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Caderno especial do Jornal do Comércio
Sexta-feira, 18 de dezembro de 2015
POLÍTICA | ELEIÇÕES MUNICIPAIS
Partidos ambicionam cidades-polo do Interior
Marcus Meneghetti
marcus@jornaldocomercio.com.br
Em Caxias do Sul e Pelotas, os prefeitos
pretendem buscar a reeleição; em Canoas
e Santa Maria, os vices querem apoio
dos atuais gestores. Esses são os quatro
maiores municípios do Interior do Rio
Grande do Sul - todos com mais de 200
mil eleitores - e, por isso, considerados
estratégicos pelos partidos na disputa do
ano que vem. Em todos eles, pode haver
Em Santa Maria, são
sete nomes cotados
Caxias do Sul deve
ter cinco candidatos
Embora o prefeito de Caxias do Sul tenha
anunciado que só vai decidir se concorre à reeleição em março de 2016, a tendência é que
seja candidato. Alceu Barbosa Velho foi vice de
José Ivo Sartori (PMDB) quando o peemedebista foi prefeito de Caxias, por dois mandatos consecutivos (2005-2012). Com o apoio de
Sartori, venceu as eleições passadas, em 2012,
no primeiro turno, com 57,2% dos votos.
O pedetista já tem dois adversários: o vereador Daniel Guerra (PRB) e o servidor municipal aposentado Francisco Corrêa (P-Sol)
— ambos já se lançaram como pré-candidatos
pelos seus partidos.
O PP estuda lançar o empresário Ovídio
Deitos, embora o seu partido faça parte da
base aliada do atual governo (composta por 19
siglas). Deitos se filiou ao PP no início de 2015,
depois de passar 17 anos no PT.
O nome do deputado federal Pepe Vargas
(PT) é cotado dentro da legenda. O petista está
no terceiro mandato na Câmara dos Deputados e, no governo da presidente Dilma Rousseff (PT), foi ministro do Desenvolvimento Agrário, das Relações Institucionais e dos Direitos
Humanos.
De qualquer forma, o presidente do diretório caxiense do PDT, Edson Néspolo, disse
que, independentemente dos adversários, os
pedetistas vão articular para manter a base
aliada do atual prefeito. “O prefeito está super
bem avaliado. E vamos trabalhar para manter
a atual base nas eleições do ano que vem”, projetou Néspolo.
O PMDB e o PP são os partidos que lideram
em número de prefeituras no Rio Grande do
Sul. Mas, em relação às eleições municipais
anteriores, os dois partidos caíram no ranking.
O PMDB tem hoje 134 prefeitos, menos sete
do que as conquistadas em 2008 (141), e o
PP administra 133 municípios, menos 13 de
quando liderava com 146 prefeituras. O PT
subiu da quarta para a terceira posição e tem
hoje 73 prefeitos, seguido do PDT, com 70. Os
petistas ampliaram em 13 o número de vitórias
de 2008 para 2012. O PDT conquistou um
prefeito a mais. A distribuição de prefeituras
entre os partidos está mais pulverizada. Em
2008, 11 partidos comandavam municípios
gaúchos. Hoje, são 14, com o acréscimo do
PPL, PSC e PV, todos administrando
uma prefeitura.
Pelotas está na mira de cinco siglas
O presidente municipal do PSDB,
Enéias Clarindo, sustenta que “tudo se
encaminha para a candidatura à reeleição de Eduardo Leite”. O prefeito foi
eleito em segundo turno, com 57,1%
dos votos. Antes, tinha sido vereador
por dois mandatos (eleito em 2004 e
2008).
O prefeito governa com uma base
aliada composta por oito partidos. Entre eles o PP, que está dividido entre
duas possibilidades: apoiar Eduardo
Leite, sob a condição de indicar o vice;
ou lançar a candidatura do ex-prefeito e ex-deputado federal Adolfo Fetter Júnior. Alguns partidos de oposição à atual gestão — como PDT, PT
e P-Sol — cogitam lançar candidatura
eleição em segundo turno se o primeiro
colocado não alcançar 50% mais um dos
votos do eleitorado. Depois da capital
gaúcha, Caxias do Sul é o segundo maior
colégio eleitoral do Estado, seguido por
Pelotas, Canoas e Santa Maria.
própria à prefeitura. O P-Sol quer lançar o primeiro suplente de deputado
estadual, Jurandir Soares, que foi candidato a prefeito em 2012.
No PT, dois nomes são cogitados:
o do deputado federal Fernando Marroni e o da deputada estadual Miriam
Marroni. Fernando, que já governou
a cidade de 2001 a 2004, perdeu as
eleições em 2012 para Eduardo Leite.
Miriam foi vereadora de Pelotas quatro vezes e, na gestão de Tarso Genro
(PT, 2011-2014), foi secretária-geral
do governo. O PDT pode escolher entre dois vereadores: Marcus Cunha ou
Anselmo Rodrigues, que governou o
município em duas ocasiões (em 1988
e 1996).
Em Santa Maria, o imbróglio gira em torno do nome que deve contar com o apoiado
do atual prefeito. Cezar Schirmer (PMDB), que
está concluindo o segundo mandato, pretende apoiar a candidatura do seu vice, o ex-deputado estadual José Farret (PP) — que já governou a cidade duas vezes. O problema é que
o vice está inelegível por uma condenação na
Justiça Federal: Farret, que é médico, teria assinado receitas para um paciente que estava
morto. “Conhecia o paciente de longa data e
não sabia que já havia falecido. Não devia, mas
fez de boa-fé”, explicou o presidente do PP local, Luiz Gonzaga Trindade.
Segundo o dirigente, há um pedido de medida cautelar para suspender a decisão. Para
ele, não há outro nome tão forte para concorrer pela sigla. E os aliados devem avalizar a cabeça de chapa do PP apenas se Farret estiver à
frente. “Esperamos o apoio de seis a sete partidos”, projetou Trindade.
Caso Farret consiga concorrer, há pelo menos seis nomes que podem disputar a prefeitura com ele. Dois deputados estaduais são
cotados para concorrer: Jorge Pozzobom pelo
PSDB e Valdeci Oliveira pelo PT (o petista já foi
prefeito de Santa Maria duas vezes). O PSB cogita lançar Fabiano Pereira, que
foi secretário da Justiça de Tarso Genro (PT).
O PDT estuda o nome do vereador Marcelo Bisogno, que foi secretário nas gestões de Valdeci e Schirmer. O PSD tem o cirurgião-dentista
Moacir Alves, e o PR, o ex-secretário de Turismo na gestão de Valdeci, Paulo Ceccim.
Canoas é alvo de oito partidos
O prefeito de Canoas, Jairo Jorge
(PT), anunciou que vai apoiar a candidatura da vice, Beth Colombo (PP), em
2016. No seu segundo mandato, ele
foi considerado o prefeito mais bem
avaliado entre as cidades do Rio Grande do Sul, com aprovação de 75,3%
dos entrevistados em levantamento
do Instituto Methodus.
O PT acordou que vai indicar o
vice. Entretanto, Beth pode não concorrer pelo PP, seu atual partido, pois
há a possibilidade de ela migrar para
o PSB ou o PRB.
Entre os possíveis adversários da
vice-prefeita está o secretário municipal de Obras, Dario Francisco da Silveira (PDT), cujo partido estuda sair
da coligação que elegeu Jairo Jorge
duas vezes. Dario se licenciou da vaga
de vereador para assumir a pasta de
Obras.
O deputado federal Luiz Carlos
Busato (PTB) é o nome mais cotado
entre os petebistas, que pretendem
lançar candidaturas próprias nos
maiores colégios eleitorais do interior,
incluindo Canoas. O PMDB cogita lançar a candidatura do vereador Cezar Paulo Mossini.
Ele está no terceiro mandato consecutivo na Câmara Municipal de Canoas.
O PSDB e a Rede também querem ter
candidatos: Felipe Martini é o nome
mais provável entre os tucanos, e Gisele Uequed, pelo partido estreante.
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