Final de Terapia
Andrea Lourenço – 45917
Caroline Costa – 45908
Rio Grande, 08 de abril de 2013.

Alta da Psicoterapia
 Suspensão
 Troca

da Psicoterapia
de terapeuta
Abandono / Não aderência

Os indicadores devem ser espontâneos e
coerente com a idéia de que o terapeuta
deve estar constantemente alerta
seguindo o processo de avaliação do
paciente que iniciou na 1ª consulta.
(Cordioli,2008)
 Remissão
ou atenuação da sintomatologia;
 Mudança
positiva na qualidade das relações
pessoais do paciente;
 Modificação
na capacidade para as atividades
de trabalho (profissionais ou estudo);
(Cordioli,2008)
 Capacidade
de admitir e assumir as próprias
responsabilidades;
 Modificações
 Melhora
na relação com o terapeuta;
na capacidade para pensar sobre si
mesmo.
(Cordioli,2008)

Reprodução de situações arcaicas de separação e
luto. Os sentimentos de perda, tristeza, luto e
perdas primitivas podem ser revividos;

Perda do espaço, tempo atenção e compreensão do
terapeuta e da rotina;
(Cordioli,2008)


Analisar o funcionamento psíquico do
paciente através da maneira como ele lida
com esse momento.
Não trocar psicoterapia por amizade;
(Cordioli,2008)

Reforçar melhoras obtidas;

Última sessão – despedida em si;

Forma da despedida do paciente – determinada
por suas características, pelas do terapeuta e pela
psicoterapia;
(Cordioli, 2008)
 Pacientes
adultos: convém deixar a eles a
iniciativa e a definição da atitude ao se
despedir;
 Terapeuta
também sofre com as perdas, de
um
objeto
investido
contratransferencialmente e também da
pessoa real do paciente (psicoterapia);
(Cordioli,2008)

Ocorre quando de comum acordo com o
terapeuta, o paciente não pode ou não quer
continuar a psicoterapia.

Geralmente, paciente está relativamente
bem, mas não tanto como seria o desejado ,
porém reivindica-se dar um certo tempo para
que ele possa tentar “caminhar com as suas
próprias pernas”.
(Zimerman, 2004)
A “análise em capítulos” é muito comum em
pacientes fóbicos que não conseguem ficar
próximos demais de seus analistas e
tampouco, longe demais dele, de modo que
suspendem e voltam a psicoterapia.
(Zimerman, 2004)

Na suspensão de terapia a decisão é bilateral
(paciente e terapeuta decidem juntos).
 Já
no abandono de terapia a decisão de
terminar com o tratamento geralmente vem
unilateralmente e quando não se tem ainda
condições satisfatórias.
(Zimerman,2004)
 Nas
psicoterapias realizadas em instituições
de
treinamento,
eventualmente
há
necessidade de realizar mudança de
terapeuta, visto que nem todos os
tratamentos são concluídos no tempo de
estágio do terapeuta em formação.
 Em
estudo que abrangeu os anos de 1995 a
2000 foi encontrado o índice de 33% de
abandono entre os casos de mudança de
terapeuta.
(Lhullier et al., 2000)

No mesmo estudo, com o objetivo de avaliar a
influência de um período de co-terapia como
adaptação à mudança, os pacientes foram
subdivididos em dois grupos, e comparados os
índices de alta e abandonos entre ambos.

O grupo que realizou adaptação mostrou índices
significativamente menores de abandono 27% do
que o grupo que não o fez 49% demonstrando
portanto a utilidade desta adaptação.
(Lhullier et al., 2000)
 Os
autores alertam para que seja prestada
especial atenção às trocas de terapeutas no
período inicial de tratamento, uma vez que a
aliança terapêutica deve ser preservada
como um fator essencial da terapia, o que,
em clínicas-escola, fica dificultado pelas
trocas de terapeutas-estagiários.
(Lhullier et al., 2000)

Pacientes considerados mais regredidos, como
psicóticos ou borderlines podem apresentar
grande sofrimento na separação de um terapeuta
e dificuldade para se vincular a outro.

O paciente regredido pode vivenciar essa
separação e troca como um abandono, o que
talvez fomente a fragilidade de seu ego, o que
pode não ajudar em nada o paciente, ou até
mesmo prejudicá-lo.
(Ferreira, 2003)
É
comum que muitos pacientes tragam
questões de seu terapeuta anterior, portanto
é relevante que a troca, com seu luto de
separação, seja trabalhada e debatida em
terapia tendo em vista o recomeço com
outro psicoterapeuta.
(Ferreira, 2003)

Quando o paciente, sob o argumento de que está se sentindo bem,
começa a fazer algum tipo de pressão para que o analista concorde
com sua proposta de darem a análise por concluída.

As possibilidades mais frequentes são:

O paciente realmente atingiu as metas que o levaram a procurar
atendimento e sabe que existem vários outros aspectos que poderiam
ser trabalhados, porém ele se acha em condições de encerrar.

Deve-se então, discutir com o paciente se é viável encerrar o
tratamento e quais as lacunas que permanecerão.

O terapeuta deve evitar posturas perfeccionistas ou narcisistas.
(Zimerman, 2004)

Cansaço da rotina analítica e/ou vontade de
melhorar sua condição financeira.

Motivação inicial pouco consistente,
terapia por obrigação ou dever.

Fobia de prosseguir vasculhando em zonas
desconhecidas e temidas se seu psiquismo.

Tentativa de conluio: faz de conta que está tudo
bem; ambos somos competentes e maravilhosos.
fazer
(Zimerman, 2004)

Nessas situações, as causas mais comuns se manifestam
como:

Forte angústia diante de separações importantes.

Excessiva dependência.

Temor inconsciente do paciente de que ao ‘abandonar’ o
terapeuta este ficará decepcionado e nunca mais o receberá.

Vínculo de acomodação, mesmo que nada mais esteja
avançando na terapia.
(Zimerman, 2004)

O paciente realiza pelo menos uma sessão e
interrompe o tratamento por sua própria
iniciativa, não comparecendo a nenhum outro
horário combinado com o terapeuta.

Essa interrupção, independente da razão, não é
uma decisão tomada de comum acordo entre
paciente e terapeuta, sendo que este último
considera a terapia como recém iniciada, em
processo ou ainda não concluída.
(Vargas & Nunes, 2003)
O
conhecimento sobre os diferentes
preditores do abandono de psicoterapia é
fundamental para o planejamento de
tratamento psicológico, pois possibilita a
identificação de possíveis falhas no
processo, auxilia na identificação de
casos onde haja risco de abandono e
previne futuras desistências.
(Benetti & Cunha, 2008)

Na literatura consultada foram encontradas
porcentagens muito diferentes a respeito do
número de pacientes que abandonam o
tratamento, variando entre 30 e 60%.
(Vargas & Nunes, 2003; Deakin & Nunes, 2009).

Essa diferença se dá devido às diferentes formas
de pesquisa, serviço e clientela avaliadas,
havendo menor abandono na clínica privada em
comparação aos serviços comunitários de saúde
mental.
(Benetti & Cunha, 2008).
 Nas
instituições, o tempo de espera para
receber o atendimento, a experiência do
terapeuta, o número de sessões e as
trocas de terapeutas estão relacionadas
com o abandono de terapia.
(Benetti & Cunha, 2008)

Em pesquisa realizada com 223 prontuários de pacientes adultos em
uma Instituição de Formação de Psicoterapeutas sobre o motivo do
abandono de tratamento, os resultados encontrados foram:

Dificuldade financeira (28%)
Desmotivação (7,7%)
Encerramento por terceiros (7,7%)
Outras prioridades (5,1%)
Razões de saúde (2,6%)
Troca de terapeuta (2,6%)






Entretanto a maior parcela dos pacientes abandonou o tratamento
sem motivo (46,2%)

É frequente que nem o próprio paciente saiba manifestamente os
fatores envolvidos em sua decisão.
(Vargas & Nunes, 2003)
 Dentre
adolescentes, os motivos mais
frequentes encontrados na literatura foram:
 baixo
status econômico dos pais,
 o paciente não apresentar transtorno de
humor,
 não usar medicação psiquiátrica
 fazer uso abusivo de substâncias.
(Gastaud & Nunes, 2009)

Os principais motivos de abandono de psicoterapia
infantil encontrados na literatura foram:

status econômico,
fonte de encaminhamento,
atraso na espera de atendimento,
distância geográfica dos locais de atendimento,
história prévia de atendimento,
estresse parental,
expectativas dos pais,
natureza da psicopatologia da criança,
duração da queixa da criança.








(Gastaud & Nunes, 2009)

Outro estudo apresenta justificativas diferentes, como:

percepção por parte da criança e/ou família de que o tratamento
não é relevante;
uma aliança terapêutica frágil com a criança e sua família no início
do tratamento;
desvantagem socioeconômica;
alto nível de estresse e disfunção na família.




Na maioria dos casos a razão do abandono se dá em virtude das
dificuldades familiares e não da criança que necessita de
atendimento.

É preciso manter em mente que nenhum fator isolado pode ser
preditor de abandono de terapia.
(Deakin & Nunes, 2009)

Devido ao fato da criança não buscar tratamento
para si mesma, e portanto, depender da motivação
dos pais para que se mantenha em tratamento,
uma aliança terapêutica positiva com os pais
muitas vezes é mais importante do que uma boa
aliança terapêutica com a criança.

O terapeuta deve buscar conhecer a motivação, os
objetivos e expectativas dos pais e da crianças
frente ao tratamento.
(Deakin & Nunes, 2009)

O abandono do tratamento é frustrante tanto para
o terapeuta/ estagiário quanto para o paciente, já
que o primeiro sente-se incapaz e desvalorizado
profissionalmente ao perder o paciente e o
segundo acaba não recebendo a ajuda que
procurou na psicoterapia.

Entretanto, os terapeutas precisam estar cientes
de que determinados pacientes apresentam mais
risco de abandonar o tratamento e devem trabalhar
os aspectos preditores do abandono de terapia.
(Gataud & Nunes, 2009)

A formação de sólida aliança terapêutica entre
terapeuta e paciente (e seus familiares) mostrase como fator protetor para abandono de
tratamento, porém essa aliança necessita de
tempo de convívio entre os envolvidos para
poder se estabelecer.

O ponto de corte em que o risco de abandono
começa a decair significativamente varia entre
os estudos.
(Gastaud & Nunes, 2009)

Benetti, S. P. C.; Cunha, T. R. S.. (2008) Abandono de tratamento psicoterápico: implicações para
a prática clínica. Arq. bras. psicol., 60 (2).

Cordioli, A. V. (2008). Psicoterapias: abordagens atuais. Porto Alegre: Ed. Artmed, 3ª ed.

Deakin, E. K. & Nunes, M.L.T. (2009) Abandono de psicoterapia com crianças. Rev . Psiquiatr. RS,
31(3), 145-151.

Ferreira, M. C. (2003). A troca de terapeutas nos atendimentos psicanalíticos em instituições.
Revista de Estudos de Psicologia, PUC- Campinas. v.20, n.2, p.63-69.

Gastaud, M.B. & Nunes, M. L. T. (2009) Preditores de abandono de tratamento na psicoterapia
psicanalítica de crianças. Rev. psiquiatr. Rio Gd. Sul, 31(1), 13-23.

Lhullier, A.C. et al. (2000). Mudança de terapeuta e abandono da psicoterapia em uma clínicaescola. Aletheia, 11, 7-11.

Vargas, F. & Nunes, M. L. T. (2003). Razões expressas para o abandono de tratamento
psicoterápico. Atheia. n.17/18, p.155-158.

Zimerman, D. (2004). Manual de técnica psicanalítica: uma re-visão. Porto Alegre: Ed. Artmed.
Download

Alta na Psicoterapia