INTERFACES TECNOLÓGICAS E COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR: UM
LEVANTAMENTO DE PUBLICAÇÕES SOBRE O MERCADO DE MÚSICA
DIGITAL
João Paulo Capelli Martins
Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Administração da Pontifícia Universidade
Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS)
Aline Höpner
Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Administração da Pontifícia Universidade
Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e Bolsista do Coordenação de Aperfeiçoamento de
Pessoal de Nível Superior (Capes)
Mauren do Couto Soares
Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Administração da Pontifícia Universidade
Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e Bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do
Estado do Rio Grande do Sul (FAPERGS)
Marcelo de Moraes Cordeiro
Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Administração da Pontifícia Universidade
Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS)
Resumo: As interfaces tecnológicas estão alterando a maneira como as pessoas conectam-se e
relacionam-se, transformando seus comportamentos e atitudes. Considerando a importância
do tema, buscou-se analisar a produção científica sobre comportamento do consumidor de
música digital na área de Marketing de Serviços entre 1999 a 2013. Ao analisar oito artigos
dos periódicos, com o método de análise de conteúdo, identificou-se que o tema possui
diversas frentes de pesquisa. Foram identificados os principais enfoques de análise, os
objetivos que mais permeiam os estudos na área e as contribuições dos estudos para o campo
de pesquisa.
Résumé: Les interfaces technologiques changent la façon dont les gens connecter et
concernent, transformant leurs comportements et attitudes. Compte tenu de l'importance de la
question, a voulu analyser la littérature scientifique sur le comportement de consommation de
musique numérique dans les services de Marketing entre 1999 à 2013. En analysant les huit
articles de revues, avec la méthode d'analyse de contenu, identifié que le thème a plusieurs
fronts de recherche. On a identifié les principales approches analytiques, les objectifs qui
imprègnent les études et les contributions des études pour le champ de recherche.
Área temática: Inovação dos sistemas de informação repercutindo na competitividade das
empresas.
Palavras-chave: Marketing de serviços; interfaces tecnológicas; comportamento do
consumidor; música digital (MD).
1
1 Introdução
O Marketing de Serviços tem se consolidado como um campo fértil de estudos, com
crescente desenvolvimento e reconhecimento no meio empresarial e acadêmico. As pesquisas
sobre o setor são incentivadas em diversas temáticas que vão desde a promoção de
crescimento do setor, a busca por melhorar a experiência do serviço por meio da co-criação, a
medição e otimização do valor do serviço, a melhoria do design de serviços, entre outras
(OSTROM et al., 2010). Este olhar para o setor decorre da representatividade e crescimento
dos serviços na economia mundial, onde países que tinham suas economias historicamente
embasadas na indústria estão vivenciando um crescimento rápido do setor de serviços. Essas
mudanças são estímulos e impõem a necessidade da criação de novos conhecimentos que
ajudem a dar conta dos desafios impostos pelas mudanças sociais e tecnológicas que se
apresentam para este setor que, pela própria natureza, está em constante mutação.
As interfaces tecnológicas estão alterando a maneira como as pessoas conectam-se e
relacionam-se, transformando seus comportamentos e atitudes. Poucos duvidam de que a
revolução tecnológica atual seja uma das influências mais significativas sobre o
comportamento humano. Na medida em que mais pessoas conectam-se à internet todos os
dias, constata-se que o mundo está mudando – e o comportamento do consumidor está
evoluindo mais rápido do que se consegue pronunciar a expressão “World Wide Web”
(SOLOMON, 2006). O número de consumidores que está substituindo a interação física com
empresas por tecnologias de autoatendimento é cada vez maior (MEUTER, 2000).
A convergência da internet (computador/celular/televisor) e a difusão generalizada
da alta velocidade de banda larga promoveram uma nova revolução e chamaram a atenção dos
pesquisadores para o consumo de conteúdo digital (filmes, músicas, livros, etc.). Um dos
exemplos claros desta revolução é o consumo de música pela internet. O crescimento da
distribuição da banda larga e a criação de serviços de música online estão afetando a forma
como a música é acessada e consumida. Antes da internet, o consumidor tinha basicamente
duas possibilidades de acesso à música: gravando a música do rádio ou comprando um
disquete ou CD em uma loja física.
Com os avanços tecnológicos em hardware e software, obter música ficou muito
mais fácil, mais barato, e a qualidade da cópia é comparável a original. No mundo, há mais de
quatrocentos serviços legalizados de músicas digitais, dos quais 28 estão no Brasil (IFPI,
2010). Através desses serviços de distribuição de música digital (MD), é possível fazer
download de canções favoritas para mais tarde escutá-las no MP3 player ou no celular. Esse
mercado está avaliado em mais de 4,6 bilhões de dólares e representa quase 30% do mercado
de música mundial. Entre 2004 e 2010 cresceu mais de 1.000% (IFPI, 2010).
Considerando a MD como uma interface tecnológica no contexto de marketing de
serviços e visto a dimensão que envolve o tema, o questionamento que se propõe é: como o
comportamento do consumidor de MD vem sendo abordado nos principais bases de pesquisas
internacionais? Assim, com o intuito de ampliar o conhecimento neste campo de pesquisa, o
presente estudo tem como objetivo explorar como as pesquisas na área do comportamento do
consumidor tem abordado o tema “música digital” nos últimos 14 anos. Os objetivos
específicos da pesquisa são: 1) identificar os principais artigos e seus focos de análise; 2)
examinar os objetivos gerais e específicos dos artigos selecionados; e 3) identificar as
contribuições das pesquisas para o tema.
2
O artigo está divido em cinco partes incluindo a introdução. A seguir, apresenta-se o
referencial teórico sobre comportamento do consumidor e interfaces tecnológicas. Na seção 3
apresenta-se o método que foi utilizado para o desenvolvimento desta pesquisa. A seção 4
descreve os resultados encontrados e a discussão. E, por fim, são realizadas as considerações
finais e contribuições do estudo.
2 Referencial Teórico
2.1 Marketing, Serviços e Interfaces Tecnológicas
O interesse pelo marketing de serviços, nos últimos 30 anos, encontra-se ligado à
importância econômica dos serviços nas economias pós-industriais. Com o amadurecimento
dos mercados, as empresas são levadas a buscar novas formas de atuação, além da crente
busca pelo desenvolver vantagens competitivas, focadas principalmente na oferta ampliada de
serviços.
Analisando quatro décadas da literatura de marketing de serviços, Frisk, Brown e
Bitner (1993) apresentam a produção na área como dividida em três fases: rastejando para
fora (1953-1979); prestes a correr (1980-1985); e, andando ereto (1986-presente). Esta
divisão em etapas busca explicar o amadurecimento da área de marketing de serviços como
uma área de estudo específica do marketing, mostrando a evolução da produção científica,
desde os primeiros debates sobre a diferença do marketing de serviços e produtos até o
amadurecimento de temas específicos (como, por exemplo, qualidade do serviço, encontros
de serviço), e a legitimação da literatura de marketing de serviços pelos principais periódicos
de marketing.
O encontro de serviço constitui em uma interação entre a empresa e o consumidor,
que envolve a troca, que pode demandar maior ou menor grau de envolvimento do
consumidor, mas irá demandar a sua participação (SURPRENANT; SOLOMON, 1987).
Segundo Price, Arnould e Deibler (1995) os encontros de serviço compreendem três
dimensões básicas: a duração temporal da interação, a proximidade espacial do prestador de
serviços e cliente, e o conteúdo emocional do encontro de serviço. Percebe-se assim que o
encontro de serviço representa um período de tempo em que os componentes da empresa
prestadora do serviço (servicescape) e do cliente interagem, remotamente ou presencialmente,
para facilitar a produção e o consumo simultâneo do serviço (GRACE, 2007).
Os encontros de serviço podem ocorrer em múltiplos meios e ambientes –
presencialmente; à distância; com uso de múltiplas interfaces, como a internet, por exemplo,
ou apenas na interação entre os indivíduos. No entanto, grande parte da literatura sobre a
participação do cliente na prestação de serviços tem como foco as interações face-to-face.
Contudo, novos modelos e ambientes, distintos daqueles com interação presencial, tem se
mostrado promissores e tem merecido atenção de pesquisadores e gestores, como é o caso dos
caixas eletrônicos e das opções de compras de produtos e serviços online (DABHOLKAR,
1997; MEUTER et al., 2000; WUNDERLICH; WANDERHEIN; BITNER, 2013).
Considerando o grau de interação do cliente com o prestador de serviço e os
elementos físicos do serviço, Lovelock e Wright (2001) agrupam os serviços em três níveis de
contato com o cliente, que afetam diretamente a forma como se dará a interação entre
fornecedores e clientes: a) serviços de alto contato: são aqueles em que os clientes visitam
3
pessoalmente as instalações do serviço e envolvem-se diretamente com a organização
prestadora (ex.: serviços médicos, restaurante, hotel, serviços bancários); b) serviços de médio
contato: são aqueles que envolvem uma quantidade limitada de contato entre clientes e
elementos da organização (ex.: cinema, lavanderia, atendimento bancário por telefone); e c)
serviços de baixo contato: são aqueles que exigem contato mínimo ou nenhum contato entre
clientes e operação de serviço (ex.: TV a cabo, home banking, serviços pela internet).
Dada à natureza complexa do encontro de serviço, onde diversas variáveis estão
presentes (humanas, situacionais, tecnológicas), a previsibilidade fica prejudicada e as
surpresas (positivas e negativas) são comuns. Logo, os acontecimentos inesperados, que
ocasionam as interrupções de atividades relativas à produção e consumo, podem afetar tanto
os indivíduos envolvidos na prestação (empregados) quanto os clientes e, por esse motivo,
têm despertado o interesse de pesquisadores ao longo dos anos (GRACE, 2007).
Neste sentido, a tecnologia aparece como um elemento transformador da natureza
dos serviços e das formas com que as empresas interagem com seus clientes (BITNER, 2001).
Através das interfaces tecnológicas é possível interagir com os clientes para antecipar e
atender suas necessidades. Além de melhorar a oferta de serviços, proporcionam diversas
opções de prestação de serviços e comunicação com o cliente (FISK, 1999). A nova
tecnologia de processamento de informação já teve um claro impacto operacional nas
organizações de serviços de todos os tipos (PIERCY, 1985) e as maneiras pelas quais a
tecnologia está transformando e enriquecendo as relações tradicionais de marketing é
amplamente discutida (COLBY; PARASURAMAN, 2003). A aceleração dos avanços
tecnológicos nos últimos anos está fazendo o possível para que as empresas de serviços de
diferentes setores possam proporcionar serviços de base tecnológica semelhante, o que
acarreta implicações significativas para o marketing (DABHOLKAR, 1994).
Em apenas quinze anos, é possível visualizar como a tecnologia tem sido a força
básica por trás de inovações de serviços. Correio de voz automatizado, sistemas de resposta
de voz interativa, aparelhos de fax, caixas eletrônicos e outros serviços comuns foram
possíveis em razão de novas tecnologias. Basta pensar o quão dramaticamente diferente o
mundo seria sem esses serviços básicos de tecnologia (BITNER, 2001). O uso da
comunicação computadorizada permite que o comerciante de serviços estabeleça uma relação
constante com o cliente, em cada fase do processo de consumo. Rayport e Sviokla (1995)
argumentam que os sistemas eletrônicos, como a internet, criaram um novo ambiente de
negócios, que chamam de “marketspace”. No marketspace, o conteúdo, contexto e infraestrutura de transações são diferentes. Todas as tecnologias atuais disponíveis para as
organizações de serviços são precursoras para a fase de tecnologia de serviços que irá
fortalecer a ligação da infra-estrutura de serviços e permitir o crescimento do sistema de
serviços para melhor atender as necessidades da organização, funcionários e clientes
(HAMEL, 1998).
A implantação crescente da tecnologia está alterando a essência do encontro de
serviços, anteriormente ancorado em um paradigma “low-tech, high-touch”. A natureza
mutável dos serviços, com ênfase nos encontros, pode ser melhorada através do uso efetivo da
tecnologia. Utilizada de forma eficaz a tecnologia é capaz de personalizar ofertas de serviços
e recuperar falhas no serviço. A tecnologia está participando de quase todas as ofertas de
serviços atualmente. Poucas organizações de serviços sobreviveriam hoje sem o uso de
telefones, máquinas de fax, computadores, leitores de código de barras e dispositivos de
4
computador de mão. A tecnologia facilita o atendimento básico ao cliente, além de funções de
pagamento de contas, operações de varejo e business-to-business, aprendizagem ou busca de
informações. A tecnologia mudou a cara do serviço ao cliente para sempre (BITNER, 2001).
3 Método
Este artigo analisa as contribuições científicas sobre o tema de comportamento do
consumidor de música digital na área de marketing publicadas entre 1999 e 2013. A pesquisa
caracteriza-se como exploratória, qualitativa, com método bibliográfico, que permite ao
pesquisador levantar o conhecimento disponível na área.
3.1 Coleta de Dados
Para realizar o presente estudo e obter os dados necessários para responder aos
objetivos estipulados, foi realizado um levantamento da produção científica sobre o tema na
base de dados Scopus1. Optou-se pelo Scopus não só por sua base de dados abrangente (50
milhões de registros), mas também pela possibilidade de se obter textos completos através de
ferramentas de pesquisa dinâmicas. Os termos de busca utilizados foram „digital music’
(música digital) e „online music’ (música online), pesquisados em títulos, resumos e palavraschave. Desta pesquisa retornaram 3.647 publicações. Aplicou-se então o filtro de assunto em
Business, Management and Accounting, do qual retornaram 192 publicações distribuídas em
journals, artigos publicados em conferências, resenhas, entre outros. Optou-se pelos
periódicos cujo fator de impacto (H index) em 2012 estava acima de 0.500, tendo em vista a
busca pela qualidade e relevância dos artigos analisados. Os artigos resultantes foram
selecionados como unidade de análise do estudo, passando a integrar a amostra intencional da
pesquisa. A Tabela 1 apresenta os títulos integrantes da amostra da pesquisa.
#
Título
Autor(es)
Ano
Periódico
The move to artist-led online music distribution: A
International
Bockstedt, J C
theory-based assessment
Journal of
1
Kauffman, R J
2006
and prospects for structural
Electronic
Riggins, F J
changes in the digital
Commerce
music market
“To buy or to pirate”: The
Coyle, James R.
Journal of
matrix of music consumers' Gould, Stephen J.
2
2009
Business
acquisition-mode decisionGupta, Pola
Research
making
Gupta, Reetika
H
index
Citações
1.632
24
1.289
23
1
Scopus: base de dados da editora Elsevier contendo resumos e citações de literatura revisada por pares, tais
como: revistas científicas, livros e conferências - http://www.elsevier.com/online-tools/scopus
5
3
Digital piracy of MP3s:
consumer and ethical
predispositions
Lysonski, Steven
Durvasula,
Srinivas
4
Factors affecting the
intention to download
music: Quality perceptions
and downloading intensity
5
Do consumers pay
voluntarily? The case of
online music
Regner, Tobias
Barria, Javier A
Journal of
Economic
2009
Behavior &
Organization
6
Preventing digital music
piracy: "The carrot or the
stick?"
Sinha, Rajiv K
Mandel, Naomi
2008
Plowman, S
Goode, S
2008
Journal of
Consumer
Marketing
0.562
36
2009
Journal of
Computer
Systems
Information
0.653
10
1.258
21
5.585
44
1.289
1
0.899
18
Journal of
Marketing
The need to touch:
Journal of
Exploring the link between
7
Styvén, M E
2010
Business
music involvement and
Research
tangibility preference
The changing digital
Swatman, Paula
content landscape: An
M.C.
evaluation of e-business
Krueger,
Internet
8
2006
model development in
Cornelia
Research
European online news and
Beek, Kornelia
music
Van Der
Tabela 1 – Artigos integrantes da amostra (unidade de análise)
Fonte: Autores (2015).
3.2 Análise dos Dados
Utilizou-se o método da análise de conteúdo para realização da análise dos dados.
Segundo Bardin (1977), a análise de conteúdo é um conjunto de instrumentos metodológicos
em constante aperfeiçoamento e aplicáveis a discursos diversificados.
A organização da análise de dados ocorreu em fases, conforme proposto por Bardin
(1977), sendo elas a pré-análise, a exploração do material e o tratamento dos resultados e a
interpretação. Para realização da análise dos dados, utilizou-se o auxílio do software
NVivo10.
1a fase: Pré-análise
A pré-análise, conforme Bardin (1997, p. 95) “é a fase de organização propriamente
dita” e possui três missões: a escolha dos documentos submetidos à análise, a formulação de
suposições e objetivos da análise e a elaboração de índices que fundamentem a interpretação
6
final. De acordo com Bardin (1977), essa fase é composta por atividades não estruturadas,
conforme segue:
a) Leitura: Após a classificação dos autores mais citados, segundo o Scopus, foi
estabelecido o contato com o resumo dos documentos a serem analisados.
b) Escolha dos documentos: após a leitura dos resumos, foi feita a seleção dos
principais artigos para análise, que deveriam ser adequados ao objetivo que deriva a
análise.
c) Formulação das suposições e objetivos: com base no referencial teórico, foram
definidos os objetivos que a pesquisa se propõe a verificar recorrendo à análise.
d) Elaboração de indicadores: com base nos objetivos da pesquisa, foram definidos
indicadores (categorias) para recorte do texto em unidades comparáveis de
categorização para análise temática.
e) Preparação do material: por fim, configuração do material.
2a fase: Exploração do material: categorização
Concluída a pré-análise, iniciou-se o processo de categorização com base nos
objetivos da pesquisa, também denominada de fase de exploração do material por Bardin
(1977). Segundo Flick (2004), uma das estratégias no modo de lidar com o texto é a
codificação do material com o propósito da categorização e desenvolvimento da teoria.
Segundo Bardin (1977), a maioria dos procedimentos de análise organiza-se em
torno de um processo de categorização, sendo o mesmo adotado nesta pesquisa. Para a autora,
a categorização é a classificação de elementos constitutivos de um conjunto através da
diferenciação e reagrupamento segundo o gênero, com base em critérios definidos
previamente.
Para tanto, conforme sugeriu Bardin (1977), os elementos a serem analisados foram
isolados e posteriormente classificados com base nas categorias pré-definidas a fim de impor
organização às informações. A categorização, segundo a autora, tem como objetivo fornecer
uma representação simplificada dos dados e consiste na passagem de dados brutos a dados
organizados. As categorias definidas para a análise dos dados foram:
1) Introdução: categoria que engloba o foco de análise das pesquisas incluindo o
problema de pesquisa.
2) Objetivos: categoria que considera os resultados a serem alcançados através da
pesquisa.
3) Contribuições de pesquisa: categoria que apresenta as implicações práticas e
teóricas das pesquisas analisadas.
3a fase: Tratamento dos resultados obtidos e interpretação
Por fim na ltima fase busca-se validar e conferir significados às informações (GIL,
1999). Conforme proposto por Bardin (1977), nesta fase, os resultados brutos foram tratados
para que sejam significativos, sendo delimitado um modelo de resultados que condensou e
colocou em relevo as informações obtidas na análise. Para o tratamento dos resultados, foram
realizadas inferências através dos artigos analisados e codificações pré-estabelecidas.
7
4 Análise dos Resultados
A análise de conteúdo realizada nos 8 artigos científicos gerou achados importantes
sobre o tema comportamento do consumidor de MD na área de marketing. Primeiramente,
foram identificados os principais enfoques abordados pelos pesquisadores da área.
Posteriormente, foram identificados os objetivos de pesquisa. Por fim, identificou-se as
principais contribuições das pesquisas na área, analisando tanto as implicações teóricas
quanto práticas dos estudos. Essas questões são exploradas nas seções seguintes deste artigo.
partir da codificação realizada através do software NVivo 10, chegou-se a um
n mero de 18 c digos oportunizando o reagrupamento desses c digos em novas
subcategorias conforme similaridade e adequação entre os c digos encontrados Conforme a
Figura 1, esses c digos foram reagrupados em um segundo n vel de an lise.
Figura 1 – Codificação NVivo 10
Fonte: Autores (2015).
4.1 Principais Enfoques
Os pesquisadores têm abordado o comportamento do consumidor de música digital
sobre diversas formas. Ao avaliar a contextualização das pesquisas e os temas mais
frequentes, percebe-se uma maior preocupação com o compartilhamento ilegal de músicas
através da internet. Ainda, considerando os objetivos das pesquisas, os mesmos focam
principalmente em encontrar características e determinantes dos usuários de redes de
8
compartilhamento, além de propor modelos para o combate da pirataria. Tais considerações
serão detalhadas ao decorrer da seção.
Devido à preocupação com a crescente disseminação de redes de compartilhamento
ilegal (P2P), que hoje é a principal ameaça para a indústria de conteúdo digital, e que vem
acarretando perdas, principalmente financeiras (IFPI, 2010), o tema “pirataria” é abordado na
maioria dos artigos, 4 no total (COYLE et al., 2009; LYSONSKI; DURVASULA, 2008;
PLOWMAN; GOODE, 2009; SINHA; MANDEL, 2008).
O download de música ilegal é um problema constante para o mercado musical,
destaca o artigo de Coyle et al. (2009). Segundo os autores, a preocupação com a
transferência ilegal de música tornou-se tão polêmica que a indústria fonográfica,
representada pela RIAA2, lançou um grande esforço para desligar os servidores que fornecem
condutas ilegais no fluxo do comércio de MD. Neste sentido, diversos autores apontam que o
download ilegal de música tornou-se uma atividade inexorável e desenfreada, especialmente
entre estudantes universitários que têm sido pouco intimidados por ações judiciais do setor
(COYLE et al., 2009; KNOPPER, 2011; LYSONSKI; DURVASULA, 2008). Contrariando
este enfoque, outros autores afirmam que não está claro se essa diminuição no uso de MD
ilegal (STYVÉN, 2010) se deve aos processos judiciais trazidos pela RIAA ou pelo aumento
da disponibilidade de serviços, como o iTunes e Rhapsody, como uma alternativa ao
download ilegal (MICHEL; EASLEY; DEVARAJ, 2003).
Aspectos como a decisão de se envolver em pirataria de música podem ser
precedidos por uma série de questões, afirmam Coyle et al. (2009). Possíveis antecedentes das
intenções de pirataria são muitas. Assim, os autores propõem uma matriz para analisar os
efeitos relativos da pirataria sobre a decisão, intenções e motivações, incluindo a ética, o perfil
econômico e preocupações legais, bem como o comportamento do consumidor e as questões
de distribuição.
A teoria racional da delinquência sustenta que os atores pesam os custos e benefícios
antes de cometer um ato desviante (STYVÉN, 2010). No entanto, a teoria desenvolvida por
bens físicos pode não se aplicar a produtos digitais. Além disso, ressalta Styvén (2010), os
produtos têm uma qualidade incerta antes do consumo.
Um dos artigos analisados tem como objeto de pesquisa a intenção de pagamento
de clientes em relação ao preço da música online, utilizando como modelo uma loja de
distribuição de MD (REGNER; BARRIA, 2009). Plowman e Goode (2009) reforçam também
que outras características, como a qualidade percebida, podem influenciar a decisão de
pagamento da MD.
Um estudo apresenta uma abordagem diferente em relação aos demais – Styvén
(2010). Em meio ao aumento do consumo de música digital e em geral o declínio das vendas
de música gravada, formatos físicos persistem como o meio preferido de armazenar e ouvir
música para muitos consumidores.
Por fim, um artigo apresenta como abordagem a evolução futura existente e possível
de modelos de negócios de internet no mercado de conteúdo digital, com particular
incidência sobre as possibilidades de cooperação e coopetição dentro deste espaço de mercado
(SWATMAN; KRUEGER; BEEK, 2006).
4.2 Objetivos das Pesquisas
2
Recording Industry Association of America
9
Os principais objetivos para teoria do comportamento do consumidor de MD podem
ser percebidos através dos capítulos de introdução dos estudos analisados. Foram
identificadas seis finalidades de pesquisa, tais como: propor modelos (2), investigar
determinantes (2), analisar a ética (1), explorar fatores (2), analisar o preço (1), testar um
modelo (1).
O objetivo de pesquisa de Bockstedt et al. (2013) foi propor um modelo que leve
em consideração os aspectos da indústria da música tradicional, tanto na cadeia de valor
quanto na rede de distribuição, e as características da música digital, relacionadas com a
criação de valor do consumidor. O modelo destaca as mudanças na estrutura do mercado a
partir da perspectiva dos intervenientes na cadeia de valor da indústria da música. Já
Swatman, Krueger e Beek (2006) proporcionam uma análise com base empírica sobre a
evolução de modelos de negócios de internet, especificamente no mercado de conteúdo
digital, com particular incidência sobre as possibilidades de cooperação e competição dentro
do mercado de música digital.
Investigar as determinantes para a aquisição, relevantes para a teoria de troca,
incluindo econômica, legal, ética, rede e aspectos sobre o comportamento do consumidor de
MD, foi o foco da pesquisa de Coyle et al. (2009). Esta matriz de determinantes apresenta
inúmeros fatores inter-relacionados e faz avaliação do processo de tomada de decisão sobre a
pirataria de música mais contextual. Os autores avaliam a tendência de pirata com duas
medidas indiretas (por exemplo, a disposição para pagar a MD, alternativa legal) e medidas
diretas (por exemplo, a preferência por pirataria, MD ilegal). Sinha e Mandel (2008) também
focaram na investigação de determinantes. Se medindo direta ou indiretamente, a tendência
em optar, ou não, pela pirataria depende, em diferentes graus, de três fatores principais:
incentivos positivos (por exemplo, uma melhor funcionalidade do site legal), incentivos
negativos (por exemplo, a percepção de risco de pirataria), e as características de consumo.
Outro objetivo de pesquisa identificado foi o de analisar a orientação e as atitudes em
relação à pirataria e o impacto dessas atividades sobre a ética dos consumidores. O trabalho
de Lysonski e Durvasula (2008) também visou utilizar cenários éticos como uma forma de
compreender o raciocínio ético do download ilegal de MD.
O objetivo explorar a intenção de fazer o download ilegal de músicas a partir da
internet, com foco na percepção de qualidade e de custo, no contexto de usuários iniciantes
(utilizam pouco a MD) e avançados (utilizam com muita frequência a MD) foi o foco do
estudo de Plowman e Goode (2009). Ainda com este objetivo o artigo de Sinha e Mandel
(2008) foi explorar os fatores que regem a disposição dos consumidores para piratear um
produto digital, como uma faixa de MD.
Outro aspecto abordado nos objetivos de pesquisa foi a análise do preço da MD e a
intenção de uso. Através de pesquisas em laboratório, utilizando uma loja virtual de vendas de
MD, Regner e Barria (2009) analisaram quanto um cliente paga em média por uma MD. Os
autores também analisaram o que faz um cliente pagar mais que o mínimo necessário, dentro
de um modelo de serviço onde o cliente tem liberdade de escolha.
Por fim, o artigo de Styvén (2010), que teve como objetivo testar um modelo de
pesquisa e realizar uma análise de segmentação baseado no envolvimento de música a fim de
compreender a relação entre o envolvimento musical e a preferência por formatos de música
tangíveis.
10
4.3 Contribuições das Pesquisas Analisadas
Para identificar as contribuições para a área do comportamento do consumidor de
MD, foi realizada uma análise dos resultados e também das implicações práticas e teóricas de
cada artigo da amostra.
a) Mudanças no mercado
As pesquisas ofereceram uma avaliação sobre a evolução da indústria de música. As
interpretações baseadas na análise da cadeia de valor, características de estrutura de mercado
e as diferentes perspectivas de cada player no mercado de música gravada levou a afirmar
uma série de proposições que caracterizam algumas outras alterações que possam vir a ocorrer
(BOCKSTEDT et al., 2013). Os analistas de mercado e especialistas da indústria, muitas
vezes apontam para a inevitabilidade da indústria fonográfica encontrar novos modelos de
negócios que podem substituir as tradicionais fontes e fornecer receitas sustentáveis em um
futuro onde a música não chega (STYVÉN, 2010). Swatman, Krueger e Beek (2006) afirmam
que as empresas devem se concentrar em sua principal competência. Existem dois grupos de
modelos de negócio promissores na internet, segundo eles: (1) modelos de negócio que
integram a criação, aquisição, agregação de valor e distribuição digital de conteúdo com a
ajuda de uma plataforma de software lucrativa e (2) modelos de negócio em que se
concentram as suas competências essenciais e que encontram parceiros certos para apoiar a
estratégia. Assim, embora não seja possível totalmente prever como o mercado de música
digital funcionará no futuro, os estudos oferecem uma série de insights direcionais que valem
uma investigação adicional (BOCKSTEDT et al., 2013).
b) Pirataria
Os resultados das pesquisas sugerem que a prática da pirataria de música evoluiu de
uma questão ética considerada leve a um comportamento analisado de uma forma mais
complexa (COYLE et al., 2009). Além disso, os resultados de Lysonski e Durvasula (2008)
mostram claramente que o download continua a um ritmo elevado, hoje impulsionado por
uma forte crença de que não é eticamente errado. Medo das consequências não parecem ter
um impacto sobre a propensão para baixar ilegalmente. A eficácia do uso de um apelo a
culpa, como considerada pela RIAA, é questionável, dadas as conclusões do estudo. Os
resultados (LYSONSKI; DURVASULA, 2008) mostram claramente que há uma correlação
negativa significativa entre intenções de download ilegal e consequências punitivas. Kwong e
Lee (2002) também constataram que as leis podem ser uma grande força para dissuadir
pirataria de CDs em Hong Kong. Por outro lado, os resultados de outras pesquisas
(PLOWMAN; GOODE, 2009; SINHA; MANDEL, 2008b) sugerem que os esforços
legislativos atuais para dissuadir o download ilegal de música online não são eficazes. Com
base em três estudos, os resultados sugerem que os incentivos negativos são um forte
impedimento para determinados consumidores, mas pode realmente aumentar as tendências
de pirataria para outros. Por outro lado, os incentivos positivos, como a melhoria nas
funcionalidades das plataformas, pode reduzir significativamente a tendência de pirataria
11
entre todos os segmentos de consumidores pesquisados. A ameaça de constrangimento não
fez nada para aumentar sua WTP para a música legal (ou, correspondentemente, para diminuir
as suas intenções de pirataria) (SINHA; MANDEL, 2008).
c) Preços
Ao analisar os resultados e contribuições, foram identificados achados importantes.
O preço foi uma variável que se destacou nas pesquisas analisadas.
O estudo de Plowman e Goode (2009) constatou que a qualidade da música é um
fator importante para heavy-users (super usuários de MD) aderirem aos serviços pagos, porém
para light-users (usuários com baixa frequência de utilização de MD) preço é a parte
significativa. Os resultados dos autores reforçam que o preço e a qualidade da música são os
fatores mais importantes que afetam o comportamento de download de música dos
indivíduos.
Swatman, Krueger e Beek (2006) sugerem que varejistas online devem desenvolver
estratégias de preços competitivos e oferecer fácil acesso para os consumidores de MD. Para
trazer usuários de redes de compartilhamento ilegal, que acham que o preço por música
baixada é alto, é necessário elaborar modelos de negócios atrativos, de acordo com as
características deste consumidor. Chu e Lu (2007) verificaram que os provedores de música
online precisam identificar e segmentar seus clientes, para oferecer preços atraentes para cada
segmento (LYSONSKI; DURVASULA, 2008). O padrão observado de não pagar
voluntariamente pode ser explicado com um nível suficientemente elevado de preferências
sociais, segundo Regner e Barria (2009). Além disso, os modelos de precificação em camadas
podem permitir que as empresas de música consigam extrair o excedente máximo de cada
faixa de música individual (SINHA; MANDEL, 2008).
d) Implicações práticas
As principais implicações práticas identificadas são os insights que os estudos
fornecem aos gestores, empresas e usuários sobre os tópicos específicos pesquisados,
permitindo maior compreensão sobre os fenômenos que ocorrem no mercado de música
digital. Considerando as implicações específicas de cada artigo, diversos fatores são expostos
tendo em vista auxiliar na elaboração de estratégias de marketing relacionadas ao mercado de
MD. As pesquisas fornecem uma perspectiva explicativa sobre o surgimento de um novo
mercado e identifica os drivers em potencial para criação de valor (BOCKSTEDT et al.,
2013; COYLE et al., 2009; REGNER; BARRIA, 2009; SINHA; MANDEL, 2008a;
SWATMAN; KRUEGER; BEEK, 2006).
Participantes da pesquisa (SINHA; MANDEL, 2008) apresentaram menos
probabilidade de baixar MD ilegal, desde que houvesse serviços com recursos e qualidade, ou
seja: catálogos extensos de música, disponibilidade de conteúdos extras, tais como gravações
raras, concertos ao vivo e download de toques para celular e vídeos.
Os resultados do estudo de Coyle et al. (2009) sugerem que usar artistas menos
conhecidos, ao invés de estrelas reconhecidas, para explicar como o compartilhamento ilegal
de MD prejudica o mercado, pode ser mais eficaz no combate a pirataria.
12
A internet tem permitido aos consumidores ouvir músicas antes de decidir comprálas, o que diminui a probabilidade de comprar álbuns completos dos artistas
(KLEINSCHMIT, 2007). Tal mudança afetou a indústria economicamente e não apenas a
pirataria, como a maioria dos estudos sugere (STYVÉN, 2010).
O estudo de Styvén (2010) também descobriu que não é necessário erradicar
formatos físicos e que estes estão cumprindo necessidades de diferentes consumidores.
Swatman, Krueger e Beek (2006) revelam que cada vez mais idosos estão usando a
internet na Europa e são um grupo alvo promissor para os provedores de conteúdo online.
e) Reflexos nas demais indústrias
Com relação aos resultados e contribuições práticas e teóricas, identificou-se que os
estudos aplicados ao comportamento do usuário de MD também servem para análise de outras
indústrias. Embora as pesquisas analisadas neste estudo estejam direcionadas à indústria da
música, os resultados encontrados também são aplicáveis a outras indústrias, especialmente o
mercado da informação que envolve entretenimento (BOCKSTEDT et al., 2013;
PLOWMAN; GOODE, 2009).
O mercado de download de filmes de rápido crescimento tem muitas semelhanças
(STYVÉN, 2010). O mercado tradicional de CDs e DVDs físicos também está se movendo de
um equilíbrio a outro equilíbrio futuro ainda desconhecido (COYLE et al., 2009;
PLOWMAN; GOODE, 2009; REGNER; BARRIA, 2009; SWATMAN; KRUEGER; BEEK,
2006). Os downloads de filmes digitais oferecem a mesma interface e experiência do usuário
como DVD e videocassete tradicional. Bockstedt et al. (2013) afirmam que, assim como a
música digital, filmes digitais também são facilmente reproduzidos e transferidos, portanto, as
tendências na indústria do cinema seguirão os mesmos caminhos da indústria da música
(SINHA; MANDEL, 2008).
Plowman e Goode (2009) sugerem que os indivíduos entrevistados sinalizam
semelhante crenças sobre download de música online, download de filmes e pirataria de
softwares. De acordo com as sugestões de Gopal e Sanders (2003), as estratégias utilizadas
para atrair consumidores para baixar música legal poderiam ser aplicadas para baixar filmes e
softwares. As percepções desta pesquisa podem ser aplicadas a outros produtos digitais com
características semelhantes, tais como filmes.
5 Considerações Finais
O estudo desenvolvido possibilitou um conhecimento geral sobre o que vem sendo
apresentado no âmbito do tema de compartamento do consumidor de MD na área de
marketing de serviços. Foram analisados oito artigos sobre o tema em periódicos de
relevância acadêmica mundial.
Considerando a análise dos temas apresentados nos artigos, percebeu-se uma maior
preocupação sobre aspectos como a pirataria, enfatizando uma preocupação latente com o
compartilhamento generalizado de música ilegal. Alguns artigos se propõem a testar modelos
teóricos e outros a explorar aspectos como ética e intenção de pagar, porém a maior parte dos
trabalhos realiza a investigação de determinantes para o uso de MD.
13
As contribuições dos artigos para o campo de pesquisa foram identificadas nas
implicações práticas e teóricas da análise. Praticamente todos os artigos contribuem com a
construção de insigths relevantes aos gestores sobre as mudanças no mercado de MD, o
estado atual do compartilhamento ilegal, a influência dos preços sobre o comportamento, bem
como o reflexo nas demais indústrias (cinema e software).
Finalizando, o que se pode constatar, através do estudo é que a tem tica vem sendo
abordada através de basicamente uma via, a pirataria (COYLE et al., 2009; LYSONSKI;
DURVASULA, 2008; KWONG; LEE, 2002; PLOWMAN; GOODE, 2009; SINHA;
MANDEL, 2008b) esta forma existe uma oportunidade na tentativa de se avançar na
teoria ao trabalhar o tema através de diferentes enfoques ompreende-se que o campo por si
s j é extremamente complexo e desafiador para futuras pesquisas
Acredita-se que mais contribuições podem surgir com a ampliação e
complementação do estudo por meio do aumento do número de periódicos pesquisados,
incluindo periódicos nacionais.
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