29/VI/2008 – 29/VI/2009
GUIÃO: Antonio Rodríguez Carmona
MONTAGEM: Antonio García Polo
SÉRIE I
“VIDA DE SÃO PAULO”
6 – Primeira viagem de
Paulo
Antioquia da Síria, uma Igreja missionária
Em 1 Cor 12,28 Paulo enumera os três carismas mais
importantes que deve ter uma comunidade. O primeiro, é
apóstolos, o segundo, profetas; o terceiro, doutores. Apóstolo
significa “enviado”. Aqui refere-se aos enviados a pregar o
evangelho. O que envia sempre é Jesus, mas em cada caso fá-lo
por meio de uma comunidade cristã. Paulo afirma que uma
Igreja que não tem os seus apóstolos, enviados e sustentados
por ela para pregar o evangelho, não é perfeita.
A Igreja de Antioquia tinha profetas e doutores, mas não
tinha apóstolos. Inspirados pelo Espírito Santo decidem
enviar Barnabé e Saulo como seus apóstolos: Havia na
Igreja de Antioquia profetas e doutores: Barnabé, Simeão
chamado o Negro, Lúcio de Cirene, Manahen, companheiro
de infância do tetrarca Herodes, e Saulo. Estando eles a
celebrar o culto do Senhor e a jejuar, disse-hes o Espírito
Santo: « Separai-me Barnabé e Saulo para a obra a que os
destinei.» Então, depois de terem
jejuado e orado,
impuseram-lhes as mãos e despediram-nos (Act 13,1-3)
Em Chipre.
+ Corre o ano 44.
+ Embarcam en Selêucia, o
porto
da
cidade,
em
direcção a Chipre, a pátria
de Barnabé. Acompanha-os
João Marcos, sobrinho de
Barnabé:
Eles, pois, enviados pelo
Espírito Santo, foram a
Selêucia e dali navegaram
para Chipre (Act 13,4)
+ A praxis normal era pregar aos judeus na sinagoga. Todos os
sábados nela se reúnem os judeus para ter uma liturgia da palavra,
composta por orações iniciais, leitura da Bíblia, homilia e orações
finais. Era costume convidar os judeus vindos de fora para terem a
homilia. Barnabé e Saulo aproveitavam esta ocasião para anunciar
Jesus.
+ Quando chegaram a
Salamina pregavam a Palavra de
Deus nas sinagogas dos judeus.
Tinham com eles João como
auxiliar (Act 13,5).
+ Continuam em Pafos onde
Saulo realiza um milagre.
+ Tendo percorrido toda a ilha até Pafos, encontraram um certo
homem mago, falso profeta, judeu, que tinha por nome Barjesus,
que vivia com o procônsul Sérgio Paulo, homem prudente. Este,
tendo mandado chamar Barnabé e Saulo, mostrou desejos de ouvir
a palavra de Deus.
Mas Elimas, o mago (porque assim se traduz o seu nome) opunha-se-lhe, procurando
afastar o procônsul da fé. Porém Saulo, que também se chama Paulo, cheio do
Espírito Santo, fixando nele os olhos disse: «Ó tu que estás cheio de todo o engano
e de toda a astúcia, filho do demónio, inimigo de toda a justiça, quando é que
acabarás de perverter os caminhos rectos do Senhor? Mas, agora eis que a mão do
Senhor está sobre ti: ficarás cego, sem ver o sol durante certo tempo». Caíram
logo sobre ele a obscuridade e as trevas, e, andando às voltas, buscava quem lhe
desse a mão. Então o procônsul, vendo este facto , acreditou, maravilhado com a
doutrina do Senhor. (Act 13, 6-12).
Em Anatólia
+
Abandonam Chipre e dirigem-se para o continente,
desembarcando em Perge da Panfília. Um dado curioso: a partir de agora,
Lucas chama a Saulo com o seu nome greco-romano, Paulo, e, além disso,
fá-lo em primeiro lugar, antes de Barnabé. Dá a impressão de que se
converteu em chefe do grupo: Tendo-se feito à vela de Pafos, Paulo e os
que com ele se encontravam chegaram a Perge da Panfília. Aqui João,
separando-se deles, voltou a Jerusalém (Act 13,13). O facto terá
consequências negativas, pois quando começar a segunda viagem, Paulo
negar-se-á a levar com eles os que abandonou antes.
+ Eles, porém,
passando além
de Perge, foram
a Antioquia da
Pisídia (Act
13,14).
+ Antioquia da Pisídia era uma cidade vinculada a Antioquia da
Síria, pois tinha sido fundada por Seleuco, um dos seus reis. Os
romanos conquistaram-na e a fizeram capital da Galácia inferior e
um dos seis centros defensivos importantes que tinham na Anatólia
central. Cidade comercial com uma numerosa colónia judia. Paulo e
Barnabé possivelmente se dirigem para ela pelos seus vínculos com a
cidade que os envia.
+ Segundo o seu costume vão
à sinagoga e aproveitam a
homilia para anunciar Jesus.
Eles, porém, passando além
de Perge, foram a Antioquia da
Pisídia, e, tendo entrado na
sinagoga em dia de sábado,
tomaram assento. Depois da
leitura da Lei e dos Profetas, os
chefes da sinagoga mandaram-lhes dizer: « Irmãos, se tendes
alguma exortação a fazer ao
povo, falai!». Então Paulo,
levantando-se e fazendo com a
mão sinal de silêncio, disse:
«Varões israelitas e vós que
temeis a Deus, ouvi.» (Act
13,14-16)
+ A homilia foi longa (Act
13,17-41), mas resume-se em
três ideias:
1) Desde o Egipto a David,
antepassado e tipo de Jesus,
que é o Filho prometido ao rei
e o Salvador de Israel (Act
13,16-25)
2)
Paixão-morte-ressur-reição. Os Doze Apóstolos
são testemunhas qualificadas
disso. Deus já cumpriu o
prometido pelos profetas (Act
13,26-37).
3) Só por Jesus se
consegue
o
perdão
dos
pecados,
não pela Lei de
Moisés.
Exortação à fé e a evitar a
incredulidade (Act 13,38-41).
+ Fruto da homilia:
pedem que continue
falando outro sábado
e
um
grupo
de
ouvintes converte-se:
Quando eles saíam da
sinagoga, rogavamlhes que, no sábado
seguinte, lhes
falassem sobre o
mesmo assunto.
Tendo-se dissolvido a
reunião, muitos judeus
e prosélitos piedosos
seguiram Paulo e
Barnabé, que com as
suas palavras os
exortavam a que
perseverassem na
graça de Deus. (Act
13,42-43).
No sábado seguinte os judeus opõem-se:
+ No sábado seguinte, concorreu quase toda
a cidade a ouvir a palavra de Deus. Mas os
judeus, vendo aquela concorrência de gente,
encheram-se de inveja e responderam com
injúrias às palavras de Paulo. Então Paulo e
Barnabé disseram-lhes resolutamente: «Vós
éreis os primeiros a quem se devia anunciar
a palavra de Deus, mas, porque a rejeitais e
vos julgais indignos da vida eterna, eis que
nos voltamos para os gentios.
+ Porque assim nos ordenou o Senhor: Eu Te constituí luz das nações
para que sejas a salvação até à extremidade da terra. » Os gentios,
ouvindo isto, alegraram-se e glorificavam a palavra do Senhor.
Acreditaram todos os que estavam destinados para a vida eterna: a
palavra de Deus espalhava-se por toda a região. (Act 13,44-49)
+ A rejeição dos judeus justifica que Paulo se dedique
agora aos gentios, apoiado na palavra de Deus, em
concreto, na terceira profecia do Servo de Yahvé (cita Is
49,6), onde se anuncia que o Servo será missionário dos
gentios até aos confins da terra. Assim Paulo aparece
associado à obra do Servo: compartilhando o caminho do
Rejeitado, chegará aos confins da terra (Act 26,17: Roma)
acorrentado. Os gentios alegram-se por se terem dedicado
a eles.
+ Finalmente são expulsos da cidade por
instigação dos judeus. Sacodem o pó dos pés e
partem para Icónio:
“Mas os judeus instigaram algumas das mulheres
devotas e nobres, assim como os principais da
cidade, e suscitaram uma perseguição contra
Paulo e Barnabé , e os expulsaram do seu
território. Então estes, tendo sacudido contra
eles o pó dos seus pés, foram para Icónio.
Entretanto os discípulos estavam cheios de
alegria e do Espírito Santo.” (Act 13,50-52)
+ Icónio é a actual Konya, cidade de cerca de meio milhão de
habitantes e centro de culto da seita sufita dos derviches dançantes. A
cidade foi fundada no III milénio e, depois de várias dominações, no ano
133 a.C. passou para Roma. Neste contexto a visitam Paulo e Barnabé.
+ Em Icónio repete-se o
esquema pastoral anterior:
pregação ao sábado na sinagoga,
conversão de gentios,
perseguição judia, fuga para
outro lugar:
- Aconteceu em Icónio que,
segundo o seu proceder
habitual, entraram juntos na
sinagoga dos judeus e falaram
de tal modo que muitos judeus
e gregos abraçaram a fé. Mas
os
judeus
permaneceram
incrédulos,
excitaram
e
fizeram irritar os ânimos dos
gentios contra os irmãos.
Apesar disso demoraram-se ali
muito
tempo,
trabalhando
cheios de coragem e de
confiança no Senhor que
confirmava a palavra da Sua
graça, concedendo que fossem
operados
por
suas
mãos
prodígios e milagres. Dividiu-se
o povo da cidade: uns eram pelos
judeus, outros pelos apóstolos.
Mas, levantando-se um motim
dos gentios e dos judeus com os
seus chefes, para os ultrajar e
apedrejar, tendo eles sabido
isto, refugiaram-se nas cidades
da Licaónia, Listra e Derbe, e
em toda aquela região em volta.
(Act 14,1-6)
Nova fuga.
Agora para as cidades de Licaónia
+ Em Listra realizam outro milagre: curam um coxo de nascença e os
habitantes confundem-nos com Zeus, sacerdote dos deuses (Barnabé) e
com Hermes, deus da palavra (Paulo). Acreditavam que se repetia uma
antiga lenda que dizia que no passado os visitaram Zeus e Hermes em
forma de pobres miseráveis.
Os habitantes desprezaram-nos, excepto um casal de anciãos que os
acolheu; os deuses abençoaram os anciãos, outorgando-lhes o que eles
pediram: viver sempre unidos. E os deuses converteram-nos em duas
oliveiras com as raízes unidas.
+ Refugiaram-se nas cidades de Licaónia, Listra e Derbe e em toda aquela
região em volta. Aí pregavam a Boa Nova. Ora havia em Listra um homem,
inválido de pés, coxo de nascença e que nunca tinha andado. Este homem ouvia
pregar Paulo, que, pondo nele os olhos e vendo que tinha fé de que seria
curado, disse em voz alta: «Levanta-te direito sobre os teus pés.» Ele
levantou-se de um salto e pôs-se a caminhar.
A multidão, ao ver o que Paulo fizera, levantou a voz, dizendo em língua
licaónica: « Estes são os deuses que baixaram até nós em forma de homens. »
E chamaram Zeus a Barnabé e Hermes a Paulo, porque era este quem lhes
dirigia a palavra. Além disso, o sacerdote de Zeus, que estava à entrada da
cidade, trazendo para diante das portas touros com grinaldas, queria,
juntamente com o povo oferecer um sacrifício (Act 14,6-13).
+ Paulo e Barnabé repudiaram este culto: Mas os apóstolos
Barnabé e Paulo, ao terem conhecimento disto, rasgando as suas
túnicas, precipitaram-se para o meio do povo, gritando: « Ó homens,
que ides fazer? Também nós somos homens de natureza igual à vossa,
(Act 14,14-15)
E ensinam-lhes
que há um só
Deus, criador:
«Vos pregamos que vos convertais destas coisas vãs ao Deus vivo, que fez
o céu, a terra, o mar e tudo o que há neles. Nos séculos passadas permitiu
que todas as nações seguissem os seus caminhos. Todavia não deixou de
dar testemunho de Si mesmo, derramando bens, dando-nos do céu as
chuvas e as estações favoráveis para os frutos, dando em abundância o
alimento e a alegria aos vossos corações » (Act 14,15-16)
Dizendo isto, a custo puderam impedir o povo de lhes oferecer um
sacrifício. Então, sobrevieram de Antioquia e de Icónio alguns judeus
que, tendo aliciado a multidão, apedrejaram Paulo e o arrastaram para
fora da cidade, julgando-o morto. Mas, rodeado dos discípulos,
levantou-se e entrou na cidade. No dia seguinte, partiu com Barnabé
para Derbe. (Act 14,18-20).
Regresso:
+ Voltam sobre os seus
passos, visitando as
igrejas recém fundadas,
organizando-as, pondo à
frente delas responsáveis
e exortando-as a superar
as dificuldades:
Tendo evangelizado aquela
cidade e feito muitos discípulos,
voltaram a Listra, Icónio e
Antioquia, confortando as almas
dos discípulos e exortando-os a
perseverar na fé, dizendo que é
por muitas tribulações que
devemos entrar no Reino de Deus.
Por fim, tendo constituído para
cada Igreja presbíteros, depois
de terem feito oração e jejuado,
encomendaram-nos ao Senhor em
Quem tinham acreditado (Act
14,21-23).
+
+ Antes de abandonar a região criam uma comunidade no lugar onde
desembarcaram: E atravessando a Pisídia, foram à Panfília e, anunciada
a palavra do Senhor em Perge, desceram a Atália (Act 14,24).
+ Como enviados de Antioquia, regressam aí e dão conta à comunidade
do seu trabalho. Corre o ano 47. Passaram três anos desde que
partiram.
Dali navegaram para
Antioquia, donde tinham
sido recomendados à graça
de Deus para a obra que
tinham concluído. Tendo
chegado e reunido a
Igreja, contaram tudo o que
Deus tinha feito com eles e
como tinha aberto a porta
da fé aos gentios (Act
+
14,26-27).
+ Bom resumo: “Deus abriu aos gentios as
portas da fé”. Já há comunidades judaicocristãs, mistas e étnico-cristãs ou compostas
só por gentios.
E depois detiveram-se com
bastante tempo” (Act 14,28).
os
discípulos
«É necessário que passemos por
muitas tribulações para entrar no
Reino de Deus»
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Ano Paulino - Vida