ISSN 1808-2645
Ano 12 - Edição nº 66 - Nov/Dez/2009 - Publicação Bimestral - Conselho Regional de Psicologia do Paraná
Praticar o
conhecimento,
faz diferença!
A Pós-Graduação do Instituto da Família – FTSA
proporciona a vivência e a prática necessárias
para sua capacitação e aprimoramento, fazendo
diferença em sua atuação no consultório
ou comunidade.
Seus cursos lato sensu e de extensão vão além da
teoria, contando com um corpo docente altamente
qualificado e uma estrutura propícia para a prática
com clínica - escola para atendimento à família e ao
casal e sala de observação para supervisão ao vivo,
com espelho unidirecional e interfone.
`
ESPECIALIZAÇÃO (Lato sensu)
• Aconselhamento Familiar
• Formação em Terapia de Casal e Família
CAPACITAÇÃO (Extensão)
Faculdade reconhecida pelo MEC
(Portaria 4449 de 22/12/2005).
Cursos lato sensu reconhecidos conforme
parecer da CES 908/98 e resolução CNE/CES
nº1, de 8 de junho de 2007.
Afiliado ao Chicago Center for Family Health
- Universidade de Chicago, EUA.
Rua Martinho Lutero, 277
Gleba Palhano - 86055 - 670
Londrina - PR
43 3371 0200
[email protected]
• Dinâmica de Grupo
• Psicodrama e suas práticas
ATUALIZAÇÃO (Extensão)
• Terapia de Casal e Família - Viagem de
Estudos a Chicago, EUA
ÁREA TEOLÓGICA
• Aconselhamento Pastoral (Lato sensu)
• Aconselhamento para Líderes de Célula
(Extensão)
MATRICULE-SE JÁ
sumário
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contatoeditorial
coforienta
acontecenoParaná
contatoplenária
pordentro
materiacontato
O que fica do Ano Temático da
Psicoterapia?
contatoentrevista
Pedofilia, um tema em discussão
matériacapa
Psicologia militar e a missão
de paz no Haiti
contatoartigo
Impacto da infertilidade
matériacontato
Ritos Sociais
noconselho
nascomissões
matériacontato
psicólogodasilva
políticaspúblicas
contatoartigo
Gestalt
inquietações
contatoagenda
inscritos
expedientecontato
Diretoria
- Presidente: João Baptista Fortes de Oliveira
- Vice-Presidente: Rosangela Lopes de Camargo Cardoso
- Secretária: Marilda Andreazza dos Anjos
- Tesoureiro: Celso Durat Junior
Conselheiros
Adriana Tié Maejima, Anaides Pimentel S. Orth, Beatriz Dorigo, Celso Durat Junior, Denise
Matoso, Dionice Uehara Cardoso, Eugenio Pereira Paula Junior, João Baptista Fortes de
Oliveira, Maria Elizabeth Haro, Maria Sezineide Cavalcante de Mélo, Márcia Regina Walter,
Mariana Patitucci Bacellar, Marilda Andreazza dos Anjos, Marina Pires Machado, Rosangela
Lopes de Camargo Cardoso, Rosângela Maria Martins e Rosemary Parras Menegatti.
Subsedes
- Londrina
Avenida Paraná, 297- 8° andar - sala 801 e 802 - Ed. Itaipu - CEP 86010-390
Fone: (43) 3026-5766/ (43) 8806-4740
Conselheira: Denise Matoso
Coordenador: José Antonio Baltazar
e-mail: [email protected]
- Maringá
Avenida Mauá, 2109 - sala 08 - CEP 87050-020
Fone: (44) 3031-5766/ (44) 8808-8545
Conselheira: Rosemary Parras Menegatti
e-mail: [email protected]
- Umuarama
Rua Rui Ferraz de Carvalho, 4212 - CEP 87501-250
Fone: (44) 3055-4119/ (44) 8808-8553
Conselheira: Adriana Tié Maejima
e-mail: [email protected]
- Cascavel
Rua Paraná, 3033 - sala 41 - CEP 85810-010
Fone: (45) 3038-5766/ (45) 8808-5660
Coordenador: Mariano Michels de Oliveira
e-mail: [email protected]
Representações Setoriais
- Campos Gerais
Representante efetivo: Marcos Aurélio Laidane - Fone: (42) 8802-0949
Representante suplente: Lúcia Wolf
- Campo Mourão
Representante efetiva Maria Sezineide Cavalcante de Mélo - Fone: (44) 8828-2290
Representante suplente: Patrícia Roehrig Domingues dos Santos
- Guarapuava
Representante efetiva: Egleide Montarroyos de Mélo - Fone: (42) 8801-8948
Representante suplente: Tânia Mansano
- Foz do Iguaçu
Representante efetiva: Mara Julci K. Baran - Fone: (45) 8809-7555
Representantes suplentes: Gláucia E. W. de Souza
- Sudoeste
Representante efetiva: Maria Cecília M. L. Fantin - Fone: (46) 8822-6897
Representante suplente: Geni Célia Ribeiro
- Norte Pioneiro
Representante efetiva: Lucas Renato Ribeiro Chagas - Fone: (43) 8813-3614
Representante suplente: Ana Amélia de Lima e Valéria Aranha Meneghel.
- Litoral
Representante efetiva: Karin Bruckheimer - Fone: (41) 8848-1308
Representante suplente: Silmara de Souza Lima
- Paranavaí
Representante efetiva: Carla Christiane Amaral Barros Alécio - Fone: (44) 8828-7726
- União da Vitória
Representante efetiva: Marly Perrelli - Fone: (42) 8802-0714
Representantes suplentes: Alexsandra Esteves e Marínea Maria Fediuk
Produção
Contato: informativo bimestral do Conselho Regional de Psicologia 8 - Região. (ISSN - 1808-2645)
Avenida São José, 699 - CEP 80050-350 - Cristo Rei - Curitiba - Paraná
Fone: (41) 3013-5766. Fax: (41) 3013-4119
Site: www.crppr.org.br / e-mail: [email protected]
Tiragem: 10.000 exemplares.
Impressão: Maxigráfica e Editora Ltda.
Jornalista Responsável: Licemar Vieira Melo (9635/SRTE-RS)
Colaboração: Viviane Martins de Souza
Comissão de Comunicação Social do CRP-08: Maria Elizabeth Nickel Haro, Mariana
Patitucci Bacellar, Maria Fernanda Mendes Petry e Mildred Marcon
Projeto Gráfico: RDO Brasil - (41) 3338-7054 - www.rdobrasil.com.br
Designer Responsável: Leandro Roth - Diagramação: Eduardo Rozende.
Ilustração (Psicólogo da Silva): Ademir Paixão
Preço da assinatura anual (6 edições): R$ 20,00
Os artigos são de responsabilidade de seus autores, não expressando,
necessariamente, a opinião do CRP-08.
contatoeditorial
Com a matéria de capa “Psicologia Militar e a Missão
de Paz no Haiti”, essa edição da Revista Contato divulga um
projeto coordenado por Psicólogos do Paraná, que acontece no
ambiente militar, em Porto União (SC). A iniciativa corresponde
à preparação, sob o ponto de vista emocional, dos militares que
vão trabalhar, pela Organização das Nações Unidas, na Missão
de Paz no Haiti.
Essa edição também aborda o Ano Temático da Psicoterapia, por meio de duas matérias. Uma produzida a partir de uma
entrevista com o psicólogo Aloízio Lopes de Brito, do Conselho
Federal de Psicologia; e outra a partir do relato dos Psicólogos
do CRP-08 que participaram do Seminário Nacional do Ano Temático da Psicoterapia, no início de outubro.
que destaca a importância dos profissionais da área Jurídica, Médica, Social e de Psicologia discutirem sobre pedofilia e pornografia infanto-juvenil.
Na editoria Acontece no Paraná há informações sobre:
Seminário de Psicologia Jurídica e Direitos Humanos, eventos
regionais preparatórios para o VII Congresso Nacional da Psicologia, Jornada de Psicologia Escolar/Educacional e Semana de
Trânsito 2009.
E na época em que os rituais sociais são potencializados,
a Contato aproveita para contemplar a discussão sobre a transmissão de valores culturais em ritos como o Natal e o Final do
Ano, em diferentes perspectivas: Psicologia, Sociologia e Antropologia.3
A entrevista é com a Presidente da Comissão da Criança e Adolescente da OAB-PR, Márcia Caldas Vellozo Machado,
Nota de esclarecimento:
O Conselho Regional de Psicologia do Paraná
(CRP-08), solidário aos psicólogos, esclarece
que não esteve presente na mesa de debate “O
papel dos Profissionais do SUAS: Assistentes
Sociais, Psicólogos e Pedagogos no CRAS”,
que aconteceu no dia 13/10, na Universidade
Positivo, durante o III Encontro do CRAS,
pois o ofício, da Fundação de Ação Social de
Boa leitura!
Curitiba, promotora do debate, foi recebido no
CRP no dia 9 de outubro, sexta-feira. Com o
feriado do dia 12, não houve tempo hábil para
indicar um representante para participar desse
debate, que é de interesse da categoria.
coforienta
A importância do
registro documental
Foto: kamil anlayar/ SXC
Comissão de Orientação e Fiscalização
Apesar da pouca tradição dos Psicólogos em documentar contratos e ações em seu exercício profissional, a realidade tem mostrado a importância de tal procedimento.
acesso integral às informações
registradas, pelo Psicólogo, em
seu prontuário.
No ano de 2000, por meio da aprovação da Resolução CFP n° 10, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) tornou obrigatório para o Psicólogo “manter registro referente ao atendimento psicoterápico realizado, indicando o meio
utilizado para o diagnóstico, ou motivo inicial, atualização,
registro de interrupção e alta”. Além disso, no ano de 2007, o
Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-08) aprovou a Resolução n° 005, que exige que os Psicólogos façam
registro das evoluções nos prontuários dos pacientes, no caso
do profissional que atua em serviços de saúde.
Nos casos em que o registro não
puder ser feito em prontuário, por razões que
envolvam a restrição do compartilhamento de informações com o usuário, a Resolução preconiza a
obrigatoriedade do registro documental. Outro aspecto
importante a ser ressaltado é a previsão de que os documentos resultantes da aplicação de instrumentos de avaliação sejam arquivados em pastas exclusivas da Psicologia. A
Resolução, na íntegra, pode ser acessada em www.pol.org.br,
no link resoluções.
Apesar das normatizações, observa-se uma dificuldade da categoria em documentar o trabalho realizado, sendo
que, algumas vezes, os profissionais não dispõem de documentação suficiente para comprovar o trabalho desenvolvido,
ficando desprotegidos de possíveis acusações. Sendo assim,
tem-se observado que em muitos casos o registro documental
adequado resguardaria o profissional.
Outra ação importante que diz respeito à documentação do trabalho realizado, refere-se ao contrato estabelecido. Sempre que possível, orienta-se que o Psicólogo opte
pela formalização do contrato de trabalho, pois muitas vezes
o contrato verbal deixa lacunas para mal entendidos entre o
profissional e o usuário. Este mesmo cuidado também deve
ser tomado quando da entrega de documentos por escrito aos
clientes, por exemplo, se um cliente solicita um laudo ou uma
declaração, é prudente que o profissional solicite a assinatura
de recebimento de tal documento. Tais precauções têm o objetivo de deixar claro o contrato de trabalho, bem como proteger o profissional de eventuais questionamentos futuros.
A Resolução mais recente sobre o assunto foi publicada neste ano (Resolução CFP n° 001/2009) e dispõe sobre
a obrigatoriedade do registro documental decorrente da prestação de serviços psicológicos. Assim, tornou-se obrigatório
o registro do trabalho realizado pelo Psicólogo em seus diferentes contextos de atuação. Nos casos em que for possível o
registro em prontuário, a resolução prevê que seja feito neste
documento, e em se tratando de serviço multiprofissional, em
prontuário único. A resolução, em seu artigo 5°, parágrafo
II, garante que o usuário ou representante legal deste tenha
Por fim, vale lembrar que o profissional deve sempre
refletir a respeito do que registrar, restringindo-se às informações que possa sustentar tecnicamente e que sejam realmente
relevantes para o objetivo do trabalho, não esquecendo, também, do compromisso de sigilo.3
contato
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acontecenoParaná
Jornada de Psicologia Escolar/Educacional
Semana do Trânsito
Jornada em Londrina, dia 02 de outubro.
O papel da escola na sociedade e do Psicólogo Escolar/Educacional são discutidos na Jornada de Psicologia Escolar/Educacional que, em 2009, foi realizada em duas subsedes e em cinco representações setoriais do CRP-08.
Esse evento permitiu a reflexão sobre: as leis de inserção do Psicólogo; as fronteiras entre a Psicologia Escolar
x Psicologia Clínica x Psicologia Organizacional na escola;
o espaço do Psicólogo na escola e na equipe multidisciplinar,
o perfil da nova escola e a educação inclusiva.
A Jornada, destinada a Psicólogos que atuam na área
educacional e alunos de Psicologia, foi planejada pela Comissão de Psicologia Escolar/Educacional do CRP-08 e
contou, como palestrantes, com as psicólogas Maria Elizabeth Nickel Haro (CRP-08/00211), Maria Eliane Lutfi (CRP08/00470), Theresinha Vian Rambo (CRP-08/12200) e Sara
Waenga (CRP-08/12199).
Esse ano o evento foi realizado em: Foz do Iguaçu (29
de maio), Norte Pioneiro (03 de julho), Umuarama (28 de agosto), Litoral (11 de setembro), Londrina (02 de outubro), Sudoeste (16 de outubro) e Campos Gerais (06 de novembro).
Os integrantes da Comissão de Psicologia no Trânsito do CRP-08 realizaram, em Curitiba, a distribuição de
um folder de orientação aos motoristas, durante a Semana
do Trânsito, que aconteceu de 18 a 25 de setembro.
Conforme a coordenadora da Comissão, Psicóloga
Salete Coelho Martins, a distribuição do material aconteceu em lugares onde havia concentração de pessoas consideradas grupo de risco para acidentes de
trânsito: postos de gasolina que vendem
bebida alcoólica; hospitais (trauma)
que recebem acidentados – Evangélico, Trabalhador e Cajuru;
Empresa de Transporte Urbano - motoristas de ônibus;
taxistas; e Centro de Formação
de Condutores - onde estão os candidatos de primeira habilitação.
O objetivo dessa iniciativa foi
divulgar o trabalho do Psicólogo do
Trânsito e motivar esse grupo de
risco a pensar que uma pequena mudança de comportamento pode fazer toda a diferença no
trânsito.
Seminário de Psicologia Jurídica e Direitos Humanos
Com o tema “Nenhuma forma de Violência Vale a
Pena”, foi realizado de 02 a 04 de outubro, em Curitiba, o
Seminário de Psicologia Jurídica e Direitos Humanos do
CRP-08.
As abordagens contemplaram as seguintes áreas: Segurança Pública, Sistema Prisional, Penas Alternativas, Cul-
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contato
tura da Paz, Varas de Família, Mediação de Conflitos, Violência Doméstica, Crianças e Adolescentes, e Cidadania e
Reforma Psiquiátrica.
Participaram, como palestrantes, o coordenador de projetos do Instituto de Defesa dos Direitos Humanos (IDDEHA),
José Luis Ventura Leal, as Psicólogas Lidiane Doetzer Roehrig
(CRP-08/01375), Berenice dos Santos Morozowski (CRP08/07756), Ellen Lamberg Carneiro Bond (CRP-08/00689),
Maria Cristina Neiva de Carvalho (CRP-08/01397), Karin
Odette Bruckheimer (CRP-08/03984) e Vania Regina Mercer (CRP-08/00508). O Deputado Federal Florisvaldo Fier
(Dr Rosinha), e os Psicólogos Paulo Henrique de Andrade
Pinto (CRP-12/04234), de Santa Catarina, e Rodrigo Tôrres
de Oliveira (CRP-04/14468), de Minas Gerais, também realizaram palestra no evento.
Mesa de abertura
A mesa-redonda “Segurança Pública, Sistema Prisional, Penas Alternativas e Cultura da Paz” abriu a programação do Seminário de Psicologia Jurídica e Direitos Humanos
do CRP-08.
em determinado contexto social (instituição pública), por um
período de tempo pré-estabelecido”. Lidiane defendeu que
“elas envolvem um acordo no qual se estabelece um compromisso de mão dupla entre o Estado e o cidadão”.
Com relação ao tema Cultura de Paz, a Psicóloga defendeu que “falar em Cultura de Paz é propor mudança cultural; pensar em revisão de valores e atitudes; é mexer no
que sempre esteve instituído (em termos de valores pessoais,
familiares e sociais)”.
A mesa foi coordenada pela Psicóloga Cléia Oliveira
Cunha (CRP-08/00477).
Participaram, como palestrantes, o bacharel em Educação Física e coordenador de projetos do IDDEHA de Curitiba, José Luis Ventura Leal, e a Psicóloga Lidiane Doetzer
Roehrig, que é especialista em Psicologia Jurídica e atua no
Tribunal de Justiça do Paraná no setor de Penas Alternativas.
José Luis fez um retrospecto recente da Segurança
Pública no Brasil, avaliando que apesar da abertura democrática, houve a continuidade autoritária, o aumento de investimento em repressão, elevação das taxas de encarceramento e crescimento da criminalidade.
O palestrante defendeu um novo paradigma de Segurança Pública – na perspectiva da cidadania - através do
qual a segurança é colocada como um direito e responsabilidade de todos.
Mesa de abertura abordou o tema “Segurança Pública, Sistema
Prisional, Penas Alternativas e Cultura da Paz”.
Nenhuma forma de violência vale a pena
Segundo José Luis, nesse modelo os desafios são de
“associar Direitos Humanos e promoção da cultura da paz,
como base para a formação dos operadores de segurança;
ações integradas entre as políticas públicas com foco na prevenção e na participação social”.
O coordenador de projetos do IDDEHA também mencionou a I Conferência Nacional de Segurança Pública, realizada
esse ano, como um processo democrático de discussão do tema.
Já a psicóloga Lidiane Doetzer Roehrig abordou o
tema Penas Alternativas e Cultura de Paz.
Sobre Penas Alternativas, exemplificadas pela Psicóloga como aquelas colocadas por um juiz, “na qual se estabelece não só uma tarefa a ser realizada pelo jurisdicionado,
mas está lhe fixando o desempenho de um papel específico
Rodrigo Torres de Oliveira: “A Psicologia Jurídica não deve se
restringir à confecção de laudos, sem visão crítica e social”.
Na palestra “Nenhuma forma de violência vale a
pena”, realizada no dia 3 de outubro, o Psicólogo Rodrigo
Tôrres de Oliveira afirmou que “a Psicologia Jurídica não
se restringe ao ambiente jurídico, mas se estende, também,
ao poder executivo, através da atuação dos governos federal,
estadual e municipal, nas medidas socioeducativas”.
O palestrante, que é psicanalista, Pós-graduado em
Filosofia, e atualmente ocupa o cargo de vice-presidente do
contato
7
Conselho Regional de Psicologia de Minas Gerais, também
afirmou que a Psicologia Jurídica faz interface com o Direito
e é atravessada pelos processos judiciais.
Oliveira defendeu que um dos esforços da Psicologia
é manter a unidade e identidade do Psicólogo que trabalha
na área jurídica. “É necessária a demarcação do campo da
Psicologia Jurídica, porque se percebe que está em curso, no
país, uma certa ideia de Psicologia Jurídica que tão somente se compromete com a confecção de laudos e pareceres,
sem visão crítica e social. Isso não nos agrada. A perspectiva
deve ser mais crítica, reflexiva e social, portanto, deve contemplar os direitos humanos”, enfatizou o palestrante.
Mediação de Conflitos
zar o Juiz com um parecer técnico profissional ou relatório
sobre a demanda objeto do processo; intervir no sistema familiar segundo a determinação do Juiz no processo; e atuar,
de forma imparcial, impessoal e de acordo com as normas
do discurso jurídico”.
Berenice destacou que o conhecimento teórico-prático pertence ao profissional de Psicologia, que atua numa
perspectiva da subjetividade, mas esses conhecimentos “serão disponibilizados e aplicados em conformidade com os
ditames legais, e portanto, da objetividade”.
Cidadania e Reforma Psiquiátrica
O tema “Cidadania e a Reforma Psiquiátrica” foi
abordado numa mesa-redonda, no dia 4 de outubro. Fizeram
parte da mesa-redonda o Psicólogo Rodrigo Tôrres de Oliveira e o Deputado Federal Florisvaldo Fier (Dr. Rosinha).
Oliveira destacou o êxito da reforma psiquiátrica em
Minas Gerais citando, como exemplo, o Programa de Atenção Integral ao Paciente Judiciário (PAI-PJ), portador de
sofrimento mental. O programa, do Tribunal de Justiça do
Estado, realiza acompanhamento do portador de sofrimento
mental que cometeu algum crime.
Os Psicólogos Paulo Henrique de Andrade Pinto e Berenice dos Santos
Morozowski participaram, como palestrantes, do Seminário.
Os Psicólogos Paulo Henrique de Andrade Pinto, de
Santa Catarina, e Berenice dos Santos Morozowski, participaram da mesa-redonda “Varas de Família, Mediação de Conflitos e Intervenções nas Questões de Violência Doméstica”.
Andrade Pinto, que também é policial civil, mencionou a Lei Maria da Penha (Lei 11.340/06), e avaliou, entre outros aspectos, que essa legislação “cria mecanismos
para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher;
e configura violência doméstica e familiar contra a mulher
qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause
morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano
moral ou patrimonial”.
O Psicólogo divulgou, no Seminário, uma experiência, segundo ele pioneira no país, desenvolvida em Santa Catarina desde 2007 – o Grupo de Homens em Situação de Violência Doméstica e Reflexão de Gênero – que trabalha com
os agressores. Dos participantes, apenas um reincidiu.
Já a psicóloga Berenice, falou do papel do psicólogo
nas Varas de Família. Segundo a palestrante, nesse ambiente,
a função do profissional de Psicologia é de “instrumentali-
8
contato
A “intervenção” do PAI-PJ junto aos pacientes infratores é determinada por juízes das varas criminais. A equipe multidisciplinar do programa pode definir qual a melhor
medida judicial a ser aplicada, com a intenção de conjugar
tratamento, responsabilidade e inserção social.
Segundo o palestrante essa experiência está dentro dos
princípios da reforma psiquiátrica e da luta antimanicomial.
“Esse programa envolve políticas públicas, representa uma
abertura, o respeito à liberdade, aos direitos humanos e à cidadania para portadores de transtornos mentais que cometeram
algum crime. Ele mostra que é possível tratar sem excluir”.
O PAI-PJ conta uma equipe multidisciplinar formada por profissionais de Psicologia, Serviço Social e Direito
e, desde que foi implantado, no final de 2001, já atendeu a
430 pacientes.
Apesar dessa iniciativa, o Psicólogo lamentou que o
manicômio sempre existirá, “enquanto houver juízes que encaminhem as pessoas para lá”. Para Oliveira “o manicômio
é um híbrido de hospital e prisão, que reúne o pior dessas
duas instituições”.
Já Dr. Rosinha, que foi o autor da Lei Estadual de Reforma Psiquiátrica (Lei 11.189/95), lembrou que tanto a Lei
Estadual, quanto a nacional (Lei 10.216/01), “foram lutas
articuladas pela reforma psiquiátrica, que visavam a inclusão social e a garantia da cidadania aos portadores de
sofrimentos psíquicos”.
Numa referência à Lei Estadual 11.189/95 - que
prevê uma gradativa substituição do sistema hospitalocêntrico, de pessoas com sofrimento psíquico, por uma
rede integral e variada dos serviços assistenciais de atenção sanitária e social, tais como: ambulatórios, emergências e leitos ou unidades de internação psiquiátricas em
hospitais gerais, hospital dia, hospital noite, centros de
convivência e centros comunitários - Dr. Rosinha disse
lamentar o fato de que, após a aprovação da mesma, não
houve um balanço, no Paraná, sobre a eficácia do novo
modelo, e por isso, não foi feita uma revisão da legislação, como estava previsto na lei que estabelecia uma reavaliação após cinco anos da sua implantação.
O deputado federal também afirmou que: “não há
cidadania onde há classe social”. Abordando a construção
da cidadania, numa perspectiva social, Dr. Rosinha citou
José Roberto Goldin, ao afirmar que: “minha liberdade
também é responsável pela liberdade do outro (...). Minha
liberdade continua através da liberdade do outro”. E concluiu: “no Brasil há uma série de entraves para se garantir
cidadania, porque nem sempre a lei é a prática”.
Dr. Rosinha, autor da Lei Estadual de
Reforma Psiquiátrica, participou de mesaredonda no evento do CRP-08.
Eleição
No evento foram eleitos, como
representantes do CRP-08 para o Seminário Nacional de Psicologia Jurídica e
Direitos Humanos, as Psicólogas Cléia
de Oliveira Cunha (CRP-08/ 00477), Lidiane Doetzer Roehrig (CRP-08/01375),
Fernanda Rosseto (CRP-08/12857) e Terezinha Kulka (CRP-08/06694). Como suplentes foram eleitos Altair Jesus da Luz
(CRP-08/12838) e Ivanete Buganha (CRP08/00881). O evento nacional vai acontecer em Brasília, de 19 a 21 de novembro.
Agenda
4 12/11 a 14/11 - Colóquio Direito, Medicina e Psicanálise. - Um mundo sem limites: Instituição, poder e violência.
Local: Faculdade de Direito da UFPR.
Inscrições gratuitas pelo site: www.ppgd.ufpr.br
4 14/11 - IX Fórum de Psicologia Hospitalar.
Tema: “O atendimento psicológico hospitalar: sobre
a atenção da criança ao adulto”.
Local: Auditório das Faculdades Pequeno Príncipe,
Av. Iguaçu, 333 - B. Rebouças, Curitiba - Paraná.
4 19 e 20/11 - Fórum sobre Pedofilia e Pornografia
Infanto-juvenil na Internet.
Local: sede da OAB-PR, em Curitiba.
Promoção: OAB-PR em parceria com o CRP-08 e o
Conselho Regional de Serviço Social do Paraná.
4 15/01 - Eleição da nova diretoria do Sindicato dos Psicólogos do Paraná. A chapa concorrente é formada pelos
psicólogos: Eugênio Pereira de Paula Junior (CRP-08/06099)
-Presidente; Rogéria Sinimbu Aguiar (CRP-08/05128) - Vicepresidenta; Sérgio Spinato (CRP-08/04902) -1º Secretário;
Luciano Nadolny (CRP-08/07098) - 1º Tesoureiro. Psicólogos
participem da eleição da entidade que representa a categoria no Paraná! 3
contatoplenária
Deliberações
das Plenárias de agosto e setembro
Agosto
Na plenária do CRP-08 que aconteceu no dia 07 de agosto,
em Curitiba, foram abordados os seguintes assuntos:
4 Orientação sexual: o CRP-08 recebeu um ofício do Conselho
Federal de Psicologia esclarecendo sobre a atuação do Psicólogo no
atendimento relacionado à orientação sexual, conforme preconiza a
Resolução CFP Nº 01/99.
Entre outras determinações a Resolução estabelece que:
-os Psicólogos não exercerão qualquer ação que favoreça a patologização de comportamentos ou práticas homoeróticas, nem adotarão
ação coercitiva tendente a orientar homossexuais para tratamentos
não solicitados;
-os Psicólogos não colaborarão com eventos e serviços que proponham tratamento e cura das homossexualidades.
4 VII Congresso Nacional de Psicologia (CNP): o tema do próximo Congresso Nacional de Psicologia - o evento é a maior instância de deliberação política do Sistema Conselhos, onde se define o
projeto técnico-político para a Psicologia brasileira para o próximo
triênio (2010/2013) - vai ser “Psicologia e Compromisso com a Promoção de Direitos: um projeto ético-político para a profissão”. O
evento será realizado em 2010.
Assistentes Sociais, Enfermeiros, entre outros, com a participação
de gestores e usuários.
4 Avaliação Psicológica para obtenção da CNH: o Conselho Federal mantém um processo de validação dos testes psicológicos, garantindo que os instrumentos utilizados estivessem com as pesquisas
de validação atualizadas. Ao final de 2009, uma nova verificação
será feita, podendo alguns testes hoje com parecer favorável, tornarem-se desfavoráveis. O CFP já informou os responsáveis pelos
testes da necessidade dos ajustes para que o parecer se mantenha favorável. É importante que os Psicólogos que trabalham com testes
estejam atentos, especialmente no início de 2010, sobre o parecer
dos testes que utilizam.
4 VII Congresso Nacional da Psicologia: foi formada a comissão
organizadora dos eventos regionais preparatórios do VII Congresso
Nacional da Psicologia. A comissão, no Paraná, será coordenada pelo
Conselheiro Celso Durat Junior e composta pelos seguintes Psicólogos:
Rosemary Parras Menegatti, Denise Matoso, Maria Sezineide Cavalcante de Mélo, Anaídes Pimentel S. Orth e Representantes Setoriais.
Na plenária do dia 22 de agosto, em Londrina, discutiu-se sobre:
4 Comissão de Orientação e Fiscalização (COF): foi divulgado
que o trabalho desenvolvido pelos orientadores fiscais é distribuído
conforme localidade e demanda de trabalho. O CRP-08 conta com
orientadores fiscais em Curitiba e nas subsedes de Londrina e Cascavel, que atendem todas as regiões do Parará.
4 Marcha pela Reforma Psiquiátrica Antimanicomial: o CFP informou sobre a realização da marcha dos usuários pela Reforma
Psiquiátrica Antimanicomial, em Brasília, no dia 30 de setembro. A
reforma psiquiátrica prevê a mudança do modelo hospitalocêntrico
pelo modelo que privilegie o convívio social, das pessoas com sofrimento psíquico, e que conte com atendimentos ambulatoriais, como
CAPS e Centros de Convivência. Essa é uma luta desenvolvida por
profissionais da área de saúde mental como: Psicólogos, Psiquiatras,
4 Avaliação de material de divulgação dos Psicólogos: foi informado que: a COF avalia os materiais de divulgação distribuídos
sobre o tema Psicologia ou que envolva Psicólogos; o profissional
deve se atentar ao Código de Ética profissional (colocar número do
registro) ao estruturar um material de divulgação; e que o ideal é que
o profissional solicite orientação ao CRP antes de produzir o folder
para não correr o risco de perder o material produzido após a fiscalização do Conselho.
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contato
4 Legislação de Estágio: foi apresentado ao Plenário um estudo
realizado pela Comissão de Orientação e Fiscalização do CRP-08,
por intermédio da orientadora fiscal Luciane Maria Ribas Vieira, de
Curitiba, sobre “Estágio”. A principal discussão se refere à obrigatoriedade da supervisão ser feita por um Psicólogo lotado onde o estudante faz estágio. Foi sugerida a formação de um grupo de trabalho
sobre o tema, que será formado pelos Psicólogos: Maria Elizabeth
Haro, José Antonio Baltazar, Anaídes Pimentel da Silva Orth, Márcia Regina Walter e Marly Perrelli.
4 Políticas Públicas: foi iniciada a capacitação do Plenário sobre Políticas Públicas na Educação Inclusiva. A Psicóloga Karin
Bruckheimer, da representação setorial litoral, fez apresentação das
Políticas Públicas de Educação Inclusiva, iniciando pelo histórico
até a atualidade. Foi formado um Grupo de Trabalho para aprofundar o tema. Farão parte do GT os Psicólogos: Maria Elizabeth Haro,
Karin Bruckheimer, Mara Baran, Márcia Regina Walter, Dionísio
Banaszewski, Geni Célia Ribeiro e Janeth Inforzato.
4 Comissão de Psicologia Escolar/Educacional: a Comissão de
Psicologia Escolar/Educacional fará revisão do Caderno de Psicologia Escolar/educacional, publicado no ano passado, ou vai elaborar o “Caderno 2”. A publicação é para orientar os Psicólogos sobre
atuação na área escolar/educacional.
4 Comissão de Estudantes: foi solicitado que os professores e coordenadores de curso de Psicologia estimulem seus alunos a compor
“Comissão de Estudantes”, junto ao CRP-08. A comissão existe em
Londrina e em Curitiba.
Setembro
Na plenária do dia 11 de setembro, em Curitiba foram discutidos, entre outros assuntos:
4 Cursos de especialização em Psicologia: o Conselho Federal de
Psicologia enviou ofício informando que foram credenciados como
cursos de especialização em Psicologia: o curso de especialização
em Psicoterapia da Fundação Mário Martins, de Porto Alegre-RS
e o curso de especialização em Psicologia Clínica na Abordagem
Fenomenológico-Existencial, do IFEN – Instituto de Psicologia Fenomenológico-Existencial do Rio de Janeiro – RJ.
4 Projeto de Lei 060/2007: o Conselho Federal de Psicologia informa que o PL 060/2007, que propõe a obrigatoriedade da prestação de serviços de Psicologia e de assistência social nas escolas públicas de educação básica, será apreciado pelo Plenário do Senado
Federal. O Projeto recebe apoio do CFP e de diversas entidades da
Psicologia, bem como do CFESS (Conselho Federal de Serviço Social), por abrir possibilidade efetiva de estes profissionais contribuírem para o sistema educacional brasileiro. Mais informações podem
ser obtidas, bem como manifestos podem ser feitos, no seguinte endereço: www.pol.org.br/pol/cms/pol/noticias/noticia_090810_002.
html. O CFP também solicitou a inclusão do link acima nos sites dos Regionais. O link em questão já está no site deste CRP-08
(www.crppr.org.br).
Na plenária do dia 26 de setembro foram discutidos os seguintes assuntos:
4 Hipnose: a Comissão de Orientação e Fiscalização do CRP-08
apresentou um parecer sobre a técnica de Hipnose, conforme solicitação feita durante a reunião Plenária, ocorrida em 22 de agosto, em
Londrina. O parecer conclui que não há o que o Conselho fazer em
virtude de tratar-se de técnica não exclusiva da Psicologia.
4 Painel de Especialistas - Saúde e Bem-Estar: a Psicóloga Maria
Otávia D´Almeida relatou a sua participação, como representante
do CRP-08, no evento Painel de Especialistas – Saúde e Bem-Estar, organizado pelo Sistema FIEP em cooperação técnico-cientifica
com a Fundação OPTI – Observatório de Prospecção Tecnológica
Industrial da Espanha, no dia 26 de agosto. O evento contou com
a participação de diversos representantes da Sociedade Civil e promoveu a reflexão e o debate entre os especialistas presentes, sobre
o projeto “Cidade Inovadora – Indústria que Prospera”, com vistas
a dinamizar o desenvolvimento industrial sustentável das principais
cidades paranaenses. Uma das metas do projeto é de, em 10 anos,
transformar Curitiba numa cidade inovadora, referência internacional em qualidade de vida.
4 Conferência de Comunicação: foi informado que no dia 2 de
outubro acontecerá uma reunião entre a Comissão Organizadora Regional da Conferência de Comunicação e o Governador do Paraná,
Roberto Requião.
4 GT de Estágio: foi apresentada uma minuta de resolução com
objetivo de definir como obrigatória a presença do Psicólogo Supervisor no local onde são disponibilizadas as vagas para estagiários de
Psicologia. O GT do CRP-08 pretende realizar uma reunião com os
Coordenadores de Curso.
4 GT de Psicoterapia: foi realizada uma reunião telefônica entre o
GT de Psicoterapia do Paraná e a Coordenadora do GT de Psicoterapia do Rio Grande do Sul, em setembro, já que os relatórios desses
dois estados possuem conteúdos semelhantes. De 1º a 3 de outubro,
em Brasília, será realizado o Seminário Nacional de Psicoterapia,
em Brasília-DF. Os representantes do CRP-08, que irão apresentar
o relatório no evento nacional são os psicólogos: Nélio Pereira da
Silva, César (CRP 08/00016), Anaídes Pimentel da Silva Orth (CRP
08/01175), César Rey Xavier (CRP 08/06093) e Márcia Regina Walter (CRP 08/02054).
4 GT de Educação Inclusiva: foi relatado que houve a primeira
reunião do GT de Educação Inclusiva, ocorrida na sede, no dia 25
de setembro. 3
contato
11
pordentro
Os Psicólogos e a Conferência Nacional de Comunicação
A expectativa é pela realização da I Conferência Nacional
de Comunicação no Brasil, evento que vai acontecer de 1º a 03 de
dezembro, em Brasília, reunindo representantes da sociedade civil
organizada e do poder público.
A principal reivindicação dos Psicólogos se refere à democratização da comunicação, que se dá por meio:
4da construção de instrumentos efetivos de participação social na comunicação;
4da garantia de qualidade dos conteúdos veiculados
nos meios de comunicação;
4da regulamentação da publicidade dirigida a
crianças e adolescentes, o respeito aos direitos
humanos;
4de uma rede
pública que garanta à população o acesso universal a uma oferta de vídeo, voz e dados, que respeite a diversidade e a produção regional;
4do respeito aos direitos humanos na programação de rádio e televisão;
4 do fim da renovação automática das concessões, conforme o que estabelece a Constituição Federal.
É para discutir esses aspectos do processo comunicativo,
no Brasil, que a categoria está participando, através do CFP e de
representantes dos Conselhos Regionais de Psicologia, desse amplo debate social, no propósito de construir, de forma democrática, junto a outras instituições, um novo modelo comunicativo
no país.
Seminário preparatório
No Seminário Preparatório para a Conferência Nacional de
Comunicação, realizado pelo CFP de 23 a 25 de julho, em Brasília, foram feitos alguns encaminhamentos, entre eles:
4 aprofundar o tema Educação Crítica para a
Mídia no Sistema Conselhos de Psicologia;
4 mobilização de outros setores sociais (Educação, Saúde, etc.) com o cuidado de evitar discursos
moralizantes;
4 estabelecer parceria com entidades de defesa do consumidor, como o Idec, para a discussão dos conteúdos da
publicidade dirigida às crianças, de bebidas alcoólicas e
medicamentos;
4 orientação do CFP e dos Regionais para que as demais comissões
do Sistema Conselhos de Psicologia assumam a temática da comunicação, como tema transversal, e cada uma utilize sua capilaridade para
mobilização dos setores a elas relacionados, ressaltando as especifidades da
Conferência Nacional de Comunicação.
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contato
Fotos: Adrian Gtz / Lynn Lopez / Elisa Nobe/ SXC / DK Folio / vecteezy
Os Psicólogos, organizados em seus Conselhos Regionais
e por meio do Conselho Federal de Psicologia, uniram-se aos movimentos sociais, culturais, sindicatos, profissionais e sociedade
civil brasileira na luta pela construção, de forma coletiva e democrática, de um novo modelo de comunicação para o país.
matériacontato
Aloizio Lopes de Brito: “a intenção do ano foi promover a discussão entre
profissionais para criar referências para a Psicologia em torno da Psicoterapia,
uma prática que acabou se banalizando”.
O que fica do Ano
Temático da Psicoterapia?
2009 foi o Ano Temático da
Psicoterapia para os Conselhos de Psicologia. Muitos eventos aconteceram
com o objetivo de produzir referências para pautar a psicoterapia praticada pela categoria.
As discussões do tema basearam-se nos três eixos propostos pelo
Conselho Federal de Psicologia:
I - A constituição das psicoterapias
como campo interdisciplinar.
II - Parâmetros técnicos e éticos mínimos para a formação na graduação, na formação especializada e
para o exercício da psicoterapia pelos psicólogos.
III - Relações com os demais grupos
de profissionais.
No Paraná, vários eventos foram realizados nos meses de abril e
maio. O fechamento das discussões
foi durante o XIII Encontro Paranaense de Psicologia - EPP, que aconteceu
no mês de junho, em Curitiba.
Aloízio Lopes de Brito, do
Conselho Federal de Psicologia, esteve no XIII EPP, participando da mesa-redonda “Psicoterapia” e concedeu
entrevista para a Contato. Conforme
Brito, a intenção do ano foi promover
a discussão entre os profissionais para
criar referências para a Psicologia em
torno da Psicoterapia. “Uma prática
que acabou se banalizando”, lamenta.
Demanda do Estado, da categoria
e da sociedade
O Psicólogo afirmou que o Ano
Temático da Psicoterapia pretendeu fazer
a construção teórica, em torno do tema,
para a área da Psicologia, “discutindo
aspectos como: formação de Psicoterapeutas (qualificação); formação de Psicólogos e o diálogo com interfaces que a
Psicoterapia faz com outras áreas”.
O representante do CFP afirma
que a discussão da Psicoterapia surgiu
como demanda “do Estado, da categoria, que quer delimitar a prática da
psicoterapia e da sociedade”. Quanto
ao Estado, Brito explicou que a demanda vem no sentido de “determinar
os profissionais que podem trabalhar
com Psicoterapia, o que pode ser trabalhado, quem pode trabalhar e como
se deve trabalhar”.
Catarse
“O momento foi de escuta. A
categoria está cheia de propostas, reclamações, perspectivas de avanço, e o
ano conseguiu promover uma catarse
da categoria, um momento de desabafo”, afirmou Brito.
O Psicólogo reforçou que o
propósito do Ano Temático da Psicoterapia foi de promover a discussão sobre o tema, e não de deliberar sobre o
mesmo. “Esse foi um ano para colher
propostas que nos dêem referências,
não para regulamentar a prática, porque ainda há muito o que se discutir,
ouvir e se aprofundar sobre o tema”.
Segundo Brito, 42% da categoria
estão ligados diretamente à Psicologia
Clínica ou à Psicoterapia. Por isso a prática da Psicoterapia, que não é exclusiva
dos Psicólogos, deve ser discutida.
Brito lembrou que a Psicoterapia nasceu no meio da Medicina e passa a trabalhar a subjetividade. “Hoje
é o inverso, a Medicina abandonou a
subjetividade, e esse campo, da subjetividade, da saúde mental, ficou em
aberto”.
Documento final
O ano produziu um documento
final, apresentado no Seminário Nacional de Psicoterapia, realizado no
início de outubro, em Brasília, cujas
propostas, em nível nacional, serão
divulgadas na próxima Revista Contato. Esse documento vai possibilitar que se defina o que se pode fazer em torno da Psicoterapia, com os
Psicólogos, no diálogo com outras
profissões. 3
contatoentrevista
Pedofilia,
um tema em discussão
A entrevistada desta edição da
Revista Contato é a Presidente da Comissão da Criança e Adolescente da
OAB-PR, Márcia Caldas Vellozo Machado, integrante da comissão organizadora do Fórum sobre Pedofilia e Pornografia Infanto-juvenil na Internet que
acontece nos dias 19 e 20 de novembro,
na sede da OAB-PR, em Curitiba. O
Contato: Por que o interesse em discutir, juntamente com
profissionais da área Médica e de Psicologia, o tema Pedofilia?
Márcia Caldas: Esse tema é tão incompreendido e cercado de conceitos errôneos pela população em geral que vem
prejudicando outras discussões, como a exploração sexual
de crianças e adolescentes. Pois, as pessoas acabam entendendo que todos os crimes sexuais cometidos com crianças
e adolescentes tem como autor um pedófilo. E aí é que está
o entrave e a incompreensão. Você vê as pessoas reclamando
que o crime de pedofilia não é punido e que não acontece
nada com o pedófilo. Existe uma distorção de conceitos.
O fórum visa justamente trazer os diversos conceitos que nós temos de pedofilia. Conceitos na área médica,
psicológica e jurídica para que os profissionais, que lidam e
enfrentam a violência no dia-a-dia praticada contra a criança
ou o adolescente, não confundam o termo pedofilia (que é
uma doença, uma perversão) com um crime.
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contato
Na entrevista Márcia Caldas
destaca a importância dos profissionais
da área Jurídica, Médica, Social e de
Psicologia discutirem sobre pedofilia e
pornografia infanto-juvenil.
Pedofilia é uma conduta, o ato advindo dessa conduta é crime. Eu digo para as pessoas que os crimes sexuais
sempre existiram contra crianças e adolescentes, mas eu não
posso afirmar que o autor desse crime pode ser denominado
de pedófilo.
C.: Por quê? Para o ambiente jurídico, como o pedófilo é
definido?
M. C.: Na área jurídica não existe o tipo penal pedófilo.
Existem tipos penais que nos levam aos crimes sexuais. O
único conceito de pedofilia que nós temos hoje é trazido pela
Organização Mundial de Saúde (OMS), que inclui o pedófilo como uma pessoa doente. Existe até um CID (Classificação Internacional de Doença) em que você coloca aquele
ser humano, homem ou mulher, como tendo características
pedófilas e enquanto uma doença, uma perversão, deve-se
buscar um tratamento. Quando nós entramos no âmbito jurídico, falamos em crimes sexuais, então eu coloco o estupro
e outros tipos que o Código Penal Brasileiro contempla. O
Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) também contempla alguns crimes sexuais, como o de pornografia infanto-juvenil na internet e a exploração sexual comercial de
crianças e adolescentes. O Código Penal sofreu uma grande
Fotos: Laura Lucia / SXC
Márcia Caldas: “a pedofilia é cercada de conceitos errôneos, pela
população em geral, e isso vem prejudicando outras discussões,
como a exploração sexual de crianças e adolescentes”.
evento é uma parceria entre a OAB, o
CRP-08 e o Conselho Regional de Serviço Social do Paraná.
alteração no título dos crimes sexuais e acabou abarcando
aqueles que estavam inseridos no ECA e que serão discutidos no Fórum, no entanto, a figura do pedófilo não foi acolhida nessa alteração.
Tem que se ter muito cuidado ao afirmar que todo
aquele que cometeu um crime sexual contra uma criança
é um pedófilo, pois talvez ele tenha uma perversão sexual
que o faça se apoderar também de um adolescente, de uma
mulher, de um homem, etc. As pessoas nessa interpretação
se confundem, acham que todo o crime cometido contra a
criança só é praticado por alguém pervertido sexualmente,
por um pedófilo. Não se pode afirmar sem que haja uma
prévia análise médica e psicológica.
C.: Há inclusive tipos distintos de pedófilos?
M. C.: Tem uma estudiosa inglesa, Christiane Sanderson,
que fala em tipos distintos de pedófilos: pedófilos predadores, não predadores, compulsivos, regressivos, parapédofilos, inadequados, inadequados compulsivos. Então são situações que nós queremos discutir no fórum.
C.: Como serão as discussões?
M. C.: Será uma discussão científica. Foram convidados estudiosos da área que têm trabalhos publicados ou pesquisas
em andamento. Pretende-se levar ao público, que participará
do Fórum, os conceitos nesses três segmentos da ciência: jurídica, médica e saúde mental, para que todos os profissionais
saiam do evento com um entendimento certo sobre a questão
da pedofilia e também da pornografia infanto-juvenil.
C.: Qual é a importância de discutir esse tema com profissionais de áreas distintas como a jurídica, a médica e a
de saúde mental?
M. C.: Eu penso que hoje não se consegue, e não me referindo apenas à pedofilia, mas nos crimes sexuais que envolvem
a pedofilia, discutir sem envolver esses três segmentos. Eu
vejo que já avançamos o suficiente para compreendermos
que o Direito não consegue caminhar sem o Médico e o Psicólogo e vice-versa. Eu vejo que são três ciências essenciais
hoje no desenvolvimento do comportamento humano, que
precisam estar juntas nessas discussões, principalmente nas
discussões que têm envolvimento do ser humano emocionalmente doente, que pode ser um pedófilo, um psicopata.
Para entender esses crimes não basta penalizar, eu tenho
que oferecer um tratamento e as pessoas têm que assimilar
que não basta essa penalização, pois se não se ofertar um
tratamento adequado, terei o mesmo ser humano doente nas
ruas, mas que cumpriu sua pena de reclusão e que não deve
mais nada para a sociedade. Para isso eu preciso do médico,
do psicólogo, do psiquiatra e do psicanalista.
C.: E hoje, no Código Penal Brasileiro, pedofilia não é
considerada um crime?
M. C.: Não. O Código Penal Brasileiro não contempla o tipo
penal pedófilo, ele contempla tão somente os tipos penais
sexuais. São esses crimes sexuais que serão analisados.
C.: Esse é apenas o início de uma discussão?
M. C.: É esse o início de uma grande discussão que está
acontecendo não só no Brasil, mas nos Estados Unidos e
na Europa também. Está se discutindo o que fazer com o
pedófilo. Que sanção, que tratamento fazer, o que é que eu
posso dizer para a sociedade de definitivo, ou não. Essa é a
intenção desse Fórum.
C.: Não existe um consenso entre as três áreas em torno
desse tema?
M. C.: Esse é um assunto que está vindo a tona agora, até porque as crianças que são vítimas de crimes sexuais devem ser
olhadas de forma diferente, pois automaticamente vem a tona
a questão da pedofilia. Na verdade nós não temos como tratar
ainda o pedófilo. Essa é uma questão antiga, só recentemente
os Estados Unidos, a Europa e o Brasil estão discutindo.
C.: A discussão sobre o tema é muito recente ainda, talvez
por isso não exista um consenso?
M. C.: É, talvez porque nunca se discutiu a pedofilia de uma
forma correta. Os próprios profissionais da área jurídica, por
exemplo, quando vem conversar comigo, já vem dizendo: - ah
ele cometeu um crime de pedofilia -. O próprio advogado não
tem conhecimento de que são conceitos diferentes, que não
tem um conceito jurídico de pedofilia. Tem sim um conceito
que vem da área médica. E eu tenho que entender o conceito
da área médica e trazê-lo para o Código Penal Brasileiro. Então é um esforço de interpretação muito grande. Eu não posso nem dizer que o Código penal Brasileiro tem um agravante
específico para o pedófilo, é uma discussão nova e eu acredito
que nas outras áreas também. Há essa desinformação. Pessoas
com conceitos errados, trazendo só para o mundo jurídico o
questionamento e a culpa da não punição. Recebemos perguntas como – Por que vocês não fazem isso? Por que a legislação
não pune? - E outras. Nós precisamos discutir com as três áreas, sem essa discussão, você não vai conseguir chegar a uma
definição do que fazer com esse indivíduo pedófilo. 3
contato
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stockxpert
matériacapa
Por Licemar Vieira Melo
A
matéria de capa da Revista Contato “Psicologia Militar
e a Missão de Paz” divulga um projeto que acontece no
ambiente militar e é coordenado por Psicólogos do Paraná.
O Projeto GAPE - “Grupo de Apoio Psicológico ao
Exército”, que surgiu em 2008, numa parceria entre o curso
de Psicologia da Universidade do Contestado e a unidade do
Exército de Porto União (SC), trabalha no sentido de auxiliar
na preparação de militares que integram Forças de Missão de
Paz da Organização das Nações Unidas - ONU, no Haiti, chamada MINUSTAH (Missão de estabilização das nações unidas
no Haiti).
Para a produção dessa reportagem houve uma visita ao
5° Batalhão de Engenharia de Combate Blindado - Batalhão
Juarez Távora, sediado em Porto União, no dia 24 de setembro,
ocasião em que os militares que regressaram do Haiti relataram detalhes do trabalho na Missão de Paz, num país onde a
pobreza, a fome, as desigualdades sociais e a falta de serviços
básicos são faces da realidade.
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contato
Nessa ocasião, eles destacaram a importância do Projeto GAPE na preparação dessa experiência pessoal, humanitária e militar que é a Missão de Paz naquele país caribenho.
Essa reportagem mostra a conquista de espaço da Psicologia no
ambiente militar, num trabalho além fronteiras.
Contingente de militares de Porto União e grupo
de Psicólogos do GAPE.
Cinco anos de Missão no Haiti
Criada em 2004, pelo Conselho de Segurança Nacional das Nações Unidas, a Missão de Paz no Haiti surgiu para
restaurar a ordem no país, após um período de insurgência e
a deposição do Presidente Jean-Bertrand Aristide. Além da
estabilidade política, a Missão de Paz também foi criada para
pacificar e desarmar grupos guerrilheiros e rebeldes, garantir eleições livres e a assistência humanitária.
Após cinco anos de intervenção no Haiti, com a ordem
restaurada num dos países mais pobres da América Central, o
foco da ONU se voltou para a reconstrução do país, visto que
faltam obras de infraestrutura (pontes, estradas) e escolas, os
serviços básicos como transporte e coleta de lixo não existem,
A parceria
Em Porto União, a iniciativa de buscar o trabalho dos
Psicólogos na preparação dos militares que participariam da
Missão de Paz no Haiti partiu da Organização Militar ali sediada. Em 2008 o comandante do 5º Batalhão de Engenharia
de Combate Blindado, Tenente-Coronel Cláudio Forjaz, propôs
uma parceria entre o Exército e o curso de Psicologia da Universidade do Contestado - UnC. Foi dessa parceria que surgiu
o Projeto “Grupo de Apoio Psicológico ao Exército” - GAPE.
Conforme ele declarou, essa proposta de parceria surgiu a partir do momento em que se percebeu “a necessidade de
dinamizar a orientação do Comando de Operações Terrestres,
coordenador das tropas brasileiras naquela missão, de garantir
apoio aos familiares dos militares que se dispuseram a participar da Missão de Paz da ONU, no Haiti, já que muitos nunca
tinham saído de casa; e de preparar o grupo de militares para
uma missão diferente, de caráter humanitário”.
O GAPE
e o fornecimento de água e luz é comprometido. O Exército
Brasileiro integra essa missão de paz. Por isso, atualmente, há
cerca de dois mil militares brasileiros naquele país.
Após cinco anos de missão, o Exército Brasileiro tem
auxiliado na reconstrução do país.
O Projeto GAPE foi criado com o propósito de estimular o fortalecimento de laços afetivos e organizacionais do grupo de militares destinados à Missão de Paz no Haiti; construir
coletivamente condições psicológicas favoráveis para adaptação dos militares num ambiente de privações; e trabalhar a readaptação dos militares no retorno da Missão de Paz em seu
contexto familiar, social e organizacional.
Até o momento, dois contingentes, num total de 80 militares, já participaram do projeto: um grupo em 2008, que permaneceu no Haiti de janeiro a junho desse ano, e outro em 2009
que desde agosto está naquele país.
A iniciativa, que acontece nas dependências da Unidade do Exército Brasileiro, em Porto União, é financiada
pela Universidade do Contestado, e coordenada pelos Psicólogos Marly Terezinha Perrelli (CRP-08/04511) e Rubens
Weber (CRP-08/4009). Também participam, como colaboradores, os Psicólogos César Rey Xavier (CRP-08/.06093) e
Giuliano Metelski (CRP-08/14291), e as acadêmicas de Psicologia Veridiana Dranka e Pamula Vergopolan.
Atividades desenvolvidas
Para atingir os objetivos propostos pelo projeto, os Psicólogos desenvolvem trabalhos em grupo com análise e intervenções, por meio de abordagens da Psicologia Analítica e Psicodrama. Há diálogos, construções coletivas e dinâmicas de grupo.
Psicólogos do CRP-08 e acadêmicas de Psicologia da UnC
que trabalham no GAPE.
O Projeto prevê a realização de encontros quinzenais,
nos quais são abordados temas como: vida, morte, ausência da
família, alegria, tristeza, estresse, enfim, todos os sentimentos
que perpassam o imaginário e a realidade dos militares destinados à missão de paz.
contato
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O trabalho no Haiti
Os militares de Porto União, através da Tropa de Engenharia, trabalharam na construção de pontes, estradas, escolas, poços e melhorias no aeroporto. Eles também participaram
de ações cívico-sociais em creches e orfanatos, trabalharam na
distribuição de alimentos e garantiram a segurança da capital
Porto Príncipe e de inúmeras outras localidades, entre elas Gonaïves e Jacmel.
Um dos trabalhos realizados, na preparação dos militares, foi
a dinâmica da teia com o objetivo de chamar a atenção para a
necessidade de construir redes de relação para atingir
um objetivo comum.
Assistência às famílias
Além da preparação dos militares, o Projeto GAPE também promoveu atividades, junto aos familiares dos soldados que
iriam para o Haiti, no intuito de desenvolver estratégias de suporte emocional frente à ausência dos militares durante os seis
meses de participação na Missão de Paz. Para alcançar esse propósito, os Psicólogos do Projeto GAPE proporcionaram apoio
psicológico, através da criação de um espaço onde os mesmos
compartilharam suas vivências, no período em que os militares
estavam no Haiti.
Segundo a coordenadora do Projeto, Marly Perrelli,
“este trabalho auxiliou os familiares a expressar suas emoções,
assim como possibilitou aos militares direcionar o foco nas atividades que tinham que desenvolver no Haiti, pois sabiam que
suas famílias estavam tendo acompanhamento psicológico. E
isso evitou que fosse gerado um estresse psíquico, pois, conforme comprovam estudos, a preocupação com a família pode ser
um gerador de estresse desse militar”.
Os familiares dos militares contaram com apoio psicológico.
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contato
Além do trabalho em obras de infraestrutura, os militares também
participam de atividades cívico-sociais.
Relatos de experiência
Após seis meses no Haiti, os soldados de Porto União,
que retornaram em junho ao Brasil, falaram de suas experiências.
Além do trabalho técnico, desenvolvido pela Tropa de Engenharia, eles citaram as vivências pessoais que tiveram, enquanto integrantes da Missão de Paz da ONU, no território haitiano.
Eles falaram sobre o convívio com a realidade social de um
país dominado pela pobreza e pela fome, da saudade dos familiares
e da importância da unidade do Grupo. Os militares também destacaram a importância do trabalho dos Psicólogos, através do Projeto
GAPE, na fase em que se preparavam para a Missão de Paz.
Reunião, no dia 24 de setembro, em Porto União.
Abaixo você confere alguns desses relatos:
A união do grupo
“Quando nós chegamos no Haiti, a gente se sentiu mais
unido, como grupo, pelo trabalho de preparação que foi
feito aqui. Porque lá nós enfrentamos situações que nunca
tínhamos lidado, como é o caso da morte - naquele país a
justiça é feita com as próprias mãos -, da saudade da família, dos filhos e da esposa. Com o grupo unido, ficou mais
fácil enfrentar tudo isso!”.
Everson Pereira dos Santos – Sargento
A pobreza
“Apesar de toda a preparação que aconteceu, de termos
sido alertados em relação à pobreza do país, houve situações em que conter a emoção foi um desafio. Nós víamos
crianças abandonadas, convivendo com a fome. E a experiência mais marcante, para mim, foi de dar um iogurte
para uma criança e ela correr para mostrar para o pai dela
como se aquilo fosse um troféu”.
Jailson Soares Lourenço - Sargento
A fome e a sala de aula
“Lá tudo é miséria. Nós vimos pessoas pegando comida do lixo; e
também vimos crianças tendo aulas embaixo de uma árvore”.
Raul Granemann - Tenente
de Enfermagem, numa unidade médica no Haiti. Após 36 dias,
naquele país, o Sargento Nélio destaca que a experiência tem
lhe proporcionado “desenvolver um projeto na área da Psicologia, ver in loco o sistema sociopolítico e econômico de um país
desvastado pela guerra civil; e refletir sobre as mazelas semelhantes a de algumas regiões de nosso país”.
Sobr e a pr e pa r a ção feita, através do Projeto
GAPE, o militar avalia que
“ela fez diferença, principalmente no que diz respeito ao
estresse do tempo/distância,
longe de casa e da família”!
O Sargento Nélio, que está no
Haiti, enviou relato da experiência de trabalhar na Missão de
Paz, pela ONU.
Avaliação do Projeto
Após um ano de GAPE, tanto o comandante do Batalhão, Tenente Cláudio Forjaz, quanto os Psicólogos envolvidos
no Projeto, fazem uma avaliação dessa iniciativa.
Para o Exército:
Repensando valores
“Em pequenas coisas você passa a dar mais valor, como
é o caso do alimento. Depois que a gente vê pessoas passando fome, vivendo e comendo nos lixões, nós passamos a
valorizar o que temos no nosso país, que é muito melhor do
que lá. E é um pouco disso que nós tentamos passar para os
nossos filhos e amigos”.
Moacir Capistrano - Cabo
Coletividade
“O que nós percebemos é que no Haiti se perdeu o senso da
coletividade. Eles se preocupam apenas com o hoje”.
Renato de Souza Araújo - Major
Para Forjaz o Projeto “se mostrou um trabalho muito
interessante, que produziu conhecimento para os dois lados
– o Exército e a Instituição de Ensino Superior envolvida.
Os militares ganharam como pessoas e como profissionais.
Com essa preparação o nosso contingente foi alertado sobre as dificuldades culturais e sociais vividas naquele país,
porque eles teriam que conviver com isso e pesar as reações
deles. E isso fez eles crescerem”.
Forjaz destaca que “o projeto permitiu uma convivência com os civis de maneira mais intensa, em especial,
os do meio universitário. E, nessa convivência, com dedicação de ambas as partes, descobrimos aspectos que nos
complementam”.
Informações do Haiti
Além dos relatos feitos pelos militares de Porto União,
que já retornaram ao Brasil, no dia 24 de setembro, também recebemos informações, enviadas por e-mail, de um militar que
está em território haitiano desde o início de agosto.
O Sargento João Nélio Santos Teodoro, que também é
acadêmico de Psicologia da UnC, está atuando como Auxiliar
O Oficial, que em breve deve assumir missão de Estado-Maior na 15ª Brigada de Infantaria Motorizada, em
Cascavel (PR), afirma que as perspectivas futuras são muito
boas, uma vez que naquela cidade paranaense pretende “dar
continuidade a esse trabalho, incentivando uma parceria
com uma Instituição de Ensino Superior, envolvendo, além
da Psicologia, profissionais da área de Serviço Social”.
contato
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Para os Psicólogos:
A coordenadora do GAPE, Psicóloga Marly Perrelli, avalia que essa iniciativa considera que “a Psicologia deve trabalhar em todos os contextos afinal o que
nos constituiu, enquanto profissão, foi a ciência do comportamento humano”.
Para a Psicóloga, o fato de coordenar esse projeto, desenvolvido no ambiente militar, “representou um
avanço pessoal e profissional, pois os militares trabalham num local onde se exige: disciplina, controle das
emoções, decisões rápidas, obediência aos manuais de
instrução e situações de risco e a Psicologia trabalhou na
integridade emocional desses militares e em suas mais
nobres emoções”.
A coordenadora do projeto destaca que os militares têm a missão de reconstruir um país, destruído
em todos os aspectos socioeconômico e humano. “Assim eles, que são destinados às operações de paz, têm a
oportunidade de reconstruir o país e reconstruírem-se a
si mesmos, nas aprendizagens que esse país de contrastes (praias belíssimas e violência endêmica) proporcionou. Esses contrastes de emoções, os militares relatam
ao retornarem para o Brasil, reconhecendo como um
choque cultural”.
A Psicóloga reconhece que o sucesso do trabalho se deve a equipe de profissionais de Psicologia, que
se envolveu na iniciativa, e dos militares que, com humildade e resiliência, enfrentaram a grande missão de
mergulharem em si mesmo, antes de qualquer atividade
militar.
Para o psicólogo César Rey Xavier, que há dois meses
participa do projeto, essa experiência tem permitido “visualizar um potencial dentro daquilo que eu entendo por Psicologia.
Nessa experiência, a Psicologia transcende o seu caráter científico e se aproxima do caráter de arte, arte de se perceber como
existência frente a outras existências, em consciência, frente a
outras consciências. Eles percebem que choram, riem, sofrem
e tem consciência coletiva (aspecto gregário do ser humano)”,
comenta.
Segundo Xavier, a participação dele, no projeto, tem servido para lembrar “o quanto nós, Psicólogos, podemos ser úteis
em situações extremas”.
Para o Psicólogo, os relatos e e-mails dos militares que
participaram da Missão de Paz no Haiti impactaram. “Eles relatam que descobriram o valor da vida, das coisas simples da
vida e que viveram situações extremas. Muitos pensavam que
iam morrer. Em frações de segundos, de minutos, pensavam nas
amizades, na família, nas coisas que realmente importam”.
Pensando sob a ótica de abordagens como a Psicologia
Analítica e a Gestalt, que conferem grande importância às funções da percepção e da interpretação, Xavier destaca que “é
interessante notar, com este projeto, de que modo o ser humano
pode alterar radicalmente o valor que confere ao entorno de sua
vida quando exposto a estas situações extremas – aquilo que
antes eram preocupações mais superficiais ou efêmeras, revestidas de grande carga psíquica (‘figuras’), passa a ocupar um
lugar de menor destaque em sua consciência (são deslocadas
para o ‘fundo’); e aqueles valores humanitários, filantrópicos e
altruístas que, em função de uma vida saturada de valores consumistas, jaziam no ‘fundo’ de suas ações (ou em seus ‘inconscientes’), emergem ao foco de suas atenções, como que reassumindo o controle de suas ações, quando os militares, então, já
não se reconhecem mais como eram, antes de se sensibilizarem
com este trabalho”.
O Psicologo Rubens Weber, que com Marly coordena o
Projeto GAPE, destacou que o trabalho acontece no sentido de
“estruturar os militares a lidarem com situações que poderão
vivenciar, buscando manter o ser humano que existe debaixo
da farda”.
Psicóloga Marly Perrelli: “ter coordenado esse projeto
representou um avanço pessoal e profissional”
20
contato
“Eu estou apaixonado por esse trabalho. A experiência
oportuniza a quebra do ranço da época da ditadura, da imagem
que nós, enquanto civis, tínhamos dos militares. É um grupo de
civis no ambiente militar. E isso é importante, também, por criar
uma cultura democrática”, afirma o Psicólogo.
Weber avalia que “é muito bom você poder ampliar o campo de percepção, trabalhando com as tropas
de paz, abrindo espaço para a Psicologia, pois não é só no
consultório que se faz Psicologia. É também em trabalhos
como esse, que vão além das fronteiras, que permitem a
busca pelo humano, e a reconstrução da imagem do militar. E a partir dessa iniciativa abrem-se novas demandas
profissionais”.
Weber afirma que, com esse projeto, o grupo
acaba fazendo diferença no Haiti, pois além da percepção da missão (que é o foco), a segurança e a
reconstrução do país, “eles conseguem interagir
com outras culturas, grupos, famílias, compartilhando o humano”.
O retorno ao Brasil
Um dos aspectos trabalhados no Projeto GAPE é
a readaptação dos militares na volta para o Brasil, pois,
quando eles voltam, fazem uma releitura da questão social. Conforme o Psicólogo Weber, “antes eles só estavam
aqui, eram mais um, e quando voltam, eles repensam os
próprios valores, condutas, enfim, a vida deles”.
Produção científica
A experiência realizada em Porto União vai gerar
conhecimento científico. O Professor PhD José Carlos Zanelli, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC),
que é referência na área organizacional, está orientando os
professores da Universidade do Contestado (UnC) para que,
a partir do projeto GAPE, se produza conhecimento científico
no ambiente acadêmico. A experiência, em Porto União, também vai contribuir para os estudos desenvolvidos por psicólogos
militares do Centro de Estudos de Pessoal, do Rio de Janeiro,
outro parceiro nessa missão. 3
contato
21
contatoartigo
*Anièlle Stipp Amador Travain
**Rachel Meleipe Machado Tardin
Cada vez tem sido mais frequente a necessidade de se
recorrer à ajuda médica para conceber um filho. As causas variam desde problemas relacionados ao aparelho reprodutor masculino, feminino, ou envolvendo ambos, como também a fatores
socioculturais: idade avançada das mulheres, estresse, obesidade, entre outros.
No passado, quando a concepção não ocorria de forma natural, recorria-se a adoção, e isto era habitual. Hoje, com
os recursos cada vez maiores da medicina, os casais buscam
respostas e tentam entender o que acontece com o seu próprio
corpo. A adoção ainda é uma chance para a maternidade mas,
para muitos casais, só depois de esgotadas todas as outras possibilidades.
Deparar-se com a impossibilidade de gerar um filho abala profundamente homens e mulheres, ainda que não na mesma
proporção. São elas que sentem na própria pele as dores deste
processo e são submetidas, com maior frequência, a exames e
ao estresse do tratamento em si. Nos últimos anos tem-se tido o
cuidado em tratar o “casal infértil”, tirando da mulher a culpa
e responsabilidade.
Devido ao desenvolvimento da Reprodução Assistida
criou-se uma ideia de que tudo é possível nesta área. A mídia
tem noticiado com certa frequência a possibilidade de se conceber em qualquer idade, porém esta é uma realidade parcial
porque omite a dificuldade da gravidez após os 35 anos, dei-
22
contato
xando de elucidar o quanto o caminho para o tratamento da infertilidade é longo e tortuoso. Esta idealização só faz aumentar
as expectativas e quando não se obtém o resultado esperado a
frustração é muito grande.
Após um ano de tentativas estima-se que 25% dos casais
não conseguirão a gravidez naturalmente e, assim, necessitarão investigar junto a um especialista em reprodução humana
o que pode estar ocorrendo. Diante disto a primeira reação é
de surpresa e susto, pois a certeza acerca da gravidez começa a
ser abalada. Inicia-se todo um processo de muita angústia, dor,
dúvidas e sofrimento.
Este primeiro momento de investigação tem suas particularidades: fica-se diante do desconhecido, não se sabe ainda
o que está ocorrendo e nem aonde se pode chegar. O não saber
favorece o surgimento de inúmeras fantasias, que geram questionamentos individuais, sentimentos de punição, busca por explicação. Cada sujeito tenta encontrar suas próprias respostas
frente a este vazio.
Além dos questionamentos e fantasias intensos, o corpo todo está sendo investigado com exames constrangedores
e doloridos. Diante de tantas interferências, o tratamento começa a invadir, principalmente, a vida da mulher, dominando
a sua mente. É importante conseguir ver a vida com alguma
perspectiva para não se esquecer dos outros papéis que desempenha.
A busca pelo diagnóstico pode ser lenta e trabalhosa:
passa-se de exames simples até pequenos processos cirúrgicos,
tentando encontrar alguma explicação. Existe ainda uma parcela de casos chamados infertilidade sem causa aparente (ISCA),
em que nenhum diagnóstico pôde ser alcançado.
O psicoterapeuta também contribui na vinculação médico-paciente, que pode estar prejudicada pela frustração do casal
com as tentativas fracassadas, possibilitando a formação da tríade paciência, persistência e insistência, no decorrer dos tratamentos.
Um dos pontos mais importantes no estudo da esterilidade é o fato de poderem coexistir fatores fisiológicos e psicológicos: “Nem a ausência aparente de causa, ou o seu desconhecimento, indicam por si a presença do fator psíquico, nem a
presença de qualquer fator fisiológico descarta concomitante o
fator psíquico” (Serafini,1998).
O Psicólogo ainda pode colaborar utilizando recursos
como palestras informativas que, mesmo sendo mais abrangentes, podem se tornar uma ferramenta de trabalho para conscientizar o paciente da necessidade do enfrentamento de seus
sentimentos. A infertilidade é uma situação na qual as pessoas
passam a conviver com sentimentos difíceis de lidar como inveja, raiva e rejeição, o que se torna assustador para quem já
está tão abalado.
Ao chegar a um diagnóstico, a infertilidade é então sentida como uma dificuldade real e esta é uma das mais difíceis
experiências da vida de um casal. Envolve um abalo no aspecto subjetivo – o desejo e a dificuldade de ter filhos e constituir
uma família – e, também, no aspecto relacional, ou seja, lidar
com a expectativa da família e amigos quanto à gravidez daquele casal.
“A infertilidade cria nos casais a sensação de estarem
sendo tratados pela vida de maneira cruel, de não estarem sendo abençoados” (Weiss, T.K.,2006). O diagnóstico desencadeia
sentimentos negativos, principalmente culpa e vergonha.
Neste momento a mente está em intensa turbulência,
sendo invadida por questionamentos e sentimentos de punição:
porque comigo? O que tenho de errado? Será que nasci para ser
mãe? Estou sendo castigada por alguma coisa?
Este período pode ser propício ao surgimento de aspectos mais depressivos. O casal sofre com tudo isso, ocorrendo
uma diminuição da libido, muitas vezes um desinteresse pelas
questões profissionais, e também certo isolamento social.
Como o desejo de engravidar é intenso e não pode ser
deixado para um segundo plano, faz-se necessário voltar para
esta situação criando recursos para enfrentá-la. A dor gerada pela
infertilidade impulsiona o sujeito a ter que lidar com o subjetivo,
com questões muito íntimas que envolvem a história pessoal, relações familiares, vinculação do casal e a própria personalidade.
É um momento particular e a elaboração desta etapa depende de
pessoa para pessoa. A psicoterapia pode ser um instrumento interessante, contribuindo neste desenvolvimento pessoal.
A psicoterapia, em muitos casos, torna-se necessária,
contribuindo para o enfrentamento de sentimentos que permeiam e fragilizam o momento, colaborando para o fortalecimento interno, ajudando a redefinir objetivos e planos de ações.
Assim ocorre também na elaboração do luto do filho que não
veio ou que foi perdido nos consecutivos abortos.
As clínicas especializadas em Reprodução têm percebido a importância de profissionais da Psicologia para dividir
e enriquecer este trabalho. Hoje o psicólogo entra como um
parceiro e colaborador do processo, não sendo mais visto como
alguém que vem apontar mais dificuldades. A questão primordial não é detectar se a infertilidade tem a ver com bloqueios
psicológicos, mas sim de colaborar e ajudar o paciente neste caminho, contribuindo para que este crie mais recursos psíquicos
para lidar com as limitações e desafios que a vida impõe.3
Referências
Melamed, R.M.M.; Quayle,J. Psicologia em Reprodução Assistida: Experiências Brasileiras. São Paulo. Casa do Psicólogo,2006.
Ribeiro,M. Infertilidade e Reprodução Assistida – desejando filhos
na família contemporânea. São Paulo: Casa do psicólogo,2004.
Serafini, P.; Motta, E. O bê a ba da Infertilidade. São Paulo: Serono, 2000.
Weiss, T. K.; Seibel, D. A contribuição da psicanálise em uma clínica de reprodução assistida- relato de uma experiência. Tema
livre, XIX Congresso Brasileiro de Psicanálise de Recife,2003.
Zalusky, S. Infertility in the age of technology. Journal of American Psychology Association, 48(4), 1541-1562.
*Anièlle Stipp Amador Travain - Psicóloga (CRP-08/05820) e bacharel em Psicologia pela UFPR. Especialista em Psicoterapia Psicanalítica pela USP-SP e em Psicologia Hospitalar e Psicologia
Clínica pelo CRP-PR. Membro da Associação dos Psicoterapeutas
Psicanalíticos - SP. Integra o serviço de Psicologia junto à clínica
de Reprodução Humana Conceber.
**Rachel Meleipe Machado Tardin - Psicóloga (CRP-08/05820)
e bacharel em Psicologia pela PUCRJ. Terapeuta familiar formada pelo Instituto de Psiquiatria da UFRJ. Membro associado da
ABRATEF - Associação Brasileira de Terapia de Família. Integra
o serviço de Psicologia junto à clínica de Reprodução Humana
Conceber.
materiacontato
Natal e Reveillon:
os ritos sociais em diferentes perspectivas
Natal e Reveillon, comemorações que, por envolverem a coletividade, a transmissão de hábitos, costumes, valores culturais e místicos são entendidas como ritos sociais.
Que significado esses ritos tem para a sociedade? Que valores
estão sendo difundidos através dos mesmos? Para permitir o repensar
dessas questões, em diferentes perspectivas - da Psicologia, da Antropologia e da Sociologia - foram entrevistados a Psicóloga Solange
Maria Rosset (CRP-08/00204), o Cientista Social Mário Sérgio Michaliszyn e a Socióloga Carmem Ribeiro. Todos de Curitiba.
Psicologia
A Psicóloga Clínica Solange Maria Rosset avalia que a vida
moderna, com suas características de agitação, correria e dificuldades
tem transformado estas datas, como Natal e Reveillon, em meras festas sociais e rotineiras. A antiga reunião familiar, com o foco na manutenção dos valores e dos rituais familiares, foi substituída por reuniões
com colegas ou amigos, com foco em outras relações e motivos.
Ela avalia que essa é uma oportunidade que poderia ser aproveitada para desencadear ritos de retomada de relações, de aproximação de amigos e parentes, de avaliação da caminhada, de decisão
de redirecionamento do próximo ano.
Para a Psicóloga, nesses ritos, poderiam se trabalhar, entre
os valores culturais, os aspectos de pertencimento, de cura das dificuldades e relações - com todos os seus ângulos: perdão, compaixão,
desprendimento, respeito e aceitação.
Solange, que é autora do texto “O Uso de rituais na Psicoterapia”, disponível no site www.srosset.com.br, destaca que os ritos
sociais, como Natal e Reveillon, podem ser utilizados como estratégias terapêuticas, na Terapia Relacional Sistêmica, no trabalho com
famílias, podendo, inclusive, transformá-los em rituais terapêuticos. A
partir do que a família está trabalhando e das aprendizagens que estão
precisando desenvolver, se estabelecem metáforas integradoras que serão ativadas nesses momentos de ritos pré definidos culturalmente.
Antropologia
O cientista social Mário Sérgio Michaliszyn, que é Doutor
em Ciências Sociais e atua na área da Antropologia, com os temas
Antropologia da Saúde e Antropologia Urbana, avalia que vivemos
numa sociedade fortemente influenciada por valores e princípios
cristãos, por isso o Natal e Reveillon são reflexo dessa influência
em nossa cultura.
24
contato
Michaliszyn avalia que embora o rito Natal receba um forte
apelo comercial, incentivado numa sociedade de consumo, passando
a simbolizar a data pela troca de presentes, no imaginário social, ele
também se refere ao fortalecimento de noções como a solidariedade, esperança e fraternidade. Já o reveillon, como marca a mudança
de um ciclo de vida, carrega a esperança de dias melhores e sonhos
transformados em realidade.
Obviamente, por tratarem-se de festas populares de caráter universal, cada sociedade, cada cultura procurará tratá-las a seu
modo. Importante, porém, é observar que os valores e o apelo social
se mantém, variando a forma de comemoração.
Sociologia
A socióloga Carmem Ribeiro, enfatiza que ao longo da história da humanidade todas as civilizações e todos os povos, engendram um conjunto de mitos e ritos que cumprem significados de
identificação cultural, de explicação de sua própria origem e evolução, de definição de ciclos de vida, de expressão de regras de convivência e preceitos morais. Para a sociedade cristã ocidental o Natal,
é um rito que traduz um mito, uma crença, uma explicação para a
origem e para o destino da humanidade. “É um momento em que se
propõe cultivar e fortalecer valores culturais de fraternidade, de comunhão, de solidariedade, de renascimento na fé num Deus único
que ama seus filhos e que espera deles obediência” complementa a
socióloga.
Já as festas de final de ano, para a socióloga, marcam também o final de um ciclo e o início de um novo tempo. Isso proporciona a reflexão do que foi realizado e do que está por vir. “No entanto,
a universalidade desses ritos e seus significados, muitas vezes propagada, merece questionamento, uma vez que se tenta estabelecer uma
verdade única a partir das crenças de uma parte da humanidade”,
defende Carmem Ribeiro.
A socióloga avalia que na nossa sociedade, muitos dos valores dos ritos tradicionais foram se modificando e surgindo novos valores mais adequados a novos paradigmas, impostos, muitas vezes de
forma subliminar, pelas leis de mercado. Os próprios ritos se transformaram em mercadoria. “O Natal e o reveillon são, sem dúvida,
festas do consumo, mas também as festas do congraçamento familiar, da troca entre amigos. Alegria para muitos, mas também tristeza para tantos outros, por não ter com quem comemorar ou por não
poder estar junto ou por não poder dar e receber. São as contradições
que perpassam os nossos rituais, nossas festas, testam nossos valores
e que devem servir para nos manter alertas em nossas escolhas”. 3
noconselho
Pesquisa do CRP-08 vai
levantar dados sobre
“As Condições de Trabalho
do Psicólogo do Paraná”
O Presidente do CRP-08, João Baptista Fortes de Oliveira, e a Vice-presidenta,
Rosângela Lopes de Camargo Cardoso, reforçam a importância da participação
dos Psicólogos do Paraná na pesquisa.
Área de atuação, tempo e instituição de formação, aprimoramento profissional, ambiente e relações de trabalho, recursos disponíveis para o desempenho da
atividade e a remuneração. Esses são alguns aspectos que a Pesquisa do CRP-08
sobre “As condições de Trabalho do Psicólogo do Paraná” deverá revelar.
Para que esses dados sejam levantados é fundamental que os Psicólogos do
Paraná participem dessa pesquisa, prevista
para acontecer em fevereiro de 2010, respondendo, sem necessidade de identificação, o formulário impresso, que será enviado a todos os Psicólogos, ou o formulário
que estará disponível no site do CRP-08.
Mapeamento
Conforme o Presidente do CRP08, João Baptista For tes de Oliveira
(CRP-08/ 00173), a pesquisa vai permitir
um mapeamento do campo de atuação dos
Psicólogos, pois vai levantar informações
importantes, entre elas as que se referem:
“às dificuldades do profissional de Psicologia, as áreas de atuação dos psicólogos, a
qualificação profissional,e a identificação
de campos de trabalho em expansão”.
Já a Vice-presidenta do Conselho,
Rosângela Lopes de Camargo Cardoso (CRP08/01520) complementou destacando que com
essa iniciativa “a própria profissão vai ter clareza de como ela está, no Paraná, de quantos
profissionais há nos setores público, privado
e no terceiro setor, quais são as áreas de Psi-
cologia que estão crescendo, e, inclusive, informações sobre a renda e os locais em que os
profissionais atuam como Psicólogos”.
Segundo a diretoria do CRP-08, a
previsão é de que o resultado da pesquisa
seja divulgado em junho de 2010.
Expectativa
Conforme o Presidente do Conselho, “a pesquisa também vai servir para
nortear, de maneira mais pertinente, as
ações do CRP-08, afim de responder as necessidades e demandas dos Psicólogos, dentro daquilo que compete ao CRP-08”.
Com a disponibilização do formulário
impresso e no site, a expectativa da diretoria é
de que a categoria participe da pesquisa.
O questionário será abrangente, mas
com questões objetivas. Quem optar pelo site
não precisará responder o questionário de
uma só vez. O Psicólogo poderá acessar, começar a responder o questionário, interromper esse processo e retomá-lo mais tarde. E só
deverá enviá-lo quando ele estiver completo.
Já se a opção for o questionário impresso o mesmo deverá ser enviado de volta para o CRP-08 até o final de fevereiro. A
postagem-resposta não acarretará em custos
para os respondentes.
Resultados
“O resultado da pesquisa poderá
subsidiar ações em parceria com outras instituições como: o Sindicato, a partir do levantamento de dados referentes ao mercado
de trabalho, e as Faculdades, no que tange
aos dados que se referem a formação, especialização e área de atuação dos Psicólogos”,
enfatizou a Vice-presidenta do CRP-08.
Coordenação:
A pesquisa é coordenada pela socióloga Carmem Ribeiro e conta com apoio de
Ana Tereza D. Guimarães, que é profissional
de estatística. 3
nascomissões
Nesta edição estão sendo divulgadas atividades de três comissões, que atuam na sede do CRP-08, e uma comissão por subsede. Nas próximas edições outras comissões serão contempladas.
SEDE
Avaliação Psicológica
Reunião: quartas, quinzenalmente, às 19h.
A comissão está atendendo as solicitações de pareceres da diretoria e
discutindo os projetos de 2010.
Científica
Reunião: mensal, primeira 2ª feira do mês.
A comissão realizou o Plano de Ação para 2010 e enviou um ofício
para os coordenadores de curso de Psicologia, de Curitiba, solicitando
a participação de um representante de cada faculdade na comissão.
Londrina
Hospitalar
Reunião: mensal, dia e horário em fase de definição.
A Comissão promove discussões e produz referências conceituais e
éticas pertinentes a prática do Psicólogo nos hospitais e instituições de
saúde. O Hospital do Coração de Londrina promoveu em parceria com
o CRP-08 o “Ciclo de Palestras em Psicologia Hospitalar: Clínica e Interdisciplinaridade”. A comissão também tem atuado na divulgação
de eventos e esclarecimento público sobre a área de atuação por meio
de artigos em jornal escrito de alcance estadual.
Em Londrina também estão em funcionamento as seguintes comissões: Clínica, Direitos humanos, Escolar/Educacional, Estudantes,
Trânsito, e Organizacional e do Trabalho.
Maringá
NAPP
Reunião: quinzenal, na primeira e terceira 2ª feira do mês, a
partir das 14h.
O Núcleo de Articulação em Políticas Públicas está desenvolvendo um
projeto de organização de eventos com os representantes do CRP-08
nos Conselhos de Controle Social e iniciando as atividades de organização do III Seminário de Psicologia e Políticas Públicas, previsto para
acontecer no primeiro semestre de 2010; além de dar a continuidade
às pesquisas do CREPOP, dessa vez na área da Assistência Social –
CRAS e CREAS.
Na sede também existem as comissões de: Comunicação Social, Dependência Química, Direitos Humanos, Escolar/Educacional, Ética,
Gerontologia, Eventos, Orientação e Fiscalização, Ambiental, Esporte, Trânsito, Hospitalar, Jurídica, Organizacional e do Trabalho e Tanatologia.
Psicologia Organizacional e do Trabalho
Reuniões: mensais, na terça-feira à noite.
A Comissão divulgou eventos da área de Recursos Humanos, trabalhou na elaboração do Plano de Ação para 2010, definiu temas e palestrantes para o evento “Falando Sobre” de Maringá, do ano que vem
e também sugeriu o filme Terra Fria para exibição e debate no “Psicocine” de 2010. No “Falando Sobre”, que abrange palestras gratuitas abertas à comunidade, serão discutidos os temas “Saúde, estresse e trabalho” e “Mercado de Trabalho”. A Psicóloga Edelvais Keller
(CRP-08/01650) vai abordar o primeiro tema e Silvana de Fátima C.
Carstens (CRP-08/11742).
Em Maringá também existem as seguintes comissões: Avaliação Psicológica, Clínica e convênios, Esporte, e Saúde.
Umuarama
SUBSEDES
Cascavel
Clínica
Reunião: quinzenal, 5ª feira, às 19h30.
A Comissão de Psicologia Clínica trabalhou no Plano de Trabalho
2010, na Resolução CFP 001/2009, que aborda a obrigatoriedade do
registro documental decorrente da prestação de serviços psicológicos,
e discutiu “Questões éticas: psicoterapia por internet”.
Em Cascavel também há as comissões de Dependência Química, Tanatologia, Direitos Humanos, Educação, Esporte, Ética, Evento, Hospitalar, Jurídica, Orientação e Fiscalização, Organizacional, Saúde,
Tanatologia, Trânsito, Psicologia Ambiental, Gerontologia.
26
contato
Políticas Públicas
Reunião: quinzenal, nas 5ªs feiras, às 18h.
A Comissão de Psicologia e Políticas Públicas de Assistência Social
está realizando uma pesquisa para verificar o nível de conhecimento
dos Psicólogos sobre a atuação em políticas públicas para, a partir disso, preparar a capacitação dos Psicólogos na área.
Em Umuarama também existe a Comissão de Psicologia Organizacional e do Trabalho.
Participe
Todo o Psicólogo, com o registro profissional ativo, pode participar das
comissões do CRP-08. Para isso basta procurar a comissão de seu interesse, que apresentará o seu nome à plenária para aprovação. 3
Seminário Nacional do
Ano Temático da Psicoterapia
O Seminário Nacional do Ano Temático da Psicoterapia, realizado dos dias 1º a
3/10, em Brasília, proporcionou o debate de
três eixos temáticos, propostos pelo Conselho
Federal de Psicologia:
e a necessidade de discutir e produzir parâmetros mínimos para o exercício da Psicoterapia, tendo em vista que a formação necessária para esse fim, vai além das disciplinas
teórica-técnicas da graduação.
Eixo I: A Constituição das Psicoterapias
como campo multidisciplinar.
Eixo II: Parâmetros técnicos e éticos para a
formação na graduação e na formação especializada e para o exercício da psicoterapia pelos Psicólogos.
Eixo III: Relações com os demais grupos
profissionais.
Márcia Walter relata que apesar da diversidade de cada região do país, as dificuldades
encontradas pelos Psicólogos são as mesmas:
urgência na definição dos parâmetros sobre a
Psicoterapia, a quem cabe a designação psicoterapeuta, quais são as psicoterapias, como deve
ser a formação em psicoterapia e, a partir das
definições, conscientizar a sociedade de qual a
prática do Psicólogo em psicoterapia, para não
confundir com a prática em outras áreas.
Anaides Pimentel Orth (CRP08/01175), César R. Xavier(CRP-08/06093),
Nélio Pereira da Silva (CRP-08/00016) e
Márcia R. Walter (CRP-08/02054) participaram do evento como delegados do CRP-08.
Eles relatam as discussões que aconteceram
no Seminário e algumas propostas que defenderam, pelo Conselho Regional de Psicologia
do Paraná, no evento nacional.
Eixo III:
A Psicóloga Anaides Pimentel da Silva Orth participou das discussões do eixo III,
defendendo, entre outras, a seguinte proposta
do CRP-08: o Sistema Conselhos deve organizar um mapeamento das áreas de atuação
profissional do trabalho do Psicólogo como
matériacontato
psicoterapeuta delineando com quais profissionais se relacionam.
Segundo Anaides, “foi unânime o
apelo de todos os presentes de, primeiramente,
esgotar a discussão dentro da categoria, no prazo mínimo de até um ano, para depois abrir o
diálogo com as outras categorias profissionais
que realizam psicoterapias. Também foi destacada a necessidade de se ter clareza da conceituação da psicoterapia para os Psicólogos. O
que é Psicologia Clínica? Clínica ampliada? De
quem é a responsabilidade de formar o psicoterapeuta? De que forma divulgar o campo da
psicoterapia e de outras atuações do Psicólogo,
para sociedade”, afirmou a Psicóloga.
Encaminhamento
As discussões dos três eixos geraram um relatório final, que, após discussão
nos Conselhos Regionais, será encaminhado
para a Assembléia das Políticas, da Administração e das Finanças (APAF) a ser realizada
em dezembro, para fins de aprovação e definição das próximas etapas. 3
Eixo I:
Os Psicólogos Nélio Pereira da Silva e
César R. Xavier participaram das discussões
do eixo I e defenderam, entre outras propostas, a definição de critérios (parâmetros técnicos e éticos) de qualidade e responsabilidade
que deverão reger a prática psicoterápica pelo
Psicólogo; definir quais teorias (fundamentação teórica) a nossa categoria aceita como
norteadoras do “fazer” psicoterápico; e a intensificação da discussão sobre o problema da
cientificidade das psicoterapias.
Conforme os Psicólogos, as proposições do CRP-08 foram, de um modo geral,
acolhidas no grupo de discussão. O debate
contemplou aspectos de identidade da profissão, formação e interação multidisciplinar.
Eixo II:
A Psicóloga Márcia Walter participou
das discussões do eixo II. Entre as propostas
do CRP-08, defendidas pela Psicóloga, estavam o estímulo para que o graduando de Psicologia se submeta à prática da psicoterapia
contato
27
psicólogodasilva
Psicologia de Caserna
Nos meus tempos de caserna a única experiência que
tive com a Psicologia foi o amor platônico pela Psicóloga do
centro de instrução da marinha. Todo dia eu a via, ao final da
tarde, saindo de seu consultório em direção ao estacionamento.
Eu tinha quase certeza que ela percebia a intenção dos desejos
do meu olhar. Ao mesmo tempo havia entre nós, alunos, um temor com relação a ela, pois circulava a lenda de que ela levava
ao Capitão todos os segredos que ouvia. Percebo agora que já
era seduzido pela Psicologia desde muito antes de ter consciência. Neste tempo a Psicologia nas forças armadas timidamente
se esforçava para mostrar que não era a testa de um movimento
28
contato
Por Tonio Luna (CRP-08/07258)
comunista (ou, como alguém pode dizer, apenas a testa de um
movimento comunista...).
Tantos anos após encontramos esta Psicologia levando humanidade às comunas militares, possibilitando que esses profissionais da paz suavizem a desumanidade no Haiti.
Penso em quantas mais transformações vou assistir a Psicologia realizar. 3
* Dedicado a Rubens Weber, que pode viver o presente
deixando o passado como apenas uma lembrança.
FAE. A MELHOR DO SUL DO PAÍS.
A FAE foi avaliada pelo MEC como a melhor Instituição
Universitária Privada do Sul do País. Uma qualidade de
ensino que é padrão em todas as suas unidades e que
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contato
29
políticaspúblicas
Célia Mazza de Souza CRP-08/02052
Psicóloga – Coordenadora Técnica em Políticas Públicas e Eventos do CRP-08
Política de Segurança Pública
A 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública, em
2009, marca importante avanço democrático na política nacional,
fortalecendo o Sistema Único de Segurança Pública (SUSP).
A construção dessa política surge dentro de um novo
paradigma, iniciado pelo Programa Nacional de Segurança
Pública com Cidadania (Pronasci). Os princípios e diretrizes
para a implementação das políticas públicas nessa área foram
definidas, de forma compartilhada, entre a sociedade civil,
poder público e trabalhadores da área.
O debate nacional proposto pela Conferência partiu
de um Texto-base, elaborado pelo Ministério da Justiça, com
contribuições das entidades representadas no Fórum Preparatório e na Comissão Organizadora Nacional da 1ª Conseg.
De caráter orientador e pedagógico, o texto contextualizou a
Segurança Pública no cenário das políticas públicas.
A 1ª Conseg foi o primeiro passo, portanto, para a
consolidação do novo paradigma, visando efetivar a segurança pública como direito fundamental. A Conferência contemplou debates com os seguintes eixos:
Eixo 1 - Gestão democrática: controle social e externo,
integração e federalismo
Eixo 2 - Financiamento e gestão da política pública de
segurança
Eixo 3 - Valorização profissional e otimização das condições de trabalho
Eixo 4 - Repressão qualificada da criminalidade
Eixo 5 - Prevenção social do crime e das violências e
construção da cultura de paz
Eixo 6 - Diretrizes para o sistema penitenciário
Eixo 7- Diretrizes para o sistema de prevenção, atendimentos emergenciais e acidentes
Muitos Psicólogos participaram das Conferências e
Seminários, mas para a efetivação da política ainda há muito para construir.
Seminário
A construção da segurança pública é uma construção social contínua. Ressalte-se o projeto “Prevenção da violência entre adolescentes e jovens no Brasil: estratégias de
atuação”, que é uma iniciativa do Ministério da Justiça, no
âmbito das ações do PRONASCI (Programa Nacional de Segurança com Cidadania) e visa identificar, conhecer e promover estratégias de prevenção da violência entre adolescentes e jovens em todo território nacional.
Entre as ações desenvolvidas, destaca-se a realização de Seminários, em diferentes regiões do país, sobre Juventude e Prevenção da Violência: Novas Perspectivas, sob
coordenação do “Instituto Sou da Paz”. Em Curitiba, o Seminário aconteceu nos dias 28 e 29 de setembro, com apoio do
IDDEHA (Instituto de Defesa dos Direitos Humanos).
Para lidar com a violência dentro do novo paradigma
da Segurança Pública tem-se que participar da construção e
implementação de políticas de prevenção, aliadas à repressão
qualificada. É fundamental que se faça um diagnóstico focalizado, identificando: a) os principais problemas de violência
e/ou criminalidade, que afetam uma região ou um grupo; b)
as potencialidades do local em tela; c) fatores de risco, que
influenciam os índices de violência; d) fatores de proteção
existentes. Ressalte-se que as ações devem ser multisetoriais
para responder aquele contexto específico.
A Psicologia tem muito a contribuir nesse processo de
construção e conquista da Segurança Pública como um dos
direitos sociais fundamentais. A participação dos Psicólogos
nos programas, projetos, seminários, que visam lidar com a
questão da violência e a construção de uma cultura da paz,
é fundamental.
Se você participa ou coordena algum projeto, mandenos relato de sua experiência.
O diagnóstico, a psicoterapia
de curta duração na
abordagem Gestáltica
contatoartigo
Uma possibilidade real, assertiva e contingente na compreensão mais adequada às necessidades do mundo atual.
Por: Claudete Carboni CRP-08/00940
cliente é tão singular quanto a singularidade do mesmo. Está vinculado ao modo de existir
Na década de
A
de alguém, à sua dinâmica. No campo da psicoterapia, precisa ser entendido como
60, a Gestalt,
globalização
uma descrição e compreensão de cada cliente. Descrição de sua dinâmica, de sua
influenciada pelo
favorece a não difecomplexidade e compreensão de sua singularidade existencial (seu modo de
movimento humanisrenciação, o não conexistir e de ser alguém). Ele tanto pode nos revelar como é a pessoa (sua
ta que tinha como objetato, a própria negação
dinâmica, seu modo de reagir), quanto como ela está dentro de seu protivo criar uma terceira forda existência do homem
cesso e no processo terapêutico.
ça no campo da psicologia,
como um ser único. Desta
dando ênfase a uma psicoloforma, a psicoterapia de curta
O cliente procura o processo terapêutico para a regia mais humanizada, rejeitaduração vem ao encontro não
solução
do seu todo (figura e fundo), ou seja, pela busca do
va a idéia de diagnóstico, por
só da necessidade do homem,
equilíbrio entre a sua necessidade e a satisfação da mesma.
acreditar ser um rótulo limitanmas também de resgatar a relaA não satisfação (necessidade interrompida) traz a queixa,
te e despersonalizante que reção do ser NO mundo.
que é o foco da dinâmica do cliente no aqui e agora manifesduzia as pessoas a conceitos
tando sua história, no fenômeno, isto é, dentro da SUA realidade. A
e categorias, pouco contriO diagnóstico profenomenologia
é a única abordagem para a compreensão da existência,
buindo para a compreenpicia assertividade na come através dela reconhecemos as forças, os recursos, os sucessos, as
são e desenvolvimento do
preensão das necessidades
capacidades e a energia do ser.
paciente.
atuais, possibilitando que
no processo de curta duração o
O diagnóstico e a fenomenologia operam
A perspectiva diagnósticliente possa experienciar o bom
juntos, investigando, desvelando e compreca da Gestalt-terapia está principalcontato nos seus relacionamentos,
endendo. Estamos sempre perguntando
mente na forma como o paciente usa as
nutrindo-o para ajustamentos criativos e
O QUÊ está acontecendo, a serviço DO
suas funções de contato. As relações figuconstrutivos, levando-o à auto-regulação.
QUÊ isto está acontecendo e COMO está
ra e fundo é que sugerem as hipóteses
Isto quer dizer que no momento em
acontecendo.
diagnósticas e aguçam a observação
que o cliente puder solucionar o seu
e o discernimento do Gestalt-teraproblema atual (fechar a gestalt), esta
O diagnóstico é uma sinalização
peuta. Pensar o diagnóstico em termos
nova configuração irá se manifestar no
que
indica
possíveis relações figura e fundo
gestálticos implica pensar em processeu todo, abrindo espaço para novas
e através destas a formação e a destruição da
so, em relações de contato e principossibilidades. Exemplo: um conflito
gestalt. Temos assim uma leitura diagnóstipalmente compreender o outro.
de relacionamento profissional solucioca sem enquadrar o indivíduo com um rónado será suporte para a resolução de
tulo, mas sim, reconhecendo a sua fenomenoOs critérios diagnósticos
outras problemáticas da vida pessoal
logia como ser único.
como trabalhamos, nos oferecem a
do indivíduo. A cada conflito soluciocomunalidade (o que há de comum
nado o indivíduo desenvolve áreas do
Todos estes aspectos da Gestalt-terapia
entre os homens) e a singularidade
seu funcionamento, se reconfigura, se
qualificam-na
dentro das linhas psicoterapêuticas
(o que há de diferente, próprio e
atualiza e se potencializa em suas
como abrangente e focalizada, com uma intervenção
singular em cada homem). O
realizações.3
mais eficiente, ágil e assertiva para o momento da evoludiagnóstico com cada
ção atual do homem e do seu habitat. A Gestalt-terapia tem condições de abarcar não só o processo terapêutico profundo, como também com
seu manejo e embasamento fenomenológico - existencial a terapia breve, isto é, de curta duração.
Referências
SHAPIRO, David. Los Estilos Neuróticos.
PERLS, Frederick S. Ego Fome e Agressão – Uma revisão da teoria e do método
de Freud.
YOUNTEF, Gary M. Processo, Diálogo e Awareness – Ensaios em Gestalt-Terapia.
PINTO, Ênio Brito. Psicoterapia de Curta Duração na Abordagem Gestáltica –
Elementos para a prática clínica.
contato
31
inquietações
Política e Políticas Públicas
Por: Fernando Luiz Menezes Guiraud CRP-08/02582
É preciso distinguir “política” de “política pública”. O primeiro termo se refere à busca de resolução pacífica (no mínimo, não
beligerante) dos conflitos de interesse entre grupos sociais, mediante
negociação e segundo códigos de conduta compartilhados. A política
espelha as relações de poder existentes na sociedade.
Os Conselhos de Direitos, em particular, se originaram da
intensa mobilização social que resultou na Constituição Federal
de 1988 - a “Constituição Cidadã” - e na legislação subsequente.
Ao enunciar que o Brasil é uma República Federativa, um Estado
Democrático e de Direito, onde o poder que emana do povo pode
também ser exercido diretamente, foram firmados alicerces legais
Por sua vez, “política pública” é o resultado da atividade
política, implicando na convergência de um corpo de diretrizes de
diversas ordens (ideológicas, políticas, estratégicas, orçamentárias,
metodológicas, procedimentais, logísticas) com a efetiva alocação
de recursos públicos (bens, programas e serviços), visando assegurar o aparelhamento e o funcionamento do Estado em benefício
de todos (ou apenas de alguns).
Dito de outro modo, a função principal da política pública
seria fomentar e orientar a concretização de direitos. Para este propósito, é desejável que, desde as etapas iniciais do diagnóstico de
realidade (a busca do conhecimento necessário acerca da situação
que se pretende transformar), exista um amplo pacto de cooperação
(suprapartidário, intersetorial, interinstitucional, multidisciplinar),
celebrado visando à abdicação de interesses particulares em favor
da conjugação dos esforços de todos, na direção pretendida.
No Brasil, há múltiplos espaços institucionalizados de participação política, além da filiação partidária e da (demonizada)
atividade política “profissional”. São exemplos:
4 Os movimentos sociais, que reivindicam o acesso a direitos
civis, políticos e sociais;
4 Os movimentos sindicais, que lutam por direitos na esfera das
relações trabalhistas;
4 Os Conselhos Profissionais, que asseguram à população o
direito ao exercício da profissão conforme os mais elevados
padrões éticos e técnicos;
4 Os Conselhos de Cidadania, que pugnam pelos direitos de
grupos especialmente vulneráveis ou alvo de discriminação
(afrodescendentes, mulheres, portadores do vírus HIV, etc.);
4 Os Conselhos Setoriais (da Educação, da Saúde, da Assistência
Social, da Segurança Pública);
4 Os Conselhos de Direitos, nos três níveis de governo (federal,
estadual e municipal), constituídos, paritariamente, por repre sentantes governamentais e da sociedade civil, aos quais
compete formular e controlar políticas públicas destinadas a
segmentos populacionais contemplados com legislação
protetiva especial (saúde, criança e adolescente, idosos,
pessoas deficientes).
32
contato
para a construção da democracia participativa, não apenas representativa ou “participativa de fachada”.
Nos países verdadeiramente democráticos, as políticas públicas são abertas à efetiva participação de todos, nos vários níveis
dos processos decisórios e de controle da execução. Cabe, portanto,
a cada cidadão exercer o seu papel político, participando ativamente, nas instâncias em que preferir.
Frente às mazelas sociais brasileiras, a omissão voluntária
pode ser considerada um posicionamento político legítimo? O que
dizer da cômoda auto-alienação daqueles que, ao se declararem
com orgulho “apolíticos”, fingem abrir mão do indelegável poder
de influir positivamente no curso da história, ao tempo em que deixam portas e janelas escancaradas para que os políticos vigaristas
satisfaçam suas torpes ganâncias?
A melhor resposta ainda é a de Brecht:
“O pior analfabeto é o analfabeto político.
Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de
vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do
aluguel, do sapato e do remédio dependem das
decisões políticas. O analfabeto político é tão
burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que
odeia a política. Não sabe o imbecil que da sua
ignorância política nasce a prostituta, a criança
abandonada e o pior de todos os bandidos, que é o
político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio dos
exploradores do povo.”
Enquanto isso, qualquer cidadão - inclusive o cidadão psicólogo - que ainda acredita na possibilidade da transformação da
realidade social a partir da ação coletiva organizada, à medida que
busca conhecer e concretizar os seus direitos e deveres, engajandose na vida de sua comunidade e refletindo continuamente sobre a
própria práxis, corre o sério risco de tornar-se um ser humano melhor e profissional socialmente responsável.
contatoagenda
PÓS-GRADUAÇÃO LATU SENSU EM TERAPIA DE FAMÍLIA, CASAL E REDES
Autorizado pelo MEC
Coordenação: Dra Silvia Maria Grassano (CRP-08/00405)
Duração: 25 meses | Início: Março/2010
Local: ISE - Instituto Superior de Educação
Faculdade Sion | Informações e inscrições:
(41) 3019-6155 (c/ Valéria)
IV FÓRUM INTERINSTITUCIONAL DE SAÚDE MENTAL E IV JORNADA DE
SAÚDE MENTAL E PSICANÁLISE | Carga horária: 15 horas | Data e horário
do evento: 20/11 (das 19h às 22h30) e 21/11/2009 (8h30 às 17h30) | Local: PUCPR - campus Curitiba - Centro de Ciências Biológicas e da Saúde |
Participantes: alunos de Graduação e de Pós-graduação da área de Saúde
Mental e Psicanálise, profissionais da área da saúde | Inscrição: 15/06/2009
a 15/11/2009 pelo site www.pucpr.br/cursos/extensao | Informações: (41)
3271-2118 ou [email protected]
QUALITÀ - AVALIAÇÕES PSICOLÓGICAS E TREINAMENTOS LTDA.:
Curso de Formação em Avaliação Psicológica
Carga Horária: 100 h/aula
Início: março 2010
Endereço: R. Constantino Marochi, 438 – Loja 02 – Curitiba - PR
Informações: (41) 3353-2871/ [email protected]/
www.qualitapsi.com.br
CURSO DE FORMAÇÃO EM LUDOTERAPIA
Psic. Eliana Paciornik Galbinsky (CRP-08/00070)
Início: março de 2010
Duração: 2 anos
Local: Rua Voluntários da Pátria, 475 - 12ºandar – conj. 1212 - Centro Curitiba-PR
Informações: (41) 3222-2514 à tarde /(41) 9951-4141
Site: www.cursodeludoterapia.com.br
CURSO DE FORMAÇÃO EM GESTALT-TERAPIA INFANTIL - OFERECE:
Público-alvo: profissionais e estudantes do curso de Psicologia,
a partir do 4º ano.
Local: Av. Sete de Setembro, nº 5388 - 8º andar - conjunto 804
Batel – Curitiba-PR.
Informações: (41) 3244-8000 ou (41) 9938-5855/
[email protected]
Instituto da Família FTSA de Londrina,
reconhecida pelo MEC, oferece os cursos de Pós-Graduação (especialização):
Aconselhamento Familiar e Formação em Terapia de Casal e Família e os de
extensão: Formação de pais, Psicodrama e suas práticas, Dinâmica de Grupo
e Viagem de Estudos a Chicago. Área teológica: Aconselhamento Pastoral
(especialização) e Aconselhamento para Líderes de Células (extensão). Mais
informações: (43) 3371-0200. [email protected] www.ftsa.edu.br
INTERCEF – CURSOS 2010 PARA PSICÓLOGOS
CURSO DE TERAPIA INDIVIDUAL E FAMILIAR SISTÊMICA
Início: 27 de março de 2010 (um sábado por mês)
CURSO DE TERAPIA DE CASAL
Início: 13 de março de 2010 (um sábado por mês)
TREINAMENTO CLÍNICO
Início: 05 de março de 2010 (uma sexta-feira por mês)
INFORMAÇÕES: www.intercef.com.br [email protected]
Tel/fax: 41-33388855 – Curitiba - PR
CURSO DE AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA PARA CANDIDATOS A CIRURGIA
BARIÁTICA
Data: 20 a 22/11 em Guarapuava.
Ministrantes: Psicólogas Marlene Monteiro da Silva (CRP-06/15150) de São
Paulo e Rosângela T. Cristani Arruda (CRP-08/02170), de Curitiba.
Informações e inscrições: (42) 3035-6831 - 9977-6831 ou (41) 3042-7754 9985-2350/ e-mail: [email protected] ou [email protected]/ www.inbio.org.br
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contato
33
inscrição CRP-08
O CRP-08 dá as boas-vindas
aos novos inscritos de
Agosto e Setembro de 2009
inscriçãoprovisória
Lisete Colling Almada CRP-08/14820
Gislaine de Bastiani CRP-08/14836
Ronaldo Pinheiro Ortegal CRP-08/14862
Hellyda Aparecida Kerecz Borim CRP-08/14821
Sarah Cristina Kusma CRP-08/14837
Fernanda A. de Matos Barbosa CRP-08/14863
Rosane Campos de M. Rodrigues CRP-08/14822
Alexssandro Soares Nunes CRP-08/14838
Aline Michelin Bonafini CRP-08/14864
Mariana Orso Von Der Osten CRP-08/14823
Andreia Alves Consoli Peres CRP-08/14839
Leonardo Aaron da Silveira CRP-08/14865
Karen Martins Pinheiro CRP-08/14824
Eloana Zanco CRP-08/14840
Domingos Junior R. dos Santos CRP-08/14866
Monique Lea Mistura CRP-08/14825
Fernanda Menin CRP-08/14841
Fabiane Regina Woiski Ferreira CRP-08/14867
Adriane Jasino CRP-08/14826
Bruna Elen Borcioni Freitag CRP-08/14842
Mariana da Cruz Diana CRP-08/14868
Rafaela Christine Buhrer e Ribeiro CRP-08/14827
Marina Locatelli CRP-08/14843
Luis Claudio Lavra Rodrigues CRP-08/14869
Maria Sarita Ropelato CRP-08/14828
Adriana Aparecida Mariano Lopes CRP-08/14844
Jaqueline R. de Araujo Azinari CRP-08/14870
Rita de Cassia Maganheti Mendes CRP-08/14829
Cleverson Rio Branco CRP-08/14845
Rafael Braga Maciel CRP-08/14907
Patricia de Souza Dias CRP-08/14830
Ana Maria O. dos Santos Hartmann CRP-08/1484
Poliana Belz e Souza CRP-08/14908
Janaine Retzlaff de Matos CRP-08/14831
Rafaeli Maria Lorenzi Zanin CRP-08/14847
Maria Cristina Finato CRP-08/14909
Dilane Critina Stoeberl Morato CRP-08/14832
Nelio Nascentes Galvão Junior CRP-08/14883
Aline Aparecida Bonamigo CRP-08/14910
Licene Maria Batista Garcia da Silva CRP-08/14833
Francieli Kureke CRP-08/14884
Marina Thibes CRP-08/14911
Alexandre Bovo CRP-08/14834
Joselaine Seidel CRP-08/14885
Mariana Aparecida P. Hartmann CRP-08/14912
Jadja Graziela Ruhoff CRP-08/14835
Mayara Gomes da Silva CRP-08/14886.
inscriçãodefinitiva
Elizabeth Nery Sinnott CRP-08/14819
Priscila Mendieta F. Arias CRP-08/14873
Janaina Penso CRP-08/14890
Andreia Mayumi Y. Fumagali CRP-08/14848
Barbara Monique C. D. Cavalcante CRP-08/14874
Monica Zatta Tonial CRP-08/14891
Rodrigo Pereira Ganem CRP-08/14849
Crislaine do Rocio M. da Silva CRP-08/14875
Neili Teresinha Woitilaki CRP-08/14892
Fabio Bielenki Hadid CRP-08/14850
Gabriely Francine Vaz CRP-08/14876
Adriana Paula Salvi Merlin CRP-08/14893
Juliana Mazepa Pereira CRP-08/14851
Paula Hisa Paranaiba Goto CRP-08/14877
Quézia Neves Loureiro CRP-08/14894
Iara Ferdinanda G. Pereira CRP-08/14852
Annelise Scheffer CRP-08/14878
Sara Cropiniski CRP-08/14906
Fabio Henrique A. de Jesus CRP-08/14853
Michele C. Ott Bernardino CRP-08/14879
Gabriela Candido Carneiro CRP-08/14913
Karla Cardoso Mialski CRP-08/14854
Susamar de Souza Mello CRP-08/14880
Priscyla Alves Makiolke CRP-08/14914
Eliana Barbosa Pereira CRP-08/14855
Clemair de L. Spezia Dalla Costa CRP-08/14887
Priscila Kosudi CRP-08/14915
Luiza Gutierrez Muhlfeit CRP-08/14871
Majed Abdallah M. Mahmad CRP-08/14888
Mirian Forestiero Zucoloto CRP-08/14916
Andressa Lissa Guimarães CRP-08/14872
Cibele Simone Saiki CRP-08/14889
inscriçãoportransferência
Claudia Fabiani Bourscheid CRP-08/14856
Andressa Jacira Rudnicki Ranzi CRP-08/14860
Solange Beatriz Pereira de Sá CRP-08/14881
Danielle Rodrigues Romero CRP-08/14857
Diego de Souza Alves CRP-08/14861
Priscila Jiane Mistura CRP-08/14882
Juliana Belicanta CRP-08/14858
Jamil Mantey Ghani CRP-08/14904
Ana Paula Navarro de Souza CRP-08/14917
Aline Cavalheiro da Silva CRP-08/14859
Dayana R. Pereira de Oliveira CRP-08/14905
reativaçãoportransferência
Telma Cristina F. Crespo CRP-08/07563.
Vanessa de A. Tudisco da Silva CRP-08/13974
Aline Cardoso da Silva CRP-08/08222
Caroline Coelho Vieira CRP-08/09473
Silvia Cavalcante Vicentin CRP-08/08202
Maria Aparecida M. Pedersen CRP-08/13245
reativação
Marcia Cristina B. Bispo Barca CRP-08/05880
Dorothy Kahl CRP-08/06885
Lucilene Champan CRP-08/06983
Cristina Poletti G. Cunha CRP-08/09400
Jôze Kelly Fator CRP-08/09525
Tatiana Custódio Ramos CRP-08/12268
Cláudia Algoso Frasson CRP-08/12558
Mariza Cardozo Britto CRP-08/04543
Vera Lucia Zak CRP-08/05083
Misma Felix Rodrigues CRP-08/05168
Suely Regina Heilmeier CRP-08/05207
Soraya Sehli CRP-08/05222
Claudia Maria B. de Macedo CRP-08/06782
Cleoneia Bordignon Lattmann CRP-08/07410
Leni da Silva N. Guedes CRP-08/07578
Cristina de Oliveira Pacheco CRP-08/09934
Vanessa da Silva Gezualdo CRP-08/10182
Claudia Roberta Guerber CRP-08/10446
Silvania Nurmberg CRP-08/11940
Susy Cristine Santos CRP-08/12282
Juliana Garcia Piovezan CRP-08/12432
Paula Ciliana Valério CRP-08/12604
Andressa Mioranza CRP-08/12685
Maira Luiza Contreras CRP-08/05263
Mariluci Felix da Silva Souza CRP-08/06792
Maria Terezinha M. Franco CRP-08/08128
Deise Aparecida C. da Costa CRP-08/09199
Katiana Wendling W. Porto CRP-08/09455
Karina Vanessa P. de Souza CRP-08/09890
Mariana Ribeiro Franzoloso CRP-08/09924
Marcia Lins de Oliveira CRP-08/10301
Danielle Passos Silva Moratelli CRP-08/10702
Luciana Camuri de Souza CRP-08/12048
Terezinha Maria Q. P. Toledo Soares CRP-08/00270
Vera Lucia Barbosa CRP-08/01358
Marly Aparecida C. Prochmann CRP-08/07263
Maria Luiza de S. E. dos Santos CRP-08/10115
Monique Färber CRP-08/12651
Antonio Carlos da Silva CRP-08/IS-194
Marisa Silva CRP-08/IS-195
Katya Luciane de Oliveira CRP-08/IS-196
Valéria Pereira Martins CRP-08/IS-197
inscriçãosecundária
Rochele Maria Machado CRP-08/IS-192.
Viviane de Fátima Boro CRP-08/IS-193
pessoajurídica(registro)
Habilita Clínica Médica e Psicológica Ltda CRP-08/PJ-00479
Espaço Rama Psicólogas Associadas Sociedade Simples
CRP-08/PJ-00480
Oliveira e Ogata Ltda CRP-08/PJ-00481
Centro Psico-Oftalmo de Renovação Ltda CRP-08/PJ-00482
Tarobá Clínica Médica e Psicológica Ltda CRP-08/PJ-00483
Reconduza - Medicina & Psicologia do Trânsito Ltda CRP-08/PJ-00486
Clínica Médica e Psicológica Miasato e Yamamoto Ltda
CRP-08/PJ-00487
CEMEPT - Centro de Medicina e Psicologia do Trânsito Ltda
CRP-08/PJ-00488
Centro de Avaliação de Condutores Habilitar Bacacheri S/S Ltda
CRP-08/PJ-00489
H & B Peritran Ltda – ME CRP-08/PJ-00490
Treinar Clinica Medica e Psicologica Ltda CRP-08/PJ-00491,
Condutran - Psicologia e Medicina de Tráfego Ltda CRP-08/PJ-00492
Clínica de Psicologia Pacini Ltda CRP-08/PJ-00493
Centro de Avaliação de Condutores Soma Ltda CRP-08/PJ-00494
WGS Serviços e Soluções Técnicas Ltda CRP-08/PJ-00495.
Canan & Cia Ltda CRP-08/PJ-00497, Uma Psicologia Ltda
CRP-08/PJ-00498
Clinica Medica Botelho & Estrada Ltda - ME CRP-08/PJ-00499
pessoajurídica(cadastro)
Unimed de Londrina Cooperativa de Trabalho Médico
CRP-08/PJ-00484
Araujo Mottin Clínica de Avaliação Médica Ltda CRP-08/PJ-00485
Cancelamento Ex-Officio pela não
entrega do diploma:
Renate Marquardt CRP-08/02156
Ana Raquel Dias Cabral CRP-08/06987
Maria Luiza de S. E. dos Santos CRP-08/10115
Adriana M.de Almeida CRP-08/10168
Verediana Proencio CRP-08/12705
Comunidade Logos Internacional CRP-08/PJ-00496.
Clínica P.M.A - Avaliação Médica e Psicológica para Motoristas Ltda
CRP-08/PJ-500
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