GASPAR CORREIA
E A SUA ÉPOCA
Trabalho realizado pelo 6ª ano 2ª turma - Ano 98/99
ESCOLA E B 2, 3 GASPAR CORREIA
MINIBIOGRAFIA DE GASPAR CORREIA
Desconhecem-se a data e o local do seu nascimento e sabe-se
que morreu em Goa, provavelmente cerca de 1561. Em 1512,
com poucos anos de idade, partiu para a Índia. Ali, fez parte
da expedição que o governador D.Nuno da Cunha armou
para a conquista de Diu, cabendo-lhe capitanear um catur.
Em 1529 esteve em Portugal, mas regressou à Índia, onde
viria a falecer. Durante mais de cinquenta anos andou, com
vários oficios pelo Oriente; entre aqueles desempenhou o de
escrivão de Afonso de Albuquerque. Nos vagares da sua
segunda estada na Índia escreveu as Lendas da Índia, obra
que se manteve inédita até 1859, ano em que saíu à luz o seu
1ºvolume, por iniciativa da Academia das Ciências de Lisboa.
In
“Dicionário de História de Portugal”
Lisboa Quinhentista
A cidade de Lisboa tem uma
posição geográfica privilegiada,
perto da foz do Tejo. O seu porto
estava sempre cheio de variados
navios
que
carregavam
e
descarregavam mercadorias.
Damião de Góis considerava
Lisboa a “Rainha do Oceano”.
O porto de Lisboa era o principal
centro da Europa graças aos
contactos comerciais com o
Oriente.
A carreira da Índia
As armadas partiam
para o Oriente, no mês
de Março, e viajavam,
ida e volta, por longos
dezoito meses.
Toda a organização
dependia
do
Rei,
através da Casa da
Índia que geria o
enorme tráfego.
Movimento dos navios com destino
ao Índico
140
120
100
80
Partidas
Perdas
Chegadas-Oriente
60
40
20
0
1500/1509 1530/1539 1560/1569 1590/1599
Tripulação a bordo
Capitão- era o chefe de frota.
Mestre - encarregava-se
do comando directo da
tripulaç ão
Marinheiros e Grumetes
Carpinteiros; Tanoeiros; Calafates; Timoneiros
Trinqueiros; Cirurgião-barbeiro; Dispenseiro
Escrivão; Meirinho; Padre-capelão;
Piloto- tinha a seu cargo
a orientaç ão do navio
EMBARCAÇÃO DOS DESCOBRIMENTOS
A nau tinha dois mastros com
velas redondas e um com vela
latina na popa.
Assim podia aproveitar os
ventos a favor (com o velame
redondo) e manobrar com os
ventos contrários (com a vela
latina).
Permitia o uso de grande
número de peças de artilharia.
Foi usada pela primeira vez na
viagem de Vasco da Gama.
In:http://www.modelships.de/San_Felipe_Dellenbach/Bilder_Nao
_Sao_Gabriel.htm
O ASTROLÁBIO
Com o astrolábio media-se a altura do sol ao
meio-dia, e era a partir
desse
dado
que
o
navegador calculava a
latitude.
O astrolábio náutico teve
origem
no
astrolábio
astronómico criado pelos
Árabes.
AS TEMPESTADES
“...e logo o vento tornava
tão grande e furioso que a
água do mar levantava para
o céu e tornava com grossa
chuva
que
os
navios
alagava...e os homens se
atavam para não caírem...
porque
tudo
se
despedaçava dentro dos
navios...veio súbito vento
com tamanho terramoto de
trovões que nunca tinham
visto...”
Gaspar Correia, “Lendas da Índia”
A CARGA
No fundo do navio punham
pedras para equilibrar: “o
lastro”.
Quanto aos mantimentos e à
água,eram acomodados com
cuidado e fechados à chave.
Havia também um paiol
destinado a pólvora e às
balas de canhão e ainda para
as armas.
A alimentação a bordo
Os alimentos transportados em
viagem eram carne salgada, peixe
seco, arroz, presunto, pão, azeite,
vinagre, vinho, sal, grão, frutos
secos, alhos, cebolas, farinha,
açúcar, mel, e alguns animais vivos.
Mais importante ainda era a água
doce.
O grande problema dos alimentos
não era só a sua deterioração; era
acima de tudo, a necessidade de
vegetais e frutos. A falta destes
alimentos provocava o escorbuto,
uma terrível doença marítima.
A AVENTURA
“...correu após ele um peixe
negro espantoso... o qual
seguiu o galeão dois dias e
duas noites...
O qual deitava um jacto de
água mais alto que o galeão...
todos sentindo grande medo
pediram a Nosso Senhor que
os livrasse de tal peixe... O
peixe, virando-se, mostrava as
ilhargas,
que
era
coisa
medonha de ver, que cuidaram
que era o diabo...”
Gaspar Correia, “Lendas da Índia”
Doenças e tratamentos
O calor estragava os alimentos e tornava a água choca e
malcheirosa. Surgia então aquela que podemos
considerar a doença mais grave dos navegadores:o
escorbuto.Com as gengivas inchadas, os dentes
apodrecidos, hálito pestilento, muitos não resistiram.
Ingerindo alimentos ricos em vitaminas, muitos curavam-se.
Havia também epidemias que causavam feridas na cara e
bichos nos pés. Purgas para limpar o organismo e
sangrias para baixar a febre era o tratamento. Nas zonas
frias surgiam constipações, gripes, pneumonias e
pleurisias para as quais não havia remédio: tiravam-lhes
sangue. Morriam constantemente e os cadáveres eram atirados ao mar.
Cozinhar a bordo
Não havia cozinheiro a bordo.
O que havia era fogões na
primeira coberta, e cada um
cozinhava para si; quem
fosse rico e levasse criados
ou
escravos
mandava-os
tratar do assunto. Assim,
formavam-se bichas diante do
lume e estalavam conflitos.
Castigos a bordo
O receio de navegar por mares
desconhecidos, conjugado com
o desconforto de vida a bordo,
tornava
difícil
manter
a
disciplina. Quando as ordens
não eram obedecidas era
necessário recorrer a castigos
drásticos. Na figura ao lado, vê-se um marinheiro a ser
mergulhado de uma plataforma
à proa e outro com uma faca espetada na mão.
AS BRIGAS
A ocupação dos tempos livres
era um bico-de-obra!
Tantos homens juntos num
espaço fechado, e a maioria
sem nada que fazer , tinha
resultados catastróficos. Por
tudo e por nada surgiam
discussões, brigas e cenas de
pancada.Era preciso um pulso
de ferro para manter a
disciplina.
Afonso de Albuquerque em Goa
Trouxeram um cavalo famoso...com a sela guarnecida
de ouro e prata, montaram (o governador) no
cavalo,deitando por cima da cabeça muitas flores
cheirosas...
Os embaixadores ...vieram muito bem vestidos ...e eles
lhe deram (ao governador Afonso de Albuquerque
)...cavalos famosos selados... guarnecidos de prata,
ricos panos de ouro e seda...adagas guarnecidas de
Segundo Gaspar Correia o Rei de Ceilão daria a El-Rei de
Portugal do que de melhor tinha a sua terra: canela
elefantes.“...e cada
e
ano lhe carregaria uma nau de
canela e dois elefantes ... a árvore da canela não a há
noutra parte senão neste Ceilão. A qual
árvore é baixa... todo o ano tem folha...e
lança uma flor branca em que faz uma
baga preta...a flor é muito cheirosa;...”
canela
Os Portugueses vistos pelos Japoneses
É gente que passa a vida
viajando de aqui para
além, sem morada certa,
e trocam os produtos
que têm pelos que não
possuem, mas no fundo
não é má gente.
(Crónica japonesa Teppo-Ki,
séc.XVI-adaptado)
BIBLIOGRAFIA
- Dicionário de História de Portugal
- ALBUQUERQUE, Luís e outros, Os Descobrimentos
Portugueses, As grandes viagens, II volume, Ed. Caminho
- O Grande Atlas dos Descobrimentos, Ed. Civilização
- CORREIA, Gaspar, “Lendas da Índia”, vol. I e II
- COSTA, Fátima e outro, História e Geografia de Portugal,
Porto Editora.
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