PROJETO DE
DIFUSÃO DA
CARTA DA TERRA
QUARTO
ENCONTRO SME –
SVMA
Fevereiro/março de 2008
Difusão da Carta da Terra
SME E SVMA
Objetivos
Contribuir para ampliar a percepção sobre a
interdependência da comunidade da vida, a
responsabilidade da família humana com as futuras
gerações e as conseqüências dos hábitos de consumo
da sociedade contemporânea;
Estimular mudanças a partir da análise da pegada
ecológica da escola
Encontros
• Outubro de 2007:
– TEMA: Interconexão, teia da vida
• Novembro de 2007
– TEMA: Respeito à Comunidade da Vida - Biodiversidade
• Dezembro de 2007
– TEMA: Respeito à Comunidade da Vida – Abordagens
pedagógicas. Consumo
• Fevereiro/Março 2008:
– TEMA: Cultura humana, consumo e desperdício,
PRÓXIMO TEMA: DIVERSIDADE
Sobre a Cultura Humana do Consumo e Desperdício
Apresentação do Planejamento:
Objetivo do encontro:
‫ م‬Ampliar a percepção sobre as origens e conseqüências dos atuais
hábitos de consumo.
Conteúdo Programático:
‫ م‬Cultura Humana - A história e o paradoxo
‫ م‬Debate Temático;
‫ م‬Do sujeito x objeto ao consumidor x objeto de consumo;
‫ م‬Conseqüências da sociedade do consumo: exclusão
desperdício;
‫ م‬Publicidade e consumo
‫ م‬Caminhos para mudança.
Metodologia:
‫ م‬Grupos de trabalho – Dinâmica I e II
‫ م‬Diálogo temático;
‫ م‬Documentário
Bibliografia auxiliar
e
Dinâmica Sugerida:
1ª PARTE
1º - Faça uma lista de tudo que você comprou e consumiu na última semana
2º - Liste o que você jogou fora na última semana;
3o – Diferencie o que é essencial do que é supérfluo.
2ª PARTE
Reflita individualmente e em grupo:
De onde vem aquilo que consumimos?
Para aonde vai aquilo que consumimos?
Para que consumimos?
Insumos para o diálogo temático:
Cultura Humana: Breve História
...em 4,5 bilhões de vida na terra... ou
0,0002 segundos em uma hora de existência
80 mil anos de cultura...
O Paradoxo
“Relatório Ziegler”
(2001) da ONU:
826 milhões de pessoas
no mundo “estão
sofrendo o martírio
da fome”.
...e 800 milhões de carros para abastecer... (Parmentier, 2007)
A sociedade do consumo:
História do consumo:
- Revolução industrial:
– Industrialização e consumo
?
Lixo, poluição e acumulação
– Capitalismo
- Crescimento populacional:
- 2,5 bilhões em 1950
- 6 bilhões em 2000
- Caminho insustentável - futuras gerações?
- Necessário rever [falsas] necessidades – hábitos, valores e princípios.
- Publicidade – criação de necessidades – competição
- vulnerabilidade das crianças e jovens – personalidade em formação
- Manipulação dos desejos
- difícil ser diferente
-No Brasil as crianças vêem, em média, 6 horas de televisão por dia
- Séc. XIX – organização dos consumidores:
- dinheiro é segurança - se você paga tem direito a ter direito...
-Marco – 15 Março de 1962 (EUA - JFK)
- No Brasil:
- Década de 70 – Procon
- Década de 80 - Idec
- Década de 90 - Código de defesa do consumidor
Do sujeito x objeto ao consumidor x objeto de consumo
Zygmundt Bauman : Vida Líquida e Sociedade Líquida
“Tudo é temporário. É por isso que sugeri a metáfora da "liquidez" para
caracterizar o estado da sociedade moderna, que, como os líquidos, se
caracteriza por uma incapacidade de manter a forma.
Nossas instituições, quadros de referência, estilos de vida, crenças e
convicções mudam antes que tenham tempo de se solidificar em costumes,
hábitos e verdades "auto evidentes". Agora, as coisas todas - empregos,
relacionamentos, know-hows etc.- tendem a permanecer em fluxo, voláteis,
desreguladas, flexíveis.
O que me interessa é, portanto, tentar compreender quais as conseqüências
dessa situação para a lógica do indivíduo, para seu cotidiano. Virtualmente
todos os aspectos da vida humana são afetados quando se vive a cada
momento sem que a perspectiva de longo prazo tenha mais sentido”.
“Cultura descartável ?”
Uma sociedade moderna líquida é "aquela em que as condições de
atuação de seus membros mudam antes que as formas de agir se
consolidem em hábitos e rotinas determinados". A vida líquida se
caracteriza pela precariedade e pela incerteza, "o medo que nos peguem
desprevenidos
e
que
não
consigamos
acompanhar
o
ritmo
dos
acontecimentos que se movem com grande rapidez, que fiquemos para
trás"
O único modo de continuar (sem ser eliminado como no jogo das
cadeiras) é desfazermo-nos daquilo que (ontem era imprescindível) e
agora se tornou inútil: "Entre as artes do viver moderno líquido e as
habilidades para praticá-las, saber livrar-se das coisas prima sobre
saber adquiri-las".
Na era da modernidade líquida, a distinção entre sujeito e
objeto
cedeu
seu
espaço
(inevitavelmente)
ao
de
"consumidor" e "objeto de consumo".
A sociedade da rapidez, do exagero e do desperdício
Eterno insatisfeito, o homem moderno busca a felicidade como
o motivo principal de sua existência, mas no pode encontrá-la
(a felicidade não é nem será nunca um objeto de consumo)
Modernizar-se é sinônimo de mudar uma coisa obsoleta por outra "nova", mas
não há mudança nem modernização sem desperdícios.
Mas, por mais velozes que possamos ser, nada nos garantirá que, na próxima
volta (que se joga agora mesmo), não sejamos passados para trás e passemos
então ao grupo dos eliminados; os que já não tem mais oportunidade e
observam desde fora como se lhes nega o acesso ao mais elementar. Os
eliminados constituem o que Bauman chama "a infraclasse“.
“A arte do marketing consiste em impedir que os desejos dos consumidores se
tornem completamente realizados. A insatisfação assegura que os cidadãos do
moderno mundo líquido se deixem explorar, até a obsessão, por cada comércio,
em busca de quem sabe que objeto que nos identifique”.
os profissionais de marketing criam na criança "um estado de insatisfação
perpétua através da estimulação do desejo e da novidade e da redefinição do
precedente como lixo inservível"
“Meu socialismo, em meu entender, se resume à convicção de que, assim como o
poder de carga de uma ponte se mede não pela força média de todos os pilares,
mas pela força de seu pilar mais fraco, a qualidade de uma sociedade também
não se mede pelo PIB (Produto Interno Bruto), pela renda média de sua
população, mas pela qualidade de vida de seus membros mais fracos”.
“Mas insisto em que a sociedade que obsessivamente se vê como não sendo
suficientemente boa é a única definição que posso dar de uma boa sociedade”.
...se
não
se
mudasse
tão
rapidamente,
se
os
objetos
de
desejo
não
envelhecessem tão rapidamente, nem perdesse o seu encanto a uma velocidade
tão vertiginosa, se a vida humana (mais duradoura que a vida de praticamente
qualquer outro objeto) não tivesse que ser dividida em uma série de episódios
independentes e de novos começos...
Ervin Laszlo:
Parafraseando Albert Einstein na célebre frase “você
não pode resolver um problema com o mesmo tipo
de pensamento que o criou”, não se pode realizar
uma mudança básica de cultura aplicando os
mesmos valores e a ética que criaram a necessidade
da mudança.
São cerca de 1,5 bilhão de pessoas sobrevivendo
com o equivalente a US$ 1 por dia e 40% sem
acesso a água potável.
Mas esse sistema planetário ainda precisa ser criado, pois existe somente como um
parâmetro físico. O pensamento e a consciência ainda estão um grau atrás.
Como acelerar isso e convencer as pessoas que não estão dispostas à mudança?
Fazendo-as perceber que ela beneficia o indivíduo, a família e a comunidade. A
maior falha com relação ao
problema é a ignorância devida à informação
incompleta.
Conseqüências da sociedade do consumo
Helio Mattar:
Sobre a à lavagem de louça:
o povo brasileiro tende a deixar a torneira aberta durante essa simples
tarefa, e o gasto médio, para uma família de 4 pessoas, é de 350 litros.
Se tivesse o mesmo hábito que os europeus têm, economizaria por
volta de 320 litros. Se um milhão de famílias fizesse isso durante um
mês, economizaríamos o volume total de água que corre pelas cataratas
do Iguaçu durante 35 minutos.
Um volume absolutamente monumental, que do ponto de vista
individual significa 320 litros de água por dia a menos na conta de água
daquela família.
Roberto Gambini:
Prefiro a palavra desejo. Consumo aquilo que eu desejo e aquilo que desejo
tem valor para mim. O que nós estamos tentando entender é a mudança do
valor que atribuímos a diferentes objetos de desejo. O que precisa mudar no
Brasil é o elenco de objetos de desejo.
Celso Luiz Morete
As perdas de alimentos variam de 20% a 60% de tudo o que se produz no
campo e, às vezes, só 40% do que se cultiva é consumido, fato que nos
coloca como um dos campeões do desperdício de alimentos no mundo.
Em 2.002, os índices corresponderam a 1,5% do PIB, ou seja,
aproximadamente 10 bilhões de reais – 14 milhões de toneladas de frutas,
hortaliças e grãos literalmente jogados fora.
Sem dúvida, um montante de recursos suficiente para prover sete milhões
de famílias, de quatro a cinco membros, com uma cesta básica de R$120,00
durante um ano. Cerca de 30 milhões de pessoas.
Entretanto, o combate à praga do desperdício é lento e exige atenção até
mesmo dentro de nossas casas:
“uma família de classe média joga fora, em média, 500g de alimentos por dia,
15 quilos por mês, 180 quilos por ano e 3.600 quilos em 20 anos. Basta fazer
um simples cálculo matemático. Esta quantidade desperdiçada é suficiente para
fornecer um quilo de alimento diário para uma criança de zero aos 10 anos de
idade, ou ainda, oferecer três refeições para uma cidade de sete mil habitantes
por um dia. Ou seja, em casa, também contribuímos para aumentar o
desperdício.”
Caminhos para a mudança:
‫م‬
‫م‬
‫م‬
‫م‬
‫م‬
Boicote social
Consumo consciente e crítico
Consumo sustentável
Simplicidade voluntária
Alternativas...
Boicote social
-Nike – A denúncia de uso de mão-de-obra infantil por seus fornecedores do
Sudeste Asiático resultou, de maneira quase instantânea, em uma imediata perda
de vendas nos Estados Unidos.
- Coca-cola - a denúncia, pelos movimentos de consumidores, da prática de racismo
nas contratações e promoções, nas operações norte-americanas da Coca-Cola. Este
fato levou a empresa a se comprometer, de moto próprio, sem a intervenção da
Justiça, a investir US$ 1 bilhão em programas ativos de diversidade e combate ao
racismo.
- A Mitsubishi teve também uma experiência emblemática no México, onde
mantinha um projeto de extração marítima de sal. Houve uma campanha de
consumidores para boicotar a compra de produtos da empresa em função dos
impactos desta exploração sobre a flora e a fauna dos mares mexicanos. Como
conseqüência, a Mitsubishi simplesmente parou o projeto.
- Outro caso, que chama muito a atenção, afetou diretamente diversas empresas
norte-americanas com investimentos em Mianmar, antiga Birmânia – um país com
um regime fortemente autoritário e extraordinariamente sanguinário. Ao tomarem
conhecimento deste fato, os consumidores dos EUA iniciaram um movimento de
boicote a essas empresas e seus produtos. Liz Clayborne, Eddie Bauer, Macy’s e
Suzuki encerraram rapidamente suas atividades naquele país. Os consumidores
afirmaram claramente às empresas que não aceitariam investimentos em um país
com tal regime.
Consumo Consciente
Oriana White:
É o momento para parar e pensar, pois nos defrontamos com a distinção entre
consumo e consumismo.
O que é consumir o básico e de uma forma consciente?
O que é o consumo desvairado e inútil de qualquer coisa?
O que significam as inovações que nos predispomos a testar?
Várias não fazem o menor sentido, pois desqualificam a própria competência
que o ser humano tem de escolher entre três ou quatro produtos praticamente
idênticos. Esse é o fio que diferencia o consumo do consumismo.
Quando o teatro da realização humana se torna cenário de necessidades
fictícias criadas, perdemos a essência.
E, quando perdemos a essência, começamos a escolher por escolher.
Escolher por parâmetros que não traduzem o que precisamos, modificando
nossas próprias características. Essas necessidades fictícias estão na base do
consumismo e temos realmente de re-trabalhar esse conceito, porque a
ficção está influenciando nossa identidade pessoal, e quanto mais ficcional,
menor a identidade.
“Quando falamos em consumo consciente, temos de ter consciência do
mundo e de nós mesmos. Temos de alcançar um grau mais profundo na
maneira de ver o mundo para nos tornarmos mais conscientes das nossas
ações”.
Ervin Laszlo
Consumo sustentável
Consumos sustentável - Superação das necessidades básicas de todos
- Sugestão de leitura:
“Consumo sustentável é o uso de serviços e produtos que respondem às
necessidades básicas de toda população e trazem a melhoria na qualidade de
vida, ao mesmo tempo em que reduzem o uso dos recursos naturais e de
materiais tóxicos, a produção de lixo e as emissões de poluição em todo
ciclo de vida, sem comprometer as necessidades das futuras gerações.”
(CDS/ONU – Comissão de Desenvolvimento Sustentável da Organização das
Nações Unidas – 1995)
Simplicidade voluntária
Simplicidade Voluntária
Duane Elgin
Thoureau
Nos limitamos a escolher dentre as opções já oferecidas e prontas. Isto impacta o
exercício da criatividade humana.
O que é Necessário ?
Suficiente
Supérfulo
Cada um precisa descobrir seu ponto de suficiência.
A pobreza debilita e é involuntária. A simplicidade é voluntária e mobilizadora.
Na aplicação da Simplicidade Voluntária podemos utilizar um modelo conceitual
com cinco níveis de atuação e aprimoramento:
. sistemas de energia / alimentos;
. transportes / comunicação;
. relações com os outros seres;
. habitação / assentamentos humanos;
. educação / cultura.
Dinâmica II: Que atitudes são possíveis daqui para frente no seu cotidiano?
Fonte: Consumo Sustentável: Manual de Educação. Idec/MMA, 2005.
Lei da Simplificação Progressiva
" O verdadeiro crescimento é a capacidade demonstrada por uma sociedade de
transferir quantidades cada vez maiores de energia e atenção do aspecto
material da vida para o aspecto não-material e, assim, evoluir em cultura,
potencial de compaixão, sentido de comunidade e força democrática. "
Arnold Toynbee, A Study of History, vol.1
(New York: Oxford University Press, 1947, p.198).
Bibliografia Auxiliar e Referências sobre o tema:
Idec: www.idec.org.br – Consumo Sustentável: Manual de Educação
Zigmunt Bauman: Vida Líquida, 2007. Editora Jorge Zahaar
Um dos teóricos mais importantes da atualidade, o sociólogo polonês
Zygmunt Bauman dedica os seus estudos, ensaios e obras à interpretação
da modernidade e da época pós-moderna. Em português, destacam-se de
Bauman, entre outros, os livros: O Mal-estar da Pós-Modernidade (1998);
Globalização - As Conseqüências Humanas (1999), Modernidade Líquida
(2001), Amor líquido (2004) e Vida líquida (2007).
Ervin Laszlo: Diálogos Akatu, disponível em www.akatu.net
Fundador e presidente do COB – The Club of Budapest, fundador e diretor do General
Evolution Research Group e diretor científico da International Peace University
de Berlim.
Gilberto Dupas: Diálogos Akatu, disponível em www.akatu.net
Coordenador Geral de Conjuntura Internacional da Universidade de São Paulo,
presidente do Instituto de Estudos Econômicos e Internacionais – IEEI, autor de
vários livros, entre os quais, Economia global e exclusão social (Paz e Terra) e Ética e
Poder na Sociedade da Informação” (Unesp). É Diretor Presidente da Grano – Análise
econômica e estratégica, e membro do Conselho Superior de Economia da Fiesp.
Celso Luiz Moretti: Diálogos Akatu, disponível em www.akatu.net
Engenheiro Agrônomo, especialista em Marketing para a Gestão Empresarial –
UF Santa Catarina. Mestre em Pós-colheita – Universidade Federal de Viçosa e
Doutor em Pós-colheita, Universidade Federal de Viçosa/University of Florida.
Professor visitante da UNICAMP, orientador e co-orientador de dissertações e
teses de mestrado e doutorado da Universidade Federal de Lavras, UNICAMP,
Universidade de São Paulo e Universidade de Brasília. É pesquisador do
Laboratório de Pós colheita da Embrapa Hortaliças, desde 1994, e Gerente de
Comunicação e Negócios da Embrapa Hortaliças.
Oriana White: Diálogos Akatu, disponível em www.akatu.net
psicóloga, graduada pela USP, mestre em Marketing pela USP e doutoranda da
ECA-USP. Há vinte anos trabalha em institutos, agências de propaganda e, nos
últimos treze anos tem seu próprio instituto de pesquisa, a CPM Research.
Helio Mattar: Diálogos Akatu, disponível em www.akatu.net
Engenheiro de produção formado pela Escola Politécnica da USP, mestre e
PhD em Engenharia Industrial pela Universidade de Stanford. Foi secretário
de Desenvolvimento de Produção do Ministério do Desenvolvimento,
Indústria e Comércio, membro fundador do Pensamento Nacional das Bases
Empresariais (PNBE) e do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade
Social, do qual é diretor e membro do Conselho Deliberativo. Atualmente é
diretor presidente do Instituto Akatu pelo Consumo Consciente e diretor
presidente da Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança e do Adolescente.
Carlos Emediato: Diálogos Akatu, disponível em www.akatu.net
Sociólogo, mestre em Ciência Política, doutor em Educação pela
Universidade de Stanford, professor de Estudos de Políticas Públicas da
Escola de Governo da Fundap, diretor do Instituto de Estudos de Futuro e
coordenador da Rede Global de Educação para a Paz.
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