CENTRO UNIVERSITÁRIO UNA
DIRETORIA DE EDUCAÇÃO CONTINUADA, PESQUISA E EXTENSÃO
MESTRADO EM GESTÃO SOCIAL, EDUCAÇÃO E
DESENVOLVIMENTO LOCAL
TÂNIA ALVES DE SOUSA OLIVEIRA
O PROCESSO DE AVALIAÇÃO EM ARTES VISUAIS:
Perspectivas e inovações direcionadas à formação docente
Belo Horizonte
2013
TÂNIA ALVES DE SOUSA OLIVEIRA
O PROCESSO DE AVALIAÇÃO EM ARTES VISUAIS:
Perspectivas e inovações direcionadas à formação docente
Dissertação apresentada ao Mestrado em
Gestão Social, Educação e Desenvolvimento
Local do Centro Universitário UNA, como
requisito parcial à obtenção do título de Mestre.
Área de concentração:
e Desenvolvimento Local.
Inovações
Sociais
Linha de pesquisa: Educação e Desenvolvimento
Local.
Orientadora:
Quaresma
Belo Horizonte
2013
Profª.
Drª.Adilene
Gonçalves
O48p
Oliveira, Tânia Alves de Sousa
O processo de avaliação em artes visuais: perspectivas e inovações
direcionadas à formação docente. / Tânia Alves de Sousa Oliveira. – 2013.
195 f.: il.
Orientador: Prof.ª Drª. Adilene Gonçalves Quaresma
Dissertação (Mestrado) – Centro Universitário UNA, 2013. Programa de
Mestrado em Gestão Social, Educação e Desenvolvimento Local.
Bibliografia f. 192-195.
1. Prática de ensino. 2. Educação artística I.
Quaresma, Adilene
Gonçalves. II. Centro Universitário UNA. III. Título.
CDU: 37.015.31:7
Ficha catalográfica desenvolvida pela Biblioteca UNA campus João Pinheiro
Dedico esta dissertação aos meus pais Mário Estanislau de Souza e Cacilda Alves
de Souza (In memoriam) que ajudaram-me a descobrir as primeiras letras e
incentivaram-me nos meus primeiros estudos.
Ao meu esposo José Ramos de Oliveira pelo silêncio, pela espera, pelo carinho,
compreensão e apoio nas longas noites de estudo e digitação.
Aos meus filhos: Prof.Robinson, Dr.Roberson e a esposa Dra.Lúcia Maria, Dra.Rita
de Cássia e o esposo Alex por compartilharem o meu sonho de ser mestra.
Aos meus netos queridos: Leonardo, Lucas e Guilherme pelo amor, respeito e o
doce encanto do sorriso contagiante que inebria a minha alma.
Obrigada!
AGRADECIMENTOS
Agradeço a Deus pela imensa graça de proteger-me, abençoar-me e permitir que eu
chegasse até aqui.
Agradeço à professora e doutora Lucília Regina de Souza Machado e à professora e
doutora Matilde Meire Miranda Cadete, pessoas adoráveis que me receberam
carinhosamente e foram o meu primeiro contato com a UNA.
Ao corpo docente do Mestrado em GSEDL do Centro Universitário UNA, por
compartilhar saberes e contribuir na construção dos meus conhecimentos: Dra.
Lúcia Afonso, Dra.Ediméia, Dra. Eloísa, Dra. Áurea, Dr. Cláudio, Dra. Wânia, Dra.
Raquel, Dra. Lucília, Dra. Matilde, Dra. Adilene. Muito obrigada pelas contribuições
valiosas!
À minha orientadora Professora e Doutora Adilene Gonçalves Quaresma, pelos
ensinamentos, orientação competente demonstrada durante esta trajetória e por
fazer parte deste momento especial na minha vida. Muito obrigada!
Aos funcionários da biblioteca e da secretaria, à Prof. Gilmara Machado, o meu
muito obrigada, pela forma carinhosa de atenderem minhas solicitações.
Aos colegas de Mestrado pela amizade, companheirismo: Cleudes, Celina, Letícia,
Aparecida, Conceição, enfim, todos vocês que estiveram juntos compartilhando os
mesmos ideais. Obrigada pelo alegre e feliz convívio!
É na medida em que avaliados e avaliadores dialoguem,
instituições e sistemas se sintonizem e inteligências
múltiplas se complementem que a avaliação irá
emergindo propulsora das necessárias transformações
educacionais e sociais e de advogada dos direitos
humanos. (PENNA FIRME)
RESUMO
Esta pesquisa discute o processo de avaliação em Artes Visuais no contexto das
orientações contidas na Política Educacional no processo ensino-aprendizagem para
o Ensino Fundamental e Médio. Toma por referência pesquisa bibliográfica e
empírica realizada em três estabelecimentos de Ensino Fundamental e Médio
situados na cidade de Belo Horizonte. O quadro teórico compreende as discussões
de Fernandes (2009); Freitas et al (2011); Gardner (2010); Gomes (2003);
Hernández (2000); Liblik (2005); Luckesi (2009); Penna Firme (2005); Perrenoud
(1999); Sant’anna (2010) e outros. A abordagem compreende: o objetivo e estrutura
do texto; discute o conceito, as características e funções da avaliação
que
convergem na perspectiva da política educacional; discute-se os instrumentos de
avaliação usados na escola; analisa-se os dados coletados e nas considerações
finais são apresentadas algumas questões que requerem um debate aprofundado,
tendo em vista avançar na construção de uma metodologia inovadora da avaliação
no processo de ensino-aprendizagem, especificamente, aplicáveis às Artes Visuais.
Palavras-chave:
Avaliação.
Ensino-aprendizagem.
Educacional. Desenvolvimento Local.
Artes
Visuais.
Inovação
ABSTRACT
This research discusses the evaluation process in Visual Arts in the context of the
guidelines contained in the Educational Policy in the teaching- learning for primary
and secondary education. Takes for reference and empirical literature search
conducted in three schools of elementary and high school located in the city of Belo
Horizonte. The theoretical framework includes discussions of Fernandes (2009 );
Freitas et al (2011); Gardner (2010); Gomes (2003); Hernández ( 2000); Liblik
(2005); Luckesi (2009) ; Penna Firme (2005 ); Perrenoud (1999 ); Sant'anna (2010 )
and others. The approach includes: the purpose and structure of the text, discusses
the concept, characteristics and functions of evaluation that converge in the
perspective of educational policy; discusses the assessment instruments used in
school; analyzes the data collected and in the final considerations are some issues
that require a detailed discussion in view, move forward in building an innovative
methodology of assessment in the teaching-learning process, specifically applicable
to the Visual Arts.
Keywords : Evaluation . Teaching and learning. Visual Arts . Educational Innovation.
Local Development .
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
AV – Artes Visuais
CBC – Conteúdos Básicos Comuns
CEP – Comitê de Ética em Pesquisa
CNE – Conselho Nacional de Educação
CONEP – Conselho Nacional de Ética em Pesquisa
CRV – Centro de Referência Virtual
DBAE – Discipline Basic Art Education
DCE – Diretrizes Curriculares da Educação
ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente
ED – Escola de Design
EF – Ensino Fundamental
EM – Ensino Médio
ENEM – Exame Nacional do Ensino Médio
IPASE – Instituto de Previdência e Assistência Social dos Servidores de Estado
ISJB - Inspetoria São João Bosco
LDB – Lei de Diretrizes e Bases
MEC – Ministério da Educação e do Desporto
PAAE - Programa de Avaliação da Aprendizagem Escolar
PAC – Prova por Área do Conhecimento
PCN – Parâmetros Curriculares Nacionais
PIP – Plano de Intervenção Pedagógica
PMDI – Plano Mineiro de Desenvolvimento Integrado
PPP – Projeto Político Pedagógico
PROEB – Programa de Avaliação da Educação Básica
UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a
Cultura
SAEB – Sistema de Avaliação do Ensino Básico
SEE – Secretaria de Estado da Educação
TCLE – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
UEMG – Universidade do Estado de Minas Gerais
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO
1
BREVE HISTÓRICO SOBRE O ENSINO E A AVALIAÇÃO EM ARTE
NO BRASIL E AS CORRENTES PEDAGÓGICAS
1.1
13
21
As fases do ensino e da avaliação em Arte na escola no contexto das
correntes pedagógicas
25
1.1.1 Primeira fase: Ensino e avaliação na Escola Tradicional
25
1.1.2 Segunda fase: Ensino e avaliação na Escola Nova
29
1.1.3 Terceira fase: Ensino e avaliação na Escola Tecnicista
30
1.1.4 Quarta fase: Ensino e avaliação na Escola Construtivista/Cognitivista
31
1.1.5 Quinta fase: Ensino e avaliação na Escola Progressista
33
1.2 .Perspectivas do ensino e avaliação em Arte no século XXI
37
2
CONCEITOS, CARACTERÍSTICAS E FUNÇÕES DA AVALIAÇÃO
NO PROCESSO ENSINO-APRENDIZAGEM
43
2.1
Avaliação da Aprendizagem em Artes Visuais
64
3
INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO
88
3.1
Os Instrumentos usados na avaliação em Artes Visuais
92
3.2
O Portfólio na aprendizagem em Arte
99
3. 3 Processos e instrumentos para a avaliação Autêntica
113
3.3.1 Critérios para a avaliação Autêntica
115
3.4
Efeitos aversivos das práticas de avaliação da aprendizagem escolar 119
4
PERCURSO METODOLÓGICO DA PESQUISA
123
5
APRESENTAÇÃO, ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS DADOS
129
5.1 O que dizem os documentos
129
5.2 O que dizem as entrevistas
138
6
CONSIDERAÇÕES FINAIS
187
REFERÊNCIAS
192
APÊNDICES
APÊNDICE A – CONTRIBUIÇÃO TÉCNICA DA DISSERTAÇÃO
APÊNDICE B – ROTEIRO DAS ENTREVISTAS
ANEXO A – TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO
ANEXO B – AUTORIZAÇÃO PARA COLETA DE DADOS
ANEXO C – TERMO DE AUTORIZAÇÃO PARA USO DE IMAGENS E
DEPOIMENTOS
ANEXO D – TERMO DE COMPROMISSO DE CUMPRIMENTO DA
RESOLUÇÃO 196/96
ANEXO E – PARECER CONSUBSTANCIADO DO COMITÊ DE ÉTICA
EM PESQUISA
13
INTRODUÇÃO
O processo de avaliação do ensino-aprendizagem em Artes Visuais, de um modo
geral, configura-se como parte integrante do processo educacional e acompanha as
transformações na educação e na escola que decorrem das transformações na
sociedade.
A avaliação tem sido um assunto de amplo debate e discussão, extremamamente
polêmico e contemporâneo. Houve muitas mudanças na educação e também na
avaliação como parte desse processo. A avaliação é um tema ainda em construção,
principalmente aquela centrada na Arte, em particular.
Ao apresentar a necessidade de sanar a insuficiência de conhecimentos no campo
da avaliação em Arte por alguns alunos do oitavo período, docentes em formação do
curso de Artes Visuais – Licenciatura, alguns egressos e docentes atuantes;
a
ausência de parâmetros que fundamentam a avaliação, necessária para o ensino,
para alunos e para professores; a falta de domínio e competência dos princípios
subjacentes na área de Arte; a falta de aprofundamento da discussão sobre
avaliação da aprendizagem, verdadeiro nó górdio da educação brasileira, constatase a não preparação dos docentes para a nova realidade e a necessidade de
pesquisa vinculada à avaliação.
No que se diz sobre a avaliação, enquanto uma atividade teórica e prática, não
existe um paradigma amplamente aceito. Existe, isto sim, uma grande variedade de
modelos e, entre eles, a respeito de uma melhor maneira de avaliar, pouco se
concorda. É necessário transformar o discurso avaliativo em mensagem que faça
sentido, tanto para quem a emite quanto para aquele que a recebe. O maior
interesse de um processo de avaliação deveria recair no fato de se tornar
verdadeiramente informador. A avaliação precisa tornar-se o momento e o meio de
uma comunicação social clara e efetiva sobre o processo ensino-aprendizagem,
principalmente indicando as dificuldades enfrentadas e as capacidades adquiridas,
tanto por parte do professor como do aluno. É necessário que ela sempre forneça ao
aluno informações sobre seus erros e dificuldades, bem como o êxito adquirido na
14
aprendizagem, para que ele possa compreender e sentir que lhe são úteis. O
professor precisa tentar encontrar uma postura avaliativa
e construir caminhos
alternativos para proceder avaliações neste sistema escolar pouco aberto a
mudanças.
O tema desta pesquisa compreende o processo de avaliação em Artes Visuais no
Ensino Fundamental e Médio.
O problema pode ser assim sintetizado: Como proceder a avaliação em Artes
Visuais? Esta questão, além de motivar a proposta de investigação, levantou várias
outras questões nucleares que ofereceram possibilidades de orientação nesse
estudo acerca da avaliação das atividades nas aulas de Arte, direcionadas à
formação docente, a saber: Onde seria o “locus” da avaliação nas ações
pedagógicas da escola no que se refere ao cotidiano escolar das aulas de Arte?
Como proceder atividades de avaliação do educando em diferentes situações
educativas no ensino da Arte, no âmbito do ensino Fundamental e Médio? Como
seriam os instrumentos adequados para o professor utilizar no processo de
avaliação do educando no ensino de Arte? Como avaliar e o quê avaliar nas
atividades de Arte no Ensino Fundamental (EF) e Ensino Médio (EM)? Os futuros
professores estão entrosados na compreensão de novas dinâmicas, das novas
tecnologias e dos novos desafios, para a construção do processo avaliativo em Arte
no âmbito da escola de EF e EM? A avaliação em Arte na escola é um simulacro ou
trajetória de aprendizagem para se repensar no cotidiano escolar? De que modo os
conhecimentos sobre avaliação em Artes Visuais poderiam favorecer à formação
docente maior compreensão e viabilizar formas consequentes de realizar
intervenções profissionais no processo avaliativo em situações educacionais que
envolvem o ensino/aprendizagem das Artes Visuais no ensino Fundamental e
Médio?
O problema se relacionou com o contexto educacional do curso de Artes Visuais Licenciatura. Dentro dos processos educacionais o aluno desenvolve espírito crítico
e autonomia para viver sua vida na sociedade contribuindo com o desenvolvimento
local.
15
O problema explícito neste contexto se ajustou coerentemente à linha de pesquisa
Educação e Desenvolvimento Local, pois, a pesquisa em questão, bem como a
proposta de intervenção, permitiu rever os processos educacionais no que se refere
à avaliação em Arte, bem como repensar esta avaliação no sentido da significação
da mesma nas atividades de Arte em consonância com o desenvolvimento do
educando tendo em vista sua inserção na escola e na comunidade.
A pesquisa teve como objeto o processo de avaliação em Artes Visuais no Ensino
Fundamental e Médio. A questão central foi: como se processa a avaliação em Artes
Visuais no EF e EM? Considerou-se principalmente a prática, com o propósito de
contribuir para a formação docente no que se refere à melhoria da avaliação nessa
disciplina.
Hernández (2000, p.174) aponta a necessidade de pesquisa vinculada à avaliação.
“Esta necessidade”, continua ele, “é mais notória na Arte na educação, onde
predominam alguns critérios apreciativos de caráter geral, que muito poucas vezes
incidem no processo de aprendizagem” ( e em como está sendo realizado tanto pelo
docente como pelo aluno).
Ao se construir no espaço limítrofe entre a aprendizagem e a Arte, a avaliação
enfrenta simultaneamente problemas de aplicação de critérios e formas. Esta
situação a torna tarefa sempre inacabada, ainda em contínua construção,
instrumento
tecido
no
diálogo
constante
entre
valores
e
fazeres.
Estas
considerações remetem às práticas, experiências, métodos, processos, estratégias,
diretrizes, erros, sucessos, etc. que constituem o campo de onde parte a relação
avaliação/Arte a serem investigadas.
O conceito de avaliação continua restringindo-se sobretudo como processo de
medição do êxito do ensino em termos das aquisições observáveis dos estudantes.
Até recentemente, a finalidade básica da avaliação era proporcionar uma visão
retrospectiva (ou pontual) sobre a aprendizagem do aluno e medir o aprendido antes
de passar a séries posteriores ou receber uma qualificação que permitisse um
exercício profissional. Hernández (2000, p.148), esclarece que, a partir de uma
perspectiva ampla, “entende-se por avaliação um conjunto de ações direcionadas ao
16
recolhimento de uma série de dados sobre uma pessoa, fato, situação ou fenômeno
com o fim de emitir um juízo sobre a mesma”. Costuma-se considerar que esse juízo
seja expresso em função de alguns critérios prévios, ainda que nem sempre seja
necessariamente assim, e tenha como finalidade recolher informação e valorizá-la,
para estabelecer uma posterior tomada de decisão.
Uma das questões mais controvertidas relacionadas à Arte na educação é a
avaliação. Porém, sabe-se que nem tudo pode ser medido, mas tudo pode ser
avaliado. Há que se reconhecer a necessidade e validade da avaliação em Arte.
Entende-se por Arte a forma do ser humano expressar suas emoções, história e
cultura através de alguns valores estéticos como beleza, harmonia, equilíbrio. Ela
pode ser representada de várias formas como Teatro, Artes Visuais, Dança, Música,
etc. Por sua vez, entende-se como Artes Visuais uma classe de formas de Arte,
incluindo pintura, escultura, gravura, desenho, arquitetura, cerâmica, cestaria,
entalhe e outras que incidem sobre a criação de obras que são principalmente
visuais na natureza, além daquelas que resultaram dos avanços tecnológicos no
século XX, como: fotografia, moda, artes gráficas, cinema, televisão, vídeo,
holografia1, computação, performance, etc. Uma das crenças em relação aos
conhecimentos vinculados às Artes Visuais é a de que não se possa, que não tenha
sentido avaliá-los. Portanto, um aspecto que ainda conduz à provocação é o aspecto
da avaliação deste ensino.
Esta abordagem é direcionada à formação docente. Formar profissionais a partir da
organização de situações de aprendizagem é a meta principal dos programas de
formação de professores, da educação infantil à universidade. Um professor domina
as habilidades do ofício e revela uma “competência prática” no âmbito do ensino,
sendo capaz, sozinho e com outros, de definir e ajustar projetos com base nos
objetivos e nos princípios de ética propostos, de analisar suas práticas e, através
desta análise, de se autoqualificar ao longo de toda a sua carreira. Na graduação, os
alunos em formação docente têm a oportunidade de engajar-se em atividades
integradas, complexas e desafiadoras. Aqui, a formação consistirá, então, em
1
Holografia é uma técnica de registro de padrões de interferência de luz, que podem gerar ou apresentar
imagens em três dimensões.
17
recorrer a mecanismos favoráveis à construção da avaliação especificamente
aplicáveis às Artes Visuais. Será uma inovação dentro deste contexto.
Entende-se por inovação, o surgimento de nova função produtiva graças à aplicação
de conhecimentos e tecnologias antes não empregados. É preciso considerar que a
distribuição de conhecimentos permanece profundamente desigual, insuficiente, e
que é preciso repensar o processo inovativo em sua amplitude, questionando a
experiência do ensino/aprendizagem na avaliação em Artes Visuais. O sucesso vai
depender da ação consciente e determinada dos inovadores pela transformação
educacional que se propor.
Como hipótese para esse trabalho, pensou-se que os conhecimentos sobre
avaliação em Artes Visuais podiam favorecer à formação docente maior
compreensão e viabilizar formas consequentes de realizar intervenções profissionais
no
processo
avaliativo
em
situações
educacionais
que
envolvem
o
ensino/aprendizagem das Artes Visuais no Ensino Fundamental e Médio. Pensou-se
ainda, nas possibilidades de introduzir aspectos inovadores na avaliação em
diferentes situações educativas do cotidiano escolar das aulas de Arte, no âmbito do
ensino Fundamental e Médio, direcionados à formação docente dos estudantes de
Licenciatura em Artes Visuais.
Como objetivo geral, analisou-se o processo de avaliação do educando em
diferentes situações educativas no ensino das Artes Visuais, no âmbito do Ensino
Fundamental e Médio. Nesse sentido, ao buscar identificar a pedagogia dessa
relação, detectou-se a necessidade de reconstrução do processo de avaliação,
como parte de um movimento, onde se imbricam compromisso e desenvolvimento
de uma práxis pedagógica comprometida com a inclusão, com a pluralidade cultural,
com o respeito às diferenças, com a construção coletiva.
Como objetivos específicos: Identificou-se o conceito de avaliação, nas perspectivas
e inovações em Artes Visuais no contexto educacional; Analisou-se as dificuldades
presentes no
Discutiu-se
processo de
processo
de
avaliação
possibilidades de
avaliação em Arte.
em
incorporação
Artes Visuais no Ensino
de inovações
Básico;
educacionais
no
18
A investigação deste estudo visou contribuir tanto para a produção de
conhecimentos acadêmicos a respeito da temática em questão, quanto para
subsidiar as práticas de avaliação de futuros professores de Artes Visuais das
Escolas de Ensino Fundamental e Médio, bem como repensar a função da avaliação
nesse contexto de exigências de uma pedagogia focada no processo de
aprendizagem. Pensou-se também que a partir desses estudos, houvesse
possibilidade de elaborar uma proposta de intervenção relativa à construção de uma
nova metodologia de avaliação em Artes Visuais, favorecendo a produção de novos
conhecimentos e uma prática relevante nos processos educacionais.
A educação desempenha um papel essencial no desenvolvimento das pessoas e
das sociedades como uma via – certamente, entre outros caminhos, embora mais
eficaz – a serviço de um desenvolvimento humano mais harmonioso e autêntico, de
modo a contribuir para a diminuição da pobreza, da exclusão social, das
incompreensões, das opressões e das guerras.
A Arte na educação como expressão pessoal e como cultura é um importante
instrumento para a identificação cultural e o desenvolvimento individual. Ela supera o
estado de despersonalização, inserindo o indivíduo no lugar ao qual pertence.
Dentre as artes, as Artes Visuais, quando têm a imagem como matéria-prima,
tornam possível a visualização de quem somos, onde estamos e como sentimos. E
completando este pensamento, Barbosa (2011, p. 18) afirma que “Não é só incluir
Arte no currículo que o crescimento individual e o comportamento de cidadão como
construtor de sua própria nação, acontecem”. É preciso muito mais.
“Além de reservar um lugar para a Arte no currículo, é também necessário se
preocupar como a Arte é concebida e ensinada. A falta de preparação de pessoal
para ensinar Arte é um problema crucial, leva-nos a confundir improvisação com
criatividade” (BARBOSA, 2011, p.15).
A relevância social dessa investigação possibilita: contribuir com a produção
educacional no que diz respeito a Arte no EF e EM; promover inovações
educacionais no campo da avaliação em Artes Visuais; melhorar os processos e a
efetividade
educacionais
nesse
campo;
favorecer
a
produção
de
novos
19
conhecimentos; ajudar na melhoria de qualidade das aulas; interagir com
tecnologias contemporâneas no ensino da Arte; compartilhar atitudes e valores;
valorizar a formação docente.
Conforme o contexto acima, o tema proposto possui uma interface direta com os
eixos estruturantes do curso de mestrado, em especial a educação, os processos de
inovação e o desenvolvimento local.
A temática proposta está diretamente ligada à área de concentração escolhida, uma
vez que está focada nas inovações da avaliação no ensino das Artes Visuais e
oferece uma proposta de intervenção de uma metodologia voltada para a melhoria
dos resultados escolares, com possibilidade de concretizar mudanças na avaliação
em Artes Visuais, ao garantir a qualidade na execução do trabalho avaliativo, o que
pode auxiliar na redução da evasão escolar, na busca por valorizar saberes da
prática.
O objetivo desse texto é apresentar os resultados da pesquisa sobre o processo de
avaliação em Artes Visuais: perspectivas e inovações direcionadas à formação
docente em consonância com o desenvolvimento do educando, tendo em vista sua
inserção na escola e na comunidade em torno das políticas educacionais e
estrutura-se da seguinte forma: A introdução apresenta alguns pressupostos que
orientam a discussão da temática, o objetivo e estrutura do texto; a primeira parte
apresenta um breve histórico da avaliação no processo ensino-aprendizagem das
Artes Visuais; a segunda parte apresenta o conceito, as características e funções da
avaliação que convergem na perspectiva da política educacional; na terceira parte
discute-se os instrumentos de avaliação a serem utilizados no processo de ensinoaprendizagem em Arte na escola; na quarta parte apresenta-se o desenho
metodológico da pesquisa. Dados empíricos
são apresentados e analisados na
quinta parte, tendo em vista a caracterização das experiências construídas pelos
professores, a partir dos depoimentos sobre avaliação, fornecidos pelos gestores e
desenvolvidos pelos professores das escolas envolvidas; nas considerações finais
retoma-se as páginas já escritas que possibilitam rever algumas questões que
requerem um debate aprofundado, tendo em vista, avançar na construção de uma
metodologia inovadora da avaliação que tenha o foco no processo de ensino-
20
aprendizagem. Conclui-se que, ao repensar a função da avaliação, haja
possibilidade de elaborar uma proposta com mecanismos favoráveis à construção
de uma nova metodologia de avaliação especificamente aplicáveis às Artes Visuais
e que possa subsidiar e atender aos interesses dos docentes em formação, dos
egressos, dos docentes atuantes e principalmente do educando.
21
CAPÍTULO 1
BREVE HISTÓRICO SOBRE O ENSINO E A AVALIAÇÃO EM
ARTE NO BRASIL E AS CORRENTES PEDAGÓGICAS
A avaliação é parte integrante do processo educacional, acompanha as
transformações na educação e na escola que decorrem das transformações na
sociedade. Sendo assim, é necessário apresentar um breve histórico da sua
evolução, tendo em vista compreender os fatores que determinaram as mudanças
conceituais e metodológicas que a envolvem, priorizando a análise da evolução
histórica da avaliação em Artes Visuais.
Enquanto acontecia o descobrimento do Brasil pelos portugueses, segundo Liblik
(2005), a Europa vivia o Renascimento e logo a seguir contemplava o surgimento da
nova Arte, o Maneirismo. O Brasil, como toda a América Latina, era rico na
diversidade de sua cultura, porém, o colonizador impingia a sua forma de entender o
mundo, na negação de quase todas essas manifestações. A Arte era entendida
como adorno naquela
sociedade rural de latifúndios, Colônia de engenhos e
fazendas de gado.
As mulheres, como lembra Liblik (2005), além de bordar e fazer cerâmica,
praticavam outras atividades como cestaria, tecelagem, tingimento, rendas, abrolhos
e os homens, por outro lado, trabalhavam com o couro, a fundição de facas,
ferraduras, armas, a marcenaria e a carpintaria, ligados a uma estética própria.
Quando se iniciou a colonização, os jesuítas tomaram para si a responsabilidade do
Ensino, onde empregaram o Ratio Studiorum2 – Método Escolástico que vigorou por
volta de 150 anos, com normas e princípios que regiam os estudos e a formação.
Para os descendentes dos colonizadores, que eram mais instruídos, ofereciam o
canto orfeônico e a música instrumental. O teatro, empregado para a catequização
dos indígenas, surgia como força para influir junto ao senhor de engenho. Nesta
época, a educação feminina era enfática nas boas maneiras e prendas domésticas.
Em âmbito mundial, as avaliações aconteciam em forma de arguições em exames
2
Plano de Estudos da Companhia de Jesus, redigida por Inácio de Loyola, mas cuja elaboração definitiva data
de 1599, após mais de meio século de experiência no campo educacional.
22
orais, sendo que somente “em 1702, em Cambridge, na Inglaterra, foi utilizado, pela
primeira vez, o exame escrito” (SOEIRO; AVELINE, 1982, p.16).
O europeu trouxe o estilo Barroco, que influenciou mudanças no conteúdo estético
nacional e nos níveis de execução de objetos, adornos, obras e arquitetura,
principalmente na cantaria3. Era um estilo também denominado Jesuítico ou
Joanino.
Na fase pombalina, segundo Soeiro e Aveline (1982), entre os anos de 1750 a 1777,
o Marquês de Pombal administrou a Colônia por delegação de D.José I, rei de
Portugal. Em 1759 os jesuítas foram expulsos e diante desse fato, passou a imperar
a escola de leitura e de música em uma Reforma Pedagógica estruturada no
Iluminismo e nas ideias de Verney, Locke e Bacon. A instrução baseava-se na
civilidade das aparências, elitista e ornamental, reprodutivista com a perpetuação de
uma ordem patriarcal e colonial.
Em 1808, a família real veio de Portugal para o Brasil, segundo Ribeiro (1981), e
várias ações favoreceram o despontar dos modelos europeus em nosso país, como
a criação da Imprensa Régia; o 1º jornal – A Gazeta do Rio – 1808; a criação da
Biblioteca Pública – 1810; a Primeira Revista – 1812; a criação do Museu Nacional –
1818.
Nesse momento já acontecia o ensino do desenho e Manoel Dias de Oliveira
introduziu o modelo vivo em suas aulas e o Seminário Episcopal de Olinda incluiu o
desenho no currículo. Com a chegada da Missão Francesa, em 1816, efetivou-se o
Ensino da Arte Erudita no Brasil. Essa Missão era constituída por um pintor de
gênero e de batalhas, um pintor de história, um escultor, um gravador, um
compositor seguidos de: mecânico, serralheiro, ferreiro, curtidores, carpinteiros e um
secretário ( RIBEIRO, 1981).
3
Cantaria – arte de esculpir a pedra.
23
Segundo Barbosa (2005), naquele mesmo ano criou-se a Escola de Ciências, Artes
e Ofícios, que em 1820 passou a ser Academia Real de Desenho, Pintura, Escultura
e Arquitetura e em 1826, Escola Imperial das Belas Artes.
Desde a chegada dos franceses, o objetivo de Lebreton, chefe da Missão, era unir
as Belas Artes com a Indústria, o que não ocorreu. Utilizaram um modelo de ensino
baseado no classicismo, cujos exercícios formais eram rigorosos, acreditavam no
dom e a Arte era determinada como vocação.
Segundo Liblik (2005) o estilo Barroco brasileiro, construído pelas mãos dos
artesãos, foi deixado de lado e passou a vigorar o Neoclassicismo trazido pelos
franceses. Dessa forma, no Brasil Império, a Arte era entendida como Belo Ideal. Até
1855, os métodos com o emprego do desenho figurado e cópias de estampa
mantiveram-se iguais.
Em 1862, o decreto 2883 torna facultativo o ensino do desenho, da música e da
dança. “Aos homens, devia-se ensinar a ler, escrever e contar [...]. Às mulheres, a
coser, a lavar, a fazer rendas e todos os misteres femininos” (VILLALTA, 1997, p.
351).
Em 1881 a classe de desenho para mulheres foi criada como um meio de torná-las
úteis para a sociedade.
No ano de 1882, conforme Liblik (2005), surge George Grimm que emprega o
desenho ao ar livre na Escola de Belas Artes. Nesse mesmo ano, nasce a
preocupação pelo caráter de obrigatoriedade do ensino de Arte em vários países do
mundo, como Inglaterra, França, Estados Unidos, Alemanha, Áustria,
Suiça,
Bélgica, Holanda, Itália que popularizaram o ensino do desenho e adaptaram-no à
indústria como objetivo para a prosperidade no trabalho.
Rui Barbosa, como intérprete da corrente liberal brasileira, seguiu o ideário
positivista e redigiu o pensamento ético político de acordo com as modernas
concepções e técnicas pedagógicas da época. Entre os anos de 1882 – 1883,
implantou-se uma reforma do ensino. O pensamento era de que o ensino da Arte se
24
constituísse como base sólida para a educação popular, para o desenvolvimento
industrial, para a educação técnica e artesanal do povo. Buscavam tais princípios
em Walter Smith, nas ideias norte-americanas de que o desenho tinha ação
propedêutica para a educação do caráter e da inteligência, bem como no
pensamento francês de que o gosto e a habilidade artística desenvolvidos, tornavam
o povo capaz de admirar o belo.
No Brasil República, Rui Barbosa, principal figura da transição Império-República,
entendia “o ensino do desenho como a matéria mais importante do currículo da
escola primária e secundária” (GUIMARÃES,1996, p. 88) e acreditava que o
desenho, de certo modo, poderia ser considerado como um instrumento para
aprender a ver, a descobrir, a conservar, a recordar, a reproduzir, a criar, e em
síntese seria utilizado para instruir, para educar o povo.
De acordo com Liblik (2005), ao analisar as atividades de ensino, percebe-se o valor
do desenho na sua funcionalidade e necessidade, principalmente quando é citado
para o uso em diferentes profissões. Desta forma, o desenho não terá a finalidade
de produzir mimo ou beleza, mas sim de contribuir no enriquecimento do país a
partir do desenvolvimento industrial, da educação técnica e artesanal de seu povo. O
uso do desenho no currículo primário e secundário é citado como concepção
pedagógica. Na perspectiva de generalização do ensino do desenho, André
Rebouças em 1878, com base na instrução pública da França, propõe a
obrigatoriedade do seu ensino, porém, são as ideias de Walter Smith que perduram,
adentrando ao novo século.
Entre os anos de 1882 a 1959, utilizam-se o Manual de Geometria Popular, de
autoria de Abílio César Pereira Borges, nas escolas primárias do país, como cópia
dos métodos de Walter Smith. O mestre faz uma demonstração no quadro de como
desenhar, enquanto os alunos observam e depois tentam repetir.
Rui Barbosa, André Rebouças e outros dão ênfase ao efeito moral da Arte. No que
concerne ao ensino, a Arte é entendida como desenho. “[...] A educação do caráter e
da inteligência, iria ser o objetivo principal dos positivistas [...]” (BARBOSA, 2001, p.
41).
25
Em 1889 é Proclamada a República. A preocupação com a Identidade Nacional se
faz presente – o que é o Brasil? Quem são os brasileiros? Neste contexto entendese a Arte como Acessório. Nas sementes da industrialização, vislumbra-se o início
do tecnicismo (LIBLIK, 2005).
Em seguida, as ideias de Fröbel com desenhos de figuras geométricas, traçado à
mão livre, estilização das formas, desenho do objeto em partes e no todo,
composição com elementos, desenho com tempo determinado e como apoio a
outras disciplinas, como por exemplo, o desenho de mapas na Geografia influenciam
a escola. Esta visão funcionalista da Arte a serviço de outras áreas do conhecimento
vigora, em muitas instituições, até os dias de hoje.
1.1 As fases do ensino e da avaliação em Arte na escola no contexto das
correntes pedagógicas
As fases ou tendências pedagógicas no ensino da Arte associam-se à história dos
movimentos artísticos, ou seja, às teorias estéticas. Dessa forma a pedagogia
renovada corresponde à modernidade e aos paradigmas da arte moderna e a pósmodernidade corresponde às propostas atuais de ensino.
O professor tem papel importante na experiência e prática pedagógica. Os métodos
dessa prática situam-se para além dos tradicionais e novos, superando por
incorporação, as contribuições de uns e de outros. Não se deve excluir as
orientações da escola tradicional nem da escola renovada. Algo se conserva, se
rompe e se transforma. Não há como avançar partindo do nada.
Nessa perspectiva, busca-se conhecer as fases que contribuiram para o
desenvolvimento da avaliação através da história.
1.1.1 Primeira fase: Ensino e Avaliação na Escola Tradicional
A Escola Tradicional (conservadora)
refletia a luz pedagógica de um modelo
cuidadosamente estruturado e que se perdeu com o passar do tempo. Trata-se do
Ratio Studiorum cuja aplicação nas salas de aula consolidou apenas parte do que foi
26
organizado nesse método escolástico. Pressupõe-se que esse método tem suas
raízes na pedagogia jesuítica e permaneceu por longo tempo. As escolas públicas,
religiosas, entendidas em sentido amplo como escolas católicas, em sua maioria,
sedimentaram os seus procederes neste modelo jesuítico, mas sem os cuidados
com a formação dos profissionais da educação, cerne deste método.
De acordo com Liblik (2005), a predominância da Escola Tradicional até 1930, como
tendência pedagógica, teve como repercussão a valorização da transmissão do
conhecimento. A representação era calcada na forma acadêmica e em exercícios de
cópia de modelos. O processo de ensino era centrado no conhecimento, na
memorização, na repetição e na figura do professor, que adotava atitude autoritária
na avaliação e de acordo com o desenvolvimento intelectual do aluno, por vezes,
impingia castigos corporais. Os instrumentos avaliativos mais empregados eram a
prova escrita e arguição oral e, os resultados apresentados em notas, boletins,
quadros de honra; as notas de excelência contempladas por prêmios, cadernos de
ouro e outros. O medo que os alunos tinham dos mestres e da avaliação eram
constantes. A sociedade conservadora reforçava a estrutura escolar comprometida
com a formação da elite, desde o Brasil Colônia.
Nos boletins, segundo Liblik (2005), a escola supervalorizava atitudes, tais como
comportamento, aplicação e ordem; deixava em segundo plano os conteúdos
disciplinares. Os alunos recebiam estrelas conforme a nota. A avaliação era tarefa
exclusiva do professor, que muitas vezes usava-a como forma punitiva, através de
instrumentos diversos, para demonstrar autoridade. O aluno que não cumpria as
normas era castigado, por exemplo, não participando das aulas de Arte, entendidas
como lazer. O risco do julgamento neste caso era de excessiva subjetividade. Vários
modelos avaliativos surgiram de acordo com cada instituição.
Franz Cizek, educador vienense, apontado e considerado o Pai da Arte infantil,
organizou aulas onde as crianças tinham liberdade para criar. Seu entendimento era
“Nada ensinar, nada aprender! Deixar crescer as próprias raízes” (WILSON, 1990, p.
56). Desta forma apregoava a descolarização, a não interferência no trabalho das
crianças e a autonomia na escolha de materiais e temas. Sua visão em relação ao
trabalho da criança era a de que não deveria receber nenhum tipo de influência e
27
desta forma só era indicado aos adolescentes visitar exposições de Arte. Cizek e
Richardson
são
os
precursores
da
livre-expressão
que
foi
disseminada
posteriormente.
Em 1919, Walter Gropius criou a Bauhaus, na Alemanha, com o objetivo de unir Arte
e Indústria, um dos espaços mais importantes de pesquisa e discussão sobre Arte e
técnica no século XX. “As ideias da Escola foram disseminadas na Europa e
posteriormente em outros continentes” (LIBLIK, 2005, p.25).
A Semana de Arte Moderna em 1922 foi um marco importante para o ensino de Arte
no Brasil, início de grande revolução metodológica. Neste momento, artistas
plasmam a sociedade sonhada na busca para colocar o país em sintonia com o
desenvolvimento tecnológico e cultural, prioritariamente europeu.
Anita Malfatti, segundo Liblik (2005), foi uma personalidade importante para o ensino
da Arte nesse período. Ela orientava classes para crianças e jovens em São Paulo.
Através de seus ensinamentos, a Arte passou a ser entendida como expressão, com
ênfase na livre-expressão cujos principais aspectos eram a educação através da
Arte, permitindo a autoexpressão e o individualismo. O desenvolvimento da
criatividade e sensibilidade estética, autodeterminação e autoconfiança pela
atividade de pesquisa e realização livre, sem imposição ou padrões préestabelecidos aconteceram a partir da prática nas Escolinhas de Arte. O papel do
professor era transmitir as técnicas, o conhecimento sobre os materiais e propiciar
ambiente para a criação.
Herbert Read, segundo Liblik (2005), é outro autor que influenciou e contribuiu para
o desenvolvimento do ensino da Arte. Seu pensamento repercutiu na Arte como
base de toda a educação. Em 1941 ele conduziu, numa exposição no Rio de
Janeiro, os trabalhos de Arte de crianças inglesas.
Os principais educadores e autores que divulgaram esse tempo foram Franz Cizek,
Herbert Read, Viktor Lowenfeld, John Dewey, Artus Perelet, Augusto Rodrigues,
Lúcia Alencastro, Margaret Spencer, Lois Willan e João Francisco Duarte Júnior.
Esses pensamentos foram compartilhados na América Latina, na África e no Egito.
28
Apesar das teorias propagadas, predominou o laisser faire e a prática do desenho
livre caiu no senso comum como espontaneismo (LIBLIK, 2005).
Independente das críticas tecidas ao laisser faire que predominou nesse momento,
no período compreendido entre os anos de 1927 a 1935 a “Arte era considerada tão
importante quanto às outras disciplinas” (BARBOSA, 2011, p. 56 ), sendo frequentes
as matérias em jornais e periódicos, fato que deve ser considerado pelos
educadores.
Fruto do desconhecimento sobre a importância do ensino da Arte, bem como a
insuficiência de conhecimento específico da linguagem a ser trabalhada, surgiu em
1947, segundo Liblik (2005), um entendimento de que o professor não precisaria
saber Arte para atuar e, qualquer pessoa estaria apta a sugerir ideias na prática do
fazer artístico. No que diz respeito à expressão, pensava-se que a Arte era uma
atividade que se resolvia por si só e que bastava apenas papel e lápis para qualquer
pessoa se expressar, como se essa atividade não necessitasse de encaminhamento
algum. A avaliação efetuada pelo professor em relação ao gosto seria pessoal e em
relação à proximidade da expressão teria um caráter realista. Nessa época a
atividade de Arte era entendida apenas como forma de lazer, de preencher o tempo.
Em 08 de julho de 1948, esclarece Liblik (2005), processou-se no corredor da
Biblioteca Castro Alves, no prédio do Instituto de Previdência e Assistência Social
dos Servidores de Estado - IPASE, no Rio de Janeiro, a criação da Escolinha de
Arte do Brasil por Augusto Rodrigues – pernambucano, artista plástico, desenhista,
pintor, gravador, chargista, ilustrador, ensaísta, poeta, educador e boêmio. Sabe-se
que, os desdobramentos e contribuições desse momento para o ensino de Arte no
país refletiram a valorização da produção infantil. Mais tarde, em 1961 houve a
criação de Cursos Intensivos de Arte para professores, o que colaborou para a
formação na área e o surgimento de Escolinhas de Arte em diferentes regiões do
país.
29
1.1.2 Segunda fase: Ensino e Avaliação na Escola Nova
A tendência pedagógica Escolanovista vigorou no país entre os anos de 1930 a
1970, com o objetivo maior de ajustar a pessoa ao meio. A escola era para todos. O
ser humano era visto numa perspectiva existencialista. A repercussão era de que o
professor passava a ser o facilitador e o orientador da aprendizagem, e o aluno, o
centro do processo ensino-aprendizagem.
Muitos experimentos foram realizados e empregados no ensino de Arte como jogos,
dinâmicas de grupo e vivências criativas. Entendia-se que o ensino da Arte não era
necessariamente para se relacionar à formação do artista, mas para desenvolver a
capacidade criadora, a expressão, os aspectos afetivos e a espontaneidade do
sujeito.
Segundo Liblik (2005), utilizaram-se da autoavaliação para que o aluno tivesse vez e
voz naquele ambiente. Uma postura democrática surgiu como tentativa para avaliar
o aluno como um todo, com interesses e necessidades distintas. Iniciava-se o
entendimento do aluno de que a avaliação era um elemento importante para o seu
crescimento. O professor, por sua vez, observava, anotava, acompanhava as
transformações e as experiências vividas e valorizava a qualidade e a
autopercepção dos conhecimentos absorvidos. Empregavam conceitos como
excelente, ótimo, muito bom, regular e fraco para descrever o desempenho dos
alunos. Diante da falta de critérios fidedignos, a transposição das notas para
conceitos criou uma insegurança que abriu uma grande margem na descrição
subjetiva desses conceitos.
De acordo com Liblik ( 2005), os principais autores da Escola Nova são Carl Rogers,
O’Neill, Artus Perelet, John Dewey, Franz Cizek, Viktor Lowenfeld, Herbert Read,
Augusto Rodrigues, Lúcia Alencastro, Margaret Spencer e Lois Willan. O trabalho
com crianças excepcionais desenvolvido pela psiquiatra Helena Antipoff e as novas
ideias sobre comunicação trazidas pelo Teatro de bonecos do argentino Javier
Villafañe também foram influências fortes no Brasil.
30
Nesta época a avaliação era através de uma análise conjunta dos resultados, ou
seja, o professor discutia os trabalhos e os avanços junto com os alunos a partir de
critérios baseados na teoria de apoio e na observação. Estes entendimentos fazem
pensar a Arte como área a serviço do pensamento científico e tecnológico.
1.1.3 Terceira fase: Ensino e Avaliação na Escola Tecnicista
Segundo Liblik (2005), entre os anos de 1930 e 1950 e grande parte da década de
1970 nos Estados Unidos estabeleceu-se a valorização da medida, cuja
preocupação maior estava nos objetivos da aprendizagem. Determinar os objetivos
e verificar a aprendizagem a partir de testes, medidas, programas, materiais de
ensino e outros instrumentos, tornava-se necessário. Observava-se e descrevia-se a
mudança de comportamento do aluno. Ralph Tyler – com seus textos sobre currículo
– e Benjamim Bloom podem ser considerados pais da avaliação educacional.
Segundo Gomes (2005), é possível constatar a existência de um pensamento norteamericano em relação à avaliação da aprendizagem cuja literatura é veiculada no
Brasil, por intermédio de autores diversos. Essas ideias (questionário escrito,
gabaritos) se encontram presentes nos escritos de: Mager (1962), Bloom
(1971,1972), Popham (1973) e Gagné (1976),e influenciaram os escritos sobre
avaliação, produzidos no Brasil.
Na França destacam-se os estudos de Pierón e Laugier (1930) - Docimologia4.
Em seus estudos, Gomes (2005) vislumbra uma concepção de avaliação, dentro da
trajetória teórica do processo, voltada para a dimensão tecnológica da avaliação.
Essa concepção com ênfase ao seu caráter
cientificista e nos métodos e
procedimentos operacionais coloca em destaque a mensuração por meio de testes
de habilidades e aptidões dos alunos.
4
Disciplina de base pedagógica e didática para o estudo sistemático e científico de provas escolares, dos
métodos de avaliação empregados e dos fatores psicológicos que condicionam o comportamento de
examinadores e examinados. O termo foi utilizado pelo psicólogo francês H. Pierón (1881 – 1964).
31
Com a promulgação da Lei 5.692 em 1971, em 1980 a tendência pedagógica
vigente foi o Tecnicismo, cuja visão era adaptar o aluno à sociedade como meio
para o mercado de trabalho. A autoinstrução na avaliação de objetivos instrucionais
visava oportunizar retorno sobre a performance, o desempenho do aluno. As fichas
de registro, os conselhos de classe, as notas ou conceitos, ou a combinação destes
determinavam ou não o avanço do aluno O sistema de avaliação estava respaldado
na produtividade do aluno. Neste período surgiram inúmeros livros didáticos para
ensinar Arte, os quais contribuiram para a valorização das técnicas e seu repasse
( LIBLIK, 2005).
Em 1972, Fayga Ostrower, artista plástica, educadora, pesquisadora e escritora
realizou um curso de sete meses para vinte e cinco operários da Encadernadora
Primor S/A, no Rio de Janeiro. No livro Universos da Arte, editado em 1983, Fayga
relata suas experiências vividas que se constituem em rico material para análise
avaliativa. Fayga desenvolveu seu trabalho com competência, democratizando os
conteúdos de Arte a camadas menos favorecidas que atuavam em um contexto que
lidava com a estética e sua aplicabilidade (LIBLIK, 2005).
Nesta época a base teórica era a Gestalt – configuração e forma. Como critérios
para a avaliação utilizavam-se a limpeza formal, a execução primorosa nos
exercícios práticos e o domínio teórico dos elementos da linguagem visual.
1.1.4 Quarta fase: Ensino e Avaliação na Escola Construtivista/Cognitivista
Desde os estudos de Jean Piaget – a Epistemologia Genética – houve uma
preocupação em discutir como a
criança processa a construção do saber.
Pressupõe-se que no “construir” e reconstruir o conhecimento, acontece a
aprendizagem. Nas Artes Visuais, este é o momento em que o aluno vai entender as
diferentes linguagens artísticas no contexto histórico e a possibilidade de se ver
participante na construção deste saber (LIBLIK, 2005).
Dentro da “construção e reconstrução” do conhecimento, segundo Liblik (2005)
estuda-se de forma individual e coletiva, diferentes técnicas para entender a
contextualização e a fruição das diferentes modalidades de Arte.
32
O processo avaliativo se faz presente em momentos individuais e outros coletivos;
há provas escritas e apresentação de trabalhos a partir de pesquisas realizadas
pelos alunos. Importa o processo e importa o “produto” final.
Ao final da década de 1990, de acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais, a
Arte passa a ser compreendida como Área de Conhecimento com ênfase em sua
apreciação e compreensão, retomando seu conteúdo específico. O ensino das Artes
Visuais prioriza o uso da imagem e trabalha a leitura e apreciação da obra de Arte
(BRASIL, 1998).
Nos Estados Unidos é criada a Discipline Basic Art Education – DBAE – com o
apoio da Getty Center for Education in the Arts. O DBAE, como passou a ser
chamado, se constitui em quatro pilares, quatro disciplinas que tratam do
conhecimento em Artes Visuais a partir da Produção artística, História da Arte,
Estética e Crítica. Além deste entendimento as Normas Nacionais para o Ensino de
Arte, o Design, a ênfase na Arte Ocidental e a preocupação com a avaliação se
constituíram em seus principais aspectos.
Segundo os estudos de Liblik ( 2005), na década de 1990, esta forma de ensinar
Arte nos Estados Unidos, chega no Brasil fortemente com a Abordagem Triangular,
adaptação metodológica formulada por Ana Mae Barbosa a partir, prioritariamente,
da Discipline Based Art Education - DBAE – com a proposta de acesso ao
patrimônio cultural da humanidade, com o trabalho realizado nas Escuelas al Aire
Libre no México e da Critical Studies na Inglaterra que compreendiam a Arte como
expressão e cultura. Ao inserir questões do fazer, fruir e do contextualizar a Arte,
Ana Mae defende a concepção de que um conhecimento construído em Arte, pode
ser realmente um conhecimento em si, recusando a utilização das aulas de Arte
para fins diversos. Através da Abordagem Triangular, a Arte é legitimada como as
outras disciplinas, passível inclusive de ser avaliada, questionada e pesquisada.
Ainda na década de 1990, Howard Gardner, psicólogo norte-americano, com base
nas ideias que derivaram do Projeto Zero5 de Nelson Goodman (taxionomia6 dos
5
Projeto Zero – grupo de Pesquisa em cognição humana mantido pela Universidade de Harvard.
33
sistemas simbólicos), na teoria da Fisiologia, Antropologia, História Cultural e
Pessoal, propõe a Teoria das Inteligências Múltiplas. Ele concebe a inteligência
como a capacidade para resolver problemas ou elaborar produtos importantes.
Analisa os fatores culturais e como o potencial humano é modelado a partir do
conteúdo e do produto da aprendizagem (LIBLIK, 2005).
Em 1995, o professor Nilson José Machado, da USP, a partir dos textos de Gardner,
percebeu que nas inteligências múltiplas as competências trabalham de certa forma
pareadas e que a inteligência pictórica associa-se naturalmente em manifestações
artísticas de diversas naturezas. Desta maneira os estudos do professor Machado,
naquele momento, abrem o leque de inteligências propostas, favorecendo
diretamente o ensino também das Artes Visuais (LIBLIK, 2005).
No Brasil, a Lei de Diretrizes e Bases nº 9.394/96 no seu artigo 8 situa a avaliação
como instrumento de diagnóstico e prognóstico, configurando-se assim como
calibração
dialética
que
de
forma
pendular
estabelece
a
relação
de
indissociabilidade entre a dimensão de onde se está para onde se quer ir. Firma-se
assim um compromisso maior, segundo Liblik (2005), com a avaliação como parte
integrante da organização da educação escolar e como instrumento capaz de
diagnosticar e prognosticar. Há a indicação de que os processos avaliativos devem
ser consistentes formal e politicamente e que deve ter como eixo norteador a
qualidade.
1.1.5 Quinta fase: Ensino e Avaliação na Escola Progressista
Como tendência pedagógica vivenciou-se a Pedagogia Progressista, entre os anos
de 1980 e 1990. Um ensino competente e crítico surge como uma forma de
preparação do aluno objetivando uma prática escolar transformadora. Entende-se o
aluno dentro de uma visão histórica com múltiplas influências em sua realidade.
Constrói-se esse entendimento sobre o que já foi vivido na escola e a avaliação
torna-se uma aliada para a aprendizagem, identificando avanços e dificuldades,
superados pela ação do docente. Incentiva-se o aluno a estudar e a criar novos
6
Expressão que se refere à classificação de níveis de pensamento e da ordem de aprendizagem.
34
saberes dentro de uma perspectiva crítica, e na participação efetiva percebe-se que
a avaliação como um processo orienta e aperfeiçoa a aprendizagem (LIBLIK, 2005).
De acordo com os estudos de Liblik (2005) a Pedagogia Progressista se subdivide
em três momentos principais:
a) Escola Libertadora
Tem como o seu principal mentor e autor Paulo Freire, cujas ideias foram
incorporadas em países subdesenvolvidos principalmente na década de 1960
a 1964 e 1975 até os nossos dias. Valorizou-se a experiência do aluno, assim
como os conteúdos culturais universais. A prática da avaliação em grupo e a
autoavaliação tornaram-se constantes.
b) Escola Libertária
Da década de 1980 até os dias atuais, esta escola foi influenciada por autores
estrangeiros tais como Freinet, Lebret, Vasquez, Arroyo e espalhou-se no
Brasil e em países socialistas. Pressupunha-se a auto-gestão, a pedagogia
do trabalho e a importância do coletivo para mudar o social. A avaliação
tomou caráter informal, neste período.
c) Escola Crítico-Social dos Conteúdos
O foco era a formação de pessoas críticas ao se apropriarem dos conteúdos
trabalhados e do conhecimento para a superação do estágio em que se
encontravam.
Entende-se
que
a
Arte
naquele
momento
devia
ser
democratizada.
Os instrumentos de avaliação são múltiplos e sempre em articulação com os
objetivos, conteúdos, métodos e estratégias. A avaliação segue uma linha
transformadora, que busca na formação crítica e competente dos cidadãos, um
comprometimento com as mudanças sociais.
Percebe-se nesta abordagem que o consenso não tem obrigatoriedade e em todos
os sentidos o dissenso é respeitado. O processo avaliativo deve ser construído
através da interação e do diálogo. Existe uma convergência pela captação de
elementos humanos, políticos, sociais, culturais e éticos. Os saberes e a direção a
ser tomada tanto em método quanto em avaliação são discutidos por todos (LIBLIK,
2005).
35
A FIG. 1 mostra que as tendências pedagógicas no histórico da avaliação em Arte
que se sucederam, ainda estão presentes em diversos contextos educativos. Sabese que, na atualidade, os professores misturam orientações didáticas e várias
concepções de Arte em suas práticas. São dificuldades que reforçam o
reconhecimento de que a avaliação em Arte não deve se restringir apenas a uma
tendência. Devem ser abordados processos, critérios e resultados que possibilitem
chegar a uma nova metodologia que promova a compreensão desta temática
conduzindo a uma avaliação que se quer formadora no processo de ensinoaprendizagem dos estudantes de Ensino Fundamental e Médio.
A atual tendência em se pensar e planejar a avaliação em Arte é dotá-la de um
caráter mais humano, no sentido de considerar o aluno como aprendiz e beneficiário
do conhecimento. Entende-se aqui que a dificuldade de estabelecer uma avaliação
direcionada às Artes Visuais é decorrente de insuficiência de conhecimento a
respeito dessa temática. O presente trabalho se propôs a analisar aspectos
conceituais e metodológicos da avaliação em Arte, enquanto produto desta reflexão.
36
FIGURA 1 - ESTRUTURA DAS ABORDAGENS PEDAGÓGICAS
Conteúdo
Escola Tradicional
Acervo cultural, memória,
conjunto de informações e
padões técnicos.
A partir de semelhanças
com os modelos
apresentados.
A partir dos
interesses dos
alunos,
individualidade.
Processo criativo,
expressão livre.
Ateliê livre. Livre
expressão,
manifestações
centradas em
interesses e
necessidades
individuais.
Valoriza-se o
processo em
detrimento do
resultado, em
âmbito do
proceder, do
fazer.
Aspectos afetivos
e psicomotores,
originalidade,
autoavaliação.
Exercícios repetitivos até a
perfeição. Perspectiva,
Desenho Geométrico.
Cores e desenhos
livres: recorte e
colagens com
diversos
materiais, argila,
massa de
modelar,
confecções de
instrumentos
musicais com
sucata, expressão
corporal com
música,
improviso.
Adorno / Belo ideal
Expressão
Arte entendida
Como ...
Observações
Avaliação
Método
Repetição,
memorização,incorporação
de regras que possibilitam
a cópia e a reprodução de
um modelo ideal e visão
realista.
Escola Nova
Fonte: LIBLIK, A.M.P., 2005, p.60.
Escola Tecnicista
Habilidades
técnicas e
comportamentais
e domínio de
materiais.
Escola
Construtivista
Acervo
cultural e
processo de
produção e
criação.
Escola
Progressista
Acervo cultural
local,
articulação com
práticas sociais.
Passos ou etapas
pré-determinadas
a partir de
esquemas ou
técnicas.
Ênfase nos
processos
associados
aos
resultados.
Processo de
formação via
sentidos:
valorização de
modelos do
grupo social
mais
valorizado.
Objetos
observáveis e
mensuráveis.
Cópia de
trabalhos.
Faixas gregas,
cópias de vasos,
ampliação e
redução de
desenhos. Canto
de hinos pátrios,
complemento de
desenhos
inacabados; cores
de acordo com
modelos,
elaboração de
cartões.
Avaliação do
processo e do
produto final.
Inserção no
mercado dos
“produtos”.
Diferentes
processos.
Pesquisa de
técnicas e
materiais.
Estudo de
história da
Arte, leitura e
releitura de
obras de Arte.
Função
estética da
arte – análise
de
documentos
históricos.
Artesanato
como Arte.
Função
utilitária e
decorativa de
certos objetos.
Acessório
Expressão e
produto
(design)
Conhecimento;
expressão e
cultura
37
1.2 Perspectivas do Ensino e Avaliação em Arte no século XXI
Em pleno início do século XXI, o ensino das Artes Visuais ainda preserva os traços
escolanovistas, marcas deixadas pelas influências de John Dewey, pesquisador
norte-americano que rompe com a pedagogia clássica, (uma pedagogia preocupada
com o desenvolvimento de uma instância transcendente, de cunho espiritual e
religioso), ao integrar as faculdades cognitivas ao corpo e às atividades manuais.
A pedagogia “progressiva-cientificista” de Dewey, segundo Zordan (2013), pôde
tornar possível trabalhar-se com projetos centrados nos interesses dos aprendizes
ao invés de seguir os programas curriculares tradicionais. Esse pensamento deu
lugar às pesquisas de epistemologia genética de Piaget, na construção do
conhecimento.
Sob essa ótica, a aprendizagem se dá nas relações entre os sujeitos
que aprendem e os objetos de conhecimento com os quais interagem.
Esse tipo de perspectiva possibilitou uma série de pesquisas sobre
sensibilidade cognitiva inerente ao saber artístico (ZORDAN, 2013, p.
3).
Autores como Parsons, Gardner, entre outros, apontam quão importante são as
relações entre o cognitivo individual e o domínio social internalizado pelo sujeito. E
essas perspectivas, com o desenvolvimento da aprendizagem, interagem com as
produções artísticas presentes em cada contexto cultural.
Sabe-se que todas as tendências têm um propósito regido por um entendimento
político de um contexto e de um tempo histórico. Hoje, as aulas de Arte apresentam
influências das três pedagogias enunciadas – tradicional, escolanovista e tecnicista
– em maior ou menor grau. Essas pedagogias, embora descritas separadamente, na
prática se imbricam. Segundo Fusari e Ferraz (2001) o conhecimento presente dos
principais
aspectos
pedagógicos,
ideológicos
e
filosóficos
cujo
ensino
e
aprendizagem de Arte são marcados, possivelmente auxiliará o professor a entender
as raízes de suas ações, além do seu próprio processo de formação. É possível, ao
mesmo tempo, que ele considere que ainda existem questões referentes ao papel
específico da educação escolar e também das aulas de Arte na transformação das
relações sociais e sua melhoria.
38
Quando se exercita o rever a história, percebe-se que foram muitas as influências
externas à realidade nacional, impingidas muitas vezes de interesses políticos em
relação, não só aos métodos, abordagens e sistema de avaliação, mas em relação
ao ensino como um todo.
Pode-se observar, segundo a DCE de Arte (2009), que a avaliação em Arte deixa
de ser um simples instrumento de mediação da apreensão de conteúdos, indo além,
na busca de propiciar aprendizagens socialmente significativas para o aluno. Sendo
processual e não há parâmetros comparativos entre os alunos,
dificuldades e
progresso de cada aluno são discutidos, a partir da própria produção.
Nesse contexto, o maior e melhor investimento que se pode fazer é buscar na
educação a construção do conhecimento que está condicionado a uma avaliação
eficiente e eficaz da organização. Porém, a educação surge numa dupla
encruzilhada: de um lado, o sistema escolar não consegue a universalização da
educação básica de qualidade; de outro, as novas matrizes teóricas não possuem
consistência global necessária para mostrar caminhos mais seguros dentro de
transformações aceleradas que estão acontecendo no processo educativo
(GADOTTI, 2000).
Qualquer caminho que a educação contemporânea seguir, analisa Gadotti (2000),
uma educação voltada para o futuro será sempre contestadora, uma educação com
olhos voltados para a transformação social mais do que para a transmissão cultural.
Há possibilidade de que a pedagogia da práxis, ofereça muito mais segurança do
que a pedagogia centrada na transmissão cultural, neste instante que prefigura o
novo milênio, pleno de possibilidades.
Espera-se que, nos próximos anos, a educação torne-se mais democrática, menos
excludente. Na sociedade da informação, segundo Gadotti (2000), a escola deve
servir de orientação para o conhecimento, superando a visão na oferta de
informações “úteis” para a competitividade, para obter resultados. Deve oferecer
uma educação plena na direção de um futuro promissor, onde as crianças e jovens
devem ser orientados criticamente em direção a uma informação que os façam
39
desenvolver seus conhecimentos e não deixar-se ficar sem instrução (GADOTTI,
2000).
Como diz Dowbor (1998, p. 259), a escola deixará de ser “lecionadora” para ser
“gestora do conhecimento”. Segundo o autor, “pela primeira vez a educação tem a
possibilidade de ser determinante sobre o desenvolvimento”. A educação está numa
fase voltada para o desenvolvimento, mas não basta “modernizá-la”, como querem
alguns. É preciso transformá-la profundamente na sua capacidade de inovação, de
sistematização da sua prática e experiência, para se chegar a um produto palpável,
concreto e eficiente.
Nesse contexto:
O aprender a aprender
propagou-se como a concepção de
atendimento mais adequada para as demandas educacionais e,
assim, pesquisadores, gestores e documentos normativos – como o
7
8
relatório da UNESCO (Delors, 1988), e os PCNs (Brasil, 1997) fazem apologia a esse “novo” paradigma educacional. Contudo, o
aprender a aprender é o resgate do pragmatismo de Dewey,[...] é
uma extensão das teorias de Taylor, Fayol e Mayo que traçam um
percurso inverso ao princípio educativo dialético.[...] É a conversão
dos meios em fins, a negação do diálogo e o fortalecimento da
vontade de poder (OLIVEIRA et al., 2000, p.75 - 76).
Resgatando a posição “freireana” de que a educação é política, pois não existe
neutralidade nesse campo, Oliveira et al. (2000) fazem opção pela concepção
crítico-dialética, que tem
suas raízes
no ideário de Marx e em teóricos seus
seguidores9, e se ancora em bases, princípios e pressupostos radicalmente
diferentes dos que cimentam o aprender a aprender, sintonizada com os ideais que
defendem e com a utopia que os move a trabalhar e acreditar que é possível a
constituição de uma educação de qualidade para todos.
Segundo Romão (2009), entre educadores brasileiros tem-se encontrado essas
duas concepções de avaliação com mais frequência, derivadas de concepções
antagônicas de educação que, ao penetrarem nos umbrais escolares, acabam por
7
UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Tecnologia.
PCN – Parâmetros Curriculares Nacionais.
9
Gramsci, Makarenko e Snyders.
8
40
provocar dissonâncias entre as convicções proclamadas e as práticas levadas a
efeito no cotidiano das relações pedagógicas. Assim comenta:
Se encaramos a vida como algo dado, tendemos para uma
epistemologia positivista e, consequentemente, para um sistema
educacional perseguidor de “verdades absolutas” e “padronizadas”.
Se, pelo contrário, encaramos a vida como processo, tendemos para
uma teoria dialética do conhecimento e, por isso mesmo,
engendradora de uma concepção educacional preocupada com a
criação e a transformação (ROMÃO, 2009, p. 58).
Essa pesquisa referencia-se na teoria dialética, entendendo a vida como processo
que compreende contradições às quais a prática educativa precisa evidenciar para
ação consciente na realidade. Sendo assim, o ensino e a avaliação em Arte,
também devem se configurar como processos na construção de seres humanos
livres, criativos, críticos, emancipados e capazes de promover a transformação
social.
A transformação do processo avaliativo nas escolas de Ensino Fundamental e Médio
torna-se urgente na medida em que se testemunha o fracasso escolar, a
reprovação, a exclusão, enfim uma série de resultados que não mais deviam fazer
parte do cenário educacional. Não cabem também nesse contexto, aprovações que
minimizam e mascaram
o sentido de uma avaliação verdadeira. Não se pode
generalizar ou aplaudir exceções e sim pensar, refletir no como é essencial buscar
novas formas para um emprego consciente de avaliação no processo de ensinoaprendizagem que se quer significativo.
Gadotti (2000) afirma que:
A escola precisa dar o exemplo de ousar construir o futuro. Inovar é
mais importante do que reproduzir com qualidade o que existe. A
matéria-prima da escola é sua visão do futuro. A escola está
desafiada a mudar a lógica da construção do conhecimento.[...] As
categorias “contradição”, “determinação”, “reprodução”, “mudança”,
“trabalho”, “práxis”, “necessidade”, “possibilidade” aparecem
freqüentemente na literatura pedagógica contemporânea, sinalizando
já uma perspectiva da educação, a perspectiva da pedagogia da
práxis. Essas categorias tornaram-se clássicas na explicação do
fenômeno da educação, principalmente a partir de Hegel e de Marx. A
dialética constitui-se, até hoje, no paradigma mais consistente para
analisar o fenômeno da educação. Pode-se e deve-se estudá-la e
estudar todas as categorias anteriormente apontadas. Elas não
41
podem ser negadas, pois ajudarão muito na leitura do mundo da
educação atual (GADOTTI, 2000, p.9-10).
O pensamento de Gadotti (2000) vai de encontro ao de Penna Firme (1994, p.6): “O
momento é mais para inovar em avaliação do que reproduzir tradicionais modelos
[...]”. É nessa perspectiva que se faz necessário, entre os estudiosos e interessados
da avaliação, o exercício pleno da capacidade crítica, porque tendências, que são
avanços, e tendenciosidades, que são retrocessos, convivem na teoria e, sobretudo
na prática. Distinguir umas e outras é imprescindível.
Penna Firme (2005) lembra que a tentativa persistente de estudiosos, impregnada
de experiências bem ou mal sucedidas na prática da avaliação vem atravessando, a
partir do início do século XX, quatro gerações, numa evolução centenária,
essencialmente conceitual. A primeira, associada à mensuração, não distinguia
avaliação e medida. A segunda geração surgiu em busca de melhor entendimento
do objeto avaliação. A terceira geração trouxe a preocupação com o mérito e a
relevância, características essenciais do juízo de valor e a quarta geração surgiu
com uma conceituação cuja característica principal foi a negociação, um processo
interativo que se fundamentou num paradigma construtivista.
Segundo Penna Firme (2005), critérios foram gerados:
A preocupação dos estudiosos da área em definir padrões de
excelência para a avaliação gerou um substancial conjunto de
critérios agrupados em quatro categorias, encabeçadas pela
dimensão utilidade, o que significa que uma avaliação não deverá
jamais ser realizada se não o for para ser útil. Segue-se a dimensão
viabilidade, segundo a qual ela terá que, além de útil, ser conduzida
considerando aspectos políticos, práticos e de custo-efetividade. Em
sintonia com tais características, e não menos importante é a ética
com que deve ser realizada, no respeito aos valores dos
interessados, incluindo grupos e culturas. E, finalmente, será
importante considerar a característica precisão, no que tange as
dimensões técnicas do processo (PENNA FIRME, 2005, p.1).
Cada avaliação deve revestir-se de características próprias, segundo Penna Firme
(2005, p.1), ”em sintonia com o contexto social, político, cultural e educacional onde
se realiza e de forma tal que o avaliador é essencialmente um historiador, que
descreve, registra, interpreta a história singular de cada cenário”.
42
Para Hoffman (2002), no âmbito da educação brasileira, as questões debatidas em
avaliação, os preceitos expressos nos documentos legais, e as novas experiências
desenvolvidas em várias regiões do país, expressam igualmente essas tendências
universais. Estudiosos contemporâneos Arroyo (1986), Demo (2002), Luckesi
(2009), Macedo (1994), Hadji (2001), Nóvoa (1995), Perrenoud (1999), Vasconcellos
(2001), Penna Firme (2005), Zabala (2010), Barbosa (2011), Hernández (2000)
apontam, em uníssono, a preocupação em superar o viés positivista e classificatório
das práticas avaliativas escolares, retomando-as em seu sentido ético, de juízo
consciente de valor, de respeito às diferenças, de compromisso com a
aprendizagem para todos e a formação da cidadania.
Os estudos em avaliação deixam para trás o caminho das verdades absolutas, dos
critérios objetivos, das medidas padronizadas e das estatísticas, para alertar sobre o
sentido essencial dos atos avaliativos de interpretação de valor sobre o objeto da
avaliação, de um agir consciente e reflexivo frente às situações avaliadas e do
exercício do diálogo entre os envolvidos. Os estudos contemporâneos em relação à
avaliação da aprendizagem apontam novos rumos teóricos, tendo como diferencial
básico a capacidade interativa
do avaliador no processo. À medida em que os
estudos apontam para o caráter interativo e intersubjetivo da avaliação, alertam
também para a essencialidade do diálogo entre todos os que fazem parte desse
processo, para a importância das relações interpessoais e dos projetos coletivos
(HOFFMAN, 2002).
Fundamenta-se esse princípio da avaliação na visão dialética do conhecimento, que
implica o princípio de historicidade: - o conhecimento humano visa sempre o futuro,
a evolução, a superação – uma ação que se projeta no futuro.
Nesses estudos, percebe-se, no entanto, que as concepções pedagógicas não são
lineares e é possível identificar a presença da pedagogia tradicional, a construtivista
e a crítico-dialética, manifestando-se em correntes distintas ou imbricadas,
justapostas, no contexto do processo ensino-aprendizagem da avaliação em Artes
Visuais.
43
CAPÍTULO 2
CONCEITOS, CARACTERÍSTICAS E FUNÇÕES DA AVALIAÇÃO
NO PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM
Avaliar é indispensável em toda atividade humana e, portanto, em qualquer proposta
de educação. Assim sendo, Freitas et al. (2011) postulam a existência de três níveis
de avaliação integrados, simultaneamente, ao articularem: a avaliação realizada em
sala de aula (aprendizagem), com a avaliação interna à escola e sob seu controle
(institucional) e a avaliação de responsabilidade do poder público (sistemas).
Acredita-se que a articulação, entre esses níveis citados, repercute nos processos
de planejamento e participação docente no projeto da escola, bem como melhora a
aprendizagem do estudante indiretamente.
Igualmente, Fernandes (2009, p. 21) considera que “a avaliação pode melhorar a
qualidade das aprendizagens e, em conseqüência, a qualidade do sistema
educacional globalmente considerado”. O autor discute a avaliação como um
elemento essencial de desenvolvimento dos sistemas, porque é muitas vezes a
partir e por meio dela que as escolas podem empobrecer ou enriquecer o currículo.
Dentro dessa concepção observa-se que:
Os professores podem organizar o ensino com maior ou menor
ênfase na experimentação ou na resolução de problemas; os alunos
podem estudar com maior ou menor orientação; os pais e os
encarregados de educação podem acompanhar a vida escolar de
seus filhos ou educandos com maior ou menor interesse; a sociedade
em geral pode estar mais ou menos informada acerca do que os
jovens estão aprendendo e como estão aprendendo; os governos
podem, ou não, estabelecer mais fundamentada e adequadamente as
políticas educativas formativas (FERNANDES, 2009, p.21).
Portanto, governos, políticos, escolas, gestores, professores, pais e alunos, estão
todos interessados na avaliação, utilizam-na de diversas formas, seja para monitorar
a qualidade da educação, seja para planejar ou melhorar seus projetos e programas,
seja para monitorar o progresso dos alunos, ou ainda ajuizar-se acerca do trabalho
realizado pela escola.
44
Os conceitos, características e funções da avaliação aqui apresentados têm como
ponto de partida a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e as
contribuições teóricas de vários autores, priorizando ao final, a avaliação do
processo de ensino-aprendizagem em Arte. Esses autores têm concepções de
educação diferentes, mas para a análise sobre Arte, isso vai ser desconsiderado.
A avaliação do processo de ensino-aprendizagem, objeto de estudo dessa pesquisa,
de acordo com a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) nº 9.394/96 em seu artigo 24,
inciso V – diz que a verificação do rendimento escolar observará os seguintes
critérios: a) Avaliação contínua e cumulativa do desempenho do aluno, com
prevalência dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos e dos resultados ao
longo do período sobre os de eventuais provas finais; b) Possibilidade de aceleração
de estudos para alunos com atraso escolar; c) Possibilidade de avanço nos cursos e
nas séries, mediante verificação do aprendizado [...] (BRASIL, 1996).
Da letra “a” entende-se que o aluno não pode ser avaliado num
momento isolado do resto do processo, e que a avaliação não é o
ponto alto do bimestre. A avaliação só se entende como processo
contínuo. Da parte do professor, diz respeito à observação diária, à
atenção dirigida ao que o aluno faz, ao que diz, ao modo como reage
às diversas situações na sala de aula. Como se comporta ao
enfrentar certos conteúdos, em que aspectos demonstra maior ou
menor facilidade, quanto cresceu em relação aos comportamentos
anteriores, como interage com a turma... e assim por diante
(SAVIANI, 2006, p.170).
O texto da LDB indica que, além de contínua, a avaliação seja cumulativa. Que os
instrumentos e formas de avaliação priorizem uma visão global das matérias
estudadas, levando o aluno a utilizar as capacidades que foi adquirindo em outros
meses, em outras séries. Que as questões ou situações-problemas sejam
abrangentes, interligando os saberes estudados.
Sacristán e Pérez Gómez ( 2007) destacam que:
O conceito de avaliação contínua é inerente às proposições que
querem alcançar uma avaliação integrada normalmente no processo
de ensino, com intenção formativa, desenvolvida por procedimentos
informais. Em suas origens este conceito surge como alternativa aos
exames que abrangem grande quantidade de conteúdos, após longos
períodos de aprendizagem. A continuidade implica fracionamento da
45
exigência o que permite facilitar aos alunos a comprovação do que
aprendem (SACRISTÁN; PÉREZ GÓMEZ, 2007, p.346).
Esse processo aumenta a regulação da aprendizagem e diminui o tempo de ensino
do professor. O sistema tradicional de avaliação, nesse sentido, foi substituído por
um sistema de informação continuado que para muitos professores se transformou
em exames parciais cujas classificações obtidas por acumulação chegam à
qualificação definitiva. Portanto, a avaliação se transforma em operação final onde
se constata a eficácia dos efeitos de um processo educativo organizado
(SACRISTÁN; PÉREZ GÓMEZ, 2007).
Ao detalhar e encadear os objetivos pode-se optar por uma avaliação mais
frequente, segundo Sacristán e Pérez Gómez (2007), a fim de determinar se existe
ou não a progressão prevista. Essa é a lógica da avaliação contínua. O caráter
renovador dessa avaliação torna-se significativo como informação constante sobre o
progresso do aluno e a orientação do mesmo.
A avaliação por ser processo contínuo, visa à correção das possíveis distorções e ao
encaminhamento para a consecução dos objetivos previstos. Trata-se da
continuidade da aprendizagem dos alunos e não da continuidade de provas. O
processo de avaliação se coloca como elemento integrador e motivador, e não como
uma situação de terror, ameaça ou pressão.
A
avaliação não pode ficar atrelada a orientações ultrapassadas, portanto, em
consonância com a LDB – Lei nº 9.394/96, a Secretaria de Estado de Educação, no
uso de sua competência divulgou a Resolução SEE nº 2.197, em 26 de outubro de
2012, para entrar em vigor a partir do ano letivo de 2013, com orientações sobre a
organização e funcionamento do ensino nas Escolas Estaduais de Educação Básica
de Minas Gerais. Nela se destaca um direcionamento para a avaliação da
aprendizagem através dos artigos 69 a 81, especificamente em seu Título V.
De acordo com essa Resolução:
A avaliação da aprendizagem dos alunos realizada pelos professores,
em conjunto com toda equipe pedagógica da escola, como parte
46
integrante da proposta curricular e da implementação do currículo,
redimensionadora da ação pedagógica deve: I. Assumir um caráter
processual, formativo e participativo; II. Ser contínua, cumulativa e
diagnóstica; III. Utilizar vários instrumentos [...] (SEE, 2012, p. 66).
Essa resolução, em seus vários artigos sobre avaliação, traz subsídios para auxiliar
o professor em seu processo avaliativo e esclarecer sobre pontos importantes como
procedimentos, planos de intervenção pedagógica - PIP, promoção, progressão
continuada e parcial, etc. bem como respaldá-lo em várias situações educativas do
processo de ensino-aprendizagem.
A Educação Básica de qualidade é um direito assegurado pela Constituição Federal
e pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Nos últimos anos, o Conselho
Nacional de Educação (CNE), no cumprimento de sua missão legal de assegurar a
participação da sociedade no aperfeiçoamento da educação nacional, realizou uma
série de estudos, debates, seminários e audiências públicas que contaram com a
participação dos sistemas de ensino, dos órgãos educacionais e sociedade civil.
Esse trabalho resultou na atualização das Diretrizes Curriculares Nacionais e na
produção de novas e importantes orientações, tendo em vista o atendimento às
novas demandas educacionais geradas pelas transformações sociais e econômicas
e pela acelerada produção de conhecimentos (BRASIL, 2013).
Tendo como propósito a disseminação desses conhecimentos, o CNE, por meio
desse documento, coloca à disposição das instituições educativas e dos sistemas de
ensino de todo o Brasil um conjunto de Diretrizes Curriculares que articulam os
princípios, os critérios e os procedimentos que devem ser observados na
organização e com vistas à consecução dos objetivos da Educação Básica (BRASIL,
2013).
O CNE espera que esta publicação, lançada em 2013, possa inspirar as instituições
educacionais e os sistemas de educação na elaboração de suas políticas de gestão,
bem como de seus projetos político-pedagógicos com vistas a garantir o acesso, a
permanência e o sucesso dos alunos, resultantes de uma educação de qualidade
social que contribua decisivamente para construção de uma sociedade mais justa e
mais fraterna (BRASIL, 2013).
47
Nestas diretrizes, do ponto de vista teórico, muitas são as formulações que tratam
da avaliação de um modo geral. No nível operacional, a avaliação das
aprendizagens tem como referência o conjunto de habilidades, conhecimentos,
princípios e valores que os sujeitos do processo educativo projetam para si de modo
integrado e articulado com aqueles princípios e valores definidos para a Educação
Básica, redimensionados para cada uma de suas etapas.
A avaliação em sala de aula tem como contraponto dialético a avaliação
institucional.
As relações entre esses dois níveis são muito ricas, pois, permitem
criar um novo entendimento sobre a publicização da atividade de
ensino do professor – a avaliação do professor – sob a liderança do
coletivo da escola, fugindo ao entendimento corrente da mera
‘responsabilização’ do professor e da escola por avaliação externa.
(FREITAS et al. 2011, p.13)
Essas avaliações para Freitas et al., (2011, p.47) seriam mais eficazes se
planejadas e conduzidas no nível dos municípios, pelos conselhos municipais de
educação, que teriam o papel de “regular os processos de avaliação das redes de
educação básica, estruturando uma política de avaliação global para o município”. O
resultado é um indicador da “saúde educacional da nação”.
A ideia é de que os resultados de uma avaliação em larga escala sejam
encaminhados à escola para que, dentro de um processo de avaliação institucional,
ela possa usar estes dados, validá-los e encontrar formas de melhoria, inclusive,
para a avaliação já realizada pelo professor em sala de aula.
Embora a avaliação da aprendizagem em sala de aula seja o lado mais conhecido
da avaliação educacional, o foco dessa pesquisa é a avaliação do processo de
ensino-aprendizagem em Artes Visuais.
A avaliação de um modo geral é um procedimento complexo, é um aspecto
pedagógico que provoca polêmicas e tem um papel extremamente importante no
processo de ensino-aprendizagem. Representa o nó górdio da educação, isto é,
uma grande dificuldade, um problema difícil para ser resolvido. Seu lugar, ocupado
na atividade pedagógica, a coloca no topo das atenções de estudantes e
48
educadores. Ela emerge na sala de aula ora como fonte de desenvolvimento, ora
como ameaça. A avaliação é um dos suportes de qualquer ambiente acadêmico.
A questão da avaliação do processo de ensino-aprendizagem, cujos protagonistas
são o professor e os alunos, e cujo “locus” é a sala de aula, implica alguns conceitos
para orientar esta caminhada. Nesse sentido, faz-se necessário compreender os
conceitos, as características e funções da avaliação do processo ensinoaprendizagem em alguns autores. Sant’Anna (2010), no seu livro “Por que avaliar?
Como Avaliar? Critérios e instrumentos”, destaca vários autores e seus conceitos, a
saber:
A avaliação educativa é um processo complexo, que começa com a
formulação de objetivos e requer a elaboração de meios para obter
evidência de resultados, interpretação dos resultados para saber em
que medida foram os objetivos alcançados e formulação de um juízo
de valor (SARABBI, 1971, apud SANT”ANNA, 2010, p. 28).
Avaliação em educação significa descrever algo em termos de
atributos selecionados e julgar o grau de aceitabilidade do que foi
descrito. O algo, que deve ser descrito e julgado, pode ser qualquer
aspecto educacional, mas é, tipicamente: a) um programa escolar, b)
um procedimento curricular, c) o comportamento de um indivíduo ou
de um grupo (THORNDIKE; HAGEN, 1960, apud SANT’ANNA, 2010,
p. 29).
“É um processo contínuo, sistemático, compreensivo, comparativo, cumulativo,
informativo e global, que permite avaliar o conhecimento do aluno” (MARQUES, J.
C., 1976, apud SANT’ANNA, 2010, p. 29).
Os conceitos expressos acima, constatam a ênfase no desempenho do aluno e
unanimidade dos autores em considerá-la um processo. Consequentemente deve
ser percebida como aquela condição que imprime dinamismo ao trabalho escolar,
pois diagnostica uma situação e permite modificá-la de acordo com as necessidades
detectadas.
A avaliação, segundo
Zabala (2010), é considerada como um instrumento
sancionador e qualificador, em que o sujeito da avaliação é o aluno e somente o
aluno, e o objeto da avaliação são as aprendizagens realizadas segundo certos
objetivos mínimos para todos.
49
Zabala (2010) menciona que:
É possível encontrar definições de avaliação bastante diferentes e,
em muitos casos, bastante ambíguas, cujos sujeitos e objetos de
estudo aparecem de maneira confusa e indeterminada. Em alguns
casos, o sujeito da avaliação é o aluno , em outros é o grupo, classe,
professor, professora ou a equipe docente. Quanto ao objeto da
avaliação, às vezes é o processo de aprendizagem seguido pelo
aluno ou os resultados obtidos, enquanto que outras vezes se
desloca para a própria intervenção do professor (ZABALA, 2010, p.
195).
É importante destacar três referenciais selecionados por Antunes (2012) nos quais
autores diferentes concordam em alguns pontos:
O processo de avaliação da aprendizagem consiste essencialmente
em determinar se os objetivos educacionais estão sendo realmente
alcançados pelo programa do currículo e do ensino. No entanto, como
os objetivos visados consistem em produzir certas modificações
desejáveis nos padrões de comportamento do estudante, a avaliação
é o processo mediante o qual determina-se o grau em que essas
mudanças do comportamento estão realmente ocorrendo ( TYLER,
1969, apud ANTUNES, 2012, p.262)
A avaliação é a coleta sistemática de evidências por meio das quais
determinam-se mudanças que ocorrem nos alunos e como elas
ocorreram. Incluem uma grande variedade de evidências que vão
além do tradicional exame final de lápis e papel. É um sistema de
controle de qualidade pelo qual pode ser determinada, em cada etapa
do processo ensino-aprendizagem, a efetividade ou não do processo
e, em caso negativo, que mudanças precisam ser feitas para
assegurar sua efetividade antes que seja tarde (BLOOM, 1975, apud
ANTUNES, 2012, p.262).
“Avaliar significa emitir um julgamento de valor ou mérito, examinar os resultados
educacionais para saber se preenchem um conjunto particular de objetivos
educacionais “(AUSUBEL, 1982, apud ANTUNES, 2012, p. 262-263).
Estudos realizados por esses autores revelam que procedimentos de coleta,
organização e interpretação de dados de desempenho, formas de julgamento , tudo
isso está envolvido na avaliação do rendimento escolar onde o aluno representa o
objeto central da avaliação. A ideia de avaliação do rendimento escolar, associada a
uma concepção de conhecimento, à emissão de juízo de valores, é mais complicada
que procedimentos de medição. Nesse sentido a tarefa do professor ao avaliar exige
50
competência, discernimento, equilíbrio, e conhecimentos técnicos (ANTUNES,
2012).
O conceito mais comum de avaliação estipulado por Luckesi (2009, p. 9) lembra
que, “a avaliação é um juízo de qualidade sobre dados relevantes da realidade,
tendo em vista uma tomada de decisão”. “Não se dá nem se dará num vazio
conceitual, mas sim, dimensionada por um modelo teórico de mundo e”,
consequentemente,
“de
educação”, que
possa
ser
“traduzido
em
prática
pedagógica”. Luckesi compartilha a afirmação de Perrenoud (1999, p.13) de que
“Não se avalia por avaliar, mas para fundamentar uma decisão”.
Em Luckesi (2009), o objetivo da avaliação é diagnosticar experiências, é propiciar
decisões, é diagnosticar a aprendizagem que está ocorrendo e os elementos que
estão confluindo para esta aprendizagem, é tomar decisões que auxiliem este
processo de melhoria da aprendizagem na perspectiva de produzir resultados mais
satisfatórios.
De fato a avaliação pressupõe um juízo de qualidade e uma marca de subjetividade
do avaliador, que devem ser objetivados em critérios e resultados. Ela conduz a uma
tomada de decisão quando se trata de um processo de aprendizagem e essa
tomada de decisão é o componente da avaliação que coloca mais poder na mão do
professor.
Ao longo do tempo vão-se percebendo as dificuldades e os avanços de cada aluno.
Como princípio geral, as ações de avaliação não se destinam a punir ou a
classificar, mas sim a promover; servem para averiguar resultados obtidos, não para
recompensar ou para castigar e sim para ajudar o aluno e o próprio professor a
estabelecer metas adequadas e a descobrir métodos eficientes, destinados a
alcançar estas metas. Mediante a descoberta e apreciação dos fatos, são
encontrados problemas que devem ser prevenidos ou solucionados, os pontos
fracos que devem ser vencidos e as causas que devem ser superadas; situações
que devem ser colocadas em seu nível normal.
51
Em relação às características da avaliação, segundo Luckesi (2009), é possível
identificar três características que envolvem o ato de examinar e o ato de avaliar.
Nos exames tem-se a característica pontual, onde verifica-se o aqui e o agora do
conhecimento do aluno. Exemplo: exames de vestibular.
Outra característica é a classificatória, que coloca o aluno em determinado nível de
acordo com o seu resultado, onde as escalas de nota atuam definitivamente na vida
do educando. Essa característica classificatória decide sobre a vida do educando e
não o auxilia no seu crescimento, porque, além de seu papel específico na exclusão
ela acaba por influenciar todas as outras práticas escolares. É uma forma pela qual
o aluno pode ser aprovado sem deter os conhecimentos necessários numa unidade
de ensino, ou seja, na escola.
Exemplo10: Se o aluno recebe uma nota seis e é aprovado, isto quer dizer que ele
domina só uma parte do conhecimento e não todo o conhecimento. Ou, em termos
de avaliação um aluno obtém nota 5,0 e outro aluno obtém nota 4,0. O primeiro
aluno está aprovado e o outro, não. O que o primeiro sabe é considerado suficiente.
Suficiente para que? Acreditar que tais notas possam por si só explicar o rendimento
do aluno e justificar uma decisão de aprovação ou retenção, sem que sejam
analisados o processo de ensino-aprendizagem, as condições oferecidas para
promover a aprendizagem do aluno, a relevância deste resultado na continuidade de
estudos, é, sobretudo, tornar o processo avaliativo extremamente reducionista
quanto às possibilidades de professores e alunos tornarem-se detentores de
maiores conhecimentos sobre aprendizagem e ensino.
Não se pode esquecer dos instrumentos utilizados para avaliar, que fundamentam
este processo decisório e necessitam de questionamento, não só quanto à sua
elaboração, mas quanto à coerência e adequabilidade com o que foi trabalhado em
sala de aula e o modo com que o que vai ser avaliado foi trabalhado.
E a terceira característica é a seletiva, onde a lógica da seleção conduz à
manutenção ou eliminação do aluno na escola; sempre foi utilizada para excluir a
10
Nota explicativa baseada em Luckesi, 2009.
52
maior parte dos alunos dos estudos aprofundados, isto é, estudos intensivos para
acadêmicos que queiram uma preparação imediata e específica para vestibular,
concursos, etc.
Luckesi (2009) identifica uma característica não pontual onde o professor
acompanha o antes, o agora e o depois do desempenho do aluno em suas
atividades. Outra característica: não classificatória e sim dinâmica, utiliza diferentes
instrumentos e na reflexão dos seus resultados inclui a participação dos alunos, dos
pais e de outros profissionais, qualifica e subsidia o reencaminhamento da ação,
possibilitando consequências no sentido da construção do resultado que se deseja.
E a última característica é a de promover a inclusão: a avaliação se destina ao
diagnóstico que permite a decisão de direcionar ou redirecionar aquele aluno que
precisa de ajuda, ela cria a base do modo de como incluí-lo dentro do círculo de
aprendizagem, por isso mesmo é includente. O diagnóstico tem por objetivo
aquilatar coisas, atos, situações, pessoas, tendo em vista tomar decisões para a
obtenção de uma maior satisfatoriedade daquilo que se esteja buscando ou
construindo.
Sant’Anna (2010) afirma que o diagnóstico é utilizado para verificar conhecimentos
que os alunos têm, pré-requisitos que os alunos apresentam e particularidades dos
alunos.
Percebe-se que, o professor, tendo em mãos o resultado do diagnóstico, pode
estabelecer planos e metas para o desenvolvimento dos conteúdos e habilidades da
disciplina com os alunos, redefinir e introduzir novos conhecimentos.
Estudos realizados por Perrenoud (1999) apontam:
A avaliação como uma invenção, mais tardia, nascida com os
colégios por volta do século XVII e tornada indissociável do ensino de
massa que se conhece desde o século XIX, com a escolaridade
obrigatória. [...] Para ele, avaliar é – cedo ou tarde – criar hierarquias
de excelência, ou seja, níveis, posições de qualidade do saber, em
função das quais se decidirão a progressão no curso seguido, a
seleção no início do Ensino Médio, a orientação para diversos tipos
de estudos, a certificação antes da entrada no mercado de trabalho e,
53
frequentemente, a contratação. Avaliar é também privilegiar um
modo de estar em aula e no mundo, valorizar formas e normas de
excelência, estigmatizar a ignorância de alguns para melhor celebrar
a excelência de outros (PERRENOUD, 1999, p. 9).
Ele aborda a avaliação do ponto de vista da excelência à regulação das
aprendizagens entre duas lógicas: A lógica formativa e a lógica da seleção. Ele não
nega as contribuições da docimologia, psicometria, psicopedagogia e da didática 11
no que diz respeito à avaliação. Seu olhar descritivo mostra que não se pode
melhorar a avaliação sem tocar no conjunto. Porém, antes de acontecer essa
regulação é necessário regular o trabalho, as atividades, as relações de autoridade,
cooperação e as relações entre família e escola.
Incontestavelmente, a lógica formativa ganhou importância. Ela emergiu e depois se
difundiu através da democratização do ensino e da busca de uma pedagogia
diferenciada onde as forças e a legitimidade de ambas estão mais equilibradas. A
discussão sobre regulação se insere na compreensão que o mesmo tem de que
“avaliação” e “ensino” são processos que devem ser integrados e contínuos.
As duas principais lógicas do sistema, a tradicional e a emergente não esgotam a
realidade e o sentido das práticas avaliativas. A avaliação é tradicionalmente
associada na escola, à criação de uma hierarquia de excelência no decorrer do ano
letivo através de trabalhos, provas de rotina, provas orais, anotação de atividades
pessoais e de dossiês que prefiguram o resultado final.
Quando se fala em excelência, destaca-se a exposição de Perrenoud (1999):
12
Cada disciplina ou subdisciplina , tomada em um dado nível do
curso, constitui um campo de excelência. A excelência é aí
"oficialmente" comparada ao domínio dos conceitos, dos
conhecimentos, dos métodos, das competências e dos valores que
figuram no programa. Portanto, as normas de excelência são, em
princípio, facilmente identificáveis: parecem decorrer logicamente do
programa do ano. Cada hierarquia de excelência apresenta-se, então,
como uma classificação, conforme o grau de domínio alcançado por
cada aluno no interior de um campo disciplinar (ou de um campo mais
restrito). Esse grau de domínio é tomado em certos momentos do
11
Docimologia: veja nota nº 4; Psicometria: ramo da estatística que estuda fenômenos psicológicos;
Psicopedagogia: área de estudo dos processos e das dificuldades de aprendizagem do educando; Didática:
parte da pedagogia que se ocupa dos métodos e técnicas de ensino.
12
Subdisciplina é cada uma das partes que resulta da divisão de uma disciplina.
54
curso e expresso de acordo com certas escalas numéricas ou certos
códigos padronizados, em geral comuns ao conjunto das disciplinas
(PERRENOUD, 1999, p.29).
A continuação do curso ou a orientação para qualquer habilitação no final do ano
seguem o comando das hierarquias de excelência. Elas regem o que se chama de
êxito ou fracasso escolar. A escola, até os anos de 1960, não se sentia responsável
pelas aprendizagens, limitava-se a oferecer a todos a oportunidade de aprender:
cabia a cada um aproveitá-la.
Nos anos de 1960, Bloom, citado por Perrenoud (1999, p. 14), defendeu uma
pedagogia do domínio onde se dizia que “todo mundo pode aprender” com a
condição de que o ensino fosse organizado de maneira a individualizar o conteúdo,
o ritmo e as modalidades de aprendizagem em função de objetivos claramente
definidos.
Estabelecendo relação dentro das situações didáticas e intervenções contínuas
privilegiou-se a avaliação como instrumento de regulação. Seu papel na perspectiva
de uma pedagogia de domínio, passou a ser o de controlar o raciocínio do aluno e
como ele adquiria conhecimentos, a fim de auxiliá-lo na conquista dos objetivos.
Assim, nasceu a ideia de uma avaliação formativa em relação aos programas, sua
transposição à pedagogia e às aprendizagens dos alunos.
Segundo Perrenoud (1999, p. 15) “A avaliação formativa introduz uma ruptura
porque propõe deslocar essa regulação ao nível das aprendizagens e individualizála”.
Sant’Anna (2010) constata que
A avaliação formativa é realizada com o propósito de informar o
professor e o aluno sobre o resultado da aprendizagem, durante o
desenvolvimento das atividades escolares. Localiza deficiências na
organização do ensino-aprendizagem, de modo a possibilitar
reformulações no mesmo e assegurar o alcance dos objetivos. É
chamada formativa, pois indica como os alunos estão se modificando
em direção dos objetivos (SANT’ANNA, 2010, p.34).
55
Perrenoud (1999, p.16) assinala: “Ela está no âmago das tentativas da pedagogia
diferenciada e da individualização dos percursos de formação”. Percebe-se que
assim se constitui a avaliação formativa no âmbito do processo ensinoaprendizagem que se quer presente na esfera da educação.
A avaliação, segundo Sacristán e Pérez Gómez (2011, p. 322), “desempenha várias
funções, atende a diversos objetivos para o sujeito avaliado, para o professor, para a
instituição escolar, para a família e para o sistema social”.
Sacristán e Pérez Gómez (2011, p. 323) apresentam sete funções das práticas de
avaliação adotadas pela educação e dizem que “as funções que a avaliação cumpre
são a base fundamental para o sucesso da aprendizagem e melhoria da qualidade
da educação”. São elas: 1) Função de definir os significados pedagógicos e sociais;
2) Cumprir funções sociais; 3) Função de poder de controle sobre os avaliados; 4)
Funções pedagógicas abrangendo vários encargos (como diagnóstico, garantia da
aprendizagem, etc.); 5) Funções na organização escolar; 6) Projeção psicológica
como fonte de motivação extrínseca e intrínseca; 7) Função de apoio da
investigação no que diz respeito aos resultados e suas interpretações.
Segundo Cook (1961) citado por Sant’Anna (2010) parte-se da constatação de que
as funções da avaliação estão intimamente relacionadas às funções primordiais da
educação, que são a integrativa e a diferenciada.
Quando cumpre a educação sua função integrativa, busca tornar as pessoas
semelhantes em ideias, valores, linguagem, ajustamento intelectual e social.
Unifica e dá coesão ao grupo. Em sua função diferenciada, no entanto, visa a
salientar as diferenças individuais, preparar as pessoas segundo suas
competências particulares, formando-as para profissões e atividades
específicas (SANT’ANNA, 2010, p. 37).
As funções da avaliação seguem linhas de orientação, que relacionam as funções
gerais da avaliação com a função educacional integrativa, e as funções específicas
com as diferenciadas.
São funções gerais da avaliação: fornecer as bases para o
planejamento; possibilitar a seleção e a classificação de pessoal
( professores, alunos, especialistas, etc.); ajustar políticas e práticas
curriculares. São funções “específicas” da avaliação: facilitar o
56
diagnóstico; melhorar a aprendizagem e o ensino (controle);
estabelecer situações individuais de aprendizagem; interpretar os
resultados; promover, agrupar alunos (classificação) (SANT’ANNA,
2010, p.37).
Constata-se, portanto, que as múltiplas funções que a avaliação cumpre e pode
cumprir tornam-se realidade quando se tem o conhecimento de seus resultados.
A proposta de avaliação formativa fundamenta-se na observação e no registro do
desenvolvimento dos alunos, em seus aspectos cognitivos, afetivos e relacionais,
decorrentes das propostas de ensino. É contínua, diagnóstica e sistemática e é o
eixo nos processos de ensino e aprendizagem. Faz parte da aula do professor e
deve ser observada em cada situação de aprendizagem proposta pelo mesmo e
realizada pelo aluno. Permite rever todos os passos do planejamento. Pressupõe
que a escola, antes de avaliar seus alunos, avalie-se como Instituição.
Porém, não se deve esquecer que as práticas existentes no processo de avaliação
constituem, muitas vezes, uma herança da sociedade burguesa, no seio da qual
emergiu e se cristalizou a pedagogia tradicional, um legado da pedagogia jesuítica
através do Ratio Studiorum e da pedagogia Comeniana através da Didática Magna,
dos séculos XVI e XVII cujas influências perduram até os dias de hoje (LUCKESI,
2012).
Para Hoffmann (2009), a avaliação é essencial à educação. Inerente e indissociável
enquanto concebida como problematização, questionamento, reflexão sobre a ação.
Um professor que não avalia constantemente a ação educativa, no sentido
indagativo, investigativo do termo, instala sua docência em verdades absolutas, prémoldadas e terminais. A avaliação é reflexão transformada em ação. Ação essa, que
impulsiona o docente para novas reflexões. Reflexão permanente do educador sobre
a realidade, e acompanhamento, passo a passo do educando, na sua trajetória de
construção de conhecimento.
Portanto, segundo Hoffmann (2006) a avaliação deve ser um processo em busca de
melhorias reunindo informações e dados para subsidiar e incentivar a análise
reflexiva das práticas. No desejo de estarem sempre concluindo os caminhos da
57
aprendizagem, educadores e educandos se desencontram, seguem rumos
diferentes, não se conhecem, não dialogam, nem dão um tempo para refletir sobre
a experiência educativa que ambos compartilham.
A mediação na avaliação traduz-se em interação, onde emerge o encontro e o
diálogo se abre. Alunos e professores percorrem, ao mesmo tempo, os caminhos do
conhecimento no cenário educacional. Apesar dos desencontros, seguindo em
frente, às vezes cruzam caminhos na mesma direção.
Na análise de Hoffmann( 2006), não se pode delimitar a aprendizagem em tempos
fixos. Ela é um processo permanente cuja natureza individual demonstra a
experiência singular de cada um. Os pontos de chegada não devem ser valorizados,
porque são pontos provisórios. Deve-se valorizar os rumos dos caminhos cujos
passos devem se ajustar ao esforço que se torna essencial para provocar a
curiosidade do aprendiz na busca do conhecimento.
Dentro dos aspectos técnicos e metodológicos, Perrenoud ( 1999) considera legítimo
tratar a avaliação como uma “medida”. Uma operação intelectual que vai orientar o
aluno no universo de aspectos qualitativos e quantitativos. Mas não se pode
esquecer que a avaliação é muito mais do que uma medida. É uma representação
do valor escolar ou intelectual de outro indivíduo, construída por alguém. Nutre-se de
uma relação social específica que une o professor ao aluno e através deles, entre
seus respectivos grupos de pertencimento.
Na sua análise a avaliação da aprendizagem, no novo paradigma emergente, é um
processo mediador na construção do currículo e se encontra intimamente
relacionada à gestão da aprendizagem dos alunos. Na avaliação da aprendizagem,
o professor não deve permitir que os resultados das provas periódicas, geralmente
de caráter classificatório, sejam supervalorizados em detrimento de suas
observações diárias, de caráter diagnóstico. A avaliação é um processo que deve
estar a serviço das individualizações da aprendizagem.
Ele explora três modalidades da avaliação formativa, sob a perspectiva das
regulações: regulações retroativas, regulações interativas e regulações pró-ativas.
58
Para o autor, essas modalidades de avaliação não ocorrem de maneira estanque,
mas sim, de forma relacional, pois aparecem associadas, combinadas, interligadas.
A regulação retroativa acontece como uma "remediação", na qual o professor realiza
intervenções, buscando processos de aprendizagens anteriores aos que estão em
realização, encontrando as reais defasagens.
A regulação interativa é aquela que permite ao professor compreender como o
processo de aprendizagem está ocorrendo, percebendo as aquisições e dificuldades
dos alunos; essa regulação, irá levar o aluno a se conscientizar de seu processo de
aprendizagem. É observação e intervenção em tempo real, enquanto o aluno
desenvolve ações de aprendizagem.
A regulação pró-ativa acontece como elemento que antecede os procedimentos que
estimularão a aprendizagem. É um período de investigação sobre o contexto dos
alunos, as aprendizagens já solidificadas, os interesses do grupo de discentes, os
recursos disponíveis e as possíveis dificuldades.
Segundo Perrenoud (1999, p. 116) "Ela é a comunicação contínua entre professores
e alunos". A regulação interativa inclui as regulações retroativa e pró-ativa,
configurando a perspectiva de associação das três modalidades. Essa modalidade
de regulação não deve incidir na atividade, mas sim, na ação que gera
aprendizagem, pois nem toda atividade gera a aprendizagem. Para isso, o professor
deve planejar muito bem as aulas e selecionar ações que proporcionarão
aprendizagem. Ele deverá investir tempo e motivação na preparação e condução
das situações de aprendizagem, fazendo assim as regulações interativas.
Para Perrenoud (1999, p.116) "(...) o professor deverá maximizar o conflito cognitivo
e todos os processos suscetíveis ao desenvolvimento e fortalecimento dos
esquemas ou saberes".
Esse autor considera que a avaliação formativa desenvolvida pela regulação é vista
sob a perspectiva de um processo deliberado e intencional, tendo como objetivo,
59
controlar os processos da aprendizagem, para que possa consolidar, desenvolver ou
redirecionar essa mesma aprendizagem.
Nessa abordagem, a avaliação formativa traz a ideia de que os processos cognitivos
e metacognitivos dos alunos desempenham um papel fundamental na regulação e
autorregulação das suas aprendizagens. Os alunos constituem parte ativa, por
intermédio da mobilização consciente de um conjunto de recursos cognitivos,
metacognitivos e afetivos.
A ênfase é dada à compreensão dos processos cognitivos utilizados pelo aluno, que
analisados e interpretados qualitativamente, dão condições ao prosseguimento do
processo ensino-aprendizagem. Na reflexão de Perrenoud (1999) há uma
preocupação em contextualizar os processos de ensino, de aprendizagem e de
avaliação. A negociação e os contratos didáticos com os alunos criam condições
para o desenvolvimento de processos de autoavaliação e de autorregulação da
aprendizagem.
Zabala (2010) reserva o termo formativo para:
Uma determinada concepção da avaliação em geral, entendida como
aquela que tem como propósito a modificação e a melhora contínua
do aluno que se avalia; quer dizer, que entende que a finalidade da
avaliação é ser um instrumento educativo que informa e faz uma
valoração do processo de aprendizagem seguido pelo aluno, com o
objetivo de lhe oportunizar, em todo
momento, as propostas
educacionais mais adequadas (ZABALA, 2010, p.200).
É preciso reconhecer que para o bom desenvolvimento da avaliação formativa é
necessário haver uma seleção criteriosa de tarefas, a qual promova a interação, a
relação e a mobilização inteligente de diversos tipos de saberes e que, por isso,
possuam elevado valor educativo e formativo.
Para uma melhor compreensão é necessário rever alguns conceitos. De acordo com
o Centro de Referência Virtual – CRV (2012):
Regulação é o termo utilizado para se refletir sobre os processos específicos que
visam ajustar as estratégias de ensino às aprendizagens dos alunos. Seu objetivo é
60
contribuir diretamente para a progressão das aprendizagens. A regulação é
desencadeada pelo professor, ao reformular seu planejamento, adequando-o às
necessidades do aluno.
A regulação supõe a intervenção do professor na própria situação de aprendizagem
ou em outros momentos, desde que constate a necessidade de reorientar o
processo do aluno. Assim sendo, ele deverá utilizar recursos, definir ações no
sentido de possibilitar novas aproximações do aluno ao conhecimento trabalhado.
Para isso, poderá fazer uso de outras estratégias de ensino: levantar diferentes
questões, exemplificar, pedir para outro aluno expor, fazer junto, propor desafios
mais adequados, novas atividades de estudo, de pesquisa, sugerir leituras, fazer o
aluno interagir com colegas que têm conhecimento do tema, propor debates, etc.
A comunicação tem um papel fundamental na regulação. Uma prática dialógica e
interativa favorece esquemas de regulação. Para desenvolvê-la, o professor tem que
criar situações de confronto, de interação de trocas, de tomadas de decisão a fim de
possibilitar a exposição de ideias, as argumentações, as justificativas, os
planejamentos.
Autorregulação é o movimento feito pelo próprio aluno no sentido de gerir seus
projetos, seus progressos, suas estratégias diante das atividades de ensino e das
dificuldades que venha a encontrar. A autorregulação supõe uma capacidade do
aluno de avaliar (ou autoavaliar), com o fim de realizar correções ou ajustamento e
desenvolvimento no seu processo de aprendizagem.
A autorregulação consiste, portanto, em mobilizar as capacidades do aluno para
administrar sua própria aprendizagem, diante das atividades propostas e das
dificuldades que encontrar. É importante que o aluno tome consciência e reflita
sobre esse processo. Nesse sentido, a autoavaliação e a metacognição13, como
processos de conscientização dos mecanismos de aprendizagem, são indissociávies
da autorregulação. As pedagogias de projeto e as pedagogias ativas – apoiadas em
contextos significativos, os interesses do aluno, em desafios que o mobilizam
13
Metacognição: Uso de habilidades e estratégias para refletir e controlar o processo de aprendizagem.
61
profundamente – são as que mais favorecem a adesão do aluno às propostas de
trabalho pedagógico e são estimuladoras da autorregulação ( CRV., 2012).
Perrenoud (1999, p. 90) utiliza o termo regulação dos processos de aprendizagem
para designar o “conjunto das operações metacognitivas do sujeito e de suas
interações com o meio que modificam seus processos de aprendizagem no sentido
de um objetivo definido de domínio”.
É importante observar que Perreonud usa essa definição em sentido bastante
amplo, de modo a englobar a regulação e a autorregulação: a idéia de metacognição
remete necessariamente à autorregulação. Segundo ele, toda regulação é, em
última instância, uma autorregulação, já que, intervenções externas agem no sujeito
somente se forem, por ele, percebidas, interpretadas e assimiladas.
Estudos realizados por Hadji (2001) apontam um conceito distinto entre remediação
e regulação. A remediação está muito próxima da recuperação, o professor retorna
aos mesmos exercícios, à mesma prática enquanto a regulação reorganiza a
aprendizagem com novas atividades, com práticas diferentes e renovadas, onde
dois momentos se completam: o momento do “feedback” e o momento do
“encaminhamento”. Ambos voltados para os objetivos educativos estabelecidos pelo
professor.
Acredita-se que os estudos sobre regulação da aprendizagem podem acrescentar
novos significados que aparecem em Perrenoud (1999) quando ele faz uma
distinção entre regulação direta e regulação indireta. A regulação direta focada na
atividade do aluno intervém no seu procedimento intelectual enquanto que a
regulação indireta intervém nas condições de aprendizagem, como: motivação,
participação, ambiente, envolvimento, organização das atividades, além da situação
didática.
Esse mesmo autor aponta alguns obstáculos à uma regulação eficaz das
aprendizagens: a ênfase ao conteúdo em detrimento de uma lógica da
aprendizagem; a dificuldade de compreensão do processo de aprendizagem dos
alunos, os mecanismos de elaboração do raciocínio, da compreensão, da
62
memorização, etc; as rupturas ou descontinuidades nos processos: deixar
inacabadas muitas regulações, porém bem-iniciadas; tendência a dar prioridade à
regulação da tarefa em vez de regular a aprendizagem como processo.
Para otimizar uma avaliação é necessário que o professor vá além de seus
conhecimentos, dispondo de informações pertinentes e confiáveis, interpretando-as
corretamente e em tempo hábil, fazendo intervenções corretas conduzindo-as de
modo eficaz, assim, garantiria uma regulação efetiva da aprendizagem. Portanto, a
reconstrução da prática avaliativa supõe professores com formação crítica e
reflexiva, que seja capaz de ampliar seus horizontes compreendendo e
reconhecendo a necessidade de uma formação contínua e construir algo diferente.
A FIG. 2 a seguir mostra a avaliação numa abordagem sistêmica, situada no centro
de um octógono com oito dimensões interrelacionadas:
FIGURA 2 - A AVALIAÇÃO NO CENTRO DE UM OCTÓGONO.
Fonte: PERRENOUD, P.,1999, p. 146.
Tem-se como ponto de partida, as relações entre as famílias e a escola e,
dirigindo-se no sentido dos ponteiros de um relógio permite-se relacionar cada
dimensão da avaliação até ao ponto de chegada que são as satisfações pessoais e
profissionais. Portanto, essa abordagem considerada por Perrenoud (1999) pode ser
assim constituída:
63
a) A avaliação é o vínculo mais importante entre a escola e a família.
b) Uma avaliação formativa, no sentido mais amplo do termo, não funciona
sem regulação individualizada da aprendizagem.
c) Os meios de ensino não são, em sua maioria, concebidos por uma
pedagogia diferenciada resultante de uma avaliação formativa. Para ir
nesse sentido, deve-se então aceitar um grande investimento na criação
ou adaptação de instrumentos didáticos.
d) Toda avaliação formativa baseia-se na aposta bastante otimista de que o
aluno quer aprender e deseja ajuda para isso, que está pronto para revelar
as suas dúvidas, suas lacunas, suas dificuldades de compreensão da
tarefa.
e) Não se faz avaliação formativa sozinho, porque apenas se pode avançar
nesse sentido modificando profundamente a cultura da organização
escolar, não só em escala de sala de aula, mas também de
estabelecimento.
f) A introdução de uma pedagogia diferenciada e de uma avaliação formativa
leva, cedo ou tarde, a mexer nos programas.
g) A vocação da avaliação formativa é a de contribuir para as aprendizagens.
Acontecem fracassos que obrigam a fazer o balanço das aquisições; então
não é mais possível remediar, deve-se tomar decisões de seleção ou de
orientação.
h) Não se pode responsabilizar o medo da mudança por todas as
resistências dos professores. A situação é mais grave quando os
professores pressentem que não encontrarão, em um novo sistema de
avaliação, as satisfações, confessáveis ou não, que lhes proporciona a
avaliação tradicional (PERRENOUD,1999).
Acredita-se que um paradigma voltado para a avaliação está em andamento, apesar
de que a perspectiva sistêmica ainda não faz parte da cultura comum de todos os
pesquisadores e inovadores em educação.
64
2.1. Avaliação da aprendizagem em Artes Visuais
O mundo de hoje caracteriza-se entre outros aspectos, segundo os PCNs (1998),
pelo contato com imagens, cores e luzes através da história. As múltiplas
manifestações visuais, criação e exposição conduzem à necessidade de uma
educação voltada para o saber ver e perceber, distinguindo, nas formas e nos
ambientes, sentimentos, sensações, ideias e qualidades.
As Artes Visuais, possuindo formas tradicionais – desenho, pintura, escultura,
gravura, arquitetura, objetos, cerâmica, cestaria, entalhe -, inserem outras
modalidades resultantes dos avanços das novas tecnologias e transformações
estéticas do século XX: fotografia, moda, artes gráficas, cinema, televisão, vídeo,
computação, performance, holografia, desenho industrial, arte em computador. Cada
uma, relata os PCNs (1998), tem a sua particularidade e é utilizada em várias
possibilidades de combinações entre elas; os alunos podem comunicar-se entre si e
com outras pessoas e expressar-se de diferentes maneiras.
Na
contemporaneidade
“as
linguagens visuais ampliam-se,
criando novas
combinações e modalidades: A multimídia, a performance, o videoclipe, e o museu
virtual são alguns exemplos em que a imagem integra-se ao texto, som e espaço”
(BRASIL, 1998, p. 63).
A avaliação da aprendizagem em Arte não deve se limitar a um escore de
rendimentos ou a impressão do rótulo do talento, também não pode se restringir ao
instrumental do qual se vale para, apenas, levantar informações referentes à
aprendizagem. A avaliação do processo ensino-aprendizagem em Arte não se
resume a diagnóstico, apesar de também compreendê-lo – porque apenas
diagnosticar o que não dá certo e não procurar alterar essa realidade é um exercitar
em vão.
Percebe-se, nesse estudo, que a teoria a respeito das práticas de avaliação em
Artes Visuais são escassas no cenário nacional. Isso se torna notório devido ao fato
de que essa disciplina só entrou para o currículo das escolas brasileiras,
65
oficialmente, a partir da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei nº
9.394/96 e ainda necessita de alguns ajustes na forma de implementação.
Apesar da constatação acima, é possível identificar, contribuições relevantes nesse
cenário, dos pesquisadores como Iavelberg (2003), Duarte Júnior (2005), Pimentel
et al (2008), destacando contribuições notáveis de Ana Mae Barbosa (2011)
buscadas em Gardner (2013), Hernández (2000), Boughton (2004), Zimmerman
(2004), etc., para oferecer aos professores de Arte inspiração e sugestões para os
seus trabalhos pedagógicos efetivos na sala de aula.
As ações avaliativas hoje exercitadas pelos professores de Arte do Brasil não são
frutos do acaso, mas decorrem da própria evolução do ensino desse campo de
conhecimento no contexto escolar.
Para Hernández (2000, p.154), “avaliar significa entender, interpretar e valorizar os
conhecimentos aprendidos”. Ele afirma que a avaliação relacionada com o ensino da
Arte tende a movimentar-se como parte do processo educativo, como um campo
sobre o qual é necessário abrir múltiplas questões e contrastar outras propostas
sobre a avaliação que seguiram outro tipo de enfoques e critérios14.
Os critérios de avaliação são geralmente estabelecidos pelo sistema
ou subsistema, embora o mais comum é que cada escola, através de
seu regimento, registre os critérios ou normas a serem observados
pelos responsáveis das diferentes disciplinas curriculares
(SANT’ANNA, 2010, p.78).
Nas questões avaliativas pode-se pensar que a maior parte dos instrumentos
utilizados em outras áreas do conhecimento podem e devem ser empregados no
ensino da Arte. Quanto maior for o elenco de instrumentos avaliativos ofertados ao
aluno mais possibilidades ele terá para expressar a sua estrutura de conhecimento e
tudo o mais que estiver sendo avaliado.
Importante salientar que o profissional da educação deve fazer a adequação à faixa
etária e aos conteúdos trabalhados. De acordo com as novas orientações
14
Conjunto de aspectos que servem de norma para avaliações.
66
curriculares15 o aluno faz Arte na escola, reflete sobre Arte e aprecia imagens das
culturas – pode ser avaliado nesses três eixos ou ações de aprendizagem
significativa. O professor precisa criar indicadores de avaliação com base nas
tarefas e atividades desenvolvidas.
Não se deve interferir no desenvolvimento da liberdade e espontaneidade da
criança, e sim valorizar a riqueza plástica e formal de suas produções.
Segundo Hernández (2000, p. 144), “uma das crenças que cercam a Arte na
educação em relação aos conhecimentos vinculados às Artes Visuais é a de que
não se possa, que não tenha sentido, avaliá-los”.
Aceitar tudo como correto e adequado, respeitando e acatando tudo o que o aluno
traz, é decorrência de uma concepção que tem suas raízes profundamente firmadas
na corrente expressionista do século XX, que defendia o critério do livre exercício da
criatividade e o conceito de “espontaneidade criadora”, o famoso laissez-faire.16
A “corrente expressionista” colocou a possibilidade de avaliação num beco sem
saída:
Por um lado, se avaliássemos o que se apresentava como livre
exercício da criatividade do menino e da menina, estaríamos
incorrendo no contrário do que se pretendia: em vez de deixar que a
criança se expressasse, estaríamos limitando-a; em vez de
possibilitar-lhe que mostrasse seu mundo sem barreiras, obrigava-se
sua adequação ao critério da avaliação. Por outro lado,se houvesse
avaliação, o menino e a menina, em vez de ser espontâneos e
mostrar a riqueza de sua imaginação e experiências pessoais,
acabariam fazendo representações estereotipadas (HERNÁNDEZ,
2000, p.144).
Neste contexto, muitos professores passaram a acreditar que a autoexpressão
abrange todo o universo da Arte, especialmente para as crianças mais novas. O
processo avaliativo foi potencializado pela corrente Expressionista17 na área de Arte
durante as décadas de 1920, 1930 e 1940, foi praticado durante anos sob o
15
Diretrizes Curriculares, PCN – Parâmetros Curriculares Nacionais, PPP- Projeto Político Pedagógico; Proposta
Triangular de Ana Mae Barbosa. Resolução SEE nº 2.197, etc.
16
Deixar fazer. Não intervenção no que fazem os outros.
17
Corrente cujas formas artísticas são voltadas para a expressão subjetiva e emotiva.
67
argumento de que tudo que o aluno fizesse deveria ser considerado como positivo
pelo fato de que, dessa forma, estaria mostrando seus mundos interiores, suas
experiências pessoais,etc. (HERNANDEZ, 2000).
A substituição, em parte, da livre expressão por uma série de critérios observáveis e
mensuráveis, na avaliação em Arte levou a uma necessidade de organização e
superação da corrente Expressionista.
Muitos professores pareciam acreditar que eles deviam deixar as crianças se
expressarem e dessa forma seu compromisso de ensino já estaria realizado. Assim
não observaram que toda expressão tem conteúdo, mesmo que ele pareça referir-se
primeiramente à própria Arte. Para mostrar sua criatividade, a criança deve
expressar alguma coisa.
Com efeito, o trabalho expressivo produzido pela criança, segundo Duarte Júnior
(2005), quando se considera do ponto de vista de um esteticismo rigoroso, não tem
a menor importância, frente a uma obra dada a público enquanto Arte, e cujo valor
residiria apenas em si mesma, nas suas formas expressivas, segundo determinados
padrões estéticos. Porém, não significa que se deva ignorar o trabalho infantil, por
completo. Mesmo porque este produto final consiste no registro do percurso
empreendido pela criança, no seu desejo de se expressar, articulando sentimentos e
experiências de vida. A importância de seu trabalho reside no fato de ele mapear um
trajeto, de remeter à atividade que o precedeu, ajudando o professor a melhor
compreendê-la. Portanto, pergunta-se: deve-se ou não avaliar a produção da
criança? Pergunta articulada frequentemente por quem se encontra envolvido com a
Arte na educação.
Duarte Júnior (2005) esclarece:
Inicialmente é preciso que se compreenda a avaliação (toda e
qualquer avaliação) como uma ação reflexiva de suma importância
em qualquer atividade que empreendemos: só determinamos com
exatidão o nosso progresso e o que realmente conseguimos ao
avaliarmos os resultados alcançados, isto é, ao compará-los com os
objetivos previamente traçados e com os fins a que visávamos atingir.
Com este procedimento podemos tomar consciência da efetividade
ou não de nossos reforços, bem como das falhas e/ou méritos dos
métodos. Neste sentido a atividade avaliativa faz parte do processo
de conhecimento, seja conhecimento quanto à eficácia dos
68
instrumentos que empregamos, seja conhecimento quanto à nossa
destreza em utilizá-los. Avaliar portanto, diz respeito a uma tomada
de consciência com relação ao percurso até então seguido (DUARTE
JÚNIOR, 2005, p.143).
Pelo exposto pode-se compreender que, na realidade, a Arte produzida pela criança
é, em si mesma um instrumento de avaliação: nela se encontra o registro não
apenas dos vários aspectos de seu processo evolutivo, como também de sua
relação com os materiais expressivos. A Arte infantil fornece ao professor um rico
“dossiê” avaliativo.
Ao atingir a fase de desenvolvimento, na faixa dos dez anos de idade, em que as
preocupações estéticas começam a aflorar, certamente o trabalho de avaliação
pode-se dar de maneira mais direta, cautelosa e conscienciosa. Neste ponto, a
análise do produto elaborado pode começar a ser compreendida pela criança, em
termos dos efeitos conseguidos e dos sentimentos e ideias ocorrentes ao longo do
processo vivenciado. Nisto consiste o trabalho de avaliação, e não numa
comparação do trabalho da criança com pretensos parâmetros estéticos, definidores
da “boa” ou “má” arte (DUARTE JÚNIOR, 2005).
Portanto, segundo Duarte Júnior (2005), para a avaliação no terreno da Arte, o que
se deve ter em mente, é sempre uma atividade de diálogo e de discussão, produtora
de conhecimento e de consciência de mundo. Avaliar, nestes termos, não é aplicarse uma nota ou conceito ao trabalho da criança: tal procedimento pressupõe uma
escala comparativa, um padrão ideal do qual ela estaria mais próxima ou mais
afastada. Aqui, o único marco comparativo da criança consiste nela mesma. Seus
progressos, estagnações ou retrocessos apenas devem ser verificados com relação
ao seu próprio ponto de partida, e nenhuma escala quantitativa pode medir tais
mudanças. É qualitativamente, e em termos individuais, que se deve proceder a esta
avaliação, que é sempre necessária e importante, desde que entendida desta
maneira.
Até recentemente, a finalidade básica da avaliação era proporcionar
uma visão retrospectiva ( ou pontual) sobre a aprendizagem do aluno
e medir o aprendido antes de passar a séries posteriores ou receber
uma qualificação que permitisse um exercício profissional
(HERNÁNDEZ, 2000, p. 148).
69
Hernández (2000, p.148) esclarece que, a partir de uma perspectiva ampla,
entende-se por avaliação, “um conjunto de ações direcionadas ao recolhimento de
uma série de dados sobre uma pessoa, fato, situação ou fenômeno com o fim de
emitir um juízo sobre a mesma”. Costuma-se considerar que esse juízo seja
expresso em função de alguns critérios prévios, ainda que nem sempre seja
necessariamente assim, e tenha como finalidade recolher informação e valorizá-la,
para estabelecer uma posterior tomada de decisões.
A avaliação além de permitir obter evidências sobre o que o aluno lembra ou
compreende da informação que foi estudada em sala de aula está vinculada à
promoção do estudante. Pode-se distinguir três fases no processo de avaliação a
partir desses aspectos: A avaliação inicial, cuja intenção é detectar os
conhecimentos que os alunos já possuem ao iniciarem um curso ou estudo de um
tema, deveria tentar coletar evidências sobre as formas dos alunos aprenderem.
Assim, os professores poderiam obter informações de grande valor para seu
planejamento posterior e seria um ponto de partida para iniciar um projeto, planejar
uma unidade didática ou iniciar um processo de pesquisa (HERNÁNDEZ, 2000).
Não seria um excesso lembrar-se da avaliação formativa, já mencionada em
Perrenoud como aquela que se supõe que deveria estar na base de todo processo
avaliador. Sua finalidade não é controlar e qualificar os estudantes, mas sim ajudálos a progredir no caminho do conhecimento, a partir do ensino que se ministra e
das formas de trabalho utilizadas em sala de aula.
A avaliação formativa implica, para os professores, uma tarefa de
ajuste constante entre o processo de ensino e o de aprendizagem,
para ir-se adequando à evolução dos alunos e para estabelecer
novas pautas de ação em relação às evidências sobre sua
aprendizagem. Nesse processo, a análise dos trabalhos dos alunos
poderia ser realizada pela ótica de se levar em conta a exigência
cognitiva das tarefas propostas, a detecção dos erros conceituais
observados e as relações imprevisíveis. Esse momento de avaliação
pode utilizar as mesmas estratégias de recolhimento de informação
sobre os alunos, e ter as mesmas limitações em sua prática nas
escolas sobre as quais se falava na avaliação inicial (HERNÁNDEZ,
2000, p.150).
Por fim, a avaliação somativa é proposta como processo de síntese de um tema, de
uma série ou um nível educativo, sendo o “momento” que permite reconhecer se os
70
estudantes alcançaram os resultados esperados, adquiriram algumas das destrezas
e habilidades propostas em função das situações de ensino e aprendizagem. Na
prática, de acordo com Hernández (2000, p.150), “esse tipo de avaliação se associa
à noção de êxito ou fracasso dos estudantes na aprendizagem e serve como
passagem para dar credibilidade oficial aos conhecimentos adquiridos”. No entanto,
centrar-se na função da avaliação de dar crédito minimiza a possibilidade de uma
avaliação em ciclo que destaque o processo seguido e sirva aos professores para
avaliar sua própria tarefa e o progresso ou as dificuldades dos alunos.
Em Arte, “alguns professores propõem, na fase de avaliação somativa, situações
similares às apresentadas na avaliação inicial, para comprovar se mantiveram as
mesmas concepções ou se as modificaram” (HERNANDEZ, 2000, p.150).
O conjunto de saberes dos alunos influi em sua aprendizagem e avaliação, porque
interessa que o aluno parta do que sabe para progredir no conhecimento da área.
A avaliação em Arte deve passar por uma análise criteriosa. Deve-se investigar a
natureza do conhecimento relacionado com a Arte, o posicionamento (subjetivo,
objetivo) da resposta estética e a necessidade ou não da avaliação relacionada à
Arte-educação.
Depois do esclarecimento desses pontos não se pode esquecer que a avaliação é
necessária porque valoriza o programa de ensino que se realiza, esclarece aos
envolvidos sobre seu aprendizado e informa sobre a Arte-educação. Além disso
relaciona objetivos e finalidades educativas com a aprendizagem realizada pelos
estudantes, revelando o conhecimento básico e suas necessidades.
A avaliação do processo de ensino-aprendizagem abrange três dimensões: o
desempenho do aluno, o desempenho do professor e a adequação ao programa –
currículo - projeto político-pedagógico. E estas, devem considerar a realidade do
aluno, sua trajetória escolar e de vida.
Portanto, é necessário que o professor tenha um plano de ensino elaborado para
nortear seu trabalho. Desta forma, toda tarefa realizada pelos alunos deveria ter, por
71
intencionalidade básica, a investigação como ponto de reflexão sobre a prática dos
envolvidos - professores e alunos. A avaliação acontece em todas as atividades com
as trocas de informações do aluno, de seus colegas, do professor e da comunidade.
Os Parâmetros Curriculares Nacionais para o ensino da Arte informam que:
Avaliar implica conhecer como os conteúdos de Arte são assimilados
pelos estudantes a cada momento da escolaridade e reconhecer os
limites e a flexibilidade necessários para dar oportunidade à
coexistência de distintos níveis de aprendizagem em um mesmo
grupo de alunos. Para isso o professor deve saber o que é adequado
dentro de um campo largo de aprendizagem para cada nível escolar,
ou seja, o que é relevante o aluno praticar e saber nessa área
(BRASIL, 1998, p. 95).
Recomendam os PCNs de Arte (1998, p. 100) que, “ao avaliar, o professor precisa
considerar a história do processo pessoal de cada aluno e sua relação com as
atividades desenvolvidas na escola, observando os trabalhos e seus registros”.
Para acatar essa recomendação, o professor precisa considerar informações e
formação específica e continuada, sendo que
ele convive com informações
transitórias e que o conhecimento é sempre provisório, dialeticamente reconstruído.
Segundo os PCNs de Arte, (1998, p. 101) “A avaliação em Arte constitui uma
situação de aprendizagem em que o aluno pode verificar o que aprendeu,
retrabalhar os conteúdos, assim como o professor pode avaliar como ensinou e o
que seus alunos aprenderam”.
Os PCNs de Arte, enfatizam:
É importante que o aluno sinta no professor um aliado do seu
processo de criação, um professor que quer que ele cresça e se
desenvolva, que se entusiasma quando seus alunos aprendem e os
anima a enfrentar os desafios do processo artístico. [...]. O aluno, que
é julgado quantitativamente, [...], passa a se submeter aos desígnios
das notas, sem autonomia, buscando condicionar sua ação para
corresponder a juízos e gostos do professor. Este tipo de avaliação
não colabora para a construção do conhecimento (BRASIL, 1998, p.
102).
A avaliação mostra-se necessária, não só para o professor, mas para o próprio
aluno. O professor pode conduzir sua prática avaliativa de forma que alcance efeitos
72
produtivos no rendimento escolar de seus alunos e na sua prática profissional. Por
meio de uma avaliação criteriosa e consciente, o professor pode ser o responsável
pelas
transformações na escola e em seus alunos, na medida em que, de posse
das informações que lhe permitem perceber o que deve ser mudado, se proponha a
trabalhar em prol dessas transformações.
Assim, entende-se que, a avaliação mostra-se mais do que uma mera classificação
numérica, avaliar engloba uma série de fatores como: ajudar, incentivar, estimular,
diagnosticar dificuldades e intervir; o que só é possível quando o professor é
capacitado, é justo com os alunos e consigo mesmo.Um aluno, quando avaliado
rigorosamente e tem sua individualidade ignorada, além de ser prejudicado no
espaço escolar, poderá adotar, futuramente, em sua vivência social, esses mesmos
critérios avaliativos, para si mesmo e para com os outros.
Preconizam os PCNs de Arte (1998, p. 102) que “A função de avaliar não pode se
basear apenas e tão somente no gosto pessoal do professor, mas deve estar
fundamentada em certos critérios definidos [...]” .
Para a definição desses critérios, o professor de Arte, munido dos conhecimentos
adquiridos na sua formação, pode, em grande medida, considerar-se preparado para
tal e, consequentemente, para realizar a avaliação do aprendizado de seus alunos,
observando desde o início, os trabalhos desenvolvidos em sala de aula, o processo
de criação, o interesse, o esforço, a dedicação e a vontade de aprender de cada um.
O universo da avaliação em Arte representa um território bastante fértil para a
investigação do professor, que pode explorar, documentar, contra-argumentar,
construir uma ponte entre o conhecimento de sala de aula e o contexto externo. A
forma como as aulas ocorrem, os conteúdos trabalhados, bem como as avaliações
ou exposição dos trabalhos, trazem consigo um “retrato” da sua opção didática.
Cada escola representa um território completamente distinto. E nesse sentido
Gardner (2010) defende que:
Uma escola centrada no indivíduo seria rica na avaliação das
capacidades e tendências individuais. Ela procuraria adequar os
indivíduos, não apenas a áreas curriculares, mas também a maneiras
73
particulares de ensinar esses assuntos. E depois dos primeiros anos,
procuraria adequar os indivíduos aos vários tipos de vida e de opções
de trabalho existentes em sua cultura (GARDNER, 2010, p.16).
Gardner (2010) propõe um novo conjunto de papéis para os educadores, que
poderia transformar esta visão em realidade. Que a escola tivesse os “especialistas
em avaliação”, “o agente do currículo para o aluno” e o “agente de escolacomunidade”. Aos primeiros caberia tentar compreender potencialidades, as
capacidades, interesses, inclinações e dificuldades dos alunos de uma escola,
usando instrumentos de avaliação “justos para com a inteligência”.
Quase toda avaliação depende indiretamente da medida das capacidades das
inteligências linguística e lógico-matemática e são colocadas em um pedestal
pedagógico nas escolas. Porém, se a escola atentar para avaliar outros tipos de
inteligência diretamente, alguns alunos revelariam capacidades em áreas bastante
diferentes.
Ao segundo a tarefa seria auxiliar a combinação dos perfis, objetivos e interesses
dos alunos a currículos e estilos de aprendizagem.
E ao terceiro caberia a tarefa de adequar os alunos a oportunidades de
aprendizagem na comunidade, buscando situações e opções não disponíveis na
escola, para alunos cujos perfis cognitivos são diferenciados. Alunos que são
incomuns, muitas vezes, considerados sem talento, teriam uma colocação na
comunidade onde teriam chances de se desenvolver, de se realizar como pessoa
humana e assegurar um papel profissional na comunidade.
Este conjunto de papéis para os educadores envolveria uma complexa equação
aluno-avaliação-currículo-comunidade que ocorreria adequadamente equilibrada.
Na medida em que a avaliação gradualmente passa a fazer parte do cenário escolar,
ela deixa de ser uma parte separada das atividades da sala de aula. Como num bom
aprendizado, os professores e os alunos estão sempre avaliando. Não existe
necessidade de “ensinar para a avaliação”, pois ela é onipresente. O objetivo seria,
74
portanto, aumentar a probabilidade dos alunos descobrirem um papel profissional
ou ocupacional que combinasse com o seu perfil.
Gardner (2010) acredita que qualquer nova forma de avaliação precisa satisfazer
três critérios:
1º Deve ser justa para com a inteligência (não seja monitorada
através das lentes da lógica ou da matemática); 2º Deve ser
adequada em termos desenvolvimentais (utilizar técnicas apropriadas
ao nível desenvolvimental da criança); 3º Deve estar ligada a
recomendações (qualquer resultado vinculado às atividades
recomendadas para a criança com o perfil intelectual) (GARDNER,
2010, p.66)
Segundo esse autor, não se pode deixar que o uso de instrumentos padronizados,
dominem a avaliação. Se os
professores não forem capazes de avaliar a
aprendizagem que ocorre em diferentes domínios, e através de diferentes processos
cognitivos, as melhores inovações curriculares estão destinadas a permanecer
inutilizadas.
Para ele, as avaliações são contextualizadas. Elas refletem uma complexidade
realística; o conteúdo é dominado como meio, não como um fim, e os alunos devem
propor e esclarecer problemas, não apenas oferecer soluções. As medidas de
avaliação pretendem ser úteis não somente para avaliar aquilo que os alunos
aprenderam na escola, mas também como exemplo de uma boa pedagogia.
Gardner (2010) chama a atenção para vários pontos relacionados às Artes Visuais,
entre eles:
1º. “A avaliação da aprendizagem é crucial na Arte”. O sucesso de um programa de
Arte não pode ser afirmado ou tomado como certo. Entretanto, as avaliações devem
respeitar
as
inteligências
específicas
envolvidas,
deve
investigar
aquelas
capacidades e conceitos mais centrais na Arte. “Em vez de preparar um currículo
que se adapte à avaliação, é necessário desenvolver avaliações que façam justiça
àquilo que é mais importante em uma dada forma de Arte” (GARDNER, 2010, p.
124).
75
2º.” A aprendizagem artística não requer meramente o domínio de uma série de
habilidades ou conceitos”. A Arte é uma área profundamente pessoal em que os
alunos encontram seus próprios sentimentos, assim como os de outros indivíduos.
”Os alunos precisam de veículos educacionais que lhes permitam essa exploração;
eles precisam ver que a reflexão pessoal é uma atividade respeitada e importante, e
que sua privacidade não deve ser violada” (GARDNER, 2010, p. 124).
3º. “Em geral é arriscado, desnecessário, ensinar diretamente o discernimento
artístico ou julgamentos de valor.” Entretanto, “é importante que os alunos
compreendam que a Arte está permeada por questões de gosto e valor que
importam para qualquer pessoa seriamente envolvida na Arte”. (GARDNER, 2010, p.
125). Essas questões podem ser melhor transmitidas através do contato com
pessoas que realmente se importam com elas, que estão dispostas a apresentar e
defender seus valores, mas que estão abertas à discussão e aceitam pontos de vista
alternativos.
4º. A Arte é importante demais para ser deixada apenas com os “educadores”. Ela
precisa ser um empreendimento cooperativo envolvendo artistas, professores,
administradores, pesquisadores e os próprios alunos. Segundo Gardner (2010),
estes pontos acima mencionados contribuíram para uma nova abordagem ao
currículo e avaliação na Arte, chamada Arts PROPEL18. As ideias foram
desenvolvidas a partir de 1985 com o apoio da Divisão de Arte e Humanidades da
Fundação Rockefeller, o Harvard Project Zero unido ao Educational Testing Service
e as escolas públicas de Pittsburg. O Objetivo, do projeto Arts PROPEL, resultante
de vários anos de reflexão, “era o de desenvolver uma série de instrumentos de
avaliação que pudessem documentar a aprendizagem artística durante o período
final dos anos elementares e no ensino médio” (GARDNER, 2010, p. 125).
Gardner (2010) assegura que:
No começo tentou-se delinear os tipos de competência que se queria medir
nos alunos, em três formas de Arte – música, arte visual e escrita imaginativa
– observando três tipos de competência: produção – [...] pintar ou desenhar;
escrever de forma imaginativa ou “criativa”; percepção ( efetuar distinções ou
18
O termo “Propel” significa propelir, impelir, impulsionar.
76
discriminações em qualquer forma de Arte – “pensar” artisticamente); e
reflexão (distanciar-se das próprias percepções ou produções, ou das de
outros artistas, e procurar entender os objetivos, métodos, dificuldades e
efeitos atingidos). O termo PROPEL captura de modo acrônico este trio de
competências, nas três formas de Arte enfatizando uma preocupação com a
aprendizagem (learning) (GARDNER, 2010, p.126).
Nos relatos desse autor, constatou-se que o ideal seria desenvolver instrumentos de
avaliação adequados e administrá-los aos alunos de acordo com sua faixa etária.
Concluiu-se que, na verdade, não há como avaliar competências e potencialidades
sem que o aluno tenha tido alguma experiência significativa de trabalho artístico
relevante. É necessário que os professores de Arte observem e examinem os alunos
que já estão empenhados em atividades nessa disciplina. Os estudantes precisam
de professores conscientes dos objetivos do programa educacional e sejam
competentes em suas habilidades e
entendimentos necessários sobre Artes
Visuais.
Para atingir esses objetivos desenvolveu-se módulos curriculares vinculados aos
instrumentos
de
avaliação.
Implementou-se
um
cuidadoso
método
de
desenvolvimento de currículo e avaliação. Em cada forma de Arte, reuniu-se uma
equipe multidisciplinar para definir as competências centrais naquela forma de Arte.
Na área das Artes Visuais essas competências incluem sensibilidade ao estilo,
apreciação de vários padrões de composição e a capacidade de planejar e criar um
retrato ou uma natureza morta.
Com base nos estudos de Gardner (2010), sabe-se que:
Dentro da abordagem Arts PROPEL foram criados dois veículos
educacionais: O primeiro tratava-se de uma série de exercícios
chamados ”projeto de domínio” que deviam apresentar elementos
perceptivos, produtivos e reflexivos. O projeto do domínio da
composição funciona como um elemento tradicional das Artes Visuais
– o arranjo das formas – e procura vincular este elemento às
experiências produtivas e perceptivas do aluno (GARDNER, 2010,
p.126).
“No Arts PROPEL tentou-se criar um conjunto de projetos de domínio para cada
forma de Arte os quais devem incluir a maioria dos conceitos importantes numa
forma de Arte” (GARDNER, 2010, p.126).
77
Um segundo veículo educacional, chamado “processofólio”
foi introduzido. São
trabalhos em andamento, onde o aluno inclui os trabalhos concluídos, os esboços
originais, desenhos provisórios, críticas deles mesmos e dos outros, trabalhos
artísticos de outros que ele admira ou desgosta, e que tem a ver com seu projeto
atual.
Sabe-se que grande parte do Arts PROPEL foi dedicada à elaboração de sistemas
de avaliação. Uma série de procedimentos de autoavaliação é apresentada em cada
projeto de domínio. Os esboços e produto final do aluno, juntamente com suas
reflexões
são
avaliados
em
várias
dimensões
qualitativas,
tais
como
comprometimento, habilidades técnicas, imaginação e habilidades imaginativas
críticas.
Segundo Gardner (2010):
Embora os projetos de domínio se prestem a várias formas de
avaliação, a avaliação dos processofólios é uma operação mais
desafiadora e delicada. As várias dimensões da avaliação ajudam a
esclarecer o potencial único dos processofólios: a consciência de que
o aluno tem de suas potencialidades; a capacidade de refletir
corretamente; a capacidade de aproveitar a auto-crítica e de fazer uso
da crítica dos outros; a sensibilidade em relação aos próprios marcos
desenvolvimentais; a capacidade de utilizar produtivamente as lições
dos projetos de domínio; a capacidade de descobrir e resolver novos
problemas; a capacidade de relacionar projetos atuais com aqueles
realizados em momentos anteriores e com aqueles que a pessoa
espera realizar no futuro; a capacidade de passar facilmente de uma
posição ou papel estético para outro, de forma adequada.O objetivo
não é o de apenas avaliar em várias dimensões, mas também o de
encorajar o aluno a desenvolver-se nestas dimensões.Este sistema
de avaliação tem o potencial de alterar o que é discutido e valorizado
na sala de aula (GARDNER, 2010, p.129-130).
O Arts PROPEL foi adotado por vários sistemas escolares dos Estados Unidos. Em
Cambridge, Massachusetts, por exemplo, houve o despertar de um grande interesse
na utilização do Arts Propel nas Artes Visuais. Barbosa ( 2005) buscou inspiração
nos estudos americanos para elaborar e sistematizar a Abordagem Triangular, onde
fundamenta o ensino de Arte de forma consciente e coerente em sua relação com o
conhecimento. Nessa concepção a autora defende um ensino que englobe o fazer, o
fruir e o contextualizar a Arte, todos no mesmo patamar de importância e
78
compartilha suas investigações com os educadores brasileiros através de seus
livros, artigos e palestras.
Hernández (2000) afirma que tornam-se necessárias novas estratégias de avaliação
que levem em conta essa variedade de conteúdos. A proposta curricular levada
adiante por Gardner e pelo grupo vinculado ao Arts PROPEL reflete as pautas de
avaliação que se relacionam com a orientação da Arte de caráter disciplinar, e sobre
a qual Hernández realizou uma síntese que se reflete na FIG. 3.
FIGURA 3 – ADAPTAÇÃO DA PROPOSTA CURRICULAR DO PROJETO ARTS PROPEL
Conteúdo
História
Arte
Seleção
da Seleção
histórica
O
que
selecionar
estudar
Crítica
vou
para
Seleção crítica
Interessa-me?
Estética
Descrição,
Interpretação
Análise
e
Classificação
Avaliação
Análise
estilística
Significação
histórica
Significado e
contexto
histórico
Como podemos
pensar sobre o
estilo:
geral,
histórico,
pessoal?
Análise visual
Como podemos
pensar sobre o
estilo: geral,
histórico,
pessoal?
Que significava
em seu tempo?
Perspectiva
crítica e
interpretativa
Por
que
é
importante para
nós?
Critérios de
qualidade
Como
reajo
diante da obra e
por quê?
O que penso
sobre
a
qualidade
da
obra?
Perspectiva
histórica
Contexto
estético
Aproximação ao
valor
Quais são suas
perspectivas em
relação à arte?
Em que medida
a
arte
se
relaciona com a
vida?
Processo
Forma
Expressão
Que
decisões
estou tomando
O que
fazendo?
Podemos
considerar como
uma boa
manifestação
artística?
Em que sentido?
Com
que
argumentos?
Integridade
Funciona?
Does this work?
Arte/não-arte
Isso é arte?
Prática
Artística
Fonte – HERNÁNDEZ, 2000, p.160.
estou
O que digo?
79
Partindo dessa e de outras propostas que vão num sentido similar na medida em
que levam em conta uma parte do conhecimento disciplinar relacionado com a Arte,
Hernández (2000) observa que vale a pena destacar a aplicação de Stavropoulos
(1993) sobre os trabalhos de Prawat ( 1989, 1996) e de Koroscik (1990, 1992). Essa
autora projetou um instrumento de avaliação levando em conta o conhecimento
básico, as estratégias de busca e a complexidade das transferências que os
estudantes realizam e o relacionou com quatro dimensões do conhecimento
artístico: formal (Elementos/Princípios, Meio, Técnica); descritiva (Objetos, Figuras,
Representações,
Símbolos,
Imagens),
interpretativa
(Significado,
Emoção,
Sentimento, Expressão) e histórica. (Nomes, Dados, Títulos, Localizações, Período/
Movimento, Passado do Artista, Significado). Na estratégia de busca foram
levantados quatro marcos para a utilização do aluno: Marco de conteúdo; de
resolução de problemas; epistemológico e de pesquisa. Cada uma dessas
dimensões é avaliada de acordo com uma escala que representa o grau de
complexidade de compreensão dos alunos, em termos de níveis alto, baixo e
inadequado.
Hernández (2000) aborda alguns aspectos e razões para avaliar a aprendizagem do
conhecimento em Artes Visuais e alerta que, no momento de planejar a avaliação , é
necessário identificar os seguintes aspectos: a natureza dos conhecimentos
relacionados com a Arte (com a cultura visual); a posição diante da dicotomia
objetividade-subjetividade da resposta estética e seu impacto no ensino; a
concepção da necessidade, ou não, da avaliação ( não como qualificação)
relacionada à Arte na educação.
O autor pontua que após esclarecer estas concepções, conscientiza-se que há
necessidade de avaliar pelas seguintes razões: Para valorizar o programa de ensino
que se realiza; porque os estudantes necessitam saber como estão aprendendo;
porque é uma oportunidade para informar os outros sobre a educação em Artes
Visuais. Além disso, permite: relacionar os objetivos e finalidades educativas com a
aprendizagem realizada pelos estudantes; diagnosticar o conhecimento básico dos
estudantes e suas necessidades; revisar e valorizar o ensino que se ministra;
reconhecer, descrever, informar e comparar a aprendizagem dos estudantes.
80
“O que pode ser avaliado em Arte?” Hernández (2000, p.162) problematiza e
aborda aspectos que podem ser avaliados:
O conhecimento e a compreensão sobre os fenômenos e
problemas relacionados com a arte, as obras e os artistas; a
capacidade de dar forma visual às ideias; a argumentação que
apoia temas e questões relativas à arte; a descrição, análise e
interpretação das obras de arte e de seus significados; a
curiosidade, a inventividade, a inovação, a reflexão e a abertura a
novas ideias; a clareza no momento de expressar ideias, de
maneira oral e escrita, sobre a arte; o fato de expressar e sintetizar
ideias nas discussões sobre arte ou sobre as produções artísticas;
a diferenciação das qualidades visuais na natureza ou no meio
humano; a participação ativa em todas as atividades; a
competência na utilização das ferramentas, dos equipamentos, dos
processos e das técnicas relacionadas com as diferentes
manifestações da cultura visual; as atitudes para as manifestações
artísticas e seu papel na vida das pessoas ( HERNANDEZ,
2000, p.162 ).
Esses aspectos podem servir de ponto de partida para reformular e ampliar os
conhecimentos, atitudes e procedimentos que possam estar relacionados com a Arte
na educação.
Barbosa (2005) dá um destaque teórico à avaliação em Arte, quando remete o
assunto a artigos relevantes: como o de Boughton (2004) e Zimermann (2004).
Boughton (2004, citado por Barbosa 2005, p.375), compõe a diversidade de vozes e
visões que abordam tópicos importantes para o ensino e aprendizagem da Arte e
discute a avaliação na teoria e na prática, partindo da constatação de que:
A concepção de avaliação em Arte no ensino e aprendizagem está
dando lugar a uma nova visão. Compreende-se que apesar dos
melhores esforços de peritos para claramente estabelecer os padrões
esperados nas Artes Visuais, conduzir uma avaliação permanece
como uma das mais complexas tarefas que os professores enfrentam
em sua vida diária (BOUGHTON, 2004, citado por BARBOSA, 2004,
p.375).
Segundo Boughton (2004, apud Barbosa, 2005), diversos fatores contribuem para
esta complexidade:
Em primeiro lugar, para satisfazer diferentes propósitos educacionais a avaliação
requer dos professores várias formas de análise e de relato;
81
Em segundo lugar, sabe-se que muitas discussões sobre avaliação na área são
confusas por causa das discordâncias ou do não entendimento de termos-chave. E
ainda, a limitação das palavras para descrever distinções sutis em qualidade das
formas visuais, inibe a aplicação dos padrões bem como o uso de critérios de
julgamento.
Terceiro, sabe-se que o corrente esforço de políticos e diretores de escolas para
engenhosamente definir a natureza da área quanto aos padrões de execução,
ocorreu em um momento da história da Arte e da educação caracterizado por árduos
desafios às ortodoxias modernistas estabelecidas. Novas ideologias pós-modernas
questionaram
dogmas
sedimentados
sobre
a
natureza
da
educação,
e
particularmente a natureza da própria Arte.
Em quarto, é importante saber que recentes ideias e pesquisas proporcionaram um
leque de sugestões para formas alternativas de evidência (dados), e também
métodos de análise na condução da avaliação. Avaliação "autêntica" é um termo de
uso popular que carrega consigo certas implicações para a aplicação em classe.
Eisner (1972, 1996) percebeu a necessidade que os educadores tinham para
diferenciarem os conceitos: avaliação, medida, teste e atribuição de nota, a fim de
obter-se clareza em discussões sobre avaliação.
Assim como a medida, o teste também está logicamente desvinculado da avaliação
e requer que indivíduos respondam a tarefas das quais se extrai o produto para
estimativa. Para Eisner (1996), tanto a medida quanto o teste produzem evidências
que podem ser usadas para auxiliar os professores a avaliarem o aprendizado de
seus alunos. A atribuição de notas é um processo reducionista usado para atribuir
um símbolo como número ou letra, no qual se baseia um julgamento refletindo o
grau alcançado dentro de um critério particular (BOUGHTON, 2004, apud
BARBOSA, 2005).
Segundo a investigação de Boughton (2004):
82
Diferentes pontos-de-vista observados por modernistas e pósmodernistas continuam a levantar questionamentos aos educadores
sobre questões pedagógicas centrais de avaliação como a virtude da
originalidade na produção de imagens (Freedman, 1994a;
MacGregor, 1992), a relação da arte com o contexto (Chalmers, 1985;
Blandy & Hoffman, 1993), os méritos relativos entre arte popular e
Belas Artes (Duncum, 1996), a influência das novas tecnologias sobre
a expressão (Freedman & Relan, 1992), o valor que têm as formas
eurocêntricas de expressão em relação às de minorias culturais
(Anderson, 1995; Garber, 1995; Hart, 1991; Stuhr, 1994), e questões
de gênero em Arte na Educação (BOUGHTON, 2004, apud
BARBOSA, 2005 p.379).
Apesar da forte defesa contra os desafios aos valores estéticos tradicionais, a
discussão entre proponentes de velhas e novas ideologias obscureceu os
indicadores dos valores formalistas tradicionais (Eisner, 1994; Feldman, 1992;
Smith, 1992), tornando mais difícil aos professores-avaliadores determinar uma base
sobre a qual avaliar a qualidade da produção artística de seus alunos..
Segundo Boughton (2004) :
Assim como é na comunidade da Arte mais ampla, há uma
necessidade de se continuar a promover debates institucionais entre
professores e membros dessa comunidade para examinar a validade
de se “podar” o trabalho artístico vanguardista e trazer à tona a
natureza da Arte (BOUGHTON, 2004, apud BARBOSA, 2005, p.380).
Estratégias de avaliação estão aqui comentadas como um suporte e sugestões para
os professores no processo avaliativo em Arte na educação.
Recentes julgamentos e pesquisas sobre avaliação em Arte nos Estados Unidos
indicam a rejeição do teste como um meio apropriado de determinar o entendimento
artístico (GARDNER, 1996; SULLIVAN, 1993; ZIMMERMAN, 1994).
O teste, segundo Gardner (1996); Wolfe (1988); Zimmerman, (1994), requer
que os alunos atuem de maneira que não exemplificam os tipos de
comportamento que alguém usaria, para manifestar seu conhecimento em um
contexto cultural normal. Nesse sentido o teste é uma maneira não autêntica
de determinar se alguém possui tipos específicos de conhecimento prático
19
em Arte. Estratégias de Avaliação Autêntica requerem alunos engajados em
tarefas a longo prazo ou projetos desafiadores, complexos, significativos e
que reflitam situações da vida real (BOUGHTON, 2004, apud BARBOSA,
2005).
19
Avaliação alternativa com base no desempenho do aluno.
83
A Avaliação é concebida, não como informação resgatada (Sullivan,1993), mas
como uma forma de mapear os caminhos intelectuais dos estudantes, seu
pensamento e entendimento. O projeto de Arts PROPEL conduziu nas escolas
públicas de Pittsburg (Gardner, 1989, 1996; Wolfe, 1988), a longo prazo, um esforço
de pesquisa no qual se explorou, dentre outras coisas, estratégias alternativas de
avaliação (autêntica), baseadas em pastas, material escrito reflexivo e diálogo
(BLAIKIE, 1994 in BOUGHTON, 2004).
Segundo Boughton (2004) outro elemento importante para as estratégias
alternativas de avaliação é a importância da autorreflexão crítica do estudante, que
pode aparecer em pastas ou diários, tanto escritos quanto digitados.
Somando-se às pastas compiladas, e comentários reflexivos escritos ou gravados,
outras evidências foram recomendadas como apropriadas para a consideração
durante a avaliação. Zimmerman (1994) descreveu uma série de medidas que
incluem exposições dos trabalhos dos estudantes e de suas atuações; perfil de seu
comportamento; questionários e gravações de entrevistas com os estudantes;
métodos de multiplicação (que requerem do aluno que reensinem aos colegas
conceitos recém-aprendidos); vídeos com o comportamento dos estudantes; e
relatos verbais imediatos.
Os critérios usados sobre práticas de avaliação, pelos professores,
variam pouco de país para país. A maioria dos professores emprega
uma variação sobre três categorias de critério: 1) Relativa habilidade
de desenvolver e interpretar um tema; 2) Nível de especialização
técnica; 3) Relativa habilidade de atingir a sensibilidade expressiva
pessoal, através do uso de várias técnicas e processos
20
(BOUGHTON , 2004, citado por BARBOSA, 2005, p. 384).
Sustenta-se que estudiosos pós-modernos desafiaram ortodoxias tradicionais da
avaliação em Arte-Educação. Segundo Boughton (2004) levantaram questões
específicas sobre a originalidade na produção de imagens: se estudar o contexto
social do objeto de Arte do que sua forma é mais importante; se a Arte popular
merece a mesma relevância das Belas Artes; se as novas tecnologias têm alterado
significantemente a natureza de fazer Arte e análise; se deve ser julgada a Arte de
20
Doug Boughton – Northern Illinois University – USA “Avaliação: da teoria à prática”( tradução de Ana Helena
Rizzi Cintra – USP)
84
minorias culturais de acordo com princípios eurocêntricos de estética, e se a Arte
sobre a mulher, ou feita por ela, como era no passado, deve ser considerada
diferentemente. Estas questões merecem ser consideradas na avaliação do
aprendizado do estudante, e demandam contínuos debates entre aqueles que
avaliam seu trabalho.
Aponta-se que a "avaliação autêntica", de acordo com Boughton (2004), rejeita o
teste em favor de projetos complexos, desafiadores, que reflitam situações da vida
real dos alunos e que sejam de longo prazo. Na pasta incluem-se, as reflexões do
estudante gravadas ou escritas, o diálogo entre o professor e o aluno que são dados
coletados como evidências do trabalho em desenvolvimento.
Discute-se que os estudantes podem coletar na pasta, para avaliação, trabalhos em
andamento; trabalhos completados; rascunhos e anotações de ideias relacionadas
ao trabalho; comentários e avaliações dele, professor e colegas; ensaios sobre o
trabalho; fotografias e outros registros de fontes (BOUGHTON, 2004 apud
BARBOSA, 2005).
Observa-se que nos diálogos entre professor e aluno, professores tendem a não
ouvir os estudantes com cuidado; a serem diretivos através de aulas expositivas. No
entanto, os estudantes entendem mais de seu próprio sentimento e sensibilidade do
que os adultos pensam. O diálogo, apropriadamente conduzido pode revelar
valiosos insights para o processo de fazer Arte.
“Constata-se que julgamentos globais podem produzir um maior grau de
concordância dos juízes do que julgamentos que usam critérios de análise”
BOUGHTON,2004, p.384).
Recentemente, os exames e avaliações têm se mostrado estratégias capazes de
provocar mudanças na educação. O interesse nesses dois tipos de avaliação não se
limita apenas aos Estados Unidos, mas é de âmbito mundial. Zimmerman 21 (2004,
citada por Barbosa, 2005) pontua que as avaliações medem a aquisição de
21
Enid Zimmerman – Universidade de Indiana, Bloomington, Estados Unidos.
85
conhecimentos e as habilidades dos alunos, mediante a resolução de problemas
autênticos e realísticos. São avaliações autênticas de estudantes de Arte no
contexto de sua comunidade que envolvem tanto a verificação dos procedimentos,
como dos produtos da aprendizagem. Nessas avaliações o aluno tem a
oportunidade de engajar-se em atividades integradas, complexas e desafiadoras,
cuja colaboração de professores, estudantes e membros da comunidade local se faz
necessária.
O ambiente educacional local, a natureza e a diversidade da população estudantil,
as filosofias e estratégias preferidas pelos professores, as diretrizes locais com
respeito ao conteúdo e administração do programa, são fatores essenciais para que
este processo seja bem-sucedido.
Conforme Zimmerman (2004):
As avaliações autênticas habitualmente são avaliações alternativas
com base no desempenho do aluno, de quem são requeridas
soluções para problemas da vida real, envolvendo decisões, similares
às feitas por profissionais, como críticos de arte, historiadores de arte
ou artistas e aplicáveis fora do ambiente da sala de aula. As tarefas
envolvidas encorajam os alunos a aplicar conhecimentos prévios e
habilidades relevantes para resolver “problemas realísticos” ao
completar essas tarefas. Tem–se como exemplo, a participação em
debates sobre lugares adequados para exposição de trabalhos de
arte, mantendo portfólios do trabalho em processo e do trabalho
acabado, exibidos posteriormente em áreas públicas ou apresentados
em publicações de críticos de arte em jornais locais (ZIMMERMAN,
2004, apud BARBOSA, 2005, p. 405-406).
Observa-se que a avaliação autêntica em sala de aula, conforme Shepard (1989),
verifica a introdução básica construída pelo professor, sendo no contexto local
adaptável, significativa e estruturada para que os alunos desenvolvam tarefas que
tenham valor educacional intrínseco. Nesse contexto, a autoavaliação representa
importante papel, os próprios alunos apresentam os seus trabalhos de forma pública
e
oralmente, e apresentam suas conclusões para assegurar que dominam as
tarefas que assumiram.
86
Muitos pesquisadores22 sugerem que, ao conduzir avaliações autênticas, devem ser
desenvolvidos diversos critérios usando múltiplas estratégias sobre uma grande
variedade de tarefas, de forma a ter uma visão abrangente do progresso do aluno.
Zimmerman (2004) contribui com suas investigações a respeito desse tipo de
avaliação que contrasta com medidas padronizadas, quantitativas e qualitativas em
Arte. Verifica-se que a avaliação autêntica envolve seleção, coleta e interpretação de
informações a respeito de três tipos de atribuições: atribuições do programa,
atribuições de aprendizagem do estudante e atribuições do professor.
Alguns itens relativos à avaliação alternativa, segundo Zimmerman (2004), devem
ser verificados para estabelecer um programa de avaliação autêntica: 1. Assegurar
que os objetivos da avaliação sejam coerentes com os objetivos instrutivos; 2.
Examinar os procedimentos e os produtos de aprendizagem; 3. Integrar as
metodologias da avaliação com resultados de aprendizagem e conteúdo do
currículo; 4. Observar a aprendizagem do aluno como ativa, holística e complexa; 5.
Planejar processos diretamente relacionados às propostas de avaliação; 6. Gerar
equilíbrio entre tarefas e resultados pretendidos do aluno; 7. Reconhecer quais são
os critérios vitais para uma avaliação crítica do aluno; 8. Usar múltiplos recursos
para medir o desempenho de tarefas que não sejam claras ou que requeiram
criatividade, análise e integração do conhecimento; 9. Incluir uma ampla gama de
competências que requeiram considerável grau de iniciativa do aluno.
A avaliação autêntica encoraja o aluno a tornar-se participante ativo em sua
aprendizagem e a incentivar pais e membros da comunidade a ser parceiros ativos
nesse processo, e Zimmerman (2004) observa:
Quando a herança artística dos estudantes e de suas comunidades
locais é incorporada às avaliações autênticas, pesquisadores,
estudantes, pais, professores e membros da comunidade podem
aprender a valorizar as tradições de sua cultura e de outros lugares.
Assim, são capazes de começar a agir de modo a assegurar que as
avaliações em escolas locais sejam responsáveis pelos conceitos
expressos em sua cultura e pela compreensão do que é Arte, como e
por que é feita, das diferentes em experiências humanas e da
variedade de contextos nos quais a Arte é criada e continua a ser
criada (ZIMMERMAN, 2004, apud BARBOSA, 2005, p. 417).
22
Clark e Zimmerman, (1977, 2004); Rudner e Boston, (1994); Zimmerman, (1992, 1997b)
87
Os critérios e instrumentos para a avaliação autêntica ( que serão vistos no próximo
capítulo) são recursos valiosos que serão somados e discutidos a outros recursos,
como uma forma variada de se trabalhar a avaliação no ensino e aprendizagem das
Artes Visuais e como possibilidade de contribuir para a literatura no campo das
avaliações.
88
CAPÍTULO 3
INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO
Os instrumentos de avaliação do ensino-aprendizagem são muitos e podem variar
segundo a disciplina, as circunstâncias e os objetivos que se quer alcançar. No
entanto, é preciso esclarecer aos professores que não se deve ficar presos a
instrumentos tradicionais ou contemporâneos, superados ou atuais.Todos eles são
válidos, desde que sejam aplicados de modo dinâmico, propiciando exercício de
reflexão e espírito crítico do aluno.
A avaliação, que durante décadas foi um instrumento ameaçador e autoritário, está
mudando, mas continua sendo um dos grandes nós da educação moderna. A FIG.
4, montada com base em Sant’Anna e Ramos (2008), apresenta os instrumentos de
avaliação mais usados na escola. Todos os especialistas concordam que nenhum é
melhor do que o outro. O ideal é mesclá-los, adaptando-os às necessidades e à
realidade de cada turma, e é óbvio, aos objetivos de cada educador.
O presente capítulo apresenta e discute o potencial de cada instrumento de
avaliação do processo ensino-aprendizagem em geral e, especificamente, em Arte,
tendo em vista o foco desta pesquisa.
Nesse sentido, traz os instrumentos indicados para a avaliação em geral constantes
na Resolução SEE nº 2.197 e nas Diretrizes Curriculares Nacionais como também
os instrumentos indicados para a avaliação em Arte constantes no CBC, na
perspectiva do Arts PROPEL e avaliação autêntica, assim como os critérios e as
condições necessárias para a execução da mesma.
89
FIGURA 4 - OS NOVE INSTRUMENTOS MAIS COMUNS USADOS NA AVALIAÇÃO DO
PROCESSO ENSINO-APRENDIZAGEM.
INSTRUMENTOS
CARACTERÍSTICAS
1 Prova objetiva
Série de perguntas diretas, para respostas curtas, com apenas uma
solução possível.
2 Prova dissertativa
Série de perguntas que exigem capacidade de estabelecer relações,
resumir, analisar e julgar.
3 Seminário
Exposição oral para um público leigo, utilizando a fala e materiais de apoio
adequados ao assunto.
4 Trabalho em grupo
Atividades de natureza diversa (escrita, oral, gráfica, corporal etc) realizadas
coletivamente.
5 Debate
Discussão em que os alunos expõem seus pontos de vista a respeito de
assunto polêmico.
6 Relatório individual
Texto produzido pelo aluno depois de atividades práticas ou projetos
temáticos.
7 Autoavaliação
Análise oral ou por escrito, em formato livre, que o aluno faz do próprio
processo de aprendizagem.
8 Observação
Análise do desempenho do aluno em fatos do cotidiano escolar ou em
situações planejadas.
9 Conselho de classe
Atividade que reúne um grupo de professores da mesma série, visando em
conjunto chegar a um conhecimento mais sistemático da turma, bem como
acompanhar e avaliar cada aluno individualmente, através de reuniões
periódicas.
Fonte – SANT’ANNA; RAMOS, Revista Nova Escola, 2008.
O instrumento nº 1, prova objetiva, tem como vantagens precisão e clareza. É mais
limitante do que a prova subjetiva. É fácil e rápida de elaborar e corrigir; pode medir
tanto o raciocínio como a memória; permite a solução de grande quantidade de itens
em pouco tempo, o que faculta ao professor avaliar uma amostragem relativamente
grande de assuntos; é aplicável a qualquer área do conhecimento . É aquela em que
as questões são de múltipla escolha ou do tipo “certo e errado”.
O instrumento nº 2, prova dissertativa, é a prova com questões abertas. Difícil,
porém tem como vantagem o aluno mostrar capacidade de redação e habilidade de
contornar o problema central; subjetivismo presente na construção e no julgamento;
fundamental a competência de quem julga as respostas; liberdade ao aluno de
90
mostrar a sua individualidade; encoraja o aluno a organizar e interpretar; boa para
compreensão, aplicação e análise; melhor para habilidade de síntese.
O instrumento nº 3, seminário, tem como vantagem contribuir para a aprendizagem
do ouvinte e do expositor, exige pesquisa, planejamento e organização das
informações; desenvolve a oralidade em público.
O instrumento nº 4, trabalho em grupo, possibilita o trabalho organizado em classes
numerosas e a abrangência de diversos conteúdos em caso de escassez de tempo.
Esse procedimento não tira do professor a necessidade de buscar informações para
orientar as equipes. Nem deve substituir os momentos individuais de aprendizagem.
O instrumento nº 5, debate, desenvolve a habilidade de argumentação e a oralidade;
faz com que o aluno aprenda a escutar com um propósito; aprenda a defender uma
opinião fundamentando-a em argumentos convincentes.
O instrumento nº 6, relatório individual, traz a possibilidade de avaliar o real nível de
apreensão de conteúdos depois de atividades coletivas ou individuais. Possibilita
ainda, averiguar se o aluno adquiriu conhecimento e se domina a estrutura de um
texto.
O instrumento nº 7, autoavaliação, permite que o aluno torne-se sujeito do processo
de aprendizagem, que adquira responsabilidade sobre si mesmo, aprenda a
enfrentar limitações e a aperfeiçoar potencialidades. Possibilita ainda, ao aluno,
adquirir capacidade de analisar suas aptidões e atitudes, pontos fortes e fracos.
O instrumento nº 8, observação, traz a possibilidade de perceber como o aluno
constrói o conhecimento, seguindo de perto todos os passos desse processo. Esse
instrumento serve como uma lupa sobre o processo de desenvolvimento do aluno e
permite a elaboração de intervenções específicas para cada caso.
O instrumento nº 9, conselho de classe, favorece a integração de professores, a
análise do currículo e a eficácia dos métodos utilizados; facilita a compreensão dos
fatos com a exposição de diversos pontos de vista; permite compartilhar informações
91
sobre a classe e sobre cada aluno para embasar a tomada de decisões. O resultado
final deve levar a um consenso da equipe em relação às intervenções necessárias
no processo ensino-aprendizagem considerando as áreas afetiva, cognitiva e
psicomotora dos alunos (SANT’ANNA; RAMOS, 2008).
Em consonância com a legislação nacional, com os fundamentos e procedimentos
definidos pelos Conselhos Nacional e Estadual de Educação, com as normas do
Sistema Estadual de Ensino de Minas Gerais e com a estratégia governamental de
longo prazo definida no Plano Mineiro de Desenvolvimento Integrado – PMDI 20112030, a Secretaria de Estado de Educação, através da Resolução nº 2.197, de 26 de
outubro de 2012, no uso de sua competência resolveu dispor no Título V, art.61 a
89, as diretrizes para a avaliação da aprendizagem, que entrou em vigor a partir do
ano letivo de 2013.
No que diz respeito aos instrumentos avaliativos o art.70 da resolução esclarece:
Na avaliação da aprendizagem, a escola deverá utilizar
procedimentos, recursos de acessibilidade e instrumentos diversos,
tais como a observação, o registro descritivo e reflexivo, os trabalhos
individuais e coletivos, os portfólios, exercícios, entrevistas, provas,
testes, questionários, adequando-os à faixa etária e às características
de desenvolvimento do educando e utilizando a coleta de informações
sobre a aprendizagem dos alunos como diagnóstico para as
intervenções pedagógicas necessárias (MG/SEE, 2012, p. 66).
A enumeração dos instrumentos de avaliação é um diferencial nessa proposta em
relação às diretrizes básicas de ensino previstas anteriormente pela Lei de Diretrizes
e Bases da Educação Nacional (LDB), Lei nº 9.394/96. Alguns desses instrumentos
já vêm sendo utilizados no campo da educação há várias décadas e outros
apresentam-se como alternativas para o desempenho do aluno abrindo-se um leque
de possibilidades. Assim, se inicia um novo processo.
92
3.1. Os instrumentos usados na avaliação em Artes Visuais
As Artes Visuais, além das formas tradicionais – pintura, escultura, desenho,
gravura, arquitetura, objetos, cerâmica, cestaria, entalhe -, incluem outras
modalidades que resultam dos avanços tecnológicos e transformações estéticas do
século XX: fotografia, moda, artes gráficas, cinema, televisão, vídeo, computação,
performance, holografia, desenho industrial, arte em computador. Cada uma dessas
modalidades artísticas, segundo os PCNs de Arte (1998), tem a sua particularidade
e é utilizada em várias possibilidades de combinações entre elas, por intermédio das
quais os alunos podem expressar-se e comunicar-se entre si e com outras pessoas
de diferentes maneiras.
No mundo contemporâneo as linguagens visuais ampliam-se, fazendo novas
combinações e criam novas modalidades. A escola, como relatado nos PCNs de
Arte (1998), deve colaborar para que os alunos passem por um conjunto amplo de
experiências de aprender e criar, articulando percepção, imaginação, sensibilidade,
conhecimento e produção artística pessoal e grupal.
A avaliação no processo de ensino-aprendizagem de Arte precisa ser realizada com
base nos conteúdos, objetivos e orientação do projeto educativo na área e tem três
momentos para sua concretização, de acordo com os PCNs de Arte (1998):
A avaliação pode diagnosticar o nível de conhecimento artístico e
estético dos alunos, nesse caso costuma ser prévia a uma atividade;
a avaliação pode ser realizada durante a própria situação de
aprendizagem, quando o professor identifica como o aluno interage
com os conteúdos e transforma seus conhecimentos; a avaliação
pode ser realizada ao término de um conjunto de atividades que
compõem uma unidade didática para analisar como a aprendizagem
ocorreu (BRASIL,1998,p.56)
Quanto aos objetivos gerais das Artes Visuais, apresentados nos PCNs de Arte
(1998), espera-se que os alunos do Ensino Fundamental sejam capazes de:

Expressar, representar ideias, emoções, sensações por meio da articulação
de poéticas pessoais, desenvolvendo trabalhos individuais e grupais;
93

construir, expressar e comunicar-se em artes plásticas e visuais articulando a
percepção, a imaginação, a memória, a sensibilidade e a reflexão,
observando o próprio percurso de criação e suas conexões com o de outros;

interagir com variedade de materiais naturais e fabricados, multimeios
(computador, vídeo, holografia, cinema, fotografia), percebendo, analisando e
produzindo trabalhos de Arte;

reconhecer, diferenciar e saber utilizar com propriedade diversas técnicas de
Arte, com procedimentos de pesquisa, experimentação e comunicação
próprios;

desenvolver uma relação de autoconfiança com a produção artística pessoal,
relacionando a própria produção com a de outros, valorizando e respeitando a
diversidade estética, artística e de gênero;

identificar a diversidade e inter-relações de elementos da linguagem visual
que se encontram em múltiplas realidades (vitrines, cenário, roupas,
adereços,
objetos
domésticos,
movimentos
corporais,
meios
de
comunicação), perceber e analisá-los criticamente;

conhecer, relacionar, apreciar objetos, imagens, concepções
artísticas e
estéticas — na sua dimensão material e de significação —, criados por
produtores de distintos grupos étnicos em diferentes tempos e espaços físicos
e virtuais, observando a conexão entre essas produções e a experiência
artística pessoal e cultural do aluno;

freqüentar e saber utilizar as fontes de documentação de Arte, valorizando os
modos de preservação, conservação e restauração dos acervos das imagens
e objetos presentes em variados meios culturais, físicos e virtuais, museus,
praças, galerias, ateliês de artistas, centros de cultura, oficinas populares,
feiras, mercados;

compreender, analisar e observar as relações entre as Artes Visuais com
outras modalidades artísticas e também com outras áreas de conhecimento
humano
(Educação
Física,
Matemática,
Ciências,
Filosofia
etc.),
estabelecendo as conexões entre elas e sabendo utilizar tais áreas nos
trabalhos individuais e coletivos;
94

conhecer e situar profissões e os profissionais de Artes Visuais, observando o
momento presente, as transformações históricas já ocorridas, e pensar sobre
o cenário profissional do futuro.
Segundo opinião de Gardner (2010), a missão de professores e alunos é empenharse numa reflexão regular e apropriada acerca dos objetivos das Artes Visuais, das
várias maneiras de atingi-los, de seu sucesso (ou falta do sucesso) na realização
desses objetivos, e das implicações da avaliação na reconsideração dos objetivos e
dos procedimentos.
Os PCNs de Arte (1998) consideram que é fundamental que o professor discuta
seus instrumentos, métodos e procedimentos de avaliação com a equipe da escola.
O professor precisa ser avaliado sobre as avaliações que realiza, pois a prática
pedagógica é social, de equipe de trabalho da escola e da rede educacional como
um todo.
Além dos objetivos, os PCNs de Arte (1998) apresentam os critérios de avaliação em
Artes Visuais e o que se pretende avaliar dentro de cada um desses critérios. São
eles:

Criar formas artísticas por meio de poéticas pessoais;

Estabelecer relações com o trabalho de Arte produzido por si, por seu grupo e
por outros sem discriminação estética, artística, étnica e de gênero;

Identificar os elementos da linguagem visual e suas relações em trabalhos
artísticos e na natureza;

Conhecer e apreciar vários trabalhos e objetos de Arte por meio das próprias
emoções, reflexões e conhecimentos e reconhecer a existência desse
processo em jovens e adultos de distintas culturas;

Valorizar a pesquisa e a freqüentação junto às fontes de documentação,
preservação, acervo e veiculação da produção artística.
Nas aulas de Arte, os alunos do Ensino Médio ampliam seus estudos realizados no
Ensino Fundamental. Ao darem continuidade ao seu aprendizado de fazer produtos
95
em linguagens artísticas, podem aperfeiçoar seus modos de elaborar ideias e
emoções, de maneira sensível, imaginativa, estética tornando-as presentes em seus
trabalhos de Artes Visuais e Artes Audiovisuais. A partir das culturas vividas com
essas linguagens no seu meio sócio-cultural e integrando outros estudos, pesquisas,
confrontando opiniões, refletindo sobre seus trabalhos artísticos, os alunos vão
adquirindo competências que se estendem para outras produções ao longo de sua
vida com a Arte.
Consolidando-se no cotidiano escolar, os instrumentos avaliativos de um modo geral
podem ser adotados especificamente para o ensino de Arte. Segundo Liblik (2005)
os exemplos a seguir podem ampliar esse horizonte.
Instrumentos individuais: Provas orais (estilo de pintores); Provas escritas – papel e
lápis (História da Arte); Trabalhos individuais parciais (relatórios); Trabalhos
individuais
somativos
(portfólio);
Autoavaliação
(com
questionamentos);
Processofólio (estratégia do Arts PROPEL)23.
Instrumentos coletivos: Debates (com dois grandes grupos de argumentação);
Painéis (com murais); Seminários: ( com transposição de saberes); Estudo de casos
(numa situação determinada); Trabalhos em grupo (com formas de apresentação
variada); Provas elaboradas - resolvidas em grupo (a partir de um texto dado);
Psicodrama
(como
avaliação
metafórica);
Novas
Mídias
(empregando
as
ferramentas e programas dos computadores); Avaliação dos exercícios plásticos
(desenho, pintura, recorte, colagem, montagem, modelagem, gravura, escultura,
etc.); Exposição dos resultados plásticos ( com observação, comentários ); Avaliação
de projetos (de maneira processual e somativa) .
A definição dos Conteúdos Básicos Comuns (CBC) para os anos finais do Ensino
Fundamental e para o Ensino Médio constitui um passo importante no sentido de
tornar a Rede Estadual de Ensino de Minas num sistema de alto desempenho. Para
tanto surgiu uma proposta curricular de Arte do Ensino Fundamental – 6º a 9º ano e
23
Arts PROPEL: Uma nova abordagem ao currículo e avaliação nas artes, principalmente no nível do ensino médio.
Embora alguns aspectos do Arts PROPEL sejam compartilhados por outras iniciativas contemporâneas, a abordagem difere
tanto em termos de suas origens intelectuais quanto em sua mistura específica de componentes (Gardner, 2010).
96
Ensino Médio redigida no período de 2003 a 2010 para embasar o trabalho dos
professores.
A importância dos CBCs justifica tomá-los como base para a elaboração da
avaliação anual do Programa de Avaliação da Educação Básica (PROEB), para o
Programa de Avaliação da Aprendizagem Escolar (PAAE) e para o estabelecimento
de um plano de metas para cada escola.
O progresso dos alunos, reconhecidos por meio dessas avaliações, constitui a
referência básica para o estabelecimento de sistema de responsabilização e
premiação da escola e de seus servidores. Ao mesmo tempo, a constatação de um
domínio cada vez mais satisfatório desses conteúdos pelos alunos gera
conseqüências positivas na carreira docente de todo professor.
A avaliação, neste currículo, será de metodologia formativa, visando à construção de
conhecimentos durante todo o processo pedagógico e abrangendo as diversas
áreas (a factual, a conceitual, a comportamental e a atitudinal) de maneira integrada.
Pretende-se, assim, obter não só dados quantitativos, mas principalmente
qualitativos, de forma a poder, constantemente, reformular e ressignificar tanto
conteúdos quanto ações.
Sendo assim, professor e aluno são agentes efetivos do processo educativo em
seus vários aspectos. No aspecto factual segundo Zabala (2010, p. 202): “Uma
aprendizagem significativa de fatos envolve sempre a associação dos fatos aos
conceitos que permitem transformar este conhecimento em instrumento para a
concepção e interpretação das situações ou fenômenos que explicam”.
Zabala (2010, p. 205), quanto ao aspecto conceitual, refere-se aos conceitos
construídos. “Resolução de conflitos ou problemas a partir do uso dos conceitos;
exercícios que obriguem os alunos a usarem o conceito”.
Quanto ao aspecto comportamental, referente à transformação dos fatos e conceitos
que podem acarretar no comportamento do aluno, Zabala (2010, p.207) afirma: “ O
97
que define sua aprendizagem não é o conhecimento que se tem dele, mas o
domínio de transferi-lo para a prática”.
O aspecto atitudinal, refere-se à mudança de atitudes na vida do aluno. Conforme
Zabala (2010):
A fonte de informação para conhecer os avanços nas aprendizagens
de conteúdos atitudinais será a observação sistemática de opiniões e
das atuações nas atividades grupais, nos debates das assembleias,
nas manifestações dentro e fora da aula, nas visitas, passeios e
excursões, na distribuição das tarefas e responsabilidades, durante o
recreio, na organização dos espaços, na preocupação com as
questões estéticas no dia a dia, etc.(ZABALA, 2010, p. 209).
Para que sejam obtidos resultados significativos no processo educacional, é preciso
que esses aspectos sejam interagentes, uma vez que a construção do conhecimento
é um movimento dinâmico.
As estratégias de avaliação em Arte podem ser as mais variadas e deverão ser
selecionadas pelo professor, dependendo de sua disponibilidade e da infraestrutura
física que a escola oferece.
De acordo com os autores dessa proposta, Pimentel et al. (2010), segue, para efeito
de exemplo, uma lista com alguns instrumentos de avaliação que devem,
preferencialmente, ser utilizados em conjunto: Pasta/Portafólio (pasta individual do
aluno; permite que o professor tenha um registro constante do processo de
aprendizagem do aluno e acesso aos materiais resultantes do trabalho do aluno em
Arte); Diário de Bordo (caderno de anotações, gravador ou câmera onde o aluno
registra o que aprendeu) ; Autoavaliação (oral ou escrita, individual ou em grupo);
Entrevista (feita pelo professor ao longo do ano); Aferições conceituais e de termos
técnicos (questionários e testes conceituais da Arte); Avaliação formativa (constante
e processual).
Considera-se nessa proposta, segundo Pimentel et al.(2010) critérios avaliativos
embasados nos PCNs de Arte. Refletir sobre o sentido que a avaliação da
aprendizagem em Arte possui no âmbito dos modelos pedagógicos é uma das
possibilidades, entre tantas que a prática pedagógica envolve.
98
Arslan (2006) apresenta exemplos e sugestões para avaliar o trabalho de Arte e
alerta sobre a postura do professor:
Deve-se evitar juízos estéticos de bonito e feio, mas observar a
adequação no uso dos materiais, as características expressivas e a
dedicação aos trabalhos apresentados, em vez de procurar
virtuosismo técnico e imagens realistas (ARSLAN, 2006, p. 87).
Segundo essa autora, pode-se criar duas categorias para avaliação: trabalhos
individuais e trabalhos em grupo, sendo que ambos podem corroborar a nota ou
conceito. As notas podem ser dadas em discussão compartilhada pelos alunos,
orientadas pelo professor, que com sua sensibilidade, promove a autoestima de
todos e o gosto por continuar criando em Arte. Realizada com bom senso e análise
comparativa de conjuntos de portfólios, a avaliação impede o destaque excessivo de
um aluno ou o fracasso de outro.
“No fazer artístico do aluno, os trabalhos práticos representam a tarefa mais delicada
na avaliação do professor. Todo cuidado é pouco quando se tratar de avaliar o fazer
artístico do aluno” (ARSLAN, 2006, p.87).
Sabe-se que crianças e adolescentes mostram-se sensíveis a julgamentos que
diminuem seus trabalhos de Arte. Sentem medo de serem colocados em situação de
inferioridade quando precisam mostrar os seus trabalhos. É importante admitir que
todos podem fazer trabalhos de qualidade expressiva e construtiva, onde se põem
em prática saberes técnicos, conceitos e valores aprendidos (ARSLAN, 2006).
A autora apresenta alguns exemplos de instrumentos avaliativos: 1. Projeto de
fotografia (Instrumentos de avaliação: produção de texto sobre a invenção da
máquina, relato por escrito da experiência, avaliação da câmara construída,
discussão oral e exposição, avaliação dos ensaios fotográficos); 2. Prova de Arte
(com avaliação compartilhada); 3. Exposição dos trabalhos (com perguntas
previamente formuladas); 4. Discussão de trabalhos em roda de leitura (discutir
segundo diferentes técnicas e linguagens visuais); 5. Escultura (critérios de
discussão e avaliação); 6. Gravura (idem); 7. Discussão e orientações durante o
processo de feitura de um trabalho; 8.Formas lúdicas de avaliar (com diversas
99
dinâmicas); 9. Proposta de encaminhamento de trabalhos (expor, arquivar, leiloar,
trocar com outras crianças); 10. Ações para avaliar o “ver Arte” (múltiplas estratégias
que envolvem palavras faladas ou escritas); 11. Conversas dirigidas sobre obras de
Arte (promover leituras); 12. Cartas para artistas ou instituições culturais
(possibilidade de verificar o que o aluno assimilou da aula); 13. Textos individuais e
coletivos dos alunos (Crítica com base em roteiro, descrição e comentário de obras);
14. Seleção de obras seguindo coordenadas do professor (avaliar conceitos
estudados) ; 15. Avaliação dos projetos de trabalhos (conteúdos definidos pelo
professor).
Subentende-se que o professor tem um número grande de alunos e não consegue
ler todas as provas coletivamente, uma alternativa é separar exemplos significativos,
analisá-los e distribuir as provas para que os alunos possam encaminhar suas
dúvidas e questões.
3.2 O Portfólio na aprendizagem em Arte
A utilização do Portfólio é uma modalidade de avaliação retirada do campo da Arte e
teve sua difusão em espaço escolar na década de 1990 nos Estados Unidos e vem
sendo evidenciado como um dos instrumentos que pode ser utilizado visando a uma
avaliação mais dinâmica e eficiente do ensino. Nos cursos de Artes Visuais, a sua
utilização se resume a um arquivo de trabalho que o aluno monta para formar seu
currículo profissional. A modalidade portfólio para avaliação e até mesmo como
estratégia de ensino, está institucionalizada nas escolas norte-americanas e em
alguns países da Europa (HERNÁNDEZ, 2000).
O portfólio aparece como estratégia de avaliação do programa de Arte-educação
Arts-PROPEL, programa que tinha como finalidade a criação de novas formas de
avaliação para o desenvolvimento das inteligências artísticas. Gardner (2010, p.117)
explica a conexão dos portfólios com o trabalho dos artistas nos seguintes termos:
Na vida cotidiana, são os artistas, interessados em ingressar numa
escola, ou em competir para obter um prêmio ou uma exposição
numa galeria, que montam as pastas (portfólios) com mais
frequência. Constituídas assim, são coleções dos produtos acabados.
Em troca, nossas pastas (portfólios), estão deliberadamente
100
pensadas para serem lembranças
(GARDNER, 2010, p. 117).
de
“obras
em
processo”
Arquitetos, desenhistas, artistas selecionam e ordenam mostras de sua trajetória
profissional para poder apresentá-las num suporte físico (o portfólio), de maneira
que o destinatário (um cliente, um dono de galeria, um examinador) possa apreciar
os momentos mais significativos de seu percurso, ao mesmo tempo que adquirem
uma visão global do mesmo.
No ensino Fundamental e Médio, na formação dos professores (ou de qualquer
profissional), também é possível levar adiante um processo de seleção e ordenação
de amostras que reflitam a trajetória de aprendizagem de cada estudante, de
maneira que, além de colocar em evidência seu percurso e refletir sobre ele, possam
contrastá-lo com as finalidades iniciais de seu processo e as intenções educativas e
formativas dos docentes.
“A função do portfólio se apresenta assim como facilitadora da reconstrução e
reelaboração por parte de cada estudante, de seu processo ao longo de um curso
ou de um período de ensino” (HERNÁNDEZ, 2000, p.165).
Segundo Hernández (2000),
A utilização do portfólio como recurso de avaliação baseia-se na ideia
da natureza evolutiva do processo de aprendizagem. O portfólio
oferece aos alunos e professores uma oportunidade para refletir
sobre o progresso dos estudantes em sua compreensão da realidade,
ao mesmo tempo que possibilita introduzir mudanças durante o
desenvolvimento do programa de ensino. Além disso, permite aos
professores considerarem o trabalho dos alunos não de uma forma
pontual e isolada, como acontece com as provas tradicionais, mas
sim no contexto do ensino e como uma atividade complexa baseada
em elementos e momentos de aprendizagem que se encontram
relacionados. [...] a realização do portfólio permite que os alunos
sintam a aprendizagem como algo próprio, pois cada um decide que
trabalhos e momentos são representativos de sua trajetória, enquanto
os relaciona na tentativa de dotar de coerência as atividades de
ensino com as finalidades de aprendizagem que se havia proposto
[...] (WINGGINS et al.1989, apud HERNÁNDEZ, 2000, p.165).
A palavra portfólio tem origem na palavra “portafoglio” e deriva do verbo latino
“portare” (transporta) e do substantivo “foglio” (folha) e designa a pasta que contém
desenhos, fotos, textos, seja de profissionais como artistas plástico ou de alunos.
101
Shores e Grace (2001, p. 43) conceituam este instrumento como ”uma coleção de
itens que revela, ao passar do tempo, diferentes aspectos do crescimento e do
desenvolvimento de cada aluno.”
Estes registros servem para mostrar o desenvolvimento de cada aluno ao decorrer
do tempo e da maturidade a respeito da aprendizagem e respeitando o tempo de
cada aluno em seus avanços.
A realização do portfólio permite que os alunos reflitam sobre o processo educativo e
tenham clareza em relação ao objetivo do uso do portfólio. É importante esclarecer
que o portfólio não é um acúmulo de atividades juntas e nem a ordenação de
evidências de aprendizagens, notas ou coleção de lembretes passados a limpo e
colocados num formato. É importante que o portfólio tenha uma seleção de trabalhos
dos estudantes em diferentes momentos e que não seja apresentado como uma
amostra dos melhores trabalhos.
É essencial verificar alguns componentes que estruturam um portfólio: o que se
pode encontrar nele? Que tipos de evidências podem ser recolhidas e selecionadas?
Não existem respostas, mas são necessários alguns elementos.
Segundo Hernández (2000), cada exemplo selecionado pelo estudante deve ser
recolhido, criado e organizado de tal modo que demonstre o processo do aluno.
Existe uma indicação aos tipos de evidências que podem fazer parte de um portfólio:
As anotações: São pequenos relatos que acompanham cada documento
esclarecendo sua relevância enquanto evidência.
As reproduções: São documentos que normalmente não se recolhem em sala de
aula como gravações, anotações de visita a uma exposição e impressão de páginas
da internet.
Os artefatos: São documentos produzidos durante o trabalho do curso e vão desde
as atividades de sala de aula até produções feitas por iniciativa própria e até mesmo
102
evidências
a
outras áreas de saber que sejam relevantes no processo de
aprendizagem.
Os atestados: São documentos sobre o trabalho do aluno produzidos por outras
pessoas tais como comentários realizados pelos professores, ou por pessoas
envolvidas no processo formativo dos estudantes.
As produções: São documentos preparados para dar forma e sentido ao portfólio e
incluem três tipos de matérias (explicação de metas, reflexões feitas no início do
curso e cabeçalhos ou títulos), podem ser revisados e modificados ao longo do
processo ensino aprendizagem, sua função é possibilitar aos estudantes a
exemplificar de maneira pessoal o objetivo específico do portfólio.
As reflexões: acontecem enquanto se elabora, organiza-se ou se revisa o portfólio,
e apresentam-se as estratégias de diálogo com a informação que o estudante utiliza.
O continente: Após a seleção dos documentos os mesmos serão colocados num
lugar para ser compartilhado com outras pessoas e que possa ser avaliado pelo
docente.
Existem vários tipos de suportes para o portfólio como: caixas, classificadores,
cartazes, CD_ROM entre outros. Neste último caso é bom lembrar que a maior parte
das escolas ainda não oferece suporte de informática para todos os alunos,
dificultando assim seu uso.
A partir de Frison (2008), soube-se da existência de quatro tipos de portfólios: o de
avaliação que tem por objetivo avaliar o progresso do aluno relativamente aos
objetivos do programa; o de trabalho ou progresso que tem por objetivo possibilitar
ao aluno e ao professor a avaliação conjunta do progresso; o demonstrativo que tem
a finalidade de fazer a exposição dos melhores trabalhos dos alunos, ressaltando o
que ele já sabe, por fim, o tipo arquivo cujo propósito é incluir todos os trabalhos
acabados ou ainda em processo, realizados pelos alunos.
Nesta perspectiva, considera-se que o portfólio vai além de um simples arquivo,
constitui-se, pois, num instrumento dinâmico capaz de revelar esforços, progressos e
103
conquista pelo aluno ao longo do seu processo. O portfólio é um instrumento que
permite tanto ao aluno quanto ao professor acompanhar o processo de seu
desenvolvimento, refletindo com consciência todo o processo realizado.
Segundo Vasconcellos (2003, p.106) os registros podem ser de dois tipos: o registro
realizado no processo, que é feito ”durante os acontecimentos no cotidiano escolar”,
como por exemplo, o diário de bordo, e o registro do produto no processo que é
”relativo ao balanço de um determinado percurso, de uma etapa ou período, mais ou
menos extenso” onde se encontra, por exemplo, o portfólio.
O autor defende ainda a troca de um sistema de avaliação com notas por um
sistema de avaliação por registros, pois ”o fato de não poder assumir mais a nota do
aluno num número favorece a abertura a outros olhares, a novas perspectivas”
(VASCONCELLOS, 2003, p.107).
Um dos instrumentos primordiais seria a anotação sistemática e constante por parte
dos docentes, no que se refere aos fatos ocorridos em sala de aula. A confecção de
diários de bordo, caderno de anotações, gravador e câmera em que o aluno registra
acontecimentos, seus pensamentos, seus sentimentos, o que aprendeu, suas
facilidades, dificuldades etc., auxiliaria a prática reflexiva do professor e o processo
de avaliar os alunos ao mesmo tempo em que se autoavalia.
O portfólio tem formatações diversas podendo ser uma pasta, um CD-Rom, uma
bolsa, um álbum, etc, em que o aluno guarda suas produções ao longo de um
determinado período. Dentre essas produções podem estar os trabalhos teóricos, os
trabalhos práticos e outros tipos de registros pessoais, como os relatórios individuais
e as autoavaliações. É preciso entender que esse é um instrumento que possibilita
constante reflexão, sendo que o aluno e o professor poderão visualizar os produtos
tendo em mente os objetivos e os critérios anteriormente acordados, dialogando com
as soluções e os problemas que foram surgindo a partir das tarefas solicitadas. Tal
diálogo proporcionará relembrar todo processo e programar e planejar as ações
futuras (HERNÁNDEZ, 2000).
104
Desse modo, o portfólio é um instrumento que pode ser utilizado por professores e
alunos simultaneamente e não se justifica a sua utilização para a avaliação apenas
pelo professor. Em uma realidade em que os professores de Arte têm em média 500
alunos, levar todos esses portfólios para analisar seria um trabalho desumano.
Embora seja um instrumento que surgiu no campo das Artes Visuais e arquitetura,
ele vem sendo apropriado por professores de outras disciplinas, principalmente no
Ensino Superior.
Para Hargreaves, Arl e Ryan (2001), o portfólio deve conter os sucessos dos alunos
para que eles possam apresentá-los aos
professores, aos colegas, à equipe
pedagógica e aos pais sendo um registro significativo das experiências em que o
aluno alcançou êxito.
No entanto, Hernández (2005) considera que o porfólio possa conter os problemas
encontrados pelos alunos e as anotações sobre o que dificulta ou permite, a partir
desses problemas, continuar aprendendo.
Ao negociar a confecção de portfólio com os alunos, o professor deve saber que
esse documento se apresenta como:
[...] Um continente de diferentes classes de documentos (notas
pessoais, experiências de aula, trabalhos pontuais, controles de
aprendizagem, com outros temas fora da escola, representações
visuais, etc.) que proporciona evidências do conhecimento que foi
construído e das estratégias utilizadas para aprender. O que
caracteriza como modalidade de avaliação não é seu formato físico
(pasta, caixa, CD-ROM, etc.) como a concepção de ensino e
aprendizagem que veicula. Ele oferece a oportunidade aos
professores e aos alunos de refletirem sobre o desenvolvimento dos
estudantes, diferente de outras formas de avaliação (HERNÁNDEZ,
2000, p.166).
Ainda de acordo com Hernández (2000), a construção do portfólio é individual e
deve ser proposta pelo professor ao início do ano letivo ou do projeto de ensino para
que se possa acompanhar todo o seu processo.
105
O portfólio deve conter evidências significativas do desempenho para ser
considerado um procedimento válido. A avaliação por meio deste instrumento é um
processo que requer tempo, determinação, planejamento e fundamentação teórica.
Essas técnicas são flexíveis para adaptação das estratégias de avaliação de acordo
com as necessidades de cada aluno e auxiliam o profissional da educação a
entender o desenvolvimento do aluno e a planejar atividades educativas com mais
eficiência. Pode-se iniciar o uso desse instrumento a qualquer momento e a ordem
dos passos propostos pode ser alterada segundo a necessidade do professor.
Segundo Villas Boas (2004), alguns princípos orientam a construção do portfólio. O
primeiro deles, é o da construção pelo próprio aluno, possibilitando-lhe fazer
escolhas e tomar decisões. Essa construção assume diferentes formas a serem
desenvolvidas. Pode ser construído durante um mês, um bimestre, um semestre, um
curso, uma disciplina, de acordo com os objetivos do trabalho a ser realizado. Pode
abranger um tema,
uma unidade, um projeto ou as atividades desenvolvidas
durante um determinado período. Se for a primeira vez que a escola trabalha
portfólio, o processo terá de ser bem preparado, planejado e as famílias, informadas.
No caso do professor, a análise do referencial teórico sobre avaliação e sobre o
portfólio é fundamental.
Shores e Grace (2000) defendem que o portfólio deve ser montado em dez passos.
O portfólio deve conter as melhores produções do aluno, se possível por ele
selecionadas, com base nos objetivos de aprendizagem e critérios de avaliação
formulados com sua participação. Podem ser incluídos também provas, entrevistas,
levantamentos, registros, dentre outros.
No que se refere ao primeiro passo, ao definir a política de portfólio, o professor
deve identificar o(s) objetivo (s) do portfólio, identificar os tipos de itens a serem
coletados e identificar o cronograma, se existir, para a coleta de cada tipo de item.
Cada professor coletará uma variedade de amostras de trabalhos, fotografias,
diários de aprendizagem e registros de caso em portfólios de aprendizagem
individuais.
106
Os alunos e os professores utilizarão tais itens durante o planejamento e a avaliação
contínua, como uma forma de documentação do progresso individual em direção
aos objetivos curriculares do ensino cotidiano. Os professores irão resumir as
avaliações que realizarem com base nos portfólios e nos relatórios narrativos ao final
de cada período do ano escolar.
O segundo passo refere-se às coletas de amostras de trabalhos. As autoras
sugerem que sejam definidas quais amostras serão coletadas, E, se possível, devese colher informações dos alunos sobre como fizeram o trabalho, do que mais
gostaram, o que gostariam de ter feito de outro modo. Durante esse estágio, é
importante registrar por que o aluno selecionou um item particular. Encorajá-lo a
ditar seus pensamentos. No princípio os alunos podem dar respostas curtas.
Conforme se trabalha com os alunos usando o processo, as respostas tornam-se
mais detalhadas e a prática menos desagradável com o passar do tempo. Falar
sobre amostras de trabalhos irá ajudar a preparar os alunos para os próximos
passos do processo de portfólio.
O terceiro passo consiste na documentação fotográfica. Ao tirar fotografias, é
importante tomar notas das cenas quando se fotografa. Utilizando um pequeno bloco
espiral para esse propósito, guardando-o com a câmera. Guardar as anotações até
revelar as fotos e transferí-las para os portfólios individuais dos alunos. Deve ser
certificado que as fotografias contam uma história.
O quarto passo é encontrar-se regularmente com cada aluno para conversar sobre a
variedade de suas atividades realizadas, registrando no diário de aprendizagem, que
é um registro contínuo, escrito pelo aluno e pelo professor, de novas descobertas e
de novos entendimentos. O diário de aprendizagem permite que se preserve
evidências dos processos de entendimento e de pensamento de cada aluno, os
quais podem sugerir atividades de continuidade para reforçar e ampliar o novo
conhecimento e para capacitá-los para que ensinem uns aos outros. Além disso, os
diários de aprendizagem também são dispositivos para estruturar e para concentrar
as conferências individuais com os alunos, uma importante técnica da avaliação com
portfólio que deve ser usada diariamente em sala de aula, para que os alunos se
107
familiarizem com o propósito da documentação, antes de iniciar as consultas aos
diários de aprendizagem formais.
O quinto passo refere-se à entrevista que é “uma técnica para pesquisar mais
profundamente aquilo que um aluno sabe em uma área específica”. Shores e Grace
(2001, p.109) descrevem as entrevistas como ocasiões em que o professor e o
aluno discutem um único conteúdo em profundidade. São boas oportunidades de
discutir informações e ideias com os alunos em uma situação natural, ao mesmo
tempo em que validam o domínio de conceitos e ideias importantes. As entrevistas
podem ocorrer espontaneamente ou planejadas. Exige prática e é melhor que seja
planejada. O entrevistador deve deixar o aluno se sentindo à vontade, fazer
perguntas diretas, objetivas e tomar nota ou gravar os comentários feitos durante as
entrevistas. As notas escritas, transcrições ou fitas de entrevistas podem fazer parte
dos portfólios dos alunos.
O sexto passo refere-se à realização dos registros sistemáticos que são anotações
feitas sobre as ações de um certo aluno em situações determinadas. A observação
sistemática das atividades dos alunos também pode
auxiliá-lo na avaliação da
efetividade das estratégias particulares de ensino, de habilidades e de conceitos
específicos para cada aluno. A tomada de notas para os registros sistemáticos é
semelhante a escrever anotações de entrevistas.
As anotações do professor preservam informações importantes sobre o que o aluno
pensa e sobre o que gostaria de saber. Os registros sistemáticos são breves
anotações que o professor faz de atividades casuais específicas, envolvendo um ou
mais alunos.
O sétimo passo acontece quando se realizam os registros de casos. A anotação
de
registros
de
casos
envolve
reconhecer
eventos
importantes
para
o
desenvolvimento de determinados alunos, à medida em que eles ocorrem, e
escrever narrativas breves e claras desses eventos. O professor funciona como um
repórter de rua. Realiza registros de caso que tenham utilidade e que exigem um
conhecimento do desenvolvimento do aluno e dos objetivos de seu programa de
ensino. Também exige que o professor seja capaz de pensar e de escrever,
108
enquanto desempenha suas atividades normais. Os registros de caso representam
complementos incompatíveis para explicações sobre a prática realizada em sua
classe.
O oitavo passo consiste no preparo de relatórios narrativos que são o resumo de
achados sobre o crescimento e o desenvolvimento individual de um aluno durante
um período de trabalho específico.
O conteúdo de portfólios, juntamente com o material e com as anotações
confidenciais sobre cada aluno em seu diário de ensino, são as fontes para
relatórios narrativos, elas não devem ser longas (quatro a oito parágrafos são
suficientes), mas devem ser completas.
O nono passo faz do portfólio mais do que um simples arquivo de trabalho. Este
passo transforma sua sala de aula de um sistema hierárquico, no qual o professor
toma todas as decisões, em uma comunidade de aprendizagem na qual todos estão
pensando, planejando, revendo e revisando seu trabalho. É a hora de conduzir
reuniões de análise de portfólios em três vias. O propósito básico dessas reuniões
não é só mostrar o trabalho para os pais, mas evocar as ideias dos pais sobre o
trabalho dos filhos.
Este passo não é possível em sala de aula onde os alunos ainda não estejam
acostumados a ter responsabilidades importantes. Se o professor ainda não se
sente confortável para permitir às crianças a responsabilidade de caminhar pela
sala de aula, trocando ideias e juntando ou substituindo materiais, então pode-se,
primeiramente, examinar maneiras de mudar suas técnicas de sala de aula,
adaptando-as a um aprendizado centralizado no aluno.
A reflexão séria não é algo rápido. De fato, à medida que os alunos se tornam mais
reflexivos e habituados a avaliar seu próprio trabalho, eles irão necessitar de mais
tempo, e não menos, para as consultas e reuniões de análise de portfólio.
Muitos professores gostam de encorajar os alunos a decorarem seus portfólios com
autorretratos ou com a produção de um texto introdutório sobre si mesmos. Essas
109
tarefas podem dar ao aluno um senso de “propriedade “ de seu portfólio, mas elas
são atividades globais da classe toda e dirigidas pelo professor, as quais contribuem
pouco para o aprendizado individual de cada aluno. Por outro lado, se um
determinado aluno pinta um autorretrato, seria aconselhável fazer uma fotocópia
colorida e adicioná-la a seu portfólio. O que se quer dizer é que dedicar tempo para
a decoração dos portfólios ou para tarefas de escritas iguais contradiz o propósito
básico da avaliação com portfólio, que é a capacitação de alunos para refletirem
sobre seu progresso e determinarem seus próprios objetivos de aprendizagem.
Décimo passo: Usando o portfólio em situação de transição. Se a política de portfólio
de seu programa de ensino não menciona a transferência e o uso de portfólios
demonstrativos, agora chegou a hora de aperfeiçoar a política. Estabelecer critérios
para preservar itens. Adicionar o maior número possível de amostras de trabalhos
ao portfólio demonstrativo a cada ano e estipular que a seleção desses itens ocorra
durante a última reunião de análise de portfólio do ano. Ser claro sobre como os
futuros professores deverão utilizar os portfólios: como referências na comunicação
inicial com as crianças e as famílias, ao designar projetos individuais ou de
pequenos grupos, etc.
Planejar procedimentos para armazenar os portfólios entre as séries, entregando-os
aos professores do próximo ano e devolvendo–os ao arquivo permanente de
portfólios. Sugere-se que um arquivo seja reservado para esse fim e que
professores e administradores usem um sistema de controle para localizar portfólios
demonstrativos, quando esses estão em uso. Assim, auxilia o próximo professor,
anexando “fatos especiais” à cópia do relatório narrativo final do portfólio de cada
criança.
Depois do professor ter estabelecido uma política e alguns procedimentos para
preservar os portfólios de ano para ano, o próximo passo é enviá-los com os alunos
que forem transferidos para outros programas ou escolas.
Para Shore e Grace ( 2001):
110
O processo de montagem de portfólio proporciona uma reflexão e
24
uma comunicação contínua em uma comunidade de aprendizes ,
incluindo os alunos e todos os adultos presentes. Ele pode conduzir
a uma individualização do currículo e da instrução, a um
desenvolvimento profissional contínuo e a um maior envolvimento
familiar. Quanto mais o professor executar essas técnicas de uso de
portfólio, mais aprenderá sobre desenvolvimento do aluno, currículos,
padrões e eficientes práticas de sala de aula (SHORE & GRACE,
2001, p.139).
Para muitos professores, usar portfólios torna-se parte de uma exploração mais
ampla e mais profunda do ato de ensinar e de aprender.
A avaliação baseada em portfólios deve concentrar a atenção de todos, alunos,
professores e familiares, nas tarefas importantes do aprendizado. O conteúdo de um
portfólio pode conter textos, desenhos, fichas de avaliação, relatórios, colagens,
entre outros. Amostras de trabalhos, observações dos professores e reflexões dos
alunos estão entre os materiais que podem ser compartilhados com os pais.
Villas Boas(2004) afirma que o portfólio
é um dos procedimentos de avaliação
condizente com a avaliação formativa. Originalmente, é uma pasta fina em que os
artistas, fotógrafos e arquitetos colocam amostras de suas produções, as quais
apresentam a qualidade e a abrangência de seu trabalho, de modo a ser apreciado
por especialistas e professores. Em educação, o portfólio apresenta várias
possibilidades, entre elas a sua construção pelo aluno. Neste caso, é uma coleção
de suas produções, evidenciando sua aprendizagem. É um procedimento de
avaliação que permite ao aluno participar da formulação dos objetivos de sua
aprendizagem, avaliar seu progresso, oferecendo-lhe a oportunidade de registrar de
modo contínuo, experiências e êxitos significativos para eles, que podem e devem
ser compartilhados e discutidos com os professores.
Villas Boas (2004) e Hernández(1991) defendem um aspecto em comum: o trabalho
em parceria entre professor e aluno durante o desenvolvimento do portfólio. O aluno
tem a oportunidade de participar ativamente no desenvolvimento de seu trabalho e,
junto ao professor, rever, fazer autoanálise e refletir sobre seu processo de ensinoaprendizagem.
24
Pessoas que aprendem um ofício ou Arte. Principiante, inexperiente.
111
As intervenções do professor tendem a ser de maneira continuada, processual e, por
isso, mais oportunas. A relação entre professor e aluno torna-se mais próxima,
afetiva e dialógica, o que lhe permite avançar. Dessa forma, o favorecimento do
diálogo no âmbito escolar pode proporcionar a verdadeira aprendizagem, porque
não fomenta a hierarquia professor-produtor, aluno-receptor e sim a interação entre
sujeitos.
A característica reflexiva deste instrumento faz com que, ao considerarem os
sucessos e os insucessos, tanto professor quanto aluno repensem suas atuações. A
postura que assumem é a de pesquisa e indagação sistemática, o que lhes permite
entender o processo de ensino- aprendizagem tornando a avaliação gradativa.
No Ensino Fundamental, o portfólio possibilita às crianças construírem hipóteses e
argumentarem sobre determinado conhecimento que, registrados de uma forma
mais sistemática, mostrará um processo de continuidade na construção das
aprendizagens, tornando-se uma estratégia que fará com que o aluno solidifique o
que foi apreendido e principalmente que aprenda a aprender, condição fundamental
para seu futuro escolar.
Uma das dificuldades observadas para o uso do Portfólio, na avaliação, se refere às
condições objetivas de trabalho dos professores. Por sua característica, tem como
maior limitação, exigência de um maior tempo do docente, já que ele precisará fazer
uma análise criteriosa dos trabalhos dos alunos.
O portfólio promove o desenvolvimento de habilidades como reflexão, a
autoavaliação e análise crítica tanto de alunos como de professores.
O professor, para adotar convenientemente esse processo avaliativo, deve conhecer
o componente curricular com que trabalha – objetivos, conteúdos e sua necessária
articulação com os outros componentes curriculares – e ter uma sólida formação
pedagógica que o capacite a organizar, desenvolver e avaliar a aprendizagem dos
alunos, o trabalho pedagógico que coordena e a sua própria atuação. A avaliação
por meio do portfólio exige do professor postura avaliativa diferente da tradicional.
Ele não ensina para que os alunos tirem boas notas e sejam aprovados, mas
112
coordena o trabalho pedagógico por meio do qual os alunos aprendam e se
desenvolvam como pessoas.
Shores e Grace (2000) oferecem um manual que proporciona técnicas de avaliação
com Portfólio em passos que são fáceis de conduzir e suficientemente simples para
fazerem parte do processo cotidiano de ensino, tornando a avaliação com portfólio
uma estimulante exploração do aprendizado de cada aluno.
Hernández (2000), depois de estudos e revisão de várias perspectivas para poder
interpretar o que o aluno aprende no campo da Arte, aposta na utilização do portfólio
como recurso que permite a cada aluno reconstruir o processo que seguiu e situá-lo
na avaliação.
O portfólio apresenta vantagens e desvantagens.
Vantagens: Foge dos padrões tradicionais e já exauridos de avaliação; permite uma
interação do aluno com o professor, registrando suas dúvidas e críticas; pode ser
usado disciplinarmente ou para um conjunto de disciplinas, ressaltando o tão
importante caráter interdisciplinar da escola; permite que o professor avalie a
evolução do aluno, seja na construção do conhecimento, na transferência e
aplicação do que está sendo estudado e no interesse pessoal; estimula a
curiosidade e ajuda na melhoria da autoestima, já que serve de antídoto para o mal
das provas tradicionais que, quase sempre, geram medo, expectativa e frustração
em nossos alunos.
Desvantagens: A avaliação de portfólio exige um tempo maior do professor, pois,
este necessita analisar criteriosamente os trabalhos dos alunos; é muito trabalhoso;
é muito cansativo; demanda muito tempo; requer condições financeiras; os
mediadores são exigentes; é muito pessoal; pode se tornar repetitivo; pode se
transformar em “apenas um colecionador de atividades”; não deve ser o único meio
de avaliação; é monótono e meio padronizado.
113
Pode-se perceber grandes possibilidades na utilização do portfólio como forma de
avaliação desde que
quatro pressupostos sejam pactuados e cumpridos pelos
sujeitos envolvidos: autoavaliação, pré-definição de metas, engajamento do aluno e
responsabilidade do avaliador/professor, pois, a falta desses, tornará o portfolio do
aluno mera peça decorativa, um álbum de imagens.
3.3 Processos e instrumentos para avaliação autêntica
Na perspectiva da avaliação autêntica nas aulas de Arte, os recursos para
desenvolver conhecimentos, habilidades e técnicas em oficinas de Arte, segundo
Zimmerman (2004), devem incluir:
(1) peças artísticas selecionadas e produzidas durante período de
tempo específico; (2) Portfólio contendo registros, anotações,
diagramas e modelos de um trabalho inacabado; diagramas modelos
ou fotocópias de slides, vídeos e/ou fotografias de produtos
finalizados; (3) críticas de observadores, autoavaliação do aluno, de
estudantes de outras turmas de Arte, diários e notas de alunos, que
descrevam como desenvolveram as idéias refletidas nos trabalhos de
Arte, resposta aos comentários e questionamentos dos professores,
artigos de revistas e jornais sobre trabalhos de Arte e artistas do
passado; (4) anotação de observações de professores em forma de
lista de verificação ou relatos de eventos etc; (5) notas de entrevistas
complicadas em forma de discussões do professor com estudantes
sobre seu trabalho de Arte; (6) trabalho produzido por estudantes em
resposta às tarefas específicas; (7) habilidades e conceitos
recentemente adquiridos que os alunos compartilham com os seus
pares; (8) lista de verificação relacionada a processos técnicos; e (9)
grupos de apresentações e performances que são afirmações
públicas da aprendizagem da Arte (ZIMMERMAN, 2004, citada por
BARBOSA, 2005, p.406-407).
A avaliação autêntica pode acontecer com projetos das oficinas de Arte, com
aprendizagem em áreas como crítica de Arte, história da Arte e estética por meio de
recursos de áudio e vídeo relacionado às aulas, em debates sobre questões de Arte,
de performance, em aulas de avaliação crítica, em relatórios escritos sobre
pesquisas em biblioteca, em visitas a galerias, em aulas e diários de notas, em
ensaios, testes, investigações e em exames escritos (ARCHBALD e NEWMAN,
1998; BOGHTON, 1995, in ZIMMERMAN, 2004).
Na avaliação da compreensão dos conteúdos de Arte pelo estudante e, ao mesmo
tempo o desenvolvimento das inter-relações entre professores e aluno, o papel do
114
diálogo
não
deve
ser
minimalizado25.
Os
alunos
podem
aprender
com
questionamentos, discussão e debate, apresentações em geral de trabalhos para
uma plateia eclética e com revisão de ideias nos debates. A aprendizagem da arte
pode acontecer pela verificação de uma grande variedade de habilidades e não
apenas pela avaliação de tarefas escritas (ROSS et al., 1993 in ZIMMERMAN,
2004).
Os portfólios, contendo resumos de projetos, podem ser formativos, em andamento,
concluídos ou uma combinação de ambos. Permitem ao estudante resolver
problemas e fazer julgamentos, correr risco, ser criativo, encorajando-o a ser
parceiro no processo da própria avaliação (ZIMMERMAN, 1992,1997b, citada por
BARBOSA, 2005).
Segundo Taylor, 1991:
Portfólio de avaliação, algumas vezes é chamado de portfólio de
processo. É um recurso valioso para evidenciar a aprendizagem de
Arte, sendo também capaz de habilitar o estudante para: (1) avaliar
sua aprendizagem dos conteúdos e habilidades do curso; (2) obter
percepções nos seus processos criativos: (3) ter noção do
crescimento e da realização do trabalho através do tempo; (4)
aumentar suas habilidades em avaliação pela reflexão sobre seu
próprio trabalho; (5) tornar-se aprendiz ativo em vez de passivo; e (6)
conquistar autoconfiança ao vislumbrar que é aprendiz bem-sucedido
(TAYLOR, 1991 in ZIMMERMAN, 2004, citada por BARBOSA, 2005,
p. 408 ).
As informações sobre o progresso e as realizações dos estudantes são fornecidas
aos professores através dos Portfólios de avaliação do seguinte modo: (1) A
demonstração da evidência do crescimento do aluno, sugerindo áreas de
aprimoramento; (2) A promoção da comunicação com o aluno, pela reflexão dos
trabalhos e comentários dos professores sobre essas reflexões; (3) A habilitação dos
professores para desenvolver, avaliar e revisar os conteúdos dos cursos; (4) A
ajuda aos professores na avaliação de seu sucesso em ensinar os conteúdos do
curso; e (5) Disponível uma grande variedade de tarefas para ajudar pais, outros
professores e administradores a compreender o crescimento dos alunos em Arte
(ZIMMERMAN, 1992, apud BARBOSA, 2005).
25
Vem de minimalismo. Técnica ou estilo que se caracteriza pelo uso mínimo de elementos e pela simplificação
da forma.
115
Percebe-se que o portfólio oferece uma estrutura para uma grande variedade de
trabalhos e de reflexão sobre o desenvolvimento do aluno no processo de ensinoaprendizagem.
3. 3 .1 Critérios para a avaliação autêntica
Ao conduzir avaliações autênticas, é necessário que sejam desenvolvidos critérios
que utilizem estratégias múltiplas. Uma variedade de tarefas
devem ser
empregadas de forma estratégica, propiciando, assim, uma visão abrangente do
progresso alcançado pelo aluno (Zimmerman 1992, 1997b, apud BARBOSA, 2005).
Eis os seguintes critérios de seleção para ajudar a validade e a confiabilidade da
avaliação por desempenho, segundo Zimmerman (2004): (1) determinar os
resultados das avaliações; (2) decidir se os itens dos testes usados são coerentes;
(3) julgar se as habilidades de uma área podem ser transferidas para outra e que
generalizações podem ser feitas dos resultados; (4) decidir se a avaliação tem
problemas significativos a serem resolvidos pelos alunos; (5) considerar se a
avaliação requer dos alunos a mais elevada ordem de habilidades de pensamento
para analisar e resolver questões, em vez de fatos, com resolução de problemas
estruturados e descontextualizados;
(6) determinar se a avaliação
cobre
adequadamente os conteúdos e os assuntos propostos; (7) estimar se os dados
coletados e os processos realizados são os mais eficientes possíveis.
Além disso, nos estudos de Zimmerman (2004):
Os critérios para a avaliação autêntica incluem certificar-se de que os
alunos exerçam seu poder de julgamento ao posicionar-se e ao
esclarecer e resolver os problemas propostos. Assim, envolvem-se
com as questões em profundidade; em vez de ter apenas uma noção
da extensão dos problemas, localizam e analisam informações tanto
quanto chegam a conclusões, comunicam claramente os resultados,
reconhecem que as soluções dos problemas são múltiplas,
demonstram a habilidade de investigação e expressão, e usam o
conhecimento com eficiência e imaginação ao responder a questão
(ZIMMERMAN, 2004, citada por BARBOSA, 2005, p.409).
Sugere-se, segundo Zimmerman (2004), que as medidas e as tarefas da avaliação
autêntica sejam compreensíveis aos alunos, pais, membros da comunidade e outros
116
professores e que empreguem referências concretas e linguagem clara. Os atributos
de uma investigação disciplinada e a compreensão profunda de problemas devem
estar reunidas nas tarefas realizadas. Além disso, os estudantes devem ser
encorajados a captar relacionamentos, integrar o conhecimento e produzir novos
conhecimentos.
Percebe-se vários estudos sobre critérios para a avaliação de
portfólios;
Zimmerman (1997), apud BARBOSA (2005, p.410) descreve o portfólio “como uma
coleta intencional de trabalhos que exibe os esforços, progressos e realizações dos
estudantes em uma ou mais áreas”. Enfatiza que “a coleta deve envolver a
participação e a autorreflexão dos alunos na seleção dos conteúdos e no julgamento
de critérios para o mérito da escola” .
Ao usar a avaliação de portfólios, sugere-se a aplicação dos critérios a seguir:
Identificar o objetivo da avaliação; verificar um método claro para decidir o que deve
ser colocado no portfólio, por quem e quando; e utilizar critérios específicos para
avaliar conteúdos inteiros ou partes de trabalhos (ZIMMERMAN, 2004, apud
BARBOSA, 2005).
Algumas questões relacionadas aos critérios de avaliação de portfólio precisam ser
formuladas: como será avaliado o progresso dos estudantes? Como serão
comparados ou medidos diferentes trabalhos, vídeos, obras de arte, ensaios,
publicações em jornais etc.? Como será feita a mediação do diálogo entre alunos e
professores? Qual é o papel da reflexão do aluno? Como devem ser incluídas as
contribuições de pais e outras pessoas? Qual é o melhor equilíbrio entre a inclusão
do registro dos processos e dos produtos finais? O trabalho do ano inteiro deve ser
submetido à avaliação ou apenas uma amostra representativa?
É necessário, também, que os professores, ao fazer a avaliação de portfólios,
tenham em mente questões como: é um trabalho representativo da produção do
aluno? O trabalho é orientado, foi feito independentemente e/ou é parte de uma
atividade de grupo? As obras que aparecem no portfólio representam tarefas
efetivamente estabelecidas pelos professores e alunos? Os portfólios estão
consistentemente revisados e os critérios foram aplicados acuradamente e com
117
justiça? Cada uma dessas questões e muitas outras não mencionadas poderiam
constituir o ponto de partida para uma pesquisa que contribuiria enormemente para
a literatura no campo das avaliações autênticas e da arte/educação.
Algumas recomendações para avaliação autêntica são importantes para que sua
perspectiva se concretize de forma significativa. Nesse sentido seguem-se os
seguintes questionamentos: Quais são os papéis dos estudantes e professores ao
planejar a avaliação autêntica? É o professor quem controla as avaliações? O
professor decide e o estudante concorda? A influência dos professores e alunos tem
o mesmo peso na escolha de critérios e na atribuição de notas da avaliação? Os
estudantes controlam suas próprias avaliações?
As respostas a essas questões dependerão da filosofia educacional do professor, da
instituição, dos requisitos municipais e estaduais para a avaliação dos progressos e
das realizações em Arte feitos pelos estudantes (ZIMMERMAN, 1997b, apud
BARBOSA, 2005).
Decisões devem ser tomadas, desde o início do processo, sobre como interpretar os
resultados da avaliação. Podem se comparar as evidências de aprendizagem com o
desempenho inicial do aluno (autorreferenciado), com critérios do curso ou padrões
externos (critério referenciado), ou, ainda, com o desempenho de outros estudantes
(norma referenciada).
Muitas sugestões têm sido feitas por quem faz avaliações em sala de aula: nem
todos os trabalhos dos estudantes precisam ser avaliados; fazer uma verificação
sistemática dos trabalhos dos alunos por determinado período; fazer os sumários
narrativos das avaliações de portfólio e sumários de testes tradicionais são algumas
das sugestões para empregar, de modo eficiente e eficaz, amostragem dos
trabalhos dos alunos em avaliações autênticas. Também, a verificação de
realizações em cada nível de desempenho, com base em critérios específicos,
precisa ser clara para avaliar ou julgar os estudantes ( ZIMMERMAN, 2004).
Segundo Boughton (2004):
118
Uma recomendação específica para ajudar na atribuição de
pontuação às tarefas de avaliação é reunir uma biblioteca de
exemplares, com o propósito de servir de modelos de referência para
mostrar caminhos diferenciados de como os estudantes podem ser
bem-sucedidos em suas tarefas. Tal biblioteca de exemplares de
trabalhos de alunos, com descrições detalhadas dos resultados por
eles alcançados, tem a possibilidade de prover uma série de estudos
de caso que servirão para: (1) demonstrar a natureza de um
desempenho especializado; (2) ser usada para treinar avaliadores; (3)
ajudar aos estudantes na aprendizagem de avaliar o próprio trabalho;
e (4) desenvolver o estabelecimento de padrões e julgamentos
críticos ( BOUGHTON, 2004, apud BARBOSA, 2005, P.412).
Quando se está realizando uma avaliação autêntica, é importante considerar o
equilíbrio entre os interesses de estudantes, professores e pais. Alunos, professores,
programação adequada, conteúdo curricular e ambientes educacionais são
possíveis focos de avaliação. O público que participará das avaliações autênticas
pode ser composto de professores de Arte, arte-educadores que conduzem a
pesquisa, administradores de escola e membros da comunidade local, tais como
pais, artistas locais e outros cidadãos interessados.
Em geral, porém, são professores, individualmente, que realizam a maioria das
avaliações de Arte, por meio de verificação de trabalhos de outras formas que
constroem ou escolhem para avaliar o progresso dos estudantes de Arte, e por
atribuição de notas. É necessário que os professores de Arte aprendam a construir
procedimentos e condutas sistemáticas de observação na avaliação para ter
subsídios ao fornecer informações. É importante, então, que os pais sejam fontes de
evidência de progressos e realizações dos estudantes. Os pais devem ser
envolvidos nos processos de avaliação, afirma Zimmerman (2004), para que
aprendam como e por que as avaliações são conduzidas e tornem-se colaboradores
em suas escolas e comunidades.
A avaliação autêntica engloba, no entanto, demanda de espaços e recursos para os
professores e estudantes Para as avaliações autênticas serem bem-sucedidas,
professores precisam de tempo extra para planejar, aconselhar-se com outros,
desenvolver materiais, estratégias e ter reuniões com os estudantes. Também
necessitam de espaço extra para guardar os portfólios e equipamentos, como
câmeras de vídeo (ZIMMERMAN, 1992, apud BARBOSA, 2005).
119
É importante, também, levar em consideração que, na condução das avaliações
autênticas, os aprendizes diferem em seus interesses, tanto nos estilos cognitivos,
velocidade de aprendizagem, padrões de desenvolvimento, habilidades, motivações,
hábitos de trabalho, temperamentos, quanto na etnicidade, sexo e classe social
(ZIMMERMAN, 1994, apud BARBOSA, 2005).
Os que planejam e desenvolvem avaliações autênticas precisam levar em
consideração a quantidade e os tipos de recursos viáveis para estudantes de
diferentes grupos socioculturais e econômicos.
Além do Portfólio como instrumento principal para a avaliação em Arte, Gardner,
(2010) sugere os projetos (e não apenas as provas do ano escolar) como opção
regular para os alunos, onde todos teriam a oportunidade de executar e avaliar ( e
ter avaliados) alguns de seus próprios projetos. Tais projetos não seriam apenas
motivadores e educativos, mas teriam uma relação com atividades e competências a
serem alcançadas pelos alunos.
3.4 Efeitos aversivos das práticas de avaliação da aprendizagem escolar
Analisar a questão da afetividade em sala de aula, para Leite e Kager (2009)
significa, pois,
analisar
as condições oferecidas para que se estabeleçam os
vínculos entre sujeito e objeto. Neste sentido, assume-se que a natureza da
experiência afetiva (prazerosa ou aversiva) depende, em grande parte, da qualidade
da mediação vivenciada pelo sujeito, na relação com o objeto. De acordo com esses
pressupostos, não se pode mais restringir a questão do processo ensinoaprendizagem apenas à dimensão cognitiva, dado que a afetividade também é parte
integrante do processo.
Leite (2009) aponta, pelo menos, cinco decisões no planejamento de ensino que,
certamente, produzem marcas afetivas e interferem na futura relação que se
estabelece entre o aluno e o objeto de conhecimento: escolha dos objetos de
ensino; o aluno como referência para o início do trabalho pedagógico; a organização
dos conteúdos; a escolha dos procedimentos e atividades de ensino; a escolha dos
procedimentos de avaliação.
120
Leite (2009, p. 114) aponta que “[...] a avaliação torna-se profundamente aversiva
quando o aluno discrimina que as consequências do processo podem ser
direcionadas contra ele próprio”. De fato, o modelo e os instrumentos de avaliação
adotados em grande parte das escolas têm contribuído com os altos índices de
fracasso escolar, representado pela repetência, evasão e, agora, a exclusão
intraescolar do aluno. Isso justifica a relevância de trabalhos que revelam os efeitos
aversivos do modelo tradicional de avaliação e apontam a necessidade de resgate
de uma concepção de avaliação favorável às condições de aprendizagem e
desenvolvimento do aluno.
As marcas aversivas, segundo Leite e Kager (2009), desenvolvidas pelas práticas de
avaliação vivenciadas pelos alunos revelam:
1. medo e a ansiedade gerados pelo dia de avaliação;
2. desenvolvimento de um sentimento de incapacidade que contribui para a
baixa autoestima;
3. perda da motivação para estudar e do interesse pela disciplina, além do
desânimo, como consequência do insucesso;
4. diante do tipo de avaliação adotada: sensação de frustração e de exclusão
por repetirem o ano letivo, após vivenciarem a experiência negativa com
avaliação;
5. a sobrecarga de conteúdos exigidos pela escola em uma semana de provas,
prejudicando o desempenho do aluno;
6. a avaliação como uma armadilha criada pelos professores, na medida em que
cobram, intencionalmente, na prova, conhecimentos mais complexos, que
não se relacionam com as práticas desenvolvidas na sala de aula;
7. a deterioração da relação sujeito-objeto, ou seja, os alunos, que vivenciaram
experiências negativas com avaliação, desenvolveram aversão pela disciplina
em que essas práticas de avaliar eram adotadas;
8. posturas e atitudes de alguns professores diante da classe, no momento da
devolução das avaliações, reprimindo e humilhando os alunos que não foram
bem;
121
9. atitudes de professores, diante do insucesso de seus alunos, consideradas
como preconceituosas frente a eles, no sentido de não acreditarem em sua
capacidade de recuperação;
10. alunos não recebiam um retorno do professor sobre seu desempenho, mas
somente eram informados sobre a nota que tinham tirado;
11. avaliação como uma forma de punir os alunos, geralmente diante de
situações julgadas como prova surpresa, para punir alguns alunos que
estavam com procedimentos inadequados em sala de aula.
Devido a esse sistema de avaliação, segundo Leite e Kager (2009), situações
geradoras de medo e ansiedade, em relação à avaliação, acabam aumentando e
gerando mais aversão à situação escolar e a determinados objetos de
conhecimento.
Sendo uma importante dimensão da mediação pedagógica do professor, as práticas
de avaliação envolvem, sensivelmente, a dimensão afetiva, não se restringindo
apenas aos aspectos cognitivos. Desta forma, devem ser planejadas e
desenvolvidas como um instrumento sempre a favor do aluno e do seu processo de
apropriação do conhecimento (LEITE e KAGER, 2009).
Percebe-se que a avaliação pode desempenhar um papel disciplinador nas mãos do
professor. Daí decorrem manifestações constantes do autoritarismo, podendo
chegar à sua exacerbação.
Conforme Luckesi (2009), um exemplo do uso autoritário do professor das práticas
da avaliação é a definição do que será considerado como relevante ou irrelevante,
em função exclusivamente do seu arbítrio pessoal ou, o que é pior, do seu estado
psicológico de momento.
Esse autor enfatiza que a avaliação da aprendizagem tem dois objetivos: auxiliar o
educando
no
seu
desenvolvimento
pessoal
pelo
processo
de
ensino
e
aprendizagem, e responder à sociedade pela qualidade do trabalho educativo
realizado. Estes dois objetivos não podem dissociar-se no uso escolar da avaliação
“para não ser autoritária e conservadora, a avaliação tem a tarefa de ser diagnóstica,
122
ou seja, deverá ser o instrumento dialético do avanço, terá de ser o instrumento da
identificação de novos rumos” (LUCKESI, 2009, p. 43) .
A reflexão sobre esta prática é o que dignifica a função do professor e do papel
social da escola.
123
CAPÍTULO 4
PERCURSO METODOLÓGICO DA PESQUISA
Esse capítulo vem apresentar o percurso metodológico desenvolvido para a
pesquisa. A abordagem desta pesquisa constituiu-se em abordagem qualitativa, que
conforme Bauer e Gaskel (2000), tem a finalidade real de explorar o espectro de
opiniões, as diferentes representações sobre o assunto em questão.
Quanto ao delineamento, esse estudo constitui-se em exploratório e descritivo,
considerando
sua
aproximação
com
a
finalidade
no
desenvolvimento,
esclarecimento e modificação de conceitos, ideias e práticas acerca de um
determinado fato, atrelado à descrição e estudo das características de uma
determinada população ou fenômeno (GIL, 2010).
O local da coleta de dados compreendeu três estabelecimentos de ensino básico, a
saber: uma Escola de Ensino Fundamental, uma Escola de Ensino Fundamental e
Médio, e uma Escola de Ensino Médio situadas em Belo Horizonte e Contagem –
MG. A escolha de escolas com razão administrativa e localização diferentes
objetivou conhecer as realidades diversificadas que elas oferecem na avaliação do
ensino de Arte.
O conjunto de sujeitos da pesquisa foi composto por três diretores de escola de
Ensino Fundamental e Médio, sendo um de cada escola, uma coordenadora de
Ensino Médio da escola X, uma coordenadora e supervisora de Ensino Fundamental
e Médio da escola Y uma supervisora da Escola Z, uma supervisora da escola Y,
uma supervisora da escola X e cinco professores de Artes Visuais das referidas
escolas, perfazendo um total de treze entrevistados.
Os critérios de escolha e a definição dos sujeitos da pesquisa, durante o
planejamento do projeto, levou em consideração representantes de três Instituições
de Ensino com possibilidades de coordenar e executar as intervenções e os sujeitos
da prática, ou seja, os professores. Os diretores das escolas e os gestores
(coordenadores e supervisores) foram pessoas-chave para contatos desde o início e
durante toda a construção do projeto. A escuta dos professores objetivou identificar
124
sua prática de avaliação. A representação de sujeitos de diversos níveis de
envolvimento na pesquisa aumentou as chances de viabilização adequada da coleta
de dados e do uso das análises para possível correção de rumos do projeto se fosse
o caso, bem como, delinear o quadro empírico que foi confrontado com a teoria.
Em decorrência desses critérios, com base em Minayo (2005), deduziu-se que a
amostragem assumiu características de priorizar os sujeitos que podiam facilitar a
intervenção; de considerar que o tamanho da amostra foi suficiente a partir das
informações; de trabalhar com a noção de que os informantes foram suficientemente
diversificados a ponto de possibilitarem abordagens de diferentes fontes; de verificar
que a escolha do campo e dos sujeitos continham o conjunto das experiências que
se pretendia captar.
Escolheu-se, qualitativamente, um número representativo de sujeitos da pesquisa
porque sabe-se que algumas pessoas selecionadas não cooperam ou não estariam
disponíveis para a investigação. Isto tornou-se desejável que o tamanho das
amostras considerasse as perdas que poderiam ocorrer.
A coleta de dados foi feita a partir dos seguintes instrumentos: a) Pesquisa
Bibliográfica em livros e artigos sobre o tema Avaliação em Artes Visuais; b)
Pesquisa Documental nas escolas sobre as orientações oficiais e procedimentos de
avaliação em Artes Visuais, principalmente no Projeto Político-Pedagógico e na
Estrutura Curricular de cada escola; c) Pesquisa Empírica através de entrevista
semiestruturada com diretores, coordenadores, supervisores e professores. Nela o
entrevistador ficou livre para exercitar sua iniciativa no acompanhamento da
resposta a uma pergunta e pode fazer perguntas relacionadas que não foram
previamente imaginadas.
As entrevistas aconteceram através de contatos com os sujeitos da pesquisa que
puderam fornecer dados subjetivos com fontes de informações úteis.
Eles cederam um tempo para proceder às entrevistas confirmando seu aceite
125
através do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (Anexo A). Suas
contribuições foram valiosas. As entrevistas aconteceram em dias e horários
previamente acordados, na própria escola, antecedendo com um diálogo informal, a
fim de familiarizar os entrevistados com o gravador.
O projeto desta pesquisa como todas as pesquisas de qualquer área do
conhecimento que envolvem seres humanos (na qualidade de sujeitos de pesquisa)
passam pela análise de um Comitê de Ética em Pesquisa regularmente cadastrado
e credenciado pelo CONEP.
Para tanto, a comunidade UNA (e demais pesquisadores em todo o país)
se
cadastram para intermediar a tramitação dos protocolos de pesquisa entre
pesquisadores, CEP’s e a CONEP e utilizam a PLATAFORMA BRASIL,
(http://aplicacao.saude.gov.br/plataformabrasil/login.jsf).
O projeto dessa pesquisa foi aprovado pelo CEP UNA, conforme Parecer no Anexo
E.
A entrevista semiestruturada foi elaborada através de um roteiro básico de questões
que abriu possibilidades do sujeito da pesquisa colaborar com informações diversas
e ricas, expressas nas palavras registradas no gravador, quanto nas pausas, no
silêncio, nas repetições, nos gestos, contribuindo para o processo de investigação.
A elaboração desse roteiro de entrevista procurou definir os objetivos da pesquisa,
bem como tópicos fundamentais, de maneira a beneficiar a evolução e
aprofundamento das concepções que orientam a avaliação da aprendizagem no
ensino da Arte. O roteiro (Apêndice B) foi cuidadosamente planejado, elaborado com
questões
simples,
diretas
e
claras,
que
direcionaram
a
conversa
para
aprofundamento da temática.
As entrevistas foram gravadas e, posteriormente, foram transcritas na íntegra. O
resultado da transcrição foi um trabalho de construção que se colocou como uma
126
verdadeira tradução das falas dos entrevistados com fidelidade às manifestações
durante a entrevista, como voz, pronúncia, entonação, ritmo, gestos, mímica e
postura.
Alguns ajustes se fizeram necessários para melhor favorecer a leitura dos textos,
gerando pequenas adequações sem prejudicar o conteúdo. Uma compreensão da
prática pedagógica atual do processo de avaliação da aprendizagem em Arte foi
proporcionada, ao ouvir os entrevistados, suas concepções de avaliação de ensinoaprendizagem, seus critérios avaliativos e a indicação do instrumental que
privilegiam.
Os dados foram tabulados inicialmente para se ter clareza das informações contidas
nos mesmos, bem como para poder categorizá-los. Posteriormente foram
analisados a partir da organização em categorias e unidades de análise, geradas a
partir da seleção do material coletado, segundo Oliveira (2007), objetivando
direcionar as discussões e conclusões.
A identificação e agrupamento das categorias empíricas basearam-se nos conceitos
centrais de investigação, tendo como norte uma perspectiva de interação e
interpretação dos dados em sua complexidade, visando perceber as relações
estabelecidas entre professores e alunos na vivência das práticas pedagógicas na
avaliação em Artes Visuais.
Para proceder à análise deste trabalho, ou seja, dos registros dos dados coletados
optou-se pela análise de conteúdo, como um procedimento relevante. Nesse formato
de análise, as categorias emergem das respostas à entrevista, tornando possível
identificar elementos revelados do aporte teórico.
Da leitura atenta do material coletado resultou o quadro de categorias e unidades de
análise, baseadas nos objetivos e conceitos centrais da investigação, orientando-se
por uma perspectiva de interação e interpretação dos dados em sua complexidade,
visando perceber as relações estabelecidas entre os sujeitos da pesquisa na
vivência das práticas pedagógicas e de gestão na avaliação do processo de ensinoaprendizagem em Arte.
127
O eixo norteador dessa pesquisa se resume na questão: Como se processa a
avaliação em Artes Visuais no Ensino Fundamental e Médio? Esta questão, além de
motivar a proposta de investigação, levantou várias outras questões nucleares,
unidades de análise, dentro de cada categoria. Considera-se principalmente a
prática, com o propósito de contribuir para a formação docente no que se refere à
melhoria da avaliação na disciplina Arte; contribuir com a produção educacional no
que diz respeito a Arte no EF e EM; promover inovações educacionais no campo da
avaliação em Artes Visuais; melhorar os processos e a efetividade educacionais
nesse campo; favorecer a produção de novos conhecimentos; ajudar na melhoria de
qualidade das aulas; interagir com tecnologias contemporâneas no ensino da Arte;
compartilhar atitudes e valores; valorizar a formação docente.
Os dados analisados resultaram em sete categorias, quais sejam: 1. Conceito de
avaliação e diretrizes; 2. A prática de avaliação na escola; 3. Dificuldades no
processo de avaliação; 4. Importância e relevância da avaliação em Arte; 5.
Procedimentos e instrumentos de avaliação; 6. Desempenho do aluno na avaliação
da aprendizagem; 7. Cenário das ações pedagógicas.
As categorias e suas respectivas unidades de análise estão sistematizadas no
QUADRO 1.
128
QUADRO 1- CATEGORIAS E UNIDADES DE ANÁLISE DAS ENTREVISTAS
CATEGORIAS DE ANÁLISE
UNIDADES DE ANÁLISE
Categoria 1: Conceito de avaliação
e diretrizes.
Unidade 1: Identificação do conceito de avaliação do
processo de ensino-aprendizagem.
Unidade 2: Diretrizes em relação ao processo de
avaliação.
Unidade 3: Tipos de avaliação mais comuns na prática
pedagógica.
Unidade 4: Momentos que se acredita estar avaliando.
Unidade 5: A prática avaliativa nas aulas de Artes
Visuais.
Unidade 6: Dificuldades na avaliação dos alunos do
Ensino Fundamental e Médio.
Unidade 7: Percepção das dificuldades na avaliação do
processo de ensino-aprendizagem por parte dos alunos,
professores e pais.
Unidade 8: Percepção da importância da avaliação no
processo de ensino-aprendizagem em Artes Visuais.
Unidade 9: Reflexão sobre a relevância da avaliação no
processo de ensino-aprendizagem em Artes Visuais.
Unidade 10:Procedimentos das atividades de avaliação
em diferentes situações educativas, no ensino de Artes
Visuais no âmbito do Ensino Fundamental e Médio.
Unidade 11: Instrumentos de avaliação utilizados no
processo de ensino-aprendizagem das Artes Visuais.
Unidade 12: Identificação de estratégias diferentes da
usual no ato de avaliar atividades de Arte.
Unidade 13: Sugestões para avaliação em Artes Visuais.
Unidade 14: A aprendizagem do aluno do ponto de vista
do professor.
Unidade 15: Identificação do “locus” da avaliação nas
ações pedagógicas em relação ao cotidiano escolar das
aulas de Arte.
Unidade 16: As aulas de Arte no cenário da escola.
Unidade 17: O envolvimento dos alunos com a disciplina
Arte.
Categoria 2: A prática de avaliação
na escola.
Categoria 3: Dificuldades no
processo de avaliação.
Categoria 4: Importância e
relevância da avaliação em Arte.
Categoria 5: Procedimentos e
instrumentos de avaliação.
Categoria 6: Desempenho do aluno
na avaliação da aprendizagem.
Categoria 7: Cenário das ações
pedagógicas.
Fonte: Entrevistas realizadas pela pesquisadora (2013).
Os dados coletados na pesquisa bibliográfica, documental e de campo serviram para
subsidiar a construção da proposta de intervenção (Apêndice A). A proposta
construída é uma nova metodologia de avaliação em Artes Visuais no Ensino
Fundamental e Médio direcionada à formação docente dos alunos do curso de Artes
Visuais – Licenciatura.
129
CAPÍTULO 5
APRESENTAÇÃO, ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS DADOS
5.1 O que dizem os documentos
A documentação representa uma fonte natural de informação. A análise documental
traz subsídios para se compreender a atuação dos professores em suas práticas
avaliativas. A escolha dos documentos analisados nesta pesquisa compreendeu
aqueles que poderiam possibilitar maior compreensão sobre o contexto avaliativo do
processo de ensino-aprendizagem de Arte nas escolas de Ensino Fundamental e
Médio.
Os documentos, de fontes primárias, consultados foram: 1. Lei de Diretrizes e Bases
da Educação Nacional – LDB, Lei nº 9.394/96 (BRASIL,1996); 2. Diretrizes
Curriculares Nacionais da Educação Básica, (BRASIL, 2013); 3. Parâmetros
Curriculares Nacionais – Arte (BRASIL,1998); 4. Resolução do Conselho Estadual
de Educação nº 2197 (MG/SEE, 2012, p. 66); 5. Conteúdos Básicos Comuns – CBC
(PIMENTEL et al.2010).
No que diz respeito a avaliação, a LDB (1996), em seu artigo 24, item V, sinaliza
alguns critérios que devem ser observados quanto ao desempenho dos alunos na
verificação do rendimento escolar direcionados a todas as disciplinas de um modo
geral.
O texto da Lei indica que, além de contínua, a avaliação seja cumulativa. Isso
significa, em outros termos, que não se deve compartimentalizar os saberes
segundo os meses em que são trabalhados. Que os instrumentos e as formas de
avaliação devem priorizar uma visão global das matérias estudadas, levando o aluno
a utilizar as competências que foi adquirindo em outros meses, em outras séries.
Que as questões ou situações-problemas sejam abrangentes, interligando os
saberes estudados.
130
Prossegue ainda, pontuando, que deverá haver prevalência dos aspectos
qualitativos sobre os quantitativos. Este é um aspecto crucial no entendimento da
noção de avaliação da LDB, pois evidencia que a verificação do rendimento não está
diretamente vinculada à aprovação ou reprovação dos alunos.
Considerar os aspectos qualitativos no processo de avaliação significa, não limitar o
olhar do professor aos conteúdos que podem ser objetivamente mensuráveis e
quantificáveis. Isso não quer dizer que, no momento de definir se um aluno tem
condições de ser promovido para a etapa seguinte, o professor não escolha por
verificar (de maneira objetiva) se o aluno possui os conteúdos mínimos, ou se
desenvolveu as aptidões necessárias para vir a aprendê-los. Fica claro que o
processo da avaliação adquire finalidades que vão além da promoção ou reprovação
dos alunos, e se dirigem para os cuidados de uma educação integral.
A Educação Básica de qualidade é um direito assegurado pela Constituição Federal
e pelo Estatuto da Criança e do Adolescente. Diante das recentes mudanças
ocorridas no Ensino Fundamental e Médio surgiu a necessidade da atualização das
Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Básica, justificando para tanto, que
tais diretrizes se encontravam defasadas e superadas.
São estas diretrizes que estabelecem a base nacional comum, responsável por
orientar a organização, articulação, o desenvolvimento e a avaliação das propostas
pedagógicas de todas as redes de ensino brasileiras.
Na expectativa do Conselho Nacional de Educação, essas diretrizes devem inspirar
às Instituições e Sistemas Educacionais, políticas de gestão e projetos políticospedagógicos voltados para uma educação de qualidade.
Segundo as Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Básica (2013),
direcionadas à todas as áreas de ensino de um modo geral, a avaliação do aluno, a
ser realizada pelo professor, é redimensionadora da ação pedagógica e deve
assumir um caráter processual, formativo e participativo, ser contínua, cumulativa e
diagnóstica.
131
A avaliação formativa, que ocorre durante todo o processo educacional, deve
proceder a um diagnóstico, às potencialidades do aluno e detectar problemas de
ensino-aprendizagem. A intervenção imediata no sentido de sanar dificuldades que
algum aluno possa apresentar é uma garantia para o seu progresso nos estudos. E
a avaliação contínua pode assumir várias formas, tais como a observação e o
registro das atividades do aluno, sobretudo nos anos iniciais do Ensino
Fundamental, trabalhos individuais organizados ou não em portfólios, trabalhos
coletivos, exercícios em classe e provas, dentre outros.
Essa avaliação constitui, segundo as Diretrizes, um instrumento indispensável ao
professor na promoção do sucesso de seus alunos na escola e pode indicar, ainda,
a
necessidade
de
atendimento
complementar
para
enfrentar
dificuldades
específicas, a ser oferecido no mesmo período de aula, o que requer flexibilidade
dos tempos e espaços para a aprendizagem e flexibilidade nas ações docentes.
Para o Ensino Médio, as Diretrizes Curriculares da Educação Básica (2013) indicam
que, a avaliação do processo de ensino-aprendizagem, conforme a LDB, pode ser
adotada com vistas à promoção, aceleração de estudos e classificação e deve ser
desenvolvida pela escola, refletindo a proposta expressa em seu projeto políticopedagógico. Importante observar que a avaliação do processo de ensinoaprendizagem deve assumir caráter educativo, possibilitando ao aluno analisar o
seu percurso e, ao professor e a escola, identificar dificuldades e potencialidades
individuais e coletivas. Portanto, uma avaliação que estimule a iniciativa dos
estudantes.
É importante ressaltar que o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) deve,
progressivamente, compor o Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB)
assumindo as funções26 de avaliação sistêmica, certificadora e classificatória,
segundo essas diretrizes (BRASIL, art. 21, 2013, p.201).
Os Parâmetros Curriculares Nacionais(1996) são instrumentos úteis no apoio às
discussões pedagógicas na escola, principalmente, na reflexão sobre a prática
26
Funções cujos objetivos são; subsidiar as políticas públicas para a Educação Básica; aferir os conhecimentos
tácitos e contribuir para o acesso à Educação Superior.
132
educativa. A área de Arte situa-se dentro dos PCNs e deve ser incorporada com
objetivos amplos que atendam às características das aprendizagens, combinando o
fazer artístico ao conhecimento e à reflexão em Arte. Esses objetivos devem
assegurar a aprendizagem do aluno nos planos perceptivo, imaginativo e produtivo.
Para isso o professor deve saber o que é relevante o aluno praticar e saber nessa
área.
A avaliação precisa ser realizada com base nos conteúdos, objetivos e orientação do
projeto educativo em Arte. Os PCNs indicam para a avaliação em Arte, os seguintes
critérios: 1. Criar formas artísticas; 2. Estabelecer relações com o trabalho de Arte
produzido; 3. Identificar elementos da linguagem visual; 4. Reconhecer e apreciar
trabalhos e objetos de Arte; 5. Valorizar as fontes de documentação, preservação e
acervo da produção artística. Cada um desses critérios tem um parágrafo, no
documento, explicando o seu alcance.
De acordo com os PCNs, cabe à escola promover situações de autoavaliação a fim
de que o aluno reflita sobre o seu papel de estudante. Uma autoavaliação orientada
dentro de um roteiro flexível onde ele possa expressar suas ideias, comparar,
observar, conhecer semelhanças e diferenças entre seus pares.
Quanto aos conteúdos trabalhados, os PCNs sugerem uma avaliação feita por meio
de imagens, dramatizações articuladas pelos alunos, assim como pequenos textos
ou falas onde os alunos abordem os assuntos estudados.
Percebe-se que a avaliação em Arte constitui uma situação de aprendizagem em
que o aluno pode verificar o que aprendeu através de discussões, retrabalhar os
conteúdos, assim como o professor pode avaliar como ensinou e o que seus alunos
aprenderam.
Ao analisar a Resolução do Conselho Estadual de Educação nº 2.197 (MG/SEE,
2012, p. 66), que dispõe sobre a organização e o funcionamento do ensino nas
Escolas Estaduais de Educação Básica de Minas Gerais, percebe-se que no Título V
sobre a avaliação no processo de ensino-aprendizagem, o texto se assemelha, em
133
alguns artigos, com as Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Básica (2013),
também direcionado à todas as áreas de ensino de um modo geral.
De acordo com essa resolução, a escola deve oferecer ao aluno
diferentes
oportunidades de aprendizagem definidas em seu Plano de Intervenção Pedagógica
– PIP27, durante todo o ano letivo, levando-se em conta o seu desempenho global,
seu envolvimento no processo de aprender e não apenas a avaliação de cada
professor em seu componente curricular de forma isolada, considerando os
princípios da continuidade da aprendizagem do aluno e a interdisciplinaridade.
Para os alunos que não dominaram os conhecimentos básicos, a escola deve
oferecer estudos contínuos, periódicos e independentes de recuperação como
condições para que possam ser vencidas as dificuldades ainda existentes.
No que diz respeito à Arte, como componente curricular, o objetivo educacional
coloca ênfase nos domínios afetivo e psicomotor; deve ser avaliada para que se
verifique em que nível as habilidades previstas foram consolidadas, sendo que a
nota ou conceito, se forem atribuídos, não poderão influir na definição dos resultados
finais do aluno.
Ao analisar a proposta dos Conteúdos Básicos Comuns (CBC) para os anos finais
do Ensino Fundamental e para o Ensino Médio percebe-se que se constitui de um
passo importante no sentido de tornar a rede estadual de ensino de Minas num
sistema de alto desempenho.
Os CBCs apresentam uma avaliação direcionada à disciplina Arte. Segundo
Pimentel et al (2010) este currículo envolve uma metodologia formativa, visando à
construção de conhecimentos durante todo o processo pedagógico e abrangendo as
diversas áreas: a factual (fatos aprendidos), a conceitual (conceitos construídos), a
comportamental (transformação do comportamento) e a atitudinal (mudanças de
atitudes) de maneira integrada. Pretende-se, assim, obter não só dados
27
Plano elaborado conjuntamente pelos professores dos Componentes Curriculares com a finalidade de
proporcionar a superação das defasagens e dificuldades dos alunos em temas e tópicos, identificados pelo
professor e discutidos no Conselho de Classe.
134
quantitativos, mas principalmente qualitativos, de forma a poder, constantemente,
reformular e ressignificar tanto conteúdos quanto ações.
As estratégias de avaliação em Arte, aqui oferecidas, são as mais variadas e
deverão ser selecionadas pelo professor, dependendo de sua disponibilidade e da
infraestrutura física que a escola oferece.
Os documentos consultados na Escola Y de Ensino Fundamental e Médio
foram: 1. Regimento Escolar da Inspetoria São João Bosco – ISJB; 2. Proposta
Pedagógica; 3. Caderno de orientações ( para professores e alunos); 4. Boletim.
O Regimento Escolar da Inspetoria São João Bosco – ISJB, utilizado na Escola Y,
tem na avaliação do aproveitamento do aluno um procedimento sistemático,
contínuo e cumulativo, inerente ao processo ensino-aprendizagem, com prevalência
dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos, para as disciplinas de um modo
geral.
Esse procedimento sistemático tem por objetivo avaliar a competência dos alunos,
observando, prioritariamente, as habilidades cognitivas por eles desenvolvidas:
compreensão, interpretação envolvendo relações, inferências, aplicações em
situações novas, análise, síntese, etc., em cada área do conhecimento.
A avaliação do aproveitamento do aluno considera seu desenvolvimento nos
aspectos cognitivos, afetivo e psicomotor em cada um dos componentes
curriculares. É adotado um sistema de pontos para o registro do aproveitamento
numa escala graduada de 0 (zero) a 100 (cem) distribuídos em três etapas em que
se divide o ano letivo, sendo que a pontuação mínima é 60%, para aprovação.
O processo avaliativo objetiva informar ao aluno seu progresso ou dificuldades, suas
necessidades quanto ao planejamento de atividades pedagógicas e do contexto
escolar, ajustar objetivos e experiências e julgar o mérito para efeito de promoção.
Além do Regimento Escolar a Escola Y possui uma Proposta Pedagógica que é um
documento que fundamenta suas ações educativas, entre elas a verificação do
135
Rendimento Escolar que oferece o critério de avaliação contínua do desempenho do
educando, com prevalência dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos e o
predomínio da avaliação diagnóstica, que serve para alimentar, sustentar e orientar
a intervenção pedagógica, subsidiando a prática do professor.
O professor, de acordo com essa proposta, utiliza de estratégias variadas para sanar
as dificuldades salientadas pela avaliação diagnóstica e, para acompanhar o
progresso do aluno. As atitudes básicas ao pleno exercício da cidadania e a
aquisição de habilidades são avaliadas bem como os conteúdos curriculares.
Os alunos são posicionados nas séries anuais, através de promoção, transferência,
avaliação, aproveitamento de estudos conforme legislação vigente e o estabelecido
em seu Regimento Escolar.
A reclassificação, a recuperação, a aceleração e avanço escolar e o aproveitamento
de estudos estão inseridos na proposta e são verificados de acordo com a legislação
vigente.
A Escola Y fornece um Caderno de Orientações em cada etapa, para cada aluno da
escola, onde estão especificados: a distribuição de pontos no Ensino Fundamental e
Médio, os instrumentos de avaliação, as datas de realização das provas, como se
processa a comunicação dos resultados, a recuperação, os conteúdos fundantes e
as orientações para estudos. Fornece ainda o Boletim Escolar que apresenta a
distribuição de pontos por avaliações, exercícios, pesquisas e trabalhos de campo.
Os instrumentos avaliativos são: avaliações quinzenais (4 pts), avaliações
intermediárias (8 a 10 pts), avaliação final (10 a 12 pts) atividades (trabalhos,
coletâneas, portfólio, etc. 4 a 10pts), para casa, lista de exercícios, frequência e
disciplina (4 a 10 pts) e o total da etapa (30 pts). Esses pontos variam conforme as
disciplinas e são obtidos através de atividades diversificadas ao longo de cada etapa
letiva e através de avaliações sistemáticas que são elaboradas criteriosamente em
cada área de conhecimento. Entre as atividades direcionadas pelos professores os
alunos são avaliados também em trabalhos de pesquisa pela internet, no uso da
biblioteca, excursões, visitas a museus, atividades extraclasse, etc.
136
Os documentos consultados na Escola Z de Ensino Fundamental foram:
1.Diretrizes de avaliação; 2.Projeto Político Pedagógico – PPP; 3. Boletim.
Nas Diretrizes de Avaliação da Escola Z, entende-se que a avaliação é informativa e
formativa, integra-se a um processo dinâmico e contínuo de acompanhamento e
interpretação do desenvolvimento do educando, em relação à socialização e
organização da sua vida escolar, na aquisição de habilidades / competências
básicas de letramento, de leitura do mundo e na resolução de situações problemas,
tendo como mecanismo o conteúdo de todas as disciplinas.
O período escolar é dividido em três etapas, onde são realizadas avaliações em
todas as disciplinas. Em cada etapa há três instrumentos avaliativos diversificados,
por disciplinas.
As avaliações são organizadas e arquivadas em portfólios ou nos próprios cadernos
dos alunos onde pais ou responsáveis deixam sua assinatura. Ao final de cada
etapa o sistema gera um boletim virtual e outro impresso com o registro de aspectos
atitudinais e conceituais demonstrando o desenvolvimento do aluno, com legendas e
porcentagens na tradução das notas que são mensuradas em 100 (cem) pontos.
Esse boletim é entregue em Reunião de Pais.
O professor de cada disciplina registra, ao longo de cada etapa, o desenvolvimento
individual do aluno, delineando os avanços e dificuldades numa ficha de Registro
Escolar, cujo objetivo é acompanhar o processo de ensino-aprendizagem do
educando.
O Projeto Político-pedagógico da Escola Z apresenta uma estrutura organizacional
própria, com propósitos, finalidades e princípios norteadores do trabalho, com
caracterização da clientela e do corpo docente.
A concepção da aprendizagem é voltada para os quatro pilares da educação
definidos no relatório de Jacques Delors (2012) e as diretrizes de avaliação são
direcionadas à todas as disciplinas de forma equânime, conforme descritas acima.
Não existe um direcionamento específico para a avaliação em Artes Visuais.
137
De acordo com a análise do Projeto político-pedagógico dessa escola percebe-se
que as diretrizes de avaliação encontram-se defasadas e superadas em decorrência
dos últimos atos legais e normativos a respeito da avaliação no processo de ensinoaprendizagem para o Ensino Fundamental, como por exemplo, a Resolução 2.197
de 2012 em consonância com a LDB, e as novas Diretrizes Curriculares Nacionais
para o Ensino Básico de 2013, referendadas em artigos específicos para todas as
redes e sistemas de ensino brasileiros.
É preciso frisar que a Escola X de Ensino Médio mudou a direção, está em fase de
reformulação de seu Projeto Político Pedagógico – PPP e seus professores reúnemse constantemente a fim de estudar um novo eixo norteador, buscando atender as
recomendações da Resolução 2.197 de 2012, para definir novas propostas
educacionais e definir uma linha para a avaliação. Mesmo em fase de reconstrução
do processo, gestores e professores atuam de forma dinâmica e compromissada.
Por esse motivo, o diretor não autorizou o acesso aos documentos da escola para
serem analisados. Autorizou somente os depoimentos dos entrevistados, conforme
Termo de Autorização de Uso de Imagens e Depoimentos.
A Escola Y também mudou a direção, porém, segue a Proposta Pedagógica da
escola, segue as diretrizes dos Parâmetros Curriculares Nacionais, o Regimento
Escolar, bem como uma filosofia própria da sua rede. Estão sempre renovando e
reconstruindo o processo.
Os documentos foram selecionados e passaram por um processo de leitura e
reflexão. Seus dados foram analisados de acordo com os aspectos relevantes ao
estudo. Os PCNs e os CBCs apresentaram um eixo norteador para a avaliação
específica em Arte. Eles representaram fontes essenciais de informação, fornecendo
suportes às afirmações, interpretações e associações sugeridas por outros dados
obtidos pela utilização de outros procedimentos de coleta, como por exemplo as
entrevistas.
138
5.2 O que dizem as entrevistas
Este texto, apresenta, analisa e discute as questões apontadas nas entrevistas
semiestruturadas. .
Uma vez definida a classificação das categorias e suas unidades de análise
(Conforme quadro 1, na página 128) com os dados obtidos na sistematização das
respostas dadas pelos entrevistados, é possível passar à identificação dos saberes
necessários à prática docente na avaliação do processo de ensino-aprendizagem
em Artes Visuais.
Categoria 1: Conceito de avaliação e diretrizes
Nesta categoria objetivou-se identificar o conceito e diretrizes de avaliação no
processo de ensino-aprendizagem das Artes Visuais, nas perspectivas e inovações
no contexto educacional. Portanto, nesta categoria reuniram-se duas unidades de
análise.
Unidade 1: Identificação do conceito de avaliação do processo de ensinoaprendizagem
Avaliar vem do Latim “a + valere”, que significa atribuir valor e mérito ao objeto em
estudo. O ato de avaliar propicia informações para melhorar as decisões do
processo de ensino-aprendizagem, e também melhorar o resultado do próprio
planejamento e desenvolvimento curricular.
A concepção de avaliação em Arte no processo de ensino-aprendizagem está dando
lugar a uma nova visão. Compreende-se que apesar dos melhores esforços de
peritos
para claramente estabelecer os padrões esperados nas Artes Visuais,
conduzir uma avaliação permanece como uma das mais complexas tarefas que os
professores enfrentam no cotidiano escolar. Segundo Boughton, citado por Barbosa
(2005), isso requer dos professores várias formas de relatos, análises, para
satisfazer propósitos educacionais diferenciados,
139
Na compreensão dos gestores e professores, quanto à essa primeira categoria,
associam o conceito de avaliação às suas práticas como: verificar a aprendizagem,
definir a produção do aluno, detectar a evolução do conhecimento, cobrar o
aprendizado, analisar a intenção da criança, diagnosticar o aprendizado para ajudar
o aluno em seu crescimento. Quanto às diretrizes são discutidas em equipe,
decididas em reuniões. Trabalham com projetos diversificados. Seguem as
Resoluções. As escolas não possuem um documento que seja especificamente
voltado para a avaliação em Arte, conduzem a avaliação com orientações dos
PCNs. Percebe-se aqui uma prática de avaliação relacionada com a aprendizagem
do aluno.
Segundo os PCNs é muito importante o entendimento entre alunos e professores em
situação de avaliação. O modo como acontece o clima na escola, em relação à
avaliação, corresponde a cada centro educativo a condução de sua cultura escolar.
Cada centro educativo, ou seja, cada instituição escolar tem seus critérios
diferenciados para a avaliação.
A prática avaliativa permeia um ajuste constante entre o processo de ensinoaprendizagem que, segundo Hernández (2000), vai adequar a ação do aluno à
evolução do seu conhecimento. É na avaliação formativa que ao cobrar as tarefas
propostas, detectar erros, dificuldades, realizar análise dos trabalhos dos alunos,
suas intenções, é que o professor irá ajudá-los a progredir no caminho do
conhecimento e obter credibilidade dos conhecimentos adquiridos.
Em relação à concepção de avaliação do processo de ensino-aprendizagem,
o
diretor da Escola X, escola de Ensino Médio, afirma:
Eu tenho um conceito... sobre esse processo... de avaliação que é de
que a avaliação é mais uma etapa... de ensino e não fim do ensino...
então... existe essa questão histórica de que a avaliação é a última
etapa do processo de ensino-aprendizagem...eu vejo que não... eu
vejo que ela é mais um instrumento... para ensino... ou seja... a partir
dela você vai reCONSTRUIR a sua prática de ensino... e traçar
estratégias pra que ocorra a aprendizagem... mas o que a gente
observa historicamente que... a avaliação é um fim... ou seja... após a
avaliação é dada a nota simplesmente e... encerra-se um processo...
e na verdade eu tenho essa visão ao contrário disso aí... embora ele
não seja inédito... esse pensamento não é inédito da minha parte...
mas é:::...na prática... isso não funciona ... essa teoria aí de que a
140
avaliação é meio e não fim... na prática ela não ocorre... na maioria
dos casos. (Entrevistado 1. Diretor da Escola X).
Para o diretor dessa Escola, portanto, a avaliação significa uma etapa do processo
ensino-aprendizagem que vai ajudar o professor na reconstrução da prática de
ensino e a traçar estratégias para que ocorra aprendizagens posteriores. Nesse
sentido a avaliação é uma das possibilidades, entre tantas, que a prática pedagógica
envolve, que é refletir sobre a postura docente no decorrer das ações de ensinar,
promover a aprendizagem e avaliar.
Esse pensamento vai de encontro às ideias contidas em Perrenoud (1999), quando
aborda a avaliação entre duas lógicas: a lógica formativa e a lógica da seleção,
afirmando que antes de regular a aprendizagem neste contexto é preciso regular o
trabalho, as atividades, e isto está presente na compreensão de que avaliação e
ensino são processos que devem ser integrados e contínuos. Esse autor considera
que a avaliação formativa desenvolvida pela regulação é vista sob a perspectiva de
um processo deliberado e intencional, tendo como objetivo, controlar os processos
da aprendizagem, para que possa consolidar, desenvolver ou redirecionar essa
mesma aprendizagem.
Para Perrenoud (1999), na escola existe a criação de uma hierarquia de excelência
através de várias atividades avaliativas que prefiguram o resultado final, conduzindo
ao que se chama êxito ou fracasso. A democratização do ensino e a procura de uma
pedagogia diferenciada traz à tona a lógica formativa que em sintonia com a lógica
da seleção se equilibram, mantendo as forças e a legitimidade de ambas.
Outra visão do conceito de avaliação está contida na fala do diretor da Escola Y,
uma escola de Ensino Fundamental e Médio:
Então. Eu entendo que a avaliação ela tem um intuito muito claro...um
objetivo muito claro quer dizer... se nesse processo ensinoaprendizagem se realmente aconteceu a aprendizagem do nosso
educando... então é importante que o professor ao avaliar...que ele
lembre-se de perguntar...ocorreu a aprendizagem? Ou nós
precisamos...precisaremos de retomar esse processo para que... o
processo ensino- aprendizagem aconteça. (Entrevistado 2. Diretor da
Escola Y).
141
Assim, buscar o sentido que a própria avaliação detém, demanda refletir sobre os
seus resultados, sobre a importância do ato de avaliar. A partir desses resultados é
que o professor poderá refazer sua prática pedagógica e promover a aprendizagem
do aluno.
Os resultados vão emergir na avaliação somativa que é proposta como um processo
de síntese de um nível educativo, é o “momento” que permite reconhecer se o aluno
alcançou o resultado esperado, se adquiriu competências ou habilidades dentro das
situações do processo de ensino-aprendizagem que foram objetivadas.
Na prática, segundo Hernández (2000), essa avaliação associa-se à noção de êxito
ou fracasso onde o professor tem a possibilidade de avaliar o seu próprio trabalho e
progresso ou as dificuldades dos alunos.
O processo de classificação do aluno ocorre segundo o rendimento alcançado,
tendo por base os objetivos previstos. Se a aprendizagem não ocorreu é necessário
buscar um novo planejamento e concretizar essa fase da avaliação propondo aos
alunos uma reconstrução do processo vivido.
Para a diretora da Escola Z escola de Ensino Fundamental, o conceito de avaliação
está expresso da seguinte forma:
Bom... aqui na escola vou falar do conceito de avaliação que a gente
trabalha aqui na escola... Que é o que eu acredito lógico ...Nós
trabalhamos com uma avaliação processual...uma avaliação diária...
mas ainda avaliamos com... avaliações periódicas com provas...
com... textos... cada professor tem... uma diretriz de avaliação que a
gente entrega que é a diretriz da escola... e nós trabalhamos dentro
dessas diretrizes de avaliação:::... essas diretrizes elas são... são
organizadas por nós... e... depois acompanhada por todos os... os
professores aqui da nossa escola.(Entrevistada 3. Diretora da Escola
Z).
Nesse depoimento
o conceito de avaliação se reporta à avaliação processual,
porém, quando se toma a prova como medida, a avaliação perde o caráter de
processualidade.
142
Nesse contexto, a prática avaliativa da escola está calcada no processo de
aprendizagem e não apenas nos resultados. Destaca-se uma avaliação que se
acredita informativa e formativa prevista em uma diretriz própria da escola,
direcionada a todas as disciplinas, que se integra a um processo dinâmico e
contínuo de acompanhamento e interpretação do desenvolvimento do educando em
relação a organização da sua vida escolar.
De acordo com a análise dessas diretrizes, alguns pontos estão defasados e
superados, portanto, faz-se necessário uma atualização na prática avaliativa do
processo de ensino-aprendizagem, baseado nos últimos atos legais e normativos, e
organizar a avaliação com novas estratégias para a disciplina Arte de forma
específica.
A ideia defendida pela professora de Arte do Ensino Fundamental da Escola Z é de
que “a avaliação é a definição da produção dos alunos dentro de sala de aula em
grupo e individual” (Entrevistada 4), enquanto as professoras de Arte da Escola Y
analisam a avaliação na percepção do interesse, da crítica, da intenção das
crianças, em suas atividades variadas de Arte (Entrevistadas 5 e 6).
Ao analisar o posicionamento da entrevistada 4 quanto ao conceito de avaliação,
pode-se dizer em contrapartida, que avaliar não é apenas definir a produção do
aluno, é mais que isso. É buscar melhorias através de um processo que reúne
informações e dados para alimentar e estimular a análise reflexiva das práticas.
Assim, a avaliação requer dos professores várias formas de análise e de relato, para
satisfazer diferentes propósitos educacionais.
Quanto ao depoimento das entrevistadas 5 e 6, é oportuno dizer que deve se levar
em consideração, nas avaliações, o equilíbrio entre os interesses dos alunos. Eles
se diferem na percepção e no interesse cultural pelos estilos, pela curiosidade, pela
crítica pessoal, nas intenções. Cabe ao professor partir da realidade do aluno para
então ampliar e instigar seus conhecimentos. Avaliar o posicionamento crítico de
uma obra na percepção do aluno, falar sobre uma obra com um posicionamento
pessoal são formas estratégicas de verificar essa realidade.
143
No Ensino Médio da Escola X, o professor de Arte tem um conceito próprio: “A
avaliação pra mim é a maneira pela qual o professor tem de detectar o
aprendizado...a evolução do conhecimento do aluno e aquilo que ele tá
armazenando de conhecimento” (Entrevistado 7) . No Ensino Médio da Escola Y, o
professor de Arte, em outras palavras afirma: “Eu acho que a avaliação é mais um
instrumento para ajudar diagnosticar o aprendizado do aluno...é mais uma forma que
a escola, que nós professores temos de ajudar o aluno a crescer”. (Entrevistado 8).
O conceito de avaliação dos entrevistados 7 e 8 conduz ao diagnóstico que,
segundo Sant’Anna (2010), é utilizado na verificação dos conhecimentos que o
aluno traz consigo, pré-requisitos e particularidades que ele apresenta. Ajuda na
tomada de decisões que direcionam ou redirecionam o processo de ensinoaprendizagem que se quer satisfatório.
Percebe-se que cada entrevistado entende a avaliação sob diferentes perspectivas
pedagógicas que vão se delineando através de suas práticas. A aprendizagem e o
conhecimento passam a ter origem, limites e evolução a partir das experiências
acumuladas. Os professores passam a conhecer melhor a personalidade do seu
aluno, suas percepções diante das atividades de Arte, seus sentimentos e
expectativas. Percebem que a avaliação conduz ao desenvovimento do educando e
os ajuda na prática pedagógica, em direção a uma nova organização do processo.
Unidade 2: Diretrizes em relação ao processo de avaliação.
Os supervisores e coordenadores, enquanto profissionais da escola, compartilham
responsabilidades no envolvimento relacionado ao acompanhamento e apoio às
questões pedagógicas, como por exemplo, como orientar, acompanhar, subsidiar o
professor na sua prática. Nessa perspectiva, as diretrizes em relação ao processo
de avaliação são embasadas em resoluções, regimento escolar, no PPP da escola,
nos PCNs, muitas vezes construídas numa colaboração conjunta entre gestores e
professores.
Eis um depoimento sobre as diretrizes:
144
Nós baseamos nos Parâmetros Curriculares ... e desenvolvemos
alguns trabalhos independentes dentro da Instituição... nós não
temos um material específico para a disciplina de Arte... esse material
ainda está por ser construído... então... a gente trabalha com projetos
diversificados seguindo... tendo como norte o nosso Projeto Político
Pedagógico e o...os Parâmetros Curriculares (Entrevistada
9.Supervisora do Ensino Fundamental).
Dentro do contexto educacional, não existe uma diretriz específica para a avaliação
no processo de ensino-aprendizagem das Artes Visuais. Os coordenadores e
supervisores, de maneira unânime, conduzem uma orientação dando ênfase aos
Parâmetros Curriculares Nacionais. Essa postura se faz presente em todas as
escolas pesquisadas. Diante da constatação da insuficiência e incompletude de
conhecimentos a respeito da avaliação no processo de ensino-aprendizagem,
sobretudo em Artes Visuais, faz-se necessário repensar esta prática e construir
saberes necessários para esta ação pedagógica.
Rever os PCNs, o PPP, definir diretrizes básicas para o processo, buscar novas
estratégias, pode se constituir no ponto de partida para a reconstrução desse
processo avaliativo que produz inquietação às escolas de Ensino Fundamental e
Médio pesquisadas. Eis um desafio a ser enfrentado para o desenvolvimento de um
fazer pedagógico diferenciado.
Categoria 2: A prática de avaliação na escola
Nesta categoria objetivou-se identificar como ocorre a avaliação nas escolas
pesquisadas, os momentos que se acredita estar avaliando e os tipos de avaliação
mais comuns na prática pedagógica. Portanto, nesta categoria reuniram-se três
unidades de análise.
Unidade 3: Tipos de avaliação mais comuns na prática pedagógica
Na escola Y de Ensino Fundamental e Médio, o diretor (Entrevistado 2)
explicou:
Aqui na Escola Y nós dividimos a avaliação em três etapas...a
primeira etapa é que compõe os meses iniciais do primeiro
semestre... a segunda etapa que é concluída no final de agosto... e a
terceira etapa nos meses seguintes até dezembro... cada etapa tem
145
um valor... esse valor por disciplina ele é dividido por avaliações
intermediárias...avaliações do final de cada etapa.... atividades
avaliativas ao longo da etapa para consolidar esse processo de
ensino-aprendizagem.
(Entrevistado 2. Diretor de Ensino Fundamental e Médio).
A explicação do diretor condiz com o Regimento Escolar da ISJB (Inspetoria São
João Bosco), em seu cap.IV do Sistema de Avaliação, especificada em seus artigos
137 a 150, que compreende a avaliação como um processo sistemático, contínuo e
cumulativo, cujos aspectos qualitativos prevalecem sobre os quantitativos, para
todas as disciplinas.
Esse processo tem por objetivos fornecer informações sobre os progressos ou
dificuldades dos alunos que devem ser superados, a fim de planejar e replanejar
atividades pedagógicas; ajustar os objetivos e experiências de aprendizagem às
condições necessárias ao contexto onde situa a escola e julgar o mérito do aluno
para efeito de promoção.
Ao registrar o aproveitamento do aluno, a escola utiliza pontos com base numa
escala graduada de 0 (zero) a 100 (cem) que são distribuídos pelas três etapas em
que se divide o ano letivo, sendo que a pontuação mínima é 60%, para aprovação.
Esta postura da Escola Y em relação às notas vai de encontro à Escola Tradicional e
à sociedade conservadora que explicitava o resultado em notas e boletins seguindo
o “Ratium Studiorum” dos Jesuítas. Este processo está presente nas escolas
entrevistadas e vale a pena questionar: Até quando o resultado do desempenho do
aluno será divulgado em notas e boletins? É possível construir uma nova forma de
divulgar esses resultados? Existe alguma estratégia que possa inspirar essa
construção?
A prática avaliativa da escola X de Ensino Médio traz na fala do diretor (Entrevistado
1) o seguinte depoimento:
Esse ano nós começamos com um projeto pedagógico novo e que...
por óbvio nele está contido a... a reestruturação do processo de
avaliação. Então esse ano nós começamos com um processo de
avaliação [...] agora nós estamos com uma avaliação por área do
conhecimento o que se aproxima da proposta do ENEM então a
146
escola agora depois de anos vem com uma lógica avaliativa que o
aluno de fato vai se deparar é...quando ele for buscar estudos
posteriores então é... fortalecemos a importância dos conselhos de
classe e com a proposta de fortalecer também é... a política
pedagógica da secretaria de educação que é pra avaliar o aluno no
todo dos conhecimentos e não nas disciplinas ... no nos conteúdos
curriculares de forma isolada então esse agora a partir desse ano nós
começamos com esse projeto para poder fazer essa avaliação global
do aluno e com métodos é... de instrumentos ... mais próximos da...da
realidade atual.(Entrevistado 1. Diretor de ensino Médio).
Este depoimento condiz com a Resolução 2.197 de 2012 que será o eixo norteador
para a construção do novo PPP dessa escola, na qual o processo de avaliação
compreende uma proposta redimensionadora da ação pedagógica, de caráter
processual, formativo e participativo, ação que deve ser contínua, cumulativa e
diagnóstica com a utilização de vários instrumentos, recursos e procedimentos cujos
aspectos qualitativos prevaleçam sobre os quantitativos.
A fala do diretor está embasada no art.80 dessa resolução, que leva em conta o
desempenho global do aluno, o envolvimento no processo de aprender e que a
promoção e progressão parcial do aluno devem ser decididas pelos professores e
avaliadas pelo Conselho de Classe. Quanto a avaliação de cada professor em seu
componente curricular, a resolução deixa claro que não deve ser uma avaliação de
forma isolada.
O processo de avaliação da escola Z de Ensino Fundamental, conforme relata a
diretora (Entrevistada 3), segue as diretrizes de avaliação da própria escola no seu
PPP:
Como eu te disse é através dessa...dessas diretrizes... a gente
trabalha é... no mínimo três instrumentos avaliativos cada professor
tem que dar em cada etapa... a gente divide o ano em três etapas...
cada etapa é desenvolvido um conteúdo esse conteúdo é avaliado
os alunos são avaliados nesse processo e...a arte entra nesse...
igualzinho a todos os outros conteúdos... o professor tem autonomia
de escolher quais os instrumentos avaliativos que ele vai trabalhar
naquela etapa.
(Entrevistada 3.Diretora de Ensino Fundamental).
Percebe-se nesse depoimento que não existe uma diretriz específica para as Artes
Visuais. A disciplina Arte possui um diferencial das outras disciplinas,
envolve
sentimentos, emoções, criatividade e, sendo hoje uma área de conhecimento
147
oficializada
pela LDB, requer um tratamento diferenciado no que diz respeito à
avaliação do seu processo de ensino-aprendizagem.
Ao analisar as diretrizes dessa escola, percebe-se que há necessidade de atualizar
alguns aspectos da ação pedagógica no que diz respeito à avaliação de um modo
geral, em consonância com os atos legais e normativos vigentes, e estruturar um
eixo norteador sobre avaliação para as Artes Visuais.
Não consta nas diretrizes desta escola um ponto importante que é “fazer prevalecer
os aspectos qualitativos do aprendizado do aluno sobre os quantitativos”, ponto
importante estabelecido no artigo 69, item IV da Resolução SEE nº 2.197 de outubro
de 2012, além de outros pontos que devem ser apreciados e que constituem
também parte integrante das Diretrizes Curriculares Nacionais (2013) ofertadas pelo
MEC.
Seria interessante se os profissionais reunissem, periodicamente, com a equipe
gestora,
para
estudos,
avaliação
coletiva
das
ações
desenvolvidas
e
redimensionamento do processo pedagógico no que diz respeito à avaliação no
processo de ensino-aprendizagem, incluindo a construção de uma diretriz voltada
para a avaliação em Artes Visuais.
No discurso apresentado pelo professor de Arte do Ensino Médio da escola Y
revela-se um compromisso com a avaliação:
Olha... eu adoto o seguinte tipo de avaliação... na verdade eu uso
desde a avaliação formal onde todos os conteúdos trabalham com
aquele mesmo tipo de avaliação descritiva mas a avaliação que eu
uso mais... eu uso o portfólio como uma forma de avaliação onde o
aluno durante toda a etapa processa... processa a construção do
conhecimento dele onde ele vai coletando esses dados... suas
produções e depois eu uso esse material também como uma
avaliação (Entrevistado 8. Professor de Ensino Médio).
Ao utilizar a avaliação formal, percebe-se que o professor compartilha o mesmo tipo
de avaliação com as outras disciplinas, avaliação ao que parece, exigência do
sistema. Utiliza o portfólio que oferece uma oportunidade de reflexão entre professor
e aluno sobre o progresso das atividades aplicadas e é condizente com a avaliação
148
formativa. É um recurso valioso para ter subsídios ao fornecer informações a
respeito da trajetória do processo de ensino-aprendizagem do aluno.
Para o professor de Arte do Ensino Médio da escola X (Entrevistado 7), as
atividades práticas e o compromisso de interesse do aluno representam o tipo mais
comum da sua prática avaliativa. No seu depoimento ele não deixou claro que
atividades práticas são essas. Isso conduz a um questionamento: Seriam
elaboradas de forma coerente e estruturadas, de modo que estabelecessem um
compromisso com a construção do conhecimento? Aconteceria um envolvimento do
aluno com sentimentos e emoções? Os procedimentos utilizados, a pertinência e
eficácia dos recursos conduziriam ao interesse do aluno?
A professora de Arte (Entrevistada 6) do Ensino Fundamental da escola Y avalia os
alunos o tempo todo mas não citou o tipo de avaliação que utiliza, enquanto que a
professora de Arte (Entrevistada 5) defende um tipo de avaliação protagonizado
pelos alunos. No seu depoimento diz:
As crianças é que fazem...eles amam fazer um concurso...então eles
elegem os trabalhos mais bonitos e às vezes eles falam...é...fazer
sorteio porque tão...tantos tão lindos porque são tão dedicados
então... quando eu percebo isso é... nota MÁXIMA pra todos porque
eles são...é...esmeram no capricho [...] porque...porque são tantos...
eles falam assim...deu empate...deu 10..numa turma de 40...e quando
eles fazem o concurso eles não sabem de quem é o trabalho porque
o nome não tá exposto... e eles elegem assim ...cada trabalho é um
número...eles fazem a votação...e às vezes dá empate mesmo
porque... tão todos dedicados.(Entrevistada 5. Professora de Ensino
Fundamental).
Nesse contexto, os alunos que são do 5º ano avaliam com critérios estipulados pela
professora, que dá a nota. Depois de verificar os resultados, eles tomam a decisão
de expor os trabalhos selecionados no mural da escola para a apreciação de toda a
comunidade escolar. Aqui, confirmamos a concepção de Luckesi (2009) quando
afirma que a avaliação é um juízo de qualidade, para se tomar uma decisão, após
verificar algo significativo na realidade avaliada. Ao fundamentar a decisão de expor
o trabalho selecionado, os alunos se aproximam da tese de Perrenoud (1999, p.13),
de que “não se avalia por avaliar, mas para fundamentar uma decisão”.
149
De acordo com os PCNs, a ação artística também costuma envolver criação grupal:
nesse momento a Arte contribui para o fortalecimento do conceito de grupo. O aluno
pode compreender o outro, intelectual e afetivamente, e pode ter atitudes
cooperativas nos grupos de trabalho. Sem saber, estão avaliando.
A professora, nesse contexto, permitiu e possibilitou ao aluno reconhecer em si e
valorizar no outro a capacidade artística de se manifestar.
Ao dar vez e voz aos alunos, a professora colaborou para que os alunos pudessem
passar por um conjunto amplo de experiências de aprender, criar, avaliar, articular
percepção, imaginação, sensibilidade, conhecimento e produção artística pessoal e
grupal. Ao ampliar para além de si a avaliação, a professora avançou no processo
da avaliação em Arte.
Essa postura de dar vez e voz ao aluno surgiu na Escola Nova , quando o aluno
começou a entender a avaliação como elemento importante para seu crescimento,
continuou pela tendência construtivista onde, entre outras atividades, acontecia a
apresentação de trabalhos realizados pelos alunos e culminou na pedagogia críticasocial onde entende-se o processo avaliativo tecido pelo diálogo e interação.
A professora de Arte (Entrevistada 4) do Ensino Fundamental da escola Z avalia os
trabalhos que os meninos fazem dentro e fora da sala de aula, mas não citou o tipo
de avaliação que utiliza. Em outro momento da entrevista sabe-se que o caderno de
atividades do aluno é um instrumento que ela leva para casa, corrige e dá o
“feedback” para os alunos.
Com esse procedimento, a professora pode verificar todo o caminho que o aluno
percorreu para a realização de determinadas atividades, seus sentimentos,
emoções, e assim ela pode refletir em relação ao seu próprio trabalho. Por outro
lado o aluno pode aumentar o interesse, a curiosidade, melhorar a auto-estima e
pode reconstruir
o processo ensino-aprendizagem com base no “feedback”
recebido.
Unidade 4: Momentos que se acredita estar avaliando
150
As aulas de Arte oferecem momentos e oportunidades para que se processe a
avaliação em várias situações educativas, em suas inúmeras e diferentes atividades.
Todos os professores entrevistados compartilharam a afirmação de que acreditam
estar avaliando o tempo todo, durante a aula inteira. Observam, acompanham o
trabalho do aluno, interferem quando necessário, orientam e verificam o interesse e
envolvimento com as atividades aplicadas.
Isso demanda um processo contínuo, comparativo, sistemático, compreensivo,
cumulativo, global, informativo e que auxilia na percepção do conhecimento do
aluno.
Unidade 5: A prática avaliativa nas aulas de Artes Visuais
Nesse processo investigativo, considera-se principalmente a prática, com o
propósito de contribuir para a formação docente no que se refere à melhoria da
avaliação nesta disciplina. Destaca-se a prática avaliativa do professor de arte
(Entrevistado 8) do Ensino Médio da escola Y, que utiliza várias formas de
avaliação. Conhece seus alunos desde o Ensino Fundamental, suas diferenças,
suas igualdades, o potencial de cada um e assim há uma possibilidade maior de um
bom planejamento. Seu discurso revela:
Olha... eu...eu... tem várias formas de avaliação...então desde o
primeiro momento aonde eu proponho uma atividade ...um tema pro
aluno eu começo a tentar perceber ... como o que é a receptividade
dele em relação a esse conteúdo desde esse momento eu começo a
avaliar... dentro do que ele começa a receber estas informações e
depois ele começa a produzir...a desenvolver o conhecimento dele eu
já começo a avaliar...então é um processo durante todo o conteúdo
que é um assunto que eu... eu...programo 5 ou 6 aulas então...desde
o primeiro momento ... pra mim é importante não só o resultado final
mas é o processo ... de conhecimento que ele vai desenvolver
durante todas as aulas e as etapas para chegar na conclusão da
atividade.(Entrevistado 8. Professor de ensino Médio).
Nesse depoimento, constata-se um processo formativo cujos componentes, tais
como: proposta de atividade pelo professor, percepção da receptividade e produção
do aluno, desenvolvimento do conhecimento e conclusão da atividade apresentam
possibilidades para o professor estabelecer níveis de progressos alcançados,
detectar atividades que não foram dominadas, enfrentar dificuldades encontradas
151
nesse percurso, para então procurar outras alternativas de avaliação. Dentro de
suas formas variadas de avaliação, o professor (Entrevistado 8) avalia a criatividade,
o interesse, mesmo sabendo que cada um tem uma forma de receber e conduzir a
informação recebida.
Segundo o professor (Entrevistado 7) de Ensino Médio da escola X, “avaliar é muito
complicado”. Ele procura avaliar mais é a boa vontade, o compromisso, o interesse,
a participação e a criatividade do aluno. Esses aspectos também são importantes no
processo formativo e correspondem ao que Zabala (2010) compreende como
conteúdos atitudinais. Em se tratando do ensino e avaliação em Artes Visuais, são
aspectos importantes no processo formativo geral e especificamente para esta
disciplina.
Na escola X em que trabalha o professor que foi sujeito dessa pesquisa e a partir de
seus relatos, tornou possível compreender que a realidade vivida por ele é bem
diferente da escola Y e Z. Nessa escola as aulas de Arte acontecem somente no 1º
ano. Apesar de serem muitas turmas ele administra apenas uma hora/aula por
semana para o 1º ano do Ensino Médio. Preocupa-se em preparar o aluno para o
ENEM. Suas aulas são muito teóricas e a avaliação procede da iniciativa da escola
que segue o PAC - - Prova por Área de Conhecimento, (explicitada mais adiante),
para todas as disciplinas.
Por serem poucas aulas, o professor se sente pressionado a apresentar aos alunos
uma quantidade maior de conteúdos possível e o trabalho acaba ficando
fragmentado. Além disso ele necessita trabalhar em outra escola para preencher um
cargo completo e receber um salário digno para sua sobrevivência. As ações de
formação continuada tornam-se impossíveis para este professor conciliar tantas
atribuições, assim trabalha a Arte isoladamente sem conhecer as propostas e as
dificuldades dos demais, sem conhecer as propostas da atualidade.
A nova direção, já em sua gestão, inaugurou um laboratório de Arte, tão eficiente
quanto a uma sala ambiente, propondo novas perspectivas para o ensino da Arte na
escola. Paralelamente organizou-se uma equipe de docentes para estudar
documentos atuais que embasam a construção de um novo PPP (Projeto Político
152
Pedagógico) para a escola, principalmente, quanto à organização escolar e
processos avaliativos para a prática pedagógica.
Acredita-se que esta iniciativa provinda da direção da Escola X, com certeza, trará
grandes benefícios para a escola no seu contexto educacional.
As professoras do Ensino Fundamental, da escola Y e Z que participaram da
entrevista, mostraram uma certa dificuldade em responder de forma esclarecida sua
prática avaliativa nas aulas de Artes Visuais. Porém, disseram que avaliam todo o
trabalho de produção individual ou coletivo apresentado; avaliam a participação e a
boa vontade e avaliam a identificação e o reconhecimento crítico que os alunos
fazem das obras estudadas em determinado contexto histórico.
Questiona-se: Como esses alunos são avaliados? Como acontece a avaliação na
perspectiva da participação e da boa vontade?
Percebe-se nos relatos e práticas acima, que não há clareza por parte dos
professores sobre sua prática de avaliação em Artes Visuais, o que reforça a
importância dessa pesquisa e a necessidade de diretrizes mais específicas sobre o
que e como avaliar em Artes Visuais.
A diretora (Entrevistada 3) da escola Z relata:
Aqui na escola a professora...é... a professora da manhã... ela tem
um caderno que ela chama de portfólio e que os meninos vão
coletando ali as atividades que são feitas ao longo do ano então eu
observo que ela avalia esse caderno ... ela...eu vejo ela dá atividades
de pesquisa para as crianças sobre os..o tema que ela tá trabalhando
na época...ou o autor...ou pintor...ou escultor...que ela tá
trabalhando...vejo
muito
ela
trabalhar
com...é...
letras....números...é...o que que é isto...é grafitagem? Ela gosta muito
dessas coisas...de... eu acho que é tudo arte visual mesmo [...] eu
acho que ela gosta muito disso... no turno da tarde...é... é um trabalho
muito voltado para datas comemorativas... e voltado para literatura...
muitas vezes alguma... alguma atividade literária que puxa alguma
coisa da Arte...muitas vezes aquela data comemorativa que puxa
alguma coisa da Arte.(Entrevistada 3. Diretora de Ensino
Fundamental).
153
Observa-se, nesse depoimento, que a diretora acompanha a prática da professora
da manhã que sustenta uma prática formativa embasada em Hernández (2000) que
aposta como recurso, o portfólio, que permite a cada aluno reconstruir o processo
que seguiu e situá-lo na avaliação. Enquanto a professora da tarde faz um trabalho
voltado para as datas comemorativas, que é um procedimento que vai contra o
verdadeiro significado28 das Artes Visuais na educação e desconhece a metodologia
adequada. É uma situação que destrói, em suas bases, as mais elementares
condições para que o trabalho artístico seja efetivamente desenvolvido. Isto acaba
por gerar situações perniciosas no interior da educação em Arte.
Segundo os PCNs, há um descompasso entre os caminhos apontados pela
produção teórica e a prática pedagógica da disciplina Arte. A prática corrente muitas
vezes considera que o trabalho em Arte deve ter uma conotação decorativa,
servindo para ilustrar temas de datas comemorativas, enfeitar paredes com motivos
infantis, elaborar convites, cartazes, presentes para o dia dos pais, etc. E como fica
a avaliação nesse contexto?
A Arte visa o potencial criador da criança e esta prática, relatada acima, torna a
disciplina inócua, com imposição de valores e cerceamento da criatividade. É no
fazer artístico, na fruição e na contextualização e também no contato com os objetos
de Arte que parte significativa do conhecimento em Artes Visuais acontece. Portanto
é preciso rever o processo e resgatar o ensino da Arte como um fator importante na
educação e na vida humana. A questão é repensar a educação sob a perspectiva da
Arte, segundo Rubem Alves, citado por Duarte Júnior (2005) e se perguntar: A
experiência da criança em Arte a cada momento deve ser avaliada pelo prazer que
produz?
Categoria 3: Dificuldades no processo de avaliação
Nesta categoria objetivou-se analisar as dificuldades na avaliação do processo de
ensino-aprendizagem na disciplina Arte, no âmbito do Ensino Fundamental e Médio
28
A integração entre os aspectos sensíveis, afetivos, intuitivos, estéticos e cognitivos, assim como a promoção
de interação e comunicação social, conferem caráter significativo às Artes Visuais.
154
e as dificuldades percebidas por alunos, professores e pais. Portanto, nesta
categoria reuniram-se duas unidades de análise .
Unidade 6: Dificuldades na avaliação dos alunos do Ensino Fundamental e Médio
Os professores entrevistados não encontram dificuldades significativas para avaliar
seus alunos, porém há um ponto que precisa ser levado em consideração que é o
“tempo”. Eles só têm uma aula de Arte por semana e esta carga horária constitui um
tempo muito curto para aplicar atividades avaliativas. Resolvem isto praticando
avaliações contínuas, avaliando durante todo o processo de ensino-aprendizagem. A
maioria utiliza o portfólio, diário de bordo ou mesmo um caderno de registros que
facilitam o trabalho avaliativo.
O Sistema de ensino precisa valorizar mais o ensino da Arte como área de
conhecimento e buscar uma alternativa para colocar esta disciplina no mesmo
patamar das outras áreas em relação à carga horária, em relação ao número de
aulas semanais. Este é um desabafo que se ouve de professores compromissados
não só com a disciplina, mas também com o desenvolvimento de seus alunos. Se
assim for feito, os professores de Arte e os alunos estariam bem favorecidos.
Unidade 7: Percepção das dificuldades na avaliação do processo de ensinoaprendizagem por parte dos alunos, professores e pais
Os depoimentos dos diretores entrevistados elucidam bem quais dificuldades eles
percebem no processo. Identificam essas dificuldades nos alunos e nos pais quando
constatam que eles não entendem o que é uma avaliação, não entendem a
importância da avaliação, principalmente em Artes Visuais. Quanto aos professores
alguns não compreendem que ao avaliar os alunos, eles estão se avaliando.
De acordo com o relato no discurso dos diretores entrevistados, é possível
compreender essa situação e desvelar outras possibilidades interpretativas.
Segundo o diretor (Entrevistado 2) da escola Y ele entende essas dificuldades da
seguinte forma:
155
Bom... eu entendo assim... que a dificuldade é consolidar no aluno...
que pra que haja aprendizagem ele precisa estudar... tem que haver a
contrapartida do aluno... esse é o nosso maior trabalho... é de
conscientizar o nosso aluno que essa aprendizagem ela precisa
acontecer a partir do esforço desse aluno... da dedicação desse
aluno... da busca desse aluno para que a aprendizagem se
consolide... é importante para o professor a avaliação no âmbito de
que ele precisa entender que quando ele está avaliando o seu aluno
ele também está se avaliando... enquanto profissional... e os pais
inteirar do processo para que possam ter a certeza de que
escolheram uma escola que está pronta para o desenvolvimento
integral
do
seu
filho
em
todos
os
seus
aspectos
cognitivo...social...motor...psicológico.(Entrevistado 2. Diretor de
Ensino Fundamental e Médio).
De fato, ao avaliar o aluno, o professor também se avalia. Segundo Perrenoud
(1999), aluno e professor estabelecem um contrato pedagógico e didático no qual
cada um faz a sua parte. Assim, a avaliação compreende o que ambos fizeram ou
deixaram de fazer. Às vezes, o aluno responsabiliza o professor pelo seu fracasso,
ou o professor não reconhece que o fracasso da turma ou dos alunos pode ser por
sua inabilidade pedagógica. Segundo Perrenoud (1999, p.165) “Se não se pode
apagar totalmente esse aspecto, pode-se tentar arranjar o contrato pedagógico e
didático de modo que não impeça o essencial, aprender e ensinar”.
O aluno precisa reconhecer que não se aprende sozinho e que certas competências
são coletivas ou exigem, pelo menos, uma forma de cooperação. É preciso, como
afirma Perrenoud (1999), reconhecer a negociação como uma modalidade legítima
de trabalho em todos os níveis. Principalmente, no nível escolar.
A avaliação em Arte constitui uma situação de aprendizagem em que o aluno pode
verificar o que aprendeu, retrabalhar os conteúdos, assim como o professor pode
avaliar como ensinou e o que seus alunos aprenderam. Quanto aos pais é
necessário, é importante que eles conheçam e apoiem os padrões ou os critérios do
processo de aprendizagem. Reuniões, encontros são boas oportunidades para
compartilhar os aspectos educacionais com os pais.
O diretor (Entrevistado 1), da escola X faz a seguinte observação:
...aqui como escola apenas de ensino médio eu tenho observado que
um grande número dos nossos alunos chegam aqui no 1º ano do
Ensino Médio sem ter o hábito de serem avaliados... de passarem por
processos avaliativos... sejam eles prova escrita, formal ou seja ele
156
arguição oral ou feira de ciências... enfim eu percebo que existe essa
dif...esse estranhamento por parte do aluno em ser avaliado é... eles
trazem já é...aquela...aquele pensamento de que a avaliação é algo
punitivo e não para de fato construir o processo de ensinoaprendizagem... Então quando se pensa numa avaliação o aluno já
tem já carrega até vamos chamar assim um trauma mesmo que seja
de menor dimensão psicológica mas já carrega um trauma é... em
relação.. ao que é... o significado da avaliação vê a avaliação como
algo negativo mas eu entendo que a formação desse conceito e a
quebra desse tabu ela tem que começar lá nas séries iniciais
(Entrevistado 1. Diretor de Ensino Médio)
Nesse depoimento o entrevistado 1, ao observar os alunos que chegam ao Ensino
Médio, revela, segundo Leite (2009), o efeito aversivo do modelo tradicional de
avaliação, adotado em grande parte das escolas, e aponta a necessidade de resgate
de uma concepção de avaliação favorável às condições de aprendizagem e
desenvolvimento do aluno lá nas séries iniciais.
Alunos
que
vivenciaram
experiências
negativas
com
avaliação
costumam
desenvolver certa aversão pela disciplina, gerando aversão à situação escolar e a
determinados objetos de conhecimento.
E o diretor continua seu depoimento:
...em relação aos pais desses alunos é... eu acredito que a grande
dificuldade muitas vezes é o pai desconhecer qual é o projeto da
escola... desconhecer qual é a proposta da escola... pedagógica
porque se o pai tiver o conhecimento de qual é a proposta da escola
ele vai entender as razões e os métodos avaliativos... MAS... não
basta só isso o que a gente observa na atualidade é que mesmo
quando os pais têm ciência do projeto da escola e dos métodos
avaliativos ou seja onde a escola pretende chegar... com o filho dele...
no processo de ensino e aprendizagem é que os pais estão ausentes
e não acompanham... esse processo do filho da maneira mais
adequada...(Entrevistado 1. Diretor de Ensino Médio)
Os pais que trabalham fora, que não têm um horário para o filho, ou aqueles
julgados analfabetos, muitas vezes, não acompanham os estudos dos filhos e
desconhecem realmente a proposta da escola. Outros não se interessam pelo que
está acontecendo e só manifestam certo interesse quando descobrem que o filho
pode receber uma reprovação. Cabe à escola buscar uma forma de conscientizar os
pais ou responsáveis da importância do processo de ensino-aprendizagem, bem
como da importância do acompanhamento do cotidiano escolar de seus filhos.
157
E finaliza:
Com relação aos professores eu acho que o grande desafio é essa
mudança do método... que muitas vezes o professor ...ele apresenta
uma resistência à mudança... outras vezes a... o motivo da ... muitas
vezes a resist...resistência é gratuita da personalidade do professor
mas muitas vezes é porque ele também não tem a oportunidade de
se capacitar em razão da da grande carga horária que ele possui...
trabalhar no turno da manhã, tarde e noite a maioria dos professores
hoje trabalham nos três turnos... então dão muitas aulas semanais e
acabam não tendo nem tempo pra fazer essa capacitação.
Entrevistado 1. Diretor de ensino Médio).
A experiência docente desta pesquisadora comprova que, se os professores não
estiverem sempre se atualizando, não estarão à altura de seus alunos e de suas
potencialidades. Não se pode falhar como educador, muito menos como formadores
de docentes profissionais. Com esse mundo em constante mudança é necessário
que o professor procure se autoqualificar ao longo de sua carreira. É necessário
estar atento às características próprias dos fundamentos para o ensino de Arte
contemporâneo. Estar ciente das mudanças relacionadas às leis brasileiras, às
novas diretrizes, enfim, para que um ensino de qualidade possa ser oferecido, todos
necessitam estar cientes dessas mudanças.
Há professores que buscam constantemente novos conhecimentos, querem se
inovar. Outros, porém, se acomodam, são resistentes à qualquer mudança na
escola. Apresentam como justificativa a falta de tempo ou porque estão perto de
aposentar. São justificativas que não têm razão de ser, tendo em vista as
oportunidades de capacitação que as escolas oferecem. Pergunta-se: Até quando a
escola vai aceitar essa situação?
Um comprometimento maior do aluno com os estudos, uma compreensão dos pais
sobre a avaliação e a responsabilidade do professor no processo avaliativo são
dados que coabitam no espaço escolar e exigem uma reflexão sobre o papel de
cada um na educação escolar, no processo educativo.
Categoria 4: Importância e relevância da avaliação em arte
158
Nesta categoria objetivou-se identificar a importância e relevância da avaliação no
processo de
ensino-aprendizagem em Artes Visuais. Portanto, nesta categoria
reuniram-se duas unidades de análise.
Unidade 8: Percepção da importância da avaliação no processo ensinoaprendizagem em Artes Visuais
Os diretores entrevistados dão muita importância à avaliação em Arte quando, a
partir da prática, o aluno consegue mostrar o que produziu, consegue consolidar
esse conhecimento no campo da Arte. Os diretores pensam de forma unânime na
Arte como uma disciplina tão importante quanto às outras disciplinas do currículo.
É preciso que se compreenda a avaliação como uma ação reflexiva de suma
importância em qualquer atividade trabalhada. Ela pode servir de meio para
descobrir novos caminhos, novas rotas na longa caminhada que caracteriza o
trabalho dos educadores.
O contato gradativo com a literatura referente à avaliação possibilita rever conceitos,
refletir e traçar novas estratégias.
Unidade 9: Reflexão sobre a relevância da avaliação no processo ensinoaprendizagem em Artes Visuais
A avaliação tem uma trajetória muito significativa na educação. É um assunto de
amplo
debate
e
discussão,
extremamente
polêmico
e
contemporâneo,
principalmente aquela centrada na arte, em particular.
Ao dialogar sobre a relevância da avaliação no processo ensino-aprendizagem em
Artes Visuais com a supervisora da escola Z, tem-se o seguinte depoimento:
Sim é muito importante porque as Artes Visuais estão pra todos os
espaços ... na escola... em toda sociedade e...o aluno precisa é de
uma orientação pra ele aprender a perceber o que está... muitas
vezes o aluno não vê as artes expostas em todo lugar como Arte
é...talvez uma... propaganda... uma situação ... é..que ele presencia
159
mas não vê aquilo como uma Arte (Entrevistada 10. Supervisora de
Ensino Fundamental).
A coordenadora do Ensino Médio (Entrevistada 11) da escola X sente a relevância
dessa avaliação no trabalho que é feito com os alunos e a percepção da Arte
presente em toda a escola, em todos os lugares. Da mesma forma, na entrevista
com a supervisora (Entrevistada 12) do Ensino Fundamental da escola Y o discurso
é o mesmo, ela acha que essa avaliação tem um caráter muito importante no
desenvolvimento dos meninos, no desenvolvimento erudito, cognitivo e que, embora
não seja primordial, a questão do ponto deve ser considerada na avaliação como em
qualquer outra disciplina.
Segundo a coordenadora e supervisora do Ensino Fundamental e Médio da escola
Y, quanto à relevância da avaliação em Arte, ela comenta: “Grande relevância... eu
acho que é de grande importância como qualquer outra disciplina... A Arte... ela é
muito importante por que acho que é uma forma até pra gente perceber o que tá
acontecendo com o aluno”. (Entrevistada 9. Coordenadora e Supervisora do Ensino
Fundamental e Médio).
Desse modo, os gestores estão envolvidos com a relevância da avaliação em Arte
dando-lhe o “status” devido, conforme salienta a supervisora do Ensino Médio da
escola X: “Eu dou importância igual as outras áreas e os alunos estão envolvendo
mais e já estão entendendo a importância da Arte no Ensino Médio principalmente
no ENEM” (Entrevistada 13. Supervisora do Ensino Médio). A possibilidade de
serem aprovados desperta nos alunos um grande interesse no processo
participativo, principalmente, nessa nova proposta de inserção da disciplina Arte
como integrante na construção do conhecimento.
Categoria 5:Procedimentos e instrumentos de avaliação
Nessa categoria objetivou-se identificar e analisar os procedimentos e instrumentos
avaliativos no processo de ensino-aprendizagem em Arte. Buscou-se dialogar com
os coordenadores e supervisores das escolas selecionadas porque, no seu discurso,
160
havia possibilidade de detectar contribuições nesse sentido. Portanto, nesta
categoria reuniram-se quatro unidades de análise.
Unidade 10: Procedimentos das atividades de avaliação em diferentes situações
educativas, no ensino de Artes Visuais no âmbito do Ensino Fundamental e Médio.
De acordo com a coordenadora de Linguagem, Códigos e suas Tecnologias
(Entrevistada 11) do Ensino Médio da escola X, no novo processo de avaliação que
está sendo implantado na escola, a Arte acompanha o trabalho com os alunos de
diversas formas, o tempo todo, na literatura, nos estilos de época, nas atividades
festivas da escola, de forma interdisciplinar. Acentuou que, a partir do momento que
a disciplina Arte começou a fazer parte do ENEM tal disciplina
revestiu-se de
grande importância.
A aprendizagem da Arte é obrigatória pela LDB no Ensino Fundamental e Médio.
Contudo, algumas escolas estão incluindo a Arte apenas em uma das séries de
cada um desses níveis porque a LDB não explicitou que esse ensino é obrigatório
em todas as séries.
No caso do Ensino Médio, segundo Barbosa (2011):
Algumas secretarias de educação estão usando o subterfúgio da
interdisciplinaridade, e inclui todas as Artes na disciplina de Literatura,
ficando tudo a cargo do professor de Língua e Literatura. Essa é uma
forma de eliminar as outras linguagens de Arte, fazendo prevalecer o
espírito educacional hierárquico da importância suprema da
linguagem verbal e consequente desprezo pela linguagem visual
(BARBOSA, 2011, p.13).
Daí a necessidade de esclarecimento, e até mesmo campanha, em favor da Arte na
escola, muito embora os PCNs tenham reconhecido seu lugar de destaque no
currículo, ao dar à Arte a mesma importância que deu às outras disciplinas.
Constata-se que, ao longo dos anos, a Arte foi assumindo a peja de mero suporte
para as disciplinas consideradas mais importantes do currículo. Na tentativa de
explicar as origens da desvalorização acirrada da Arte e de seu ensino, sabe-se que
161
isto é fruto de um processo histórico, uma herança da colonização brasileira, onde a
Arte era concebida como trabalho manual, como acessório cultural de refinamento
da elite intelectual, exatamente pelo fato de a ideia da Arte não ser considerada uma
forma de conhecimento.
Sob a égide da LDB, o ensino de Arte conquistou uma nova dimensão: assumiu o
caráter
de
disciplina,
responsável
pela
apresentação
de
um
campo
de
conhecimento, particularizado por sua riqueza, diversidade e amplidão, como
justifica Biasoli (1999, p. 165) ao afirmar que “[...] a Arte passa a ser entendida como
uma área de conhecimento, com um domínio, uma linguagem, uma história [...]”.
Porém, ainda existe um certo preconceito e a Arte continua destituída de importância
no ambiente educacional. Esta disciplina por muito tempo foi considerada “menor”
por alguns pais, alunos e professores talvez porque desconhecessem que estudar
Arte é essencial, não só pelo conhecimento que se adquire nas aulas, mas também
porque favorece a aprendizagem de outras disciplinas. De uma certa forma o ENEM
vem reforçar a importância dessa disciplina, a partir do momento em que ela é
inserida como parte no processo avaliativo.
Enfim, para a Arte ter o mesmo valor das outras disciplinas não basta estar inserida
no currículo, é preciso uma conscientização e tomada de atitude por parte de
professores e de toda a escola. Não uma atitude conformista, mas um agir que
busque uma verdadeira mudança, visando sempre o melhor para o aluno com o
objetivo de torná-lo um cidadão crítico, criativo e que saiba ver, ouvir, sentir,
preparar-se para atuar na sociedade e construir a sua história.
Segundo a supervisora pedagógica (Entrevistada 13) do Ensino Médio da escola X:
A avaliação é contínua e processual.No dia a dia toda atividade é
avaliada ao longo do bimestre... no final de cada bimestre temos a
prova por área de conhecimento... e a área a qual pertence Arte é
Linguagens, Códigos e suas Tecnologias...a prova abrange 4
componentes curriculares Língua Portuguesa...Arte...Educação Física
e Língua Estrangeira... a prova consta de 28 questões abrangendo as
4 disciplinas... 14 de Língua Portuguesa e as outras 14 divididas em
três disciplinas.(Entrevistada 13. Supervisora de Ensino Médio).
162
Percebe-se que o processo avaliativo da escola X procura seguir o embasamento
legal, conduzir a avaliação de acordo com a LDB, PCN e a Resolução 2.197 de 26
de outubro de 2012, pois, no que diz respeito ao caráter processual e contínuo a
avaliação está acontecendo no dia a dia e a cada bimestre de uma forma global e
não com os componentes curriculares isolados.
A supervisora (Entrevistada 13) acrescentou que “O professor avalia o interesse, a
participação... a parte teórica é que vai pra prova
do PAC...prova por área de
conhecimento”. Em seguida explicou o que é o PAC:
Ele é equivalente ao ENEM... um tipo de avaliação que segue os
padrões do ENEM onde o aluno faz provas durante dois dias das 4
áreas de conhecimento sendo que duas áreas num dia e duas áreas
no outro e temos também a recuperação paralela recuperação de
conteúdos isso deveria acontecer de acordo com a LDB... usa-se uma
ficha com as atividades de recuperação paralela.. duas por ano...
quer dizer uma por cada semestre.(Entrevistada 13. Supervisora de
Ensino Médio).
O PAC é uma inovação que a equipe dos professores da escola X organizou, com o
objetivo de preparar os alunos para o ENEM. Os alunos estão sendo incentivados
para realizarem o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) e procuram valorizar o
ensino da Arte que agora está inserida nesse exame. A escola oferece ainda
oportunidades de recuperação para atendimento ao aluno que não apresentou
domínio das aprendizagens básicas necessárias, previstas para o período.
O depoimento da supervisora (Entrevistada 10) da escola Z mostrou como se
procede as atividades naquele ambiente escolar:
Bom nossa escola...essa avaliação acontece em cada aula... cada
aula tem uma orientação... tem uma atividade proposta...os alunos
são orientados para realizar as atividades e em cada atividade
quando tem essa proposta.. essa orientação... ele realiza a atividade
e é cobrada a realização da atividade... lógico que em cada uma ele
vai colocar seu sentimento... ele vai expressar é...da forma que ele
percebeu...daí a gente é...avalia ...o entendimento e o cumprimento
desses critérios em cada atividade.(Entrevistada 10. Supervisora de
Ensino Fundamental).
E continuou:
Bom a gente avalia da forma que a gente acredita que é essa forma...
algumas atividades é...requer uma orientação ... os critérios e o aluno
163
vai expressar dentro de cada um é...o sentimento que ele percebe
daquela...daquela
atividade...
daquele
tema
desenvolvido.(Entrevistada 10. Supervisora de Ensino Fundamental).
O ano letivo, tendo em vista a avaliação nesta escola Z é dividido em três etapas.
Em cada etapa são realizadas avaliações em todas as disciplinas onde são
utilizados três instrumentos avaliativos diversificados. A escola Z, como já se
esclareceu no início deste capítulo, possui diretrizes próprias de avaliação a serem
seguidas pelos professores, porém, não tem diretrizes próprias para a avaliação em
Arte. Percebe-se a necessidade de atualizar seu processo avaliativo de acordo com
os últimos atos legais e normativos nacionais ( Diretrizes Curriculares, Resoluções,
etc.) da Educação Básica que aconteceram devido às mudanças no contexto
educacional nesses últimos anos.
Na escola Y, segundo a supervisora e coordenadora do Ensino Fundamental e
Médio, a avaliação em Arte acontece do seguinte modo:
Nós utilizamos vários processos de avaliação ... nós temos a
avaliação que é processual ... ela é dinâmica... e temos aquela que a
gente avalia no dia a dia... que são todas as atividades independente
da disciplina... e a gente tá sempre avaliando porque aqui nós
trabalhamos com projetos interdisciplinares... então nesses projetos
interdisciplinares a grande maioria a Arte está envolvida então é...é..a
valorização está nesses trabalhos... em portfólios... em avaliações...
nós damos avaliações é... intermediária e final igual qualquer outra
disciplina. (Entrevistada 9.Supervisora e Coordenadora de Ensino
Fundamental e Médio).
Quando, nesse discurso é citado “projetos interdisciplinares”, vale a pena comentar
um deles, elaborado na escola com a participação de todos os professores. Em
2012 a Escola Y iniciou um projeto interdisciplinar proposto pela rede, a qual a
escola pertence, envolvendo todas as áreas do conhecimento a fim de atender à
LDB sobre os estudos africanos. De acordo com o professor (Entrevistado 8) dessa
escola, o “Projeto de Inculturação”, assim chamado, tratava-se de um projeto
interdisciplinar para ser realizado em 2013.
Os professores se reuniram diversas vezes e cada um ficou responsável por uma
parte.Os alunos divididos, inicialmente, em duplas, depois em quartetos e por fim em
grupos de cinco elementos utilizaram o laboratório de informática para pesquisar
164
“como trabalhar a Arte africana”. Focaram este trabalho na dança e nas Artes
Visuais. O projeto se concretizou em 2013. Desde o início de seu desenvolvimento
acontecia
uma
avaliação
contínua,
permanente,
de
autoavaliação
e
heteroavaliação29, numa relação estreita do processo ensino-aprendizagem entre
alunos e professores.
No segundo semestre, entre variadas atividades de Arte, como aconteceu no
primeiro semestre, o projeto continua e somará suas atividades com a feira de
ciências, que acontecerá no final do ano letivo com a presença da Direção e
Inspetoria responsáveis pela manutenção da rede a qual esta escola pertence. Se a
avaliação deste projeto der um resultado positivo, ele será implantado em outras
escolas da rede de ensino.
Segundo a supervisora (Entrevistada 12) da escola Y a avaliação se processa:
Bem [...] no que se refere ao Ensino Fundamental porque é onde eu
atuo aqui...as atividades de avaliação nós entendemos que as
avaliações elas sejam processuais e contínuas... então todas as
atividades que os alunos desenvolvem elas são tidas como
avaliações e elas têm caráter...têm o caráter educativo inseridas
nela... inclusive a... a... na disciplina de Arte porque como nós temos
duas aulas semanais os meninos do Fundamental II têm duas aulas
semanais... o professor ele consegue desenvolver uma atividade
trabalhar com o conteúdo e logo em seguida desenvolver uma
atividade que seja avaliativa... por ser também duas aulas e a...a
questão da distribuição de pontos da disciplina de Arte é a mesma
das outras disciplinas o tempo desse professor é mais reduzido
porque infelizmente nós temos que pontuar que a... Instituição nós
trabalhamos com os pontos... então... todas as atividades elas são
avaliadas no sentido de distribuir pontos e de verificar o aprendizado
do aluno.(Entrevistada 12. Supervisora do Ensino Fundamental II).
Acredita-se que a escala de notas decide sobre a vida do educando e não o auxilia
no seu crescimento. Esta é uma forma onde os alunos podem ser aprovados mas
não detêm os conhecimentos necessários, detêm apenas uma porcentagem desse
conhecimento.
O aluno, que é julgado quantitativamente, submete-se às notas, sem autonomia,
condicionando sua ação ao gosto do professor, muitas vezes. Este tipo de avaliação
29
Heteroavaliação está em oposição a autoavaliação neste contexto. Corresponde a “avaliação feita por outro
ou por outros”.
165
classificatória não colabora para a construção do conhecimento. Entende-se que a
avaliação, nesse processo, é uma simples classificação numérica, não pode ocorrer
simplesmente com base em pontos, notas, mas deve estar fundamentada em
critérios definidos. É um processo reducionista que se baseia em um julgamento
dentro de um critério particular.
No que diz respeito à pontuação, a Supervisora (entrevistada 12) esclarece:
A maioria das Instituições brasileiras também trabalham com a
questão da distribuição de pontos da verificação do conhecimento
através da avaliação...é a ordem...é como o...o sistema escolar
brasileiro ele... ele é feito dessa forma...[...] e a forma como aqui
funciona... e...eu acho que ponto não é fundamental eu acho que a
gente consegue avaliar a partir de outras formas mas é como aqui...
aqui funciona dessa forma e consegue também desenvolver um
trabalho interessante ... eu acho que... que a questão de pontuar uma
avaliação não é algo que seja desmerecedor não... é algo que... eu
acho que nós temos que ensinar pra os meninos como trabalhar com
isso porque senão eles ficam uma questão de troca ... eu faço
porque eu vou ganhar ponto e... não... eu faço porque eu vou adquirir
um aprendizado com aquilo... mas isso é cultural eu acho que isso é
trabalhado ao longo do tempo com eles mas assim é...é... o fato de
pontuar... de se desenvolver uma atividade que ela seja avaliada com
pontos não é negativo... é uma forma como a Instituição tem de
trabalhar com a disciplina de Arte e com as outras disciplinas
também.(Entrevistada 12. Supervisora de Ensino Fundamental).
Esse caráter regulatório, limitado e fragmentário, implica em um processo de
construção e prática restrita da avaliação, sendo
sua elaboração delegada a
equipes técnicas ou detentores de cargo de direção e/ou supervisão. Porém, a
participação docente em atividades pedagógicas de reflexão coletiva (reuniões,
encontros), aponta um processo de comunicação e compartilhamento de
experiências que pode sinalizar mudanças nas práticas avaliativas.
O relacionamento pedagógico, sustentado na reflexão coletiva, apoia-se no diálogo,
nas diferentes perspectivas entre os gestores e professores, significa maior
envolvimento e autonomia na vivência das práticas e aponta possibilidades de
atualizar o processo de avaliação de forma diferenciada, inovadora, tendo como
fundamento a participação coletiva e o poder compartilhado de decisão. E Penna
Firme (1994, p. 6) sugere: “O momento é mais para inovar do que reproduzir
tradicionais modelos”.
166
A revisão desses aspectos contribuirá para o fortalecimento das experiências
práticas em construção na avaliação, aprofundando as dimensões em um projeto de
processos inovativos em que os sujeitos assumem o curso das mudanças, conforme
a realidade no seu contexto educacional.
A valorização das ideias, que emergem nesses momentos de reflexão e
compartilhamento, é fundamental para novas ações na “práxis” avaliativa.
A educação brasileira consagrou a avaliação do aluno em função da atribuição de
notas que funcionam como verdadeiras “medidas” da aprendizagem. Tornou-se,
dessa maneira, prática habitual como apresentação de resultados da aprendizagem
inculcando no aluno a ideia de que devem aprender para tirar notas e que a mesma
expressa seu valor em números ou em letras.
O processo avaliativo por meio de pontos, notas, vem da escola tradicional e
permanece até os dias de hoje. Conforme o pensamento desta pesquisadora, criouse uma ideia de que “só se estuda para ganhar pontos e se não ganhar pontos não
se estuda”. Ora, o saber não se reconhece por pontos. Mas existe uma forma de
mudar essa postura: É criar no aluno a ideia de que se estuda para aprender e não
para ganhar pontos. Essa mentalidade precisa, progressivamente, ser substituída.
Os pontos são simples consequência, o que importa é o aprendizado, a construção
e a apreensão do conhecimento. Então pergunta-se: Como os resultados serão
apresentados se não houver pontos?
Bem, acredita-se que uma informação, baseada nos objetivos da avaliação, pode
demonstrar os seguintes resultados: o aluno alcançou uma aprendizagem parcial; o
aluno alcançou uma aprendizagem total; o aluno não alcançou apendizagem
satisfatória. Ou, pode-se buscar novas formas de definir os resultados que não
sejam notas, como por exemplo, a avaliação descritiva, na qual os objetivos ou
capacidades alcançadas pelo aluno são expressos em palavras.
Esse processo de emitir resultados através da informação acima explicada, deve ser
trabalhado não só com o aluno, mas também com os pais, responsáveis e toda
comunidade, a fim de conscientizá-los do valor do estudo, da aprendizagem e
167
mostrar-lhes que a nota não tem nenhum valor, e dentro de si, não traz nenhuma
informação confiável.
Acredita-se que a forma mais indicada para o registro do resultado de avaliação em
Arte é a avaliação descritiva em substituição ao ponto ou conceito. Expressar
oralmente ou por escrito a avaliação do trabalho artístico pode ser mais revelador
das habilidades desenvolvidas ou a desenvolver. Além de, em se tratando de
avaliação em Arte, ser mais compatível com o conteúdo e os objetivos dessa área
do conhecimento que lida, entre outros aspectos, com a criatividade, a sensibilidade,
a estética, sendo esses aspectos muito particulares, apesar de existirem alguns
parâmetros comuns. De forma descritiva fica mais fácil para o professor e o aluno
compreenderem o que conseguiram e o que não conseguiram desenvolver em
relação às habilidades exigidas em uma determinada atividade.
Unidade 11: Instrumentos de avaliação utilizados no processo de ensinoaprendizagem das Artes Visuais.
Os procedimentos e instrumentos de avaliação em Arte, são evidentes nas
entrevistas a respeito da organização do trabalho pedagógico das escolas e da
prática escolar cotidiana. Todas as escolas dividem a avaliação em três etapas. O
ensino médio conduz uma avaliação que se aproxima do ENEM com avaliação
global por área do conhecimento. Exercitam o simulado. Seguem uma avaliação
contínua e processual, avaliam o tempo todo.
Alguns professores utilizam como instrumentos avaliativos o portfólio, pesquisas,
trabalhos interdisciplinares, trabalhos individuais e coletivos, registros e relatórios,
trabalhos dentro e fora da sala, provas, autoavaliação, concursos, releituras, etc.,
conforme as diretrizes e o projeto de sua escola. Alguns professores buscam nos
PCNs os objetivos da disciplina Arte, conforme especificados no capítulo três desta
pesquisa, a fim de ajudá-los na avaliação, outros desconhecem esses objetivos.
Segundo a professora (Entrevistada 4) da escola Z , os alunos trabalham as
atividades avaliativas do seguinte modo:
168
Eles fazem o registro dos trabalhos em um caderno... que eles me
entregam periodicamente por etapa...eles fazem trabalhos de
pesquisa em casa que geralmente é sobre a vida e a obra de algum
artista... de algum estilo de época...é...eles fazem produção em
grupo e eu avalio de vez em quando com alguma prova...do conteúdo
daquilo que tá sendo trabalhado no momento. (Entrevistada 4.
Professora de ensino Fundamental).
Em outro momento da pesquisa esse caderno é chamado de Portfólio. Instrumento
utilizado pela maioria dos professores de Arte e algumas disciplinas do currículo já
estão inserindo-o como uma alternativa eficaz de avaliação.
A organização do trabalho dos alunos com habilidades diferentes, como registros
dos trabalhos, pesquisa e produção, leva-os a se construirem como agentes da sua
própria aprendizagem. Como se fossem autônomos, com capacidade de construir o
seu próprio conhecimento. Porém, a avaliação em Arte pode se constituir, não só
através do portfólio, de alguma prova, mas através de outros instrumentos, variados
instrumentos selecionados segundo os objetivos que se quer alcançar, por exemplo;
diário de bordo, entrevistas, seminário, autoavaliação, grupos de apresentação e
performance, juri simulado, debates, etc.
Ao ser questionado quanto aos instrumentos avaliativos utilizados em sua aula de
Arte, o professor (Entrevistado 7) da escola X pontuou que utiliza “Atividades
práticas e uma avaliação feita pela...pela Instituição”.(Entrevistado 7. Professor de
Ensino Médio).
Tendo em vista a reconstrução do PPP da escola X, deduz-se que as avaliações
aplicadas aos alunos do Ensino Médio revestem-se de características próprias em
sintonia com o contexto educacional onde se realizam.
Segundo a professora (Entrevistada 6) da escola Y ela conduz a avaliação com
textos para o aluno analisar como veículo de comunicação. Ela também utiliza o
portfólio como instrumento de avaliação. Confirma em seu depoimento:
Sim os alunos têm uma pasta e nessa pasta eles vão colocando tudo
que eu vou dando então... os textos... as letras de música...os
desenhos que eles fazem nas minhas aulas...as pinturas...aquilo que
eles vão fazendo vai sendo colocado nessa pasta... ao final da etapa
eu dou uma olhadinha e se tá completo...se tá completo... estando
169
completo o aluno já... eu já fico satisfeita.(Entrevistada 6. Professora
de Ensino Fundamental).
Conforme a fala dessa professora, ela afirma que não leva nada para casa para ser
corrigido. Ela aproveita o espaço e o tempo escolar que a escola oferece, como a
própria sala dos professores, os horários livres, corrige tudo e devolve para os
alunos, comenta e os alunos colocam na pasta/portfólio. Na percepção da
professora (Entrevistada 6), como ela mesma diz:” Eu acho que esse portfólio é uma
forma também de controle para os pais...e os pais também conseguem ver que o
filho está produzindo [...]”. Além desse portfólio a professora citou um outro tipo de
portfólio como instrumento avaliativo. Trata-se do Portfólio de Práticas Culturais que
funciona também como motivação para o aluno:
Eu trouxe para a escola, nesse ano de 2013 é...chama Portfólio de
Práticas Culturais então o...o ano letivo é dividido em três
etapas...então na 1ª etapa, na 2ª e na 3ª os alunos têm que fazer dois
trabalhos de práticas culturais por etapa... esse trabalho pode ser
uma visita ao museu...uma visita ao cinema...assistir um filme ...um
teatro...é...festa
junina...é um trabalho sobre igreja que acha
interessante a arquitetura daquela igreja também...uma praça que
tem lá no bairro...quantos anos tem essa praça...quem fundou...qual
era o prefeito na época...quem inaugurou... este tipo de coisa... então
pode ser sobre uma avenida também...tudo isso é cultura...a Avenida
Afonso Pena...ela é...ela possui é...o comprimento x... circulam por
ali veículos assim... assim... assado... que Arte tem lá? ah tem o
pirulito lá na Praça Sete... tem a praça da bandeira... tem isso...tem
aquilo...aquilo é...então ...se o aluno trouxe duas práticas culturais por
etapa ele...ele ganha a nota referente a uma avaliação intermediária
que...eu não dou a avaliação intermediária... eu acho que é muita
prova...é
muita...muita
coisa
pra
menino
ficar
decorando...decorando...eu acho que as práticas culturais rendem
mais do que uma avaliação intermediária... eu fico só com a
avaliação final...aquela no final da etapa... e a intermediária [...] é um
trabalho que eu faço do sexto ao nono ano.(Entrevistada 6.
Professora de Ensino Fundamental).
O depoimento da professora (entrevistada 6) revela sua prática de organizar o
ensino, em sintonia com alguns objetivos da Arte para o Ensino Fundamental,
presentes nos PCNs de Arte que orienta essa prática no modo de buscar e saber
organizar informações sobre a Arte em diversas formas, por exemplo: contato com
artistas, documentos, acervos nos espaços da escola e fora dela (livros, jornais,
vídeos, [...], cartazes) e acervos públicos (museus, galerias, centros de cultura,
bibliotecas,
fonotecas,
videotecas,
cinematecas),
etc.,
reconhecendo
e
170
compreendendo a variedade dos produtos artísticos e concepções estéticas
presentes na história das diferentes culturas e etnias.
A forma como essas aulas ocorrem, como os conteúdos são trabalhados, trazem
consigo um “retrato” da opção didática da professora. Aqui, ela constrói uma ponte
entre o conhecimento de sala de aula e o contexto externo, corroborando com as
ideias de Gardner( 2000) que defende a adequação dos assuntos “não apenas às
áreas curriculares, mas também
a maneiras particulares de ensinar esses
assuntos”.
Para os alunos, a descoberta de um espaço no centro da cidade pode fornecer
muitas alternativas para a educação fora dos muros da escola, seja com uma
abordagem histórica, política, social, artística, cultural, arquitetônica, turística,
patrimonial, enfim, um mundo de possibilidades que podem ser abertas com a
mudança de mentalidades em relação à educação. O ensino da Arte, no contexto do
museu, por exemplo, tem uma boa aceitação quando bem articulado com a
escola/museu/professor de Arte.
As ações educativas, desenvolvidas no espaço do museu, vêm se apresentando
como trabalhos significativos para ampliar o diálogo com o público escolar e
constituem uma alternativa de melhoria da qualidade do conhecimento artísticoestético.
A professora utiliza processos onde recolhe dados e informações de seus alunos
estimulando as práticas culturais em busca de melhorias. A relevância disto está na
sintonia com as ideias de Hoffmann (2006) quando assinala que: o importante é
apontar os rumos do caminho, ajustar os passos ao esforço necessário, torná-lo tão
“sedutor” a ponto de aguçar a curiosidade do aprendiz para o que está por vir.
Assim, pode-se estabelecer uma posterior tomada de decisão.
Segundo Dowbor (2006), uma nova visão se apropria do universo do processo de
ensino-aprendizagem. Além do currículo tradicional, os alunos devem conhecer e
compreender a realidade onde vivem e onde serão chamados a participar
futuramente como cidadãos e profissionais. Caminhos práticos são buscados
171
diferentemente, onde o ensino-aprendizagem no Desenvolvimento Local terá um
papel mais amplo de conhecimento, o de formar uma nova geração de pessoas que
conheçam os desafios a enfrentar.
De acordo com o artigo 26 das Diretrizes Curriculares Nacionais (2013) para o
Ensino Fundamental:
Como protagonistas das ações pedagógicas, caberá aos docentes
equilibrar a ênfase nos conhecimentos e valorização da experiência
do aluno e da cultura local que contribui para construir identidades
afirmativas, e a necessidade de lhes fornecer instrumentos mais
complexos de análise da realidade que possibilitem o acesso a níveis
universais de explicação dos fenômenos, propiciando-lhes os meios
para transitar entre a sua e outras realidades e culturas e participar de
diferentes esferas da vida social, econômica e política (BRASIL,
2013).
Os espaços diversos de aprendizagem devem ser articulados com a escola para
promover uma parceria nas transformações necessárias. A prática cultural exercida
pelo aluno, quando assiste filmes, frequenta museus, vai ao teatro, participa das
festas, é um envolvimento mais construtivo que se dá ao nível da sua própria cidade
e dos seus entornos, na região onde vive. Entre o conhecimento formal e o local
fecha-se o espaço aberto onde ele se desenvolve e aprende.
Segundo o artigo 26, dessas Diretrizes para o Ensino Fundamental:
A organização do trabalho pedagógico incluirá a mobilidade e a
flexibilização dos tempos e espaços escolares, a diversidade nos
agrupamentos de alunos, as diversas linguagens artísticas, a
diversidade de materiais, os variados suportes literários, as atividades
que mobilizem o raciocínio, as atitudes investigativas, as abordagens
complementares e as atividades de reforço, a articulação entre a
escola e comunidade, e o acesso aos espaços de expressão cultural
(BRASIL, 2013).
A ideia da educação para o Desenvolvimento Local, de acordo com Dowbor (2006),
vincula-se à compreensão e à necessidade de se formar pessoas que no futuro
possam atuar nas iniciativas de transformar seu entorno e gerar dinâmicas
construtivas.
172
Quando a professora traz a cultura como um conjunto de ações que pode conduzir
ao fortalecimento da aprendizagem do aluno, ela permite a configuração da
identidade do lugar e de sua população. E é por intermédio da cultura que o aluno
interage com o mundo à sua volta.
A possibilidade de mobilizar os alunos e professores na pesquisa do local e da
região é muito importante. Quando os alunos visitam as praças, avenidas e ruas,
observam a arquitetura das igrejas, como tarefa de prática cultural, pesquisam,
verificam suas histórias, aprendem sobre a cidade, terão capacidade e interesse de
contrastar este desenvolvimento local com o processo de urbanização de outras
regiões. Eles podem redescobrir o manancial de conhecimentos que existe ali,
valorizá-lo e contextualizá-lo na sua classe, para a professora, para sua escola. Esta
atividade extraclasse, torna-se fonte de estudo e aprendizagem não apenas para a
disciplina de Arte, mas de conhecimentos de outras áreas.
A Arte, por si só, não opera transformações na educação, mas a experiência com os
processos de criação pode reorientar o sentido de ensinar, o papel do professor, a
imagem da escola, bem como o valor das práticas culturais nas comunidades e na
vida pessoal e profissional dos professores e nas relações entre as escolas e as
instituições que promovem ações sociais.
Os meios de aprender são numerosos e variados, considera-se essencialmente o
que as crianças podem e devem se apropriar dos conhecimentos organizados, e a
educação ocupa, nesse plano, um papel central no qual se espera a materialização
desses conhecimentos em possibilidades de ação. O mundo educacional prevê o
conhecimento trabalhado
de forma organizada. Conhecimentos dispersos e
subutilizados podem se tornar matéria-prima de um ensino diferenciado e
condicionante para o desenvolvimento local.
Quanto à avaliação na escola, a professora não permite que os resultados da
avaliação intermediária (do regimento escolar) sejam supervalorizados em
detrimento de suas observações diárias e práticas educativas. Assim, pode
confrontar o que ensina com a realidade vivida.
173
Há uma tendência de fortalecimento de relações democráticas entre professor, aluno
e pais, sendo perceptível no uso do portfólio. No capítulo III dessa investigação,
além de expor vários instrumentos de avaliação e suas características, encontra-se
em Shores e Grace (2001) o passo a passo para a elaboração desse instrumento
avaliativo, o portfólio, bem como a apreciação de outros autores a respeito das
vantagens e desvantagens na sua utilização.
Para a professora (Entrevistada 5) do Ensino Fundamental da escola Y, os
instrumentos que ela utiliza são:” Os próprios trabalhos de Arte que eles
fazem...temos provas escritas também”. No desenrolar da entrevista percebe-se que
esta professora dá vez e voz para o aluno, e no diálogo incessante os alunos vão
falando de diversos pintores, escultores, então, na discussão em sala de aula há um
momento extrovertido e sem estarem percebendo eles estão sendo avaliados. O
portfólio também é usado como instrumento avaliativo nessa turma.
Analisando a prática dessa professora, quando ela dá vez e voz ao aluno, confrontase com ideias presentes no Arts Propel, citado no capítulo III dessa investigação,
sobre uma série de procedimentos de autoavaliação que apresenta importante papel
no contexto da avaliação autêntica, onde os próprios alunos devem apresentar os
seus trabalhos e colocar pública e oralmente suas conclusões para assegurar que
dominam as tarefas que assumiram.
No diálogo entre professor e aluno há uma tendência diretiva dos professores
através de aulas expositivas e de não dar vez e voz para o aluno. No entanto, os
estudantes entendem mais
de seu próprio sentimento do que os professores
pensam. O diálogo conduzido apropriadamente pode revelar valiosos “insights” para
o processo avaliativo.
No depoimento do professor (Entrevistado 8) da escola Y ele explica a utilização dos
instrumentos avaliativos:
Então... o que mais... seria mais importante... nós vamos dizer que é
o que tem maior peso é o portfólio porque durante toda etapa que às
vezes são 12 a 15 aulas então o aluno também tem a possibilidade
de como são só 50 minutos de aula é uma aula só por semana então
eu proponho uma atividade vou trabalhando com eles em sala mas
174
tem grande parte de alunos que tem uma... uma facilidade muito
grande em terminar vamos dizer assim essa atividade em casa então
este portfólio ele tem a oportunidade de aula e desenvolvendo as
suas habilidades e chega no final da etapa eu...eu junto dele ele vai
apresentar mostrar e apresenta o trabalho...
Ele prossegue:
Uma outra forma de avaliar tem a avaliação formal que faz parte do
PPP da escola nós temos o simulado principalmente por causa do
ENEM então eu trabalho as questões de ENEM com eles durante a
etapa e no final nos últimos dias da etapa a gente faz um simulado
onde cai de 8 a 12 questões de Arte .
E continua:
Uma outra forma que eu acho muito importante ... interessante no
final da etapa eu peço pra eles que toda a atividade que a gente
trabalha na sala e alguma atividade que eu passo pra casa ele vai
fazer um relatório ele vai relatar tudo...seja o material que ele utilizou
seja a justificativa do porque que ele chegou àquela conclusão o que
que ele entendeu e no final ele vai apresentar um relatório tem
momentos que eu peço que seja oral que é uma das partes mais
interessante aonde outros alunos também podem colocar suas
opiniões e muitas vezes eles me entregam só a parte escrita esses
são os instrumentos que eu acho mais interessantes que eu tenho
trabalhado nos últimos tempos.(Entrevistado 8.Professor de Ensino
Médio).
Confrontando esse depoimento com os PCNs de Arte é possível constatar uma
sintonia, uma vez que os PCNs expressam que o professor deve saber o que é
adequado para o aluno dentro de um campo largo de aprendizagem para cada nível
escolar, ou seja, o que é relevante o aluno praticar e saber nessa área.
Essas ideias também se encontram presentes no regimento escolar da escola, no
PPP, definidos como suportes para a avaliação.
Unidade 12: Identificação de estratégias diferentes da usual no ato de avaliar as
atividades de Arte
Encontrar e construir caminhos alternativos para proceder avaliações neste sistema
escolar pouco aberto a mudanças é o grande desafio para o professor. Tem-se aqui
três depoimentos diferentes que envolvem contato, parceria, atividade extraclasse.
No depoimento da professora (Entrevistada 4) da escola Z ela diz:
175
Olha...de olhar o caderno...de olhar a produção todos os dias... eu
acho que já é uma forma diferente...eu acho que o contato com o
aluno ...a atenção que a gente dá pro aluno essa atenção individual
na medida do possível ela é um jeito de... diferente de
avaliar.(Entrevistada 4. Professora de Ensino Fundamental).
Na escola Y , a professora (Entrevistada 5) fala de outra estratégia:
Eu deixo os meninos avaliarem..eu não sei se isso acontece em
outras séries porque na hora que eles fazem esse concurso...na hora
que eles dão opinião no trabalho do outro....ajudam também... que às
vezes uma criança está com coordenação motora... com dificuldade...
menos...com menos habilidade... eles oferecem pra ajudar ...então eu
vejo assim uma parceria entre eles... uma colaboração... perguntam
se pode copiar aquela releitura do colega se pode fazer a colagem
igual daquele outro colega que eles estão gostando...então eles
interagem tanto... que eu acho fantástico tudo.(Entrevistada 5.
Professora de Ensino Fundamental).
E ainda na escola Y a professora (Entrevistada 6) diz:
Eu saio com os meus alunos pra área livre pra trabalhar o meio
ambiente... [...]então todos vão com o seu material... então é uma
folha A4 de 60 que ela é mais durinha então...quem tiver lápis de cor
leva...quem não tiver não precisa... pode fazer com luz e sombra...
pra não forçar muito... eu não gosto muito de forçar o aluno...então se
o aluno levou o lápis porque não tem lápis de cor e fez o que foi
proposto ele...ele já está sendo avaliado... pra mim tá uma delícia...
ele tentou fazer...fessora minha árvore tá meio torta eu falo...querido
não se preocupe... o próximo ficará melhor...ele está sendo avaliado
por mim sim...fessora mas eu vou ganhar total...eu falo... não se
preocupe com isso gente...ponto não é tudo portanto é a
experiência... mas eu dou a nota pra ele porque ele tentou...agora
aquele que foi com a folha... chegou lá...sentou...e não fez NADA...
ele não pode ser avaliado igualmente... eu acho que eu tenho que ser
justa também... tenho que ser justa...porque ele não fez nada ...ele
vai servir de...de um modelo ruim para os outros que estão tentando
fazer... então esse não merece... esse nem tentou.(Entrevistada 6.
Professora de Ensino Fundamental).
As estratégias enunciadas pelas professoras apresentam uma amplitude de
possibilidades onde o processo avaliativo se faz presente em momentos individuais
e coletivos. Analisando essas estratégias, percebe-se que essas ideias estão
presentes na LDB/1996, onde se encontram critérios para o rendimento escolar,
observados na avaliação contínua do desempenho do aluno. “Da parte do professor
a observação diária, a atenção dirigida ao que o aluno faz, ao que diz, ao modo
como reage às diversas situações na sala de aula, como se comporta, como
interage com a turma...”(Saviani, 2006, p.170).
176
Em vez de ser “imposta” em alguns momentos durante o ano, a avaliação deveria
tornar-se parte do ambiente natural de aprendizagem. Na medida que passa a fazer
parte do ambiente, não precisa mais ser separada do restante da atividade da sala
de aula. Percebe-se ali que a avaliação é onipresente.
Nesse espaço escolar da escola Y, o depoimento do professor (Entrevistado 8)
apresenta a seguinte estratégia:
No dia a dia uma das coisas que eu utilizo muito é o aluno poder falar
... relatar aquilo que ele tá vivendo... a experiência dele... então eu
acho que uma coisa muito interessante que a gente faz e que dá
certo e que nem sempre os outros fazem... porque depende do
contexto... talvez não dê tempo pra ele... então uma situação é essa...
uma outra situação que eu acho interessante... eu procuro... eu tenho
especialização em arteterapia... então muitas das vezes eu proponho
alguma...alguma
dinâmica onde
eles também falam...da
dificuldade... seja mesmo que essas dificuldades sejam coisas
pessoais... da família... ou de casa... então quando você descobre... o
aluno sente que você está interessado não só que ele aprenda... que
ele desenvolva o conhecimento na escola... mas você tem interesse
pela vida dele... pelo que ele é... pelo que ele traz... isso ajuda muito
e na escola ...tanto os pais como os próprios alunos como todos
diante da escola falam muito dessa questão que a gente consegue
fazer... que é procurar conhecer esse aluno... mais do que só dentro
da sala dando atividade.(Entrevistado 8. Professor de Ensino Médio).
Nesse contexto, é fundamental que o professor conheça o aluno, valorize-o, e seja
capaz de despertar-lhe novos sentidos na construção do conhecimento. Quando o
aluno sente que há um clima de confiança entre ele e o professor, ele se abre,
adquire maior responsabilidade, aprende a enfrentar limitações, a
aperfeiçoar
potencialidades. Esta relação torna-se mais próxima, afetiva e dialógica, o que lhe
permite avançar. O professor, ao tomar conhecimento das necessidades do aluno,
pode sugerir atividades individuais ou em grupo para ajudá-lo a superar as
dificuldades. Essa interação entre professor e aluno, visando a construção do
conhecimento em seus vários aspectos e o envolvimento com sentimentos e
emoções, está presente na linha de avaliação formativa.
Sendo uma importante dimensão da mediação pedagógica do professor, as práticas
de avaliação segundo Leite e Kager ( 2009) envolvem sensivelmente a dimensão
afetiva, não se restringindo apenas aos aspectos cognitivos. Desta forma, devem ser
planejadas e desenvolvidas como um instrumento sempre a favor do aluno e do seu
177
processo de apropriação do conhecimento. Cabe ao professor auxiliar o educando
no seu desenvolvimento pessoal pelo processo de ensino-aprendizagem e
responder à sociedade pela qualidade do trabalho educativo realizado.
O professor (Entrevistado 7) da escola X, quando a pesquisadora perguntou-lhe se
ele tinha uma estratégia diferente de avaliar, sua resposta foi imediata; “Creio que
sim...porque eu olho muito mais a relação ser humano / ser humano”.(Entrevistado
7. Professor de Ensino Médio). Esse depoimento vai ao encontro do anterior.
Unidade 13: Sugestões para avaliação em Artes Visuais
Os dados obtidos nos depoimentos dos coordenadores e supervisores sobre essa
unidade, revelaram-se insuficientes. As sugestões reproduzem o que já está
acontecendo nas escolas selecionadas. Porém, notou-se a presença de alguns
elementos significativos na prática de avaliação dos professores relacionadas com a
aprendizagem dos alunos.
Constata-se nesse estudo, que a teoria a respeito das práticas de avaliação em
Artes Visuais são escassas no cenário nacional. Isso se torna notório devido ao fato
de que essa disciplina só entrou para o currículo das escolas brasileiras,
oficialmente, a partir da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei nº
9.394/96, e ainda necessita de alguns ajustes na forma de implementação.
Diante da constatação acima, justifica-se a dificuldade que coordenadores e
supervisores têm para sugerir propostas para a avaliação em Artes Visuais.
Concluiu-se que a cultura de avaliação entre os gestores e professores pesquisados
se encontra em construção, exigindo ainda tempo e estudos para que eles dominem
o conhecimento ou pelo menos aprendam a articular e a desenvolver essa forma de
avaliação diferenciada que as Artes Visuais requerem no contexto educacional do
ensino Fundamental e Médio.
Categoria 6: Desempenho do aluno na avaliação da aprendizagem
178
Nesta categoria objetivou-se analisar o desempenho do aluno na avaliação da
aprendizagem do ponto de vista do professor. Portanto, nesta categoria há apenas
uma unidade de análise.
Unidade 14: A aprendizagem do aluno do ponto de vista do professor
Analisando o desempenho dos alunos na avaliação do processo ensinoaprendizagem percebe-se, pela fala dos professores, que os alunos estão
entendendo o contexto da Arte quando fazem a ligação do passado com o presente.
Pelo diálogo, pela produção, interação, aprovação no ENEM, sabem identificar as
influências dos grandes artistas do passado na contemporaneidade. Amam a Arte.
Estão motivados e de um modo geral envolvidos com a Arte.
Esse depoimento do professor (Entrevistado 8) da escola Y reflete o trabalho
educativo inserido na avaliação:
Interessante é quando a gente vê é...dá pra perceber no rosto deles...
a forma deles questionar... deles colocar cada assunto... cada
situação que acontece na sala de aula... então dá pra gente ver
claramente pelo interesse deles...
dá pra eu ver que eles
entenderam... e uma outra forma que eu percebo bem que eles
entenderam em Arte... é porque em todas as aulas... o início de cada
aula eu tento fazer uma recapitulação muito rápida de 3 a 5 minutos
da última aula... então eu peço pra que eles mesmos relatem... falem
alguma coisa pra gente dar continuidade e não são todos... cada aula
eu peço aluno diferente... então por aí eu percebo o tanto que eles
têm entendido... porque eles conseguem relatar tudo que a gente
trabalhou na aula anterior e muitas das vezes eles pesquisam... eles
trazem mais informações ainda sobre aquele determinado
assunto.(Entrevistado 8. Professor de Ensino Médio).
O professor vê o aluno como sujeito da aprendizagem, sujeito que se interessa, que
não esquece o aprendido, que pesquisa, se autoavalia e é mais crítico. Os alunos
mostram-se capazes de apresentar o conhecimento que se construiu no processo:
através do resultado das avaliações, do “feedback” do professor, no diálogo entre
professor/aluno, na participação, na pesquisa. Ao relatar o conhecimento consolidase a aprendizagem.
O depoimento da professora (Entrevistada 4) da escola Z revela como o aluno
aprendeu:
179
Eu acho que é a própria participação ...deles dentro de sala de aula
quando eles questionam ...quando eles perguntam... eles tão
mostrando... além do interesse... que eles aprenderam aquilo que foi
ministrado... alguma questão oral que a gente pergunta dentro de sala
de aula...(Entrevistada 4. Professora de Ensino Fundamental).
Dar vez e voz ao aluno é fundamental para que ele possa mostrar o seu
desempenho, seu nível de conhecimento. É gratificante para o professor poder
colher os frutos, saber que seu trabalho educativo não foi em vão.
Categoria 7: Cenário das ações pedagógicas
Nesta categoria objetivou-se identificar o cenário das ações pedagógicas e o “locus”
no que diz respeito à avaliação em Artes Visuais, bem como o envolvimento dos
alunos com a disciplina Arte. Portanto, nesta categoria reuniram-se três unidades de
análise.
Unidade 15: Identificação do “locus”30 da avaliação nas ações pedagógicas em
relação ao cotidiano escolar das aulas de Arte
As ações pedagógicas em relação às Artes Visuais se fazem presentes em cada
aula, em cada atividade,
na sala ambiente, nos laboratórios. Segundo a
coordenadora (Entrevistada 11) da escola X, percebe-se a importância da avaliação
em Arte e o lugar privilegiado que ela alcançou ao lado das outras disciplinas.
A avaliação nas atividades da disciplina Arte é importante, o diretor
abriu um novo conceito de avaliação e a Arte hoje se coloca
juntamente com língua portuguesa... educação física... literatura...
quase todas as matérias andam junto com a arte.(Entrevistada 11.
Coordenadora de Ensino Médio).
A Arte hoje estabelece vínculos muito estreitos com o cotidiano e com todas as
outras formas do saber. Nesse depoimento constata-se uma perspectiva de
interação da disciplina Arte no convívio
com as outras disciplinas. Esse novo
conceito de avaliação dado pelo diretor, que é avaliação global, ou seja, a avaliação
por área do conhecimento, torna-se importante e capaz de propiciar maior
30
“Locus” como o lugar da avaliação na prática pedagógica.
180
responsabilidade aos estudantes acerca da construção de seu próprio processo de
aprendizagem.
Para a supervisora (Entrevistada 10) da escola Z, o “locus” da avaliação estaria na
forma processual e cumulativa e encerraria em cada etapa. Ao mesmo tempo para a
supervisora (Entrevistada12) da escola Y, o “locus” da avaliação seria primordial,
porque fecharia o ciclo do processo de aprendizagem do aluno, para se ter a
confirmação se houve realmente o aprendizado a fim de seguir em frente.
Analisando o discurso dessas supervisoras, percebe-se que, para elas o “locus” da
avaliação está na etapa final de um aprendizado, fechando um ciclo que se quer
pronto e acabado. Um dos equívocos pedagógicos, é situar a avaliação como uma
atividade formal que ocorre ao final do processo ensino-aprendizagem. Do ponto de
vista processual, observando o interior da sala de aula, esta perspectiva mostra-se
incompleta. Se a avaliação não for situada no interior das demais categorias deste
processo, ela tenderá sempre a ser considerada de forma isolada, como atividade
de final de processo.
Para Antunes (2012, p. 261) “a avaliação do ensino-aprendizagem não constitui,
assim, matéria pronta, discussão finalizada, teoria aceita”. Necessita um construir a
cada dia, a cada aula, com cada grupo de alunos. É preciso reconhecer que se
aprende a cada instante a verdadeira dimensão e direção da avaliação. Nesse
sentido, percebe-se que o professor aprende a caminhar no percurso do seu prório
caminho.
Numa visão linear do processo, conforme Freitas et al. (2011), observa-se uma
sucessão de etapas que começa com a definição dos objetivos do ensino, segue-lhe
a definição dos conteúdos e dos métodos, passa pela execução do planejado e
finalmente a avaliação do estudante. Dentro desta concepção, para melhorar o
processo, basta apenas a otimização de cada etapa.
Uma forma alternativa dessa organização abandona a visão linear acima, por outra,
baseada em dois eixos interligados: objetivos / avaliação e conteúdo / método.
181
Assim, a avaliação não aparece no final, mas está justaposta aos próprios objetivos
que dão base para a construção da avaliação.
Porém, na escola atual, os objetivos permanecem embutidos na situação do
processo ensino-aprendizagem e na própria avaliação definindo o destino do aluno.
É esta posição da avaliação como reguladora de quais estudantes terão acesso aos
novos conteúdos no futuro, que faz dela uma categoria central, predominante na
prática pedagógica, voltada para a classificação e seleção. (FREITAS et al., 2011).
Na verdade, o “locus” da avaliação do processo de ensino-aprendizagem em Arte
está na sala de aula, na interação com os alunos, no dia a dia, nas diferentes
situações educativas, nas ações pedagógicas do cotidiano escolar. Ela está o tempo
todo presente e, consciente ou inconscientemente, orienta a atuação do professor
na escola. Percebe-se, ao mesmo tempo, contradições e possibilidades existentes
no processo ensino-aprendizagem.
Unidade 16: As aulas de Arte no cenário da escola
A Arte na educação como expressão pessoal e como cultura é um importante
instrumento para a identificação cultural e o desenvolvimento individual. Barbosa
(2011, p. 18) afirma que “Não é só incluir Arte no currículo que o crescimento
individual e o comportamento do cidadão como construtor de sua própria nação,
acontecem”. É preciso muito mais. É necessário se preocupar como ela é concebida
e ensinada.
Na escola Z, segundo a Diretora (Entrevistada 3) as aulas de Arte acontecem desde
o 1º ano ao 6º ano do Ensino Fundamental:
Tem um um conteúdo pré-determinado... a gente trabalha com as
matrizes curriculares... eu observo que os professores... os nossos
dois professores... tem um de manhã... um de tarde... eles trabalham
muito mais com as artes plásticas... vamos falar assim... não é isso?
é...eles não... eu não vejo muito música... eu não vejo teatro...eu vejo
muito mais essas artes visuais que você diz... muito mais voltado para
trabalhar os artistas... os escultores...é o desenho... o desenho livre...
dobraduras... origamis... essas coisinhas da escola fundamental...
realmente a arte visual...tá bem presente nessa escola...(Entrevistada
3. Diretora de ensino Fundamental).
182
As aulas de Arte contemplam os conteúdos pré-determinados promovidos pela
escola, e não saberes adquiridos em situações extraescolares. Percebe-se que
alguns conteúdos seguem o que está padronizado nos PCNs.
Na escola X, o Diretor (Entrevistado 1) tem considerações a fazer sobre as aulas de
Arte no cenário da sua escola:
A aula de Arte aqui na escola ela...eu considero que ela tá um passo
a frente já fazem alguns anos...já fazem alguns anos eu acredito que
nos últimos cinco anos pra cá é...antes mesmo de eu tá como diretor
os professores de arte já vêm fazendo um trabalho buscando essa
associação da arte... com a Literatura... e isso modificou... o tipo da
aula de Arte... então hoje... na escola é...a aula de Arte ela não é vista
mais como aquela aula onde o aluno vai só colorir ...vai só
desenhar... NÃO... hoje os professores de Arte aqui trabalham o
conteúdo de uma forma densa... associada à literatura... associada às
Artes Visuais... hoje conteúdos inclusive que estão presentes nas
avaliações como o ENEM por exemplo...e agora eu como diretor
ainda... é... fiz a sala de arte ... um dos espaços da escola agora foi
disponibilizado para sala de Arte pra ser feitas as aulas práticas não
mais dentro de sala ... então dentro de sala as aulas teóricas e
possíveis de desenvolver alguma prática mais simples... mas tenho
agora a sala de arte pra poder
desenvolver as práticas
...(Entrevistado 1. Diretor de Ensino Médio).
Nesse discurso, constata-se um cenário de aulas bastante teóricas ,tendo em vista a
preparação para o ENEM. A disponibilização de um espaço apropriado para as
aulas de Arte traz uma perspectiva de atividades práticas a serem desenvolvidas,
modificando um cenário que se quer mais dinâmico e produtivo.
Na escola Y, o Diretor (Entrevistado 2) afirma:
Eu já vivi essas aulas de arte em diversas instituições...aqui na
Escola Y eu vejo ainda a arte como uma disciplina de... de conteúdo
teórico... eu não vejo ainda que o nosso aluno produz efetivamente
é... algo no âmbito da arte... acho que é um trabalho que nós
precisamos alcançar... que nós precisamos atingir... é uma meta que
eu tenho eu gostaria muito que aqui tivesse em todos os lugares da
escola produções dos nossos alunos e isso ainda vejo muito no
âmbito da sala de aula... apenas como um processo teórico
(Entrevistado 2. Diretor de Ensino Fundamental e Médio).
Nesse depoimento, o diretor é muito enfático ao falar nas aulas de Arte como
processo teórico. Acredita-se que os professores de Ensino Médio, preocupados em
preparar os alunos para o ENEM, dão mais importância à teoria do que a prática.
183
Pergunta-se: Até que ponto o ENEM implica na mudança de trabalho em relação à
Arte? Sabe-se, porém, que os alunos do Ensino Fundamental utilizam-se de várias
atividades práticas no cenário educativo das aulas de Arte nessa escola.
Unidade 17: O envolvimento dos alunos com a disciplina Arte
A arte é uma disciplina que envolve os alunos de forma prazerosa e dinâmica se o
professor souber conduzir suas aulas com habilidade e competência.
Segundo a diretora (Entrevistada 3) da escola Z:
Os alunos amam as aulas...não é...eles amam... eu acho que é
é...uma organização de sala diferente ...são... são...são... mesas
grandes... eles sentam em grupos... então é tudo diferente... eu acho
a aula de Arte... eles gostam muito e a professora (Entrevistada 4) é
muito querida... eles... o que eu observo é que eles gostam muito... a
tarde há uma professora que é um espetáculo de professora...então
o que a gente observa é assim... amam... amam a aula.
(Entrevistada 3. Diretora de Ensino Fundamental).
A professora (entrevistada 4) já havia mencionado o amor de suas crianças por ela e
pela Arte. São alunos do Ensino Fundamental que expressam um interesse muito
grande pela disciplina, que ficam na escola após o horário a fim de tirar dúvidas e
resolver dificuldades com a professora. São muito aplicados em suas atividades. Ali
não existe reprovação.
Segundo o diretor (Entrevistado 2) na escola Y:
No meu entendimento o envolvimento deveria ser maior porque é
uma disciplina que deveria ser prazerosa a exemplo da educação
física... como ainda estamos no âmbito da teoria... esse envolvimento
ainda é pequeno...ele precisa ser aprimorado por todos nós da
escola. (Entrevistado 2. Diretor de Ensino Fundamental e Médio).
Quando acontecia esta entrevista, o desejo do diretor já estava se concretizando
nessa escola, quando os alunos, engajados no projeto de Inculturação sobre a Arte
africana, preparavam a apresentação de suas atividades num envolvimento muito
significativo que contagiava toda a escola.
184
O diretor (Entrevistado 1) da escola X afirma:
Hoje eu vejo os alunos... porque eu tenho essa visão do antes e do
agora... porque eu tou aqui na escola há 17 anos... hoje eu vejo os
alunos muito mais comprometidos com a aula de arte... nesta
escola... repito... do que antes... criou-se esse novo conceito... os
professores de arte aqui têm apostilas... eles desenvolvem inúmeras
atividades... então por exemplo exposições que tem igual que no ano
passado na CASA FIAT de cultura eles levaram os alunos... fizeram
trabalho junto com Língua Portuguesa... então eu acho que todas
essas ações elas... elas envolvem o aluno com o conteúdo de uma
maneira onde ele vê o significado
diferente das séries
primárias.(Entrevistado 1. Diretor de Ensino Médio).
O depoimento do diretor é confirmado, quando percebe-se que seu discurso está
condizente com o dos seus colegas gestores, quando eles falam do compromisso
dos alunos com a Arte, principalmente, depois que ela entrou como área de
conhecimento, junto às outras disciplinas que fazem parte do ENEM. A organização
também do espaço, disponibilizado só para as aulas de Arte, foi uma importante
providência tomada pelo diretor, facilitando o trabalho criativo dos alunos nessa
disciplina.
Em síntese, o presente capítulo apresentou o sentido que a avaliação em Arte tem
dado à escola de um modo geral, considerando o aspecto pedagógico no contexto
das políticas educacionais em curso, em relação ao processo de ensinoaprendizagem. Pensando na complexidade desta relação, há
questões que
requerem um debate aprofundado, tendo em vista, avançar na construção de uma
metodologia inovadora da avaliação no processo ensino-aprendizagem em Artes
Visuais.
Ao analisar o processo de avaliação do educando em diferentes situações
educativas no ensino das Artes Visuais, no âmbito do Ensino Fundamental e Médio
constatou-se que a avaliação em Artes Visuais, enquanto teoria e prática, não tem
um paradigma amplamente aceito. Existe, isto sim, uma variedade ampla de
modelos e, entre eles, discute-se a melhor maneira de avaliar e não se chega a um
consenso.
185
Percebe-se que as diretrizes são direcionadas à avaliação da aprendizagem de um
modo geral e não existe uma diretriz de avaliação específica voltada para as Artes
Visuais.
Durante a entrevista alguns professores mostraram dificuldade em definir os tipos de
avaliação mais comuns na prática pedagógica bem como conceituar a avaliação de
um modo geral.
Os entrevistados de um modo geral conhecem poucos instrumentos e estratégias de
avaliação. Pela insuficiência detectada sobre esse assunto tiveram dificuldades para
dar sugestões para avaliação em Artes Visuais
Sabem identificar o desempenho, o progresso de seus alunos. Mostraram
dificuldade em identificar o “locus” da avaliação no processo ensino-aprendizagem.
A maioria não tem claro o papel da disciplina. Algumas aulas de Arte são bem
elaboradas e interessantes. Outras não. A avaliação é classificatória persistindo o
modelo da escola tradicional, processo que não permite ao aluno possibilidades e
leitura de mundo ampliadas. A nota limita os horizontes da formação do estudante e
da própria avaliação.
Cruzando os dados coletados nas entrevistas, análise dos documentos, estudos
teóricos, cotidiano escolar, delineou-se um quadro que atestou o empenho das
escolas na reconstrução do seu projeto pedagógico e na construção de práticas de
intervenção. Assistiu-se assim as experiências vividas permitindo a configuração de
um aprender a ensinar perante os novos desafios do contexto escolar em relação ao
processo de avaliação em Arte.
Tal análise mostra a necessidade de atualização dos entrevistados no sentido de
buscar embasamento teórico para completar o conhecimento sobre as concepções
da avaliação, buscar entender o sentido e o local onde se insere esta avaliação
específica da Arte, conhecer novos instrumentos e estratégias para a prática da
avaliação e discutir a possibilidade, de todos juntos, elaborar as diretrizes
específicas de avaliação para o processo de ensino-aprendizagem das Artes
Visuais.
186
Conclui-se, portanto, que a construção do conhecimento sobre avaliação em Arte,
precisa, necessariamente, considerar as múltiplas dimensões e fatores que
envolvem o cotidiano escolar, para cada professor, para cada aluno em particular
com base no seu contexto e realidade concreta, possibilitando a elaboração de uma
proposta com mecanismos favoráveis à construção de uma nova metodologia de
avaliação especificamente aplicáveis às Artes Visuais.
187
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ao retomar a leitura do breve histórico sobre a avaliação em Arte no processo
ensino-aprendizagem, considerou-se as origens coloniais brasileiras, a fim de que
se entendesse o processo formativo da cultura nacional. Essa cultura originou-se
através de um transplante da cultura portuguesa: pensavam-se e viviam-se os
valores e sentidos europeus, que pouco tinham a ver com as condições reais da
terra.
Nesse contexto, constatou-se que o processo avaliativo vivenciou diferentes
momentos, que transitaram e ainda transitam entre as escolas com concepções que
se alocam em extremos e ainda se fazem presentes, dificultando o delineamento de
um espaço que favorecia outras concepções e práticas.
Ao se fazer uma retrospectiva das diferentes concepções no decorrer de diversos
momentos históricos, percebeu-se cinco fases e desdobramentos a respeito da
avaliação que foram de encontro às práticas pedagógicas, o que implicou na
utilização de um método lógico e único para todas as áreas de conhecimento.
No princípio, na fase da Escola Tradicional constatou-se que o professor, por seu
poder decisório, tornou-se o centro do processo pedagógico ao utilizar regras rígidas
e severas, para assegurar a aprendizagem de seus alunos, incluindo mesmo
punições e castigos corporais, o que somente acentuava a sua predominância no
papel de transmissor do saber e o poder impositivo das regras, e, aos alunos cabia o
papel de espectadores submissos e receptivos das informações transmitidas.
Quanto à avaliação, havia uma valorização dos aspectos cognitivos e quantitativos
expressos na verificação classificatória dos resultados. Isso pode ser evidenciado na
metodologia proposta por Comênius (1985) que recomendava a observação e a
reprodução
de
modelos
artísticos
perfeitos,
de
bases
neoclássicas,
e,
posteriormente, a análise e a comparação das técnicas de desenho apreendidas.
Ele afirmava, categoricamente, que esses exercícios deviam ser continuados, até
que se criasse o hábito da Arte.
188
Presume-se nessa abordagem, que os pressupostos de Comênius já vislumbravam
uma avaliação num processo contínuo como se faz hoje em dia.
As ideias de Comênius (1985), instauradas no início oficial do ensino de Arte no
Brasil, no século XVI, com os jesuítas, estimularam a ideia de Arte como aquisição
de habilidades para o trabalho, ou seja, a ênfase no sentido utilitário do fazer
artístico, fixado pela repetição, pelo aprimoramento e destreza motora.
Essa postura, ainda hoje, se encontra arraigada nas práticas de muitos professores
da escola contemporânea.
Na segunda fase de desdobramento do processo avaliativo, ou seja, na Escola Nova
constatou-se que todas as práticas pedagógicas estavam voltadas ao aluno em
crescimento ativo e progressivo. Esta fase veio trazer contribuições relevantes: o
professor deixou de ser o detentor
do saber para reconhecer o papel ativo do
educando; o professor passou a ocupar o papel de facilitador da aprendizagem do
aluno de forma a permitir-lhe o desenvolvimento de suas habilidades inatas.
A Escola Nova deixou marcas no processo avaliativo. Ela propugnou uma avaliação
que não julgava em função de méritos ou padrões, mas sim que verificava os
impasses e as dificuldades para o crescimento dos alunos e ao mesmo tempo, que
era um meio auxiliar nesse crescimento, fazendo parte do processo de ensinoaprendizagem, dirigida com autoridade e não com autoritarismo, e respeitando o
processo psicológico do aluno.
Na perspectiva da Escola Tecnicista o foco foi avaliar, não apenas para medir
mudanças comportamentais e de aprendizagem, mas também para quantificar os
resultados e assegurar a eficácia do método. Os professores tecnicistas valiam-se
de vários instrumentos avaliativos, como testes, escalas de atitude, inventários,
questionários, check-list, fichas de registro, entre outros cuja finalidade buscava
controlar a eficiência do ensino-aprendizagem. Assim, comparavam o desempenho
obtido pelos alunos com os objetivos previamente estabelecidos.
189
A quarta fase
de desdobramento avaliativo foi a avaliação na Escola
Construtivista/Cognitivista cuja concepção apoiou-se na ideia de que aprender é
fruto de uma construção pessoal, na qual os outros sujeitos são significativos para
essa construção. O processo avaliativo acontecia em momentos individuais e
coletivos; havia provas escritas e trabalhos a partir de pesquisas realizadas pelo
aluno. Nas Artes Visuais o aluno procurava entender o contexto histórico das
linguagens artísticas diferenciadas bem como tinha possibilidade de se ver como
artífice dessa construção.
A quinta fase foi a avaliação na Escola Progressista que se subdividiu em Escola
Libertadora, Escola Libertária e Escola Crítico-Social dos conteúdos. Nessa fase o
aluno foi estimulado a estudar dentro de uma perspectiva crítica e a criar novos
saberes, percebendo a avaliação como um processo que orienta e aperfeiçoa a
aprendizagem. Nessa fase a avaliação em grupo e a autoavaliação se tornaram
práticas constantes além de abrigar um caráter informal.
Os dados coletados permitiram afirmar a influência dessas abordagens nas escolas
pesquisadas em termos de prática de avaliação em Artes Visuais. O ensino
preservou os traços tradicionais, escolanovistas e tecnicistas em maior ou menor
grau. Na prática essas pedagogias se imbricam, não são lineares, mas manifestamse justapostas no contexto do processo ensino-aprendizagem das Artes Visuais. O
momento agora é de inovação e não de reprodução dos modelos avaliativos. Ousar
e buscar uma nova ação avaliativa para se projetar no futuro...é o desafio.
Quanto aos conceitos, características e funções da avaliação, apresentados nesta
investigação, eles tiveram como ponto de partida a LDB e as contribuições teóricas
de vários autores com prioridade ao final na avaliação do processo ensinoaprendizagem em Arte.
Os conceitos expressos por seus autores constataram a ênfase no desempenho do
aluno e unanimidade em considerar a avaliação como parte do processo de ensinoaprendizagem vinculado à escola.
190
Em relação às características da avaliação, tornou-se possível identificá-las no
processo. Observou-se uma característica pontual onde o aqui e o agora do
conhecimento é verificado; uma característica classificatória que determina o nível
alcançado pelo aluno de acordo com o resultado e uma característica seletiva que
conduz à permanência ou não do aluno na escola.
Em contrapartida, detectou-se uma característica não-pontual, onde o professor
pode acompanhar o aluno no antes, no agora e no depois de seu desempenho; uma
característica dinâmica com a utilização de diferentes instrumentos avaliativos e uma
característica diagnóstica que possibilita uma maior satisfatoriedade no que se está
buscando ou construindo.
Detectou-se, nesse estudo, as funções gerais e específicas da avaliação que
fornecem as bases para o planejamento e possibilitam melhoria na aprendizagem.
Constatou-se, nesse estudo, que a teoria a respeito das práticas de avaliação,
especificamente, em Artes Visuais são escassas no cenário nacional devido ao fato
de que sua entrada para o currículo só aconteceu oficialmente na LDB como área
de conhecimento no mesmo patamar das outras disciplinas, em 1996, porém, ainda
necessita de alguns ajustes na forma de sua implementação. Apesar dessa
constatação, foi possível identificar contribuições relevantes nesse cenário, de
pesquisadores citados ao longo desse trabalho.
Apurou-se que não há nenhum embasamento legal e nenhuma diretriz específica
de avaliação no processo de ensino-aprendizagem para as Artes Visuais. As
diretrizes existentes são voltadas para as áreas de conhecimento de um modo geral.
Verificou-se que, em Arte, os critérios de avaliação dependem dos conteúdos e
objetivos de cada projeto ou sequência didática.
No processo avaliativo, pode-se observar que cada conteúdo exige um instrumento
de avaliação adequado: não é possível avaliar se o aluno compreendeu a história do
desenvolvimento da máquina fotográfica por um ensaio fotográfico. Nesse caso, o
instrumento pode ser um texto escrito sobre o assunto. Nem sempre se pode avaliar
191
um conteúdo teórico com base em um trabalho prático. Há necessidade de
instrumentos específicos para avaliar o fazer e ver Arte. Essas ações só farão
sentido se relacionadas aos conteúdos que estão sendo ensinados ou trabalhados.
Ao pensar na formação de professores, tanto a inicial quanto a continuada,
é
preciso considerar a realidade de trabalho, bem como, ampliar o domínio de
conhecimentos e o potencial reflexivo oportunizando o aperfeiçoamento profissional,
a ação consciente, a escolha de formas de ensinar e avaliar mais adequadas e
compromissadas com a realidade.
Com base nos relatos da presente pesquisa, é necessário rever e alterar as práticas
de avaliação adotadas tradicionalmente.
O resultado dessa pesquisa em linhas gerais veio contemplar os objetivos
delineados, bem como a hipótese. O processo de avaliação em Artes Visuais foi
analisado em diferentes situações educativas no âmbito do Ensino Fundamental e
Médio à luz dos pressupostos teóricos bem como na pesquisa de campo através da
coleta de dados empíricos proporcionada pelas entrevistas semiestruturadas. Esses
dados serviram para subsidiar a construção da proposta de intervenção, produto
técnico, que é um guia metodológico de avaliação em Artes Visuais para o ensino
Fundamental e Médio para o curso de formação docente em Artes Visuais –
Licenciatura, estendido à toda comunidade docente em Artes Visuais.
Considerando que a realidade pesquisada está diretamente associada à atividade
profissional da pesquisadora, esta proposta de intervenção cumpre a exigência
desse Mestrado Profissional e Interdisciplinar em Gestão Social, Educação e
Desenvolvimento Local de gerar um produto técnico como contribuição da pesquisa.
Espera-se que o conteúdo e ações previstas possam contribuir com as práticas de
avaliação do processo ensino-aprendizagem em Arte, consequentemente com os
processos de mudanças conectados com a realidade histórico-social dos sujeitos e
com os processos democrático-participativos.
192
REFERÊNCIAS
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agosto de 2013.
APÊNDICES
APÊNDICE A – CONTRIBUIÇÃO TÉCNICA DA DISSERTAÇÃO
CENTRO UNIVERSITÁRIO UNA
DIRETORIA DE EDUCAÇÃO CONTINUADA, PESQUISA E EXTENSÃO
MESTRADO EM GESTÃO SOCIAL, EDUCAÇÃO E
DESENVOLVIMENTO LOCAL
TÂNIA ALVES DE SOUSA OLIVEIRA
CONTRIBUIÇÃO TÉCNICA DA DISSERTAÇÃO
GUIA DE METODOLOGIAS DE AVALIAÇÃO EM ARTES VISUAIS
PARA O ENSINO FUNDAMENTAL E MÉDIO
BELO HORIZONTE - MG
2013
TÂNIA ALVES DE SOUSA OLIVEIRA
GUIA DE METODOLOGIAS DE AVALIAÇÃO EM ARTES VISUAIS
PARA O ENSINO FUNDAMENTAL E MÉDIO
Esta contribuição técnica foi elaborada a partir
da dissertação de mestrado intitulada:“O
PROCESSO DE AVALIAÇÃO EM ARTES
VISUAIS: Perspectivas e Inovações direcionadas
à formação docente”, tendo como autora Tânia
Alves de Sousa Oliveira sob a orientação da
prof. Dra. Adilene Gonçalves Quaresma.
BELO HORIZONTE - MG
2013
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO
05
2. EMBASAMENTO LEGAL
08
3. ARTES VISUAIS E AVALIAÇÃO: CONCEITOS
14
4. ARTES VISUAIS: OBJETIVOS GERAIS
17
5. CONTEÚDOS DE ARTES VISUAIS
19
6. CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO EM ARTES VISUAIS
23
7. INSTRUMENTOS E METODOLOGIAS DE AVALIAÇÃO
EM ARTES VISUAIS
8. CONCLUSÃO
25
35
REFERÊNCIAS
36
Obra de Renoir
5
1 INTRODUÇÃO
A avaliação tem sido um assunto de amplo debate e discussão, extremamente
polêmico e contemporâneo. Houve muitas mudanças na educação e também na
avaliação como parte desse processo. A avaliação é um tema ainda em construção,
principalmente, aquela centrada na Arte, em particular.
Enquanto uma atividade teórica e prática, a avaliação não tem um paradigma
amplamente aceito. Existe, isto sim, uma grande variedade de modelos e, entre eles,
a respeito de uma melhor maneira de avaliar, pouco se concorda. É necessário
transformar o discurso avaliativo em mensagem que faça sentido, tanto para quem a
emite quanto para aquele que a recebe.
O maior interesse de um processo de avaliação deveria recair no fato de se tornar
verdadeiramente informador. A avaliação precisa tornar-se o momento e o meio de
uma comunicação social clara e efetiva sobre o processo ensino-aprendizagem,
principalmente, indicando as dificuldades enfrentadas e as capacidades adquiridas,
tanto por parte do professor como do aluno. Deve sempre fornecer ao aluno
informações sobre seus erros e dificuldades, bem como o êxito adquirido na
aprendizagem, para que ele possa compreender e sentir que lhe são úteis. O
problema central é a postura avaliativa do professor, que deve tentar encontrar e
construir caminhos alternativos, para proceder avaliações neste sistema escolar
pouco aberto a mudanças.
Esta contribuição técnica constitui-se como parte do trabalho de conclusão de curso
do Mestrado Profissional em Gestão Social, Educação e Desenvolvimento Local do
Centro Universitário UNA e exigência legal, tendo em vista o caráter profissional do
mestrado. Ela tem por referência pesquisa realizada no Mestrado Profissional,
iniciado em 2012 e concluído em 2013, cujo objetivo foi analisar o processo de
avaliação do educando em diferentes situações educativas no ensino das Artes
Visuais, no âmbito do Ensino Fundamental e Médio. Nesse sentido, ao buscar
identificar a pedagogia dessa relação, detectou-se a necessidade de reconstrução
do processo de avaliação como parte de um movimento onde se imbricam
6
compromisso e desenvolvimento de uma práxis pedagógica comprometida com a
inclusão, com a pluralidade cultural, com o respeito às diferenças, com a construção
coletiva.
A atualização do professor é importante, pois poderá apresentar aos alunos os
conhecimentos mais avançados de sua época. Ao mesmo tempo que seus
conhecimentos prévios merecem todo o respeito, o papel do professor só se
completa no exercício de uma atividade constante de pesquisa, de estudo e de
produção escrita reflexiva, de modo que ele possa avançar, garantindo um conteúdo
substantivo e atualizado, em relação à cultura e educação, para si e para aqueles a
quem pretende educar, ampliando progressivamente seu círculo de experiência.
Ao
concluir
a
investigação
pensou-se,
que,
pretensiosamente
haveria
a
possibilidade, a partir desses estudos, de elaborar uma proposta de intervenção
relativa à construção de uma nova metodologia de avaliação em Artes Visuais,
favorecendo a produção de novos conhecimentos e uma prática relevante nos
processos educacionais.
A intenção da proposta é reflexiva e surge com a possibilidade de contribuir com a
produção educacional no que diz respeito às Artes Visuais no Ensino Fundamental e
Médio; promover inovações educacionais no campo da avaliação em Artes Visuais;
melhorar os processos e a efetividade educacionais nesse campo; favorecer a
produção de novos conhecimentos; ajudar na melhoria de qualidade das aulas;
interagir com tecnologias contemporâneas no ensino da Arte; compartilhar atitudes e
valores; valorizar a formação docente.
O objetivo dessa proposta é oferecer aos docentes, em formação, do curso de Artes
Visuais – Licenciatura, aos egressos, docentes atuantes no ensino das Artes Visuais
e gestores, um Guia de Metodologias voltado para a melhoria dos resultados
escolares, com possibilidade de concretizar mudanças na avaliação em Artes
Visuais, ao garantir a qualidade na execução do trabalho avaliativo, o que pode
auxiliar na redução da evasão escolar, na busca por valorizar saberes da prática em
consonância com o desenvolvimento do educando, tendo em vista sua inserção na
escola e na comunidade em torno das políticas educacionais.
7
Para elaborar esse Guia de Metodologias buscou-se embasamento na dissertação
“O processo de avaliação em Artes Visuais: perspectivas e inovações direcionadas à
formação docente”, e embasamento teórico em Arslan (2006), Barbosa (2005),
Gardner (2010), Hernández (2000), Liblik (2005), Sant’Anna (2010), entre outros e
estrutura-se da seguinte forma: A introdução apresenta alguns pressupostos que
orientam a discussão da temática, o objetivo e estrutura do texto; em seguida
apresenta-se o conceito, objetivos gerais, conteúdo, critérios, instrumentos,
metodologias de avaliação em Artes Visuais que convergem na perspectiva da
política educacional. Conclui-se que, ao repensar a função da avaliação, haja
possibilidade de encontrar nessa proposta, mecanismos favoráveis de avaliação
especificamente aplicáveis às Artes Visuais e que atendam aos interesses dos
docentes em formação, dos egressos, dos docentes atuantes e principalmente do
educando.
Obra de Renoir, 1884
8
2 EMBASAMENTO LEGAL
Os documentos legais e oficiais consultados, para embasamento desse trabalho,
foram: 1. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB, Lei nº 9.394/96
(BRASIL,1996); 2. Resolução do Conselho Estadual de Educação nº 2197 (MG/SEE,
2012, p. 66); 3.Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Básica, (BRASIL,
2013); 4. Parâmetros Curriculares Nacionais – Arte (BRASIL,1998); 5. Conteúdos
Básicos Comuns – CBC (PIMENTEL et al.2010).
No que diz respeito a avaliação, a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) nº 9.394/96, em
seu artigo 24, item V, sinaliza alguns critérios que devem ser observados quanto ao
desempenho dos alunos na verificação do rendimento escolar direcionados a todas
as disciplinas de um modo geral. São eles: a) Avaliação contínua e cumulativa do
desempenho do aluno, com prevalência dos aspectos
qualitativos sobre os
quantitativos e dos resultados ao longo do período sobre os de eventuais provas
finais; b) Possibilidade de aceleração de estudos para alunos com atraso escolar; c)
Possibilidade de avanço nos cursos e nas séries, mediante verificação do
aprendizado [...] (BRASIL, 1996).
Da letra “a” entende-se que o aluno não pode ser avaliado num
momento isolado do resto do processo, e que a avaliação não é o
ponto alto do bimestre. A avaliação só se entende como processo
contínuo. Da parte do professor, diz respeito à observação diária, à
atenção dirigida ao que o aluno faz, ao que diz, ao modo como reage
às diversas situações na sala de aula. Como se comporta ao
enfrentar certos conteúdos, em que aspectos demonstra maior ou
menor facilidade, quanto cresceu em relação aos comportamentos
anteriores, como interage com a turma... e assim por diante
(SAVIANI, 2006, p.170).
O texto da LDB indica que, além de contínua, a avaliação seja cumulativa. Que os
instrumentos e formas de avaliação priorizem uma visão global das matérias
estudadas, levando o aluno a utilizar as capacidades que foi adquirindo em outros
meses, em outras séries. Que as questões ou situações-problemas sejam
abrangentes, interligando os saberes estudados. Que deverá haver prevalência dos
aspectos qualitativos sobre os quantitativos. Este é um aspecto crucial no
entendimento da noção de avaliação da LDB, pois evidencia que a verificação do
rendimento não está diretamente vinculada à aprovação ou reprovação dos alunos.
9
Considerar os aspectos qualitativos no processo de avaliação significa, não limitar o
olhar do professor aos conteúdos que podem ser objetivamente mensuráveis e
quantificáveis. Isso não quer dizer que, no momento de definir se um aluno tem
condições de ser promovido para a etapa seguinte, o professor não escolha por
verificar (de maneira objetiva) se o aluno possui os conteúdos mínimos, ou se
desenvolveu as aptidões necessárias para vir a aprendê-los. Fica claro que o
processo da avaliação adquire finalidades que vão além da promoção ou reprovação
dos alunos, e se dirigem para os cuidados de uma educação integral.
Em consonância com a legislação nacional, com os fundamentos e procedimentos
definidos pelos Conselhos Nacional e Estadual de Educação, com as normas do
Sistema Estadual de Ensino de Minas Gerais e com a estratégia governamental de
longo prazo definida no Plano Mineiro de Desenvolvimento Integrado – PMDI 20112030, a Secretaria de Estado de Educação, através da Resolução nº 2.197, de 26 de
outubro de 2012, no uso de sua competência resolveu dispor no Título V, art.61 a
89, as diretrizes para a avaliação da aprendizagem, que entrou em vigor a partir do
ano letivo de 2013.
No que diz respeito aos instrumentos avaliativos o art.70 da resolução esclarece:
Na avaliação da aprendizagem, a escola deverá utilizar
procedimentos, recursos de acessibilidade e instrumentos diversos,
tais como a observação, o registro descritivo e reflexivo, os trabalhos
individuais e coletivos, os portfólios, exercícios, entrevistas, provas,
testes, questionários, adequando-os à faixa etária e às características
de desenvolvimento do educando e utilizando a coleta de informações
sobre a aprendizagem dos alunos como diagnóstico para as
intervenções pedagógicas necessárias (MG/SEE, 2012, p. 66).
A enumeração dos instrumentos de avaliação é um diferencial nessa proposta em
relação às diretrizes básicas de ensino previstas anteriormente pela Lei de Diretrizes
e Bases da Educação Nacional (LDB), Lei nº 9.394/96. Alguns desses instrumentos
já vêm sendo utilizados no campo da educação há várias décadas e outros
apresentam-se como alternativas para o desempenho do aluno, abrindo-se um leque
de possibilidades. Assim, se inicia um novo processo.
10
A Educação Básica de qualidade é um direito assegurado pela Constituição Federal
e pelo Estatuto da Criança e do Adolescente. Diante das recentes mudanças
ocorridas no Ensino Fundamental e Médio surgiu a necessidade da atualização das
Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Básica, justificando para tanto, que
tais diretrizes se encontravam defasadas e superadas.
São estas diretrizes que estabelecem a base nacional comum, responsável por
orientar a organização, articulação, o desenvolvimento e a avaliação das propostas
pedagógicas de todas as redes de ensino brasileiras.
Na expectativa do Conselho Nacional de Educação, essas diretrizes devem inspirar
às Instituições e Sistemas Educacionais, políticas de gestão e projetos políticospedagógicos voltados para uma educação de qualidade.
Segundo as Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Básica (2013),
direcionadas à todas as áreas de ensino de um modo geral, a avaliação do aluno, a
ser realizada pelo professor, é redimensionadora da ação pedagógica e deve
assumir um caráter processual, formativo e participativo, ser contínua, cumulativa e
diagnóstica.
A avaliação formativa, que ocorre durante todo o processo educacional, deve
proceder a um diagnóstico, às potencialidades do aluno e detectar problemas de
ensino-aprendizagem. A intervenção imediata no sentido de sanar dificuldades que
algum aluno possa apresentar é uma garantia para o seu progresso nos estudos. E
a avaliação contínua pode assumir várias formas, tais como a observação e o
registro das atividades do aluno, sobretudo nos anos iniciais do Ensino
Fundamental, trabalhos individuais organizados ou não em portfólios, trabalhos
coletivos, exercícios em classe e provas, dentre outros.
Essa avaliação constitui, segundo as Diretrizes, um instrumento indispensável ao
professor na promoção do sucesso de seus alunos na escola e pode indicar, ainda,
a
necessidade
de
atendimento
complementar
para
enfrentar
dificuldades
específicas, a ser oferecido no mesmo período de aula, o que requer flexibilidade
dos tempos e espaços para a aprendizagem e flexibilidade nas ações docentes.
11
Para o Ensino Médio as Diretrizes Curriculares da Educação Básica (2013) indicam
que, a avaliação do processo de ensino-aprendizagem, conforme a LDB, pode ser
adotada com vistas à promoção, aceleração de estudos e classificação e deve ser
desenvolvida pela escola refletindo a proposta expressa em seu projeto políticopedagógico. Importante observar que a avaliação do processo de ensinoaprendizagem deve assumir caráter educativo, possibilitando ao aluno analisar o
seu percurso e, ao professor e a escola, identificar dificuldades e potencialidades
individuais e coletivas. Portanto, uma avaliação que estimule a iniciativa dos
estudantes.
É importante ressaltar que o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) deve,
progressivamente, compor o Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB)
assumindo as funções31 de avaliação sistêmica, certificadora e classificatória,
segundo essas diretrizes (BRASIL, art. 21, 2013, p.201).
Os Parâmetros Curriculares Nacionais(1996) são instrumentos úteis no apoio às
discussões pedagógicas na escola, principalmente, na reflexão sobre a prática
educativa. A área de Arte situa-se dentro dos PCNs e deve ser incorporada com
objetivos amplos que atendam às características das aprendizagens, combinando o
fazer artístico ao conhecimento e à reflexão em Arte. Esses objetivos devem
assegurar a aprendizagem do aluno nos planos perceptivo, imaginativo e produtivo.
Para isso o professor deve saber o que é relevante o aluno praticar e saber nessa
área.
A avaliação precisa ser realizada com base nos conteúdos, objetivos e orientação do
projeto educativo em Arte.
De acordo com os PCNs, cabe à escola promover situações de autoavaliação a fim
de que o aluno reflita sobre o seu papel de estudante. Uma autoavaliação orientada
dentro de um roteiro flexível onde ele possa expressar suas ideias, comparar,
observar, conhecer semelhanças e diferenças entre seus pares.
31
Funções cujos objetivos são; subsidiar as políticas públicas para a Educação Básica; aferir os conhecimentos
tácitos e contribuir para o acesso à Educação Superior.
12
Ao analisar a Resolução do Conselho Estadual de Educação nº 2.197 (MG/SEE,
2012, p. 66), que dispõe sobre a organização e o funcionamento do ensino nas
Escolas Estaduais de Educação Básica de Minas Gerais, percebe-se que no Título V
sobre a avaliação no processo de ensino-aprendizagem, o texto se assemelha, em
alguns artigos, com as Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Básica (2013),
também direcionado à todas as áreas de ensino de um modo geral.
De acordo com essa resolução, a escola deve oferecer ao aluno
diferentes
oportunidades de aprendizagem definidas em seu Plano de Intervenção Pedagógica
– PIP32, durante todo o ano letivo, levando-se em conta o seu desempenho global,
seu envolvimento no processo de aprender e não apenas a avaliação de cada
professor em seu componente curricular de forma isolada, considerando os
princípios da continuidade da aprendizagem do aluno e a interdisciplinaridade.
Para os alunos que não dominaram os conhecimentos básicos, a escola deve
oferecer estudos contínuos, periódicos e independentes de recuperação como
condições para que possam ser vencidas as dificuldades ainda existentes.
No que diz respeito à Arte, como componente curricular, o objetivo educacional
coloca ênfase nos domínios afetivo e psicomotor; deve ser avaliada para que se
verifique em que nível as habilidades previstas foram consolidadas, sendo que a
nota ou conceito, se forem atribuídos, não poderão influir na definição dos resultados
finais do aluno.
Ao analisar a proposta dos Conteúdos Básicos Comuns (CBC) para os anos finais
do Ensino Fundamental e para o Ensino Médio percebe-se que se constitui de um
passo importante no sentido de tornar a rede estadual de ensino de Minas num
sistema de alto desempenho.
Os CBCs apresentam uma avaliação direcionada à disciplina Arte. Segundo
Pimentel et al (2010) este currículo envolve uma metodologia formativa, visando à
32
Plano elaborado conjuntamente pelos professores dos Componentes Curriculares com a finalidade de
proporcionar a superação das defasagens e dificuldades dos alunos em temas e tópicos, identificados pelo
professor e discutidos no Conselho de Classe.
13
construção de conhecimentos durante todo o processo pedagógico e abrangendo as
diversas áreas: a factual (fatos aprendidos), a conceitual (conceitos construídos), a
comportamental ( transformação do comportamento) e a atitudinal ( mudanças de
atitudes) de maneira integrada. Pretende-se, assim, obter não só dados
quantitativos, mas principalmente qualitativos, de forma a poder, constantemente,
reformular e ressignificar tanto conteúdos quanto ações.
As estratégias de avaliação em Arte, aqui oferecidas, são as mais variadas e
deverão ser selecionadas pelo professor, dependendo de sua disponibilidade e da
infraestrutura física que a escola oferece.
Renoir – Meninas ao Piano, 1892
14
3 ARTES VISUAIS E AVALIAÇÃO: CONCEITOS
As Artes Visuais expressam, comunicam e atribuem sentido a sensações,
sentimentos, pensamentos e realidade por meio da organização de linhas, formas,
pontos, tanto bidimensional como tridimensional, além de volume, espaço, cor e luz
na pintura, no desenho, na escultura, na gravura, na arquitetura, nos brinquedos,
bordados, entalhes, etc. O movimento, o equilíbrio, o ritmo, a harmonia, o contraste,
a continuidade, a proximidade e a semelhança são atributos da criação artística. A
integração entre os aspectos sensíveis, afetivos, intuitivos, estéticos e cognitivos,
assim como a promoção de interação e comunicação social, conferem caráter
significativo às Artes Visuais.
As Artes Visuais estão presentes no cotidiano da vida infantil. Ao rabiscar e
desenhar no chão, na areia e nos muros, ao utilizar materiais encontrados ao acaso
(gravetos, pedras, carvão), ao pintar os objetos e até mesmo seu próprio corpo, a
criança pode utilizar-se das Artes Visuais para expressar experiências sensíveis.
As Artes Visuais são linguagens e portanto uma das formas importantes de
expressão e comunicação humanas, o que por si só justifica sua presença no
contexto da educação.
Segundo os PCNs de Arte (1998):
As Artes Visuais, além das formas tradicionais – desenho, pintura,
escultura, gravura, arquitetura, objetos, cerâmica, cestaria, entalhe -,
inserem outras modalidades resultantes dos avanços das novas
tecnologias e transformações estéticas do século XX: fotografia,
moda, artes gráficas, cinema, televisão, vídeo, computação,
performance, holografia, desenho industrial, arte em computador.
Cada uma, tem a sua particularidade e é utilizada em várias
possibilidades de combinações entre elas; os alunos podem
comunicar-se entre si e com outras pessoas e expressar-se de
diferentes maneiras. Na contemporaneidade as linguagens visuais
ampliam-se, criando novas combinações e modalidades: A
multimídia, a performance, o videoclipe, e o museu virtual são alguns
exemplos em que a imagem integra-se ao texto, som e espaço
(BRASIL, 1998, p. 63).
A avaliação da aprendizagem em Arte não deve se limitar a um escore de
rendimentos ou a impressão do rótulo do talento, também não pode se restringir ao
15
instrumental do qual se vale para, apenas, levantar informações referentes à
aprendizagem. A avaliação do processo ensino-aprendizagem em Arte não se
resume a diagnóstico, apesar de também compreendê-lo – porque apenas
diagnosticar o que não dá certo e não procurar alterar essa realidade é um exercitar
em vão.
Avaliar, conforme registra os PCNs de Arte, é uma ação pedagógica das atividades
dos alunos, que o professor realiza através de uma atribuição de valor apurada e
responsável. Considera-se na avaliação o modo de ensinar os conteúdos nas
diversas situações de aprendizagem. É necessário saber como esses conteúdos são
assimilados pelo aluno, o que é adequado para cada nível escolar e o que é
relevante para o aluno saber e praticar nessa área.
O conceito mais comum de avaliação estipulado por Luckesi (2009, p. 9) lembra
que, “a avaliação é um juízo de qualidade sobre dados relevantes da realidade,
tendo em vista uma tomada de decisão”. “Não se dá nem se dará num vazio
conceitual, mas sim, dimensionada por um modelo teórico de mundo e”,
consequentemente,
“de
educação”, que
possa
ser
“traduzido
em
prática
pedagógica”. Luckesi compartilha a afirmação de Perrenoud (1999, p.13) de que
“Não se avalia por avaliar, mas para fundamentar uma decisão”.
Para Luckesi (2009), o objetivo da avaliação é diagnosticar experiências, é propiciar
decisões, é diagnosticar a aprendizagem que está ocorrendo e os elementos que
estão confluindo para esta aprendizagem, é tomar decisões que auxiliem este
processo de melhoria da aprendizagem na perspectiva de produzir resultados mais
satisfatórios.
De fato a avaliação pressupõe um juízo de qualidade e uma marca de subjetividade
do avaliador, que devem ser objetivados em critérios e resultados. Ela conduz a uma
tomada de decisão quando se trata de um processo de aprendizagem e essa
tomada de decisão é o componente da avaliação que coloca mais poder na mão do
professor. Ao longo do tempo vão-se percebendo as dificuldades e os avanços de
cada aluno.
16
A avaliação no processo de ensino-aprendizagem de Arte precisa ser realizada com
base nos conteúdos, objetivos e orientação do projeto educativo na área e tem três
momentos para sua concretização, de acordo com os PCNs de Arte (1998):
A avaliação pode diagnosticar o nível de conhecimento artístico e
estético dos alunos, nesse caso costuma ser prévia a uma atividade;
a avaliação pode ser realizada durante a própria situação de
aprendizagem, quando o professor identifica como o aluno interage
com os conteúdos e transforma seus conhecimentos; a avaliação
pode ser realizada ao término de um conjunto de atividades que
compõem uma unidade didática para analisar como a aprendizagem
ocorreu (BRASIL,1998,p.56).
Como princípio geral, as ações de avaliação não se destinam a punir ou a
classificar, mas sim a promover; servem para averiguar resultados obtidos, não para
recompensar ou para castigar e sim para ajudar o aluno e o próprio professor a
estabelecer metas adequadas e a descobrir métodos eficientes, destinados a
alcançar estas metas. Mediante a descoberta e apreciação dos fatos, são
encontrados problemas que devem ser prevenidos ou solucionados, os pontos
fracos que devem ser vencidos e as causas que devem ser superadas; coisas que
devem ser colocadas em seu nível normal.
A autoavaliação dos alunos pode caminhar paralelamente à avaliação realizada
pelos docentes.
Renoir – Rosa e Azul, 1881
17
4 ARTES VISUAIS: OBJETIVOS GERAIS
Os objetivos definem as intenções educativas, o motivo pelo qual educar; orientam a
seleção de um conjunto variado de conteúdos.
O aluno poderá desenvolver seu conhecimento e competência estética e artística na
área de Arte, produzindo trabalhos pessoais e grupais a fim de desfrutar, valorizar e
emitir juízo sobre os bens artísticos de distintos povos e culturas produzidos ao
longo da história e na contemporaneidade.
Nesse sentido, os objetivos gerais das Artes Visuais, apresentados nos PCNs de
Arte (1998), organizam-se na perspectiva de que alunos do Ensino Fundamental e
Médio sejam capazes de:

Expressar, representar ideias, emoções, sensações por meio da articulação
de poéticas pessoais, desenvolvendo trabalhos individuais e grupais;

construir, expressar e comunicar-se em artes plásticas e visuais articulando a
percepção, a imaginação, a memória, a sensibilidade e a reflexão,
observando o próprio percurso de criação e suas conexões com o de outros;

interagir com variedade de materiais naturais e fabricados, multimeios
(computador, vídeo, holografia, cinema, fotografia), percebendo, analisando e
produzindo trabalhos de Arte;

reconhecer, diferenciar e saber utilizar com propriedade diversas técnicas de
Arte, com procedimentos de pesquisa, experimentação e comunicação
próprios;

desenvolver uma relação de autoconfiança com a produção artística pessoal,
relacionando a própria produção com a de outros, valorizando e respeitando a
diversidade estética, artística e de gênero;

identificar a diversidade e interrelações de elementos da linguagem visual que
se encontram em múltiplas realidades (vitrines, cenário, roupas, adereços,
objetos domésticos, movimentos corporais, meios de comunicação), perceber
e analisá-los criticamente;
18

conhecer, relacionar, apreciar objetos, imagens, concepções
artísticas e
estéticas — na sua dimensão material e de significação —, criados por
produtores de distintos grupos étnicos em diferentes tempos e espaços físicos
e virtuais, observando a conexão entre essas produções e a experiência
artística pessoal e cultural do aluno;

frequentar e saber utilizar as fontes de documentação de Arte, valorizando os
modos de preservação, conservação e restauração dos acervos das imagens
e objetos presentes em variados meios culturais, físicos e virtuais, museus,
praças, galerias, ateliês de artistas, centros de cultura, oficinas populares,
feiras, mercados;

compreender, analisar e observar as relações entre as Artes Visuais com
outras modalidades artísticas e também com outras áreas de conhecimento
humano
(Educação
Física,
Matemática,
Ciências,
Filosofia
etc.),
estabelecendo as conexões entre elas e sabendo utilizar tais áreas nos
trabalhos individuais e coletivos;

conhecer e situar profissões e os profissionais de Artes Visuais, observando o
momento presente, as transformações históricas já ocorridas, e pensar sobre
o cenário profissional do futuro.
Segundo opinião de Gardner (2010) a missão de professores e alunos é empenharse numa reflexão regular e apropriada acerca dos objetivos das Artes Visuais, das
várias maneiras de atingi-los, de seu sucesso (ou falta do sucesso) na realização
desses objetivos, e das implicações da avaliação na reconsideração dos objetivos e
dos procedimentos.
Renoir – Rosa e Azul – detalhe, 1881
19
5 CONTEÚDOS DE ARTES VISUAIS
Os PCNs de Arte enfatizam o processo de ensino-aprendizagem de conteúdos que
colaboram para que o aluno adquira um conhecimento com o qual saiba situar a
produção de Arte.
Os conteúdos da área de Arte estão organizados de tal maneira que possam
atender aprendizagens cada vez mais complexas no domínio do conhecimento
artístico e estético, seja no exercício do próprio processo criador, pelo fazer, seja no
contato com obras de Arte e com outras manifestações presentes nas culturas ou na
natureza. O estudo, a análise e a apreciação da Arte podem contribuir tanto para o
processo pessoal de criação dos alunos como também para sua experiência estética
e conhecimento do significado que ela desempenha nas culturas humanas.
O conjunto de conteúdos está articulado dentro do processo de ensinoaprendizagem e explicitado por intermédio de ações em três eixos norteadores:
produzir, apreciar e contextualizar.
Tendo em conta esses três eixos, acredita-se que para selecionar e organizar os
conteúdos gerais de Artes Visuais é preciso considerar os seguintes critérios:

conteúdos que favoreçam a compreensão da Arte como cultura, do artista
como ser social e dos alunos como produtores e apreciadores;

conteúdos que valorizem as manifestações artísticas de povos e culturas de
diferentes épocas e locais, incluindo a contemporaneidade e a Arte brasileira;

conteúdos que possibilitem que os três eixos da aprendizagem possam ser
realizados com grau crescente de elaboração e aprofundamento.
Os conteúdos de Arte estão organizados de maneira que possam ser trabalhados ao
longo do ensino Fundamental e Médio e seguem os critérios para seleção e
ordenação propostos nos PCNs de Arte.
Assim, os conteúdos de Artes Visuais são:
Produção do aluno em Artes Visuais
20

A produção artística visual em espaços diversos por meio de: desenho,
pintura, colagem, gravura, construção, escultura, instalação, fotografia,
cinema, vídeo, meios eletrônicos, design, artes gráficas e outros.

Observação, análise, utilização dos elementos da linguagem visual e suas
articulações nas imagens produzidas.

Representação e comunicação das formas visuais, concretizando as próprias
intenções e aprimorando o domínio dessas ações.

Conhecimento
e
utilização
dos
materiais,
suportes,
instrumentos,
procedimentos e técnicas nos trabalhos pessoais, explorando e pesquisando
suas qualidades expressivas e construtivas.

Experimentação, investigação, utilização e capacidade de escolha de
suportes, técnicas e materiais diversos, convencionais e não-convencionais,
naturais e manufaturados, para realizar trabalhos individuais e de grupo.
Apreciação significativa em Artes Visuais

Contato sensível e análise de formas visuais presentes nos próprios
trabalhos, nos dos colegas, na natureza e nas diversas culturas, percebendo
elementos comuns e específicos de sistemas formais (natureza e cultura).

Observação da presença e transformação dos elementos básicos da
linguagem visual, em suas articulações nas imagens produzidas, na dos
colegas e nas apresentadas em diferentes culturas e épocas.

Identificação, observação e análise das diferentes técnicas e procedimentos
artísticos presentes nos próprios trabalhos, nos dos colegas e em diversas
culturas.

Percepção e análise de produções visuais (originais e reproduções) e
conhecimento sobre diversas concepções estéticas presentes nas culturas
(regional, nacional e internacional).

Reconhecimento da variedade de significados expressivos comunicativos e
de valor simbólico nas formas visuais e suas conexões temporais, geográficas
e culturais.

Conhecimento e competência de leitura das formas visuais em diversos meios
de comunicação da imagem: fotografia, cartaz, televisão, vídeo, histórias em
21
quadrinhos, telas de computador, publicações, publicidade, design, desenho
animado, etc.

Discussão, reflexão e comunicação sobre o trabalho de apreciação das
imagens por meio de fala, escrita ou registros (gráfico, sonoro, dramático,
videográfico, etc.) mobilizando a troca de informações com os colegas e
outros jovens.

Descoberta, observação e análise crítica de elementos e formas visuais na
configuração do meio ambiente construído.

Reconhecimento da diversidade de sentidos existentes nas imagens
produzidas por artistas ou veiculadas nas mídias e suas influências na vida
pessoal e social.

Identificação de múltiplos sentidos na apreciação de imagens.
As Artes Visuais como produção cultural e histórica

Observação, pesquisa e conhecimento de diferentes obras de Artes Visuais,
produtores e movimentos artísticos de diversas culturas (regional, nacional e
internacional) e em diferentes tempos da história.

Compreensão sobre o valor das Artes Visuais na vida dos indivíduos e suas
possíveis articulações com a ética que permeia as relações de trabalho na
sociedade contemporânea.

Reflexão sobre a ação social que os produtores de Arte concretizam em
diferentes épocas e culturas, situando conexões entre vida, obra e contexto.

Conhecimento e investigação sobre a Arte do entorno próximo e distante a
partir das obras, fontes vivas, textos e outras formas de registro
(apresentadas material e/ou virtualmente).

Conhecimento,
valorização
de
diversos
sistemas
de
documentação,
catalogação, preservação e divulgação de bens culturais presentes no
entorno próximo e distante.

Utilização autônoma e frequência às fontes de informação e comunicação
artística presentes em diversas culturas por meio de processos dialógicos
diretos ou virtuais (museus, mostras, exposições, galerias, feiras, mercados,
páginas e sítios informáticos).
22

Elaboração de formas pessoais de registro para assimilação, sistematização e
comunicação das experiências com formas visuais, e fontes de informação
das diferentes culturas.

Reflexão sobre as Artes Visuais e a cultura brasileira em sua diversidade e
presença na comunidade e no cotidiano dos alunos.

Reconhecimento da presença de qualidades técnicas, históricas, estéticas,
filosóficas, éticas, culturais nas produções visuais, sabendo observá-las como
fonte de pesquisa e reconhecendo-as como veículo de compreensão
diferenciada do ser humano e suas culturas.

Conhecimento crítico de diferentes interpretações de Artes Visuais e da
cultura brasileira, produzidas por brasileiros e estrangeiros no país.
Cabe ao professor de Arte, ao ensinar conceitos e princípios, criar múltiplas
oportunidades de interação dos estudantes com esses conteúdos, variando as
formas de apresentá-los, utilizando meios discursivos, narrativas, imagens, meios
elétricos e eletrônicos, textos; enfim, o professor pode recorrer a todos os meios
para informar sobre conceitos e princípios que deseja ensinar, ciente de que é o
aluno quem transforma tais informações em conhecimento por intermédio de
interações sucessivas.
Renoir – Meninas a ler, 1884
23
6 CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO EM ARTES VISUAIS
Para proceder-se à avaliação de forma adequada é preciso seguir alguns critérios.
Sendo assim, os PCNs de Arte oferecem os seguintes critérios:
Criar formas artísticas por meio de poéticas pessoais.
Com este critério pretende-se avaliar se o aluno produz com liberdade e marca
individual em diversos espaços, utilizando-se de técnicas, procedimentos e de
elementos da linguagem visual.
Estabelecer relações com o trabalho de arte produzido por si, por seu grupo e
por outros sem discriminação estética, artística, étnica e de gênero.
Com este critério pretende-se avaliar se o aluno sabe identificar e argumentar
criticamente sobre seu direito à criação, respeitando os direitos, valores e gostos de
outras pessoas da própria cidade e de outras localidades, conhecendo-os e sabendo
interpretá-los.
Identificar os elementos da linguagem visual e suas relações em trabalhos
artísticos e na natureza.
Com este critério, pretende-se avaliar se o aluno conhece, analisa e argumenta de
forma pessoal a respeito das relações que ocorrem a partir das combinações de
alguns elementos do discurso dos próprios trabalhos, nos dos colegas e em objetos
e imagens que podem ser naturais ou fabricados, produzidos em distintas culturas e
diferentes épocas.
Conhecer e apreciar vários trabalhos e objetos de arte por meio das próprias
emoções, reflexões e conhecimentos e reconhecer a existência desse
processo em jovens e adultos de distintas culturas.
Com este critério pretende-se avaliar se o aluno conhece, sabe apreciar e
argumentar sobre vários trabalhos, com senso crítico e fundamentos, observando
24
semelhanças e diferenças entre os modos de interagir e apreciar Arte em diferentes
grupos culturais.
Valorizar a pesquisa e a frequentação junto às fontes de documentação,
preservação, acervo e veiculação da produção artística.
Com este critério pretende-se avaliar se o aluno valoriza a pesquisa, conhece e
observa a importância da documentação, preservação, acervo e veiculação da
própria cultura e das demais em relação aos espaços culturais, ao planejamento
urbano, à arquitetura, como bens artísticos e do patrimônio cultural.
Enfim, para avaliar os trabalhos práticos, é preciso documentá-los, datá-los e
retomá-los de tempos em tempos com os estudantes. Os critérios, nesse caso,
podem ser orientados para a observação dos processos de criação e dos
progressos de cada aluno.
Renoir – A leitora, 1875
25
7 INSTRUMENTOS E METODOLOGIAS DE AVALIAÇÃO EM ARTES VISUAIS
Os instrumentos de avaliação do ensino-aprendizagem são muitos e podem variar
segundo a disciplina, as circunstâncias e os objetivos que se quer alcançar. No
entanto, é preciso esclarecer aos professores que não se deve ficar presos a
instrumentos tradicionais ou contemporâneos, superados ou atuais.Todos eles são
válidos, desde que sejam aplicados de modo dinâmico, propiciando exercício de
reflexão e espírito crítico do aluno.
A avaliação não é livre da marca pessoal dos que dela participam: professores e
alunos. É impossível chegar a critérios e formas de avaliação 100% objetivos.
Entretanto, essa objetividade deve ser buscada pressupondo-se que a educação
escolar em Arte precisa ter suas referências nas práticas sociais, nos trabalhos dos
artistas e na produção reflexiva dos especialistas: críticos, historiadores, filósofos,
arte-educadores e educadores. O trabalho em equipe é referência fundamental para
a avaliação em Arte, sob a ótica de muitas disciplinas e projetos interdisciplinares.
Refletir sobre o sentido que a avaliação da aprendizagem em Arte possui no âmbito
dos modelos pedagógicos é uma das possibilidades, entre tantas que a prática
pedagógica envolve. Sendo assim, seguem algumas sugestões de instrumentos
para avaliar o fazer e ver Arte que só farão sentido se relacionados aos conteúdos
que estão sendo ensinados ou trabalhados:
1. Ações para avaliar o “ver Arte”
2. Ações específicas para avaliar o “fazer Arte”
3. Autoavaliação
4. Avaliação autêntica
5. Avaliação de projetos
6. Avaliação e exposição de resultados plásticos
7. Cartas para artistas ou instituições culturais
8. Conselho de classe
9. Conversas dirigidas sobre obras
10. Debates
26
11. Diário de bordo
12. Discussão dos trabalhos em roda de leitura
13. Entrevistas
14. Escultura: critérios para discussão e avaliação
15. Estudo e registro de casos
16. Exercícios variados
17. Formas lúdicas de avaliar
18. Gravura e pintura: critérios para discussão e avaliação.
19. Novas mídias
20. Observação
21. Painéis
22. Portfólio
23. Processofólio
24. Projeto de fotografia e possibilidades de avaliação
25. Propostas de encaminhamento de trabalhos
26. Provas escritas
27. Provas orais
28. Psicodrama
29. Questionários
30. Registro descritivo e reflexivo
31. Relatório individual
32. Seleção de obras seguindo coordenadas do professor
33. Seminários
34. Testes
35. Textos individuais e coletivos escritos pelos alunos
36. Trabalhos em grupo
37. Trabalhos individuais, parciais e somativos.
A lista de instrumentos avaliativos não se encerra aqui, mas começa a partir daqui.
O sistema de notas continua, as realizações dos alunos continuam a ser registradas
nos boletins tradicionais. Questiona-se: Por que devemos mudar algo que temos
feito por mais de 50 anos? O sistema de notas era usado quando eu estava na
escola.
Se
era
bom
naquela
época,
Mudanças...inovações...esse é o desafio.
por
que
não
é
bom
agora?
27
(Esses instrumentos são encontrados em: Arslan (2006), Barbosa (2005), Gardner
(2010), Hernández ( 2000), Liblik (2005), Sant’Anna (2010), Pimentel et al.(2008),
etc.
Como se processa a avaliação em Artes Visuais no ensino Fundamental e Médio?
Considera-se principalmente a prática, sua metodologia e os caminhos a percorrer.
Para que a avaliação não seja encarada como um momento burocrático, o professor
pode criar diversas dinâmicas. Muitas vezes, com uma estratégia criativa, pode
avaliar como os alunos estão lidando com suas produções, como assimilaram certos
conteúdos.
Eis algumas sugestões de metodologias para se avaliar em Artes Visuais:

Discussão de trabalhos em roda de leitura.
Os alunos podem apresentar os trabalhos em roda. Nesse tipo de avaliação,
o professor deve exigir atenção na observação do trabalho do colega. Após a
exposição do primeiro aluno, pode-se continuar de acordo com algum critério
de diferença ou de semelhança entre os trabalhos. Muitas vezes, por falta de
tempo, nem todos os alunos podem falar em uma mesma roda, mas o
professor pode convidar alguns alunos que espontaneamente nunca se
manifestam. É importante incentivar os alunos a relatar seu processo de
elaboração, perguntando como foi pintar o tema ou executar a proposta e
pedir que outros alunos comentem também.
Os alunos podem tentar adivinhar se a produção se parece mais com a dos
artistas que foram vistos ou se incorporou características de um determinado
estilo estudado. Podem analisar, por exemplo, se, pelo tratamento visual
empregado, ficou clara a ideia que o aluno queria transmitir sobre o assunto
que escolheu, observando as cores utilizadas, a composição, os materiais, o
formato e a dimensão do papel.
Nem sempre as interpretações coincidem com as intenções do autor, porque
o leitor projeta na obra suas ideias e vivências. Em situações de roda de
28
leitura dos trabalhos, feito por alunos ou artistas, é importante que o professor
discuta, além dos aspectos individuais e subjetivos de cada produtor, os
elementos formais estudados em aula. Alguns itens podem ser discutidos
segundo diferentes técnicas e linguagens visuais: escultura, pintura e
desenho, histórias em quadrinho, imagens publicitárias, vídeo, fotografias e
gravura.
Quanto à escultura pode-se discutir: Como é a base da escultura? Combina
com a escultura? Como fazer para que ela se mantenha na posição
desejada? Ela possui espaços vazados, ou está blocada, sem respiro? Ela
sugere peso ou leveza? Como são as perspectivas de visão (lados, costas,
visão superior)? A escultura tem cor? Possui a cor do material? Como é a sua
pintura? Tem forma simplificada ou é cheia de detalhes? Qual a dimensão
desta escultura? Existe transparência? Como é o volume? Qual a relação
entre largura e altura? Suas formas sugerem ordenação ou repetição? Como
se comportam a luz e sombra na sua superfície? O tamanho (dimensão)
parece adequado?
Quanto à gravura pode se discutir: Como está a impressão? Como o material
da matriz foi trabalhado? A imagem combina com a técnica utilizada? Houve
preocupação com a inversão posterior da imagem (se existir)? Como foi feita
a edição (se existir)? Existem repetições de uma mesma matriz em um único
trabalho?
(Aqui podem ser incluídos muitos itens do desenho e da pintura).

Autoavaliação
Fornecer ao aluno um roteiro de autoavaliação, definindo as áreas sobre as
quais ele deve discorrer; listar habilidades e comportamentos e pedir para ele
indicar aquelas que ele se considera apto e aquelas em que ele precisa de
reforço. O aluno deve apresentar os seus trabalhos e colocar pública e
oralmente suas conclusões, para assegurar que domina
assumiu.
as tarefas que
29

Avaliação autêntica
Avaliação autêntica é uma avaliação alternativa com base no desempenho do
aluno, de quem são requeridas soluções para problemas da vida real,
envolvendo decisões similares às feitas por profissionais, como críticos de
Arte, historiadores de Arte ou artistas.
A avaliação autêntica pode acontecer com projetos das oficinas de Arte, com
aprendizagem em áreas como crítica de Arte, história da Arte e estética por
meio de recursos de áudio e vídeo relacionado às aulas, em debates sobre
questões de Arte, de performance, em aulas de avaliação crítica, em
relatórios escritos sobre pesquisas em biblioteca, em visitas a galerias, em
aulas e diários de notas, em ensaios, testes, investigações e em exames
escritos .
Ao conduzir avaliações autênticas, é necessário que sejam desenvolvidos
critérios que utilizem estratégias múltiplas. Uma variedade de tarefas devem
ser empregadas de forma estratégica, propiciando, assim, uma visão
abrangente do progresso alcançado pelo aluno.
Eis os seguintes critérios de seleção para ajudar a validade e a confiabilidade
da avaliação por desempenho, segundo Zimmerman (2004): (1) determinar os
resultados das avaliações; (2) decidir se os itens dos testes usados são
coerentes; (3) julgar se as habilidades de uma área podem ser transferidas
para outra e que generalizações podem ser feitas dos resultados; (4) decidir
se a avaliação tem problemas significativos a serem resolvidos pelos alunos;
(5) considerar se a avaliação requer dos alunos a mais elevada ordem de
habilidades de pensamento para analisar e resolver questões, em vez de
fatos, com resolução de problemas estruturados e descontextualizados; (6)
determinar se a avaliação cobre adequadamente os conteúdos e os assuntos
propostos; (7) estimar se os dados coletados e os processos realizados são
os mais eficientes possíveis.
Algumas recomendações para avaliação autêntica são importantes para que
sua perspectiva se concretize de forma significativa. Nesse sentido seguem-
30
se os seguintes questionamentos: Quais são os papéis dos estudantes e
professores ao planejar a avaliação autêntica? É o professor quem controla
as avaliações? O professor decide e o estudante concorda? A influência dos
professores e alunos tem o mesmo peso na escolha de critérios e na
atribuição de notas da avaliação? Os estudantes controlam suas próprias
avaliações?
As respostas a essas questões dependerão da filosofia educacional do
professor, da instituição, dos requisitos municipais e estaduais para a
avaliação dos progressos e das realizações em Arte feitos pelos estudantes.
Em geral, porém, são professores, individualmente, que realizam a maioria
das avaliações de Arte, por meio de verificação de trabalhos de outras formas
que constroem ou escolhem para avaliar o progresso dos estudantes de Arte,
e por atribuição de notas. É necessário que os professores de Arte aprendam
a construir procedimentos e condutas sistemáticas de observação na
avaliação para ter subsídios ao fornecer informações. É importante, então,
que os pais sejam fontes de evidência de progressos e realizações dos
estudantes. Os pais devem ser envolvidos nos processos de avaliação, afirma
Zimmerman (2004), para que aprendam como e por que as avaliações são
conduzidas e tornem-se colaboradores em suas escolas e comunidades.
A avaliação autêntica engloba, no entanto, demanda de espaços e recursos
para os professores e estudantes Para as avaliações autênticas serem bemsucedidas, professores precisam de tempo extra para planejar, aconselhar-se
com outros, desenvolver materiais, estratégias e ter reuniões com os
estudantes. Também necessitam de espaço extra para guardar os portfólios e
equipamentos, como câmeras de vídeo, etc.

Avaliação de projetos – Arts PROPEL
O objetivo do projeto Arts PROPEL, segundo Gardner (2010) foi o de
desenvolver uma série de instrumentos de avaliação que pudessem
documentar a aprendizagem artística durante o período final do Ensino
Fundamental e no Ensino Médio.
31
Dentro desse objetivo criou-se uma série de exercícios chamados “projetos de
domínio” para cada forma de Arte, apresentando elementos perceptivos,
produtivos e reflexivos. Embora os projetos de domínio se prestem a várias
formas de avaliação, há também os processofólios que são operações mais
desafiadoras e delicadas, e podem ser avaliados em várias dimensões.
O projeto de domínio da “composição” funciona com um elemento tradicional
das Artes Visuais – o arranjo da forma – e procura vincular esse elemento às
experiências produtivas do aluno. O aluno tem a oportunidade de distanciarse e refletir sobre as forças e fraquezas de cada composição, e exatamente
como esses efeitos são completamente atingidos. Este projeto acontece em
três sessões (fazer artístico, discriminações perceptivas e reflexões) e visa
ajudar os alunos a perceberem como os arranjos e interrelacionamentos das
formas afetam a composição e o impacto dos trabalhos artísticos. Os alunos
têm oportunidade de tomar decisões sobre as composições e refletir sobre os
efeitos
de tais decisões em seus trabalhos
e nos trabalhos criados por
mestres artísticos reconhecidos.
No projeto de domínio, chamado “biografia de um trabalho”, os alunos
refletem sobre as mudanças que fizeram, as razões que motivaram essas
mudanças e a relação entre os esboços iniciais e finais. Os esboços e
produto final do aluno, juntamente com suas reflexões, são avaliados em
várias dimensões qualitativas, tais como comprometimento, habilidades
técnicas, imaginação e habilidades avaliativas críticas. Esse trabalho
acontece em três sessões, iniciando com explorações perceptivas de obrasprima.
No processofólio, o aluno inclui não apenas os trabalhos concluídos, mas
também os esboços originais, desenhos provisórios, críticas dele mesmo e
dos outros, trabalhos artísticos de outros que ele admira, ou desgosta e que
têm algo a ver com seu atual projeto. Os processofólios são avaliados de
forma simples como a regularidade dos apontamentos, seu aperfeiçoamento,
etc. ou de forma mais complexa e subjetiva, como a qualidade global dos
produtos finais, de acordo com critérios técnicos e imaginativos.
32
As várias dimensões da avaliação ajudam a esclarecer o potencial único dos
processofólios: a consciência de que o aluno tem de suas potencialidades; a
capacidade de refletir corretamente; a capacidade de aproveitar a auto-crítica
e de fazer uso da crítica dos outros; a sensibilidade em relação aos próprios
marcos desenvolvimentais; a capacidade de utilizar produtivamente as lições
dos projetos de domínio; a capacidade de descobrir e resolver novos
problemas; a capacidade de relacionar projetos atuais com aqueles realizados
em momentos anteriores e com aqueles que a pessoa espera realizar no
futuro; a capacidade de passar facilmente de uma posição ou papel estético
para outro, de forma adequada.
O objetivo não é o de apenas avaliar em várias dimensões potencialmente
independentes, mas também o de encorajar o aluno a desenvolver-se nestas
dimensões. Este sistema de avaliação tem o potencial de alterar o que é
discutido e valorizado na sala de aula.

Portfólio
A utilização do Portfólio é uma modalidade de avaliação retirada do campo da
Arte. É considerado não apenas um procedimento de avaliação, mas o eixo
organizador do trabalho pedagógico, em virtude da importância que passa a
ter durante todo o processo.
É uma técnica inovadora de avaliar o progresso das crianças através de um
conjunto de procedimentos contínuos, é um instrumento de estimulação do
pensamento reflexivo. Essa técnica, pode-se dizer que é uma avaliação
contínua mais autêntica, objetiva e compreensiva, permitindo acompanhar
todos os processos de aprendizagem.
O portfólio tem formatações diversas podendo ser uma pasta, um CD-Rom,
uma bolsa, um álbum, etc, em que o aluno guarda suas produções ao longo
de um determinado período. Dentre essas produções podem estar os
trabalhos teóricos, os trabalhos práticos e outros tipos de registros pessoais,
como os relatórios individuais e as autoavaliações.
33
É preciso entender que esse é um instrumento que possibilita constante
reflexão, sendo que o aluno e o professor poderão visualizar os produtos
tendo em mente os objetivos e os critérios anteriormente acordados,
dialogando com as soluções e os problemas que foram surgindo a partir das
tarefas solicitadas. Tal diálogo proporcionará relembrar todo processo e
programar e planejar as ações futuras. O portfólio deve conter evidências
significativas do desempenho para ser considerado um procedimento válido.
A avaliação por meio deste instrumento é um processo que requer tempo,
determinação, planejamento e fundamentação teórica.
Essas técnicas são flexíveis para adaptação das estratégias de avaliação de
acordo com as necessidades de cada aluno e auxiliam o profissional da
educação a entender o desenvolvimento do aluno e a planejar atividades
educativas com mais eficiência. Pode-se iniciar o uso desse instrumento a
qualquer momento e a ordem dos passos propostos pode ser alterada
segundo a necessidade do professor.
O processo de montagem de um portfólio em dez passos é projetado para
permitir que professores e gestores escolares implementem o uso desse
recurso gradualmente. Pode-se começar com um único e pequeno passo e
complementar o processo dentro de dois ou três anos letivos.
O portfólio permite que cada um prossiga em seu próprio ritmo; mostra como
um professor pode se tornar mais bem capacitado e mais eficiente e
concentrar-se em descobrir como as crianças são diferentes ao invés de
provar que são iguais.
Montagem do portfólio em dez passos:
1 - Estabelecer uma política para o portfólio;
2 - Coletar amostras de trabalhos;
3 - Tirar fotografias;
4 - Conduzir consultas nos diários de aprendizagem;
34
5 - Conduzir entrevistas;
6 - Realizar registros sistemáticos;
7 - Realizar registros de casos;
8 - Preparar relatórios narrativos;
9 - Conduzir reuniões de análise de portfólios em três vias;
10 - Usar portfólios em situações de transição.
Há grandes possibilidades na utilização do portfólio como forma de avaliação desde
que quatro pressupostos sejam pactuados e cumpridos pelos sujeitos envolvidos:
autoavaliação, pré-definição de metas, engajamento do aluno e responsabilidade do
avaliador/professor.
O portfólio é um instrumento riquíssimo que garante a beleza da construção própria,
individual, personalizada. É um momento de duplo prazer no processo educacional:
como autor e produtor de sua vivência e ao mesmo tempo leitor de sua obra, de sua
prática, de sua atuação pedagógica, o aluno é o autor e leitor de si mesmo.
Renoir – Meninas a ler, 1884
35
8 CONCLUSÃO
Esse guia de metodologias é o resultado de estudos desenvolvidos no mestrado
profissional em GSEDL do Centro Universitário UNA, tendo como referência a
pesquisa bibliográfica, documental e de campo. Vem trazer subsídios para os
professores de Arte comprometidos com um ensino de qualidade. As contribuições
teóricas recentes enfatizam o entendimento da avaliação no processo ensinoaprendizagem como atividade teórico-prática que possibilita a inserção do professor
e o aluno nos conhecimentos necessários à ação transformadora da realidade
existente. Assim sendo, as novas orientações consideram que os alunos não
estudam simplesmente para serem aprovados em testes e exames. Os resultados
das avaliações devem expressar suas conquistas e esforços, a persistência,
a
dedicação à aprendizagem e a postura criadora. A avaliação hoje, é uma maneira de
informar os estudantes e professores sobre o desenvolvimento da aprendizagem
para que possam ajustar seus processos. Assim, percebe-se que a avaliação não
serve apenas para medir o que foi, mas para orientar o que será construído.
Obra de Renoir
36
REFERÊNCIAS
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BARBOSA, A. M. (org.). Arte / Educação Contemporânea: consonâncias
internacionais. São Paulo: Cortez, 2005.
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Integral. Brasília: MEC, SEB, DICEI, 2013.
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dezembro de 1996. Diário Oficial da União, Brasília, 1996.
BRASIL. Secretaria da Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais.
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LIBLIK, A. M. P. Avaliação Educacional, Cinfop. Curitiba:UFPR, 2005.
LUCKESI, C. C. Avaliação da Aprendizagem Escolar. 20ª edição. São Paulo: Cortez,
2009.
PERRENOUD, P. Avaliação: Da excelência à regulação das aprendizagens – entre
duas lógicas. Tradução de Patrícia Chittoni Ramos. Porto Alegre: Artmed, 1999.
PIMENTEL, L.G. et al. Conteúdos Básicos Comuns. Belo Horizonte, SEE/MG, 2010.
SANT’ANNA, I. M. Por que avaliar? : Como avaliar? : critérios e instrumentos.
Petrópolis, Vozes, 2010.
SAVIANI, D. A nova lei da educação LDB trajetória, limites e perspectivas.
Campinas, SP: Autores Associados, 2006.
SEE – Secretaria de Estado da Educação, MG. Resolução CNE / SEE nº 2.197 de
26 de outubro de 2012.
SHORES, E.; GRACE, C. Manual de Portfólio: um guia passo a passo para o
professor. Porto alegre: Artmed Editora, 2001.
ZIMMERMAN, E. Avaliação autêntica de estudantes de Arte no contexto de sua
comunidade. In: BARBOSA, A.M. (org.). Arte/educação contemporânea:
Consonâncias
Internacionais.
São
Paulo:
Cortez,
2005.
APÊNDICE B – ROTEIRO DE ENTREVISTAS
CENTRO UNIVERSITÁRIO UNA
DIRETORIA DE PESQUISA, EXTENSÃO E FORMAÇÃO
CONTINUADA
MESTRADO PROFISSIONAL EM GESTÃO SOCIAL, EDUCAÇÃO E
DESENVOLVIMENTO LOCAL
INSTRUMENTOS DE COLETA DE DADOS
Roteiro de entrevista semiestruturada para Diretores
1. Qual é o conceito de avaliação do processo ensino-aprendizagem para você?
2. Como é, na prática, o processo de avaliação nessa escola?
3. Quais dificuldades você percebe na avaliação do processo de ensinoaprendizagem por parte de alunos, professores e pais?
4. Como as aulas de Arte acontecem no cenário dessa escola?
5. Qual a importância que você vê na avaliação em Artes Visuais?
6. Como ocorre a avaliação especificamente em Artes Visuais?
7. Explicite o envolvimento dos alunos com a disciplina Arte.
CENTRO UNIVERSITÁRIO UNA
DIRETORIA DE PESQUISA, EXTENSÃO E FORMAÇÃO
CONTINUADA
MESTRADO PROFISSIONAL EM GESTÃO SOCIAL, EDUCAÇÃO E
DESENVOLVIMENTO LOCAL
Roteiro de entrevista semiestruturada para Coordenadores e Supervisores
1. Qual seria o “locus” da avaliação nas ações pedagógicas no que se refere ao
cotidiano escolar das aulas de Arte?
2. Como se procede as atividades de avaliação do educando em diferentes
situações educativas no ensino da Arte, no âmbito do Ensino Fundamental e
Médio?
3. Como você acha que deveria acontecer?
4. Qual relevância você dá para a avaliação em Artes Visuais?
5. Quais diretrizes você passa para os professores de Arte em relação à avaliação
nesta disciplina?
6. Que sugestões você teria para o processo de avaliação em Arte?
CENTRO UNIVERSITÁRIO UNA
DIRETORIA DE PESQUISA, EXTENSÃO E FORMAÇÃO
CONTINUADA
MESTRADO PROFISSIONAL EM GESTÃO SOCIAL, EDUCAÇÃO E
DESENVOLVIMENTO LOCAL
Roteiro de entrevista semiestruturada para Professores
1. Qual é o conceito de avaliação para você?
2. Qual tipo de avaliação é mais comum em sua prática?
3. Como você avalia nas aulas de Artes Visuais?
4. O quê avaliar nas atividades de Artes Visuais?
5. Quais são os instrumentos de avaliação que você utiliza no processo de
ensino/aprendizagem nas atividades de Arte?
6. Como você sabe se os alunos aprenderam?
7. Como os alunos sabem se aprenderam?
8. Nas suas aulas, quais são os momentos que você acredita estar avaliando?
9. Quais dificuldades você encontra para avaliar seus alunos?
10. Você utiliza de alguma estratégia diferente da usual para avaliar? Qual ?
.
ANEXOS
ANEXO A – Termo de consentimento livre e esclarecido para
diretor, coordenador, supervisor e professor (TCLE)
CENTRO UNIVERSITÁRIO UNA
DIRETORIA DE PESQUISA, EXTENSÃO E FORMAÇÃO CONTINUADA
MESTRADO PROFISSIONAL EM GESTÃO SOCIAL, EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO LOCAL
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO
Título da Pesquisa: O Processo de Avaliação em Artes Visuais: Perspectivas e Inovações
direcionadas à formação docente
Nome do Pesquisador Principal: Tânia Alves de Sousa Oliveira
Nome do orientador: Professora Dra. Adilene Gonçalves Quaresma
Esclarecimentos sobre a pesquisa:
1. Natureza da Pesquisa: o Sr.(a) ______________________________ está convidado (a) a participar
desta pesquisa que tem como finalidade indicar possibilidades de entender quais são os saberes e
práticas de professores de Arte com relação à avaliação, e como se dão os processos de Avaliação no
ensino de Arte em escolas de Ensino Fundamental e Médio para a construção do processo formativo
na perspectiva da gestão social e desenvolvimento local.
2. Participantes da Pesquisa: Três diretores, dois coordenadores, três supervisoras, cinco
professores de Artes Visuais, perfazendo o total de treze sujeitos da pesquisa.
3. Envolvimento na pesquisa: ao participar deste estudo o Sr (a) permitirá que a pesquisadora
colete dados que ofereçam subsídios para fundamentar a pesquisa. O Sr (a) tem liberdade de se
recusar a participar e ainda se recusar a continuar participando em qualquer fase da pesquisa, sem
qualquer prejuízo para o Sr (a). Sempre que quiser, pode pedir mais informações sobre a pesquisa
através do telefone da pesquisadora do projeto e, se necessário, através do telefone do Comitê de
Ética em Pesquisa.
4. Sobre as entrevistas: as entrevistas serão realizadas em dias e horários a combinar, atendendo os
interesses do entrevistado, ou seja, sua disponibilidade e comodidade e acontecerão separadamente
utilizando-se de uma metodologia interativa e qualitativa.
5. Riscos e desconfortos: a participação nesta pesquisa não traz complicações legais. Os
procedimentos adotados nesta pesquisa obedecem aos Critérios da Ética em Pesquisa com Seres
Humanos conforme Resolução nº 196/96 do Conselho Nacional de Saúde. Nenhum dos
procedimentos usados oferece riscos à sua dignidade. Pode haver certo constrangimento/
desconforto diante de alguma pergunta. Nesse caso é de livre escolha do entrevistado responder ou
não a pergunta podendo inclusive cancelar sua participação na pesquisa no decorrer da entrevista.
6. Confidencialidade: todas as informações coletadas neste estudo são estritamente confidenciais.
Somente a pesquisadora e a orientadora terão conhecimento dos dados.
7. Benefícios: ao participar desta pesquisa o Sr (a) não terá nenhum benefício direto. Entretanto,
esperamos que este estudo traga contribuições importantes para a construção de conhecimentos
acadêmicos a respeito da temática em questão, quanto para subsidiar as práticas de avaliação de
futuros professores de Artes das escolas de Ensino Fundamental e Médio na perspectiva da gestão
social com vistas ao desenvolvimento local. O pesquisador se comprometerá a divulgar os dados
obtidos.
8. Pagamento: o Sr (a) não terá nenhum tipo de despesa para participar desta pesquisa, bem como
nada será pago por sua participação.
Após estes esclarecimentos, solicitamos o seu consentimento de forma livre para
participar desta pesquisa. Portanto preencha, por favor, os itens que se seguem.
Obs: Não assine esse termo se ainda tiver dúvida a respeito.
CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO
Tendo em vista os itens acima apresentados, eu _________________________________________,
de forma livre e esclarecida, manifesto meu consentimento em participar da pesquisa. Declaro que
recebi cópia deste termo de consentimento, e autorizo a realização da pesquisa e a divulgação dos
dados obtidos neste estudo.
___________________________________________
Participante da Pesquisa
___________________________________________
Pesquisador
____________________________________________
Orientador
Pesquisador Principal: Tânia Alves de Sousa Oliveira – Tel.: (31) 9972-0637 e-mail:
tasoliveirabh@yahoo.com.br Orientadora: Dra.Adilene Gonçalves Quaresma–Tel.:(31) 9653-7242
e-mail: adilenequaresma@gmail.com Comitê de Ética em Pesquisa: Rua Guajajaras, 175, 4ºandar
– Belo Horizonte/MG – Tel.: (31) 3508- 9136 / 3508- 9108
Contato: cephumanos@una.br
ANEXO B – Autorização para coleta de dados
CENTRO UNIVERSITÁRIO UNA
DIRETORIA DE PESQUISA, EXTENSÃO E FORMAÇÃO CONTINUADA
MESTRADO PROFISSIONAL EM GESTÃO SOCIAL, EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO LOCAL
AUTORIZAÇÃO PARA COLETA DE DADOS
Eu, ( nome do diretor), ocupante do cargo (função) da (nome da escola) autorizo a coleta de
dados do projeto: O Processo de Avaliação em Artes Visuais: Perspectivas e Inovações
direcionadas à formação docente, realizado pela pesquisadora Tânia Alves de Sousa
Oliveira sob a orientação da Professora Dra. Adilene Gonçalves Quaresma para fins de
pesquisa do mestrado em Gestão Social, Educação e Desenvolvimento Local, nas instalações
físicas do ( nome da Instituição) após a aprovação do referido projeto pelo CEP do Centro
Universitário UNA.
BH, ___ de_________ de_____
____________________________________________
Diretor
Obs: Inserir nome completo e cargo do responsável da Instituição, inserir nome da Instituição e
colocar o carimbo do responsável e da Instituição.
ANEXO C – Termo de autorização de uso de imagem e depoimentos
CENTRO UNIVERSITÁRIO UNA
DIRETORIA DE PESQUISA, EXTENSÃO E FORMAÇÃO CONTINUADA
MESTRADO PROFISSIONAL EM GESTÃO SOCIAL, EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO LOCAL
TERMO DE AUTORIZAÇÃO DE USO DE IMAGEM E DEPOIMENTOS
Eu ____________________________, CPF ____________, RG_______________,
depois de conhecer e entender os objetivos, procedimentos metodológicos, riscos e benefícios da
pesquisa, bem como de estar ciente da necessidade do uso de minha imagem e/ou depoimento,
especificados no Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), AUTORIZO, através do
presente termo, à pesquisadora Tânia Alves de Sousa Oliveira do projeto de pesquisa intitulado
“O Processo de Avaliação em Artes Visuais: Perspectivas e Inovações direcionadas à
formação docente” a realizar as fotos e/ou vídeos que se façam necessários e/ou a colher meu
depoimento sem quaisquer ônus financeiros a nenhuma das partes.
Ao mesmo tempo, libero a utilização destas fotos e/ou vídeos (seus respectivos negativos ou
cópias) e/ou depoimentos para fins científicos e de estudos (livros, artigos, slides e
transparências), em favor do pesquisador da pesquisa, acima especificado, obedecendo ao que está
previsto nas Leis que resguardam os direitos das crianças e adolescentes (Estatuto da Criança e do
Adolescente – ECA, Lei N.º 8.069/ 1990), dos idosos (Estatuto do Idoso, Lei N.° 10.741/2003) e
das pessoas com deficiência (Decreto Nº 3.298/1999, alterado pelo Decreto Nº 5.296/2004).
Belo Horizonte, __ de ______ de ______.
_______________________
Participante da pesquisa
______________________________
Pesquisador responsável pelo projeto
ANEXO D - Termo de compromisso de cumprimento da Resolução 196/96
CENTRO UNIVERSITÁRIO UNA
DIRETORIA DE PESQUISA, EXTENSÃO E FORMAÇÃO CONTINUADA
MESTRADO PROFISSIONAL EM GESTÃO SOCIAL, EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO LOCAL
TERMO DE COMPROMISSO DE CUMPRIMENTO DA RESOLUÇÃO 196/96
Nós, Tânia Alves de Sousa Oliveira, pesquisadora, RG. MG-477.358, CPF 752.547.11653 e Dra.Adilene Gonçalves Quaresma, orientadora, RG. M-4.309.445, CPF 666.096.156-91
responsáveis pela pesquisa intitulada “O Processo de Avaliação em Artes Visuais:
Perspectivas e Inovações direcionadas à formação docente” declaramos que:
• Assumimos o compromisso de zelar pela privacidade e pelo sigilo das informações que
serão obtidas e utilizadas para o desenvolvimento da pesquisa;
• Os materiais e as informações obtidas no desenvolvimento deste trabalho serão utilizados
para se atingir o(s) objetivo(s) previsto(s) na pesquisa;
• O material e os dados obtidos ao final da pesquisa serão arquivados sob a nossa
responsabilidade;
• Os resultados da pesquisa serão tornados públicos em periódicos científicos e/ou em
encontros, quer sejam favoráveis ou não, respeitando-se sempre a privacidade e os
direitos individuais dos sujeitos da pesquisa, não havendo qualquer acordo restritivo à
divulgação;
• Assumimos o compromisso de suspender a pesquisa imediatamente ao perceber algum risco
ou dano, consequente à mesma, a qualquer um dos sujeitos participantes, que não tenha
sido previsto no termo de consentimento.
• O CEP do Centro Universitário UNA será comunicado da suspensão ou do encerramento da
pesquisa, por meio de relatório apresentado anualmente ou na ocasião da interrupção da
pesquisa;
• As normas da Resolução 196/96 serão obedecidas em todas as fases da pesquisa.
Belo Horizonte, 15 de Julho de 2012
____________________________________
Tânia Alves de Sousa Oliveira
RG MG 477.358 e CPF 732.547.116-53
___________________________________
Dra.Adilene Gonçalves Quaresma
RG M 4.309.445 e CPF 666.096.156-91
ANEXO E - Parecer Consubstanciado do Comitê de Ética em Pesquisa
Download

o processo de avaliação em artes visuais