BOLETIM INVESTIDOR
EDITORIAL
Nº 02 ANO EDIÇÃO
01 GEPES/UFMA
N°3
2º OUTONO
SEMESTRE 2010
2009
U NI V E R SI DA D E FE DER AL D O MARANHÃO
CENTRO D E CIÊNCIA S H UM A NA S
D E PA RTA M E N TO D E A RTE S
GRU PO D E E ST UD O S E PESQU ISA EM EC O LO G IA SO NO R A
A
sociedade é sonora!
Nosso ambiente é repleto de sons
que são parte integrante da
Paisagem Sonora que o compõe e se
transforma à medida que sons e
mais sons são acrescidos e ou
suprimidos do ambiente, em boa
parte, pela ação do ser humano;
hoje, produzimos, cada vez mais e
de forma desordenada, sons que vão
se tornando parte do ambiente
transformando-o dia-a-dia numa
“odisséia sonora” que vem
deixando, gradualmente, surda
nossa sociedade.
Assim, com o intuito de
estabelecer interface entre Ensino
de Música e ambiente, criamos o
Grupo de estudos e pesquisa em
Ecologia Sonora - Gepes, onde
empreendemos, no momento, um
mapeamento sonoro do centro
histórico do bairro Praia Grande, em
São Luis, Maranhão.
São Luís tem sua história
ligada, diretamente, ao
descobrimento do Brasil, por
conseguinte, a cidade possui riqueza
cultural ímpar, significativa e
singular. Seu centro histórico, hoje,
convive com uma Paisagem Sonora
muito diferente da original e é
natural que seja assim, porém, esta
nova Paisagem Sonora está em
consonância com o ambiente em
que interfere? De que forma o
ambiente estimula a produção de
som e ruído ou ainda, de que forma
esta relação contribui para que
sejamos induzidos a “aceitar”, a
tolerar e assim, permanecer, no
ambiente? Estas são questões
interessantes e nos levam à reflexão
a partir do instante que tomamos
consciência do ambiente sonoro ao
nosso redor.
O Gepes, tem na pesquisa
participante o princípio
metodológico mais adequado às
nossas necessidades de
investigação. “A importância na
articulação – conhecimento e
aplicabilidade visando uma
melhoria nas relações do homem
com a sociedade – que se faz
presente neste tipo de pesquisa
social nos é primordial, não
havendo lugar para uma forma mais
convencional de investigação, pois
de nada adiantaria um relato
quantitativo e ilustrativo, sem que
houvesse um retorno para o seio
social, buscando uma interação e
uma possível transformação do
ambiente social”(SILVA, 2006).
O desenvolvimento de tal
proposta, inovadoramente ousada,
no âmbito da Educação Musical no
Brasil, nos faz perceber o belo
caminho que temos pela frente.
Como nos mostra a pesquisadora
Profª Drª Marisa Trench de Oliveira
Fonterrada, maior autoridade no
assunto na América Latina e que
muito tem nos apoiado:
“O professor Marco Aurélio tem se
mostrado um pesquisador
interessado e atuante com inegáveis
benefícios para a Universidade onde
atua, para o estado do Maranhão e
para todo o Brasil e, em minha
opinião tem o perfil acadêmico
adequado para desenvolver os
estudos a que se propõe(...) Ele tem
muito boa formação acadêmica e
está investindo em uma área ainda
iniciante no Brasil – a da Ecologia
Acústica – com aplicações nas áreas
de Educação e de Artes(...)”
REVISTA DO GRUPO DE ESTUDOS E PESQUISA EM ECOLOGIA SONORA
O Gepes
Algumas palavras...
“Caro Marco Aurélio, parabéns pela
iniciativa.
Deste lado do atlântico, espero que
possamos estreitar relações institucionais,
de forma a que possamos ser parceiros em
muitos dos projectos que por aí vão sendo
realizados. Um abraço transatlântico”.
Profº Drº LEVI LEONIDO F. DA SILVA
Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro/
Escola das Ciências Humanas e Sociais/
Departamento de Educação e Psicologia/Director
da Revista Europeia de Estudos Artísticos/
Investigador do Centro de Investigação em
Ciências e Tecnologias das Artes.
“Que maravilha!!!Somos os pioneiros em
uma linha de pesquisa raríssima em nosso
País, isto é muito gratificante para nós”!
Ingrid Kelly Castro e Silva
Integrante do Gepes/aluna do curso de música
Bolsista PIBIC/FAPEMA
“Sabemos o quanto sua pesquisa é
importante para uma tomada de
consciência, para uma percepção sonora
mais atenta e preocupada com os sons que
estão a sua volta”
Munique Silva
Integrante do Gepes
Profª de Dança e pesquisadora
Professor e pesquisador Marco Aurélio e a
Pesquisadora Marisa Trench de Oliveira Fonterrada,
em apresentação do projeto de pesquisa do GEPES
no Instituto de Artes da UNESP, Sãõ Paulo, Brasil.
GEPES/UFMA Nº02 ANO 01/2010
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GEPES/UFMA/DEART
2º SEMESTRE DE 2010
A PAISAGEM SONORA E SUA RELAÇÃO COM O ENSINO DE MÚSICA:
BREVE RELATO ACERCA DA PESQUISA
Por: Marco Aurélio A. da Silva
UFMA
Doutorando em Ciências da Cultura, Mestre em Ensino de Ciências do Ambiente , Especialista em Ensino Superior,
Bacharel em música e licenciado em música. Professor do Departamento de Artes da Universidade Federal do Maranhão.
E-mail: [email protected]
INTRODUÇÃO
O tema trata da importância que o Ensino
de Música ocupa na relação entre a poluição
sonora e a falta de uma audição cuidadosa do
ambiente, buscando assim, o entendimento do
vínculo que se estabelece entre Ensino de Música
e Paisagem Sonora, através da construção de
uma audição seletiva, entendendo o lugar a ser
ocupado pelo professor de música. A
compreensão desse vínculo e a adoção de
medidas necessárias ao desenvolvimento deste
tipo de escuta incidem na formação profissional,
sendo assim, têm implicações diretas na reflexão
acerca dos currículos e ações desenvolvidas nos
cursos de Licenciatura em Música.
Ainda hoje, é muito comum a associação
do termo meio ambiente com espaços rurais ou
simplesmente imagens ligadas à fauna e à flora,
ou seja, uma visão ainda naturalizada de meio
ambiente prevalece. Certamente estas imagens
fazem parte do ambiente, porém, não estão sós.
Não se pode ignorar o ambiente sonoro e suas
implicações auditivas na sociedade e devemos,
também, nos preocupar com o que e como
ouvimos. O desenvolvimento da sociedade deve
ser acompanhado de um pensar sonoro, pois,
nosso tempo é sonoro e o ruído faz parte deste
universo desenhando nossa Paisagem Sonora; o
ruído do ambiente, o ruído da sociedade, o ruído
da vida. Esta Paisagem Sonora se torna para nós
uma possível ferramenta na construção de uma
relação ecológica, onde através da Audição
Inteligente – terminologia que está sendo por
mim desenvolvida em tese de Doutorado seremos capazes de conviver com o
desenvolvimento da sociedade sem a perda da
qualidade sonora e, conseqüentemente, de vida,
seja em questões pontuais ou no ambiente social
como um todo.
REVISTA DO GRUPO DE ESTUDOS E PESQUISA EM ECOLOGIA SONORA
2
Há muito sabemos que a escola não é o
único lugar em que se aprende e produz
conhecimento, assim, buscamos no seio social os
elementos necessários à nossa diagnose,
procurando estar atentos para a importância do
ouvir e da consciência sonora. Pela interface que
se estabelece entre Paisagem Sonora, Ensino de
Música e Ambiente Social, o projeto tem como
finalidade propor um estudo sonoro do bairro
Praia Grande, objetivando entender como a nova
Paisagem Sonora que se constitui no lugar influi,
se influi, no panorama sônico deste bairro que é
de estratégica importância histórico-social para a
cidade de São Luis. Pensamos que assim
possamos contribuir para uma tomada de
consciência por parte desta sociedade na
construção de um “olhar” sonoro mais atento.
DISCUSSÃO TEÓRICA
Questões relacionadas a preservação
ambiental têm, ainda que tardiamente, recebido
destaque na comunidade científica. Estudos cada
vez mais elaborados suscitam problemas,
discutem alternativas e apontam medidas que, se
não têm o poder de solucioná-los, ao menos
propõem amenizar seus efeitos sobre a sociedade
contemporânea. Deste espaço, pouco é reservado
às questões ligadas a poluição sonora que,
paradoxalmente, se tornou uma “patologia
social”, se assim podemos chamar, silenciosa.
Nos habituamos ao ruído excessivo com certa
dose de resignação como se não fôssemos os
atores principais desta história. A questão
primordial deste estudo reside em entender o
seguinte:
Como a interface existente entre o Ensino
de Música e a Paisagem Sonora pode contribuir
para a construção do conceito de Audição
Inteligente, a partir da análise do ambiente
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sonoro do centro histórico da cidade de São Luis,
Maranhão? E como corolário desta questão, de
que modo construir uma escuta sensível em
alunos dos cursos de Licenciatura em Música,
durante seu período de formação, de forma a
habilitá-los para empreender trabalhos de
Educação Musical interligados às questões da
Paisagem Sonora?
O músico e pesquisador canadense R.
Murray Schafer começou a desenvolver, a partir
da década de 1970, um projeto - até então inédito
- chamado The Soundscape Project, em que
realizou um estudo sistematizado sobre a
produção sonora em ambientes rurais e urbanos,
tendo como objetivo principal chamar a atenção
da sociedade para a questão da escuta, apontando
soluções práticas e contribuindo para a melhoria
da percepção auditiva das pessoas. Paisagem
Sonora é, segundo o conceito que norteia nossa
reflexão, uma expressão usada nos países latinos,
traduzida do inglês "soundscape" - neologismo
criado por Schafer -, que tenta descrever - qual
uma pintura - os sons de um determinado
ambiente. Para Schafer, a Paisagem Sonora é
formada por todo e qualquer som que se propaga
por um determinado ambiente, sendo assim, a
percebemos em constante mudança e a poluição
sonora, parte integrante de nossa Paisagem
Sonora, está presente no cotidiano da sociedade.
A falta de atenção a esta realidade traz sérios
problemas para a vida e saúde do ser humano.
“A poluição sonora ocorre quando o homem não
ouve cuidadosamente. Ruídos são os sons que
aprendemos a ignorar”(SCHAFER, 2001, p.18).
Hoje, discussões em torno de questões
acerca da preservação ambiental ganharam
espaço considerável na agenda da comunidade
acadêmica e científica; na sociedade
contemporânea, porém, o som parece não
integrar parte relevante destes temas em reflexão.
“Apesar de nos últimos anos ter havido um
crescimento vertiginoso do desenvolvimento dos
índices de poluição sonora, principalmente nos
centros urbanos, as questões tecnológicas para a
minimização da poluição sonora estão longe de
superar hábitos arraigados e culturalmente
ensinados aos jovens”(BASTOS; MATTOS,
REVISTA DO GRUPO DE ESTUDOS E PESQUISA EM ECOLOGIA SONORA
2º SEMESTRE DE 2010
2008, p.1). E podemos verificar que “O som em
excesso – ou indevido – acarreta conseqüências
severas à qualidade de vida da população. Sua
falta de controle afeta a saúde do indivíduo e
contamina intensamente as relações sociais. À
medida que a cidade cresce, queixas públicas
relacionadas ao ruído tornam-se cada vez mais
numerosas”(EL HAOULI;FONTERRADA;
TABORDA, 1998, p. 6).
A Educação Musical se configura em
relevante ferramenta para reflexão na construção
de uma Paisagem Sonora equilibrada, pois, as
fontes poluentes então mais perto de nós do que
se pode imaginar e o conteúdo construído a partir
do entendimento desses fenômenos pode tornar o
alunado mais sensível em relação ao universo
sonoro. “Esses novos sons, que diferem em
qualidade e intensidade daqueles do passado, têm
alertado muitos pesquisadores quanto aos perigos
de uma difusão indiscriminada e imperialista de
sons, em maior quantidade e volume, em cada
reduto da vida humana”(SCHAFER, 2001, p.17).
A Educação Musical, em suas possibilidades de
intervenção no que tange às questões
relacionadas à poluição sonora, parece ignorar a
Paisagem Sonora como algo a ser observado com
critério e cuidado no sentido de buscar
entendimento sobre nossa realidade sônica, o que
abre uma lacuna na formação de alunos,
professores e cidadãos. “Se ainda acreditamos na
educação como alavanca para transformação
social, concordamos que ela deve ser estendida
além dos muros da escola, inserida em todos os
ambientes sociais”(CASTRO, 2001, p.6).
Galiazzi, em pesquisa empreendida no ambiente
de formação de professores de ciências, nos
chama a atenção para a lacuna existente entre
realidade e preparação docente. Segundo a
pesquisadora: “Outro dos dilemas a serem
superados pelos cursos de Licenciatura é a falta
de integração entre a Licenciatura e a realidade.
Há pouca consonância entre quem forma o futuro
professor e os sistemas que o absorvem como
profissional”(2003, p.23); isto nos faz ver que o
Ensino de Música deve se apropriar deste pensar
em direção ao ambiente sonoro. Entretanto, “(...)
o som ambiental e as questões que o cercam têm,
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GEPES/UFMA
ainda, pouco espaço de divulgação. Em alguns
países desenvolvidos, existe uma certa
preocupação a esse respeito, mas nos países em
desenvolvimento, entre os quais o Brasil, a
questão é praticamente inexistente
(FONTERRADA, 2004, p.43).
Percebemos, assim, a importância do lugar
que se constitui ao educador musical na
discussão e pesquisa de temas relacionados a
escuta. Em 1998, através da Secretaria Municipal
de Meio Ambiente e a Pro-Arte, no Rio de
Janeiro, um grupo de pesquisadores, dentre eles
Marisa Trench de Oliveira Fonterrada e Tato
Taborda, publicou uma cartilha chamada
“Escuta: a Paisagem Sonora da cidade” onde “O
que se constata é que, dentro do perímetro
urbano, especialmente nas cidades grandes, a
população é submetida a índices de ruído cada
vez mais intensos, constituindo-se a poluição
sonora uma das principais fones de conflito da
vida moderna”(EL HAOULI;FONTERRADA;
TABORDA; et al, 1998).
Segundo Adorno,“as formas de arte
registram a história da humanidade com mais
exatidão do que os documentos”(2002, p.42).
Assim, para a pesquisa sonora, aqui, para o
Ensino de Música e a Paisagem Sonora, o som e
o universo sonoro do ambiente devem estar em
constante ressonância com seus estudos e
práticas educativas, uma vez que, se faz
necessário poder discernir sobre que fontes
sonoras devem estar presentes em cada
momento; o silêncio absoluto talvez não exista.
“Nenhum som teme o silêncio que o extingue, e
nenhum silêncio existe que não esteja grávido de
sons.”(CAGE apud FUCKS, 1991, p.16.). Paulo
Freire nos chama a atenção para a necessidade de
se saber escutar: “(...)necessário é saber escutar
(...)”(FREIRE, 1996, p.127). O ser humano
pouco atento aos sons que houve é como alguém
que enxerga mais não vê. Parafraseando Paulo
Freire: “Educar é discernir o ouvir”. Nós
educadores temos uma tarefa maior do ensinar
rudimentos teóricos sobre nossa arte e ou
ciências. “Apresentar aos alunos de todas as
idades os sons do ambiente; tratar a paisagem
REVISTA DO GRUPO DE ESTUDOS E PESQUISA EM ECOLOGIA SONORA
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2º SEMESTRE DE 2010
sonora do mundo com uma composição musical,
da qual o homem é o principal compositor; e
fazer julgamentos críticos que levem à melhoria
de sua qualidade”(SCHAFER, 1992, p.284). A
chave do estudo de Schafer parece-nos a máxima
do trabalho de Educação Musical, onde, “(...)
compreender que a educação musical não é
apenas uma atividade destinada a divertir e
entreter as pessoas, tampouco um conjunto de
técnicas, métodos e atividades com o propósito
de desenvolver habilidades e criar competências,
embora essa seja parte importante de sua tarefa.
O mais significativo na educação musical é que
ela pode ser o espaço de inserção da arte na vida
do ser humano, dando-lhe possibilidade de
atingir outras dimensões de si mesmo e de
ampliar e aprofundar seus modos de relação
consigo próprio, como outro e com o mundo”
FONTERRADA, 2008, p. 117).
A Paisagem Sonora não é caminho único e
muito menos saída redentora, porém, é essencial
para o aprendizado e construção de uma
consciência sonora, no conceito que chamamos
de Audição Inteligente.
A PESQUISA
Buscando um elo entre o saber e a ação
através da participação dos atores que, ao nosso
olhar, têm elementos para auxiliar na construção
de uma consciência ecológica acerca da acuidade
auditiva, pensamos ser a pesquisa participante o
princípio metodológico mais adequado às nossas
necessidades de investigação. A importância na
articulação – conhecimento e aplicabilidade
visando uma melhoria nas relações do homem
com a sociedade – que se faz presente neste tipo
de pesquisa social nos é primordial, não havendo
lugar para uma forma mais convencional de
investigação, pois de nada adiantaria um relato
quantitativo e ilustrativo, sem que houvesse um
retorno para o seio social, buscando uma
interação e uma possível transformação do
ambiente social.
Nosso processo de investigação tem apoiado no observar, coletar, interpretar,
argumentar e construir - estreita relação com as
GEPES/UFMA Nº02 ANO 01/2010
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bases da pesquisa participativa e, além disso, este
tipo de pesquisa nos dá a flexibilidade que
necessitamos para a construção do saber, sem
nos engessarmos em técnicas metodológicas que
não resultam em retorno à sociedade do que foi
construído e investigado. Este retorno se
configura em elemento de atração e talvez por
isso, este tipo de pesquisa venha sendo cada vez
mais desenvolvido na área educacional. “Numa
Pesquisa sempre é preciso pensar, isto é, buscar
ou comparar informações, articular conceitos,
avaliar ou discutir resultados, elaborar
generalizações, etc”(THIOLLENT, 2002, p.27).
Assim, nossa proposta está articulada em
duas etapas:
1ª etapa: Estudo Bibliográfico,
reconhecimento, compreensão e análise da
Paisagem Sonora do bairro praia grande;
2ª etapa: A elaboração, a partir do que foi
colhido e analisado na etapa anterior, em
conjunto com a comunidade, de publicação
didática que possibilite uma tomada de
consciência por parte da sociedade acerca das
implicações decorrentes da exposição e produção
sonora de forma desordenada e indiscriminada.
O aporte metodológico da Pesquisa
Participante nos dá flexibilidade e os sons do
cotidiano se tornam, também, uma forma
atraente de difusão dos resultados conquistados
no projeto, pois, através dele propomos um
pensar sonoro em que a comunidade envolvida e
pesquisada interferirá, diretamente, no
andamento do projeto.
ATIVIDADES PROPOSTAS
Propomos:
Realizar um reconhecimento da Paisagem
Sonora do bairro Praia Grande; conhecer, através
de captação de áudio, com gravador digital e
aferição de decibéis, com um decibelímetro, a
realidade sonora do ambiente da comunidade do
bairro; conhecer as competências prévias que o
grupo investigado possui sobre os conceitos de
som e ruído, mensurando seu nível de
conhecimento e preocupação acerca destas
questões, através de um questionário
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2º SEMESTRE DE 2010
semiestruturado; coletar dados sobre a legislação
sonora ambiental no âmbito municipal, estadual
e federal, entendendo se as regras vigentes são
claras, e ainda, se são cumpridas; levantar e
analisar dados sobre os impactos da Paisagem
Sonora do ambiente em questão no cotidiano da
comunidade, propondo aos participantes, sempre
que possível, uma reflexão sobre a qualidade
sonora a partir da exposição do áudio captado;
comparar os dados colhidos após a nossa
intervenção com dados anteriores a ela, para
observar a evolução do panorama sonoro em
questão; registrar através de fotografias todo o
processo realizado; editar o áudio coletado, se
possível junto aos participantes, para que faça
parte de Cd que acompanhará a publicação
didática.
RESULTADOS ESPERADOS
Considerando os objetivos pretendidos de
se construir um mapeamento do panorama
sonoro do bairro Praia Grande, em São Luis, a
avaliação será processual, respeitando as
competências desenvolvidas e as especificidades
do grupo participante; ao final do projeto,
esperamos entender como se dá a relação entre
ambiente sonoro e comunidade, conhecendo
assim, seus problemas e buscando soluções
exeqüíveis.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ADORNO, Theodor Wiesengrund. Filosofia da Nova Música. São
Paulo: Ed.Perspectiva, 2002.
BASTOS, Patrícia Weishaupt; MATTOS, Cristiano Rodrigues. Física e
poluição sonora: uma proposta de dinâmica do perfil conceitual.
Curitiba: XI Encontro de Pesquisa em Ensino de Física, 2008.
CASTRO, Luciana. Análise dos padrões de voz no Cinema. A
Comunicação oral humana em duas versões de The Nutty Professor.
Rio de Janeiro: Dissertação (Mestrado) NUTES/UFRJ, , 2001.
EL HAOULI, Janete; FONTERRADA, Marisa: TABORDA, Tato:
NEVES, Estela: SANT’ANNA, Elisabeth: COUTO, Natalia L.F. Escuta!
A paisagem sonora da cidade. Cartilha da Secretaria Municipal de Meio
Ambiente do Rio de Janeiro e Pró-Arte. Rio de Janeiro, 1998.
FONTERRADA, Marisa Trench de Oliveira. De tramas e fios. São
Paulo: Editora UNESP, 2008.
__________________________. Ecologia Sonora. São Paulo: Irmãos
Vitale, 2004.
FUCKS, Rosa. O Discurso do Silêncio. Rio de Janeiro: Enelivros Editora
e Livraria Ltda, 1991.
GALIAZZI, Maria do Carmo. Educar pela pesquisa: ambiente de
formação de professores de ciências. Rio Grande do Sul: Editora Unijuí,
2003.
SCHAFER, R. Murray. A Afinação do Mundo. São Paulo: Fundação
Editora da UNESP, 2001.
______________. O Ouvido Pensante. São Paulo: Fundação Editora da
UNESP,1991.
SILVA, Marco Aurélio A. da. Imagens sonoras do ambiente e
educação: relato de uma pesquisa participante no ensino superior de
licenciatura em música. Dissertação de mestrado, 2006.
THIOLLENT, Michel. Metodologia da Pesquisa-ação. São Paulo: Ed.
Cortez, 2002.
GEPES/UFMA Nº02 ANO 01/2010
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EDITORIAL Nº 02 ANO 01 GEPES/UFMA
2º SEMESTRE 2010
Profº Ms Marco Aurélio A. da Silva
Idealizador, fundador e coordenador do Gepes
Carioca,
é Professor do
Departamento de
Artes/curso de Música da
Universidade Federal do
Maranhão - UFMA,
p e s q u i s a d o r ,
instrumentista, compositor,
arranjador e produtor
musical; teve a formação
erudita como primeiro
contato com a arte musical, iniciando, no Rio de
Janeiro seus estudos musicais aos 10 anos de idade.
Formado em teoria musical, solfejo e
percepção, Bacharel em Música com habilitação
em contrabaixo - onde teve como mestres nomes
ilustres como: Maria Luisa de Mattos Priolli,
Orlando Silveira, Nelson Faria, Yuri Popoff, Tato
Taborda, João Guilherme Ripper, dentre outros -,
Licenciado em Música, Especialista em Docência
do Ensino Superior, Mestre em Ensino de Ciências
da Saúde e do Ambiente e Doutorando em Ciências
da Cultura em Universidade Pública européia com
pesquisa que faz interface entre música, educação e
ambiente.
Gravou e produziu diversos Cds, realizou
inúmeros shows e concertos ao lado de artistas da
música instrumental e popular em casas e teatros de
renome. Como professor há mais de 20 anos,
acumulou experiências que estão em seus livros “A
improvisação consciente”, editado pela Bruno
Quaino Editores RJ -2008 e “A arte e os caminhos
do contrabaixo” (em fase de editoração).
Tem se dedicado a educação e, de 2003 a
2004 foi Diretor, Coordenador Pedagógico e
Idealizador da Escola Municipal de Música
Pixinguinha em São Gonçalo – RJ; em 2005
assumiu a Superintendência de Música da
Fundação de Artes de São Gonçalo - RJ até 2006;
foi Professor Titular de técnica e prática
instrumental, prosódia musical, estética, apreciação
musical e história da música no Curso Superior do
Conservatório de Música de Niterói, também até
2006. É Produtor musical de trilhas para TV, teatro
e cinema, além disso, foi professor titular da
REVISTA DO GRUPO DE ESTUDOS E PESQUISA EM ECOLOGIA SONORA
6
disciplina Oficina de Cordas da Escola Superior de
Música da Universidade Candido Mendes – Nova
Friburgo - RJ - e professor I – contrabaixo - na
Escola de Música do CETEP-FAETEC - RJ -,
coordenando o projeto “Orquestra de Música
Popular - OMP – uma ação inclusiva”.
Possui larga experiência em coordenação de
projetos culturais e sociais, coordenando, durante
10 anos, os projetos culturais das Aldeias Infantis
SOS Brasil, no Rio de Janeiro, onde era
responsável por projetos musicais sendo estes:
Orquestra Sinfônica Jovem, Orquestra Jazz
Sinfônica Jovem, Coral e Musicalização infantil,
tendo, através destes projetos, o ingresso de vários
jovens na Universidade de Música .
Como pesquisador editou o livro “Música...
educação, cultura e integração social” (iEditora:
São Paulo, 2001).
Dedicou-se a pesquisa de Mestrado, que
faz interface entre música, educação e ambiente,
obtendo o título de Mestre em Ensino de Ciências
da Saúde e do Ambiente com a dissertação “Imagens sonoras do ambiente e educação: Relato
de uma pesquisa participante no ensino superior de
licenciatura em música- em fase de edição pela
EDUFMA -. Busca, agora, aprofundamento em
programa de Doutorado, através de pesquisa que
tem como finalidade propor um estudo sonoro do
cotidiano social, contribuindo para uma tomada de
consciência por parte da sociedade na construção
do que chama “Audição Inteligente”.
Ficha técnica
Produção textual, editoração,
revisão, diagramação e criação:
Profº Ms Marco Aurélio A. da Silva
Colaboração:
Munique Teixeira da Silva
Realização:
GEPES/UFMA
Apoio:
Gráfica da UFMA
Contato:
e-mails:
[email protected]
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