.O encontro
O encontro
Raquel Cristiny
Eu acordei de um terrível
pesadelo, eu tive-o todas
as noites por toda uma
semana.
Tudo começou quando marquei um encontro
com um estranho pela Internet sempre tive
uma má impressão sobre ele, mas decidi
deixá-la de lado, talvez devesse seguir mais
minhas intuições...
Para começar o local no qual ele marcou o
encontro já foi bem incomum, em frente a
um cemitério, estava uma lanchonete deserta
e degradada, mas eu fui mesmo assim, talvez
afinal eu seja a louca.
Ele era pálido e suas vestes eram igualmente
opacas, fazendo contraste com seu cabelo
negro ele tinha um olhar sombrio. Do tipo
que parece ler seus pensamentos.
Em um encontro normal, ele me perguntaria
coisas sobre mim e eu sobre ele, mas não,
ele me perguntou como esta o mundo.
— então as coisas mudaram muito por aqui —
ele diz
— como assim? Você por acaso é
estrangeiro? — eu pergunto confusa
— não... Apenas pode se dizer que eu já morei
aqui e as coisas mudaram bastante
— hum... — eu respondo sem saber o que
dizer. E depois de muito tempo, de um silencio
constrangedor ele diz.
— você parece muito com ela... — ele sussurra
baixinho, mas eu o escuto.
— como? — eu digo
— ah nada,... Esqueça por favor
— hum... Talvez eu devesse ir, esta ficando
tarde— eu digo, tentando escapar.
— ah... Sim, não posso culpa-la de querer ir
embora, não estou contribuindo para um
encontro agradável — ele diz tristonho.
Seu jeito de falar e sua misteriosidade
mexeram comigo, mas também alertaram os
meus sinais que diziam que ele era encrenca.
Decidi dessa vez seguir minha intuição e ir
embora, dei um sorriso e um pequeno abraço
nele e me retirei, seria melhor assim.
Depois daquele dia passei a ter pesadelos
constantes, nele era outra época, parecia ate
outro mundo de tão diferente, começava
comigo em um amplo quarto em vestes
antigas, eu estava deitada lendo um livro
quando olhava para o lado estava ele o rapaz
estranho me encarando, ele estava diferente,
mais vivo, mais feliz, ele me abre um amplo
sorriso e me puxa em seus braços mas depois
a cena muda eu estou nessa mesma cama,
mas agora pálida e sem vida.
Ele entra no quarto me puxa em seus braços e
diz que nos encontraremos de novo. Então o
quarto é inundado com suas lágrimas.
Então eu acordo mais uma vez, era sempre o
mesmo sonho. Eu não aguentava mais, iria
procurá-lo, precisava vê- lo de novo.
[aou novamente em frente ao cemitério, na
esperança dele esta lá, fico na lanchonete, por
uma, duas horas, já estava para desistir
quando vejo ao longe seus cabelos negros,
dentro do cemitério, sinto um arrepio naquele
instante. E então ele encontra meu olhar e
vem em minha direção.
Eu o aguardo e então quando ele chega em
mim, me da aquele mesmo sorriso do sonho.
— você por aqui? — ele fala como se não
esperasse que eu voltasse
— sim — eu digo — eu precisava ver você,
pode ser estranho, mas... Eu ando sonhando
com você, ou melhor, tendo pesadelos— falo
de uma vez, antes de perder a coragem.
Ele me observa atentamente então pergunta
— o que acontece nesses sonhos?
Então eu o conto tudo, cada
detalhe, quando termino ele segura minha
mão e me puxa em sua direção e me da um
beijo inesperado nos lábios.
— o que foi isso? — eu pergunto ofegante
Ele da um sorriso e diz — nada, eu só queria
me sentir vivo outra vez — ele fala todo alegre
— você é ela, agora tenho certeza— ele diz
ainda sorrindo.
— ela quem? — eu falo confusa
— eu disse que nos veríamos de novo, eu
disse — ele fala agora histérico.
E foi então que eu pergunto por fim — quem é
você?
Ao que ele me responde:
— o seu passado.
O gato
Orfeu Lyra
Assistindo à televisão em uma manhã de
quarta-feira, uma menina ouve da janela uma
batida de palmas. Abre a porta da sala.
Ninguém. Ao fechar, olha uma cesta de palha
no chão, envolta em um tecido leve e
translúcido. Agarra-a e leva para dentro. Ao
abrir, surpresa! Um gato! Um filhote de gato
siamês, com pelo bege claro; as pontas das
patinhas pretas, assim como a cauda, as orelhas
e o meio da face. Contrastando com as cores
neutras, um lindo par de olhos azuis, muito
claros. A criança logo se encanta com o bicho e
corre para mostrar para sua mãe, que está
preparando o almoço na cozinha.
- MÃE! MÃE! Olha o que eu achei!
A mulher, com os olhos lacrimejados de cortar
cebola, olha para o lado, surpresa.
- Onde você achou isso?
- Deixaram na nossa porta. Podemos ficar com
ele?
- Nem pensar! Já tenho muito trabalho nessa
casa, não vou ficar limpando sujeira de gato.
- Mãe, por favor!
- Já disse que não, Sabrina.
A menina começa a chorar baixinho, olhando
para o filhote.
- Mas então.. O que vamos fazer com ele?
- Quando seu pai chegar, dê para ele levar em
uma loja dessas que vendem animais.
Desanimada, a criança pega a cesta e volta
para a sala.
Durante muitos minutos, fica a olhar, com a
cesta no colo, o gatinho. Tão bonitinho! Queria
tanto ter uma companhia pra ficar em casa!
Sua mãe, sempre triste, parecia não gostar
muito da vida. Coitada.
Barulho de automóvel e da porta da garagem
abrindo. Era seu pai. Ouvia o mesmo som
todos os dias na hora do almoço.
Como quase sempre, seu pai chega em casa
cansado e abatido.
- Bom dia, filha!
- Oi paizinho! Olha só o que eu achei.
Leva a cesta até seu pai e alcança o gato com a
mão para ele pegar.
- Um gatinho. Que lindo!
- Podemos ficar com ele, pai? Por favor!
- Claro que sim. Já deu nome a ele?
- Ainda não. Gosto de “Fofinho”. O que você
acha?
- Legal. Fofinho, agora você vai ser da nossa
família.
Nesse instante, a mulher entra segurando uma
panela de arroz quente, com uma cara de
poucos amigos.
- Mas não vai mesmo! Já disse à Sabrina.
Quero esse gato fora da minha casa ainda hoje!
- “Nossa casa” você quis dizer, certo?! rebate o
homem com ironia.
- Tanto faz! O fato é que esse gato não fica
aqui.
- Mas mãe..
- Nada de mas! Eu que limpo a casa.
- E eu que sustento.
A mulher olhou bem para os olhos do marido.
Sentiu gana de esbofeteá-lo. Maldito! Como
ousa jogar na sua cara que era sustentada por
um homem! Sentiu-se humilhada e precisava
revidar, tinha essa necessidade. Sua mãe
sempre lhe disse que não devia se rebaixar
para homem nenhum.
- Vendeu algum carro hoje, Paulo?
Ela sabia que ele não havia vendido, pois
quando vende é a primeira coisa que diz
quando chega em casa, sempre gritando
orgulhoso.
“- Na-Não, Mônica. Não vendi nenhum carro
hoje.” responde, exitante e com um semblante
envergonhado.
Pronto. Era o que precisava para ferir o
orgulho de macho provedor dele. Era a carta na
manga que ela sempre usava em situações que
tinha necessidade de fazê-lo se sentir
diminuído.
- Como eu pensei. E ainda acha que temos
condições de criar um gato.
- Não acredito que vai custar muito. Tão
pequeno.
- Vai crescer e eu não vou cuidar desse bicho.
Já tenho a casa e vocês dois. É o bastante!
- Bem.. Estou cansado. Discutimos isso depois.
Agora vou tomar um banho antes de almoçar.
Toma filha.
Paulo passa o gato para a menina e dirige-se ao
banheiro.
Minutos depois, a mãe termina de pôr a mesa e
chama o marido e a filha para comer.
Depois do almoço, como sempre, Sabrina vai
se arrumar para a aula e Mônica vai para a
cozinha lavar a louça e preparar o lanche da
filha. Paulo fica na sala vendo televisão.
O homem toma o gato nas mãos e começa a
brincar com o bichano. A esposa, indo e vindo
com as panelas, olha de relance o marido com
o gato. Naquele momento, vê nos olhos do
marido o brilho de felicidade que já não via há
tantos anos. É só um bicho! Como um bicho
pode tornar uma pessoa feliz? Não consegue
compreender.
Uma hora e meia da tarde. O pai chama a filha
para irem.
- Vamos, querida. Senão, nos atrasamos.
- Já vou, mais um minuto.
O homem olha para o lado. A mulher imóvel,
segurando a lancheira da filha. Há quanto
tempo não lhe dá um beijo? Nem se lembra. A
última vez que tentou beijá-la, recebeu
indiferença. Sexo? Há mais de um ano sem
fazer. Quando sentia desejos de se satisfazer, ia
para o banheiro se aliviar. Apesar de tudo,
gostava dela, a amava! Ela sempre fora uma
boa mulher, boa mãe e por que não dizer boa
esposa?! Não acordava cedo para fazer café da
manhã para ele? Não lavava e passava suas
roupas? Não deixava a casa limpa e cheirosa
todos os dias? Definitivamente, era uma boa
esposa! Onde se perdeu o amor? Não sabia
dizer. A rotina lhe cegou os olhos do coração.
Agora eram duas pedras em frente à porta da
casa esperando a filha.
A menina vem correndo, com a mochila nas
costas, quase do tamanho dela. A mãe lhe
passa a lancheira, lhe deseja boa aula e lhe dá
um beijo na testa.
O marido se despede da esposa.
- Tchau, querida.
“- Tchau” responde, seca.
Mônica, fechando a porta, lembra-se do gato.
Rapidamente, abre e grita.
- Ei, Paulo. Esqueceu do gato.
- Me desculpe, querida. Agora não posso.
Sabrina vai se atrasar pro colégio e eu pro
trabalho.
O homem fecha a porta do carro e dá a partida.
A mulher, furiosa, bate a porta com força.
O gato desperta com a batida e começa a miar.
- Que ótimo! Agora esse bicho vai ficar
fazendo barulho a tarde toda..
Dirige-se ao banheiro para se lavar. Tira a
roupa, olha-se bem no espelho. Ainda
mantinha a beleza da juventude. Já não tinha a
pele tão suave e os cabelos tão sedosos, mas
ainda era uma mulher bonita, alta, com traços
delicados. Lembra-se dos 18 anos de idade,
quando venceu um concurso de beleza na sua
cidade. Sentiu-se tão bem naquele momento.
Sempre teve a beleza elogiada por todos. Por
que não ouviu a mãe? (Minha filha, quero que
você seja modelo, você nasceu para ganhar o
mundo!) Mas qual.. Apaixonou-se por um
rapaz alegre e brincalhão da faculdade. Perdeu
a oportunidade de ir para Paris e se casou com
ele. Não tinha um dia que não se arrependia
disso. Sua vida poderia ter sido completamente
diferente. Entra no box e liga o chuveiro.
Sente-se tão solitária! Sua mãe sempre fora sua
única amiga verdadeira. Agora estava morta.
Lembra-se nesse momento que deve levar
flores para o túmulo dela. Não conseguiu ir
mês passado.
Gosta do aroma suave do sabonete que usa.
Ensaboa-se por todo o corpo, ao mesmo tempo
que sente o calor da água percorrer sua pele.
Adora tomar banho! O momento do dia que se
sente mais confortável. Ao sair do banheiro,
ouve novamente o gato miando. Será que está
com fome? Pega um pires, derrama um pouco
de leite e oferece ao bicho. Ao tirá-lo de dentro
da cesta, se dá conta de quanto tempo não
segura um animal nas mãos. Lembra-se do
único bicho de estimação que teve, ainda
criança. Uma adorável cadelinha Basset,
sempre tão faceira com suas orelhas imensas e
seus grandes olhos tristes contrastando com
sua alegria de viver! Sente um aperto ao
lembrar dela, enquanto coloca o gatinho em
frente ao pires. Voraz, o animalzinho esvazia o
recipiente em poucos instantes.
- Nossa, quanta fome! Parece que nunca
comeu.
Sorri ao dizer isso para o gato. Sente-se
estranha. Se dá conta de que fazia muito tempo
que não sorria.
Após se lamber por uns instantes, o gato
levanta a pequena cabeça e, com seus
expressivos olhos azuis, encara a mulher. Por
um instante, ela tem a impressão de que ele
quer falar com ela. Será que quer me
agradecer? Como que sente internamente a
mensagem que o bicho quer lhe transmitir.
“Você me alimenta e me dá proteção. Sou-lhe
grato por isso. Você é importante para mim.”
De repente, o gato se aproxima da mulher, que
está sentada de joelhos no chão, e lhe esfrega a
cabeça em uma de suas mãos. Esse carinho faz
tão bem a ela! Sente-se como se tivesse
recebido uma injeção de serotonina. Olhos
lacrimejando. Choro. Quanto tempo não
chora? Não, agora não por cortar cebola. Agora
é o amor que recebe de um ser minúsculo, de
outra espécie, mas que parece entendê-la
melhor do que seus próprios semelhantes. Ela
retribui o carinho afagando o pescoço frágil do
bicho.
“-Obrigada, Fofinho”, agradece em voz alta, na
esperança de que ele possa compreender a
importância que tem para ela.
Os nove trilhões
de nomes de Deus
Arthur C. Clarke 1953
— Esta é uma petição um tanto incomum —
disse o doutor Wagner, com o que esperava
ser um comentário plausível. — Que eu
recorde, é a primeira vez que alguém pediu
um computador para um monastério
tibetano. Eu não gostaria de me mostrar
inquisitivo, mas me custa pensar que em seu. .
. hum. . . estabelecimento haja aplicações
para semelhante máquina. Poderia me
explicar o que tentam fazer com ela? — Com
muito prazer — respondeu o lama,
arrumando a túnica de seda e deixando
cuidadosamente a um lado a régua de cálculo
que tinha usado para efetuar a equivalência
entre as moedas. — Seu computador Mark V
pode efetuar qualquer operação matemática
rotineira que inclua até dez cifras.
Entretanto, para nosso trabalho estamos
interessados em letras, não em números.
Quando tiverem sido modificados os circuitos
de produção, a máquina imprimirá palavras,
não colunas de cifras. — Não compreendo. . .
— É um projeto em que estivemos
trabalhando durante os últimos três séculos;
de fato, desde que se fundou o lamaísmo. É
algo estranho para seu modo de pensar;
assim espero que me escute com mentalidade
aberta enquanto o explico. — Naturalmente.
— Na realidade, é muito singelo. Estamos
fazendo uma lista que conterá todos os
possíveis nomes de Deus.
— O que quer dizer?
— Temos motivos para acreditar —
continuou o lama, imperturbável — que
todos esses nomes se podem escrever com não
mais de nove letras em um alfabeto que
idealizamos.
— E estiveram fazendo isto durante três
séculos?
— Sim; supúnhamos que nos custaria ao
redor de quinze mil anos completar o
trabalho.
— Oh! — exclamou o doutor Wagner, com
expressão um tanto aturdida.
— Agora compreendo por que quiseram
alugar uma de nossas máquinas. Mas qual é
exatamente a finalidade deste projeto?
O lama vacilou durante uma fração de
segundo e Wagner se perguntou se o tinha
ofendido. Em todo caso, não houve indicação
alguma de zanga na resposta.
— Chame-o ritual, se quiser, mas é uma parte
fundamental de nossas crenças. Os
numerosos nomes do Ser Supremo que
existem: Deus, Jehová, Alá, etcétera, só são
etiquetas feitas pelos homens. Isto encerra um
problema filosófico de certa dificuldade, que
não me proponho discutir, mas em algum
lugar entre todas as possíveis combinações de
letras que se podem fazer estão os que se
poderiam chamar verdadeiros nomes de
Deus. Mediante uma permutação sistemática
das letras, tentamos elaborar uma lista com
todos esses possíveis nomes. — Compreendo.
começaram com o AAAAAAA. . . e
continuaram até o ZZZZZZZ. . . —
Exatamente, embora nós utilizemos um
alfabeto especial próprio. Modificando os
tipos eletromagnéticos das letras, arruma-se
tudo; e isto é muito fácil de fazer. Um
problema bastante mais interessante é o de
desenhar circuitos para eliminar combinações
ridículas. Por exemplo, nenhuma letra deve
fogurar mais de três vezes consecutivas. —
Três? Certamente quer você dizer dois. —
Três é o correto. Temo que me ocuparia muito
tempo explicar porque, mesmo que você
entendesse nossa linguagem.
— Estou seguro disso — disse Wagner,
apressadamente — Siga. — Por sorte, será
coisa singela adaptar seu computador a esse
trabalho, posto que, uma vez sendo
programado adequadamente, permutará
cada letra por turno e imprimirá o resultado.
O que nos demoraria quinze mil anos se
poderá fazer em cem dias. O doutor Wagner
ouvia os débeis ruídos das ruas de
Manhattan, situadas muito abaixo. Estava em
um mundo diferente, um mundo de
montanhas naturais, não construídas pelo
homem. Nas remotas alturas de seu longínquo
país, aqueles monges tinham trabalhado com
paciência, geração após geração, enchendo
suas listas de palavras sem significado. Havia
algum limite às loucuras da humanidade?
Não obstante, não devia insinuar sequer seus
pensamentos. O cliente sempre tinha razão. . .
— Não há dúvida — replicou o doutor — de
que podemos modificar o Mark V para que
imprima listas deste tipo. Mas o problema da
instalação e a manutenção já me preocupa
mais. Chegar ao Tibet nos tempos atuais não
vai ser fácil.
—
Nos
encarregaremos
disso.
Os
componentes são bastante pequenos para se
transportarem em avião. Este é um dos
motivos de termos escolhido sua máquina. Se
você a pode fazer chegar à Índia, nós
proporcionaremos o transporte dali. — E
querem contratar dois de nossos engenheiros?
— Sim, para os três meses que devem durar o
projeto. — Não duvido de que nossa seção de
pessoal lhes proporcionará as pessoas
idôneas.
— O doutor Wagner fez uma anotação na
caderneta que tinha sobre a mesa — há
outras duas questões. . . — antes de que
pudesse terminar a frase, o lama tirou uma
pequena folha de papel.
— Isto é o saldo de minha conta do Banco
Asiático.
— Obrigado. Parece ser. . . hum. . . adequado.
A segunda questão é tão corriqueira que
vacilo em mencioná-la. . . mas é
surpreendente a frequência com que o óbvio
se passa por cima. Que fonte de energia
elétrica tem vocês?
— Um gerador diesel que proporciona
cinquenta kilowatts a cento e dez volts. Foi
instalado faz uns cinco anos e funciona muito
bem. Faz a vida no monastério muito mais
cômoda, mas na realidade foi instalado para
proporcionar energia aos alto-falantes que
emitem as preces.
— Certamente — admitiu o doutor Wagner.
— Devia havê-lo imaginado. A vista do
parapeito era vertiginosa, mas com o tempo
se acostuma a tudo. Depois de três meses,
George Hanley não se impressionava pelos
dois mil pés de profundidade do abismo, nem
pela visão remota dos campos do vale
semelhantes a quadros de um tabuleiro de
xadrez. Estava apoiado contra as pedras
polidas pelo vento e contemplava com
displicência as distintas montanhas, cujos
nomes nunca se preocupou de averiguar.
Aquilo, pensava George, era a coisa mais
louca que lhe tinha ocorrido jamais. O
“Projeto Shangri-Lá”, como alguém o tinha
batizado nos longínquos laboratórios. Desde
fazia já semanas, o Mark V estava
produzindo acres de folhas de papel cobertas
de galimatias.
Pacientemente,
inexoravelmente,
o
computador ia dispondo letras em todas suas
possíveis combinações, esgotando cada classe
antes de começar com a seguinte. Quando as
folhas saíam das máquinas de escrever
electromáticas, os monges as recortavam
cuidadosamente e as pregavam a uns livros
enormes. Uma semana mais e, com a ajuda do
céu, teriam terminado. George não sabia que
escuros cálculos tinham convencido aos
monges de que não precisavam preocupar-se
com as palavras de dez, vinte ou cem letras.
Um de seus habituais quebra-cabeças era que
se produzisse alguma mudança de plano e que
o grande lama (a quem eles chamavam Sam
JaUe) anunciasse de repente que o projeto se
estenderia aproximadamente até o ano 2060
da Era Cristã. Eram capazes de uma coisa
assim. George ouviu que a pesada porta de
madeira se fechava de repente com o vento,
enquanto Chuck entrava no parapeito e se
situava a seu lado. Como de costume, Chuck
ia fumando um dos charutos puros que lhe
tinham feito tão popular entre os monges;
parece que eles estavam completamente
dispostos a adotar todos os menores e grande
parte dos maiores prazeres da vida. Isto era
uma coisa a seu favor: podiam estar loucos,
mas não eram tolos. Aquelas frequentes
excursões que realizavam à aldeia abaixo, por
exemplo. . . — Escuta, George — disse
Chuck, com urgência. — Soube algo que pode
significar um problema.
— O que aconteceu? Não funciona bem a
máquina? — Esta era a pior contingência que
George podia imaginar. Era algo que poderia
atrasar a volta e não havia nada mais
horrível. Tal como ele se sentia agora, a
simples visão de um anúncio de 4 televisão lhe
pareceria maná caído do céu. Pelo menos,
representaria um vínculo com sua terra. —
Não, não é nada disso. — Chuck se instalou
no parapeito, o que não era habitual nele,
porque normalmente lhe dava medo o
abismo. — Acabo de descobrir qual é o
motivo de tudo isto. — O que quer dizer? Eu
pensava que sabíamos. — Certo, sabíamos o
que os monges estão tentando fazer. Mas não
sabíamos por quê. É a coisa mais louca. . . —
Isso já o tenho ouvido — grunhiu George. — .
. . mas o velho me acaba de falar com clareza.
Sabe que acode cada tarde para ver como vão
saindo as folhas. Pois bem, esta vez parecia
bastante excitado ou, pelo menos, mais do que
está acostumado a estar normalmente.
Quando lhe disse que estávamos no último
ciclo, me perguntou, se eu tinha pensado
alguma vez no que tentavam fazer. Eu disse
que eu gostaria de sabê-lo. . . e então me
explicou.
— Segue; vou captando. — O caso é que eles
acreditam que, quando tiverem feito a lista de
todos os nomes, e admitem que há uns nove
trilhões, Deus terá alcançado seu objetivo. A
raça humana terá acabado aquilo para o qual
foi criada e não haverá sentido algum em
continuar. Certamente, a ideia mesma é algo
assim como uma blasfêmia.
— Então que esperam que façamos?
Suicidar-nos? — Não há nenhuma
necessidade disto. Quando a lista estiver
completa, Deus entra em ação e simplesmente
acaba com todas as coisas!
— Oh, já compreendo! Quando terminarmos
nosso trabalho, terá lugar o fim do mundo.
Chuck deixou escapar uma risadinha
nervosa.
— Isto é exatamente o que disse ao Sam. E
sabe o que ocorreu? Olhou-me de um modo
muito estranho, como se eu tivesse falado
alguma estupidez na classe, e disse: “Não se
trata de nada tão corriqueiro como isso”.
George esteve pensando durante uns
momentos.
— Isto é o que eu chamo uma visão ampla do
assunto — disse depois. — Mas o que supõe
que deveríamos fazer a respeito? Não vejo
que isso signifique a mais mínima diferença
para nós. Ao fim e ao cabo, já sabíamos que
estavam loucos.
— Sim. . . mas não te dá conta do que se pode
passar? Quando a lista estiver acabada e o
plano final não der certo, ou não ocorra o que
eles esperam, seja o que for, podem nos
culpar do fracasso. É nossa máquina a que
estiveram usando. Esta situação eu não gosto
nem um pouco.
— Compreendo — disse George, lentamente.
— Faz sentido. Mas esse tipo de coisas
ocorreu outras vezes. Quando eu era um
menino, lá em Louisiana, tínhamos um
pregador louco que uma vez disse que o fim
do mundo chegaria no domingo seguinte.
Centenas de pessoas acreditaram e algumas
até venderam suas casas. Entretanto, quando
nada aconteceu, não ficaram furiosas, como
se poderia esperar. Simplesmente decidiram
que o pregador tinha cometido um engano em
seus cálculos e seguiram acreditando. Pareceme que alguns deles acreditam ainda. —
Bom, mas isto não é Louisiana, se por acaso
ainda não se deu conta. Nós não somos mais
que dois e monges os há a centenas aqui. Eu
lhes tenho afeto e sentirei pena pelo velho
Sam quando vir seu grande fracasso, mas, de
todos os modos, gostaria de estar em outro
lugar.
— Isto desejo eu há semanas. Mas não
podemos fazer nada até que o contrato tenha
terminado e cheguem os transportes aéreos
para nos levar. Claro que — disse Chuck,
pensativamente — sempre poderíamos
recorrer a uma ligeira sabotagem.
— Como? Isso pioraria as coisas! — Creio
que não. Veja: funcionando as vinte e quatro
horas do dia, tal como está fazendo, a
máquina terminará seu trabalho dentro de
quatro dias a partir de hoje. O transporte
chegará dentro de uma semana. Pois bem,
tudo o que precisamos fazer é encontrar algo
que tenha de ser reparado quando fizermos
uma revisão, algo que interrompa o trabalho
durante um par de dias. Nós damos um jeito,
certamente, mas não muito às pressas. Se
calcularmos bem o tempo, estaremos no
aeroporto quando o último nome for
impresso. Então, já não nos poderão agarrar.
— Eu não gosto da idéia — disse George. —
Seria a primeira vez que abandonaria um
trabalho. Além disso, provocaria suspeitas.
Não; vamos ficar e aceitar o que venha. —
Sigo sem gostar disso — disse, sete dias mais
tarde, enquanto os pequenos mas resistentes
cavalinhos de montanha os levavam para
baixo, serpenteando pela estrada. — E não
pense que fujo porque tenho medo. O que
passa é que sinto pena por esses infelizes e
não quero estar junto a eles quando se derem
conta de quão tolos foram. Pergunto-me
como o vai tomar Sam.
— É curioso — replicou Chuck — mas
quando lhe disse adeus tive a sensação de que
sabia que nós partíamos de seu lado e que não
lhe importava, porque sabia também que a
máquina funcionava bem e que o trabalho
ficaria muito em breve acabado. Depois disso.
. . claro que, para ele, já não há nenhum
depois. . . George se voltou na cadeira e olhou
para trás, atalho acima. Era o último sítio de
onde se podia contemplar com clareza o
monastério. A silhueta dos achaparrados e
angulares edifícios se recortava contra o céu
crepuscular: aqui e lá se viam luzes que
resplandeciam como as ponteiras do flanco de
um
transatlântico.
Luzes
elétricas,
certamente, compartilhando o mesmo circuito
que o Mark V. Quanto tempo seguiriam
compartilhando?,
perguntou-se
George.
Destroçariam os monges o computador,
levados pelo furor e pelo desespero? Ou se
limitariam a ficar tranquilos e começariam de
novo todos os seus cálculos? Sabia
exatamente o que estava passando no alto da
montanha naquele mesmo momento. O
grande lama e seus ajudantes estariam
sentados, vestidos com suas túnicas de seda e
inspecionando as folhas de papel, enquanto os
monges principiantes as tiravam das
máquinas de escrever e as pregavam aos
grandes volumes. Ninguém diria uma
palavra. O único ruído seria o incessante
golpear das letras sobre o papel, porque o
Mark V era por si completamente silencioso,
enquanto efetuava seus milhares de cálculos
por segundo. Três meses assim, pensou
George, eram já de subir pelas paredes.
— Ali está! — gritou Chuck, assinalando
abaixo para o vale. — Não é belo!?
Certamente era, pensou George. O velho e
amolgado dc3 estava no final da pista, como
uma miúda cruz de prata. Dentro de duas
horas os levaria para a liberdade e a sensatez.
Era algo assim como saborear um licor de
qualidade. George deixou que o pensamento
lhe enchesse a mente, enquanto o cavalinho
avançava pacientemente. A rápida noite das
alturas do Himalaia quase se lhes jogava em
cima. Felizmente, o caminho era muito bom,
como a maioria dos da região, e eles foram
equipados com lanternas. Não havia o menor
perigo, só certo desconforto causado pelo frio
intenso. O céu estava perfeitamente
iluminado pelas estrelas familiares e
amistosas. Pelo menos, pensou George, não
haveria risco de que o piloto não pudesse
decolar por causa das condições do tempo.
Esta tinha sido sua ultima preocupação.
Começou a cantar, mas em pouco parou. O
vasto cenário das montanhas, brilhando por
toda parte como fantasmas brancos e
encapuzados, não animava a esta expansão.
De repente, George consultou seu relógio. —
Estaremos ali dentro de uma hora — disse,
voltando-se para Chuck. Depois, pensando
em outra coisa, acrescentou:
— Pergunto-me se o computador terá
terminado seu trabalho. Estava calculado
para esta hora. Chuck não respondeu; assim
George se voltou completamente para ele.
Pôde ver a cara do Chuck; era um oval
branco voltado para o céu.
— Olhe — sussurrou Chuck. George elevou a
vista para o espaço. Sempre há uma última
vez para tudo. Viram. . . sem nenhuma
comoção. . . que as estrelas se apagavam.
A viagem da mula sem cabeça
Um conto de Jorge de Palma
Embora este “conto” tenha meu nome como
autor, não posso dizer que é exclusivamente de
minha autoria. Os fatos me foram contados por
um amigo, o Josivaldo, num bar, durante uma
cervejada. Com a simplicidade de quem não
teve muito contato com o mundo literário, ele
falou: “Eu conto os fatos, que foram verídicos,
você escreve, publica e depois, a gente divide os
lucros”. Em seguida fez o relato do que vou
narrar.
João da Silva, aposentado de quase setenta
anos tinha uma paixão na vida: o seu carro. Era
um veículo de marca comum, um Corsa, mas
João zelava muito dele e o estimava, porque o
carro nunca apresentava problemas mecânicos
graves e assim ele gastava pouco com oficina.
Mantinha-o sempre bem limpo, sem ferrugens e
com pneus novos. Usava o veículo para
pequenos passeios ou então para levar a mulher
ao médico, para suas consultas costumeiras,
porque, ao contrário do carro, e devido à idade,
ela sempre apresentava alguns problemas na
máquina humana.
Na maior parte do tempo, João mantinha o
carro na garagem de sua casa, bem trancada
com um cadeado. Por isso foi grande a sua
surpresa, naquela manhã de outono, quando
viu o cadeado estourado e não encontrou o
veículo no lugar de costume.
“Roubaram o meu carro”, pensou e decidiu
procurar a polícia. Fez um boletim de
ocorrência, mas não botou muita fé de que o
Corsa seria encontrado.
Dois dias depois João recebeu um telefonema.
Um desconhecido lhe disse que encontraria o
carro a centenas de quilômetros de sua cidade.
Em seguida lhe deu o endereço exato de onde
estaria o Corsa e até agradeceu cinicamente,
pelo uso do veículo.
Com raiva, mas ao mesmo tempo esperançoso,
João pediu apoio a um filho que também tinha
um carro e poderia dirigir até lá. O filho, por
sua vez, mais precavido, lembrou-se que tinha
um amigo investigador, que estava de férias.
Por isso o convidou para a viagem, prometendo
uma gratificação.
Assim, os três viajaram juntos, aproveitando
o “passeio” e para encurtar a estória,
encontraram o carro no lugar prometido.
João ficou feliz ao ver o carro intacto e com
as chaves no volante. Fez uma vistoria geral e
notou que estava tudo em ordem. O policial foi
mais cauteloso, olhou pneus, lataria, por baixo
do veículo, nas partes internas das portas, no
porta-malas e constatou que até os assentos
estavam em ordem.
-Vai ver, eles usaram o carro apenas para uma
viagem – disse João
-Podem ter usado para trazer drogas, para
fazer algum assalto, ou para transportar
alguém foragido – comentou o policial e
acrescentou – provavelmente deu tudo certo
para eles e abandonaram o carro sem
arranhões ou buracos de bala.
- E, apesar de tudo, devem ter bom coração –
afirmou João, porque tiveram a atenção de
informar onde estava o carro.
Mas o policial ainda comentou:
-É muito estranho, porque depois de roubar o
carro anotaram seu endereço e encontraram
seu telefone na lista. Muito estranho…
O investigador ligou para a delegacia onde
trabalhava e pediu informações. Não havia
nada sobre o carro, a não ser o fato de que
tinha sido furtado.
Para voltar, eles decidiram que João voltaria
com o filho, enquanto o policial dirigia o Corsa.
A viagem transcorreu sem problemas.
Finalmente, João colocou o seu carro na
garagem e foi dormir feliz.
A felicidade teve a duração de uma noite. Na
manhã seguinte, ele teve novamente um choque
ao notar que o carro tinha sido levado. Ficou
desgostoso da vida. Quase chorou. Mas desta
vez não teve que esperar muito. Naquela
mesma manhã recebeu outro telefonema
anônimo. Por isso chamou novamente seu filho
e o investigador:
- Disseram que o carro está aqui mesmo na
cidade, ali na Avenida Brasil, quase no centro –
explicou João.
Encontraram o carro no local indicado.
Colada ao volante estava uma nota de cem
reais, com um bilhete dizendo: “Muito
obrigado, desculpe o incômodo”.
Desta vez eles notaram que um dos assentos do
veículo estava rasgado e, no assoalho, havia um
pó branco. E quem ficou branco e, depois,
vermelho de raiva, foi o investigador:
- Que droga, era droga mesmo ! Eu não usei
a cabeça e fiz o papel de “mula”, a verdadeira
mula sem cabeça!
O carro tinha sido usado para trazer e não
para levar a droga. E o policial não se
conformava de ter dirigido o veículo por
centenas de quilômetros transportando cocaína.
O Josivaldo, que me contou estes fatos, não
recebeu um tostão até agora pelos direitos
autorais. Se alguém quiser fazer uma doação...
Duas coisas são infinitas: o universo e
a estupidez humana. Mas, no que
respeita ao universo, ainda não
adquiri a certeza absoluta.
Albert Einstein
Há uma inocência na admiração: é a
daquele a quem ainda não passou
pela cabeça que também ele poderia
um dia ser admirado.
Friedrich Nietzsche
Pense por você mesmo e deixe que os
outros aproveitem o direito de fazer o
mesmo.
Voltaire
O caipira no médico
O caipira vai a uma consulta e o médico
pergunta:
- O que senhor tem?
O caipira responde:
- Uma muié, uma vaca e uma galinha...
- Não é isso... O que o senhor está sentindo?
- Ah, tá! Vontade de largá a muié, vendê a vaca
e comê a galinha com quiabo!
O exame
Um velhinho precisou fazer
um exame de contagem de
esperma.
O médico deu a ele um
potinho e disse:
- Leve isso e me traga de
volta amanhã, com uma
amostra de esperma.
No dia seguinte, o velho
voltou ao consultório e
devolveu-lhe o pote, que estava vazio como no
dia anterior.
O médico perguntou o que aconteceu e o velho
explicou:
- Bem, doutor, foi o seguinte… primeiro, eu
tentei com a mão direita, e nada. Depois,
tentei com a mão esquerda, e nada ainda. Daí,
eu pedi ajuda à minha mulher. Ela tentou com
a mão direita, com a esquerda, e nada. Tentou
com a boca – primeiro com os dentes, e
depois, sem eles, e nada. Nós chegamos a
chamar a vizinha, e ela também tentou.
Primeiro, com as duas mãos, depois, com o
sovaco e, por último, espremendo entre os
joelhos, e nada.
O médico, chocado:
-Vocês pediram ajuda à vizinha?
O velho respondeu:
- Foi. Mas nenhum de nós conseguiu abrir o
potinho.
Na delegacia
O delegado para o genro da vítima:
- Quer dizer que o senhor viu um homem
agredindo sua sogra e não fez nada?
E o genro, diz:
- Eu ia ajudar, mas achei que dois caras
batendo numa velha já era covardia demais.
O português
O português estava
dirigindo em uma estrada,
quando viu uma placa que
dizia:
"Curva perigosa à
esquerda"
Ele não teve dúvidas:
Virou à direita.
O Peixe
Patativa do Assaré
Tendo por berço o lago cristalino,
Folga o peixe, a nadar todo inocente,
Medo ou receio do porvir não sente,
Pois vive incauto do fatal destino.
Se na ponta de um fio longo e fino
A isca avista, ferra-a inconsciente,
Ficando o pobre peixe de repente,
Preso ao anzol do pescador ladino.
O camponês, também, do nosso Estado,
Ante a campanha eleitoral, coitado!
Daquele peixe tem a mesma sorte.
Antes do pleito, festa, riso e gosto,
Depois do pleito, imposto e mais imposto.
Pobre matuto do sertão do Norte!
Tem gente
Dada Moreira
Tem gente...
Que sabe ler nosso interior
Que consegue descrever em versos
Em uma expressãode amizade e amor
Tem gente...
Que nos faz bem, nos engrandece
Neste momento fico emocionada
Agradeço a Deus em uma prece.
Quando tudo parece perdido
Ensaio em meu rosto um sorriso
Vou buscar a felicidade
Um abraço!
O calor da amizade.
Tem gente de voz aveludada
Alma pura perfumadaFaz verso e poesia
Faz magia
tristeza vira alegria!
Publicado no site: O Melhor da Web em 30/09/2010
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