ESTUDO DA FORMAÇÃO RIO CLARO NA VOÇOROCA MÃE PRETA, MUNICÍPIO DE
RIO CLARO, SÃO PAULO
BATISTON, D. A.; CARNEIRO, H. P.; CEZAR, L.; COSTA, F. G.; ENGELBRECHT, B. Z.; FUMES, R. A.; MENEGHEL, E. C.; SOUZA, T. P.
LEITE, W. B. (tutor)
petgeologia@yahoogrupos.com.br
INTRODUÇÃO
A Formação Rio Claro (FRC) é a unidade geológica que sustenta parte do
município de Rio Claro, situado na região centro-leste do estado de São Paulo. A
FRC tem sido estudada desde 1960, face a sua importância para o planejamento
urbano e rural e como fonte de areia para a construção civil e indústria de vidro e
de água subterrânea para o abastecimento de domicílios e indústrias do
município. A FRC tem idade Pleistocênica (~180.000 anos atrás) e é constituída
principalmente por arenitos mal consolidados intercalados com camadas de
argilitos e lamitos. A voçoroca do bairro Mãe Preta, embora já estabilizada, é
uma das maiores do município e foi selecionada com o objetivo de se conhecer
em detalhe as características litológicas da FRC, para servir de base para os
trabalhos de monitoramento e de recuperação urbanística futura.
ARENITO
Sedimento areno-argiloso avermelhado.
ARGILITO
Base de argilito avermelhado (~50,0 cm) com
manchas brancas e roxas, maciças. Camada de
arenito alaranjado entre lentes de argilito siltoso (<
6,0 cm). Em sequência, arenito fino a médio,
esbranquiçado na base e alaranjado na parte
superior.
ARENITO
Base de argilito siltoso arroxeada com o topo
esbranquiçado. Camada de argilito avermelhado,
intercalada por arenitos fino a médio. Seguida de
uma camada de arenito grosso amarelado. No topo
da seqüência uma camada de arenito fino a médio
amarelado, com camadas avermelhadas e
esbranquiçados.
ARENITO
METODOLOGIA
Realizaram-se levantamentos do perímetro da voçoroca e da rede de
drenagem, bem como da litoestratigrafia em pontos previamente selecionados
(Figura 1). Com as colunas estratigráficas elaboradas, pode-se correlacioná-las
para compreender melhor o local de estudo.
Nível do córrego (início da coluna), arenito fino
superior a médio inferior, com seixos transportados
pela
drenagem.
Arenito
amarelado
com
granulometria variando de fino a médio, com
camadas esbranquiçadas (< 5,0 cm) e alaranjadas
(< 3,0 cm). Fina camada de argila (< 4,0 cm) de
coloração roxo esbranquiçado, seguida de arenito
com granulação fina a média.
ARGILITO
ARENITO
RESULTADOS E DISCUSSÕES
A rápida expansão urbana sem planejamento adequado nas últimas décadas
aliada às características litológicas da FRC proporcionou a formação de várias
voçorocas na área urbana com alto poder de erosão.
Figura 3: Coluna estratigráfica do
afloramento C (ver Figura 2).
Bairro Mãe Preta
D
Arenito marrom avermelhado com grãos finos.
ARENITO GROSSO A
CONGLOMERÁTICO
N
C
Intercalação de arenitos com lentes de argilito e arenito
grosso a conglomerático. Estas últimas são vermelho
amarronzadas com granulometria variando de areia
grossa a seixo. Os arenitos possuem colorações
amarelada ou esbranquiçada com grãos médios a
grossos; as lentes de argilito são brancas com tons
avermelhados.
B
A
ARENITO
Base com arenito amarelado de granulometria muito
fina e lentes de argilito vermelho esbranquiçado. Em
seguida há arenito amarelado de grãos médios a
grossos. Argilito com coloração branca, roxa e
avermelhada, seguido por arenito amarelado de grãos
grossos com lente de argilito.
Whirlpool – unidade
Rio Claro
Figura 1: à esquerda, localização do município de Rio Claro na Formação Rio
Claro, estado de São Paulo. À direita, perímetro da voçoroca do bairro Mãe Preta
(—) e rede de drenagem (—). A, B, C e D pontos onde realizaram-se as colunas
estratigráficos (ver Figura 2).
No local predominam camadas de arenitos friáveis com tons amarelados,
alaranjados, avermelhados e esbranquiçados com granulação variando de areia
fina a grossa a conglomerática, intercaladas com camadas de argilitos e siltitos
vermelhos com tons esbranquiçados e arroxeados com espessuras variando de 2,0
a 50,0 cm. Linhas descontínuas de seixos aparecem nas camadas de arenitos.
Sedimentos areno-argilosos de coloração vermelha e com espessura de até 3,0 m
recobrem as camadas superiores de arenito (Figuras 3 e 4). A partir da
caracterização litoestratigráfica, verificou-se a correlação entre as colunas
realizadas (Figura 5).
ARGILITO
Figura 4: Coluna estratigráfica do
afloramento B (ver Figura 2).
ARENITO
Coluna D
Coluna Zaine
ARENITO
GROSSO
A
Coluna Zaine
Coluna C
ARENITO
CONGLOMERÁTICO
ARENITO
GROSSO
Coluna B
B
Coluna A
B
A
ARGILITO
Figura 5: Correlações estratigráficas – comparação das colunas realizadas
(afloramentos A, B, C e D – ver Figura 2) e a de Zaine (1994). (A) arenito
conglomerático amarelado, mal consolidado, com linha de seixos. (B) contato
entre argilito sob arenito.
C
D
E
CONCLUSÃO
O domínio de arenitos com pequena coesão, grande permeabilidade e com
intensa alteração pedogênica favoreceu o desenvolvimento da voçoroca, entre
outros fatores tais como a remoção da cobertura vegetal e o fluxo concentrado de
águas pluviais.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Figura 2: (A, B, C e D) vista geral dos afloramentos onde realizaram-se as
colunas estratigráficas; (E) detalhe do arenito amarelado com fraca litificação do
afloramento (D).
MELO, S. M.; COIMBRA, M.A. G. Revista IG, SP, v. 2, n. 18, p. 49-63, 1997.
OLIVA, A. CHANG, H. K. Geociências, Rio Claro – SP, v. 26, n. 1, p. 27-34, 2007.
PERINOTTO, J. A. J. Geociências, Rio Claro – SP, v. 25, n. 3, p. 297-306, 2006.
ZAINE, J. E. Rio Claro: IGCE, UNESP, 1994. 90p. (Dissertação de Mestrado).
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Figura 2