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última revisão: 17/04/05
Insulina em não diabéticos : a insulina é um hormônio importante também
para pessoas sem diabetes
25/04/2005
José de Felippe Junior
Nunca é tarde para aprender ou A ignorância também cansa ou A ignorância é um pesado fardo que fica mais leve enquanto
aprendemos”
JFJ
Trinta e quatro anos de formado para aprender que a insulina é um hormônio indispensável para o organismo de pessoas não
diabéticas. Sempre encarei a insulina como um fármaco utilizado no tratamento do diabetes e não como um hormônio que faz parte
da nossa economia.
Nunca pensei que a insulina poderia ser usada no tratamento de outras moléstias que não fosse o diabetes, entretanto Huggins em
1977 afirma que antes de 1938 foram publicados cerca de 400 trabalhos sobre o uso da insulina em pacientes sem diabetes.
Estudos Clínicos do tipo Observação
As informações a seguir foram retiradas do trabalho publicado por Huggins no Journal of International Academy of Preventive Medicine
em julho de 1977.
A insulina para o tratamento de vários tipos de afecções não relacionadas com o diabetes é usada em doses muito baixas, ao redor de
3 unidades e nesta baixa dose a insulina melhora a função de muitos tecidos.
Em não diabéticos a maior eficácia da insulinoterapia em doses baixas foi observada nos tecidos de origem ectodérmica: pele, cérebro,
orgão dos sentidos, glândulas salivares, unhas, cabelo, glândulas sebáceas, glândulas sudoríparas, glândula mamaria, córtex da
suprarenal, epitélio nasal, epitélio que cobre os seios paranasais, nervo óptico, retina, cristalino e epitélio que cobre o ouvido interno.
Entretanto a maioria dos tecidos possuem receptores de membrana para a insulina.
Tipo e modo de emprego da insulina
Huggins relata que o tipo de insulina empregado pela maioria dos médicos era a insulina protamino-zinco, insulina de ação prolongada
fabricada pelo laboratório Lilly (40 unidades por ml). Atualmente todas insulinas possuem a concentração de 100 U / ml.
DOSE :
Adultos: 3 unidades /dia
Crianças : 2 unidades / dia
Dose máxima diária: 6 unidades para adultos e 4 unidades para crianças
MODO DE APLICAÇÃO :
Injeção subcutânea com agulha de insulina ou transdérmica, isto é, diretamente na pele sem agulha.
a- Na injeção subcutânea a agulha é inserida apenas 2 a 4 mm de profundidade com a seringa quase paralela ao tecido injetado.
LOCAL :
1. perto da ferida
2. na região lateral do antebraço (para doer menos)
3. na gengiva perto do dente extraído
b- Uso transdérmico, diretamente na pele e sem agulhas. A absorção se faz pela própria pele . Colocar na região medial do antebraço
onde a pele é mais fina
EFEITOS COLATERAIS :
Raramente são observados com a baixa dose de insulina acima recomendadas. Os sinais e sintomas do excesso de insulina são os da
hipoglicemia.
Casos Clínicos esporádicos que melhoraram com a insulina em baixas doses
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acne
“ouvido do nadador”
inflamação de gengiva
cicatrização de feridas
melhoria da circulação local
doença periodontal
controle de infecções bacterianas e virais
controle da dor
enxaqueca
hipertensão arterial
feridas cirúrgicas
feridas traumáticas
picada de cobra
gangrena por picada de cobra
fraturas de difícil consolidação
queimaduras
fadiga
neurite retrobulbar
edema de retina
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Efeitos não hipoglicemiantes da Insulina
A insulina aumenta a permeabilidade da membrana celular à glicose aos aminoácidos e a vários tipos de medicamentos. Este aumento
de permeabilidade aos medicamentos permite efeito terapêutico com doses menores do fármaco.
Os efeitos mais dramáticos da insulina são observados na cicatrização. Nas extrações de dente o tempo de cicatrização encurta para
um terço do tempo habitual.
Nas feridas cirúrgicas a injeção de 3u insulina protamino-zinco é feita próximo da área operatória, 5 a 10 minutos após o término da
cirurgia. Muito interessante é o fato que 3 u é a dose mais eficaz para uma área focal, porém se ultrapassarmos a dose de 8 unidades
pode ocorrer efeito contrário ou nenhum efeito. Pode-se usar 3 u em uma ou duas áreas, sendo 6 unidades a dose máxima que deve
ser administrada. Em geral 3u são suficientes nos procedimentos cirúrgicos. Pode-se repeti-la após 1 a 2 dias. Não somente a
cicatrização é mais rápida ; o edema e o hematoma também desaparecem mais rapidamente.
Nas feridas traumáticas a injeção de insulina é feita perto da lesão e não dentro da ferida.
Nas fraturas de difícil consolidação emprega-se 3u subcutânea, 3 vezes por semana na região próxima da fratura.
Os pacientes que sofreram de entorse de tornozelo, mesmo os mais sérios, experimentam melhoria conseguindo deambular sem dor
em apenas 3-4 dias, usando no local da lesão, apenas 3 u de insulina ao dia por 3 dias.
A insulina pode ser usada topicamente diretamente nas queimaduras e nas úlceras. Colocar 4 a 6 u na área afetada.
Quando áreas localizadas necessitam melhorar a circulação como na gangrena por picada de cobra somente 1 a 3 injeções de insulina
já podem ser suficientes.
Resultados dramáticos tem sido observados em certos problemas oftalmológicos. Neurite retrobulbar responde com 3 injeções
semanais por duas semanas. Retinas edematosas (‘leaky’ retina) respondem com 2 injeções semanais por duas semanas.
Observou-se vários casos de queda da pressão diastólica com o uso da insulina, talvez por diminuir o tonus vasomotor simpático. Três
unidades de insulina parecem estimular o sistema nervoso parasimpático e inibir o sistema nervoso simpático. O tratamento consiste
em 3 u às segundas, quartas e sextas feiras por duas semanas e depois uma a duas injeções mensais, tudo de acordo com Huggins
que relata o uso em 10 médicos hipertensos. Em todos eles a pressão arterial diminuiu 10 a 30 mmHg uma hora após a aplicação de
3u de insulina.
Na fadiga crônica a insulina, 3u duas a três vezes por semana por várias semanas, foi usada com bons resultados juntamente com a
reposição dos nutrientes ao lado do controle do sistema endócrino.
Huggins escreve que muitos autores na era pré antibiótica utilizavam a insulina para controlar infecções (Harrower – 1913; King- 1928
; Willians – 1932 ; Benn – 1932).
Em 1933 Pollack chama a atenção para a diminuição da tolerância à glicose nos estados infecciosos. Willian em 1932 observou
redução da tolerância à glicose na escarlatina, febre tifóide, amigdalite, pneumonia, doença periodontal e nas gripes. De 40 casos onde
empregou a insulina na dose de 3u ao dia, 38 responderam satisfatoriamente. As maiores intolerâncias aos carboidratos foram
observadas nas gripes. A hipótese destes autores era que as infecções diminuem a produção ou a
função da insulina.
Moen e Reimann observaram que a insulina aumenta a produção de anticorpos durante os períodos de infecção .
Queimaduras, politraumatismos e não união de fraturas geralmente cursam com glicemias de 130 a 260mg%, mostrando a grave
intolerância à glicose.
Solução Polarizante de Soddi Pallares
Este grande cardiologista mexicano usou a insulina juntamente com a glicose e o potássio para melhorar a função do miocárdio
isquêmico tanto em animais como em seres humanos. Conseguiu com esta solução diminuir as arritmias e o tamanho da área
enfartada o que aumentava drasticamente a sobrevida dos pacientes com infarto
Posteriormente aliando a solução polarizante com um campo magnético de 100 Gauss tratou de pacientes com insuficiência cardíaca
refratárias ao tratamento habitual. Com este tipo de abordagem conseguiu livrar 18 pacientes da fila de espera de transplante cardíaco
(comunicação pessoal).
Experiência do Dr. Donato Rerez Garcia
Este médico em 1930 foi o pequisador que desenvolveu o que hoje se chama de “IPT - Insulin Potentiation Therapy “.
Ele usou a insulina em si próprio para tratar de uma condição gastrointestinal crônica de vários anos de duração e resistente ao
tratamento disponível em sua época. Ele administrou a insulina em baixas doses intravenosa antes da duas principais refeições
diariamente. Após algumas semanas ele apresentou melhoria da todos os sintomas gastrointestinais e em adição aumentou de peso e
de bem estar geral. Logo depois ele parou a auto administração de insulina e manteve-se sem sintomas e em bom estado de saúde.
O Dr. Perez Garcia concluiu que a insulina melhorou a absorção intestinal e a assimilação celular dos alimentos que ele ingeriu. A insulina
melhora o transporte transmembrana dos nutrientes através da mucosa intestinal e para o interior das células de vários tecidos do
organismo.
Conclusão
Os antigos médicos que não tinham à sua disposição todos os conhecimentos que agora dispomos porém, raciocinavam com o que
tinham em mãos pensando no bem estar dos seus pacientes, são exemplo constante para nós médicos do século XXI, que vivemos na
fumaça confusa dos trabalhos com conflito de interesse pagos pela indústria farmacêutica.
Queremos aprender, mas não sabemos em quem acreditar. Para nós médicos, deixar de aprender é omitir socorro; para a indústria vil
manipular dados é um verdadeiro crime.
Referências Bibliográficas : Retiradas do trabalho de Huggins
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1. Benn, E.C.; Hughes, E.W.; Alstead, S.. Toxic diphtheria – combined antitoxin and dextrose-insulin therapy, The Lancet,
1:281,1932.
2. Harrower, H.R.. The relation of the adrenal system to infections and infectious diseases , Clin . Med. And Surg., 42:176(April),
1935; and Practitioner, 91:289, 1913.
3. King, L.; Kennerway, E.L.; Piney, A. . A note on the action of insulin in normal persons, J. Physiol., 66:400,1928.
4. Moen and Reimann, Referred to by Pollack.
5. Pollack, H.. Conditions associated with unusual requirements for insulin , Proc. Staff Meet., Mayo Clinic , 8:453, July 26 , 1933 .
6. Schroeder, H.A.. The Trace Elements and Man , Devin-Adair Company, 97-114, 1973.
7. Williams, J.L.; Dick, G.F. . Decreased dextrose tolerance in acute infectious diseases , Arch. Int. Med., 50:801, 1932.
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Insulina em não diabéticos : a insulina é um hormônio importante