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Empresas & Empresários
Foto Arte
Texto e foto: Cláudia Oliveira
José António Alegria de Sousa Correia até pode ser um nome que não lhe diz
nada. Mas se falarmos em “Zé fotógrafo”, poucos serão os arouquenses que
não o conhecem. Instalado há mais de 3 décadas no nosso concelho, acompanhou a evolução da fotografia, que lhe moldou igualmente o rumo do negócio:
a Foto Arte.
Atualmente com 3 funcionários, a Foto Arte, inaugurada a 2 de maio de 1978
afirma-se como loja fotográfica e garante do registo dos eventos sociais. Com
clientela maioritariamente de Arouca, o maior volume de negócios continua a
dever-se aos casamentos, que abundam nos meses de verão. Depois vêm os
casamentos, batizados e os convívios familiares.
Quando começou, conta, a reportagem social era muito diferente. “O cliente
pedia para fazer meia dúzia de fotos a cores, dado o elevado custo. Com o evoluir da tecnologia cada vez mais se fez a cores e menos a preto e branco.” Se
inicialmente usava dois laboratórios de referência para a revelação de fotografias – os Estúdios Almeida (Ovar), para a revelação de rolos familiares, e os
Estúdios Coy (Braga), para serviços profissionais –, a década de 80 é marcada
pelo surgimento dos mini-labs. “O meu primeiro laboratório foi em 85.” Terá
sido o grande passo para a democratização da fotografia. “Quase todas as casas tinham a sua máquina de rolo. As fotos deixaram de ser reveladas em 48
horas para serem reveladas em 30 minutos!”
Mas também esta fase acabou. Surgiram as máquinas digitais e o serviço ao
balcão foi diminuindo. Hoje, quase todas as pessoas optam por guardar as
suas fotografias na memória do computador, em vez de as revelar. O que nem
sempre é vantajoso. “As pessoas acabam por ter as fotos escondidas no computador. É quase como se não as tivesse.” Já para não falar nos ataques de vírus que em segundos apagam anos de fotografias.
Casamentos no verão, dinamismo no inverno
Arouca continua a ser terra de casamentos, contra a tendência moderna das
uniões de facto. E casamentos no verão. A razão parece simples para este fotógrafo profissional: “as pessoas procuram casar de acordo com a época de visita dos familiares que estão no estrangeiro”.
Este é, como conta o empresário, um negócio sazonal e, não sendo um bem de
primeira necessidade, exposto à crise. “Tivemos que nos adaptar para não
deixar morrer a atividade. Sofremos um duro golpe com a implantação do
cartão do cidadão. Deixou-se de fazer fotos para documentos e o Estado passou a ser dono da atividade.” José António Alegria de Sousa Correia é, nesta
temática, crítico do Governo. “Não foram sensíveis ao problema e tinham alternativa, mas quiseram ficar com o exclusivo da atividade. Casas que estavam muito vocacionadas para isto tiveram de fechar.”
Mais serviços
Porém, depois da azáfama do verão, há que saber manter o ritmo de trabalho
nos meses de inverno. “Procuramos dinamizar a loja, com promoções, com
criatividade e com trabalho no estúdio.” Aqui também se insere o conceito de
“faça as suas fotos, nós fazemos o álbum”. Que conceito é este? Fácil. Quem vai
de férias sem máquina fotográfica? Hoje em dia, ninguém. Mas as suas fotos
de férias ficariam, seguramente, de dar inveja se tivessem um álbum organizado e profissional. Esta é a nova valência que a Foto Arte está a explorar.
Têm também serviços na área de publicidade e grafismo. “Executamos trabalhos de impressão gráfica, desde a simples cópia à execução de outdoors, cartazes, flyers… Temos pessoal especializado para a conceção/criatividade desse
tipo de trabalhos e temos tido aceitação no mercado local, bem como algum de
fora, que recebemos via net.
Recentemente mudaram o visual da loja, na alameda D. Domingos de Pinho
Brandão, no centro de Arouca, e adquiriram novas máquinas de impressão
digital.
Contra os “paraquedistas”
Sem mostrar grande preocupação com isso, “Zé fotógrafo” fala da existência
de paraquedistas na arte da fotografia. “São pessoas que têm as mais diversas
atividades e que aos fins de semana fazem as suas reportagens. Não estão enquadrados em nenhum sistema fiscal e fazem uma concorrência desleal.” Ainda por cima, numa época em que a tecnologia digital facilita o tratamento das
fotografias, com máquinas cada vez melhores e mais baratas, tirar fotografias
está, realmente, à distância de um click.
“Não sou contra eles”, esclarece, “o único problema grave é que quem tem uma
porta aberta está sujeito a fiscalização”.
Mas não se pense que o paraquedista é o familiar que faz o favor de tirar umas
fotos nos encontros de família. “Toda a vida as famílias fizeram as suas festas
e isso não implicava que não houvesse um profissional também.”
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