DEPARTAMENTO DE SAÚDE PÚBLICA
A TUBERCULOSE NA REGIÃO DE SAÚDE DO NORTE
2013
Dezembro de 2014
Departamento de Saúde Pública
Programa de Luta contra a Tuberculose
Ficha Técnica
Título
A Tuberculose na Região de Saúde do Norte
2013
Editor
Administração Regional de Saúde do Norte, I.P.
Rua Santa Catarina, 1288
4000-447 Porto
Presidente do Conselho Diretivo da ARS Norte, I.P.
Dr. Luís Castanheira Nunes
Departamento de Saúde Pública da ARS Norte, I.P.
Diretora
Dra. Maria Neto
Área Funcional - Vigilância Epidemiológica
Dr. José Rocha Nogueira
Morada
Rua Anselmo Braamcamp, 144
4000-078 Porto
Tel. 220411701 | Fax: 220411738
Autoria
Ana Maria Correia
Carlos Carvalho
E-mail de contacto
directora.dsp@arsnorte.min-saude.pt
i
Departamento de Saúde Pública
Programa de Luta contra a Tuberculose
Agradecimentos
A todos os profissionais de saúde da região de saúde do Norte, cujo trabalho dedicado
permitiu a elaboração deste relatório. Um reconhecimento e agradecimento especial pelo
esforço de todos, sem o qual não teria sido possível melhorar, de forma tão evidente, a
qualidade dos dados e da informação produzida.
ii
Departamento de Saúde Pública
Programa de Luta contra a Tuberculose
ÍNDICE GERAL
Página
1
1.
Introdução
2.
Metodologia
2
3.
Resultados
3
3.1.
3
Caracterização geral dos casos de tuberculose (SVIG-TB)
3.1.1.
Evolução temporal e geográfica
3
3.1.2.
Características demográficas
6
3.1.2.1.
Sexo e idade
6
3.1.2.2.
Local de nascimento
6
3.1.3.
Fatores de risco
8
3.1.4.
Características clínicas
9
3.1.4.1.
Localização da doença
9
3.1.4.2.
Antecedentes de tuberculose
9
3.1.4.3.
Coinfeção tuberculose/Vírus da Imunodeficiência
Humana
9
3.1.5.
3.2.
9
Características laboratoriais
10
Perfil de suscetibilidade (Sistema de notificação laboratorial)
3.2.1.
Resultados de 2013
10
3.2.2.
Perfil de suscetibilidade
10
3.2.2.1.
Suscetibilidade à isoniazida
11
3.2.2.2.
Suscetibilidade à rifampicina
11
3.2.2.3.
Suscetibilidade ao etambutol
11
3.2.2.4.
Suscetibilidade à estreptomicina
11
3.2.2.5.
Polirresistência e multirresistência
11
3.3.
Resultados do tratamento (SVIG-TB)
12
3.4.
Internamentos hospitalares em doentes com diagnóstico de
tuberculose (GDH)
13
3.5.
Mortalidade por tuberculose (DGS e INE)
17
iii
Departamento de Saúde Pública
Programa de Luta contra a Tuberculose
4.
Conclusões
19
Anexo 1
22
Anexo 2
23
iv
Departamento de Saúde Pública
Programa de Luta contra a Tuberculose
ÍNDICE DE QUADROS
QUADRO 1 – Evolução anual do número de casos de tuberculose registados na região de
saúde do Norte e respetiva variação percentual anual, 2000-2013 (SVIG-TB)
Página
3
QUADRO 2 – Evolução anual do número de casos de tuberculose, total e em cidadãos
estrangeiros, na região de saúde do Norte, 2000-2013 (SVIG-TB)
7
QUADRO 3 – Evolução anual do número de casos de tuberculose com infeção VIH, da
percentagem de coinfeção e da percentagem de doentes rastreados na região de saúde do
Norte, 2009-2013 (SVIG-TB)
9
QUADRO 4 – Distribuição dos TSA de isolados de Mycobacterium tuberculosis segundo o
laboratório executor, na região de saúde do Norte, 2013
10
QUADRO 5 – Resultado do tratamento dos casos de tuberculose pulmonar bacilífera
registados na região de saúde do Norte (excluindo multirresistentes), coortes de 2010, 2011,
2012 e 2013 (SVIG-TB)
12
QUADRO 6 – Evolução do número anual de doentes internados com diagnóstico de
tuberculose ocorridos em hospitais da região de saúde do Norte e respetiva variação
percentual anual, 2000-2013 (GDH)
13
QUADRO 7 – Distribuição dos doentes internados com diagnóstico de tuberculose em
hospitais da região de saúde do Norte, por hospital, 2012 e 2013 (GDH)
14
QUADRO 8 – Duração em semanas dos internamentos hospitalares em doentes com
diagnóstico de tuberculose ocorridos em hospitais da região de saúde do Norte, 2012 e 2013
(GDH)
14
QUADRO 9 – Evolução do número de óbitos ocorridos nos doentes internados com
diagnóstico de tuberculose nos hospitais da região de saúde do Norte e respetiva letalidade,
2000-2013 (GDH)
16
v
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Programa de Luta contra a Tuberculose
ÍNDICE DE FIGURAS
FIGURA 1 – Evolução anual do número de casos de tuberculose registados na região de
saúde do Norte e reta de tendência exponencial, 2000-2013 (SVIG-TB)
Página
3
FIGURA 2 – Taxa de notificação média anual de tuberculose (/100 mil) por Agrupamento de
Centros de Saúde/Unidade Local de Saúde nos triénios 2005-2007, 2008-2010 e 2011-2013.
Região de saúde do Norte (SVIG-TB)
5
FIGURA 3 – Distribuição dos casos de tuberculose registados na região de saúde do Norte,
por grupo etário e sexo, em 2013 (SVIG-TB)
6
FIGURA 4 – Distribuição do número de doentes internados com diagnóstico de tuberculose
por grupo etário, em 2012 e 2013, nos hospitais da região de saúde do Norte (GDH)
15
FIGURA 5 – Distribuição do número de doentes internados nos hospitais da região de saúde
do Norte com diagnóstico de tuberculose que faleceram, por grupo etário, 2012 e 2013
(GDH)
16
FIGURA 6 – Evolução do número de óbitos por tuberculose em doentes residentes na região
de saúde do Norte, total e por sexo. 2001-2012 (INE)
17
FIGURA 7 – Evolução do número de óbitos por tuberculose em doentes residentes na região
de saúde do Norte por grupo etário, 2001-2012 (INE)
17
vi
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Programa de Luta contra a Tuberculose
A TUBERCULOSE NA REGIÃO DE SAÚDE DO NORTE
2013
1. INTRODUÇÃO
A Administração Regional de Saúde do Norte, I.P. (ARSN) produz e difunde, com regularidade,
relatórios sobre a situação epidemiológica da tuberculose na região de saúde do Norte, o último dos
quais, divulgado em dezembro de 2013, se reportava ao período 2000 a 2012. Dando continuidade ao
trabalho anteriormente desenvolvido, procede-se, neste documento, à atualização da caracterização da
situação epidemiológica da tuberculose, com dados relativos a 2013, bem como à caracterização de
alguns indicadores de desempenho do Programa de Luta contra a Tuberculose (PNT), na região.
1
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Programa de Luta contra a Tuberculose
2. METODOLOGIA
Para a caracterização da situação epidemiológica da tuberculose na região de saúde do Norte e a
avaliação do desempenho do PNT, utilizaram-se as seguintes fontes de informação:
- Sistema de Vigilância da Tuberculose (SVIG-TB) da Direção-Geral da Saúde (DGS), dados
atualizados em outubro de 2014, extraídos em novembro e dezembro de 2014;
- Sistema de notificação laboratorial dos testes de suscetibilidade aos antibióticos (TSA) de estirpes
de Mycobacterium tuberculosis (Mt) da ARSN;
- Base de dados dos Grupos de Diagnósticos Homogéneos (GDH) da Administração Central do
Sistema de Saúde (ACSS) para internamentos hospitalares em doentes com diagnóstico de tuberculose,
ocorridos durante os anos de 2012 e 2013;
- Dados de mortalidade por tuberculose da DGS e do Instituto Nacional de Estatística, IP (INE), 2012.
Os dados do SVIG-TB relativos ao ano de 2013 ainda poderão sofrer atualização, nomeadamente,
no que se refere à avaliação dos resultados do tratamento.
Sempre que, na análise de dados, se utilizou como unidade geodemográfica o Agrupamento de
Centros de Saúde (ACeS), agregaram-se os dados do ACeS Porto Ocidental com os do Porto Oriental e os
dados do ACeS Gaia com os do Espinho/Gaia, uma vez que se considera mais informativa a análise por
concelho ou grupo de concelhos.
Procedeu-se à construção e à análise dos seguintes indicadores, com base nos dados do SVIG-TB:
- Taxa de notificação de casos de tuberculose por 100 mil habitantes na região, para cujo
numerador se utilizou o número de casos (novos e retratamentos) registados no SVIG-TB;
- Variação percentual anual do número de casos de tuberculose registados no SVIG-TB, na região;
- Variação percentual anual média do número de casos de tuberculose, registados no SVIG-TB, na
região;
- Taxa de notificação média anual de casos de tuberculose por 100 mil habitantes por ACeS/Unidade
Local de Saúde (ULS), para os triénios de 2005-2007, 2008-2010 e 2011-2013;
- Proporção de doentes com tuberculose pulmonar bacilífera com sucesso terapêutico registados
em coortes anuais.
Para a análise dos dados do sistema de notificação laboratorial de TSA considerou-se, para a
atribuição do ano, a data da entrada do resultado no Departamento de Saúde Pública da ARSN. Se um
mesmo doente tinha mais do que um TSA efetuado no mesmo ano, eliminaram-se as duplicações,
considerando apenas o primeiro TSA ou o que tinha informação mais completa. Analisaram-se os dados
de suscetibilidade à isoniazida, rifampicina, etambutol e estreptomicina.
Para a análise dos dados dos GDH, foram extraídos os registos de internamentos com diagnóstico
de tuberculose codificado em qualquer ordem (códigos iniciados por 01), ocorridos em hospitais da
região de saúde do Norte. Foram identificadas e eliminadas duplicações, através de uma variável fictícia
de identificação do utente (fornecida na base de dados). Para o cálculo da duração dos internamentos e
sua distribuição por hospital foram considerados todos os episódios de internamento, incluindo as
situações em que o mesmo doente tinha mais do que um internamento hospitalar no ano.
2
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3. RESULTADOS
3.1. Caracterização geral dos casos de tuberculose (SVIG-TB)
3.1.1. Evolução temporal e geográfica
Em 2013 foram registados, no SVIG-TB, 990 casos de tuberculose em residentes na região de saúde
do Norte, dos quais 914 eram casos novos e 76 retratamentos (7,7%), traduzindo-se numa taxa de
notificação de 27,1/100 mil habitantes. Em relação a 2012, registou-se um decréscimo de 90 casos (8,3%) (Quadro 1 e Figura 1). O decréscimo percentual anual médio observado na região, entre 2000 e
2013, foi de 4,9%.
Quadro 1 – Evolução anual do número de casos de tuberculose registados na região de saúde do Norte e
respetiva variação percentual anual, 2000-2013 (SVIG-TB)
Ano
Casos
2000
1921
Variação anual (%)
2001
1852
- 3,6
2002
1896
+ 2,4
2003
1769
- 6,7
2004
1617
- 8,6
2005
1535
- 5,1
2006
1438
- 6,3
2007
1308
- 9,0
2008
1225
- 6,3
2009
1127
- 8,0
2010
1073
- 4,8
2011
1064
- 0,8
2012
1080
+ 1,5
2013
990
- 8,3
Figura 1 – Evolução anual do número de casos de tuberculose registados na região de saúde do Norte e reta de
tendência exponencial, 2000-2013 (SVIG-TB)
3
Departamento de Saúde Pública
Programa de Luta contra a Tuberculose
A evolução do número de casos de tuberculose registados por ACeS/ULS desde o ano 2000
encontra-se em anexo (Anexo 1). Considerando que existem unidades geográficas na região nas quais se
regista, anualmente, um número baixo de casos de tuberculose e de forma a atenuar a variação
introduzida pelos pequenos números, foram calculadas ou calculou-se taxas de notificação média anual
por triénio. Na Figura 2 e no Anexo 2, observa-se os valores da taxa de notificação média anual de
tuberculose, registada em cada ACeS/ULS da região de saúde do Norte, nos triénios 2005-2007, 20082010 e 2011-2013. Na região, durante o triénio 2005-2007, a taxa de notificação observada foi de
38,4/100 mil, no triénio 2008-2010 foi de 30,8/100 mil e no triénio 2011-2013 foi de 28,4/100 mil,
traduzindo um decréscimo de 25% entre os triénios extremos. De uma forma geral, pela observação dos
mapas da Figura 2, constata-se valores mais baixos no interior da região e uma evolução temporal
genericamente favorável. Uma observação mais detalhada permite constatar o seguinte:

Na população residente na área dos ACeS Baixo Tâmega, Gondomar, Maia/Valongo, Porto I
e II, Póvoa/Vila do Conde, Vale do Sousa Sul e ULS de Matosinhos, a taxa de notificação
média de tuberculose foi mais elevada do que a observada na região, em todo o período
de tempo sob observação;

Na população residente nos ACeS Barcelos/Esposende, Braga, Famalicão, Gaia I e II,
Gondomar, Maia/Valongo, Marão e Douro Norte, Porto I e II, Póvoa/Vila do Conde, ULS do
Nordeste, ULS do Alto Minho e ULS de Matosinhos, o decréscimo observado na evolução
da taxa média de notificação foi superior e, portanto, mais favorável ao registado para a
região;

Na população residente na área dos ACeS Aveiro Norte e Feira/Arouca não se verificou
alterações dignas de referência na taxa de notificação média anual entre os triénios
extremos do período sob observação;

Na população residente na área dos ACeS Vale do Sousa Norte e Vale do Sousa Sul
verificou-se um aumento na taxa de notificação média anual de tuberculose entre 20052007 e 2011-2013.
4
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2005-2007
2008-2010
2011-2013
Figura 2 – Taxa de notificação média anual de tuberculose (/100 mil) por Agrupamento de Centros de
Saúde/Unidade Local de Saúde nos triénios 2005-2007, 2008-2010 e 2011-2013. Região de saúde do Norte (SVIGTB)
5
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3.1.2. Características demográficas
3.1.2.1. Sexo e idade
Do total de 990 casos de tuberculose registados em 2013, 643 (65%) eram indivíduos do sexo
masculino e 347 (35%) do sexo feminino. Comparativamente a 2012 registaram-se menos 105 casos no
sexo masculino e mais 15 casos no sexo feminino.
Em 2013, a tuberculose atingiu, maioritariamente, o grupo etário com idades compreendidas entre
os 35-44 anos (Figura 3), correspondendo a 21% do total de casos. Os casos em crianças com menos de
15 anos de idade representaram 2,1% do total. No sexo masculino, o grupo etário 45-54 anos foi o mais
atingido, enquanto no sexo feminino o maior número de casos ocorreu em idades mais jovens (35-44
anos). Quando comparado com os valores observados em 2012, verificou-se uma diminuição no número
de casos em todos os grupos etários, exceto nas pessoas com idades compreendidas entre os 55-64
anos. No sexo masculino, esta tendência verificou-se em todos os grupos etários, enquanto no sexo
feminino houve um aumento no número de casos no grupo 35-44 anos e no grupo das pessoas com 55 e
mais anos de idade.
Figura 3 – Distribuição dos casos de tuberculose registados na região de saúde do Norte, por grupo etário e por
sexo, em 2013 (SVIG-TB)
3.1.2.2. Local de nascimento
A tuberculose em cidadãos estrangeiros representou, para o total acumulado de casos de doença
registados entre 2000 e 2013, cerca de 3%, para um valor médio anual de 42 casos. Em 2013 registou-se
um menor número de casos de tuberculose em cidadãos estrangeiros (Quadro 2).
6
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Programa de Luta contra a Tuberculose
Quadro 2 – Evolução anual do número de casos de tuberculose, total e em cidadãos estrangeiros, na região de
saúde do Norte, 2000-2013 (SVIG-TB)
Estrangeiros
Total
2000
61
1921
2001
54
1852
2002
44
1896
2003
39
1769
2004
32
1617
2005
48
1535
2006
32
1438
2007
37
1308
2008
31
1225
2009
41
1127
2010
45
1073
2011
42
1064
2012
42
1080
2013
33
990
Ano
7
Departamento de Saúde Pública
Programa de Luta contra a Tuberculose
3.1.3. Fatores de risco
Do total de 990 casos de tuberculose registados em 2013, em 136 casos (13,7%) havia registo de
“dependência alcoólica”, situação sobreponível à ocorrida em anos anteriores (14,3% em 2011, 14,2%
em 2012). No ano 2000, em 1921 casos, 213 tinham “dependência alcoólica”, representando 11% do
total. Apesar de o número de casos de tuberculose com “dependência alcoólica” ter vindo a descer, esse
decréscimo é menos acentuado do que o observado no total de casos de tuberculose.
O número de casos de tuberculose em indivíduos que consomem drogas por via intravenosa tem
vindo a descer de forma muito evidente nos últimos anos: no ano 2000 registaram-se 195 casos de
tuberculose em utilizadores de drogas por via intravenosa (10,2%), em 2012 registaram-se 35 casos de
tuberculose naquele grupo de risco (3,2%). No entanto, em 2013, registou-se um ligeiro aumento do
número de casos de tuberculose em consumidores de drogas por via intravenosa (45, 4,5%).
O número de casos de tuberculose registados na população prisional atingiu, em 2013 (27 casos),
um valor superior ao registado em 2012 (16 casos). A tuberculose nos indivíduos sem-abrigo sofreu uma
descida acentuada até 2008, tendo estabilizado de então para cá: em 2011 registaram-se 14 casos de
tuberculose em pessoas sem-abrigo, em 2012 registaram-se 10 casos e em 2013 registaram-se 12 casos.
Nestes últimos treze anos, o valor mais elevado registou-se em 2004, com 32 casos.
8
Departamento de Saúde Pública
Programa de Luta contra a Tuberculose
3.1.4. Características clínicas
3.1.4.1. Localização da doença
A tuberculose pulmonar, exclusiva ou não, é a localização mais comum: em 2011, 73,1% dos casos
registados tinham localização pulmonar, em 2012, a tuberculose pulmonar representou 74,8% do total
de casos e em 2013 representou 72,8% do total de casos de doença. As formas mais graves de doença,
tuberculose do sistema nervoso central, meningite e tuberculose disseminada, ocorreram em 24 casos,
em 2011 (2,2%), em 20 casos, em 2012 (1,8%) e em 25 casos em 2013 (2,5%).
3.1.4.2. Antecedentes de tuberculose
Em 2011, do total de 1064 casos de tuberculose registados na região de saúde do Norte, 71 eram
retratamentos, correspondendo a 6,7% do total. Em 2012 registaram-se 83 retratamentos (7,7%) e em
2013 registaram-se 76 retratamentos (7,7%).
3.1.4.3. Coinfeção Tuberculose/Vírus da Imunodeficiência Humana
No ano 2000, 41,4% dos doentes com tuberculose foram rastreados para a infeção pelo Vírus da
Imunodeficiência Humana (VIH) e destes, 229 tiveram resultado positivo, correspondendo a uma
proporção de coinfeção de 28,8%. A cobertura do rastreio para a infeção VIH nos doentes com
tuberculose tem aumentado, tendo atingido o valor mais elevado em 2009, com 91,5% dos doentes com
tuberculose rastreados. Os dados dos últimos cinco anos (Quadro 3) indicam que, a partir de 2011 e
apesar de se verificar uma descida na cobertura do rastreio, a prevalência de coinfecção aumentou e
tem-se mantido estável desde então.
Quadro 3 – Evolução anual do número de casos de tuberculose com infeção VIH, da percentagem de coinfecção e
da percentagem de doentes rastreados na região de saúde do Norte, 2009-2013 (SVIG-TB)
Ano
2009
2010
2011
2012
2013
TB/VIH
121
76
83
78
68
% Coinfeção % Rastreados
11,7
91,5
7,9
89,6
8,4
92,3
8,3
86,7
8,5
80,4
3.1.5. Características laboratoriais
Do total de 990 casos de tuberculose registados em 2013, 511 tiveram microscopia positiva (51,6%),
em 734 houve confirmação do diagnóstico laboratorial por cultura positiva (74,1%), sendo que a
confirmação, por cultura, atingiu 86,6% dos casos de tuberculose pulmonar. Dos casos com microscopia
positiva, 89,8% tiveram confirmação por cultura (459/511). Do total de casos confirmados por cultura,
com identificação de espécie, em 95% houve identificação do complexo do Mt e nos restantes 5% foram
identificadas micobactérias não tuberculosas (Mycobacterium avium, 19 em 33).
9
Departamento de Saúde Pública
Programa de Luta contra a Tuberculose
3.2. Perfil de suscetibilidade (Sistema de notificação laboratorial)
Em 2008, na região de saúde do Norte, foi implementado um sistema de notificação laboratorial
dos testes de suscetibilidade aos antibióticos (TSA), com a participação de todos os laboratórios do
sistema nacional de saúde que executam os referidos testes. Dessa forma, tem sido possível não só
fazer chegar aos clínicos, com brevidade, todos os resultados dos TSA efetuados aos doentes sob a sua
responsabilidade, como também caracterizar a evolução dos perfis de Mt que circulam na região.
3.2.1. Resultados de 2013
Durante o ano de 2013 foram recebidos, no Departamento de Saúde Pública (DSP), resultados de
971 TSA, respeitantes a 785 doentes. No quadro 4, observa-se a distribuição dos testes por laboratório
executor. O Laboratório do Centro de Diagnóstico Pneumológico (CDP) do Porto foi o que executou mais
TSA, seguindo-se-lhe o Laboratório do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho, o laboratório do
Centro Hospitalar de S. João (CHSJ), o Laboratório Regional de Saúde Pública (LRSP) em Braga, o
Laboratório do Centro Hospitalar do Porto (CHP), o laboratório do Hospital de Braga, o Laboratório
Nacional de Referência de Micobactérias do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (LNRM-INSA)
e o laboratório do Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto.
Quadro 4 – Distribuição dos TSA de isolados de Mycobacterium tuberculosis segundo o laboratório executor, na
região de saúde do Norte, 2013
Laboratório Executor
CHVNG
2013
204
LNRM-INSA
62
CDP Porto
241
CHSJ
172
LRSP Braga
92
Hospital Braga
72
CHP
81
IPO Porto
14
Outro
30
Total
971
Dos 785 doentes em análise, 542 eram do sexo masculino (69%) e 243 do sexo feminino (30%). A
distribuição dos doentes (n=772) por grupo etário foi a seguinte 10 doentes com menos de 15 anos de
idade, 77 doentes com idades compreendidas entre os 15-24 anos, 266 com idades entre 25-44 anos,
264 entre 45-64 anos e 155 com 65 e mais anos.
3.2.2. Perfil de suscetibilidade
Analisando os resultados do perfil de suscetibilidade das estirpes de Mt isoladas nos 785 doentes
identificados em 2013, 123 (15,7%) tinham resistência a, pelo menos, um dos quatro antibacilares de
primeira linha (isoniazida, rifampicina, etambutol e estreptomicina).
10
Departamento de Saúde Pública
Programa de Luta contra a Tuberculose
3.2.2.1. Suscetibilidade à isoniazida
Em 2013 registou-se resistência à isoniazida em 58 doentes, representando uma prevalência de
resistência de 7,4%, valor ligeiramente superior ao registado em anos anteriores.
Dos 58 doentes com resistência à isoniazida registados em 2013, 46 eram do sexo masculino e 12
do sexo feminino, traduzindo-se numa prevalência de resistência de 8,5% no sexo masculino e 4,9% no
sexo feminino. A distribuição etária dos doentes com resistência à isoniazida foi a seguinte: sete tinham
idade compreendida entre os 15-24 anos, 18 entre os 25-44 anos, 23 entre os 45-64 anos e 10 tinham
65 ou mais anos de idade.
3.2.2.2. Suscetibilidade à rifampicina
Do total de 785 doentes de 2013, sete apresentavam resistência à rifampicina, resultando numa
prevalência de resistência de 0,9%.
3.2.2.3. Suscetibilidade ao etambutol
Registou-se resistência ao etambutol em oito dos 785 doentes (1%).
3.2.2.4. Susceptibilidade à estreptomicina
A resistência à estreptomicina foi detetada em 86 dos 785 doentes de 2013 (11%), sendo 66 do sexo
masculino (12,2%) e 20 do sexo feminino (8,2%). A distribuição etária destes doentes (n=85) foi a
seguinte: 12 tinham idade compreendida entre os 15-24 anos, 28 entre os 25-44 anos, 33 entre os 45-64
anos e 12 tinham 65 ou mais anos de idade.
3.2.2.5. Polirresistências e multirresistências
O perfil de polirresistência mais comum, em 2013, foi a resistência simultânea e exclusiva à
isoniazida e à estreptomicina, observada em 26 doentes. Foram identificados ainda os seguintes perfis
de polirresistência: um caso com resistência à isoniazida e ao etambutol, um caso com resistência à
isoniazida e à pirazinamida, um caso com resistência à rifampicina e à estreptomicina e dois casos com
resistência à isoniazida, etambutol e estreptomicina.
Foram ainda identificados cinco casos com perfil de multirresistência, um caso referente ao ano de
2012 e quatro diagnosticados em 2013. Três dos novos casos com multirresistência apresentavam
resistência às cinco drogas de primeira linha. Não se observou nenhum caso de tuberculose
extensivamente resistente.
11
Departamento de Saúde Pública
Programa de Luta contra a Tuberculose
3.3. Resultados do tratamento (SVIG-TB)
Dos 517 doentes com tuberculose pulmonar bacilífera diagnosticados em 2012, na região, 449
terminaram o tratamento com sucesso, representando 86,8% do total. Dos restantes doentes (n=68), a
grande maioria faleceu durante o tratamento (43), 10 interromperam o tratamento, seis foram
classificados como ainda em tratamento e nove foram transferidos (Quadro 5).
Dos 462 doentes com tuberculose pulmonar bacilífera registados em 2013, 344 foram considerados
como tendo tido sucesso (74,5%). Considerando que um número assinalável de doentes da coorte de
2013 ainda está classificado como “em tratamento”, significando eventual atraso na atualização dos
dados, estimamos que a proporção de sucesso terapêutico venha a aumentar (Quadro 5).
Quadro 5 – Resultado do tratamento dos casos de tuberculose pulmonar bacilífera registados na região de saúde
do Norte (excluindo multirresistentes), coortes de 2010, 2011, 2012 e 2013 (SVIG-TB)
Em
Óbito Interrupção tratamento Transferidos Total
Ano
Sucesso (%)
2010
463 (89,4)
34
15
2
4
518
2011
434 (86,8)
38
12
13
3
500
2012
449 (86,8)
43
10
6
9
517
2013
344 (74,5)
36
18
56
8
462
12
Departamento de Saúde Pública
Programa de Luta contra a Tuberculose
3.4. Internamentos hospitalares em doentes com diagnóstico de tuberculose
Em 2012, 663 doentes foram internados em hospitais da região de saúde do Norte com diagnóstico
de tuberculose (totalizando 822 internamentos), representando um decréscimo de 0,5% em relação a
2011 (Quadro 6). Em 2013, o número de doentes internados com diagnóstico de tuberculose foi de 632
(totalizando 764 internamentos), correspondendo a menos 4,7% do que no ano anterior. O decréscimo
percentual anual médio de doentes internados com diagnóstico de tuberculose entre 2000-2013 foi de
5,2%. Os doentes internados com diagnóstico de tuberculose representaram 61% e 64% do total de
casos de tuberculose registados no SVIG-TB em 2012 e em 2013, respetivamente. Ao longo dos últimos
14 anos a proporção de doentes internados com tuberculose, em relação ao total de casos registados,
tem representado, em média, 65%.
Quadro 6 – Evolução do número anual de doentes internados com diagnóstico de tuberculose ocorridos em
hospitais de região de saúde do Norte e respetiva variação percentual anual, 2000-2013 (GDH 01*)
Ano
N.º doentes
Variação anual (%)
2000
1310
2001
1285
- 2%
2002
1313
+ 2%
2003
1176
- 10%
2004
1078
- 8%
2005
1024
- 5%
2006
944
- 8%
2007
835
- 12%
2008
776
- 7%
2009
717
- 8%
2010
598
- 17%
2011
666
+ 11%
2012
663
- 0,5%
2013
632
- 4,7%
13
Departamento de Saúde Pública
Programa de Luta contra a Tuberculose
No quadro 7 observa-se a distribuição dos doentes internados com diagnóstico de tuberculose, por
centro hospitalar/hospital, em 2012 e em 2013. No último ano em análise, os Centros Hospitalares de
São João, do Porto e Tâmega e Sousa receberam 20%, 16% e 11% dos doentes internados com
tuberculose, respetivamente.
Quadro 7 – Distribuição dos doentes internados com diagnóstico de tuberculose em hospitais de região de saúde
do Norte, por hospital, 2012-2013 (GDH)
Hospital
2012
2013
Hospital Santa Maria Maior, E.P.E. - Barcelos
9
19
Hospital de Braga
37
41
Centro Hospitalar do Alto Ave, E.P.E.
45
33
Centro Hospitalar de Entre Douro e Vouga, E.P.E.
29
41
Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho, E.P.E.
52
48
Centro Hospitalar do Médio Ave, E.P.E.
15
22
Centro Hospitalar do Porto, E.P.E.
102
92
Centro Hospitalar de São João, E.P.E.
133
109
Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro, E.P.E.
29
29
Centro Hospitalar Tâmega e Sousa, E.P.E.
81
62
Hospital Magalhães de Lemos, E.P.E.
1
1
Instituto Português Oncologia F. Gentil - Porto, E.P.E.
11
15
Unidade Local de Saúde de Matosinhos, E.P.E.
35
53
Centro Hospitalar Povoa do Varzim/Vila do Conde, E.P.E.
12
21
Unidade Local de Saúde do Alto Minho, E.P.E.
46
43
Unidade Local de Saúde do Nordeste, E.P.E.
14
23
Em 2012, os doentes internados com diagnóstico de tuberculose ocuparam 17285 dias de
internamento, tendo a duração média dos internamentos sido de 21,0 dias (incluindo internamentos
múltiplos). Em 2013, os 632 doentes estiveram internados 15388 dias, com uma duração média por
internamento de 20,1 dias. Os dados do quadro 8 mostram a duração, em semanas, dos internamentos
hospitalares em 2012 e 2013.
Quadro 8 – Duração em semanas dos internamentos hospitalares em doentes com diagnóstico de tuberculose
ocorridos em hospitais de região de saúde do Norte, 2012-2013 (GDH)
Ano
Duração
(semanas)
2012
2013
<1 (Menos de 7 dias)
219
225
[1-3] (Entre 7 e 27 dias)
405
368
> 4 (28 dias ou mais)
198
171
Total
822
764
14
Departamento de Saúde Pública
Programa de Luta contra a Tuberculose
Do total de 663 doentes internados em 2012, 462 eram do sexo masculino (70%) e 201 do sexo
feminino (30%). Em 2013, manteve-se o predomínio de doentes do sexo masculino: 428 (68%) versus
204 (32%).
Em 2013, os grupos etários que mais contribuíram para o total de doentes internados com
tuberculose foram: 35-54 anos (233 doentes, dos quais 184 eram do sexo masculino) e mais de 74 anos
de idade (112 doentes, dos quais 61 do sexo masculino) (Figura 4), mantendo-se uma distribuição etária
sobreponível à de 2012. O número de doentes internados com diagnóstico de tuberculose com menos
de 25 anos de idade manteve-se estável entre 2012 e 2013.
Figura 4 – Distribuição do número de doentes internados com diagnóstico de tuberculose por grupo etário, em
2012 e 2013, nos hospitais da região de saúde do Norte (GDH)
Em 2012, 10,3% (68/663) dos doentes internados com tuberculose tinham serologia positiva para o
VIH. Em 2013, aquela proporção desceu para 7,1% (45/632). No início da década de 2000, cerca de um
quinto dos doentes internados com tuberculose tinha coinfecção com o VIH.
No quadro 9 observa-se a evolução da letalidade registada nos doentes internados com tuberculose
desde 2000. Em 2012, 70 dos 663 doentes internados com tuberculose faleceram, representando 10,6%
do total de doentes. Em 2013, a letalidade observada foi de 11,9% (75 dos 632 doentes internados
faleceram).
15
Departamento de Saúde Pública
Programa de Luta contra a Tuberculose
Quadro 9 – Evolução do número de óbitos ocorridos nos doentes internados com diagnóstico de tuberculose nos
hospitais de região de saúde do Norte e respetiva letalidade, 2000-2013 (GDH)
Ano
N.º doentes que faleceram
Letalidade (%)
2000
166
12,7
2001
161
12,5
2002
165
12,6
2003
142
12,1
2004
155
14,4
2005
135
13,2
2006
98
10,4
2007
77
9,2
2008
79
10,2
2009
63
8,8
2010
69
11,5
2011
64
9,6
2012
70
10,6
2013
75
11,9
Dos 75 doentes falecidos em 2013, 59 eram do sexo masculino (letalidade 13,8%) e 16 do sexo
feminino (letalidade 7,8%).
Na figura 5 observa-se a distribuição etária dos doentes que faleceram em 2012 e 2013. Os óbitos
concentraram-se em grupos etários mais avançados, mas, em 2013, aumentou o número de óbitos no
grupo etário entre os 35 e os 64 anos. A letalidade registada nos doentes com menos de 65 anos foi de
5,4% em 2012 e 8,5% em 2013.
Figura 5 – Distribuição do número de doentes internados nos hospitais da região de saúde do Norte com
diagnóstico de tuberculose que faleceram, por grupo etário, 2012 e 2013 (GDH)
16
Departamento de Saúde Pública
Programa de Luta contra a Tuberculose
3.5. Mortalidade por tuberculose (DGS e INE)
De acordo com os dados fornecidos pelo INE, entre 2001 e 2012 registaram-se, na região de saúde
do Norte, 1126 óbitos cuja causa foi a tuberculose, dos quais 855 no sexo masculino (76%) e 271 no sexo
feminino (24%). Na figura 6 podemos observar a evolução do número de óbitos por tuberculose, total e
por sexo. A evolução do número total de óbitos por tuberculose apresentou uma tendência decrescente
até 2008. A partir de 2009, parece evidenciar-se uma tendência crescente. Este padrão evolutivo
também se observa no sexo masculino. No sexo feminino, a evolução das mortes por tuberculose
aparenta alguma estabilidade.
Figura 6 – Evolução do número de óbitos por tuberculose em doentes residentes na região de saúde do Norte,
total e por sexo. 2001-2012 (Fonte: Instituto Nacional de Estatística, IP - Portugal)
A maioria dos óbitos por tuberculose, que ocorreram entre 2001 e 2012, registou-se em pessoas
com 65 e mais anos de idade (64%). Na figura 7 observa-se a evolução do número de óbitos por
tuberculose, por grupo etário, ocorridos entre 2001 e 2012.
Figura 7 – Evolução do número de óbitos por tuberculose em doentes residentes na região de saúde do Norte por
grupo etário. 2001-2012 (Fonte: Instituto Nacional de Estatística, IP - Portugal)
17
Departamento de Saúde Pública
Programa de Luta contra a Tuberculose
O número de óbitos por tuberculose em pessoas com mais de 64 anos de idade desceu até 2004,
estabilizando a partir de então. O número de mortes por tuberculose, em pessoas com menos de 65
anos, desceu até 2008, parecendo ter estabilizado desde essa data.
18
Departamento de Saúde Pública
Programa de Luta contra a Tuberculose
4. CONCLUSÕES
O aumento do número de casos de tuberculose, observado em 2012, não se manteve em 2013,
tendo-se registado, entre os dois últimos anos, um decréscimo superior ao observado em anos
anteriores.
O risco de contrair tuberculose continua concentrado na região do Grande Porto, sendo evidente a
diminuição do risco no interior da região de saúde do Norte, principalmente, nos distritos de Bragança e
de Vila Real. De uma forma geral, mesmo nas áreas de maior concentração de tuberculose, a evolução
da situação epidemiológica tem vindo a melhorar, exceção feita para a população residente na área dos
ACeS Vale do Sousa Norte e Vale do Sousa Sul.
A tuberculose continua a assumir uma maior magnitude nos indivíduos do sexo masculino, no
entanto, entre 2012 e 2013, registou-se um ligeiro aumento no número de casos de doença em pessoas
do sexo feminino. Justifica-se uma análise mais detalhada da evolução do risco de tuberculose nos dois
sexos, devendo ser tida em consideração a variação que se registou, nos últimos anos, nos efetivos
populacionais da região, fruto dos movimentos migratórios observados.
1
Quando comparado com a situação nacional (16% em 2012) , os estrangeiros representam uma
proporção muito reduzida do total de casos de tuberculose na região de saúde do Norte.
A tuberculose tem vindo a atingir um número cada vez mais reduzido de utilizadores de drogas por
via intravenosa, no entanto registou-se um ligeiro aumento no número de casos em 2013. Em relação à
associação entre a tuberculose e o álcool, apesar de o número de casos de tuberculose em alcoólicos ter
vindo a descer, essa descida é inferior à observada para o total de casos de tuberculose. O aumento no
número de casos de tuberculose em reclusos, registado em 2013, reflete a ocorrência de um surto de
tuberculose num estabelecimento prisional da região.
A cobertura do rastreio da infeção pelo VIH, nos doentes com tuberculose, tem vindo a descer de
forma preocupante nos últimos anos. No último triénio, a prevalência da coinfeção tuberculose/VIH
2
tem-se mantido estável, apesar de inferior à registada a nível nacional (14% em 2012) .
Os dados do sistema de notificação laboratorial de TSA indicam um ligeiro aumento na prevalência
de casos com resistência à isoniazida em 2013. Este padrão traduz a ocorrência de um surto de
tuberculose com perfil de resistência à isoniazida e à estreptomicina detetado na região.
O sucesso terapêutico nos casos de tuberculose pulmonar bacilífera, indicador que melhor traduz o
controlo da doença e a qualidade dos serviços de saúde dedicados à tuberculose, baixou para a coorte
de 2011 e manteve-se um pouco acima de 85% para a coorte de 2012. Os valores observados para a
coorte de 2013 ficam muito abaixo de 85%, sendo de considerar que a atualização dos dados do SVIG-TB
possa vir a melhorar aquele indicador. No entanto, deve ser realçado o aumento de doentes que
interromperam o tratamento em 2013.
1
Direção-Geral da Saúde, Programa Nacional para a Infeção VIH/SIDA. Portugal – Infeção VIH/SIDA e
Tuberculose em Números, 2013. Disponível em www.dgs.pt
2
Idem
19
Departamento de Saúde Pública
Programa de Luta contra a Tuberculose
Os internamentos hospitalares em doentes com tuberculose têm vindo a descer a um ritmo
superior ao observado para o total de casos de doença registados na comunidade. No entanto, os dados
indicam que a maioria dos casos de tuberculose ainda é diagnosticada em internamento hospitalar,
situação que seria desejável reverter. Deve ser realçado o aumento da letalidade hospitalar registado
em 2013, ocorrido à custa dos doentes com menos de 65 anos de idade.
A evolução da mortalidade por tuberculose, na região, sofreu uma alteração nos últimos anos, no
sentido da estabilização, contrariando o ritmo da tendência decrescente que era evidente desde o início
da década de 2000.
Em resumo, apesar da evolução favorável da situação epidemiológica global da tuberculose na
região, há alguns sinais que, a manterem-se em anos subsequentes, nos devem preocupar e nos
obrigam a uma atenção redobrada, nomeadamente, em relação ao que se passa nos centros urbanos,
nas mulheres e nos grupos de maior risco (alcoólicos, VIH, toxicodependentes, entre outros). Esta
atenção redobrada deverá traduzir-se numa análise mais detalhada do fenómeno e no desenho e
discussão de estratégias dirigidas para os grupos de maior risco. Ao longo de 2013 e 2014, foram
discutidos e publicados documentos de referência para a abordagem da tuberculose em utilizadores de
drogas e em reclusos, cuja monitorização e avaliação de impacto serão da maior importância nos
próximos anos. A estrutura assistencial de apoio ao controlo da tuberculose, na região, deve manter-se,
principalmente nas áreas de maior concentração de risco, não sendo de por de parte a necessidade de
encontrar respostas alternativas para as áreas de maior dispersão de casos. Em situações de crise e de
agravamento dos determinantes sociais da tuberculose, a intervenção comunitária deve ser reforçada,
pelo que o papel dos serviços de saúde pública e o dos parceiros comunitários no controlo da
tuberculose assumem uma importância crescente.
Porto, 10 de dezembro de 2014
A Equipa Coordenadora do Programa de Luta contra a Tuberculose na ASRN, I.P.
20
Departamento de Saúde Pública
Programa de Luta contra a Tuberculose
Anexo 1
Casos de tuberculose por ACeS/ULS da região de saúde do Norte, 2000-2013 (SVIG-TB)
2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013
ACES Alto Tâmega e Barroso
29
23
36
31
32
18
14
28
18
24
21
23
12
8
ACES Aveiro Norte
38
37
47
36
26
28
20
29
30
20
25
28
27
20
ACES Baixo Tâmega
93
88 100
79
67
81
69
77
65
86
51
59
82
51
ACES Barcelos/Esposende
48
50
48
45
57
61
70
51
48
38
55
34
34
41
ACES Braga
61
53
53
60
37
54
56
41
37
32
25
24
42
42
ACES Douro Sul
36
30
29
35
18
15
15
18
14
14
15
12
16
9
ACES Famalicão
46
48
44
46
49
35
30
27
29
29
32
24
16
16
ACES Feira/Arouca
73
60
56
57
57
43
38
33
40
30
30
41
36
35
ACES Gaia I e II
200 190 172 193 125 150 151 117 116
98
90
87
93
90
ACES Gerês/Cabreira
29
29
25
29
30
20
26
15
21
16
16
9
16
22
ACES Gondomar
131 120 120 121
95 114
84
71
79
72
52
64
61
61
ACES Alto Ave
107
94 133
93
97
90
65
52
56
50
49
60
44
48
ACES Maia/Valongo
137 131 150 137 139 127
92
95
82
87
83
70
73
79
ACES Marão e Douro Norte
32
33
37
35
33
30
33
39
34
23
34
21
18
21
ULS Nordeste
33
24
31
23
40
22
32
32
32
25
37
14
26
19
ACES Porto I e II
230 260 275 262 235 195 196 190 127 122 118 125 108 120
ACES Póvoa/Conde
118 123 128 101
96 102
79
97
74
80
58
47
64
53
ACES Santo Tirso/Trofa
53
51
40
27
39
39
46
25
31
24
38
43
29
25
ACES Vale Sousa I
134 124 120 121 112
92 102
75
93
93
90 109
94
91
ACES Vale Sousa II
49
53
42
38
40
42
32
37
38
45
27
44
50
41
ULS Alto Minho
90
93
68
77
80
69
91
73
91
60
63
46
67
41
ULS Matosinhos
154 138 142 123 113 108
97
86
70
59
64
80
72
57
Total
1921 1852 1896 1769 1617 1535 1438 1308 1225 1127 1073 1064 1080 990
21
Departamento de Saúde Pública
Programa de Luta contra a Tuberculose
Anexo 2
Taxa de notificação média anual de tuberculose (/100 mil) por ACeS/ULS da região de saúde do Norte, nos triénios 2005-2007, 2008-2010 e 2011-2013 (SVIG-TB)
ACES Alto Tâmega e Barroso
ACES Aveiro Norte
ACES Baixo Tâmega
ACES Barcelos/Esposende
ACES Braga
ACES Douro Sul
ACES Famalicão
ACES Feira/Arouca
ACES Gaia I e II
ACES Gerês/Cabreira
ACES Gondomar
ACES Alto Ave
ACES Maia/Valongo
ACES Marão e Douro Norte
ULS Nordeste
ACES Porto I e II
ACES Póvoa/Vila do Conde
ACES Santo Tirso/Trofa
ACES Vale Sousa Sul
ACES Vale Sousa Norte
ULS Alto Minho
ULS Matosinhos
Região
2005-2007
2008-2010
2011-2013
20,0
22,2
40,4
38,8
28,8
20,7
23,2
23,4
42,1
18,3
53,5
26,4
47,6
31,4
19,0
77,2
65,4
32,9
50,9
23,1
31,2
56,2
38,4
21,8
21,9
36,5
30,2
17,4
19,0
22,4
20,5
30,3
16,1
40,2
20,0
37,1
28,5
21,4
50,4
49,5
27,9
52,2
22,7
28,9
36,8
30,8
15,4
22,2
35,4
23,5
19,8
16,8
13,9
23,0
26,9
14,4
36,9
19,8
32,1
19,2
13,9
51,1
38,2
29,4
55,8
27,7
21,1
39,7
28,4
Variação percentual
2005-2007/2011-2013
- 23
0
- 12,4
- 39,4
- 31,3
- 18,8
- 40,1
0
- 36,1
- 21,3
- 31
- 25
- 32,6
- 38,9
- 26,8
- 33,8
- 41,6
- 10,6
+ 9,6
+ 19,9
- 32,4
- 29,4
- 25
22
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A Tuberculose na Região de Saúde do Norte, 2013