INTRODUÇÃO À TEORIA MONETÁRIA
Professor: João Correa
Aluna: Átila Maciel
INTRODUÇÃO
• A economia se defronta com divergências teóricas em todos os
campos. Na questão monetária, as controvérsias estão em torno da
oferta de moeda, das razões da demanda por moeda, da velocidade de
sua circulação, da relação entre a oferta monetária e o nível geral de
preços. A um consenso, que sem a participação da moeda, o
progresso da tecnologia e das trocas estaria seriamente afetado e seria
impossível frente as negociações econômicas necessárias no século
XXI.
• O foco deste trabalho é o estudo sobre a moeda e o seu
comportamento na economia nacional, através dos agentes
econômicos que atuam como intermediários nas instituições
financeiras, que são responsáveis pela eficiente condução do processo
de desenvolvimento e crescimento de um país, bem como os meios
de administração da política monetária pelas instituições do sistema
financeiro.
HISTÓRIA DA MOEDA
• Podemos dividir a evolução da moeda em cinco estágios:
• 1º) Pré-economia monetária ou Escambo: corresponde a poucas
trocas esparsas e esporádicas, em que as trocas são diretas e a
atividade produtiva não está voltada para o mercado;
• 2º) Moeda mercadoria: as trocas são indiretas, Vários bens foram
utilizados como moeda (sal, gado, conchas, etc.);
• 3º) Moeda simbólica: troca realizada pelo uso de moeda cunhada,
em que o soberano garante o valor do metal. Facilita-se a transição
para a monetização de quase todas as relações econômicas;
• 4º) Moeda escritural: com a disseminação do uso da moeda
desenvolve a tendência a depositar-se em instituições especializadasBancos - Surge as notas bancárias (Cheques).
• 5º) Moeda sofisticada: através do avanço tecnológico foi possível
transformar a moeda em outros ativos, é basicamente um conjunto de
registros eletrônicos que representam uma diversidade de ativos.
CONCEITOS E FUNÇÕES DA MOEDA
• No passado, a circulação da moeda era garantida por seu lastro em
ouro, sendo emitida somente se tivesse seu equivalente em ouro
como reserva, permitindo sua plena conversibilidade.
• Com o crescimento das atividades econômicas e a consequente
expansão dos mercados financeiros, tornou-se inviável lastrear* as
emissões de moedas em ouro, criando a moeda sem lastro (moeda
fiduciária**), garantida por seu aspecto legal.
• Com a evolução do sistema financeiro no mundo, o ouro tornou-se
uma alternativa de investimento em mercadoria.
• * Lastro: o ouro que garante a circulação de papel-moeda em um país.
• ** Fiduciária: que depende de confiança ou a revela.
CONCEITOS E FUNÇÕES DA MOEDA
• O conceito abstrato de moeda é claro: moeda é tudo aquilo que é
aceito por todos em troca de bens e serviços aceito não como um
objeto para ser consumido, mas como um objeto que representa um
conteúdo temporário de poder aquisitivo a ser usado para comprar
outros bens e serviços. Milton Friedman (1994, p.28)
• A moeda é um meio de pagamento legalmente utilizado para realizar
transações com bens e serviços. É um instrumento previsto em lei e,
por isso, apresenta curso legal forçado. Ou seja, sua aceitação é
obrigatória. Assaf Neto (2003, p. 34)
• Moeda é um conjunto de ativos financeiros de uma economia que os
agentes utilizam em suas transações. Pinheiro (2009, p. 10)
CONCEITOS E FUNÇÕES DA MOEDA
• A moeda tem um papel fundamental em nossa sociedade, e seu
estudo através da teoria monetária aborda seus impactos na
economia, e abrange um conjunto de instituições e instrumentos que
cumprem funções importantes, tais como:
 a transferência de recursos entre unidades superavitárias e
deficitárias;
 a promoção do desenvolvimento;
 o aumento da liquidez de ativos reais;
 a mudança de características dos ativos financeiros;
 a negociação da propriedade de firmas;
 o ajuste do preço dos ativos de risco;
 o aumento da eficiência produtiva dos recursos reais da economia; e
 a existência de um canal para a condução da política monetária.
CONCEITOS E FUNÇÕES DA MOEDA
• A economia de mercado é inconcebível sem esse conjunto de
instituições e instrumentos, que está em constante transformação.
• As instituições incluem o Banco Central, os bancos comerciais e
múltiplos, as corretoras e outras instituições governamentais
privadas.
• Os instrumentos são divididos em:
a) financeiros – papel-moeda, depósitos á vista, letras de câmbio,
opções, futuros, entre outros;
b) de política econômica – taxa de redesconto, operações de mercado
aberto, alíquota dos depósitos compulsórios dos bancos comerciais,
entre outras.
CONCEITOS E FUNÇÕES DA MOEDA
• Não existe uma definição aceita universalmente sobre moeda, por
isso se delimita a moeda por suas três funções:
a) Instrumento ou Meio ou de troca: responsável pelo intercâmbio
de certos bens e serviços por outros. Se não existisse moeda, as
relações comerciais seriam efetuadas por trocas diretas (escambo),
exigindo a coincidência de desejos de compradores e vendedores
com relação aos itens oferecidos para o negócio;
b) Medida de valor ou unidade de conta: serve como parâmetro
para se apurar o valor monetário da transação de bens e serviços,
permitindo inclusive comparações;
c)
Reserva de valor: usada para poupar o poder de compra da hora
em que a renda é recebida até a hora em que é gasta. Com moeda,
os agentes econômicos adquiriram a capacidade de acumulação de
riquezas, como proteção contra a perda do poder de compra no
futuro.
OS AGREGADOS MONETÁRIOS NO BRASIL
• Para medir a quantidade de moeda de um país, usa-se o conceito de
agregados monetários, e os ativos são qualificados e quantificados
pela sua liquidez.
• Exemplos: depósitos a prazo, bônus do Banco Central, caderneta de
poupança, entre outros.
• Estes apesar de serem considerados moeda em sentido estrito,
apresentam características da moeda em sentido amplo. Assim sendo,
costuma-se chamá-los de quase-moeda, pois podem, sem grandes
problemas, ser transformados em moeda. Ou seja, são ativos de
grande liquidez, que apesar de não serem aceitos normalmente em
troca de bens e serviços, podem, rapidamente, ser convertidos em
moeda.
• No Brasil é o Banco Central o órgão responsável pela elaboração e
divulgação mensal dos agregados monetários.
OS AGREGADOS MONETÁRIOS NO BRASIL
• Ao calcular o total de moeda de um país utilizamos o conceito de
agregados monetários ou meios de pagamento, que podem ou não
incluir as quase-moedas.
• Cada país classifica os seus agregados monetários por ordem de
liquidez. No Brasil, existem 5 agregados monetários calculados
periodicamente pelo Banco Central: M0; M1; M2; M3 e M4.
• M0 = Moeda em poder do público (papel-moeda e moedas
metálicas);
• M1 = M0 + Depósitos à vista nos bancos comerciais;
• M2 = M1 + Depósitos especiais remunerados + Depósitos de
poupança + Títulos emitidos por instituições depositárias;
• M3 = M2 + Quotas de fundos de renda fixa + Operações
compromissadas registradas no Selic (Sistema Especial de
Liquidação e Custódia);
• M4 = M3 + Títulos públicos de alta liquidez (Letras do Tesouro
Nacional, Notas do Banco Central, etc).
OS AGREGADOS MONETÁRIOS NO BRASIL
• Observe que M0 e M1 são meios de pagamento de liquidez imediata
que não rendem juros.
 M0 é também chamado de moeda manual ou moeda corrente, e é o
estoque de moeda metálica e papel-moeda que fica em poder das
pessoas ou das empresas.
 M1 considera o M0 e mais os depósitos em conta corrente nos
bancos comerciais (também chamados de moeda escritural ou
bancária). Até agora vínhamos tratando do M1 como sendo o total
dos meios de pagamento (Oferta de Moeda) em sentido estrito.
 M2, M3 e M4 incluem as quase-moedas, que rendem juros aos
aplicadores. Tratam-se de outras medidas para o total dos meios de
pagamento (Oferta de Moeda) em sentido amplo.
• Os ativos monetários em poder do setor bancário correspondem
aos valores mantidos em caixa mais os valores depositados no Banco
Central. Os depósitos à vista correspondem a ativos monetários
pertencentes ao setor não-bancário da economia.
EVOLUÇÃO DOS AGREGADOS MONETÁRIOS
• A base monetária, avaliada pela média dos saldos diários, atingiu
R$184,3 bilhões em setembro, com aumentos de 2,5% no mês e de 6,5%
em doze meses, permanecendo nos intervalos fixados pela programação
monetária para o terceiro trimestre de 2011, assim como os demais
agregados. O comportamento no mês decorreu da expansão de 3,4% no
saldo médio do papel-moeda emitido e recuo de 0,2% nas reservas
bancárias.
• Os fluxos dos fatores de emissão monetária registraram contrações de
R$9,1 bilhões nas operações do Tesouro Nacional, de R$5,7 bilhões nos
recolhimentos compulsórios compreendidos nos depósitos de instituições
financeiras e de R$2,2 bilhões nos ajustes nas operações com derivativos.
As operações com títulos públicos federais, que incluem a atuação do
Banco Central no ajuste de liquidez do mercado monetário, resultaram
em expansão de R$25,7 bilhões, em função de compras líquidas de R$39
bilhões no mercado secundário e colocações líquidas de R$13,3 bilhões
de títulos do Tesouro Nacional no mercado primário.
EVOLUÇÃO DOS AGREGADOS MONETÁRIOS
• Os meios de pagamento restritos (M1), calculados pelo saldo médio
diário, alcançaram R$253,4 bilhões em setembro, refletindo
crescimento de 1,2% no mês, correspondente a acréscimo de 2,6% no
saldo médio do papel-moeda em poder do público, uma vez que os
depósitos à vista permaneceram estáveis. Em doze meses, o M1
cresceu 2,5%, registrando variações respectivas em seus
componentes de 7,9% e -1,5%.
• Os meios de pagamento no conceito M2, que corresponde ao M1
mais depósitos para investimentos, depósitos de poupança e títulos
privados, apresentaram variação positiva de 2,2% no período,
totalizando R$1,5 trilhão. Após registrar captações líquidas de R$4,2
bilhões, o saldo dos depósitos de poupança atingiu R$408,6 bilhões,
crescimento de 2% em relação a agosto. O saldo dos títulos privados
assinalou variação positiva de 2,2% no período, somando R$865,1
bilhões, apesar de ter registrado resgates líquidos de R$150 milhões
em depósitos a prazo.
EVOLUÇÃO DOS AGREGADOS MONETÁRIOS
• O conceito M3, que compreende o M2, as quotas de fundos de renda
fixa e os títulos públicos que lastreiam as operações compromissadas
entre o público e o setor financeiro, cresceu 1,6% no mês, totalizando
R$2,9 trilhões, reflexo do crescimento de 1,4% observado no saldo
das quotas de fundos de renda fixa, que atingiu R$1,3 trilhão. O M4,
conceito que compreende o M3 e os títulos públicos de detentores
não financeiros, registrou elevação de 1% no mês e 14,6% nos
últimos doze meses, totalizando R$3,4 trilhões.
• * BACEN - NOTA PARA A IMPRENSA - 26.10.2011
EVOLUÇÃO DOS AGREGADOS MONETÁRIOS
SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL
• O principal objetivo do sistema financeiro nacional (SFN), segundo Faria
(2003, p 1), é aproximar tomadores e aplicadores de recursos da maneira
mais segura, objetiva e transparente possível.
• O SFN, segundo Assaf Neto (2003, p.75), pode ser entendido como um
conjunto de instituições financeiras e instrumentos financeiros que
visam, em última análise, transferir recursos dos agentes econômicos
superavitários para os deficitários.
• O sistema financeiro possui uma função econômica e social em função
desse processo de distribuição de recursos no mercado, onde a poupança
disponível será direcionada para os setores produtivos carentes de
recursos.
• O SFN é dividido em dois grandes subsistemas: normativo e de
intermediação.
SUBSISTEMA NORMATIVO
• Segundo Assaf (2003, p. 75), essa subdivisão do sistema financeiro
nacional é constituída por instituições que estabelecem, de alguma
forma, diretrizes de atuação das instituições financeiras operativas e
controle do mercado. Compõem esse subsistema:
 Conselho Monetário Nacional (CMN): é o órgão máximo do
sistema financeiro nacional, com funções deliberativas, cujas normas
são de observância obrigatória por todas as instituições do sistema
financeiro. O CMN tem a responsabilidade de formular a política da
moeda e do crédito, objetivando a estabilidade da moeda e o
desenvolvimento econômico e social do País.
• O Banco Central do Brasil é a secretaria-executiva do CMN e da
Comoc (Comissão Técnica da Moeda e do Crédito). E ao Bacen
compete organizar e assessorar as sessões deliberativas do conselho
monetário, que mensalmente os membros reúnem-se para discutir
assuntos relacionados ás competências do CMN.
SUBSISTEMA NORMATIVO
 Banco Central do Brasil (BACEN): a instituição que tem o papel mais
importante no mercado monetário é o Banco Central, a função clássica
de um banco central, segundo Niyama (2009,p6) é a de controlar a oferta
da moeda e do crédito, desempenhando a função de executor das
políticas monetárias e cambial do país. Em outros países a estrutura
administrativa e jurídica varia amplamente, no entanto, a parte essas
indiferenças institucionais, as funções dos diversos bancos são
praticamente as mesmas:
• Funções do Banco Central do Brasil:
a) banco dos bancos: os bancos comerciais podem querer depositar seus
fundos em algum lugar, e, para tanto, necessitam de um mecanismo
para transferi-los de um banco para outro. O Banco Central cumpre
este papel. Recebe depósitos dos bancos comerciais e transfere fundos
de um banco para outro. A taxa de juros que os bancos comerciais
pagam é conhecida como taxa de redesconto. Dessa forma, o Banco
Central deve zelar pela estabilidade do sistema bancário. Sua função
deve ser a de socorrer os bancos em dificuldade, mas somente nestas
ocasiões. Dessa forma usa o seu poder para controlar e regular as
atividades dos bancos comerciais;
SUBSISTEMA NORMATIVO
b) banco do governo: grande parte dos fundos do governo é
depositado no Banco Central. Ademais, quando o governo
necessita de recursos, normalmente emite títulos (obrigações) e os
vende ao público ou ao Banco Central, obtendo, assim, os fundos
necessários. Mesmo quando o governo vende títulos ao público, ele
o faz por meio do Banco Central. Este é , por estas razões o agente
financeiro do governo. No Brasil, uma parte das funções é
desempenhada pelos bancos públicos, como o Banco do Brasil.
Sendo que o Banco Central não recebe depósitos do governo; quem
o faz são os bancos públicos;
c) executor da política monetária: o Banco Central é responsável
pelo controle da oferta de moeda, por vários instrumentos. As
alterações no volume de moeda têm impactos em muitas variáveis
econômicas importantes, como o nível de emprego, a taxa de
inflação, a taxa de juros, o volume de investimentos, entre outras.
SUBSISTEMA NORMATIVO
 Comissão dos Valores Mobiliários (CVM): o principal objetivo da
CVM é fiscalizar e regulamentar o mercado de títulos e valores de
renda variável.
 Conforme Assaf (2003, p. 80), são funções básicas da CVM:
a) promover medidas incentivadoras á canalização das poupanças ao
mercado acionário;
b) estimular o funcionamento das bolsas de valores e das instituições
operadoras no mercado acionário, em base eficientes e regulares;
c) assegurar a lisura nas operações de compra e venda de valores
mobiliários;
d) dar proteção aos investidores de mercado.
• A CVM tem poderes para disciplinar, normatizar e fiscalizar a
atuação dos diversos integrantes do mercado de valores mobiliários.
SUBSISTEMA NORMATIVO
 Banco do Brasil (BB): é um conglomerado financeiro que se
assemelha a um banco múltiplo. Até 1986 teve uma função típica de
autoridade monetária, a qual foi revogada pelo CMN. No entanto,
ainda preserva algumas características de autoridade financeira,
sendo, inclusive, o principal agente financeiro do governo federal.
• Brito (2005, p6), traça as principais funções do BB:
a) desempenho das funções de órgão auxiliar da política de crédito do
governo federal;
b) realização de pagamentos e suprimentos necessários á execução do
orçamento geral da união;
c) execução dos serviços de compensação de cheques e outros papéis;
d) financiamento das atividades industriais e rurais;
e) captação de depósitos de poupança com direcionamento de
recursos para crédito rural.
SUBSISTEMA NORMATIVO
 Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social
(BNDES): Segundo Assaf (2003, p. 81) é uma empresa pública que
está atualmente vinculada ao Ministério do Planejamento.
• Hoje é o principal instrumento de financiamento de longo prazo para
a realização de investimentos em todos os segmentos da economia,
em uma política que inclui as dimensões social, regional e ambiental
• A atuação do BNDES se dá por meio de financiamentos a projetos de
investimentos, aquisição de equipamentos e exportação de bens e
serviços, atuando também no fortalecimento da estrutura de capital
das empresas privadas e destina financiamentos não reembolsáveis a
projetos que contribuam para o desenvolvimento social, cultural e
tecnológico.
SUBSISTEMA NORMATIVO
 Caixa Econômica Federal (CEF): segundo Assaf (2003, p. 83),
tanto a CEF como as demais caixas econômicas são instituições
financeiras públicas que atuam de forma autônoma e apresentam um
objetivo claramente social. São classificadas como órgãos auxiliares
do governo na execução de sua política. Além disso, executa
atividades de bancos comerciais e múltiplos, como recebimentos de
depósitos á vista e a prazo, caderneta de poupanças e etc.
• Sua principal função social constitui-se como principal agente do
SFH – Sistema Financeiro de Habitação, atuando no financiamento
da casa própria, principalmente no segmento de baixa renda.
• Entre outros objetivos da Caixa Econômica Federal, podemos citar:
 administrar os serviços das loterias federais;
 ser o principal arrecadador do FGTS;
 ter o monopólio das operações de penhor (operações que constituemse em empréstimos garantidos por bens de valor e alta liquidez, como
joias, metais preciosos e etc.)
SUBSISTEMA DE INTERMEDIAÇÃO
• Esse subsistema, segundo Assaf (2003, p. 84), é também denominado
de operativo e composto das instituições (bancárias e não bancárias)
que atuam em operações de intermediação financeira.
• Instituições financeiras bancárias:
• Bancos comerciais: são instituições financeiras constituídas
obrigatoriamente sob a forma de sociedades anônimas, cuja maior
característica é a sua capacidade de criação de moeda, com base nos
depósitos á vista captados no mercado. Os bancos comerciais
executam operações de crédito de curto prazo, atendendo, dessa
maneira, ás necessidades para capital de giro das empresas.
• Bancos múltiplos: surgiu como reflexo da própria evolução dos
bancos comerciais e crescimento do mercado. O perfil dos bancos
múltiplos, cujo projeto prevê sua formação com base nas atividades
de quatro instituições: banco comercial, banco de investimento e
desenvolvimento, sociedade de crédito, financiamento e investimento
e sociedade de crédito. Para que uma instituição seja configurada
como um banco múltiplo, ela deve operar pelo menos duas das
carteiras apresentadas, uma delas necessariamente de banco
comercial ou de banco de investimento.
INTERMEDIÁRIOS BANCÁRIOS
• Dessa forma, os intermediários financeiros podem ser divididos em
bancários (que criam moeda) e não bancários. Os intermediários
bancários mais importantes no Brasil são os bancos comerciais e
múltiplos e as caixas econômicas, embora seja comum referir-se a
todos como bancos.
• As funções essenciais de um banco são intermediação financeira,
transmutação de ativos e câmara de compensação. Essas funções são
realizadas pelos bancos, em razão da especialização e da existência
de economias de escala no volume de transações, no processamento
de informações e na administração de carteiras, bem como por
imposição legal.
• Em suma, toda economia de mercado objetiva, mediante sua estrutura
de intermediação financeira, conciliar os interesses conflitantes de
poupadores e investidores com o interesse de viabilizar seu
crescimento econômico.
INTERMEDIÁRIOS BANCÁRIOS
• Os bancos também realizam operações acessórias, tais como os
serviços de custódia, a administração de carteiras, a corretagem e
assessoria, entre outras:
a) A função de intermediação financeira: refere-se á tarefa de deslocar
recursos de unidades superavitárias para unidades deficitárias, ou seja,
de fazer a ponte entre poupadores e tomadores de recursos;
b) A função de transmutação de ativos: diz respeito á função de
transformar ativos com determinadas características de vencimento,
volume, risco de crédito, risco de preço e liquidez, em outros tipos de
ativos com características diferentes;
c) A função de câmara de compensação: é a função de intermediar
trocas de moeda ou de liquidez na economia.
INTERMEDIÁRIOS NÃO-BANCÁRIOS
• Neste grupo, ao contrário dos bancos comerciais, está as instituições
que não possuem capacidade de emitir papel moeda ou meios de
pagamento. Assim, os intermediários não bancários não captam
recursos por meio de depósitos á vista, e sim por meios que
caracterizam a chamada quase-moeda: depósitos a prazo, certificados
e recibos bancários, letras de câmbio. Inclui ainda outros
intermediários, que desenvolvem mais propriamente funções
auxiliares e que promovem um contato direto entre compradores e
vendedores de ações, que são os derivativos e outros títulos
mobiliários.
• Os intermediários não bancários no Brasil são todas as instituições
financeiras com exceção dos bancos. No Brasil, a reforma bancária
de 1964 segmentou as instituições por área de atuação. Dessa forma,
o mercado financeiro é dividido em segmentos, que, por sua vez,
pode ser dividido em subsegmentos. A segmentação pode ser de
muitas formas, por exemplo:
a) Por produtos, mercado cambial, bursátil (bolsa de valores);
b) Por região: norte, nordeste, e as outras;
c) Por clientes: atacado, varejo, e assim por diante.
INTERMEDIÁRIOS NÃO-BANCÁRIOS
• Os principais intermediários financeiros não bancários brasileiros são:
a) Bancos de investimento: são instituições financeiras destinadas a
canalizar recursos de médio e longo prazos para capital fixo ou de
giro das firmas. Suas fontes de financiamento são a emissão de
Certificados de Depósitos Bancários (CDB) e a captação de recursos
externos;
b) Bancos de desenvolvimento: constituem-se em instituições públicas
de âmbito estatal, que visam promover o desenvolvimento
econômico e social da região onde atuam. Apoiam o setor privado da
economia por meio de operações de empréstimos e financiamentos,
arrendamento mercantil etc.
c) Sociedades de crédito, financiamento e investimento
(financeiras): destinam-se a financiar a aquisição de bens de
consumo duráveis, por meio do crédito direto ao consumidor, e o
capital de giro para pequenas e médias firmas. Suas fontes são as
letras de câmbio e empréstimos;
INTERMEDIÁRIOS NÃO-BANCÁRIOS
d)
Sociedades de crédito imobiliários: têm a finalidade de proporcionar
financiamentos imobiliários diretamente ao mutuário final ou pela
abertura de crédito a favor de empresários, para empreendimentos
imobiliários. Suas fontes de recursos são as letras imobiliárias,
depósitos de poupança, repasses da Caixa Econômica Federal (CEF) e
mais recentemente empréstimos externos.
e) Sociedade de arrendamento mercantil – firmas de leasing:
destinam-se a financiar operações de locação de bens e imóveis.
Compram bens seguindo as instruções de seus clientes e os alugam; ao
final do período de aluguel, os clientes podem comprar o bem de
leasing por um valor irrisório. Suas fontes de financiamento são as
debêntures e empréstimos;
f) Sociedades corretoras e distribuidores: são instituições auxiliares do
sistema financeiro operando com a compra e venda de derivativos e
títulos e valores mobiliários.
• Existem ainda instituições oficiais como o Banco do Brasil, o BNDES e
bancos de desenvolvimento, entre outros, que atuam em todos os
mercados.
SUBSISTEMA DE INTERMEDIAÇÃO
• Instituições auxiliares
• Bolsas de valores: são centros de negociação de valores mobiliários,
como ações e debêntures. No Brasil, temos a BM&F Bovespa S/A –
Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros -, organizada sob a forma de
sociedade por ações (S/A), regulada e fiscalizada pela CVM.
• Sociedades corretoras: são constituídas sob a forma de sociedade
anônima ou por quotas de responsabilidade limitada, sendo,
supervisionada pelo Banco Central do Brasil (Resolução CMN 1.655,
de 1989).
• Instituições não financeiras
• Fomento mercantil: factoring é a prestação de serviços, em base
contínua, conjugada com a aquisição de créditos de empresas,
resultantes de suas vendas mercantis ou de prestação de serviços,
realizadas a prazo. No Brasil, traduzimos a palavra factoring para
fomento mercantil. Sociedades seguradoras: são entidades,
constituídas sob a forma de sociedades anônimas, especializadas em
pactuar contrato, por meio do qual assumem a obrigação de pagar ao
contratante (segurado), uma indenização, no caso que advenha o risco
indicado e temido, estabelecido através de contrato.
AGENTES ECONÔMICOS
• Compreende-se por agente econômico toda pessoa, conjunto de
pessoas, instituição ou conjunto de instituições que, por meio de suas
decisões ou ações, de alguma forma influenciam a economia.
• Os agentes econômicos podem ser divididos em quatro grupos:
 Famílias;
 Empresas;
 Governo e
 Setor externo.
• Esses agentes podem apresentar-se:
 Superavitários: São unidades de gastos com superávit que preferem
gastar menos em consumo ou bens que seus atuais ingressos.
 Deficitários: São unidades de gastos com déficit que preferem gastar
mais em consumo ou bens que seus atuais ingressos.
 Em equilíbrio: Que apresentam uma situação de equilíbrio, ou seja,
não apresentando déficit ou superávit.
AGENTES ECONÔMICOS
• As unidades econômicas superavitárias tendem a investir o excedente
da renda em ativos financeiros.
Excedentes = Remuneração Adicional
POUPADORES
(Recebimento de Juros)
• As unidades econômicas deficitárias podem buscar recursos para
atender suas necessidades de financiamento, arcando com os custos
dessa operação.
Recursos = Custo Adicional
TOMADORES
(Pagamento de Juros)
INTERMEDIAÇÃO FINANCEIRA
• A atividade de captar recursos junto a entidades econômicas
superavitárias e repassá-las ás unidades econômicas deficitárias é
chamada de Mediação. (KAUFMAN. 1973, p 77)
• O intermediário financeiro proporciona o encontro dos recursos
financeiros excedentes dos agentes econômicos superavitários com a
necessidade de financiamento dos agentes econômicos deficitários.
• Todo empreendimento tem momentos em que é deficitário, e outros
em que é superavitário. Isso decorre do seu ciclo de produção,
sazonalidade, maturação de investimentos, estrutura de recebimentos
e pagamentos e riscos naturais e de mercado a que está sujeito.
INTERMEDIAÇÃO FINANCEIRA
• Os responsáveis pelo empreendimento podem usar apenas recursos
próprios e assumir todos os riscos. Nesse caso, seu crescimento fica
estrito á sua capacidade de acumular e de proteger-se dos riscos.
Contudo, podem utilizar recursos de terceiros, bem como transferir
alguns riscos. Isso traz uma série de vantagens. Porém, encontrar
parceiros com características complementares envolve um trabalho
de pesquisa demorado e oneroso, que demanda conhecimentos
econômicos, financeiros, empresariais e legais.
• O setor financeiro é responsável por intermediar recursos entre
unidades deficitárias e superavitárias e transformar e repassar alguns
riscos existentes, ele realiza essa atividade em razão de:
 Sua especialização;
 Economias de escala e
 Vantagens regulamentárias.
• Todas as operações são realizadas com uma variedade de
instrumentos financeiros que apresentam características de risco,
liquidez, rentabilidade e emitente que os diferenciam.
MERCADOS FINANCEIROS
• Pode-se dizer que existem diversos tipos de mercados, agrupados em:
a) mercado de produtos, onde operam bens manufaturados ou
serviços; e
b) mercado de fatores, que correspondem aos fatores de produção.
• Estudaremos uma parte do mercado de fatores, conhecida como
mercado financeiro, que podemos definir como o mecanismo ou
ambiente através do qual se produz um intercâmbio de ativos
financeiros e se determinam seus preços.
• Assim, temos dois tipos de mercados financeiros: com localização
física ou sem localização física.
• Dentro desse contexto, os mercados financeiros devem cumprir as
seguintes funções:
 estabelecer o contato entre os agentes superavitários e deficitários;
 ser um mecanismo eficiente de fixação de preços para os ativos;
 proporcionar liquidez aos ativos; e
 reduzir os prazos e os custos da intermediação.
MERCADOS FINANCEIROS
• Dessa forma a intermediação financeira desenvolve-se de forma
segmentada, com base em quatro subdivisões estabelecidas para o
mercado financeiro:
 Mercado monetário: supre as necessidades do governo de fazer política
monetária e dos agentes e intermediários de caixa. Nesse segmento são
realizadas operações de curto e curtíssimo prazo e sua liquidez é regulada
pelas autoridades monetárias.
 Mercado de crédito: supre as necessidades de crédito de curto e médio
prazos, por exemplo, capital de giro para empresas e consumo para as
tarifas.
 Mercado de capitais: supre as necessidades de financiamento de longo
prazo, por exemplo, investimentos para empresas e aquisição de bens
duráveis para as famílias.
 Mercado cambial: supre as necessidades quanto á realização das
operações de compra e venda de moeda estrangeira (fechamento de
câmbio). Como exemplo destas necessidades, temos as importações
(necessidades de compra de moeda estrangeira) e as exportações
(necessidades de venda de moeda estrangeira) por parte das empresas.
MERCADO MONETÁRIO
• Segundo Assaf (2003,p.107) o mercado monetário encontra-se
estruturado visando ao controle da liquidez monetária da economia.
Os papéis são negociados nesse mercado tendo como parâmetro de
referência a taxa de juros, que se constitui em sua mais importante
moeda de transação. Os papéis que lastreiam as operações do
mercado monetário caracterizam-se pelos reduzidos prazos de resgate
e alta liquidez.
• Neste mercado, são negociados os papéis emitidos pelo:
• Banco Central do Brasil: voltados á execução da política monetária
do governo federal.
• Tesouro Nacional: emitidos com o objetivo de financiar o orçamento
público, além de diversos títulos emitidos pelos Estados e
Municípios.
• No mercado monetário, ainda são negociados os certificados de
depósitos interfinanceiros (CDI), exclusivamente entre instituições
financeiras, e títulos de emissão privada, como o certificado de
depósito bancário (CDB) e debêntures.
SISTEMAS DE CUSTÓDIA
E LIQUIDAÇÃO DE TÍTULOS
• Grande parte dos títulos públicos e privados negociados no mercado
monetário são escriturais, ou seja, não são emitidos fisicamente
exigindo maior organização em sua liquidação e transferência.
• Dessa maneira, todas as negociações referentes a esses valores são
controladas e custodiadas por dois sistemas especiais, denominados
se Selic e Cetip.
• Selic – Sistema especial de liquidação e custódia
• Segundo o Banco Central do Brasil, o Selic é o depositário central
dos títulos emitidos pelo Tesouro Nacional e pelo Central do Brasil e
nessa condição processa, relativamente a esses títulos, a emissão, o
resgate, o pagamento dos juros e a custódia. Sendo que todos os
títulos são escriturais, isto é, emitidos exclusivamente na forma
eletrônica. Esse sistema constitui-se de um grande computador que
tem por finalidade controlar e liquidar financeiramente as operações
de compra e venda de títulos públicos e manter sua custódia física e
escritural.
SISTEMAS DE CUSTÓDIA
E LIQUIDAÇÃO DE TÍTULOS
• Cetip – Central de custódia e de liquidação financeira de títulos
privados
• A Cetip é depositária principalmente de títulos de renda fixa
privados, por exemplo, CDB,CDI, debêntures etc, além de títulos
públicos estaduais e municipais e títulos representativos de dívidas de
responsabilidade do Tesouro Nacional, de que são exemplos os
relacionados com empresas estatais extintas, com o Fundo de
Compensação de Variação Salarial – FCVS e etc.
• Segundo o Banco Central do Brasil, na qualidade de depositária, a
entidade processa a emissão, o resgate e a custódia dos títulos, bem
como, quando é o caso, o pagamento dos juros e demais eventos a
eles relacionados.
• Com poucas exceções, os títulos são emitidos escrituralmente, isto é,
existem apenas sob a forma de registros eletrônicos (os títulos
emitidos em papel são fisicamente custodiados por bancos
autorizados).
POLÍTICAS ECONÔMICAS
• A economia de um pais deve ser gerida de modo eficiente a fim de
atender ás necessidades de bens e serviços da sociedade e atingir
determinados objetivos sociais e macroeconômicos. Por exemplo:
combate á inflação, melhor distribuição da renda, pleno emprego,
crescimento econômico etc.
• Para atingir esses e outros objetivos, o governo atua na economia
através da políticas econômicas, identificadas pela política monetária,
fiscal e cambial.
• Esses instrumentos são mais eficientes quando aplicados em
mercados financeiros mais desenvolvidos. Em mercados menos
desenvolvidos, os efeitos desses instrumentos são limitados, havendo
a necessidade de maior intervenção do governo no mercado, por
meio, principalmente, da fixação das taxas de juros.
POLÍTICA MONETÁRIA
• Segundo Assaf Neto (2003,p.45), a política monetária enfatiza sua
atuação sobre os meios de pagamento, títulos públicos e taxas de
juros, modificando o custo e o nível de oferta do crédito.
• Essa política é executada pelo banco central de cada país, possuindo
poderes e competências próprias para controlar a quantidade de
moeda na economia.
• A política monetária pode ser expansionista ou restritiva.
• Expansionista: utilizada para elevar a liquidez da economia, através
da injeção de maior volume de recursos no mercado, elevando,
consequentemente, os meios de pagamento. Com isso, são
dinamizados o consumo e o investimento agregados com reflexos
positivos sobre a expansão da atividade econômica. Essa situação é
utilizada em momentos de retração do nível da economia.
POLÍTICA MONETÁRIA
• Restritiva: quando as autoridades utilizam a política monetária para
promover reduções dos meios de pagamento da economia, retraindo a
demanda agregada e a atividade econômica. Essas medidas são
tomadas sempre que o crescimento da demanda e dos investimentos
empresariais se situarem acima da capacidade da oferta de moeda da
economia.
• Essa política visa, em essência, restringir a oferta de crédito e levar
seu custo de forma a adequar o consumo e o investimento agregados
á oferta monetária da economia.
• Por meio dos instrumentos da política monetária, as autoridades
monetárias podem fornecer ao sistema econômico uma oferta de
moeda suficiente para o desenvolvimento das atividades econômicas
e manter a liquidez do sistema.
COMITÊ DE POLÍTICA MONETÁRIA (COPOM)
• De acordo com o Banco Central do Brasil, o Copom foi instituído em 20
de junho de 1996, com o objetivo de estabelecer as diretrizes da política
monetária e definir a taxa de juros.
• Formalmente, os objetivos do Copom são “implementar a política
monetária, definir a meta da Taxa Selic e seu eventual viés, e analisar o
‘Relatório de Inflação’’’. A taxa de Juros fixada na reunião do Copom é a
meta para a Taxa Selic (taxa média dos financiamentos diários, com
lastro em títulos federais, apurados no Sistema Especial de Liquidação e
Custódia), a qual vigora por todo período entre reuniões ordinárias do
Comitê.
• Se for o caso, o Copom também pode definir o viés, que é a prerrogativa
dada ao presidente do Banco Central para alterar, na direção do viés, a
meta para a Taxa Selic a qualquer momento entre as reuniões ordinárias.
• Ao final de cada trimestre civil o Copom publica, em português e em
inglês, o documento “Relatório de Inflação”, que analisa detalhadamente
a conjuntura econômica e financeira do país, bem como apresenta suas
projeções para a taxa de inflação.
POLÍTICA FISCAL
• A política fiscal, centraliza preocupações nos gastos do setor público e
nos impostos cobrados da sociedade, procurando por meio de maior
eficácia no equilíbrio entre a arrecadação tributária e as despesas
governamentais, atingir determinados objetivos macroeconômicos e
sociais.
• Ao modificar a carga tributária dos consumidores, o governo influencia
também em sua renda disponível e, em consequência, no consumo
agregado. Conclui-se, então, que alterações na política de cobrança de
impostos promovem modificações na demanda da economia para
consumo e investimento e na situação de equilíbrio da renda nacional.
• Dívida Pública
• Foi colocado que o governo financia suas necessidades financeiras
mediante aumento de impostos, emissões monetárias, inclusive aquelas
determinadas por empréstimos internacionais, e colocação de títulos no
mercado. Com exceção do aumento dos impostos, essas medidas criam
dívidas ao tesouro nacional, comprometendo uma parte maior de sua
arrecadação tributária.
POLÍTICA CAMBIAL
• A política cambial está fundamentalmente baseada na administração
das taxas de câmbio, o que promove alterações nas cotações
cambiais, e de certa forma no controle das transações internacionais
executadas por um país, e é fixada de forma a viabilizar as
necessidades de expansão da economia e promover seu
desenvolvimento econômico.
• A moeda de uma economia é como se fosse um produto, negociável
no mercado, que pode ser comprado ou vendido a determinado preço
em relação a outra moeda.
• A taxa de câmbio representa o valor com que a autoridade monetária
de um país aceita negociar sua moeda, ou seja, vender a moeda de
sua emissão (compra de moeda estrangeira) ou adquiri-la (vender
moeda estrangeira).
• O Banco Central de um país deve adquirir moeda estrangeira e pagar
em moeda nacional os exportadores de bens e serviços, assim como
os devedores que tenham obtido empréstimos no exterior.
POLÍTICA CAMBIAL
• O câmbio segue diversos padrões monetários, dá-se destaque na atual
ordem econômica mundial ás taxas de câmbio:
• Câmbio fixo: se uma taxa de câmbio tem seu valor atrelado a um
referencial fixo diz-se que ela é fixa, como ouro, dólar e até mesmo
uma cesta de moedas de diversas economias.
• Câmbio flutuante: o câmbio flutuante (ou flexível), é menos
disciplinador, porém permite maior liberdade á economias na
execução de suas políticas monetárias. Ela também atribui agilidade
no tratamento de eventuais desequilíbrios econômicos, promovendo
alterações nas taxas de câmbio em consonância com as variações de
oferta e procura de moeda no mercado.
• Currency board : já o currency board (conselho de moeda) é um
sistema em que a autoridade monetária assume o compromisso legal
de efetuar o câmbio de moeda nacional por moeda estrangeira forte
(moeda âncora) a uma cotação fixa. Em tal regime monetário, a
autoridade só pode emitir moeda nacional até o limite das reservas
internacionais mantidas no país, devendo honrar toda a operação de
compra e venda de moeda forte a uma taxa de câmbio
predeterminada.
INSTRUMENTOS DA POLÍTICA MONETÁRIA
 1 - Fixação da taxa de reservas compulsórias:
• Depósitos que os bancos mantêm, voluntária ou compulsoriamente,
em sua própria caixa ou junto às autoridades monetárias. A expansão
da taxa de reserva compulsória exigidas pelo BC reduz as
disponibilidades de crédito do sistema bancário para empréstimo,
induzindo à redução dos meios de pagamento. O efeito inverso
também é possível.
• O recolhimento compulsório consiste na custódia, pelo Banco
Central, de parcela dos depósitos recebidos do público pelos bancos
comerciais. Esse instrumento atua diretamente sobre o nível de
reservas bancárias e, consequentemente sobre a liquidez da
economia. Assim, a variação das taxas de reservas obrigatórias
acarreta alterações na criação de moeda por parte dos bancos
comerciais.
INSTRUMENTOS DA POLÍTICA MONETÁRIA
 2 - Realização de operações de redesconto:
• As operações de redesconto são um instrumento de política monetária
que consiste na concessão de assistência financeira de liquidez aos
bancos comerciais.
• Na execução dessas operações, o BACEN funciona como banco dos
bancos, descontando títulos das bancos comerciais a uma taxa préfixada com a finalidade de atender às suas necessidades
momentâneas de caixa a curtíssimo prazo.
• A taxa de redesconto é a taxa de juros cobrada pelo Banco Central
junto as instituições financeiras para empréstimos de assistência a
liquidez que visam equilibrar suas necessidades de caixa diante de
um aumento mais acentuado da demanda por recursos de seus
depositantes.
INSTRUMENTOS DA POLÍTICA MONETÁRIA
• 3 - Realização de operações de mercado aberto:
• As operações de mercado aberto (open market) constituem-se nas
compras e vendas de títulos do governo pelo Banco Central. Quando
as autoridades monetárias desejam expandir a oferta monetária,
realizam operações maciças de resgate de títulos da dívida pública
em circulação; com isso, injetam no mercado moeda de alto poder de
expansão.
• Quando as autoridades monetárias desejam o efeito oposto, emitem e
colocam em circulação volumes maciços de dívida pública, retirando
do sistema monetário, na proporção de títulos adquiridos pelo
público, moeda que se encontrava em circulação, reduzindo a oferta
de moeda.
• O Bacen detém o controle total sobre seus volumes. Tal controle não
é encontrado nas operações de redesconto, nas quais o Banco Central
somente pode estimular ou desestimular os bancos a tomar
empréstimos de redesconto alterando a taxa, mas não podem
controlar diretamente o volume dos empréstimos de redesconto
realizados pelos bancos.
OFERTA DE MOEDA
• De início, convém definir o que vem a ser criação ou destruição de
moeda. Como já observamos, define-se moeda, ou meios de
pagamento, em sentido restrito, M1, como sendo a soma das moedas
em poder público (moeda manual) e dos depósitos á vista em poder
nos bancos comerciais (moeda escritural). Ou seja, M1 representa os
agregados monetários de liquidez imediata que não rendem juros.
Exclui portanto, as quase-moedas, como títulos públicos, depósitos
de poupança, depósitos a prazo, entre outros.
• A criação (ou destruição) de moeda manual corresponde, a um
aumento (ou diminuição) de moeda em poder do público, enquanto
para a moeda escritural sua criação (ou destruição) ocorre quando há
um acréscimo (ou decréscimo) dos depósitos á vista a curto prazo nos
bancos comerciais.
• A oferta de moeda pode se dar:
a) pelo Banco Central, que tem o monopólio das emissões de moeda;
b) Pelos bancos comerciais, por meio dos depósitos á vista.
OFERTA DE MOEDA PELOS BANCOS COMERCIAIS
• Um depósito á vista num banco comercial representa um direito que
o depositante possui sobre uma determinada quantia. Em outras
palavras, quando um banco recebe um depósito á vista, ele promete
pagar a quantia depositada ou uma parte desta, quando for solicitado.
• Assim, se um cliente toma emprestado determinada quantia de
dinheiro em um banco, normalmente, em seguida, faz um depósito à
vista no mesmo ou em outro banco, ficando, desta forma, o dinheiro
no sistema bancário. Deste depósito, o banco que o recebeu mantém
em seus cofres um valor em moeda necessário para a manutenção dos
depósitos compulsório e voluntário no Banco Central, bem como
para as suas reservas técnicas, e o restante, novamente, empresta para
outro cliente, que, também, realiza outro depósito à vista e, assim,
este procedimento vai ocorrendo cliente após cliente, expandindo-se,
assim, a moeda escritural, através de operações contábeis de crédito
nas contas correntes dos clientes, para um valor além do valor
inicialmente depositado nos cofres dos bancos.
OFERTA DE MOEDA PELOS BANCOS COMERCIAIS
• Dessa forma, o banco comercial pode fazer “promessas de pagar” em
um valor múltiplo do total de depósitos iniciais e usar os fundos
assim obtidos para efetuar empréstimos.
• Intuitivamente, o multiplicador monetário varia inversamente em
relação á taxa de reservas ou á taxa de retenção do público. Quanto
mais os bancos forem obrigados a reter em caixa, menos eles poderão
emprestar ao público, e menor a expansão monetária. Da mesma
forma, quanto maior a taxa de retenção do público, menos será
depositado nos bancos, e, evidentemente, os bancos contarão com
menos depósitos para repassar a outros clientes.
• O Banco Central controla a base monetária, e, assim, os demais
agregados. Esse processo é feito utilizando os instrumentos da
política monetária.
MECANISMOS DE TRANSMISSÃO
DA POLÍTICA MONETÁRIA
• Os efeitos da política monetária sobre a economia podem ser
avaliados segundo quatro mecanismos de transmissão:
a) Mecanismos de equilíbrio de carteira: uma carteira (portfolio) é
um conjunto de ativos com características especificas de risco,
retorno, liquidez, prazo, entre outras. A composição depende da
combinação de ativos com suas características e as preferências do
detentor da carteira. A moeda é um dos ativos que compõe as
carteiras dos indivíduos.
b) Mecanismos da riqueza: este mecanismo pode ser focalizado sob
dois pontos importantes. O primeiro é como alterações no estoque
de moeda afetam a riqueza existente, o outro é como alterações na
riqueza afetam as variáveis econômicas. A importância do
mecanismo riqueza na economia pode aferir-se verificando-se o
impacto da queda da Bolsa de Valores na economia norteamericana em 24 de outubro de 1929: uma das explicações para a
queda do PNB americano é dada pela perda de riqueza com a
queda da bolsa.
MECANISMOS DE TRANSMISSÃO
DA POLÍTICA MONETÁRIA
a) Mecanismos da disponibilidade de crédito: este mecanismo está
centrado basicamente na disponibilidade de liquidez na economia.
O aspecto mais relevante a ser observado na oferta monetária é a
abundância de liquidez. Os fundos disponíveis para empréstimos
são a variável-chave a ser acompanhada.
b) Mecanismos das expectativas: mudanças na oferta monetária
afetam as expectativas da sociedade. As duas mudanças mais
importantes são as que se dão nas expectativas de preços e nas
expectativas dos empresários.
DEMANDA POR MOEDA
• Assim com existe uma oferta de moeda pelo Banco Central e pelos
bancos comerciais (via mecanismo multiplicador), podemos definir uma
demanda por moeda por parte das firmas e das famílias. Logo a demanda
por moeda pela coletividade corresponde á quantidade de moeda que o
setor privado não-bancário retém, em média, seja com o público, seja no
cofre das firmas, e em depósitos á vista nos bancos comerciais.
• São três as razões pelas quais se retém moeda:
a) Demanda por moeda para transações: as pessoas e firmas precisam
de dinheiro para suas transações do dia-a-dia, para alimentação,
transporte, aluguel;
b) Demanda por moeda por precaução: o público e as firmas precisam
ter uma certa reserva monetária para fazer face a pagamentos
imprevistos, ou atrasos em recebimentos esperados;
c) Demanda por moeda por especulação: dentro de sua carteira de
aplicações (portfolio), os investidores devem deixar uma “cesta” para
moeda e observar o comportamento da rentabilidade dos vários títulos,
para fazer algum novo negócio.
A TEORIA QUANTITATIVA DA MOEDA
• Existe uma relação direta entre o volume de moeda no sistema
econômico e o lado real da economia, ou seja, há uma
correspondência entre o total dos meios de pagamentos num sistema
econômico e o valor global dos bens e serviços transacionais.
• A velocidade-renda moeda, ou velocidade de circulação da moeda,
é o número de vezes que o estoque de moeda passa de mãos em
mãos, num certo período, gerando produção e renda. É o número de
giros da moeda, criando renda. É dada pela expressão:
=
 
.
     ()
• Supondo um PIB nominal (ou PIB monetário igual ao PIB real vezes
o nível geral de preços) igual a $ 800 bilhões, e um saldo de meios de
pagamento de $ 100 bilhões
=
$  õ
=
$  õ
8.
• Isso significa que o estoque de moeda de $ 100 bilhões girou oito
vezes no período, criando $ 800 bilhões de renda e produto (PIB).
Cada unidade monetária criou 8 unidades de renda.
A TEORIA QUANTITATIVA DA MOEDA
• A velocidade-renda da moeda pode ser calculada para as várias
definições de meios de pagamento (M1, M2, M3, M4).
• Com base no conceito de velocidade-renda da moeda, podemos entender
mais claramente como opera a teoria quantitativa da moeda, que
relaciona os fluxos real e monetário da economia, sendo dado pela
expressão:
 = .
Em que:
M = quantidade de moeda na economia;
V = velocidade-renda da moeda;
P = nível geral de preços;
y = nível de renda nacional real (PIB real).
• O lado esquerdo da equação (MV) é explicado pelo fato de que a
quantidade de moeda na economia depende da velocidade com que
circula. O lado direito da equação (Py) mostra que o valor do PIB
nominal será igual á quantidade de bens e serviços finais (PIB real)
produzidos vezes o preço dos bens e serviços finais transacionados no
período.
A TEORIA QUANTITATIVA DA MOEDA
 = .
• Evidentemente os dois lados da equação são iguais, por definição: a
quantidade de moeda multiplicada pelo número de vezes que ela
circula, criando renda, é igual ao valor da renda (PIB) criada.
• Usando o exemplo anterior, o saldo monetário de $100 bilhões:
multiplicando sua velocidade-renda (8), será igual ao próprio PIB
monetário de $ 800 bilhões.
• Os conceitos de demanda por moeda, teoria quantitativa da moeda e
velocidade de circulação da moeda são úteis para entendermos o
impacto das politicas monetárias sobre os agregados
macroeconômicos, principalmente preços, nível de atividade, riqueza,
taxa de juros, e outros.
BIBLIOGRAFIA
• ASSAF NETO, Alexandre. Mercado Financeiro. 3. ed. São Paulo:
Atlas, 2003.
• BRITO, Osias Santana de. Mercado financeiro. São Paulo: Saraiva,
2005.
• FARIA, Rogério Gomes de. Mercado financeiro: instrumentos e
operações. São Paulo: Prentice Hall, 2003.
• KAUFMAN, George G. El dinero, el sistema financeiro y la
economia. Barcelona: Ediciones Universidade de Navarra, 1973.
• NIYAMA, Jorge Katsumi; Gomes; Amaro L. Oliveira. Contabilidade de
instituições financeiras. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2002.
• PINHEIRO, Juliano Lima. Mercado de Capitais: fundamentos e
técnicas. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2009.
BIBLIOGRAFIA
• FOLHA UOL << http://www1.folha.uol.com.br/mercado/1001910-resgatessuperam-depositos-na-poupanca-em-outubro.shtml>> Acessado em 06 de
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• BACEN << http://www.bcb.gov.br/?ECOIMPOM>> Acessado em 06 de
novembro de 2011.
• GI<<http://g1.globo.com/economia/mercados/noticia/2011/11/mercadobaixa-pela-5-semana-seguida-previsao-para-o-pib-de-2011.html>> Acessado
em 07 de novembro de 2011
• GI << http://g1.globo.com/economia/seudinheiro/noticia/2011/11/captacaorecua-62-ate-outubro-para-r-105-bilhoes.html>> Acessado em 07 de
novembro de 2011
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introdução a teoria monetária