre - 2012.2), do curso de Pedagogia
da UNEB, Campus XII – Guanambi-Bahia, no Seminário Interdisciplinar de Estágio: A Escola de
Educação Infantil: uma construção coletiva e permanente. As oficinas pedagógicas foram
construídas a partir do estágio supervisionado na Educação Infantil e das vivências nas aulas
dos componentes curriculares do 6º período. Foram desenvolvidas em seis instituições da rede
municipal de educação de Guanambi, com a participação de grupos de estudantes do curso de
Pedagogia mediante orientação das autoras deste trabalho. Esta experiência em salas de aula
da Educação Infantil é resultado do trabalho interdisciplinar desenvolvido nas turmas do
matutino e do noturno do curso de Pedagogia, com o propósito de contribuir com a formação
dos futuros pedagogos e dos profissionais que atuam em classes de Educação Infantil no
município de Guanambi e região. Propomos esta vivência pedagógica como espaço de diálogo,
construção e reflexão da prática pedagógica.
Palavras-chave: O lúdico na educação infantile; prática pedagógica; formação do professor.
ABSTRACT
In this experience report, we share some activities of the Playful Activities in Early Childhood
Education: Re-Signifying the Pedagogical Practice workshop, which was held during the second
half of 2012, with the participation of the 6th period class (Semester – 2012.2) of the Pedagogy
course of UNEB, Campus XII - Guanambi-Bahia, during the Interdisciplinary Seminar of
Internship: Early Childhood School: a collective and permanent construction. The pedagogical
workshops were built from the supervised internship in early childhood education classes and
experiences with the curricular components of the 6th period. The workshops were developed
in six municipal educational institutions of Guanambi, involving groups of Pedagogy students,
who were supervised by the authors of this paper. This experience in early childhood education
classes is the result of interdisciplinary work developed in morning and evening classes of the
Pedagogy course, with the aim of contributing to the training of future educators and
professionals who work in Early Childhood Education classes in Guanambi and neighbor cities.
We propose this pedagogical experience as a space for dialogue, construction and reflection
concerning the pedagogical practice.
Keywords: Playfulness in early childhood education; pedagogical practice; teacher training.
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INTRODUÇÃO
A partir da nossa experiência e pensando sobre nossa experiência, aprendemos na relação com
o mundo, com o outro e consigo mesmo, no processo de relembrar e recontar momentos vividos
no percurso da formação.
De acordo com Clarlot (2005, p.45), a relação com o saber
é o conjunto das relações que um sujeito estabelece com um objeto, um
“conteúdo de pensamento”, uma atividade, uma relação interpessoal, um
lugar, uma pessoa, uma situação, uma ocasião, uma obrigação, etc.,
relacionados de alguma forma ao aprender e ao saber [...].
Por meio dessas diferentes relações e desses saberes, a oficina: Atividades Lúdicas na Educação
Infantil: Re-Significando a Prática Pedagógica foi construída com a participação dos estudantes
do 6º período - curso de Pedagogia da UNEB, Campus XII – Guanambi-Bahia e das professoras
orientadoras deste trabalho.
As atividades lúdicas são a essência da infância (Santos, 2007, p. 19). Por isso, a oficina proposta
e desenvolvida em seis instituições da rede municipal de educação de Guanambi teve o
propósito de vivenciar atividades lúdicas em turmas da Educação Infantil. Estas atividades
possibilitam o desenvolvimento integral da criança, nos seus aspectos: físico, cognitivo,
político, social e motor, promovendo assim uma interação/integração entre os participantes,
bem como reflexão acerca das contribuições e significado do lúdico na prática pedagógica.
Aprender ludicamente, como destacam Barboza et al. (2012, p. 46), “tem um significado muito
profundo. A ludicidade está presente em todos os segmentos da vida. Envolvendo emoções e
afetividade, aproximando as pessoas e proporcionando novas situações na interação social”.
O conhecimento de estratégias metodológicas para o ensino e aprendizagem de matemática é
fundamental para que o professor construa sua prática. Professores buscam cada vez mais
alternativas metodológicas para melhorar o processo ensino-aprendizagem de matemática.
A utilização de atividades lúdicas para ensinar matemática é uma das formas para superar tais
obstáculos. A aprendizagem através de jogos e brincadeiras permite que o aluno faça da
aprendizagem um processo instigante e prazeroso, estimula o desenvolvimento do raciocínio
lógico-matemático e propicia a interação e o confronto entre as diferentes formas de pensar.
É preciso que as atividades lúdicas façam parte do planejamento das aulas de matemática,
“pois permitem a formação do autoconceito positivo; possibilitam o desenvolvimento integral
da criança, já que através destas atividades a criança se desenvolve
afetivamente, convive socialmente e opera mentalmente”. (Santos, 2007, p. 20).
O jogo, enquanto estratégia de ensino, possibilita aos estudantes a criação e construção de
conceitos, o desenvolvimento de estratégias na resolução de situações-problema, a apropriação
de conceitos matemáticos, “novas compreensões da matemática embutida na tarefa”. (Van de
Walle, 2009, p. 58).
Essas atividades lúdicas foram desenvolvidas no estágio supervisionado na Educação Infantil. A
experiência do estágio na Educação Infantil constitui-se como espaço de investigação, análise
e discussão técnico-metodológico no âmbito da educação.
A experiência é concebida por Placo e Souza (2006, p. 19) como “ponto de partida e de chegada
da aprendizagem. É ela que possibilita tornar o conhecimento significativo, por meio das
relações que desencadeia”. Esses autores salientam que “não se trata de qualquer experiência;
ela decorre da implicação com o ato de conhecer e da escolha deliberada por dar-se a conhecer
determinado objeto ou evento”. (Placo & Souza, 2006, p. 19).
Segundo Cevidanes (1996), o Estágio Supervisionado é uma parte do currículo muito importante
na formação do futuro/professor porque é a oportunidade de experienciar e realizar, na
prática, o conhecimento teórico adquirido no decorrer da sua formação acadêmica.
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O estágio, segundo Passos et al. (2012, p. 53), “[...] é o momento propício para a reflexão e o
questionamento, para pôr em prática os conhecimentos adquiridos na teoria”. Além disso, “é
também um momento de pesquisa no qual se permitem a ampliação e a análise, por parte dos
estagiários, do contexto em que atuarão”. (Passos et al., 2012, p. 53).
No contexto do estágio supervisionado na Educação Infantil foi possível vivenciar a articulação
teoria-prática das atividades lúdicas desenvolvidas com a participação dos estagiários, dos
estudantes e das professoras das escolas-campo do estágio.
Através da observação e coparticipação, o estagiário tem a oportunidade de obter informações
e experiências que serão fundamentais na formação da prática docente. Visto que, toda
formação necessita de um vínculo entre teoria e prática para que os futuros licenciados possam
exercer uma atitude investigativa e dispor de elementos que possibilitam uma reflexão sobre
as práticas existentes.
Os estudantes apontaram em seus relatos a importância da realização da oficina: Atividades
Lúdicas na Educação Infantil: Re-Significando a Prática Pedagógica para a sua formação e
prática pedagógica na Educação Infantil, bem como para refletir acerca da própria prática e de
outras práticas.
Compartilhamos neste relato de experiência a importância do conhecimento teórico e prático
nas aulas do curso de Pedagogia como possibilidade de construção e desenvolvimento de oficina
pedagógica em turmas da Educação Infantil.
ATIVIDADES LÚDICAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL: REFLEXÕES SOBRE A
FORMAÇÃO E SOBRE A PRÁTICA PEDAGÓGICA
O processo da formação e da prática é primordial para o professor entender os benefícios do
lúdico no processo de ensino-aprendizagem. Para Grando (2004, p. 112), o lúdico possibilita
“momentos de alegria, descontração, paixão e envolvimento pela atividade lúdica que o jogo
representa”, e pela interação/integração dos alunos com a professora, entre colegas e com o
ambiente do cotidiano escolar.
No percurso formativo de profissionais da educação infantil deveria estar presentes disciplinas
de caráter lúdico, pois a formação do educador resultará em sua prática em sala de aula. Essas
disciplinas ajudam na formação e preparação dos educadores para trabalharem com crianças.
Dessa forma, “o lúdico servirá de suporte na formação do educador, com o objetivo de
contribuir na sua reflexão-ação-reflexão, buscando dialetizar teoria e prática, portanto,
reconstruindo a práxis”. (Bolzan, 2007, p. 41).
Sendo assim, é necessário, durante a formação acadêmica do professor que atua na educação
infantil, que este seja instruído quanto à necessidade do enfoque lúdico durante o seu trabalho,
já que a ludicidade é inerente ao universo infantil, não podendo ser dissociada deste. O
professor/aluno deverá estudar teoricamente e na prática os processos metodológicos do lúdico
como ferramenta pedagógica.
De acordo com Santos (2011, p. 21), “as práticas pedagógicas atuais têm por tarefa construir
competências, buscar novos conhecimentos, procurar métodos ativos, tornar as disciplinas
menos rígidas, respeitar os alunos [...]”. Desse modo, o desenvolvimento de atividades lúdicas
na prática pedagógica permite que o aluno faça da aprendizagem um processo instigante e
desafiador, bem como a construção de novos conhecimentos.
O lúdico na educação infantil tem sido uma das estratégias de ensino importantes para o
processo de ensino-aprendizagem. Desenvolver esta atividade no contexto escolar exige que o
educador tenha formação lúdica. Para Santos e Cruz (2007, p. 14), “a formação lúdica deve
possibilitar ao futuro educador conhecer-se como pessoa, saber de suas possibilidades e
limitações, desbloquear suas resistências e ter uma visão clara sobre a importância do jogo e
do brinquedo para a vida da criança [...]”.
Nesse contexto, é imprescindível que a formação do futuro pedagogo/profissional da educação
seja embasada com conhecimentos teóricos que vivenciem experiências lúdicas através de
práticas como jogos, brincadeiras, dinâmicas, dentre outras. Para Maluf (2003, p. 14), “o
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conhecimento dá-se a partir de experiências vivenciadas, juntamente com uma boa formação
teórica, pedagógica e via corporal (práticas corporais)”.
No percurso da formação de professores é preciso buscar um novo paradigma na formação
docente e romper com modelos antigos, levando em consideração as experiências, os saberes
e as aprendizagens que o professor traz da sala de aula.
Considerando que a formação do professor é um dos fatores relevantes para uma educação de
qualidade, é necessário que este receba além da formação técnica e metodológica, a dimensão
lúdica, uma vez que a ludicidade é a essência da infância.
Vale ressaltar, no contexto atual da sala de aula, a necessidade de investimentos na formação
inicial e contínua para dar suporte de que o professor ou o futuro professor da educação infantil
precisa para melhorar as práticas pedagógicas na Educação Infantil. Dessa forma, é importante
que os cursos de Pedagogia e de formação continuada de professores contemplem a formação
e vivência lúdica. A dimensão lúdica precisa ser inserida na formação do professor e no interior
da escola.
Nesse sentido, os cursos de formação precisam garantir espaços para que os professores
vivenciem teoricamente e na prática diferentes metodologias de ensino-aprendizagem e
conhecimento dos conteúdos a serem trabalhados nos componentes curriculares da Educação
Infantil.
MOMENTOS EXPERIENCIADOS NA OFICINA: ATIVIDADES LÚDICAS
EDUCAÇÃO INFANTIL: RE-SIGNIFICANDO A PRÁTICA PEDAGÓGICA
NA
As discussões e vivências nas aulas de Pesquisa e Estágio em Educação Infantil, Infância e
Educação Infantil, Fundamentos Teóricos Metodológicos da Língua Portuguesa, com as
temáticas discutidas na formação em relação ao Lúdico na Educação Infantil, possibilitaram os
acadêmicos do curso de Pedagogia (6º período – semestre 2012.2) novas aprendizagens e ideias
para trabalhar com os estudantes da Educação Infantil atividades lúdicas, a partir do que
discutimos, vimos, vivenciamos e construímos nas aulas dos componentes curriculares citados.
A realização da oficina: Atividades Lúdicas na Educação Infantil: Re-Significando a Prática
Pedagógica, no segundo semestre de 2012, em seis instituições da Educação Infantil do
município de Guanambi, foi pensada e planejada no propósito da sala de aula ser um ambiente
de aprendizagem e um ambiente onde todos os participantes da oficina pudessem participar
coletivamente dos jogos e brincadeiras propostos.
Acreditamos que uma das formas de viabilizar o ensino na Educação Infantil seja através das
atividades lúdicas (jogos e brincadeiras). Nessa direção, Kishimoto (2001) afirma que o jogo na
educação matemática se torna justificado, pois à medida que a criança começa a manipular
esses tipos de jogos com finalidades pedagógicas de forma lúdica, pouco a pouco o ensino da
Matemática começa a se desenvolver, a criança utiliza os materiais concretos para encontrar
respostas a situações-problema a ela colocada.
Segundo Guilen e Oliveira (2011, p. 511), “as atividades lúdicas (jogos, brincadeiras,
brinquedos...) devem ser vivenciadas pelos professores nas aulas de matemática para
proporcionar o aumento da criatividade, criticidade e inventividade no seu ensino”. Essas
experiências na prática pedagógica e nas nossas escolas não são vivenciadas porque faltam a
nós professores oportunidades de vivenciar projetos de formação que contribuam para novas
aprendizagens.
Concordamos com Nacarato, Mengali e Passos (2009, p. 38) ao enfatizarem que “os projetos de
formação continuada deveriam levar em consideração o saber que a professora traz de sua
prática docente, ou seja, a prática docente precisa ser retomada como ponto de partida e de
chegada da formação docente”.
Compartilhamos alguns momentos realizados nas quatro horas de oficina com a participação de
quatro grupos de estudantes do 6º período que desenvolveram as oficinas em turmas do 4º e 5º
período (crianças com 4 e 5 anos de idade) da Educação Infantil.
Relatar a prática pedagógica é uma das possíveis formas do professor estabelecer sobre a
mesma reflexão acerca de sua prática. Por isso, o objetivo desse relato de experiência é
apresentar algumas atividades vivenciadas e construídas na oficina.
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Para possibilitar maior entrosamento e envolvimento das crianças, as oficinas foram realizadas
nas instituições, lócus da pesquisa e estágio dos acadêmicos que em parceria com a comunidade
escolar agruparam as turmas de Educação Infantil daquele espaço numa única sala, de modo
que todas as crianças dessa etapa de ensino fossem contempladas. Os jogos, brincadeiras e
histórias selecionadas permitiram a participação ativa das crianças em todos os momentos, dos
quais destacamos: Conto e dramatização das histórias selecionadas, desenvolvimento de jogos
e brincadeiras de movimento que propuseram as crianças a resolução de situações-problema,
usar a criatividade à procura de algo, dentre outras situações.
No primeiro momento da oficina foram apresentados os objetivos das atividades propostas e os
procedimentos para realização dessas atividades. Percebemos um envolvimento de todos no
desenvolvimento dos jogos, brincadeiras e dramatização de histórias.
Segundo Santos e Cruz (2007, p. 12), “o desenvolvimento do aspecto lúdico facilita a
aprendizagem, o desenvolvimento pessoal, social e cultural, facilita os processos de
socialização, comunicação, expressão e construção do conhecimento”.
A utilização de atividades lúdicas na Educação Infantil tem o objetivo de fazer com que os
alunos gostem de aprender, mudando a rotina da classe e despertando o interesse do aluno
envolvido. Dessa forma, os jogos, as brincadeiras, enfim, as atividades lúdicas exercem um
papel fundamental para o desenvolvimento cognitivo, afetivo, social e moral das crianças,
representando um momento que necessita ser valorizado nas atividades infantis.
Entendemos que o profissional da educação precisa refletir sobre sua postura, dentro e fora do
ambiente escolar, realizando um balanço sobre as aprendizagens significativas ou não, com o
intuito de redimensioná-la, pois refletir sobre a nossa prática como educador é um desafio, é
tomar posição, é avaliar, é avançar, é repensar as ações, é desejar fazer melhor, baseada em
uma tomada de decisão aliada a uma sólida bagagem conceitual. De acordo com a pesquisadora
em matemática Sadovsky (2007, p.15) “é preciso aumentar a participação das crianças na
produção do conhecimento, pois elas não suportam mais regras e técnicas que não fazem
sentido. O caminho é um só e passa pela prática reflexiva e pela formação continuada”.
Realizamos com os estudantes do curso de Pedagogia que participaram da oficina um trabalho
em grupo, com o objetivo de proporcioná-los o conhecimento teórico e prático das atividades
lúdicas específicas ao grupo, utilizando assim os recursos necessários para construção e
execução dos jogos e brincadeiras do seu grupo.
Problematizar a formação docente é refletir sobre as diversas nuances que envolvem o tema.
Falar da formação do educador na relação teoria e prática é refletir sobre uma temática sempre
atual no escopo das discussões político/pedagógicas na esfera educacional. Pressupõem
também a reflexão e o conhecimento da prática pedagógica presentes nas instituições de
educação formal e não formal, relacionando-se, respectivamente, com os aspectos teóricometodológicos que caracterizam essa área de conhecimento e com a conscientização do papel
de educador.
A participação dos professores das salas de aula da Educação Infantil, das autoras deste
trabalho, orientadoras da oficina, e dos grupos de estudantes na organização e execução dos
jogos foi significativa. Também cada participante procurou registrar as situações presentes nas
atividades desenvolvidas.
Alguns professores e estudantes apontaram dificuldades em relação ao desenvolvimento de
jogos nas aulas de Educação Infantil. O trabalho com jogos em sala de aula exige do professor
uma fundamentação teórica e um repensar de sua prática. Assim, o valor pedagógico do jogo
apresenta-se quando o mediador conhece suas dimensões e as necessidades em aplicá-los em
suas aulas. Sobre esse enfoque Grando diz que:
O jogo, em seu aspecto pedagógico, apresenta-se produtivo ao professor que
busca nele um aspecto instrumentador e, portanto, facilitador na
aprendizagem de estruturas matemáticas, muitas vezes de difícil
assimilação, e também produtivo ao aluno, que desenvolveria sua
capacidade de pensar, refletir, analisar, compreender conceitos
matemáticos, levantar hipóteses, testá-las e avaliá-las (investigação
matemática), com autonomia e cooperação (Grando, 2004, p.26).
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Repensar sua prática, questionar-se sobre a forma de conduzir o processo de construção do
conhecimento, faria com o que o professor pudesse reconhecer que há vários meios que
facilitam todo esse processo de aquisição, dentre eles a utilização de atividades lúdicas, como
forte aliado e motivante no ensino e aprendizagem. Nesse sentido, Campos (1986, p. 111)
salienta que “a ludicidade poderia ser a ponte facilitadora da aprendizagem se o professor
pudesse pensar e questionar-se sobre sua forma de ensinar, relacionando a utilização do lúdico
como fator motivante de qualquer tipo de aula”.
Sabemos que muitos professores procuram incessantemente alternativas que driblem a falta de
tempo, que supere a desmotivação com a desvalorização profissional e salarial por parte das
políticas públicas, para então despertar em si e nos estudantes o verdadeiro sentido de ensinar
e aprender matemática. Diante disso, o professor tem a seu favor inúmeras ferramentas
fundamentais para apresentar uma nova face da Matemática que contribua para o aumento da
criatividade, criticidade e inventividade no seu ensino.
Dentre as ferramentas fundamentais para re-significação da prática pedagógica, têm-se as
atividades lúdicas. Dessa forma, o educador deve compreender que brincar é a ludicidade do
prazer e que, enquanto brinca, o educando aprende.
A necessidade do homem em desenvolver atividades lúdicas, ou seja, atividades cujo fim seja
o prazer que a própria atividade pode oferecer, determina a criação de jogos e brincadeiras.
Exercer atividades lúdicas representa uma necessidade para as pessoas em qualquer momento
de suas vidas (Santos, 2007).
Sabendo a importância da Educação Infantil, é fundamental trabalhá-la de maneira desafiadora
e lúdica, propiciando a criança o desenvolvimento da criatividade para refletir, analisar e tomar
decisões na resolução de situações cotidianas. Assim, é relevante que os professores procurem
utilizar jogos, brincadeiras e outras atividades em suas aulas, levando os alunos a participar
mais das aulas e re-significando a sua prática.
Pensar a prática pedagógica a partir das atividades lúdicas, segundo Maluf (2004, p. 12), “nos
conduz pensar em mudanças significativas para o contexto educacional, já que nos remete à
codificação do espaço escolar na perspectiva de uma prática integradora e dinâmica”.
Este tipo de trabalho não é simples de ser implantado, como destacam Chenchi et al. (2011,
p. 729), “pelo fato de que o processo de ensinar e aprender matemática, neste caso, está
voltado para a aplicação prática dos conceitos no dia a dia do estudante, sua satisfação em
vencer o jogo pelos seus próprios meios e a imagem que vai construindo de si”.
Segundo Grando (2004), vários fatores de ordem metodológica devem ser explorados, entre
estes as condições necessárias para o jogo no contexto escolar como: o ambiente que deve ser
propício ao desenvolvimento da imaginação dos alunos, onde possibilite o diálogo sobre as ações
desencadeadas, respeitando aqueles que não querem participar num primeiro momento ou
ainda criando alternativas de participação, tais como, observação dos colegas, juiz do jogo ou
monitor das atividades.
Educar ludicamente tem um significado muito profundo. É algo que está presente em todos os
segmentos da vida, tornando-se, uma ação inerente tanto na criança e no adolescente, como
no jovem e no adulto. As atividades lúdicas são processos que envolvem o indivíduo e sua
cultura, adquirindo especialidade de acordo com cada grupo. É através do jogo, da brincadeira
que o indivíduo vai conhecer, aprender e se construir um ser pertencente ao um grupo. Essas
atividades envolvem emoções; afetividade, aproximação entre as pessoas, tornando-se também
um motivador de si próprio, sempre trazendo novas situações, novos desafios e interação social.
Diante dos resultados do presente estudo, percebe-se a necessidade de que se possam
desenvolver políticas efetivas de formação continuada de professores que atuam na Educação
Infantil.
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ALGUMAS CONSIDERAÇÕES
A realização da oficina: Atividades Lúdicas na Educação Infantil: Re-Significando a Prática
Pedagógica foi enriquecedora para os estudantes do curso de Pedagogia (puderam desenvolver
na prática uma oficina), para os professores das seis instituições da rede municipal de Guanambi
(reconheceram a importância do trabalho coletivo no processo ensino-aprendizagem do
estudante) e crianças das turmas que atuam.
Todos os momentos vivenciados na oficina foram riquíssimos ao grupo participante. Os
estudantes da Educação Infantil participaram ativamente das atividades propostas. O
desenvolvimento desse trabalho nas duas turmas do 4º e 5º período da Educação Infantil
contribuiu muito para reflexão da prática docente e perceber que quando queremos é possível
fazer as modificações necessárias na prática docente.
Com o desenvolvimento de atividades lúdicas na Educação Infantil pudemos perceber que é um
fator de interesse do estudante, pois segundo Grando (2004) desenvolve a participação ativa
na construção do seu próprio conhecimento, favorecendo a interação social entre os
estudantes, a conscientização do trabalho em grupo, a criatividade, o senso crítico, a
competição sadia, a observação e o resgate do prazer em aprender.
Percebemos na realização desse trabalho a riqueza do jogo para o desenvolvimento da
habilidade de cálculo mental a cada jogada e através da intervenção escrita.
Essa atitude comprova o que afirma Charlot (2005, p. 98): “formar professores é dotá-los de
competências que lhes permitirão [...] construir as mediações entre práticas e saberes através
da prática dos saberes e do saber das práticas”. No percurso dos encontros formativos e das
atividades formativas realizadas e construídas, procuramos levar em consideração os saberes e
as aprendizagens da prática dos estudantes. Os relatos seguintes parecem revelar a eficiência
dessa decisão.
Pensar sobre as experiências vividas no processo da nossa formação é uma das possíveis formas
de estabelecermos sobre as mesmas reflexões acerca da prática e dos diferentes saberes e
aprendizagens que são construídos durante a formação.
Para implantação de novas propostas metodológicas é necessário que o professor aprofunde
teoricamente e vivencie na prática o que sugere cada proposta. É preciso sair da “zona de
conforto” e ir para a “zona de “risco” sem receio, buscando interpretar suas práticas a partir
de novas concepções sobre os mais diversos conceitos que envolvem a educação infantil.
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