III SIMPÓSIO BRASILEIRO DE FAMÍLIA E DESENVOLVIMENTO HUMANO
Psicologia: Prevenção e Intervenção
www.nac.ufpr.br/sbf2011
21 e 22 de outubro de 2011, Curitiba - PR
Teatro Bom Jesus
Realização: Núcleo de Análise do Comportamento da UFPR e FAE Centro Universitário
CONFERÊNCIAS E PALESTRAS
FAMÍLIAS POR ADOÇÃO: AMORES CONQUISTADOS .............................................. 7
Lidia Natalia Dobrianskyj Weber
COMPREENDER E AVALIAR SERIAL KILLERS E PEDOFILOS .............................. 9
Maria Adelaide de Freitas Caíres
A ATUAÇÃO DO TERAPEUTA EM UM PROCESSO DE DISPUTA
PELA GUARDA DO FILHO.................................................................................................. 11
Patrícia Piazzon Queiroz
O RELACIONAMENTO DO CASAL, HABILIDADE SOCIAL
E A SEXUALIDADE ............................................................................................................... 13
Roseli Deolinda Hauer
AUTISMO E TRANSTORNOS DO DESENVOLVIMENTO:
CONTRIBUIÇÕES DA ANÁLISE DO COMPORTAMENTO
PARA A INTERVENÇÃO PROFISSIONAL ....................................................................... 14
Cintia Guilhardi; Claudia Romano; Leila Bagaiolo; Glauce Carolina Vieira Santos
A FAMÍLIA E AS RELAÇÕES PARENTAIS NO CURSO DE VIDA ............................. 15
Maria Auxiliadora Dessen
QUANDO A CRIANÇA PRECISA DE TERAPIA .............................................................. 17
Joana Singer Vermes
LAVAR, ARRUMAR, CONTAR... QUANDO AS MANIAS
TORNAM-SE UM PROBLEMA: O COMPORTAMENTO
OBSESSIVO-COMPULSIVO ................................................................................................ 18
Denis Roberto Zamignani
PARA ENCONTRAR E VIVER UM GRANDE AMOR..................................................... 20
Ailton Amélio da Silva
PREVENINDO A VIOLÊNCIA NA FAMÍLIA E NA ESCOLA ....................................... 24
Lúcia Cavalcanti de Albuquerque Williams
PROFESSORES PRECISAM DE CURSOS? ....................................................................... 26
Ana Priscila Batista ; Lidia Natalia Dobrianskyj Weber
HABILIDADES SOCIAIS NO TRABALHO? ..................................................................... 31
Suzane Schmidlin Löhr
GUARDA PROTETIVA: O DIREITO À CONVIVÊNCIA FAMILIAR DAS
CRIANÇAS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL.................................. 34
Laiana Delakis Recanello
ATENÇÃO PRECOCE E O MODELO CENTRADO NA FAMILIA ............................... 37
Maria Augusta Bolsanello
OBESIDADE INFANTIL E PRÁTICAS DE ALIMENTAÇÃO ........................................ 39
Ana Paula Franco Mayer ; Lidia Natalia Dobrianskyj Weber
TRANSTORNOS DO DESENVOLVIMENTO. O QUE FAZER ? ................................... 41
Tatiana I. J. de Sá Riechi
BULLYING: PROFESSORES E ALUNOS .......................................................................... 43
Cloves Amorim
FAMÍLIA E A ADMINISTRAÇÃO DE SENTIMENTOS ....................................................44
Vera Regina Miranda
QUANDO A DOENÇA DE ALZHEIMER OCORRE COM
ALGUÉM DA FAMÍLIA ...........................................................................................................46
Rubens De Fraga Júnior
A DOENÇA MENTAL NA FAMÍLIA .....................................................................................48
Hamilton M. Grabowski
PARA ENCONTRAR E VIVER UM GRANDE AMOR........................................................50
Ailton Amélio da Silva
PAINÉIS
AMOR CATIVO: ASPECTOS RELEVANTES DOS
RELACIONAMENTOS AMOROSOS ENTRE PRESIDIÁRIOS
E SUAS COMPANHEIRAS ................................................................................................... 54
Luciane Marcos da Costa; Lidia Natalia Dobrianskyj Weber
CARACTERIZAÇÃO DE PROJETO DE ESTIMULAÇÃO
PRECOCE COM BEBÊS EM INSTITUIÇÃO ABRIGO................................................................. 58
Mariana Fernandes Barbosa, Christiana Gonçalves Meira de Almeida
AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA DE CRIANÇAS VÍTIMAS DAS
ENCHENTES NO VALE DO ITAJAÍ/BRASIL .................................................................. 61
Sueli Terezinha Bobato ; Vanessa Teodoro
DEPRESSÃO E COMPORTAMENTO DE CULPA
EM MÃES ENLUTADAS ...................................................................................................... 65
Maria Cecília de Abreu e Silva ; Sulliane Teixeira de Freitas ; Jocelaine Martins da Silveira
ESTILOS E PRÁTICAS PARENTAIS MATERNAS
E O SEXO DO BEBÊ .............................................................................................................. 69
Elisa Rachel Pisani Altafim ; Sária Cristina Nogueira ; Olga Maria Piazentin Rolim Rodrigues
GRUPO DE APOIO A PAIS DE CRIANÇAS COM DOENÇAS
CRÔNICAS: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA ................................................................ 72
Larissa Ribeiro Alves ; Cristiani Aparecida da Silva ; Ana Paula Viezzer Salvador; Lidia Natalia
Dobrianskyj
FAMÍLIAS DE JOVENS ABRIGADOS: DIÁLOGOS E
SENTIDOS CONSTRUIDOS ................................................................................................. 76
Nadine de Biagi Ziesemer; Marie Ballande Romanelli; Doriana Gaio; Silvia Queiroz; Maria
Angélica Pizani
ADOÇÃO HOMOAFETIVA .................................................................................................. 79
Hellen Tsuruda Amaral ; Vitoria Baldissera de Souza ; Rafael Gomes Amaral da Silva ; Leiliane
Silva do Nascimento ; Lidia Natalia Dobrianskyj Weber
RELAÇÃO ENTRE PRÁTICAS PARENTAIS, ESTILOS
DE AMOR E ESTILOS DE APEGO DE BOWLBY ........................................................... 82
Kharina Ribeiro Guides ; Cristina Lopes Pereira ; Larissa Ribeiro Alves ; Lidia Natalia Dobrianskyj
Weber
SÍNDROME DE DOWN E AS RELAÇÕES FAMILIARES .............................................. 85
Rafaela de Carli ; Mariane A. ; Andressa L. Picolo
REDE COMUNITÁRIA - INTEGRANDO SABERES SOCIAIS E
ACADÊMICOS PARA O DESENVOLVIMENTO HUMANO ......................................... 88
Maria Angélica Pinto Nunes Pizani ; Silvia Maria Prado Lopes Queiroz e colaboradores
QUEM SÃO OS PRETENDENTES À ADOÇÃO? UMA
INVESTIGAÇÃO SOBRE CARACTERÍSTICAS E
BEM-ESTAR PSICOLÓGICO .............................................................................................. 91
Cristina Lopes Pereira ; Lidia Natalia Dobrianskyj Weber
DEPRESSÃO, AUTOESTIMA E ESTILOS PARENTAIS PERCEBIDOS POR
DOLESCENTES DE FAMÍLIAS INTACTAS E FAMÍLIAS SEPARADAS ................... 94
Leiliane Silva do Nascimento; Lidia Natalia Dobrianskyj Weber; Aline Lenhart Nesi
COMO OS ESTUDANTES DE PSICOLOGIA, DIREITO E
SERVIÇO SOCIAL PERCEBEM A ADOÇÃO NO BRASIL? .......................................... 96
Lidia Natalia Dobrianskyj Weber ; Cristina Lopes Pereira ; Leiliane Silva do Nascimento; Gisele
Regina Stasiak
CONSIDERAÇÕES ACERCA DA EDUCAÇÃO SEXUAL ESCOLAR .......................... 99
Sueli Puiani; Andreia Bichiato do Amaral; Lidemara Bertioti; Aline Graziela; Thiago de Almeida
RESILIÊNCIA: UM ESTUDO BIBLIOGRÁFICO SOBRE OS
FATORES DE RISCO NO DESENVOLVIMENTO INFANTIL ...................................... 102
Ana Paula Sesti Becker; Josiane da Silva Delvan; Karoline Braun
ROTINA E CONFLITOS PARA CASAIS ............................................................................ 105
Andrea Soutto Mayor; Caroline Ferreira Pontes; Thiago de Almeida
A HOMOFOBIA NO AMBIENTE DE TRABALHO .......................................................... 108
José Airton da Silva; Thiago de Almeida; Maria Luiza Lourenço
CONSIDERAÇÕES A RESPEITO DO COMPORTAMENTO
SEDUTOR COMPULSIVO .................................................................................................... 111
Thiago de Almeida; Monica L. Zilberman
O TÉRMINO DE UM RELACIONAMENTO AMOROSO: SENTIMENTOS
PREDOMINANTES E IMPACTOS NA VIDA DIÁRIA APÓS A SEPARAÇÃO ........... 114
Katiane C. S. Goulart; Luciana Lazarini; Bianca C. Bronini e colaboradores
VIVÊNCIAS DA INFIDELIDADE CONJUGAL FEMININA ........................................... 117
Débora Lago de Sousa; Rosita Barral Santos; Thiago de Almeida
O ‘DEVIR’ DO AMOR E DA SEXUALIDADE NO PROCESSO
DO ENVELHECIMENTO...................................................................................................... 120
Ester Santiago Duarte Carqueijeiro Antunes; Andrea Soutto Mayor; Thiago de Almeida
REPRESENTAÇÕES DOS HOMENS HETEROSSEXUAIS
ACERCA DO CIÚME CONTEMPORÂNEO ................................................................................... 123
Maria Raquel Moretti Pires; Maíra Costa Abreu; Marília Criscuolo Urbinati; Rafael De Tilio;
Thiago de Almeida
APLICAÇÃO DO PROGRAMA DE QUALIDADE NA
INTERAÇÃO FAMILIAR PAIS E FILHOS NO ESTADO DE RONDÔNIA ................. 125
Alessandra Cardoso Siqueira e colaboradores
ESTRESSE, CRIATIVIDADE E TEMPO LIVRE ENTRE ADOLESCENTES
E SUA RELAÇÃO COM AS PRÁTICAS EDUCATIVAS PARENTAIS ......................... 127
Norma Sant‟Ana Zakir; Lidia Natalia Dobrianskyj Weber; Cláudia Tucunduva Ton; Aline Lenhart
Nesi
APRESENTAÇÃO DO PROGRAMA SON-RISE COMO ESTRATÉGIA
DE INTERVENÇÃO COM AUTISMO ATRAVÉS DE UM RELATO
PARCIAL DE CASO ............................................................................................................... 129
Aneliana da Silva Prado
SEXUALIDADE NA TERCEIRA IDADE, SAÚDE SEXUAL PARA O IDOSO
E A QUESTÃO DA AIDS ....................................................................................................... 132
Maria Luiza Lourenço ; Thiago de Almeida
O ACOMPANHANTE DA CRIANÇA HOSPITALIZADA: SIGNIFICAÇÕES
DO PROCESSO DE SAÚDE, DOENÇA E HOSPITALIZAÇÃO NA INFÂNCIA ......... 135
Menezes, M. ; Moré, C.L.O.O. ; Barros, L.
COMPORTAMENTO ANTISSOCIAL E COMPORTAMENTO EXTERNALIZANTE
EM CRIANÇAS: UMA REVISÃO DE ESTUDOS TEÓRICOS ........................................ 138
Ana Priscila Batista
ESTILOS PARENTAIS: COMPARAÇÃO ENTRE FAMÍLIAS DE CRIANÇAS E
ADOLESCENTES COM E SEM ALTAS HABILIDADES ................................................ 140
Ana Paula Viezzer Salvador ; Lidia N. D. Weber e colaboradores
A RELAÇÃO ENTRE ESTILOS PARENTAIS E O DESEMPENHO
ACADÊMICO DE ADOLESCENTES .................................................................................. 142
Chanary Procek ; Ana Paula Viezzer Salvador ; Lidia N. D. Weber e colaboradores
AVALIAÇÃO DE UM GRUPO DE DESENVOLVIMENTO
DE HABILIDADES SOCIAIS COM ADOLESCENTES
DE UMA ESCOLA PÚBLICA ............................................................................................... 144
Aline Lenhart Nesi ; Ana Paula Viezzer Salvador ; Chanary Procek e colaboradores
COGNIÇÃO E APRENDIZAGEM EM PACIENTES PEDIÁTRICOS COM
CRISE EPILÉPTICA AFEBRIL: ABORDAGEM NEUROPSICOLÓGICA .................. 146
Ana Caroline Bonato da Cruz ; Davi Sidnei de Lima; Sergio Antônio Antoniuk e colaboradores
O ESTIGMA, A PROSTITUIÇÃO FEMININA E A DEPENDÊNCIA QUÍMICA:
ASPECTOS E INTERFACES PRESENTES E RELEVANTES À SOCIEDADE ........... 148
Diego da Silva ; Ivonete Ferreira Haiduke ; Patrícia Cardoso Campos Nogueira
AS MÚLTIPLAS FACES DA VIOLÊNCIA NO ESPAÇO ESCOLAR:
REFLEXÕES E DESAFIOS ................................................................................................... 150
Alessandra Cardoso Siqueira; Eraldo Carlos Batista; Benedito Alves de Oliveira
MUNDO DA LUA: USO DE DROGAS E FAMÍLIA .......................................................... 152
Ana Carolina Buzzá Machado; Marina Guebert ; Nicolle Roman Ferreira e Maria Cristina Neiva
de Carvalho
A FRUTA NÃO CAI LONGE DO PÉ: VIOLÊNCIA TRANSGERACIONAL ................ 154
Elaine Chaves ; Gabriela Rossetto Demeneck ; Maria Cristina Neiva de Carvalho ; Viviane
Ferreira
PERCEPÇÃO VISUAL E MEMÓRIA VISUAL EM PACIENTES
PEDIÁTRICOS COM CRISE EPILÉPTICA AFEBRIL .................................................... 156
LIMA, D. S; CRUZ, A. C. B.; RIECHI, T. I. J. S. e colaboradores
PROGRAMA DE MELHORIA DA INTERAÇÃO FAMILIAR – PROMIF ................... 158
Lissandra Medeiros Santos ; Solange de Fátima Ilivinski ; Luiza Helena Cosmo Spaki e
colaboradores
SENTIMENTOS, DIFICULDADES E EXPECTATIVAS DOS PAIS EM
RELAÇÃO AOS FILHOS SUPERDOTADOS INSERIDOS EM
ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO .................................................... 160
Paula Mitsuyo Yamasaki Sakaguti ; Maria Augusta Bolsanello
PRATICAS EDUCATIVAS PARENTAIS E RELAÇÃO COM
DESENVOLVIMENTO EMOCIONAL DOS FILHOS ...................................................... 162
Laura Zitronenblatt ; Lidia Natalia Dobrianskyj Weber e colaboradores
ATUAÇÃO DO PSICOLOGO EM EQUIPE INTERDISCIPLINAR NO
SERVIÇO DE ESTIMULAÇÃO ESSENCIAL DA PREFEITURA
MUNICIPAL DE CURITIBA – SUPORTE E ATENÇÃO AS FAMILIAS ...................... 164
Luciana Maísa da Silva Sydor
ESCALA DE QUALIDADE DE INTERAÇÃO FAMILIAR – EQIF;
ESTUDO DA VALIDAÇÃO E AFERIÇÃO DO INSTRUMENTO PARA
A POPULAÇÃO PORTUGUESA .......................................................................................... 166
Marta Assis Loureiro ; D. Florencio Castro ; Lidia Natália Dobrianskyj Weber
CONTRIBUIÇÕES DA NEUROPSICOLOGIA PARA A
ORIENTAÇÃO PARENTAL ................................................................................................. 168
Daniella Bauer Pereira de Almeida Bastos ; Ademar Heemann
CONFERÊNCIAS E PALESTRAS
FAMÍLIAS POR ADOÇÃO: AMORES CONQUISTADOS
Lidia Natalia Dobrianskyj Weber
Núcleo de Análise do Comportamento e Programa de Pósgraduação em Educação da Universidade Federal do Paraná
[email protected]
A adoção é um tema bastante complexo e delicado e, apesar de a adoção existir desde os tempos
mais remotos, pesquisas recentes mostram que os preconceitos que envolvem este assunto ainda
persistem, como enraizados, em grande parte da população. A conscientização e o esclarecimento
só serão possíveis a partir da realização de pesquisas científicas sobre o assunto, visando aprofundar
o estudo dos aspectos envolvidos na adoção, bem como, a dinâmica existente no dia-a-dia das
famílias. A adoção pode ser vista como uma transgressão à ordem natural, ou como um meio de
sobrevivência da espécie, sendo tão natural quanto a procriação: “... adoção é uma construção social
cercada de inúmeros valores culturais e históricos. (...) Adoção seria um processo por que as
pessoas passam para transformar uma criança em filha e, com isso, podem exercer um papel
parental de proteção, cuidado e amor para com a criança” (Weber, 2011). As famílias por adoção
são constantemente descritas na literatura como vulneráveis a diversos fatores de risco. Steinhauer
(1998) lista diversos fatores que têm correlação com a falta de sucesso na adoção: Crianças com
história de privação severa e múltiplas tentativas de colocação; Crianças com diagnóstico de
desordem de comportamento antes da adoção; Crianças que foram retiradas de um relacionamento
longo e de sucesso em Foster home ou Casa Lar; Adoção envolvendo uma criança que apresenta
uma forte vínculo emocional com um membro da família de origem ou da Foster home (Casa Lar);
Adoção na qual um ou os dois pais adotivos tem expectativas excessivas em relação à criança
adotada; Adoção onde a criança, como resultado de experiências prévias, desenvolveu uma
personalidade bem estabelecida e de comportamento, ou tenha necessidades exageradas que
interferem com a aceitação e integração com a família adotiva; Idade da criança na adoção. No
entanto, diversas pesquisas realizadas com a equipe do Núcleo de Análise do Comportamento da
7
UFPR demonstram evidência que a dinâmica familiar das famílias por adoção não estão sujeitas às
diversas vulnerabilidades apontadas anteriormente pela literatura. Em pesquisa sobre estilos e
práticas parentais (Weber, Pereira & Dessen, 2008), os resultados apontam os filhos adotivos
percebem, em seus pais, maior envolvimento, supervisão, clima conjugal positivo, modelo, punição
paterna e revelam maior sentimento positivo por seus pais do que os filhos genéticos. Por outro
lado, os adolescentes não-adotados perceberam maior comunicação negativa e clima conjugal
negativo em seus pais. Assim, em vez de um grupo apontado como “de risco” e percebido ainda
com preconceito, os dados sugerem características altamente protetivas nas famílias adotivas
brasileiras que merecem ser investigadas de forma mais sistemática e profunda. O que resultados de
pesquisas mostram de maneira clara é que a família por adoção possui a mesma essência de uma
família genética, mas suas características são diversas e não devem ser perdidas de vista. Em meio a
uma sociedade ainda preconceituosa, a generalizações de casos dramáticos e ainda falta de estudos
nacionais sobre o tema, desvela-se que as adoções têm tido mais amores do que dissabores. O amor
de uma família por adoção é construído, como qualquer outra forma de afeto que deve ser sempre
nutrido. O amor sempre deve ser conquistado.
Palavras-chave: adoção, família, casa-lar, filiação
REFERÊNCIAS
Steinhauer, P.D. (1998). The least detrimental alternative: a systematic guide to case planning and
decision for children in care. Toronto: University of Toronto Press.
Weber, L.N.D., Pereira, C.L. & Dessen, M.A. (2008). Parental practices in one parent and two
parent adoptive Brazilian families. International Journal of Psychology, 43, 703-703.
Weber, L.N.D. (2001). Adote com carinho: um manual sobre aspectos essenciais da adocão.
Curitiba: Juruá.
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CONFERÊNCIAS E PALESTRAS
COMPREENDER E AVALIAR SERIAL KILLERS E PEDOFILOS
Maria Adelaide de Freitas Caíres
Psicóloga clínica e forense;
Mestre em Psicologia da Saúde;
Neuropsicóloga do IPq-HCFMUSP (1987 a 2005);
especialista na prova de Rorschach, em Neuropsicologia e em Psic. Jurídica;
autora do Livro: Psicologia Jurídica – implicações conceituais e aplicações práticas
[email protected]
A prática em psicodiagnóstico, seja para fins clínicos ou periciais, exercida por mais de três
décadas, permitiu reunir dados sobre a dinâmica de funcionamento psicológico – cognitivo e
afetivo-emocional –, os quais correlacionei com estressores psicosssociais, na sua maioria
vivenciados ao longo da primeira infância. Os dados colhidos sobre o ciclo vital e o ciclo criminal
foram corroborados através dos resultados apurados na testagem psicológica, que incluía o exame
de personalidade e o neuropsicológico. A observação clínica apontava para a ocorrência, reiterada,
de fatores que poderiam ser considerados como de risco. Para verificá-los dois levantamentos
documentais foram realizados e analisados estatisticamente. As casuísticas foram compostas de 120
casos de vítimas examinadas no ambulatório NUFOR (Núcleo de estudos e pesquisas em
Psiquiatria Forense e Psicologia Jurídica do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da
Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo), por solicitação das Delegacias Especiais,
durante minha atividade como coordenadora e supervisora do núcleo forense, para o primeiro grupo
e, para o segundo, de 40 casos de criminosos, escolhidos aleatoriamente dentre centenas, cuja
perícia fora requisitada pelo Poder Judiciário na qualidade de perita oficial contratada do IMESC
(Instituto de Medicina Social e Criminologia de São Paulo) ou de perita nomeada. As variáveis:
distúrbio de linguagem, distúrbio de atenção com ou sem hiperatividade e a violência doméstica
foram comparados com os tipos penais de homicídio, lesão corporal, uso e tráfico de drogas e crime
sexual (abuso e estupro) e também com a reincidência criminal.
Os resultados, que serão
apresentados sob a forma de gráficos, confirmam nossa hipótese clínica, qual seja, violências
9
perpetradas em tenra idade desvia os processos naturais de desenvolvimento psicológico e da
maturação cortical e, particularmente, da construção da personalidade deixando como sequelas em
alguns aspectos as desordens tanto na identidade pessoal como na social, além de falhas na
organização dos afetos, em especial da leitura afetiva de fatos e pessoas. Embora o N não garantiu a
caracterização dos estressores selecionados como fatores de risco, demonstrou que os mesmos estão
de fato ocorre em 100% dos casos, incluindo nestes os que cometeram crime em série. Os dados
sugerem uma leitura de que o crime possa ocorrer como expressão de uma história de conflitos, que
favorece tanto o adoecer como a criminalidade. No presente trabalho, destacaremos os casos
criminais.
1. NUFOR - Entre os anos de 1998 a 2005.
2. IMESC – entre os anos de 1986 a 1996
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CONFERÊNCIAS E PALESTRAS
A ATUAÇÃO DO TERAPEUTA EM UM PROCESSO DE DISPUTA PELA GUARDA DO
FILHO
Patrícia Piazzon Queiroz – IAAC
[email protected]
O pai de Julio procurou atendimento psicológico para o filho de 8 anos. Ele e a mãe da criança
estavam em disputa judicial pela guarda: “Agora o Julio está bem. Mas já passou por coisas muito
difíceis para a idade dele. Tem várias coisas gravadas aqui (CD) para você entender. Não dá para
contar tudo. Ele está sob a minha guarda, mas ainda tem um processo rolando para a guarda
definitiva. Eu não o trouxe aqui por causa disso, mas por querer que ele fique bem. Sei que ele já
sofreu, ele está bem, mas não deve ser fácil.” A terapeuta identificou que Julio foi exposto a
contingências de incontrolabilidade: a. mãe bateu o próprio carro algumas vezes no do pai com a
criança dentro; b. a mãe foi buscá-lo com um mandato judicial na casa dos avós paternos e o levou
mesmo o menino insistindo que não queria ir; c. no período em que esteve sob a guarda da mãe, ela
impediu o contato com a família paterna enquanto a criança ficava praticamente com a empregada;
d. o pai conseguiu um mandato para buscar a criança na cidade onde morava com a mãe; e. a mãe
foi à escola sem autorização judicial para levá-lo de volta a cidade dela; f. a mãe não telefonava
com freqüência e quando o fazia, dizia que o levaria embora ou falava mal da rotina de vida da
criança, mesmo com Julio se opondo aos comentários dela e pedindo que parasse. Ficou evidente
para a terapeuta que a separação dos pais tinha sido tumultuada e a mãe não aceitava a situação. Sua
relação com o filho não era sistemática e não estava sob controle dos comportamentos e
sentimentos do filho, mas era função dos seus sentimentos de raiva, irritação e frustração na relação
com ex-marido. Os avós paternos sempre foram presentes na vida da criança e diante das situações
vividas por ele faziam todas as suas vontades sem dar limites. Essas contingências levaram Julio a
desenvolver um repertório de comportamento de: a. não acreditar no que as pessoas combinavam
com ele; b. evitar se envolver afetivamente, pois poderia perder a relação a qualquer momento; c.
dificuldade em seguir regras; d. dificuldade em emitir tactos dos seus sentimentos. A terapeuta
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adotou os seguintes procedimentos: a. realizavam acordos e estes sempre eram cumpridos; b. emitia
comportamentos afetivos; c. dava modelos para o cliente expressar sentimentos; d. solicitava como
prêmio, quando ganhava um jogo, abraços, cócegas etc., instalando repertório adequado de toque; f.
propunha regras; g. os assuntos referentes a guarda e a mãe foram introduzidos gradualmente e
eram interrompidos quando a criança expressava desconforto na situação; h. solicitava para Julio
descrever a rotina do seu dia a dia e relação com os colegas. Diante da consistência entre o falar e
fazer da terapeuta, Julio foi estabelecendo um vínculo afetivo e de confiança, passou a falar sobre a
sua relação com a mãe e a expressar seus sentimentos de conflito entre gostar dela e não gostar de
coisas que ela fazia. Ele também descrevia adequadamente seu comportamento com os colegas e
expressava seus sentimentos nas situações. Julio descrevia sua relação com o pai, madrasta e irmão
e aos poucos passou a expressar seu ciúme do irmão (filho da nova relação marital do pai) para a
terapeuta. A relação de confiança entre terapeuta e cliente o levaram a solicitar a ela que escrevesse
um relatório ao Juiz expressando sua vontade de ficar com o pai e explicitou seu medo de
decepcionar a mãe.
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CONFERÊNCIAS E PALESTRAS
O RELACIONAMENTO DO CASAL, HABILIDADE SOCIAL E A SEXUALIDADE
Roseli Deolinda Hauer
Psicóloga Clínica (CRP 080134)
Especialista em Sexualidade Humana
[email protected]
O tema sexualidade humana é sempre marcado por curiosidade, sempre envolto em situações de
brincadeiras, risos, piadas e gozações. Quando nos referimos ao relacionamento sexual nos casais,
ainda poderemos encontrar segredos, temas polêmicos, ansiedade, disfunções e desconhecimento.
A história de vida e do relacionamento do casal será sempre acompanhada da história cultural,
religiosa, educação, questões sócio- econômicas, e da interação destes fatores que resultará a
história pessoal. Duas histórias de vida que agora decidem viver juntos compartilhando sonhos,
projetos e experiências.
Toda esta história de relacionamento e casamento agora será acompanhada, regulada pelos
pressupostos de como deve ser um relacionamento e ainda contemplando expectativas do que
seriam as crenças básicas sobre o relacionamento.
As primeiras experiências românticas do casal, seus pensamentos, sentimentos e comportamentos
podem interferir diretamente na vida afetiva e sexual do casal.
As expectativas sociais, a ansiedade de desempenho, a pouca experiência de alguns parceiros
podem interferir inteiramente no desempenho sexual.
Faz-se necessário afirmar aqui a importância do diálogo no casal, e aqui é que precisamos comentar
sobre as vantagens das habilidades sociais no relacionamento interpessoal.
O casal que dentro das suas competências pessoais consegue expressar sentimentos, pensamentos,
colocar-se no lugar do outro, com certa facilidade, pode ser que consiga também expressar o que
gosta ou o que não gosta dentro do relacionamento sexual.
13
CONFERÊNCIAS E PALESTRAS
AUTISMO E TRANSTORNOS DO DESENVOLVIMENTO: CONTRIBUIÇÕES DA
ANÁLISE DO COMPORTAMENTO PARA A INTERVENÇÃO PROFISSIONAL
Cintia Guilhardi (Grupo Gradual)
Claudia Romano (Grupo Gradual)
Leila Bagaiolo (Grupo Gradual)
Glauce Carolina Vieira Santos (Grupo Gradual)
[email protected]
O autismo e os transtornos invasivos do desenvolvimento (TIDs) são definidos, essencialmente,
como distúrbios do desenvolvimento, com bases em alterações neurológicas que afetam
principalmente três aspectos: (1) as interações sociais; (2) o comportamento verbal e (3)
variabilidade de repertórios comportamentais. As alterações nesses aspectos variam de indivíduo
para indivíduo e, por isso, esses transtornos são examinados dentro de um continuum ou o que se
convencionou denominar espectro. Diferentes procedimentos e métodos de intervenção têm sido
aplicados com o objetivo principal de reverter, pelo menos parte dessas alterações e produzir
melhor qualidade de vida para os indivíduos diagnosticados dentro desse espectro. A Análise do
Comportamento teve e tem papel importante no desenvolvimento de tecnologia comportamental
eficiente na intervenção sobre esses distúrbios. Nesse sentido, o presente trabalho tem como
objetivo destacar essas contribuições.
Palavras-chaves: Autismo; Análise do Comportamento; Análise Aplicada do Comportamento;
Tecnologia Comportamental.
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CONFERÊNCIAS E PALESTRAS
A FAMÍLIA E AS RELAÇÕES PARENTAIS NO CURSO DE VIDA
Maria Auxiliadora Dessen
Universidade de Brasília
[email protected]
É no contexto familiar e, principalmente, das relações proximais entre os membros da família, que o
indivíduo adquire habilidades cognitivas e competências sociais essenciais para o seu
desenvolvimento. Embora a noção de família pareça óbvia, este não é o caso, pois há uma
multiplicidade de estruturas e arranjos familiares dentro e entre diferentes culturas, que vão além
das famílias nucleares e tradicionais. Mas, iIndependentemente da variedade de estruturas, cada
família tem papéis e regras de funcionamento e uma forma específica de se organizar, além de
adotar um processo de comunicação próprio. Em seu processo de comunicação, o subsistema
parental é reconhecido como a fonte mais significativa de influências para o desenvolvimento dos
filhos. Pais e mães (ou cuidadores) são os principais responsáveis por promover o clima necessário
para a introdução de novos padrões relacionais, particularmente nas primeiras etapas do curso de
vida do indivíduo. Para a realização de suas tarefas de parentalidade, os pais recorrem a diferentes
estratégias, que refletem suas metas, sua história de interação e sua disposição pessoal para lidar
com seus filhos. As práticas parentais constituem, assim, instrumento valioso por meio das quais as
expectativas e regras, presentes no ambiente familiar e social, são expressas. Ainda que as crianças
pequenas sejam motivadas a seguir as regras, uma vez que elas estão ligadas e próximas aos seus
pais, gradativamente, na medida em que elas vão crescendo, amadurecendo, adolescendo e se
tornando adultas, as crenças e expectativas se transformam e os padrões de interação entre elas e
seus pais também se modificam. Durante o curso de vida, o processo de parentalidade se forma e se
transforma dentro de um sistema de relações em mudança, que envolve muitos aspectos da
qualidade das relações entre os diferentes membros da família. Considerando que: (a) a família
continua garantindo a sobrevivência e a proteção da espécie humana, fornecendo afeto e suporte
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emocional e psicológico a seus membros, proporcionando, muitas vezes, um clima adequado para a
aprendizagem de competências de regulação, socialização e monitoramento de escolhas sociais; e
que (b) os padrões de comunicação familiar podem mudar consideravelmente, qualitativa e
quantitativamente, ao longo do curso de vida da família, em função das mudanças esperadas nas
diferentes etapas do desenvolvimento, o nosso objetivo, nesta palestra, é suscitar algumas reflexões
sobre a família e suas relações parentais na perspectiva do curso de vida. Na primeira parte, a
definição e a formação da família são apresentadas como constituindo a base para a compreensão da
parentalidade. Em seguida, o conceito de parentalidade e as práticas parentais, e suas implicações
para o desenvolvimento infantil, são discutidas. A terceira parte é dedicada a mostrar as mudanças
que ocorrem nas relações parentais à medida que o indivíduo avança no curso de vida. E,
finalmente, concluímos esta apresentação reiterando a importância do „clima familiar‟ para o
desenvolvimento saudável dos filhos.
Palavras-chave: família, relações parentais, desenvolvimento humano, curso de vida.
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CONFERÊNCIAS E PALESTRAS
QUANDO A CRIANÇA PRECISA DE TERAPIA
Psic. Ms. Joana Singer Vermes
Núcleo Paradigma, São Paulo
[email protected]
Terapeutas analítico-comportamentais infantis têm recebido crianças com diversas queixas, sendo
algumas delas ligadas a transtornos psiquiátricos (tais como depressão, transtorno obsessivocompulsivo, transtornos de tiques, fobias, enurese, encoprese, déficit de atenção e hiperatividade) e
outras que não se enquadrariam a nenhum diagnóstico, mas que produzem sofrimento à criança e à
família, bem como limitam a condução de uma vida plena. Alguns desses problemas são:
dificuldade da criança em dormir na própria cama, intensas brigas entre irmãos, recusa em ingerir
determinados alimentos, bullying¸ dificuldade em fazer amizades, masturbação em locais
inadequados, birras etc.
O presente trabalho visa caracterizar alguns fatores do comportamento da criança que merecem
atenção por parte de pais, professores, médicos e terapeutas e que, em decorrência, poderiam levar
ao encaminhamento à psicoterapia.
Embora se reconheça que, em alguma medida, todas as crianças apresentam alguma dificuldade,
alguns elementos podem apontar para a necessidade da busca pela psicoterapia. Uma das principais
condições refere-se às situações nas quais a criança apresenta uma dificuldade que, além de
produzir sofrimento, limita suas atividades normais e - mais importante: os pais e/ou pessoas que
cuidam da criança não apresentam repertório adequado para a lida com esse problema. Outro
contexto comum está relacionado àquelas situações nas quais os próprios cuidadores são parte
principal do problema. Neste sentido, o terapeuta teria a função de mediar e procurar soluções para
melhoria da relação entre a criança e esses adultos. Outra situação que dificilmente prescinde do
trabalho psicoterapêutico está ligada ao manejo de problemas relacionados a queixas psiquiátricas.
Isso porque, dada a complexidade dos comportamentos, dificilmente adultos que não sejam
especializados poderão cuidar dessas dificuldades de forma satisfatória.
O trabalho apresentado discute situações nas quais é possível tentar cuidar dos problemas das
crianças sem necessariamente o trabalho psicoterapêutico. Sugerem-se, então, algumas medidas
alternativas, tais como orientação de pais, atividades extra-curriculares, ou inserção de outros
profissionais ligados à saúde.
17
CONFERÊNCIAS E PALESTRAS
LAVAR, ARRUMAR, CONTAR... QUANDO AS MANIAS TORNAM-SE UM PROBLEMA:
O COMPORTAMENTO OBSESSIVO-COMPULSIVO
Denis Roberto Zamignani
Núcleo Paradigma de Análise do Comportamento, São Paulo
[email protected]
Os problemas diagnosticados sob o rótulo Transtorno Obsessivo-Compulsivo – TOC envolvem a
presença de obsessões e compulsões. Obsessões são pensamentos, imagens ou idéias repetitivas e
indesejáveis, que invadem a consciência e que costumam causar muito desconforto ou medo.
Compulsões, também chamadas rituais compulsivos são ações voluntárias, geralmente realizadas de
forma estereotipada, realizadas para eliminar ou neutralizar estes pensamentos ou para prevenir a
ocorrência de algum evento temido. Esse tipo de experiência é, em geral, acompanhado de
sofrimento, ansiedade e angústia, ume vez que o pensamento obsessivo tende a ser devido de
natureza desagradável. O TOC é um transtorno bastante heterogêneo, e pode se manifestar por
pensamentos e rituais muito diversos entre si. Os tipos mais comuns de TOC envolvem
pensamentos relacionados a contaminação ou sujeira, e rituais de limpeza; dúvidas obsessivas, com
rituais de checagem e verificação; obsessões religiosas, com orações ou auto-flagelo; obsessões
relacionadas a doença ou morte de entes querido; obsessões sobre sexualidade; acumulação e
colecionismo; rituais relacionados a contagem e repetição. O TOC é um fenômeno
multideterminado, que envolve certa vulnerabilidade biológica, associada a alguns aspectos de
história de vida. A família do portador de TOC, na tentativa de ajudá-lo pode contribuir para a sua
manutenção ajudando na realização dos rituais ou alterando o ambiente de forma a facilitar a sua
realização. Tal participação alivia momentaneamente o sofrimento do portador, mas tende a
perpetuar o sofrimento e o problema, por não permitir o desenvolvimento de um repertório de
enfrentamento. Por esta razão, recomenda-se que a família solicite ajuda profissional para um
melhor enfrentamento do problema, com vistas a um controle mais efetivo. A melhor e mais efetiva
alternativa de tratamento envolve a integração entre terapia comportamental e tratamento
18
medicamentoso. Nos últimos anos muitas substâncias foram desenvolvidas pela farmacologia de
maneira a diminuir o sofrimento do portador, com efeitos colaterais bastante discretos, se
comparados àqueles provocados pelas drogas menos recentes. Por outro lado, a terapia
comportamental tem se ocupado em desenvolver estratégias terapêuticas diversas, que são capazes
de dar conta das várias manifestações envolvidas no transtorno obsessivo-compulsivo. Uma marca
da terapia comportamental contemporânea tem sido o esforço em abranger o comportamento do
portador como um todo, e não apenas focalizar a intervenção exclusivamente sobre os sintomas
obsessivo-compulsivos. Desse modo, estratégias que levem em consideração a reintegração do
indivíduo em suas atividades cotidianas são fundamentais e bastante utilizadas. Para isso, podem ser
contratados acompanhantes terapêuticos ou pode-se treinar pais ou professores para dar suporte às
atividades de enfrentamento planejadas para o contexto extra-consultório. O presente trabalho visa
apresentar algumas características do transtorno conforme concebido pelos manuais de psiquiatria
(DSM, CID), bem como questões relevantes para o seu entendimento e identificação. As diferenças
entre as “manias” comuns e o limite a partir do qual o problema requer tratamento, as possíveis
causas do problema, bem como as alternativas de tratamento disponíveis, serão tratados na
apresentação. Em seguida, serão apresentadas brevemente algumas estratégias terapêuticas
propostas pela psicologia para o manejo deste tipo de problema.
19
CONFERÊNCIAS E PALESTRAS
PARA ENCONTRAR E VIVER UM GRANDE AMOR
Prof. Dr. Ailton Amélio da Silva
Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo
[email protected]
Este resumo apresenta os cinco principais caminhos para iniciar um relacionamento amoroso e as
cinco medidas que contribuem para aumentar as chances de que um relacionamento desse tipo
ganhe estabilidade e evolua positivamente.
Caminhos para iniciar relacionamentos amorosos
Realizei um estudo com cinco grupos de pessoas bastante diversificadas (casadas, solteiras,
estudante universitários, estudantes do secundário etc.), em quatro cidades brasileiras, para verificar
como elas iniciaram seus namoros1. Este estudo mostrou que quase todos esses namoros foram
iniciados através dos seguintes cinco caminhos:
1- Transformação de um relacionamento não amoroso já existente (amizade, profissional, colega
de escola etc.) em amoroso: 37%.
2- Apresentação por um conhecido em comum: 32%.
3- Flerte com um desconhecido seguido de abordagem: 20%.
4- Encontros acidentais (por exemplo, estar em uma fila ou sentar-se ao lado de alguém em um
ônibus ou metrô e puxar conversa): 4%
5- Uso de serviços (internet, agência de casamentos e anúncios em jornais ou revistas): 1%.
6- (Outros caminhos: 6%).
Cada um desses caminhos tem vantagens e desvantagens. Cada um deles é mais adequado em certas
situações e para certos tipos de pessoas e inadequado para outras situações e pessoas. Por exemplo,
pessoas que tenham características que são raras na população dificilmente se deparam com
parceiros compatíveis nos locais que frequentam ou que poderia frequentar no dia a dia. Isso
acontece, por exemplo, com mulheres acima de certa idade e que são muito qualificadas. Nesse
caso, a atividade mais provável para encontrar parceiros compatíveis é a internet. Para isso ilustrar
isso, vamos supor que só existam cinquenta parceiros compatíveis entre si que morem aqui na
cidade de São Paulo. Nesse caso, haverá muito pouca chance de elas se encontrem acidentalmente
20
nesta cidade. No entanto, se elas colocarem seus perfis em um bom site de relacionamento na
internet, ai elas terão uma chance muito maior de se encontrarem.
Cinco fatores que contribuem para o sucesso de um relacionamento amoroso2
Os relacionamentos amorosos geralmente não sobrevivem apenas do romantismo e da atração
sexual entre os parceiros, como as novelas, os romances e as letras das músicas românticas querem
nos fazer crer. Existem diversos fatores contribuem para que este tipo de relacionamento seja
iniciado e evolua positivamente ou para que fique estagnado ou pereça. Três deles foram
identificados por Caril E. Rusbult e B. P. Bunnk, da Universidade de Michigan, através de uma
importante pesquisa longitudinal: satisfação, alternativas e investimentos (RUSBULT & BUNNK,
1993). Dois outros fatores, a escolha de um parceiro adequado e as barreiras contra a dissolução
do relacionamento, foram apontados por diversos outros estudos. Vamos apresentar agora uma
noção desses cinco fatores.
Primeiro fator: escolha de um parceiro compatível
Algumas características pessoais, que são muito importantes para um relacionamento amoroso, são
muito difíceis de mudar. Portanto, é melhor selecionar parceiros que as possuam do que tentar
mudá-los durante o relacionamento.
É desaconselhável aceitar alguém condicionalmente. Por exemplo, é desaconselhável aceitar um
parceiro amoroso contando que ela vai se tornar muito mais sociável do que é, deixar um vício,
ficar rica, cursar uma faculdade etc. Um parceiro que é aceito condicionalmente já inicia o
relacionamento como devedor.
Segundo fator: satisfação com o relacionamento
A satisfação com o relacionamento afeta todas as suas fases, desde a escolha do parceiro, passando
pelo seu início, progresso, estabilidade e término até a sua revitalização quando isso acontece. A
satisfação também é importante para diversos tipos de relacionamentos: amizade, relacionamento
entre parentes, relacionamento entre pessoas que trabalham juntas e relacionamento amoroso.
O grau de satisfação de um relacionamento é determinado pela proporção entre custos e benefícios.
Vários fatores podem ser fontes de custos e benefícios: características fixas ou dificilmente
mutáveis das pessoas (inteligência, personalidade, sociabilidade, certas características físicas etc.);
os diversos tipos de relacionamento com o parceiro (desempenho sexual, qualidade e quantidade de
comunicação etc.); compartilhamento de tarefas e responsabilidades (ajudar em tarefas caseiras e
nas tarefas de manutenção da casa: fazer supermercado, efetuar pagamento de contas etc.); criação e
manutenção de relações sociais (amizades, relacionamentos com parentes etc.), entre outros.
John Gottman, autor de vários livros e pesquisas sobre os fatores que contribuem para o sucesso do
casamento, afirma que para um relacionamento dar certo é necessário que cada parceiro
proporcione para o outro cinco benefícios para cada custo (GOTTMAN, 1998). Embora esta
21
proporção possa ser questionada, parece bastante óbvio que preferimos a companhia daqueles que
nos proporcionam mais benefícios do que custos.
Alguns estudos indicaram que importa mais para a satisfação a forma como o parceiro é percebido
do que como ele é na realidade.
Terceiro fator: alternativas a permanecer no relacionamento
Existem melhores opções fora do relacionamento do que nele? Geralmente são considerados dois
tipos de opções fora do relacionamento para responder a esta pergunta: (1) ficar só (muitas vezes é
"melhor ficar só do que mal acompanhado") ou (2) trocar de parceiro. Uma das maiores causas da
separação no mundo, segundo um estudo realizado em 186 culturas pela antropóloga Laura Betzig,
da Universidade de Michigan, a traição é a segunda maior causa do divórcio - só perde para a
esterilidade (Betizig, 1989).
Como não é possível enfraquecer as atrações que existem fora do relacionamento, o que dá para
fazer é melhorar as atrações que existem dentro dele e as forças que dificultam sair dele. Ou seja,
devemos cuidar dos outros quatro fatores que são apresentados neste artigo: selecionar um parceiro
compatível, aumentar as satisfações no relacionamento atual, investir no relacionamento e
selecionar parceiros que possuam barreiras contra a sua dissolução e desenvolvê-las.
Quarto fator: investir no relacionamento
Para que um relacionamento dê certo é necessário investir, acreditar e apostar nele. É necessário
"entrar com os dois pés na canoa". Agir desta forma é o oposto do imediatismo do "toma lá, dá cá".
Isto, obviamente, não significa ser ingênuo e apostar em relacionamentos com baixas chances de
sucesso.
Cada vez mais acreditamos menos no casamento e, por isso, tentamos nos proteger das
consequências do seu fracasso. Esta falta de crença e excesso de proteção contribui para que ele não
dê certo. Antigamente o casamento era concebido como uma união mais plena e duradoura. Por
exemplo, o regime do compartilhamento de bens era a comunhão total e era considerado
indissolúvel. Atualmente o casamento padrão acontece com a comunhão parcial de bens e ele é
visto como relativamente descartável. Muitos casais estão optando pela separação total de bens
através de um pacto antenupcial.
Existem várias formas de investir em um relacionamento. Psicologicamente isto acontece quando os
cônjuges "deixam de ser eu e tu e se tornam um pouco nós". Outra forma é a aceitação
incondicional do parceiro (o que não significa concordar com tudo que ele faz). Outras formas de
investimento: desenvolver projetos conjuntos (casa, carreira), amparar o outro nos maus momentos,
defender o outro publicamente etc.
Barreiras
Existem dois tipos de barreiras contra a dissolução de um relacionamento amoroso: as internas e as
externas. As barreiras internas são constituídas pelos valores, crenças e inibições psicológicas que
22
se contrapõem aos términos dos relacionamentos amorosos. Por exemplo, uma pessoa que tenha
sentimentos e valores que a impeça de tomar decisões que impliquem em sofrimentos para a sua
família terá mais inibições para sair de um relacionamento amoroso e lutará mais para que ele dê
certo do que alguém que tenha um grau menor destas características.
Existem duas maneiras de trabalhar com este tipo de barreira para aumentar as chances de que um
relacionamento perdure: (1) selecionar parceiros que tenham este tipo de atitudes e valores que
ajudem a proteger o relacionamento e (2) fortalecer tais atitudes e valores. Por exemplo, dialogar
com o parceiro com o objetivo de aumentar a visibilidade das consequências negativas das
separações.
As barreiras externas são constituídas por aqueles obstáculos impostos por outras pessoas e pelas
estruturas sociais contra a dissolução do relacionamento amoroso. A opinião pública, as
consequências legais e econômicas são alguns exemplos deste tipo de barreira.
Acredito que é possível ter um relacionamento amoroso vivo, criativo e prazeroso, com o mesmo
parceiro, durante toda a vida. Vale a pena construir e viver um relacionamento assim. Não conheço
nenhum outro setor da vida que pode nos afetar de forma tão profunda e tão ampla quanto este.
Pense nisso.
Notas
1.
Este tópico foi baseado em um capítulo do meu livro:
Silva, A. (2001). O Mapa do Amor. São Paulo: Editora Gente.
2.
Este tópico foi baseado em capítulos dos meus livros:
Amélio, A. A. (2009). Relacionamento Amoroso. São Paulo: Publifolha.
Amélio, A. A. (2005). Para Viver um Grande Amor. São Paulo: Editora Gente.
REFERÊNCIAS
Betizig, L. (1989). Causes of conjugal dissolution: A cross cultural study. Current Anthropology,
30, 654 - 676.
Gottman, J. (1998). Casamentos. (Traduzido do original em inglês por T. B. Santos). Rio de
Janeiro: Editora Objetiva Ltda.
Rusbult,C. E. A & Buunk, B. P. (1993). Commitment processes in close relationships: An
interdependence analysis. Journal of Social and Personal Relationships, 10, 175-204.
23
CONFERÊNCIAS E PALESTRAS
PREVENINDO A VIOLÊNCIA NA FAMÍLIA E NA ESCOLA
Profa. Dra. Lúcia Cavalcanti de Albuquerque Williams
Universidade Federal de São Carlos
Departamento de Psicologia
LAPREV (Laboratório de Análise e Prevenção da Violência)
[email protected]
Essa apresentação irá descrever exemplos de projetos desenvolvidos no LAPREV (Laboratório de
Análise e Prevenção da Violência/UFSCar) ilustrativos de prevenção de violência na família e na
escola. Como exemplo ilustrativo de prevenção da violência na família, serão apresentados dados
referentes ao Projeto Parceria. Trata-se de um projeto de 16 semanas de duração (sessões
semanais), financiado pelo CNPq, que desenvolveu e tem avaliado um programa de intervenção a
mães vítimas de violência pelo parceiro, de forma a prevenir problemas comportamentais nos
filhos. Múltiplas medidas avaliativas são coletadas com as mães e a criança-alvo em três momentos
(antes, durante e após 4-6 meses de conclusão): informações dadas na Entrevista Inicial a Vítimas
de Violência Doméstica, desempenho no Inventário de Estilo Parental (IEP), no Inventário de
Potencial de Abuso (CAP) e no Questionário de Capacidades e Dificuldades da Criança – SDQ.
Adicionalmente, a observação da interação mãe-criança é registrada e filmada em quatro situações
diferentes em uma casa laboratório que reproduz o ambiente domiciliar consistindo em uma réplica
de casa com diversos cômodos com câmaras digitais e espelho unidirecional. Finalmente, o projeto
envolve a coleta de dados de modo continuo (auto-registro diário pela mãe) de seu Senso de Bem
Estar e Senso de Competência Parental. O projeto de intervenção individual desenvolvido com um
referencial teórico-metodológico Cognitivo-Comportamental envolve: a) um componente
psicoterapêutico para analisar o impacto que a violência possa ter causado no desenvolvimento da
mulher (a participante recebe um livreto para tal módulo, Projeto Parceria, vol. 1 “Uma vida livre
da violência”) e b) um componente educacional (Projeto Parceria, vol. 2 “Educação Positiva de
seus filhos”), em que ela aprende sobre manejo não coercitivo do comportamento dos filhos, por
24
meio de discussões, role-playing, modelação e vídeo-feedback. Dados ilustrativos serão
apresentados de sessões da observação interação mãe-criança que no estágio pré-intervenção
caracteriza-se por uma alta freqüência de atenção a comportamentos negativos da criança. Em
seguida será descrita a aplicação do projeto em forma de treino domiciliar a 17 mães com alto risco
psicossocial e seus adolescentes com histórico de vitimização previamente denunciados ao Fórum
Judicial, com resultados positivos segundo as mães e adolescentes. Em relação à prevenção da
violência na escola serão apresentados dados de dois projetos: 1) o Projeto Escola que Protege
(projeto financiado pelo MEC/SECADI), no qual o LAPREV capacitou presencialmente mais de
1600 profissionais no Estado de São Paulo da rede pública de ensino e profissionais ligados à Rede
de Proteção Social a crianças e adolescentes, buscando fortalecer tal rede no que se refere ao
enfrentamento da violência contra a criança e adolescente. Uma breve descrição do curso de 40
horas de duração com 6 aulas semanais, além de horas destinadas a um trabalho prático será dada,
com dados ilustrativos da avaliação dos professores que foi muito positiva;
e 2) o Projeto
Violência Nota Zero (financiado pela FAPESP e pelo MEC), ainda em andamento com o objetivo
de diminuir a violência escolar. Serão apresentados dados do teste piloto de um folder para
prevenção de bullying para crianças do ensino Fundamental.
25
CONFERÊNCIAS E PALESTRAS
PROFESSORES PRECISAM DE CURSOS?
Ana Priscila Batista
Departamento de Psicologia – UNICENTRO
Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Educação - UFPR
[email protected]
Lidia Natalia Dobrianskyj Weber
Departamento de Psicologia – UFPR
Programa de Pós-Graduação em Educação - UFPR
Cada vez mais são veiculadas notícias e se tem conhecimento acerca dos problemas enfrentados
pela escola e pelo professor, sendo alguns: comportamento agressivo entre alunos, em direção ao
professor, do professor direcionado aos alunos, vandalismo, bullying, falta de conhecimento sobre
identificação e encaminhamento adequado de diversos tipos de problemas de comportamento de
crianças e adolescentes (vítimas de violência, uso de drogas, problemas de comportamento
externalizantes e internalizantes, etc). Diante disso, o presente trabalho tem como objetivo analisar
alguns fatores que contribuem para essas situações e, perante tal panorama, responder a presente
questão-título: professores precisam de cursos? Mais especificamente: professores precisam de
cursos em que aprendam a lidar de forma eficiente com tais problemáticas?
Para isso, foi feita uma análise da literatura pertinente e foram utilizados alguns dados de duas
pesquisas, publicados em forma de livros pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a
Ciência e a Cultura (UNESCO): 1) “O Perfil dos Professores Brasileiros: o que fazem, o que
pensam, o que almejam...”, publicada em 2004, e 2) “Formação de professores para o ensino
fundamental: instituições formadoras e seus currículos”, publicada em 2009.
Inicialmente serão apresentadas algumas conclusões dessas pesquisas que são consideradas
importantes para a presente análise. De forma geral, alguns importantes dados da primeira pesquisa
(UNESCO, 2004) mostram: o fato de os professores brasileiros apresentarem-se empobrecidos, o
que coloca em questão as políticas de valorização do magistério; parcela significativa dos
professores sinaliza a importância do impacto da relação professor/aluno no processo de
ensino/aprendizagem, sendo esse considerado por eles o segundo fator, em termos de importância,
26
entre os que mais influenciam a aprendizagem, sendo o primeiro fator apontado referente ao
acompanhamento e apoio da família; o fato de a grande maioria dos professores pesquisados
secundarizarem a tarefa de transmitir conhecimentos atualizados e relevantes, privilegiando como
finalidade da educação a formação de cidadãos conscientes e o desenvolvimento da criatividade e
do espírito crítico. Por fim, os dados desse estudo demonstram a necessidade de investimento em
um processo amplo e de políticas públicas integradas, com ênfase na valorização do magistério,
compreendido sob as mais diferentes conjunções.
A segunda pesquisa, realizada em 2008, pelo Departamento de Pesquisas Educacionais da Fundação
Carlos Chagas, sob coordenação das pesquisadoras Bernardete A. Gatti e Marina R. Nunes,
analisou a estrutura curricular e as ementas de 165 cursos presenciais de instituições de ensino
superior do país que promovem a formação inicial de docentes nas áreas de Pedagogia, Letras:
Língua Portuguesa, Matemática e Ciências Biológicas. Sobre os cursos de Pedagogia, importantes
constatações foram: o currículo proposto nesses cursos apresentam um conjunto disciplinar bastante
disperso; na análise das ementas das disciplinas de formação profissional, predominam os
referenciais teóricos, com associação em poucos casos às práticas educacionais; a parte curricular
que propicia o desenvolvimento de habilidades profissionais específicas para a atuação nas escolas
e nas salas de aula é bem reduzida; poucos cursos propõem disciplinas que permitam algum
aprofundamento e formação de competências na área de educação infantil, educação de jovens e
adultos e educação especial; nos estágios obrigatórios não há propriamente projeto ou plano de
estágio; a escola, enquanto instituição social e de ensino, é elemento quase ausente nas ementas.
Quanto às demais licenciaturas – Língua Portuguesa, Matemática e Ciências Biológicas, verificouse que: predomina a formação disciplinar específica, em detrimento da formação de professores
para essas áreas do conhecimento; raras instituições especificam em que consistem os estágios e sob
que forma de orientação são realizados; na maior parte dos ementários não foi observada uma
articulação entre as disciplinas de formação específicas e as de formação pedagógica; saberes
relacionados a tecnologias no ensino estão praticamente ausentes; as disciplinas de conhecimentos
relativos aos sistemas educacionais são inexpressivas. Esse estudo reafirma o que já foi apontado
em vários estudos sobre as licenciaturas: que elas ocupam um lugar secundário no modelo de
universidade brasileira, sendo que, dentro desse quadro, a formação de professores é considerada
atividade de menor categoria e quem a ela se dedica é pouco valorizado.
A partir das conclusões dessas pesquisas, pode-se observar que a profissão de professor é pouco
valorizada, seja pela remuneração, seja pelo espaço a ela dedicado em cursos universitários.
Durante o processo de formação, há pouca articulação entre teoria e prática, além de abordagem
27
inexpressiva da realidade educacional em seus diversos âmbitos. Mesmo sendo pouco abordada em
cursos de formação, a relação professor-aluno é considerada bastante importante pelos professores
como fator que influencia a aprendizagem, sendo que eles também valorizam a formação de
cidadãos conscientes e o desenvolvimento da criatividade e do espírito crítico por seus alunos.
A respeito dessa interação professor-aluno, sabe-se que diversos fatores estão presentes e
influenciam o comportamento do professor, tais como: o comportamento dos alunos, de outros
professores e demais profissionais da escola; exigências da escola e instâncias superiores; planos de
aula a cumprir; condições de trabalho; o comportamento dos pais; crenças sobre os alunos e suas
famílias; situações presentes na vida pessoal; história passada vivida com seus professores;
formação profissional; contextos social, político, econômico e cultural em que se inserem (Pereira,
Marinotti & Luna, 2004; Batista & Weber, 2011).
Além disso, diversos fatores também influenciam o comportamento de cada aluno. Este já apresenta
formas de se comportar que foram aprendidas no seu ambiente familiar, nas interações com
professores anteriores, com pares e comunidade em que está inserido. No contexto escolar, as regras
estabelecidas, o comportamento do professor, dos colegas e o clima emocional presente, são fatores
que influenciam o comportamento do aluno. A diversidade de comportamentos dos alunos em um
mesmo contexto, sala de aula, deve ser considerada e o professor deve estar sensível à
individualidade de cada um ao mesmo tempo em que mantém as mesmas regras para toda a turma,
o que não é considerado uma tarefa fácil e exige habilidade e conhecimento.
Também é importante considerar que além dos professores se preocuparem com a didática
adequada para o ensino de conteúdos acadêmicos específicos, cada vez mais se enfatiza a
necessidade da escola e do professor trabalhar aspectos referentes ao desenvolvimento como um
todo, inserindo aí a formação de valores. Conforme Novak e Pelaez (2004), as escolas são uma
importante fonte de transmissão social, pois a entrada no sistema educacional expõe a criança a
valores extra-familiares. Assim, as funções da educação se referem tanto ao aumento do
desenvolvimento cognitivo da criança quanto à promoção do seu desenvolvimento social.
Entretanto, pode-se observar nas pesquisas descritas acima que os professores nem sempre recebem
uma formação ou capacitação adequada para isso, além do fato de, muitas vezes, não apresentarem
tais habilidades em seus repertórios pessoais.
Assim, diante desse panorama, fica claro que a resposta para a questão “Professores precisam de
cursos?” é sim. E ainda, além de cursos que abordem as áreas deficitárias apresentadas pela
pesquisas, precisam de cursos que abordem especificamente as relações interpessoais estabelecidas
na escola, bem como cursos que capacitem professores para o trabalho com as diferentes
28
problemáticas, podendo-se dizer que esta necessidade é premente. Alguns estudos já vêm sendo
realizados nesse sentido e, ao serem avaliados, mostram resultados positivos (Ormeño, 2004;
Terzian & Fraser, 2005; Del Prette & Del Prette, 2006; Brino, 2006; Correia-Zanini & Rodrigues,
2010; Stelko-Pereira & Williams, 2010). A partir disso, observa-se que os professores podem ser
considerados agentes responsáveis pela aquisição de comportamentos dos alunos, podendo
participar direta e ativamente do processo de ensino de comportamentos desejados, além de se
configurarem como elementos-chave na proteção à criança e ao adolescente.
A partir dos resultados desses estudos, fica claro que professores são peças fundamentais para o
desenvolvimento de cursos e programas interventivos de prevenção de problemas de
comportamento, promoção de habilidades sociais em alunos, proteção à criança e ao adolescente no
sentido de identificar comportamentos-problema e realizar os devidos encaminhamentos. Isso pelo
fato de estarem presentes no contexto em que as crianças se inserem e interagirem diariamente com
elas. Para Brino (2006), os professores continuam atuando com crianças após a capacitação, mesmo
que a cada ano dê aula a novos alunos, o que garante a continuidade do trabalho. Assim, a
aprendizagem não se constitui em uma ação isolada em um determinado tempo, sendo que pode ser
utilizada e implementada ano após ano, atingindo um número maior da população.
Entretanto, é preciso atentar ao formato de tais cursos, para que não se constituam apenas como
fontes de transmissão de informações e que, de fato, propiciem atividades, vivências e envolvam
um acompanhamento que leve à modificação do repertório comportamental dos professores de
forma à obtenção de resultados positivos. Para Pereira, Marinotti & Luna (2004), é preciso levar em
consideração o repertório de entrada dos professores nesses cursos, pois ele pode deter uma
quantidade significativa de informações. Além disso, os professores podem ter dificuldade para
lidar com novos conhecimentos, seja intelectualmente (integrando-as, relacionando-as), seja do
ponto de vista pragmático (o que fazer com eles na sala de aula).
Para finalizar, é importante destacar que os professores precisam de cursos sim, mas todo o sistema
em que eles estão inseridos e recebem formação também precisam ser revistos e avaliados. De nada
adianta culpabilizar apenas os professores por não apresentarem o repertório esperado e, assim,
compensar isso por meio do envolvimento deles em cursos. Isso pode ser um dos passos para a
mudança da realidade, entretanto, é imprescindível uma análise ampla de todos os fatores que
contribuem para a problemática para que, dessa forma, intervenções mais amplas e adequadas
possam ser efetivadas.
29
REFERÊNCIAS
Batista, A. P. & Weber, L. N. D. (2011) Estilos de liderança de professores da educação infantil:
uma análise a partir do modelo de estilos parentais. Em S. R. G. Pietrobon, & N. T. Ujiie,
(Orgs.). Educação Infantil: Saberes e Fazeres. Curitiba: Ed. CRV.
Brino, R. F. (2006). Professores como agentes de prevenção do abuso sexual infantil: avaliação de
um programa de capacitação. 2006. Tese de doutorado. Universidade Federal de São
Carlos. São Carlos, 2006.
Correia-Zanini, M. R. G. & Rodrigues, O. M. P. R. (2010). Os efeitos de um curso para professores
sobre o comportamento de seus alunos. Em: Resumos de Comunicação Científica da XL
Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Psicologia, ISSN 2176-5243, Curitiba.
Del Prette, Z. A. P & Del Prette, A. (2006). Treinamento de habilidades sociais na escola: o método
vivencial e a participação do professor. In: Bandeira, M.; Del Prette, Z. A. P & Del Prette,
A. Estudos sobre habilidades sociais e relacionamento interpessoal. São Paulo: Casa do
Psicólogo.
Gatti, B. A. & Barreto, E. S. (Coord.) (2009). Professores do Brasil: impasses e desafios. Brasília:
UNESCO.
Novak, G. & Peláez, M. (2004). Child and adolescent development: a behavioral systems
approach. Califórnia: Sage Publications.
Ormeño, G. I. R. (2004). Intervenção com crianças pré-escolares agressivas: suporte à escola e à
família em ambiente natural. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em
Educação Especial. Universidade Federal de São Carlos, São Carlos.
Pereira, M. E. M., Marinotti, M. & Luna, S. V. (2004). O compromisso do professor com a
aprendizagem do aluno: contribuições da análise do comportamento. In: Hübner, M. M. C.
Análise do comportamento para a educação: contribuições recentes. Santo André: ESETec.
Stelko-Pereira, A. C. & Williams, L. C. A. (2010). Programa preventivo de violência escolar: uma
avaliação de processo. Em: Resumos de Comunicação Científica da XL Reunião Anual da
Sociedade Brasileira de Psicologia, ISSN 2176-5243, Curitiba.
Terzian, M. A. & Fraser, M. W. (2005). Preventing aggressive behavior and drug use in elementary
school: Six family-oriented programs. Aggression and Violent Behavior 10, 407–435.
UNESCO (2004). O Perfil dos professores brasileiros: o que fazem, o que pensam, o que almejam.
Pesquisa Nacional UNESCO, – São Paulo : Moderna.
30
CONFERÊNCIAS E PALESTRAS
HABILIDADES SOCIAIS NO TRABALHO?
Profa. Dra. Suzane Schmidlin Löhr
Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Federal do Paraná
[email protected]
Quem somos, como nos vemos perante os grupos a que pertencemos, ou seja, a imagem que
construímos de nós mesmos, está diretamente ligada a como nos comportamos nos diversos âmbitos
de vida. A família, escola, trabalho, são contextos que contribuem, portanto, para a construção da
identidade de cada um de nós. O foco nesta apresentação será nas influências do mundo do trabalho
na nossa constituição como indivíduos.
Lassance e Sparta (2003) mostram que o trabalho tem diferentes significados conforme a época e a
cultura analisada. A Bíblia, no livro Gênesis, aborda o trabalho com a conotação de castigo divino.
Deus expulsa Adão e Eva do paraíso pela sua desobediência, ao provarem da árvore do bem e do
mal. Neste momento Deus diz a Adão que deverá ganhar o pão com o suor de seu rosto. Na
antiguidade grega, o trabalho era considerado algo menos nobre, deixado para os escravos,
enquanto os demais cidadãos realizavam atividades de contemplação, dedicavam-se ao ócio ou à
política. A partir do séc. XV a reforma religiosa muda a forma de ver o trabalho. De castigo ou algo
degradante, o trabalho passa a ser considerado uma virtude. Observa-se uma inversão de
posicionamento e o alvo de críticas agora passa a ser o ócio.
Na cultura ocidental pós-moderna em que hoje vivemos, o trabalho tem conotação ambígua. Ao
mesmo tempo em que é valorizado por contribuir para a formação integral do indivíduo, é também
questionado por servir como ferramenta de controle de uns sobre outros, reflexo do capitalismo.
Controle não mais na forma escrava do passado, mas indiretamente, utilizando de mecanismos sutis
de coerção, por vezes disseminados pelos meios de comunicação. A ambigüidade de definição do
trabalho pode fazer com que ele seja promotor da saúde, ou um agente patogênico. Giardini Murta e
Troccolli (2004) descrevem o trabalho como uma fonte de gratificação pessoal, que atende a
31
diversas necessidades humanas. Porém apontam-no, ao mesmo tempo, como uma fonte de
adoecimento, referindo-se aos momentos em que ele envolve fatores de risco e a pessoa não dispõe
de recursos para manejo e contra-controle.
Segundo Caniato, Cesnick e Araújo (2010) vários modelos de análise do trabalho surgiram nos
últimos séculos. Os modelos fordista e taylorista de final do séc. XIX e início do séc. XX, deram
lugar ao modelo toyotista. Os dois primeiros modelos mais focados na produção em massa,
viabilizada
pelas
linhas
de
montagem,
dividindo
o
trabalho
em
duas
categorias
(intelectual/concepção e manual/execução) enquanto o terceiro modelo oriundo do Japão, enfatiza o
trabalho em equipe. Com a terceira perspectiva vem também a chamada Gestão por competências.
Brandão (2007) faz uma revisão de literatura da produção científica brasileira no que tange a
competências para o trabalho. Enfatiza que desde que no mundo do trabalho a gestão por
competências passou a ser defendida e buscada, há maior aporte de estudos tentando descrever as
competências ligadas a diferentes profissões. É interessante notar que em vários estudos levantados
pelo autor as habilidades sociais eram mencionadas como uma das competências centrais,
mostrando uma valorização das habilidades que promovem o relacionamento interpessoal no rol de
competências esperadas por parte de profissionais das mais diversas áreas.
Segundo Del Prette e DelPrette (2001) “os novos paradigmas organizacionais que orientam a
reestruturação produtiva tem priorizado processos de trabalho que remetem diretamente à natureza e
qualidade das relações interpessoais” . Destacam alguns aspectos hoje desejados pelas empresas,
como: valorização do trabalho em equipe, intuição, criatividade, autonomia na tomada de decisões,
estabelecimento de canais não formais de comunicação complementando os formais, valorização da
qualidade de vida e da auto-estima, aspectos estes que direta ou indiretamente envolvem habilidades
sociais. Os autores lembram que as habilidades sociais se apresentam em diferentes graus de
complexidade, fazendo com que classes mais complexas possam ser decompostas em diversas
habilidades, as quais podem ser formadas por outras subclasses. Designam assim as classes mais
complexas de molares e as mais específicas de moleculares. Um exemplo por eles citado e que é
exigido em diversas atividades no mundo do trabalho, é a classe molar de coordenar grupo, a qual é
composta por subclasses moleculares como elogiar, fazer perguntas, resumir, dentre outras, que se
combinam em classes maiores como mediar o estabelecimento e seguimento de normas, organizar
as etapas da tarefa, etc.
A literatura mostra que as habilidades sociais podem facilitar as relações no contexto do trabalho,
promovendo maior envolvimento entre os trabalhadores, o que pode melhorar a qualidade de vida
dos mesmos. Porém há questões relativas ao trabalho que precisam ser analisadas com cautela.
32
Mesmo o modelo toyotista, que a princípio parece enaltecer a cooperação, ao ser aplicado em
sociedades capitalistas, nas quais a produção determina a manutenção ou não da equipe, faz com
que muitas pessoas se desencantem do trabalho. Tal desencanto leva a que o trabalho seja encarado
não como um importante fator na construção da subjetividade e sim como um mal necessário para a
obtenção de dinheiro, o qual, por sua vez, permite comprar momentos de prazer.
Concluindo, como o nome já diz, as habilidades sociais envolvem habilidades e como tal, podem
ser desenvolvidas por meio de cursos e treinamentos, além da exposição direta da pessoa a situações
envolvendo relacionamento interpessoal. Ter manejo produtivo de habilidades sociais, participar de
cursos e treinamentos para incrementar tais habilidades, pode contribuir para um bem estar geral da
pessoa. A etapa seguinte, que envolve a escolha dos âmbitos em que colocará as habilidades sociais
em prática, depende da própria pessoa. Assim, permanece a pergunta: Habilidades sociais no
trabalho ?
REFERÊNCIAS
Brandão,H.P.(2007). Competências no trabalho: uma análise da produção científica brasileira.
Estudos de Psicologia, 12(2), p 149-158
Caniato,A.M;Cesnick,C.C.; Araújo,J.da S. (2010) Subjetividades cúmplices e o sofrimento
psicossocial na contemporaneidade. Psicologia e sociedade 22(2), 236-246
Del Prette,A.; Del Prette, Z. (2001). Psicologia das relações interpessoais – vivências para o
trabalho em grupo. Petrópolis: Editora vozes
Esperidião, E.; Munari, D.B. (2005). A formação integral dos profissionais de saúde: possibilidades
para a humanização da assistência. Ciência, Cuidado e Saúde. v.4(2), p.163-170
Giardini Murta,S. : Tróccoli,B.T.(2004). Avaliação de intervenção em estresse ocupacional.
Psicologia: teoria e pesquisa, vol.20(1), p 39-47
Lassance, M.C.; Sparta, M. (2003). A orientação profissional e as transformações no mundo do
trabalho. Revista brasileira de orientação profissional, v.4 (1-2), p. 13-19.
33
CONFERÊNCIAS E PALESTRAS
GUARDA PROTETIVA: O DIREITO À CONVIVÊNCIA FAMILIAR DAS CRIANÇAS EM
SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL
Laiana Delakis Recanello, ¹
Universidade Estadual do Norte do Paraná – UENP
[email protected]
O presente estudo tem como finalidade analisar o instituto da guarda protetiva, sob a égide do
Estatuto da Criança e do Adolescente. Além disso, avaliar as situações de vulnerabilidade em que as
crianças são expostas, em virtude da conduta omissiva e comissiva dos genitores.
Verifica-se que a Constituição Federal de 1988 iniciou um movimento no Brasil, já pulsante no
âmbito internacional, ao dispor acerca da necessidade da proteção integral das crianças e
adolescentes. Neste contexto, nasceu em 13 de julho de 1990, o Estatuto da Criança e Adolescente.
A guarda protetiva pode ser definida como uma medida de proteção de colocação em família
substituta, o qual a autoridade competente, após o acolhimento institucional e impossibilidade da
criança em retornar de imediato à família natural, concede provisoriamente a guarda da criança em
situação de vulnerabilidade social a outrem, ante a verificação dos pressupostos de grau de
parentesco e/ou relação de afinidade e afetividade, tais podem ser exemplificados na figura dos
avós, tios, padrinhos, vizinhos, amigos, ou seja, pessoas que nutrem uma relação de afinidade e
afetividade com a criança e, por conseguinte, com a família natural. A mencionada medida visa
possibilitar a realização de políticas públicas para reestruturação familiar e futura reinserção da
criança na família de origem.
A referida guarda está em consonância ao disposto no artigo 1º, §1º, artigo 19, §3ª e artigo 25,
parágrafo único todos da Lei 12.010/2009, mais conhecida como “Nova Lei de Adoção”. Os
artigos supracitados pormenorizaram como prioridade a manutenção da criança e do adolescente no
¹Mestranda do Programa de Mestrado em Ciência Jurídica do Centro Sociais Aplicadas da. Bolsista da Fundação
Araucária.
34
seio familiar, voltando-se a orientação e promoção da família, bem como a preferência da família
extensa para os casos de guarda, tutela e adoção, haja vista o vínculo de afinidade e afetividade.
Assim, o legislador buscou a unidade familiar e a inclusão da família extensa para a manutenção
dos vínculos biológicos e afetivos.
Os princípios constitucionais basilares de tal instituto é a dignidade da pessoa humana, doutrina da
proteção integral, princípio da solidariedade familiar e princípio da afetividade.
O artigo 98 do Estatuto da Criança e Adolescente enumera três bases genéricas para a verificação de
situações de vulnerabilidade pessoal e social em que a criança pode ser exposta. Por esta razão, tal
normativa é o coração do Estatuto da Criança e do Adolescente, eis que define as condições para a
aplicação das medidas de proteção elencadas no artigo 101 do ECA.
No que tange ao artigo 98, inciso II do ECA, o qual alude sobre a falta, omissão ou abuso dos pais,
as hipóteses mais recorrentes que configuram na exposição de crianças a situação de
vulnerabilidade pela conduta dos genitores são: a) abandono material e imaterial, b) abuso de
substâncias psicoativas e álcool; c) prisão; d) violência doméstica. Cumpre ressaltar que a análise
deve ser casuística e as hipóteses são intermináveis.
Ademais, tendo em vista a excepcional e provisoriedade da medida de proteção de acolhimento
institucional, a concessão da guarda protetiva é uma das alternativas para manutenção do vínculo
familiar e, consequentemente reestruturação da família e reinserção da criança no seio familiar.
A guarda protetiva visa minimizar os danos causados pela retirada abrupta da criança do convívio
familiar, bem como impedir que a mesma fique institucionalizada por longos períodos. Além disso,
através do cuidado e zelo substituto prestados por pessoas com vínculo de afinidade e afetividade
não há a criação de um novo sistema, mas se busca mudar a realidade da família para a resolução
dos próprios conflitos, reduzindo os possíveis traumas das crianças removidas no que tange a
adaptar-se a novas pessoas e lugares.
Verifica-se para que, para que haja efetividade na reinserção da criança na família natural, há a
necessidade de políticas voltadas à promoção da família, bem como apoio a família extensa, através
de uma “rede proteção” articulada entre as entidades governamentais e não-governamentais, os
profissionais do Serviço de Atendimento a Criança e Adolescente, bem como com o suporte técnico
e financeiro da União, dos Estados e dos Municípios.
O método utilizado no presente estudo é o dedutivo, através da análise geral acerca das questões
relacionadas à guarda protetiva, o direito a convivência familiar e necessidade de políticas públicas
na área da infância e juventude. Os procedimentos instrumentais utilizados é a análise de material
doutrinário e da legislação vigente.
35
Por fim, não restam dúvidas que há situações em que a guarda protetiva responde adequadamente às
necessidades de proteção da criança, vez que lhe permite conviver com a família extensa, sem,
contudo perder o vínculo com a família de origem.
Palavras chaves: Guarda Protetiva. Convivência familiar. Políticas Públicas.
REFÊRENCIAS
ASSIS, Jorge César. Estatuto da criança e do adolescente. Curitiba: Juruá, 2000. v. 2.
Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente e Conselho Tutelar: orientações para
criação e funcionamento. Brasília: Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do
Adolescente – CONANDA, 2007.
COSTA, Ana Surany Martins. Filiação socioafetiva: Uma nova dimensão afetiva das relações
parentais.
Instituto
Brasileiro
de
Direito
de
Família.
Disponível
em:
<http://www.ibdfam.org.br/?artigos&artigo=381> Acesso em 17/10/2008.
CURY, Munir; SILVA, Antônio Fernando do Amaral e; MENDEZ, Emílio Garcia. Estatuto da
criança e do adolescente comentado: comentários jurídicos e sociais. 3. ed. São Paulo:
Malheiros, 2000.
DEL-CAMPO, Eduardo Roberto Alcântara; OLIVEIRA, Thales Cezar de. Estatuto da criança e
do adolescente. São Paulo: Atlas, 2005.
DIAS, Maria Berenice. Manual de Direito das Famílias. 4. ed., rev., atual e ampl. São Paulo:
Revista dos Tribunais, 2007.
JESUS, Ivaise Jann de. Criança maltratada: retorno à família? Um estudo exploratório em Santa
Maria RS. Revista do Ministério Público do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, n.54, abr.
2005.
LIBERATI, Wilson Donizeti. Comentários ao Estatuto da criança e do adolescente. 9. ed., rev. e
ampl. São Paulo: Malheiros, 2006.
MACIEL, Kátia Regina Ferreira Lobo Andrade (Coord). Curso de direito da criança e do
adolescente: aspectos teóricos e práticos. 2. ed. rev e atual. Rio de Janeiro: Lúmen Júris,
2007.
MINUCHIN, Patrícia; CALAPINTO, Jorge; MINUCHIN, Salvador. Trabalhando com famílias
pobres. Porto Alegre: Artmed, 1999.
REINTEGRAÇÃO FAMILIAR: Assegurando direitos e fortalecendo os vínculos. Disponível
em:<http://www.abmp.org.br/congresso2008/experiencias/153439Relato%20de%20experie
ncia%20NARF%20para%20a%20ABMP.doc> Acesso em: 17/06/2009.
PEREIRA, Tânia da Silva. Direito da criança e do adolescente: uma proposta interdisciplinar. 2.
ed. rev. e atual. Rio de Janeiro: Renovar, 2008.
36
CONFERÊNCIAS E PALESTRAS
ATENÇÃO PRECOCE E O MODELO CENTRADO NA FAMILIA
Maria Augusta Bolsanello
Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Federal do Paraná
[email protected]
[email protected]
Os programas de estimulação precoce surgiram, nas décadas de sessenta e setenta, para atender
crianças com deficiências, na faixa etária de zero a três anos e tinham como quadro de referência o
modelo médico. Este modelo era centrado na relação profissional-criança, com ênfase na figura do
profissional, o qual decidia quais procedimentos de avaliação e intervenção deveriam ser
implementados, sem levar em conta o contexto familiar, educacional e comunitário onde a criança
estava inserida (Guralnick, 1997; Dunst, Johanson, Trivette & Hamby, 1997, Bolsanello & PérezLópez, 2007). A família não era participante dos programas de estimulação precoce e muitas vezes
a mãe era considerada fonte de problemas (Turnbull, Turbiville & Turnbull, 2000). Nas últimas
décadas, nos países citados acima, os programas de estimulação precoce sofreram uma
transformação notável, sobretudo em relação à participação das famílias, que passou de um papel
secundário a um papel de destaque nestes programas. Esta transformação resultou mudanças em
ações políticas e educacionais embasadas, sobretudo: (a) na necessidade em se examinar o
desenvolvimento infantil em seu contexto mais poderoso, o da família, reconhecendo-se que este
desenvolvimento não é biologicamente fixado mas influenciado em grande escala pelo ambiente
(Bronfenbrenner & Evans, 2000); (b) na crença de que os pais podem beneficiar significativamente
suas crianças especiais, se obtiverem informações e orientações adequadas além de acesso a apoios
sociais e educacionais; (c) no reconhecimento de que a intensidade e a especificidade dos
programas de estimulação precoce tem que ser adaptadas às características e ao funcionamento da
família (Guralnick, 1997). Dentro deste novo enfoque, a estimulação precoce toma uma nova
denominação – atenção precoce – consistindo em um conjunto de intervenções dirigidas à
população infantil de zero a seis anos, à família e ao seu contexto, tendo por objetivo responder às
37
necessidades transitórias ou permanentes que apresentam crianças de risco ou com transtornos em
seu desenvolvimento (Gat, 2000).
Desta maneira, a estimulação/atenção precoce passa a ser
considerada como um conjunto de serviços, apoios e recursos que são necessários para responder
tanto às necessidades de cada criança quanto às necessidades de suas famílias, sempre visando a
promoção do desenvolvimento infantil (Dunst & Bruder, 2002). Agora profissionais e pais devem
caminhar juntos na responsabilidade de promover o desenvolvimento e a aprendizagem da criança.
Desta feita, o modelo centrado na relação “profissional-criança” evolui para um modelo centrado na
relação “familia-criança”, por influência de dois aportes teóricos que tem contribuído com as
estratégias necessárias para o atendimento em atenção precoce: o ecológico (Bronfenbrenner, 1996)
e o transacional (Sameroff & Fiese, 2000). Ambos evidenciam a influência dos diferentes contextos
ambientais sobre o desenvolvimento infantil. Criança, família e contexto constituem uma unidade
que deverá materializar-se em um programa de intervenção. Nenhuma equipe profissional, por mais
interdisciplinar e competente que seja, pode esquecer esta realidade individual e social, afetiva e
existencial da criança. Tanto o aporte ecológico quanto o transacional representam a integração de
conceitos provenientes de várias disciplinas científicas que ao longo dos tempos
foram
influenciando as formas de prestação de serviços no âmbito da intervenção/educação infantil
especializada. No modelo centrado na família, as necessidades e desejos da mesma guiam toda a
prestação de serviços, reconhecendo-se que as relações entre os vários membros da família, nuclear
e alargada, assim como as relações entre a família e a comunidade são importantes para o
funcionamento da família e para o desenvolvimento da criança.
38
CONFERÊNCIAS E PALESTRAS
OBESIDADE INFANTIL E PRÁTICAS DE ALIMENTAÇÃO
Psic. Ms. Ana Paula Franco Mayer
Profa. Dra. Lidia Natalia Dobrianskyj Weber
Universidade Federal do Paraná,
Departamento de Psicologia e
Programa de Pós-Graduação em Educação
[email protected]
A presente palestra tem por objetivo compreender o sobrepeso e a obesidade infantil e como a
família pode atuar sobre esse fenômeno. Entre os transtornos nutricionais infantis a obesidade
infantil é um dos mais frequentes problemas de saúde pública e está avançando de forma rápida e
progressiva como uma epidemia, sem diferenciar etnia, sexo, idade ou nível social.
Percebendo a complexidade dessa doença será explanado os conceitos que a ela se referem, entre
eles, o conceito de sobrepeso, obesidade, peso normal e desnutrição. Na sequência será apresentada
a sua prevalência, que segunda à faixa etária, observa-se um aumento gradativo da obesidade e do
sobrepeso desde a infância até a idade adulta, chegando, até mesmo, a triplicar nos jovens nos
últimos 20 anos. Esse aumento, que vem ocorrendo nas últimas décadas, acontece em diversos
países. Para a população brasileira, a prevalência de sobrepeso/obesidade apresenta crescimento
entre as décadas de 70 e 90, e sua frequência varia entre 5 a 18%, dependendo da região estudada.
Outro ponto abordado será as conseqüências físicas e psicológicas que a obesidade pode
desenvolver tanto na infância como na fase adulta, pois as crianças com excesso de peso têm um
elevado risco de se tornarem adolescentes e adultos também com excesso de peso e, portanto,
possuindo um grande risco de sofrer dos problemas de saúde associados. A literatura vem
mostrando que o excesso de peso é um fator de risco à qualidade de vida afetando a saúde física,
ocasionando ou agravando quadros de hipertensão, diabetes mellitus, doença coronariana, apneia do
sono, derrame, aumento do colesterol e triglicerídeos, problemas ortopédicos. Em relação às
complicações psicológicas, a criança afetada pela obesidade pode apresentar baixo desenvolvimento
39
de habilidades sociais, baixa autoestima e baixo autoconceito, depressão, distúrbios da autoimagem
e discriminação.
Por fim, será mostrado que uma das formas de prevenção da obesidade infantil é uso de práticas de
alimentação adequadas pelos pais aos seus filhos. Essas práticas são estratégias comportamentais
específicas, empregadas pelos pais para controlar o que e o quanto os seus filhos comem. Existem
diversas práticas de alimentação utilizadas pelos pais na alimentação dos seus filhos. Segundo
Musher-Eizenman e Holub (2007), as doze práticas de alimentação infantil que podem ser utilizadas
pelos pais são: (1) controle da alimentação feito pela criança: os pais deixam o controle da
alimentação ser feito pela criança; (2) controle das emoções: pais usam a comida para controlar os
estados emocionais da criança; (3) incentivo ao equilíbrio e variedade: os pais proporcionam o
equilíbrio e variedade na alimentação dos seus filhos; (4) ambiente: os pais deixam alimentos
saudáveis disponíveis em casa; (5) alimento como recompensa: pais utilizam a comida como
recompensa ao bom comportamento do seu filho; (6) envolvimento: pais estimulam o envolvimento
dos seus filhos no planejamento e preparação das refeições; (7) modelo: pais comem alimentos
saudáveis para dar exemplo para seus filhos; (8) monitoramento: pais ficam atentos no consumo de
alimentos menos saudáveis pelos seus filhos; (9) pressão: pais pressionam seus filhos a comerem
mais nas principais refeições; (10) restrição por saúde: pais controlam o consumo de comida dos
seus filhos com o propósito de limitar comidas menos saudáveis e doces para manter seus filhos
mais saudáveis; (11) restrição para controle do peso: pais controlam o consumo de comida dos seus
filhos com o objetivo de diminuir ou manter o peso deles; (12) ensino sobre nutrição: pais ensinam
o valor nutricional dos alimentos aos seus filhos para incentivar o consumo de alimentos saudáveis.
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CONFERÊNCIAS E PALESTRAS
TRANSTORNOS DO DESENVOLVIMENTO. O QUE FAZER ?
Prof. Dra Tatiana I. J. de Sá Riechi
Laboratório Neuropsicologia- PPG-Psico/UFPR
[email protected]
Os Transtornos do desenvolvimento podem ser definidos como quaisquer quadros clínicos ou
eventos, de origem genética ou adquirida até os primeiros meses de vida, que podem comprometer
o desenvolvimento cerebral do indivíduo, podendo causar deficiências, físicas e/ou mentais, bem
como restrições à funcionalidade e à participação social. Encontram-se incluídos deficiências como
mental, paralisia cerebral, epilepsia, transtorno específico de aprendizagem, transtorno
neuropsiquiátrico, síndromes, má formação, entre outras. Diante da melhoria dos avanços
tecnológicos e humanos das UTIs neonatais os índices de mortalidade infantil diminuíram
significativamente nas ultimas décadas. Com isto é possível se observar a presença expressiva de
crianças que sobreviveram a diversos fatores pré, peri e neonatais que num passado muito remoto
não teriam sobrevivido, porem mais vulneráveis a riscos de morbidades e alterações de
desenvolvimento. A primeira questão a resposta ao que fazer diante dos transtornos de
desenvolvimento é considerar a sua presença e o aumento expressivo da incidência dos transtorno
do desenvolvimento, diante dos fatores anteriormente apresentados. Além de que, a criança não é
um adulto em miniatura. Diante deste novo paradigma, o conceito de infância e a atenção a criança
desde a concepção até o final da adolescência, alerta para a importância da visão biopsicossocial
sobre o desenvolvimento infantil, suas peculiaridades, ampliação dos fatores de risco e deficiências.
A segunda parte da resposta aponta para a necessidade da avaliação precoce dos transtornos de
desenvolvimento. Desenvolver métodos e técnicas para a identificação precoce de sinais sugestivos
de alterações futuras de desenvolvimento ao longo da vida do individuo. De maneira geral, os
múltiplos procedimentos de avaliação rastreiam domínios nas áreas orgânicas, cognitivas, motoras,
linguagem, sociais, emocionais, entre outras. Quanto mais eficaz e mais cedo for possível a
avaliação dos sinais de risco, mais cedo e eficiente poderá ser a intervenção. Desta forma, coloca-se
41
a terceira questão a resposta proposta ao título desta fala. O que se deve fazer diante do transtorno
de desenvolvimento, ações práticas de promoção das potencialidades e da reabilitação das
deficiências. É fundamental que crianças com transtornos de desenvolvimento e suas famílias
participem de programas e planos de atenção e estimulação psicossociais, desde a identificação
precoce das alterações. Os programas de estimulação e intervenção precoce devem ser resultantes e
políticas publicas de saúde e educação que priorizem a inclusão social e, garantam qualidade de
vida as crianças e adolescente com transtornos de desenvolvimento assim como, a seus familiares.
42
CONFERÊNCIAS E PALESTRAS
BULLYING: PROFESSORES E ALUNOS
Prof. Cloves Amorim
PUCPR/FEPAR/FAVI
[email protected]
O fenômeno bullying é universal, variando sua freqüência, mas lamentavelmente o Brasil foi
reconhecido como campeão nesta prática. “Bullying é o desejo consciente e deliberado de maltratar
uma pessoa e colocá-la sob tensão”. O cenário do Bullying é composto pela vítima, pelo agressor e
pelas testemunhas. As vítimas podem ser caracterizadas como prudentes, sensíveis, tranqüilos,
introvertidos e tímidos;; normalmente não tem um bom amigo e se relacionam melhor com os
adultos do que com os seus pares; se são meninos, normalmente são mais frágeis fisicamente do que
os seus pares. Enquanto os agressores são impulsivos e raivosos; apresentam pouca empatia como
os estudantes vitimizados; costumam ser desafiadores e agressivos com os adultos, incluindo pais e
professores; costumam apresentar outras condutas anti-sociais como vandalismo, delinqüência e
consumo de drogas;os meninos costumam ser mais fortes fisicamente do que o resto dos
companheiro em geral e das vítimas em particular; não possuem problemas especiais com sua
autoestima. Um terceiro segmento são as testemunhas. “Eles não sofrem e nem praticam bullying,
mas sofrem as suas conseqüências, por presenciarem constantemente as situações de
constrangimento vivenciadas pelas vítimas”. Muitos espectadores/testemunhas repudiam as ações
dos agressores, mas nada fazem para intervir. Após um breve histórico e caracterização do
fenômeno serão apresentados alguns programas de prevenção. As principais estratégias listadas na
literatura especializada são: treinamentos em habilidades sociais e em resolução de problema,
resolução de conflitos em sala de aula, reforço da autoestima e também o desenvolvimento de uma
cultura da paz. A título de Ilustração será descrito e apresentado um programa de prevenção
realizado em uma escola pública na cidade de Curitiba. Ênfase será dada na dimensão da construção
de uma cultura da paz que se inicia na Educação Infantil, bem como as ações e atividades que
podem ser empreendidas pelos docentes e pelo corpo técnico administrativo da escola.
43
CONFERÊNCIAS E PALESTRAS
FAMÍLIA E A ADMINISTRAÇÃO DE SENTIMENTOS
Profa. Ms. Vera Regina Miranda
PUC-PR, POSITIVO
[email protected]
A família é uma rede complexa de relações e emoções, considerada a matriz do desenvolvimento
humano e responsável por aprendizados relativos ao senso de pertencimento e de identidade e às
vivências das relações verticais (poder desigual e hierarquia, junto ao sistema decisório-pais) e
horizontais (igualdade junto aos pares-irmãos). No lócus familiar pode-se dar vazão ao apego e
desapego,segurança, disciplina, comunicação e ao confronto com o princípio da realidade,que
pressupõe frustrações e controle de impulsos. Minuchin (1990) enfatiza que a educação e a
socialização são processos complexos e conflituosos,pois os pais não podem proteger e guiar, sem
ao mesmo tempo controlar e reprimir e os filhos não podem crescer e se tornarem individualizados,
sem rejeitar e atacar. Através das relações com iguais e desiguais em poder e hierarquia tem-se
um verdadeiro laboratório social sobre disputa, admiração, negociação, cooperação, diferenciação,
dominação,submissão, entre outras habilidades e sentimentos que vão servir como um treino para o
enfrentamento da vida nos contextos externos a este núcleo. Vale ressaltar que durante o ciclo
vital dos membros familiares e da própria família os sujeitos defrontam-se com tarefas evolutivas,
sendo que cada etapa exige suas adaptações e reorganizações,objetivando a sobrevivência funcional
deste grupo.Todas estas vivências, somadas às múltiplas experiências com nascimentos e
mortes,momentos de
encontros e conflitos entre os membros familiares suscitam inúmeras
emoções (alegria, tristeza, medo, raiva, vergonha, ciúme) que acompanham a trajetória humana de
todo os seus participantes. Vivemos inúmeras transformações sociais e culturais advindas do
mundo
contemporâneo, que propõe múltiplos modelos familiares a partir dos divórcios,
recasamentos, relações homoparentais e homafetivas, entre outros.Todas estas transformações
parecem evidenciar uma pós-modernidade que valoriza a instantaneidade e a descartabilidade e,
muitas vezes favorece o individualismo e, estes aspectos todos conclamam a múltiplas emoções e
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a uma urgência pela adequação a esta nova realidade,de perdas e ganhos. Há grande necessidade de
espaço para comunicar sentimentos,temores e promover questionamentos sobre a família que se
pensava e a família que se vive. Acredita-se que o uso de alguns recursos intermediários como
histórias e jogos podem
sensibilizar a troca entre os membros familiares,oportunizando
aproximação entre pais e filhos e melhor administração e elaboração de sentimentos,através de
propostas lúdicas de intervenção,principalmente quando houver a presença de crianças e jovens.A
utilização de objetos intermediários na abordagem (seja ela nos contextos clínicos ou escolares)
constitui uma parada para tratar de temas vividos ou a serem vivenciados pelos membros familiares,
sem o caráter de obrigação e de confronto ,que costumam incrementar a ansiedade. Face ao caráter
de ludicidade, histórias e jogos interativos quando conciliam aprendizagem (auto-responsabilidade,
auto e heteropercepção, trocas afetivas) e prazer,podem ser muito benéficos a todos os seus
participantes,que ensinam e aprendem,uns com os outros.
Palavras –chave: Família,funções familiares,intervenções familiares.
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CONFERÊNCIAS E PALESTRAS
QUANDO A DOENÇA DE ALZHEIMER OCORRE COM ALGUÉM DA FAMÍLIA
Geriatra Dr. Rubens De Fraga Júnior
[email protected]
A doença de Alzheimer é caracterizada por déficits proeminentes de memória, seguidas de déficits
de iniciativa e visuoespacial , bem como dificuldade de encontrar palavras , e fala vazia.
Podem ocorrer dificuldade de julgamento, abstração, comprometimento das funções executivas (não
consegue avaliar riscos).
As atividades instrumentais da vida diaria pioram progressivamente (dirigir, telefonar, fazer o
banco).
Nas fases moderadas a severas o paciente não realiza atividades básicas da vida diaria.
No estágio final a doença compromete todas as funções cerebrais.
Há fortes evidências que intervenções individualizadas de famílias, melhoram o senso de bem estar
dos cuidadores e retardam a institucionalização do portador de Alzheimer .
A família enfrenta a doença de Alzheimer do seu ente querido atravéz de cinco estágios:
A NEGAÇÃO
O SUPERCUIDADO
A RAIVA
A CULPA
A ACEITAÇÃO
O cuidador do portador de Alzheimer pode experenciar sintomas de Isolamento , de Impaciência ,
Irritabilidade, Fadiga, Perda de propósito ou sentido da vida,Baixa auto-estima ,e Distúrbios do
sono.
Os familiares podem enfrentar o estresse do dia a dia de cuidados ao portador de Alzheimer:
Exercitamdo-se regularmente
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Relaxando (técnicasa de relaxamento)
Comendo alimentos saudáveis
Identificando as emoções negativas e
Praticando habilidades de enfrentamento
Buscando apoio da família, dos amigos, e de um Grupo de apoio
Podemos ajudar a família a enfrentar o cuidado da doença de Alzheimer:
1 Mantendo contato - mostre que você se importa!
2 Tratando o portador de alzheimer com respeito e dignidade
3 Fazendo as pequenas coisas
4 Sendo específico ao oferecer ajuda
5 Educando-se sobre a doença de alzheimer
6 Inclindo todos os membros da família em atividades
7 Sendo um bom ouvinte
8 Encorando a todos um estilo de vida saudável
9 Permittindo aos membros da família algum tempo para si próprios
10 Mantendo todos os membros da família em sua mente
Finalmente, buscando ajuda em grupos para familiares de portadores de Alzheimer como a
associação Brasileira De Alzheimer(ABRAz) pella pagina eletrônica www.abraz.com.br e pelo
telefone 0800 55 1906.
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CONFERÊNCIAS E PALESTRAS
A DOENÇA MENTAL NA FAMÍLIA
Dr.Hamilton M. Grabowski
CONSULTÓRIO particular, Curitiba
[email protected]
Antes de falar dos transtormos mentais que afligem as famílias é mostrado que a dinâmica familiar
normal também é influenciada pela Emoção Expressa que são formas de comunicação muitas vezes
inadequadas e não-assertivas que se não compreendidas podem produzir sentimentos negativos na
família.Muitas vezes são hostilidades que surgem de forma dissimulada ou mesmo com a
estimulação de sentimentos que gerem culpa ou preocupação no outro.Neste ponto os desajustes
conjugais também tem uma influência marcante na nas dinâmicas familiares, em virtude que a
interação entre marido e mulher é vital para o desenvolvimento dos filhos.
Em relação aos transtornos Psiquiátricos própriamente ditos são relacionados os Transtornos de
Abuso de substancia,As psicoses, Depressão, Transtorno Bipolar do Humor e Transtornos de
personalidade.É abordado dentro de cada patologia os aspectos comportamentais que mais
interferem na dinâmica familiar de uma maneira mais específica , e quais os sentimentos de
transferência e contra-transferência assim como os mecanismos de defesa subjacentes que
permeiam as relações familiares.
Com relação ao uso de substâncias há uma marcante negligência em relação aos cuidados dos filhos
que podem levar a atrasos no desenvolvimento, dificuldades de aprendizagem e até alterações
comportamentais. Nas alterações de personalidade são citadas os subtipos paranóide,
antissocial,emocionalmente instável e borderline cujo funcionamento dos indivíduos em seu meio
afetam de maneira significativamente os relacionamentos familiares.Os transtornos de jogo
patológico privando a família do conforto financeiro com conseqüente desagregação pelos prejuízos
trazidos.A depressão um transtorno muitas vezes não percebido pela família produz sentimentos de
baixa auto-estima, perda da produtividade social e profissional trazendo um sentimento entre os
membros da família de se sentirem sempre sobrecarregados podendo também terminar no desfecho
48
grave de suicídio. O Transtorno Bipolar que produz a maior manifestação de emoção expressa na
família, com as flutuações de humor ocorrendo em um membro da família que se traduz em uma
instabilidade das relações. Finalmente o impacto das psicoses, cuja deterioração mental dos
indivíduos produz profundas alterações na dinâmica familiar.
O autor mostra também como a doença mental é vista pela sociedade e quais os mecanismos de
defesa que são utilizados pelas pessoas para reagir a estes eventos, tais como negação, raiva, culpa e
medo entre outros.O tratamento deve seguir uma abordagem plena com aspectos sociais,
psicológicos médicos e espirituais.Mostra a importância da psicoeducação para a compreensão de
todos estes transtornos.
49
CONFERÊNCIAS E PALESTRAS
PARA ENCONTRAR E VIVER UM GRANDE AMOR
Prof. Dr. Ailton Amélio da Silva
Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo
[email protected]
Este resumo apresenta os cinco principais caminhos para iniciar um relacionamento amoroso e as
cinco medidas que contribuem para aumentar as chances de que um relacionamento desse tipo
ganhe estabilidade e evolua positivamente.
Caminhos para iniciar relacionamentos amorosos
Realizei um estudo com cinco grupos de pessoas bastante diversificadas (casadas, solteiras,
estudante universitários, estudantes do secundário etc.), em quatro cidades brasileiras, para verificar
como elas iniciaram seus namoros1. Este estudo mostrou que quase todos esses namoros foram
iniciados através dos seguintes cinco caminhos:
7- Transformação de um relacionamento não amoroso já existente (amizade, profissional, colega de
escola etc.) em amoroso: 37%.
8- Apresentação por um conhecido em comum: 32%.
9- Flerte com um desconhecido seguido de abordagem: 20%.
10- Encontros acidentais (por exemplo, estar em uma fila ou sentar-se ao lado de alguém em um
ônibus ou metrô e puxar conversa): 4%
11- Uso de serviços (internet, agência de casamentos e anúncios em jornais ou revistas): 1%.
12- (Outros caminhos: 6%).
Cada um desses caminhos tem vantagens e desvantagens. Cada um deles é mais adequado em certas
situações e para certos tipos de pessoas e inadequado para outras situações e pessoas. Por exemplo,
pessoas que tenham características que são raras na população dificilmente se deparam com
parceiros compatíveis nos locais que frequentam ou que poderia frequentar no dia a dia. Isso
acontece, por exemplo, com mulheres acima de certa idade e que são muito qualificadas. Nesse
caso, a atividade mais provável para encontrar parceiros compatíveis é a internet. Para isso ilustrar
isso, vamos supor que só existam cinquenta parceiros compatíveis entre si que morem aqui na
cidade de São Paulo. Nesse caso, haverá muito pouca chance de elas se encontrem acidentalmente
50
nesta cidade. No entanto, se elas colocarem seus perfis em um bom site de relacionamento na
internet, ai elas terão uma chance muito maior de se encontrarem.
Cinco fatores que contribuem para o sucesso de um relacionamento amoroso2
Os relacionamentos amorosos geralmente não sobrevivem apenas do romantismo e da atração
sexual entre os parceiros, como as novelas, os romances e as letras das músicas românticas querem
nos fazer crer. Existem diversos fatores contribuem para que este tipo de relacionamento seja
iniciado e evolua positivamente ou para que fique estagnado ou pereça. Três deles foram
identificados por Caril E. Rusbult e B. P. Bunnk, da Universidade de Michigan, através de uma
importante pesquisa longitudinal: satisfação, alternativas e investimentos (RUSBULT & BUNNK,
1993). Dois outros fatores, a escolha de um parceiro adequado e as barreiras contra a dissolução
do relacionamento, foram apontados por diversos outros estudos. Vamos apresentar agora uma
noção desses cinco fatores.
Primeiro fator: escolha de um parceiro compatível
Algumas características pessoais, que são muito importantes para um relacionamento amoroso, são
muito difíceis de mudar. Portanto, é melhor selecionar parceiros que as possuam do que tentar
mudá-los durante o relacionamento.
É desaconselhável aceitar alguém condicionalmente. Por exemplo, é desaconselhável aceitar um
parceiro amoroso contando que ela vai se tornar muito mais sociável do que é, deixar um vício,
ficar rica, cursar uma faculdade etc. Um parceiro que é aceito condicionalmente já inicia o
relacionamento como devedor.
Segundo fator: satisfação com o relacionamento
A satisfação com o relacionamento afeta todas as suas fases, desde a escolha do parceiro, passando
pelo seu início, progresso, estabilidade e término até a sua revitalização quando isso acontece. A
satisfação também é importante para diversos tipos de relacionamentos: amizade, relacionamento
entre parentes, relacionamento entre pessoas que trabalham juntas e relacionamento amoroso.
O grau de satisfação de um relacionamento é determinado pela proporção entre custos e benefícios.
Vários fatores podem ser fontes de custos e benefícios: características fixas ou dificilmente
mutáveis das pessoas (inteligência, personalidade, sociabilidade, certas características físicas etc.);
os diversos tipos de relacionamento com o parceiro (desempenho sexual, qualidade e quantidade de
comunicação etc.); compartilhamento de tarefas e responsabilidades (ajudar em tarefas caseiras e
nas tarefas de manutenção da casa: fazer supermercado, efetuar pagamento de contas etc.); criação e
manutenção de relações sociais (amizades, relacionamentos com parentes etc.), entre outros.
John Gottman, autor de vários livros e pesquisas sobre os fatores que contribuem para o sucesso do
casamento, afirma que para um relacionamento dar certo é necessário que cada parceiro
proporcione para o outro cinco benefícios para cada custo (GOTTMAN, 1998). Embora esta
51
proporção possa ser questionada, parece bastante óbvio que preferimos a companhia daqueles que
nos proporcionam mais benefícios do que custos.
Alguns estudos indicaram que importa mais para a satisfação a forma como o parceiro é percebido
do que como ele é na realidade.
Terceiro fator: alternativas a permanecer no relacionamento
Existem melhores opções fora do relacionamento do que nele? Geralmente são considerados dois
tipos de opções fora do relacionamento para responder a esta pergunta: (1) ficar só (muitas vezes é
"melhor ficar só do que mal acompanhado") ou (2) trocar de parceiro. Uma das maiores causas da
separação no mundo, segundo um estudo realizado em 186 culturas pela antropóloga Laura Betzig,
da Universidade de Michigan, a traição é a segunda maior causa do divórcio - só perde para a
esterilidade (Betizig, 1989).
Como não é possível enfraquecer as atrações que existem fora do relacionamento, o que dá para
fazer é melhorar as atrações que existem dentro dele e as forças que dificultam sair dele. Ou seja,
devemos cuidar dos outros quatro fatores que são apresentados neste artigo: selecionar um parceiro
compatível, aumentar as satisfações no relacionamento atual, investir no relacionamento e
selecionar parceiros que possuam barreiras contra a sua dissolução e desenvolvê-las.
Quarto fator: investir no relacionamento
Para que um relacionamento dê certo é necessário investir, acreditar e apostar nele. É necessário
"entrar com os dois pés na canoa". Agir desta forma é o oposto do imediatismo do "toma lá, dá cá".
Isto, obviamente, não significa ser ingênuo e apostar em relacionamentos com baixas chances de
sucesso.
Cada vez mais acreditamos menos no casamento e, por isso, tentamos nos proteger das
consequências do seu fracasso. Esta falta de crença e excesso de proteção contribui para que ele não
dê certo. Antigamente o casamento era concebido como uma união mais plena e duradoura. Por
exemplo, o regime do compartilhamento de bens era a comunhão total e era considerado
indissolúvel. Atualmente o casamento padrão acontece com a comunhão parcial de bens e ele é
visto como relativamente descartável. Muitos casais estão optando pela separação total de bens
através de um pacto antenupcial.
Existem várias formas de investir em um relacionamento. Psicologicamente isto acontece quando os
cônjuges "deixam de ser eu e tu e se tornam um pouco nós". Outra forma é a aceitação
incondicional do parceiro (o que não significa concordar com tudo que ele faz). Outras formas de
investimento: desenvolver projetos conjuntos (casa, carreira), amparar o outro nos maus momentos,
defender o outro publicamente etc.
52
Barreiras
Existem dois tipos de barreiras contra a dissolução de um relacionamento amoroso: as internas e as
externas. As barreiras internas são constituídas pelos valores, crenças e inibições psicológicas que
se contrapõem aos términos dos relacionamentos amorosos. Por exemplo, uma pessoa que tenha
sentimentos e valores que a impeça de tomar decisões que impliquem em sofrimentos para a sua
família terá mais inibições para sair de um relacionamento amoroso e lutará mais para que ele dê
certo do que alguém que tenha um grau menor destas características.
Existem duas maneiras de trabalhar com este tipo de barreira para aumentar as chances de que um
relacionamento perdure: (1) selecionar parceiros que tenham este tipo de atitudes e valores que
ajudem a proteger o relacionamento e (2) fortalecer tais atitudes e valores. Por exemplo, dialogar
com o parceiro com o objetivo de aumentar a visibilidade das consequências negativas das
separações.
As barreiras externas são constituídas por aqueles obstáculos impostos por outras pessoas e pelas
estruturas sociais contra a dissolução do relacionamento amoroso. A opinião pública, as
consequências legais e econômicas são alguns exemplos deste tipo de barreira.
Acredito que é possível ter um relacionamento amoroso vivo, criativo e prazeroso, com o mesmo
parceiro, durante toda a vida. Vale a pena construir e viver um relacionamento assim. Não conheço
nenhum outro setor da vida que pode nos afetar de forma tão profunda e tão ampla quanto este.
Pense nisso.
Notas
Este tópico foi baseado em um capítulo do meu livro:
Silva, A. (2001). O Mapa do Amor. São Paulo: Editora Gente.
3.
Este tópico foi baseado em capítulos dos meus livros:
Amélio, A. A. (2009). Relacionamento Amoroso. São Paulo: Publifolha.
Amélio, A. A. (2005). Para Viver um Grande Amor. São Paulo: Editora Gente.
REFERÊNCIAS
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30, 654 - 676.
Gottman, J. (1998). Casamentos. (Traduzido do original em inglês por T. B. Santos). Rio de
Janeiro: Editora Objetiva Ltda.
Rusbult,C. E. A & Buunk, B. P. (1993). Commitment processes in close relationships: An
interdependence analysis. Journal of Social and Personal Relationships, 10, 175-204.
53
PAINÉIS
AMOR CATIVO: ASPECTOS RELEVANTES DOS RELACIONAMENTOS AMOROSOS
ENTRE PRESIDIÁRIOS E SUAS COMPANHEIRAS
Luciane Marcos da Costa
Lidia Natalia Dobrianskyj Weber
Núcleo de Análise do Comportamento
Departamento de Psicologia, Universidade Federal do Paraná
[email protected]
INTRODUÇÃO
Ressalta-se a importância de compreender que esse relacionamento se dá em um contexto bastante
específico, o contexto do encarceramento. Nessa situação os homens presos foram separados de sua
família. Sendo que a maioria dessas famílias se constitui de mulheres e crianças de baixa renda,
moradores das comunidades de periferia, que agora têm que lidar com os maridos e pais ausentes e
as consequências que advém dessa situação, como: dificuldades financeiras, preconceitos, carência
afetiva e ajustar o seu retorno após a libertação do mesmo.
Os homens separados da vida familiar também são afetados, com o estigma de uma prisão, com o
enfrentamento de novas contingências que podem contribuir para a estruturação de um novo padrão
comportamental nem sempre reforçado fora do contexto do encarceramento (Western, 2004).
As discussões sobre a vida familiar dos criminosos geralmente se concentram no crime suprimindo
os efeitos desses atos e do encarceramento sobre o casamento ou relacionamentos amorosos.
Estudiosos americanos concluíram através de seus estudos que o casamento oferece um caminho
para fora do crime para os homens com histórico de prisão (Western, 2004), mas será que o mesmo
ocorre aqui no Brasil diante da nossa realidade política e social?
Esse estudo teve como objetivo realizar uma análise do relacionamento amoroso enquanto
potencializador das contingências que levam à reincidência criminal ou à ressocialização do preso
na sociedade.
MÉTODO
Pesquisa qualitativa e quantitativa, correlacional, estruturada e exploratória.
54
Participantes
Foram cem (100) participantes: 50 homens e 50 mulheres. Os homens se constituem de internos de
uma penitenciária do Estado do Paraná, internos por 01 (um) ano no Sistema Penitenciário, pelo
menos, com algum tipo de relacionamento amoroso estável. A amostra de mulheres é constituída de
companheiras (esposas, amásias, namoradas) de presos internos a 01 (um) ano majoritariamente no
Sistema Penitenciário, não necessariamente dos mesmos presos entrevistados.
Instrumento
Questionário estruturado de triagem elaborado especificamente para os fins da pesquisa, neste
constam 58 questões relativas à vida pregressa do preso, sua situação familiar, social e prisional
atual.
Procedimento
A amostra masculina foi selecionada seguindo as seguintes etapas: após autorização da direção do
estabelecimento para realização da pesquisa foi solicitada junto ao mesmo uma lista dos internos
que recebiam visitas, destes selecionados aqueles que recebiam visitas de suas companheiras.
Destes foram descartados aqueles que haviam pedido suspensão das visitas e os presos que estavam
em isolamento. Em seguida, identificou-se a galeria e o cubículo onde cada um estava, sendo que
07galerias foram disponibilizadas. Foram pré-selecionados 20 internos de cada uma com número de
prontuário inferior a 70.000, porque provavelmente tinham mais de 01 (um) ano de prisão. A lista
foi feita pelo número do prontuário em ordem crescente. Foram selecionados de 07 a 08 presos de
cada galeria para receberem o termo de consentimento, em caso de desinteresse de alguém o termo
era enviado para o interno subseqüente a ele na lista de espera.
Para a amostra feminina o questionário foi aplicado nos dias de visita, a frequência se deu de acordo
com o comparecimento das mesmas. A participação foi voluntária, exigindo-se somente que a
mesma tivesse um relacionamento estável com um interno a pelo menos um (01) ano. Para
autorização da utilização dos dados encontrados, todos os participantes assinaram o Termo de
Consentimento Livre e Esclarecido.
Análise de Dados
Foi feita uma tabulação dos dados obtidos na amostra feminina e outra na amostra masculina de
forma matematicamente simplificada. Posteriormente, foi feita uma comparação entre eles e os
dados foram tabulados de forma conjunta para levantamentos dos aspectos mais relevantes. A
análise das respostas abertas foi feita com base em categorização de equivalência semântica de
conteúdo.
55
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Apurou-se que o perfil apresentado pelos participantes assemelha-se ao expresso pelos dados
oficiais obtidos no site do Departamento Penitenciário do Paraná e Relatório da CPI do Sistema
Carcerário Brasileiro, referentes ao ano de 2008. A maioria dos apenados são adultos jovens,
amasiados ou casados, de baixa escolaridade, presos em grande parte pelos seguintes crimes: assalto
(artigo157), tráfico (artigo 33), homicídio (artigo 121) e furto (artigo155). Têm uma alta taxa de
reincidência.
Em relação ao seu relacionamento amoroso, de forma geral, os participantes o caracterizam como
bom, no entanto a situação atual é considerada como ruim. Verificou-se que a funcionalidade do
mesmo se dá de forma distinta para homens e mulheres. Para elas esse relacionamento é fonte de
valorização e amor, sentem-se importantes e, por isso insistem num relacionamento cheio de
constrangimentos e privações, mesmo sofrendo no dia a dia várias consequências desta opção.
Para o homem esse relacionamento parece ser o elo entre ele o mundo exterior do qual foi excluído
e enquanto está preso o relacionamento, os filhos e a mulher são realmente enaltecidos, mas isso se
dá basicamente pela contingência de privação ao qual está sujeito, privação da liberdade, de afeto,
de valorização, de respeito e de consideração.
Foram também identificados três tipos básicos de mulheres: materialista, dependente e equilibrada.
A materialista está ligada mais nas questões financeiras e sexuais do relacionamento, o
companheiro representa um valor e um poder social necessário para ela. O segundo grupo é
composto pelas mulheres dependentes, o relacionamento é tudo que têm e se agarram a ele com
unhas e dentes como uma forma de se afirmarem. O terceiro tipo se constitui das mulheres
denominadas de equilibradas, mantém o relacionamento, mas estão conscientes dos riscos, dos
problemas que tem que enfrentar e estão seguras daquilo que esperam e desejam do relacionamento,
geralmente são as mais valorizadas pelos companheiros.
Conclui-se, que o relacionamento amoroso entre os presidiários e suas companheiras possui
características específicas da dinâmica desse relacionamento, especialmente em relação a sua
funcionalidade. Acredita-se que o relacionamento amoroso pode sim ser uma estratégia de impacto
na ressocialização do preso desde que sua funcionalidade seja modificada. O intuito é fortalecer o
casal para que este enfrente os obstáculos que estão a sua frente e as táticas a serem desenvolvidas
para esse fortalecimento dependem de dados mais sólidos e exaustivamente testados, portanto
aponta-se a importância em manter os estudos nesse sentido.
REFERÊNCIAS
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56
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57
PAINÉIS
CARACTERIZAÇÃO DE PROJETO DE ESTIMULAÇÃO PRECOCE COM BEBÊS EM
INSTITUIÇÃO ABRIGO
Mariana Fernandes Barbosa¹
Christiana Gonçalves Meira de Almeida²
Universidade Federal de São Carlos
[email protected]
INTRODUÇÃO
A implementação de programas de estimulação precoce para bebês de risco é fundamental para
prevenção de problemas de desenvolvimento futuros e\ou minimizar prejuízos advindos de
situações de risco (Taques e Rodrigues, 2006). Crianças que residem em instituições de abrigo são
um grupo com condições sociais desfavoráveis para o desenvolvimento, o que justifica a
necessidade de investigação e implementação de projetos de estimulação. De acordo com o Estatuto
da Criança e do Adolescente (1990) as crianças que vão para a instituição devem ter condições
necessárias para a sobrevivência (moradia, alimentação, higiene e saúde), ter acesso à educação e
socialização.
Como possibilidade de promoção de saúde para essa população, o presente trabalho teve como
objetivo descrever variáveis relevantes na implementação de um programa de estimulação precoce
para bebês em instituição de abrigo.
MÉTODO
O programa foi desenvolvido com seis crianças de zero a dois anos institucionalizadas em uma casa
abrigo em uma cidade do interior paulista e oito cuidadoras da instituição.
Foi utilizado Protocolo do Inventário Portage Operacionalizado - IPO (Williams & Aiello, 2001)
que analisa o desenvolvimento infantil de zero a seis anos nas áreas de: Linguagem,
Desenvolvimento Motor, Cognição, Auto-cuidado e Socialização. Como forma de avaliação são
descritos os critérios de observação dos comportamentos alvo, bem como as condições
¹Graduando curso de Psicologia – Faculdades Integradas de Ourinhos; ²Docente do curso de Psicologia – Faculdades
Integradas de Ourinhos, doutoranda em Psicologia
58
antecedentes a serem manipuladas pelo observador na avaliação. No presente estudo foram
avaliadas apenas as áreas de Linguagem, Socialização e Cognição.
O programa foi composto por: a) caracterização da instituição e avaliação da demandas gerais; b)
avaliação das demandas específicas de estimulação aos bebês; c) Elaboração e apresentação do
programa de estimulação à direção da instituição e às cuidadoras; d) reuniões periódicas com
educadoras; c) sessões de estimulação aos bebês. Para caracterização da instituição e avaliação da
demanda foram realizadas 20 visitas, com duração média de uma hora e 30 minutos.
Nessas visitas foram feitas observações naturalísticas em diversos períodos analisando interação
entre as crianças e cuidadoras, situações de brincadeiras, momentos de refeição e de ensino. Foram
realizadas três entrevistas com a direção e duas com cuidadoras para levantamento de informações
referentes à história das crianças, rotina de funcionamento da instituição e outros aspectos
relevantes ao trabalho.
Para avaliação das demandas específicas de estimulação foi utilizado IPO. O inventário foi aplicado
em sessões, três vezes por semana. Algumas sessões as crianças foram realizadas em grupos, em
outras as crianças foram avaliadas individualmente ou com duas crianças em uma sala separada das
demais. Após as avaliações foram realizadas reuniões com as cuidadoras para discutir informações
sobre a importância da estimulação infantil, apresentação de inventário e resultados das crianças,
estratégias de estimulação, modelos de comportamentos adequados e esclarecimento de dúvidas
sobre desenvolvimento infantil. As sessões de estimulação foram realizadas três vezes por semana,
baseadas nos comportamentos descritos no Inventário Portage, que eram compatíveis a idade de
cada bebê, mas que ainda não haviam sido alcançados pelas mesmas. Foram propostas brincadeiras
individuais e em grupos que também serviram de modelo de estimulação para as cuidadoras.
RESULTADO E DISCUSSÃO
Em relação às observações iniciais, semelhante aos estudos de Spada (2011), as situações de
brincadeiras costumam ter horários previstos na rotina de funcionamento das atividades. Contudo,
as crianças não decidiam livremente sobre o que iam brincar e não tinham modelos de
possibilidades de utilização de objetos, pois as cuidadoras pouco se envolviam nas brincadeiras das
crianças. As atividades de lazer aconteciam no “parquinho”, localizado no quintal. As crianças
assistem TV na maior parte do período livre e o local é relativamente pequeno para a quantidade de
pessoas.
O envolvimento das cuidadoras com as crianças era mais restrito a informar sobre as regras (o que
poderia ou não ser feito) de modo semelhante aos resultados encontrados em observações em
instituições de Educação Infantil no estudo de Spada (2011). Em virtude desse quadro, constatou-
59
se que esse modo de interação poderia ser re-organizado para promover maior desenvolvimento das
crianças.
Das reuniões com as educadoras surgiram propostas de intervenção. Foi estabelecido que cada uma
delas ficaria responsável por organizar atividades de estimulação para uma das crianças. Uma
criança, com menor quantidade de comportamentos e com maior histórico de risco ficaria sob
responsabilidade de três cuidadoras (uma de cada período: manhã, tarde, noite). As mesmas
ficaram encarregadas de fazer quatro atividades de estimulação infantil relacionadas ao cotidiano da
instituição: hora do banho e troca de roupas (mostrar o nome das partes do corpo), hora de comer
(dar nome aos alimentos), em situações de brincadeira promover interação entre crianças, pois os
mesmos não se socializavam, isto é, cada um brincava com o seu brinquedo. Após a reunião com as
educadoras foi observada maior interação entre as crianças e adultos, em situações de brincadeiras.
Análises dos resultados parciais da intervenção demonstram aumento do repertório verbal e de
socialização das crianças com base no IPO.
REFERÊNCIAS
Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Lei nº 8069 de 13 de julho de 1990.
Spada, A.N.M. (2011). Educação Infantil de 0 a 3 anos – Um estudo sobre as práticas educativas
desenvolvidas na creche pública. In: Zanata, E.M. ET al. Formação docente e universalização de
ensino: proposições para o desenvolvimento humano. São Paulo Cultura Acadêmica.
Taques, D. C. S. R.; Rodrigues, O. M. P. R. (2006) Evaluation of the behavioral repertoire of babies
in the first four months of life: an analysis proposal. Rev. bras. crescimento desenvolv. hum. São
Paulo, 16 (2).
Williams, L. A. C., & Aiello, L. R. (2001). O inventário Portage Operacionalizado: Intervenção
com famílias. São Paulo: Menonm/FAPESP.
60
PAINÉIS
AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA DE CRIANÇAS VÍTIMAS DAS ENCHENTES NO VALE
DO ITAJAÍ/BRASIL
Sueli Terezinha Bobato¹
Vanessa Teodoro²
Universidade do Vale do Itajaí
[email protected]
[email protected]
INTRODUÇÃO
O desastre natural causa grande impacto psicológico por constituir-se como um evento estressor
intenso. A identificação de grupos da população que requer maior atenção torna-se fundamental
para propor intervenções específicas. Entre estes está a atenção às crianças, sobretudo a aspectos
relacionados à saúde mental desta população.
As crianças mais atingidas necessitam de uma intervenção que inclui não somente a identificação
do impacto, mas o tratamento de possíveis sintomatologias como depressão, ansiedade, estresse
agudo, o que pode culminar em transtorno de estresse pós-traumático decorrentes das perdas em
massa. O suporte emocional depende do resultado de uma avaliação realizada com os indivíduos
envolvidos e do grau de comprometimento em priorizar e adequar o tratamento às vítimas
(Baptista, 2008; Rodríguez, Davoli e Pérez, 2006).
A partir da hipótese de que as crianças, após a vivência de enchentes, podem estar vulneráveis
emocionalmente, foi proposto um estudo exploratório-descritivo de cunho quantitativo, como
atividade curricular junto aos acadêmicos do 4º período do Curso de Psicologia da Universidade do
Vale do Itajaí/SC.
A atividade foi realizada no final do mês de novembro de 2008, na região do Vale do Itajaí em
Santa Catarina, onde diversas famílias foram expostas a uma catástrofe natural causada por uma
confluência de fatores ambientais que causaram enchentes e deslizamentos de terra. Como objetivos
¹Professora do Curso de Psicologia da Universidade do Vale do Itajaí ; ²Acadêmica do Curso de Psicologia da
Universidade do Vale do Itajaí
61
foi proposto investigar possíveis sintomatologias relacionadas ao transtorno de estresse póstraumático relacionados aos eventos estressores na criança causados pelo impacto da situação;
relacionar suas manifestações e intensidade e avaliar as repercussões e impacto no desenvolvimento
da criança.
MÉTODO
A amostra envolveu 46 crianças e adolescentes com idade entre 7 e 17 anos, provenientes de sete
cidades do Vale do Itajaí/SC que foram atingidas diretamente pelas enchentes.
Das crianças investigadas, transcorridas três semanas das enchentes quando a escala foi aplicada,
nove estavam abrigadas em um colégio que servia de alojamento a 360 pessoas, das quais 90 eram
crianças. Às demais crianças, a coleta de dados foi realizada em suas casas ou em colégio onde
estudavam, após a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido pelos responsáveis.
Como instrumento de coleta de dados foi utilizada uma escala para diagnóstico de Transtorno de
Estresse Pós-Traumático a partir dos critérios do DSM-IV (2002). A escala foi composta de uma
pergunta inicial que solicitava o relato de um fato que aconteceu e que realmente assustou a criança.
Em seguida, apresentava 17 itens para avaliar a manifestação de sintomas, englobando a reexperienciação, evitamento e estimulação excessiva, variáveis relacionadas ao estresse póstraumático.
As respostas eram fornecidas em um valor numérico correspondente à freqüência e à intensidade
dos sentimentos e situações, onde 0 correspondia a nunca; 1 correspondia a uma vez por semana ou
menos; 2 correspondia a 2 a 4 vezes por semana; e 3 correspondia a 5 ou mais vezes por semana. As
informações foram tabuladas por meio de planilha eletrônica e demonstradas através de gráficos,
com distribuição através de freqüência simples e intensidade dos sintomas a partir das respostas
obtidas, conforme critérios do DSM-IV (2002).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os resultados apontaram que a enchente ocorrida na região do Vale do Itajaí em novembro de 2008
constituiu-se como evento causador de intenso medo para a maioria dos participantes da pesquisa.
Isto pode ser evidenciado a partir da pergunta inicial que solicitava o relato de um fato que
aconteceu e que lhe assustou, onde das 46 crianças e adolescentes investigados, 40 relacionaram a
enchente como algo causador de medo.
Os resultados demonstraram que dos 46 sujeitos investigados, 19 apresentaram sintomatologias
relacionadas ao TEPT, conforme evidenciado no gráfico abaixo.
62
51
50
49
48
47
46
45
44
43
42
41
40
39
38
37
36
35
34
33
32
31
30
29
28
27
26
25
24
23
22
21
20
19
18
17
16
15
14
13
12
11
10
9
8
7
6
5
4
3
2
1
0
1
2 3 4
5 6 7
8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46
Sujeitos
Figura 1: Distribuição da freqüência e intensidade da sintomatologia para TEPT apresentada
pelos participantes, considerando os critérios estabelecidos pelo DSM-IV (2002).
Analisando separadamente as categorias, no critério de reexperienciação verificou-se que este
indicador foi o que obteve os maiores escores em cinco das crianças investigadas. Os maiores
índices foram encontrados nos itens: “lembranças aflitivas do evento”, “preocupação em relação a
algo mau que possa acontecer” “agir ou sentir como o evento estivesse ocorrendo
novamente/flashbacks” “esforços no sentido de evitar pensamentos, sentimentos ou conversas
associadas com o trauma” e “resposta de sobressalto/mais assustado”.
No critério de evitação, seis participantes alcançaram os maiores escores, prevalecendo os itens
relacionados ao “esforço/evitamento” e “desinteresse”, que fazem parte do critério B para
transtorno de estresse pós-traumático segundo o DSM-IV (2002).
E no critério de excitabilidade aumentada, três participantes tiveram pontuação máxima nos dois
itens. Verifica-se que no item “sentimento de um futuro abreviado”, três participantes assinalaram
que aquilo que pensavam em relação ao futuro, mudou com grande intensidade, indicador também a
ser levado em consideração em intervenção posterior.
Para maior contextualização da realidade encontrada, ressalta-se que as crianças que apresentaram
maiores escores de estresse e que preencheram os critérios para TEPT com índices mais elevados
em nível de intensidade encontravam-se abrigadas no momento da coleta de dados. Tal realidade
aponta para a necessidade de diferenciar os fatores estressores que podem estar confluindo na
problemática, incluindo os fatores predisponentes e perpetuadores, além da enchente como fator
63
precipitador. Conjuntamente à vivência de uma catástrofe natural, o abandono do lar e as mudanças
de localidade também são considerados fatores de desgaste muito grande para a criança e
adolescente, que tem que adaptar-se às novas estruturas sociais (Baptista, 2008).
Os resultados ainda que limitados devido à utilização de apenas um instrumento foram valiosos
para a identificação precoce de sintomatologias associadas ao evento estressor em consonância com
outras vulnerabilidades pré-existentes, contribuindo para identificação das crianças mais
impactadas. Aquelas identificadas com uma freqüência e intensidade sintomatológica maior foram
chamadas a uma devolutiva e encaminhadas aos serviços da Clínica de Psicologia para suporte
emocional e orientação à família. Esta estratégia teve como intuito mobilizar a rede social e afetiva
disponível.
REFERÊNCIAS
American Psychiatric Association, APA (2002, 4ª ed. rev). Manual Diagnóstico e Estatístico de
Transtornos Mentais – DSM IV-TR.. 4ª Reimpressão. Porto Alegre: Artmed.
Baptista, M. N. (2008). O Impacto do Estresse na Criança. In: Assumpção Jr., F. B. & Kuczynski,
E. Situações psicossociais na infância e na adolescência: contribuições Latino-americana ao
estudo dos agentes estressores na criança (pp. 15-36). São Paulo, SP: Atheneu.
Rodríguez, J; Davoli, M. Z; Pérez, R. (2006). Guía práctica de salud mental en situaciones de
desastres: Serie Manuales y Guías sobre Desastres Nº. 7. Washington, D.C: Organización
Panamericana de la salud.
64
PAINÉIS
DEPRESSÃO E COMPORTAMENTO DE CULPA EM MÃES ENLUTADAS
Maria Cecília de Abreu e Silva
Sulliane Teixeira de Freitas
Jocelaine Martins da Silveira
Universidade Federal do Paraná
[email protected]
INTRODUÇÃO
De acordo com o DSM-IV (2002) a depressão ou episódio depressivo maior caracteriza-se pela
presença de humor deprimido ou perda do interesse e prazer pela maior parte das atividades. Seus
principais sintomas são caracterizados por alterações no apetite ou peso, no sono, e na atividade
psicomotora. Caracteriza-se, adicionalmente, por sentimentos de culpa e desvalia, falta de
concentração, pensamentos recorrentes sobre morte, ideação suicida, planos e/ou tentativas de
suicídio (Manual Diagnóstico e Estatístico das Perturbações Mentais [DSM-IV], 2002). Para o
analista do comportamento, o termo “depressão” descreve um conjunto de subprodutos de
contingências caracterizadas pela predominância de controle aversivo e pela baixa taxa de
reforçamento positivo. A explicação dos comportamentos geralmente descritos pelo quadro
depressão requer uma análise funcional individual dos comportamentos e contextos nos quais
ocorrem.
Um dos contextos nos quais a depressão parece ocorrer com significativa frequência são os casos de
mães enlutadas. A perda de um filho é relatada como uma experiência de difícil impacto na vida
daqueles que a vivenciam. As contingências estabelecidas a partir deste evento costumam ser
sucedidas por mudanças significativas na vida dessas mães, que frequentemente apresentam altos
índices de depressão e de comportamento de culpa. Segundo Freitas (2000) a morte de um filho
abala o equilíbrio familiar e a mãe, freqüentemente, sente mais culpa por ter falhado nos cuidados
maternos, que podem ter contribuído no falecimento. De acordo com Stroebe, Schut e Stroebe
(2007) o luto frequentemente está associado a maior morbidade e mortalidade.
65
Mães enlutadas parecem vivenciar contingências de reforço bastante similares às frequentemente
descritas nos casos das pessoas com depressão. Em geral, apresentam um repertório social que leva
aqueles que estão a sua volta a tornarem-se solícitos e/ou a absterem-se de se comportar de forma
aversiva (Biglan, 1991). Queixas, lamentações, choros e outros comportamentos observados em
quadros de depressão podem ser reforçados por meio de apoio social, como expressões de simpatia
e acolhimento. Ainda que alguns ambientes sejam fonte de reforço social deste tipo, a ausência de
repertório interativo mais assertivo pode tornar a interação potencialmente aversiva. O repertório
social mantido por controle aversivo, desprovido de habilidades sociais, torna as relações sociais
desinteressantes para os indivíduos que interagem com o depressivo, que pode passar a ser evitado
socialmente. Dougher e Hackbert (2003) afirmam que esse padrão de reforço positivo para o
comportamento de depressão, seguido pela extinção, cria um círculo difícil de ser quebrado,
diminuindo a densidade de reforços sociais potenciais para o deprimido.
Para Skinner (1974/2004) deve-se prestar atenção às conseqüências reforçadoras ou punitivas do
comportamento, de modo a compreender as contingências que mantêm tal repertório. O foco de
uma análise ou tratamento deve ser a mudança de comportamento, e não os estados afetivos gerados
pela contingência. Assim, o presente trabalho visa compreender, através de análise de
contingências, as variáveis estabelecedoras e mantenedoras dos quadros depressivos e do
comportamento de culpa em mães enlutadas.
MÉTODO
Participantes
Duas clientes (R. 31 anos, BDI = 25; I. 58 anos, BDI = 36) que foram procuraram atendimento
psicológico na clínica-escola da Universidade Federal do Paraná. As clientes relatavam a
experiência de morte de um(a) filho(a) e apresentavam comportamentos típicos do quadro de
depressão (ex: tristeza, insatisfação, perda de interesse em atividades, idéias suicidas, choro,
irritabilidade, retraimento social). Além disso apresentavam queixa de depressão moderada ou
grave segundo o Inventário de Depressão de Beck – BDI (Beck et al., 1961).
Local
Clínica-escola da Universidade Federal do Paraná.
Materiais e Equipamentos
29 sessões transcritas de psicoterapia (15 - cliente R.; 14 - cliente I.); Filmadora digital Samsung
SMX-C200NXA2; Gravador de audio Panasonic RR-US510; 16 DVDs.
Instrumentos
66
(1) Protocolo de registro das sessões de atendimento; (2)Protocolo de Registro de supervisão;
(3)Ficha de conceituação do caso (Tsai et al., 2009); (4) Funcional Analytic Psychotherapy Rating
Scale – FAPRS (Callaghan et al. 2008); (5) Inventário de Depressão de Beck ("Beck Depression
Inventory – BDI"; Beck et al., 1961).
Procedimento
As clientes foram informadas sobre a pesquisa, e após assinado o Termo de Consentimento Livre e
Esclarecido, foram atendidas por uma Psicóloga com formação em Terapia Comportamental com 5
anos de experiência por 15 sessões (cliente R.) e 14 sessões (cliente I). A cada sessão, a terapeuta
preenchia o Protocolo de Registro da Sessão. As sessões eram seguidas de uma supervisão semanal,
durante a qual a supervisora preenchia o Protocolo de Registro da Supervisão. As sessões foram
transcritas integralmente. Os registros obtidos consistiram nos dados analisados. Foi realizada uma
conceituação do caso, e uma posterior análise de contingências para compreender os objetivos do
presente estudo.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A avaliação realizada por meio do Inventário de Depressão de Beck ("Beck Depression Inventory –
BDI"; Beck et al., 1961) apontou que ambas as participantes encontravam-se significativamente
deprimidas, anos após a data da perda de seus filhos. R. e I. demonstravam comportamentos de
diferentes topografias, mas funcionalmente semelhantes, que pareceram estar significativamente
ligados à manutenção dos respectivos quadros de depressão.
Foi realizada uma conceituação do caso para cada uma das clientes, a partir do modelo da FAPRS,
proposto por Tsai e Al (2009). Na formulação do caso da cliente R foram verificadas as seguintes
classes de comportamento indicadas como O1 e CRB1, ou seja, comportamentos problema que
acontecem dentro e fora da sessão terapêutica : (a) esquiva da estimulação aversiva condicionada
relacionada à morte da filha (b) comportamentos de dependência (c) comportamentos inadequados
na relação com o filho (esquiva do papel de mãe) (d) repertório inadequado no relacionamento
interpessoal em geral.
Para a cliente I. foram identificadas as seguintes classes de comportamentos problemáticos
ocorridos fora da sessão (O1) e na relação com a terapeuta (CRB1): (a) baixa frequência de
variabilidade comportamental (b) comportamentos encobertos de culpa (c) comportamento evitativo
de envolvimento e comprometimento (d) comportamento encoberto de desesperança e
incontrolabilidade (e) comportamentos “ansiosos” e (f) aceitação da morte do filho.
O comportamento de culpa apareceu com grande intensidade, e acompanhado de respondentes
bastante aversivos, para as duas clientes. Parece ser advindo de histórias de vida em que há a
67
responsabilização por perda de coisas significativas, que se estendeu de maneira não adaptativa à
situação de perda do filho. Além disso, também pareceu estar intimamente ligada à reação das
clientes sobre a incontrolabilidade sobre os eventos, que parece ser ainda mais aversiva do que a
própria culpa. Por fim, demonstrou fazer parte das contingências mantenedoras da depressão das
clientes atendidas.
REFERÊNCIAS
Biglan, A. (1991). Distressed behavior and its context. The Behavior Analyst,13, 157-169.
Dougher, M. J.& Hackbert, L. (2003). Uma explicação analítico-comportamental da depressão e o
relato de um caso utilizando procedimentos baseados na aceitação. Revista Brasileira de Terapia
Comportamental e Cognitiva, 2, 167-184.
DSM-IV-TR. Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais. 4ª ed. rev. Porto Alegre,
Artmed, 2002.
Freitas, N. (2000). Luto materno e psicoterapia breve. São Paulo: Summus.
Skinner, B. F. (1974/2004). Sobre o Behaviorismo. São Paulo: Cultrix
Stroebe M, Schut H & Stroebe W. (2007). Health outcomes of bereavement. Lancet, 370:1960-73.
68
PAINÉIS
ESTILOS E PRÁTICAS PARENTAIS MATERNAS E O SEXO DO BEBÊ
Elisa Rachel Pisani Altafim1
Sária Cristina Nogueira2
Olga Maria Piazentin Rolim Rodrigues3
[email protected]
INTRODUÇÃO
O bebê nasce extremamente frágil e dependente. No recém-nascido a necessidade de cuidados é
indispensável para a sobrevivência. Melchiori e Dessen (2008) ressaltam que a dependência inicial
da criança conduz o adulto à tarefa de cuidar e, também, cria a oportunidade para que se estabeleça
uma relação cuidadores-criança que é a base do processo de socialização infantil.
O relacionamento mãe-bebê e sua relação com o desenvolvimento posterior da criança representam
uma área de grande interesse entre os pesquisadores do desenvolvimento infantil. Weber (2004)
ressalta que, quanto mais forte for o vinculo inicial entre a mãe e o bebê, maior a probabilidade de a
criança tornar-se independente no futuro. Esse relacionamento entre mãe-bebê repleto de sons,
cheiros, vozes é vital para a sua história de afetividades futuras (WEBER, 2004).
A família tem um papel fundamental na socialização, desde o nascimento do bebê, porque constitui
o primeiro núcleo social da criança. Ao conjunto de práticas educativas parentais ou atitudes
parentais dos cuidadores que tem como objetivo educar, socializar e controlar o comportamento de
seus filhos, Gomide (2006) define como Estilo Parental. O estilo parental das mães e suas práticas
parentais possuem uma estreita relação com os seus repertórios comportamentais.
Diversas contingências podem atuar sobre o comportamento do bebê e, dentre elas, está o
relacionamento entre pais e filhos. Uma das variáveis apontada pelas pesquisas como um fator de
influência na determinação das práticas parentais é o sexo da criança.
O presente estudo teve como objetivo comparar os estilos e práticas parentais de mães de bebês
considerando o sexo do bebê.
1 UNESP-Bauru, bolsista de mestrado FAPESP; 2 UNESP-Bauru, bolsista de mestrado FAPES; 3 UNESP-Bauru
69
MÉTODO
Participaram do presente estudo 49 mães adultas, com idade entre 20 a 40 anos (M= 27,68), sendo
24 mães de bebês do sexo feminino e 25 mães de bebês do sexo masculino. Os filhos das
participantes tinham de 1 a 22 meses de idade (M = 8,06).
As mães foram identificadas no projeto de extensão “Acompanhamento do desenvolvimento de
bebês de risco: avaliação e orientação aos pais”, que funciona no Centro de Psicologia Aplicada, da
UNESP, Bauru, e em duas creches localizadas no município de Bauru.
O projeto ocorreu no Centro de Psicologia Aplicada (CPA), da UNESP-Bauru, e foi aprovado pelo
Comitê de Ética local (Processo nº. 451/46/01/09). Para a coleta de dados foi utilizado o Inventário
de Estilos Parentais para Mães de Bebês (IEPMB).
Para a realização de pesquisas sobre estilos e práticas parentais com mães de bebês (ALTAFIM;
RODRIGUES; SCHIAVO, 2008; RODRIGUES; ALTAFIM; SCHIAVO; VALLE, 2011;
RODRIGUES; ALTAFIM; SCHIAVO, 2011) incluindo a presente pesquisa, foi elaborado o
instrumento “Inventário de Estilos Parentais para Mães de Bebês” (IEPMB), (adaptado de
GOMIDE, 2006). O IEPMB consta de 25 itens, sendo cinco de cada um dos conjuntos de práticas
parentais: monitoria positiva, punição inconsistente, negligência, disciplina relaxada e abuso físico.
A aplicação do instrumento foi realizada em uma sala de atendimento individual de forma a garantir
privacidade e condições favoráveis para a tarefa. O pesquisador fez a leitura das instruções para o
preenchimento do protocolo junto com a participante, garantindo sua compreensão. Todavia,
permaneceu na sala, disponível para resolver dificuldades de leitura e preenchimento.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Foi verificado que a média dos índices de estilos parentais das mães de bebês do sexo feminino (M
= 1,46; DP = 5,28) foi superior à das mães de bebês do sexo masculino (M = -2,6; DP = 5,94),
segundo resultados do teste t de Student (p= 0,01).
Com relação as práticas parentais foi verifica diferença significativa para a prática monitoria
positiva (p= 0,04), demonstrando que as mães de meninas (M= 9,29; DP = 1,04) utilizam-se mais
dessa prática do que as mães de meninos (M= 8,38; DP =1,91). Nas demais práticas não foram
encontradas diferenças significativas.
A literatura demonstra que há diferenças nas práticas parentais relacionadas ao sexo da criança.
Gomide (2006) encontrou diferenças significativas nas práticas maternas quando comparou o sexo
dos filhos, as práticas comportamento moral e monitoria positiva apareceram mais no relato de
mães de meninas, e as práticas abuso físico e disciplina relaxada foram mais utilizadas com
meninos.
70
O presente estudo demonstra que é possível observar diferenças nos estilos e práticas
parentais relacionadas ao sexo da criança desde as primeiras relações que as mães estabelecem com
seus bebês.
REFERÊNCIAS
ALTAFIM, E.R.P; SCHIAVO, R.A; RODRIGUES,O.M.P.R. Práticas parentais de mães
adolescentes: um estudo exploratório. Temas sobre Desenvolvimento, São Paulo, v. 16, p. 104110, 2008.
GOMIDE, P.I.C. Inventários de Estilos Parentais (IEP): modelo teórico, manual de
aplicação, apuração e interpretação. Rio de Janeiro: Editora Vozes, 2006.
MELCHIORI, L. E.; DESSEN, M. A. A Teoria do Apego: contribuições para a compreensão do
desenvolvimento humano. In: CAPELLINI, V.L.M. F; MANZONI, R. M (Orgs.). Políticas
públicas, práticas pedagógicas e ensino-aprendizagem: diferentes olhares sobre o processo
educacional. São Paulo: Cultura Acadêmica, 2008.
RODRIGUES, O. M. P. R.; ALTAFIM, E. R. P.; SCHIAVO, R. A.; VALLE, T. G. M. Estilos e
Práticas Parentais de Mães Adolescentes: Um Programa de Intervenção. Pediatria Moderna, v.
47, p. 58-62, 2011.
RODRIGUES, O. M. P. R.; ALTAFIM, E. R. P.; SCHIAVO, R. A. Práticas Parentais de Mães
Adultas e Adolescentes com bebês de um a doze meses. Aletheia (ULBRA), 2011 (artigo aceito
para publicação).
WEBER, L. N. D. A evolução das relações parentais: uma abordagem etológica. Psicologia
Argumento; v 22, n.38, p.19-25, 2004.
71
PAINÉIS
GRUPO DE APOIO A PAIS DE CRIANÇAS COM DOENÇAS CRÔNICAS: UM RELATO
DE EXPERIÊNCIA
Larissa Ribeiro Alves – UFPR
Cristiani Aparecida da Silva – UFPR
Chanary Procek – UFPR
Ana Paula Viezzer Salvador – UFPR
Lidia Natalia Dobrianskyj Weber
[email protected]
INTRODUÇÃO
A grande dificuldade na adesão ao tratamento de doenças crônicas, fez com que o Serviço de
Ambulatório Médico (SAM 2) do Hospital das Clínicas da Universidade Federal do Paraná,
responsável pelo atendimento pediátrico de crianças com diversas patologias, entre elas
gastroenterologia e hepatologia pediátrica, procurasse alguma forma de apoio psicológico à família
de pacientes atendidos. A principal queixa relatada pelos médicos pediatras do ambulatório se
referia a pouca adesão das famílias ao tratamento e a dificuldade dos pais em estabelecer regras e
limites relacionados à dieta alimentar, uso de medicações e comparecimento às consultas médicas.
A adesão ao tratamento é definida por Guimarães (1999, citado em Picanço, 2006) como um
conjunto de comportamentos emitidos em resposta às recomendações médicas. De acordo com o
autor, uma doença crônica pode esgotar os recursos de enfrentamento e adaptação exigindo da
família uma alteração e/ou aprendizagem de estratégias de solução de problemas, assim como
redefinição de papéis e funções dentro da família.
O suporte emocional dos pais, estabelecendo limites necessários para a condução da doença e
possibilitando que a criança expresse suas emoções, facilita a melhor adaptação da criança à
realidade da doença e às exigências do tratamento, como explica Martin e cols. (1998, citado em
Picanço, 2006). No entanto, a literatura aponta a exposição prolongada a estressores muito severos
72
como principal problema enfrentado pelos pais (Lima & Enumo, 2001, citado em Picanço, 2006;
Alonso, 2008, citado em Bermudez, Weber, Parolin, Coelho e Celli, 2011).
Entendendo as dificuldades que se apresentam às crianças em decorrência da doença, ressalta-se a
importância de os pais precisarem encontrar-se bem, física e mentalmente, para propiciarem ao
filho o apoio necessário, proporcionando-lhes melhor qualidade de vida. A pesquisa se justifica por
identificar as possíveis dificuldades que os pais encontram na realização desta tarefa, delineando
mais claramente os problemas enfrentados pelas famílias e permitindo a criação de propostas de
intervenção.
MÉTODO
O trabalho foi realizado em duas etapas: os três primeiros meses foram voltados à coleta e análise
de dados com os pais das crianças atendidas, e os outros nove meses à intervenção com os pais e as
crianças.
Na fase de coleta de dados, 19 pessoas responderam ao questionário. Na fase de
intervenção, 85 pais freqüentaram os grupos, sendo que alguns destes participantes se repetiam ao
longo dos meses de acordo com as datas de consultas no ambulatório. A faixa etária dos pais variou
entre 19 a 53 anos, sendo 53 participantes do sexo feminino e 32 do sexo masculino. Participaram
dos grupos das crianças/adolescentes, ao longo da intervenção, 90 integrantes, com idades entre
dois e 16 anos, sendo 38 do sexo feminino e 52 do sexo masculino. Os pais e seus filhos
participavam dos grupos na ocasião de sua consulta médica no ambulatório (que eram marcadas em
média uma vez por mês).
A coleta de dados, realizada em encontros semanais, teve por objetivo identificar a demanda dos
pais através de um questionário com 22 questões abertas, possibilitando uma avaliação qualitativa.
As questões visavam investigar as estratégias de enfrentamento das famílias diante da doença e das
rotinas hospitalares, o estado emocional e psicológico da família e dados como idade, sexo e
escolaridade dos pais e da criança, patologia diagnosticada, tempo de tratamento, medicamentos em
uso e rotina da família.
Na segunda etapa os grupos eram realizados semanalmente com a duração de duas horas, sendo
dividido em dois grupos, um composto pelos pais/responsáveis e outro pelas crianças/adolescentes.
O primeiro era caracterizado como grupo de apoio para os pais/responsáveis que tinham a consulta
médica de seu filho agendada para aquele dia, e contemplava troca de experiências, angústias,
perspectivas quanto ao tratamento e recuperação das crianças, bem como aspectos de enfrentamento
da família diante da doença e rotinas hospitalares. Estes temas eram abordados através de minipalestras, com duração de trinta minutos, com posterior espaço para discussão e relatos de
experiência. Os grupos eram compostos, em média, por aproximadamente cinco pessoas. Com o
73
passar dos encontros, notou-se que o mais pertinente era a troca de experiências entre os
participantes do grupo com apontamentos e questionamentos relacionados aos cuidados dos pais
para com os filhos. Diante disto, o formato dos encontros passou de mini-palestras para grupo de
apoio terapêutico.
Paralelamente, no grupo das crianças/adolescentes trabalhou-se de maneira lúdica, com foco em
identificar as principais questões sobre a doença e suas restrições, para depois propor reflexões. O
grupo das crianças/adolescentes possuía um formato mais aberto e livre, por abranger diferentes
faixas etárias, contemplando atividades semi-dirigidas que envolviam jogos, desenhos, leituras, que
abordassem temas como: doença, escola, família, medo e preconceito.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Na fase de coletas de dados identificaram-se aspectos relevantes, que embasaram o levantamento de
possibilidades de intervenção. Um dado relevante mostrou que 84,21% dos pais gostariam de mudar
como se sentiram com a doença do filho. Outro elemento significativo foi que 50% dos pais
relataram que tiveram dificuldades para impor regras e limites e para manter diálogo com os filhos
após o diagnóstico. Quando indagados sobre o trabalho da psicologia, 36% dos pais afirmaram que
sentiram necessidade de acompanhamento psicológico e 12% que estavam em acompanhamento.
Um resultado de grande expressão foi que, após o diagnóstico dos filhos, 100% dos pais desejaram
que a situação acabasse ou desaparecesse de alguma forma.
Os pais desempenham papel fundamental na adesão ao tratamento da criança, servindo como
modelo de comportamento e apoio à criança enferma. Para auxiliar nesta questão, foram
desenvolvidas mini-palestras com formato interativo. Com o passar dos encontros percebeu-se a
necessidade dos pais em realizar uma troca de experiências entre eles. Como mencionado por
Picanço (2006), dificuldades emocionais decorrentes da realidade imposta pela doença e rotinas
hospitalares tornam-se fontes de estresse e em muitos casos não há um repertório para lidar com
essas novas contingências. Aos poucos, a configuração dos encontros foi alterada, que passou ao
formato de grupo de apoio semi-dirigido, no qual alguns temas previamente definidos eram
trabalhados concomitantemente com a troca de experiências dos pais, como forma de minimizar o
estresse relatado pelos participantes. O espaço era aberto e permitia que as acadêmicas sanassem as
recorrentes dúvidas dos participantes com relação à educação dos filhos. Ao final de um ano e meio
o resultado foi bastante satisfatório. O feedback recebido dos próprios pais, que tiveram a
oportunidade de relatar o que mudou na sua relação com o filho e com a doença após a realização
dos grupos. Relataram que conseguiram impor mais regras, como fazer com que o filho tomasse o
remédio na hora certa e seguisse a dieta, aumentando, assim, a adesão ao tratamento. Relataram
74
também que o espaço era muito benéfico pela troca de experiências com outros pais, pois além de
ser um lugar para conversar e desabafar era também um lugar onde descobriam, através do relato de
outros pais, novas possibilidades para lidar com a doença do filho.
REFERÊNCIAS
Bermudez, B. E. B. V., Weber, L. N. D., Parolin, M. B., Coelho, J. C. U., e Celli, A. (2011). A
adolescência de pacientes submetidos a transplante hepáticos. Adolescência & Saúde, 8, 18-31.
Picanço, C. S.C. (2006) Insuficiência renal crônica: Práticas educativas parentais e adesão infantil
ao tratamento. Dissertação de mestrado, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis,
Santa Catarina, Brasil.
75
PAINÉIS
FAMÍLIAS DE JOVENS ABRIGADOS: DIÁLOGOS E SENTIDOS CONSTRUIDOS
Nadine de Biagi Ziesemer
Marie Ballande Romanelli
Doriana Gaio – IFPR
Silvia Queiroz
Maria Angélica Pizani – IFPR.
[email protected]
INTRODUÇÃO
O Grupo de Estudos, Pesquisa e Extensão do Cuidado (GEPEC) faz parte do Programa Rede de
Cuidado, desenvolvido por professores e alunos do câmpus Curitiba do Instituto Federal do Paraná
(IFPR) e atua no cuidado integral dos diversos ciclos de vida. Atendendo a vertente que atua com
crianças/adolescentes e seus familiares, foram desenvolvidas atividades na Chácara Padre Eduardo
Michaelis (4 Pinheiros) em Mandirituba, região metropolitana de Curitiba.
A Chácara 4 Pinheiros é uma organização não governamental que atende 80 crianças/adolescentes,
do sexo masculino, tendo como missão oferecer educação integral à estas pessoas em
vulnerabilidade social; possibilitando-lhes a autonomia e a cidadania, assim como a reconstrução
dos vínculos familiares e a reintegração à comunidade, oportunizando seu desenvolvimento físico,
mental, moral, espiritual e social. A chácara é reconhecida internacionalmente por seu trabalho de
incentivo ao protagonismo juvenil. Nela são desenvolvidas atividades de acompanhamento escolar,
acompanhamento familiar, acompanhamento psicológico, formação profissional, atendimento
médico-odontológico, capoeira, futebol, música, inglês, informática, serigrafia, horta agroecológica,
artesanato, reciclagem e floricultura.
O abrigamento é uma medida de proteção que se constitui como moradia temporária para
crianças/adolescentes que tenham tido seus direitos violados e envolve a retirada de uma
criança/adolescente do convívio com seu contexto social, para protegê-la. A retirada de uma
criança/adolescente da sua família para a colocação em abrigo por medida de proteção é uma
medida excepcional e temporária (ECA, 1990). Além disso, o Estatuto também reforça a
necessidade do abrigo continuar mantendo os laços familiares das crianças e adolescentes
abrigados, buscando o retorno familiar.
76
Apesar disso, vários autores estudam as questões relacionadas ao desabrigamento, ao
processo de acolhimento e ao retorno familiar, mostrando seus problemas, sobretudo no que se
refere à integração das políticas públicas e sua execução (SILVA e NUNES, 2004; AZOR e
VECTORE, 2008; SIQUEIRA e DELL´AGLIO, 2007; VASCONCELOS, YUNES e GARCIA,
2009; SIQUEIRA et AL, 2010). Percebe-se a partir destes estudos a necessidade de se acompanhar
as famílias, de ouví-las e promover encontros que favoreçam o restabelecimento de vínculo e a
construção de parcerias e redes de apoio.
Neste sentido, o presente trabalho teve como objetivo apresentar experiências de encontros de
famílias de crianças e jovens abrigados na Chácara 4 Pinheiros, em Mandirituba-Pr.
MÉTODO
A metodologia de trabalho consistiu em dois encontros com familiares de criança/adolescentes
abrigados em 4 Pinheiros, a partir de um trabalho envolvendo diversas instituições, integrando
profissionais/pessoas de diferentes áreas do conhecimento.
Os participantes da pesquisa foram 30 familiares de 80 crianças/adolescentes abrigados na Chácara
4 Pinheiros. As proponentes do trabalho foram professoras do IFPR nas áreas de Psicologia,
Enfermagem e Saúde Bucal, contando com alunos bolsistas sociais dos cursos técnicos: Produção
de Áudio e Vídeo, Enfermagem e Massoterapia. Os encontros foram previamente discutidos e
planejados pelas professoras do IFPR com os profissionais da chácara e professores de um projeto
de extensão da UFPR.
As reuniões foram realizadas na sede da Associação Brasileira de Amparo à Infância (ABAI), uma
ONG parceira do abrigo, além de um Grupo de Voluntários da Igreja do Cabral. As atividades
aconteceram em dois domingos. Pela manhã com atividades de desenvolvimento da família e
durante o almoço e período da tarde, encontro e confraternização das famílias com os
crianças/jovens abrigados.
No primeiro dia foi trabalhado o desenvolvimento das crianças e jovens e as necessidades próprias
de cada fase, como algo natural do desenvolvimento humano.
Após a exposição, os familiares foram divididos grupos, cada um com um moderador (professoras e
alunos do IFPR e voluntários da Igreja do Cabral). Em cada grupo o moderador orientou os
participantes a pegarem uma figura que lembrasse algo positivo e negativo do relacionamento com
o jovem que veio encontrar (que se encontra abrigado na chácara). O moderador escutou a
explicação da pessoa e sintetizou em uma palavra-chave o teor do conteúdo. Esta mesma atividade
foi realizada na Chácara 4 Pinheiros com os jovens. No segundo encontro foi retomada a atividade
com as famílias e com os jovens.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os pontos negativos trazidos pelos familiares foram: maus tratos; desobediência; violência; quebra
de relacionamento/isolamento; nervosismo/revolta; pobreza e bebida; sendo negativo para as
77
crianças/adolescentes: pai alcoolista; violência, drogas; uso de armas; morte; falta de dinheiro e
condições ruins de vida.
Os pontos positivos relatados pelas famílias foram: amor; mudança de vida; apoio; amizade;
carinho; felicidade; fé; família é tudo; união. Pelas crianças/adolescentes: amor/carinho; confiança;
amizade; família unida; fortalecimento; respeito e interesse.
Os resultados deste levantamento apresentaram semelhanças. Evidenciou-se o interesse dos
familiares e das crianças/adolescentes na reaproximação; mas que para que o retorno familiar seja
efetivo a família precisa se reorganizar, tanto em relação às questões afetivas e de construção de
relacionamento, quanto em relação às questões de sobrevivência, renda, trabalho, moradia,
violência e de atenção individual à saúde (dependência química).
O trabalho constitui-se como uma porta de diálogo, momento de escuta e troca de experiências entre
as diversas famílias que têm em comum um jovem abrigado.
Estes encontros reforçam a
necessidade de interação e de fortalecimento das famílias em relação aos desafios pelos quais
passam e as estratégias encontradas para a superação dos problemas. Além disso, estas atividades
possibilitaram aos professores e alunos o contato com realidades que estimulam o cuidar do outro,
desenvolvem o respeito e a cidadania.
REFERÊNCIAS
Estatuto da Criança e do Adolescente. Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990. Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil/LEIS/L8069.htm>. Acesso em: 6/9/2008.
SILVA, M. R. D. da; NUNES, K. da S. Avaliação e diagnóstico do processo de reinserção familiar
e social de crianças e adolescentes egressos de uma casa de passagem. Cogitare enferm; 9(1):
42-49, jan.-jun. 2004.p. 42-49.
AZOR, A. e VECTORE, C. Abrigar/desabrigar: conhecendo o papel das famílias nesse processo.
Estud. psicol. (Campinas) [online]. 2008, vol.25, n.1, pp. 77-89.
SIQUEIRA, A. e DELL'AGLIO, D. Retornando para a Família de Origem: Fatores de risco e
proteção no Processo de Reinserção de uma Adolescente Institucionalizada. Rev. bras.
crescimento desenvolv. hum. [online]. 2007, vol.17, n.3, pp. 134-146.
SIQUEIRA, A.; ZOLTOWSKI, A.; GIORDANI, J.; OTERO, T.; DELL´AGLIO, D. Processo de
reinserção familiar: estudo de casos de adolescentes que viveram em instituição de abrigo.
Estudos de psicologia. vol. 15, n. 1, pp. 7-15., 2010.
78
PAINÉIS
ADOÇÃO HOMOAFETIVA
Hellen Tsuruda Amaral
Vitoria Baldissera de Souza
Rafael Gomes Amaral da Silva
Leiliane Silva do Nascimento
Lidia Natalia Dobrianskyj Weber
Núcleo e Análise do Comportamento, Universidade Federal do Paraná
[email protected]
INTRODUÇÃO
A família homoafetiva é uma nova configuração familiar, que ainda sofre diversas formas de
preconceito, enfrentando múltiplas dificuldades, como por exemplo quando busca a adoção. A
adoção por pessoas homossexuais ainda enfrenta muitos desafios.
Alguns estudos indicam não haver diferenças significativas entre famílias compostas por
heterossexuais e homossexuais, tais como Erich, S.;Hall, S. K.; Kanenberg, H.; Case, K. (2009) e
Tan e Baggerly (2009), mas o assunto ainda possui pouca visibilidade, carece de pesquisas e
legislação. Deve ser analisado se a adoção homoafetiva oferece benefícios aos adotandos e
adotantes; se as famílias compostas por homossexuais oferecem um ambiente adequado à criação de
filhos; e ate mesmo se o que muda na homoparentalidade é significativo em relação à parentalidade
heterossexual. Segundo Weber, Sviech, e Kaniak, (2004), através do levantamento de pesquisas e
demais documentos acerca da adoção por homossexuais e entrevistas com pessoas com esta
orientação sexual, havia diversos indicativos favoráveis à adoção homoafetiva.
Essa pesquisa objetivou avaliar a literatura existente sobre a adoção por homossexuais, bem como a
análise biográfica de homossexuais que são pais (por adoção ou pela biologia) e a opinião sobre
adoção de pessoas homossexuais sem filhos. Procurou-se compreender aspectos específicos da vida
familiar homossexual; investigar aspectos acerca de filiação e verificar as consequências e fatores
de risco ou de proteção acerca de criação de filhos por casal homoafetivo.
79
MÉTODO
1) Revisão de Literatura Sistemática
Foram analisadas 128 pesquisas qualitativas e quantitativas obtidas nas seguintes bases de dados:
Ovid, Psycinfo, Science Direct, Scielo e Google Acadêmico. Procedimento de análise: foram
buscados os cruzamentos “adoption+gay”; “adoption+homosexual”; “adoption+lesbian”. Enquanto
que nas bases de dados nacionais, além dos cruzamentos acima (mas em português, “adoção+gay”,
“adoção+homossexual”;
“adoção+lésbica”), foram também pesquisados os termos: “adoção
homoafetiva”; “adoção por casal homoafetivo”.
2) Pesquisa Empírica
a) Participantes: 16 pessoais, com idade entre 18 e 55 anos, de ambos os sexos, provenientes de
diversas cidades do Brasil e de orientação sexual homossexual. Houve dificuldade em se encontrar
pessoas da amostra desejada, portanto mesmo com um número relativamente baixo de sujeitos, o
número de participantes da pesquisa é considerável.
b) Instrumentos: Foram elaborados dois questionários distintos, um para os participantes que
possuem filhos, outro para os que não possuem filhos. O questionário são compostos por questões
qualitativas e também pelas Escala de Qualidade de Interação Familiar – EQIF – (Weber,
Brandenburg & Viezzer, 2003); Escala de autoestima de Rosenberg.
c) Procedimento: Os sujeitos da pesquisa foram encontrados através de anúncios nas comunidades
do site de relacionamento Orkut. Foram selecionadas as comunidades que apoiam os direitos
homossexuais e a adoção. Os questionários e termo de consentimento foram enviados por email aos
participantes e após preenchimento, recebidos também via email.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Percebeu-se que 87,5% dos sujeitos informaram as suas famílias que são homossexuais; 68,8%
alegaram ter aceitação da família e 50,0% sofreram discriminação em função da orientação sexual.
Dentre os que desejam ter filhos, o motivo mais recorrente é amplo e subjetivo, ou seja, ressaltam
que seria a realização de um “sonho” (56,3%), mas 68,8% acreditam que o filho sofreria algum tipo
de preconceito e 62,5% não creem que a sua orientação sexual influenciaria a orientação do filho.
Boa parte dos entrevistados foi indiferente em relação ao gênero de um futuro filho (43,8%) e
metade indicou alguma preferência pela cor da pele, sendo as crianças pardas as mais citadas (25%
do total). A maior parte dos entrevistados acha que a idade da criança é relevante no processo de
escolha (56,3%) e os bebês de até um ano foram os preferidos. Foi recorrente o discurso de que a
chegada de um filho “mudaria tudo”, sendo as alterações na rotina e nas prioridades algumas das
mais lembradas. Verificou-se que 87,5% dos entrevistados tem autoestima média. Também foi
80
aplicada a Escala de Qualidade de Interação Familiar (Weber, Brandenburg & Viezzer, 2003) e
concluiu-se que a maioria dos participantes, quando analisados quanto a envolvimento, regras,
punição corporal, comunicação e modelo dos pais tiveram escore médio. Do total de literatura
pesquisada, 32,03% limitaram-se apenas à descrição de dados, 11,72% chegaram a conclusões
negativas acerca da homoparentalidade, afirmando que pais e filhos sofrem mais preconceito e que
isso prejudica o desenvolvimento biopsicossocial; 56,25% apontaram conclusões positivas quanto à
adoção realizada por homossexuais com bom ajustamento psicossocial das crianças e pais.
Concluiu-se, portanto, que a adoção por homossexuais não apresenta diferenças significativas em
relação àquela realizada por heterossexuais, não justificando a negação desse direito a essas
pessoas.
Agradecimentos
Aos entrevistados que cederam seu tempo e se expuseram para a viabilização desta pesquisa. Ao
CNPq pela Bolsa de Iniciação Científica da primeira autora.
REFERÊNCIAS
Erich, S.; Hall, S. K.; Kanenberg, H.; Case, K. (2009). Early and late stage adolescence: Adopted
adolescents' attachment to their heterosexual and lesbian/gay parents. Adoption Quarterly 12,
152-170.
Tan, T. X.;Baggerly, J. (2009). Behavioral adjustment of adopted Chinese girls in single-mother,
lesbian-couple, and heterosexual-couple households. Adoption Quarterly, 12, 171-186
Weber, L. N. D.; Sviech, E. M. A.; Kaniak, V., (2004). Adoção por homossexuais: análise de 13
anos de literatura. XI Encontro Brasileiro de Psicoterapia e Medicina Comportamental,
Campinas..
Weber, L. N. D.; Brandenburg O. J. & Viezzer A. P. (2003). Validação do Instrumento EQIF
(Escalas de Qualidade de Interação Familiar)[Resumo] Anais do XII Encontro Anual da
Associação Brasileira de Medicina e Psicoterapia Comportamental (p.276). Londrina: ABPMC.
81
PAINÉIS
RELAÇÃO ENTRE PRÁTICAS PARENTAIS, ESTILOS DE AMOR E ESTILOS DE
APEGO DE BOWLBY
Kharina Ribeiro Guides – UFPR
Cristina Lopes Pereira – UFPR
Larissa Ribeiro Alves – UFPR
Lidia Natalia Dobrianskyj Weber – UFPR
[email protected]
INTRODUÇÃO
Diversos estudos apontam como as práticas adotadas pelos pais para com seus filhos, bem como a
qualidade do relacionamento familiar, influenciam consideravelmente as relações interpessoais
futuras, inclusive as relações amorosas românticas. A elaboração da teoria dos estilos de apego
desenvolvida por Bowlby (1984a, 1984b, 1988) reforça esse conceito, ela aponta como a exibição
da criança a práticas parentais de baixo ou alto envolvimento podem ter como consequências
análogas formas de se apegar. A teoria do apego auxilia na compreensão do nascimento dos estilos
de amor, uma vez que a capacidade de apegar-se é uma competência inata (Silva, 2009), porém, o
estilo de apego que determinada pessoa irá desenvolver não é inato, depende em grande
porcentagem de seu cuidador, como mostra a teoria de Bowlby. No que diz respeito aos
relacionamentos amorosos, a teoria de Alan Lee (1973), afirma que o amor não é algo que pode ser
quantificado, apenas que pode apresentar-se diferente, e classificou em seis estilos principais,
divididos em três estilos de amor primários (Eros, Ludus e Storge) e três secundários, que são:
Mania (junção de Eros e Ludus), Pragma (junção de Ludus e Storge) e Ágape – junção de Eros e
Estorge.
A presente pesquisa visou verificar as relações entre a percepção da qualidade de interação familiar
pregressa, os estilos de apego e os estilos de amor aprendidos de homens e mulheres.
82
MÉTODO
Participantes
Fizeram parte desta pesquisa 149 pessoas de ambos os sexos de diferentes estados civis, com idade
entre 16 e 65 anos, dos quais 14,7% estavam sem parceiro amoroso e 85,3% estavam em um
relacionamento amoroso no momento da pesquisa. Os participantes foram encontrados por
conveniência em instituições e em suas próprias casas.
Instrumentos
O questionário elaborado ficou composto por 281 questões, divididas em cinco questões
iniciais sobre dados demográficos e as seguintes escalas: Escala de Qualidade na Interação Familiar
(Weber, Brandenburg & Viezzer, 2003), Escala de Estilos de Amor (Hendrick, Hendrik & Dicke,
1996), Escala de Experiências em Relações Amorosas e Apego (Bartolomew & Horowitz, 1991) e
Inventory of Parent and Peer Attachment – IPPA (Armsden & Greenberg, 1987).
Procedimentos
A pesquisa foi dividida nas seguintes etapas: 1. Revisão de Literatura referente ao tema; 2.
Elaboração do questionário (basicamente simultaneamente à etapa seguinte); 3. Elaboração do
método da presente pesquisa; 4. Contato com os participantes; 5.A aplicação do questionário; 7.
Análise de dados; 8. Resultados e discussão. Os dados obtidos foram analisados através do
programa SPSS (Statistical Package for the Social Science), um programa de estatística que permite
trabalhar com dados numéricos.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os estilos de amor foram categorizados em baixos, médios e altos escores, com objetivo de uma
análise mais detalhada das relações de cada estilo com as dimensões das escalas utilizadas, uma
vez, apesar de haver predominância de um estilo de amor, outros estilos podem aparecer de
maneira significante em cada indivíduo.
As relações apresentadas entre as dimensões de praticas parentais e os estilos de apego e amor
apontam como os filhos aprenderam modelos de apego com os pais. Na analise da escala EQIF, as
dimensões “punição” e “comunicação negativa” por parte do pai correlacionaram-se positivamente
com o estilo de amor Ludus (r=0,211; p<0,05). A menor comunicação com os amigos se
relacionou negativamente com o estilo de amor Mania (r= - 0,170; p < 0,05), ou seja, quanto menor
a comunicação com os amigos, maior esse estilo, que se caracteriza pela insegurança e baixa
autoestima.
O estilo de amor Storge foi o que apresentou maior número de relações estatisticamente
significativas com as dimensões de práticas parentais avaliadas pela EQIF, mostrando que os
83
participantes que apresentaram alto escore no Estilo de amor Storge também apresentaram altos
escores nas dimensões positivas da EQIF. Todas as dimensões não coercitivas paternas e maternas
se relacionaram a esse estilo, lembrando que o estilo Storge se desenvolve aos poucos, e se
caracteriza por alto envolvimento, bem como dedicação de atenção e de compartilhar os valores
com o parceiro.
Quanto aos estilos de apego, o baixo apego com os amigos apresentou relação estatisticamente
significativa (x²= 13,361; gl=6; p<0,05) com o estilo de apego Receoso (43,2%). O médio e alto
apego com os amigos se relacionaram ao estilo de apego Seguro. Os dados também revelam, por
meio do teste Anova, uma tendência das pessoas com estilo de apego Seguro (F=26,27%)
apresentarem maior Comunicação com Amigos. O apego total com os amigos, por sua vez, teve as
seguintes correlações com as dimensões da EQIF: Clima Conjugal dos pais (r=0,340; p<0,001),
Modelo da mãe (r=0,335; p<0,001) e Sentimentos para com a Mãe (r=0,318; p<0,001).
Foi observado que quanto maior o apego com os amigos, maior é o escore obtido pelo participante
no Estilo de Amor Storge (r=0,175; p<0,05), dado que é coerente com a literatura, uma vez que
esse estilo surge de uma amizade profunda. É possível verificar como um ambiente familiar com
acolhimento influencia no desenvolvimento de comportamentos seguros e da auto-estima, uma vez
ligados a um estilo de amar sem grandes preocupações quanto à distância, e o não temor de um
envolvimento afetivo.
Agradecimentos: Aos entrevistados ; ao CNPq pela Bolsa de Iniciação Científica da primeira
autora.
REFERÊNCIAS
BOWLBY, J., 1984.a, Apego - Apego e Perda, - vol. 1 da trilogia Apego e Perda, São Paulo, Ed.,
Martins Fontes.
BOWLBY, J.,1984.b, Separação - Angústia e Raiva, - vol. 2 da trilogia Apego e Perda, São Paulo,
Ed., Martins Fontes.
BOWLBY, J. Cuidados maternos e saúde mental. São Paulo: Martins Fontes.1988
SILVA, A. A. da. Relacionamento amoroso: como encontrar sua metade ideal e cuidar dela. São
Paulo: Publifolha, 2009.
84
PAINÉIS
SÍNDROME DE DOWN E AS RELAÇÕES FAMILIARES
Rafaela de Carli ¹
Mariane A. Fracaro²
Andressa L. Picolo ³
INTRODUÇÃO
O estudo acerca das relações familiares, sendo o filho uma criança com síndrome de Down (SD) é
relevante, pois, de acordo com Fernanda Rodriguez (2006), muitas são as pesquisas realizadas pelo
Ministério da Saúde, as quais evidenciam que inúmeras famílias desenvolveram estratégias de
sobrevivência emocional diversas, o que lhes permite manter-se, por um longo período, no estado
de preocupação primária especial.
Rodriguez (2006) nos fala que ao planejar a vinda de um filho ou filha, há uma tendência em
sempre idealizarmos uma criança perfeita, bonita, saudável, com olhos azuis ou negros. Além disso,
imaginamos ainda, que essa criança realizará os projetos e desejos que nós pais não conseguimos
por em prática, ou seja, com os filhos a nossa esperança é que através deles se materializem os
nossos sonhos, como, por exemplo, sendo o médico ou o advogado que o pai queria ser, mas não
teve oportunidade. Para esclarecer melhor essa afirmação, a autora apresenta o seguinte argumento:
O desapontamento de que um filho não seja perfeito oferece uma ameaça ao
ego de muitos pais e um desafio a seus sistemas de valores, esse choque em
relação a expectativas anteriores cria relutância para aceitar o filho como
uma pessoa de valor, em desenvolvimento. (SMITH, 1985 apud
RODRIGUES, 2000, p. 188).
A chegada de um novo bebê em casa faz com que através de um meio natural, os pais dêem
prioridade a ele na maior parte do tempo. Quando o bebê que chega tem a SD, esse desvio da
atenção pode ser ainda maior, os pais estarão lidando com suas próprias emoções e com essa nova
informação em suas vidas, que é a síndrome de Down. Conforme o tempo passa e a criança cresce e
_________________________________
1 – Acadêmica do sexto período do curso de Psicologia da Faculdade de Pato Branco – FADEP
2 – Acadêmica do sexto período do curso de psicologia da Faculdade de Pato Branco – FADEP/ e-mail:
[email protected]*
3 – Acadêmica do sexto período do curso de psicologia da Faculdade de Pato Branco – FADEP
85
a atenção que se refere às suas necessidades médicas, escolares e sociais continua seguindo o seu
desenvolvimento. Irmãos, mesmo sabendo que existem motivos para isso, estão conscientes de que
os holofotes podem estar sobre seu irmão com SD em um tempo desproporcional e injusto, fazendo
com que a atenção dos pais seja menos compartilhada com os outros membros da família.
É relevante discutir a atuação do psicólogo, segundo a mesma autora, Fernanda Rodriguez (2006),
nestes casos, dando instruções e apoio a família que sabe do diagnóstico do filho portador de
deficiência mental. O estudo proposto limita-se a apresentar a relação entre a criança com síndrome
de Down e sua família, exprimindo sua evolução e os princípios que regem a relação em questão,
temos por objetivo geral, investigar as interações familiares da pessoa com Síndrome de Down e a
sua aceitação neste ambiente social.
MÉTODO
Podemos enquadrar este estudo entre as pesquisas exploratórias. De acordo com Gil, (1991, p. 45)
visando proporcionar maior familiaridade com o problema em pauta, buscando torná-lo mais
explicito e podendo elaborar hipóteses. As características de determinadas pesquisa são agregadas
pelo aprimoramento de idéias e descoberta de intuições. A pesquisa exploratória aprofunda o
conhecimento da realidade, pois explica os acontecimentos, ou seja, os participantes serão
indivíduos que possuem relações extremamente próximas á membros em condições de deficiência.
Outro modelo de pesquisa a ser utilizado é a pesquisa bibliográfica, Gil (1991, p.48 e 50) define a
mesma como aquela desenvolvida a partir de materiais já elaborados, constituídos de artigos
científicos e livros.
ANÁLISE DOS DADOS
Depois de realizadas as entrevistas com quatro mães de crianças com necessidades especiais, as
respostas foram comparadas e analisadas, e a partir disso, chegou-se a conclusão de que os
primeiros passos para os indivíduos os quais estão diretamente relacionados com a doença é
identificar questões e tarefas básicas, por exemplo, entender a si mesmo (seus sentimentos e suas
reações); entender como outras pessoas se sentem e qual o efeito que o nascimento pode ter sobre
elas; entender a síndrome de Down (características e causas) e principalmente entender o bebê com
SD, sendo possível abranger isso através da relação com o mesmo e das experiências cotidianas.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
De maneira geral, os entrevistados relatam considerar de extrema importância a tentativa em viver
um dia de cada vez ao lado da criança com síndrome de Down, sem pensar demais criando
expectativas para o futuro. É necessário que haja calma e tolerância diante de tal “desafio” e
86
principalmente lembrar-se de que toda a família possivelmente sente-se perturbada e irritada com a
situação, mesmo que esses fatores não sejam nitidamente demonstrados.
De fato, a idade da mãe é a única conseqüência que foi associada de forma consistente a uma
probabilidade de ter um filho com síndrome de Down. Cunningham (2008) cita que, antes das
grandes descobertas genéticas, havia opiniões científicas de que a SD era um retrocesso a uma
forma mais primitiva de ser humano, até os macacos. O apelido “mongolóide”, para pessoas com
síndrome de Down, vinha de uma crença de que eles eram uma subespécie a raças não-européias
mais primitivas.
Dentre estudos visando tratamento á síndrome de Down, há tentativas em bloquear o RNA
mensageiro o qual diz para a célula produzir mais, pois foram identificados genes que levam uma
expressão exagerada de proteínas em pessoas com síndrome de Down. Porém essa é uma tarefa
complexa que ocorre no interior da célula e por enquanto é mais teórica do que prática. Outra
alternativa, é buscar a desintoxicação por meio da dieta e da medicação. Isso não reduziria o
problema durante a gestação, mas poderia ter um efeito logo após o parto e reduzir as lesões no
cérebro em crescimento ou os problemas posteriores que são associados a alguns aspectos do
envelhecimento prematuro dos SD. (Cunningham, 2008)
Na medida do possível, os psicólogos realizam um trabalho visando propor algumas orientações á
esses sujeitos e seus responsáveis, estimulando-os á sentirem-se úteis e capazes de melhorar sua
realidade sempre. Percebe-se que a base para tal aproximação é através conversa, onde se mostra
que todos nós temos algo em especial. Busca-se uma forma e sentido de alcançar estas crianças e
adolescentes usando toda a sinceridade e criatividade.
Foi possível através da conclusão do presente trabalho, agregar conhecimentos práticos conjuntos
ao aparato teórico, os quais são de grande relevância para a formação acadêmica. Através do
mesmo foi possível reunir e fornecer conhecimentos importantes para a área, ampliando a visão da
SD e das relações familiares que a cercam, seguindo de uma visão pura e sem estigmas.
REFERÊNCIAS
CUNNINGHAM, C. Síndrome de Down: Uma introdução para pais e cuidadores. 3. ed. Porto
Alegre: Artmed, 2008.
GIL, Carlos A. Como elaborar projetos de pesquisa. 3 ed. São Paulo: Atlas, 1996.
SILVA, Nara L. P; DESSEN, Maria A. Interação em Psicologia. Brasília: [n.a], p. 167-176, 2002.
87
PAINÉIS
REDE COMUNITÁRIA - INTEGRANDO SABERES SOCIAIS E ACADÊMICOS PARA O
DESENVOLVIMENTO HUMANO
Maria Angélica Pinto Nunes Pizani
Silvia Maria Prado Lopes Queiroz
Co-autores: Anair Carlos de Castro
Andrea dos Santos Rodrigues
Alais Claudino Kryminice
Angela Letícia Amaral; Claudir Schmidlin
Helen Moreira de ; Juciane Branco
Luana Vaz; Lucas Vieira Maluche
Lucas Nocera; Luis Bourscheidt
Luis Lima; Mayara Becker
Neli Fátima Vodzicki; Rosa Mariko Kaetsu
Roseli Fátima de Andrade; Sara Scheider Taborda
[email protected]
INTRODUÇÃO
O Projeto “Abrindo Caminhos” iniciou em 2002, com o objetivo de oferecer caminhos alternativos
para o desenvolvimento humano de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade e risco
social no Bairro Tatuquara, Curitiba. Em 2008, diversas oficinas isoladas deram lugar a um
"Contra-turno Escolar", visando a ampliar a formação educacional desse grupo. Contudo, a carência
de recursos humanos dessa entidade limitava as possibilidades formativas. Visando superar essa
dificuldade foi realizada, em 2011, uma parceria com o Instituto Federal do Paraná - IFPR que
formulou o projeto de extensão “Rede Comunitária” para apoiar o trabalho pedagógico do contraturno escolar, estruturando ações que levem a aprender a ser, conviver, fazer e aprender a aprender,
conforme os quatro eixos previstos por Delors (1996). Assim, o objetivo é contribuir para a
1Professora do Instituto Federal do Paraná (IFPR); 2 Professora do IFPR. 1 Aluna do IFPR; 2 Professora do IFPR; 3
Aluna do IFPR; 4 Aluna do IFPR; 5 Professor do IFPR; 6 Aluna do IFPR; 7 Professora do IFPR; 8 Aluna do IFPR; 9
Aluno do IFPR; 10 Aluno do IFPR; 11 Professor do IFPR; 12 Professor do IFPR; 13 Aluna do IFPR; 14 Aluna do
IFPR; 15 Professora do IFPR; 16 Aluna do IFPR; 17 Aluna do IFPR.
88
formação pluridimensional das crianças e jovens que participam do projeto social, bem como dos
alunos e servidores do IFPR participantes dessa ação, por meio da integração de saberes e práticas.
MÉTODO
São realizadas oficinas pedagógicas por uma equipe de professores e alunos do IFPR, de diferentes
cursos e áreas do conhecimento. Acontecem duas vezes por semana, com as 45 crianças e
adolescentes do turno da tarde, divididos em três grupos conforme a faixa etária e série. Busca-se
proporcionar um ambiente formativo que seja atrativo, menores, lúdico e solidário. A equipe atua
em quatro eixos: saúde, meio ambiente, artes e informática. O planejamento, execução e avaliação
das ações são sempre conjuntas. Assim, independente da inserção principal em um dos quatro eixos,
todos atuam nas diversas atividades propostas. São três os principais referenciais teóricos que
conduzem o planejamento das ações. Os dez pontos do Paradigma do Desenvolvimento Humano,
expressos no Relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento [PNUD] e
Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada [IPEA], (1996), a educação para valores universais
(Costa, 1997) e a capacitação para o autocuidado (Costa & Lima, 2002). O primeiro passo da
atuação da equipe do IFPR foi a realização de um Pacto de Convivência com os adolescentes de 12
a 15 anos (Milani, 2005). Foram elencadas e debatidas as posturas esperadas dos educadores e dos
participantes, sendo digitadas e assinadas por todos. Esse grupo participou durante as oito primeiras
semanas do projeto de um jogo em computador, em forma de história em quarinhos, chamado
“Turma de Valor”, a fim de fomentar o reconhecimento e discussão dos valores universais.
Paralelamente, esse tema foi trabalhado com as crianças (7 a 11 anos) a partir da contação de
estórias e atividades de fixação.
Em seguida, foram realizadas atividades voltadas à elevação da auto-estima e construção de
projetos de vida, buscando a valorização e o respeito a si mesmo e aos outros. A partir daí, as
oficinas de saúde passaram a discutir os principais fatores que favorecem ou põe em risco a vida do
ser humano, bem como suas formas de promoção/prevenção. O trabalho com os valores universais
serviu ainda de base para um trabalho de valorização e respeito aos demais seres vivos e ao meio
ambiente. Assim, as oficinas de meio ambiente têm proporcionado às crianças jogos educativos
digitais, atividades de pintura e colagem sobre o tema e construção de brinquedos de material
reciclável. Já os adolescentes realizaram a exploração do entorno do Projeto, por meio da percepção
visual e da utilização de recursos fotográficos. Tendo como base as fotografias das situações
adversas encontradas em relação ao meio ambiente, os jovens passaram a propor alternativas de
superação dos problemas encontrados.
89
As oficinas de informática tem proporcionado aos participantes noções básicas de informática
(editor de textos, planilha eletrônica, editor de apresentações e uso da Internet), estimulando sua
utilização nas atividades de reforço escolar. Finalmente, as oficinas de artes são dirigidas para
exploração da criatividade por meio de diversos materiais artísticos e do cotidiano como: papéis
diversos, tecidos, madeira, lápis de cor e cera, tintas e materiais recicláveis. Além disso, o grupo do
IFPR trabalha a musicalização, por meio da construção e exploração de instrumentos musicais com
materiais recicláveis, integrando esse trabalho artístico à temática da conservação do meio
ambiente. Como encerramento das atividades foi prevista uma Mostra de Trabalhos, em que serão
apresentadas, pelas próprias crianças e jovens, todas as atividades realizadas durante o ano para seus
familiares e convidados.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Essa dinâmica de trabalho, interdisciplinar e multiprofissional, tem oportunizado aos alunos do
IFPR um espaço privilegiado de aprendizagem inclusiva e integradora, formadora de profissionais
mais comprometidos com a responsabilidade sócio-ambiental. Considerando-se a necessidade de
criação de vínculos mais profundos entre a equipe do IFPR e as crianças e adolescentes do projeto
social para obtenção de resultados mais amplos e duradouros, já podem ser observados ganhos no
que se refere à elevação da auto-estima, ampliação de projetos de vida e motivação para o
autocuidado destes. Esses resultados podem significar importantes fatores de proteção contra os
riscos sociais aos quais esse grupo está exposto. Espera-se, com a continuidade desse trabalho,
potencializar o desenvolvimento de todos os envolvidos, colaborando para seu crescimento pessoal
e comunitário. Espera-se ainda que essa ação contribua efetivamente para o afastamento das
crianças e adolescentes do caminho nocivo das drogas e da violência, bem como para resgatá-las de
situações de risco e de desrespeito aos seus direitos fundamentais.
REFERÊNCIAS
Costa, A. C. G. (1997). Pedagogia da Presença. Belo Horizonte: Modus Faciendi.
Costa, A. C. G., & Lima, I. M. S. O. (2002). Programa Cuidar. Livro do professor. Autocuidado:
um conceito em evolução. Instituto Souza Cruz.
Delors, J. (1996). Os quatro pilares da educação. In:____ (Coord.). Educação: um tesouro a
descobrir. São Paulo: Cortez.
Milani, F. M. (2005). Tá Combinado! Construindo um Pacto de Convivência na Escola. Salvador:
P&A.
Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) & Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada (IPEA). (1996). Relatório sobre o Desenvolvimento Humano no Brasil.
Brasília: PNUD.
90
PAINÉIS
QUEM SÃO OS PRETENDENTES À ADOÇÃO? UMA INVESTIGAÇÃO SOBRE
CARACTERÍSTICAS E BEM-ESTAR PSICOLÓGICO
Cristina Lopes Pereira
Lidia Natalia Dobrianskyj Weber
Núcleo de Análise do Comportamento, Universidade Federal do Paraná
Prgrama de Pós-gradaução em Educação da Universidade Federal do Paraná
[email protected]
INTRODUÇÃO
Verifica-se na literatura nacional uma escassez de trabalhos empíricos que envolvam não somente o
levantamento de preferências de pretendentes à adoção, mas também a investigação de variáveis
associadas com este perfil. Além disso, não foram encontrados estudos nacionais sobre
características comportamentais de candidatos à adoção e mesmo na literatura internacional eles são
raros.
Diante deste contexto, a presente pesquisa pretende fornecer dados que contribuam para o
desenvolvimento teórico sobre candidatos à adoção no Brasil. Pretende-se investigar o perfil
predominante dos adotantes, os fatores que possam estar relacionados com determinadas
preferências e a influência da ausência de filhos biológicos sobre o bem-estar psicológico dos
pretendentes.
MÉTODO
Para a composição da amostra foi realizada uma amostragem de conveniência, constituída por 150
participantes, contactados por meio do curso para pretendentes à adoção da Vara da Infância e
Juventude de Curitiba e de comunidades sobre adoção no site de relacionamentos Orkut.
Os instrumentos utilizados foram as escalas de Satisfação com a vida (Diener, Emmons, Larsen &
Griffin, 1985), Satisfação conjugal (Weiss & Palos, 1988), Autoestima (Rosenberg, 1965), Valores
altruístas (Smith, 2000), Empatia (Davis, 1994). A análise dos dados foi realizada por meio do
programa de estatística SPSS (Statistical Package for the Social Science), versão 15.0.
91
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os dados coletados apontaram que os pretendentes à adoção desta presente pesquisa não
possuem preferência quanto à cor de pele (40,0%) e ao gênero do futuro filho (52,0%), mas desejam
adotar crianças com no máximo três anos (24,0%) e aceitam aquelas que apresentarem doenças
leves ou tratáveis (42,0%).
Constatou-se a influência de algumas variáveis no perfil requerido pelos adotantes. Há uma maior
indiferença quanto ao sexo da criança entre participantes sem filhos (x=14,286; gl=1; p<0,001) e
casados (x=4,248; gl=1; p<0,05); há menos participantes que sinalizam a adoção de crianças
saudáveis entre os protestantes (x=10,413; gl=8; p>0,05) e maior tolerância em relação às adoções
inter-étnicas (x=12,698; gl=2; p<0,05) e tardias (x=10,005; gl=5; p>0,05) entre os adotantes com
menor escolaridade.
Verificou-se que não há relação entre o relato de comportamentos empáticos e de valores altruístas
com a escolha pela cor de pele e idade da criança. Porém, aqueles adotantes que fazem menos
exigências em relação ao estado de saúde da criança também atribuem maior importância ao ato de
ajudar os outros (F=3,285; p<0,05).
A investigação sobre a relação entre variáveis de bem-estar psicológico e parentalidade indicou
algumas diferenças apenas entre as mulheres em relação com a satisfação com a vida e satisfação
conjugal. As mulheres que não tiveram filhos genéticos, seja por infertilidade (t=-2,353; p<0,05) ou
por terem postergado a maternidade (t=2,485; p<0,05), apresentaram menor satisfação com a vida
quando comparadas às adotantes que tem filhos genéticos. Por outro lado, os dados evidenciaram
que as mulheres que optaram por não terem filhos biológicos estão mais satisfeitas em seu
casamento do que as participantes que tiveram filhos genéticos (U=35,000; p<0,05) ou que não
puderam ter filhos genéticos (U=86,500; p<0,05). Não foi encontrada nenhuma relação
estatisticamente significativa entre autoestima e parentalidade entre participantes homens ou
mulheres.
Os dados obtidos nesta pesquisa são importantes por permitirem uma percepção maior das variáveis
associadas à escolha dos adotantes quanto ao perfil da criança. Além do mais, possibilitam a
discussão da relação entre bem-estar e parentalidade genética, indicando fatores úteis para a
compreensão de características comportamentais de pretendentes à adoção e sua percepção sobre a
vida, o que permite traçar estratégias de prevenção e discussão em cursos de preparação de
adotantes.
92
Agradecimentos: a todos os pretendentes à adoção participaram da pesquisa, nosso muito
obrigada! À Capes pela bolsa de Mestrado para a primeira autora.
REFERÊNCIAS
Davis, M.H. (1994). Empathy: A Social Psychological Approach. Madison: WCB Brown &
Benchmark.
Diener, E., Emmons, R.A., Larsen, R.J. & Griffin, S. (1985). The Satisfaction with Life Scale.
Journal of Personality Assessment, 49(1), 71-75.
Rosenberg, M. (1965). Society and the adolescent self-image. Princeton, NJ: Princeton University
Press.
Smith, T.W. (2006). Altruism and Empathy in America: Trends and Correlates. NORC unpublished
report.
Weiss, P.S. & Palos, A.P. (1988). Desarollo y validación de la escala de la satisfación marital.
Psiquiatria, 4(1), 9-20.
93
PAINÉIS
DEPRESSÃO, AUTOESTIMA E ESTILOS PARENTAIS PERCEBIDOS POR
ADOLESCENTES DE FAMÍLIAS INTACTAS E FAMÍLIAS SEPARADAS
Leiliane Silva do Nascimento
Lidia Natalia Dobrianskyj Weber
Aline Lenhart Nesi
UFPR, Núcleo de Análise do Comportamento
[email protected]
INTRODUÇÃO
O estudo das relações familiares tem ganhado destaque na comunidade acadêmica. As formas como
os pais utilizam para educar seus filhos e os comportamentos resultantes da interação familiar ganha
destaque frente à temática das famílias intactas e as “famílias separadas”. Diante da relevância
desse tema a presente pesquisa tem como objetivo verificar se há diferença na qualidade de
interação familiar cujos pais são separados e nas que os pais são casados, por meio do relato de
crianças e adolescentes de uma escola pública de Ponta Grossa, Paraná.
MÉTODO
Participaram dessa pesquisa 251 crianças e adolescentes com idades variando de 10 a 21 anos.
Foram utilizadas as Escalas de Qualidade de Interação Familiar - EQIF (Weber e cols., 2003), de
Exigência e Responsividade (Lamborn e cols., 1991), Escala de autoestima (Rosemberg, 1965;
2003); Escala de Resiliência (Wagnild & Young, 1993); e CDI - Child Depression Inventory
(Kovacs, 1992). A fim de relacionar filhos de pais casados e separados com as dimensões do EQIF
(envolvimento, regras e monitoria, punição inadequada, comunicação positiva dos filhos,
comunicação negativa, clima conjugal positivo, clima conjugal negativo, modelos e sentimento dos
filhos).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os resultados revelam que os participantes percebem pais separados como menos envolvidos, com
menor apresentação de regras, piores modelos parentais e sua comunicação positiva e seus
sentimentos para com a figura paterna, são reduzidos. Os jovens perceberam as mães casadas com
94
melhor clima conjugal e modelo parental enquanto as mães separadas foram descritas com pior
clima conjugal. Sobre os estilos parentai há diferença estatisticamente significativa entre pais
casados e separados. Os pais separados foram enquadrados com maior frequência como negligentes
(χ2=10,26, gl=3, p<0,05) e os pais casados como autoritativos (48%). Em relação às mães há uma
alta frequência de mães negligentes, tanto entre as casadas (43%) como entre as separadas (40%).
Em relação ao comportamento dos filhos, os escores de autoestima (t=-0, 296, p>0,05), resiliência
(t=0,255, p>0,05) e depressão (X²=10,26, gl=3, p<0,05), não apresentam diferença estatisticamente
significativa entre famílias separadas e intactas. Os resultados contribuem para a discussão de que
os filhos percebem uma queda na qualidade de interação familiar, nos estilos parentais e na própria
comunicação após a separação.
Os pais precisam ter acesso a informações recentes sobre práticas educativas para desenvolverem
repertório de comportamentos adequados, independente de morarem ou não com seus filhos,
estabelecendo relações de confiança, diálogo, aconselhamento e auxilio nos momentos difíceis. Os
resultados também revelam aspectos importantes sobre a temática estudada, contribuindo para a
desmistificação, de que os filhos de pais separados necessariamente são problemáticos. É necessário
mais estudos sobre essa população levando em consideração o tempo de divórcio dos pais, e
características pessoais de cada membro da família.
Palavras chave: Divórcio, práticas educativas, estilos parentais.
REFERÊNCIAS
Kovacs, M. (1992). Children‟s Depression Inventory – CDI Manual. Canadá: Multi-Health
Systems.
Lamborn, S. D., Mounts, N. S., Steinberg, L. & Dornbusch, S. M. (1991). Patterns of competence
and adjustment among adolescents from authoritative, authoritarian, indulgent, and neglectful
families. Child Development, 62, 1049-1065.
Rosenberg, M. (1965). Society and the adolescent self-image. Princenton: Princenton University
Press.
Wagnild GM, Young HM. (1993). Development and psychometric evaluation of resilience scale.
Journal of Nursery Meas, 1, 165-78.
Weber, L.N.D., Salvador, A.P.V. & Brandenburg, O. (2006). Qualidade de interação familiar:
instrumentos de medida e programas de prevenção. Em M. Bandeira, Z. Del Prette & A. Del
Prette (Orgs.), Estudos sobre habilidades sociais e relacionamento interpessoal (pp. 125-14). São
Paulo: Casa do Psicólogo.
Weber, L.N.D., Stasiack, G.R. & Brandenburg, O.J. (2003). Percepção da Interação Familiar e
Autoestima de Adolescentes. Aletheia, 17(18), 95-105.
95
PAINÉIS
COMO OS ESTUDANTES DE PSICOLOGIA, DIREITO E SERVIÇO SOCIAL
PERCEBEM A ADOÇÃO NO BRASIL?
Lidia Natalia Dobrianskyj Weber
Núcleo de Análise do Comportamento e Programa de Pós-graduaçãp em Educação da UFPR
Cristina Lopes Pereira
Programa de Pós-graduaçãp em Educação, Universidade Federal do Paraná
Leiliane Silva do Nascimento
Universidade Federal do Paraná
NFaculdade Sant´Ana, Ponta Grossa, PR.
Gisele Regina Stasiak
[email protected]
INTRODUÇÃO
Verifica-se na sociedade brasileira a existência de muitas ideias estereotipadas e errôneas sobre a
adoção de crianças (Araújo & Oliveira, 2008; Camargo, 2005; Gatti, Vargas & Campos, 1993;
Mello & Dias, 2003; Weber, 1999A, 1999B, 2001). Neste contexto, profissionais de Direito,
Serviço Social e Psicologia têm um importante papel a desempenhar no esclarecimento dos
aspectos jurídicos, sociais e psicológicos da adoção. Por este motivo, pretende-se investigar a
opinião que os estudantes universitários destes cursos possuem sobre diferentes aspectos
relacionados com a adoção. Os dados obtidos por meio desta pesquisa possibilitarão identificar
possíveis ideias pré-concebidas entre os estudantes e permitirão refletir sobre o quanto as
universidades têm instrumentalizado os estudantes para auxiliarem no processo de desmistificação
da adoção e no fortalecimento desta prática no Brasil.
MÉTODO
Participaram da pesquisa 735 universitários de instituições públicas e privadas, de ambos os sexos,
com idades entre 17 e 63 anos (idade média: 25,60; d.p.= 8,78). Dentre estes participantes, 260 são
estudantes de Psicologia, 255 de Serviço Social e 220 de Direito. Para a composição da amostra foi
realizada uma amostragem de conveniência, por meio do contato com professores e coordenadores
de curso de universidades públicas e privadas.
96
O questionário elaborado para esta pesquisa contém 61 questões, sendo 14 itens sobre dados
pessoais dos participantes e 47 itens de múltipla escolha abordando diferentes aspectos da temática
adoção de crianças. A aplicação do questionário foi realizada de forma coletiva na sala de aula da
universidade ou faculdade em um horário pré-agendado. Todos os estudantes assinaram o Termo de
Consentimento Esclarecido e Informado. A análise dos dados foi realizada por meio do programa
de estatística SPSS (Statistical Package for the Social Science), versão 15.0. O teste utilizado na
análise foi o Qui-Quadrado e o nível de significância adotado foi p<0,05.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A análise dos resultados indicou que a maioria dos estudantes tem opinião favorável sobre a adoção
por casais homoafetivos, contrariando os dados encontrados por Araújo e Oliveira (2008), que
investigaram a opinião de universitários do direito e da psicologia, especificamente, a respeito da
adoção por casais homoafetivos. Na presente pesquisa, os estudantes universitários mostram-se
receptivos em relação a esta forma de adoção, porém a maioria deles julga ser mais provável que a
criança sofra preconceito nesta forma de constituição familiar.
Os dados apontam que os estudantes consideram que valores morais e/ou religiosos motivam as
pessoas a adotarem uma criança e que os pretendentes à adoção devem poder escolher a criança que
desejam adotar. A respeito da possibilidade dos pais adotivos devolverem a criança após a adoção,
caso ocorram problemas de adaptação ou de comportamento da criança, os estudantes do curso de
Direito se posicionaram contrariamente a esta atitude, enquanto os alunos de Psicologia e Serviço
Social, não tinham uma opinião formada, declarando terem dúvidas sobre o tema (X2=12,793; gl=8;
p>0,05).
Em relação aos filhos adotados, a maioria dos estudantes não considera que eles sejam mais
suscetíveis ao desenvolvimento de problemas emocionais e de comportamento, porém, consideram
importante que a criança adotiva sempre tenha acompanhamento psicológico. Apesar destes dados
parecem contraditórios, eles sugerem que o filho por adoção é percebido pelos estudantes
universitários como potencialmente problemático e por este motivo seria importante um
acompanhamento terapêutico como prevenção.
A associação entre filhos adotivos e problemas de comportamento faz parte do senso comum e
também converge com as informações encontradas em outras pesquisas que investigaram as
opiniões de pessoas sobre aspectos associados com a adoção de crianças (Gatti & cols., 1993; Mello
e Dias, 2003; Weber, 1999A). Entretanto, pesquisas internacionais mostram que é um equívoco a
associação automática entre filhos adotivos e desenvolvimento de problemas emocionais e de
97
comportamento e que possíveis experiências adversas vivenciadas no período pré-adoção podem ser
superadas pela criança.
Os resultados desta pesquisa apontaram que a maioria dos universitários investigados nesta amostra
se mostram flexíveis e receptivos a adoções modernas e diferenciadas, como a adoção por casais
homoafetivos. Por outro lado, os dados mostram que os universitários reproduzem alguns
estereótipos sociais relacionados à adoção ao associar o ato de adotar com caridade, ao valorizar os
interesses dos adotantes, em detrimento das necessidades da criança adotada e ao julgar, ainda que
de forma sutil, os filhos adotivos como potencialmente problemáticos.
Agradecimentos
Agradecemos à CNPq pelo apoio financeiro, aos professores que cederam espaço em suas aulas
para a aplicação da pesquisa e a todos os estudantes universitários que dividiram conosco alguns de
seus pensamentos e opiniões sobre adoção de crianças. À CAPES pela bolsa de Mestrado da
primeira autora
REFERÊNCIAS
Araújo, L.F. & Oliveira, J.S.C. (2008). A adoção de crianças no contexto da homoparentalidade.
Arquivos Brasileiros de Psicologia, 60(3), 40-51.
Camargo, M.L. (2005). Adoção tardia: representações sociais de famílias adotivas e postulantes à
adoção (mitos, medos e expectativas). Dissertação de Mestrado, Universidade Estadual Paulista
Júlio de Mesquita Filho, Assis, SP, Brasil.
Gatti, A.L., Vargas, M.M. & Campos, D.C. (1993). Estudo exploratório sobre opiniões e
motivações acerca da adoção. Estudos de Psicologia, 10(2), 63-80.
Mello, I.S.P.B. & Dias, C.M.S.B. (2003). Percepção de Homens e Mulheres Acerca de Quem
Entrega um Filho para Adoção. Psicologia Ciência e Profissão, 21(3), 76-83.
Weber, L.N.D. (1999A). Laços de ternura: pesquisas e histórias de adoção. Curitiba: Juruá.
Weber, L.N.D. (1999B). Aspectos psicológicos da adoção. Curitiba: Juruá.
Weber, L.N.D. (2001). Pais e filhos por adoção no Brasil: Características, expectativas e
sentimentos. Curitiba: Juruá.
98
PAINÉIS
CONSIDERAÇÕES ACERCA DA EDUCAÇÃO SEXUAL ESCOLAR
Sueli Puiani
Andreia Bichiato do Amaral
Lidemara Bertioti
Léia Flamino De Freitas
Aline Graziela
Thiago de Almeida (Ites)
[email protected]
INTRODUÇÃO
Embora a sexualidade humana seja um fenômeno complexo que tem sido interesse de vários
professores e pesquisadores em diferentes abordagens teóricas uma dúvida vem á tona: como
abordar este tema em sala de aula? Levando-se em consideração que Nunes (1987) aponta que a
questão da sexualidade envolve a intencionalidade humana, a expressão e a vivência dinâmica dos
afetos e um conjunto de representações simbólicas às quais o desejo se vincula, este texto trata-se
de um levantamento bibliográfico e tentará discutir esse assunto.
O que se concebe enquanto educação sexual?
Werebe (1998) define a educação sexual como “todas as ações, deliberadas ou não, que se exercem
sobre um indivíduo, desde o seu nascimento, com repercussão direta ou indireta sobre suas atitudes,
comportamentos, opiniões, valores ligados à sexualidade”(p.139). A educação sexual, num sentido
amplo, processo global, não intencional, sempre existiu, em todas as civilizações, no decurso da
história da humanidade, de maneira consciente ou não, com objetivos claros ou não, assumindo
características variadas, segundo a época e as culturas.
Primeiramente, "sexualidade" e "sexo" são fenômenos culturais distintos na medida em que
expressam as relações sociais e políticas que inevitavelmente medeiam o modo como as pessoas
experienciam seus corpos, prazeres e desejos, incluindo o fato de que essas experiências são
construídas em relação a determinadas ideias normativas (Mottier, 2008). Em outras palavras,
sexualidade não é um fenômeno exclusivamente biológico e, tampouco, pode mais ser
compreendida como um artefato apenas natural, pois, os animais fazem sexo, a partir de um
99
impulso instintivo e inato, para a reprodução. A sexualidade compreende atos, relacionamentos e
significados. Nós seres humanos, entretanto, vivemos o sexo na nossa sexualidade e, portanto, ele é
uma questão cultural. Em outras palavras, na medida em que os homens vivem numa sociedade, a
sexualidade tem representações, simbolismos; ela torna-se um fato cultural e histórico (Maia, 2006).
Logo, as crenças e os valores relativos à sexualidade variam segundo a cultura e o momento
histórico no qual o homem se insere.
Dessa forma, evidencia-se que o conceito de sexualidade é um conceito abrangente, pois além da
necessidade de considerar o modo como culturalmente se percebe e vive as práticas sexuais e suas
representações, também é importante lembrar que ela se configura no indivíduo erotizado a partir de
uma predisposição difusa e polimorfa que se amolda segundo as experiências individuais do sujeito,
mediadas por valores, ideais e modelos culturais.
Ao levarmos em conta essas considerações preliminares que nortearão nossas práticas para o
educando, sexo e sexualidade são convidados a participarem de nossas atividades docentes com a
naturalidade e com a linguagem certa que o tema deve ser encarado direcionada a faixa etária dos
alunos em questão.
Muito das preocupações do educador se assenta em tratar do assunto focando orientar os alunos
sobre meios contraceptivos e instruir o uso de camisinha, por exemplo, prevenção de doenças. A
própria proposta dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) (Brasil, 1997), que prevê a
orientação sexual na escola limita-se à discussão de temas que exploram os aspectos biológicos e
preventivos: corpo, diferenças sexuais e prevenção às Doenças Sexualmente Transmissíveis
DSTs/Aids. Mas, e aqueles que nem tem isso claro na mente, por sequer terem vivenciado a
experiência do primeiro beijo? Existe uma certa dificuldade em introduzir um tema tão importante
para a formação pessoal e escolar a partir de moldes de borracha simulando órgãos genitais que
muitas vezes não despertam o interesse dos alunos tendo em vista a grande possibilidade deles
acorrerem a tais informações pela internet e afins. Evidentemente, sem desmerecer a importância
destas questões que visam à saúde sexual da população, deve-se ressaltar que a sexualidade envolve
questões que extrapolam o biológico e merecem uma reflexão sobre o contexto sociocultural em
que os jovens estão inseridos.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Em suma, é a partir de uma reflexão ampla e crítica que o estudo da sexualidade humana deveria
estar respaldado. Em outras palavras, a sexualidade, enquanto uma questão ampla e social, que
existe em todo ser humano, não pode ser entendida, interpretada, refletida ou estudada sem
considerar as suas múltiplas determinações e suas várias manifestações. Portanto, entender a
100
sexualidade como um conceito amplo é um pressuposto essencial para ações educativas eficazes,
uma vez que é necessário pretender abarcar no processo reflexivo as mediações sociais, históricas e
individuais presentes na educação sexual, se queremos contribuir para a emancipação dos
educandos também nesse campo.
REFERÊNCIAS
Brasil. Secretaria de Educação Fundamental. (1997). Parâmetros Curriculares Nacionais:
pluralidade cultural, orientação sexual (1a a 4a série). Brasília: MEC/SEF.
Maia, A. C. B. (2006). Sexualidade e Educação Sexual: questões sobre a repressão. In A. Silva et al
(Orgs.). Infância e Adolescência em perspectiva: volume I. (pp.9-16). São Vicente: Prefeitura
Municipal de São Vicente..
Mottier, V. (2008). Sexuality: a very short introdution. New York: Oxford University Press.
Nunes, C. A. (1987). Desvendando a Sexualidade. Campinas: Papirus.
Werebe, M. J. G. (1998). Sexualidade, Política e Educação. Campinas: Autores Associados.
101
PAINÉIS
RESILIÊNCIA: UM ESTUDO BIBLIOGRÁFICO SOBRE OS FATORES DE RISCO NO
DESENVOLVIMENTO INFANTIL
Ana Paula Sesti Becker
Josiane da Silva Delvan**
Karoline Braun
Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI/ SC.
[email protected]
INTRODUÇÃO
Os estudos mais recentes sobre o desenvolvimento infantil enfatizam a importância de se examinar
o contexto em que este ocorre e, em especial, o efeito da presença simultânea de múltiplos fatores
de risco, tanto biológicos como ambientais. Estes estudos têm demonstrado que os cuidados
prestados às crianças são conseqüências de muitos fatores, incluindo cultura, nível socioeconômico,
estrutura familiar e características da própria criança.
Há na literatura psicológica, uma constante associação entre a qualidade do ambiente e o
desenvolvimento psicológico das crianças, e a importância de fatores de risco biológicos e sociais
para o desenvolvimento infantil (Martins, 2004).
Neste contexto, surge a expressão “fatores de risco” que tem sido associada ao desenvolvimento
humano. Segundo Haggerty, Sherrod, Gamely & Rutter (2002), vários autores procuraram definir e
identificar esses fatores ou as adversidades, a fim de avaliar sua influência no desenvolvimento de
crianças e principalmente para organizar intervenções voltadas à redução de problemas de
comportamento nesta população.
Por fatores de risco, entende-se como sendo as variáveis ambientais ou contextuais que aumentam a
probabilidade da ocorrência de algum efeito indesejável no desenvolvimento (Haggerty et al.,
2002). Ou seja, os fatores de risco são aqueles que aumentam a probabilidade de um indivíduo
apresentar comportamentos negativos e mal adaptados durante o seu desenvolvimento.
Entende-se por resiliência, o processo pelo qual o indivíduo consegue superar as adversidades,
adaptando-se de forma saudável ao seu contexto. Deslandes & Junqueira (2003) afirmam que
resiliência não é o oposto a risco, são conceitos diferentes, porém são aspectos
** Professora Drª do curso de Psicologia da UNIVALI/ SC.
102
complementares. Embora o enfoque de risco e resiliência sejam diferentes, percebê-los como um
conjunto possibilita um enfoque global, permitindo maior flexibilidade e fortalecimento na
aplicação dos conceitos em busca da promoção da saúde.
Desta forma, acredita-se ser de fundamental importância relacionar fatores de risco e resiliência e
resiliência no processo de desenvolvimento infantil.
Neste estudo, o objetivo foi investigar na literatura especializada, quais são os fatores de risco ao
desenvolvimento infantil e resgatar o conceito de resiliência. Como objetivos específicos foram
delimitados e identificadas as variáveis que podem tornar a criança vulnerável ao risco e levantar os
mecanismos envolvidos no processo resiliente e suas implicações no processo de desenvolvimento
infantil.
MÉTODO
Este estudo consistiu em uma abordagem qualitativa, de levantamento bibliográfico desenvolvido a
partir do material teórico já existente na área, constituído principalmente por artigos científicos e
livros sobre o tema. Foram seguidos os seguintes procedimentos para o levantamento das fontes
bibliográficas, seleção e análise do material encontrado:
a. Inicialmente, foi realizado um levantamento de dados bibliográficos na literatura
especializada sobre o tema de pesquisa. A fonte para o levantamento de dados e a busca de material
constituiu-se de meios disponíveis como: navegadores da web, bases de dados e bibliotecas. Em
levantamento realizado nas bases de dados SCIELO, LILACS e banco de teses em busca de fatores
de risco ao desenvolvimento infantil, foram encontrados vinte e quatro obras que englobam tema de
pesquisa, sendo três em língua inglesa. Este levantamento considerou os trabalhos publicados entre
os anos de 2000 a 2007.
b. Em um segundo momento, com o material já coletado, foram realizadas leituras
explanatórias dos materiais levantados. A leitura explanatória foi realizada de forma direcionada e
objetiva ao material útil para a pesquisa, e aconteceu através da leitura dos resumos, das palavras –
chave: desenvolvimento infantil, fatores de risco e resiliência, tendo auxílio do referencial teórico.
Isto serviu para selecionar o material que seria utilizado na pesquisa.
c. Posteriormente à seleção do material, foi realizada uma leitura analítica que teve a
finalidade de ordenar e sumariar as informações contidas nas fontes de forma que possibilitassem a
obtenção de respostas ao problema de pesquisa.(Gil, 1991).
d. Como a última etapa de realização da pesquisa é a mais complexa, foi realizada a leitura
interpretativa, procurando relacionar o material bibliográfico selecionado para o estudo.
RESULTADOS E DISCUSSÕES
Este estudo teve como objetivo investigar na literatura especializada, quais são os fatores de risco
ao desenvolvimento infantil e resgatar o conceito de resiliência. Portanto, foi constatado que a
resiliência é um construto relativamente novo na Psicologia e poucas são as publicações que o
103
relacionam com o desenvolvimento infantil. Vários conceitos foram encontrados e pode-se perceber
que a definição de resiliência se sustenta através de outros conceitos como adaptação / superação e
ajustamento, estresse, fatores de risco e proteção, vulnerabilidade, entre outros. Contudo, pode-se
observar que existe pouco consenso entre os autores, podendo o conceito de resiliência variar desde
a capacidade inata que acompanha e protege o desenvolvimento, bem como uma habilidade
adquirida que o sujeito apresenta frente às situações adversas.
Foi possível verificar na literatura o exercício de duas forças opostas sobre as pessoas: de um lado
as ameaças, o sofrimento, os perigos, os fatores de risco, o que vários autores chamaram de
condições adversas ou experiências estressantes, ou seja, tudo o que torna o indivíduo vulnerável; e
do outro lado estariam a competência, o sucesso, a capacidade de enfrentar, resistir, adaptar, reagir,
isto é, o que as torna resilientes.
Isto ocorre pelo fato de existir uma relevância no modo de se lidar com o estresse no
desenvolvimento do indivíduo. Como já foi discutido, o conceito de resiliência traz justamente essa
possibilidade de entendermos o estresse como grande oportunidade de crescimento e fortalecimento
pessoal. Porém, é preciso encontrar um equilíbrio entre proteger as crianças de riscos e
proporcionar-lhes as oportunidades de desenvolvimento necessárias para a promoção de resiliência.
Ou seja, expô-las aos eventos estressantes e capacitando-as a lidar com eles.
Não obstante se possa omitir que o conceito de resiliência está intimamente relacionado aos fatores
de risco ao qual o sujeito está exposto ao longo do seu processo de desenvolvimento; realizar este
estudo nos impulsiona para as possibilidades de superação frente às situações de doença, violência,
miséria, entre outras variáveis, apontadas na literatura pesquisada. Pesquisar sobre a resiliência é,
portanto, ver a possibilidade de quebra de previsões e de expectativas frente à continuidade desses
problemas.
REFERÊNCIAS
Deslandes, S.F. & Junqueira, M.F.P. (2003). Resiliência e maus tratos à criança. Caderno de Saúde
Pública, 19 (1), 227-235.
Gil, A.C. (1991). Como elaborar projetos de pesquisa, 3º ed. São Paulo: Atlas.
Haggerty, R.J., Sherrod, L.L., Gamely, N. & Rutter, M. (2002). Stress, risk and resilience in
children and adolescents: process, mechanisms and interventions. New York: Cambridge
University Press.
Martins, M.F.D. et al. (2004). Qualidade do ambiente e fatores associados: um estudo em crianças
de Pelotas, Rio Grande do Sul, Brasil. Caderno de Saúde Pública. [on-line], v. 20, n. 3 [citado
em
08
de
outubro
de
2011],
p.
710-718.
Disponível
em
<http://
www.scielo.br/pdf/csp/v20n3/07.pdf>.
104
PAINÉIS
ROTINA E CONFLITOS PARA CASAIS
Andrea Soutto Mayor (Universidade Severino Sombra – USS)1.
Aline Caroline Ferreira Pontes
Thiago de Almeida2.
[email protected]
INTRODUÇÃO
Intimidade, rotina e conflitos nos relacionamentos amorosos
A intimidade pode ser definida como o conhecimento profundo de alguém, conhecendo seus vários
aspectos ou sabendo como esse alguém responderia em diferentes situações, por causa das muitas
experiências em comum (Morris, 1997). Segundo Bader (2002) a intimidade traz consigo uma
preocupação crescente com o bem-estar do parceiro, que inclui o medo de magoá-lo.
Queiramos ou não admitir, passados os primeiros arrebatamentos dos apaixonados, o tempo passa, a
familiaridade com o outro influencia os rumos da relação e ao conviver e conhecer melhor os
parceiros escolhidos descobre-se que existem imperfeições nos seres amados. De acordo com Perel
(2007) a familiaridade é apenas uma manifestação da intimidade. Este desvelamento contínuo do
outro vai muito além dos hábitos superficiais e entra num mundo interior de pensamentos,
convicções e sentimentos. Penetramos mentalmente em nossa cara-metade.
Destarte, alguns pontos que antes eram encantadores, ou mesmo, não observados, começam a ser
percebidos e passam a incomodar os componentes desta díade estabelecida. Consequentemente, o
romantismo pode ficar cada vez mais rarefeito e os conflitos, impaciências e as tão temidas
cobranças tornam-se realidades cotidianas vivenciadas pelo casal. Interjeições do tipo: “você não
era assim...”; “você me enganou: parecia tão atencioso...” e, ainda, “no início era tudo tão
diferente...”, começam a pertencer ao dia-a-dia dos casais.
É importante ressaltar que os conflitos ocasionais são uma conseqüência natural, afinal, cada
indivíduo dessa relação, vem de uma criação, trazendo consigo sua história familiar,
1.Profa. Dra. USS ; Prof.
Mestre.
105
assim como manias, defeitos e subjetividades particulares. O problema está em detectar se essas
diferenças são tão incompatíveis que possam se tornar uma ameaça real ao futuro da relação.
MÉTODO
Este estudo objetivou abordar questões como rotina, entendida como seqüência de atos, intimidade,
entendida como conhecimento profundo do outro, e desejo, a fim de avaliar como esses fatores
podem influenciar positivamente e negativamente na vida amorosa de um casal. Ressalta, também,
a problemática da comunicação no relacionamento amoroso, baseando-se no fato de homens e a
problemática da comunicação no relacionamento amoroso, baseando-se no fato de homens e
mulheres, devido a um contexto sociocultural, adotarem formas bem distintas de interpretar,
perceber e dialogar.
Rotina e comunicação nos relacionamentos amorosos
A rotina é uma seqüência de usos ou atos que fazemos todos os dias de forma mecânica. Ela é
essencial para a vida, pois permite que executemos ações e padrões de comportamento que nos
mantém socialmente adaptados. Contudo, há pessoas que se acomodam tanto que, ao longo da vida,
seu diário acaba sendo um livro de um só capítulo, repetido todos os anos.
A rotina pode ser algo positivo ou negativo de acordo com a forma como se a percebe e conduz.
Nesse sentido, poder-se-ia classificar a rotina em benéfica ou mortífera (Cifuentes, 2001).
A
rotina benéfica é aquela que se instaura naturalmente e que é indispensável. Ela permite que se
cumpra com regularidade, constância e pontualidade os deveres e compromissos. É ela que propicia
uma vida sólida e dá segurança ao indivíduo.
Entretanto, a rotina mortífera, é aquela que passa do hábito para o costume e torna-se acomodação.
Esta rotina torna os seres práticos, mecânicos, automatizados, como robôs sem vida. Leva-os a ficar
sem energia, apáticos, e muitas vezes, indiferentes. Essa rotina se caracteriza pela monotonia densa,
que torna a vida insípida, uniforme, tediosa e previsível, que passa a reclamar por uma renovação.
Logo, a rotina torna-se prejudicial quando não mais se renovam os planos, os programas, a maneira
de lidar consigo, com os outros e com o mundo, ou seja, quando não se reinventa formas diferentes
de fazer e perceber as mesmas situações.
Rotinas adequadas e inadequadas para o relacionamento.
Grande parte dos casais tem contato com a rotina que pode comprometer a manutenção e a
qualidade do relacionamento constituído. Vivenciar uma rotina não produz emoção, tais quais
aquelas similares a que sentimos ou identificamos por ocasião dos primeiros arroubos romântico,
não traz entusiasmo e, na maioria das vezes, é o agente principal do desamor tornando-se, assim, o
pivô da separação do casal. Para estes casos, a rotina pode provocar desgaste da relação, dificuldade
106
de comunicação e desentendimentos entre o casal. Nesse sentido, é importante ressaltar que os
conflitos ocasionais são uma conseqüência natural, afinal, cada indivíduo dessa relação, vem de
uma criação, trazendo consigo sua história familiar, assim como manias, defeitos e subjetividades
particulares. O problema está em detectar se essas diferenças são tão incompatíveis que possam se
tornar uma ameaça real ao futuro da relação.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Relacionamentos amorosos são exemplos de uma interação extremamente sofisticada e não existem
quaisquer avaliadores que predigam com 100% de acerto a manutenção ou a dissolução do mesmo.
Somente os parceiros da díade formada, por meio de sua convivência e da forma com que lidam
com os conflitos inerentes à relação, são capazes de decidirem o futuro deste.
Um relacionamento duradouro resulta da capacidade de o casal solucionar os conflitos que são
inevitáveis em qualquer relação. Não há como erradicar conflitos completamente, mas podemos
contar com o nosso parceiro como nosso aliado para podermos resolvê-los conforme forem
surgindo ou temos a escolha de o(a) identificarmos como o(a) nosso(a) rival e aumentarmos ainda
mais os conflitos inerentes a quaisquer interações humanas.
REFERÊNCIAS
Bader, M. J. (2002). Arousal: The secret Logic of sexual Fantasies. Nova York: St. Martins.
Cifuentes, R. L. (2001). As crises conjugais. São Paulo: Editora Quadrante.
Perel, E. (2007). Sexo no cativeiro. Rio de Janeiro: Objetiva.
Morris, D. (1997). Intimate Behavior: A Zoologist Classic Study of Human Intimacy. Nova Iorque:
Kodansha Globe.
107
PAINÉIS
A HOMOFOBIA NO AMBIENTE DE TRABALHO
José Airton da Silva
(Faculdade Frassinetti do Recife – FAFIRE)
Thiago de Almeida (ITES)
Maria Luiza Lourenço
(Faculdade de Educação – USP)
[email protected]
INTRODUÇÃO
A discriminação baseada na orientação sexual no ambiente de trabalho é bastante comum (Chung,
1995). Em virtude disso, a luta contra a discriminação, o preconceito e a violência dirigida contra
homossexuais vêm se tornando questão de destaque no que se refere à mobilização por parte dos
grupos homossexuais. O que se percebe é que as diretrizes de igualdade e proteção aos
homossexuais constituem, na verdade, mais a exceção do que a regra propriamente dita.
Em seus estudos, Croteau (1996) afirma ainda haver preconceito quando da revelação da orientação
sexual no ambiente de trabalho. Apesar de ser visto como um fenômeno complexo oriundo de
diversas causas, grupais ou individuais, é possível definir o preconceito como “atitude hostil ou
negativa para com determinado grupo, baseada em generalizações deformadas ou incompletas”,
segundo Aronson, (1999) citado por Nunan (2003, p. 59). Argumenta-se que o preconceito contra
homossexuais no ambiente de trabalho é reflexo da discriminação enfrentada por esses indivíduos
pela sociedade que geralmente ainda percebe a homossexualidade como um conjunto de atitudes
anormais e desviantes. Nesse sentido, fala-se em homofobia, termo utilizado e associado ao
preconceito contra os homossexuais.
Derivada das palavras gregas homos que quer dizer “o mesmo” e phobikos que quer dizer “ter medo
e/ou aversão a”, a palavra homofobia foi utilizada oficialmente por George Weinberg, em 1972, no
seu livro: “A Sociedade e o Homossexual Saudável”. Usada para definir a repulsa de alguns
indivíduos face às relações afetivas e sexuais entre pessoas do mesmo sexo, a homofobia é
caracterizada pelo medo e desprezo pelos homossexuais, muitas vezes por se considerar crenças que
108
assumem que a heterossexualidade é a única forma de sexualidade normal, natural, aceitável e,
portanto, hegemônica (Silva, 2007). Este estudo reúne alguns apontamentos na literatura acerca da
questão da homofobia circunscrita no ambiente laboral.
Homofobia: será que ele é? Será que eu sou também?
Defendida também como o medo que algumas pessoas têm delas próprias serem homossexuais ou
de que outras pessoas as vejam ou percebam como tais, a homofobia inclui preconceito,
discriminação, abuso verbal e atos de violência originados por esse medo e ódio – o tratamento e as
atitudes dos colegas diante do gay (seja por medo de serem confundidos como membros do grupo
gay, seja para não se excluírem do grupo dominante ao qual pertencem), são tendenciosas ao
afastamento e à discriminação. Assim, identifica-se homofobia até mesmo em homossexuais que
vivem em constante gerenciamento da identidade homossexual (seja para se adequarem ao ambiente
hostil, seja para manter segredo da orientação sexual); e também, em algumas situações, negam a
própria homossexualidade por meio de atitudes e comportamentos característicos de heterossexuais,
por medo ou para evitar sanções e comportamentos homofóbicos. Por esta perspectiva, infere-se
que a homofobia engendra um círculo vicioso, no qual ela mesma se retroalimenta.
Outro motivo apontado como justificativa dos maus tratos dados aos homossexuais associa-se a
crença de que relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo possam ser responsáveis pelo aumento
de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) em relação à disseminação de ISTs entre práticas
afetivas e sexuais entre a população heterossexual (Almeida, 2007; Petrilli Filho, 2004). Quando no
auge da descoberta da AIDS e de outras doenças afins, os níveis de homofobia contra esse grupo
minoritário eram altos, por serem os homossexuais os mais atingidos por essas doenças. As pessoas
acreditavam ser possível contrair a doença por meio do contato físico com os homossexuais e,
mesmo diante de esforços de educação nesse sentido, o medo da AIDS tornou-se a razão adicional
porque lésbicas, gays e bissexuais não são bem-vindos em diversos ambientes, segundo McQuarrie
(1998). Com o tempo, em virtude da transmissão de conhecimento viabilizada por campanhas
sociais, a discriminação e o preconceito contra os portadores do vírus HIV diminuíram, mas contra
os homossexuais não.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Embora a Constituição Brasileira de 1988 tenha trazido avanços importantes quanto à valorização
da diversidade humana, no sentido de rejeitar qualquer tipo de discriminação de raça, gênero, sexo,
crenças religiosas, idade e defender a igualdade de direitos, a liberdade e o respeito às diferenças
humanas, acredita-se que muito ainda há por se fazer. Não raramente, a homossexualidade e o
109
homoerotismo são considerados como atitudes anormais, desviantes e estranhas que evidenciam
padrões de comportamento e convívio sociais não determinados pela sociedade.
Talvez, atitudes manifestas relacionadas a homofobia não sejam tão bem percebidas. Contudo, o
preconceito contra os homossexuais no ambiente laboral pode ser percebido sob diversas ações de
gestão organizacional que levam o indivíduo homossexual à demissão, a ser vítima de sanções e
punições não decorrentes de mau comportamento ou desempenho ruim, mas à retaliação de
oportunidades, à exclusão social dentro da empresa. Isso, embora não aconteça em todos os
lugares, pode ser aqui ressaltado como situações freqüentes em diversos ambientes de trabalho que
compõem o mercado de empregos, havendo uma ou outra exceção que exime o homossexual de
viver tais situações, estando essa exceção relacionada ao tipo de empresa em que se trabalha, ao tipo
de vínculo empregatício, e principalmente, ao ambiente de inserção do empregado homossexual.
Enfim, o preconceito e a humilhação não podem superar o desejo de ser feliz e intimidar o desejo de
liberdade das pessoas e os direitos a viverem em sociedade.
REFERÊNCIAS
Almeida, T. (2007). Amor e sexualidade na Contemporaneidade: a perspectiva homoerótica do
enamoramento. In Anais do XI Congresso Brasileiro De Sexualidade Humana: Amor & Sexo na
Contemporaneidade. Recife: SBRASH.
Chung, Y. B. (1995). Career decision making of lesbian, gay and bisexual individuals. The Career
Development Quarterly, 44(2), 178-186.
Croteau, J. M. (1996). Research on the Work Experiences of Lesbian, Gay and Bisexual
People: an Integrative Review of Methodology and Findings. Journal of Vocational
Behavior, 48(18), 195-209.
McQuarrie, F. A. E. (1998). Expanding the concept of diversity: discussing sexual orientation in
the management classroom. Journal of Management Education, 22(2), 162-172.
Nunan, A. (2003). Homossexualidade: do preconceito aos padrões de consumo. Rio de Janeiro:
Caravansarai.
Petrilli Filho, J. F. (2004). Vulnerabilidade às IST/aids entre atiradores do serviço militar
obrigatório: uma apreciação sociocomportamental. (189 p.). Dissertação de Mestrado. Escola
de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP), USP, Ribeirão Preto.
Silva, J. A. (2007). H & H: Homoerotismo e Homofobismo masculino no mercado de trabalho.
2007. Trabalho de Conclusão de Curso. Faculdade Frassinetti do Recife/FAFIRE, Recife.
110
PAINÉIS
CONSIDERAÇÕES A RESPEITO DO COMPORTAMENTO SEDUTOR COMPULSIVO
Thiago de Almeida (ITES)
Monica L. Zilberman (HC-USP)
[email protected]
INTRODUÇÃO
Um número crescente de estudos tem investigado os processos pelos quais as pessoas estabelecem,
desenvolvem e influenciam a manutenção dos laços emocionais durante todo o ciclo de vida
(Almeida, Rodrigues & Silva, 2008; Sophia et al, 2007). A experiência do amor envolve um certo
grau de reciprocidade e de equilíbrio entre os parceiros. No entanto, muitos pacientes se queixam de
dificuldades em se estabilizar em relacionamento afetivossexual com uma única parceria elegida
para tal finalidade e, dessa forma, investem seu tempo e demais recursos, em diferentes parcerias e,
portanto, estendem o relacionamento para além da fase inicial de sedução.
Estes pacientes relatam:
1) Um histórico de relações sucessivas e intermitentes que conduzem ao sofrimento; na
maioria dos casos, eles tomam a iniciativa de romper, ou ainda, afastarem-se do parceiro;
2) Pensamentos obsessivos e intrusivos de seduzir parceiros;
3) Comportamentos de flerte compulsivos, mesmo contrário à sua vontade consciente;
4) Que o principal objeto de desejo é o comportamento de conquista, e não necessariamente,
a pessoa conquistada;
5) Que eles dificilmente conseguem manter um relacionamento amoroso com um único
parceiro, em médio ou em longo prazo, tendo dificuldades em manter a fidelidade e compromisso a
essa pessoa;
6) Alimentam expectativas, esperanças e fantasias de se engajar a uma parceria em
potencial, quando seu comportamento sedutor não surte os efeitos de conquista desejados;
7) Investem boa parte de seu tempo e esforços em flertar com outras pessoas. Quando
sentem o parceiro se apaixonou, seu interesse romântico pode instantaneamente, arrefecer;
8) Que o comportamento sedutor repetitivo é geralmente estabelecido com pessoas que
oferecem alguma condição de desafio (padres e freiras, pessoas que já se comprometeram a outras,
celebridades, homossexuais, entre outras possibilidades);
111
9) Que o interesse pelo outro pode reduzir drasticamente mesmo sem ocorrer sexo;
10) Geralmente foram mal sucedidas as suas tentativas para reduzir ou parar o
comportamento sedutor e pensamentos intrusivos relacionados com o flerte.
RESULTADO E DISCUSSÕES
A dinâmica anteriormente descrita se assemelha ao comportamento intitulado Donjuanismo (Lubbe,
2003), também conhecida como satiríase, ninfomania ou impulso sexual excessivo, entendida como
um comportamento relacionado à sexualidade excessiva e compulsiva que se manifesta por sua
necessidade de ter muitos encontros e conquistas sexuais. No entanto, ele difere precisamente
porque agindo sexual não é essencial para a caracterização da sedução compulsiva mas o esforço
conquista em si.
Lee (1988) sugeriu uma taxonomia de Estilos de Amor, a saber: Eros, Ludus, Storge, Pragma,
Mania e Ágape. A dinâmica da sedução compulsiva se assemelha ao estilo Ludus caracterizada pelo
estabelecimento de parcerias variadas e, muitas vezes, simultâneas. Ludus é associado com a
emoção dos que procuram mais que a busca de laços afetivos. Os relacionamentos fundamentados
neste estilo de amor são superficiais e não priorizam o envolvimento com os outros, visto como
restritivas à liberdade do parceiro lúdico.
Outro ponto de vista complementar do comportamento sedutor é fornecido pela Teoria do Apego,
formulada por Bowlby (1969/1984). Este é um conceito teórico de desenvolvimento
socioemocional, que considera a existência de uma necessidade humana inata para formar laços
emocionais com primeiros cuidadores (que correspondem, geralmente, a mãe ou ao pai). O tipo de
vínculo que irá desenvolver posteriormente na vida adulta depende muito do estilo da pessoa que
cuida da criança e pode ser: segura, ansioso-ambivalente, e evitativo. Este último é caracterizado
por baixos níveis de compromisso, de intimidade e de cuidado com o outro, que se assemelha ao
comportamento sedutor compulsivo.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Considerando a escassez de estudos e dada a relevância deste fenômeno, este estudo sugere mais
pesquisas que abordem essa questão, pois, consideramos fundamental o entendimento do
comportamento sedutor e o estabelecimento de abordagens terapêuticas que promovem a formação
de laços emocionais de longa duração, de modo que as pessoas que sofram com esta dinâmica
possam, haja vista que muitos deles desejam, estabelecer uma família.
REFERÊNCIAS
Almeida, T., Rodrigues, K. R. B., & Silva, A. A. (2008). O ciúme romântico e os relacionamentos
amorosos heterossexuais contemporâneos. Estudos de Psicologia (UFRN), 13, 83-90.
Bowlby J. (1984). Apego: A natureza do vínculo. São Paulo: Martins Fontes. (Original publicado
em 1969).
112
Lee, J. A. (1988). Love-styles. In R. J. Sternberg & M. L. Barnes (Eds). The Psychology of love.
(pp. 38-67). New Haven: Yale University Press.
Lubbe, T. (2003). Diagnosing a male hysteric: Don Juan-type. International Journal of
Psychoanalysis, 84(4), 1043-59.
Sophia, E. C., Tavares, H., Berti, M. P., Pereira, A.P., Costa, A. L., Oliveira, C. N., Gorenstein C.,
& Zilberman, M. L. (2009). Pathological love: impulsivity, personality, and romantic
relationship. CNS Spectrums 14, 268-74.
113
PAINÉIS
O TÉRMINO DE UM RELACIONAMENTO AMOROSO: SENTIMENTOS
PREDOMINANTES E IMPACTOS NA VIDA DIÁRIA APÓS A SEPARAÇÃO
Katiane C. S. Goulart
Luciana Lazarini
Bianca C. Bronini
Ana Paula Parada
Elisângela M. M. Pratta
Thiago de Almeida (ITES)
[email protected]
INTRODUÇÃO
O término de um relacionamento amoroso é uma situação vivenciada pela maioria dos indivíduos
em sua vida adulta. Féres-Carneiro (2003) ressalta que, embora a separação possa ser, às vezes, a
melhor solução para um casal cujos membros não se consideram capazes de continuar tentando
ultrapassar suas dificuldades, ela é sempre vivenciada como uma situação extremamente dolorosa,
havendo um luto a ser elaborado. Ultimamente, o processo de separação amorosa vivenciado pelos
componentes da relação, muito mais que antes, devido às transformações sociais e,
conseqüentemente de princípios e valores, acarreta muito sofrimento físico e psíquico ao indivíduo.
Embora, a separação tenha se tornado algo comum e freqüente nos dias atuais, ainda é vivenciada
com muito sofrimento pelas pessoas, desse modo, prejudicando a vida pessoal, familiar,
profissional, acadêmica e saúde física e psíquica.
Devido à dificuldade de se estabelecer uma única forma de vivenciar a separação, bem como
compreender o sofrimento físico e psíquico dos indivíduos resultantes dessa separação, o presente
estudo objetiva investigar como homens e mulheres vivenciam o processo de dissolução da relação
conjugal, e busca compreender as formas de enfrentamento e os sentimentos emergentes após o
término de relacionamento amoroso.
MÉTODO
Participantes
Este estudo contou com a participação de seis pessoas, de ambos os sexos, na faixa etária de 21 a 30
anos. Todos são discentes da Universidade Camilo Castelo Branco na cidade de Descalvado/SP, dos
cursos de Letras, Fisioterapia e Pedagogia. Os participantes foram selecionados de acordo com os
114
critérios, a seguir, descritos: (1) Ter vivenciado um término de relacionamento amoroso no período
de um mês a um ano, a fim de padronizar um tempo específico com relação a vivencia da
separação; (2) Estar dentro da faixa etária de idade estabelecida pela pesquisa, visando a
padronização da idade; (3) Não estar namorando atualmente; (4) Ter vivenciado um relacionamento
amoroso (namoro) durante o período igual ou maior a um ano; (5) Não ter vivenciado uma situação
de se casar; e, (6) Não apresentar história de comprometimento psicológico ou psiquiátrico graves,
na tentativa de evitar conteúdos específicos de quadros psicopatológicos.
Materiais
Esta pesquisa utilizou os seguintes materiais: (1) Roteiro de Triagem, contendo os critérios para a
seleção dos participantes para a entrevista, relativos à faixa etária, vida relacional e saúde mental;
(2) Entrevista Semi-Estruturada, contendo tópicos relativos à vida atual, família, infância,
adolescência e vida amorosa do participante. Esta tem o intuito de realizar uma investigação mais
ampla dos aspectos relacionados ao desenvolvimento, personalidade e relacionamentos do
indivíduo, em seu contexto social; e, (3) Gravação e transcrições das entrevistas.
Procedimentos de Coleta de Dados
Ao entregar o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), as pesquisadoras o leram e
explicaram as informações contidas no TCLE a fim de que os participantes tivessem uma visão
mais clara da colaboração delas. Após o esclarecimento de todas as possíveis dúvidas, o termo era
assinado. Nesse momento, o sigilo era enfatizado aos participantes e esclarecido o uso do gravador,
o qual não foi recusado por nenhum participante. As entrevistas foram gravadas em áudio e
posteriormente transcritas e digitalizadas.
Procedimento de Análise de Dados
Para a análise qualitativa do material, este estudo utilizou em sua etapa de planejamento, o esquema
trazido por Biasoli-Alves (1988) para realização das entrevistas. Nele, observaram-se seis etapas:
(1) construção do roteiro; (2) execução da entrevista e registro literal dos dados; (3) transcrição
literal; (4) as leituras das transcrições; (5) sistematização dos dados; e, (6) a redação.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Referente aos relacionamentos amorosos pode-se citar que houve pontos em comum entre os
entrevistados. Todos relataram que os primeiros namoros ficaram registrados como um
relacionamento significativo mais precoce, vivenciando o seu término com intenso sofrimento,
embora tenham relatado percepções agradáveis no início do relacionamento. Nesse sentido, os
resultados corroboram com a literatura que ressalta como a de Almeida, Rodrigues e Silva (2008),
os quais caracterizam o início de uma relação amorosa os indivíduos como um processo, no qual as
pessoas depositam nele, um conjunto de desejos e expectativas que quase sempre lhes cegam
parcialmente para a realidade. Mas, como pode se pressupor, a paixão é transitória, e a relação
amorosa realmente começa quando se consegue sair de um aparente estado de transe e encarar a
115
realidade assim como ela é. Em outras palavras, investir no conhecimento da fase inicial do
relacionamento amoroso pode diminuir consideravelmente desassossegos que poderiam ser evitados
como a dor de uma separação e mesmo contribuírem para a manutenção da relação.
Os resultados obtidos demonstraram que as mulheres vivenciam o processo de separação buscando
isolamento e experenciando o luto, enquanto os homens buscam o contato social como forma de se
livrarem do sofrimento causado pela separação. Frente a isso homens e mulheres vivenciam o luto
pela separação, porém por meio de estratégias de enfrentamento diferenciadas, o que pode estar
ligado a própria expectativa em relação aos gêneros.
Nesta pesquisa, observou-se também que a maioria dos homens mostrou tentativas de se livrarem
do sofrimento causado pela separação por meio de atividades de lazer com amigos, tentando dar um
novo sentido para suas vidas, ou então, vivenciando outras aventuras que deixaram de realizar
durante o relacionamento. No que se refere às mulheres, o luto mostrou ser vivenciado com muito
sofrimento, pelo fato de idealizarem a relação, criando expectativas irreais. Elas, então, sinalizam
não entender o fato do ex-companheiro procurar rapidamente se relacionar novamente com outra
pessoa.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A relação entre os resultados obtidos no grupo de homens e mulheres para este estudo fornece
algumas informações sobre como cada gênero vivencia o processo de separação amorosa, em que se
pode constatar as diferenças quanto as estratégias de enfrentamento do sofrimento e as mudanças
ocasionadas. Porém, pode-se dizer que todos os participantes desse estudo vivenciaram o luto pela
separação com sofrimento e dor.
Verificou-se que os homens tendem a vivenciar o sofrimento de maneira mais amena do que as
mulheres, comportando-se e manifestando seus sentimentos de forma discreta. Os resultados
obtidos demonstraram que as mulheres vivenciam o processo de separação buscando isolamento e
experenciando o luto, enquanto os homens buscam o contato social como forma de se livrar do
sofrimento causado pela separação. Frente a isso homens e mulheres vivenciam o luto pela
separação, porém, por meio de estratégias de enfrentamento diferenciadas, o que pode estar ligado à
própria expectativa em relação aos gêneros.
REFERÊNCIAS
Almeida, T., Rodrigues, K. R. B., & Silva, A. A. (2008). O ciúme romântico e os relacionamentos
amorosos heterossexuais contemporâneos. Estudos de Psicologia (UFRN), 13, 83-90.
Biasoli-Alves, Z. M. M. (1988). Intersecções das abordagens qualitativas e quantitativas. In D. G.
Souza, V. R. Otero, & Z. M. M. Biasoli-Alves (Orgs.). Anais da 18ª Reunião Anual de
Psicologia da Sociedade de Psicologia. (pp. 487-489). Ribeirão Preto, SBP.
Féres-Carneiro, T. (2003). Modelos de família e intervenção terapêutica. Interações, 8(6), 57-80.
116
PAINÉIS
VIVÊNCIAS DA INFIDELIDADE CONJUGAL FEMININA
Débora Lago de Sousa
Rosita Barral Santos
Faculdade de Tecnologia e Ciências (FTC), BA
Thiago de Almeida1
[email protected]
INTRODUÇÃO
Para Drigotas e Barta (2001) a infidelidade pode ser definida como uma “violação das normas dos
parceiros que regulam o nível emocional ou da intimidade física com pessoas fora do
relacionamento” (p. 177). Pittman (1994) define a infidelidade como uma quebra de confiança ou
como o rompimento de um acordo, e nos coloca que há vários tipos de infidelidade. Dessa forma, a
infidelidade pode ser sexual, emocional, ou até, ambas. `
De acordo com Almeida, Rodrigues e Silva (2008) a infidelidade sexual é qualquer comportamento
que envolva um contato sexual, como beijar, toques íntimos, sexo oral ou quaisquer outros tipos de
relações sexuais, entretanto, a infidelidade emocional é definida pela formação de um vínculo
emocional e afetivo por uma terceira pessoa, que envolveria um tipo de relacionamento onde
ocorreriam conversações íntimas, sentimentos como paixão, encontros marcados, ou um encanto
pelo outro.
Segundo Heilborn (2006) a forma como cada cultura considera adequado o uso dos corpos diz
respeito às ideias dominantes na sociedade em cada momento histórico. Atualmente, por exemplo, a
infidelidade no sexo masculino é culturalmente mais aceita e quase “estimulada”, encontrando
justificativa através do instinto masculino, no desejo (Vavassori, 2006). Levando-se em
consideração que a infidelidade provoca as mais variadas emoções e reações entre parceiros que a
vivenciam, o presente estudo busca compreender os significados da infidelidade para mulheres que
já foram infiéis na relação conjugal.
1. (Instituto Taquaritinguense de Ensino Superior “Dr. Aristides de Carvalho Schlobach” – ITES)
117
MÉTODO
Participantes
Este estudo foi realizado com cinco mulheres casadas, com idade variando entre 30 a 38 anos, que
já foram infiéis na relação conjugal, as entrevistadas serão mencionadas como E1; E2; E3; E4; E5
com a finalidade de anonimatá-las.
Local de coleta dos dados
As entrevistas foram realizadas na Clínica Escola de Psicologia da Faculdade de Tecnologia e
Ciências (FTC) de Vitória da Conquista (BA) para maior preservação do sigilo das mulheres.
Procedimento de coleta dos dados
Juntamente com Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) foi apresentado um roteiro
para obtenção de informações de dados pessoais das mesmas.
Procedimento de análise dos dados
Este estudo se caracteriza por uma pesquisa qualitativa. O instrumento utilizado para a coleta dos
relatos foi uma entrevista semi-estruturada que, segundo Martins e Bicudo (1989) é percebida como
um encontro social, que possui características particulares, dentre as quais é possível citar a
empatia, intuição e imaginação.
Após a transcrição dos relatos, estas mulheres foram submetidas aos quatros passos da análise,
descritos por Martins e Bicudo (1989): (1) Leitura integral dos relatos; (2) Realizou-se uma leitura
crítica e reflexiva dos relatos, numa perspectiva psicológica; (3) Agruparam-se as unidades de
significados encontradas em categoria; (4) Fez-se uma síntese das unidades de significado.
Resultados
A partir do roteiro para obtenção de informações foi possível caracterizar o perfil das participantes.
Tabela 1-Caracterização do perfil das participantes
Identificação
Idades
Estado
Tempo
Escolaridad
Civil
de
e
Profissão
Religião
Casada
E.1
30 anos
Divorciada
6 anos
2º grau
Professora
Evangélica
E.2
31 anos
Solteira
14 anos
2 º grau
Vendedora
Católica
E.3
38 anos
Desquitada
12 anos
3 º grau
Pedagoga
Não tem
E.4
32 anos
Casada
11 anos
3 º grau
Pedagoga
Evangélica
E.5
37 anos
Divorciada
10 anos
3 º grau
Administra
Evangélica
dora
118
A análise dos resultados propiciou a construção de seis categorias: (1) A frustração e a insatisfação
na relação conjugal; (2) O envolvimento emocional como justificativa para a infidelidade; (3) A
dupla moral sexual; (4) A culpa e o arrependimento pela infidelidade; (5) O prazer na relação
extraconjugal e, (6) A infidelidade culminando na separação conjugal. Os resultados evidenciaram
que a insatisfação dessas mulheres com seus relacionamentos e o fato delas encontrarem em outros
homens atributos que não eram percebidos em seus parceiros, as levam a um novo envolvimento
afetivossexual. Também foi relatado o sentimento de culpa em função da discriminação e do
julgamento que a sociedade faz com as mulheres infiéis. Os conhecimentos dos significados da
infidelidade apontados nesta pesquisa podem ser úteis ao campo da Psicologia para auxiliar na
vivência destas mulheres, bem como contribuir para a maior compreensão das relações conjugais na
contemporaneidade.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Na verdade, a idéia de fidelidade para a espécie humana não é uma lei natural, isto é, os seres
humanos não são monógamos por natureza, mas devido a condicionantes culturais tais como
religião, moral, dentre outras possibilidades. Entretanto, dizer simplesmente que a fidelidade não é
natural é meramente querer dizer que a infidelidade o é, e não acrescenta nada ao que já se sabe
sobre este assunto. Tanto uma como a outra são naturais, dependendo da pessoa em questão, da sua
cultura, da sociedade em que se vive, da sua história pessoal, somente para citar alguns. Dessa
forma, todos podemos ser (in)fieis em determinada altura da nossa vida, depois de sermos (in)fieis a
maior parte da nossa vida. Assim, em relação à temática não há uma polarização absoluta.
REFERÊNCIAS
Almeida, T., Rodrigues, K. R. B., & Silva, A.A. (2008). O ciúme romântico e os relacionamentos
amorosos heterossexuais contemporâneos. Estudos de Psicologia (UFRN), 13, 83-90.
Drigotas, S. & Barta, W. (2001). The cheating heart: scientific explorations of infidelity. Current
Directions in Psychological Science, 10(5), 177-180.
Heilborn, M. L. (2006). Entre as tramas da sexualidade brasileira. Revista Estudos Feministas,
Florianópolis, 14(1), 43-59.
Martins, J., & Bicudo, M. A. V. (1989). A pesquisa qualitativa em psicologia: fundamentos e
recursos básicos. (1ª. ed.). São Paulo: Moraes/Educ.
Pittman, F. (1994). Mentiras privadas: a infidelidade e a traição na intimidade. Porto Alegre, RS:
Artes Médicas.
Vavassori, M. B. (2006). Mudanças e permanências: um olhar antropológico sobre as relações de
gênero na cultura brasileira. Revista Estudos Feministas (Florianópolis), 14 (2), 549-571.
119
PAINÉIS
O ‘DEVIR’ DO AMOR E DA SEXUALIDADE NO PROCESSO DO ENVELHECIMENTO
Ester Santiago Duarte Carqueijeiro Antunes
Andrea Soutto Mayor1.
Universidade Severino Sombra – USS
Thiago de Almeida (ITES)2.
[email protected]
INTRODUÇÃO
É fato que o envelhecimento da população brasileira é hoje uma realidade. Outro fato é que a
sexualidade faz parte da natureza e obedece a uma necessidade fisiológica e emocional. Manifestase de forma diferente nas fases progressivas do desenvolvimento humano e sua expressão é
determinada pela maturidade orgânica e mental. Infelizmente, convivemos em uma sociedade que
priva possibilidades dos idosos de pensarem sua sexualidade e a procura de relacionamentos
amorosos de forma autônoma e destituídas de preconceitos e estereótipos. Esse texto se propõe a
fazer uma reflexão neste âmbito ao mostrar que independentemente da idade ou das eventuais
limitações físicas da Terceira Idade os idosos podem obter acesso e ter os mesmos privilégios do
exercício da sexualidade quanto qualquer outro segmento da população.
A sexualidade na Terceira Idade
Se a questão da afetividade e da sexualidade está presente em todos os momentos da vida, não será
no processo do envelhecimento que estaria ausente. Contudo, percebe-se que ao investigarmos o
processo de envelhecimento, que o conhecimento atual aquilatado a respeito do mesmo, em relação
a alguns temas como o estudo do amor e da sexualidade, carece de identidade, e é constituído por
elementos de discursos teóricos e ideológicos fundamentados em legados herdados ultrapassados,
muitas vezes, oriundos das ciências sociais e da medicina (Neri, 1993).
A sexualidade faz parte da natureza e obedece a uma necessidade fisiológica e emocional.
1Profa. Dra– USS ; 2. Prof. Mestre
120
Manifesta-se de forma diferente nas fases progressivas do desenvolvimento humano e
sua expressão é determinada pela maturidade orgânica e mental. A sexualidade é uma forma de
comunicação que visa o prazer, o bem-estar, a autoestima e a busca de uma relação íntima,
compartilhando o amor e o desejo com outra pessoa para criar laços de união mais intensos.
A relação sexual tem sido considerada uma atividade própria, e quase monopólio das pessoas
jovens, das pessoas com boa saúde e fisicamente atraentes. A ideia de que as pessoas da Terceira
Idade também possam manter relações sexuais não é culturalmente muito aceita, preferindo-se
ignorar e fazer desaparecer do imaginário coletivo a sexualidade deles. Apesar desses tópicos
culturais, na Terceira Idade conserva-se a necessidade psicológica de uma atividade sexual
continuada não havendo, pois, idade na qual a atividade sexual, os pensamentos sobre sexo ou o
desejo acabem (Varella, 2007).
Devido ao desconhecimento e à pressão cultural, muitas pessoas da Terceira Idade, nas quais ainda
é intenso o desejo sexual, experimentam um sentimento de culpa e de vergonha, chegando a crer
serem anormais pelo simples ato de se perceberem com vontade do prazer. É preciso desmistificar
esta realidade. É certo que com o envelhecimento se produzem transformações fisiológicas no
homem e na mulher, mas não são inibidoras da atividade sexual. Na Terceira Idade não se perde o
apetite sexual. Simplesmente, já não têm pressa. Enquanto os mais novos obtêm maior gratificação
na quantidade, durante a Terceira Idade reina a qualidade. “O que muda é apenas a freqüência dos
desejos e os ritmos das relações sexuais, mas a sexualidade continua viva.” (Capodieci, 2000, p.
64).
Na percepção de Capodieci (2000) a geração atual de Terceira Idade, muitos não tiveram orientação
sexual ou são frutos de uma educação muito severa. Os pais destes tinham por orientação sexual os
conceitos e preconceitos repressores, herdados de outra geração mais repressora ainda, e para
muitos, o sexo era para ser praticado na escuridão com o intuito de dele nascerem filhos.
Na visão de Risman (2005) o que se percebe, então, é que a escassez de informações sobre o
processo de envelhecimento, assim como das mudanças na sexualidade em diferentes faixas etárias
e especialmente na Terceira Idade, tem auxiliado a manutenção de preconceitos e,
conseqüentemente, trouxeram muitas estagnações das atividades sexuais das pessoas com mais
idade.
Segundo Neri (1993):
“Vários elementos são apontados como determinantes ou indicadores de bem-estar na
velhice: longevidade; saúde biológica; saúde mental; satisfação; controle cognitivo;
competência social; produtividade; atividade; eficácia cognitiva; status social; renda;
121
continuidade de papéis familiares e ocupacionais, e continuidade de relações informais em
grupos primários (principalmente rede de amigos).” (p. 10).
Se além desses elementos acima, ainda a maturidade trouxer o afeto, a paixão, o namoro, o amor, o
sexo, a cumplicidade, o companheirismo, dentre outros, o idoso pode estar certo que, poderá ter
uma satisfatória vida afetiva onde as possibilidades de relacionamento amoroso nesta etapa da vida,
apesar de algumas vezes serem difíceis, são mais viáveis do que muitas pessoas imaginam (Almeida
& Lourenço, 2007). Dessa forma, se o idoso permitir-se tais vivências pode-se supor que ele terá
um envelhecimento positivo, ao contrário, daqueles que somente darão vazão a um saudosismo
passivo, ou ainda, a quaisquer outras posicionamentos imobilizadores e negativos.
A capacidade de amar não tem limite cronológico. O limite está no campo psicológico, no
preconceito e na intolerância social. O limite não está no real do corpo, ou na capacidade de sonhar,
de simbolizar e de viver a vida (Butler & Lewis, 1985).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Resgatar o direito a uma vida amorosa e sexual na Terceira Idade implica poder pensar o amor em
suas formas de transformação, ou seja, outras formas de amor que passam pela ternura, pelos
contatos físicos, a expressão corporal, o olhar, o toque, a voz, redescobrindo as primeiras formas de
amor do ser humano. Na Terceira Idade não se deixa de amar, mas reinventam-se formas amorosas.
É de extrema importância poder pensar que a partir da redescoberta do sexo e do amor, enfim, de
sua sexualidade, as pessoas da Terceira Idade reconquistam o lugar vital de homem e mulher e não
mais o de “velho”, que tem como futuro o fim da vida. Novamente, é na relação com o outro que
está à importância da redescoberta do desejo de viver. As fantasias sexuais, sob forma de sonho, ou
sublimadas em expressões artísticas, retomadas na relação direta de namoro ou na relação com os
familiares, netos, bisnetos, amigos, recolocam na vida, independentemente da idade ou da limitação
física da Terceira Idade.
REFERÊNCIAS
Almeida, T., & Lourenço, M. L. (2007). Envelhecimento, amor e sexualidade: utopia ou realidade?
Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia, 10(1), 101-113.
Butler, R. N., & Lewis, M. I. (1985). Sexo e amor na Terceira Idade. (Trad. I. Carvalho Filho). São
Paulo: Summus.
Capodieci, S. A. (2000). A idade dos sentimentos: amor e sexualidade após os sessenta anos. (Trad.
A. Angonese). São Paulo: EDUSC.
Neri, A. L. (Org.). (1993). Qualidade de vida e idade madura. São Paulo: Papirus.
Risman, A. (2005). Sexualidade e Terceira Idade: uma visão histórico-cultural. Textos
Envelhecimento, 8(1).
Varella, D. (2007). Tempo, o dono da vida: o amor na maturidade. Recuperado em junho/2008 de
< http://fantastico.globo.com >.
122
PAINÉIS
REPRESENTAÇÕES DOS HOMENS HETEROSSEXUAIS ACERCA DO CIÚME CONTEMPORÂNEO
Maria Raquel Moretti Pires
Maíra Costa Abreu
Marília Criscuolo Urbinati
Rafael De Tilio
Thiago de Almeida
[email protected]
INTRODUÇÃO
O ciúme pode ser um elemento presente nos relacionamentos afetivos, sendo este sentimento, um
fenômeno que ocorre com freqüência entre os seres humanos. Esse sentimento pode representar
tanto a manifestação de amor, quanto, um sentimento angustiante e doentio, portanto, pode
desestruturar a saúde física e psicológica das pessoas envolvidas no relacionamento afetivo. Os
objetivos gerais desta pesquisa investigou representações sociais de sete homens heterossexuais, de
18 a 35 anos, em um relacionamento afetivo por mais de um ano, residentes em Ribeirão Preto SP.
MÉTODO
Participantes
Participaram desse estudo sete homens heterossexuais, de 18 a 35 anos, em um relacionamento
afetivo por mais de um ano, residentes em Ribeirão Preto SP.
Instrumento
Os dados foram coletados por meio de entrevistas semi estruturadas e seguiu um roteiro prédefinido abrangendo a temática proposta, com temas relevantes para obtenção de dados necessários
para alcançar os resultados e os objetivos pretendidos na pesquisa. O roteiro de entrevista foi
elaborado abrangendo os seguintes itens: representações do ciúme para os entrevistados em âmbito
individual e social; motivações relativas ao ciúme; prejuízos e malefícios que esse sentimento pode
trazer ou não ao relacionamento afetivo; agressividade masculina relacionada ao ciúme dentro dos
relacionamentos afetivos.
UNIP 2. UNIP 3. UNIP. 4. Prof. Dr. UNIP 5. Prof. Mestre ITES
123
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Para alguns participantes o ciúme pode ser identificado como um sentimento presente nos
relacionamentos afetivos e visto como prova de amor e segurança entre o casal, desde que, não seja
exacerbado. Outros participantes acreditam que o sentimento não deveria existir e acreditam que
dificulta a relação afetiva. Este dado corrobora com a ambigüidade que Almeida, Rodrigues e Silva
(2008) quando discorrem que se por um lado, para muitos, o ciúme representa uma manifestação de
amor, ele também pode ser considerado, por outro lado, para outras pessoas, como um sentimento
que produz angústia, pode atingir formas doentias e abalar a saúde física e mental dos envolvidos.
Verificou-se que o sentimento pode ser gerado por insegurança, baixa autoestima, desconfiança e
por dificuldade de comunicação entre os parceiros afetivos, tal como apontado por autores como
Ferreira-Santos (2003) e Rosset (2004). O sentimento pode ser visto como necessário ao
relacionamento, pois, pode unir o casal, pois, pode acarretar em uma relação de amor, cuidado
mútuo e segurança afetiva e se não ocorre, pode ser observado como dificuldade no relacionamento.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
O que podemos concluir com esta pesquisa é que esse sentimento pode ser um elemento presente
nos relacionamentos e que em alguns casos, se ocorrer de forma exacerbada pode ser nocivo aos
parceiros, desta forma, pode ser gerado por insegurança, baixa autoestima, desconfiança e por
dificuldade de comunicação entre os parceiros afetivos. O sentimento pode ser visto de forma
saudável e necessária ao relacionamento, pois, em alguns casos promove a união afetiva do casal,
demonstrando dessa forma aos parceiros, uma relação de amor, cuidado mútuo e segurança afetiva,
mas, se não ocorre o ciúme, pode ser observado como dificuldade no relacionamento. Conclui-se
que pode ser nocivo, pois, quando exacerbado pode gerar violência física e psicológica. Em
algumas falas pode-se verificar que o ciúme quando exacerbado pode ocasionar deste
constrangimentos verbais até a morte.
REFERÊNCIAS
Almeida, T., Rodrigues, K. R. B., & Silva, A.A. (2008). O ciúme romântico e os relacionamentos
amorosos heterossexuais contemporâneos. Estudos de Psicologia (UFRN), 13, pp. 83-90.
Ferreira-Santos, E. (2003). Ciúme: o medo da perda. São Paulo: Claridade.
Rosset, S. M. (2004). O casal nosso de cada dia. Curitiba: Sol.
124
PAINÉIS
APLICAÇÃO DO PROGRAMA DE QUALIDADE NA INTERAÇÃO FAMILIAR PAIS E
FILHOS NO ESTADO DE RONDÔNIA
Alessandra Cardoso Siqueira(FAROL)1
Arlete Guth da Costa(FAROL)
Bárbara Dalinze M. Silva(FAROL)
Cristiane Aparecida Andreatta(FAROL)
Diene Carla dos Santos Nepomuceno(FAROL)
Flávia Renata Gonçalves Silva(FAROL)
Ireide Batista Leite Santos(FAROL)
Kelly Cristina Costa de Almeida(FAROL)
Kézia Rosa de Souza(FAROL)
Mirley Cristine Pereira(FAROL)
Vanessa de Melo Santana (FAROL)2
[email protected]
Pensando na história da humanidade, o estudo da criança é bastante recente. Segundo Rappaport
(1981), até épocas relativamente próximas ao século XIX, as crianças eram tratadas como pequenos
adultos, inclusive participando de eventos considerados para adultos. No entanto, nos séculos XIX e
XX, observou-se uma crescente mudança em relação ao modelo de tratar e ensinar as crianças, isso
por que, o estudo científico sobre o desenvolvimento infantil intensificou-se, estabelecendo novas
formas de ensinamentos. Quando se refere ao comportamento, Weber (2007, p. 30), cita a
existência de três grandes fatores que influenciam os nossos comportamentos: “[...] a herança
genética e todos os comportamentos que temos como uma espécie; a aprendizagem que temos a
partir do momento em que nascemos (nossa história de vida) e as influências culturais presentes em
1
Docente e coordenadora do curso de psicologia da FAROL, orientadora do projeto “Eduque com Carinho”. Email:
[email protected]
125
casa sociedade em que se vive” [...]. Menciona ainda, que a identificação dos comportamentos da
criança não é um fato isolado, ou seja, deve-se prestar atenção ao que vem antes (antecedente) e
depois (consequente) de um comportamento, pois tais eventos controlam e fortalecem o
comportamento. O sentimento de si próprio como indivíduo pode ser observado desde os primeiros
meses de vida da criança. Considerando a educação uma condição básica para o convívio social, aos
pais cabe a função de educar seus filhos, o que implica o uso de autoridade, estabelecimento de
regras e limites, e proibir o indispensável que possibilite à criança controlar sua impulsividade.
Durante essa fase, os pais frequentemente se sentem confusos sobre quais as melhores estratégias a
adotar, uma vez que, os seus estilos parentais terá um grande impacto sobre o desenvolvimento
biopsicossocial de seus filhos. Visando promover a interação e a dinamicidade entre a escola, os
pais e os filhos, este programa foi implantado com o objetivo de orientar os pais a se tornarem mais
seguros e participativos e, assim, ajudarem seus filhos a se tornarem responsáveis, autônomos,
competentes, autoconfiantes e afetivos, treinando-os e capacitando-os para eles mesmos aprendam a
manejar as contingências de práticas educativas, proporcionando uma melhor qualidade no
relacionamento entre pais e filhos, onde, a alteração ambiental refletirá consequentemente em
mudanças no comportamento destes. O programa foi desenvolvido em escolas de duas cidades do
estado de Rondônia, em dias e horários diferentes. O método de trabalho utilizado foi manual para
aplicadores desenvolvido e organizado pelas Psicólogas Lídia Weber, Ana Paula Salvador e Olívia
Brandenburg, bem como o instrumento de medida. Sabe-se que as práticas parentais positivas não
acontecem num passe de mágica. Conforme aponta Weber (2007), no decorrer dos encontros os
pais relataram uma eficácia quase que momentânea dos resultados obtidos. Através dos relatos pode
ser observado que os objetivos deste programa foram alcançados, onde, os próprios pais
participantes indicaram novos participantes e lugares para este programa ser desenvolvido... “se
este programa tivesse aqui há alguns anos atrás, as coisas lá em casa seriam bem diferentes,
estariam em outro nível”(relato de uma mãe).
Palavras-chave: Desenvolvimento, Práticas parentais e Educação positiva.
2
Discentes do curso de psicologia da FAROL e estagiarias no projeto “Eduque com Carinho”
126
PAINÉIS
ESTRESSE, CRIATIVIDADE E TEMPO LIVRE ENTRE ADOLESCENTES E SUA
RELAÇÃO COM AS PRÁTICAS EDUCATIVAS PARENTAIS
Norma Sant‟Ana Zakir - Universidade Federal do Paraná.
Lidia Natalia Dobrianskyj Weber - Universidade Federal do Paraná.
Cláudia Tucunduva Ton - Universidade Federal do Paraná.
Aline Lenhart Nesi - Universidade Federal do Paraná.
[email protected]
INTRODUÇÃO
Os contextos sociais e profissionais exigem cada vez mais habilidades de administração do próprio
tempo. Essas habilidades devem resultar tanto no cumprimento pontual de compromissos e
organização competente da agenda, quanto na preservação de espaços destinados ao atendimento
das próprias necessidades de saúde e bem-estar. A adolescência constitui um momento
especialmente relacionado a essa vivência. Esta pesquisa teve como objetivo verificar as
correlações entre atividades em tempo livre, criatividade e stress entre adolescentes, bem entre essas
varáveis e a percepção dos estilos educativos parentais, e identificar, em caráter exploratório,
relações de dependência entre as variáveis em questão.
MÉTODO
Os dados foram coletados com 125 alunos com 14 anos do Ensino Fundamental e Médio em
instituição de ensino público de grande porte, salas de aula padrão e sala da administração ou
orientação cedida pela direção. Os recursos humanos foram preenchidos por professora de
Psicologia participante do programa de Pós-Doutorado e orientadora, professora de programa de
Pós-Doutorado e 8 estagiários de graduação em Psicologia e pós-graduação em Psicologia e
Pedagogia. A coleta ocorreu por meio das escalas de Responsividade e Exigência (Lamborn,
Mounts, Steinberg e Dombush -1991); Teste “Pensando Criativamente com Palavras” (Wechsler &
Torrance, 2003); Escala de stress para Adolescente – ESA, (Tricoli e Lipp - 2006); Avaliação de
127
Níveis de Cortisol Circulante, (Lipp, 2000; Souza, 2004; Teixeira 2003). Qualidade de Interação
Familiar, (Weber e cols., 2006).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A análise de Cluster das práticas educativas maternas em três grupos mostrou que os filhos de mães
com práticas educativas mais adequadas apresentaram uma média maior de criatividade, maior
tempo livre e menor estresse. Por outro lado, as mães com piores práticas educativas têm filhos com
estresse elevado, menor criatividade e um número menor de horas livres durante a semana. Em
relação às práticas educativas maternas, houve resultados semelhantes para estresse e criatividade,
mas não foi encontrada relação significativa com tempo livre. A análise de regressão revelou que as
práticas educativas que mais se destacaram em relação ao estresse e criatividade dos jovens foram
envolvimento como fator de proteção e comunicação negativa e punição como fatores de risco. Os
dados mostram correlação significativa e inversa entre tempo livre e estresse, mas não indicou
relação significativa dessas variáveis com a criatividade. Entre os fatores que podem contribuir para
a compreensão dessas relações, estão baixa responsividade e pouco envolvimento dos pais, grande
volume de informações e excesso de atividades extracurriculares para os jovens, inclusive aquelas
preparatórias para a inserção no mercado de trabalho.
REFERÊNCIAS
Lamborn, S. D., Mounts, N. S., Steinberg, L., & Dornbusch, S. M. (1991). Patterns of competence
and adjustment among adolescents from authoritative, authoritarian, indulgent, and neglectful
families. Child Development, 62, 1049-1065.
Lipp, M. E. N. (2000) O stress da criança e suas conseqüências. In: Crianças Estressadas: causas,
sintomas e soluções. LIPPR, M. E. N. (Org.). Campinas: Papirus. P. 13-42.
Souza, F. B. (2004) A unidade do uso de medidas avaliativas no contexto psicoterapêutico, sobre o
enfoque da Análise do Comportamento. Monografia (Especialização em Psicoterapia na Análise
do Comportamento). Universidade Estadual de Londrina, Londrina – PR.
Teixeira, N. A. (2003) Os glicocorticóides e a neuroimunomodulação. In. Lipp, M. E. N. (org).
Mecanismos neuropsicológicos do stress: teoria e aplicações clínicas. São Paulo: Casa do
Psicólogo, 43-50.
Tricoli, V. A. C. e Lipp, M. E. N. (2006). Escala de Stress para Adolescentes. São Paulo: Casa do
Psicólogo.
Weber, L.N.D., Salvador, A.P.V. & Brandenburg, O. (2006). Qualidade de interação familiar:
instrumentos de medida e programas de prevenção. Em M. Bandeira, Z. Del Prette & A. Del
Prette (Orgs.), Estudos sobre habilidades sociais e relacionamento interpessoal (pp. 125-14). São
Paulo: Casa do Psicólogo.
Wechsler, S. M. (2003) Assessing Brazilian creativity with Torrance Tests. In. M. S. Stein (org.)
Creativity Global Correspondents. New York: Winslow Press
128
PAINÉIS
APRESENTAÇÃO DO PROGRAMA SON-RISE COMO ESTRATÉGIA DE
INTERVENÇÃO COM AUTISMO ATRAVÉS DE UM RELATO PARCIAL DE CASO
Aneliana da Silva Prado, UFPR - Curitiba
[email protected]
INTRODUÇÃO
Este trabalho é fruto de um relatório apresentado na disciplina “Pessoas com Necessidades
Especiais II”, no curso de Psicologia na Universidade Federal do Paraná em Curitiba (Prado, 2011).
Ele apresenta uma breve exposição do Programa Son-Rise® como metodologia de trabalho com
pessoas desde 18 meses até 60 anos de idade diagnosticadas com Autismo, Transtornos do Espectro
Autista, Transtorno Invasivo do Desenvolvimento (TID), Síndrome de Asperger e outras
dificuldades do desenvolvimento, e relata parcialmente, devido ao limite de espaço, um caso no
qual este método tem sido utilizado.
Sua relevância se justifica por ser um programa ainda pouco conhecido no Brasil, havendo apenas
uma instituição (“Inspirados pelo Autismo”) creditada no país que realiza treinamento de pais,
profissionais e facilitadores. O material aqui apresentado tem como fonte bibliográfica principal o
site da instituição nos EUA – Autism Treatmeant Center of America (ATCA) – no qual a mãe da
criança realizou o curso Start-Up; informações do treinamento realizado pela mãe com os
voluntários, e também relatos de sessão da autora.
Seu objetivo é apresentar as principais características do programa e demonstrar seus resultados
com uma criança diagnosticada com TID de causa não específica a fim de se fazer conhecido este
método como mais uma possibilidade de intervenção para esse tipo de transtorno.
MÉTODO
Rafael3, 6 anos, diagnosticado aos 2a3m com TID de causa não-específica. Facilitadora: mãe.
Voluntários: pai, acompanhante terapêutica (AT), avó, a autora deste trabalho, e uma prima da
criança (que saiu do programa em meados da elaboração deste relatório). Aplicação: 55 horas
semanais. É aluno de inclusão numa escola particular de Curitiba e frequenta as aulas acompanhado
pela AT.
3
Nome fictício a fim de preservar a identidade da criança e da família.
129
O Son-rise é um programa direcionado aos pais, criado para ser coordenado por eles. É realizado no
“quarto do brincar”: qualquer cômodo da casa onde não haja distrações, a porta esteja fechada, com
prateleiras altas que contenha os brinquedos favoritos da criança, e onde tenha possibilidade de se
observar (www.inspiradospeloautismo.com.br/3/2/2.html). Neste caso, o quarto do brincar é o
próprio quarto da criança que foi adaptado segundo as orientações do programa. É estritamente
recomendado o não uso da manipulação física. As atividades lúdicas são pensadas a partir do
estágio em que a criança está e quais os objetivos que se pretende atingir com a criança, e sua
proposição à criança se dá no momento em que ela está em interação com o facilitador, mas podem
surgir brincadeiras espontâneas. O facilitador deve ser acessível à criança, e a chave é a
“celebração” (com energia, empolgação e entusiasmo) dos comportamentos desejados. Uma
característica particular deste programa é o “juntar-se”4 (Jordan & Rosenbloom, 1979).
O “juntar-se” é quando o facilitador imita a criança – da forma mais fiel e natural possível – em seu
comportamento repetitivo ou estereotipia ao invés de puni-la ou tentar evitar seu comportamento.
No momento do “juntar-se” qualquer indicação de interação da criança para com o facilitador deve
ser celebrada. Esse é um estilo de interação responsivo e não diretivo5. Entende-se que juntar-se a
uma criança em seus comportamentos repetitivos e ritualísticos fornece a chave para se decifrar o
mistério destes comportamentos, e facilita o contato de olho no olho, o desenvolvimento social e a
inclusão dos outros na brincadeira da criança. A utilização da motivação da própria criança
impulsiona o aprendizado e constrói a fundação para a educação e a aquisição de habilidades. O
princípio do Son-rise é que o emprego de uma atitude otimista e sem julgamento maximiza a
diversão,
a
atenção
e
a
motivação
da
criança
durante
o
programa.
(www.autismtreatmentcenter.org/contents/about_son-rise/index.php)
Cada facilitador deve fazer ao menos duas sessões semanais com duração de 2 horas cada. Método
no quarto: 1 – Avaliar; 2 - Criar vínculo: a) Juntando-se; b) Dando controle; c) Sendo fáceis de
lidar; d) Celebrando; e) Não pedindo nada; 3 – Desafiar a criança com os objetivos propostos.
Ao fim de cada sessão são relatados: 1. Atividades exclusivas e repetitivas; 2. Comunicação nãoverbal (contato visual, gestos simples, choro e manha); 3. Comunicação; 4. Duração da atenção
Interativa; 5. Flexibilidade, bem como as dificuldades e/ou ganhos ocorridos. É descrito o
comportamento da criança e como o facilitador respondeu a ele.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Este relatório foi elaborado ao final de três meses de implementação do programa Son-rise com
Rafael (início 01/03). Alguns avanços pontuais foram selecionados como exemplo: no quarto: a)
4
5
Referência: Material de Apoio do Workshop da Inspirados pelo Autismo – Nível I. © Inspirados pelo Autismo (2009).
Referência: Material de Apoio do Workshop da Inspirados pelo Autismo – Nível I. © Inspirados pelo Autismo (2009).
130
Aumento do tempo de atenção interativa: sessão 01/06: 45min de atenção compartilhada:
interpretação da leitura, diálogo espontâneo, pediu colo, pegou a bola para a facilitadora sentar.
Sessão10/06: brincou de esconde-esconde. Na escola: b) maior interação com os colegas. Ex. antes
não gostava de bola, agora joga futebol com outras crianças (relato AT). Ademais, notou-se uma
melhora generalizada na interação de Rafael.
O programa provoca tanto uma reestruturação da dinâmica familiar quanto uma mudança de
paradigma sobre o autismo, considerando-o não como uma desordem comportamental, mas
relacional (www.autismtreatmentcenter.org). O tratamento foca essa relação e propõe um
prognóstico bastante positivo. Como expõe Fiamenghi & Messa (2007) o nascimento da uma
criança com necessidade especial interfere na dinâmica familiar e, em se tratando da implementação
do método Son-rise, pode-se afirmar que a família é convocada a inserir-se no tratamento da criança
ou adulto autista, o que também tende a provocar mudanças.
Algumas dificuldades do programa seriam: a duração; a demanda de voluntários; e o contexto
sócio-econômico da maioria da população brasileira que dificultaria a realização da carga horária
indicada.
Porém, é um método que apresenta alta probabilidade de sucesso segundo dados
apresentados
pelo
site
do
(www.autismtreatmentcenter.org/contents/reviews_and_articles/index.php),
ATCA
e
também
pelos
resultados desses meses de observação e participação no programa.
É importante salientar que os voluntários estão sendo treinados e que Rafael continua em
tratamento. Além disso, deve-se informar que Rafael fez anteriormente acompanhamento com outro
método terapêutico. Os outros tratamentos são o medicamentoso, fonoaudiologia, terapia
ocupacional e algumas restrições na dieta.
Agradecimentos : Aos pais de Rafael, por permitirem a apresentação deste relato.
REFERÊNCIAS
Fiamenghi, G. A.; Messa, A. A. (2007). Pais, filhos e deficiência: estudos sobre as relações
familiares. Psicologia, Ciência e Profissão, 27 (2), 236-425, 2007.
Jordan, G; Rosenbloom, R. M. (1979). Son-rise: A Miracle Of Love [Filme-vídeo]. G. Jordan, Dir.;
R. M. Rosenbloom, Prod. Estados Unidos: NBC. 90 min. color.
Prado, A. S. (2011). Apresentação Programa Son-rise®. Trabalho não publicado, Universidade
Federal do Paraná, Curitiba.
131
PAINÉIS
SEXUALIDADE NA TERCEIRA IDADE, SAÚDE SEXUAL PARA O IDOSO E A QUESTÃO
DA AIDS
Maria Luiza Lourenço (FE/USP)
Thiago de Almeida
[email protected]
INTRODUÇÃO
O aumento do número de idosos na população brasileira é um fato que chama atenção por suas
características e conseqüências (Pavarini, Mendiondo, Barham, Varoto & Filizola, 2005; Pavarini,
Barham, Mendiondo, Petrilli Filho & Santos, 2009). Embora não seja uma exclusividade do Brasil,
posto que o envelhecimento seja um fenômeno universal, o aumento do tamanho da população
brasileira acima dos 60 anos ocorre com algumas peculiaridades devido à velocidade com que esse
processo acontece. As estatísticas indicam que teremos no Brasil, em 2025, mais de 32 milhões de
pessoas com mais de 60 anos. Isso se deve ao aumento da expectativa de vida da população idosa.
(IBGE, s. d.). O objetivo deste artigo é revisar criticamente as evidências científicas disponíveis
sobre o estudo da questão AIDS em Idosos, assim como suas contribuições para a psicologia.
MÉTODO
Realizou-se uma busca computadorizada pela literatura que trata da felicidade, utilizando a base de
dados MedLine sem limite de tempo, com os termos de busca: “Terceira Idade Resultados e
discuss”; “Envelhecimento”; “Sexualidade para o idoso”; “AIDS e Idosos”
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Se, por um lado, o envelhecimento populacional trouxe os benefícios de uma maior longevidade,
por outro, trouxe um novo perfil de morbimortalidade. No lugar das doenças crônicas não
transmissíveis geralmente relacionadas com idosos como a hipertensão, diabetes, artrite,
insuficiência renal crônica, osteoporose e demências, com reduções na mortalidade entre pessoas
idosas, resultaram em aumentos no número de idosos mais vulneráveis às doenças infecções
sexualmente transmissíveis como o HIV.
132
No
Brasil,
a
forma
de
transmissão
predominante
é
por
via
heterossexual
(http://www.aids.gov.br/pagina/idosos) , tanto no sexo feminino (90,4% dos casos) como no
masculino (29,7% dos casos). Entre os homens, a segunda principal forma de transmissão é
homossexual (20,7% dos casos), seguida de uso de drogas injetáveis (19%). Nas mulheres, a
segunda maior forma de transmissão se dá entre usuários de drogas injetáveis, com 8,5% dos casos.
Segundo Miguel Jr. (2009) os dados do Ministério da Saúde brasileiro são alarmantes e
desesperadores, pois superam o número de 43 mil casos de diagnósticos soropositivos em
indivíduos com idade igual ou superior a 50 anos de idade, o que é muito preocupante, pois
representa cerca de 9,1% da totalidade de casos de AIDS diagnosticados. Assim 2% da população
acima de sessenta anos são portadores do vírus HIV, o que significa que 5.500 idosos têm a doença.
Dados do boletim epidemiológico de AIDS do Ministério da Saúde de 2006 revelam o aumento dos
casos de AIDS nos idosos, principalmente no sexo feminino. O índice de AIDS aumentou no
período de 1996/2006, resultado da combinação de vida sexual mais ativa e pouco uso de
preservativos.
Infelizmente, em boa parte do mundo e principalmente no Brasil, ainda não encontramos preparo e
adequação suficientes dos serviços de saúde e políticas públicas, para a prevenção e tratamento da
população idosa contaminada pelo vírus HIV. Os recursos humanos, materiais e tecnológicos
parecem não estar aptos a lidar com as características do envelhecimento, especialmente no que se
refere ao perfil de doenças que acometem os idosos (Silva, Gonçalves, Alvarez, Sena & Vicente,
2006). A mudança do perfil epidemiológico e a observação do aumento do número de casos de
AIDS acima dos 60 anos nos fazem reestruturar conceitos até então vigentes, e por muitas vezes,
preconceituosos. O acesso às informações e a transformação cultural permitiram modificações
comportamentais relacionadas à sexualidade do idoso, não só com o ato sexual em si, mas com a
proximidade, satisfação e a sensação do outro.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Nos idosos, apesar do surgimento de inúmeras doenças, naturalmente existentes pelo fator
envelhecimento, também não deixam de vivenciar as diversas formas de sua sexualidade, muitas
vezes amparadas em medicamentos que minimizam os danos gerados, além de estar associada a sua
dimensão psicoafetiva. Infelizmente, o perfil de saúde em nosso país e no mundo em relação à
população idosa também sofre mudanças, pois, no lugar das doenças crônicas não transmissíveis
geralmente relacionadas com o envelhecimento, estamos nos deparando com as doenças decorrentes
de infecções sexualmente transmissíveis como o HIV. A AIDS sempre foi vista como uma doença
de jovens e adultos, como se a população mais velha não fosse sexualmente ativa. Mas os números
133
mostram que a epidemia cresceu nessa população, principalmente nos últimos anos e que os
preconceitos que cercam a vivência da sexualidade em pessoas acima dos 60 anos limitam e
dificultam a abordagem sobre o HIV, além da ausência de políticas públicas de saúde referente a
essa população.
REFERÊNCIAS
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística-IBGE. (s.d.). Projeção da expectativa de vida para
2050. [citado 2005 Jan 14]. Recuperado em 28 de jun. 2008 de
http://ibge.gov.br/estatistica/população/projeção .
Miguel Jr., M. (2009). AIDS entre os idosos. Medicina Geriátrica. Recuperado em 06 de dez. de
2010 de
http://www.medicinageriatrica.com.br/2009/05/24/aids-entre-os-idosos-brasileiros-parte-1-aspectosepidemiologicos/.
Pavarini, S. C. I., Mendiondo, M. S. Z., Barham, E. J., Varoto, V. A. G., & Filizola, C. L. A.
(2005). A arte de cuidar do idoso: gerontologia como profissão? Texto contextoenfermagem, 14 (3), 398-402.
Pavarini, S. C. I., Barham, E. J., Mendiondo, M. S. Z., Petrilli Filho, J. F., & Santos, A. A.
(2009). Family and social vulnerability: a study with octogenarians. Revista Latino-Americana de
Enfermagem (USP. Ribeirão Preto), 17, 374-379.
Silva, L. W. S., Gonçalves, L.H.T., Alvarez, A. M, Sena, E. L S, & Vicente, F. R. (2006). Perfil da
família cuidadora de idoso doente/fragilizado do contexto sociocultural de Florianópolis, SC.
Texto Contexto Enfermagem, 15(4), 570-77.
134
PAINÉIS
O
ACOMPANHANTE DA CRIANÇA HOSPITALIZADA: SIGNIFICAÇÕES
PROCESSO DE SAÚDE, DOENÇA E HOSPITALIZAÇÃO NA INFÂNCIA
DO
Menezes, M. 1
Moré, C.L.O.O. 2
Barros, L. 3
Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa – FP-UL - Portugal
[email protected]
INTRODUÇÃO
As evidências sobre os efeitos da separação, privação e institucionalização para a saúde mental das
crianças incentivaram a tomada de medidas efetivas para a inclusão de familiares durante o
processo de hospitalização infantil, assim como a constatação de que a presença da família durante
esse processo, favorece o desenvolvimento da criança e possibilita aos acompanhantes o
aprendizado dos cuidados básicos com a criança hospitalizada.
O conhecimento das significações que os adultos elaboram sobre o processo de saúde e doença
possibilita compreender a construção das significações das crianças, visto a influência que as
crenças e atitudes parentais têm sobre o desenvolvimento infantil (Barros, 2003). Crepaldi (1999)
refere que as representações da doença da criança para os pais, se constroem a partir de uma
multiplicidade de fatores, como o que viram e ouviram sobre as doenças infantis, as “(...) imagens e
significações que acumularam, advindas do grupo social ao qual pertencem” (p.85), além da própria
experiência de ter um filho doente.
Desse modo, o presente trabalho objetivou compreender as significações do processo de
hospitalização a partir da perspectiva do acompanhante da criança hospitalizada, buscando
identificar seus conhecimentos sobre os processos de saúde, doenças e tratamentos que ocorrem na
infância.
MÉTODO
Esta pesquisa de cunho qualitativo faz parte de uma Tese de Doutorado em Psicologia, na qual
participaram 20 acompanhantes de crianças com idades entre 5 a 12 anos, de ambos os sexos
135
acometidas por doenças agudas (15) e crônicas (5) que encontravam-se hospitalizadas pelo tempo
médio de 3 a 5 dias nas clínicas médica e cirúrgica pelo Sistema Único de Saúde - SUS, em um
hospital pediátrico de uma cidade do Sul do Brasil. Para a coleta de dados foi utilizada uma
entrevista semi-estruturada, além de observações sistemáticas, realizadas com registro cursivo e
1Dra. Laboratório de Psicologia da Saúde, Família e Comunidade - LABSFAC–UFSC; 2 Prof.ª Dra. Programa de PósGraduação em Psicologia –UFSC; 3 Prof.ª Dra.
e anotações do diário de campo. Os dados foram analisados a partir da Teoria Fundamentada
Empiricamente através da análise de conteúdo das entrevistas. A presente pesquisa foi aprovada por
dois Comitês de Ética, sob os pareceres Nº 667/07 e Nº 009/08 – FR – 176955.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os participantes foram 15 mães, 3 pais, 1 avô e 1 irmã que acompanhavam crianças hospitalizadas.
A maior freqüência de idade ocorreu entre as mães e os pais e situou-se no intervalo entre 30 a 39
anos. A escolaridade dos acompanhantes oscilou entre o Ensino Fundamental incompleto (5ª a 7ª
séries) e Ensino Médio. Em relação às ocupações profissionais, a maior parte das mães
desempenhava apenas as funções de cuidados com a casa e filhos (do lar), em serviços domésticos
em geral, serviços de embelezamento e cuidados pessoais. Entre os pais as ocupações profissionais
mais freqüentes foram: trabalhos agrícolas, condução de veículos, movimentação de cargas e
manutenção veicular. O estado civil com maior freqüência entre os participantes foi casado e a
renda mensal variou entre 1 a 3 salários mínimos.
A análise de conteúdo possibilitou a organização das informações em cinco grandes categorias: a)
conceitos gerais de saúde, doenças, hospitalização e tratamentos de crianças para o
acompanhante; b) conhecimentos do acompanhante sobre a doença e a hospitalização da criança;
c) vivência do acompanhante mediante a doença e a hospitalização da criança; d) relação do
acompanhante com a equipe de saúde do hospital; e e) redes de suporte familiar, social, de
serviços de saúde e hospitalar, sendo as categorias compostas de 28 subcategorias e 60 elementos
de análise.
Os resultados evidenciaram que os acompanhantes revelaram significações de saúde e doença de
crianças relacionados à evitação de comportamentos de risco e à falta de cuidados parentais. O
hospital foi definido como um local que trata as doenças, mas restringe e isola, causando
sofrimento. Também os acompanhantes evidenciaram sentimentos e experiências positivas e
negativas referentes à vivência de acompanhar a criança na internação hospitalar, indicando que a
maioria utilizou estratégias de enfrentamento caracterizadas como facilitadoras. As relações com a
equipe de saúde evidenciaram que os acompanhantes valorizam o interesse e o cuidado que a
136
equipe dispensa aos mesmos, indicando que na comunicação com o médico, existem lacunas
relacionais, o que já não ocorre na relação com os enfermeiros.
Os pais possuem um papel central que precisa ser por eles reconhecido com a ajuda da equipe de
saúde, pois, lhes permite conhecer e compreender as reações infantis mais comuns e esperadas,
possibilitando a utilização dessa relação mais privilegiada para auxiliar o filho nos momentos
difíceis.
Agradecimentos
À CAPES pelo apoio financeiro.
REFERÊNCIAS
Barros, L. (2003). Psicologia Pediátrica: perspectiva desenvolvimentista. 2ª ed. Lisboa: Climepsi
Editores.
Crepaldi, M.A. (1999). Hospitalização na infância: representações sociais da família sobre a
doença e hospitalização de seus filhos. Taubaté: Cabral Editora Universitá
137
PAINÉIS
COMPORTAMENTO ANTISSOCIAL E COMPORTAMENTO EXTERNALIZANTE EM
CRIANÇAS: UMA REVISÃO DE ESTUDOS TEÓRICOS
Ana Priscila Batista
Departamento de Psicologia – UNICENTRO
Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Educação - UFPR
Lidia Natalia Dobrianskyj Weber
Departamento de Psicologia – UFPR
Programa de Pós-Graduação em Educação – UFPR
[email protected]
O comportamento antissocial é considerado um dos principais problemas na infância, tido como o
precursor do processo de desenvolvimento de comportamentos inadequados que podem ocorrer
mais tarde. Vários termos já foram utilizados para descrever crianças com esse tipo de
comportamento-problema, sendo que cada termo tem uma história associada com seu uso. O
objetivo do presente trabalho foi realizar uma revisão de literatura acerca de estudos teóricos sobre
comportamento antissocial e problemas de comportamento externalizante, em geral, em crianças.
Os critérios considerados para a seleção dos artigos foram: artigos publicados de forma completa;
em língua portuguesa, inglesa ou espanhola; publicados a partir do ano de 2000; nas bases de dados:
scielo, lilacs e pepsic; estudos de psicologia ou pertinentes à psicologia; referentes à infância e/ou
adolescência; foram excluídos artigos exclusivamente médicos, com objetivo principal relacionado
a outras temáticas (por exemplo: nascidos prematuros, enurese, deficiência mental etc.)
relacionados ao desenvolvimento e avaliação de instrumentos, bem como aqueles que se repetiram.
Foram utilizados vários descritores, tais como: comportamento antissocial, comportamento
externalizante e comportamento agressivo. De acordo com os critérios, foram encontrados 27
artigos teóricos relacionados a conceitos, características e revisão de literatura. Percebeu-se que
138
muitos dos trabalhos realizados utilizaram conceitos distintos para tratar de eventos e
comportamentos semelhantes, tais como problema de comportamento, comportamento agressivo,
comportamento antissocial, problemas de comportamento exteriorizado e externalizante, dentre
outros. Outros temas também foram abordados: delinqüência juvenil, bullying, relação entre
depressão materna e problemas de comportamento, relação entre a exposição à violência e
problemas de comportamento e influência ambiental na saúde mental da criança. Quanto à
metodologia dos estudos, agrupou-se os artigos em três conjuntos: revisão de literatura de algum
tema específico, em bases de dados delimitadas; estudos que trataram de descrever as características
de comportamentos, transtornos, fatores ou eventos relacionados; artigos referentes a análises
conceituais e teóricas de determinado tema. Os resultados e conclusões são diversos e uma grande
parte relata fatores de risco em que a criança é exposta e que se relacionam a determinados
problemas de comportamento, sendo que a menção a ambientes familiares adversos, práticas
parentais negativas e à violência doméstica, foram os fatores mais citados. De forma geral, pode-se
concluir que tal temática vem sendo bastante explorada na literatura, mesmo com a utilização de
diversos termos e a partir de diferentes perspectivas teóricas e metodológicas. Em concordância
com a conclusão de grande parte dos trabalhos, aponta-se para a necessidade de propostas de
prevenção de tais problemáticas, embasadas no conhecimento das variáveis relacionadas, como as
demonstradas nas pesquisas, possibilitando o pleno desenvolvimento de crianças e adolescentes.
Palavras-chave: infância, comportamento antissocial, comportamento externalizante.
139
PAINÉIS
ESTILOS PARENTAIS: COMPARAÇÃO ENTRE FAMÍLIAS DE CRIANÇAS E
ADOLESCENTES COM E SEM ALTAS HABILIDADES
Ana Paula Viezzer Salvador
Lidia N. D. Weber
Franciny Sombrio
Maria Luíza Melo Machado
Pollyanna Carolina de Azevedo Hamilton Pierdoná
Priscila Lopes Albuquerque
Paula Sakaguti
Universidade Federal do Paraná
[email protected]
O desenvolvimento da criança e do adolescente está intimamente ligado aos contextos familiar e
escolar. É na relação com os pais que a criança encontra o suporte para lidar com as demandas
escolares, pois são eles que transmitem as primeiras informações e interpretações sobre o mundo.
Dentro desse contexto, o objetivo dessa pesquisa foi o de comparar estilos parentais de
crianças/adolescentes que possuem altas habilidades com crianças/adolescentes que não possuem
altas habilidades. Para tal objetivo foi utilizada uma amostra de 48 crianças e adolescentes de
instituições públicas de ensino da região de Curitiba-PR, com idade entre 9 e 18 anos. Ressalta-se
que essa amostra foi dividida em dois grupos de igual número, sendo 24 participantes com altas
habilidades de uma instituição (alunos que frequentam sala de recursos) e 24 participantes sem altas
habilidades de outra instituição. Os instrumentos utilizados foram: Escala de Estilos Parentais
(Escalas de Exigência e Responsividade) e Escala de Ansiedade para Adolescentes. Os
questionários foram aplicados coletivamente com a devida autorização das instituições. Os dados
foram analisados quantitativamente através de testes estatísticos (Teste t de Sudent e Quiquadrado). Verificou-se que, ao comparar os dois grupos, a variável ansiedade apresentou-se com
média mais alta para aqueles sem altas habilidades (t = -3,911; p < 0,05). Quanto às análises dos
estilos parentais e suas duas dimensões (exigência e responsividade), observou-se que a exigência
140
do pai apresentou-se com média maior para o grupo com altas habilidades (t = 2,117; p < 0,05).
Vale pontuar que a responsividade do pai e a exigência e responsividade da mãe não apresentaram
diferenças significativas entre os grupos (p > 0,05). Com relação a análise dos estilos parentais, o
teste qui-quadrado não apontou diferenças significativas (p > 0,05), entretanto, foi possível observar
algumas porcentagens interessantes. Em relação ao estilo parental do pai, observou-se que entre os
alunos que apresentam altas habilidades a porcentagem foi de: 34,8% com pai participativo; 30,4%
com pai negligente; 17,4% com pai autoritário; e 17,4% com pai permissivo. Entre os alunos que
não apresentam altas habilidades, a porcentagem foi de: 45,8% com pai negligente; 29,2% com pai
participativo; 16,7% com pai permissivo; e 8,3% com pai autoritário. Em relação ao estilo parental
da mãe, observou-se que entre os alunos que apresentam altas habilidades a porcentagem foi de:
29,2% com mãe negligente; 25,0% com mãe participativa; 25,5% com mãe autoritária; e 20,8%
com mãe permissiva. Entre os alunos que não apresentam altas habilidades, a porcentagem foi de:
52,2% com mãe negligente; 34,8% com mãe participativa; 8,7% com mãe permissiva; e 4,3% com
mãe autoritária. A pesquisa demonstrou certa diferença entre os grupos analisados, porém vale
lembrar que a amostra coletada é relativamente pequena. Portanto, pretende-se coletar mais dados
com o intuito de enriquecer ainda mais o trabalho proposto. Ressalta-se também a importância de
estudos nesta área, visto que a interação familiar tem extrema importância para o desenvolvimento
de um repertório comportamental adequado dos filhos.
Palavras-chave: estilos parentais; práticas parentais; altas habilidades.
141
PAINÉIS
A RELAÇÃO ENTRE ESTILOS PARENTAIS E O DESEMPENHO ACADÊMICO DE
ADOLESCENTES
Cristiani Aparecida da Silva
Chanary Procek
Ana Paula Viezzer Salvador
Lidia N. D. Weber
Eduardo de Almeida Silva
Universidade Federal do Paraná
[email protected]
As práticas educativas parentais representam um importante fator para o desenvolvimento e
aprimoramento de habilidades da criança necessárias tanto ao ambiente escolar quanto ao
relacionamento social. Considerando a importância das interações familiares, pesquisadores têm
estudado cada vez mais as práticas e estilos parentais (autoritativo, permissivo, autoritário e
negligente) como também a influência de cada estilo no desenvolvimento social e escolar dos
filhos. O objetivo do presente estudo foi o de verificar a relação entre estilos parentais e o
desempenho escolar de adolescentes em duas disciplinas específicas (matemática e português). A
pesquisa foi realizada com 236 participantes de escolas públicas de Curitiba, de turmas de 6ª e 7ª
séries. O método utilizado foi a aplicação de um questionário composto por uma escala (Estilos
Parentais - Escalas de Exigência e Responsividade), e por peguntas sobre o desempenho acadêmico,
nas quais o aluno deveria responder se suas notas bimestrais em matemática e português estavam
acima ou abaixo da média. Os resultados obtidos foram analisados estatisticamente através do Teste
t de Student e do Qui-Quadrado. Verificou-se uma relação significativa (p < 0,05) entre o
desempenho em matemática e português e as dimensões de exigência do pai (t = -2,667 e t = 0,569)
e de exigência da mãe (t = -2,839 e t = -2,426), sendo que os alunos com notas escolares acima da
média relataram ter pais com maior nível de exigência. Verificou-se também relação significativa (p
< 0,05) entre o desempenho em matemática e a dimensão de responsividade da mãe (t = -2,927),
sendo que os alunos com notas escolares em matemática acima da média relataram ter mães com
maior nível de responsividade. Quando analisada a classificação dos quatro estilos parentais,
142
observou-se que entre os alunos com notas de matemática abaixo da média, 54,7% eram filhos de
pais negligentes, 18,9% filhos de pais permissivos, 15,1% filhos de pais autoritativos e 11,3% filhos
de pais autoritários. Quanto aos alunos com notas de português abaixo da média, observou-se que
48% eram filhos de pais negligentes, 24% filhos de pais autoritativos, 22% filhos de pais
permissivos e 6% filhos de pais autoritários. Ao analisar os alunos com médias escolares acima da
média em matemática e português, observou-se que a maioria eram filhos de pais autoritativos
(40,5% e 36,7%). Pôde-se concluir que os estilos parentais, assim como as dimensões que o
compõem, especialmente a exigência, estão relacionados com o desempenho acadêmico dos filhos,
confirmando que a família pode exercer forte influência no desenvolvimento de habilidades
necessárias diante do contexto escolar.
Palavras-chave: estilos parentais; práticas parentais; desempenho acadêmico.
143
PAINÉIS
AVALIAÇÃO DE UM GRUPO DE DESENVOLVIMENTO DE HABILIDADES SOCIAIS
COM ADOLESCENTES DE UMA ESCOLA PÚBLICA
Aline Lenhart Nesi
Ana Paula Viezzer Salvador
Chanary Procek
Cristiani Aparecida da Silva
Eduardo de Almeida Silva
Antoniela Yara Marques da Silva
Heloísa Formigão
Leiliane Silva do Nascimento
Maria Luíza Melo Machado
Fernanda Suemi Oda
Camila de Moura
Universidade Federal do Paraná
[email protected]
As queixas recorrentes em escolas brasileiras se focam em temas relacionados a habilidades sociais
e bullying. Muitas pesquisas enfocam o contexto de violência presente no ambiente escolar, tanto
na relação aluno-aluno, quanto na relação aluno-professor, o que poderia ser explicado pelo déficit
no repertório de habilidades sociais dos alunos e professores. Apesar de tal afirmação, é necessário
considerar a existência de outras variáveis importantes, como por exemplo, o ambiente familiar.
Diante deste complexo contexto, no qual família e escola exercem forte influência, o presente
trabalho teve como objetivo avaliar um programa de intervenção, que foi aplicado em alunos de
cinco turmas de 5ª série, com idade entre 11 e 15 anos, de uma escola estadual da cidade de
Curitiba. O programa, intitulado “Espaço Interação”, foi realizado ao longo de sete encontros
semanais, durante o período de aula, e tinha como propósito o desenvolvimento de habilidades
sociais. Após um semestre da realização do programa, com o objetivo de avaliar seu resultado, foi
feita a aplicação de um questionário composto por quatro escalas (Escala multidimensional de
reatividade interpessoal de Davis – EMRI; Escala de ansiedade para adolescentes; Escala de
violência psicológica e Escala de bullying). Os dados foram analisados através do Teste t de
144
Student e Correlação de Pearson. A aplicação foi feita em 121 alunos, entre os quais 41,9%
participaram da intervenção e 58,1% não participaram (grupo controle). Verificou-se a partir dos
resultados obtidos, que houve uma diferença significativa na média de reatividade interpessoal (t =
1,929; p < 0,05), sendo que o grupo que participou da intervenção apresentou maior índice. Esse
dado demonstra que a intervenção pode ter contribuído para o desenvolvimento de habilidades
como “consideração empática”, “tomada de perspectiva do outro” e “personal distress”, que são as
três dimensões que compõem a escala de reatividade interpessoal. Pôde-se observar que houve uma
correlação significativa entre reatividade interpessoal e bullying (r = -0,275; p < 0,05), mostrando
que quanto maior é o nível de reatividade interpessoal, menor é o nível de comportamentos
agressivos em relação aos colegas. Este dado é importante por mostrar que ao se trabalhar o
desenvolvimento da reatividade interpessoal, pode-se obter um efeito indireto para minimizar a
incidência do bullying. Além disso, analisando todos os participantes, verificou-se uma correlação
significativa entre ansiedade e violência psicológica (r = 0,596; p < 0,05). Ao se comparar os
resultados de reatividade interpessoal (t = -2,526; p < 0,05) e de ansiedade (t = -2,345; p < 0,05)
entre meninos e meninas, verificou-se que as meninas apresentaram médias significativamente
maiores nas duas variáveis. Pôde-se concluir que a intervenção realizada apresentou efeitos
positivos no que se refere ao desenvolvimento de reatividade interpessoal. Os dados encontrados
também mostram a necessidade de outros tipos de intervenção (com professores e famílias), pois se
verificou que estes alunos vivem numa contingência fortemente coercitiva, apresentando alto nível
de ansiedade e de exposição à violência psicológica.
Palavras-chave: habilidades sociais; empatia; bullying; ansiedade.
145
PAINÉIS
COGNIÇÃO E APRENDIZAGEM EM PACIENTES PEDIÁTRICOS COM CRISE
EPILÉPTICA AFEBRIL: ABORDAGEM NEUROPSICOLÓGICA
Ana Caroline Bonato da Cruz (UFPR)
Davi Sidnei de Lima (UFPR)
Sergio Antônio Antoniuk (CENEP – HC/UFPR)
Isack Bruck (CENEP – HC/UFPR)
Tatiana Izabele Jaworski de Sá Riechi (CENEP – HC/UFPR)
Centro de Neuropediatria do Hospital de Clinicas (CENEP – HC/UFPR)
[email protected]
INTRODUÇÃO
As disfunções cognitivas associadas à epilepsia são amplamente relatadas pela literatura (Motamedi
& Meador, 2003; Sillanpaa & Schmidt, 2009; Souza-Oliveira, et al., 2010), sendo que muitas
variáveis tomam importância, tais como idade de inicio, duração, freqüência das crises, etiologia,
lateralidade da lesão, número de medicações antiepilépticas, história de crise febril e estado de mal
epiléptico (Guimarães, 2006). Nesse contexto, a relação entre funções cognitivas e substrato neural
precisa ser estabelecida através da avaliação neuropsicológica, que proporciona dados quantitativos
e qualitativos, auxiliando no diagnóstico da disfunção, no plano de intervenção e na qualidade de
vida do paciente.
Objetivo
Avaliar o desempenho cognitivo de crianças e adolescentes com crise epiléptica afebril,
encaminhados para avaliação neuropsicológica com queixa de dificuldade de aprendizagem e
comportamento.
MÉTODO
A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa em Seres Humanos do Hospital de
Clínicas da Universidade Federal do Paraná (CEP/HC/UFPR: 2351.245/2010-10).
Participaram
pacientes do Ambulatório de Primeira Crise e Crise(s) Recente(s) do Centro de Neuropediatria do
Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná, com idade entre 6 e 16anos, ambos os
146
sexos, de janeiro de 2008 a março de 2011. Os pacientes encaminhados a Neuropsicologia com
queixa de aprendizagem responderam ao Protocolo de Avaliação Neuropsicológica Breve Infantil.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Foram avaliados n=52 pacientes, com média etária de 11a6m (+3a7m), 30 (58%) do sexo masculino
e 22 (42%) feminino, 85% do Ensino Fundamental Regular e 69% com queixa de dificuldade de
aprendizagem e comportamento; 34 (65%) com diagnóstico clínico de epilepsia e 18 (35%)
indeterminado; 13 (25%) com crise parcial, 30 (58%) generalizada e 9 (17%) indeterminada; 81%
com bom controle das crises, sendo 64% em uso de medicação. O Resultado do Quociente
Intelectual Total indicou 27% acima da média, 31% na média e 42% abaixo da média, sendo o valor
médio do Quociente Intelectual Verbal de 92,84 (+20,45) e a média do Quociente Intelectual de
Execução de 104,96 (+20,37).
A importância da avaliação neuropsicológica é apresentada em muitos estudos que indicam
prejuízos sobre a cognição e o QI (coeficiente de inteligência) em crianças epilépticas. A
precocidade e a duração das crises são fatores que estão ligados diretamente a déficits cognitivos.
Dificuldades de memorização e lentidão mental estão destacadas entre as deficiências cognitivas.
As crises epilépticas em momentos cruciais podem acarretar prejuízos cognitivos, principalmente
relativos à memória e atenção. Mesmo nas crianças com inteligência normal, há incidência maior de
diversos transtornos cognitivos e comportamentais que afetam direta ou indiretamente o
aprendizado. Há registros de elevada co-morbidade neurológica e cognitiva na epilepsia.
(Grunspum & Grossmann, 1992; Souza & Guerreiro, 1996; Montamedi,2003; Winckler & Melo,
2006).
CONCLUSÃO
Os resultados da Avaliação Neuropsicológica indicam prejuízos cognitivos dos pacientes,
apontando para déficits que as variáveis orgânicas das crises epilépticas podem acarretar no
processo de aprendizagem. Há necessidade de continuidade do estudo, visando correlacionar as
dificuldades que podem interferir no rendimento acadêmico e justificar a queixa de dificuldade de
aprendizagem e comportamento de crianças com crises epilépticas afebris.
Palavras-Chave: Avaliação Neuropsicológica; aprendizagem; cognição; epilepsia; crises
epilépticas;
147
PAINÉIS
O ESTIGMA, A PROSTITUIÇÃO FEMININA E A DEPENDÊNCIA QUÍMICA:
ASPECTOS E INTERFACES PRESENTES E RELEVANTES À SOCIEDADE
Diego da Silva
Ivonete Ferreira Haiduke
Patrícia Cardoso Campos Nogueira
Faculdade de Administração
Ciências, Educação e Letras- Curitiba- Paraná
[email protected]
O presente trabalho tem por objetivo estudar as influências que o estigma, a prostituição e a
dependência química exercem na vida da população de uma forma geral, abordando aspectos e
conceitos principais relacionados a cada tema. Para tanto, foi realizada uma pesquisa bibliográfica.
Estigma são características individuais que as pessoas possuem atuando em suas vidas de forma que
prejudique o seu convívio social, tornando essa pessoa marcada, vista pelos outros e por ela mesma
como portadora de alguma anomalia. Existem ganhos secundários no estigma, como a piedade das
outras pessoas. Os principais exemplos de estigmas referem-se quase sempre a desonestidade,
relacionamentos destrutivos, distúrbios mentais, homossexualidade, desemprego, a falta de
tolerância religiosa, de nacionalidade, dependência química, prostituição, deformidades físicas,
entre outros. A prostituição feminina é um fenômeno social, econômico, cultural que define-se pelo
fato da mulher trocar sexo por dinheiro. Esse fenômeno já existe desde os primórdios da sociedade,
e teve participação importante na constituição e desenvolvimento das cidades. Cada prostituta tem
uma história singular de vida, portanto, os motivos gerais que levam a mulher a se prostituir são
inúmeros, dentre eles a necessidade de sobrevivência aliada com facilidades da profissão, como
dinheiro recebido de forma rápida e maleabilidade de horários. A droga muitas vezes está presente
na prostituição como uma forma da mulher suportar sua profissão. Os estigmas presentes também
são variados, sendo eles quanto a faixa etária e aparência, imoralidade, origem social, exercer
148
profissão em outras cidades e estados para que familiares e conhecidos não as reconheçam, entre
outros. Através da luta de entidades que cuidam dos direitos das prostitutas, a profissão está
regulamentada e inclusa na Classificação Brasileira de Ocupações. A dependência química
caracteriza-se pela necessidade psicológica e/ou física de alguma substância que altere a
consciência. É uma doença crônica, porém, passível de controle, portanto, está inclusa no D.S.M
(Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais). A dependência química afeta de forma
prejudicial a vida do indivíduo, principalmente suas relações familiares e profissionais. O
tratamento em comunidades terapêuticas é uma das soluções mais comuns. Logicamente a
prevenção é a solução mais eficaz. A falta de diálogo na família e na escola, aliados a carência
afetiva e pobreza das relações, são aspectos que podem levar a pessoa a se tornar um dependente
químico. Os estigmas mais comuns na dependência química são a falta de segurança do dependente
em si mesmo ao se reinserir na sociedade, a associação que as pessoas fazem da droga com a
violência, e o fato do dependente achar que pode parar de consumir as drogas no momento em que
ele quiser. Para conseguir a droga, o dependente químico não se preserva em nada, podendo
recorrer até mesmo a prostituição.
Palavras-chave: Estigma, prostituição, dependência química.
149
PAINÉIS
AS MÚLTIPLAS FACES DA VIOLÊNCIA NO ESPAÇO ESCOLAR: REFLEXÕES E
DESAFIOS
Alessandra Cardoso Siqueira (FAROL)
Eraldo Carlos Batista (FAROL)
Benedito Alves de Oliveira (FAROL)
[email protected]
Nos tempos modernos, a violência permeia todas as áreas de relação do indivíduo, sendo a violência
escolar uma das principais preocupações da sociedade, uma vez que esta deixa de ser apenas
produto de uma cultura de violência externa e passa ser constituída também no espaço escolar. Ou
seja, além dos problemas familiares, econômicos, políticos, emocionais que interferem no
desenvolvimento dessa violência cotidiana na escola, existe um tipo específico, gerado no interior
da própria escola. Constituída principalmente pelo desrespeito, pelas ameaças e pelas agressões
praticadas pelos alunos, a violência vem ganhando novas formas com o decorrer do tempo, sendo
presenciada e negligenciada muitas vezes em todos os seguimentos da instituição escolar. Esta
forma de violência vai além das características encontradas nos fatores externos da escola,
encontrando-se nos aspectos envolvidos e desenvolvidos por ela como a relação professor-aluno,
aluno-instituição e também entre os alunos. Nesse sentido, a violência escolar caracteriza-se como
todo ato que impede, em sentido amplo, o pleno desenvolvimento dos atores sociais aí presentes
não tendo sua origem somente neste ambiente como também expandindo-se para outros grupos e
instituições de convivências dos atores escolares. Concretiza-se como resultado de uma cultura de
violência vivenciada no cotidiano escolar por esses alunos, onde não só o aluno, mas todos os
envolvidos são ao mesmo tempo geradores e depositários de atos de violência. O objetivo deste
estudo foi investigar a percepção dos alunos e professores acerca das manifestações de pequenos
atos que dão origem a violência no contexto escolar. A pesquisa foi realizada com 108 alunos e 11
professores de terceiro, quarto e quinto anos do ensino fundamental de uma escola da rede pública
do estado de Rondônia. Como instrumentos de coletas de dados foram utilizados entrevistas,
observação e a aplicação de um questionário, o qual visava diagnosticar a percepção de estudantes e
professores acerca das diversas formas de manifestação que a violência assume no ambiente escolar
150
e as variáveis possivelmente associadas a ela. Os resultados obtidos na escola pesquisada revelaram
que a maioria das ações de violência identificadas, tanto por professores como por alunos, foram
aquelas caracterizadas pelo desrespeito, ameaças e agressões verbais, psicológica e moral.
Entretanto, 31% dos alunos entrevistados, não reconhecem essas ações como uma modalidade de
violência, classificando apenas a agressão física como ato de violência.
Palavras-chave: Violência; relação professor-aluno; escola.
151
PAINÉIS
MUNDO DA LUA: USO DE DROGAS E FAMÍLIA
Ana Carolina Buzzá Machado
Marina Guebert
Nicolle Roman Ferreira
Maria Cristina Neiva de Carvalho
Fonte: estágio de Psicologia Jurídica da Pontifícia Universidade Católica do Paraná
[email protected]
O uso de drogas se enquadra em uma problemática multifatorial, pois é importante considerar
diferentes aspectos acerca do uso. A droga atinge não somente o indivíduo, mas todo o contexto que
ele está inserido, e em especial a família.
Todos os membros são afetados, podendo trazer
diferentes problemas para o ambiente familiar como adoecimento, discussões e até crises maiores.
Muitos familiares quando descobrem o uso de drogas por um de seus membros preferem negar e
criam barreiras para o fato e o usuário acaba se afastando deste contexto, preferindo os pares, pois
já não se sente enquadrado nele. Com isso a família se sente culpada e o ambiente entra em crise e,
a partir daí que algumas famílias buscam ajuda. Este trabalho tem como objetivo discorrer sobre as
observações decorrentes do atendimento pelo Setor Técnico de usuários de drogas que se
envolveram com a justiça e cumprem medida alternativa no Juizado Especial Criminal de Curitiba.
Estes usuários podem retornar com suas famílias ao setor buscando algum tipo de auxílio. Com
intervenção em todo o contexto, o trabalho se torna mais amplo, podendo abranger todos os
envolvidos na problemática. Observou-se a importância da presença da família no acompanhamento
e na motivação para mudança do usuário de drogas envolvido com a justiça tanto durante o período
de uso quanto na recuperação. São realizadas intervenções nos atendimentos, nas suas diferentes
modalidades, a usuários que chegam ao setor acompanhados ou não de seus familiares. Quando
buscam ajuda a família está sofrida, necessitando de amparo e escuta psicológica, juntamente com o
tratamento. Os familiares apresentam sentimentos de culpa e impotência. Ainda, ressalta-se que, os
indivíduos relatam abandonar a família durante o uso da substância, invertendo os valores e
prioridades que tinham, porém, buscam resgatar o vínculo durante o tratamento, podendo valorizar
152
esta experiência após algum tempo de abstinência. A família é um fator de proteção em relação ao
uso de drogas e aos poucos o usuário vai percebendo e se aproximando disso. Os familiares buscam
apoio e criam vínculo com o setor, recebendo estímulos saudáveis para lidar com a problemática. A
família é a principal rede de apoio ao usuário que se dispõe ao tratamento, servindo como base
concreta e psicológica ao indivíduo. O amparo e os sentimentos positivos motivam o usuário e com
a recuperação dele a família também se beneficia.
Palavras-chaves: Drogas, família, intervenção jurídica.
153
PAINÉIS
A FRUTA NÃO CAI LONGE DO PÉ: VIOLÊNCIA TRANSGERACIONAL
Elaine Chaves
Gabriela Rossetto Demeneck
Maria Cristina Neiva de Carvalho
Viviane Ferreira
Estágio de Psicologia Jurídica da Pontifícia Universidade Católica do Paraná
[email protected]
A sociedade brasileira foi construída a partir de um modelo patriarcal, em que ao homem era
conferido o poder sobre a mulher, seja na tomada de decisões ou sobre o seu papel de servir ao
marido e ao lar. Apesar de diversas mudanças terem ocorrido a partir dos movimentos feministas,
os vestígios de um tempo patriarcal ainda encontram-se refletidos. Pode-se dizer que milhares
mulheres em todo o mundo são vítimas de agressão verbal, física, psicológica e até mesmo sexual,
principalmente, por parte de seus companheiros, o que significa que a violência de gênero ocorre no
contexto familiar. A função da família deve ser a de promover amparo, alcolhimento, identificação
social, socialização, flexibilidade, delimitação de papéis sociais, expressão de afeto positivo,
carinho proteção, satisfação das necessidades básicas, segurança, bem estar e conforto, portanto,
não é esperado que nesse contexto exista qualquer tipo de agressão. A prática cotidiana de maustratos dentro da família tem prejuízos significativos para todos os seus membros. Em razão da
transmissão intergeracional de violência, as crianças que vivenciaram ou observaram algum tipo de
agressão em seus lares têm maior propensão a perpetuarem os mesmos comportamentos ou a
aceitarem a violência como conduta comum praticada. Tais afirmativas corroboram com o fato de
que homens educados em lares abusivos e violentos têm maior chance de perpetuarem a violência
doméstica, assim como mulheres que anteriormente foram filhas em famílias com relação violenta
têm maior probabilidade de serem vítimas. Frente às afirmativas, o presente trabalho tem como
objetivo discorrer sobre a percepção dos autores e das vítimas de violência doméstica acerca da
família. Os dados foram coletados por meio de grupos de intervenção no Juizado Especial de
Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher, em Curitiba, os quais ocorriam separadamente,
154
ou seja, grupos de vítimas e de autores de violência. A partir dessa experiência foi constatado que,
de modo geral, os homens autores de agressão encaram a relação familiar como uma díade entre
homem e mulher ou companheiro e companheira, excluindo os filhos dessa relação. Após serem
estimulados a pensarem a respeito de todo o sistema familiar, eles evitam verbalizar qual a
influência que a violência doméstica pode gerar sobre seus filhos e, quando o fazem, demonstram
preocupação com o que as crianças podem pensar sobre eles. Já as mulheres apresentam um
discurso diferente, mencionando que a violência doméstica causa danos em todo o lar, com
reflexões em si próprias, em seu companheiro e em seus filhos. Embora apresentem esse discurso,
agem de maneira paradoxal, alegando não se desvencilhar de seu agressivo companheiro em razão
de seus filhos, que exigem a presença do pai no lar. Em contrapartida, é possível observar que, em
diversas situações, a denúncia foi realizada quando a agressão atingiu diretamente seus
descendentes. Por meio dessa constatação, percebe-se que a tomada de decisão é em detrimento dos
filhos, as próprias vítimas mencionam que só conseguem agir pensando em si mesmas quando seus
filhos são independentes. Ademais, as vítimas acreditam que precisam suprir todas as necessidades
do lar, inclusive prover qualquer tipo de cuidado ao seu companheiro e, apesar de se
envergonharem de sofrerer agressões, trazem consigo a certeza de que a visão que seus filhos têm a
respeito delas é a de uma super mulher e super mãe, a qual cuida da casa, dos filhos, do pai e ainda
exerce atividade profissional externa. Conclui-se que intervenções destinadas à violência doméstica
e familiar devem enfocar o sistema familiar e a percepção que os envolvidos na situação violenta
têm sobre esse sistema.
155
PAINÉIS
PERCEPÇÃO VISUAL E MEMÓRIA VISUAL EM PACIENTES PEDIÁTRICOS COM
CRISE EPILÉPTICA AFEBRIL
LIMA, D. S.
CRUZ, A. C. B.
RIECHI, T. I. J. S.
ANTONIUK, S. A.
BRUCK, I.
[email protected]
Objetivo
Analisar o desempenho da percepção e memória visual em crianças e adolescentes com crise
epiléptica afebril.
MÉTODO
Foram selecionados pacientes do Ambulatório de Primeira Crise e Crise(s) Recente(s) do Centro de
Neuropediatria do Hospital das Clínicas da Universidade Federal do Paraná, com idade entre 6 e
16anos, ambos os sexos, de janeiro de 2008 a março de 2011. Os pacientes responderam ao
Protocolo de Avaliação Neuropsicológica Breve Infantil, no qual está incluso o Teste da Figura
Complexa de Rey.
RESULTADOS
Foram avaliadas n=45 pacientes, sendo 11 (24%) com diagnóstico clínico de crise parcial e 34
(76%) com crise generalizada; 10 (22%) apresentaram crise epiléptica única e 35(78%) mais de
uma crise; 38 (84%) apresentavam crises sob controle, 5(11% ) crises recentes e 2 (5%) de difícil
controle; sendo que 32 (71%) monoterapia, 5 (11%) politerapia e 8 (18%) sem medicação; a media
etária foi de 11a3m(+3a3m); 27 (60%) do sexo masculino e 18 (40%) do sexo feminino; a principal
queixa para avaliação foi dificuldade de aprendizagem e comportamento (66%). O Teste da Figura
Complexa de Rey Copia indicou 2 (4%) na média, 22 (49%) abaixo da média e 20 (44%) acima da
média; na reprodução de Memória 4 (9%) ficaram na média, 30 (67%) abaixo da média e 11(24%)
acima da média.
156
CONCLUSÕES
Há indicativos de prejuízo da percepção visual e, principalmente, da memória visual em pacientes
com crise epiléptica, apesar das especificidades clínicas, como prevalência do bom controle das
crises e monoterapia.
Palavras-Chave: Avaliação Neuropsicológica; epilepsia; percepção e memória visual.
*Laboratório de Neuropsicologia (LABNEURO) do Departamento de Psicologia (DEPSI) da Universidade Federal do
Paraná (UFPR) e Centro de Neurologia Pediátrica do Hospital das Clinicas da Universidade Federal do Paraná (CENEP
– HC/UFPR).
157
PAINÉIS
PROGRAMA DE MELHORIA DA INTERAÇÃO FAMILIAR – PROMIF
Lissandra Medeiros Santos
Solange de Fátima Ilivinski
Luiza Helena Cosmo Spaki
Rosangela Odete de Souza Alves e Luciane Mendonça
Fundação de Ação Social (FAS)
Centro de Referência de Assistência Social (CREAS) CIC
[email protected]
RESUMO
Na estrutura da Prefeitura Municipal de Curitiba, a FAS é a gestora e articuladora da Política da
Assistência Social do Município. Tendo como público alvo a população de Curitiba socialmente
vulnerável e em situação de risco, e missão de desenvolver e implementar a política de assistência
social, considerando as potencialidades da população. Para isso propõem uma gestão
descentralizada no tocante aos espaços territoriais, favorecendo ações intersetoriais com foco na
família. Para a prevenção das situações de risco, no que se refere à Proteção Social Básica, conta
com a atuação dos Centros de Referência da Assistência Social – CRAS. Já para situações de risco
pessoal e social, violação de direitos, decorrentes de violência - Proteção Social Especial, o
atendimento ocorre nos Centros de Referência da Assistência Social – CREAS, que dentre outras
atividades, em 2008 iniciou as ações do Programa de Melhoria da Interação Familiar.
Objetivos
oferecer apoio psicossocial às famílias; promover o fortalecimento da identidade do grupo familiar;
atuar no restabelecimento das funções próprias da família de proteger e permitir o desenvolvimento
saudável de seus integrantes.
MÉTODO
Este trabalho está apoiado na proposta de Lidia Weber (2007a,b), em seu Programa de Qualidade
da Interação Familiar, baseado em pesquisas de análise do comportamento e da disciplina positiva.
Os temas centrais da proposta e que são trabalhados no decorrer dos encontros são (1) amor
incondicional, (2) princípios do comportamento, (3) conhecer o desenvolvimento da criança, (4)
158
autoconhecimento, (5) comunicação positiva, (6) envolvimento, (7) usar conseqüências positivas,
(8) apresentar regras, (9) consistência, (10) não usar punição corporal, (11) ser um modelo moral,
(12) educar para autonomia.
RESULTADOS
Primeiramente participaram do projeto piloto famílias em descumprimento do Programa de
Erradicação do Trabalho Infantil. Em 2009, ampliamos o público para as famílias acompanhadas
pelo CREAS e atendidas pelo Sistema de Garantia de Direitos e Rede de Proteção. O avanço
ocorrido em 2010 foi a adaptação dos temas trabalhados, conforme faixa etária dos filhos. Em 2011
realizamos a primeira Oficina Lúdica do PROMIF, atendendo crianças em situação de violência e
direitos violados, concomitante aos encontros de pais. Participaram destas oficinas crianças de seis
a onze anos. A oficina lúdica seguiu os mesmos temas, porém adaptado à idade. Desde o início
temos avaliado a prática e adaptado a proposta à nossa população. A primeira turma de 2008
encerrou com apenas sete participantes, enquanto em 2011 concluímos a primeira turma com 24
participantes. Dentre os resultados mais expressivos estão que 100% dos participantes relatam que o
curso contribui para a educação dos filhos, 90% dos concluintes relataram melhora da interação
familiar, da qualidade do vínculo e envolvimento afetivo.
CONCLUSÃO
A experiência demonstra a importância do trabalho com a família, apoiando-a para o desempenho
de suas funções específicas, em especial junto às crianças e adolescentes, ajudando-a a refletir sobre
sua organização e modo de resposta às situações do cotidiano, favorecendo a realização de
movimentos em direção a adoção de novas maneiras de relacionar-se.
Palavras- chave: família, vínculo e interação.
159
PAINÉIS
SENTIMENTOS, DIFICULDADES E EXPECTATIVAS DOS PAIS EM RELAÇÃO AOS
FILHOS SUPERDOTADOS INSERIDOS EM ATENDIMENTO EDUCACIONAL
ESPECIALIZADO
Paula Mitsuyo Yamasaki Sakaguti (SEED/PR)
Maria Augusta Bolsanello (UFPR)
[email protected]
RESUMO
O presente trabalho investigou as concepções de pais sobre as Altas Habilidades/Superdotação
(AH/SD) dos filhos inseridos em atendimento educacional especializado em Sala de Recursos, no
que diz respeito aos seus sentimentos, dificuldades e expectativas. Foram entrevistados doze pais
(dois pais e dez mães), cujos filhos frequentam a Sala de Recursos para Altas
Habilidades/Superdotação de uma escola pública da cidade de Curitiba, Paraná. Após análise
qualitativa dos dados, com a utilização da análise de conteúdo, observou-se que os pais: (a)
expressaram sentimentos de insegurança, medo, angústia, preocupação frente à educação e ao
futuro de suas crianças, em contraponto com sentimentos de privilégio, felicidade e orgulho. A
desmotivação pela escola, o desajustamento social e o sub-rendimento escolar são algumas das
situações apresentadas pelos pais, nas quais refletem sua ansiedade e preocupação em relação aos
filhos com AH/SD; (b) compartilharam e dialogaram com pessoas próximas ao convívio familiar e
escolar sobre as características observadas em seus filhos quando ainda pequenos, em busca de
apoio, informação ou indicação de locais de serviço especializado; (c) relataram suas dificuldades
em lidar com o desenvolvimento sócio-emocional dos filhos; com a discrepância entre o alto
potencial dos filhos e o desenvolvimento motor; com o sub-rendimento escolar; com a curiosidade
dos filhos; e a solidão de não poderem compartilhar com outros pais suas angústias e dúvidas; (d)
esperam que os filhos façam as escolhas a partir do próprio potencial, que sejam felizes, “normais”,
desfrutem de políticas públicas que valorizem as AH/SD. Conclui-se, entre outras sugestões e
recomendações, a necessidade de: apoiar os pais e a família por meio de informações e orientações
sobre as AH/SD; fomentar o estabelecimento de uma nova dinâmica nas relações professor-família-
160
aluno com AH/SD; ampliar os serviços de atendimento educacional especializado; mobilizar a
universidade para que participe ativamente da melhoria do ensino especial, em particular das
AH/SD, em atividades de ensino, pesquisa e extensão, levando em conta o enfoque proposto no
presente estudo. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Universidade
Federal do Paraná (UFPR).
Palavras chaves: Altas Habilidades/Superdotação, Família, Educação Especial.
161
PAINÉIS
PRATICAS EDUCATIVAS PARENTAIS E RELAÇÃO COM DESENVOLVIMENTO
EMOCIONAL DOS FILHOS
Laura Zitronenblatt
Lidia Natalia Dobrianskyj Weber
Barbara Bonotto Scalassara
Bruno D. Muller Morera
Universidade federal do Paraná
[email protected]
As práticas parentais referem-se aos comportamentos que os pais utilizam para a socialização e
disciplina dos seus filhos. Elas baseiam-se em modelos culturais, que podem variar em cada
comunidade. Influenciam na formação global da criança, principalmente quando se refere às
emoções resultantes das estratégias disciplinares utilizadas, instâncias fundamentais no
desenvolvimento de funções cerebrais em domínios psicológicos. A fim de verificar de que maneira
as práticas parentais se relacionam com o desenvolvimento emocional das crianças, esta pesquisa
investigou as reações dos pais frente a demonstrações de emoções negativas advindas de seus
filhos. Foram utilizados a Escala de Enfrentamento de Emoções Negativas de Crianças (CCNES Coping with Children´s negative Emotions Scale) e o Índice de Estresse Parental (PSi – Parenting
Stress Index) como instrumentos de coleta de dados em uma amostra de pais e crianças com idade
entre os 7 e 12 anos, de escolas públicas e privadas. A CCNES indica que os pais, ao se depararem
com emoções negativas vindas de seus filhos, podem apresentar tanto posturas positivas como
negativas: reações de angústia, punição, focadas no problema, encorajamento, focadas nas emoções,
e minimizadoras. O PSI é um índice que mede o grau de estresse dos pais em suas funções parentais
cotidianas e divide-se nas subescalas de sofrimento parental, interações disfuncionais entre genitorcriança, e percepção de criança difícil. A análise dos resultados revelou correlação significativa
entre o Estresse Parental e o comportamento parental de aplicar punições nos filhos quando eles
apresentam respostas de emoções negativas (r=0,481; p<0,001). Isso significa que quanto mais
estressante os pais perceberem a relação com seus filhos, maior a probabilidade de eles aplicarem
162
surras como prática educativa. Houve correlação positiva e significativa das variáveis “punição” e
“criança difícil” (r=0,485; p<0,001), o que revela que os pais que mais punem são também aqueles
que percebem suas crianças como difíceis. Houve também correlação significativa e inversa entre as
variáveis “interação disfuncional entre progenitores e crianças” e “estratégias para ajudar as
crianças a se sentirem melhor” (r=-0,348; p<0,001) o que aponta que, se a relação parental é
disfuncional, os pais tenderão tem menor probabilidade de criar estratégias que ajudem seus filhos a
se sentir melhor dentro de situações aversivas. Serão discutidas as conseqüências da utilização
corporal e testados modelos explicativos com as diferentes variáveis investigadas (regressão linear).
REFERÊNCIAS:
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trajectories of emotion regulation processes: The effects of maternal depressive
symptomatology and children's physiological regulation”. Developmental Psychology, Vol
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BRITO, H, S. “Estresse, resiliência e vulnerabilidade: comparando famílias com filhos
adolescentes na escola”. Rev. Bras. Crescimento Desenvolvimento. Humano, Vol.16 (2), Ago
2006, p.25-37.
CHANG, L.; SCHWARTZ, D.; DODGE, K. A.; MCBRIDE-CHANG, C. “Harsh Parenting in
Relation to Child Emotion Regulation and Aggression”. Journal of Family Psychology, Vol
17(4), Dec 2003, 598-606.
CONTRERAS, J. M.; KERNS, K. A.; WEIMER, B. L.; GENTZLER, A. L.; TOMICH, P. L.
“Emotion regulation as a mediator of associations between mother–child attachment and peer
relationships in middle childhood”. Journal of Family Psychology, Vol 14(1), Mar 2000, 111124.
DILLON, J. A. (2009). “Play, creativity, emotion regulation and executive functioning”.
Dissertação de Mestrado. Department of Psychology in the Case Western Reserve University.
U.S.A.
FANTUZZO, J. W.; BULOTSKY-SHEARER, R.; FUSCO, R. A.; MCWAYNE, C. “An
investigation of preschool classroom behavioral adjustment problems and social–emotional
school
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competencies”.
Early
Childhood
Research
Quarterly,
Vol 20 (3), 2005, 259-275.
MELO, A. I. M. T. (2005). “Emoções no período escolar: estratégias parentais face à expressão
emocional e sintomas de internalização e externalização da criança”. Dissertação de Mestrado.
Curso de Pós-Graduação em Psicologia Clínica, Universidade do Minho, Portugal.
SMITH, L. M. (2009). “Parent and teacher influences on preschool children’s emotion regulation,
pre-academic and social skills”. Dissertação de Mestrado. Department of Human Development
and Family Studies in the Graduate School of The University of Alabama. U.S.A.
163
PAINÉIS
ATUAÇÃO DO PSICOLOGO EM EQUIPE INTERDISCIPLINAR NO SERVIÇO DE
ESTIMULAÇÃO ESSENCIAL DA PREFEITURA MUNICIPAL DE CURITIBA –
SUPORTE E ATENÇÃO AS FAMILIAS
Luciana Maísa da Silva Sydor
[email protected]
INTRODUÇÃO
Ter um bebê que necessita de atendimentos especializados demanda uma mudança significativa nas
famílias e, por isso, o psicólogo é um elemento essencial numa equipe interdisciplinar que tenha
como objetivo propiciar o desenvolvimento integral da criança. Como o bebê está num processo de
aquisição de funções é importante intervir de maneira eficaz, aproveitando este momento crucial
para a construção da relação mamãe-bebê e para o desenvolvimento neuropsicomotor. Este trabalho
demonstra a atuação do psicólogo dentro de uma equipe de estimulação essencial realizado no
Ambulatório de Reabilitação Mental/Autismo, da Secretaria Municipal de Saúde, da Prefeitura
Municipal de Curitiba.
Objetivo : dar suporte psicológico às famílias de bebês de risco encaminhados para o ambulatório;
favorecer a relação mãe-bebê, a interação da tríade família-bebê-terapeutas e a adesão ao
tratamento, avaliar a necessidade de encaminhamentos para outros serviços de psicologia que
possam auxiliar para a melhora da dinâmica familiar e contribuir com os conhecimentos específicos
durante os estudos de casos e desenvolvimento de planos terapêuticos.
MÉTODO
São realizadas sessões de anamnese; reuniões interdisciplinares para discussões de casos e
elaborações de planos terapêuticos; sessões de orientações às famílias e sessões individualizadas
com as mesmas, em atendimentos semanais, quinzenais ou mensais conforme a demanda.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Atualmente estão em estimulação no ambulatório 30 crianças, sendo que todas as famílias são
acompanhadas pelo serviço de psicologia. Observa-se melhor adesão ao tratamento através de
menor índice de faltas não justificadas às terapias e da colaboração em relação às orientações
passadas pelos terapeutas envolvidos. Busca ativa por parte das famílias para conversas pontuais.
164
CONCLUSÃO
O psicólogo é um instrumento de mediação importante no processo terapêutico em equipe
interdisciplinar, atuando de maneira integral, visando não apenas o paciente, mas também a família
e a equipe clínica, favorecendo assim um melhor desenvolvimento do mesmo e seu prognóstico.
Palavras chave: atuação psicológica, equipe interdisciplinar, estimulação essencial.
1Psicóloga da Secretaria Municipal de Saúde da Prefeitura Municipal de Curitiba
165
PAINÉIS
ESCALA DE QUALIDADE DE INTERAÇÃO FAMILIAR – EQIF; ESTUDO DA
VALIDAÇÃO E AFERIÇÃO DO INSTRUMENTO PARA A POPULAÇÃO PORTUGUESA
Marta Assis Loureiro
(Portugal)
D. Florencio Castro 1
(Espanha)
Lidia Natália Dobrianskyj Weber
[email protected]
[email protected]
As práticas educativas parentais têm sido investigadas desde há várias décadas e são consideradas
como importantes preditivos no desenvolvimento infantil e adolescente. Este trabalho visa a
validação e aferição para a população portuguesa da “Escala de Qualidade da Interação Familiar
- EQIF” (L. Weber, A. P. Viezzer e O. Brandenburg, 2009) que permite avaliar as práticas
educativas parentais, juntamente com outros aspectos de interação familiar, a fim de apurar se
estamos perante um contexto familiar de proteção ou de risco.
O instrumento é composto por 2 escalas: a EQIF Pais, direccionada para Pais e a EQIF Filhos,
para os adolescentes. Estas permitem responder sobre os comportamentos dos pais perante o ponto
de vista dos filhos e sobre o comportamento dos filhos, sob o ponto de vista dos pais; a EQIF Filhos
contém 40 itens agrupados em nove escalas (envolvimento, regras e monitoria, comunicação
positiva dos filhos comunicação negativa, punição corporal, clima conjugal positivo, clima conjugal
negativo, modelo parental, sentimento dos filhos) e a EQIF Pais contém 51 itens, igualmente
agrupados nas nove escalas anteriormente citadas.
Recolheu-se uma amostra de 125 participantes, composta por pais e adolescentes, com idades entre
os 12 e 82 anos, que responderam a ambas as escalas.
166
O EQIF demonstrou boas propriedades psicométricas e pode ser considerado como uma medida
válida de qualidade das interacções familiares; daí que este instrumento já ensaiado e testado num
estudo-piloto, possa ser adaptado e validado para a população portuguesa. Este estudo já se encontra
em curso como tese de Doutoramento da investigadora, pretendendo-se com esta pesquisa
contribuir com futuras propostas de prevenção e intervenção para profissionais que trabalham com
crianças e adolescentes.
Dra. Afiliação Profissional: PsiLógicas – Centro de Avaliação, Formação e Investigação em Psicologia Aplicada
1.Prof. Dr. Director do Departamento de Psicología y Antropología da Universidad de Extremadura, Badajoz –
Espanha
167
PAINÉIS
CONTRIBUIÇÕES DA NEUROPSICOLOGIA PARA A ORIENTAÇÃO PARENTAL
Daniella Bauer Pereira de Almeida Bastos
Ademar Heemann
[email protected]
RESUMO:
O Objetivo deste trabalho é apresentar a produção teórica de duas autoras, Amanda Céspedes e
Margot Sunderland, sem tradução no Brasil, com os resultados de experiência clínica e de pesquisa
em neuropsicologia sobre a relação entre as condutas parentais e as condutas da criança, e, a partir
desses fundamentos, sugerir um roteiro de orientação para pais sobre suas condutas com seus filhos.
Palavras-chave: Condutas Parentais. Neuropsicologia. Orientação Parental.
INTRODUÇÃO
A infância como objeto de estudo científico teve inicio na obra de Freud, e hoje é tema essencial
para a compreensão do comportamento humano e da personalidade adulta. Os estudos mais recentes
em neuropsicologia investigam a interação entre as funções psicológicas e o funcionamento do
sistema nervoso, construída na relação que acontece entre o indivíduo e o meio. A partir dessa
perspectiva, investigou-se o papel da conduta dos pais no desenvolvimento da criança, seu
comportamento e formação da sua personalidade, percebendo esse estudo como uma possibilidade
de atuar na promoção da saúde mental e na prevenção da doença mental, uma vez que esse papel
revela-se determinante e estabelece-se nas primeiras relações, especialmente nos dois primeiros
anos. A concepção burguesa da infância via a criança como um ser que deve ser corrigido pelo
adulto, assexuado, sem desejo próprio e imaturo (ARIÈS apud COSTA, 2007). A partir de Freud, a
concepção de infância mudou, no final do sec. XIX (COSTA, 2007). “Mas foi no século XX que o
168
interesse e a valorização dessa faixa etária promoveu “profundas modificações” nos métodos
educacionais, sendo considerado o Século da Criança” (VASCONCELLOS, 2009, p. 98).
Atualmente, as ciências cada vez mais se interessam pelo desenvolvimento infantil e consideram a
relação das experiências vividas na infância e a personalidade adulta. Os estudos realizados pela
psicanálise, psicologia, pediatria, psicologia, psiquiatria e outros fornecem recursos para pais e
educadores na tarefa de preparar as crianças para o convívio social, cada vez mais complexo e
precoce.
Mais recentemente, a neuropsicologia busca recursos para compreender e descrever o
desenvolvimento da criança a partir de dados científicos e pesquisas que investigam a atividade
cerebral e sua relação com as funções psicológicas e a formação da personalidade. De acordo com
Adolphs, o cérebro humano é fundamentalmente adaptado para desenvolver-se em um contexto
social e esse contexto contribui para muitas das especializações encontradas no córtex adulto
(2009). Freqüentemente, a compreensão da criança e seu comportamento são resultado de mitos e
tradições aos quais nem sempre correspondem as suas reais características e processos de
desenvolvimento. O profissional da saúde mental enfrenta diversos desafios em sua prática, como a
compreensão do sintoma ou transtorno, e a intervenção eficaz capaz de promover a diminuição do
sofrimento do paciente e aumentar sua qualidade de vida, estando limitado por condições sociais e
culturais. Nos atendimentos às crianças na clínica psicológica, apresenta-se a demanda de orientar
os pais a respeito do comportamento dos seus filhos, ao constatar que em diversos casos, as queixas
relativas a condutas desafiantes e anti-sociais não eram sinais de psicopatologia ou dificuldade
inerente à criança, mas manifestações coerentes com a fase de desenvolvimento da criança – não
reconhecidas pelos pais -, ou eram reflexos do ambiente familiar e da conduta negativa dos pais ou
cuidadores para com essas crianças.
A neuropsicologia traz novidade ao estudo do comportamento humano, utilizando-se de imagens
funcionais do cérebro humano e sua relação com a conduta do paciente para compreender o
comportamento. Além dos estudos das lesões cerebrais e sua influência no comportamento do
paciente, a neuropsicologia considera decisivo o papel da interação social na formação das
condutas. Deste modo contribui para a prática de orientação dos pais, fundamentando as indicações
das práticas que lhes são mais adequadas e esclarecendo quais são as conseqüências de condutas
parentais inadequadas.
Neste artigo, utilizaremos os estudos de duas autoras, Amanda Céspedes e Margot Sunderland,
cujas obras trazem fundamentos neuropsicológicos - resultados de prática e pesquisa - para
fundamentar a tarefa de orientar pais sobre a melhor conduta para com seus filhos.
169
Os estudos de Amanda Céspedes
Amanda Céspedes nasceu em Iquique, Chile, em 1947. É psiquiatra infantil e juvenil, pós-graduada
em neuropsicologia e neuropsiquiatria infantil. Atua como professora na Pontificia Universidad
Católica do Chile e é membro diretor da Fundación Mírame, entidade sem fins lucrativos voltada à
inovação do sistema escolar de crianças com transtorno do desenvolvimento (inclusão escolar).
A sua proposta é mudar o paradigma da educação que utiliza a autoridade, a punição e o controle,
por um modelo empático, compreensivo, intuitivo, e que utilize ferramentas de comunicação afetiva
e efetiva, mais adequadas à realidade das crianças e do mundo hoje. Propõe-se a autora a oferecer
para professores, cuidadores, pais e interessados em desenvolvimento e comportamento infantil,
acesso a informações aprofundadas e técnicas efetivas para conter excessos, guiar a formação e
desenvolver as potencialidades e talentos de seus filhos, preservando as características próprias da
criança.
Esse novo paradigma para educar a criança tem por base a realização de duas tarefas: 1)
identificação dos fatores que facilitam, provocam ou agravam a conduta desafiante e o
comportamento anti-social das crianças e adolescentes, nas palavras da autora “submergir no
misterioso e fascinante mundo mental e emocional infantil que se esconde atrás dessas condutas”;
2) buscar a causa desses comportamentos, na maioria das vezes multifatoriais, aplicando estratégias
efetivas para abordar e solucionar esses comportamentos.
(...) mostrar aos pais e professores que toda criança vem ao mundo programada para a
harmonia e para a felicidade; sem dúvida, para alcançá-las, o menor precisa da companhia
de adultos que os guiem e os eduquem emocionalmente. (...)mostrar que educar as crianças
para a vida é uma tarefa nobre que se pode levar a cabo de modo melhor quando se possui
certas habilidades (CÉSPEDES 2008, p.12 e 13).
Para explicar aos pais as bases do comportamento e da relação entre pais e filhos, a autora apresenta
o conceito de sistema somatopsiconeuroimunohormonal, visando apresentar a ampla rede de
estruturas que atuam de modo decisivo na vida emocional: o corpo, a atividade mental, o módulo
cerebral, o sistema de defesas e o sistema de glândulas que comandam inúmeros processos como
crescimento, reprodução, metabolismo e outros (2008). E ainda, apresenta em maiores detalhes o
módulo cerebral das emoções, descrevendo as estruturas que considera principais:
a) córtex parietal do hemisfério direito: atua no reconhecimento de faces;
b) córtex temporal superficial do hemisfério direito: atua na decodificação do conteúdo emocional
da melodia da voz: timbre, inflexões, tom, ênfases, pausas, mensagens implícitas.
c) sistema límbico: estruturas filogenéticas muito antigas que fazem conexão direta com o córtex do
hemisfério direito:
170
- amígdalas cerebrais: grupos neuronais que adjetivam e classificam as mudanças internas
produzidas pelos estímulos em emoções negativas e positivas. Permitem ao bebê, desde o
nascimento, experimentar emoções positivas ligadas às experiências dos primeiros cuidados ou
emoções negativas relacionadas com negligencia e abandono;
- hipocampo: uma espécie de arquivo que seleciona, organiza e armazena dados, dentre eles, as
primeiras experiências emocionais.
- núcleos septais: núcleos neuronais que atuam na percepção das sensações de prazer, inicialmente,
e mais tarde, atuam na presença de estranhos gerando respostas de medo;
- sistema de neurônios espelho: conjunto de neurônios que possuem um mecanismo de
compreensão das ações e intenções dos outros, gerando contágio emocional ou “efeito camaleão”.
Atuam como substrato neurobiológico da empatia e da intuição.
Com esses esclarecimentos, a autora fornece base para compreensão do funcionamento e da
natureza do comportamento da criança. O papel dos pais e familiares, segundo Céspedes (2008), é
de importância fundamental, especialmente na educação das emoções. Por outro lado, a falta de
conhecimento do seu papel no comportamento do filho, e do processo de desenvolvimento é
realidade de muitos pais:
(...) sorpresa les causò a muchos padres saber que la mayoría de los problemas de conducta
de sus hijos son provocados y mantenidos por las actitudes de los adultos, em especial
actitudes erróneas respecto a la educación emocional oportuna y sistemática (2008, p.12)6.
Para a autora, só é possível promover condutas saudáveis nos filhos se os adultos que os
acompanham são capazes de educá-los emocionalmente para enfrentar a vida e seus desafios.
Segundo ela, algumas condições são necessárias para ter êxito na tarefa de educar as emoções, para
ser um educador emocional:
 ter conhecimento intuitivo ou formal sobre a infância e a adolescência,
particularmente suas características psicológicas e tarefas do desenvolvimento;
 conhecer a importância do ambiente emocionalmente seguro na formação da
afetividade infantil;
 apresentar um razoável equilíbrio psicológico em cada um dos membros da família;
 coesão familiar; enfrentamento adequado dos conflitos;gestão da autoridade e do
poder;
 comunicação afetiva e efetiva.
171
Para contribuir com os pais, a autora apresenta alguns conceitos sobre o funcionamento
neuropsicológico infantil e desse modo possibilita a preparação dos pais, educadores e cuidadores
para lidar com a criança com conhecimento, pois muitas vezes o comportamento é apenas a parte
visível de uma situação mais complexa, e há necessidade de se visualizar a gênese multifatorial da
conduta da criança. Para compreensão da conduta de uma criança e posterior abordagem, a autora
considera elementos biológicos, psicológicos e sociais:
Tabela 1 – Fatores para compreensão do comportamento infantil
Fatores biológicos
Fatores psicológicos
Fatores sociais
1) Temperamento:
1) Atribucionalidade:
1) Normas internalizadas
ansiedade, instintos, estado
capacidade de assumir as
de forma oportuna e
de ânimo, capacidade de
consequências das próprias
sistemática: respeito,
desfrutar.
ações.
ordem e bom uso do
2) Emoções: estados
2) Locus de Control:
internos passageiros que
regulação social conduta.
possuem valência positiva
ou negativa. Surgem de
emoções primárias
instaladas no cérebro
humano desde o
nascimento: a alegria, a
quietude, a raiva, o medo.
3) Caráter:dimensão da
personalidade; solidez,
consistência e objetividade
tempo, retidão e
honestidade.
2) Limites claros,
consistentes e flexíveis.
3) Educação emocional
na conduta que despertam
nos demais confiança e
credibilidade.
Fonte: Calderón, 2008.
Os estudos de Margot Sunderland
A outra autora, Margot Sunderland é psicoterapeuta infantil. Atua há 20 anos com crianças e
famílias, e já publicou mais de 20 livros sobre saúde mental infantil. Sua pesquisa em neurociência
da interação entre pais e filhos envolveu mais de 800 pesquisas em todo o mundo, e suas conclusões
resultaram, em 2006, no livro The science of parenting (A ciência da Parentalidade) não publicado
no Brasil. Além das pesquisas, sua prática clínica com famílias possibilita explicar a ciência sem
6
“(...) causou surpresa a muitos pais saber que a maioria dos problemas de conduta de seus filhos são provocados e
mantidos pelas atitudes dos adultos, em especial atitudes erradas em relação à educação emocional oportuna e
sistemática”. (Trad. pelo autor).
172
perder de vista a realidade cotidiana que todos os pais enfrentam. A proposta da autora para este
livro é de um guia prático, “escrito com base em fatos, ao invés de ficção ou opinião”, com base em
estudos científicos sobre o impacto que as interações cotidianas entre pais e filhos podem ter no
desenvolvimento cerebral e emocional da criança (SUNDERLAND, 2006).
Assim como Calderón (2007, 2008), Sunderland (2006) entende que para compreender a criança e
seu comportamento, é importante conhecer alguns fatos sobre o cérebro humano. A autora
apresenta o cérebro da criança de modo que os pais possam compreender o sistema nervoso, o
sistema emocional, a gênese do funcionamento infantil. Sua explicação aborda desde a evolução do
cérebro desde a aparição dos primeiros hominídeos, há mais de três milhões de anos atrás, e como
esse caminho evolutivo construiu o cérebro humano em três partes: 1) o cérebro reptiliano, o mais
antigo dos três, partilhado por todos os vertebrados. Atuam nos comportamentos relacionados à
sobrevivência e controle das funções metabólicas como fome, respiração, circulação, temperatura,
fuga e ataque; 2) o cérebro mamífero, também conhecido por cérebro emocional, cérebro “de
baixo” ou sistema límbico, essa região cerebral dispara fortes reações que precisam ser
administradas pelo cérebro racional, que é exclusivo dos humanos. Essas fortes reações são as
emoções – raiva, medo, afeto, curiosidade, alegria, tranqüilidade; 3) cérebro racional, ou lobos
frontais, ou neocortex, é a parte mais nova do cérebro e também a maior em massa, correspondendo
a 85% da massa total. Suas funções incluem: criatividade e imaginação, solução de problemas,
reflexão e planejamento, auto-cuidado, bondade, empatia, consideração. É nesta parte do cérebro da
criança que a conduta emocional dos pais causará os maiores impactos.
A compreensão deste modelo evolutiva possibilita aos pais, educadores e cuidadores fundamentos
para compreender o comportamento da criança, e com esta compreensão, encontrar estratégias
eficazes de atuação, em prol do desenvolvimento sadio e da interação social harmoniosa. A criança
sente e vive reações emocionais instintivas arcaicas, e precisa do suporte adequado de adultos para
transformar tais reações em comportamentos sociais adaptados e ajustados para as diversas
situações, especialmente as de frustração e medo.
Figura 1: Representação da evolução do cérebro na espécie humana7
7
Como o cérebro evoluiu – o diagrama mostra um modelo de como o cérebro humano evoluiu, construindo camada
sobre camada, tendo o cérebro reptiliano em seu núcleo. (Trad. pelo autor)
173
FONTE: SUNDERLAND, 2007.
Todas as experiências entre os pais e filhos formarão conexões nas células cerebrais do néocortex
da criança, pois o cérebro humano é desenhado para funcionar deste modo e assim adaptar-se ao
ambiente que o recebe (Sunderland, 2006). O desenvolvimento do cérebro da criança ocorre, em
sua maior parte, após o nascimento, sendo esculpido, em suas conexões, a partir das interações
positivas e negativas com os pais. O desenvolvimento do néocortex, em especial, ocorre ao longo
da existência, mas a grande influencia dos pais no desenvolvimento do cérebro emocional ocorre
por que existem períodos críticos nos primeiros anos de vida, uma vez que 90% do crescimento do
cérebro ocorrem nos cinco primeiros anos de vida. Após esse período, milhões de conexões
nervosas estão feitas, ou não, em função das experiências de vida e em particular, das experiências
emocionais vividas com os pais.
(...) it‟s both awesome and sobering to know that as parents we have such a direct effect on
the actual wiring and long-term chemical balance in our children‟s brain (Sunderland, 2007,
capa do livro).8
Conforme a autora, essa adaptabilidade funcionará a favor ou contra o bem-estar da criança, uma
vez que ela se adaptará não só aos ambientes que favorecem o desenvolvimento saudável e a
aprendizagem do controle do sistema emocional, mas também a um ambiente agressivo, gerando
com isso alterações na estrutura e na química cerebral, o que pode resultar em reações de agressão,
descontrole dos impulsos e assim por diante. Ou seja, o modo com que os pais se comunicam com a
criança, brinca com ela, confortam-na, e a tratam quando ela está sendo desobediente possui uma
8
“É impressionante e sério saber que, como pais, temos efeitos diretos no estado atual e no equilíbrio químico de longo
termo no cérebro de nossas crianças.” (Trad. pelo autor).
174
importância real e concreta. Logo, pais emocionalmente positivos estimularão conexões cerebrais
que capacitam o filho a lidar bem com o stress na vida adulta; a estabelecer relações saudáveis; a
lidar com a raiva e a frustração; a ter compaixão e empatia; ter ambições de desenvolvimento e
motivação para seguir em busca da realização dessas ambições; a vivenciar paz e tranqüilidade
profundas; ser capaz de amar.
Nos primeiros anos de vida, o cérebro racional da criança está em formação enquanto o cérebro
emocional e o reptiliano estarão no comando - pois são responsáveis pelos processos vitais e de
sobrevivência. Segundo a autora, é muito importante que os pais entendam exatamente o que isso
significa na realidade: que o sistema emocional e os impulsos primitivos irão dominar a criança
muitas vezes, por isso ela apresentará ataques de raiva, pânico, stress, gritos e outros estados
alterados. Isso, em muitos casos não
significa desobediência, é expressão da imaturidade do cérebro ainda pequeno; o neocortex da
criança não está suficientemente desenvolvido para ser capaz de acalmar as explosões emocionais
que acontecem em seu sistema nervoso em maturação. A desobediência virá em conseqüência da
reação dos pais a esses estados emocionais. Daí a importância da conduta e do suporte emocional
dos pais.
A criança nasce com um grande numero de células nervosas, mas poucas conexões. Essas conexões
são construídas ao longo das experiências cotidianas, desde a linguagem, exposição a estímulos, o
modo como é tocada, relação entre o casal de pais, convivência – ou não – com outras crianças,
ambiente de modo geral, cultura, enfim, todo acontecimento em torno da criança atua sobre ela e
sobre a formação de sua rede sináptica, base do comportamento.
Sem o conhecimento desse processo, os adultos encontram muita dificuldade em atuar de modo
eficaz no processo de educação das crianças, pois é preciso haver uma base neurológica madura
para determinados comportamentos. Até os dois anos de idade, está em franca evolução a rede de
sinapses, de modo que o comportamento da criança tenderá a ser bastante espontâneo e pouco
coordenado, ainda está sendo montada a rede que possibilitará o funcionamento adequado das
funções executivas (como pensamento, linguagem, planejamento, memória, habilidades motoras).
Figura 2. Esquema de formação das conexões nervosas 9
9
História do Cérebro. Conexões ao nascimento. Os diagramas mostram como o néocortex do bebê forma conexões de
modo muito rápido, e como é esculpido pelas experiências nos primeiros anos de vida. No início, as células cerebrais
são desconectadas, como fios de um computador. Um bebê recém-nascido possui 200 bilhões de células, mas poucas
conexões. Em uma criança de um ano, as células do neocortex desenvolveram muitas conexões. Em uma criança de 2
anos, a rede tornou-se muito mais complexa e a poda sináptica começou. (Trad. pelo autor).s de vida.
175
FONTE: SUNDERLAND, 2006
Segundo Sunderland, entender o cérebro “antigo” pode ser muito útil aos pais, para compreender
que medo, raiva, stress de separação, afetividade, ansiedade, são mecanismos emocionais inatos de
sobrevivência do bebê, e gradualmente esses mecanismos devem ser educados. Esse sistema de
sobrevivência foi desenhado de modo a salvar as crianças de serem mortas por predadores, e mantêlas perto dos genitores, e, embora os perigos da sociedade atual sejam outros, elas (as crianças)
continuam sendo subjugadas por esses sistemas, já que o cérebro racional está imaturo para ajudálas a pensar, raciocinar, planejar e acalmar a si mesmas. Quando os pais respondem às tempestades
emocionais de forma emocional consistente e positiva, os lobos frontais da criança criam conexões
que, ao longo do tempo, torná-la-ão capaz de acalmar os estados de alarme do cérebro primitivo.
A autora aborda a questão dos estilos parentais. Ela afirma que a química cerebral da criança é
afetada de acordo com o estilo parental ao qual ela está exposta, citando especificamente a oxitocina
e os opióides. A ocitocina é um hormônio produzido pelo hipotálamo e armazenado na hipófise,
liberado no parto para atuar nas contrações uterinas e na produção do leite materno; os opioides são
hormônios que geram sensação de bem-estar. Eles são produzidos nas situações de interação
afetuosa ou acolhedora, e dessa forma atuam na construção dos laços afetivos entre pais e filhos. De
outra forma, quando essas interações não acontecem, a liberação desses hormônios é impedida, o
que poderá causar mudanças permanentes no cérebro da criança e nas suas manifestações
emocionais.
176
Se a criança não é ensinada a lidar com estados emocionais intensos, o sistema de alarme do cérebro
“baixo” pode ficar desregulado de modo a reagir desproporcionalmente aos estímulos. De acordo
com os estudos de Beatson, (2003), Gordom, (2003), e Kloet, (2005), citados por Sunderland, a
qualidade de vida é dramaticamente afetada pelo estabelecimento na infância, ou não, de uma boa
regulação do sistema de alarme do cérebro. (2006, p. 25).
Sunderland (2006), assim como Céspedes (2007, 2008), ressaltam a importância da amígdala no
sistema de alarme do cérebro primitivo, sua função discriminadora do estimulo, a comunicação com
o o hipocampo, hipotálamo, núcleos septais, e todo o sistema límbico, pronta para disparar o alarme
frente ao que identifica como ameaça. Desse modo, a criança necessita ser ajudado a compreender a
situação, a desenvolver conexões em seu cérebro racional capazes de administrar a reação
emocional, afinar sua percepção e regular o sistema de alarme. Segundo a autora, quando os pais
ajudam a criança a lidar com sentimentos e emoções intensas, um grande numero de células no
cérebro racional começam a construir conexões, que naturalmente assumirão o controle nas
situações futuras e na vida adulta, evitando assim uma série de dificuldades de relacionamento, de
comportamento e mesmo doenças como a depressão clinica.
Um questionamento bastante comum aos pais refere-se ao que seria “correto” fazer na relação com
o filho, quais condutas deveriam adotar, já que as utilizadas não apresentaram bons resultados.
Sunderland (2006) indica algumas ações para que os pais ajudem seus filhos: 1) levar as emoções e
o stress da criança a sério. Isso significa que os pais devem procurar entender a situação sob o
prisma da criança, e encontrar palavras adequadas à sua idade, para que haja comunicação efetiva;
2) reconhecer os sentimentos da criança com o tom de voz e a energia apropriados; 3) ser calmo e
oferecer limites claros. Firmemente e calmamente dizer não, quando apropriado. Tentar persuadir
ou distrair a criança, dentre outras estratégias, a fará sentir-se insegura emocionalmente, se sentir
essa falta de segurança nos pais; 4) usar conforto físico. O contato físico afetuoso e tranqüilo libera
químicos calmantes para o sistema nervoso da criança.
Essas ações objetivam auxiliar a criança a amadurecer seu aparelho emocional, a aprender a utilizar
de modo construtivo, no sentido piagetiano, as capacidades de seu cérebro, e tornar-se não apenas
alfabetizado, culto, desenvolvido cognitivamente, mas ser um indivíduo educado emocionalmente.
Para Sunderland (2007), as pessoas educadas emocionalmente são aquelas capazes de pensar com
clareza sob pressão; acalmar a si mesmo quando as coisas dão errado, controlar o sistema de alarme
ao stress do cérebro, e assim são capazes de crescer com situações difíceis da vida, ao invés de
serem subjugadas por elas. Os indivíduos que não estabeleceram um sistema de resposta efetivo no
cérebro podem sofrer de muitos problemas, conseqüências da falta da educação do sistema
177
emocional na infância - qualidade de vida afetada, problemas de relacionamento social,
profissional, afetivo, depressão, ansiedade, agressividade destrutiva, fobias e obsessões, doenças
psicossomáticas, letargia e falta de motivação.
A autora pretende mostrar que os poderes dos pais de esculpir o cérebro são tão maravilhosos que é
possível evitar que seus filhos vivam esses problemas. Os pais não podem evitar que o filho sinta
dor, dificuldades ou que tenha problemas, mas influencia em como a criança na forma que ele vai
aprender a responder a essas situações, com ou sem inteligência emocional.
Enfim, a contribuição de Sunderland consiste em apresentar de forma extremamente didática,
acessível e completa a gênese e a natureza do comportamento humano, e mostrar de modo bastante
objetivo e concreto que a influência da conduta dos pais na conduta dos filhos ocorre no nível das
conexões nervosas e atua esculpindo o sistema cerebral. A partir de suas explicações e conclusões,
temos mais recursos para compreender como se formam os quadros de transtornos mentais na idade
adulta, e trabalhar diretamente na prevenção desses transtornos.
A contribuição de Calderón complementa a de Sunderland ao estabelecer pontes entre sua atividade
na médica clínica, na atuação com pais e educadores e na pesquisa neuropsicológica, e desse modo
possibilitar acesso - de modo simples e prático - a conceitos e teorias da neuropsicologia que são
fundamentais para compreensão da conduta da criança e correta intervenção.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A sociedade atual, marcada pelo consumo, pela tecnologia e pela comunicação global, necessita
resgatar e valorizar os valores humanos, em prol do desenvolvimento das futuras gerações. Na era
do conhecimento, é um fato sério e preocupante constatar, na literatura e na prática clínica, o
despreparo e a falta de conhecimento dos pais e educadores sobre o desenvolvimento da criança e
sobre como as condutas parentais determinam as condutas da criança, fatos que geram
conseqüências como doença mental, desajuste escolar, medicação indiscriminada, dificuldade de
relacionamento e de amadurecimento emocional, entre outros.
O trabalho realizado pelas autoras segundo a neuropsicologia vem a confirmar os estudos da
pedagogia, da pediatria e da psicologia, as quais enfatizam a importância das primeiras relações e
dos modelos de comportamento na formação da personalidade adulta (COSTA 2007,
VASCONCELOS 2009. WEBER 2009). Considerando e conhecendo a construção social do
cérebro e o papel determinante da conduta dos pais na conduta da criança, é possível facilitar aos
pais a laboriosa tarefa de preparar seus filhos para uma vida adulta, social, de modo que cresçam de
forma equilibrada e saudável. Com os fundamentos apresentados pelas autoras comentadas, pode-se
visualizar os processos neuropsicológicos que estão envolvidos na relação entre pais e filhos,
178
provocar reflexões e sugerir um roteiro para orientar pais a fim de capacitá-los para a exigente
tarefa de educar seus filhos, com base em três pontos:
1) informação cientifica para os pais sobre o sistema emocional, comportamento e aprendizagem
infantil: esse é o ponto de partida; é fundamental que haja fundamento nas ações dos pais para com
seus filhos, tendo clareza nas conseqüências de suas escolhas em suas condutas.
2) análise das condições necessárias para ser um educador emocional (pais ou educadores cujas
condutas são positivas para o desenvolvimento integral, especialmente a educação emocional da
criança), quais são e como aplicar: desse modo os pais conhecem os requisitos necessários para
educar seus filhos de modo emocionalmente saudável, e assim preservar a criança de situações
patogênicas.
3) exercícios de auto-avaliação para os pais em relação às suas condutas com os filhos:
fundamental é conhecer sua própria conduta parental pois a consciência é o primeiro passo para a
efetiva mudança. O conhecimento teórico apresentado nos pontos 1 e 2 terá significado para cada
pai e mãe a partir da auto-avaliação e conscientização das próprias condutas, modelos, erros,
acertos, oportunidades de melhoria.
Portanto, trata-se de utilizar e aplicar os avanços e recursos da ciência em prol do desenvolvimento
humano, do cuidado com as crianças e a preparação das novas gerações.
REFERÊNCIAS
ADOLPHS, Ralph. The social brain: neural basis of social knowledge. ANNU. REV. PSYCHOL.
2009; 60:693-716.46/ANNUEEY.PSYCH.60.110707.163514.
CALDERÒN, Amanda Céspedes. Educar las emociones, educar para La vida. - Santiago de Chile:
Ed. Vergara, 2008.
__________. Ninos con pataletas, adolecentes desafiantes. – Santiago de Chile: Ed. Vergara, 2007.
COSTA, Terezinha. Psicanálise com crianças. – Rio de Janeiro: Jorge Zahar , 2007.
VASCONCELLOS, Amélia Thereza de Moura. A criança e o futuro: fundamentos
biopsicossociais. São Paulo: Editora de Cultura, 2009.
SUNDERLAND, Margot. The science of parenting. – London: Dorling Kindersley, 2006.
WEBER, Lidia. Eduque com carinho. – Curitiba: Juruá Editora. 3 edicao, 2009.
179
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