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ALCOOLISMO: A VIVÊNCIA DAQUELES QUE LUTAM CONTRA A DOENÇA
ALCOHOLISMO: THE EXPERIENCE OF THOSE WHO FIGHT AGAINST THE
DISEASE
Lorena Fortunato Rodrigues de Oliveira
Enfermeira. Graduada pelo Centro Universitário do Leste de Minas Gerais – Unileste.
lorena_fortunato@hotmail.com
Ricardo Alexandre da Silva Cobucci
Enfermeiro. Especialista em Docência do Ensino Superior. rascobu@yahoo.com.br
RESUMO
O alcoolismo é uma doença grave caracterizado pelo consumo excessivo e prolongado do álcool,
resultando em várias complicações orgânicas, psicológicas, familiares e sociais. Dentro das
possibilidades de tratamento e recuperação da referida doença, destacam-se os Alcoólicos Anônimos
que é uma estratégia de recuperação onde os membros compartilham suas experiências ajudando
uns aos outros. O estudo objetivou analisar a percepção do alcoólatra associado ao Grupo
Reencontro de Alcoólicos Anônimos no enfrentamento da doença. Trata-se de uma pesquisa
qualitativa de caráter descritivo. O estudo foi realizado com 14 membros de um grupo de AA da
cidade de Coronel Fabriciano - MG. Como instrumento para a coleta de dados foi elaborado um
roteiro de entrevista. Os resultados obtidos revelaram que na opinião dos participantes o alcoolismo é
uma doença que afeta os doentes e todos que com eles convivem, trazendo diversas interferências
na vida social, familiar e profissional e que a busca de tratamento pelos Alcoólicos Anônimos foi a
ultima solução encontrada por eles.
PALAVRAS – CHAVE: Alcoolismo. Alcoólicos Anônimos. Dependência.
ABSTRACT
The alcoholism is a serious disease characterized by excessive and prolonged consumption of
alcohol, which results in multiple organic, psychological, familial and social complications. Within the
possibilities of treatment and recovery of this disease the outstanding one is the Alcoholics
Anonymous which is a strategy of recovery where the members share their experiences helping one
another. The study aimed to analyze the perception of the alcohol addict associated to the group
Reencontro de Alcoólicos Anônimos in fighting the disease. It is a qualitative research with descriptive
approach. The study was conducted with 14 members of an AA group in the city of Coronel Fabriciano
– MG. An interview script was elaborated to be the data collection instrument. The results revealed
that in the participants’ opinion the alcoholism is a disease that affects the patient and everyone who
live with them bringing many interference in social life and family and that seeking for treatment at the
Alcoholic Anonymous was the last solution they found.
KEY WORDS: Alcoholism. Alcoholic Anonymous. Addiction
INTRODUÇÃO
O álcool é uma substância que acompanha a humanidade desde sua origem,
como elemento de rituais religiosos, comemorações e confraternizações, tem tido
também várias funções, atuando em medicamentos, perfumes e principalmente
componentes de bebidas que acompanham a sociedade (GIGLIOTTI; BESSA,
Revista Enfermagem Integrada – Ipatinga: Unileste, V.5 - N.2 - Nov./Dez. 2012.
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2004).
A realidade do mundo ocidental é de que pelo menos 90% da população adulta
consome algum tipo de bebida alcoólica, também é real que 10% destes poderão
desenvolver alguma patologia proveniente do álcool e que outros 10% se tornarão
dependente da bebida (ALIANE; LOURENÇO; RONZANI, 2006).
O alcoolismo é considerado um sério problema de saúde pública. Estima-se
que 12,3% da população brasileira é dependente de álcool e a prevalência da
dependência está na faixa etária de 18 a 24 anos, totalizando 19,2% destes
(CEBRID, 2005).
O consumo prejudicial de bebidas alcóolicas pode resultar em uma série de
complicações como: surgimento de doenças, maior risco para os traumatismos e
ferimentos, distúrbios psicológicos, conflitos familiares, problemas no ambiente de
trabalho e conflitos com a lei (SCHIMIDT et al., 2010).
No cenário de tratamento e recuperação dos alcoólatras destacam-se os
Alcoólicos Anônimos (AA). A irmandade dos Alcoólicos Anônimos nasceu em 1935,
em Akron, Estado de Ohio, nos Estados Unidos. Os AA desempenham um papel
fundamental e uma estratégia muito importante na terapêutica contra o alcoolismo,
sendo um recurso muito utilizado para aqueles que enfrentam a doença (CAMPOS,
2004).
Trata-se de um programa de recuperação baseado em 12 passos e em 12
tradições, cujo objetivo é evitar o primeiro gole, mantendo assim sua sobriedade
(CAMPOS, 2004).
Fornaizer e Siqueira (2006) dizem que no Brasil a assistência ao usuário de
álcool foi efetivada através do Programa Nacional de Controle dos Problemas
Relacionados com o Consumo do Álcool (PRONAL), onde a atenção à saúde é
dirigida especificamente para essa problemática, bem como a participação de
diversos profissionais de saúde na assistência ao alcoolista e aos seus familiares.
Neste cenário é que se encontra o enfermeiro como um profissional importante
na prevenção de doenças e na proteção e promoção da saúde, integrando as
equipes multiprofissionais, devendo atender os pacientes alcoólatras de forma
integral com foco nas estratégias de redução de dados, em ações de redução do
consumo e conseqüências. A assistência a estes pacientes deve ser caracterizada
pela prevenção, tratamento e reinserção social dos dependentes (SOUZA;
SIQUEIRA, 2005).
O alcoolismo é uma condição de dependência, caracterizada por uma
compulsão ao consumo do álcool de forma incontrolável e em grande volume
culminado em danos orgânicos que podem trazer como conseqüência doenças
graves, o que torna necessária uma preocupação efetiva de seu conhecimento,
tratamento e prevenção, bem como problemas relativos ao enfrentamento da
dependência, motivo pelo qual foi despertado o interesse em realizar esta pesquisa.
Estudos sobre o alcoolismo são relevantes para os profissionais de saúde,
inclusive o enfermeiro, assim como para a sociedade em geral, pois se fazem
importantes novos elementos para a compreensão deste fenômeno, já que se trata
de um problema de saúde pública.
Os estudos sobre o alcoolismo ainda são pouco numerosos e explorados
cientificamente diante da magnitude dos problemas acarretados pelo mesmo. A
sociedade tem dificuldades em reconhecer o alcoolismo como uma doença grave.
O estudo objetivou analisar a percepção do alcoólatra associado ao Grupo
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Reencontro de Alcoólicos Anônimos no enfrentamento da doença.
METODOLOGIA
Trata-se de uma pesquisa qualitativa de caráter descritivo. O estudo foi
realizado com membros de um grupo de AA da cidade de Coronel Fabriciano - MG.
A população da pesquisa foram os membros do Grupo Reencontro de Alcoólicos
Anônimos, totalizando 450 cadastrados na instituição. A entrevista foi realizada com
14 membros do grupo que compareceram as reuniões nos dias de coleta de dados,
sendo que aconteceram no mês de maio e junho de 2011.
O método empregado para seleção da amostra foi de amostragem por
conveniência. Os critérios de inclusão dos sujeitos de pesquisa foram: ser membro
do grupo supracitado, ter idade igual ou superior a 18 anos e concordar em assinar o
termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).
Como instrumento de coleta de dados foi utilizado um Roteiro de entrevista
elaborado pela pesquisadora de acordo com os objetivos da pesquisa. Os relatos
foram gravados em um dispositivo eletrônico para posterior transcrição.
A entrevista foi aplicada aos participantes no mesmo local onde ocorrem as
reuniões do grupo, observando e respeitando sempre a privacidade dos mesmos
bem como a sua disponibilidade para participar. Foi solicitada à instituição
pesquisada uma carta de autorização para realização da pesquisa. A entrevista
somente teve início a partir da autorização prévia do coordenador do Comitê
Trabalhando com Outros (CTO) e do membro da instituição que houvesse
concordado e assinado o TCLE.
Os dados foram gravados e transcritos na íntegra por intermédio do Programa
de áudio Windows Media Player. A discussão ocorreu por meio da interpretação dos
dados.
A interpretação dos dados ocorreu através da análise das entrevistas e foi
exposta por meio de textos descritivos, na seqüência foram analisados e
comentados de acordo com a literatura referente ao tema da pesquisa.
Conforme a Resolução n. 196 de 10 de outubro de 1996 do Conselho Nacional
de Saúde que regulamenta a pesquisa com seres humanos foi fornecido aos
participantes o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido que foi assinado em
duas vias de igual teor (BRASIL, 1996). Durante o estudo não foram divulgados
quaisquer dados que identificasse o participante, seus nomes foram substituídos
pela letra P e um número correspondente ao número da entrevista.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
O primeiro passo para o dependente alcoólico buscar ajuda para se tratar é, na
maioria das vezes, compreender o alcoolismo. A compreensão de determinadas
situações está diretamente ligada às experiências de vida de cada um. Desta forma
foi importante perguntar aos participantes da pesquisa como é ser um alcoólatra.
Algumas das respostas obtidas foram:
Ser um alcoólatra é ser uma pessoa que se entregou ao vício da bebida. Ele
adquire o hábito de beber e através desse hábito de beber constantemente
ele vai passando por um processo de adaptação no seu organismo e o
organismo vai acostumando com a bebida e vai adaptando a esse processo
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de beber todo dia até que ele chega na dependência. (P4)
Ser alcoólatra é ser doente, é ter o hábito de fazer o uso da bebida, eu não
nasci assim, mas pelo hábito de beber na juventude eu criei um vínculo com
o álcool e fiquei dependente, eu sou um dependente químico do álcool. (P5)
Ser alcoólatra é simplesmente ser uma pessoa doente. É uma doença que
não tem cura. A cura dela é feita simplesmente através de recuperação
dentro de uma sala de AA ou então em uma clínica de recuperação. (P6)
O alcoólatra é uma pessoa doente né? É uma doença que geralmente a
gente tem a consciência de ter, geralmente ela é hereditária, mas às vezes
pode não ser, mas ser um alcoólatra é a pessoa que bebe exageradamente,
compulsivamente, todos os dias como eu fazia [...] (P11)
Nas repostas observa-se três núcleos que nortearam as narrativas dos
participantes sendo eles a doença, o hábito e a dependência. Segundo Schmidt et
al. (2010) o alcoolismo é uma doença crônica desencadeada pela intoxicação
causada pelo consumo de bebidas alcoólicas. A doença é desenvolvida em cada
pessoa em ritmos diferentes, isso depende das condições físicas, mentais e
psicológicas, grau de tolerância ao álcool e tipo de bebida ingerida.
O hábito consiste no ato rotineiro de consumir bebidas alcoólicas, em que a
partir desse uso contínuo a pessoa pode se tornar dependente desta substância.
Segundo Jolivet (2011), o hábito é determinado por dinamismo e automatismo, em
que se desenvolve o mecanismo do ato habitual entendido assim como impulso
automático para continuar até o fim um ato ou um conjunto de atos a partir do sinal
que os desencadeou. Ainda, de acordo com a classificação dada, o hábito do
alcoolismo se enquadra no hábito moral, sendo aquele que interfere na vontade de
continuar a consumir o álcool.
Aliane, Lourenço e Ronzani (2006) dizem que a dependência é o resultado de
uma interação dos efeitos fisiológicos das substâncias psicoativas no cérebro e
como o usuário interpreta a situação. Se uma pessoa consome uma substância e
sente um efeito satisfatório, provavelmente tal ação se repetirá.
A dependência alcoólica resulta em prejuízo não somente para o usuário, no
que tange a saúde física e psíquica, sendo as relações familiares também
prejudicadas, havendo da mesma forma envolvimento direto no cotidiano,
interferindo nas atividades sociais e no trabalho. Quando indagados sobre a
interação do alcoolismo em seu cotidiano, foram observadas as seguintes respostas:
Foi um desastre, um verdadeiro desastre porque eu cheguei a querer
separar, pedi a morte tudo isso. Eu cheguei a um ponto que eu não tinha
mais vontade trabalhar, eu não participava de nada da sociedade, não
participava de movimentos e depois que eu vim pro Alcoólicos Anônimos é
eu fui enxergar isso [...] (P4)
Ele interagiu sim em todos os aspectos, social, familiar, no trabalho, já
trabalhei de ressaca. O trabalho não rendia porque eu tava de ressaca [...]
eu não participei da educação dos meus filhos, eu dirigia embriagado, eu
levava a vida no acaso, levava uma vida irresponsável. No social a mesma
coisa, eu só ia a lugar que me interessava, se tivesse bebida eu ia se não
tivesse eu não ia. (P5)
Interferiu muito porque eu bebia durante o dia, no horário de trabalho, na
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hora de estar cuidando das minhas obrigações eu estava bebendo [...] (P11)
De acordo com os relatos acima se observa que a influência do álcool é muito
grande sobre a vida dos usuários, constatando-se prejuízos importantes nas
relações de trabalho havendo comprometimentos nas atividades laborais e com
relevante repercussão nas relações familiares.
O alcoolismo gera um transtorno comportamental nos dependentes,
ocasionando uma inversão de prioridades dos mesmos, onde o consumo do álcool
adquire maior significância do que as relações sociais, familiares e de trabalho,
sendo observadas nas falas supracitadas.
Para Sena et al. (2011) o alcoolismo é representado como uma doença grave,
que afeta não apenas o doente, mas todos que convivem direta ou indiretamente
com ele, trazendo vários prejuízos para o desenvolvimento das pessoas e para
qualidade de vida e de saúde daqueles que convivem com o problema.
Filizola et al. (2006) ressaltam ainda que os efeitos do alcoolismo atuam
negativamente sobre todas as relações familiares e que os prejuízos sobre os filhos
acarretam sérias repercussões.
As estratégias de tratamento perpassam por diversos modelos, sendo o
compartilhamento de experiências a que os dependentes buscam no apoio de seus
pares e coragem para suportar as dificuldades do processo. Neste contexto o AA é
uma estratégia onde homens e mulheres compartilham suas experiências com o
álcool afim de ajudar a si mesmos e aos outros na recuperação do alcoolismo.
Diante disto os participantes foram interrogados sobre os motivos de terem buscado
a ajuda do AA em sua recuperação. Obteve-se as seguintes respostas:
Porque eu realmente estava no fundo do poço precisando de uma ajuda e o
médico me disse que eu ainda tinha chance e que meu fígado ainda não
estava todo “comido” e o remédio que ia passar pra mim, o meu corpo físico
ia melhorar, mas que o remédio para o alcoolismo não tem cura. (P6)
Porque a situação ficou difícil demais, quando eu não tinha mais lugar pra
por o pé em lugar nenhum no mundo eu arrisquei vim nos Alcoólicos
Anônimos pra ver se dava certo [...] (P8)
Porque eu não tive outra saída, não era a minha vontade. A minha vontade
era de beber e não ter problema, como eu não encontrei jeito de beber sem
ter problema eu cheguei a uma fase crônica da doença. Vim parar aqui não
por acaso, mas vim parar aqui pra fazer minha descoberta a respeito do que
nós chamamos de doença do alcoolismo e esta descoberta fez com que eu
possa entender que eu era impotente perante a qualquer dose de qualquer
bebida que contém o álcool e que minha estrutura é diferente daqueles que
podem ou acham que podem beber controladamente [...] (P9)
Nota-se através dos depoimentos apresentados que a busca dos participantes
pelo AA aconteceu quando a situação ficou difícil de ser controlada por seus
próprios meios. Para eles o AA foi o último recurso para se obter sucesso na
recuperação da doença.
Para Campos (2004) a expressão “fundo do poço” significa um estado de
decadência física e moral em que se encontra o indivíduo, permitindo a ele uma
síntese de seu estado de dependência e impotência perante o álcool, notadamente
representada pela narrativa de P6.
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Noutro momento, é possível observar que não há por parte do alcoólatra a
intenção clara de abandonar o vício, uma vez que este vislumbrava uma tentativa de
permanecer usando o álcool sem que o mesmo pudesse acarretar em prejuízos para
sua vida, relatado na fala de P9.
De acordo com Fontanella e Turato (2002) existem várias barreiras que
dificultam ou impedem os dependentes de substâncias psicoativas em procurar o
tratamento, sendo algumas delas considerar que o problema não é tão grave,
considerar que o tratamento não seja efetivo o suficiente para que possa haver uma
mudança em sua vida e não desejar abandonar o prazer de consumir a substância.
As dificuldades encontradas pelos dependentes no processo de recuperação
do alcoolismo são diversas, fato que, em grande número de casos é preponderante
para a desistência do tratamento por parte dos dependentes. Assim, os participantes
foram interrogados sobre as dificuldades encontradas no tratamento, onde foram
obtidas as seguintes respostas:
Então, as dificuldades foram só a abstinência nos primeiros tempos, mas
isso agente voltando a pensar nos prejuízos que agente vai ter, agente
consegue ter mais facilidade pra prosseguir nesse caminho. (P5)
A dificuldade no começo era a abstinência, era ficar sem beber, eu achava
que por ser um alcoólatra eu não iria conseguir parar de beber, mas
realmente as primeiras fases, os primeiros três meses são os meses mais
difíceis isso foi uma das dificuldades que eu tive [...] (P6)
Através dos relatos acima nota-se que a abstinência de bebidas alcoólicas é
uma etapa que dificulta o processo de recuperação do alcoolista, pois as alterações
em seu organismo, referente à interrupção do uso da substância, leva-o a
pensamentos negativos e a atitudes que estão fora de seu controle.
Segundo Maciel e Corrêa (2004) a Síndrome de Abstinência Alcoólica (SAA) é
um conjunto de sinais e sintomas que se manifestam nas pessoas que bebem de
forma excessiva quando diminuem ou se abstêm totalmente da substância.
É possível observar que o período de maior dificuldade, encontrada pelos
participantes, são os primeiros dias de abstenção da substância. Para Luis, Lunetta
e Ferreira (2008) os sintomas de abstinência se iniciam, comumente, entre 24 e 36
horas após a redução ou abandono da bebida, podendo variar esse período entre
seis e 72 horas, sendo os principais deles tremores, ansiedade, insônia, náuseas e
inquietação, durando em média seis a dez dias.
Na recuperação de qualquer doença existe os fatores que ajudam o paciente
recuperar-se delas. No alcoolismo não é diferente, vários fatores podem contribuir
com o dependente alcoólico a enfrentá-lo. Percebe-se através dos seguintes
depoimentos:
A freqüência de reunião isso contribui né? e também levar a mensagem né?
para aquela pessoa que bebe exageradamente, essas são as coisas que
me ajudam. (P1)
A freqüência nas reuniões. Cada vez que eu venho aqui eu me sinto bem
melhor. (P3)
O que mais contribui pra recuperação é mesmo a participação com o grupo
e tem também um fator muito importante que é o apoio da família, o apoio
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da família é importantíssimo. (P4)
É a admissão que eu sou impotente perante o álcool [...] (P5)
As narrativas apresentadas mostram que na opinião dos entrevistados a
freqüência nas reuniões de AA é um fator muito importante para o enfrentamento do
alcoolismo, já que permite a troca de experiências fortalecendo a sensação de bem
estar. Ainda se vê a relevância do apoio familiar e do auto-reconhecimento do
alcoolismo como fatores preponderantes.
Ferreira (2011) diz que o efeito terapêutico do AA está nas narrativas dos exbebedores, uns para os outros, sobre suas experiências com o álcool, pois elas
permitem a recuperação e reordenação da vida social de seus membros.
Schenker e Minayo (2004) afirmam que no tratamento de abuso de álcool e
outras drogas a abordagem familiar é, de uma forma geral, mais eficaz do que as
outras.
Rodrigues e Almeida (2002) revelam que a base para todo processo de
recuperação é o primeiro passo proposto pelo AA, sendo ele a admissão de ser
impotente perante o álcool, sem ele o processo de recuperação seria incerto.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O estudo proporcionou observar os problemas enfrentados pelos alcoolistas
relacionados ao enfrentamento da doença, já que enfrentar o alcoolismo é uma
tarefa complexa tanto para o doente quanto para os indivíduos presentes e seu
meio.
O alcoolismo é uma doença que prejudica todas as áreas que fazem parte da
vida do alcoólatra, desorientando a vida da pessoa, prejudicando as relações
familiares, o trabalho e a vida social em geral. Desta forma, esta pesquisa indica a
necessidade de novos estudos visando o conhecimento do cotidiano dos alcoolistas
para que novas formas de intervenção para o tratamento e recuperação destes
sejam propostas a fim de reduzir o problema.
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1 – INTRODUÇÃO