48_49 acústica
AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO ACÚSTICO DE VÃOS ENVIDRAÇADOS
– INFLUÊNCIA DA CAIXILHARIA
Diogo Mateus, Prof. Auxiliar do DEC/FCTUC, Dir. Técnico do Lab. CONTRARUIDO
O aumento dos níveis de ruído no exterior e a
tendência para o aumento das áreas dos vãos
envidraçados, aliados às preocupações relativas à qualidade de vida, tem-se traduzido nos
últimos tempos numa procura de soluções de
fachadas de elevado desempenho acústico.
Para fachadas com paredes pesadas, em betão
ou em alvenaria, o isolamento sonoro em relação ao exterior depende fortemente dos vãos,
nomeadamente do vidro, do caixilho, da caixa
de estores e de eventuais grelhas de ventilação
(se existirem). Se um destes elementos conferir um baixo isolamento acústico o isolamento
global da fachada pode ficar comprometido,
uma vez que o isolamento global depende
sobretudo do isolamento do elemento mais
fraco e da sua área.
A fórmula que permite calcular o isolamento
global de uma fachada, em função dos valores
de Rw conferidos pelos vários elementos que a
constituem é dada por:
D2m,nT, w 5 Rw(global) + 10 x Log
Rw(global) = 10 Log
V
, com
6,25 x S x T0
͙S
͙
i
i
Si 10 (–Rw,i /10)
(1)
em que D2m,nT,w é o índice de isolamento sonoro
padronizado da fachada, V é o volume do espaço, T0 é o tempo de reverberação de referência
(igual ao requisito T ou igual a 0,5, quando não
se aplica requisito T), S é a área total de fachada (igual a ͙ Si), Si é a área de cada elemento
de fachada i e Rw,i o índice de redução sonora
conferido pelo elemento i.
A avaliação do isolamento do conjunto vidro
mais caixilharia será abordada, de seguida, na
presente coluna, enquanto que a contribuição
dos restantes elementos que podem existir
numa fachada é abordada na próxima coluna
de acústica.
Em relação à contribuição dos vidros, é frequente associar-se um elevado isolamento
acústico a vidros duplos, mas na realidade isto
só acontece se os dois vidros forem diferentes,
e em particular para caixas-de-ar entre vidros
de elevada espessura (só viável na prática com
caixilharia dupla). Nas Figuras 1 e 2 são apresentados resultados de isolamento sonoro,
obtidos em laboratório (de ensaios realizados
pelo presente autor desta coluna) para vidros
(sem caixilho), para diferentes combinações
de vidros e de caixas-de-ar.
Da análise destas Figuras 1 e 2, é possível verificar que o aumento da espessura da caixa-dear, apesar de poder originar quebras adicionais
de isolamento em frequência (por ressonância
na caixa-de-ar), conduz geralmente a um
aumento global do isolamento sonoro. Este
aumento é ainda mais evidente quando se
recorre à aplicação de material absorvente
no contorno da caixa-de-ar. A utilização de
vidros inclinados (neste caso com caixa-de-ar
variável entre 170 e 230mm), como forma de
reduzir o efeito do campo estacionário entre
vidros, quando comparada com a utilização de
vidros paralelos com caixa-de-ar de espessura
média semelhante, não conduziu a ganhos
significativos de isolamento. As quebras de
isolamento localizadas sensivelmente na
banda de 1600 Hz, no vidro de 8 mm, e de
3150Hz, no vidro de 4 mm, correspondem a
quebras por efeito de coincidência (próximo
da frequência critica).
Apesar de não ilustrado, verifica-se ainda que
a passam de vidro duplo a vidro triplo, sensivelmente com a mesma massa total e espessura total de caixa-de-ar, não se traduz num
aumento significativo de isolamento acústico.
i
> Figura 1: Índice de redução sonora e correspondentes valores de Rw ( C;Ctr ), para vidros
simples e duplos de 4+8mm, com diferentes espessuras de caixa-de-ar (indicadas
em mm, entre parêntesis).
48_cm
> Figura 2: Índice de redução sonora e correspondentes valores de Rw ( C;Ctr ), para vidros
duplos com caixas-de-ar de elevada espessura (só viáveis em janela dupla), incluindo
espessura variável e absorção sonora no contorno da caixa de ar (ABS).
Rw (C;Ctr)
apenas do
vidro
Exemplo 1:
janela de
correr (A3)
4+(6 a 8)+4
30(0;-3)
27(-1;-2)
6+(8 a 10)+6
32(-1;-4)
28(-1;-2)
8+(10)+4
34(-1;-5)
6+(10)+33.1
34(-1;-4)
8+(6)+6
35(-1;-5)
10+(10 a 12)+6
37(-1;-4)
28(-1;-1)
35(-1;-3)
6+(14)+55.1
39(-1;-5)
30(-1;-2)
36(-1;-4)
10+(14)+44.1
42(-2;-4)
Exemplo 2:
janela de
correr (A3)
Exemplo 3:
janela de
batente (A4)
Exemplo 4:
janela de
batente (A4)
Exemplo 5:
janela de
batente (A4)
32(-1;-5)
28(-1;-2)
33(-1;-4)
34(-1;-4)
29(-1;-2)
35(-1;-5)
37(-1;-4)
38(0;-2)
Exemplo 6: Para uma janela dupla, ambas de correr de classe A3 e espaças de 7 cm, com
Rw(vidros) = 51 dB obtém-se Rw(janelas) 5 40 dB.
Exemplo 7: Para uma janela dupla, ambas de batente de classe A4 e espaças de 7 cm, com
Rw(vidros) = 51 dB obtém-se Rw(janelas) 5 50 dB.
> Tabela 1: Resultados de Rw (C;Ctr), em dB, obtidos para diferentes combinações de vidro e de caixilharia de alumínio (para
soluções de correr, classe A3, e de abrir, classe A4).
Refira-se ainda, que uma caixilharia de correr
de classe A3 pode, depois de alguns anos
de uso, passar a garantir uma estanquidade
muito inferior, e consequentemente um menor
isolamento acústico.
O ideal, para uma correta seleção da caixilharia, é que os fabricantes passem a divulgar
informação técnica detalhada para o conjunto vidro mais caixilho, baseada em ensaios
experimentais, em particular de isolamento
acústico. Refira-se, no entanto, que hoje em
dia, com a obrigatoriedade de marcação CE
nas caixilharias comercializadas dentro do
território da União Europeia, para além dos ensaios obrigatórios de verificação de segurança,
cada vez mais os fabricantes optam pela realização de outros ensaios, nomeadamente de
permeabilidade ao ar, estanqueidade à água,
resistência às cargas do vento, transmissão
térmica e isolamento acústico. Contudo, em
relação ao isolamento acústico, o resultado
tem que ser sempre avaliado em função do
tipo de vidro utilizado no ensaio, e cada fabricante, para cada modelo de caixilharia tem
geralmente um número muito reduzido de
tipologias de vidro.
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Em relação ao efeito do caixilho, e a título
de exemplo, são apresentados na Tabela 1,
resultados de Rw e dos termos de adaptação
C e Ctr, respetivamente para ruído rosa e ruído
de tráfego (de acordo com ISO717-1), para
diferentes combinações de vidros e de caixilhos (resultados de ensaios divulgados por
dois fabricantes de referência, para um total
de sete modelos). Da análise deste Quadro
é possível verificar que mesmo para janelas
de correr de elevado desempenho (que geralmente na melhor das hipóteses são de classe
A3), e com vidros de elevado desempenho,
normalmente não é possível obter índices Rw
superiores a 30 dB. Em janelas de batente em
todo o contorno (giratórias, de oscilobatente,
de correr osciloparalelas, etc.) a caixilharia só
introduz quebras significativas de isolamento
para vidros de muito elevado desempenho
(para vidros de fraco desempenho, até pode
ocorrer um pequeno ganho). Estes resultados
foram obtidos para caixilharias de alumínio
com rotura térmica, mas os resultados não
diferem muito no caso de caixilharias em PVC
ou mistas de madeira e alumínio. Para caixilharias com classe de permeabilidade ao ar
inferior ou simplesmente sem classificação,
em particular em janelas comuns de correr, os
resultados do conjunto vidro mais caixilharia
podem ser muito fracos, normalmente com
valores de R w que não ultrapassam 25 dB.
Tipo de vidro
[1º+(c. ar)+2º]
[em mm]
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