Literatura
Memorial de Maria Moura
“Naquele dia, na igreja, eu mesma
nunca entendi por que fui me confessar.
Talvez só para tomar coragem. De certa
forma, quem sabe para ter Deus do meu
lado. Era uma espécie de recurso
desesperado, eu não sabia que fazer de
mim. Só sabia que tinha de matar o
Liberato.”
Rachel de Queiroz
01. Sobre Memorial de Maria Moura, de Rachel de
Queiroz, pode-se afirmar que:
0-0) o romance é ambientado na zona rural do
Nordeste. Conta a trajetória de uma mulher
que, perdendo os pais e tendo problemas com
o padrasto, a quem manda matar, e com
primos, que querem tomar-lhe a propriedade,
foge, com alguns capangas e auxiliares, para o
sertão. Lá na serra, constrói uma Casa Forte,
de onde domina a região, transformando-se
numa espécie de fora-da-lei, chefe de um
bando que obedece às suas ordens cruéis e
autoritárias.
1-1) os capítulos da obra dão voz a vários
personagens; por isso, cada um deles tem suas
diferenças de estilo.
2-2) o personagem que abre o romance é o padre,
que ouve a confissão de Maria Moura, ainda
jovem de 17 anos. Ao aderir ao bando, ele toma
o nome de Beato Romano.
3-3) a narradora central é a própria Maria Moura. No
entanto, também tem voz na narrativa, fazendo
o contraponto, o Beato Romano, os primos
Irineu, Tonho e Marialva, mulher de Valentim.
João Rufo, o fiel empregado e protetor, não
aparece como narrador em nenhum dos
capítulos, não tendo, portanto, voz própria.
4-4) a linguagem do romance é forte, crua e
descreve personagens bem delineados. Ao
final, Maria Moura se envolve em luta com a
polícia e morre cercada pelo bando.
Resposta: VVVVF
Justificativa:
0-0), 1-1), 2-2) e 3-3) Verdadeiros. Narram, em parte,
a história do romance. 4-4) Falso. No fim da
narrativa, Maria Moura não morre, mas parte para a
luta com seu bando.
02. O Arcadismo foi um movimento literário que teve
lugar em Vila Rica, Minas Gerais, acompanhando o
ciclo do Ouro, no século XVIII. Sobre as
semelhanças e diferenças com o movimento que o
seguiu historicamente, o Romantismo, analise as
proposições abaixo.
0-0) Ambos portam as marcas de submissão e
servilismo aos padrões estéticos europeus.
1-1) Predominou, nestes movimentos, o plágio, a
imitação e a cópia, sem nenhum traço de
originalidade.
2-2) Ambos propõem um retorno à natureza: o
Arcadismo, no sentido de uma natureza
equilibrada e bucólica, harmoniosa e pacata; o
Romantismo, no sentido de uma natureza
exuberante, selvagem e tropical, identificada
com os estados de espírito, a grandeza e as
potencialidades físicas do país.
3-3) O indianismo, em ambos os movimentos, já
surge como símbolo do povo brasileiro: o índio
é o herói que paira acima dos valores dos
colonizadores, feito à imagem e semelhança
dos cavaleiros medievais.
4-4) A obra dos poetas arcádicos já ganha
contornos
românticos,
expressando
a
subjetividade dos autores, quando descreve os
amores arrebatados, em linguagem sentimental
e emotiva.
Resposta: FFVFF
Justificativa:
0-0) e 1-1). Falsos. O Romantismo não foi uma
cópia servil dos padrões europeus, pois buscou
inspiração em temas locais, como o indianismo,
e procurou criar uma língua de expressão
brasileira (sobretudo José de Alencar). O
Arcadismo, contudo, seguia modelos em voga
nos países imperiais.
2-2) Verdadeiro. É diferente a forma como ambos os
movimentos descrevem a natureza.
3-3) Falso. Apenas o Romantismo fez do índio um
herói. No Arcadismo, o índio não foi alçado a
essa condição.
4-4) Falso. Os poetas arcádicos seguiram a tradição
clássica e não cultuaram o subjetivismo. Sua
linguagem era contida.
03. Sobre o surgimento e as características do
Romantismo, analise as seguintes afirmações.
0-0) O movimento coincide com a democratização
da arte, gerada pelas mudanças sociais,
políticas e econômicas do fim do século XVIII.
Tornou-se a expressão artística de uma nova
sociedade burguesa, em oposição à arte
neoclássica da aristocracia.
1-1) O Romantismo literário absorveu tendências do
liberalismo, que propiciou a liberdade nas artes
e, conseqüentemente, a expressão fora dos
rígidos modelos precedentes.
2-2) Foi inspirado pelas obras do francês Rousseau
e pelo movimento alemão Sturm und Drag, que
valorizava o folclórico, o popular e o nacional,
em oposição ao universalismo clássico.
3-3) Consolidou-se junto ao público europeu, em fins
do século XVIII, com o romance Werther, de
Goethe. O sucesso do romance, que culmina
com o suicídio, por amor, do jovem
personagem, desencadeia uma onda de
suicídios na Europa.
4-4) Apenas nos primeiros anos do século XIX é que
o Romantismo se sedimenta na Europa,
quando sua estética é introduzida no Brasil,
coincidindo,
portanto,
com
a
nossa
independência política.
Resposta: VVVVV
Justificativa:
0-0) Verdadeiro. O movimento corresponde à
profunda transformação da sociedade européia,
nos fins do século XVIII e início do século XIX.
1-1) Verdadeiro. Coincide o Romantismo com a
democratização da arte, gerada pela Revolução
francesa.
2-2) Verdadeiro. Estes são alguns fatos que
determinam o surgimento do movimento.
3-3) e 4-4) Verdadeiros. Fazem referência a fatos
literários e históricos da época.
04. Sobre o romance romântico no Brasil, analise as
proposições abaixo.
0-0) Não houve influência dos autores europeus na
criação de uma narrativa romântica no Brasil,
pois, além dos temas e das linguagens
diferirem muito, as obras estrangeiras não eram
divulgadas, nem traduzidas no Brasil.
1-1) Em 1844, surgiu o primeiro romance brasileiro,
A Moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo, o
qual ultrapassou a condição das narrativas
européias, pela temática e pela adaptação a
cenários brasileiros.
2-2) Inserido na linha nacionalista do Romantismo,
José de Alencar lança, em 1856, seu primeiro
romance, Cinco Minutos. Daí em diante,
procurou construir uma obra romanesca que
abrangesse todo o Brasil. Escreveu romances
históricos, regionalistas e indianistas - a maioria
situados na era colonial - e romances urbanos,
em torno do cotidiano do Rio de Janeiro, entre
os quais se situa Iracema (1865).
3-3) Manuel Antonio de Almeida, autor de Memórias
de um Sargento de Milícias (1853), seguiu a
tradição sentimental do tipo de narrativa
praticado na época. Nos seus textos, adota a
estética romântica na proposta de uma
narrativa de costumes.
4-4) Entre os objetivos do movimento romântico no
Brasil, estava o de revelar o país, pela criação
de uma literatura de expressão nacional e pela
valorização de uma língua brasileira.
Resposta: FVVFV
Justificativa:
0-0) Falso. Houve grande influência da literatura
européia, sobretudo da literatura francesa, no
Brasil. As obras estrangeiras eram traduzidas e
divulgadas.
1-1) e 2-2) Verdadeiros. Procedem as referências
feitas a Joaquim Manuel de Macedo e a José
de Alencar.
3-3) Falso. Manuel Antônio de Almeida não
escreveu dentro da estética romântica.
4-4) Verdadeiro. O Romantismo brasileiro teve os
objetivos e as características descritos na
proposição.
05. A estética anti-romântica iniciou-se na segunda
metade do século XIX, com o Realismo e
aprofundou-se com o Naturalismo. Sobre esses
movimentos, analise as proposições abaixo.
0-0) As transformações econômicas, científicas e
ideológicas possibilitaram a revolução industrial,
na qual os valores burgueses e capitalistas
suplantaram os valores românticos: a fantasia e
o mito da natureza entram, assim, em crise.
1-1) Surge, na literatura, o Realismo, movimento em
que o artista é, ao mesmo tempo, um
participante e um observador do mundo. Esse
aspecto conduz à representatividade históricosocial e à análise psicológica dos personagens,
examinados à luz do racionalismo e da
contemporaneidade.
2-2) Entre as características do Realismo brasileiro,
estão a objetividade, a impessoalidade e o uso
da linguagem regional.
3-3) O Naturalismo é um prolongamento do
Realismo, pois acrescenta uma visão
cientificista da existência, a qual inclui o
determinismo do meio ambiente, do instinto e
da hereditariedade.
4-4) O Realismo teve sua primeira manifestação
importante com a publicação de Memórias
Póstumas de Brás Cubas, de Machado de
Assis, e o Naturalismo, com Dom Casmurro, do
mesmo autor, ambos em 1881.
Resposta: VVFVF
Justificativa:
0-0) e
1-1)
Verdadeiros.
Referem-se
às
características da época do Realismo e à nova
atitude do artista diante da realidade.
2-2) Falso. O Realismo brasileiro não usou
linguagem regional.
3-3) Verdadeiro. Apresenta características do
Naturalismo.
4-4) Falso. Machado de Assis não pertenceu ao
Naturalismo nem D. Casmurro segue os
princípios de uma obra naturalista.
06. O Parnasianismo pode ser descrito como um
movimento:
0-0) essencialmente poético, que reagiu ao
sentimentalismo romântico.
1-1) cuja poesia é, sobretudo, forma que se
sobrepõe ao conteúdo e às idéias.
2-2) cuja arte tinha um sentido utilitário e um
compromisso social.
3-3) cuja verdade residia na beleza da obra, e essa,
na sua perfeição formal.
4-4) que revela preferência pela objetividade, pelos
temas greco-latinos e por formas fixas, como o
soneto.
Resposta: VVFVV
Justificativa:
0-0) e 1-1) Verdadeiros. Relatam a estética do
movimento.
2-2) Falso. A arte não tinha um sentido utilitário
nem social: era a arte pela arte.
3-3) e 4-4). Verdadeiros. Correspondem ao ideário
estético e rígido do movimento.
07. Como escola literária, o Simbolismo:
0-0) apresenta-se como uma estética oposta à
poesia objetiva, plástica e descritiva, praticada
pelo Parnasianismo, e como uma recusa aos
valores burgueses.
1-1) define-se pelo antiintelectualismo e mergulha
no irracional, descobrindo um mundo estranho
de associações, de idéias e sensações.
2-2) propõe uma poesia pura, hermética e
misteriosa, que usa imagens, e não conceitos.
3-3) foi um movimento de grande receptividade e
repercussão junto ao público brasileiro.
4-4) revolucionou a poesia da época, com o uso de
versos livres e de uma temática materialista.
Resposta: VVVFF
Justificativa:
0-0) , 1-1) e 2-2) Verdadeiros. Descrevem as linhas
gerais do Simbolismo.
3-3) e 4-4). Falsos. O Simbolismo não teve grande
repercussão no Brasil; usou versos rimados e
uma temática etérea e espiritual.
08. Nas duas primeiras décadas do século XX, surgiu,
no Brasil, o Pré-Modernismo. Sobre esse tema,
analise as proposições abaixo.
0-0) Foi um movimento com ideário estético rígido,
com linguagem altamente formal e cuja
temática dominante era a defesa do regime
republicano recém-instalado (1889).
1-1) Surgiu num período em que, em termos gerais,
predominava a estética parnasiana na poesia,
com sua valorização do mundo greco-latino e a
concepção de literatura como elaboração
formal.
2-2) Nesta época, início do século XX, foi
contemporâneo
de
alguns
simbolistas
remanescentes, que sonhavam com sensações
inefáveis, distantes da realidade.
3-3) Contrastando
com
os
simbolistas
e
parnasianos, Euclides da Cunha escreveu Os
Sertões, documento amargurado e realista,
sobre a guerra de Canudos, da qual participou
como enviado do jornal O Estado de São Paulo.
Descreveu, numa mescla de romance e ensaio
científico, uma epopéia às avessas, que foi
publicada em 1902.
4-4) Lima Barreto, outro autor da época, tem como
principal obra: O triste fim de Policarpo
Quaresma. Em seu livro, abandonou o mundo
helênico, perfeito e imaginário, descrevendo a
tristeza dos subúrbios e revelando preocupação
com fatos históricos e costumes socais. Seu
estilo era semelhante ao de Machado de Assis,
pelo refinamento lingüístico, pela forma
trabalhada, limpa e perfeita.
Resposta: FVVVF
Justificativa:
0-0) Falso. O Pré-Modernismo não foi sequer um
movimento literário. Reúne apenas vários
autores de tendências bem diversas, numa
determinada época.
1-1) e 2-2) Verdadeiros. Nesse início do século
predominava a estética parnasiana, como
também alguns simbolistas retardatários ainda
versejavam,
3-3) Verdadeiro. Trazem informações corretas sobre
Euclides da Cunha.
4-4) Falso. O estilo de Lima Barreto não tem
nenhuma relação com o de Machado de Assis:
não era refinado e, sim, descuidado.
09. O erotismo e o amor sensual podem estar presentes
na poesia de vários movimentos literários, como se
pode ver nos versos citados abaixo.
0-0) Ornemos nossas testas com as flores
e façamos de feno um brando leito
Prendamo-nos, Marília, em laço estreito,
gozemos do prazer de sãos amores.
(Tomás Antonio Gonzaga, árcade)
1-1) O amor é finalmente
um embaraço de pernas
um breve tremor de artérias
uma união de barrigas
Uma confusão de bocas
um batalha de veias
um reboliço de ancas
quem diz outra coisa, é besta.
(Gregório de Matos, barroco).
2-2) Enfim te vejo! - enfim posso,
Curvado a teus pés dizer-te,
que não cessei de querer-te
Pesar de quanto sofri.
(Gonçalves Dias, romântico).
3-3) Carnais, sejam carnais tantos desejos,
carnais, sejam carnais tantos anseios,
palpitações e frêmitos e enleios,
das harpas da emoção tantos arpejos...
(Cruz e Souza, simbolista)
4-4) Nua, de pé, solto o cabelo às costas,
Sorri. Na alcova perfumada e quente.
..........................................................
Sobe...cinge-lhe a perna a longamente;
Sobe... e que volta sensual descreve
Para abranger todo o quadril.
(Olavo Bilac, parnasiano)
Resposta: VVFVV
Justificativa:
2-2) Falso. Os versos de Gonçalves Dias não estão
impregnados de amor sensual e erotismo, mas
de
amor romântico que se compraz no
sofrimento.
0-0) 1-1), 3-3) e 4-4): Verdadeiras, pois Gonzaga e
Cruz e Souza, caracterizados por poemas
bucólicos e espirituais, deixam entrever, nestes
versos, expressões de sensualidade. O
sensualismo também se revela na poesia de
Olavo Bilac e Gregório de Matos, sendo neste
último de forma grosseira.
“Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa e fácil;
Em que espelho ficou perdida a minha face?”
(Cecília Meireles)
“Vou-me embora pra Pasárgada,
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que quero
na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.”
(Manuel Bandeira)
10. Sobre Cecília Meireles e Manuel Bandeira, podemos
afirmar que:
0-0) ambos são poetas que aderiram ao
Modernismo, embora tenham experimentado
outras tendências estéticas anteriores.
1-1) Bandeira eliminou posteriormente os resíduos
parnasianos e simbolistas de sua poesia, os
quais podem ser observados em Cinza das
Horas e Carnaval. Como se lê em sua poesia,
predominam o lirismo do eu e o subjetivismo.
2-2) Bandeira empresta à sua poesia um caráter
confidencial, mas, ao contrário dos poetas
românticos, observa-se que ironiza seus
próprios desejos, considerando-os ilusões.
3-3) Cecília Meireles, considerada uma neosimbolista, é, contudo, bastante objetiva na
construção de sua temática poética.
4-4) apesar da delicadeza de suas imagens e da
propriedade de seus símbolos, como no texto
transcrito, a poesia de Cecília tem caráter
inovador e futurista.
Resposta: VVVFF
Justificativa:
0-0) 1-1) e 2-2) Verdadeiros Estão corretas as
informações sobre os dois poetas e sobre as
tendências de Bandeira.
3-3) e 4-4) Falsos. Cecília Meireles fez uma poesia
bem subjetiva, passadista e intimista. Jamais foi
inovadora.
“São Paulo é um palco de bailados russos,
Sarabandam a tísica, a ambição, a inveja, os crimes,
E também as apoteoses da ilusão”.
(Mário de Andrade)
“Alguns anos vivi em Itabira
Principalmente nasci em Itabira.
Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro.
...........................................................
Itabira é apenas uma fotografia na parede.
Mas como dói!”
(Carlos Drummond de Andrade)
11. Algumas semelhanças e diferenças podem ser
observadas entre Carlos Drummond de Andrade e
Mário de Andrade. Analise-as.
0-0) Enquanto Mário de Andrade foi da geração de
22, que deu início ao Modernismo, Drummond é
considerado como sendo da geração de 30, a
qual, embora seguindo o que preconizava a
geração anterior, consolidou a liberdade da
forma poética e usou tanto temas universais
como intimistas.
1-1) Ambos celebram sua cidade natal (São Paulo e
Itabira), embora desencantados e sem o
ufanismo dos parnasianos.
2-2) A obra de ambos abrange prosa e poesia:
Drummond escreveu crônicas, contos e
poemas, e Mário de Andrade escreveu poemas,
contos, romances e uma rapsódia, como ele
classificou, Macunaíma, o Herói Sem Nenhum
Caráter.
3-3) Mário de Andrade, em Clã do Jabuti, inicia uma
fase de nacionalismo estético e pitoresco, que
reflete a busca do primitivismo, do ingênuo, do
folclórico, da alma nacional. A mesma
tendência pode-se verificar em Drummond, a
partir de A Rosa do Povo.
4-4) Ambos, como última fase de sua poesia,
apresentaram como novidade poemas de
temas eróticos, reunidos em livros: O Amor
Natural, de Drummond, e Amar, Verbo
Intransitivo, de Mário de Andrade.
Resposta: VVVFF
Justificativa:
0-0) Verdadeiro. São coerentes as afirmações sobre
Drummond e Mário.
1-1) Verdadeiro. Ambos são desencantados e
realistas sobre a cidade natal.
2-2) Verdadeiro. São coerentes as afirmações sobre
a obra de ambos.
3-3) e 4-4) Falsos. Drummond não teve as mesmas
tendências de busca do primitivismo e do
folclórico nem Amar, Verbo Intransitivo, de
Mário Andrade, é um livro de poemas eróticos.
12. Acerca do Romance de 30, analise as proposições
abaixo.
0-0) O ciclo do Romance Regional de 30 é um dos
principais da prosa dessa geração. É o
regionalismo
nordestino,
abordando
a
decadência da região, tendo como tema único o
êxodo rural provocado pela seca.
1-1) Graciliano Ramos, alagoano, iniciou-se na
literatura com Caetés. Tem como obras
principais Vidas Secas, São Bernardo e
Angústia, nas quais analisa a realidade da vida
rural do nordeste, com aspereza, linguagem
rigorosa, precisa e despojada, sem nenhuma
concessão sentimental.
2-2) José Lins do Rego, paraibano, aborda, em seus
livros do Ciclo da Cana-de-Açúcar, o esplendor
e a decadência dos engenhos do Nordeste e do
patriarcalismo rural. Em suas obras, mistura
biografia com ficção. Nelas predomina a
linguagem espontânea e repetitiva.
3-3) Rachel de Queiroz, cearense, escreveu como
livro de estréia, O Quinze. Sua narrativa
sintoniza-se com o regionalismo da geração de
30, em que se pode notar a pré–consciência do
subdesenvolvimento. Nesta fase de sua obra,
destaca-se, ainda, Caminho de Pedra. Mais
tarde, a escritora abandonou os temas de
denúncia social.
4-4) Jorge Amado, baiano, em um realismo precário,
mas pitoresco, descreve, em Jubiabá, as
agruras da seca do sertão baiano.
Resposta: FVVVF
Justificativa:
0-0) Falso. O Romance de 30 não teve como tema
único a seca. Tratou de vários aspectos e
problemas da região nordeste.
1-1) 2-2) e 3-3) Verdadeiros. Informam corretamente
sobre os três autores.
4-4) Falso. Jubiabá não trata de problemas rurais,
mas de problemas urbanos.
13. Moço: Toda saudade é uma espécie de velhice”.
“Amar é reconhecer-se incompleto”.
“Viver é muito perigoso”.
(Guimarães Rosa)
Os frases acima são de autoria de Guimarães Rosa.
Sobre esse autor, podemos afirmar que:
0-0) fez parte da geração de 45, cujo diferencial foi a
expansão do regionalismo, um regionalismo
universal e cósmico.
1-1) em suas narrativas, retrata o sertão das Gerais,
e a gente que lá vive: matutos, vaqueiros,
crianças, velhos, feiticeiros e loucos, sem
priorizar questões regionais.
2-2) como se vê nas frases acima, a sua linguagem
incorpora o falar coloquial dos sertanejos, com
o uso de aforismos.
3-3) não conseguiu atingir o objetivo de renovação
da linguagem literária, tendo sua obra um
caráter passadista e pouco inovador.
4-4) no conjunto de sua obra, destacam-se
Sagarana, seu livro de estréia, Corpo de Baile,
Tutaméia e um único romance, considerado sua
obra-prima, Grande Sertão: Veredas.
Resposta: VVVFV
Justificativa:
0-0) 1-1) e 2-2) Verdadeiros. As informações sobre
Guimarães Rosa estão corretas.
3-3) Falso. A obra de Guimarães Rosa foi altamente
inovadora.
4-4) Verdadeiro As informações sobre a obra de
Guimarães Rosa estão corretas.
14. “Vivo no quase, no nunca e no sempre. Quase,
quase - e por um triz escapo.”
(Clarice Lispector)
Sobre a autora e sua obra, analise as proposições
abaixo.
0-0) Clarice
causou
impacto
pelas
novas
perspectivas em que desloca o olhar do leitor
para
novos
ângulos
de
paisagens
deslumbrantes e exóticas.
1-1) Escreveu romances, contos e crônicas, em
linguagem
límpida
e
clara,
de
fácil
compreensão, pela ausência de conotações ou
metáforas.
2-2) Descrevia os processos interiores do ser em
relação consigo mesmo e com o mundo. Os
personagens são compelidos a uma dolorosa
viagem
interior,
que
resultará
numa
transformação íntima radical, como observada
no texto acima.
3-3) Em A Hora da Estrela, toma como personagem
principal uma figura desprezada pela sociedade
brasileira: a imigrante nordestina.
4-4) Influenciada pela obra de autores como Joyce e
Faulkner, a autora guarda desses modelos o
predomínio do monólogo interior e o fluxo da
consciência.
Resposta: FFVVV
Justificativa:
0-0) Falso. Clarice não descreve paisagens
exteriores. Seu interesse é pelo interior, pela
íntimo dos personagens.
1-1) Falso. A linguagem de Clarice é hermética e
introspectiva.
2-2) 3-3), e 4-4) Verdadeiros. Estão descritos
corretamente a forma como Clarice apresenta
sua linguagem,
seus personagens, as
influências que sofreu e o estilo que resultou
disso.
15. Sobre
o
teatro
brasileiro
contemporâneo,
examinemos três autores, em relação a algumas de
suas obras e características.
0-0) João Cabral de Melo Neto tem como obra mais
conhecida o auto de Natal, Morte e Vida
Severina, narrando a trajetória de um sertanejo
que abandona o agreste, rumo ao litoral. Ele
encontra, nesta migração, somente morte.
1-1) O auto de João Cabral, cujo título denuncia a
influência do teatro medieval, foi levado à cena
com música de Chico Buarque. Está dividido
em duas partes: a viagem para o litoral e a
chegada ao Recife, onde o protagonista,
Severino, encontra o mestre carpina José.
2-2) João Cabral também escreveu Auto do Frade,
uma peça sobre frei Caneca, considerado herói
de revoluções libertárias.
3-3) Ariano Suassuna foi buscar nas fontes
populares o motivo de sua dramaturgia. A sua
peça mais famosa é também um auto, Auto da
Compadecida, que tem a dimensão de uma
farsa, apresenta personagens burlescos e
ambiente circense.
4-4) Dias Gomes, autor de O Pagador de
Promessas, O Bem Amado e O Santo Inquérito,
utiliza em suas obras um tom dramático e
nacionalista; não concede espaço a tipos
caricaturais nem a temas de denúncia social.
Resposta: VVVVF
Justificativa:
0-0) 1-1) e 2-2) Verdadeiro. Coincidem com dados
sobre a vida e a obra de João Cabral.
3-3) Verdadeiro. Ariano Suassuna se inspirou em
fontes e motivos populares.
4-4) Falso O tom das obras de Dias Gomes é
farsesco e irônico, jamais nacionalista. Seus
tipos são, com freqüência, caricaturais, e a
denúncia social está presente.
Enfunando os papos
Saem da penumbra
Aos pulos, os sapos
A luz os deslumbra
Em ronco que aterra
Berra o sapo-boi
-Meu pai foi à guerra!
-Não foi!-Foi!-Não foi!
O sapo-tanoeiro
Parnasiano aguado
Diz –Meu cancioneiro
É bem martelado!
Vede como primo
Em comer os hiatos!
Que arte! e nunca rimo
Os termos cognatos
Manuel Bandeira. Os Sapos
16. Leia o poema acima e analise as proposições
inferidas do mesmo.
0-0) Faz parte da fase parnasiana do poeta e exalta
o movimento no qual se iniciou.
1-1) A preocupação dos parnasianos com detalhes
formais sem valor estético está afirmada na
quarta estrofe.
2-2) A segunda estrofe procura repetir, com
linguagem onomatopaica, o coaxar dos sapos,
comparando-o à poesia parnasiana.
3-3) Os versos transformam os sapos em símbolo
da natureza brasileira.
4-4) O poema marca o início da Semana de Arte
Moderna, e por isso faz
a apologia do
Movimento Modernista.
Resposta: FVVFF
Justificativa:
0-0) Falso. Apesar de ter sido parnasiano no início,
Bandeira adotou as tendências modernistas e
ridicularizou os parnasianos em Os Sapos.
1-1) Verdadeiro. A estrofe fala dos detalhes sem
importâncias
estética,
valorizados
pelos
parnasianos.
2-2) Verdadeiro. A liguagem imita o coaxar dos
sapos (foi-não-foi)
3-3) Falso. Os versos são irônicos e não exaltam a
natureza brasileira.
4-4) Falso. Embora o poema tenha sido enviado por
Bandeira e lido na abertura da Semana de Arte
Moderna de 22, não se refere ao Modernismo.
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