ENGENHARIA
ENGENHARIA II ELÉTRICA
CAPA
I ENGENHARIA
ESPECIAL
RODOVIAS
Sistema de alimentação
elétrica da CPTM: os desafios
das novas implantações
JOSÉ ANTÔNIO DE FILIPPI*
retirados de subestações existentes, não ope­
racionais, algumas em estado de deterioração
de muitos de seus equipamentos;
• chegada dos trens novos espanhóis
A Estação Brás se chamava Presiden­
te Roosevelt, a frota de material rodante era
quase toda tracionada a motores de corrente
contínua; não era raro usuários surfarem no
teto externo dos trens.
As contratações de energia junto às con­
cessionárias eram feitas com base na saudosa
“demanda integrada”, ou seja, contratávamos
uma única demanda que refletia a soma das
demandas de todas as subestações supridas;
isso nos propiciava razoável flexibilidade
operacional e não incidência de multa por ul­
trapassagem global, pois sempre existia for­
ma de se compensar que a ultrapassagem da
demanda de 1 subestação fosse contrabalan­
çada pela diminuição de algumas das outras
integrantes do “pacote”.
O sistema de proteção de corrente alter­
nada dominante era apoiado em relés eletro­
mecânicos; tínhamos ainda muitos disjun­
tores com pequeno volume de óleo (PVO)
como meio isolante e extintor de arco.
Os disjuntores extra­rápidos de 3 kVCC
(HSCB ­ High Speed Circuit Breaker) basi­
camente contavam com unidade de relé dire­
to, percorrido pela própria corrente de carga;
só podiam ser ajustados para um único va­
lor de corrente e, assim, não discriminavam
correntes de curtos não francos daquelas de
partidas de trens.
Ainda hoje temos grande quantidade
desses “disjuntossauros” que heroicamente
tem nos servido durante décadas e que estão
sendo respeitosamente encaminhados para o
clube da 3ª idade tecnológica.
Na época, contava a CPTM com 15 su­
bestações retificadoras de tração que soma­
vam 117 MW de potência instalada.
No período aproximado de 1997 a 2009,
­12 anos, as implantações necessárias não
ocorreram na velocidade tecnicamente de­
sejada. Entretanto, ao final desse período o
número de subestações retificadoras pulou
para o total de 22 e a respectiva potência ins­
talada para 183 MW, crescimento de 46% e
56%, respectivamente em relação a 1997.
MUDARAM-SE OS TEMPOS
E NECESSIDADES
No entorno de 2005, novas diretrizes
mais desafiantes foram estabelecidas pela
CPTM em relação a novas metas, orientadas
para a necessidade do substancial aumento
da capacidade de oferta de transporte para os
anos subsequentes.
Elas implicavam, particularmente, na di­
Subestação Jandira 138/88 kVCA - vista geral do pátio externo
minuição substantiva dos headways (inter­
valo entre trens) em suas linhas, ao lado da
melhoria da qualidade do serviço prestado (aí
incluídos aspectos de regularidade, conforto,
segurança, eficiência, eficácia e outros atri­
butos de desempenho).
A decisão desencadeou necessidade de
aquisições, implantações e melhorias em to­
dos os sistemas envolvidos, destaque para o
Material Rodante, Rede Aérea, Sinalização,
Telecom e o Sistema de Alimentação Elétrica.
Particularmente para este último, em
se considerando o período de 2008 a 2015,
podemos destacar substanciais investimen­
tos na contratação de obras de reformas e
recapacitação de instalações existentes com
atualização tecnológica de equipamentos e
implantações de novas instalações.
Nesse período, 2008­2015, a meta é a de
que no Sistema de Alimentação Elétrica sejam
incrementadas 8 subestações retificadoras
novas e 78 MW de potência instalada. Esses
ACERVO DA DIRETORIA DE ENGENHARIA DA CPTM
exendo nos meus alfar­
rábios, encontrei um re­
latório, datado de 30 de
abril de 1997, de um Gru­
po de Trabalho, do qual
participei, constituído por Ato do Presidente,
para diagnosticar a situação do Sistema de
Alimentação Elétrica da CPTM na ocasião.
O documento, o qual fui encarregado de
relatar, deveria mostrar a “radiografia” dos
problemas existentes no sistema e propor me­
didas para regularizá­los e ampliá­lo para o
atingimento de metas da empresa na ocasião.
Nele encontramos menção a:
• substituição de “2 retificadores de 2 MW,
de vapor de mercúrio, na Subestação de
Campo Limpo por 2 outros com retificadores
a silício;
• reformas e implantações para atingir hea­
dways de 8 minutos no pico e 16 no vale nas
linhas A (hoje 7­Rubi) e D (hoje 10­Turquesa);
• continuidade ou não do contrato 015­ B/82
da CBTU/Cegelec, que tinha em seu escopo a
implantação de Subestações novas, mas cuja
continuidade estava comprometida por limi­
tações orçamentárias;
• negociações sobre aproveitamento de equi­
pamentos pertencentes à Fepasa e oriundos
do Plano de Eletrificação do Corredor de
Exportação; os equipamentos deveriam ser
Subestação Jaraguá 34,5 kVCA (nova) - vista geral do pátio externo
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valores significam crescer 36 % no número
de subestações e 42 % em potência instalada
nesse curto período de 7 anos.
Devermos ter, assim, ao final de 2015, to­
tal de 30 Subestações de Tração operacionais
com 263 MW de potência instalada.
Resumimos o escopo das mais recentes
contratações firmadas para o atingimento
das metas e valores supra citados:
• 4 subestações novas a serem construí­
das, 2 subestações existentes a serem repo­
tencializadas / reformadas, 16 existentes que
terão substituídos seus disjuntores de 138
kVCA e/ou 34,5 kVCA;
• acréscimo de 19 Cabines de Secionamento e
Paralelismo novas e melhorias em 13 já exis­
tentes na Rede de 3 kVCC, aumentando seu
desempenho e flexibilização, seja em condi­
ções normais de operação, seja em condições
contingenciais de confinamento dos efeitos
de curto­circuitos na rede. Na melhoria das
cabines existentes há que se destacar a subs­
tituição de cerca de 260 unidades dos atuais
disjuntores extra­rápidos de 3 kVCC de tec­
nologia ultrapassada e vida útil de há muito
esgotada, por outros, novos, de última gera­
ção, 4000 A, dotados de relés inteligentes e
microprocessados;
• repotencialização de Subestações Abai­
xadoras de 138/88 kVCA ­ 34,5 kVCA, novas
e existentes;
• construção de 42 km de novas linhas de dis­
tribuição própria em 34,5 kV, circuito duplo.
Essa decisão tenta contornar a exiguidade
de terrenos disponíveis para construção de
subestações com entrada em 138/88 kVCA,
o elevado custo e demora para suas desa­
propriações, a indisponibilidade de linhas de
concessionárias nas imediações dos locais de­
sejados. Esses aspectos restritivos conduzem
à necessidade de aumento da rede própria
para a concepção de subestações no nível de
tensão de 34,5 kVCA; suplementarmente essa
filosofia propicia maior confiabilidade e flexi­
bilidade operacionais no desempenho dessas
instalações por conta da possibilidade de in­
terligação desse tipo de subestações através
das linhas de 34,5 kVCA;
• enquadramento às novas exigências dos ór­
gãos de preservação ambiental.
Todas essas instalações de potência con­
tarão com sistema de telecontrole (supervi­
são, comando e indicação de estado opera­
cional dos elementos de manobra, alarmes e,
se necessário, telemedições) a partir do Cen­
tro e Controle Operacional do Brás.
As atividades de implantação ocorrerão
em grande parte de forma quase simultânea
em todas as linhas da empresa, obedecendo a
cronogramas estabelecidos, não muito elás­
ticos.
Exigirão profundo expertise das contra­
tadas nas logísticas de ataque à obra, convi­
vência com outras obras no mesmo período,
acompanhamento muito próximo de sua
evolução para manutenção do cronograma,
grande celeridade na tomada de decisões e
ações para compensar desvios das progra­
mações estabelecidas. E tudo isso tendo
ainda o compromisso da minimização de im­
pactos na operação normal dos trens.
O trabalho será hercúleo e desafiador. Só
nos restarão 2 alternativas: conseguir ou ...
conseguir. Conseguiremos!
* José Antônio de Filippi é engenheiro
eletricista, Assessor Técnico Executivo da
Gerência de Projetos e Montagens de Sistemas
da Diretoria de Engenharia e Obras da CPTM
E-mail: jose.filippi@cptm.sp.gov.br
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