UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES
PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU”
PROJETO A VEZ DO MESTRE
O Processo de Comunicação utilizado pela Organização
Não-Governamental Projeto Araras para executar e divulgar o
projeto “Araras Sem Lixo”
Por: Teresinha de Jesus Fidelles de Almeida
Orientadora
Prof(a).Ms. Maria Esther Araújo
Petrópolis-RJ
Junho - 2003
UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES
PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU”
PROJETO A VEZ DO MESTRE
O Processo de Comunicação utilizado pela Organização NãoGovernamental Projeto Araras para executar e divulgar o
projeto “Araras Sem Lixo”
Por: Teresinha de Jesus Fidelles de Almeida
Orientadora
Prof(a).Ms. Maria Esther Araújo
Petrópolis-RJ
Junho - 2003
DEDICATÓRIA
Ao meu pai Dimas (in
memoriam) e a minha
mãe Maria Theresa,
pelo apoio e carinho.
AGRADECIMENTOS
A todos os
participantes da Ong
Projeto Araras, em
especial as
secretárias Geiziane
e Cibele e a
Presidente Beatriz.
RESUMO
Este estudo tem por objetivo conhecer o processo de comunicação de
uma organização não-governamental, que trabalha com projetos ligados ao
meio ambiente com ênfase na educação ambiental.
Para a realização da monografia o primeiro passo foi uma pesquisa
bibliográfica sobre Comunicação Social e Educação Ambiental para escolher
quais os autores que seriam utilizados como referência teórica. Na área de
educação ambiental os trabalhos de Marcos Reigota, Mauro Guimarães e
Alexandre Pedrini, autores que relatam toda a história da
Educação
Ambiental e as implicações atuais, foram os mais utilizados. Em
Comunicação Social optou-se por Marshall McLuhan, um dos primeiros a
pesquisar sobre meios de comunicação, Juan Bordenave, que deu uma
nova leitura às pesquisas de McLuhan e Luiz Beltrão, um dos grandes
estudiosos da teoria da comunicação de massa.
Uma das maiores dificuldades para realizar o trabalho foi encontrar
textos que relacionassem os dois temas. Por isso, optou-se também pelos
artigos do INESC (Instituto de Estudos Sócio-Econômicos), como base
teórica. Em seguida realizou-se uma pesquisa nos jornais locais e assim
escolheu-se a instituição que seria o objeto de estudo de caso: a
Organização Não-Governamental Projeto Araras.
Através de uma pesquisa de campo foram coletados os dados sobre a
instituição escolhida. No estágio de observação pode-se acompanhar o
processo de comunicação do projeto Araras Sem Lixo, o mais antigo da
ONG, com maior repercussão local e que já atingiu resultados. Durante este
estágio pode-se compreender como os meios de comunicação são utilizados
para executar e divulgar as atividades desenvolvidas.
SUMÁRIO
Introdução...........................................................................
.............................6
Capítulo 1 – Comunicação .............................................................................7
Capítulo 2 – Comunicação e Educação Ambiental.......................................15
Capítulo 3 – Projeto Araras: Um estudo de caso..........................................24
Conclusão........................................................................................................38
Referência Bibliográfica
Anexos
INTRODUÇÃO
Numa sociedade em que a comunicação de massa exerce um poder
inquestionável
e portanto é responsável pela transmissão e fixação de
muitos conceitos, saber de que forma os meios de comunicação social
influenciam na divulgação e execução de projetos de educação ambiental,
realizados por uma Organização Não-Governamental, é um tema que deve
ser estudado pois o conceito de EA ainda não foi compreendido pela maior
parte da população.
Para entender como ocorre este processo de comunicação a
instituição pesquisada foi a ONG Projeto Araras, que possui vários projetos
ligados à educação ambiental, localizada no bairro de Araras (Distrito de
Cascatinha-Petrópolis-RJ). Como base teórica na
área de educação
ambiental optou-se pelos trabalhos de Marcos Reigota, Mauro Guimarães e
Alexandre Pedrini, porque são autores que relatam toda a história da
Educação Ambiental e as implicações atuais. Em Comunicação Social
Marshall McLuhan, um dos primeiros autores a pesquisar sobre meios de
comunicação, Juan Bordenave, que deu uma nova leitura às pesquisas de
McLuhan e Luiz Beltrão, um dos grandes estudiosos da teoria da
comunicação de massa, foram os principais. Na pesquisa observou-se de
que forma a ONG utiliza os meios de comunicação
na comunidade
envolvida e como estes meios influenciam no resultado final do projeto.
Para facilitar a compreensão do tema, foi escolhido como objeto de
estudo o projeto da ONG que teve maior repercussão na comunidade, ou
seja, o Projeto Araras Sem Lixo. A partir de observações, entrevistas
informais e documentos da instituição, foi possível conhecer quais os meios
utilizados, de que forma, quais as dificuldades encontradas pelos
profissionais envolvidos e o porquê destas dificuldades. Além disso, podese identificar se os meios utilizados pela ONG serviram para informar,
comunicar e educar.
CAPÍTULO 1
COMUNICAÇÃO
COMUNICAÇÃO
Comunicação. Esta palavra faz parte do dia-a-dia e apesar disso
poucos conseguem definir o seu significado. Para muitos, sinônimo de
poder. Para outros, de manipulação. Mas, afinal, o que é comunicação?
Quase sempre quando se toca neste assunto logo vem à mente a grande
mídia: televisão, jornais, rádio e internet. Porém, comunicação não é só isto.
Estes veículos fazem parte da comunicação de massa (assunto a ser
abordado posteriormente neste capítulo) , o que os torna mais fáceis de
identificar com a palavra comunicação. Porém, comunicação é muito mais
do que isso. Diversos autores estudaram o tema ao longo do século XX e
várias definições surgiram. Antonio Hohlfeldt, no livro Teorias da
Comunicação, explica que o termo comunicação vem do latim communicatio,
onde, pode-se distinguir:
“três elementos: uma raiz munis, que significa estar carregado de”,que
acrescido do prefixo co, o qual expressa simultaneidade, reunião,
temos a idéia de uma “atividade realizada conjuntamente” completada
pela terminação tio, que por sua vez reforça a idéia de atividade.”
( Hohlfeldt, 2001,P.12)
Do ponto de vista biológico a Comunicação é uma atividade “sensorial e
nervosa e pode ser situada entre os seres vivos como necessidade não só
para a sobrevivência, mas também para a perpetuação da espécie” (Melo,
1970, P.15)
José Marques de Melo, em Comunicação Social, Teoria e Pesquisa
(Vozes, 1970, P.14) afirma
que, “comunicar significa
tornar comum,
estabelecer comunhão, participar da comunidade, através do intercâmbio de
informações”. .No dicionário Aurélio comunicação é:
“Ato ou efeito de comunicar(-se). 2. Ato ou efeito de emitir, transmitir
e receber mensagens por meio de métodos e/ou processos
convencionados, quer através da linguagem falada ou escrita, quer
de outros sinais, signos ou símbolos, quer de aparelhamento técnico
especializado, sonoro e/ou visual”. (www.uol.com.br/aurelio)
Para Juan Bordenave comunicação é:
“um processo tão natural como respirar, beber água ou
caminhar,(...) é a força que dinamiza a vida das pessoas e das
sociedades: a comunicação excita, ensina, vende, distrai,
entusiasma, dá status, constrói mitos, destrói reputações, orienta,
desorienta, faz rir, faz chorar, inspira, narcotiza, reduz a solidão e –
num paradoxo digno de sua infinita versatilidade – produz até
incomunicação”. (Bordenave, 1998, P.2)
Alguns autores, como Sérgio Veloso, vinculam à Comunicação à
idéia de participação. No seu entender participar é “o usufruto da condição
de ser parte de um todo. Quem está isolado não pode ser parte, não
participa. Comunicar é fazer participar, é trazer para a comunidade o que
dela estava isolado” (Citado por Melo, 1970, P.22). Isto pode ser verificado
em nossa sociedade, onde um simples aparelho de Tv nos leva a
conhecer o outro lado do mundo, comprovando mais uma vez o conceito
clássico de Marshall MacLuhan, que nos anos 70 escreveu que estávamos
entrando para a era de uma "aldeia global", ou seja “com a crescente
presença dos grandes meios de comunicação, o mundo veria, cada vez
mais, suas fronteiras aproximadas. (Cruz, 1998, P.2)
José Marques de Melo também conceitua comunicação como forma
Pedagógica, ou seja, é “a ação exercida pelas gerações adultas sobre as
gerações jovens para adapta-las à vida social. Ou, em outras palavras, é o
processo
de
transmissão
de
experiências
e
de
ensinamentos”.
(Melo,1970, P.18)
Para a sociologia, comunicação é “o instrumento que possibilita e
determina a interação social; é o fato marcante através do qual os seres
vivos se encontram em união com o mundo”. (Melo,1970, P:22)
Não é deste século que os fenômenos da comunicação vêm sendo
estudados. Platão e Aristóteles já estudavam o processo comunicativo
numa perspectiva psicológica. Aristóteles define Comunicação (Retórica)
como:
“a faculdade de ver teoricamente, o que, em cada caso, pode ser
capaz de gerar a persuasão... e que sua tarefa não consiste em
persuadir, mas discernir os possíveis meios de persuadir a propósito
de cada questão”. (Melo,1970, P.24)
O processo de comunicação jamais ocorreria sem a significação, isto
é “a produção social de sentido” (Bordenave, 1984,P.62). Na definição
clássica:
“o signo é algo que está em lugar de alguma coisa para
alguém...para algum organismo, e tem dois lados: o significante ou
impacto perceptível em pelo menos um dos órgãos de sentido do
organismo de interpretação – é algo inteligível (o conteúdo) sendo
significado pelo anterior. O significado pode ser traduzido, enquanto
o significante (também chamado de veículo do signo), não”. (Sebeok,
1997, P.51)
Em todo o processo de comunicação deve ocorrer o feedback
(resposta), ou seja,
“uma resposta a uma mensagem. Isto inclui a idéia de que o
transmissor ajusta, ou procura ajustar, o estilo de sua comunicação
tendo em vista o feedback que está recebendo. O feedback regula o
fluxo da comunicação. O feedback é um processo contínuo na
comunicação”. (Dimbleby&Burton, 1990,P.47)
Para uma orientação sobre o processo de comunicação, Juan
Bordenave (1997, P.114) indica este modelo descritivo, elaborado por
Claude Shannon e Warren Weaver, em 1948:
FONTE EMISSOR
Codifica
mensagens
SINAIS
Ruido
RECEPTOR
DESTINATÁRIO
decodifica
mensagens
A frase de Harold Lasswell “uma maneira conveniente para descrever
um ato de comunicação consiste em responder às seguintes perguntas:
Quem? Diz o quê? Em que canal? Para quem? Com que efeito?” é citada
por Bordenave, “como o paradigma da comunicação no Ocidente”
(Bordenave, 1997,P.229). O que para Dimbleby e Burton é o mesmo que
dizer “um transmissor dirige uma mensagem através de alguma forma ou
meio para um receptor com um determinado efeito“.(1990,P.35).Porém,
estes conceitos podem estar mudando. Pierre Lévy, citado em Teorias da
Comunicação, referindo-se à Internet, afirma que:
“seria possível, talvez, falar em morte do emissor. Quando todos são
emissores, não há mais emissor. Emissor-receptor, o internauta está
fora da massa. A comunicação sai do estigma da manipulação para
entrar na utopia da mediação. ...Pode-se concluir que, para Lévy, o
emissor e o receptor estão mortos. Reina o emissor-receptor.”
( Holfeldt, 2002, Ps. 176 e 177)
1.1 – Comunicação de Massa
A Comunicação de Massa é o processo
“industrializado de
produção e
distribuição
oportuna de
mensagens culturais
em códigos de
acesso e domínio
coletivo, por meio de
veículos mecânicos
(elétricos/eletrônicos)
, aos vastos públicos
que constituem a
massa social,
visando a informá-la,
educá-la, entretê-la
ou persuadi-la,
desse modo
promovendo a
integração individual
e coletiva na
realização do bemestar da
comunidade.”
(Beltrão,1986, P.57)
A comunicação de massa refere-se à comunicação “feita em larga
escala,
em
termos
de
distância,
pessoas
e
produtos
envolvidos”
(Dimbleby&Burton, 1985,P.206), isto é, aquela comunicação realizada pela
mídia – imprensa, rádio e televisão – os chamados meios de comunicação
de massa (v. item 1.2).O significado da produção de comunicação em massa
refere-se “também à repetição das mensagens. Muitas vezes essas
mensagens referem-se a idéias e crenças. Elas terminam nos influenciando
em virtude de sua constante repetição”. (Idem)
Os meios de comunicação de massa pertencem a grandes
corporações, na maioria dos casos, não temos totalmente o poder de
escolha, por exemplo, sobre a programação das emissoras de rádio e TV. O
sistema e a organização que manipulam a comunicação de massa “não
estão diretamente sob o controle dos indivíduos, mesmo que eles se dirijam
diretamente a cada pessoa” (Idem) e a comunicação de massa tem
proporcionado “maior envio e troca de informações. Mas não temos
necessariamente o controle do que se está sendo transmitido nem o que se
faz com as informações” (Idem).
1.2 – Meios de Comunicação
Os meios de comunicação de massa são “instrumentos ou aparelhos
técnicos mediante os quais se difundem mensagens – pública, indireta e
unilateralmente – a um público disperso, denominado audiência” (Fraser,
citado por Beltrão, 1986, P.117). Podem ser classificados de várias formas,
seja pelo alcance individual ou pelos tipos de códigos. Marshall McLuhan
considerava os meios de comunicação como extensões do homem e usava
a classificação meios quentes e meios frios, ou seja,
“o quente é aquele que prolonga um único de nossos sentidos e em
alta definição. Por exemplo, uma fotografia, o rádio... Já o meio frio seria
caracterizado pela baixa definição, como um desenho ou o
telefone”.(McLuhan, 1964, P.38)
Uma definição clássica é a de que “todos os meios são
prolongamento de alguma faculdade humana – psíquica ou física”
(McLuhan, 1972, P.54) e
“os meios, ao alterar o meio ambiente, fazem germinar em nós
percepções sensoriais de agudeza única. O prolongamento de
qualquer de nossos sentidos altera nossa maneira de pensar e de
agir – o modo de perceber o mundo.”(McLuhan, 1972, P.69)
Esta citação pode ser exemplificada Com a televisão, onde “ocorre
uma extensão do sentido do tato, ativo e exploratório, que envolve todos os
sentidos simultaneamente, em lugar da visão apenas. Você tem que estar
com ela.” (McLuhan, 1972, P. 153)
Uma classificação bastante citada entre os teóricos é a de Wilbur
Schramm que leva em conta o uso dos meios na educação e os divide por
gerações:
“1ª geração: Cartas, mapas, gráficos, materiais escritos, modelos,
quadro--negro, demonstrações, dramatizações.
2ª geração: Livros impressos, manuais, provas (testes).
3ª geração: Fotografias, diapositivos, cinema, rádio, televisão.
4ª geração: Máquinas de ensinar (instrução programada laboratório
de línguas, computadores digitais)”. (Schramm citado por Bordenave,
1995, P.65)
Já Miguel Moragas Spa define os meios conforme os níveis em que
opera o sistema, isto é , o nível interpessoal, o nível local, o nível nacional e
o nível transnacional, e os classificou assim:
“Micromeios
Entende-se por microcomunicação o nível de comunicação primário
e interpessoal que, embora utilize tecnologia complexa de emissão,
parte de iniciativas emissoras individualizadas. Este seria o caso da
fotocopiadora e do telefone. Outros micromeios seriam o cinema
super-8, o vídeo-teipe, a fotografia, as gravadoras de fita.
Mesomeios
Entende-se por mesocomunicação o nível intermediário de
comunicação em que participam grupos ou organizações que
pretendem uma cobertura de signo local. Este seria o caso das
emissoras FM ou a imprensa local ou inclusive comercial. Outros
mesomeios incluiriam os livros, as revistas especializadas, os discos,
a televisão por cabo.
Macromeios
Entende-se por macrocomunicação um nível de comunicação que,
em um país de tamanho médio, coincide com o âmbito de cobertura
nacional ou estatal: jornais de difusão nacional, cadeias de rádio e
televisão. São também macromeios, os semanários, o cinema de
35mm, rádio de onda média.
Megameios
Finalmente por megameios pode entender-se a difusão comunicativa
a nível transnacional...satélites de comunicação e..., as atuais
emissoras de televisão ao difundir as grandes produções.... Entre os
mais conhecidos estão as cadeias internacionais de rádio e tv, bem
como e as agências de notícias”. (Spa citado por Bordenave, 1995,
P.67)
Os diversos meios que utilizamos também podem ser separados do
seguinte modo:
“1) forma de comunicação, que seria o caminho para se comunicar
como falar, escrever ou desenhar; 2) veículos de comunicação, ou
seja, os meios de comunicação que combinam diferentes formas e
que implicam o uso de tecnologia. Um livro, por exemplo, é um meio
de comunicação que utiliza formas como palavras, fotos e desenhos;
3)Mídia, os elementos de comunicação de massa de um grupo
distinto dirigindo-se a outro, dentro do mesmo processo, como o
rádio, a televisão e os jornais”. (Dimbleby&Burton, 1985, Ps. 16 e 17)
O tema “meios de comunicação” ainda produz diversos conceitos e
continua sendo estudado por diversos teóricos em várias áreas. Porém, não
pode-se negar que:
“todos os meios agem sobre nós de modo total. Eles são tão
penetrantes que suas conseqüências pessoais políticas,
econômicas, estéticas, psicológicas, morais, éticas e sociais não
deixam fração de nós mesmos inatingida, intocada ou inalterada...
Toda compreensão das mudanças sociais e culturais é impossível
sem o conhecimento do modo de atuar dos meios como meio
ambiente.” (McLuhan, 1964,P.54)
CAPÍTULO 2
COMUNICAÇÃO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL
EDUCAÇÃO AMBIENTAL
O termo educação
ambiental ainda é
confundido com
atividades ligadas à
ecologia, porém sua
definição vai muito
mais além. Para
Mauro Guimarães
“a EA apresenta uma nova dimensão a ser incorporada ao processo
educacional, trazendo toda uma recente discussão sobre as questões
ambientais,e as conseqüentes transformações de conhecimento,
valores e atitudes diante de uma nova realidade a ser construída.”
(Guimarães, 1995, P.9)
Ainda segundo este autor ,
“a EA centra o seu enfoque no equilíbrio dinâmico do ambiente, em
que a vida é percebida em seu sentido pleno de interdependência de
todos os elementos da natureza. Os seres humanos e demais seres
estão em parcerias que perpetuam a vida” (Guimarães, 1995, P.14)
Esta afirmação significa que o conceito de EA não combina mais com
a separação entre homem e natureza, não prevalece a
idéia de que o
homem é superior à natureza. Para entender o que é a EA, é necessário
definir primeiro o que é meio ambiente. Marcos Reigota considera que meio
ambiente é:
“um lugar determinado e/ou percebido onde estão em relações
dinâmicas e em constante interação os aspectos naturais e
sociais.Essas relações acarretam processos de criação cultural e
tecnológica e processos históricos e políticos de transformação da
natureza e da sociedade.” (Reigota, 2001, P.21)
O conceito de EA, da forma como é compreendido atualmente, surgiu
há algumas décadas. Em âmbito mundial a questão ambiental começou a
ser discutida amplamente e teve grande repercussão na Conferência das
Nações Unidas sobre o Meio Ambiente, realizada em Estocolmo, em 1972,
onde se estabeleceu o seguinte para a questão da educação para o meio
ambiente:
“Uma abordagem multidisciplinar para nova área de conhecimento,
abrangendo todos os níveis de ensino, incluindo o nível não formal,
com a finalidade de sensibilizar a população para os cuidados
ambientais.” (Lima, citado por Guimarães, 1995, P.17)
Uma importante resolução desta conferência foi a de que “se deve
educar o cidadão para a solução dos problemas ambientais” (Reigota,
1995,P.15). É neste ponto que, “podemos considerar que aí surge o que se
convencionou a chamar de educação ambiental’. (Idem)
As discussões sobre este tema não pararam nesta conferência. Em
1975 aconteceu em Belgrado, o Seminário Internacional sobre Educação
Ambiental, onde, na Carta de Belgrado, estão “explicitadas as metas e os
objetivos da EA, onde o princípio básico é a atenção com o meio natural e
artificial, considerando os fatores ecológicos, políticos e sociais,culturais e
estéticos.” (Guimarães, 1999, P.18). Em 1976 , reuniões realizadas em
Chosica – Peru e Bogotá – Colômbia, ficou definido que EA é
“o instrumento de tomada de consciência do fenômeno do
subdesenvolvimento e de suas implicações ambientais, que tem a
responsabilidade de promover estudos e de criar condições para
enfrentar esta problemática eficazmente.” (Guimarães, 1995, P.19)
Mas foi em 1977 quando a ONU, através da Unesco, organizou a I
Conferência Intergovernamental sobre Educação para o Ambiente, em
Tbilisi, no Estado da Georgia (EUA), que as diretrizes,conceituações e
procedimentos para a EA foram definidas. Kein, citado por Mauro
Guimarães, destaca as seguintes conclusões e recomendações do
documento final desta Conferência:
“Devemos separar o mito do homem sobre a natureza e mudar as
ações que massacram e responsabilizam o homem comum.
Devemos estar atentos para a manipulação publicitária. Ao invés de
produzirmos alimentos, habitações e bens muito duráveis ,são
produzidas bombas e bens com duração reduzida.
Os serviços deveriam ser realizados por equipamentos coletivos.
Deveria ser restabelecida uma nova ética que rejeitasse a exploração,
o consumismo e a exaltação da produção como fim por si só.
Será necessária uma nova forma de agricultura e de indústria, uma
nova urbanização, um novo urbanismo e uma nova forma de
produção e consumo com largos benefícios sociais.
A educação tradicional, abstrata e parcelada prepara mal os
indivíduos que terão de lidar com a complexidade da realidade.
A educação pra o ambiente deve reformular constantemente seus
métodos, conteúdos e orientações à luz dos indivíduos, grupos e
novas situações que surgirem.
Esta educação deverá inspirar não apenas o comportamento do
grande público, mas também os responsáveis pelas decisões sobre o
meio ambiente.
Este processo deve ser essencialmente uma pedagogia da ação para
a ação.
A reciclagem e a preparação de pessoa para a Educação Ambiental
deverão ocorrer sob dois aspectos: levar à consciência dos problemas
ambientais nacionais e internacionais e da participação e
responsabilidade nossa na sua formação e evolução e promover um
diálogo interdisciplinar, quanto aos conteúdos e objetivos de cada
disciplina, articulando-as entre si, visando facilitar a percepção integral
dos problemas ambientais e estabelecer uma possível ação bastante
racional que corresponda aos anseios sociais.”(Kein, citado por
Guimarães, 1995, Ps.19 e 20)
Esta Conferência é
considerada um
referencial para a EA
e Mauro Guimarães ,
também citando
Keim, ressalta os
seguintes princípios
deste evento:
“_Levar em conta a totalidade do ambiente, ou seja, considerar os
aspectos naturais e construídos pelo homem, tecnológicos e
sociais,econômicos,políticos,histórico-culturais,morais,estéticos;
_Ser um processo contínuo e permanente, iniciando em nível préescolar e estendendo-se por todas as etapas da educação formal e
informal;
_Adotar a perspectiva interdisciplinar, utilizando o conteúdo específico
de cada matéria de modo a analisar os problemas ambientais através
de uma ótica global e equilibrada;
_Examinar as principais questões relativas ao ambiente tanto do ponto
de vista local como nacional, regional e internacional, pra que os
educandos tomem conhecimento das condições ambientais de outras
regiões;
_Concentrar-se nas situações atuais e futuras do ambiente levando
em conta a perspectiva histórica;
_Insistir na necessidade e na importância da cooperação em níveis
local, nacional e internacional para prevenir e resolver os problemas
do ambiente;
_Estudar, de modo sistemático do ponto de vista ambiental, os planos
de desenvolvimento e crescimento;
_Fazer com que os alunos participem da organização de suas próprias
experiências de aprendizagem e tenham oportunidade de tomar
decisões e de aceitar as conseqüências;
_Inter-relacionar os processos de sensibilização, aquisição de
conhecimentos, habilidade ara resolver os problemas e
especificações de valores relativos ao ambiente em todas as idades,
enfatizando sobretudo a sensibilidade dos alunos mais jovens em
relação ao meio ambiente de sua própria comunidade;
_Ajudar os alunos a descobrirem os sintomas e as causas
verdadeiras dos problemas do ambiente;
_Ressaltar a complexidade dos problemas ambientais e, em
conseqüência, a necessidade de desenvolver o sentido crítico e as
aptidões necessárias à sua resolução;
_Utilizar diversos meios educativos e uma ampla gama de métodos
para transmitir e receber conhecimentos sobre o ambiente,
enfatizando de modo adequado às atividades e práticas e as
experiências pessoais. “(Idem)
Os princípios de
Tbilisi foram
reforçados na II
Conferência Mundial
para tratar da EA,
realizada em
Moscou em 1987.
Além disso, esta
conferência
“atualizou uma série de questões e o pensamento sobre o que seria
EA já assumia uma amplitude de tal ordem, que abrangia desde a
promoção de uma conscientização ambiental, transmissão de
informações e o desenvolvimento de hábitos, habilidades e valores,
até mesmo, o estabelecimento de critérios, padrões e orientações
para tomada de decisões em relação aos problemas de ordem
ambiental.” (Carvalho, 2002, Ps. 53 e 54)
No Brasil, na década, de 70 a EA ainda não estava desenvolvida,
aconteceram apenas alguns atos isolados “sem contudo alcançar maior
repercussão nos níveis nacional e institucional.” (Guimarães, 1995, P.21).Foi
com a organização da Conferência das Nações Unidas para o Meio
Ambiente (CNUMAD), no Rio de Janeiro, oficialmente denominada
Conferência de Cúpula da Terra, mas também conhecida como ECO 92 ou
RIO 92, que a “EA se estabeleceu perante a sociedade brasileira, criando
uma forte demanda institucional.”.(Pedrini, 1997,P.26). Na ECO 92 foram
aprovados cinco acordos oficiais internacionais:
“ a) Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento;
b)Agenda 21 e os meios para sua implementação; c)Declaração de
Florestas; d)Convenção-Quadro sobre Mudanças Climáticas;
e)Convenção sobre Diversidade biológica. Ainda durante este evento
foi aprovada a “Carta Brasileira para a Educação Ambiental”, (Pedrini,
1997, P.30)
A Carta
Brasileira para a
Educação Ambiental
“enfoca o papel do estado, estimulando, em particular, a instância
educacional como as unidades do Ministério da Educação e do
Desporto (MEC) e o Conselho de Reitores das Universidades
Brasileira (CRUB) para a implementação imediata a EA em todos os
níveis.” (Idem)
2.1 – A EA e a Legislação no Brasil
A EA foi formalmente instituída no Brasil pela lei Federal 6.938 , sancionada
a 31 de agosto de 1981. “Esta lei foi um marco histórico na defesa da
qualidade ambiental brasileira” (Pedrini, 1997, P.37) e é
“a partir da aprovação desta lei que se inicia a fase holística ambiental
brasileira, quando o legislador passa a tratar o meio ambiente
enquanto um sistema integrado, organizando sua defesa e proteção,
definindo padrões e conceitos, entre outras previsões.” (Benjamim,
citado por Rocco, P.21).
Nesta lei deve-se destacar que um dos princípios da EA deveria ser
praticado “não só na instância formal (em todos os níveis de ensino) como
informal (educação comunitária),objetivando capacitar a sociedade para a
participação ativa na edificação de uma sociedade ideal.” (Pedrini, 1997,
P.37)
“Na década de 80 a EA passou a ser implementada, sob variadas
óticas e por diferentes atores” (Pedrini, 1997,P.38), mas foi em 1994 que o
Ministério do Meio Ambiente determinou que o IBAMA elaborasse o primeiro
Programa Nacional de Educação Ambiental que
“embora a proposta de programa tenha um referencial teórico
coerente e esteja prevendo uma articulação governamental, dois dos
seus objetivos não foram cumpridos: dar continuidade aos seminários
anuais....e a realização da Conferência Nacional sobre Educação
Ambiental.” (Pedrini, 1997, P. 40)
Quanto aos órgãos educacionais, o MEC emitiu o parecer 226/87 de
11 de março indicando “o caráter interdisciplinar da EA e recomendando sua
realização em todos os níveis de ensino”. (Pedrini, 1997, P.42). A EA
também consta na LDB, no inciso I do artigo 36, e é prevista “para ter
conteúdo curricular da educação básica a ser ministrada de forma
multidisciplinar e integrada em todos os níveis de ensino”. (Idem)
2.2 - Como a Comunicação contribui para o desenvolvimento da EA
Como já foi estudado no primeiro capítulo deste trabalho, a
comunicação está presente em todos os nossos atos. Um processo de
comunicação realizado de forma eficaz contribui para o sucesso de qualquer
empreendimento ou atividade. Por isso, analisar de que forma a
comunicação poderá contribuir para que as ações em EA sejam efetivadas
com sucesso, torna-se uma necessidade. Partindo do raciocínio de que uma
ONG ou mesmo uma escola tem uma estrutura de empresa, pode-se pensar
no processo de comunicação da mesma forma. Ou seja, a comunicação
deve
“proporcionar segurança, continuidade e criatividade através da
compreensão mútua da coletividade, entre emissor e receptor, sejam
esses quem forem e em que momento ocuparem cada uma dessas
posições”.(Lima, 1985,P.27).
Portanto, o trabalho de divulgação, de assessoria de imprensa
poderia ser executado com os mesmos critérios,ou seja, o Assessor de
Imprensa seria “o responsável por múltiplas atividades e desempenha papel
estratégico na política de comunicação dos assessorados (Fenaj, 1998,
P.12). Mas, deve-se destacar que não basta usar todas as técnicas e meios
de comunicação disponíveis, é preciso “levar em conta sua ética, sua
operacionalidade, o benefício para todas as pessoas em todos os setores
profissionais”(Lima, 1985,P.5). Em relação à EA deve-se lembrar que muitas
organizações não-governamentais encontram dificuldades em lidar com a
comunicação, tanto externa quanto interna. No artigo “Informação Ambiental,
Educação em Redes: Criando a Cultura da Comunicação”, de Ida
Pietricovsky de Oliveira, veiculado no site do Inesc(www.inesc.br), a autora
aponta algumas causas para este problema:
“Os movimentos sociais no Brasil, sindicatos, organizações de base e
não-governamentais, vivem, ainda hoje, uma situação bastante
complexa, da perspectiva de sua imagem junto a opinião pública.
continuam a ter uma imagem de movimentos corporativos - no sentido
negativo da palavra -, “basistas”, apenas reivindicatórios e ligados a
conceitos de esquerda da década de 60.” (Oliveira, 1998,
www.inesc.br)
No Brasil, assim como em quase todos os países, os veículos de
imprensa estão nas mãos de poucas pessoas.
De acordo com Ida
P.Oliveira, este atrofiamento faz com que ocorram “enormes dificuldades na
relação com a imprensa, especialmente quando se trata de interesse dos
movimentos sociais” (Idem.)
Para modificar esta situação, Ida dá as seguintes sugestões:
• apoiar as entidades para que identifiquem quais e quem são os meios
de comunicação;
• como se produz notícia, já que todos sempre produzimos informação;
• criar conselhos de comunicação ou outras instâncias que promovam o
debate em sua cidade, com critérios claros para que possam promover
ampla participação; e buscar aprofundar a relação com os jornalistas (que
são, em última instância, os editores) para que possam compreender
melhor o universo de ação proposta pelos produtores e reeditores e com
eles acompanhar o processo de trabalho realizado pela sociedade civil
organizada. Entenda-se que esta relação não deverá se dar apenas para
que uma matéria seja feita e publicada, mas para que o jornalista/repórter
se sinta também um coadjuvante do trabalho social que está sendo
realizado e entenda o melhor momento para fazer a matéria e como fazela, participar, enfim, da coletivização das propostas. (Idem)
Como "é através da comunicação, da troca, que se dá a construção
dos espaços políticos e culturais” (Idem) a autora acredita que a
“possibilidade de que as redes, especialmente as eletrônicas que, apesar de
serem absolutamente novas em nossa cultura, já têm tido impactos
significativos na mobilização e na difusão de informações” (Idem.) e que os
principais pressupostos para se atuar em educação ambiental, criar formas
de comunicar e interar são:
• a formulação de um dado deve ser amplamente
especialmente com o público que se pretende atingir;
discutida,
• clareza na informação que se quer dar, ou seja, se é para divulgar
novas tecnologias ou para difundir as leis que autorizam ou impedem
determinado ato, por exemplo. Disseminar muita informação,
simultaneamente, só provoca confusão;
• somente a informação não é suficiente para mudança de
comportamento, sendo a educação presencial e o estímulo - em geral
financeiro - e o poder coercitivo do Estado as formas que
• normalmente se conseguem, efetivamente, mudar o comportamento;
• qualquer ação duradoura e de um amplo alcance precisa de uma ação
articulada, ou seja, em rede, conectada por idéias ou projetos em
comum;
• por ser cara, a comunicação deverá ser detidamente discutida e os
meios adequadamente trabalhados;
• conhecer bem o público com o qual vai atuar, pois a difusão de uma
idéia se soma ao trabalho que está sendo feito com um grupo, ou numa
comunidade, podendo tanto servir para dar ênfase, como para
atrapalhar um bocado;
• dentro de um mesmo grupo existem diferentes formas de compreender
a realidade, por exemplo, as mulheres, as crianças, os homens, os
idosos e assim por diante. Por isso, quando se trabalha com grupos,
mesmo que pequenos, nunca relevem estas diferenças, pois serão elas
que poderão enriquecer tremendamente o trabalho de educação a ser
feito;
• evitar, a todo custo, explicar um conceito, uma idéia sem toda a sua
complexidade. Ou seja, não sejam simplistas, sejam simples, mas não
reduzam a realidade a um pedaço de uma coisa qualquer. Se tiver que
explicar o que é sustentabilidade, coloque todo o conceito, cite
exemplos explicando que mesmo estes, são parciais enquanto idéia
mais ampla do que seja a sustentabilidade. (Idem)
CAPÍTULO 3
PROJETO ARARAS: UM ESTUDO DE CASO
PROJETO ARARAS
A Organização Não-Governamental Projeto Araras,escolhida para este
estudo, fica localizada no Bairro de Araras, no Distrito de Cascatinha, em
Petrópolis, região serrana do Estado do Rio de Janeiro. Araras é
considerado pela ONG “um local único, que merece total preservação
ambiental”(www.projetoararas.org.br) e que possui
“um relevo de rochas espetaculares, uma fauna muito diversificada
(podemos encontrar lontras, lebres, esquilos, tamanduás, guaches,
maritacas, saracuras, jacús e outros tantos pássaros e animais da Mata
Atlântica) e uma flora especial como as orquídeas nos campos de
altitude, o "Rabo de Galo" com suas flores lilases e florada no mês de
fevereiro, espécie endêmica, encontrada aqui, e somente aqui em
Araras, além de uma enorme variedade de bromélias raras e muitas
outras espécies” (www.projetoararas.org.br)
Bastante procurado por turistas, tem 8.000 habitantes em 15 quilômetros de
extensão, 2500 residências, 13 condomínios, 14 restaurantes, 8 pousadas, 5
áreas de ocupação desordenada, 1, creche, 1 shopping, 5 escolas, 4
públicas e 1 particular, sendo esta a única com ensino médio. A partir
desses dados pode-se perceber que Araras convive com comunidades de
alta e baixa renda o que gera muitos conflitos na hora da implantação de
projetos de qualquer natureza, devido a diferentes interesses.
Criada a partir da insatisfação de um grupo de moradores, que queria
preservar e recuperar o bairro de Araras, a ONG Projeto Araras foi fundada
em janeiro de 2001, mas sua história começou há mais de 20 anos, quando
este mesmo grupo tentou montar uma associação. Por uma série de razões,
o tempo passou e esta idéia não foi à frente.Inconformadas com o
crescimento desordenado do local e outros problemas ambientais, estas
pessoas decidiram tentar mais uma vez se organizar.O Projeto Araras
surgiu, então, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida, preservar e
recuperar
o
meio
ambiente
em
Araras,através
da
participação
e
envolvimento da comunidade. Fazem parte do Conselho, representantes das
sete localidades de Araras (Poço dos Peixes, Cruzeiro, Mombaça, Perobas,
Vale de Santa Luzia, Vista Alegre e Malta) e também do bairro – Vale das
Videiras. Até maio de 2003 contava com 596 cadastrados, destes 20 são
voluntários efetivos, ou seja, que participam com mais freqüência dos
projetos, e 109 contribuem financeiramente. Um dado curioso sobre os
cadastrados é que há muitos artistas e intelectuais participando do Projeto
Araras, o que talvez contribua para uma boa imagem perante a comunidade,
mas que também causa alguns problemas como o fato de causar a
impressão de ser um projeto “só de ricos”, por isso as dificuldades para
conseguir patrocínios. Para pagar as despesas básicas, a ONG além de
contar com as doações, também vende camisetas com o logotipo do Projeto
Araras e desenhos do cartunista Miguel Paiva.
Para que esta instituição tivesse mais chance de êxito, os fundadores, antes
de registrar a ONG, fizeram um levantamento de todos os problemas da
região e optaram por cinco pontos considerados estratégicos para a questão
ambiental: Educação, Saúde, Segurança, Infra-estrutura e Fortalecimento
Comunitário. A partir desta divisão é que os programas foram elaborados e
conseqüentemente os projetos. Até junho de 2003, os programas
desenvolvidos foram: Meio Ambiente (com os projetos Araras Sem Lixo,
Água e Corredor de Vida Silvestre); Educação (subdividido em Memória e
Espaço Cultural);Infra-estrutura e Segurança.Estão em funcionamento
o
Araras Sem Lixo e o Espaço Cultural, que oferece cursos para comunidade
local. (anexo 1)
O Projeto Araras alcançou em pouco tempo uma imagem de
credibilidade e eficiência em Petrópolis e já está servindo de exemplo de
prática educativa, na área de meio ambiente. Pode-se citar como exemplo
disso, o convite para realizar uma palestra na Universidade Católica de
Petrópolis (anexo 3),o que ocorreu em 10/04/2003 e que foi uma
oportunidade para a ONG divulgar seu trabalho para estudantes de Turismo
e Economia. Em 2002 recebeu o Título de Utilidade Pública pela Câmara
Municipal de Petrópolis.
O Projeto Araras tenta estar presente em todas as situações que
envolvem o bairro como
problemas com falta de professores,a reserva
biológica de Araras (anexo 3), instalação de antenas de celular, obras
irregulares, etc. Em abril deste ano, por exemplo, entrou com um processo
contra o Estado, através do MP, para conseguir professores para as escolas
do bairro, o que pôde ser comprovado em reportagem veiculada pelo RJTV
(TVSerramar) .Como membro titular do conselho de revisão do plano diretor
e de suas leis complementares - CRPD que revê e atualiza o Plano Diretor
de Petrópolis, Lei 4.870de1.991.,está tentando fazer com que seja aprovado
o Distrito Ecológico de Petrópolis, que envolve o bairro de Araras e
adjacentes. A criação do 6º Distrito de Petrópolis faz parte da Lei Orgânica
do Município.
Percebe-se nos participante da ONG, uma visão holística de meio
ambiente, ou seja “de que o ser humano é natureza não parte dela”
(Guimarães, 1993,P.30), embora sejam pessoas com formação educacional
das mais diversas. Participam artesãos, advogados, médicos, comerciantes,
professoras, entre outros.
.
3.1 – Projeto Araras Sem Lixo
Como estudo de caso para esta pesquisa foi escolhido o Projeto
Araras Sem Lixo, porque tem maior repercussão local e divulgação em
veículos de comunicação com alcance estadual e nacional (anexo 2). Este
projeto foi também o primeiro do Projeto Araras, e começou antes mesmo
da ONG existir oficialmente. Já está em sua quarta edição,onde tem como
principal evento o Festival da Limpeza, que nos três primeiros anos foi
realizado no mês de novembro, mas este ano será em setembro para
coincidir com o dia Mundial da Limpeza, promovido pela ONG Australiana
Clean-Up-The-World, que mantém contatos com o Projeto Araras.
Problemas relacionados ao lixo são comuns em Araras. Além da
poluição dos rios, casos de leptospirose ocorreram no bairro, e as
queimadas nas matas, provocadas pela queima de forma inadequada do lixo
verde, são freqüentes. A coleta de lixo antes não era regular, mas o Projeto
conseguiu que fosse normalizada, em alguns logradouros. Em Petrópolis a
coleta de lixo e a limpeza urbana e rural são de responsabilidade da
COMDEP (Companhia Municipal de Desenvolvimento de Petrópolis), uma
empresa de economia mista (pública/privada).
Os objetivos do Araras Sem Lixo, conforme informações obtidas no
site da ONG são:
1. Conscientizar a população de moradores, veranistas e visitantes
através de educação nas escolas e campanhas. Tendo como meta
melhoria da qualidade de vida e preservação da beleza e saúde local.
2. Parceria da comunidade com os órgãos competentes , hoje e sempre.
(em curto prazo)
3. Implantação da coleta seletiva (em médio prazo) e galpão de
reciclagem (em longo prazo ). (www.projetoararas.org.br)
A principal estratégia para alcançar os objetivos do projeto é a
integração,
“tendo como fundamento o envolvimento das pessoas , comunidades,
organizações não governamentais , órgãos ou entidades do poder público
nas etapas sucessivas de planejamento, planos operacionais ,execução e
campanhas”. (Idem)
3.2 - O Processo de Comunicação no Projeto Araras Sem Lixo
Para entender como é o processo de comunicação do Araras Sem Lixo,
foi realizado um estágio de observação de 80 horas, onde além de
acompanhar os preparativos do principal evento, o Festival da Limpeza, foi
feito um levantamento no local, com funcionários e voluntários sobre como a
ONG divulga os outros projetos, como se comunica com a comunidade.
Percebeu-se que os participantes sabem como deve ser o processo de
comunicação, sabem com quem devem falar na imprensa local, utilizam a
internet para divulgação, mas dois problemas foram detectados: a falta de
verba para um projeto de comunicação próprio (não há profissionais
contratados para esta função específica, nem um projeto definido e também
não há verba para os outros projetos) e a falta de voluntários para fazer este
tipo de serviço. A ONG tem apenas duas funcionárias para todas as tarefas
administrativas e nem sempre elas têm tempo de fazer uma divulgação.
Porém, elaboram os informativos, que tem
como meta ser trimestral, mas
este ano só foi enviado em abril. O site - www.projetoararas.org.br - (anexo
3) é atualizado por uma das secretárias, mas foi desenvolvido por um
voluntário que depois não completou o serviço.
Observa-se que o veículo mais utilizado é a internet, tanto para a
comunicação com o público interno quanto com o externo. Os informativos
(anexo 3) são enviados por e-mail para todos os cadastrados. Sempre que
há reuniões ou outras informações a serem transmitidas este meio é
utilizado. Para entrar em contato com os órgãos governamentais e outras
instituições, o e-mail, é quase sempre, a primeira opção. Embora nenhum
desses meios seja elaborado por especialistas, ao difundir as notícias, podese reconhecer a função jornalística da comunicação de massa, que é
realizada
“através da captação, interpretação e difusão de informações e
opiniões sobre fatos, idéias e situações atuais, de interesse e importância
para a segurança e orientação de cada indivíduo e da sociedade como tal.”
(Beltrão, 1986, P.142).
Através do site é possível claramente perceber que a ONG concorda
com os conceitos de desenvolvimento sustentável e de educação ambiental
atuais, ao deixar claro que quer o envolvimento de todos na questão e
procura
“levantar
os
principais
problemas
da
comunidade....os
conhecimentos necessários e as possibilidades concretas para a solução
deles” (Reigota, 1994, P.27). A Carta da Terra é um dos destaques da
homepage, o que reforça a idéia de que a ONG tem compromisso com as
discussões ambientais mais recentes. Alguns links ainda não estão
funcionando, por questões técnicas, mas esse meio está cumprindo a função
de divulgar as atividades da ONG. Todas as informações sobre o projeto e
também sobre a região podem ser encontradas. O texto (elaborado para o
site e para o informativo) é parecido com o realizado por jornalistas, ou seja,
“claro, preciso, direto, objetivo e conciso” , (Martins, 1997, P.15), embora
contenha alguns adjetivos e de acordo com as regras básicas do jornalismo
“no texto noticioso deve-se limitar aos adjetivos que definam um fato,
evitando aqueles que envolvam avaliação“ (Martins, 1997, P.32) .
A comunicação direta através do uso do telefone e do “boca a boca” também
faz parte da estratégia de divulgação, pois nem todos os cadastrados têm
acesso à internet. A falta de voluntários dificulta este trabalho. Quando
conseguem patrocínio, fazem cartazes e folders (anexo 3) para divulgar
projetos, como por exemplo, os cursos mantidos pelo Espaço Cultural, que
não faz parte do Araras Sem Lixo, mas serve de exemplo de uma forma de
comunicação utilizada por todos os projetos (anexo 3). As camisetas com
ilustrações do cartunista Miguel Paiva, além de ser uma forma de conseguir
recursos financeiros, também servem de divulgação pois têm o logotipo do
Araras Sem Lixo (anexo 3) e os coordenadores sempre que vão a algum
evento usam a camiseta como forma de propaganda.
O Araras Sem Lixo é o projeto onde os meios de comunicação têm
sido mais utilizados. Através de atividades com as crianças e ações junto à
comunidade, vem tentando sensibilizar os adultos quanto à importância de
tratar corretamente o lixo (anexo 3) e alertando sobre o porquê da
preservação ambiental.
Como já foi citado anteriormente, o Festival da Limpeza é a principal
atividade do Araras Sem Lixo. Em 2003 acontece a quarta edição do que
começou sendo chamado de DIA DA FAXINA, mas em 2002, como durou
quase um mês, se transformou num festival onde outras atividades
paralelas, para alertar sobre o problema do lixo, foram realizadas no bairro
(anexo 1). Porém, o que mais chama a atenção é a faxina ou limpeza feita
nos rios por moradores, veranistas, turistas e até mesmo residentes de
outros bairros. Se forem comparar os resultados obtidos até agora, pode-se
acreditar que a divulgação está surtindo efeito. Na 1ª campanha foram
retiradas 177 toneladas de lixo, na 2ª 143 toneladas e na 3ª 59 toneladas. O
fato da quantidade de lixo retirada ter diminuído é considerado um resultado
positivo, pois pode significar que menos lixo foi jogado no rio durante o ano,
ou seja, a comunidade estaria se sensibilizando e os conceitos de educação
ambiental estariam se tornando parte do cotidiano. Embora isto não possa
ser comprovado com absoluta certeza, porque não se contabilizou
exatamente quantas pessoas participaram da limpeza.
O Projeto Araras pelo DIA DA FAXINA recebeu, em 2002, o diploma
Your Community Our Earth em reconhecimento a todas as comunidades e
organizações do mundo inteiro que participam do Programa Clean UP The
World. Uma parceria entre o Programa das Nações Unidas para o Meio
Ambiente e a ONG, australiana, Clean Up The World para limpar o mundo.
Os coordenadores do projeto acreditam que ainda há muito o quê
fazer nesta área e que a comunicação ainda não é feita de modo que atinja
a toda comunidade. Porém, ao observar como este projeto é realizado, notase que já estão mais organizados na hora de pensar no processo de
comunicação. Para reunir todos os cadastrados neste projeto, até o final de
maio eram 36, as secretárias enviam primeiro um e-mail e depois confirmam
por telefone se as pessoas comparecerão à reunião programada. Na
primeira reunião observada, apenas 8 pessoas compareceram. O objetivo
era definir as metas de 2003, entre elas, o Festival da Limpeza. Durante este
encontro algumas pessoas comentaram sobre a dificuldade para divulgação
e foi nesta reunião que aceitaram o convite para uma palestra na UCP
(Universidade Católica de Petrópolis) o que foi apontado como uma
oportunidade de divulgar, não só o Araras Sem Lixo, mas também o Projeto
Araras. Ficou decidido que quem daria a palestra seria um cadastrado que é
professor com grande experiência acadêmica. Esta palestra que ocorreu no
dia 10 de abril foi bastante aproveitada pela PA, que além de explicar sobre
o Araras Sem Lixo, utilizando slides, relatou todo o histórico da ONG. Muitos
estudantes se mostraram interessados em participar como voluntários.
Pode-se constatar também que os participantes têm uma grande
preocupação com a questão da Educação Ambiental. E embora o evento
principal, o Festival da Limpeza, fosse o de mais destaque naquele dia, a
questão da EA como uma mudança de comportamento foi comentada várias
vezes, pois acreditam que é necessário um trabalho durante todo o ano,
principalmente com as escolas, para que haja uma redução do lixo. Por isso,
neste dia um assunto que deixou os participantes satisfeitos foi de que a
Comdep instalou as placas com frases
de conscientização, pedidas há
quatro anos. (Uma das frases era o acróstico
“Ar Puro - Rios Limpos -A
natureza agradece –Respeite-Araras - Sem Lixo!”) São 7 placas, com
material reutilizado e alguns comentaram sobre a dificuldade da leitura, pois
achavam que havia muita informação. Isto mostrou preocupação com a
forma de transmitir a mensagem, ou seja, uma preocupação com o
feedback, que em comunicação significa, ”uma resposta a uma mensagem”
(Dimbleby&Burton, 1990, P.214) que neste caso era o entendimento dos
conceitos de preservação ambiental. Mas, a questão das placas mostra que
o PA ainda terá muito trabalho para sensibilizar a comunidade, pois até o
final desta pesquisa, só uma placa sobreviveu aos vândalos, as outras foram
arrancadas. Outro assunto colocado em pauta neste dia foi o patrocínio da
História em Quadrinhos elaborada pelo cartunista Miguel Paiva, há dois
anos, que não cobrou pelo trabalho, pois ele também é cadastrado no
projeto, mas há necessidade de patrocínio para ser publicado. Esta HQ, que
conta a história de Ararinho e Vô Pedro, será distribuída nas escolas e no
comércio local e tem por objetivo atingir toda a comunidade através de um
texto leve e divertido, alertando para a necessidade de preservação de
Araras e dos problemas gerados pelo lixo jogado no bairro pela geração
atual e as conseqüências para a geração futura. Durante o encontro uma
das coordenadoras lembrou que a EA faz parte dos PCN’s (Parâmetros
Curriculares Nacionais), mas que nas escolas de Araras isto não está
ocorrendo. Por isso, as escolas locais são o lugar ideal para o PA
desenvolver projetos de educação ambiental.
Uma das grandes preocupações do “grupo do lixo”, como alguns
voluntários denominam o projeto, é com o incentivo à reciclagem (anexo 3).
Em Araras apenas um coletor recolhe todo o lixo reciclável (cerca de 12
toneladas) porém, o trabalho de reciclagem está parado, porque não há um
local em Araras apropriado para isto. Neste encontro uma nova reunião foi
marcada e pôde-se observar, pelos assuntos discutidos, que as pessoas
envolvidas tem uma noção de que natureza e ser humano não podem se
separar. Talvez algumas nem tenham percebido isso, mas foi comum ouvir
expressões como “não podemos fazer uma campanha, sem pensarmos nos
problemas dos moradores em relação ao lixo, não é só manter a beleza do
local, precisamos pensar nas pessoas, e nas conseqüências do lixo...etc”. O
que lembra as recomendações da Conferência de Tiblisi, como “Ajudar os
alunos a descobrirem os sintomas e as causas reais dos problemas
ambientais” (Guimarães, 1995, P.21) e “Ressaltar a complexidade dos
problemas ambientais e, em conseqüência,a necessidade de se desenvolver
o sentido crítico e as atitudes necessárias para resolvê-los” (Idem).
Nesta reunião foi sugerido fazer o festival em setembro, para coincidir
com a clean-up the world. O Festival da Limpeza, além de ser uma atividade
de EA, porque envolve toda a comunidade no trabalho de sensibilizar a
população para o problema do lixo, também tem por objetivo fazer com que
não só a limpeza dos rios se torne uma ação rotineira, mas que se deixe de
jogar lixo no rio. Este evento é o que mais colabora para a imagem da ONG
e o que mais repercutiu na cidade, porque mostra como é o trabalho do PA.
Segundo, os coordenadores, depois de três festivais, este ano, o rio não
encheu por causa do lixo. Em 2003 quando ocorreram as chuvas de janeiro
o rio de Araras não transbordou como acontecia anteriormente. Já o Rio
Piabanha, no Centro de Petrópolis,encheu rapidamente. Em 2001 os efeitos
positivos desta atividade também foram percebidos, conforme noticiado no
Jornal do Brasil (anexo 2).
Na segunda reunião,com representantes das escolas, foram decididas
as principais atividades e estratégias para o Festival da limpeza.É
necessário esclarecer que o grupo que coordena o Araras Sem Lixo, tem
ações durante o ano todo e trabalha em parceria com as escolas e o
comércio e conseguiu colocar a idéia da reciclagem e da coleta seletiva na
comunidade, porém nem toda a comunidade coopera, assim como nem
todos os veranistas. Na reunião foi confirmado o Festival da Limpeza para o
período de 19 de setembro a 31 de outubro, sendo que o DIA DA FAXINA
será em 20 de setembro, para coincidir com a campanha da ONG Clean-UpThe-World. A mudança da data ocorreu, não só devido a vontade dos
organizadores, mas também ocorreram reclamações da comunidade quanto
ao mês de novembro, porque é a época das provas finais.
No DIA DA FAXINA acontece uma grande limpeza no rio de Araras,
com a participação da comunidade e também dos órgãos governamentais e
ambientais.Durante a reunião ficou claro que o objetivo das coordenadoras
não é simplesmente limpar o rio, mas sim fazer com que o lixo não seja
jogado no rio, ou seja, a EA como “ação educativa permanente, pela qual a
comunidade tende à tomada de consciência de sua realidade global” (Vilson,
2002, P.51, citando a Conferência de Chosica). Por isso, a necessidade da
colaboração das escolas. Esta discussão surgiu porque uma professora
achou que setembro ficaria muito longe da época das chuvas e quando
chovesse o rio estaria cheio de novo. Nota-se aí uma dificuldade de
conscientizar a comunidade “de mudar os comportamentos individuais e
sociais” (Reigota, 1994,P.30). A participação das escolas neste processo é
considerada fundamental e o festival já faz parte do calendário das escolas.
Para 2003, com o objetivo de fazer uma interação entre as escolas, ficou sob
responsabilidade das professoras a apresentação de palestras dos alunos
maiores para os menores, sendo que cada escola fará as apresentações nas
outras escolas. Os próprios alunos farão a pesquisa, obviamente, com o
tema lixo, enfocando o ambiente e o ser humano. De acordo com as
professoras, a noção das crianças sobre reciclagem de lixo é limitada. Por
isso, levantaram a necessidade de aprofundar o tema reciclagem. As
professoras e coordenadoras conhecem o Tratado sobre Consumo e Estilo
de Vida, aprovado no Fórum Global, em 1992. A importância dos 3R’s,
“junção das iniciais reduzir, reutilizar e reciclar” (Layrargues, 2002, P.180) foi
citada várias vezes durantes a reunião. A política dos 3R’s é considerada
“um slogan de grande eficácia pedagógica” (Idem).
As apresentações dos alunos serão iniciadas em setembro e
estendidas até o final de em outubro, porque as professoras acham que
poderá ser uma forma de dar continuidade ao processo educativo. Os temas
escolhidos foram:Reciclagem-reaproveitamento; Lixo verde e compostagem;
Saneamento básico, incluindo as doenças causadas pelo lixo ; Queimadas;
e Os principais cuidados com o lixo (na escola, em casa, ônibus, etc).
Foi na segunda reunião que ficou decidido o quê se poderia chamar
de ações de comunicação para o Festival da Limpeza. Se conseguirem
patrocínio, utilizarão os seguintes meios: Faixas ou banners, para serem
colocados em todo o bairro; Spots, gravados por algum artista que tenha
casa em Araras (sugeriram Gil ou Djavan), para serem veiculados em carros
de som pelo bairro;cartazes e folhetos com distribuição nos condomínios.
Interessante acrescentar que algumas professoras ficaram preocupadas
com as faixas e o carro de som, para que não ocorra poluição visual ou
sonora, e a propaganda acabe trazendo transtornos. Por isso, concordaram
em que assim que terminar o festival, o PA retirará todas as placas. Quanto
ao som, esta seria a única maneira de atingir as localidades mais distantes.
A história em quadrinhos de Miguel Paiva continua nos planos. Uma
professora está negociando o patrocínio. A divulgação na imprensa também
foi citada, embora não como prioridade. Através dos meios escolhidos
percebe-se que realmente querem atingir a comunidade, pois selecionaram
meios específicos para o perfil dos moradores. No Festival da Limpeza
algumas atividades que deram certo ano passado serão repetidas,como as
palestras sobre ecologia, realizadas por um grupo de universitários e o
Teatro da Fundação de Cultura (Mama to na Lona).
Para quem não é morador de Araras, a impressão que se tem do
Araras Sem Lixo, é de que o projeto tem o apoio total dos órgãos
governamentais (anexo 2), mas na prática não é o que acontece. Durante o
ano, para conseguir melhorias no bairro muitos pedidos foram feitos e
poucos atendidos (anexo 3). Mas, no Festival da Limpeza, os órgãos
públicos realmente aparecem “pegando uma carona na mídia”, pois muitos
artistas que têm casa na região participam do evento. Ano passado, por
exemplo, os spots foram gravados pelos cassetas Bussunda e Beto Silva.
Os meios de comunicação utilizados pelo Projeto Araras têm
alcançado um bom retorno. A ONG tem a imagem de uma instituição com
credibilidade e é respeitada na sociedade local, mas isto não tem sido o
suficiente para conseguir que a comunidade participe mais dos projetos.
O Projeto Araras mantém um clipping, palavra utilizada para “designar
a atividade de medição de tudo aquilo que foi publicado” (Lima, 1985,
P.62),atualizado, onde estão todos os recortes das notícias relacionadas ao
Projeto Araras e ao bairro. De 50 matérias (entre notas de colunistas e
reportagens) analisadas, 24 eram sobre o Araras Sem Lixo (anexo 2), 6
sobre o programa Educação, e as outras sobre o distrito ecológico e
problemas com antenas celulares. Normalmente estes contatos com a
imprensa são feitos por telefone ou e-mail. Muitas vezes a iniciativa é da
própria imprensa. Os textos destas matérias são dos jornalistas do veículo,
não foram retirados de releases “texto informativo distribuído à imprensa por
uma instituição privada, governametal, etc,para ser divulgado gratuitamente,
entre as notícias publicadas pelo veículo” (Rabaça&Barbosa, 1978,P.403),
pois o Projeto Araras utiliza pouco este recurso, muito comum em
assessorias de imprensa para “levar à redação notícia que possa servir de
apoio” (Fenaj, 1994, P.25). Apenas na semana do Festival do Lixo, em 2002,
foi enviada a programação, que um jornal local, publicou na íntegra (anexo
2). Através destas matérias constata-se que a imprensa local apóia e
simpatiza com a causa da ONG.
Em uma das reuniões percebe-se claramente que os moradores confundem
a função da ONG com a do poder público. Pode-se citar como exemplo o
fato de no meio de uma reunião um senhor entrar na sede e perguntar se já
havia resposta para o conserto de uma calçada. Este não é o objetivo da
ONG. Não quer substituir o poder público, mas ser um meio de pressão para
que este cumpra sua função e para isso quer conscientizar a população para
que ela entenda seus direitos.
Mesmo não tendo um processo de comunicação contínuo, o Araras
Sem Lixo está conseguindo fazer com que as questões ambientais sejam
discutidas, não só o tema lixo, mas tudo o que está relacionado ao meio
ambiente e a uma melhor qualidade de vida. Já se tornou exemplo de
desenvolvimento sustentável no artigo que está no Livro Desenvolvimento
Sustentável em Petrópolis, da Viana&Mosley Editor. Ainda não conseguiram
envolver todo o bairro, pois há muitos interesses diferentes na região e o
problema ambiental, nem sempre é encarado como prioridade por alguns.Os
condomínios, por exemplo, também participam, alguns já tem coletiva
seletiva, composteira para o lixo verde e os proprietários estão atentos a
desmatamentos. A dificuldade de acesso aos meios de comunicação por
parte dos moradores dificulta as ações. A direção do PA está tentando fazer
uma rádio comunitária, pois considera este veículo de fácil acesso aos
moradores. No final da pesquisa o método que o Projeto Araras estava
utilizando para divulgar seus projetos, era participar dos eventos sobre meio
ambiente que estavam acontecendo na cidade. Nesses eventos, sempre que
tinha oportunidade, além de dar um cartão de visitas, a representante
explicava sobre os trabalhos desenvolvidos pela ONG. Em um deles, fez
uma interpelação em uma palestra, quando um professor deu a idéia de se
fazer um dia da limpeza em Petrópolis, como se isso jamais tivesse
acontecido em qualquer lugar do mundo. A representante aproveitou para
explicar sobre o Festival da Limpeza e destacou que um dos problemas era
justamente, a divulgação.
CONCLUSÃO
O Processo de comunicação utilizado pelo Araras Sem Lixo,
principalmente para a divulgação do Festival da Limpeza, se for feito como
planejado, conseguirá alcançar os resultados pretendidos, pois a ONG está
utilizando diversos meios, direcionados à comunidade que quer atingir.
Deve-se levar em conta que o festival já está se tornando uma característica
do local e que nos anos anteriores foi o projeto que deu a ONG esta imagem
de credibilidade. Isto pode ser comprovado, na prática, pela quantidade de
lixo recolhido, pelo número de pessoas da comunidade e de outros locais
que se envolveram e pela repercussão obtida na mídia.
Não há como garantir que em 2003 o sucesso será o mesmo, pois
toda a estratégia de comunicação planejada para este ano, depende de
patrocínio. Pelo que foi feito até agora, pode-se afirmar que o projeto já
conseguiu envolver alguns grupos, por exemplo, as professoras, embora isto
não signifique que toda a comunidade escolar participará, pois dependerá da
forma como estas professoras farão a comunicação nas escolas.
Para termos certeza de que o processo de comunicação utilizado pelo
Araras Sem Lixo foi correto e que os meios de comunicação escolhidos
influenciarão no resultado final, será necessário acompanhar os próximos
passos e conferir o Festival da Limpeza, que serve como uma espécie de
termômetro do PA, para saber se estão conseguindo passar, através dos
meios de comunicação, alguma noção de EA. Ao conferir os resultados dos
anos de 2001 e 2002, percebe-se que isto ocorreu de uma forma ainda
tímida, mas significante, pois a comunidade já se preocupa com as questões
ambientais. Mas o trabalho de educação ambiental não acontece de um dia
para o outro, é uma tarefa que deve ser contínua e aqueles que se dispõem
a fazê-la precisam ser persistentes.
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www.projetoararas.org.br
www.inesc.org.br
www.uol.com.br/aurelio
ANEXO 1
FOTOS
(ORIGINAL NA CÓPIA
IMPRESSA)
1 - Sede do Projeto Araras, na Rua Bernardo Coutinho, Araras – Petrópolis – RJ
(ORIGINAL NA CÓPIA
IMPRESSA)
2 – Trabalhos vencedores do concurso realizado nas escolas em 2002, no
Festival da (ORIGINAL
Limpeza, para incentivar
a reciclagem de lixo
NA CÓPIA
IMPRESSA)
3 -Sede do Espaço Cultural do Projeto Araras, onde são realizados diversos
cursos para a comunidade local
ANEXO 2
REPORTAGENS
(ORIGINAIS NA CÓPIA IMPRESSA)
ANEXO 3
MEIOS DE COMUNICAÇÃO
(ORIGINAIS NA CÓPIA IMPRESSA)
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Teresinha de Jesus Fidelles de Almeida