Bioética: Visão
Ocidental e Oriental
VIII Congresso Brasileiro de Bioética
23 a 26 de Setembro de 2009
Antonio J. De Araujo
Coordenador nacional do NEBIO - Núcleo de
Estudos de Bioética da BSGI – Associação
Brasil Soka Gakkai Internacional
Reflexão sobre valores
Uma estória do Oriente

Ilustra como a extensão e expansão
de nossa consciência pode se basear
em exemplos concretos e nos guiar.
Doi Toshikatsu (1573-1644)
Início do período Edo
3

Certo dia, Doi pegou uma peça de
seda chinesa e a deu de presente a
um de seus samurais. Muitos riram,
com esse gesto, aparentemente
insignificante. Anos depois, Doi
perguntou ao samurai sobre a peça de
seda. Ele a mostrou, cuidadosamente
guardada. Doi elogiou o samurai e o
premiou financeiramente.
Universalidade Interior
“Este tecido foi produzido por fazendeiros chineses
que colhem folhas de amoreira para a cultura do
bicho-da-seda. Ele foi parar nas mãos de
comerciantes chineses, atravessou grandes
distâncias por mar até chegar ao Japão, passou
pelas mãos do povo de Nagasaki, foi comprado por
mercadores em Kyoto ou Osaka, e finalmente
chegou a Edo (atual Tóquio). Ninguém poderia
deixar de ficar surpreso pelo enorme esforço
humano feito para chegar a nós. Assim, descartar
um pedaço de pano por achá-lo sem valor é algo
temeroso, que convida a admoestação dos céus”.
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Empatia

Conectar-se empaticamente, por meio
de uma peça de tecido, à vida de
fazendeiros que trabalhavam em
campos de amora na distante China –
isso é Universalidade Interior
Bioética

É o uso criativo do diálogo para
formular, articular e, na medida do
possível, resolver os dilemas que são
propostos pela investigação e pela
intervenção sobre a vida, a saúde e o
meio ambiente.
(Definição de Bioética – Programa Regional de Bioética OPS/OMS,
2001)
Daisaku Ikeda
O diálogo segundo o ideal
oriental (Ikeda, 2008)


A chave para empreender uma
vitoriosa batalha pelos ideais do
humanismo reside no diálogo, um
desafio tão antigo (e ao mesmo tempo
recente) quanto a própria
humanidade.
Abandonar o diálogo é o mesmo que
abandonar nossa humanidade.
O diálogo segundo o ideal
oriental


Na mesma proporção que nos
empenhamos em ser sábios (Homo
sapiens), precisamos nos esforçar para
dominar a linguagem (Homo loquens).
Através dos tempos, observamos que
o diálogo é condição essencial para
resgatar nossa humanidade.
O diálogo segundo o ideal
oriental

O diálogo abandonado no meio do
processo é insignificante. Somente a
constância e a convicção o tornam
fecundo. Como Homo sapiens,
precisamos empreender uma luta
espiritual. Isso requer que
evidenciemos algumas virtudes:
generosidade, resistência e sabedoria.
O Pensamento Oriental
A Filosofia Oriental – 4.000 A.C.
 Evoluiu ao longo dos séculos
 Tem muitas vertentes e escolas
 Tem valores comuns e duradouros

O Pensamento Oriental



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

Budismo: Siddhartha Gautama – 563 a.C.
Confucionismo: Kung Fu Tzu – 551-479 a.C.
Taoismo: Lao-Tse – 604-531 a.C.
Jainismo: Mahavira – séc. VI a.C.
Zoroastrismo: Zaratustra - 1700~1000 a.C.
Hinduismo: 4000-2200 a.C.
Budismo

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
Sofrimento
Carma
Felicidade
Compaixão
Paz
Confucionismo





Sistema ético e filosófico.
Grande influência na cultura
e história do Oriente
Educação para o
desenvolvimento moral do
indivíduo
Estado governado pela
virtude moral ao invés do
uso de leis coercitivas.
Meritocracia
Taoismo


Conceito de um
mundo ativo e
holístico.
Tudo no mundo é
uma manifestação
ativo do Tao – a
força ativa no
Universo.
Jainismo
Princípios
 Ahimsa - não-violência
(mental, verbal, física)
 Satya - Falar a verdade
 Não roubar
 Monogamia e fidelidade
 Desprendimento de
pessoas, lugares e
coisas materiais.
Zoroastrismo



Sistema religiosofilosófico baseado na
contradição dualista: o
bem e o mal.
Influenciou o judaísmo,
cristianismo e
islamismo
Transmitida oralmente
(cânticos – livro
sagrado)
Hinduismo



Uma maneira de
viver (Dharma – lei
que governa todas
as ações)
Sistema ético,
tradições, rituais
Brahma (Bonten),
Indra, Ganesha,
Krishna, Shiva
Princípios e propósitos
 Respeito
vida
à dignidade da
Contribuir para a paz, a educação e a
cultura, visando à felicidade e ao bemestar de toda a humanidade, inspirada
no respeito budista à dignidade da
vida.
Princípios e propósitos
 Respeito
humanos
aos direitos
Com base no ideal da cidadania
mundial, salvaguardar os direitos
humanos fundamentais e não
discriminar nenhum indivíduo.
Diálogos
Austregésilo de Athayde
Princípios e propósitos
 Respeito
religiosa
à tolerância
Com base no espírito budista de
tolerância, respeitar outras religiões,
promover diálogos e atuar, em
parceria, para a solução de questões
fundamentais da humanidade.
Princípios e propósitos
 Respeito
à natureza e ao
meio ambiente
Com base no ideal budista de
simbiose, proteger a natureza e o
meio ambiente.
Dilemas bioéticos
Morte encefálica



Há vida enquanto o cérebro estiver
funcionando.
O tronco cerebral é a base da vida, o
local onde o corpo mantém e se agarra
à vida.
A base fisiológica da dignidade e
santidade da vida repousa dentro do
cérebro e a operação mínima
necessária para viver são as funções
cerebrais.
Dilemas bioéticos
Morte encefálica


Necessidade de critérios mais precisos
na determinação da morte encefálica.
A morte encefálica representa um
ponto em que a ciência médica não
pode mais melhorar a condição do
doente (Ikeda et al., 2007).
Dilemas bioéticos
Eutanásia


Na perspectiva budista a vida humana
é inestimável, pois a natureza de Buda
é inerente em todas as pessoas.
A morte assistida pode privar alguém
da possibilidade de manifestar sua
natureza de Buda.
Dilemas bioéticos
Eutanásia

O progresso dos tratamentos médicos,
incluindo os métodos utilizados nos
centros de cuidados paliativos oferece
esperanças, ainda que o tratamento
não possa eliminar totalmente o
sofrimento.
Dilemas bioéticos
Eutanásia

A preferência budista é encontrar
métodos para aliviar a dor insuportável
por meio da tecnologia avançada da
medicina e dos cuidados da família,
dos amigos e da equipe médica.
(Ikeda et al., 2007)
Dilemas bioéticos
Aborto
 A compaixão budista estende-se ao
respeito pela vida do feto.
 É preferível evitar o aborto em favor
de outros métodos de controle da
natalidade.
Dilemas bioéticos
Aborto

Quando a gravidez coloca em perigo a
vida da mãe ou resulta de estupro ou
de outras relações sexuais violentas,
deve-se respeitar a decisão dos pais,
especialmente, a da mãe da criança
(Ikeda et al., 2007).
Dilemas bioéticos
Aborto

Embora nos casos de estupro e incesto, o
aborto possa ser uma medida concebível,
nitidamente de último recurso, o mais
importante é criar condições sociais e
morais, nas quais não ocorra estupro nem
incesto, do que abortar as crianças
resultantes. (Ikeda & Wilson, 1999).
Oriente e Ocidente

O caminho do Oriente e do Ocidente
não são antagônicos, mas
complementares. Ambos visam,
fundamentalmente, criar em nós o que
tanto procuramos: um centro a partir
do qual tudo se liga e religa,
permitindo-nos viver a totalidade. (L.
Boff, 2001)
Muito obrigado.
Antonio J. De Araujo
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42-9105-7132
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