Interações medicamentosas
Profa. Elaine Gavioli
Interações medicamentosas
Vários fármacos podem interagir entre eles através de
diferentes mecanismos:
- Farmacocinéticos (absorção, distribuição, metabolismo,
excreção)
- Farmacodinâmicos
Muitas das vezes as interações medicamentosas não tem
relevância clínica
Mecanismos farmacocinéticos
Ocorre quando um fármaco modifica a cinética de outro fármaco
administrado concomitantemente
• Fármacos podem interferir na absorção gastrointestinal de
outros fármacos quando:
- Um dos fármacos tem capacidade de ligação ou quelação de
agentes
- Um dos fármacos altera o pH gástrico
- Um dos fármacos altera a motilidade gastrointestinal
Estas interações podem aumentar ou diminuir a disponibilidade
de um fármaco na corrente sanguínea
Alteração do pH gástrico
• Antiácidos, inibidor da bomba de H+, antagonistas H2
(ranitidina, cimetidina):
-  pH gástrico:  absorção de vários fármacos
1. cetoconazol, itraconazol,
2. antibióticos quinolonas (ciprofloxacino, norfloxacino),
3. tetraciclinas,
4. digoxina,
5. tiroxina,
6. ferro
Alteração da motilidade gastrointestinal
• Fármacos anticolinérgicos (atropina, escopolamina)
retardam o esvaziamento gástrico e a motilidade
intestinal e reduzem as secreções digestivas –
prejudicam a absorção de fármacos
• Fármacos que aceleram o esvaziamento gástrico –
favorecem a absorção de muitos fármacos (ex.:
metoclopramida, bromoprida, domperidona)
Ligação ou quelação de outros fármacos
• Fármacos contendo Ca+2 (antiácidos, reposição
de Ca+2) reduz a absorção de tetraciclinas,
tiroxina
• Ferro: reduz a absorção de tiroxina, metildopa,
ciprofloxacino e tetraciclinas
• Fibras, quitosana
• Carvão ativado
Alteração da distribuição de fármacos
Fármacos podem interferir na distribuição de outros
fármacos quando:
- competição pela ligação com as proteínas plasmáticas
O deslocamento dos sítios de ligação dos fármacos
tendem a aumentar a concentração de fármaco livre
no plasma
Competição pela ligação com as
proteínas plasmáticas
Fármacos que se ligam fortemente (> 90 %) às proteínas
plasmáticas:
Ex.: anticoagulantes orais, fenitoína, estrógenos, glicocorticóides,
diazepam, AINEs
A competição entre dois fármacos pela ligação às proteínas
plasmáticas resulta em aumento da fração livre de um ou ambos
os fármacos - intensificação da resposta farmacológica e/ou tóxica
Metabolismo
• O metabolismo de um fármaco pode ser estimulado ou
inibido através da terapia concomitante:
- indução enzimática: estimulação de certas isoenzimas
do citocromo P-450 no fígado pode ser produzida por
certos fármacos
Exemplos de fármacos indutores enzimáticos:
barbitúricos, carbamazepina, fenitoína, rifampicina,
efavirenz, nevirapina
A indução enzimática não ocorre imediatamente após a
tomada do fármaco – são necessários alguns dias para
apresentar efeito indutor máximo
Indução enzimática
• Barbitúricos (fenobarbital e primidona): acelera o metabolismo de
muitos fármacos:
- beta-bloqueadores, bloqueadores dos canais de Ca+2,
- corticóides, estrogênios,
- antifúngicos azólicos,
- anticoagulantes orais,
- antidepressivos tricíclicos
•
-
Carbamazepina: acelera o metabolismo de muitos fármacos:
estrogênios, corticóides,
anticoagulantes orais,
antidepressivos tricíclicos, bloqueadores dos canais de Ca+2
• Fenitoína: acelera o metabolismo de muitos fármacos:
- estrogênios, corticóides,
- bloqueadores dos canais de Ca+2, anticoagulantes orais
Metabolismo
- inibição enzimática: inibição de isoenzimas do
citocromo P-450 no fígado responsáveis pelo
metabolismo de fármacos
Exemplos de fármacos capazes de inibir o
metabolismo de outros fármacos: cimetidina,
antifúngicos imidazólicos, antibióticos macrolídeos
(eritromicina, claritromicina), metronidazol
A ação inibitória das enzimas hepáticas ocorre logo
após a exposição ao fármaco
inibição enzimática
• Antifúngicos azólicos (cetoconazol > itraconazol > fluconazol) diminui
o metabolismo de muitos fármacos:
- bloqueadores dos canais de Ca+2,
- carbamazepina, fenitoína,
- estatinas (sinvastatina, lovastatina)
• Cimetidina (antagonista H2): diminui o metabolismo de muitos
fármacos:
- algumas benzodiazepinas (diazepam, alprazolam, clordiazepóxido),
- fenitoína, carbamazepina, antidepressivos tricíclicos,
- teofilina, anticoagulantes orais,
- bloqueadores beta-adrenérgicos, bloqueadores dos canais de Ca+2,
• Claritromicina (antibiótico macrolídeo): diminui o metabolismo de
muitos fármacos:
- estatinas (sinvastatina, lovastatina), teofilina, anticoagulantes orais,
carbamazepina, fenitoína, digoxina
Excreção renal
• Alterações no pH urinário (alcalinização) podem interferir na elimação de
fármacos (EX.: AAS e bicarbonato de sódio);
• AINEs e lítio: diminuição da excreção renal de lítio
• Inibição da glicoproteína-P responsável pela excreção ativa de um fármaco nos
túbulos renais;
Exemplo:
A digoxina é secretada pelos rins – alguns fármacos inibem a secreção renal da
digoxina: quinidina, verapamil, espironolactona, ciclosporina
Mecanismos farmacodinâmicos
• Fármacos com efeitos farmacológicos semelhantes promovem
geralmente uma resposta aditiva
• Álcool e depressores do SNC (benzodiazepinas, barbitúricos)
• Álcool e insulina e hipoglicemiantes orais
• AINEs e anticoagulantes orais
Mecanismos farmacodinâmicos
• Fármacos com efeitos farmacológicos opostos podem antagonizar as
suas ações
- AINEs e fármacos hipotensores: redução da resposta antihipertensiva
A inibição da síntese de prostaglandinas pode resultar em
 excreção renal de sódio – comprometimento na resposta à fármacos
anti-hipertensivos
- AINEs e furosemida, hidralazina: redução da resposta diurética
Toxicidade combinada
• A administração combinada de dois ou mais fármacos,
tendo cada um deles efeitos tóxicos sobre os mesmos
órgãos pode aumentar acentuadamente a probabilidade
de lesão tecidual
• Ex.: uso crônico de álcool e paracetamol aumenta a
probabilidade de hepatotoxicidade
• álcool e AINEs/corticóides:  irritação da mucosa
gástrica e hemorragias gástricas
• associação de vancomicina e aminoglicosídeos:
aumento da toxicidade renal
álcool e interações medicamentosas
• O álcool interfere na absorção de fármacos: estimula a
secreção gástrica, retarda o esvaziamento gástrico, facilita a
dissolução de fármacos lipossolúveis
• álcool reduz a absorção de beta-lactâmicos
• álcool reduz a absorção de vitaminas A, D, E e K
• Evitar uso de psicofármacos associados ao álcool: as
interações são imprevisíveis
• álcool e...
Metronidazol, algumas cefalosporinas: efeito tipo dissulfiram
– rubor, vômitos, taquicardia, sudorese
Álcool e outros fármacos
(1) A intoxicação alcoólica aguda tende a inibir o
metabolismo de fármacos;
(2) O alcoolismo crônico provoca indução
enzimática;
(3) A disfunção hepática grave induzida por álcool
pode inibir a capacidade de metabolizar as drogas;
Precauções em relação as interações
medicamentosas:
• Observar as drogas que possuem janela terapêutica estreita ou
quando é necessário manter níveis sanguíneos adequados, ex.
anticoagulantes, anticonvulsivantes, antiinfecciosos,
antineoplásicos, digitálicos, hipoglicemiantes,
imunossupressores, lítio;
• Lembrar das drogas indutores enzimáticos, ex.: fenitoína,
barbitúricos, rifampicina, carmamazepina, e inibidores
enzimáticos, ex.: cimetidina e antifúngicos azóis;
• Refletir sobre o uso concomitante de fármacos que causam os
seguintes efeitos adversos: depressão do SNC, anticoagulação,
nefrotoxicidade, hepatotoxicidade;
• Idosos são mais susceptíveis a interações medicamentosas devido
a redução das funções hepática e renal, das quais depende o
clearance das drogas
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