A PONTE DE PEDRA SUSPENSA NA PAISAGEM PELO TEMPO!
BIER, LUCILE LOPES; CARON, DANIELE; COELHO, LETÍCIA CASTILHOS;
MARTINS, MARINA CANÃS; PANITZ, LUCAS MANASSI; PIMENTEL, MAURÍCIO
RAGAGNIN; PUNTEL, GEOVANE APARECIDA; RANGEL, MÁRIO; SCHWERZ,
JOÃO PAULO; SILVA, LUÍS ALBERTO PIRES DA; VERDUM, ROBERTO;
VIEIRA, LUCIMAR DE FÁTIMA DOS SANTOS.
UFRGS. Laboratório da Paisagem PAGUS/ Departamento de Geografia/ Instituto de Geociências
Av. Bento Gonçalves, 9.500. CEP: 91.509-900 - Porto Alegre - RS - BRASIL
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RESUMO
No artigo se discute a reestruturação ou requalificação funcional e simbólica de um monumento
histórico ao sofrer uma intervenção no espaço público, sendo esta analisada pelo referencial
teórico-metodológico da abordagem perceptiva. A Ponte de Pedra, localizada em Porto Alegre, capital
do estado do Rio Grande do Sul, no Largo dos Açorianos, foi construída em 1846, em substituição a
uma ponte de madeira (construída em 1825) erguida quase no mesmo local. A ponte ligava as chácaras
da zona sul (área rural) ao centro da cidade, mas em 1937, o arroio Dilúvio começou a ser retificado e a
ponte perdeu a sua função. Mas, ela sobreviveu às mudanças do espaço urbano e as suas
funcionalidades estão marcadas na paisagem, como memória do tempo passado, transformada em
“testemunha de pedra”. A ponte foi um dos primeiros cinco monumentos tombados pelo município em
1979, sendo projetado na reurbanização do seu espaço de entorno um espelho d´água sob seus pilares
em arco. A abordagem perceptiva no estudo da paisagem urbana se interessa pelo modo como os
indivíduos percebem e tomam decisões a respeito da cidade e seus monumentos históricos. A
problemática na qual se focaliza este estudo está em saber qual a percepção dos transeuntes na
transformação da paisagem e na perda de um monumento de identidade cultural e histórica. A
produção cultural se dá no espaço e no tempo, e os momentos históricos são relictos de sobreposição
de percepções e funcionalidades refletidas nas paisagens. Ou seja, será que este patrimônio,
resultado de um processo histórico/cultural, deve conviver com os elementos que compõe uma nova
paisagem?
Palavras-chave: paisagem; patrimônio; monumento histórico; Ponte de Pedra, Largo Açorianos; Porto
Alegre.
INTRODUÇÃO
Refletir sobre a noção de patrimônio, atualmente, requer compreender o contexto de
transformação a que estão submetidas às paisagens, às sociedades e os territórios, revisando
o impacto dos fenômenos da globalização sobre a sociedade e a crise de valores que dela
deriva.
Pois, a vulnerabilidade daquilo que se pretende conservar ou proteger está relacionado com a
transferência semântica, que sofreu a palavra “patrimônio” ao longo das últimas décadas. O
fenômeno do patrimônio se transforma a cada dia em culto mediático que nada tem a ver
com os laços de co-determinação existentes entre o indivíduo, o ato de rememorar e o objeto
que reflete esta memória.
A proteção institucional do patrimônio 1 histórico iniciou-se somente no século XIX, na
França. Segundo Choay (2001), durante a Revolução Francesa inicia-se o grande processo
de apropriação da "propriedade nacional", com o sequestro e confisco de bens da igreja, da
coroa e da aristocracia. Para conservar os bens criou-se a ideia do patrimônio coletivo, ou
seja, de um valor de nacionalidade, de interesse de todos os cidadãos e de uma história
coletiva. Paradoxalmente, esse período, também, é fortemente influenciado pela destruição
que ganha o país e torna-se incontrolável, pelo desejo de “apagar” todos os símbolos da
realeza e a necessidade de fazer armas.
Em 1794, na luta contra este vandalismo, o abade Grégoire (membro do parlamento) se opõe
à destruição de certos locais representativos (certains lieux emblématiques) da história da
França e concebe o atributo de "monumento 2 histórico". François Guizot (historiador,
professor, vice-ministro do Interior – criador da política do patrimônio, em 1830), assim como
Grégoire, considerava o patrimônio uma ferramenta que, juntamente com a escola, poderia
sensibilizar os cidadãos do país para participarem da construção de uma identidade nacional
e do Estado-Nação (VIEIRA, 2014).
Choay (2001) explica que as grandes mudanças ocorridas no espaço geográfico e o ritmo
acelerado da sociedade decorrentes da Revolução Industrial (países como Inglaterra, França,
Alemanha e Estados Unidos) produziram uma crise de identidade e, consequentemente, uma
1 A palavra patrimônio vem do latim patrimonium, herança, isto é, conjunto de bens de família, transmitidos por
herança (a herança, a propriedade da família transmitida pelo pai „pater‟ e pela mãe); conjunto de bens herdado ou
adquirido de uma pessoa, instituição ou empresa; e o conjunto dos bens materiais e imateriais de uma nação,
estado, cidade, que constituem herança coletiva e são transmitidos de geração a geração, (AZEREDO, 2013).
2 Monumento, origem latina monumentum, derivado do verbo moneo (se remémorer). Obra erigida em honra de
alguém ou para comemorar algum acontecimento notável. Edifício grandioso, digno de admiração pela sua
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tentativa de resgate para compor uma visão nostálgica do passado. Ao término da Primeira
Guerra Mundial, a preocupação com o patrimônio histórico estendeu suas fronteiras aos
demais países europeus e americanos (VIEIRA, 2014).
Se por um lado a trajetória delineada pela conservação do patrimônio ao longo do tempo
remete à valoração de âmbitos cada vez mais amplos e complexos, por outro, no século XX
começa o processo de patrimonialização da paisagem. Tal como o patrimônio em sua época,
o conceito de paisagem entra no rol das discussões intelectuais e científicas
transformando-se em simulacro 3 de um ideal paisagístico obsoleto para o contexto
contemporâneo, pleno de desigualdades sociais e econômicas e de complexa diversidade.
No Brasil, a proteção efetiva da paisagem é ainda um desafio, apesar dos grandes progressos
a respeito da legislação ambiental e dos diversos instrumentos vigentes para a proteção dos
bens culturais4. Recentemente, em 2009, foi criada pelo Instituto do Patrimônio Artístico e
Nacional a Chancela da Paisagem Cultural Brasileira, um instrumento de reconhecimento do
valor cultural de um recorte definido do território nacional, que possui características especiais
quanto à interação homem-meio.
Sua finalidade é atender ao interesse público por
determinado território que constitua parte da identidade brasileira. O instrumento se configura
como um pacto entre poder público, sociedade civil e iniciativa privada, resultando em uma
gestão compartilhada da paisagem protegida5.
Entretanto, o estudo de algumas metodologias de conservação patrimonial, requalificação de
centros urbanos, proteção de paisagens rurais e urbanas, tanto em países europeus como no
Brasil e América Latina, demonstram que ainda há um longo caminho a percorrer, no sentido
de reafirmar o papel da paisagem na gestão do patrimônio, resgatando o conceito em seu
sentido fenomenológico.
Ao entender a paisagem como um modo de olhar, ou como explica COSGROVE (1998, p.98),
“um modo de compor e harmonizar o mundo externo em uma cena, em uma unidade visual”, é
possível compreender que o homem constrói a paisagem, e ao mesmo tempo, é construído
por ela. Os múltiplos e sucessivos olhares sobre um território participam do esquema de
percepção do ser humano, construindo o imaginário coletivo sobre determinadas
estrutura ou pela sua antiguidade. Qualquer obra intelectual ou material que pelo seu alto valor passa à
posteridade, (AZEREDO, 2013).
3
JACOB, M. Metacrítica del Omnipaisaje. Seminario Internacional Teoría y Paisaje, reflexiones desde miradas
interdisciplinarias. Departament d‟Humanitats e Institut Universitari de Cultura de la Universitat Pompeu Fabra y
Observatori de Paisatge de Catalunya. Febero 2010 ”Los que hablan, siempre y sin parar, de paisaje se refieren
más bien al entorno, al territorio, al país. El signo paisaje se presenta así como un simulacro, como un término
fetiche que enmascara, al mismo tiempo que es empleado y porque está ahí, dispuesto a serlo, su destinación
permanente.”
4
A Carta brasileira da paisagem
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espacialidades. Este imaginário, por sua vez, é a matéria prima com a qual as sociedades
transformam este território.
A fenomenologia da paisagem está intrinsicamente relacionada com o conceito de tempo de
modo que não há nada fixo, estático ou imutável. O caráter dinâmico e mutante da paisagem
em relação à imprevisibilidade da própria natureza, e, principalmente, das concepções de
uma sociedade, a caracterizam como um meio volátil, difícil de manipular e em constante
transformação. A partir desta noção de tempo condensado, na qual podem coexistir diferentes
realidades, passado, presente e futuro, se chega novamente ao tema da memória.
A memória é um dos agentes que determinam a crescente complexidade da paisagem, já que
se acumula em extratos ao longo do tempo. Nas pedras, caminhos, na simples andança do
viajante, se depositam infinitas histórias que por um lado compõe a paisagem tal como é, e por
outro, gera uma diversidade causada por esta sobreposição de leituras. O conjunto destas
interpretações da paisagem ocorre em diferentes medidas, e pode crescer onde a paisagem
ocorre a partir de dicotomias e dualidades como o urbano-rural, o centro-periferia, o
natural-construído, o passado-presente.
Gonçalves (2002) explica que ocorreram dois discursos na construção do conceito de
patrimônio: de “monumentalidade” e do “cotidiano”. A visão da monumentalidade, de
origem francesa, que se generalizou mundialmente e firmou-se como uma expressão de
grandiosidade, de beleza e de intocabilidade, que por sua vez, advém de um “sentimento de
monumentalidade como preocupação estética”. O outro discurso, chamado de cotidiano,
prioriza outros valores, como a experiência pessoal e coletiva dos diversos grupos sociais,
constituindo o patrimônio como uma representação da diversidade cultural presente em uma
sociedade.
A PONTE DE PEDRA DE PORTO ALEGRE
Conforme CHOAY (2001, p. 207) chama a atenção para a Convenção Mundial do
Patrimônio, em 1972, como marco simbólico da proteção do patrimônio cultural e natural, na
qual se cria um conjunto de obrigações relativas à identificação, proteção, conservação,
valorização e transmissão do patrimônio cultural às futuras gerações. O texto aponta os
estados membros da convenção como responsáveis pela identificação deste patrimônio,
e posteriormente pelos programas de educação e de informação, nos quais “deverão fazer
5
http://portal.iphan.gov.br/portal/baixaFcdAnexo.do?id=1756
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o possível para estimular em seus povos o respeito e o apreço do patrimônio cultural e
natural”.
A Ponte de Pedra, ou Ponte dos Açorianos, situada no bairro Centro, em Porto Alegre, como
ficou conhecida pelos porto-alegrenses, se constitui em interessante elemento para a
discussão sobre o processo de patrimonialização da paisagem. Inicialmente, construída para
“vencer” o leito do Arroio Dilúvio e conectar a península central com a zona sul da cidade, este
elemento aparece nos dias de hoje como uma lembrança de um passado distante.
Tendo em vista a Convenção Mundial do Patrimônio, o poder público identificou a ponte como
patrimônio cultural e reservou uma estrutura com funcionalidade de área verde – praça.
Destinou recursos para sua identificação em roteiros turísticos. Contudo, mais uma vez nos
deparamos com o cancelamento do processo de rememorar que estaria na base do conceito
de monumento e de todos os elementos a ser valorados como patrimônio; um processo de
apreensão conduzido pelo Estado, na maioria das vezes distanciado da participação efetiva
da sociedade e não mais o fenômeno de invocar o passado, através da memória que se
sustenta na arquitetura, na cidade, na paisagem. A história desse monumento se confunde
com a história dessa localidade, periférica ao desenho urbano da “cidade velha” de Porto
Alegre.
No momento em que se retifica o Arroio Dilúvio, na Avenida Ipiranga, se decide salvaguardar
este elemento construído, assegurando sua permanência numa paisagem, que desde então
vem sofrendo uma série de transformações, atreladas obviamente ao desenvolvimento da
cidade contemporânea.
A Ponte de Pedra é hoje uma espécie de “colagem” no cenário da metrópole porto-alegrense,
trazendo recordações aos mais antigos e causando certo questionamento ao transeunte mais
atento à paisagem. Um elemento para fixar o olhar de quem observa a cidade histórica
transformada pelos altos edifícios da Avenida Borges de Medeiros, branca, com pesados
pilares que hoje repousam em um pequeno lago que faz alusão ao antigo leito do arroio. Para
quem olha a cidade moderna, os edifícios públicos e institucionais do lado oposto a ponte,
também, é emblemática e se relaciona visualmente com uma grande escultura em
homenagem aos açorianos, colocada ali anos mais tarde.
O traçado simples e robusto da Ponte de Pedra contrasta com a placidez do curso d‟água,
sobre a qual está assentado, um espelho d´água. Seu fluxo, por sua vez, parece inerte
comparado ao potente viaduto que existe apenas há alguns metros em paralelo. Como aquela
ponte ficou em tal situação? Nessa seção procuraremos trazer o contexto histórico das
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intervenções urbanísticas deste equipamento que teve importância crucial para integração do
território porto-alegrense e cuja função foi subvertida em monumento.
O povoamento do que viria a ser Porto Alegre iniciou com a vinda de 60 casais açorianos em
1752, instalados precariamente na ponta do gasômetro, enquanto aguardavam as definições
políticas entre as coroas ibéricas para saber se seguiriam, ou não, ao seu destino final, as
missões jesuíticas da margem oriental do rio Uruguai. Acabaram ficando, e em sua
homenagem é erigida a escultura de Carlos Tenius (1973) na outra margem da Avenida
Loureiro da Silva, em frente à Ponte de Pedra, motivo pelo qual a região é conhecida como
Largo Açorianos.
Vinte anos depois, em 1772, a cidade é elevada à vila, e, um ano após, devido à posição
estratégica do ponto de vista militar e comercial, visto que desde seu promontório era possível
controlar o fluxo de embarcações entre a Laguna dos Patos e os rios do interior do território,
instalou-se ali em 1773 a capital. Neste século XVIII, além de uma economia de subsistência,
Porto Alegre destacava-se pela produção de trigo.
Os porto-alegrenses embarcavam em direção aos balneários da Zona Sul na Estação
Ildefonso Pinto (próxima ao Mercado Público) ou na Estação Riacho (próxima à
desembocadura do arroio Dilúvio e da Ponte de Pedra), figura 01. Segundo Alves (2001, p.
18) “nos finais de semana, esperar o trem, viajar e tomar banho no rio era um divertimento
sublime”.
Figura 01: Estação do Riacho, Ponte de Madeira e Ponte de Pedra
Fonte: Alves, 2001.
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No caminho, para as chácaras da zona sul da cidade, havia um limite a ser transposto, o
Arroio Dilúvio (na época, chamado de Riacho, Riachinho, Arroio da Azenha), hoje canalizado
entre as margens da Avenida Ipiranga. Quando o Conde da Figueira faz abrir o „Caminho de
Belas‟, atual Avenida Praia de Belas, entre 1818-1820, para realizar essa conexão, não havia
meio de transpor o arroio. Assim, no governo do Visconde de São Leopoldo foi construída
uma ponte de madeira sobre ele (Figura 02), um pouco mais abaixo, de onde fica a atual
Ponte de Pedra. Devido às cheias do arroio Dilúvio, essa ponte de madeira sofreu repetidos
danos e teve de passar por várias reconstruções, no período de 1825-1844.
Figura 02: Antiga ponte de madeira.
Fonte: SANTOS, 2010
Pouco mais a leste, sobre este mesmo arroio estava a ponte da Azenha, cuja transposição
pelas tropas farroupilhas deu início da Guerra dos Farrapos (1835-1845) e o cerco a Porto
Alegre. A capital manteve-se fiel ao Império, motivo pelo qual recebeu de D. Pedro o título de
„mui leal e valorosa‟, hoje estampado em seu brasão. Finda a guerra, o General Lima e Silva,
mais tarde Duque de Caxias, assume o governo da província rio-grandense. É durante seu
mandato que faz construir uma nova ponte na embocadura da Rua da Figueira, desta vez
opta-se por uma obra durável, construída em alvenaria. De acordo com Franco (1988, p. 324),
no relatório de 1º de março de 1846, Caxias relata:
Depois de ter mandado consertar por várias vezes a ponte de madeira do
Riacho, nesta cidade, tive por mais vantajoso, atendendo ao seu estado de
ruína, de fazer construir nova ponde de pedra na embocadura da rua da
Figueira, como lugar mais favorável ao trânsito público; feita a planta e o
orçamento, pôs-se a obra em arrematação e já nela se trabalha.
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O empreiteiro açoriano, João Batista Soares da Silveira, foi designado com construtor da obra,
que, realizada com trabalho escravo, terminou em 1854. No entanto, desde 1848, ainda
inacabada, foi aberta ao público. Segundo Weimer (2001, p.12) as antigas pontes romanas
serviram de modelo para a Ponte de Pedra. “A ponte romana é composta por três arcos
plenos, apoiados em duas fundações enterradas nas margens do antigo riacho e sobre dois
pegões de pedra aparelhada.” (FRANCO, 1988) Assim como em outras edificações de Porto
Alegre, o traçado militar da ponte é reflexo do momento em que foi erguida, quando a cidade
assumia proeminência nesse campo, tendo em vista às disputas fronteiriças da época.
A iconografia ainda atesta o arroio como via de comunicação entre os arrabaldes e o centro da
cidade, trazendo lenha, verduras, hortaliças e frutas em canoas (Figura 03). Segundo Santos
(2010, p. 32) na memória dos antigos moradores ainda persistem imagens e “o ruído que
faziam as lavadeiras, batendo roupa nas tábuas, principalmente na praia do Riacho,
localizava-se após a Ponte de Pedra”. Outro uso documentado é prática de atividades de
lazer, como a pesca, o banho, e de esportes náuticos, como o remo.
Figura 03.
Fonte: http://laboratorioart.blogspot.com.br/2011/09/ponte-de-pedra-em-labirintos-da.html
Nos anos de 1930, têm início importantes reformas urbanas em Porto Alegre, duas com
especial interesse para o contexto da Ponte de Pedra. A primeira é a abertura da Avenida
Borges de Medeiros, que hoje passa sobre o viaduto ao lado da ponte. A segunda, que
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tardaria décadas, é o início da canalização e retificação do arroio Dilúvio, desviando seu curso
e tornando a ponte desnecessária, já nos anos de 1950.
Contudo, é na década de 1970, que o espaço ao redor da ponte irá adquirir sua configuração
paisagística atual. Como a maior parte das capitais brasileiras, Porto Alegre teve um
expressivo crescimento demográfico na segunda metade do século XX, passando de 394.151
habitantes em 1950 para 885.545 em 1970, ou seja, um aumento de 124%.
Com o autoritarismo do regime militar e o dinheiro do “Milagre Brasileiro” esse período é
caracterizado por grandes intervenções, sobretudo na malha viária da cidade. A Ponte de
Pedra encontra-se cercada por essas intervenções, ficando no centro de uma das alças de
acesso ao Viaduto dos Açorianos, no cruzamento da Avenida Borges de Medeiros, com a
Avenida Loureiro da Silva, outra das intervenções do período, também conhecida como
perimetral, que contorna o Centro da cidade. Percebe-se nesta nova fase à adesão a certos
princípios modernistas, como a setorialização da cidade, assim neste período cria-se um novo
centro administrativo exclusivo para essa finalidade, para o qual se transfere algumas das
funções antes localizadas na parte histórica da cidade. Outro elemento é o privilégio à
circulação feita em vias expressas por veículos automotores privados. A Ponte de Pedra
passa então, assim como o monumento de ferro instalado na alça de sentido oposto do
viaduto, a uma função estética e, também, como um marco da memória dos tempos
provinciais da, agora, cidade moderna.
Nessa época de grandes intervenções alguns bens importantes para memória e identidade
urbana de Porto Alegre estiveram ameaçados. Em 1971, foi nomeada uma comissão formada
por funcionários municipais para realizar um levantamento dos bens imóveis de valor histórico
e cultural, de expressiva tradição para a cidade, para fins de proteção. Essa comissão foi
resultado de Emenda à Lei Orgânica Municipal que determinou a elaboração da listagem. No
relatório da comissão, foram definidos cinquenta e nove itens agrupados por temas: casas
com azulejos, templos e edifícios religiosos, hospitais, edifícios públicos, asilos, próprios
particulares, prédios em estilo colonial, outros estilos e peças avulsas (MEIRA, 2004, p.76).
“Afinada com a noção de monumento isolado consagrada a época, essa listagem pinçava
exemplares significativos remanescentes da arquitetura da cidade, não se limitando à área
central e diversificando nos programas arquitetônicos” (MEIRA, 2004, p.77).
A Ponte de Pedra já consta dessa primeira listagem, por ser o única remanescente do tempo
do império (MEIRA, 2004, p 163). Em 1974 a listagem foi revisada por uma nova comissão,
formada na sua maioria por arquitetos e historiadores. Foram excluídos vários bens
considerados sem interesse, em estado avançado de deterioração ou já demolidos. A Ponte
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de Pedra manteve-se arrolada entre os bens a preservar. Esse relatório transformou-se na Lei
4317/77, e em 1979, quando o município cria o instrumento do tombamento pela Lei 4.665/79,
a Ponte de Pedra é tombada, aumentando ainda mais seu grau de proteção e reconhecimento
público. A Ponte de Pedra foi um dos primeiros bens tombados, junto a outras propriedades
municipais: Paço dos Açorianos, Mercado Público, Solar de Lopo Gonçalves e a Capela do
Bom Fim (MEIRA, 2004, p.86).
Observando a iconografia recente da Ponte de Pedra, percebe-se, o contraste de sua alvura
na maior parte das fotos, com as inscrições e intervenções que hoje ali se materializam. Isso
abre um próximo capítulo que são as apropriações contemporâneas da Ponte de Pedra que
ficou suspensa no tempo.
NOVAS
PASSAGENS
E
FUNCIONALIDADES
DA
PAISAGEM
MEDIADA PELA PONTE DE PEDRA
A Praça dos Açorianos e a sua Ponte de Pedra, que liga suas extremidades, sob um lago
artificial, marca a transição do centro histórico de Porto Alegre e boêmio bairro da Cidade
Baixa. É a linha imaginária do território da administração pública, com seus prédios
construídos a partir da década de 70 (século XX), invadindo as águas do Guaíba, carregados
por um manto de aterro.
A ponte é um “fantasma” que assombra as sensações históricas dos transeuntes, que lhes
dispensam alguma atenção. O lago artificial que ela atravessa é lembrança do arroio que
constantemente insistia em alastrar-se muito além de suas margens. Ocupava o terreno
abandonado em momentos de seca. Hoje, os antigos arcos e as fundações da ponte estão
parcialmente imersos no lago, talvez lembrança das outroras enchentes históricas dessa
região.
O monólito rochoso que carrega seus aventureiros turistas até suas extremidades, ainda é um
objeto simbólico. Ao passar do tempo, percorreu funcionalidades diversificadas, despertou
sensações múltiplas nos seus contempladores: juras de amor podem ter sido prometidas em
seu cume, roupas foram higienizadas nas águas; por entre seus arcos, como se fossem
pernas abertas, deixou passagem para a navegação de pequenos barcos; ligou por muito
tempo localidades órfãos da Porto Alegre histórica; encantou artistas que guardaram para
posteridade suas formas, cores, texturas, luzes e sombras em pinturas e fotografias.
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Segundo Georg Simmel (1996, p.11),
A ponte se torna um valor estético, não somente quando estabelece nos fatos
e para a realização dos seus objetivos práticos uma junção entre termos
dissociados, mas também na medida em que a torna imediatamente sensível.
Ela oferece ao olhar, ligando as partes da paisagem, o mesmo suporte que
oferece ao corpo para satisfazer a realidade da praxis. A simples dinâmica do
movimento, em cuja efetividade vem se esgotar a cada vez o "objetivo" da
ponte se faz visualmente durável, assim como o quadro imobiliza à sua
maneira o processo vital, físico e psíquico pelo qual se cumpre a realidade do
homem, e que ele comprime numa única visão - estável pela sua
intemporalidade, como não mostra nem pode mostrar a realidade factual toda a agitação desta realidade que decorre no tempo. A ponte empresta um
sentido último, superior a todo o sensível, uma figura particular que não
mediatiza nenhuma reflexão abstrata e que recolhe em si a significação
prática da ponte, trazida à forma visual, como a obra de arte pode proceder
com o seu "objeto".
Weimer (2001, p. 12) cita que
A ponte de Pedra foi mutilada – há muito tempo foram-lhes suprimidas as
luminárias nos extremos das amuradas; o calçamento foi reformado com
pedras diferentes e, mais recentemente, foi-lhe adicionado um revestimento
em forma de reboco a esconder a estrutura original que lhe deu o nome. O tal
espelho d‟água teria melhor destino se refletisse a fisionomía arrependida de
quem ordenou afogar os talhamares que, adicionados aos acanhados pilares,
davam passagem para qualquer canoa, com remador de pé, sob o arco
central.
No presente, suas funções reservam um tempo para a travessia, mas diversificam-se: é ponto
de encontro para de funcionários que apreciar a vista do seu lago artificial, enquanto queimam
mais um cigarro e inundam o corpo de lembranças descompromissadas e nicotina. Sua
paisagem está ajardinada com belos exemplares de jacarandás, cedros e outras lenhosas
frondosas, sombreando seus limites e conferindo um caleidoscópio de luz e sombra.
Moradores de rua buscam abrigo junto a suas pilastras em arco; boêmios marcam encontros
nos seus limites e moradores marcam piqueniques e almoços em suas sombras e nos seus
solares. Territórios efêmeros, com dia e hora para ocupação e desocupação, são construídos,
reivindicados por grupos de diferentes nichos, nunca se sobrepondo, mas complementando o
mosaico funcional dessa paisagem com o enclave de pedra.
O público noturno que se localiza na ponte e seu entorno é conhecida como "Tutti", apelido de
Tutti Giorni, um bar que se localizava nos altos do viaduto Otávio Rocha, também no Centro.
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O bar era ponto de encontro de cartunistas e artistas. Como o tempo, o público engrossou
com estudantes universitários que se reuniam sempre às terças-feiras. Após o fechamento do
bar, devido às dívidas e reclamações de moradores pelo excesso de barulho, o Tutti Giorni se
mudou para outro lugar, perto da Ponte de Pedra, em um prédio de uso comercial no térreo e
residencial nos outros andares.
O ponto de encontro, já exclusivamente universitário, reunia muitos estudantes vinculados às
manifestações sociais na cidade, integrantes de diretórios acadêmicos, ativistas sociais e
artistas da cena alternativa. Com a justificativa do excesso de ruído aos moradores e da falta
de alvará para o funcionamento do bar, a Secretaria Municipal de Indústria e Comércio
determinou o fechamento do mesmo. Neste momento é que o público de terça-feira à noite
passou a se reunir na Ponte de Pedra. Nota-se que a microterritorialidade do chamado "Tutti"
se deslocou de um objeto histórico - o Viaduto Otávio Rocha - para outro - a Ponte de Pedra.
Articulado com este movimento sabe-se que o público é o mesmo de outros tipos de
reivindicação pelo espaço público na capital, como o Largo Vivo (movimento de ocupação do
Largo Glênio Peres em frente ao Mercado Público após a abertura deste para o
estacionamento de carros a partir do fim da tarde), o Vaga Viva (movimento que ocupa
aleatoriamente as vagas de estacionamento ao longo da rua movimentadas e desenvolve
micro-territórios de convivência e atividades artísticas e culturais), o Ocupa Cais Mauá
(movimento que questiona a revitalização do cais e seu ímpeto gentrificador) e o Massa
Crítica (movimento mundial de ciclistas que ocupa as ruas toda a última sexta-feira do mês).
Portanto, acreditamos que o movimento que ora produz a ocupação da Ponte de Pedra, nas
terças-feiras à noite, está intimamente ligado à luta pelo direito à cidade e aos espaços
públicos, apropriando-se de geossímbolos (Bonnemaison, 2002) consagrados da cidade objetos históricos como pontes, largos, cais, entre outros. Essas microterritorialidades, no seu
conjunto, expressam também a luta pela paisagem que, para ser mantida, deve ser ocupada
pelos grupos sociais.
PERCEPÇÕES SOBRE A PONTE DE PEDRA
Para a pesquisa de campo sobre a percepção dos transeuntes na transformação da paisagem
e na perda de um monumento de identidade histórica e cultural – a Ponte de Pedra no Largo
dos Açorianos se utilizou o método qualitativo, com entrevista aberta para a coleta de dados.
A estrutura do texto segue um dos modelos exemplificados por Creswell (2010) para a
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pesquisa qualitativa, ou seja, os resultados obtidos aparecem de forma descritiva, conforme
os relatos.
Foram realizadas nove entrevistas no sábado, dia 09 de agosto de 2014, no turno da manhã,
dia da semana em que há um menor fluxo de transeuntes, mas que ocorre uma feira de
hortigranjeiros nas redondezas. O público de entrevistados é composto por moradores locais,
principalmente, e por pessoas que estavam de passagem pelo centro da cidade.
A partir do contexto da transformação da paisagem de Porto Alegre e da perda ou da
modificação da função da Ponte de Pedra, os entrevistados foram questionados sobre o que
conhecem sobre o histórico dessa ponte, assim como a relação desse elemento na paisagem
atual e a sua permanência no futuro. Posteriormente, perguntou-se qual o significado da ponte
no cotidiano dos entrevistados.
A maior parte dos entrevistados opina que a Ponte de Pedra é um elemento antigo na
paisagem da cidade. Essa identificação ocorre pelo próprio conhecimento, pelo tempo de
vivência em Porto Alegre e, também, pela estética, que remete a uma construção antiga.
Entretanto, embora haja esse entendimento, nota-se que essa temporalidade é relativa, pois
entre os entrevistados esse tempo diz respeito há dois séculos passados, até 30 anos atrás.
Alguns associam a construção da Ponte de Pedra à chegada dos açorianos em Porto Alegre,
devido ao nome do local onde ela está instalada, o Largo dos Açorianos. Outros reconhecem
que a Ponte foi construída como passagem sobre o curso natural do Arroio Dilúvio, chegando
a citações específicas de que no original o material empregado era a madeira. Nesse
contexto, há menções sobre o tempo em que havia transporte de carroças em Porto Alegre e
aos pequenos barcos que passavam no arroio e no Lago Guaíba. Também fora relatado uma
estação ferroviária e um povoado nas adjacências.
Na questão sobre como a Ponte de Pedra, elemento do passado de Porto Alegre, convive
com o presente, destacam-se dois grupos distintos de opiniões. Para o primeiro, a importância
histórica e cultural é assinalada como a principal característica na atualidade. Aqui, ocorrem
as referências sobre a necessidade de preservação e revitalização da Ponte, assim como o
contraste entre a nova e a velha cidade, como um fator positivo, pois a história é parte dessa
cidade. No segundo, àqueles que a reconhecem enquanto um ponto de referência, tanto para
encontrar outros locais da cidade, quanto como lugar turístico e de embelezamento,
estimulando registros fotográficos, e lugar de lazer.
A Ponte de Pedra em uma projeção para o tempo futuro suscita diferentes opiniões. Para a
funcionalidade, estima-se que poderá permanecer enquanto ponto turístico, agregando
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beleza à paisagem. Há quem entenda que poderia ter alguma atividade, por exemplo, uma
feira, para atrair as pessoas ao lugar e assim promover o conhecimento do seu significado
histórico em Porto Alegre. Há citação de ser dada uma nova utilidade, com a autorização de
passagem de carros, da necessidade de alteração do piso, que é escorregadio para os
pedestres. Outra pessoa relata a possibilidade de transformar o local em um estacionamento
ou prédios residenciais e comerciais.
Quando questionados, sobre o significado da Ponte de Pedra no seu cotidiano, a maior parte
dos entrevistados assume que ela serve de passagem enquanto atalho para pedestres, visto
que as outras opções exigem um deslocamento maior. O lugar, também, é a opção para
retratos com os amigos, para lazer, com piquenique com as crianças e passeios com animais
de estimação.
Um grupo menor, ainda que transite sobre a ponte, não vê significado algum desse elemento
nesse deslocar rotineiro. Esse afastamento é motivado, em parte, pela insegurança de
transitar na ponte conforme a hora e o dia. Mesmo achando que se trata de um lugar bonito,
ele não é atraente para desempenhar atividades pela escassa ocupação na maior parte dos
dias, assim como pelos moradores de rua que frequentam o Largo, de acordo com os relatos.
Ainda, o desconhecimento sobre o seu histórico e a poluição são elencados nessa mesma
situação.
Outras apropriações, significativas da Ponte de Pedra, expostas pelos entrevistados, ocorre
principalmente por dois grupos distintos. O primeiro por pessoas em situação de
vulnerabilidade social, tanto para abrigo no dia a dia, como para o recebimento de alimentos
que entidades beneficentes distribuem aos domingos pela manhã. O outro grupo é composto
pelas pessoas que a utilizam com fins de lazer nas terças-feiras à noite (fotografia 1).
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Fotografia 1 de Mauricio Pimentel: Ponte de pedra nas terças-feiras à noite.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A problemática está em saber qual a percepção dos transeuntes na transformação da
paisagem e na perda de um monumento de identidade cultural e histórica. A produção cultural
se dá no espaço e no tempo, e os momentos históricos são relictos de sobreposição de
percepções e funcionalidades refletidas nas paisagens. Ou seja, será que este patrimônio,
resultado de um processo histórico/cultural, deve conviver com os elementos que compõe
uma nova paisagem?
Observa-se, também, a compreensão do patrimônio com duplo aspecto: com elementos
culturais e naturais, materiais e imateriais, herdados do passado ou criados no presente, no
qual um grupo social reconhece alguns sinais de sua identidade, vinculado com o meio em
que esse grupo habita.
Nesta perspectiva, o sentido original do monumento era associado a uma lembrança coletiva,
tinha uma função memorial, pois eram para marcar algo que se desejava recordar,
acontecimentos, ritos, crenças que deveriam ser transmitidos para as novas gerações.
Posteriormente, passou a ter um caráter estético, ou seja, a beleza, o poder e a grandiosidade
passaram a ser as expressões do monumento. E, atualmente, simboliza diferentes práticas e
memórias de diversos grupos sociais, nem sempre reconhecidos pela historiografia oficial.
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Mesmo não existindo uma lembrança dos fatos históricos associados à Ponte de Pedra,
alguns entrevistados lembravam-se dos recortes de fatos desconectos da história ou numa
escala de tempo muito ampla: de acontecimentos de 30 anos a dois séculos anteriores ao
presente, existe uma convicção que essa obra é um marco histórico para a capital dos
gaúchos. Essa paisagem urbana está impregnada de situações históricas, onde os
entrevistados associam a ponte a uma volta temporal de outras paisagens que ali já existiram
e onde a ponte obedecia a outras finalidades. O patrimônio, Ponte de Pedra, é uma referência
aos entrevistados.
A Ponte de Pedra, enquanto elemento estético da paisagem, não foi deixado de ser
mencionado por todos os entrevistados. Aponta-se, assim, para o valor impactante que a
imagem desse elemento provoca nos entrevistados, sua presença reforça a identidade com o
lugar.
A assimilação desse espaço pelas diferentes manifestações da comunidade porto-alegrense
se traduz na produção cultural no espaço da paisagem marcada pela Ponte de Pedra e no
tempo. Os momentos históricos, como a Ponte de Pedra, são relictos de sobreposição de
percepções e funcionalidades refletidas na paisagem, se configuram em uma rede que se
revela aos fragmentos de memória dos transeuntes, que agora, se apropriam de outras
formas e recriam outras funcionalidades para esse patrimônio.
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http://www.portoimagem.com/
http://www.portobusca.com.br
http://www.portoalegre.travel/site/contdetalhes.php?idConteudo=5776
http://habitantesdoarroio.blogspot.com/2009/02/quem-sao-os-habitantes-do-arroio.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ponte_de_Pedra
http://www.sejalider.com.br/familia/baptista/images/sb1ca1.htm (Foto de autor desconhecido)
http://www.bolsadearte.com/cotacoes/pinto_sylvio2.htm
http://nahoradoamargo.blogspot.com/2010/05/tunel-do-tempo-malakoff-e-ponte-de.html
http://fotosantigas.prati.com.br/fotosantigas/Bico_de_Pena/Cidades/Porto_Alegre_Ponte_de
_Pedra(Francisco_Carlos_S_da_Silva)_1910.htm
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