Escritos do
Zé Pirata
JORGE DE PALMA
Durante quase 30 anos Jorge de Palma
trabalhou como jornalista. Por vários anos, além
de atuar como editor ou repórter, escreveu textos
de humor com o pseudônimo de Zé Pirata .Aqui
estão alguns de seus textos.
Escritos do Zé Pirata
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Jorge de Palma
Os ladrões que
caíram do galho
Zé Pirata viu no jornal que estudante foi
assaltada por marginais que desceram de uma
ÁRVORE. Pois é, dinheiro que é bom não dá em
árvore, mas ladrão já está BROTANDO...
Não é à toa que dizem que para acabar com a
violência é preciso atacar a RAIZ da questão... O
pior é que tudo foi acabar no PLANTÃO policial.
Segundo o delegado, a estudante terá que
aguardar o FRUTO das investigações.
A estudante disse que os marginais pareciam
adolescentes, mas o delegado achou que eles
tinham alguma experiência. Para cair da árvore,
daquele jeito, só podiam ser MADUROS...
Árvore que dá maçã, é macieira; árvore que dá
ladrão, é ladroeira. E se os ladrões fossem
gêmeos, seria uma árvore gemealógica.
Há muitos anos, quando uma maçã caiu na cabeça
do Isaac Newton, ele descobriu uma lei da física.
Zé Pirata fica imaginando o que aquele homem
Escritos do Zé Pirata
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Jorge de Palma
genial teria descoberto se caísse um ladrão na
cabeça dele. Ele poderia definir, por exemplo a
equação
para
esclarecer
o
angustiante
questionamento. No caso de cinco ladrões caírem
de uma mesma árvore, qual deles deve ficar com
a carteira da vítima.
Advogada amiga da Bibi disse que ladrões que
caem de árvores, devem ser indiciados com base
na lei da gravidade. É por essas e outras que é
preciso dar razão para aquele estudante super
inteligente. Ele afirmou que não adianta dar
atenção só para o meio ambiente. É preciso cuidar
do ambiente inteiro. Ladrões em árvores? A que
ponto chegaram os transgênicos... Planta que dá
bandidos? Esta é a verdadeira árvore do fruto
proibido. Aliás essa árvore não dá frutos, dá
furtos...
Escritos do Zé Pirata
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Jorge de Palma
O telefonema
Alô, Pestana? Sei que deve haver muito barulho
por aí e que você está em meio a uma reunião,
mas preciso checar uma informação sobre
pedágios....
-Olha, não sei como está por aí, mas aqui não
tem barulho algum e eu já estava quase dormindo.
Além disso, eu detesto pedágios e para mim eles
podem ser colocados na ponte que partiu... Afinal,
nem sei porque você está me perguntando isso..
-É porque eu sou repórter e tive que sair um
pouco antes de terminar a reunião...
-Ah sim, mas acontece que eu não fui a
nenhuma reunião hoje...
-Mas você não é o Pestana?
-Não sou o Pestana e nem o sobrancelha.
-Já sei, o Pestana está na reunião e você ficou
com o celular dele. Será que poderia dar um
recado?
-Sinto muito. Uma vez tentaram me apelidar de
SUPER, supercílio, mas não pegou. Até nisso eu
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Jorge de Palma
sou pequeno e nem sou amigo do Pestana. Acho
que você simplesmente discou o número errado.
-Mas minha colega me garantiu que este era o
número do Pestana!
-Pois então fala para a sua colega abrir o olho,
corrigir a agenda, que eu vou fechar o meu e
voltar a dormir. Preciso pregar uma pestana antes
que comecem a cobrar pedágio até para a gente
passar para o mundo dos sonhos. Já que você
estragou a minha, desejo-lhe uma boa noite e
que... sonhe com pedágios, radares, olhos
mágicos, pequenos, grandes, pestanudos...
Escritos do Zé Pirata
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Jorge de Palma
O balão de Italalé
Em 1955, o sábio Barão de Itararé, o Aporely
para os íntimos (acreditem, o cara era gaúcho,
cho, cho e muito besteirol para sua época), já
estava seriamente preocupado (o humor é coisa
séria) com esse negócio de língua presa. Na
edição daquele ano do seu Almanaque, ele
publicava um artigo em que afirmava que há
pessoas que têm dificuldades em pronunciar
palavras, principalmente as que começam com
”erre” . E já ensinava que o defeito era facilmente
corrigível pela prática de recitativos como este:
Raivoso o rato roia
O rabo do Rodovalho
E a Rosa Rita Ramalho
Do rato roer se ria
Mas parece que o povão e nem aquela primeira
professora do Lula aprenderam a lição. Em 2003,
o não tão sábio Zé Simão constatou e propagou
que com o Lula no governo e o Palocci no
comando da economia, o pais ingressou na era da
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Jorge de Palma
língua “plesa”.
Ai a gente fica imaginando como seriam os
versinhos do Barão, nesta nova versão:
Laivoso o lato loia
O labo do Lodovalho
E a Losa Lita Lamalho
Do Lato loer se lia.
Outra frase muito famosa ficaria assim: “O lato
loeu a loupa do lei de Loma”
O mundo não para de girar e então o pessoal da
publicidade
resolveu
“Experimentar”.
Experimentaram tanto que descobriram que,
quem tem a língua plesa, na verdade fala
“egado”. É só ver a propaganda daquele cara que
experimenta, experimenta e, por fim fala
certinho: “EXPERIMENTA” Mas depois grita:
“Caganba! Não estou fagando egado!” E
novamente o Zé Pirata fica imaginado como
ficaria a famosa frase: “O gato goeu a goupa guei
de Goma”. E os versos do Barão? Como ficam?
Gaivoso do gato goia
O gabo do Godobalho
E a Gosa Guisa Gamalho
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Jorge de Palma
Do Gato goer se guia...
E toca o barco, mas não peça carona!
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Jorge de Palma
Nomes de bares
inspiram o Zé
A revista "1895 by Reebock" publicou em sua
de suas edições, uma lista com nomes de bares
mais debochados e irreverentes do Brasil. Há o
"Bar chove lá fora,. Aqui dentro só pinga", Outro
é o Bar Merindus. Foi aberto em Uberlândia,
(MG) em frente ao banco Bamerindus. O banco
não gostou, e batalhou para a mudança de nome.
O dono mudou para " O Banco Levou".
Em Niterói, no Rio de Janeiro, havia o "Mastur
Bar", que fechou nosanos 80. Outro que fechou
foi o "Fiofó", de São Paulo (SP). Era difícil para
o cliente explicar onde foi tomar uma...
A revista publica ainda outros nomes como
"Estragalar,", "Barfômetro", "De frente para o
Futuro" (Ficava em frente a um cemitério) , "Bar
Guilha" e "Bar Bicha". Mas há também a
"Lanchonete da Maria Furadinha". Localizada na
Vila de Santa Rita ( AL), recebeu este nome
porque a dona recebeu 17 facadas de um
namorado ciumento e sobreviveu para abrir o
Escritos do Zé Pirata
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Jorge de Palma
negócio... Outro Bar, em Feira de Santana (BA),
é o "Onça que ri" e fica em frente a um
concorrente, "O Tigre que chora".
Zé Pirata também conhece alguns nomes muito
originais, imaginativos, ou então pirateados. E
não é só com relação a bares. Em Americana, por
exemplo, em frente ao parque gráfico do jornal
"Tododia", há um lavajato chamado "Todahora".
Este amigo do ócio até pensou em lançar o
"Todanoite", mas se não é amigo de trabalhar de
dia, imagine à noite...
Em Pedreira, Zé Pirata conheceu o "Novo Bar do
Véio". O Véio, em questão, vendeu o seu bar
antigo e depois, arrependido, abriu um novo bar
dois quarteirões adiante. Daí o nome bem
justificado.
Em Americana, o "Bar do Brecha", foi famoso e
funcionou durante muitos anos. A Maria Pirata,
um dia se enganou e perguntou ao proprietário se
ele não ficava bravo que chamassem o local de
"Bar do Brocha". O Brecha, segundo dizem, era
jogador de futebol e tinha esse apelido, porque
sempre encontrava uma brecha, para driblar o
adversário e tocar a bola pra frente..
Escritos do Zé Pirata
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Jorge de Palma
Há ainda muitos outro nomes que o imaginário
popular vai consagrando. Há o "Bartira", que tira
tudo o que o cara ganha durante o mês. Neste
caso, Zé Pirata sugere o "Barganha", onde, pelo
menos, pode se barganhar e não deixar que o bar
ganhe tudo. Outra sugestão seria o "Barbeiro",
onde você toma uma cerveja, enquanto o
barmam/barbeiro, faz barba e cabelo. Não é
superlegal?
Seguindo a mesma linha, do pente, da régua, ou
do raciocínio, vem o "Barbosa", ou seja, o
Barbeiro, onde, enquanto você espera na fila para
cortar o cabelo, toma uma cerveja, mas depois,
tem a vantagem da aplicação da babosa., para
fortalecer os seus cabelos.
Desta vez a equipe do Zé Pirata se superou.
Descobriu o Barômetro. É o bar da loira, que tem
um aparelhinho para medir quantos homens ela
consegue reunir no seu bar por metro quadrado.
E já que o assunto é bar, Zé Pirata, doido por
estes estabelecimentos, jura que, se morasse e em
Santa Bárbara, abriria o "Barbaridade".
Entretanto, partindo para "a conversa vai,
conversa vem",
lembra a frase do amigo
Escritos do Zé Pirata
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Jorge de Palma
Sanguinata: "Cerveja sem álcool, é como ir no
baile e dançar com a irmã". Já o Quebrinha, que
está ausente, diz que "Em tempos de pinga não
chupo manga". E o Zé Pirata finaliza: "É o arco
que me deixa arto".Mas o barmam chateado
responde a quem pede meia dose: "Não lavo
meio copo e você não tem meia boca" A seguir
vem a história do cara disse: "Me dá uma saideira
que eu já vou subindo". E o barmam completou.
"É legal, assim você sobe mais alto".....
Se engana quem pensa que acabou. A história, se
é que existe alguma, não termina aí. O mundo só
vai pra frente porque continua girando. Se parasse
de repente, todos iam quebrar o nariz, o copinho
de cerveja, ou de pinga. E se o cara estivesse
bebendo na rua, teria uma casa muito engraçada,
que não tinha rede, não tinha pinga, nem
limonada. Mas se era um casa muito engaçada, só
para rimar, seria o Bar da Marmelada.
Para quem achou este artigo fenomenal, Zé
Pirata adverte. Não se iluda sobre a arte de
escrever. Um grande profissional das letras dizia
que para escrever alguma coisa bela, ou de grande
conteúdo, é preciso xis por cento de trabalho e
Escritos do Zé Pirata
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Jorge de Palma
ypisilom por cento de inspiração, ou mais ou
menos isso.
Zé Pirata, usou 50 por cento de esforço para
decidir se ia fazer alguma coisa. Depois, gastou
20 por cento de transpiração. Saiu de casa e foi
até o Bar do Zito para emprestar uma revista e
piratear alguns nomes de bares. A seguir, bebeu o
mês inteiro, para conseguir a inspiração e
inventar alguma coisa. Enquanto bebia,
conversava com os amigos, que iam ajudando
com nomes como Bar do Copo Sujo, de
Piracicaba, que não suja o copo, mas ao
contrário, o congela com sal e limão nas bordas,
para a cerveja ficar "trincando" e mais saborosa.
O outro disse que em Santa Bárbara tem o BarBa-Ra e que em Americana tem ou tinha do Bar
do Espingarda.
E tem também o bar do
Ferramenta. É mole ou quer mais? O Júnior que
se cuide. E quem achou a ilustração do Zé Pirata,
meio meiga., que vá tomar uma no Barbicha, ou
naquele barzinho lá de São Paulo, o Fio.... o que
mesmo?
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Jorge de Palma
Assistência aos mortos
Começou a campanha política e agora surgem
jornais gratuitos de todos os lados. Logo
aparecerão as promessas. Tem candidato que
promete de tudo. Pior ainda, tem alguns, que
vencem a eleição e depois apresentam projetos de
matar o bom senso!. No ano de 2002, um famoso
vereador de Americana, apresentou na Câmara,
(lógico que só podia ser lá), um projeto de lei,
que teve, inclusive, edital publicado no jornal
ofical, o qual dizia textualmente, que "o objetivo
é prestar atendimento psicológico, jurídico e
social às vítimas de homicídios e latrocínios e
aos seus familiares". Foi aí que o Zé Pirata, este
intrépido homem das letras, descambou a delirar.
Prestar assistência aos familiares, tudo bem, mas
às vítimas de homicídio?
Como seria o
atendimento psicológico às pessoas mortas
durante o assalto?
---x--Escritos do Zé Pirata
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Jorge de Palma
Do psicólogo ao assassinado: "Tá certo que foi
uma experiência traumatizante, mas veja o lado
positivo. Agora você pode ter a certeza de que
isso nunca mais vai acontecer com você"
---x--Colaborador sugeriu que a Prefeitura nem
precisa fazer concurso para psicólogo. Basta
contratar o Bruce Willys, do "Sexto Sentido".
---x--Frase caprichada da semana atribuída àquele
menino do "Sexo Sentido" e ao vereador de
Americana que apresentou o projeto: "Eu vejo
gente morta!".
---x--.
Obviamente que aquela sessão para deliberação
do projeto para atendimento social e psicológico
aos mortos não seria uma solenidade comum. No
mínimo seria uma sessão espírita...
---x--Dá até para ficar imaginando a sessão à luz de
vela. Parece até sessão do apagão. E os
vereadores todos sentados com aquela ar de
Escritos do Zé Pirata
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Jorge de Palma
gravidade nos semblantes. Há até aquele que não
precisa se esforçar muito, porque normalmente já
fica com cara de morto mesmo, he, he, he....
---x--Psicólogo que for contratado pela prefeitura
pode até oferecer desconto. Com a vítima deitada
no caixão, de paletó e gravata, lá no velório, e as
pessoas desabafando tudo, ele nem vai precisar de
consultório, ou do famoso divã....
---x--Assistência jurídica e psicológica aos mortos?
Como diria aquela colunista da Folha, este é o
País da Piada Pronta. E o Zé Pirata completa: esta
veio embalada para exportação: Até para o
Além...
Advogado de porta de cadeia, a gente já
conhecia. Agora vai ter advogado de porta de
velório! (Como se não existisse)..
---x--Aí o morto chega para o advogado mais caro da
cidade, na porta do cemitério e diz:
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Jorge de Palma
-Eu sei que o senhor é um advogado caro, mas
agora que tenho um subsídio de R$ 1 mil
aprovado pela Câmara, posso lhe fazer uma
pergunta?
-Claro, qual é a segunda?
---x--Assim que soube do projeto de apoio aos
mortos, a equipe de pesquisa do Zé Pirata, a PP
(Pirataria Pura), procurou dar sua colaboração
para as vítimas. Para isso, nada como frases
bonitas e apropriadas para as lápides. Mas como
cada caso é um caso, aqui vai tudo separadinho
do jeito que encontramos na internet:
Espiritualista: Volto já.
Alcoólatra: Enfim sóbrio
Cartunista: Partiu sem deixar traços!!!
Delegado: Ta olhando o que? Circulando,
circulando
Ecologista: Fui extinto.
Funcionário público: Veja no túmulo ao lado
Garanhão: Rígido como sempre
Hipocondríaco: Eu não disse que estava doente?
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Jorge de Palma
Humorista: Isso não tem a menor graça
Jangadeiro diabético: Foi doce morrer no mar
Judeu: O que vocês estão fazendo aqui. Quem
está tomando conta da lojinha?
Ninfomaníaca: Uau, esses verme vão me comer
todinha!
Agrônomo: Favor regar solo com Nevugon (Evita
vermes)
Pessimista: Aposto que está fazendo o maior frio
no inferno!
Psicanalista: A Eternidade não passa de um
complexo de superioridade mal resolvido
Sanitarista: Sujou!
Sex Simbol: Agora só a terra vai comer
Viciado: Enfim, pó!!!
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Jorge de Palma
Frases do Zé Pirata
Durante alguns anos escrevi coluna para um
jornal, com o pseudônimo de Zé Pirata. Aqui vai
uma coleção de frases publicadas:
Mais vale um pássaro na mão do que dois voando
no céu da boca...
Em terra de cego quem tem um olho é
É o “arco” que me deixa “arto”.
Ele não moveu uma palha para ajudá-la e depois
justificou que o colchão era de espuma...
Aí o canibal chegou no banquete e pediu: “Me dá
um pé-de-moleque”
Radar é aquela maquinha de multar, que a
prefeitura coloca onde menos se espera.
Na vida tudo passa, menos o ferro elétrico com a
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Jorge de Palma
resistência queimada...
Quando os presos fogem, a cadeia fica vazia. Vira
prisão de vento!
”Escrever para mim é como respirar”, dizia a
escritora, quando o repórter a interrompeu: - Um
instante, por favor, acho que a minha caneta está
com falta de ar...
Quanto tiveres uma ideia súbita, guarda-a para
não ser uma ideia subtraída.
Quem ri por ultimo não tem desconto. Mesmo
que esteja no teatro, paga inteira.
Diretor do DAE mordeu orelha de contribuinte e
prefeito fez ouvidos de mercador.
Depois que viu uma propaganda de combate a
AIDs aconselhando a diminuir parceiros, a Bibi
arrumou um namorado bem baixinho...
Devagar se vai ao longe, desde que você não
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Jorge de Palma
esteja andando ao contrário em uma escada
rolante.
As 99 maneiras de acabar com o stress. Só de
pensar em ler todas elas, o Zé Pirata ficou
estressado.
Zé Pirata avisa: Esta página é melhor visualizada
se for lida com os olhos bem abertos.
Internet na agência do Correio é um Correio sem
selo, mas não sem sê-lo.
Perder o jogo de cabeça erguida não é um grande
privilégio. Qualquer enforcado morre assim.
Mais vale um vale no dia 20 do que uma
cobrança neste vale de lágrimas.
Mais vale uma bengala na mão de um cego do
que um pão bengala na mão do homem de barriga
cheia.
Duas cabeças na guilhotina pensam menos do que
Escritos do Zé Pirata
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Jorge de Palma
uma.
A mania de limpeza era tanto, que o frango
cheirava a pinho.
Se uns podem fazer uma obra prima, porque
outros não podem fazer uma obra tia?
Do jeito que as coisas vão, logo, logo o sujeito
vai pagar pedágio até pela Internet. É o pedágio
sem sair de casa...
Deu no jornal: Cai o movimento nos cemitérios.
Provavelmente os mortos estão mais tranquilos.
Edição de dicionário vai incorporar mais 60 mil
verbetes. Não temos palavras para expressar
nossa admiração
Em terra de pimpolho, quem mata um piolho,
mesmo que só tenha um olho, não deixa de ser
zarolho.
Frase jornalística: Quem confere o furo é porque
Escritos do Zé Pirata
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Jorge de Palma
foi furado?
Mario Quintana dizia que os livros mudam as
pessoas. Zé Pirata também acha. Alguns estão tão
caros que deixam elas mais pobres.
Já tem clonagem de animais, de telefones, de
carros, de cartões de crédito. Será que ninguém
vai inventar um clone de pagador de dívidas?
Mulheres bonitas na exposição. Os marmanjos
não sabiam se apreciavam as obras das artistas
plásticas ou a plástica das artistas.
Filosofando: Sapo que é sapo sabe entrar e sabe
sair porque, como dizia o Galileu Galisteu, o
mundo é uma bola e jacaré nada de costas.
Pão não engorda, carne gordurosa não engorda,
macarrão não engorda, doces não engordam.
Quem engorda é quem come tudo isso,
principalmente ser for num dia só.
Escritos do Zé Pirata
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Jorge de Palma
Os amigos do colunista
Allan Brado
Passos Dias Aguiar
Allan Bique
Klauss Trofobia
Caio Rolando Montes
Pas tor Nado
Aquino Rego da Costa
Jai me Liante
Osmar Ginal
Sérgio Mento
Amadeu K.Lote
Adria no Gento
Ali ce Gonha
Alcides Truido
Agostinho A.Margo
Vitor Tura
Eva Dia
Feli pe Ralta
Hugo Zado
Lucas Tigo
Escritos do Zé Pirata
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Jorge de Palma
Armando Treta
Beatriz Teza
José D. Mente
Zeca Libre
Stam Paria
Alcides Tino
Lucimar Tirio
Regina Tural
Pascoal Cólico
Angélica Tuaba
Juca Tólico
Omar Telo
Julia Cafe Tina
Joca Fetão
Tomaz Oquista
Xuxa Rope
Telma Luca
Juliana Degas
Mickail Pinto
H.Romeu
Eder Tegente
Orestes Tículos
Oto Mate
Odete Stavel
Escritos do Zé Pirata
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Jorge de Palma
Clemente Capto
Martim Becil
Evandro Gado
Farid Ota
Samuel Nuco
Serafim Demundo
Olivia Duto
Hamilton Tice
Darci Garrro
Olivio Lento
Professor Vete
Osmar Ionete
Inspetor Mento
Pastor Tuoso
Jenifer Mento
Chico Brado
João D. Lirio
Inspetor Neira
Ju Mento
Escritos do Zé Pirata
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Jorge de Palma
Como surgiu o Zé Pirata
Apesar de ter feito algumas entrevistas com o
Zé Pirata a ponto de ter subsídios para me atrever
a falar sobre ele, devo esclarecer, logo de início,
que nunca descobria sua verdadeira identidade.
Além do famoso tapa olho,ele sempre se
apresentou usando uma máscara da Tiazinha e um
véu da Feiticeira, tornando-se completamente
irreconhecível. Muito embora, sem uma
personalidade física palpável, sem ter uma “cara”
ele sempre demonstrou uma grande personalidade
, um grande caráter (com trocadilho, seria ter
cara). De qualquer modo, ou de um modo único,
Zé Pirata continua mais anônimo, que o catador
de latinhas da esquina.
Conheci Zé Pirata em sua cidade natal, cujo
verdadeiro nome ele nunca revelou, mas que
sempre chamou de Modelópolis. Isto porque o
prefeito Cláudio Consciência do Povo insistia em
dizer que transformaria a sua cidade em um
modelo. Uns dizem dizem que ele transformou o
Escritos do Zé Pirata
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Jorge de Palma
município
numa
cidade
pacata,
com
infraestrutura, escolas e muito paternalismo. Já a
oposição fala que a cidade diminuiu tanto, sem
indústrias, sem poluição, sem população e ficou
tão magrinha que parece a Gisele Bundchem, um
verdadeiro modelo...Mas uma coisa é verdade. A
cidade era tão pacata que não tinha notícia. Um
dia, o jornalista da cidade foi entrevistado por
uma rede de televisão sobre como era fazer um
jornal onde não tinha notícia policial e a cadeia
estava sendo desativada por falta de preso. “A
gente brinca, conta piadas “, disse e ele. Morador
da cidade, Zé Pirata ficou profundamente
matutando naquilo.
Numa de suas raras entrevistas, o modesto Zé
Pirata contou que , no fundo, no fundo, sem
nenhuma alusão a cuecas ou calcinhas, sua
grande preocupação sempre foi manter a
autenticidade. No falso mundo em que vivemos, a
pirataria, apesar de toda a luta do generais que
batalhavam contra os piratas de alto mar, acabou
se generalizando.
Zé Pirata comenta que quando se lê uma frase,
vem logo as aspas e o nome do autor. Quando se
Escritos do Zé Pirata
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Jorge de Palma
lê um livro, lá está o famoso nome do escritor.
Quando se canta uma música tem o abençoado
nome do compositor. Quando alguém apresenta
uma indicação de colocar lombada na rua tal, lá
está o famigerado nome, com a abençoada sigla,
do vereador...MAS, E QUANDO SE CONTA
UMA PIADA? Todo mundo sabe o nome do cara
que contou. É o Cisco Anísio, é o Ari Dolado, é o
fulano da “Praça É Vossa”. Mas, quem é o autor
da piada? Isso ninguém sabe. Quem já foi
processado por ter cometido plágio com uma
piada? E de onde surgem as piadas? Isto levou
aquele angustiado homem dos mares nunca
dantes navegados a uma profunda reflexão: “Se
eu não sei de onde vem, como posso contar uma
piada, usando a minha própria identidade? Como
posso ser eu, se falo aquilo que não criei ou criei
aquilo que ninguém falou? Se penso, logo existo,
mas se falo, sem pensar e não desisto, onde
poderei chegar, se o meu carro está sem gasolina
e com tantos pedágios? Se a necessidade é mãe,
quem é o pai? E foi assim, neste bug psicológico,
que nasceu o homem mascarado com o famoso
tapa-olho.. É um pássaro? É um avião? Por que
Escritos do Zé Pirata
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Jorge de Palma
um tapa-olho? Olha, está na cara! Quem não
gostaria de ser um grande escritor como o
Camões? Apesar de escrever com as mãos, e não
dar as “mões”, como disse um locutor de
Paulínia, ele usava um tapa-olho. E quem pirateia
coisas dos outros, o que é? Um grandessíssimo
pirata. E foi assim que este angustiado homem de
imprensa decidiu optar pelo máximo da
autenticidade e incorporou a personagem. Ao
contrário de outros que se acham o máximo por aí
ele pensou. “Se sou Zé Pirata, se pirateio,
ninguém, poderá me acusar de falsidade
ideológica, ou de exercício ilegal da profissão...”
E foi assim, com esse raciocínio ratológico, que
ele começou pirateando piadas e frase dos outros.
Mas depois criou um estilo próprio, que não
deixava de ser um estilo de próprio de afanar as
piadas. Muito raramente, Zé Pirata conseguia
achar a luz no fim do túnel e fazer uma única e
exclusiva frase. Um dia, depois de beber tudo o
quanto era possível, abortou a frase, que tornou
uma de suas características: “ É o arco que me
deixa arto” Era o máximo do mínimo: “É minha,
fui eu que criei!”. Ele conta que riu sozinho,
Escritos do Zé Pirata
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Jorge de Palma
durante três dias, até que obra a prima foi
publicada no jornal e ganhou a Internet, se
propagando nos sites besteiróis do mundo todo.
Mas lentamente, ele foi criando gosto pela coisa,
até que descobriu a máxima das máximas: Na
verdade, na verdade, como dizia o tal do
Eclesiastes, não existe nada de novo embaixo do
sol, mas o Zé Pirata pergunta: E em cima? E foi
por isso que começou a questionar tudo, muito
embora sem ter nenhum profundo conhecimento
filosófico. Sem ter consciência do que estava
fazendo, basicamente, Zé Pirata estava atrás da
pedra filosofal. Quem são os autores das piadas?
Como eles conseguem produzi-las? Se eu tivesse
uma maquininha de fazer piadas não poderia ficar
milionário? Será que nas suas horas de angústia
diante de uma máquina de escrever o Carlos
Manoel da Não Brega já não pensou nisso? E foi
assim que Zé Pirata iniciou a sua peregrinação...
Ler e estudar. Um dia, quando escreveu algumas
coisas, no jornalzinho de Modelópolis, e alguém
correu para perguntar como ele tinha feito aquilo,
respondeu com toda a humildade: “Não sei, é
como se um espírito tivesse baixo em mim e
Escritos do Zé Pirata
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Jorge de Palma
então surge”. Depois, diante da insistência, em
saber, qual espírito, ele retrucou: “Deve ser o
espírito de porco....”
Escritos do Zé Pirata
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Jorge de Palma
Escritos do Zé Pirata
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