Universidade Federal do Rio de Janeiro
ANÁLISE ENTONACIONAL E PRAGMÁTICA DE CONVERSAS TELEFÔNICAS
COLOQUIAIS: OS ENUNCIADOS INTERROGATIVOS TOTAIS NAS
VARIEDADES DE BUENOS AIRES E SANTIAGO DO CHILE
CAROLINA GOMES DA SILVA
2014
1
ANÁLISE ENTONACIONAL E PRAGMÁTICA DE CONVERSAS TELEFÔNICAS
COLOQUIAIS: OS ENUNCIADOS INTERROGATIVOS TOTAIS NAS
VARIEDADES DE BUENOS AIRES E SANTIAGO DO CHILE
CAROLINA GOMES DA SILVA
Dissertação de Mestrado apresentada ao
Programa de Pós-Graduação em Letras
Neolatinas da Universidade Federal do
Rio de Janeiro, como parte dos requisitos
necessários à obtenção do título de Mestre
em
Letras
Neolatinas
(Estudos
Linguísticos
Neolatinos,
área
de
concentração Língua Espanhola).
Orientadora: Prof.ª Dr.ª Leticia Rebollo
Couto.
Co-orientadora: Prof.ª Dr.ª Maristela da
Silva Pinto.
Rio de Janeiro
Fevereiro de 2014
2
Análise entonacional e pragmática de conversas telefônicas coloquiais: os
enunciados interrogativos totais nas variedades de Buenos Aires e Santiago do
Chile
Carolina Gomes da Silva
Orientadora: Prof.ª Dr.ª Leticia Rebollo Couto.
Co-orientadora: Prof.ª Dr.ª Maristela da Silva Pinto.
Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Letras
Neolatinas da Universidade Federal do Rio de Janeiro, como parte dos requisitos
necessários à obtenção do título de Mestre em Letras Neolatinas (Estudos Linguísticos
Neolatinos, área de concentração Língua Espanhola).
Examinada por:
______________________________________________________________________
Presidente, Prof.ª Dr.ª Leticia Rebollo Couto – Letras Neolatinas, UFRJ
______________________________________________________________________
Prof. Dr. João Antônio de Moraes – Letras Vernáculas, UFRJ
______________________________________________________________________
Prof. Dr. Juan Manuel Sosa – Simon Fraser University/CA
______________________________________________________________________
Prof.ª Dr.ª Claudia de Souza Cunha – Letras Vernáculas, UFRJ, Suplente
______________________________________________________________________
Prof.ª Dr.ª Carolina Ribeiro Serra – Letras Vernáculas, UFRJ, Suplente
Co-orientadora:
***
______________________________________________________________________
Prof.ª Dr.ª Maristela da Silva Pinto – UFRRJ
Rio de Janeiro
Fevereiro de 2014
3
GOMES DA SILVA, Carolina.
Análise entonacional e pragmática de conversas telefônicas coloquiais: os enunciados
interrogativos totais nas variedades de Buenos Aires e Santiago do Chile / Carolina Gomes da
Silva. – Rio de Janeiro: UFRJ/ Faculdade de Letras, 2014.
XIII, 274f.: il.; 31cm.
Orientadora: Prof.ª Dr.ª Leticia Rebollo Couto
Co-orientadora: Prof.ª Dr.ª Maristela da Silva Pinto
Dissertação (Mestrado) - UFRJ/ Faculdade de Letras / Programa de Pós-Graduação em Letras
Neolatinas (Estudos Linguísticos Neolatinos, área de concentração Língua Espanhola), 2014.
Referências bibliográficas: p.179-185.
1. Entoação. 2. Pragmática. 3. Conversação Coloquial. 4. Buenos Aires. 5. Santiago do Chile. I.
Rebollo Couto, Leticia; Pinto, Maristela da Silva. II. Universidade Federal do Rio de Janeiro,
Faculdade de Letras, Programa de Pós-Graduação em Letras Neolatinas (Estudos Linguísticos
Neolatinos, área de concentração Língua Espanhola). III. Título.
4
RESUMO
Análise entonacional e pragmática de conversas telefônicas coloquiais: os enunciados
interrogativos totais nas variedades de Buenos Aires e Santiago do Chile
Este estudo pretende investigar a correlação entre a forma prosódica e a função
pragmática de enunciados interrogativos totais, realizados em conversas telefônicas
coloquiais por falantes de espanhol das variedades de Buenos Aires e de Santiago do Chile.
Os objetivos específicos são: i) verificar quais são os contornos entonacionais encontrados
em conversas coloquiais dos enunciados interrogativos totais nas variedades argentina
(Buenos Aires) e chilena (Santiago do Chile), através de dois parâmetros acústicos:
frequência fundamental e duração e ii) analisar se há uma relação biunívoca entre a forma
prosódica e a função pragmática. Para a coleta dos dados, foram analisadas quatro
conversas telefônicas coloquiais, amostra de fala espontânea, nas quais encontramos 39
enunciados interrogativos totais para a variedade de Buenos Aires e 39, para a variedade de
Santiago do Chile. Totalizando 78 enunciados interrogativos proferidos por oito
informantes: dois do sexo feminino e dois do sexo masculino, para a variedade de Buenos
Aires e dois do sexo feminino e dois do sexo masculino, para a variedade de Santiago do
Chile. Os resultados das análises fonética e fonológica demonstram que os enunciados
interrogativos totais apresentam diferentes contornos melódicos finais: na variedade de
Buenos Aires, a ocorrência de enunciados interrogativos totais com contorno circunflexo
no núcleo é majoritária, ao passo que na variedade de Santiago do Chile, o contorno
ascendente no núcleo é o mais recorrente. No que se refere à análise pragmática,
verificamos que para as diferentes categorias pragmáticas, encontramos configurações
nucleares semelhantes, enquanto que para uma mesma categoria, verificamos diferentes
configurações nucleares. Constatamos que tal variação de padrões no núcleo se relaciona
com os graus de certeza epistêmica: pedido de informação e pedido de confirmação.
Palavras-chave: entoação; pragmática; enunciados interrogativos totais; Buenos Aires;
Santiago do Chile.
Rio de Janeiro
Fevereiro de 2014
5
RESUMEN
Análisis entonacional y pragmática de conversaciones telefónicas coloquiales: los
enunciados interrogativos totales en las variedades de Buenos Aires y Santiago de Chile
Este estudio pretende investigar la correlación entre la forma prosódica y la función
pragmática de enunciados interrogativos totales, realizados en conversaciones telefónicas
coloquiales por hablantes de español de las variedades de Buenos Aires y de Santiago de
Chile. Los objetivos específicos son: i) verificar cuáles son los contornos entonacionales
que se encuentran en conversaciones coloquiales de los enunciados interrogativos totales
en las variedades argentina (Buenos Aires) y chilena (Santiago de Chile), a través de dos
parámetros acústicos: frecuencia fundamental y duración y ii) analizar si hay una correlación
biunívoca entre la forma prosódica y la función pragmática. Analizamos cuatro
conversaciones telefónicas coloquiales, muestra de habla espontánea, en las que
encontramos 39 enunciados interrogativos totales para la variedad de Buenos Aires y 39,
para la variedad de Santiago de Chile, con un total de 78 enunciados interrogativos
proferidos por ocho informantes: dos del sexo femenino y dos del sexo masculino, para la
variedad de Buenos Aires y dos del sexo femenino y dos del sexo masculino, para la
variedad de Santiago de Chile. Los resultados de los análisis fonético y fonológico
demuestran que los enunciados interrogativos totales presentan diferentes contornos
melódicos finales: en la variedad de Buenos Aires, el contorno final circunflejo en el núcleo
es mayoritario, mientras que en la variedad de Santiago de Chile, el contorno ascendente en
el núcleo es el más frecuente. El análisis pragmático señala que para las diferentes
categorías pragmáticas, encontramos configuraciones nucleares semejantes, mientras que
para una misma categoría, verificamos diferentes configuraciones nucleares. Constatamos
que dicha variación de patrones en el núcleo se relaciona con los grados de certeza
epistémica: pedido de información y pedido de confirmación.
Palabras-clave: entonación; pragmática; enunciados interrogativos totales; Buenos Aires;
Santiago de Chile.
Rio de Janeiro
Fevereiro de 2014
6
ABSTRACT
Intonational and Pragmatic analyis of colloquial long distance calls: yes-no questions in
Argentinean Spanish and Chilean Spanish
This work aims to analyze the correlation between prosodic form and pragmatic
function of yes-no questions, extracted from telephone calls by Argentinean speakers
(Buenos Aires) and Chilean speakers (Santiago do Chile). Our first goal is to verify what
kinf of melodic contours of yes-no questions we can find in colloquial conversations in the
Argentinean variety (Buenos Aires) and in the Chilean variety (Santiago) are. We used two
acoustic parameters for that: fundamental frequency and duration. And, the second goal is
to analyze if there is biunivocal relation between the prosodic form and the pragmatic
function. The data were extracted from four colloquial long distance calls from USA to
Buenos Aires or Santiago do Chile in which we found 78 examples of yes-no questions: 39
for Argentinean variety, made by 2 male and 2 female informants and 39 for Chilean
variety, made by 2 male and 2 female informants too. The phonetic and phonologic results
show that yes-no questions present different nuclear configurations: in the Buenos Aires’s
variety, the occurrence of total interrogative sentences with circumflex curve in the nucleus
is majority. As for the Chilean variety, the ascending curve in the nucleus is the most
recurrent. Regarding the pragmatic analysis, we noticed that, for different pragmatic
categories, similar nuclear configurations were found. We also noticed that for the same
category, different nuclear configurations were found. Such variation of patterns in the
nucleus is related to the degrees of epistemic certainty: information request and
confirmation request.
Key-words: Intonation; Pragmatic; yes-no questions; Argentinean Spanish; Chilean
Spanish.
Rio de Janeiro
Fevereiro de 2014
7
Esta pesquisa foi integralmente financiada pelo Conselho
Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
(CNPq).
8
À Leny Luques, mulher guerreira e sábia,
cozinheira de mão cheia, com o maior coração do
mundo. E o melhor de tudo: minha avó!
9
“No novo tempo, apesar dos castigos,
Estamos crescidos, estamos atentos, estamos mais
vivos pra nos socorrer.
(...)
No novo tempo, apesar dos castigos,
De toda fadiga, de toda injustiça, estamos na
briga pra nos socorrer.”
(Letra e Música: Vitor Martins e Ivan Lins)
10
AGRADECIMENTOS
“E aprendi que se depende sempre
De tanta, muita, diferente gente.
Toda pessoa sempre é as marcas
Das lições diárias de outras tantas pessoas.”
(Gonzaguinha)
Concluir esta dissertação é também fechar um ciclo de dois anos de novos
aprendizados e novas descobertas. Ao longo desse tempo, contei com o apoio e paciência
de muitas pessoas, a quem agradeço nas linhas e páginas que seguem.
Em primeiro lugar, agradeço a Deus, que me sustentou e renovou minhas forças a
cada dia e permitiu que eu concluísse esta dissertação de mestrado.
Agradeço aos meus pais, Walter e Eliane, que nunca mediram esforços para que eu
fosse criada da melhor forma possível. Ainda que não compreendam a diferença entre uma
dissertação e uma tese, tenho certeza de que são as pessoas mais realizadas com esta vitória.
Agradeço a minha avó, Leny, a quem dedico esta dissertação. Seu carinho, sua
paciência e sua sabedoria foram e são fundamentais para mim.
Agradeço também ao meu amigo e “namonoivo” Danilo, que acompanhou este
processo desde o período de iniciação científica. Agradeço cada abraço dado nos
momentos mais desesperadores, mesmo sem saber a força que continha cada um deles.
Agradeço, ainda, pela ajuda com os dados no Excel, afinal, namorado também ajuda na
análise dos dados!
Agradeço a minha família querida: tia Eliane, tio Henrique, meus primos João
Victor e Pedro Henrique, meus sogros Rosane e Edmundo e minhas cunhadas Daniele e
Nayra, pelo carinho e pelas palavras de incentivo. Agradeço ao meu primo João Victor pela
disponibilidade em me ajudar com as traduções para o inglês. Em especial, agradeço aos
meus sobrinhos, Gabrielle e Gabriel, que colorem minha vida com sorrisos e amor.
Finalmente, mas não menos importante, agradeço à tia Gilma e ao Vô Milton pelos
dez anos de suas vidas que me dedicaram e por me fazerem sentir parte da sua família.
Ainda pensando em casa, deixo meus agradecimentos aos meus “irmãos de quatro
patas” que, de uma forma ou de outra, fazem parte da família: Samanta, irmã canina, que
precisou me deixar no meio do caminho; Fred, irmão felino quase-canino, que “leu” todos
11
os textos comigo e Hello Kitty e Branca Leite, minhas irmãs felinas, ariscas, mas carinhosas
quando querem comer ou beber leite.
Esta longa caminhada seria incompleta sem o apoio de amigos. Por isso agradeço às
amigas de infância, Beatriz e Natalia, minhas amigas desde zigoto. Obrigada por esses 24
anos juntas! Obrigada pelo apoio e amizade que sempre tivemos e desculpem-me pelos
momentos em que precisei me ausentar por conta desta dissertação.
Agradeço a todos os membros da família Lino pela amizade, apoio, orações e por
permitirem que eu também faça parte dessa família tão querida.
Agradeço também às minhas amigas banguenses pelos momentos agradáveis e por
me aturarem falando de casamento: Bruna, minha quase gêmea; Tati, “produtora” do
melhor caldo de cana da vida e Belinha, que compartilha comigo essa correria da vida
acadêmica.
Minha jornada na Faculdade de Letras da UFRJ não seria a mesma se não me
encontrasse com Bruno Faber e Camila Pinheiro, formando assim, o tripé. Obrigada pelos
quatro anos de faculdade e por tudo que vivemos juntos ao longo desse tempo. Tenho
muito orgulho do caminho que cada um de nós escolheu seguir! À Camila, agradeço em
especial pelo privilégio de ser sua madrinha de casamento e pela vida do meu sobrinho
emprestado, Bernardo.
Agradeço também aos amigos de Vernáculas: ao “quase artista” Caio Castro, por
todo incentivo, pelas boas gargalhadas, por me emprestar sua voz para os trabalhos e pelas
discussões fonéticas. Você é um exemplo! À companheira caxiense (agora lisboeta), Elaine
Melo, pelo apoio, por não ter medo de andar de carro comigo e por me ensinar um pouco
de Sintaxe. Aos queridos Ana Carolina Mrad, Camila Duarte, Érica Nascimento e Thiago
Laurentino, deixo meu agradecimento pelas trocas, desesperos e conquistas compartilhadas
ao longo desses anos.
Agradeço aos amigos de “LitTrailer”, Diego Vargas, Vanessa Portugal, Renato
Marques, Douglas Knupp (eterno Dylon) e Mariane Espinheira, que me acolheram tão
bem quando eu ainda era uma caloura perdida.
No âmbito acadêmico, agradeço aos professores com quem tive o privilégio de
estudar durante a graduação e que me ajudaram a escolher um caminho a seguir. Agradeço
também aos professores da pós-graduação pelos ensinamentos que muito contribuíram
para a minha formação e para a elaboração desta dissertação: João Moraes, Claudia Cunha,
Carolina Serra, Maria Mercedes Sebold, Consuelo Alfaro e Antônio Andrade.
12
Especialmente, agradeço aos professores João Moraes, Juan Manuel Sosa, Claudia
Cunha e Carolina Serra por terem aceitado o convite e me darem o privilégio de
participarem da banca desta dissertação.
De forma muito querida, agradeço à minha orientadora, Leticia Rebollo Couto, por
esses cinco anos de orientação. Agradeço por ter me mostrado o mundo da pesquisa e
pelos ensinamentos acadêmicos, humanos e éticos. Sem dúvida, não teria conquistado o
que conquistei se não fosse seu apoio e incentivo. À Leticia agradeço também pela leitura
sempre tão atenta deste trabalho.
De igual forma, agradeço a minha co-orientadora, Maristela da Silva Pinto, por
todos esses anos de convívio, amizade e aprendizado. Agradeço pela paciência que sempre
teve quando eu ainda engatinhava na pesquisa, pelos trabalhos que realizamos juntas e
pelas conversas acadêmicas e não acadêmicas.
Agradeço ainda aos amigos do grupo de pesquisa, Ricardo Pinho, Priscila Ferreira,
Natalia Figueiredo, Carolina Fernandes, Aline Gabriel e Diana Pereira, pelos textos e
conhecimentos compartilhados.
Devo agradecer também aos meus alunos da UFRJ, em especial aos alunos do
curso de Fonética e Fonologia do Espanhol, que sempre foram bastante receptivos às
novas descobertas, incluindo o uso do PRAAT! Obrigada por me permitirem crescer com
vocês.
Agradeço à aluna Patricia Ramos que muito me ajudou na transcrição das
gravações.
Finalmente, de cunho mais técnico, agradeço ao Programa de Pós-graduação em
Letras Neolatinas e também ao CNPq, pela bolsa de estudos concedida que me permitiu
participar de diversos eventos, nos quais pude trocar ideias com outros pesquisadores e
adquirir novos conhecimentos.
13
SUMÁRIO
Lista de figuras .......................................................................................................... 18
Lista de tabelas .......................................................................................................... 23
Lista de gráficos ........................................................................................................ 25
Lista de esquemas ..................................................................................................... 26
Introdução .......................................................................................................................................27
1- Prosódia e entoação: modelos teóricos e representações ............................................. 31
1.1- Prosódia e entoação: definições, parâmetros e funções ................................................31
1.2- Modelos teóricos da entoação...........................................................................................34
1.2.1- Representando a entoação: o Sp_ToBI ................................................................36
1.3- Fonologia Prosódica ...........................................................................................................39
1.4- Estudos de enunciados interrogativos totais: Buenos Aires e Santiago do Chile ......41
1.4.1- Características entonacionais dos enunciados interrogativos de Buenos Aires .
.......................................................................................................................................................... 42
1.4.2- Características entonacionais dos enunciados interrogativos de Santiago do
Chile ...................................................................................................................................................47
1.5- Resumindo ...........................................................................................................................52
2- Conversação coloquial........................................................................................... 53
2.1- Coloquial versus Oral versus Espontâneo ...........................................................................53
2.2- Conversação coloquial .......................................................................................................56
2.3- Elementos coloquiais..........................................................................................................59
2.3.1- Partículas discursivas coloquiais ............................................................................59
2.3.1.1- Buenos Aires .................................................................................................60
2.3.1.2- Santiago do Chile ..........................................................................................63
2.3.2- Formas de tratamento coloquiais ..........................................................................66
2.3.2.1- Buenos Aires .................................................................................................67
2.3.2.2- Santiago do Chile ..........................................................................................69
2.3.3- Intensificadores e atenuadores .............................................................................71
2.3.3.1- Buenos Aires .................................................................................................72
14
2.3.3.2- Santiago do Chile ..........................................................................................74
2.3.4- Diminutivos ..............................................................................................................76
2.3.4.1- Buenos Aires .................................................................................................77
2.3.4.2- Santiago do Chile ..........................................................................................78
2.4- A estrutura conversacional ................................................................................................79
2.4.1- Os turnos de fala......................................................................................................79
2.4.2- A conversa telefônica ..............................................................................................80
2.5- Resumindo ...........................................................................................................................82
3- Metodologia........................................................................................................... 84
3.1- O corpus .................................................................................................................................84
3.1.1- Escolha das gravações .............................................................................................84
3.1.2- As conversas telefônicas .........................................................................................85
3.1.2.1- Conversa 1 .....................................................................................................86
3.1.2.2- Conversa 2 .....................................................................................................87
3.1.2.3- Conversa 3 .....................................................................................................87
3.1.2.4- Conversa 4 .....................................................................................................87
3.1.3- Critérios de transcrição ortográfica .......................................................................87
3.2- Programas de análise ..........................................................................................................89
3.2.1- Audacity ....................................................................................................................89
3.2.2- Praat ...........................................................................................................................90
3.3- Critérios de análise ..............................................................................................................91
3.3.1- Análise acústica ........................................................................................................91
3.3.2- Análise pragmática ...................................................................................................92
3.4- Resumindo ...........................................................................................................................94
4- Resultados e discussões: enunciados interrogativos totais – variedade de Buenos
Aires ........................................................................................................................... 96
4.1- Análise Fonética ..................................................................................................................98
4.1.1- Análise Fonética: Descrição da F0 ........................................................................98
4.1.2- Análise Fonética: Descrição da duração ............................................................ 103
4.2- Análise pragmática e notação fonológica das curvas entonacionais ......................... 108
4.2.1- Análise pré-nuclear ............................................................................................... 109
4.2.2- Análise nuclear ...................................................................................................... 111
15
4.2.2.1- Detalhe de elaboração ............................................................................... 112
4.2.2.2- Informação suplementar........................................................................... 116
4.2.2.3- Iniciador de tópico .................................................................................... 120
4.2.2.4- Diretor do fluxo de informação .............................................................. 121
4.2.2.5- Pergunta esclarecedora.............................................................................. 122
4.2.2.6- Pergunta retórica........................................................................................ 126
4.3- Notação fonológica e padrão acentual .......................................................................... 130
4.4- Resumindo ........................................................................................................................ 131
5- Resultados e discussões: enunciados interrogativos totais – variedade de
Santiago do Chile...................................................................................................... 133
5.1- Análise Fonética ............................................................................................................... 135
5.1.1- Análise Fonética: Descrição da F0 ..................................................................... 135
5.1.2- Análise Fonética: Descrição da duração ............................................................ 140
5.2- Análise pragmática e notação fonológica das curvas entonacionais ......................... 145
5.2.1- Análise pré-nuclear ............................................................................................... 145
5.2.2- Análise nuclear ...................................................................................................... 147
5.2.2.1- Detalhe de elaboração ............................................................................... 148
5.2.2.2- Informação suplementar........................................................................... 152
5.2.2.3- Pergunta esclarecedora.............................................................................. 154
5.2.2.4- Diretor do fluxo de informação .............................................................. 155
5.2.2.5- Iniciador de tópico .................................................................................... 156
5.3- Notação fonológica e padrão acentual.......................................................................... 159
5.4- Resumindo ........................................................................................................................ 161
6- Sintagmas entonacionais seguidos de tag question: análise preliminar ............. 163
6.1- Estudos sobre os tag questions: O âmbito prosódico.................................................... 163
6.2- Corpus Preliminar .............................................................................................................. 167
6.3- Análises preliminares ....................................................................................................... 168
6.3.1- Buenos Aires ......................................................................................................... 168
6.3.2- Santiago do Chile .................................................................................................. 171
6.4- Resumindo ........................................................................................................................ 174
Considerações Finais................................................................................................ 175
16
Referências Bibliográficas ........................................................................................ 179
Anexo 1: Médias de F0 e duração ............................................................................. 186
Anexo 2: Contornos entonacionais do pré-núcleo e do núcleo ............................... 207
Anexo 3: Contornos entonacionais dos Is+¿no?/Is+¿ah? ....................................... 239
Anexo 4: Transcrição das conversas telefônicas ...................................................... 247
17
LISTA DE FIGURAS
Figura 1: Esquemas dos acentos tonais (AGUILAR et alii., 2009). .........................................37
Figura 2: Esquemas dos tons de fronteiras (break índice of level 4) e tons de frases
intermediárias (break índice of level 3) (AGUILAR et alii., 2009). ..........................................38
Figura 3: Esquema arbóreo dos constituintes prosódicos (BISOL, 2005, p. 244). ...............39
Figura 4: Contorno melódico do enunciado interrogativo total de Buenos Aires (SOSA,
1999, p.199). .....................................................................................................................................42
Figura 5: Enunciado interrogativo total com constituintes paroxítonos de Buenos Aires
(GURLEKIAN et alii.., 2010). .......................................................................................................43
Figura 6: Contorno melódico do enunciado interrogativo total neutro (information seeking)
de Buenos Aires (GABRIEL et alli., 2010, p. 296). ....................................................................44
Figura 7: Contorno melódico do enunciado interrogativo total confirmativo de Buenos
Aires (GABRIEL et alli., 2010, p. 301). ........................................................................................44
Figura 8: Pergunta conformativa da variedade de Buenos Aires (FIGUEIREDO, 2011,
p.91). .................................................................................................................................................45
Figura 9: Pergunta neutra da variedade de Buenos Aires (FIGUEIREDO, 2011, p.95). ....46
Figura 10: Pergunta incrédula, com foco amplo da variedade de Buenos Aires
(FIGUEIREDO, 2011, p.104). .....................................................................................................46
Figura 11: Pergunta incrédula, com foco no pré-núcleo da variedade de Buenos Aires
(FIGUEIREDO, 2011, p.104). .....................................................................................................46
Figura 12: Pergunta incrédula, com foco no núcleo da variedade de Buenos Aires
(FIGUEIREDO, 2011, p.104). .....................................................................................................46
Figura 13: Pergunta retórica da variedade de Buenos Aires (FIGUEIREDO, 2011, p.109).
............................................................................................................................................................47
Figura 14: Valores de frequência fundamental das três repetições do enunciado “¿El
saxofón se toca con obsesión?” (ROMÁN, COFRÉ & ROSAS, 2008, p.142). ....................49
Figura 15: Valores de frequência fundamental das três repetições do enunciado “¿La
guitarra se toca con obsesión?” (ROMÁN, COFRÉ & ROSAS, 2008, p.142). ....................49
Figura 16: Valores de frequência fundamental das três repetições do enunciado “¿La cítara
se toca con paciencia?” (ROMÁN, COFRÉ & ROSAS, 2008, p.143). ..................................49
Figura 17: Contorno melódico do enunciado interrogativo total neutro (information
seeking) de Santiago do Chile (ORTIZ et alli., 2010, p. 264). ...................................................50
18
Figura 18: Contorno melódico do enunciado interrogativo total, com marcas de polidez de
Santiago do Chile (ORTIZ et alli., 2010, p. 266). .......................................................................51
Figura 19: Contorno melódico do enunciado interrogativo total confirmativo de Santiago
do Chile (ORTIZ et alli., 2010, p. 270). ........................................................................................51
Figura 20: Exemplo de uma gravação do nosso corpus no programa Audacity. ..................89
Figura 21: Exemplo de um enunciado do nosso corpus no programa Praat. ........................90
Figura 22: Exemplo de contorno melódico suavizado. .............................................................91
Figura 23: Comportamento da F0 no pré-núcleo de enunciados interrogativos totais da
variedade de Buenos Aires. ............................................................................................................98
Figura 24: Comportamento circunflexo da F0 no núcleo de enunciados interrogativos totais
da variedade de Buenos Aires. ................................................................................................... 100
Figura 25: Comportamento ascendente da F0 no núcleo de enunciados interrogativos totais
da variedade de Buenos Aires. ................................................................................................... 100
Figura 26: Comportamento descendente da F0 no núcleo de enunciados interrogativos
totais da variedade de Buenos Aires. ......................................................................................... 101
Figura 27: Comportamento da duração no pré-núcleo de enunciados interrogativos totais
da variedade de Buenos Aires. ................................................................................................... 103
Figura 28: Comportamento da duração no pré-núcleo de enunciados interrogativos totais
da variedade de Buenos Aires. ....................................................................................................104
Figura 29: Comportamento da duração no núcleo de enunciados interrogativos totais da
variedade de Buenos Aires. ......................................................................................................... 106
Figura 30: Comportamento da duração no núcleo de enunciados interrogativos totais da
variedade de Buenos Aires. ......................................................................................................... 106
Figura 31: Contorno melódico do enunciado “¿Con tus amigos todo bien?”, produzido
pelo falante 2 do sexo feminino. ................................................................................................ 109
Figura 32: Contorno melódico do enunciado “¿Alguien que esté también tan cerca?”,
produzido pelo falante 1 do sexo feminino. ............................................................................ 110
Figura 33: Contorno melódico do enunciado “¿Venís para las fiestas?”, produzido pelo
falante 2 do sexo masculino. ...................................................................................................... 110
Figura 34: Contorno melódico do enunciado “¿Le preguntaste a tu hermano de Manuel?”,
produzido pelo falante 2 do sexo masculino. .......................................................................... 111
Figura 35: Contorno melódico do enunciado “¿Y esa casa es así como candidata?”,
classificado como detalhe de elaboração (produzido pelo falante 1 do sexo masculino). 113
19
Figura 36: Contorno melódico do enunciado “¿Te sentis responsable?”, classificado como
detalhe de elaboração (produzido pelo falante 1 do sexo feminino). ................................... 114
Figura 37: Contorno melódico do enunciado “¿Venís para las fiestas?”, classificado como
detalhe de elaboração (produzido pelo falante 2 do sexo masculino). ................................. 115
Figura 38: Contorno melódico do enunciado “Ah ¿estudia esto?”, classificado como
informação suplementar (produzido pelo falante 2 do sexo masculino). ............................ 117
Figura 39: Contorno melódico do enunciado “¿Esa es la que vos la tenías cagazo?”,
classificado como informação suplementar (produzido pelo falante 2 do sexo feminino).
......................................................................................................................................................... 118
Figura 40: Contorno melódico do enunciado “¿Dos de enero?”, classificado como
informação suplementar (produzido pelo falante 2 do sexo masculino). ............................ 119
Figura 41: Contorno melódico do enunciado “¿Con tus amigos todo bien?”, classificado
como iniciador de tópico (produzido pelo falante 2 do sexo feminino). ............................ 121
Figura 42: Contorno melódico do enunciado “¿Está allá ahora?”, classificado como diretor
do fluxo de informação (produzido pelo falante 2 do sexo feminino). ............................... 122
Figura 43: Contorno melódico do enunciado “¿Hablaban em código?”, classificado como
pergunta esclarecedora (produzido pelo falante 1 do sexo feminino). ................................ 123
Figura 44: Contorno melódico do enunciado “¿Ella está mal?”, classificado como pergunta
esclarecedora (produzido pelo falante 1 do sexo feminino). ................................................. 124
Figura 45: Contorno melódico do enunciado “¿Con tu hermanito?”, classificado como
pergunta esclarecedora (produzido pelo falante 2 do sexo feminino). ................................ 125
Figura 46: Superposição dos contornos melódicos do enunciado “¿Con tu hermanito?”.
Em linha contínua azul, classificado como pergunta esclarecedora e em linha pontilhada
rosa, classificado como iniciador de tópico. ............................................................................. 126
Figura 47: Contorno melódico do enunciado “¿Sabés qué soñé?”, classificado como
pergunta retórica (produzido pelo falante 1 do sexo feminino). ........................................... 127
Figura 48: Notação fonológica do enunciado com final proparoxítono “Ah ¿hablaban em
código?”, produzido pelo falante 1 do sexo feminino. ........................................................... 130
Figura 49: Notação fonológica do enunciado com final oxítono “¿Sabías que hablando de
Román está todo mal en la casa de él?”, produzido pelo falante 2 do sexo feminino. ...... 131
Figura 50: Comportamento da F0 no pré-núcleo de enunciados interrogativos totais da
variedade de Santiago do Chile. ................................................................................................. 135
Figura 51: Comportamento da F0 no pré-núcleo de enunciados interrogativos totais da
variedade de Santiago do Chile. ................................................................................................. 136
20
Figura 52: Comportamento ascendente da F0 no núcleo de enunciados interrogativos totais
da variedade de Santiago do Chile. ............................................................................................ 137
Figura 53: Comportamento descendente da F0 no núcleo de enunciados interrogativos
totais da variedade de Santiago do Chile. ................................................................................. 138
Figura 54: Comportamento circunflexo da F0 no núcleo de enunciados interrogativos totais
da variedade de Santiago do Chile. ............................................................................................ 138
Figura 55: Comportamento da duração no pré-núcleo de enunciados interrogativos totais
da variedade de Santiago do Chile. ............................................................................................ 141
Figura 56: Comportamento da duração no pré-núcleo de enunciados interrogativos totais
da variedade de Santiago do Chile. ............................................................................................ 141
Figura 57: Comportamento da duração no núcleo de enunciados interrogativos totais da
variedade de Santiago do Chile. ................................................................................................. 143
Figura 58: Comportamento da duração no núcleo de enunciados interrogativos totais da
variedade de Santiago do Chile. ................................................................................................. 144
Figura 59: Contorno melódico do enunciado “Pero ¿te conviene ir allá a la casa?”,
produzido pelo falante 1 do sexo masculino. .......................................................................... 147
Figura 60: Contorno melódico do enunciado “¿Todos bien?”, produzido pelo falante 1 do
sexo masculino. ............................................................................................................................ 147
Figura 61: Contorno melódico do enunciado “¿La empleada?”, classificado como detalhe
de elaboração (produzido pelo falante 2 do sexo feminino). ................................................ 149
Figura 62: Contorno melódico do enunciado “¿Este es adoptivo también?”, classificado
como detalhe de elaboração (produzido pelo falante 2 do sexo feminino). ....................... 151
Figura 63: Contorno melódico do enunciado “Ya ¿los mails?”, classificado como pergunta
recíproca (produzido pelo falante 2 do sexo masculino). ...................................................... 151
Figura 64: Contorno melódico do enunciado “¿Los tienes ahí?”, classificado como
informação suplementar (produzido pelo falante 2 do sexo feminino). .............................. 153
Figura 65: Contorno melódico do enunciado “Pero ¿no está contento?”, classificado como
informação suplementar (produzido pelo falante 2 do sexo feminino). .............................. 153
Figura 66: Contorno melódico do enunciado “¿U Chile?”, classificado como pergunta
esclarecedora (produzido pelo falante 2 do sexo masculino). ............................................... 156
Figura 67: Contorno melódico do enunciado “¿Te acuerdas de ese Arnoldo primo de
nosotros?”, classificado como diretor do fluxo de informação (produzido pelo falante 2 do
sexo feminino). ............................................................................................................................. 157
21
Figura 68: Contorno melódico do enunciado “Oye ¿recibiste hoy una carta mía?”,
classificado como iniciador de tópico (produzido pelo falante 2 do sexo feminino). ....... 158
Figura 69: Notação fonológica do enunciado com final proparoxítono “¿Estai en el
república?”, produzido pelo falante 1 do sexo masculino. .................................................... 160
Figura 70: Notação fonológica do enunciado com final oxítono “¿No recibiste nada así?”,
produzido pelo falante 1 do sexo masculino. .......................................................................... 161
Figura 71: Exemplo de “I degenerado” (SERRA, 2009:135). ............................................... 165
Figura 72: Exemplo de fronteira prosódica entre o I precedente e o I que contém o “né?”,
ambos com acento tonal e tom de fronteira (SERRA, 2009:135). ....................................... 165
Figura 73: Realização de fronteira prosódica entre o I precedente e o I que contém o
“¿no?”, ambos com acento tonal e tom de fronteira, na variedade de Buenos Aires.
Enunciado produzido pelo informante 2, do sexo feminino. ............................................... 169
Figura 74: Contorno de “¿no?” L+H*HH%, realizado em 100% dos 8 casos. ................. 170
Figura 75: Realização de fronteira prosódica entre o I precedente e o “¿no?”, ambos com
acento tonal e tom de fronteira, na variedade de Santiago do Chile. ................................... 171
Figura 76: Realização de fronteira prosódica entre o I precedente e o “¿ah?”, ambos com
acento tonal e tom de fronteira, na variedade de Santiago do Chile. ................................... 172
Figura 77: Contorno de “¿no?” L+H*HH% realizada em 100% dos casos, na variedade de
Santiago do Chile. ........................................................................................................................ 173
22
LISTA DE TABELAS
Tabela 1: Combinação de constituintes oxítonos, paroxítonos e proparoxítonos que
compõem o corpus interrogativo (Gurlekian et alii., 2010). .....................................................43
Tabela 2: Combinação de constituintes oxítonos, paroxítonos e proparoxítonos que
compõem o corpus interrogativo (Román, Cofré & Rosas, 2008). ..........................................48
Tabela 3: Partículas discursivas, conversa 1, entre mulheres da variedade de Buenos Aires.
............................................................................................................................................................60
Tabela 4: Partículas discursivas, conversa 2, entre homens da variedade de Buenos Aires. 61
Tabela 5: Partículas discursivas, conversa 3, entre mulheres da variedade de Santiago do
Chile. .................................................................................................................................................63
Tabela 6: Partículas discursivas, conversa 4, entre homens da variedade de Santiago do
Chile. .................................................................................................................................................64
Tabela 7: Formas de tratamento coloquiais, conversa 1, entre mulheres da variedade de
Buenos Aires. ...................................................................................................................................67
Tabela 8: Formas de tratamento coloquiais, conversa 2, entre homens da variedade de
Buenos Aires. ...................................................................................................................................67
Tabela 9: Formas de tratamento coloquiais, conversa 3, entre mulheres da variedade de
Santiago do Chile. ...........................................................................................................................69
Tabela 10: Formas de tratamento coloquiais, conversa 4, entre homens da variedade de
Santiago do Chile. ...........................................................................................................................69
Tabela 11: Intensificadores e atenuadores, conversa 1, entre mulheres da variedade de
Buenos Aires. ...................................................................................................................................72
Tabela 12: Intensificadores e atenuadores, conversa 2, entre homens da variedade de
Buenos Aires. ...................................................................................................................................72
Tabela 13: Intensificadores e atenuadores, conversa 3, entre mulheres da variedade de
Santiago do Chile. ...........................................................................................................................74
Tabela 14: Intensificadores e atenuadores, conversa 4, entre homens da variedade de
Santiago do Chile. ...........................................................................................................................75
Tabela 15: Diminutivos, conversa 1, entre mulheres da variedade de Buenos Aires. ...........75
Tabela 16: Diminutivos, conversa 2, entre homens da variedade de Buenos Aires. .............75
Tabela 17: Diminutivos, conversa 3, entre mulheres da variedade de Santiago do Chile. ...78
Tabela 18: Diminutivos, conversa 4, entre homens da variedade de Santiago do Chile. .....78
23
Tabela 19: Exemplos de marcas de espontâneo. ........................................................................88
Tabela 20: Categorias Pragmáticas (Adaptada de Hedberg et alii., 2010). ...............................93
Tabela 21: Quantitativo de enunciados interrogativos totais em cada categoria pragmática,
variedade de Buenos Aires. ......................................................................................................... 112
Tabela 22: Variação tonal no núcleo dos enunciados interrogativos totais da variedade de
Buenos Aires. ................................................................................................................................ 128
Tabela 23 Síntese das configurações nucleares encontradas para cada categoria pragmática.
......................................................................................................................................................... 129
Tabela 24: Quantitativo de enunciados interrogativos totais em cada categoria pragmática,
variedade de Santiago do Chile. ................................................................................................. 148
Tabela 25 Variação tonal no núcleo dos enunciados interrogativos totais da variedade de
Santiago do Chile. ........................................................................................................................ 158
Tabela 26: Síntese das configurações nucleares encontradas para cada categoria pragmática.
....................................................................................................................................................... 159*
Tabela 27: Distribuição das configurações nucleares obtidas para os Is precedentes ao
“¿no?”, na variedade de Buenos Aires. ..................................................................................... 169
Tabela 28: Distribuição das configurações nucleares obtidas para os Is precedentes ao
“¿no?”, na variedade de Santiago do Chile. .............................................................................. 172
24
LISTA DE GRÁFICOS
Gráfico 1: Variação de média de F0 (em Hz) do pré-núcleo dos enunciados interrogativos
totais da variedade de Buenos Aires. ............................................................................................99
Gráfico 2: Variação de média de F0 (em Hz) do núcleo dos enunciados interrogativos
totais da variedade de Buenos Aires. ......................................................................................... 102
Gráfico 3: Variação média da duração (em ms) nas sílabas pretônicas, tônicas e pós-tônicas
do pré-núcleo dos enunciados interrogativos totais da variedade de Buenos Aires. ..........105
Gráfico 4: Variação média da duração (em ms) nas sílabas pretônicas, tônicas e pós-tônicas
do núcleo dos enunciados interrogativos totais da variedade de Buenos Aires. ................ 107
Gráfico 5: Variação de média de F0 (em Hz) do pré-núcleo dos enunciados interrogativos
totais da variedade de Santiago do Chile. ................................................................................. 136
Gráfico 6: Variação de média de F0 (em Hz) do núcleo dos enunciados interrogativos
totais da variedade de Santiago do Chile. ................................................................................. 139
Gráfico 7: Variação média da duração (em ms) nas sílabas pretônicas, tônicas e pós-tônicas
do pré-núcleo dos enunciados interrogativos totais da variedade de Santiago do Chile. .. 142
Gráfico 8: Variação média da duração (em ms) nas sílabas pretônicas, tônicas e pós-tônicas
do núcleo dos enunciados interrogativos totais da variedade de Santiago do Chile. ......... 145
25
LISTA DE ESQUEMAS
Esquema 1: Quantitativo de enunciados interrogativos totais do corpus. .............................86
26
INTRODUÇÃO
Nossa pesquisa: objetivos e hipóteses
Esta pesquisa consiste em uma descrição da entoação de enunciados
interrogativos totais realizados em conversas telefônicas coloquiais por falantes de
espanhol das variedades de Buenos Aires e de Santiago do Chile, a partir da investigação da
correlação entre a forma prosódica e a função pragmática destes enunciados. Para isso, nos
baseamos nos pressupostos da fonologia entonacional (LADD, 1996), além do sistema de
notação prosódica SP_ToBI (ESTEBAS-VILAPLANA & PRIETO, 2008) e do modelo
proposto por Hedberg et alii (2010) para a classificação pragmática dos enunciados
interrogativos totais, segundo a função que os mesmos ocupam no discurso .
A partir desse objeto de estudo, levantamos algumas perguntas de pesquisa, que
norteiam nossa investigação:
(i) As descrições existentes para a entoação dos enunciados interrogativos
totais, em corpus de fala atuada, sugerem comportamentos divergentes do
contorno de frequência fundamental, no núcleo. Gabriel et alii (2010)
descrevem para os enunciados interrogativos totais da variedade de Buenos
Aires um núcleo ascendente-descendente, ao passo que Ortiz et alii (2010)
propõem para o núcleo desses enunciados, para a variedade de Santiago do
Chile, um contorno ascendente. Tais movimentos dos contornos entonacionais
também serão encontrados em conversas coloquiais dos enunciados
interrogativos totais nas variedades argentina (Buenos Aires) e chilena
(Santiago do Chile)? Ou seja, os dados de fala espontânea corroboram os
resultados de pesquisas já realizadas para a fala lida e/ou atuada?
(ii) A função pragmática que ocupa o enunciado interrogativo total modifica
seu contorno entonacional ou haverá uma relação biunívoca entre a forma
prosódica e a função pragmática?
(iii) Pensando nas perguntas confirmativas, nos interessa nessa dissertação o
caso do tag question “¿no?”. A teoria da fonologia prosódica (NESPOR &
VOGEL, 1994) prevê que este elemento constitui um sintagma entonacional
(I), uma vez que não faz parte da oração raíz. Perguntamo-nos, portanto, se
esses tag questions são realizados como um mesmo I junto ao I que os precede
27
ou se realizam em Is diferentes e quais são os contornos entonacionais do
marcador interrogativo “¿no?” nas variedades do espanhol de Buenos Aires e
de Santiago do Chile?
Para responder às perguntas levantadas anteriormente, propomos alguns objetivos,
a saber:
(i) Verificar quais são os contornos entonacionais encontrados em conversas
coloquiais dos enunciados interrogativos totais nas variedades argentina
(Buenos Aires) e chilena (Santiago do Chile), através de dois parâmetros
acústicos: frequência fundamental e duração; observando se dados
conversacionais e espontâneos confirmam ou não os resultados já descritos
para a fala lida e/ou atuada (SOSA, 1999; GABRIEL et alii, 2010; ORTIZ et
alii, 2010; FIGUEIREDO, 2011);
(ii) Analisar se há uma relação biunívoca entre a forma prosódica e a função
pragmática;
(iii) Descrever os contornos entonacionais do tag question “¿no?” nas variedades
do espanhol de Buenos Aires e de Santiago do Chile e verificar se dito
marcador pertence a um mesmo sintagma entonacional ou se constitui um
sintagma distinto.
Três hipóteses iniciais podem ser pensadas a partir da relação entre forma
prosódica e função pragmática:
(i) Para a variedade de Buenos Aires, Gabriel et alii (2010) descrevem para os
enunciados interrogativos totais um núcleo ascendente-descendente, ao passo
que Ortiz et alii (2010) propõem para a variedade de Santiago do Chile, um
núcleo com contorno ascendente. Valendo-nos de tais pesquisas já realizadas
para os enunciados interrogativos totais, acreditamos que nossos dados
confirmam as descrições anteriores para fala lida e/ou atuada;
(ii) Em função das descrições já realizadas em que se comprovam divergências
entre o contorno entonacional e as diferentes atitudes proposicionais
(MORAES, 2008; FIGUEIREDO, 2011; SÁ, inédito), podemos supor que
também não haverá biunivicidade entre a forma prosódica e a função
pragmática dos enunciados interrogativos totais;
(iii) Com relação aos tag questions “¿no?”, assim como os resultados encontrados
por Serra (2009) para o português do Brasil, acreditamos que estes tag questions
28
serão realizados em sintagmas entonacionais diferentes, com contorno
semelhante ao do sintagma entonacional que o precede.
Organizamos nossa dissertação em seis capítulos, ao término dos quais seguem
pequenos resumos das informações discutidas ao longo do texto. Inicialmente, no
capítulo1, conceitualizamos a entoação, os modelos entonacionais e os estudos que guiam
nossa descrição e análise. No capítulo 2, discutimos a caracterização do nosso corpus como
conversação coloquial e espontânea (BRIZ, 1998, 2002; BLANCHE-BENVENISTE,
1998; LENVINSON, 2007).
No capítulo 3, descrevemos as ferramentas metodológicas utilizadas para o exame
dos dados, desde a constituição e seleção do corpus bem como os parâmetros acústicos que
serviram de base para nossas análises. Ainda, apresentamos os instrumentos
computacionais que permitiram a realização de nossa investigação.
As análises e os resultados encontrados em nossa pesquisa são discutidos nos
capítulos 4, 5 e 6 desta dissertação. Nos dois primeiros, 4 e 5, apresentamos as análises e
discussões acerca dos enunciados interrogativos totais das variedades de Buenos Aires e
Santiago do Chile, respectivamente. No capítulo 6, apresentamos uma análise preliminar de
sintagmas entonacionais seguidos do tag question “¿no?”.
Em continuação a esses três capítulos de análises de dados, apresentamos as
considerações finais e as referências bibliográficas, respectivamente.
Contribuições para a área
O presente trabalho, resultado de pesquisas realizadas no grupo de estudos “A
interface pragmática e prosódica em diferentes tipos de enunciados e modos de produção
do discurso oral”, constitui também uma complementação aos trabalhos realizados por
Figueiredo (2011) e Pinho (2013), para o espanhol das variedades bonaerense e chilena,
respectivamente.
Muitos trabalhos que tratam sobre a entoação de enunciados interrogativos tanto
do espanhol argentino como do chileno, como Sosa (1999), Gabriel et alii (2010), Ortiz et
alii (2010), Figueiredo (2011) e outros, já foram realizados. Nossa proposta de estudo de
fala espontânea, conversacional e coloquial soma-se a tais trabalhos ao descrever os
contornos melódicos em outro contexto de fala: espontânea, coloquial e conversacional.
Pretendemos, assim, expandir o enfoque dos estudos entonacionais por meio de
29
investigações no contexto de fala espontânea conversacional (BLANCHE-BENVENISTE,
1998; BRIZ, 1998 e 2002).
30
1
ENTOAÇÃO: MODELOS TEÓRICOS E
REPRESENTAÇÕES
Este capítulo pretende caracterizar a entoação e seus modelos teóricos. Para isso,
apresentamos em 1.1, as definições, os parâmetros e as funções da entoação. Em 1.2 e 1.3,
delimitamos os modelos teóricos nos quais nos baseamos para análise dos nossos dados: a
fonologia entonacional e a fonologia prosódica, respectivamente. Finalmente, na seção 1.4,
apresentamos estudos entonacionais de enunciados interrogativos totais para as variedades
que estudamos nesta dissertação: Buenos Aires e Santiago do Chile.
1.1- Prosódia e entoação: definições e funções
De acordo com Cortés (2000), a fonologia se divide em dois blocos de estudo: a
fonemática e a prosódia. A primeira se dedica ao estudo dos fonemas de uma língua, ou
seja, os sons (ou segmentos) que se produzem ou se identificam na comunicação oral.
Diferentemente, a prosódia trata dos fenômenos prosódicos, em outras palavras, aqueles
que afetam a unidades superiores ao fonema e que se superpõem a sua articulação para
manifestar significado semântico ou pragmático. Por essa razão, é possível nomear a estes
fenômenos de suprassegmentais, pois se estendem por mais de um segmento.
A palavra “prosódia” se deriva do grego antigo, onde era usada como “som
produzido acompanhado de música instrumental”. Atualmente, o termo é usado para
referir-se às propriedades da fala que não podem ser derivadas da sequência segmental de
fonemas subjacentes à fala humana (NOOTEBOOM, 1997, p.640).
Segundo Fónagy (2003 apud Sá, inédito) a prosódia possui diferentes funções, a
saber: (i) demarcar as unidades discursivas; (ii) segmentar a mensagem em partes; (iii) atrair
a atenção do ouvinte para um ponto específico da mensagem; (iv) mostrar qual é o tipo
gramatical do enunciado proferido; (v) retirar a ambiguidade de sentenças com dois (ou
mais) sentidos; (vi) distinguir asserções de questões; (vii) preparar o que trará a frase
seguinte; (viii) expressar a atitude, a emoção e/ou a intenção do locutor; (ix) auxiliar na
identificação de quem fala e (x) contribuir para o reconhecimento de gêneros discursivos
diferentes.
Hirschberg (2002) aponta que a prosódia tem um importante papel no
processamento da linguagem. Para os sintaticistas e os semanticistas, a prosódia funciona
31
como um desambiguador estrutural; para os cientistas da pragmática e da análise do
discurso, a prosódia mostra pistas para a transmissão e entendimento dos atos de fala
diretivos e indiretos e também para a organização hierárquica do discurso.
Cortés (2000) considera como fenômenos prosódicos o ritmo, a acentuação e a
entoação. Dentre esses fenômenos prosódicos, nos centraremos no fenômeno da entoação,
definida por diversos autores, de distintas formas. Ladd (1996), por exemplo, afirma que o
termo entoação se refere ao uso do caráter fonético suprassegmental que carrega
significados pragmáticos no nível pós-lexical ou no nível da sentença de maneira
linguisticamente estruturada. Seguindo a linha teórica de Ladd (1996), Prieto (2003) afirma
que a entoação é um fenômeno linguístico, pertencente ao componente fonológico da
linguagem.
Cantero (2002:18) define entoação como “as variações de frequência fundamental
que cumprem uma função linguística ao longo da emissão de voz”. Bem como Cantero
(2002), outros autores também se baseiam nas variações de frequência fundamental
(doravante, F0) e outros parâmetros acústicos como a duração e a intensidade ao definir a
entoação. Aguilar (2000:110), por exemplo, sugere que a entoação é “la sensación
perceptiva de las variaciones de tono, duración e intensidad a lo largo del enunciado”.
Hirst e Di Cristo (1998 apud Pinho, inédito), por sua vez, afirmam que a entoação,
do ponto de vista dos termos físicos, pode ser usada para referir-se às variações de apenas
um ou de mais de um parâmetro acústico.
Resumidamente, assumimos que a entonação abrange distintos parâmetros
prosódicos que empregam os falantes de uma língua com finalidade comunicativa. Mas,
quais seriam esses parâmetros prosódicos? Entre eles, é importante destacar o tom, cujo
correlato acústico é a F0, isto é, a frequência que corresponde à vibração das cordas vocais
durante a emissão do continuum sonoro. Além do tom, assinalamos a duração, que mantém
relação com o tempo gasto para produzir a fala e a intensidade, que se relaciona à energia
usada para a produção do som.
Como mencionamos anteriormente, a entonação manifesta traços prosódicos que
empregam os falantes de uma língua com finalidade comunicativa. Em vista disso, a
entoação se converte em um importante fenômeno para a comunicação, pois por ela,
percebemos as variações melódicas usadas para manifestar diferentes sentidos pragmáticos.
Nesse sentido, segundo o contexto situacional em que se insere, o falante utiliza a entoação
para distinguir entre o conteúdo da mensagem e o que se pretende comunicar. Uma frase
não possui sentido concreto enquanto não adquire entoação, (NAVARRO TOMÁS, 1948
32
apud AGUILAR, 2000), o que significa que o que se diz deve ser completado com o
conteúdo suprassegmental, indicando assim, se um enunciado é assertivo ou interrogativo,
dito com raiva ou alegria, por exemplo.
O que foi indicado no parágrafo acima constitui algumas das funções da entoação.
Assim como a pluralidade de definições para o termo entoação, também existem distintos
estudos que descrevem as funções da entoação. Aguilar (2000) propõe duas funções básicas
para a entonação: uma fonológica e outra pragmática. A função fonológica, conforme
afirma Aguilar (2000), é a capaz de distinguir enunciados, isto é, indica uma modalidade
oracional ou a estrutura sintática do mesmo e equivale ao que Navarro Tomás (1948 apud
Aguilar, 2000) denomina de função lógica da entoação. Por sua vez, a função pragmática
interfere na expressão de determinados estados psíquicos e sentimentos, de certas
intenções ou atitudes. Esta função possui grande importância na comunicação oral, uma
vez que a interpretação da mensagem não passa despercebida pelo ouvinte e, por essa
razão, com frequência escutamos algo como “Não fale comigo com esse tom de voz”.
Dessa forma, não é difícil que a função da entoação apareça integrada ao discurso
comunicativo oral. É o que Quilis (1993) apud Cortés (2000) denomina função integradoradelimitadora, dado que a entoação contribui para a estruturação da fala, mais
especificamente de cada turno de fala, em porções discursivas significativas e de fácil
compreensão tanto para o ouvinte como para o falante.
Pinho (inédito), a partir de trabalhos de diferentes autores, sintetiza as funções da
entoação em seis categorias: (i) função pragmática, (ii) função discursiva, (iii) função
sintática, (iv) função semântica, (v) função expressiva e (vi) função sociolinguística. A
função pragmática se relaciona à força intencional no modo de falar, ou seja, à atitude do
locutor em relação ao interlocutor na interação. A função discursiva se caracteriza pela
variação entonacional em função do estilo de fala (leitura, fala atuada ou fala espontânea).
A função sintática, por sua vez, diz respeito à contribuição dada pela entoação na
articulação, segmentação ou integração das unidades linguísticas. Semanticamente, a
entoação é capaz de distinguir entre enunciados assertivos, interrogativos e imperativos. Do
ponto de vista expressivo, a entoação se relaciona à expressão do estado emocional do
falante. E, finalmente, do ponto de vista sociolinguístico, segundo Pinho (inédito), a
entoação carrega marcas da identidade do falante, tanto de sua caracterização individual
quanto das marcas do grupo ao qual pertence.
Em síntese, podemos concluir que a entoação é um fenômeno prosódico,
percebido através das variações de F0, duração e intensidade. Por um lado possui
33
características linguísticas, tais como o fato de distinguir modalidades oracionais e
transformar
unidades
linguísticas
em
conversacionais.
Por
outro,
compreende
características que não são puramente linguísticas, mas expressivas, emocionais, atitudinais,
ou seja, pragmáticas.
1.2- Modelos teóricos da entoação
Os estudos linguísticos da entoação começam a desenvolver-se a princípios do
século XX (PRIETO, 2003). Nesse contexto, surgem os primeiros modelos de análise para
a língua inglesa: o modelo da escola britânica, que busca analisar os contornos melódicos
como uma sequência de configurações expressas pelos movimentos tonais e o modelo da
escola americana, que analisa os contornos melódicos mediante uma série de tons estáticos.
Por isso, as propostas dessas escolas se denominam, respectivamente, análise por
configurações e análise por níveis.
Posteriormente a essas duas escolas, surgem outros modelos de análise mais atuais,
mas que mantêm uma base nas tradições anteriores. Com inspiração na escola britânica,
surge a escola holandesa (modelo IPO), que emprega como unidades mínimas de análise
configurações e movimentos tonais. Segundo o modelo IPO, as unidades de análise tonal
se configuram a partir de dez diferentes tipos de movimentos, sendo cinco do tipo
ascendente e cinco do tipo descendente, que constituem as unidades básicas da análise
melódica.
Por outro lado, inspirados na escola americana, temos como modelos atuais de
análise da entoação o modelo Aix-en-Provence. Este modelo considera como unidades
básicas de um contorno os níveis T (top), ou altura tonal máxima do locutor; B (bottom), ou
altura tonal mínima do locutor e M (mid), valor médio do locutor. Também inspirado na
escola americana, encontra-se o modelo métrico-autossegmental. Segundo Prieto (2003),
esses modelos atuais da entoação incluem, diferentemente das escolas tradicionais
(britânica e americana), um componente fonético em suas análises, ou seja, verificam a
relação entre o continuum melódico e a representação fonológica.
A Fonologia Entonacional considera que a entoação apresenta uma organização
fonológica própria (LADD, 1996). O objetivo do modelo é identificar os elementos
contrastivos do sistema entonacional que produzem os contornos melódicos dos possíveis
enunciados de uma língua e se situa dentro dos princípios do modelo métrico-
34
autossegmental (doravante, AM), proposto, inicialmente, por Pierrehumbert (1980) para a
análise das características fonológicas da entoação do inglês.
Este modelo entende os contornos melódicos como uma concatenação linear de
dois tipos de elementos fonológicos que se associam com pontos prosodicamente
marcados do enunciado, que estão associados a determinadas sílabas, ou seja, o modelo
considera que há um vínculo entre a acentuação e a entoação, e do papel da estrutura
métrica como coluna vertebral dos movimentos melódicos. Do ponto de vista fonológico,
os tons podem se associar às sílabas acentuadas (acentos tonais) ou ao final dos enunciados
(tons de fronteira).
As distintas melodias que integram um enunciado são descritas a partir de uma
sequência de dois tons: um tom alto (H, do inglês high) e um tom baixo (L, do inglês low).
Os movimentos associados ao redor das sílabas tônicas dos enunciados são denominados
acentos tonais (pitch accents), que podem ser monotonais (apenas um tom) ou bitonais (dois
tons). Para o inglês, Pierrehumbert (1980 apud HUALDE, 2003) apresenta o seguinte
repertório de acentos tonais H* e L* (monotonais) e L*+H, L+H*, H+L*, H*+H
(bitonais).
Os tons de fronteira (boundary tones), por sua vez, são os tons que se alinham aos
limites de uma frase (L% ou H%). Beckman & Pierrehumbert (1986 apud HUALDE, 2003)
sinalizam em seu trabalho, para a entoação do inglês, a existência de um acento de frase (ou
tons de fronteiras intermediárias), que pode não ser de valia para outras línguas (SOSA,
1999).
É interessante ressaltar que o número de acentos tonais e de tons de fronteira pode
variar de língua para língua (HUALDE, 2003). Como cada língua possui contornos
entonacionais particulares, é possível ampliar o repertório de combinações de tons, o que
possibilita o uso de um tom de fronteira bitonal como LH% ou HL%.
Cabe destacar também a inclusão dos diacríticos de upstep (¡) e downstep (!) no tom H,
marcando uma ampliação ou redução da altura tonal. No entanto, ainda é controversa a
utilização destes símbolos, visto que é necessária uma investigação mais detalhada a fim de
verificar se o acento com escalonamento ascendente e descendente constitui unidades
fonológicas ou se são variantes alofônicas de um mesmo acento (ESTEBAS-VILAPLANA
& PRIETO, 2008).
A seguir, descrevemos o sistema ToBI que é um modelo de notação prosódica, em
nível fonológico, baseado no modelo AM.
35
1.2.1- Representando a entoação: o Sp_ToBI
O sistema ToBI – Tones and Break Indices – é um sistema de notação prosódica, com
raízes
no
modelo
métrico-autossegmental
(Pierrehumbert,
1980;
Beckman
&
Pierrehumbert, 1986; Ladd, 1996 e outros). Considerando as características do modelo AM
(já explicitadas na seção 1.2.1 deste capítulo), o sistema ToBI foi concebido como um tipo
estandarizado de etiquetagem prosódica para transcrição entonativa do inglês
norteamericano. Nos últimos anos, tem sido utilizado para a descrição prosódica de
distintas línguas, incluindo a língua espanhola. Por essa razão, recebe o prefixo denotador
“Sp” (Spanish).
Inicialmente, o Sp_ToBI foi pensado como um modelo capaz de transcrever e
notar fonologicamente a entoação de diversas variedades do espanhol (SOSA, 2003). Assim
como Pinho (inédito), reconhecemos que, devido a sua amplitude inicial, algumas unidades
propostas podem refletir não mais do que um nível bastante superficial, podendo ser
interpretadas como alofônicas por falantes de outros dialetos.
Tal sistema diferencia quatro níveis de análise (ESTEBAS-VILAPLANA &
PRIETO, 2008): (i) nível ortográfico, em que se transcrevem ortograficamente as palavras
ou sílabas dos enunciados; (ii) nível de disjunção 1 ou separação prosódica, em que se marca
a presença ou ausência de domínios prosódicos que vão desde a palavra ortográfica à frase
entonacional; (iii) nível tonal, em que se transcrevem os acentos tonais e tons de fronteira e
(iv) nível miscelâneo, em que é possível anotar fenômenos paralinguísticos, como ruídos,
risadas, etc.
No que se refere aos acentos tonais, a primeira proposta do Sp_ToBI (BECKMAN
et alii, 2002) propôs quatro acentos tonais para a língua espanhola L*+H, L+H*, H+L* e
H*. A proposta mais recente do Sp_ToBI (AGUILAR et alii, 2009) propõe sete tipos de
acentos tonais, a saber, dois monotonais: H* (F0 alta sem vale anterior) e L* (F0 baixa
derivada de um descida progressiva da F0) e cinco bitonais: H+L* (acento descendente
com queda na sílaba tônica), L*+H (tom baixo na sílaba tônica e subida na pós-tônica),
L+H* (acento ascendente com pico alinhado à sílaba tônica), L+¡H* (acento ascendente
com pico alinhado à sílaba tônica, com registro mais alto que o L+H*) e L+>H* (acento
O sistema Sp_ToBI prevê cinco níveis de disjunção ou separação prosódica, a saber: (i) nível 0, que marca a
fronteira de palavras ortográficas; (ii) nível 1, marca a fronteira de palavras prosódicas; (iii) nível 2, marca uma
quebra sem efeito entonacional ou uma aparente fronteira entonacional, porém sem alongamentos ou outras
pistas de pausa (marca a fronteira de uma frase fonológica, o nível inferior à frase intermediária – a existência
da frase fonológica ainda não está comprovada em espanhol); (iv) nível 3, marca a fronteira de uma frase
intermediária e (v) nível 4, que marca a fronteira de uma frase entonacional.
1
36
ascendente com pico deslocado à sílaba pós-tônica). Na figura 1, abaixo, apresentamos
esses acentos tonais juntamente com suas respectivas representações esquemáticas: a caixa
sombreada representa os limites das sílabas acentuadas e a caixa branca, os limites das
sílabas adjacentes a acentuada.
Figura 1: Esquemas dos acentos tonais (AGUILAR et alii, 2009).
O sistema de notação Sp_ToBI propõe também sete tons de fronteira de frases
entonacionais associados ao limite de um enunciado. São estes: dois monotonais, L%
(queda de F0 de um acento alto anterior ou F0 baixa desde um acento baixo anterior) e
M% (subida a uma F0 média desde um acento nuclear baixo, tom médio sustentado desde
um acento nuclear alto ou queda a uma F0 média desde um acento nuclear alto); quatro
bitonais, HH% (subida de F0 desde um acento baixo ou alto anterior), HL% (subidadescida de F0 depois de um acento nuclear baixo ou F0 alta com queda posterior se o tom
anterior é alto), LH% (descida-subida de F0 depois de um acento nuclear alto ou F0 baixa
com subida posterior se o tono anterior é baixo) e LM% (descida de F0 seguida de uma
37
subida até um tom médio de F0) e um tom de fronteira tritonal, LHL% (descida-subidadescida de F0 depois de um acento nuclear alto).
Além dos tons de fronteira de frases entonacionais, o modelo propõe sete tons de
fronteira de frases intermediárias. Há uma grande discussão se de fato pode-se considerar a
existência de frases intermediárias na língua espanhola, mas Aguilar et alli (2009)
apresentam dois argumentos para a existência deste nível em espanhol: a sua percepção
auditiva e marcação tonal, que apresentaria níveis diferentes da frase entonacional.
Figura 2: Esquemas dos tons de fronteiras (break índice of level 4) e tons de frases intermediárias (break
índice of level 3) (AGUILAR et alii, 2009).
Na figura 2, acima, apresentamos os tons de fronteira e os tons de frases
intermediárias de forma esquemática. A caixa sombreada corresponde às sílabas póstônicas.
Seguindo as propostas do sistema Sp_ToBI, pretendemos, nesta dissertação,
elaborar uma lista de representações tonais para os enunciados interrogativos totais, visto
que através deste modelo é possível representar de forma abstrata os diferentes tipos de
contornos melódicos.
38
1.3- Fonologia Prosódica
Como um dos objetivos desta dissertação é descrever os contornos entonacionais
do tag question “¿no?” nas variedades do espanhol de Buenos Aires e de Santiago do Chile e
verificar se dito marcador pertence a um mesmo sintagma entonacional ou se constitui um
sintagma distinto, cabe-nos discutir os pressupostos da fonologia prosódica (NESPOR &
VOGEL, 1994; SERRA, 2009), teoria na qual nos baseamos para a análise de tais dados.
A teoria da fonologia prosódica sugere que a representação mental da fala está
dividida em fragmentos hierarquicamente organizados (NESPOR & VOGEL, 1994, p.13).
De acordo com esta teoria, a fonologia interage com outras estruturas da gramática, como a
morfologia, a semântica e, principalmente, a sintaxe.
Desde a perspectiva da hierarquia prosódica, assume-se a existência de
constituintes, ou seja, uma unidade linguística formada por dois ou mais membros que
estabelecem entre si uma relação de dominante e dominado (BISOL, 2005). É interessante
destacar que o constituinte prosódico não é, necessariamente, isomórfico dos demais
constituintes gramaticais.
Nespor & Vogel (1994) propõem a existência de sete níveis estruturados
hierarquicamente, a saber, em ordem crescente: sílaba (σ), pé (Σ), palavra fonológica (ω),
grupo clítico (C), sintagma fonológico (Φ), sintagma entonacional (I) e enunciado (U).
Muitos processos fonológicos (segmentais ou prosódicos) podem ser aplicados ou
bloqueados nos limites desses domínios, o que justifica a distribuição hierárquica dos
mesmos. Podemos representar a hierarquia entre os constituintes prosódicos através de um
esquema arbóreo (BISOL, 2005, p. 244), como mostra a figura 3.
Constituintes Prosódicos
Figura 3: Esquema arbóreo dos constituintes prosódicos (BISOL, 2005, p. 244).
39
Para esta investigação, mais especificamente, nos centraremos na análise dos
sintagmas entonacionaias, ou seja, um conjunto de sintagmas fonológicos ou apenas um
sintagma fonológico que porte um contorno de entoação identificável (BISOL, 2005). O
limite de um I pode ser identificado por uma pausa, um alongamento silábico pré-fronteira
ou um movimento tonal.
Segundo a teoria da fonologia prosódica, a boa formação de I segue as seguintes
regras:
Toda sequência não estruturalmente anexada à oração raiz ou todas as sequências
de Φs em uma oração raiz são mapeadas dentro de I (Nespor & Vogel 1986, Frota
2000). A formação de I está sujeita a condições de tamanho prosódico: sintagmas
longos (em número de sílabas e de palavras prosódicas) tendem a ser divididos, da
mesma forma que sintagmas pequenos tendem a formar um único I com um I
adjacente, o que leva à formação de sintagmas com tamanhos equilibrados.
(SERRA, 2009, p. 70)
De acordo com o algoritmo de construção de um I, citado anteriormente, o tag
question “¿no?” deve ser prosodizado separadamente, uma vez que foi gerado fora da oração
raiz. Observa-se em (1), um exemplo de prosodização prevista para um enunciado do
nosso corpus.
(1) [Es lo que hacés vos]I [pero tiene un nombre formal]I [digamos]I [¿no?]I
No entanto, o sintagma entonacional pode sofrer um processo de restruturação em
razão do seu tamanho, da velocidade de fala, do estilo de fala e também da proeminência
contrastiva (NESPOR & VOGEL, 1994, p. 224). No que se refere ao tamanho de I, em
alguns casos quando o material de I é muito longo, há reestruturação para criar
constituintes menores por razões fisiológicas bem como por razões relacionadas ao
processamento linguístico. Vale destacar também que há uma tendência a evitar sequências
de Is muito pequenas e Is de diferentes tamanhos.
Frota (2000 apud SERRA, 2009, p.130) corrobora tal ideia ao constatar, para o
Português Europeu, que um I pequeno, como é o caso do “¿no?”, tende a constituir um
domínio composto com um I adjacente. Nesse sentido nos perguntamos se, de fato, os
40
Is+¿no? ou a variante Is+¿ah?, na variedade de Santiago do Chile, são realizados como um
mesmo I ou se realizam em Is diferentes.
1.4- Estudos entonacionais de enunciados interrogativos totais: Buenos Aires e
Santiago do Chile
O objeto de nossa investigação são os enunciados interrogativos totais, portanto,
cabe-nos refletir sobre este tipo de enunciado. Escandell Vidal (1999) distingue entre
oração interrogativa e perguntas, uma vez que estas objetivam obter uma informação do
destinatário e as orações fazem referência a aspectos estritamente gramaticais, tanto
sintáticos quanto semânticos. Observemos o exemplo (1).
(1) ¿Acaso no cumplimos con nuestro deber? (ESCANDELL VIDAL, 1999, p.3931)
No exemplo (1) acima, temos um exemplo de oração interrogativa, desde o ponto
vista sintático. No entanto, tal oração não constitui um exemplo de pergunta, visto que não
espera nenhuma resposta por parte do destinatário. Concluímos, com base em Escandell
Vidal (1999), que uma pergunta é o protótipo de uma oração interrogativa.
Pensando em termos pragmáticos, todas as perguntas se apresentam como uma
estrutura proposicional aberta que possui, pelo menos, uma incógnita. No caso da
interrogativa parcial, a incógnita corresponde ao pronome, adjetivo ou advérbio
interrogativo. A interrogativa do tipo disjuntiva se caracteriza por restringir de maneira
expressa e por meios lexicais, as possíveis respostas, já que a formulação da pergunta
propõe uma alternativa. Já, a interrogativa total corresponde ao caráter afirmativo ou
negativo da predicação.
Ainda com base na autora, dividimos os enunciados interrogativos em duas classes:
os neutros e os orientados. A primeira classe (perguntas, petições, oferecimentos)
corresponde aos enunciados com ausência de marcas de orientação ao passo que a segunda
classe (perguntas eco, retóricas) compreende os enunciados que possuem marcadores de
orientação, como a não inversão de sujeito-verbo.
Nesta seção, apresentamos os estudos já realizados para os enunciados
interrogativos totais nas variedades de Buenos Aires e de Santiago do Chile.
41
1.4.1- Características entonacionais dos enunciados interrogativos de Buenos Aires
Os estudos entonacionais da variedade argentina têm sido foco de pesquisas desde
a segunda metade do século XX (GABRIEL et alii, 2010). As pesquisas iniciais, como a de
Fontanella de Weinberg (1966, apud Figueiredo, 2011), sinalizam três tipos de inflexão final
para os contornos dos enunciados interrogativos da variedade de Buenos Aires: um
ascendente, um em suspensão e um descendente.
As pesquisas mais recentes e no âmbito do modelo AM têm confirmado as
características já descritas por Fontanella de Weinberg (1966). Entre tais pesquisas,
destacamos o trabalho de Sosa (1999), considerado pioneiro, uma vez que descreve e
atribui acentos fonológicos a entoação de distintos tipos de enunciados em dez variedades
do espanhol. A partir da leitura do enunciado “¿Le dieron el número del vuelo?”, por um
informante de Buenos Aires, o autor caracteriza o contorno melódico dos enunciados
interrogativos totais com picos iniciais altos e contorno final ascendente, como ilustra a
figura 4.
¿Le dieron el número del vuelo?
Figura 4: Contorno melódico do enunciado interrogativo total de Buenos Aires (SOSA, 1999, p.199).
Observamos que no núcleo do enunciado há uma subida da sílaba pretônica para a
sílaba tônica que se mantém alta na sílaba pós-tônica, representada pela notação fonológica
L+H*H%.
Diferentemente da proposta de Sosa (1999), Gurlekian et alii. (2010b) apresentam
para os enunciados interrogativos totais um contorno final circunflexo. Os autores estudam
esse tipo de enunciado a partir da metodologia do projeto AMPER – Atlas Multimídia da
Prosódia do Espaço Românico – cujo objetivo é analisar os padrões de duração,
intensidade e entoação nas distintas variedades das línguas românicas. Para isso, foram
42
criadas nove frases a partir da combinação de “La guitarra / La cítara / El saxofón”, em
posição não-final, com “se toca con mesura / pánico / obsesión”, em posição final, resultando em
108 enunciados, sendo 9 enunciados com 3 repetições de cada, produzidos por quatro
informante do sexo feminino com ensino fundamental.
Tabela 1
¿La guitarra
mesura?
se toca con
¿La cítara
pânico?
¿El saxofón
obsesión?
Tabela 1: Combinação de constituintes oxítonos, paroxítonos e proparoxítonos que compõem o corpus
interrogativo (Gurlekian et alii., 2010b).
Gurlekian et alii. (2010b) encontram, para a mmmposição pré-nuclear, dois acentos
diferentes: H+L* e L*+>H. Para a posição nuclear, a configuração mais frequente foi a
circunflexa, L+>H*L%, em que o diacrítico de “>” representa o alinhamento tardio do
pico de F0. A figura 5 ilustra este contorno circunflexo final.
¿La guitarra se toca con mesura?
Figura 5: Enunciado interrogativo total com constituintes paroxítonos de Buenos Aires
(GURLEKIAN et alii., 2010b).
Gabriel et alii (2010b) também descrevem os enunciados interrogativos totais da
variedade de Buenos Aires, pertencente ao projeto “Atlas Lingüístico de la Entonación del
Español” (PRIETO & ROSEANO, 2010) em diferentes contextos e atitudes. Os autores
propõem um contorno circunflexo para os enunciados interrogativos totais que funcionam
43
como pedido de informação. Na figura 6, observamos que o acento pré-nuclear apresenta
um movimento ascendente (L+H*). Já, para a posição nuclear, temos um contorno
circunflexo com pretônica baixa, seguida de uma tônica alta, que se mantém alta na sílaba
pós-tônica, onde se inicia o movimento de descida, representada pela notação L+¡H*HL%.
¿Tiene mandarinas?
Figura 6: Contorno melódico do enunciado interrogativo total neutro (information seeking) de
Buenos Aires (GABRIEL et alli., 2010, p. 296).
Para os enunciados interrogativos totais que funcionam como perguntas
confirmativas, os autores sugerem a mesma descrição fonológica do enunciado neutro:
acento pré-nuclear ascendente e acento nuclear circunflexo (figura 7).
Juan ¿venís a cenar esta noche?
Figura 7: Contorno melódico do enunciado interrogativo total confirmativo de Buenos Aires
(GABRIEL et alli., 2010, p. 301).
44
Encontramos descrições para os enunciados interrogativos totais também em
Figueiredo (2011) que analisa este tipo de enunciado ao comparar a fala de Buenos Aires e
Córdoba, em quatro contextos atitudinais: pergunta confirmativa, pergunta neutra,
pergunta incrédula e pergunta retórica, a partir do estímulo “Marcela cenaba” produzido
por oito informantes, sendo duas mulheres e dois homens de Buenos Aires e duas
mulheres e dois homens de Córdoba.
Os contextos atitudinais variam do eixo de maior certeza (confirmativo) ao de
certeza de uma resposta negativa (retórico), passando pelo enunciado neutro e o de dúvida
(estranheza). Apresentaremos os resultados descritos pela autora para a variedade
bonaerense.
Para as perguntas confirmativas, que correspondem a um pedido de informação em
que o falante pretende certificar-se de uma informação na qual está quase seguro que é
verdadeira, da variedade de Buenos Aires, a autora descreve um contorno ascendente em
posição pré-nuclear e um contorno circunflexo em posição nuclear, com notação
fonológica, com base nas propostas do Sp_ToBI, L+H*L%, conforme ilustrado na figura
8.
¿Marcela cenaba?
Figura 8: Pergunta conformativa da variedade de Buenos Aires (FIGUEIREDO, 2011, p.91).
As perguntas que funcionam como pedido de informação (neutras) em que o
falante pretende conhecer a resposta para seu questionamento apresentam acento pré-
45
nuclear ascendente e acento nuclear circunflexo, com pico de F0 deslocado à sílaba póstônica, L+H*HL% (vide figura 9).
¿Marcela cenaba?
Figura 9: Pergunta neutra da variedade de Buenos Aires (FIGUEIREDO, 2011, p.95).
Para a descrição da curva melódica das perguntas incrédulas, que corresponde a um
tipo de pedido de informação em que o interlocutor é posto em dúvida pelo que acaba de
afirmar, a autora utiliza a notação L+>H*, para o pré-núcleo ascendente e L+H*L%, para
o núcleo circunflexo. Vale destacar que Figueiredo (2011) não observa diferenças em
termos de notação fonológica para os enunciados com foco amplo ou foco estreito tanto
no pré-núcleo quanto no núcleo, como exemplificado nas figuras 10, 11 e 12.
¿Marcela cenaba?
¿Marcela cenaba?
¿Marcela cenaba?
Figura 10: Pergunta incrédula, com
Figura 11: Pergunta incrédula, com
Figura 12: Pergunta incrédula,
foco amplo da variedade de Buenos
foco no pré-núcleo da variedade de
com foco no núcleo da variedade de
Aires (FIGUEIREDO, 2011,
Buenos Aires (FIGUEIREDO,
Buenos Aires (FIGUEIREDO,
p.104).
2011, p.104).
2011, p.104).
46
Finalmente, para as perguntas retóricas, isto é, uma pergunta em que o pedido de
informação não é real, pois falante e ouvinte já sabem que seu conteúdo proposicional é
falso, Figueiredo (2011) propõe um contorno ascendente para a posição pré-nuclear,
L+H*, e um contorno circunflexo para a posição nuclear, L+H*L% (vide figura 13).
¿Marcela cenaba?
Figura 13: Pergunta retórica da variedade de Buenos Aires (FIGUEIREDO, 2011, p.109).
Os trabalhos descritos nesta seção, Sosa (1999), Gurlekian et alii. (2010), Gabriel et
alii. (2010) e Figueiredo (2011), embora apresentem propostas distintas, nos servirão de
base para a análise dos nossos dados. Tais movimentos dos contornos entonacionais
também serão encontrados em conversas coloquiais dos enunciados interrogativos totais na
variedade de Buenos Aires?
1.4.2- Características entonacionais dos enunciados interrogativos de Santiago do
Chile
Os estudos entonacionais chilenos começam a desenvolver-se a partir da década de
50, a partir do desenvolvimento dos estudos fonológicos (ORTIZ et alii, 2010). Tais autores
destacam alguns trabalhos, como o de Silva Fuenzalida (1956-1957) que identificou os
contornos de acentos tonais e os reduziu a um número finito de “fonemas de pitch”, que
se combinavam com o acento de palavra e com fonemas de juntura.
Em 1976, Contreras desenvolve uma teoria que busca descrever a posição do
acento nuclear em relação à ordem de palavras e à estrutura informacional do enunciado.
Mais recentemente, em 1984, Silva Corvalán analisa a entoação de construções de foco
47
estreito e, em 1988, Urrutia descreve um dialeto do sul a partir de evidências
espectrográficas.
Nos últimos 15 anos, muitas pesquisas instrumentais foram elaboradas, através da
análise da fala de Santiago e também de alguns dialetos do sul do país, como os trabalhos
de Cepeda (1997, 1998a, 1998b, 2000, 2001, 2002), Cepeda et alli (1997, 1998‐1999, 1999),
Cepeda & Poblete (1996a, 1996b) e Cepeda & Roldán (1995) para a cidade de Valdivia. De
1997 a 1999, a Pontifícia Universidade Católica do Chile desenvolve uma pesquisa que se
baseava na teoria AM.
Román, Cofré & Rosas (2008) apresentam os primeiros resultados prosódicos das
frases assertivas e interrogativas sem expansão, do espanhol do Chile no marco do projeto
Atlas Multimídia da Prosódia do Espaço Românico (AMPER). O corpus deste projeto
consiste no enunciado La guitarra / La cítara / El saxofón se toca con paciencia / pánico /
obsesión, produzido nas seguintes combinações:
Tabela 2
¿La guitarra
paciencia?
se toca con
¿La cítara
pánico?
¿El saxofón
obsesión?
Tabela 2: Combinação de constituintes oxítonos, paroxítonos e proparoxítonos que compõem o corpus
interrogativo (Román, Cofré & Rosas, 2008).
Resultando em 27 enunciados, sendo 9 enunciados com 3 repetições de cada,
produzidos por uma informante do sexo feminino, na faixa média de idade, que trabalha
como secretária em um centro de estudos superiores, nascida e criada em Santiago do
Chile. Os autores observam que nos enunciados interrogativos, o pico do contorno de
frequência fundamental está deslocado à sílaba pós-tônica nos casos em que o primeiro
acento tonal é oxítono ou paroxítono (saxofón ou guitarra), como exemplificam as figuras 14
e 15, abaixo.
48
¿El saxofón se toca con obsesión?
¿La guitarra se toca con obsesión?
Figura 14: Valores de frequência fundamental das
Figura 15: Valores de frequência fundamental das
três repetições do enunciado “¿El saxofón se toca con
três repetições do enunciado “¿La guitarra se toca con
obsesión?” (ROMÁN, COFRÉ & ROSAS,
obsesión?” (ROMÁN, COFRÉ & ROSAS,
2008, p.142).
2008, p.142).
No caso em que o primeiro acento é constituído por uma palavra proparoxítona
(cítara), o pico de F0 está alinhado à sílaba final da palavra (“pós-pós-tônica”), como ilustra
a figura 16, abaixo.
¿La cítara se toca con paciencia?
Figura 16: Valores de frequência fundamental das três repetições do enunciado “¿La cítara se toca con
paciencia?” (ROMÁN, COFRÉ & ROSAS, 2008, p.143).
Em todos os casos e, independente da posição do acento, há um movimento
ascendente final do contorno de F0, como ilustrado nas figuras 14, 15 e 16, anteriormente.
49
No que se refere à duração, no primeiro acento, na grande maioria dos casos, a
sílaba tônica é a que apresenta maior duração, com uma exceção sistemática das
proparoxítonas, em que a sílaba mais longa é a pretônica. No núcleo dos enunciados, a
sílaba final é a que apresenta maior duração, o que coincide com a sílaba tônica nas palavras
oxítonas.
Em pesquisa recente, Ortiz et alii (2010) descrevem enunciados assertivos,
interrogativos e exclamativos da variedade do espanhol de Santiago do Chile obtidos
através de um questionário adaptado a cada variedade (PRIETO & ROSEANO, 2010).
Para as perguntas totais, os autores observam três tipos de acentos pré-nucleares: um
movimento descendente (H+L*), um ascendente (L+H*) e um acento baixo (L*). Para o
núcleo, os autores descrevem um movimento ascendente na posição nuclear, com sílaba
pretônica baixa, seguida de uma tônica ascendente (L+H*HH%), vide figura 17.
¿Ya llegó María?
Figura 17: Contorno melódico do enunciado interrogativo total neutro (information seeking) de Santiago
do Chile (ORTIZ et alli., 2010, p. 264).
Outro tipo de enunciado interrogativo total analisado por Ortiz et alii. (2010) são as
perguntas com marcas de polidez como “¿Tiene mermelada?”. Nestes casos, os autores
também observaram um pré-núcleo descendente e um núcleo ascendente, como na figura
18.
50
¿Tiene mermelada?
Figura 18: Contorno melódico do enunciado interrogativo total, com marcas de polidez de Santiago do
Chile (ORTIZ et alli., 2010, p. 266).
Diferentemente desses enunciados, pergunta neutra e polida, os enunciados
interrogativos totais confirmativos apresentam um pré-núcleo com movimento ascendente
com pico deslocado à sílaba pós-tônica (L+>H*) e núcleo com movimento descendente de
F0 (H+L*L%), como mostra a figura 19.
¿Verdad que vas a venir?
Figura 19: Contorno melódico do enunciado interrogativo total confirmativo de Santiago do Chile
(ORTIZ et alii., 2010, p. 270).
Entre os estudos apresentados sobre as interrogativas de Santiago do Chile,
observamos que há convergências entre as descrições propostas para as perguntas neutras.
51
Tanto Román, Cofré & Rosas (2008) quanto Ortiz et alli. (2010) propõem um movimento
ascendente final.
A partir desta revisão bibliográfica, analisaremos os dados de nossa pesquisa com o
objetivo de encontrar características convergentes entre os enunciados produzidos pelos
falantes das conversas telefônicas coloquiais.
1.5- Resumindo
 Neste capítulo, discutimos os modelos teóricos entonacionais e dos estudos nos quais
nos baseamos para a análise dos nossos dados. Mais especificamente, descrevemos (i) os
pressupostos da fonologia entonacional, situada dentro dos princípios do modelo
métrico-autossegmental; (ii) o sistema de notação Sp_ToBI, concebido como um tipo
estandarizado de etiquetagem prosódica capaz de transcrever e notar fonologicamente a
entoação de diversas variedades do espanhol e (iii) os pressupostos da fonologia
prosódica. Ainda neste capítulo, apresentamos estudos recentes da entoação de
enunciados interrogativos totais das variedades de Buenos Aires e Santiago do Chile.
52
2
CONVERSAÇÃO COLOQUIAL
Este capítulo tem por objetivo definir e caracterizar uma conversação coloquial.
Para isso, apresentaremos em 2.1, as diferenças entre coloquial, oral e espontâneo (BRIZ,
1996, 1998, 2000, 2002; BLANCHE-BENVENISTE, 1998). Em 2.2, caracterizamos a
conversação coloquial e em 2.3, observamos as partículas discursivas, formas de
tratamento, intensificadores e diminutivos coloquiais característicos das variedades de
Buenos Aires e de Santiago do Chile. Finalmente, no item 2.4, apresentamos a estrutura de
uma conversação e a estrutura organizacional de uma conversa telefônica (KERBRATORECCHIONI, 2006; LENVINSON, 2007).
2.1- Coloquial versus Oral versus Espontâneo
O corpus de nossa investigação consiste em conversas telefônicas coloquiais e
espontâneas. É importante, portanto, refletir sobre as definições e distinções entre os
conceitos de coloquial, oral e espontâneo. A língua varia segundo o uso e as características
próprias do usuário, como sua procedência, seu nível socioeconômico, seu sexo e também,
segundo o registro (BRIZ, 1996). É convencional distinguir entre dois tipos de registros, o
formal e o coloquial, muitas vezes entendidos como dois extremos opostos dentro do
continuum da fala. O emprego do formal ou do coloquial se caracteriza pelo emprego de
diferentes constantes linguísticas e não-linguísticas, relacionadas à situação comunicativa.
O discurso coloquial, mais especificamente, é um registro determinado pelos
traços situacionais que o compõem. Briz (1996) considera como traços situacionais (i) a
relação de igualdade entre os interlocutores, social ou funcional; (ii) a relação de vivência,
ou seja, a experiência e o conhecimento compartilhados; (iii) o espaço situacional, a relação
que o participante tem com o lugar e (iv) a temática, relacionada com a cotidianidade em
oposição a uma temática mais especializada.
Além desses traços, o coloquial, conforme sinaliza Briz (1996), pode ser definido
por outros traços que estabelecem relação estreita com os situacionais, denominados
primários, já que sua presença é necessária para estabelecer o registro coloquial. O autor
destaca como traços primários a ausência de planejamento do discurso, a finalidade
interpessoal (reforçar ou não os vínculos sociais) e o tom informal, que é o resultado de
todas essas marcas.
53
Caberia ainda especificar o traço conversacional de mais ou menos controle de
turno de fala (TANNEN, 2005). Em determinados tipos de interação em que há maior
controle de turno de fala, o registro é [- coloquial], como é o caso de gêneros como aulas,
entrevistas e debates. Nos tipos de interação em que há menos controle de turno de fala, a
tendência do registro é ser [+coloquial], considerando a experiência compartilhada, o lugar
e a temática mais ou menos especializada.
Podemos caracterizar o discurso coloquial a partir das modalidades situacionais,
mencionadas anteriormente, mas também a partir das modalidades linguísticas coloquiais
(BRIZ, 1998). O léxico no uso coloquial, por exemplo, pode sofrer redução, favorecida
pelas áreas temáticas, ao passo que a capacidade significativa de muitas unidades lexicais
pode ser potencializada. O léxico coloquial se distingue pela presença de marcas de
identidade ou indicadores sociais, como as gírias, metáforas cotidianas e pelo emprego de
algumas marcas que perderam seu significado original ao se converter em reguladores
fático-apelativos, que são estratégias de chamada de atenção e reforço argumentativo, tais
como verbos de percepção, formas nominais de tratamento e marcadores de enumeração e
conclusão.
Dentro das marcas linguísticas do coloquial, também destacamos os conectores
pragmáticos, isto é, os recursos de conexão, responsáveis pela união e continuidade do fio
discursivo. Os conectores pragmáticos, segundo Briz (1998), são uma classe funcional e
heterogênea que possui a função de encadear as unidades de fala, assegurar a transição de
determinadas sequências do texto e guiar a interpretação do discurso. Dessa maneira, esses
conectores colaboram para a manutenção do discurso e da tensão comunicativa.
Devido às características destacadas anteriormente, a saber, o léxico coloquial e os
conectores pragmáticos que nem sempre funcionam de forma lógica, o coloquial se
confunde, muitas vezes, com o oral. Comumente se acredita que um texto escrito está para
o formal assim como um texto oral está para o coloquial. No entanto, a diferença entre o
escrito e o oral encontra-se no meio de transmissão dos mesmos: gráfico ou fônico,
respectivamente (BRIZ, 1998). O canal gráfico tem como unidades a palavra, a oração, os
sinais de pontuação. Blanche-Benveniste (1998) assegura que não se pode considerar o
escrito como representação do oral, visto que o que se escreve não constitui uma
transposição direta do que se fala. Na verdade, o oral e o escrito são meios diferentes e,
portanto, cada um deles tem suas características e também limitações. Por mais que existam
na escrita sinais linguísticos capazes de representar traços da oralidade, estes não são
suficientes para refletir todos os aspectos presentes na fala, o que significa que é difícil
54
transcrever à escrita marcas do oral, como a entoação, o timbre, a velocidade de fala,
qualidades e modulações da voz. Da mesma maneira, determinadas características próprias
da escrita são difíceis de levar ao oral, como por exemplo, os sinais de pontuação que
marcam um limite sintático, nem sempre correspondente a uma ruptura real do fluxo da
fala.
O coloquial também pode confundir-se com o espontâneo, isto é o grau de
planejamento da informação, que pode ser mais ou menos planejado (BLANCHEBENVENISTE, 1998). O espontâneo, assim como o coloquial, é encontrado em textos
escritos ou orais. O discurso coloquial e oral pode apresentar marcas de espontâneo, ou
seja, tipo de discurso no qual há menos planejamento da informação.
Nosso entendimento de que a fala espontânea é a fala planejada simultaneamente à
produção do discurso difere da proposta de Barbosa (2012) e de Lucente (2012). Para estes
autores, a fala, para que seja considerada espontânea, deve levar em consideração dois
pontos, a saber, o grau de controle do experimentador sobre a obtenção dos dados e o
papel dos gêneros discursivos. Lucente (2012) afirma que o controle do experimentador
sobre a obtenção do dado pode ir de um ponto extremo até a ausência total de controle.
Neste, não há nenhuma orientação de produção; naquele, o experimentador diz como deve
ser produzida a fala.
Embora concordemos com Barbosa (2012) e Lucente (2012) na questão de que a
fala espontânea pode ocorrer em diferentes gêneros discursivos, não sendo exclusivo de
uma conversa, adotamos, nesta dissertação, a proposta de Blanche-Benveniste (1998). Para
a autora, a fala espontânea se relaciona aos graus de planejamento da informação, levando
em consideração, não só o gênero discursivo e o grau do experimentador, mas sim as
marcas de espontâneo que um texto (oral ou escrito) possui. Destacamos essas marcas a
seguir.
A primeira característica de um texto espontâneo, tal como sugere BlancheBenveniste (1998), é que este nunca é uma produção acabada, o que significa que, no uso
conversacional, a língua falada deixa ver suas etapas de produção. A segunda característica
é que na fala espontânea aparecem comentários sobre a escolha do léxico e a dificuldade de
encontrar a palavra adequada. Uma terceira característica é que neste tipo de discurso, as
tentativas lexicais são conservadas, uma vez que não é possível apagar o que se acaba de
dizer. De igual modo, a fala espontânea pode apresentar titubeios, repetições e falsos
começos. Dessa forma, o espontâneo não apresenta uma sequência linear, ou sintagmática
em ausência, mas está constituído por relações paradigmáticas em presença. Por tal razão, o
55
falante pode voltar atrás sobre sintagmas já mencionados, seja para melhorá-los, para
acrescentar um comentário, para corrigir-se ou para adicionar aspectos que possam ser
importantes, como destacamos no exemplo (1) a seguir.
(1) [Características da fala espontânea: A e B conversam sobre Carlos Ortiz]
129
B: muy caballero muy mira es un chiquillo muy dije y tiene además una virtud
130
que tiene auto y es de esos chiquillos así difíciles de encontrar en Chile que son/
131
que trabajan en el día en un banco y en la noche estudia en la tarde así estudia
132
esa cosa como contabilidad no sé qué es la cosa que estudia
[Conversa 3 – Mulheres – Santiago do Chile]
No exemplo 1, do nosso corpus, observamos que a falante B comenta sobre as
dificuldades de explicar o que Carlos estuda (“no sé qué es la cosa que estudia”), além de
acumular sintagmas, como em “que son/ que trabajan”. Este é um exemplo que demonstra
que a fala espontânea não é uma produção acabada, mas sim planejada enquanto
produzida, tal como entendemos aqui.
Após termos apresentado as distinções entre coloquial, oral e espontâneo,
baseando-nos em Briz (1996, 1998, 2002) e em Blanche-Benveniste (1998), abordaremos na
próxima seção, o que entendemos por conversação coloquial.
2.2- Conversação coloquial
Por que conversamos? Para Briz (2002:67), “hablar (…) es siempre argumentar, dar
argumentos, razones, para llegar a una conclusión”. Desse fragmento, concluímos que
conversar é negociar, ou seja, ainda que pareça que se está falando simplesmente por falar,
há algo em jogo, seja chamar a atenção do ouvinte, seja interagir com outro para reforçar
vínculos sociais ou chegar a um acordo. Todo ato comunicativo, em suma, possui uma
intenção.
A conversação se caracteriza por ser um tipo de discurso (i) oral, produzido e
recebido pelo canal fônico; (ii) dialogal, já que possui uma sucessão de intercâmbios; (iii)
imediato, uma vez que acontece aqui e agora; (iv) dinâmica, pois a troca de papel é
frequente (de falante a ouvinte, de ouvinte a falante) e (v) cooperativo, visto que se constrói
juntamente com a intervenção do outro (BRIZ, 1996; 2002).
Tais características podem ser compartilhadas por outros discursos orais, como o
debate ou a entrevista. O traço que distingue a conversação desses outros discursos é a
56
alternância de turnos não negociada de forma prévia. Em outras palavras, cada participante
da conversa fala alternadamente sem que haja um momento planejado para que um comece
o seu turno ou que o mesmo seja interrompido. Briz (1998, 2002) reconhece o discurso
conversacional, ao somar todas as seis características aqui elencadas – oral, dialogal,
imediato, dinâmico, cooperativo e mudança de turno não pré-determinada.
A conversação coloquial, por sua vez, é o resultado da adição dos traços
conversacionais somados aos traços situacionais e primários. Logo, uma conversação será
coloquial se, do ponto de vista do registro, existir entre os interlocutores uma relação de
vivência e proximidade, experiência compartilhada entre os participantes, relação de
igualdade, temática marcada pela cotidianidade, finalidade interpessoal, marcas de
espontâneo e tom informal.
Cabe-nos, contudo, assinalar que com o advento das novas tecnologias, é possível e
frequente termos trocas escritas em diferentes suportes como chats, blogs, facebook, que sejam
dialogais, imediatas, dinâmicas, cooperativas e com alternância de turnos não prédeterminada, mas limitadas pelo meio e pela ferramenta utilizada.
Como mencionamos anteriormente, a conversação é uma negociação. E como tal,
se rege por princípios e regras que controlam o desenvolvimento da conversação, que deve
ser entendida como um negócio social uma vez que é regulada socialmente por princípios e
máximas, a saber, regras de cooperação, regras de cortesia e regras de pertinência
situacional. As regras de cooperação, baseadas no princípio base que rege a comunicação
humana (GRICE, 1975 apud KOCH, 2010), se resumem em quatro máximas
conversacionais: (i) quantidade, “não diga nem mais nem menos do que o necessário”; (ii)
qualidade, não diga o que sabe não ser verdadeiro”; (iii) relevância, “diga somente o que é
relevante” e (iv) modo, “seja claro e conciso”.
No entanto, em uma conversação coloquial essas regras podem ser transgredidas,
sem que haja tensões na negociação. Isso se explica, segundo Briz (1998, 2002) pela
hierarquização dos princípios e máximas. Ou seja, um falante deve ser claro desde que não
transgrida uma regra superior, a de cortesia, que diz que não se deve ferir a imagem do
outro (BROWN & LENVINSON, 1987).
E mais, nem todo enunciado cortês se adéqua a determinados contextos, o que
significa que a regra de pertinência situacional se sobrepõe às regras de cortesia e às
máximas conversacionais. Assim, em uma conversação coloquial, verificamos que não há
transgressões às regras, mas sim uma hierarquia de princípios e máximas que regulam o
funcionamento de uma conversação.
57
Pensando, agora, nas características da conversação coloquial, cabe destacar que
esta possui marcas de espontâneo (BLANCHE-BENVENISTE, 1998; BRIZ, 1998, 2002),
tais como recomeços, que mudam o plano sintático do discurso; estruturas cortadas ou
suspendidas; uso de que, simplificando estruturas mais complexas; enumerações; repetições;
idas e vindas do discurso, etc.
Ainda no plano do espontâneo, é possível observar que a ordem das palavras numa
conversação coloquial corresponde a uma função pragmática de topicalização que realça a
informação. A ordem em que as palavras se estabelecem é estratégica para marcar a
atenção, o contraste, a reformulação ou para desfazer alguma ambiguidade.
Finalmente, ressaltamos que grande parte da conexão e da coesão em uma
conversação coloquial se dá através de partículas discursivas 2. A função de uma partícula
discursiva está além da gramática, ou seja, este elemento não pertence a nenhuma categoria
gramatical estabelecida (BRIZ, 1998). Além disso, uma partícula discursiva é o resultado de
um processo de gramaticalização, em outras palavras, do ponto de vista gramatical, as
partículas antes foram outra coisa: um verbo, adjetivo, advérbio, etc.
O valor da partícula discursiva está relacionado ao seu uso na interação: com uma
partícula, podemos justificar a conclusão ou opinião; podemos mudar o tema ou reorientálo; chamar a atenção sobre algo o realçá-lo; controlar o contato com o interlocutor; etc.
É interessante observar que tais partículas possuem as funções de (i) indicar a
atividade argumentativa e a interpretação dos enunciados, (ii) ajudar a formular e
reformular os enunciados, (iii) ordenar o discurso e (iv) controlar com frequência o
contato. Desde o ponto de vista da pragmática intercultural, o discurso é marcado por estas
partículas através dessas quatro funções básicas, que funcionam como um guia para sua
ordenação e interpretação (BRIZ, 1998).
As funções vinculadas à atividade argumentativa, aquela que permite que o
interlocutor interprete enunciados de outro falante como argumentos para determinada
conclusão, são duas: a função de conexão argumentativa e a função modalizadora. A
função de conexão argumentativa orienta o outro na argumentação: pode justificar, opor,
concluir, etc. Como exemplo, apresentamos a partícula “aún mejor”, utilizada para destacar
um argumento mais forte para chegar a conclusão final (DPDE, 2013) 3.
2
Utilizamos aqui o termo “partículas discursivas”, proposto por Briz para referir-nos aos termos também
denominados por outros autores como marcadores discursivos, conectores pragmáticos. Lembramos ainda
que, além das partículas discursivas, a entoação e o ritmo também podem conectar o discurso oral.
3 Os exemplos de partículas discursivas, aqui ilustrados, se encontram no Diccionario de Partículas Discursivas del
Español (BRIZ, A., PONS, S., PORTOLÉS, J., 2013) e podem ser tanto de textos orais quanto de textos
escritos.
58
Por sua vez, a função modalizadora é a que atenua ou intensifica o que se diz. Os
intensificadores são estratégias retóricas de dizer mais do que realmente se diz (BRIZ,
1996), modificam o dito e reforçam o ato ilocutivo. Os recursos de expressão verbal
podem ser morfológicos, como na frase “Me gusta su cuerpazo”; fônicos, “es un PE-SADO” (pronunciação silabada). Os atenuadores, por outro lado, estão vinculados à relação
interlocutiva que suaviza a força ilocutiva de uma ação ou a força significativa de uma
palavra. Podemos exemplificar com a partícula discursiva “al parecer, está proporcionando
buenos resultados.”, indicando que o falante não é testemunha da informação transmitida e
que a adquiriu por outras fontes.
Briz (1998) também apresenta a função metadiscursiva. Esta função está vinculada
à atividade formulativa que é responsável por organizar o que se diz e controlar o discurso,
como a partícula “mejor dicho” que destaca o membro do discurso como uma correção e
aclaração do dito anteriormente.
A quarta função é a de controle de contato, que se centra na relação entre o falante
e o ouvinte. Geralmente, esta função é sinalizada por uma partícula fático-apelativo como
em “Yo nunca he visto una persona tan enrollada como el Andrés ¿eh?”, em que a partícula
“¿eh?” pede que o ouvinte aceite ou confirme algo mencionado.
Vejamos quais são os elementos coloquiais característicos das variedades de Buenos
Aires e de Santiago do Chile.
2.3- Elementos coloquiais
Neste item, apresentamos uma análise qualitativa de elementos coloquiais
encontrados em nossas quatro conversas telefônicas. Primeiramente, apresentamos as
partículas discursivas e, em seguida, descrevemos as formas de tratamento coloquiais que
caracterizam as duas variedades de espanhol estudadas nesta dissertação. Apresentamos,
também, os elementos de intensificação e atenuação e os diminutivos que encontramos
como elementos coloquializadores.
2.3.1- Partículas discursivas coloquiais
Conforme apresentado no item 2.2, deste capítulo, grande parte da conexão e
coesão em uma conversação coloquial se dá através de partículas discursivas que funcionam
como uma estratégia de encadear as unidades de fala, assegurar a transição de determinadas
59
sequências do texto e guiar a interpretação do discurso, colaborando, assim, para a
manutenção do discurso e da tensão comunicativa. Em vista disso, buscamos em nosso
corpus exemplos de partículas discursivas coloquiais. Apresentamos esta análise a fim de
contribuir para os estudos das partículas discursivas em espanhol.
2.3.1.1- Buenos Aires
Na conversa 1, entre duas falantes do sexo feminino, e na conversa 2, entre dois
falantes do sexo masculino, ambas da variedade de Buenos Aires, elencamos as seguintes
partículas discursivas em quatro posições distintas: (i) inicial, início de turno de fala; (ii)
medial, meio do turno; (iii) final, que funciona como estratégia de passar o turno ao outro
falante e (iv) isolada, quando a partícula aparece como único elemento do turno de fala do
falante.
Apresentamos, na tabela 3, as partículas discursivas encontradas na conversa 1
(mulheres de Buenos Aires) e, na tabela 4, as encontradas na conversa 2 (homens de
Buenos Aires).
Tabela 3
Inicial
Sí (23)
No (18)
Ah (11)
Y (11)
Pero (7)
Claro (6)
Porque (6)
Que (6)
Ay (5)
No sé (5)
Así que (4)
Ay Dios mío (2)
Che (2)
Entonces (2)
¿Eh? (1)
Bueno (1)
Eh (1)
En serio (1)
Encima (1)
Es que (1)
Lo que pasa es que
(1)
Partículas Discursivas – Conversa 1
Medial
Final
Y (48)
¿Entendés? (5)
Pero (17)
Ay (3)
O sea (16)
Pero (2)
No (14)
Qué sé yo (2)
Tipo (10)
Tipo (2)
No sé (8)
¿No? (1)
Que (5)
¿Sí? (1)
Qué sé yo (5)
Así que (1)
Te juro (5)
Como siempre (1)
Ay (4)
Como te puedo
Bueno (4)
explicar (1)
Che (4)
Che (1)
Después (4)
Después no (1)
Acá (3)
Digo (1)
Aparte (3)
Entonces (1)
Igual (3)
Es así (1)
Lo que pasa es que
Más o menos (1)
(3)
Me quedé (1)
Porque (3)
Ni nada (1)
Así como (2)
No sé (1)
Encima (2)
No sé qué (1)
Entonces (2)
No sé qué historia
Isolada
Mmm (8)
Ahn (7)
¿Eh? (4)
¿Qué? (4)
Ah (3)
No (3)
Sí (3)
¿Ehn? (2)
Así que (2)
¿Cómo? (1)
¿En serio? (1)
¿No? (1)
¿Por qué? (1)
¿Quiénes? (1)
¿Sí? (1)
¿Y? (1)
Ahá (1)
Ay (1)
Buen dia (1)
Claro (1)
Eso sí que no (1)
Está bien (1)
60
Mirá (1)
Mmm (1)
No es que (1)
Pero igual (1)
Por eso (1)
Qué mal (1)
Te juro (1)
Tipo (1)
Uy (1)
Y después (1)
Y que (1)
Y qué sé yo (1)
Yo creo que (1)
Ponele (2)
(1)
Este (1)
Qué bueno (2)
O sea (1)
Hola (1)
Sí (2)
O sí (1)
Qué sé yo (1)
¿Entendés? (1)
Parece que (1)
Te juro (1)
¿Sabés qué? (1)
Pero sí (1)
Uy (1)
Ah (1)
¿Qué? (1)
Ahí (1)
Te juro (1)
Así que (1)
Un quilombo (1)
Así que bien (1)
Viste (1)
Como que (1)
Viste (1)
Contame (1)
Y (1)
Después también (1) Y hasta ahí (1)
Digamos (1)
Y ya (1)
En serio (1)
Entiendo (1)
Eso dice (1)
Lo que pasa (1)
No sé qué y no sé
cuánto (1)
Obvio (1)
Pero así (1)
Pero que (1)
Pero que más (1)
Por ejemplo (1)
Porque eso (1)
Sabés (1)
Supuestamente (1)
Viste (1)
Yo te explico (1)
Tabela 3: Partículas discursivas, conversa 1, entre mulheres da variedade de Buenos Aires.
Tabela 4
Inicial
Sí (45)
No (23)
Y (21)
Ah (12)
Este (7)
Pero (6)
Claro (5)
Che (4)
Eh (4)
Bárbaro (2)
Capaz que (2)
Exacto (2)
Exacto (2)
O sea (2)
Por eso (2)
Ahá (1)
Partículas Discursivas – Conversa 2
Medial
Final
Y (47)
¿No? (7)
Es que (21)
Sí (7)
Porque (20)
Digamos (6)
¿Viste? (17)
Así (5)
Pero (17)
Y (5)
Sí (17)
Ya (4)
Eso (11)
Ah (3)
No (11)
Es eso (3)
Digamos (8)
Eso (3)
Qué sé yo (8)
Claro (2)
Bueno (7)
De ese tipo (2)
Te digo (7)
Eh (2)
Este (6)
Este (2)
Así (5)
Nada que ver con
Esto (5)
(2)
Ah (4)
Pues (2)
Isolada
Sí (22)
Ah (10)
Claro (10)
Exacto (6)
Ahá (3)
Aham (3)
Bien (3)
Bueno (2)
Mmm (2)
Y (2)
Este (1)
Ya (1)
61
Aparte (1)
Así (1)
Así es que (1)
Así que (1)
Ba (1)
Bueno (1)
Entonces (1)
Es que (1)
Eso (1)
Lo que pasa es que
(1)
Mira (1)
Mirá (1)
Mmm (1)
Oh (1)
Oye (1)
Porque (1)
Que (1)
Uy (1)
Aparte (4)
Acá (1)
Lo que (4)
Esas cosas así (1)
O sea (4)
Eso es lo que pasa
Claro (3)
(1)
No sé (3)
Nada (1)
Pues (3)
Que (1)
Yo te digo (3)
Qué sé yo (1)
¿No? (2)
Te digo (1)
Acá (2)
Así que (2)
Ba (2)
Bien (2)
Como (2)
Che (2)
Encima (2)
Mira (2)
Tipo (2)
A lo mejor (1)
A ver (1)
Además (1)
Ahí (1)
Capaz que (1)
Como que (1)
Entonces (1)
Es verdad que (1)
Esas (1)
Lo que pasa es que
(1)
Lo que sea (1)
No sé bien (1)
Parece que (1)
Todo eso (1)
Uy (1)
Tabela 4: Partículas discursivas, conversa 2, entre homens da variedade de Buenos Aires.
Observamos que em posição inicial, as partículas “sí”, “no”, “ah” e “y” são as mais
frequentes nas duas conversas da variedade de Buenos Aires. Para a posição medial,
encontramos como mais frequente o marcador “y” em ambas as conversas. Não é
coincidência que o “y” tenha sido recorrente nas duas posições. Este marcador une
argumentos com a mesma orientação argumentativa, além de colaborar para a progressão
do discurso (BRIZ, 2002). Exemplificamos em (2), tais ocorrências em posição inicial e
medial (em negrito).
(2) [A e B conversam sobre amigos em comum]
67
A: ah y el otro ¿qué? ¿se van a ver?
62
68
B: sí sí lo que pasa había ningún horario les coincidía pero se iban a ratear
69
ambos el lunes o el martes del cole de sus respectivos colegios
70
A: mmm
71
B: y se iban a encontrar [risas]
[Conversa 1 – Mulheres – Buenos Aires]
Em posição final, verificamos a ocorrência de marcadores confirmativos como
“¿entendés?”, no caso da conversa feminina, e “¿no?” e “sí”, no caso da conversa
masculina, ou palavras resumitivas, como “qué sé yo”, “es así” e “es eso”.
Com relação às partículas isoladas, constatamos que seu uso serve como uma
estratégia de chamada de atenção ou reforço argumentativo, mostrando o interesse do
ouvinte, ou ainda o não entendimento de algo dito pelo falante. Na conversa feminina,
observamos um uso frequente da partícula “mmm” (vide exemplo (3) anteriormente),
mostrando interesse ao dito e da partícula “¿eh?” y “¿qué?”, quando algo não é entendido.
Na conversa masculina, por outro lado, embora tenhamos observado a ocorrência das
partículas encontradas na conversa feminina, a partícula “sí” foi a mais recorrente para
mostrar atenção do ouvinte ao que se diz.
2.3.1.2- Santiago do Chile
Na conversa 3, entre duas falantes do sexo feminino, e na conversa 4, entre dois
falantes do sexo masculino, ambas da variedade de Santiago do Chile, elencamos os
seguintes partículas discursivas, também em quatro posições distintas, inicial, medial, final e
isolada, as quais apresentamos na tabela 5 e na tabela 6.
Tabela 5
Inicial
Y (18)
Ah (11)
Claro (11)
Pero (10)
Entonces (8)
Oye (7)
Sí (7)
Mmm (5)
Así es que (3)
Mira (3)
Partículas Discursivas – Conversa 3
Medial
Final
Y (47)
¿Ah? (5)
Que (43)
Pues (4)
Pero (15)
¿Ahn? (4)
Entonces (12)
¿Dices tú? (2)
No (11)
¿Me entiendes? (2)
Pues (10)
Digamos (2)
Mira (8)
Entonces (2)
Nomás (6)
Oye (2)
Porque (5)
¿No es cierto? (1)
Así (4)
Ahora (1)
Isolada
Ah (22)
Sí (11)
Claro (6)
¿Ahn? (5)
¿Sí? (4)
Mmm (4)
Oye (3)
Bueno (2)
Eso (2)
¿No? (1)
63
No (3)
Ahora (2)
Fíjate (2)
Posiblemente (2)
Si acaso (2)
Ya (2)
Ahí (1)
Así es (1)
Así que (1)
Ay (1)
Bueno (1)
Como (1)
Dice que (1)
Eh (1)
El otro día (1)
Es que (1)
Eso de (1)
Hello (1)
Igualmente (1)
Más o menos (1)
No creo yo (1)
Oh (1)
Parece que (1)
Porque (1)
Qué lástima (1)
Qué lindo (1)
Uy (1)
No creo yo (4)
Así que (1)
Así (1)
Oye (4)
Claro (1)
Ay (1)
A lo mejor (3)
Como un (1)
Bah? (1)
Como (3)
Este (1)
Cosa así (1)
Como que (3)
Fíjate (1)
Malísimo (1)
Eh (3)
Igual que siempre
Porque (1)
Es que (3)
(1)
Qué cosa (1)
Fíjate (3)
Más o menos (1)
Así es (2)
Eso es lo que quiere
Así es que (2)
él (1)
Bueno (2)
No (1)
Digamos (2)
No vale la pena (1)
Es decir (2)
Nomás (1)
Eso (2)
Pero (1)
Fíjate que (2)
Pero si (1)
Oh (2)
Que (1)
Sí (2)
Que le (1)
Todo eso (2)
Todas esas cosas (1)
Total (2)
Además (1)
Ahora (1)
Así como (1)
Así que (1)
Cómo dices tú (1)
Como para (1)
Cuéntame (1)
Dice que (1)
La verdad es (1)
Más encima (1)
¿Me entiendes? (1)
No sé cuanto (1)
O algo así (1)
Po (1)
Qué bueno (1)
Quizás (1)
Tabela 5: Partículas Discursivas, conversa 3, variedade de Santiago do Chile.
Tabela 6
Inicial
Ya (34)
Sí (21)
Y (14)
Claro (11)
Eh (9)
No (9)
Ah (8)
Ahí (3)
Así que (3)
Porque (3)
Partículas Discursivas – Conversa 4
Medial
Final
Y (35)
Pues (7)
Ya (23)
Ya (5)
Pero (12)
Po (3)
Parece que (10)
¿No? (2)
Porque (10)
Ah (2)
Pues (10)
Claro (2)
Así que (8)
Sí (2)
Eh (8)
¿Ah? (1)
No (6)
Así que (1)
Entonces (5)
Eh (1)
Isolado
Sí (11)
Ya (8)
¿Ah? (6)
No (5)
¿Ahn? (2)
Mmm (2)
¿Así es? (1)
¿Cómo? (1)
¿No? (1)
Claro (1)
64
Es que (2)
Parece que (2)
A ver (1)
Chúpala (1)
Igual (1)
O sea (1)
Oye (1)
Eso(s) (5)
Es que (1)
Chúpala (3)
Eso (1)
A ver (4)
No (1)
Claro (4)
Parece (1)
O sea (4)
Y (1)
Po (4)
Qué sé yo (4)
Nomás (3)
¿No? (2)
Bueno (2)
Es que (2)
Este (2)
Lo que (2)
No sé (2)
No sé qué (2)
¿Cierto? (1)
A lo mejor (1)
Ah (1)
Al parecer (1)
Oh (1)
Parece (1)
Por eso (1)
Tabela 6: Partículas Discursivas, conversa 4, variedade de Santiago do Chile.
Para esta variedade encontramos, em posição inicial, os marcadores “y”, “ya”,
“claro” e “pero” como os mais freqüentes na conversa feminina, ao passo que na conversa
masculina foram mais recorrentes as partículas “ya”, “sí”, “y” e “claro”, nesta ordem. Notase que em ambas as conversas as partículas “y”, “ya” e “claro” apareceram, embora o
número de ocorrências tenha variado.
Para a posição medial, verificamos que o marcador “y”, responsável por unir
argumentos com a mesma orientação argumentativa e colaborar para a progressão do
discurso foi o mais freqüente nas duas conversas. Cabe destacar que, no caso da conversa
masculina, houve uma ocorrência significativa do marcador “ya”.
Em posição final, verificamos a ocorrência de marcadores confirmativos como
“¿ah?” e “pues”. Com relação às partículas isoladas, constatamos que seu uso serve como
uma estratégia de chamada de atenção ou reforço argumentativo, mostrando o interesse do
ouvinte, ou ainda o não entendimento de algo dito pelo falante, sendo as partículas “ah” e
“sí”, mais recorrentes na conversa feminina e as partículas “sí” e “ya”, na conversa
masculina.
Verificamos em (3) as ocorrências mais frequentes nas quatro posições, destacadas
em negrito.
65
(3) [A e B conversam sobre a possível viagem de verão de Carlos Ortiz]
190
A: y ¿por qué piensa quedarse él más tiempo? ¿para poder conocer o por qué
191
dice?
192
B: parece que eso es lo que él quiere ¿ah?
193
A: ah conocer darse un paseo
194
B: ah
195
A: sí
196
B: claro porque mira oye viene los lunes en la mañana va a donde Raúl que se
197
debe latear su poco viene aquí que también se debe latear su poco a pesar de que
198
nosotras somos un poco más risueñas que que allá pues y que los pobres están
199
tan así como cabizbajos todo el tiempo
[Conversa 3 – Mulheres – Santiago do Chile]
Confrontando os usos das partículas discursivas coloquiais nas duas variedades,
Buenos Aires e Santiago do Chile, observamos a recorrência do marcador “y” tanto em
posição inicial quanto em posição medial. Em posição final, notamos que as partículas
“¿me entendés?” e “¿no?” são as mais freqüentes na variedade de Buenos Aires enquanto
que, para a variedade de Santiago do Chile, observamos um uso frequente de “¿ah?” 4,
“pues” e “ya”.
2.3.2- Formas de tratamento coloquiais
Em uma conversação, os falantes utilizam as formas de tratamento como um
recurso para marcar e construir a relação interpessoal (KERBRAT-ORECCHIONI, 2011),
seja para chamar a atenção de um falante ou para selecionar um falante entre outros
possíveis falantes.
Segundo Rebollo Couto & Kulikovski (2011:497),
Las formas de tratamiento se manifiestan en el empleo de formas
pronominales, verbales o nominales y pertenecen al ámbito de la deixis social:
constituyen la codificación lingüística de identidades sociales de los
participantes y de la relación que existe entre ellos.
No capítulo 6, desta dissertação, analisamos a entoação das partículas confirmativas (tag questions) “¿no?” e
“¿ah?”, a partir da teoria da fonologia prosódica (NESPOR & VOGEL, 1994).
4
66
Pensando nessas características das formas de tratamento de segunda pessoa,
verificaremos nesta seção quais são as formas de tratamento coloquiais (nominais, verbais e
pronominais) características das variedades de Buenos Aires e Santiago do Chile.
2.3.2.1- Buenos Aires
Analisando as conversas 1 (mulheres de Buenos Aires) e 2 (homens de Buenos
Aires), elencamos as seguintes formas de tratamento, apresentadas nas tabelas 7 e 8,
respectivamente.
Tabela 7
Formas de Tratamento – Conversa 1
Formas Verbais
Formas Pronominais
¿Entendés? (6)
Vos (11)
Podés (3)
A vos (1)
Ponele (2)
A vos misma (1)
Sabés (2)
Tenés (2)
Contame (1)
Mirá (1)
Bancás (1)
Callate (1)
Mandale (1)
Sentís (1)
Venís (1)
Tabela 7: Formas de tratamento coloquiais, conversa 1, entre mulheres da variedade de Buenos Aires.
Formas Nominais
Boluda (11)
Tati (3)
Hija de puta (2)
Gorda (1)
Pobrecita (1)
Tabela 8
Formas Nominais
Hermano (1)
Loco (1)
Viejo (1)
Formas de Tratamento – Conversa 2
Formas Verbais
Formas Pronominais
Tenés (12)
Vos (15)
Sabés (6)
Con vos (2)
Anotá (3)
A vos (1)
Mirá (3)
Encontrás (2)
Hacés (2)
Ponés (2)
Seguís (2)
Sos (2)
Terminás (2)
Agrandás (1)
Contame (1)
Dame (1)
Escuchás (1)
67
Extrañás (1)
Ganás (1)
Hablás (1)
Podés (2)
Ponele (1)
Quedás (1)
Sensibilizás (1)
Sentís (1)
Tardás (1)
Te acordás (1)
Venís (1)
Tabela 8: Formas de tratamento coloquiais, conversa 2, entre homens da variedade de Buenos Aires.
Observamos em nossas conversas um uso recorrente da forma verbal e pronominal
de voseo. Fontanella de Weinberg (1999) sinaliza que a partir da segunda metade do século
XX, o uso de voseo, como marca de confiança, passou a ser usado de forma generalizada
tanto em textos escritos quanto em textos orais. Pragmaticamente, Rebollo Couto &
Kulikovski (2011) corroboram que o voseo argentino apresenta um prestígio social e uma
aceitação positiva por parte dos falantes. Destacamos ainda que na região bonaerense, há
um sistema pronominal com duas formas para o singular: “vos” e “usted”
(FONTANELLA DE WEINBERG, 1999).
Vale destacar ainda que não existem diferenças no uso das formas voseantes em
relação ao sexo do falante (CARRICABURRO, 1997), ou seja, tanto homens quanto
mulheres utilizam esta forma de tratamento pronominal e verbal, como exemplicam as
tabelas 5 e 6 de nossa dissertação.
No exemplo (4), verificamos o uso do pronome sujeito e da forma verbal “vos”,
somados ao uso de pronome reflexivo “te”, o que corresponde ao proposto por Fontanella
de Weinberg (1999:1406) para o paradigma flexivo desta variedade.
(4) [A e B conversam sobre a viagem de A para Argentina]
7
B: te voy a preguntar ¿cuándo vas a venir vos? ¿si sabés o si tenés una idea?
8
A: sí mirá tengo pasaje reservado para el dieciséis pero lo tengo que pagar todavía
9
B: ¿de qué?
10
A: de diciembre
11
B: ah falta todavía
12
A: sí sí
13
B: ¿venís para las fiestas?
14
A: para las fiestas exacto me quedaré hasta el dos o el tres
68
15
B: ¿vos escuchás bien o tardás en pensar?
[Conversa 2 – Homens – Buenos Aires]
No que se refere às formas de tratamento nominais, Carricaburro (1997) destaca
que as formas nominais também constroem estratégias discursivas para marcar a relação
que existe entre os interlocutores. Ao analisar nossos dados, observamos que a forma mais
frequente, na conversa feminina é “boluda”. Esta forma de tratamento, bem como a forma
“gorda”, possuíam conotação pejorativa, mas atualmente funcionam de forma fática
(CARRICABURRO, 1997), ou seja, chamam a atenção ou interpelam o interlocutor. No
caso da conversa masculina, verificamos o uso das formas de tratamento amistosas “viejo”,
“hermano” e “loco”.
2.3.2.2- Santiago do Chile
Analisando as conversas 3 (mulheres de Santiago do Chile)
e 4 (homens de
Santiago do Chile), elencamos as seguintes formas de tratamento, apresentadas nas tabelas
9 e 10, respectivamente.
Tabela 9
Formas de Tratamento – Conversa 3
Formas Nominais
Formas Verbais
Formas Pronominais
Graciela (7)
Oye (27)
Tú (8)
La Candis (2)
Mira (14)
La Elisabeth (2)
Fíjate (8)
Cheli (1)
¿Me entiendes? (3)
La Mirian (1)
Cuéntame (1)
La Sandis (1)
Estás (1)
Pregúntale (1)
Tabela 9: Formas de tratamento coloquiais, conversa 3, entre mulheres da variedade de Santiago do
Chile.
Tabela 10
Formas Nominais
Gallo(s) (8)
Guatón (6)
Huevón (3)
Formas de Tratamento – Conversa 4
Formas Verbais
Formas Pronominais
Tení (5)
Tú (26)
Estai (3)
Podei (3)
Poní (3)
Puedes (3)
Échale (2)
69
Entrai (2)
Espérate (2)
Tomai (2)
Vai (2)
Ahorrai (1)
Anota (1)
Conoces (1)
Decís (1)
Déjame (1)
Graduai (1)
Mándalas (1)
Métete (1)
Metís (1)
Oye (1)
Sabei (1)
Tenei (1)
Tienes (1)
Tabela 10: Formas de tratamento coloquiais, conversa 4, entre homens da variedade de Santiago do
Chile.
Verificamos que, na conversa 3, entre as mulheres da variedade de Santiago do
Chile, há um uso recorrente de formas verbais e pronominais tuteantes, ao passo que na
conversa 4, entre os homens, há uma preferência pelas formas verbais de voseo e formas
pronominais de tuteo. Do ponto de vista pragmático, o voseo chileno intensifica a
proximidade entre homens ou intensifica os desacordos (REBOLLO COUTO &
KULIKOVSKI, 2011), o que explicaria o uso majoritário de tuteo na conversa feminina e,
e voseo verbal na conversa masculina, principalmente nos momentos finais da conversa,
em que há um aumento quantitativo do uso dessa forma de tratamento.
Segundo as autoras, no Chile o voseo verbal (quando o sujeito das formas verbais
voseantes é o pronome “tú”) funciona como marca de coloquialidade, confiança ou
familiaridade, ao passo que a forma do voseo pronominal (em que o sujeito “vos” vai
acompanhado de formas verbais de voseo) não tem tanto prestígio social. Cabe destacar
também, valendo-nos das investigações de Torrejón (2010), que o uso do voseo verbal,
antes característico dos grupos jovens, se estendeu também a outras faixas etárias como
forma de tratamento solidário entre pessoas de um mesmo grupo de idade, o que nos leva a
supor que não encontramos exemplos de voseo na conversa feminina, provavelmente, pelo
fato das interlocutoras apresentarem faixas de idades distintas.
(5) [A e B conversam sobre o cotidiano do falante B]
187
A: ah la máquina y tú ¿estái durmiendo?
70
188
B: no yo ya iba saliendo yo estaba justo terminando de tomar desayuno
189
A: ah ¿sí? chupalla
190
B: sí
191
A: ah ya ¿tení clases temprano ahí?
192
B: sí
193
A: ya y ¿cómo te ha ido?
194
B: bien
195
A: ya
196
B: bien
197
A: ya y ¿para cuándo te graduai?
198
B: no sé pues
[Conversa 4 – Homens – Santiago do Chile]
Observamos no exemplo (5) o uso do pronome sujeito “tú” e da forma verbal
voseante, destacados em negrito, corroborando o uso do voseo verbal chileno como marca
de coloquialidade, confiança e familiaridade.
Com relação às formas de tratamento nominais, verificamos que na conversa
masculina, os falantes utilizam com frequência a forma referencial “gallo”, “guatón” e
“huevón”. Destacamos também o uso do artigo determinado diante dos nomes próprios,
na conversa feminina. Tal uso é referencial e marca afeto, proximidade e familiaridade.
Ainda sobre este uso, observamos que se dá majoritariamente diante de nomes femininos
(Candis, Elisabeth, Mirian, Sandis), inclusive quando não funciona como forma de
tratamento nominal (“¿la Claudia está durmi-?”).
2.3.3- Intensificadores e atenuadores
Já mencionamos em 2.2 que os intensificadores são estratégias retóricas de dizer
mais do que realmente se diz (BRIZ, 1996), modificam o dito e reforçam o ato ilocutivo.
Os atenuadores, por sua vez, estão vinculados à relação interlocutiva que suaviza a força
ilocutiva de uma ação ou a força significativa de uma palavra. Nesta seção, verificaremos
que estratégias intensificadoras e atenuadoras caracterizam as variedades de Buenos Aires e
Santiago do Chile.
71
2.3.3.1- Buenos Aires
Na conversa 1, entre duas falantes do sexo feminino, e na conversa 2, entre dois
falantes do sexo masculino, encontramos os seguintes recursos intensificadores e
atenuadores.
Tabela 11
Intensificadores – Conversa 1
Atenuadores – Conversa 1
Mucho sentido (1)
“Cómo te puedo explicar” (verbo
Mucho raye (1)
perfomativo)
Tengo mucho (1)
“Estoy como sola”
Muy bien (1)
“Voy aprendiendo” (Perífrasis de futuro)
Muy mal (1)
“Yo te explico” (verbo perfomativo)
Muy ambiguo (1)
Ponele (2)
Re bien (6)
Re divino(a) (3)
Re buen tipo (2)
Re culpable (1)
Re macanuda (1)
Re mambiada (1)
Re mal (1)
Re jodido (1)
Súper comunicativos (1)
Súper enamorada (1)
Bastante depresivo (1)
Buenazo (1)
Tabela 11: Intensificadores, conversa 1, entre mulheres da variedade de Buenos Aires.
Tabela 12
Intensificadores – Conversa 2
Re agrandás (1)
Re lejos (1)
Re copado (1)
Muchísimas cosas (1)
Muy buena (1)
Muy rompepelota (1)
No me copa (2)
Contrasta mucho (1)
El culo del mundo (1)
Boludeces (2)
Buenísimo (2)
Dimes y diretes (1)
Chotas líneas (1)
Fue un/ es el culo (1)
Alucinante (1)
Súper sensibilizás (1)
Atenuadores – Conversa 2
De repente (7)
Capaz que (3)
Creo que (2)
Ponele (2)
Depende de que (1)
“Es como que estoy entrando recién en el
grupo”
“Debe haber un español” (verbo modal)
“Debe ser como no sé el diario de un
pueblo” (verbo modal)
“Te voy a preguntar” (verbo performativo /
perífrasis de futuro)
“Como un retardo te digo”
“Más adelante te pido algún dato sobre qué
va que me pueda mandar ella sobre
programas”
72
“Algún que otro laburo”
“Estás ahorrando como loco”
“Te digo que va a ser va a ser medio
jodido en el sentido que voy a estar poco
tiempo” (verbo performativo / perífrasis de
futuro)
“Vamos a tener que combinar”
(perífrasis de futuro / verbo modal)
“Vamos a tener que hablar” (perífrasis de
futuro / verbo modal)
“Como te digo” (verbo performativo)
“Fue algo groso”
“Lo que te quería decir” (verbo
performativo)
Tabela 12: Intensificadores, conversa 2, entre homens da variedade de Buenos Aires.
Com relação aos intensificadores, observamos um uso recorrente do prefixo “re”
além das formas “muy” e “mucho” que podem intensificar adjetivos, advérbios e verbos.
Assinalamos ainda o uso de palavras avaliativas com sentido negativo, como “chotas”. Já,
com relação aos atenuadores, verificamos que aparecem nos momentos mais sensíveis,
evitando que a conversa fique pesada. Observamos o exemplo (6).
(6) [A e B conversam sobre a viagem de A para Argentina]
225
A: sí y cuando yo vaya en diciembre ¿vos vas a estar dando vueltas?
226
B: en diciembre voy estar acá todavía no me voy de vacaciones a
227
A: en las fiestas ah okey sí porque te digo que va a ser va a ser medio jodido en el
228
sentido que voy a estar poco tiempo y y
229
B: y encima son las fiestas
230
A: y son las fiestas y
231
B: o sea hasta ¿cuánto tiempo vas a estar más o menos? ¿un mes?
232
A: mirá llegaré un sábado creo que sábado dieciséis de diciembre
233
B: sí
234
A: y me quedaré hasta el martes dos y en el medio qué sé yo ¿viste? este mi
235
familia ¿cómo?
236
B: ¿dos de enero? hasta el dos de enero nada más
237
A: dos de enero sí y en el medio viste mi familia nos iremos a la costa unos días
238
B: vas a estar poco y nada
239
A: este claro por eso así este eso vamos a tener que combinar
73
240
B: sí tratar de combinar aunque sea un par de veces vernos
241
A: no eso es seguro pero lo que quiero decir es que bueno vamos a tener que
242
hablar este
[Conversa 2 – Homens – Buenos Aires]
O exemplo (6) demonstra que o uso de verbos com ideia de futuro e partículas de
dúvida atenuam o fato de que o falante A passará um tempo em casa, mas terá outros
compromissos e não vai ter muito tempo para estar com o amigo, ou seja, suaviza a força
ilocutiva do ato.
2.3.3.2- Santiago do Chile
Na conversa 3, entre duas falantes do sexo feminino, e na conversa 4, entre dois
falantes do sexo masculino, encontramos os seguintes recursos intensificadores e
atenuadores.
Tabela 13
Intensificadores – Conversa 3
Bien bueno (1)
Bien cariñoso (1)
Bien cortito (1)
Bien morenito (1)
Bien pobres (1)
Muchos problemas (1)
Mucho desorden (1)
Mucho gusto (1)
Muchos errores (1)
Hablabas mucho (1)
Mucha gente (1)
Ha progresado mucho (1)
Han cambiado mucho (2)
Falta mucho (2)
Tiene que ser mucho en plata chilena (1)
Han cambiado muchísimo (1)
Muy dice (2)
Muy caballero (1)
Muy buenos mozos (1)
Muy mormón (1)
Muy fina (1)
Muy educada (1)
Muy buena (1)
Tan bonito (1)
Tan espantoso (1)
Atenuadores – Conversa 3
“Después te voy a mandar explicar más
detalles en carta” (perífrasis de futuro /
verbo performativo)
“Yo le invitaría” (verbo condicional)
“parecía que estaba como molesto de que
le hablabas mucho de Eddie”
“si acaso le pagarían el pasaje de vuelta si
él se fuera más tarde porque él se quería
quedar unos tres meses más aquí” (verbo
condicional / subjuntivo)
“posiblemente podría ser una semana o
dos semanas o algo así quizás” (verbo
condicional)
“los pobres están tan así como cabizbajos
todo el tiempo”
“el niñito este es bien morenito” (formas
no diminutivo)
74
Tan espontáneo (1)
Tan intenso (1)
Tan lindo (1)
Montonal (1)
Re malo (1)
Tabela 13: Intensificadores, conversa 3, entre mulheres da variedade de Santiago do Chile.
Tabela 14
Intensificadores – Conversa 4
Chuta (4)
Chuta madre (1)
Mucha radiación (1)
Muy caro (1)
Puta madre (1)
Puta (2)
Carísimo (1)
Toda esa bosta (1)
Chitas (1)
Chiva (1)
Atenuadores – Conversa 4
“de una de una como se llama de un
consorcio de universidades que se formó en
el año noventa parece una cuestión así”
“al parecer parece que lo mandó a la jota”
“al parecer no no tengo idea realmente no
sé”
“estaba como vieja tecleando”
“tienen que registrarse parece que estos
gallos no se han registrado”
“porque estaba parece no sé qué le pasó
parece que estaba sin lentes no veía”
“ya te digo recibí otro también del de un
administrador parece que fue pero venía
en blanco con tres líneas en blanco”
“parece que sí no lo tengo aquí a mano”
“está re lejos parece que está para arriba
para La Reina”
“como se llama el primer disco parece que
está corrupto”
“texto de T X T y parece que todos están
con punto cómo se llama esta rayita de
subrayado y otras dos letras o sea que
parece que se substituyeron esos archivos
de alguna manera”
“voy a ver si ahora puedo” (verbo
performativo)
“ahí te estaba explicando queee de los
discos de la agenda que te digo yo
electrónica del playboy”
No creo que (2)
Miento
¿Cómo me dijo?
Tabela 14: Intensificadores, conversa 4, entre homens da variedade de Santiago do Chile.
Observamos um uso recorrente do intensificador “bien” e “tan”, diante de
substantivos e adjetivos na conversa 3, feminina. Já na conversa masculina, verificamos o
75
uso do intensificador “chuta”, que pode ser usado tanto isolado como diante de um
substantivo (versão atenuada de “chucha”, genitália feminina, ou “puta”).
Com relação aos atenuadores, verificamos que são usados para atenuar a força
ilocutiva do ato de fala, bem como reafirmas que o falante não tem certeza de algo.
Sinalizamos, na conversa masculina, o uso recorrente do atenuador “al parecer”/ “parece
que”, usado para indiciar que o falante não é testemunha da informação transmitida e que a
adquiriu por outras fontes. O diminutivo também aparece como atenuador ao atenuar um
pedido, como no exemplo 7, abaixo.
(7) [A e B conversam sobre a instalação de um arquivo no computador]
248
A: ya o si no échale una mirada o que le dé una mirada el guatón porque el
249
mismo juego de discos se los dí al guatón al José Pacheco
250
B: y ¿tendrá computador?
251
A: parece que no tiene el gua- no sé si tendrá en la bega pero puedes decirle tú
252
que te los preste para echarle una miradita si es que los tuyos están malos no sé
253
po porque no creo que tenga en la casa (( )) así que pues eso nomás y les mandé
254
también otro paquetito de sorpresa para ustedes
[Conversa 4 – Homens – Santiago do Chile]
Confrontando o uso dos intensificadores em ambas as variedades, notamos como
formas comuns “muy” e “mucho”. Já, para os casos divergentes, observamos que o uso de
“re” foi mais frequente na variedade de Buenos Aires, ao passo que na variedade de
Santiago do Chile, obtivemos mais ocorrência de intensificadores e elencamos como mais
frequentes as formas “tan” e “bien”.
No que se refere ao uso dos atenuadores, observamos que em ambas as variedades
os falantes utilizam determinadas estratégias de atenuação, como os tempos verbais e os
verbos perfomativos, anunciando o que vão fazer, para assim, suavizar a força ilocutória do
ato.
2.3.4- Diminutivos
Uma das funções do afixo diminutivo de grau, segundo Loures (2000, apud
Gonçalves, 2007: 152), é expressar afetividade do falante, “podendo carrear aspectos
positivos ou negativos”, ou seja, os diminutivos, além da noção de diminuição, expressam
atitudes individuais e subjetivas dos próprios falantes.
76
2.3.4.1- Buenos Aires
Na conversa 1, entre duas falantes do sexo feminino, e na conversa 2, entre dois
falantes do sexo masculino, encontramos as seguintes formas de diminutivos.
Tabela 15
Diminutivos – Conversa 1
Hermanito (3)
Pobrecito(a) (2)
Tabela 15: Diminutivos, conversa 1, entre mulheres da variedade de Buenos Aires.
Tabela 16
Diminutivos – Conversa 2
Limpito (1)
Tabela 16: Diminutivos, conversa 2, entre homens da variedade de Buenos Aires.
Observamos que predomina o uso de diminutivo na conversa feminina (5 casos)
em comparação com a conversa masculina (apenas 1 caso). As formas encontradas,
“hermanito”, “probrecito” e “limpito”, são exemplos de formas lexicalizadas e/ou
formulaicas. Em outras palavras, a forma “hermanito” é convencionalmente usada em
referência à relação de parentesco (irmão) e a forma “pobrecito(a)” se usa de forma irônica,
como no exemplo (8) abaixo.
(8) [A e B conversam sobre os sonhos de A]
72
A: mirá vos qué bueno yo me sentí re culpable cuando me desperté re mal me
73
sentí [risas]
74
B: [risas] pobrecita
[Conversa 1 – Mulheres – Buenos Aires]
Nota-se neste exemplo que a falante B não acredita que a falante A é, de fato, uma
pobrezinha, sendo um uso já formulaico com atitude irônica. O mesmo vale para a forma
“limpito” (“porque voló un edificio completo así limpito”) que já se encontra lexicalizado.
77
2.3.4.2- Santiago do Chile
Na conversa 3, entre duas falantes do sexo feminino, e na conversa 4, entre dois
falantes do sexo masculino, encontramos as seguintes formas de diminutivos.
Tabela 17
Diminutivos – Conversa 3
Chiquillo(s) (9)
Hermanitos (3)
Niñitos (2)
Chiquito (1)
Negrito (1)
Cortito (1)
Autito (1)
Viajecito (1)
Raulito (1)
Morenito (1)
Calladito (1)
Guaguita (1)
Librito (1)
Cosita (1)
Tabela 17: Diminutivos, conversa 3, entre mulheres da variedade de Santiago do Chile.
Tabela 18
Diminutivos – Conversa 4
Fotita (1)
Libreta (1)
Miradita (1)
Paquetito (1)
Rayita (1)
Tabela 18: Diminutivos, conversa 4, entre homens da variedade de Santiago do Chile.
Assim como na variedade de Buenos Aires, também observamos na variedade de
Santiago do Chile, o uso mais frequente das formas de diminutivos pelos sujeitos do sexo
feminino do que pelos sujeitos do sexo masculino. No caso das mulheres, o uso
predominante é em situações de maior afetividade, em especial para falar de crianças, como
em “ese chiquillo es un chiquillo encantador”. Vale destacar que a forma “chiquillo” já está
lexicalizada, bem como a forma “libreta”, que aparece na conversa masculina.
Analisando os usos na conversa masculina, observamos que os falantes preferem a
forma de diminutivo ao falar sobre algo relacionado à família (“les mande también otro
78
paquetito de sorpresa para ustedes” e “y para que me manden alguna fotita”) ou para
representar signos informáticos, como em “cómo se llama esta rayita de subrayado”.
Confrontando o uso de diminutivo nas duas variedades, constatamos ser mais
produtivo na variedade de Santiago do Chile, em especial quando se refere a crianças.
2.4- A estrutura conversacional
Kerbrat-Orecchioni (2006: 11) compara a regulamentação do funcionamento
conversacional ao funcionamento do trânsito. Segundo a autora, em um cruzamento de
ruas, por exemplo, cada motorista “deve, não ‘falar em seu turno’, mas ‘passar na sua vez’,
sendo obrigado tanto a ceder o lugar, quanto a se apossar dele”. O desenvolvimento de
uma conversação é regido por princípios e regras de alternância de turnos, que serão
discutidos a seguir, no item 2.4.1. Em continuação, em 2.4.2, apresentamos,
conclusivamente, a estrutura conversacional de uma conversa telefônica, uma vez que
nosso corpus é constituído por este tipo de conversação.
2.4.1- Os turnos de fala
Como já mencionamos anteriormente, uma conversação se apresenta como uma
sucessão de turnos de fala, em que cada participante possui seus deveres e seus direitos. A
alternância de turno é uma troca mínima entre um par adjacente de pergunta-resposta,
pedido-recusa/aceitação, etc. Os analistas da conversação sugerem que a organização da
conversação se estrutura em uma sequência ABABAB, isto é A fala e para; B começa, fala e
para e assim sucessivamente (KERBRAT-ORECCHIONI, 2006; LENVINSON, 2007),
sendo mínimo o espaço entre uma troca e outra, caso contrário, produz-se um gap,
intervalos de silêncio que separam os turnos.
Há também um Lugar de Relevância da Transição (doravante, LRT), no qual os
falantes poderão mudar o turno. O falante que detém o turno sinaliza, através de marcas
verbais (perguntas, morfemas conclusivos ou fáticos), caracteríticas prosódicas (curva
entonacional marcada por vales ou alongamentos; redução da velocidade de fala ou pausa)
e marcas visuais e/ou gestuais ou lexicais, como as repetições, que o falante seguinte pode
pegar o turno para si. Vale mencionar que tais marcas são culturalmente variáveis.
Embora a regra conversacional exprima que um único falante deve falar por vez,
não raro encontramos, em conversações coloquiais, casos de sobreposição de fala (overlap),
79
ou seja, apropriações indevidas e momentâneas do turno de fala que ocupam o lugar do
outro falante, mesmo que não o usurpe (BRIZ, 1998). A sobreposição nem sempre
significa que o falante que se sobrepõe queira tomar o turno para si, pois pode
corresponder a uma tentativa de colaborar, de mostrar acordo ou de manifestar interesse
com o que se diz.
2.4.2- A conversa telefônica
A conversa telefônica possui uma organização geral bastante reconhecível. Tal tipo
de conversação apresenta uma seção de abertura, ou seja, quando o telefone toca, o
receptor fala em resposta ao som do telefone. Temos assim, um par adjacente: o toque do
telefone-resposta do receptor (LENVINSON, 2007; COUPER-KUHLEN, 2013). As
seções de abertura podem apresentar também a identificação da pessoa que telefona, caso o
receptor não a reconheça pela voz e cumprimentos do tipo “como você está?”, como bem
sintetiza Lenvinson (2007: 397):
As organizações sobrepostas aqui são, portanto, as seguintes: (a) as conversas
telefônicas (e outras relacionadas) começam com pares de chamado e resposta;
(b) saudações recíprocas são relevantes logo no início das chamadas; (c)
também logo no início das chamadas, o reconhecimento (ou identificação) é
uma preocupação primordial.
No entanto, as conversas do nosso corpus apresentam uma estrutura de seção de
abertura diferente das conversas telefônicas em geral. Isso se deve ao fato de que nossas
conversas pertençam a um projeto5 em que o receptor já sabe quem é a pessoa que liga.
Observamos, no exemplo (9), a presença de um par adjacente de saudação (hola – buen día)
e, em seguida, o falante A já apresenta alguma informação sobre o funcionamento do
projeto, na linha 3.
(9) [Seção de abertura]
1
A: hola
2
B: buen día
3
A: es que me dijeron si porque te dan sesenta segundos para colgar
[Conversa 1 – Mulheres – Buenos Aires]
5
Descreveremos este projeto no capítulo 3, desta dissertação.
80
Em outro exemplo de conversa do nosso corpus, verificamos que não há nenhuma
marca de chamado-resposta ou cumprimentos recíprocos.
(10) [Seção de abertura]
255
A: ahora tengo que decir yo que doy permiso para que esta llamada sea grabada
256
tú también tienes que decir lo mismo
257
B: doy permiso para que esta llamada sea grabada
258
A: ya ahora empezamos
259
A: eh recibí tu mensaje ayer ¿te dieron (( ))?
[Conversa 4 – Homens – Santiago do Chile]
O falante A anuncia que permite a gravação da conversa telefônica, assim como o
falante B e já começam a conversar. Esta parte que sucede a seção de abertura é
denominada corpo (COUPER-KUHLEN, 2013): o falante apresenta a razão do chamado
e o primeiro tópico, que pode ser único ou seguido por outros tópicos.
Por fim, a última parte da organização de uma conversa telefônica é a seção de
fechamento. Para Lenvinson (2007:403) esta parte constitui um problema “delicado” para
os participantes em dois sentidos. O primeiro é considerado um problema técnico, pois
tem que estar claro que os falantes já disseram tudo o que precisavam dizer. E o segundo se
encontra no nível social, uma vez que, se for um fechamento rápido demais ou, por outro
lado, lento demais, pode acarretar inferências que não são bem vindas sobre a relação social
dos participantes.
A fim de evitar tais problemas, há alguns mecanismos para encerrar uma conversa
telefônica: (i) um tópico de fechamento implicativo, com envio de lembrança a outros
membros da família, por exemplo; (ii) pares de turnos de passagem com itens de préfechamento, como “ok” ou “certo” e finalmente, (iii) uma troca de elementos terminais
(tchau).
Como na seção de abertura, em que a estrutura não corresponde às aberturas gerais
de conversas telefônicas, em nossas conversas não há seções de fechamento, uma vez que a
gravação é interrompida após 15 minutos e os falantes não controlam este tempo.
Em síntese, tanto a alternância de turnos quanto a estrutura de uma conversa
telefônica caracterizam a atividade conversacional que é distinta de uma conversação.
Lenvinson (2007) distingue estas duas unidades, argumentando que outros discursos orais
81
possuem características conversacionais, mas não são conversações, como o interrogatório
em tribunais (em que há alternância de turnos pré-determinada).
Reafirmamos, portanto, o que apresentamos na seção 2.2 deste capítulo: o traço
que distingue a conversação de outros discursos orais é a alternância de turnos não
negociada de forma prévia.
2.5- Resumindo
 Definimos neste capítulo 2, quatro conceitos: (i) coloquial, que se relaciona ao registro
situacional; (ii) oral, produção e recepção pelo canal fônico; (iii) espontâneo, que se
relaciona ao grau de planejamento da informação e (iv) conversacional, caracterizado
por ser oral, dialogal, imediato, dinâmico, cooperativo e mudança de turno não prédeterminada. Conceituamos, dessa forma, a conversação coloquial, uma modalidade
conversacional com marcas de situacional (coloquial). Observamos também que a
conversação coloquial pode apresentar marcas de espontâneo.
 Analisamos nossas quatro conversas a fim de verificar as partículas discursivas, formas
de tratamento, intensificadores, atenuadores e diminutivos característicos de cada
variedade aqui apresentada.
 Com relação às partículas discursivas, observamos que, em ambas as variedades, é
frequente o uso do marcador “y” tanto em posição inicial quanto em posição medial.
Em posição final, notamos que as partículas “¿me entendés?” e “¿no?” são as mais
frequentes na variedade de Buenos Aires enquanto que, para a variedade de Santiago do
Chile, observamos um uso frequente de “¿ah?”, “pues” e “ya”.
 Com relação às formas de tratamento, observamos em nossas conversas da variedade
de Buenos Aires, um uso frequente da forma verbal e pronominal de voseo. Já para a
variedade de Santiago do Chile, destacamos que entre as mulheres há um uso frequente
de formas verbais e pronominais tuteantes ao passo que entre os homens, há uma
preferência pelas formas verbais de voseo e formas pronominais de tuteo.
 Com relação aos intensificadores, ao confrontar o uso dos intensificadores em ambas
as variedades, notamos como formas comuns “muy” e “mucho”. Já, para os casos
divergentes, observamos que o uso de “re” foi mais frequente na variedade de Buenos
Aires, ao passo que na variedade de Santiago do Chile, elencamos como mais frequentes
as formas “tan” e “bien”.
82
 No que se refere ao uso dos atenuadores, observamos que em ambas as variedades os
falantes utilizam determinadas estratégias de atenuação, como os tempos verbais e os
verbos perfomativos, anunciando o que vão fazer, para assim, suavizar a força ilocutória
do ato.
 Com relação aos diminutivos, ao confrontar o uso de diminutivo nas duas variedades,
constatamos ser mais produtivo na variedade de Santiago do Chile, em especial quando
se refere a crianças.
 Finalmente, destacamos a estrutura de uma conversação a partir da sucessão de turnos
de fala e, em especial, a estrutura organizacional de uma conversa telefônica, já que o
corpus desta pesquisa se constitui por conversas deste tipo.
 No próximo capítulo, descrevemos a metodologia utilizada para a análise dos nossos
dados.
83
3
METODOLOGIA
Como este trabalho tem como objetivo analisar prosódica e pragmaticamente a
entoação de enunciados interrogativos totais realizados em conversas telefônicas coloquiais
por falantes de espanhol de Buenos Aires e de Santiago do Chile, cabe refletir sobre os
métodos que utilizamos para a análise de ditos enunciados. Nesse sentido, descreveremos,
neste capítulo, as etapas de coleta do corpus, os programas computacionais utilizados bem
como os critérios de análise.
3.1- O Corpus
Nesta seção, apresentaremos os critérios para a escolha das gravações telefônicas e
os critérios de transcrição ortográfica das gravações bem como uma descrição das
conversas telefônicas utilizadas em nossas análises.
3.1.1- Escolha das gravações
Para coletar os dados desta pesquisa, utilizamos o corpus FISCHER6. Este material é
composto por setenta e nove gravações de conversas telefônicas, realizadas por ligações de
longa distância desde os Estados Unidos, da década de 1990, entre pessoas que se
conhecem (amigos, familiares, etc.). Um dos falantes está nos Estados Unidos em função
dos estudos e seu interlocutor continua em seu país de origem.
Em meados da década de 1990, ainda sem Internet, proliferaram este tipo de coleta
de dados. O projeto, que resultou no corpus FISCHER, disponibilizou aos estudantes
residentes nos Estados Unidos quinze minutos de ligação telefônica internacional gratuita
em troca da permissão de que tais conversas fossem gravadas e, posteriormente,
comercializadas para estudos linguísticos.
Em um primeiro momento, escutamos todas as setenta e nove gravações a fim de
identificar a origem dos falantes (conferir anexo 1). Para tal, nos baseamos em (i) critérios
sintáticos, como uso de algum tipo de voseo a partir da morfologia verbal; (ii) critérios
fonéticos tais como: aspiração do fonema /s/, realização palatalizada do fonema /t/ e
O corpus FISCHER é vinculado ao Projeto The Intonation of Spanish Interrogatives: Dialectal and Pragmatic
Variation da Simon Fraser University, Vancouver, Canadá, coordenado por Nancy Hedberg.
6
84
fonológicos, como o tipo de yeísmo; (iii) critérios lexicais referidos durante a conversa,
como o nome dos países, de cidades e moedas e (iv) formas de tratamento pronominais.
Evidentemente, não foi possível identificar a origem dos falantes de todas as
gravações. Em vista disso, optamos por trabalhar com aquelas em que estivesse definida a
origem dos informantes. Portanto, desse total de setenta e nove gravações, selecionamos
quatro para constituir o corpus da nossa pesquisa, sendo duas gravações entre falantes de
espanhol da variedade argentina de Buenos Aires e duas, da variedade chilena de Santiago
do Chile. A escolha por essas duas variedades de espanhol constitui uma complementação
aos trabalhos realizados por Figueiredo (2011) e Pinho (2013), no âmbito do projeto em
que esta dissertação se insere.
3.1.2- As conversas telefônicas
Como mencionado anteriormente, selecionamos quatro gravações de conversas
telefônicas7 para constituir o corpus de nossa pesquisa. Cada gravação foi etiquetada
numericamente, a fim de facilitar nossa análise, a saber: (i) conversa 1, entre duas
informantes do sexo feminino, da variedade de Buenos Aires; (ii) conversa 2, entre dois
informantes do sexo masculino, da variedade de Buenos Aires; (iii) conversa 3, entre duas
informantes do sexo feminino, da variedade de Santiago do Chile e (iv) conversa 4, entre
dois informantes do sexo masculino, da variedade de Santiago do Chile.
Nas quatro gravações telefônicas, encontramos setenta e oito enunciados
interrogativos totais, sendo 39 enunciados para a variedade de Buenos Aires e mais 39 para
a variedade de Santiago do Chile, conforme ilustrado no esquema 1, abaixo.
7
As transcrições ortográficas das conversas telefônicas podem ser encontradas no anexo 4, desta dissertação.
85
Esquema 1
39 variedade de
Buenos Aires
78 enunciados
interrogativos
totais
4 conversas
telefônicas
39 variedade de
Santiago do Chile
26 proferidos
pelos informantes
do sexo feminino
13 proferidos
pelos informantes
do sexo masculino
15 proferidos
pelos informantes
do sexo feminino
24 proferidos
pelos informantes
do sexo masculino
Esquema 1: Quantitativo de enunciados interrogativos totais do corpus.
Cabe salientar que o número de enunciados interrogativos totais em cada variedade
foi o mesmo: 39 para cada uma das variedades aqui estudadas. A coincidência numérica do
total de enunciados encontrados na variedade de Buenos Aires e na variedade de Santiago
do Chile não deixa de ser surpreendente e deixa margem para que imaginemos que, no
mesmo tipo de conversa, com o mesmo tipo de duração, as “porções interrogativas” das
conversas poderiam ter a mesma frequência de distribuição.
Os enunciados foram etiquetados em função da modalidade, com a sigla “int”; da
variedade lingüística, “a” para Buenos Aires e “c” para Santiago do Chile e, em função do
sexo do informante, sendo “f” para feminino e “m” para masculino. Assim, um enunciado
com rótulo “intcm1” indica um enunciado interrogativo total, produzido pelo informante
masculino da variedade de Santiago do Chile.
3.1.2.1- Conversa 1
A Conversa 1 ocorre entre duas informantes do sexo feminino da variedade de
Buenos Aires. São duas amigas que conversam sobre diferentes temas: estudos, amigos em
comum, familiares, festas, etc. Verificamos nesta gravação a ocorrência de 26 enunciados
interrogativos totais: 11 proferidos pelo informante 1 e 15, pelo informante 28.
Ressaltamos que o informante 1 é sempre o que liga, isto é, o falante que está nos Estados Unidos. E, o
informante 2 é o que recebe a chamada, portanto o que está no país de origem.
8
86
3.1.2.2- Conversa 2
A Conversa 2 ocorre entre dois informantes do sexo masculino da variedade de
Buenos Aires. São dois rapazes que conversam sobre os seguintes temas: estudos de pósgraduação, trabalho, família, as cidades onde vivem, etc. Verificamos nesta gravação a
ocorrência de 13 enunciados interrogativos totais: 5 proferidos pelo informante 1 e 9, pelo
informante 2.
3.1.2.3- Conversa 3
A Conversa 3 ocorre entre duas informantes do sexo feminino da variedade de
Santiago do Chile. São duas amigas que conversam sobre diferentes temas: estudos, amigos
em comum, familiares, festas, etc. Verificamos nesta gravação a ocorrência de 15
enunciados interrogativos totais: 2 proferidos pelo informante 1 e, 13 pelo informante 2.
3.1.2.4- Conversa 4
A Conversa 4 ocorre entre dois informantes do sexo masculino da variedade de
Santiago do Chile. São dois rapazes que conversam sobre os seguintes temas: estudos de
pós-graduação, trabalho, família, as cidades onde vivem, etc. Verificamos nesta gravação a
ocorrência de 24 enunciados interrogativos totais: 18 proferidos pelo informante 1 e, 6 pelo
informante 2.
Nesta conversa, diferentemente das outras três anteriores, o informante 1 foi o que
mais perguntou. Acreditamos que essa diferença se encontre no tópico da conversa, uma
vez que o informante 1 tenta ajudar o informante 2 a solucionar seu problema com o
acesso à internet.
3.1.3- Critérios de transcrição ortográfica
Após escolhermos as quatro gravações que constituiriam o corpus, seguimos para a
primeira etapa de revisão. Dos quinze minutos de cada conversa, dez já estão transcritos
ortograficamente, por isso transcrevemos os cinco minutos restantes a fim de observar a
87
ocorrência de outros enunciados interrogativos totais 9. Vale mencionar que essa segunda
transcrição das quatro conversas telefônicas foi revisada por duas falantes de espanhol, a
primeira com idade de 45 anos, nascida em Montevidéu (Uruguai) e residente no Brasil
desde os 7 anos e a segunda com idade de 27 anos, nascida em Misiones (Argentina) e
residente no Brasil desde os 21 anos.
Na transcrição ortográfica das gravações optamos pela não utilização de sinais de
pontuação, com exceção do ponto de interrogação, ao início e fim de enunciados
interrogativos. Os interrogativos totais foram destacados em negrito. Utilizamos as letras
maiúsculas para nomes próprios; fonte itálica para as palavras do inglês; parêntesis duplo –
(( )) – para o não entendimento de alguma palavra e a sigla “[risas]” para sinalizar a risada
dos falantes.
Também optamos por registrar marcas de fala espontânea tais como: (i) repetições,
(ii) recomeços, (iii) supressão de sílabas e (iv) pausas sonoras. Na tabela 19 abaixo,
exemplificamos tais marcas.
Tabela 19
Marcas do discurso espontâneo
Repetições
Exemplos
A: capaz que no sé no sé bien a lo mejor
porque son chotas líneas nada más eso y no
te andaba comentando vos sabés que acá
hay hay un departamento que se llama
epidemiology que es básicamente estadística
aplicada a medicina
[Conversa 2]
Recomeços
B: pero me ac- pero me acuerdo que es lo
importante
[Conversa 2]
Supressão de sílabas
A: ah mi (her)manito re bien
[Conversa 1]
Pausas sonoras
B: que lástima eh pero es mejor que tomes
eso que no te de ese dolor tan espantoso
[Conversa 3]
Tabela 19: Exemplos de marcas de espontâneo.
Encontramos no total dos 20 minutos que não possuíam transcrição ortográfica (5 minutos para cada uma
das 4 gravações), mais 27 enunciados interrogativos totais, além dos 51 já transcritos: 8 enunciados na
conversa 1; 4, na conversa 2; 8, na conversa 3 e 7, na conversa 4.
9
88
Cabe mencionar que cada linha da transcrição ortográfica das gravações foi
numerada em ordem crescente.
3.2- Programas de Análise
Apresentaremos os dois programas computacionais utilizados para a análise dos
dados desta dissertação: Audacity e Praat.
3.2.1- Audacity
Audacity10 é um programa livre utilizado para a gravação e edição de som. Para o
trabalho desenvolvido nesta pesquisa, o programa nos permitiu separar os enunciados
interrogativos totais das demais partes das gravações.
Janela do Audacity
Figura 20: Exemplo de uma gravação do nosso corpus no programa Audacity.
Após a separação dos enunciados no Audacity, estes foram analisados
acusticamente no Praat.
É
possível
fazer
o
download
http://www.baixaki.com.br/download/audacity.htm.
10
do
programa
Audacity
no
endereço:
89
3.2.2- Praat
Praat11 é um programa de análise acústica desenvolvido por Paul Boersma e David
Weenink da Universidade de Amsterdam (1993-2013). Este software se programa a partir de
scripts que permitem adequá-lo às mais diferentes pesquisas na área de Ciências da Fala.
Especificamente para a nossa investigação, este programa permitiu analisar o
contorno e valores de F0 e de duração, bem como segmentar manualmente cada enunciado
em três níveis: segmentação das vogais, segmentação das sílabas e notação fonológica das
sílabas do pré-núcleo e do núcleo, como ilustrado na figura 2.
Janela do Praat
Figura 21: Exemplo de um enunciado do nosso corpus no programa Praat.
Ao observar nossos enunciados, constatamos que algumas curvas melódicas, como
a exemplificada no exemplo da figura 2, acima, apresentavam algumas perturbações não
pertinentes em função de fatores fonéticos, microprosódicos ou externos. Como solução a
este problema, suavizamos12 os contornos melódicos para sua melhor visualização, como
ilustra a figura 3.
É possível fazer o download do programa Praat no endereço: http://www.fon.hum.uva.nl/praat/.
Para suavizar uma curva melódica no Praat é necessário selecionar o arquivo de som, clicar em analyse
periodicity e em to pitch (ac). Será criado um arquivo de pitch que deverá ser selecionado. Feita a seleção, clicar
em convert e em smooth. Será criado um novo arquivo de pitch. Para obter a curva selecionar o novo arquivo de
pitch e o text grid e clicar em draw e draw separately (logarithmic). (SÁ, 2013).
11
12
90
¿Hablaban en código?
450
400
300
Pitch (Hz)
200
100
30
a
ha
a
bla
L+>H*
a
ban
e
o
en
co
i
di
o
go
L+¡H*
HL%
¿hablaban en código?
0
1.292
Time (s)
Figura 22: Exemplo de contorno melódico suavizado.
A seguir, apresentamos os critérios utilizados para a análise dos dados.
3.3- Critérios de Análise
Para a realização deste estudo, levamos em consideração dois tipos de análise: uma
análise do ponto de vista acústico e outra, do ponto de vista pragmático. A seguir,
apresentamos, detalhadamente, essas duas etapas de análise.
3.3.1- Análise Acústica
Do ponto de vista fonético, analisamos o comportamento da frequência
fundamental e da duração no pré-núcleo e no núcleo dos enunciados interrogativos totais.
Cabe lembrar que consideramos como pré-núcleo o vocábulo que contém a primeira sílaba
tônica do enunciado e como núcleo, o vocábulo que contém a última sílaba tônica do
enunciado.
Calculamos os valores de frequência fundamental, em hertz, a partir do ponto mais
alto de intensidade das sílabas tônicas do pré-núcleo e do núcleo e suas respectivas sílabas
adjacentes, pretônica e pós-tônica. Para o cálculo da duração, em milissegundos,
consideramos o valor total das sílabas pretônicas, tônicas e pós-tônicas dos enunciados.
91
Do ponto de vista fonológico, recorremos à versão do modelo Sp_ToBI, Spanish
Tones and Break Indices (ESTEBAS-VILAPLANA & PRIETO, 2008; AGUILAR et alii,
2009), apresentada no capítulo 1, que constitui uma nova proposta de etiquetagem
prosódica da língua espanhola capaz de representar os contrastes entonacionais
encontrados em cada variedade.
Objetivamos, através dessa análise fonológica, elaborar uma lista de representações
para os enunciados interrogativos totais proferidos por nossos informantes de Buenos
Aires e Santiago do Chile.
A partir dos resultados de nosso estudo descritivo, esperamos corroborar ou não os
resultados encontrados por Sosa (1999), Gabriel et alii (2010) e Figueiredo (2011) para a
variedade de Buenos Aires e Ortiz et alii (2010) para a variedade de Santiago do Chile.
3.3.2- Análise Pragmática
Consideramos em nossa pesquisa o modelo de classificação adotado por Hedberg et
alii (2010). Este modelo foi proposto com o objetivo de investigar a correlação entre a
forma prosódica e a função pragmática de enunciados interrogativos parciais, do inglês. A
questão de pesquisa de tais autores parte do trabalho de Halliday (1994), uma vez que este
sugere que o contorno melódico das interrogativas parciais do inglês é descendente. No
entanto, sabe-se que nem todos os contornos melódicos desse tipo de enunciado se
apresentam em queda. Nesse sentido, Hedberg et alii (2010) buscam verificar se o contexto
influencia na escolha do contorno entonacional.
Para isso, definem-se cinco dimensões binárias que são relevantes para a
caracterização de cada categoria pragmática, a saber: (i) busca de informação, se a
pergunta é utilizada para solicitar uma informação a fim de preencher uma lacuna
informativa do interrogador; (ii) mudança de piso conversacional, se a pergunta é
utilizada para passar o direito de falar ao outro, sem mudar o falante que detém o turno da
conversa; (iii) mudança de tópico, se a pergunta é utilizada para mudar o tópico da
conversa; (iv) interrupção, se a pergunta interrompe o curso do discurso, sobrepondo-se a
um enunciado ainda não terminado e (v) conteúdo proposicional está na gravação, se a
pergunta apresentar uma proposição mencionada anteriormente na gravação em forma de
resposta.
A partir dessas cinco dimensões, definem-se as nove categorias pragmáticas,
identificadas minimamente para que fossem diferentes uma das outras categorias em pelo
92
menos uma das cinco dimensões, conforme a tabela 20, abaixo. Cada dimensão recebe um
valor “+”, caso a interrogativa satisfaça este critério ou um sinal “-”, caso seja o contrário,
conforme tabela abaixo em que a dimensão cuja sigla é “IS” significa busca de informação;
“FP”, mudança de piso conversacional; “TC”, mudança de tópico; “INT”, interrupção e a
sigla “IR” significa conteúdo já mencionado na conversa.
Categorias Pragmáticas
Categorias Pragmáticas
Dimensão Pragmática
IS FP TC INT IR
Detalhe de Elaboração
+
Mudança de Turno
+
+
±
Diretor do Fluxo de Informação
+
+
Pergunta Retórica
±
±
±
±
Informação Suplementar
+
+
Iniciador de Tópico
+
±
+
Pergunta Recíproca
+
+
Pergunta Esclarecedora
+
±
+
Retomada de Tópico
+
±
+
+
Tabela 20: Categorias Pragmáticas (Adaptada de Hedberg et alii, 2010.)
As nove categorias de classificação propostas por Hedberg et alii (2010) são:
(i) detalhe de elaboração – engloba os enunciados interrogativos que visam uma
elaboração sobre o tópico atual da conversa. São perguntas que buscam uma informação
(IS+) sem mudar o piso converacional (FP-), nem o tópico (TC-). Tampouco há
interrupção do falante que possui o turno de fala (INT-) nem conteúdo proposicional na
gravação (IR-).
(ii) mudança de turno – as perguntas são usadas como estratégia para passar o turno ao
outro falante. São perguntas que buscam uma informação (IS+) ao passar o piso
conversacional ao outro falante (FP+), podendo ou não mudar o tópico da conversa
(TC±). Nesta categoria, não há interrupção do falante que possui o turno de fala (INT-)
nem conteúdo proposicional na gravação (IR-).
(iii) diretor do fluxo de informação – perguntas usadas pelo ouvinte como uma estratégia
de controlar o tema da conversa, pois o direciona. São perguntas que buscam uma
informação (IS+), ao mudar o tópico da conversa (TC+). Nesta categoria não se passa o
piso conversacional (FP-), não há interrupção do falante que possui o turno de fala (INT-)
nem conteúdo proposicional na gravação (IR-).
93
(iv) pergunta retórica – são perguntas que não buscam uma informação (IS-), pois o
falante as faz para si mesmo. Do ponto de vista atitudinal (MORAES, 2008b;
FIGUEIREDO, 2011; SÁ, inédito), consideramos uma pergunta como retórica quando o
falante tem certeza da negatividade do conteúdo proposicional.
(v) informação suplementar – engloba as perguntas que indagam sobre alguma
informação relevante ao tópico corrente. São perguntas que buscam uma informação (IS+)
sem mudar o piso conversacional (FP-), nem o tópico (TC-), nem há conteúdo
proposicional na gravação (IR-). Diferencia-se da categoria de detalhe de elaboração por
haver interrupção do falante que possui o turno de fala (INT+).
(vi) iniciador de tópico – perguntas que objetivam iniciar um novo tópico. São perguntas
que buscam uma informação (IS+), ao mudar o tópico da conversa (TC+), podendo ou
não mudar o turno (FP±), nem interrupção do falante que possui o turno de fala (INT-)
nem conteúdo proposicional na gravação (IR-).
(vii) pergunta recíproca – perguntas que o falante faz para o ouvinte assim que o falante
acaba de responder a mesma pergunta. São perguntas que buscam uma informação (IS+)
ao passar o piso conversacional ao outro falante (FP+), mas sem mudar o tópico da
conversa (TC-). Nesta categoria, não há interrupção do falante que possui o turno de fala
(INT-) nem conteúdo proposicional na gravação (IR-).
(viii) pergunta esclarecedora – perguntas que funcionam como um pedido de repetição
de uma informação já dada anteriormente. São perguntas que buscam uma informação
(IS+) sem mudar o turno (FP-), nem o tópico (TC-). No entanto, há conteúdo
proposicional na gravação (IR+).
(ix) retomada de tópico – perguntas que mudam o tópico da conversa ao retomar um
antigo tópico. São perguntas que buscam uma informação (IS+) podendo ou não mudar o
turno (FP±). Nesta categoria, há conteúdo proposicional na gravação (IR+) e mudança de
tópico (TC+).
3.4- Resumindo
 Neste capítulo, relatamos como foram coletados os 78 enunciados interrogativos
totais analisados para esta dissertação. Cabe lembrar que trabalhamos com 4 gravações
de conversas telefônicas coloquiais, sendo duas da variedade de Buenos Aires, nas quais
encontramos um total de 39 enunciados interrogativos totais e duas da variedade de
94
Santiago do Chile, nas quais também repertoriamos um total de 39 enunciados
interrogativos totais.
 Com os resultados deste estudo descritivo esperamos verificar, do ponto de vista
fonético, quais são os comportamentos dos parâmetros acústicos F0 e duração dos
enunciados interrogativos totais nas variedades argentina (Buenos Aires) e chilena
(Santiago do Chile).
 Do ponto de vista fonológico, objetivamos elaborar uma lista de representações para
os enunciados interrogativos totais proferidos por nossos informantes de Buenos Aires
e Santiago do Chile.
 E ainda, do ponto de vista pragmático, esperamos observar se há equivalência entre
forma prosódica e função pragmática, isto é, verificar se a função pragmática
desempenhada no discurso modifica ou não o contorno entonacional dos enunciados
interrogativos totais.
 Nos próximos capítulos, a partir da metodologia adotada, veremos os resultados obtidos
com o corpus analisado.
95
4
RESULTADOS E DISCUSSÕES:
ENUNCIADOS INTERROGATIVOS TOTAIS
– VARIEDADE DE BUENOS AIRES
Como exposto anteriormente, esta dissertação pretende descrever a entoação a
partir da análise prosódica e pragmática de enunciados interrogativos totais realizados em
conversas telefônicas coloquiais, do ano de 1995, por falantes de espanhol de Buenos Aires
e Santiago do Chile.
Neste capítulo, apresentaremos os resultados obtidos a partir da análise dos
contornos entonacionais dos enunciados interrogativos totais da variedade de Buenos
Aires. Em um primeiro momento, se discutirá a análise fonética, considerando os valores
de frequência fundamental (F0) e duração do pré-núcleo – primeiro vocábulo tônico –
e do núcleo – último vocábulo tônico. Posteriormente, uma análise e discussão, baseada
no modelo de classificação pragmático proposto por Hedberg et alii (2010) aliado à análise
fonológica, isto é, uma classificação tonal segundo a proposta do SP_ToBI (ESTEBASVILAPLANA & PRIETO, 2008).
Foram analisados 39 enunciados interrogativos totais da variedade de Buenos Aires,
sendo 26 enunciados proferidos pelos dois falantes do sexo feminino, da Conversa 1 e 13,
pelos dois falantes do sexo masculino, da Conversa 2. A seguir, transcrevemos estes 39
enunciados e sublinhamos o pré-núcleo e o núcleo.
 39 enunciados interrogativos totais repertoriados nas duas conversas da variedade de
Buenos Aires
FEMININOS
1- ¿Con tus amigos todo bien?
2- ¿Con tus amigos todo bien?
3- ¿Y con tu hermanito?
4- ¿Y con tu hermanito?
5- ¿Sabés13 qué soñé?
Os vocábulos destacados em negrito se referem a marcadores conversacionais ou formas de tratamento
coloquiais característicos da variedade de Buenos Aires.
13
96
6- ¿Se van a ver?
7- ¿Le preguntaste a tu hermano de Manuel?
8- ¿Lo sabías?
9- Ah ¿hablaban en código?
10- ¿Hablaban en código?
11- ¿Sabías que hablando de Román está todo mal en la casa de él?
12- ¿Se separaron?
13- ¿Lo ves seguido?
14- ¿Ella está mal?
15- ¿Ella está mal?
16- ¿Alguien que esté también tan cerca?
17- ¿Te sentís responsable?
18- ¿Te dijo algo por el viaje?
19- ¿Te lo bancás?
20- ¿Esa es la que vos le tenías cagazo?
21- ¿Buena onda?
22- ¿ Buena onda?
23- ¿Está allá ahora?
24- ¿Se quedó a vivir?
25- ¿Y que el padre se volvió?
26- ¿Estará arrepentido Román?
MASCULINOS
1- ¿Venís para las fiestas?
2- Ah ¿estudia esto?
3- Che ¿estás en contacto acá con tu familia con alguien más?
4- ¿Es el código de Seattle?
5- ¿Es verdad que se empezaron a comprar cosas?
6- ¿En la casa de ella?
7- ¿Y esa casa es así como candidata?
8- ¿Vos vas a estar dando vueltas?
9- ¿Un mes?
10- ¿Dos de enero?
11- ¿Noticias del país hoy?
97
12- ¿Capaz que vas?
13- ¿Vos terminás ahora un año y ahí te dan un título?
4.1- Análise Fonética
Esta seção apresenta os resultados referentes à análise fonética, ou seja, à
implementação dos padrões prosódicos de F0 e duração dos enunciados interrogativos
totais da variedade de Buenos Aires.
4.1.1- Análise Fonética: Descrição da F0
Analisamos o comportamento da frequência fundamental (F0) no pré-núcleo e no
núcleo dos 39 enunciados interrogativos totais da variedade de Buenos Aires. Em primeiro
lugar, com relação ao comportamento da F0 no pré-núcleo, observamos algumas
divergências entre as variedades estudadas. Para a variedade de Buenos Aires, nota-se que
79% dos 33 enunciados interrogativos totais que possuem pré-núcleo, este contorno é
ascendente, com subida da sílaba tônica para a sílaba pós-tônica, conforme observado na
figura 23.
¿Con tus amigos todo bien?
450
299Hz
Pitch (Hz)
264Hz
gos
mi
con
tus
bien
todo
a
75
0
1.423
Time (s)
Figura 23: Comportamento da F0 no pré-núcleo de enunciados interrogativos totais da variedade de
Buenos Aires. Subida de 35Hz da sílaba tônica para a sílaba pós-tônica no pré-núcleo, neste enunciado,
produzido pela falante 2 do sexo feminino.
98
Posteriormente, analisamos a média de F0 no pré-núcleo, considerando as vogais
pretônicas, tônicas e pós-tônicas. Trabalhamos com a média de 14 vogais pretônicas, 21
vogais tônicas e 16 vogais pós-tônicas para os enunciados femininos e 8 vogais pretônicas,
12 vogais tônicas e 9 vogais pós-tônicas para os enunciados masculinos.
É possível observar algumas diferenças na implementação da F0 no pré-núcleo.
Analisando o gráfico 1, nota-se que os sujeitos do sexo feminino, realizam, em média, uma
subida da pretônica para a tônica e também da tônica para a pós-tônica. Diferentemente, os
sujeitos do sexo masculino realizam uma subida da pretônica para a tônica seguida de uma
pequena descida da tônica para a pós-tônica.
Média de F0 das vogais do pré-núcleo
Valores em Hz
250
200
150
100
200
140
231
207
155
153
Feminino
50
0
Masculino
Feminino
Masculino
Pretônica
140
200
Tônica
155
207
Pós-tônica
153
231
Gráfico 1: Variação de média de F0 (em Hz) do pré-núcleo dos enunciados interrogativos totais da
variedade de Buenos Aires.
Em síntese, a partir da análise dos dados, é possível destacar as seguintes
conclusões: em média, os sujeitos do sexo feminino implementam a F0 no pré-núcleo na
variedade de Buenos Aires com uma subida de 7Hz da pretônica para tônica, isto é +3%, e
uma nova subida de 24Hz da tônica para pós-tônica, +10%, sendo a vogal pós-tônica mais
proeminente. Com relação aos sujeitos do sexo masculino, estes implementam a F0 no prénúcleo, em média, com uma subida de 15Hz da pretônica para tônica, +10%, e uma
descida de 2Hz da tônica para pós-tônica, -1%.
Analisemos agora o comportamento da F0 no núcleo destes 39 enunciados.
Verifica-se, primeiramente, que há diferenças no comportamento da frequência
fundamental: dos 39 enunciados interrogativos totais, em 19 enunciados, o contorno é
circunflexo (figura 24); em 13 enunciados, o contorno é ascendente (figura 25) e em 7
enunciados, o contorno é descendente (figura 26).
99
¿Te dijo algo por el viaje?
350
215Hz
Pitch (Hz)
algo
te
dijo
174Hz
via
je
por el
203Hz
75
0
1.736
Time (s)
Figura 24: Comportamento circunflexo da F0 no núcleo de enunciados interrogativos totais da variedade
de Buenos Aires. Subida de 41Hz da pretônica para a tônica e descida de 12Hz tônica para a pós-tônica
no núcleo, neste enunciado produzido pela falante 1 do sexo feminino.
¿Le preguntaste a tu hermano de Manuel?
550
gun tas
Pitch (Hz)
le
te
287Hz
a
tu
her
181Hz
ma
de
pre
nuel
ma
no
75
0
1.814
Time (s)
Figura 25: Comportamento ascendente da F0 no núcleo de enunciados interrogativos totais da variedade
de Buenos Aires. Subida de 106Hz da pretônica para a tônica no núcleo, neste enunciado produzido pela
falante 2 do sexo feminino.
100
¿Buena onda?
350
226Hz
Pitch (Hz)
on
bue
na
181Hz
da
75
0
0.8479
Time (s)
Figura 26: Comportamento descendente da F0 no núcleo de enunciados interrogativos totais da variedade
de Buenos Aires. Descida de 85Hz da tônica para a pós-tônica no núcleo, neste enunciado produzido pela
falante 2 do sexo feminino.
Em um segundo momento, analisamos a média de F0 no núcleo, considerando as
vogais pretônicas, tônicas e pós-tônicas. Trabalhamos com a média de 24 vogais pretônicas,
26 vogais tônicas e 14 vogais pós-tônicas para os enunciados femininos e 9 vogais
pretônicas, 13 vogais tônicas e 11 vogais pós-tônicas para os enunciados masculinos. Para
calcular a média de F0 da vogal pós-tônica do núcleo, nos casos em que há mais de uma,
somamos todas e depois dividimos este valor pelo total de sílabas pós-tônicas, para assim
obtermos a F0 média.
É possível observar algumas diferenças na implementação da F0 no núcleo.
Analisando o gráfico 2, observa-se que os sujeitos do sexo feminino, realizam em média
uma subida da pretônica para a tônica e uma descida da tônica para a pós-tônica.
Diferentemente, os sujeitos do sexo masculino realizam uma subida da pretônica para a
tônica seguida de uma pequena subida da tônica para a pós-tônica.
101
Média de F0 das vogais do núcleo
Valores em Hz
250
238
200
150
100
183
219
160
158
117
Feminino
50
0
Masculino
Feminino
Masculino
Pretônica
117
183
Tônica
158
238
Pós-tônica
160
219
Gráfico 2: Variação de média de F0 (em Hz) do núcleo dos enunciados interrogativos totais da
variedade de Buenos Aires.
Em síntese, a partir da análise dos dados, observa-se que, em média, os sujeitos do
sexo feminino implementam a F0 no núcleo na variedade de Buenos Aires com uma subida
de 55Hz, ou seja de +23%, da pretônica para tônica seguida de uma descida de 21Hz, isto é
-10%, da sílaba tônica para a pós-tônica. Por outro lado, os sujeitos do sexo masculino
implementam a F0 no núcleo com uma subida de 41Hz, ou seja de +26%, da sílaba
pretônica para a tônica e uma pequena subida de 2Hz, ou seja de +2%, da sílaba tônica
para a pós-tônica.
Confrontando o comportamento da F0 no núcleo, verifica-se que, no caso dos
sujeitos do sexo feminino, a sílaba tônica é a mais saliente em relação às sílabas adjacentes.
No entanto, para os sujeitos do sexo masculino, há uma pequena subida da sílaba tônica
para a pós-tônica.
Portanto, na análise fonética, temos que na implementação da F0 no núcleo
dos 39 enunciados interrogativos totais da variedade de Buenos Aires, em 49% (19) dos
casos há uma subida e descida final da curva de F0 (núcleo circunflexo); em 33% (12), a F0
apresenta uma subida final (núcleo ascendente) e em 18% (8) há uma descida da sílaba
tônica para a sílaba pós-tônica (núcleo descendente)14.
Nossa hipótese inicial é a de que tal diferença de comportamento nesta variedade se
deva à função que a interrogativa total ocupa no discurso (função pragmática), que será
discutido na seção 4.2 deste capítulo.
Vejamos a seguir, como se implementa a duração das sílabas nestes enunciados.
12 dos 13 enunciados que apresentam núcleo ascendente possuem núcleo oxítono ou constituído por um
monossílabo tônico. Acreditamos que tenha havido truncamento do padrão esperado (circunflexo).
Confirmaremos tal hipótese na seção 4.2 e 4.3, deste capítulo.
14
102
4.1.2- Análise Fonética: Descrição da Duração
Analisamos o comportamento da duração das sílabas do pré-núcleo e do núcleo
dos 39 enunciados interrogativos totais da variedade de Buenos Aires. Em primeiro lugar,
com relação ao comportamento da duração no pré-núcleo dos enunciados interrogativos
totais da variedade de Buenos Aires, em 18 dos 33 enunciados interrogativos totais que
possuem pré-núcleo, a sílaba tônica apresenta maior duração.
¿Y esa casa es así como candidata?
350
157ms
300
125ms
Pitch (Hz)
200
100
50
oy quebueno y esa ca sa
oy, qué bueno!
es así
como
candidata
¿ y esa casa es así como candidata?
0
2.467
Time (s)
Figura 27: Comportamento da duração no pré-núcleo de enunciados interrogativos totais da variedade de
Buenos Aires. Redução de 32ms da sílaba tônica para a pós-tônica no pré-núcleo, neste enunciado
produzido pelo falante 1 do sexo masculino.
Em 9 dos 33 enunciados considerados para esta análise, a sílaba pós-tônica
apresenta maior duração que as sílabas adjacentes, conforme ilustrado na figura 28.
103
¿Te dijo algo por el viaje?
500
165ms
400
67ms
Pitch (Hz)
300
200
100
0
te
di
jo
al
go
por
el
via
je
te dijo algo por el viaje?
0
1.736
Time (s)
Figura 28: Comportamento da duração no pré-núcleo de enunciados interrogativos totais da variedade de
Buenos Aires. Aumento de 98ms da sílaba tônica para a pós-tônica no pré-núcleo, neste enunciado
produzido pelo falante 2 do sexo feminino.
Cabe mencionar que em outros seis enunciados dos 33 analisados, a sílaba
pretônica apresenta maior duração que às sílabas adjacentes
Em segundo lugar, analisamos a média de duração no pré-núcleo, considerando a
totalidade das sílabas pretônicas, tônicas e pós-tônicas. Trabalhamos com a média de 14
sílabas pretônicas, 20 tônicas e 15 pós-tônicas para os enunciados femininos e 9 sílabas
pretônicas, 13 tônicas e 10 pós-tônicas para os enunciados masculinos.
Analisando o gráfico 3, o qual ilustra a variação média da duração, em ms, nas
sílabas pretônicas, tônicas e pós-tônicas do pré-núcleo dos enunciados interrogativos totais
da variedade de Buenos Aires, nota-se que tanto os sujeitos do sexo feminino quanto os
sujeitos do sexo masculino apresentam, em média um alongamento na sílaba tônica.
104
Valores em ms
Média de duração das sílabas do pré-núcleo
100
Masculino
139
106
112
Feminino
117
0
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
20
40
60
80
Feminino
112
127
117
100
Pretônica
127
120
Tônica
140
160
Pós-tônica
Masculino
100
139
106
Gráfico 3: Variação média da duração (em ms) nas sílabas pretônicas, tônicas e pós-tônicas do pré-núcleo
dos enunciados interrogativos totais da variedade de Buenos Aires.
Em suma, analisando os dados de duração do pré-núcleo, observamos que, em
média, na variedade de Buenos Aires, os sujeitos do sexo feminino implementam a duração
com um alongamento de +12% da sílaba pretônica para a sílaba tônica (+15ms) e redução
de -8% da tônica para pós-tônica (-10ms). Nos sujeitos do sexo masculino há um
alongamento médio de +28% da pretônica para a sílaba tônica (+39ms) e redução média de
-23% da tônica para a sílaba pós-tônica (-33ms).
Vejamos agora o comportamento da duração no núcleo destes 39 enunciados.
Deste total analisado, em 24 o padrão acentual é paroxítono ou proparoxítono, portanto os
enunciados apresentam sílaba pós-tônica. Verificamos que em 83% destes 24 enunciados
há alongamento da sílaba pós-tônica em relação às demais, conforme ilustrado na figura 29.
105
¿Es el código de Seattle?
250
228ms
171ms
200
Pitch (Hz)
150
100
50
30
es el
código
de
sea
tle
¿Es el código de Seattle?
0
1.266
Time (s)
Figura 29: Comportamento da duração no núcleo de enunciados interrogativos totais da variedade de
Buenos Aires. Aumento de 57ms da sílaba tônica para a pós-tônica no núcleo, neste enunciado produzido
pelo falante 2 do sexo masculino.
Nos demais 15 enunciados, em que o padrão acentual do núcleo é oxítono ou
constituído por um monossílabo tônico, a sílaba tônica é a que apresenta maior duração em
100% dos casos, vide figura 30.
¿Sabés qué soñé?
650
335ms
Pitch (Hz)
159ms
75
sa
bes
que
so
ñe
sabes que soñé?
0
1.187
Time (s)
Figura 30: Comportamento da duração no núcleo de enunciados interrogativos totais da variedade de
Buenos Aires. Aumento de 176ms da sílaba pretônica para a tônica no núcleo, neste enunciado produzido
pelo falante 1 do sexo feminino.
106
Pode-se afirmar que as sílabas finais do núcleo, sejam elas oxítonas, paroxítonas ou
proparoxítonas, dos enunciados interrogativos totais da variedade de Buenos Aires
apresentam maior duração, o que poderia ser esperado considerando o alongamento final
(final lengthening).
Em um segundo momento, analisamos a média dos valores de duração no núcleo,
considerando as sílabas pretônicas, tônicas e pós-tônicas. Trabalhamos com a média de 24
sílabas pretônicas, 26 tônicas e 14 pós-tônicas para os enunciados femininos e 10 sílabas
pretônicas, 13 tônicas e 9 pós-tônicas para os enunciados masculinos.
Vale ressaltar que para o cálculo da média de duração da sílaba pós-tônica do
núcleo, nos casos em que há mais de uma, somamos todas e depois dividimos este valor
pelo total de sílabas pós-tônicas, para assim obtermos a média.
Observando o gráfico 4, confirmamos que tanto os sujeitos do sexo feminino
quanto os sujeitos do sexo masculino da variedade de Buenos Aires, apresentam, em
média, um alongamento da duração na sílaba pós-tônica.
Valores em ms
Média de duração das sílabas do núcleo
121
Masculino
132
Feminino
0
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
210
50
Feminino
132
233
253
100
150
255
233
200
250
Pretônica
253
Tônica
300
Pós-tônica
Masculino
121
210
255
Gráfico 4: Variação média da duração (em ms) nas sílabas pretônicas, tônicas e pós-tônicas do núcleo
dos enunciados interrogativos totais da variedade de Buenos Aires.
Em suma, analisando os dados de duração do núcleo, observamos que, na
variedade de Buenos Aires, os sujeitos do sexo feminino implementam a duração com um
alongamento de +40% da sílaba pretônica para a sílaba tônica (+97ms) e um novo
alongamento médio de +8% da tônica para pós-tônica (+20ms). Nos sujeitos do sexo
107
masculino há um alongamento médio de +43% da pretônica para a sílaba tônica (+89ms) e
um novo alongamento médio de +18% da tônica para a sílaba pós-tônica (+45ms).
Na próxima seção, apresentaremos a análise pragmática a partir do modelo de
classificação de Hedberg et alii (2010) e discutiremos as propostas de notação fonológica
para os enunciados interrogativos totais da variedade de Buenos Aires.
4.2- Análise Pragmática e Notação Fonológica das Curvas Entonacionais
Esta seção apresenta as análises e discussões referentes à análise pragmática e à
atribuição tonal. Do ponto de vista pragmático, categorizamos as perguntas segundo o
modelo de análise proposto por Hedberg et alii (2010) e atribuímos tons aos contornos prénucleares e nucleares de acordo com a proposta do Sp_ToBI (ESTEBAS-VILAPLANAS
& PRIETO, 2008).
Com relação à configuração pré-nuclear e nuclear das perguntas que funcionam
como pedido de informação, esperamos encontrar em nossas análises o mesmo padrão
proposto por Gabriel et alii (2010: 298), ou seja, pré-núcleo com acento bitonal ascendente
– L+H* – e núcleo circunflexo, com alinhamento do pico do contorno de F0 na sílaba
pós-tônica, L+¡H*HL%.
Como apresentado no terceiro capítulo desta dissertação, o modelo adotado por
Hedberg et alii (2010) prevê cinco dimensões pragmáticas de acordo com cada instância em
que se usam as interrogativas e nove categorias pragmáticas utilizadas para classificar a
função de cada pergunta no discurso. Segundo os autores, cada uma das nove categorias é
identificada minimamente para que seja diferente das outras categorias em pelo menos uma
das cinco dimensões.
Para a classificação dos 39 enunciados interrogativos totais da variedade de Buenos
Aires, utilizamos seis das nove categorias propostas por Hedberg et alii (2010).
Classificamos 12 perguntas como detalhe de elaboração; 10 perguntas como informação
suplementar; 6 perguntas como iniciador de tópico; 5 como pergunta esclarecedora; 5
perguntas como diretor do fluxo de informação; 1 pergunta como retórica.
Apresentamos, abaixo, as análises propostas detalhadamente.
108
4.2.1- Análise Pré-nuclear
Com relação ao pré-núcleo, Gabriel et alii (2010) propõem a notação ascendente
L+H*, para as interrogativas totais neutras (pedido de informação) para a variedade de
Buenos Aires. Um dos nossos objetivos é verificar se nossos dados confirmam o que já foi
proposto por Gabriel et alli (2010).
Observamos três diferentes tipos de acentos tonais para o pré-núcleo dos
enunciados interrogativos totais da variedade de Buenos Aires (25+6+2 ocorrências). O
padrão majoritário foi encontrado em 25 dos 33 enunciados15 (76%). Nestes casos, o prénúcleo apresentou contorno ascendente com pico deslocado à sílaba pós-tônica, com
notação fonológica L+>H*. Tal resultado difere do apresentado por Gabriel et alii (2010),
mas se assemelha a proposta de Figueiredo (2011) para as interrogativas neutras também da
variedade de Buenos Aires, vide figura 31.
¿Con tus amigos todo bien?
350
300
Pitch (Hz)
200
100
30
o
con
u
a
tus
a
i
mi
o
gos
o
o
todo
L+>H*
ie
bien
L+¡H*
HL%
con tus amigos todo bien?
0
1.423
Time (s)
Figura 31: Contorno melódico do enunciado “¿Con tus amigos todo bien?”, produzido pelo falante 2 do
sexo feminino.
Em outros 6 enunciados dos 33 analisados (18%), o pré-núcleo apresentou um
contorno baixo, com notação fonológica L* (figura 32).
15
Relembramos que 33 dos 39 enunciados analisados na variedade de Buenos Aires possuem pré-núcleo.
109
¿Alguien que esté también tan cerca?
450
400
300
Pitch (Hz)
200
100
30
a
ie
al
e
guien
e
que esté
a
ie
tam
bién
a
e
tan
a
cer
L*
ca
L*
L%
¿alguien que esté también tan cerca?
0
1.717
Time (s)
Figura 32: Contorno melódico do enunciado “¿Alguien que esté también tan cerca?”, produzido pelo
falante 1 do sexo feminino.
Ainda encontramos o padrão descendente H+L*, queda da curva de F0 na sílaba
tônica, em 2 enunciados (6%), como ilustrado na figura 33 e 34.
¿Venís para las fiestas?
350
300
Pitch (Hz)
200
100
50
e
i
venís
H+L*
a
a
pa’
las
ie
a
fiestas
L+H*
L%
¿venís para las fiestas?
0
1.292
Time (s)
Figura 33: Contorno melódico do enunciado “¿Venís para las fiestas?”, produzido pelo falante 2 do sexo
masculino.
110
¿Le preguntaste a tu hermano de Manuel?
Pitch (Hz)
550
10
e
le
e
u a
ea
pre gun tas
ue
a
te a tu her ma
o
no
de
a
ue
ma
nuel
H+L*
L+¡H*
HL
¿le preguntaste a tu hermano de Manuel?
0
1.814
Time (s)
Figura 34: Contorno melódico do enunciado “¿Le preguntaste a tu hermano de Manuel?”, produzido
pelo falante 2 do sexo masculino.
Em síntese, observamos que na análise pré-nuclear, o padrão mais recorrente em 25
dos 33 analisados foi L+>H*, isto é, sílaba pretônica baixa seguida de sílaba tônica
ascendente com pico deslocado à sílaba pós-tônica.
A seguir, apresentamos a análise da notação fonológica para o núcleo dos
enunciados interrogativos totais da variedade de Buenos Aires.
4.2.2- Análise Nuclear
Como mencionado anteriormente, dos 39 enunciados interrogativos totais,
classificamos 12 perguntas como detalhe de elaboração; 10 perguntas como informação
suplementar; 6 perguntas como iniciador de tópico; 5 como pergunta esclarecedora; 5
perguntas como diretor do fluxo de informação; 1 pergunta como retórica, conforme
sintetiza a tabela 21 abaixo.
111
Tabela 21
Categoria Pragmática
Quantitativo
Detalhe de Elaboração
12
Informação Suplementar
10
Iniciador de Tópico
6
Diretor do Fluxo de Informação
5
Pergunta Esclarecedora
5
Pergunta Retórica
1
Tabela 21: Quantitativo de enunciados interrogativos totais em cada categoria pragmática, variedade de
Buenos Aires.
A seguir, vejamos as análises propostas, detalhadamente.
4.2.2.1- Detalhe de Elaboração (12 ocorrências)
As perguntas classificadas como detalhe de elaboração referem-se àquelas usadas
com o objetivo de que se elabore o tópico atual da conversa, conforme exemplificado em
(1).
(1) [A e B conversam sobre os planos de casamento]
173
A: ahá y qué ¿qué planes hay? digamos
174
B: nos gastamos nos gastamos como dos lucas en eso
175
A: a la flauta ¿y dónde lo tienen? ¿en la casa de ella?
176
B: claro ella tiene la casa del abuelo que falleció quedó vacía y lo tenemos ahí
178
A: oy qué bueno ¿y esa casa es así como candidata?
179
B: como depósito no no queremos ver donde sacar un crédito en realidad
[Conversa 2 – Homens – Buenos Aires]
(1) é um exemplo de uma pergunta do tipo detalhe de elaboração, ou seja, o falante
A deseja obter mais detalhes sobre o tópico atual da conversa. Portanto, em uma pergunta
deste tipo é necessário que se busque uma informação (IS+). Nota-se que em tal categoria
não se passa o turno (FP-), ou seja, o falante A interroga por detalhes do tópico corrente e
o falante B mantém o turno da conversação, uma vez que precisa responder à pergunta
feita.
112
Em uma pergunta desta categoria também não se muda o tópico da conversação
(TC-) nem o mesmo é interrompido (INT-), isto é, A elabora uma pergunta em seu turno,
sem que interrompa ou se sobreponha ao turno de B. Finalmente, é interessante destacar
que as perguntas deste tipo não possuem conteúdo proposicional (IR-), o que significa que
o conteúdo da pergunta não foi mencionado anteriormente na gravação.
Classificamos nesta categoria, 12 enunciados interrogativos dos 39 analisados, com
três configurações nucleares distintas (9+2+1 ocorrências). O contorno mais recorrente foi
o ascendente-descendente, L+¡H*HL%, em 9 dos 12 casos (75%), vide figura 35.
¿Y esa casa es así como candidata?
350
300
Pitch (Hz)
200
100
50
oi
e ue o y e
oy que bueno y
a
esa
a
ae
casa
a
es así
i
o
o
como
a
i
a
candidata
L+>H*
oy, qué bueno!
a
L+¡H*
HL%
¿ y esa casa es así como candidata?
0
2.467
Time (s)
Figura 35: Contorno melódico do enunciado “¿Y esa casa es así como candidata?”, classificado como
detalhe de elaboração (produzido pelo falante 1 do sexo masculino).
Nota-se neste contorno que a sílaba pretônica está baixa, a tônica está em
movimento ascendente e a sílaba pós-tônica continua o movimento de subida antes de
começar o movimento descendente, com atribuição tonal nuclear L+¡H*HL%. Como
mencionado, este padrão é o esperado para os enunciados interrogativos totais.
Observamos também um contorno descendente da curva de F0 no núcleo para esta
categoria em dois enunciados. Tais perguntas, que apresentam um padrão entonacional
diferente do esperado, possuem alguma atitude? Vejamos o exemplo (2).
(2) [A e B conversam sobre a mãe de B]
221
A: ah ningún amigo tipo de tu vieja ¿alguien que esté también tan cerca?
222
B: no o sea o sea soy yo sola si mi vieja está mal mi mamá no tiene un esposo ni
113
223
tiene otro hijo ¿entendés?
224
A: claro
225
B: toy yo y yo argentina tengo que ir
226
A: ¿te sentís responsable?
227
B: soy muy sí siento que tengo una responsabilidad demasiado grande
[Conversa 1 – Mulheres – Buenos Aires]
Em (2), verificamos que a pergunta de A (em negrito) funciona como um pedido de
confirmação de uma informação já sabida, isto é, uma modalidade epistêmica em que o
falante tem mais certeza de que a resposta é sim. Além disso, é possível imaginar um tag
question “¿no?” ao final da pergunta, ratificando a atitude confirmativa expressa.
Gabriel et alii (2010: 299) propõem um núcleo circunflexo, com pico alinhado à
sílaba pós-tônica, L+¡H*HL%, para as perguntas confirmativas da variedade de Buenos
Aires, o mesmo padrão encontrado para as perguntas que funcionam como pedido de
informação. Diferentemente da proposta de tais autores, Figueiredo (2011) propõe um
núcleo circunflexo, mas com pico alinhado à sílaba tônica, L+H*L%, para os enunciados
com esta atitude confirmativa.
Em nossos dados, diferentemente dos contornos já descritos por estes autores,
encontramos um contorno descendente da curva de F0, L*L%, para este enunciado
interrogativo total com função atitudinal confirmativa, vide figura 36.
¿Te sentís responsable?
450
400
300
Pitch (Hz)
200
100
30
e
e
i
e
o
te
sen
tís
res
pon
L+>H*
a
sa
L*
e
ble
L%
¿Te sentís responsable?
0
1.475
Time (s)
Figura 36: Contorno melódico do enunciado “¿Te sentis responsable?”, classificado como detalhe de
elaboração (produzido pelo falante 1 do sexo feminino).
114
O contorno exposto na figura 36, encontrado em 2 dos 12 enunciados desta
categoria, apresenta um movimento descendente da curva de F0 que está baixa na sílaba
tônica e também na sílaba pós-tônica, com notação fonológica L*L%.
Além do contorno descendente, caracterizando os enunciados interrogativos totais
com função atitudinal confirmativa, verificamos a ocorrência de um contorno circunflexo.
Cabe ressaltar que encontramos em nossos dados duas variantes para o contorno
circunflexo. Em uma, o pico da curva de F0 está alinhado à sílaba pós-tônica, ao passo que
na segunda variante, o pico encontra-se alinhado à sílaba tônica. Optamos por nomear, na
análise e discussão dos dados, o contorno do primeiro caso como ascendente-descendente
(pico alinhado à sílaba pós-tônica) para evitar mal-entendidos na leitura do texto.
Em 1 enunciado desta categoria, o contorno circunflexo se apresenta com pico
alinhado à sílaba tônica, L+H*L%, como ilustra a figura 37.
¿Venís para las fiestas?
350
300
Pitch (Hz)
200
100
50
e
i
venís
a
a
pa’
las
H+L*
ie
a
fiestas
L+H*
L%
¿venís para las fiestas?
0
1.292
Time (s)
Figura 37: Contorno melódico do enunciado “¿Venís para las fiestas?”, classificado como detalhe de
elaboração (produzido pelo falante 2 do sexo masculino).
Na figura 37, acima, nota-se que a sílaba pré-tônica está baixa, seguida de um
movimento ascendente na sílaba tônica onde começa o movimento descendente. Por essa
razão, este contorno recebeu notação L+H*L%. Acreditamos que este enunciado está
prosodicamente marcado por um foco contrastivo no núcleo. Vejamos o exemplo (3).
(3) [A e B conversam sobre a vigem de A]
8
A: sí mirá tengo pasaje reservado para el dieciséis pero lo tengo que pagar todavía
115
9
B: ¿de qué?
10
A: de diciembre
11
B: ah falta todavía
12
A: sí sí
13
B: ¿venís para las fiestas?
14
A: para las fiestas exacto me quedaré hasta el dos o el tres
[Conversa 2 – Homens – Buenos Aires]
No diálogo (3), B confirma se A vem para as festas de fim de ano, já que sua
passagem está marcada para o mês de dezembro. Contudo, fiestas, neste enunciado, instaura
uma série que contrasta com qualquer outra possibilidade dentro do conjunto de eventos
festivos anuais, como o carnaval. Em Ladd (1996:163) 16, verificamos que o autor sinaliza a
possibilidade de um foco entre um grupo, que funciona como uma unidade, constrastando
com outro conjunto de possibilidades. Assim, confirmamos a hipótese de que sobre o
núcleo recai um foco contrastivo, uma vez que contrasta com outros elementos dentro da
categoria.
4.2.2.2- Informação Suplementar (10 ocorrências)
A categoria informação suplementar refere-se às perguntas que indagam sobre
alguma informação relevante ao tópico corrente.
(4) [A e B conversam sobre os estudos de máster]
30
B: aparte en Seattle hay un centro grande de ¿cómo se llama? de oncología y qué sé
31
yo que es en estadística
32
A: exacto más te digo porque una de mis roomates una de las personas una de las
33
chicas que vive conmigo estudia eso ahí por eso lo sabía
34
B: ah ¿estudia eso?
35
A: yyy sí sí sí
[Conversa 2 – Homens – Buenos Aires]
Tomando como exemplo a frase “I didn´t give him a dollar, I gave him five francs”, five francs contrasta
como uma unidade em relação à outra unidade (no caso a dollar, que poderia ser my notebook ou a sandwich), é o
que Ladd (1996) denomina como broad focus, deixando claro que este tipo de foco “amplo” envolve apenas a
frase “five francs”. Nas palavras de Ladd (1996:163): “Here, the phrase five francs is contrasted as a unit to
some other phrase from a more or less unlimited set of possibilities”.
16
116
Nesse exemplo (4), observa-se que o participante A busca uma informação (IS+)
sobre o tópico corrente, sem mudar o tema da conversação (TC-). Tampouco há mudança
de turno (FP-), mas o falante B é interrompido pela pergunta de A (INT+).
Dos 39 enunciados interrogativos totais analisados, classificamos pragmaticamente
10 enunciados como informação suplementar. Tal categoria apresenta três distintos
padrões entonacionais no núcleo (6+3+1 ocorrências). O contorno mais recorrente foi o
ascendente-descendente, L+¡H*HL%, em 6 dos 10 casos (60%), vide figura 38.
Ah ¿estudia esto?
350
300
Pitch (Hz)
200
100
50
e
a
u
ia
e
o
estudia
L+>H*
esto
L+¡H*
HL%
ah, ¿estudia esto?
0
1.187
Time (s)
Figura 38: Contorno melódico do enunciado “Ah ¿estudia esto?”, classificado como informação
suplementar (produzido pelo falante 2 do sexo masculino).
Observamos neste contorno que a sílaba pretônica está baixa, a tônica está em
movimento ascendente e a sílaba pós-tônica continua o movimento de subida antes de
começar o movimento descendente, com atribuição tonal nuclear L+¡H*HL%.
O segundo contorno mais recorrente foi o descendente, L*L%, em 3 dos 10
enunciados (30%), conforme ilustra a figura 39.
117
¿Esa es la que vos le tenías cagazo?
450
400
300
Pitch (Hz)
200
100
30
e
a e
esa
a
a
es la que vos
la
e
te
ia
nías
a
ca
L+>H*
a
ga
L*
o
zo
L%
¿Esa es la que vos le tenías cagazo?
0
1.658
Time (s)
Figura 39: Contorno melódico do enunciado “¿Esa es la que vos la tenías cagazo?”, classificado como
informação suplementar (produzido pelo falante 2 do sexo feminino).
Observamos neste contorno que a sílaba tônica está em movimento descendente e
a sílaba pós-tônica continua este movimento, por essa razão a atribuição tonal dada foi
L*L%. Constatamos que as perguntas que apresentaram contorno descendente funcionam,
do ponto de vista atitudinal, como perguntas confirmativas.
(5) [A e B conversam sobre os professores de A]
285
A: no sé no sé no sé por qué no sé igual o sea tipo la profesora de historia me vio
286
sólo por el pasillo y me dijo Mónica dónde estuviste te te estaba buscando te estaba
287
esperando por qué no habías llegado no sé qué
288
B: [risas]
289
A: tipo me trata re bien porque tengo que hacer la primera parte de su materia y
290
tipo me dice y bueno igual a vos como no te va a ir bien no sé que tipo re bien yy
291
B: ¿esa es la que vos le tenías cagazo?
292
A: claro en el cole digamos es la más difícil porque es la materia que más tengo para
293
mí fue la materia más difícil y después por la de inglés me tratan bien por general
294
tipo la de teatro me trata bien tipo bienvenida Mónica
[Conversa 1 – Mulheres – Buenos Aires]
O exemplo (5) confirma que a falante B possui uma atitude confirmativa em relação
ao conteúdo proposicional, ou seja, apresenta a certeza de que aquilo que se pergunta
118
possui uma resposta afirmativa, certeza que sim, que o conteúdo proposicional do seu
enunciado será confirmado.
Vale destacar também que encontramos um terceiro contorno, o circunflexo,
L+H*L%, para esta categoria em 1 enunciado (10%) dos 10 classificados como informação
suplementar (figura 40).
¿Dos de enero?
350
300
Pitch (Hz)
200
75
o
e
e
dos
o
de enero
L+H*
L%
¿dos de enero?
0
0.874
Time (s)
Figura 40: Contorno melódico do enunciado “¿Dos de enero?”, classificado como informação suplementar
(produzido pelo falante 2 do sexo masculino).
Nota-se um movimento circunflexo: a sílaba pré-tônica é baixa, a sílaba tônica é alta
e a sílaba pós-tônica possui um movimento descendente, representado pela configuração
nuclear L+H*L%. Assim como a discussão levantada na seção 4.2.2.1, deste capítulo,
acreditamos que este enunciado está marcado por um foco no núcleo. Observemos o
exemplo (6).
(6) [A e B conversam sobre a viagem de A]
225
A: mira llegaré un sábado creo que sábado dieciséis de diciembre
226
B: sí
227
A: y me quedaré hasta el martes dos y en el medio qué sé yo ¿viste? este mi
228
familia ¿cómo?
229
B: ¿dos de enero? hasta el dos de enero nada más
230
A: dos de enero sí y en el medio viste mi familia nos iremos a la costa unos días
[Conversa 2 – Homens – Buenos Aires]
119
Semelhantemente ao exemplo (3), a pergunta feita por B confirma até que mês A
ficará em Buenos Aires. Enero, neste caso, contrasta com qualquer outra possibilidade
dentro da série ou conjunto de meses do ano. Nesse sentido, corroboramos a hipótese de
que sobre o núcleo recai um foco contrastivo, marcado pelo movimento circunflexo de F0.
4.2.2.3- Iniciador de Tópico (6 ocorrências)
Como o próprio nome sugere, a categoria de iniciador de tópico é caracterizada por
perguntas que iniciam um novo tópico. Esta categoria, obviamente, possui mudança de
tópico (TC+) bem como uma busca de informação (IS+). O participante que detém o
turno pode ou não passá-lo ao outro participante (FP±), como no exemplo (6).
(6) [A e B conversam sobre a metodologia da gravação]
7
A: entonces te dan sesenta segundos y después te preguntan si están de acuerdo en
8
grabar la conversación y que sé yo
9
B: sí escuché hablan en español
10
A: ah sí sí sí
11
B: risas
12
A: sí
13
B: che y contáme ¿con tus amigos todo bien?
[Conversa 1 – Mulheres – Buenos Aires]
Classificamos como iniciador de tópico 6 enunciados interrogativos dos 39
analisados. O contorno mais recorrente foi o ascendente-descendente, L+¡H*HL%,
encontrado em 100% das perguntas desta categoria, vide figura 41.
120
¿Con tus amigos todo bien?
350
300
Pitch (Hz)
200
100
30
o
con
u
a
tus
a
i
mi
o
gos
o
o
todo
L+>H*
ie
bien
L+¡H*
HL%
con tus amigos todo bien?
0
1.423
Time (s)
Figura 41: Contorno melódico do enunciado “¿Con tus amigos todo bien?”, classificado como iniciador de
tópico (produzido pelo falante 2 do sexo feminino).
Verificamos que a sílaba pretônica está baixa, a tônica está em movimento
ascendente e a sílaba pós-tônica continua o movimento de subida antes de começar o
movimento descendente, com atribuição tonal nuclear L+¡H*HL%.
4.2.2.4- Diretor do Fluxo de Informação (5 ocorrências)
As perguntas que funcionam como diretor do fluxo de informação são perguntas
usadas como uma estratégia para controlar o tópico da conversa, pois controlam a direção
da informação.
Nota-se que esta categoria apresenta dimensões pragmáticas semelhantes à
categoria de iniciador de tópico. A diferença se encontra na dimensão mudança de turno
(FP-) que em diretor do fluxo de informação é negativa, ou seja, não é possível haver
mudança de turno. As demais dimensões são idênticas às dimensões das perguntas que
funcionam como iniciador de tópico: há mudança de tópico (TC+), o que significa que um
dos participantes não deseja tomar o turno para si, mas deseja mudar o tópico corrente.
Observa-se também que há uma busca pela informação (IS+), sem que um dos
participantes interrompa o outro (INT-). Tampouco há conteúdo proposicional na
gravação (IR-), como em (7):
121
(7) [A e B conversam sobre alguns amigos]
307
A: y que sé yo saludo así la alemana que también
308
B: y tu amiga la que estaba acá en aquella vez ¿está allá ahora?
309
A: se quedó acá boluda se quedó allá digo
[Conversa 1 – Mulheres – Buenos Aires]
Classificamos 5 enunciados como diretor do fluxo de informação, sendo o padrão
mais recorrente para esta categoria o final alto-descendente, L+¡H*HL%, encontrado em
100% dos enunciados analisados, vide figura 42.
¿Está allá ahora?
350
300
Pitch (Hz)
200
75
e
a
está allá
a
a
o
aho
L*
a
ra
L+¡H*
HL%
¿está allá ahora?
0
1.066
Time (s)
Figura 24: Contorno melódico do enunciado “¿Está allá ahora?”, classificado como diretor do fluxo de
informação (produzido pelo falante 2 do sexo feminino).
Nota-se que a sílaba pretônica está baixa, a tônica está em movimento ascendente e
a sílaba pós-tônica continua o movimento de subida antes de começar o movimento
descendente, com atribuição tonal nuclear L+¡H*HL%.
4.2.2.5- Pergunta Esclarecedora (5 ocorrências)
As perguntas esclarecedoras referem-se às perguntas que funcionam como um
pedido de repetição de uma informação já dada anteriormente.
122
Nesta categoria há busca de informação (IS+) e há um conteúdo proposicional
(IR+). Além disso, pode haver ou não interrupção no turno de um dos participantes
(INT±), como exemplificado em (8).
(8) [A e B conversam sobre alguns amigos em comum]
143
B: no vos también pensaste que era el novio no era el novio [risas]
144
A: ah ¿hablaban en código?
145
B: ¿eh?
146
A: ¿hablaban en código?
[Conversa 1 – Mulheres – Buenos Aires]
Classificamos cinco enunciados nesta categoria pragmática, com três padrões
nucleares distintos (2+2+1). O padrão esperado – ascendente-descendente, L+¡H*HL%,
com pico de F0 alinhado à sílaba pós-tônica – foi encontrado em 2 destas 5 perguntas
(40%), como ilustrado na figura 43.
¿Hablaban en código?
450
400
300
Pitch (Hz)
200
100
30
a
ha
a
bla
a
ban
e
o
en
L+>H*
co
i
di
L+¡H*
o
go
HL%
¿hablaban en código?
0
1.292
Time (s)
Figura 43: Contorno melódico do enunciado “¿Hablaban em código?”, classificado como pergunta
esclarecedora (produzido pelo falante 1 do sexo feminino).
Neste contorno melódico, observamos uma sílaba pretônica baixa, uma sílaba
tônica em movimento ascendente que continua na sílaba pós-tônica onde começa a descer.
Portanto, atribuímos o tom L+¡H*HL%.
123
Para outros 2 casos das 5 perguntas classificadas como esclarecedora, encontramos
um contorno baixo, L*L% (figura 44).
¿Ella está mal?
450
400
300
Pitch (Hz)
200
75
e
a
ella
e
a
está
L+>H*
a
mal
L*
L%
¿ella está mal?
0
0.736
Time (s)
Figura 44: Contorno melódico do enunciado “¿Ella está mal?”, classificado como pergunta esclarecedora
(produzido pelo falante 1 do sexo feminino).
Verifica-se neste contorno uma sílaba tônica baixa que se mantém baixa até o final
do enunciado, com notação fonológica L*L%.
Ainda para esta categoria, encontramos 1 contorno ascendente com sílaba pretônica
baixa, seguida de uma sílaba tônica alta que se mantém alta na sílaba pós-tônica, com
atribuição tonal L+H*M%, com alongamento da sílaba final (figura 45). Segundo a
proposta do Sp_ToBI, o tom de fronteira médio é utilizado para indicar uma subida a uma
F0 média desde um acento nuclear baixo ou um tom médio sustentado desde um acento
nuclear alto ou ainda, uma descida a uma F0 média desde um acento nuclear alto. Dito
tom de fronteira é encontrado nas formas de tratamento nominais (vocativos) e também
em enunciados interrogativos totais em que há marcas de cortesia ou nos contornos de
dúvida (ESTEBAS-VILAPLANA & PRIETO, 2008:277). Segundo Gabriel et alii.
(2010:290), o tom de fronteira médio, na variedade de Buenos Aires, pode ser observado
nos vocativos que funcionam como chamamentos.
124
¿Con tu hermanito?
450
400
300
Pitch (Hz)
200
75
o
ue
con
tu her
a
ma
i
o
ni
to
L+H*
M%
¿con tu hermanito?
0
1.214
Time (s)
Figura 45: Contorno melódico do enunciado “¿Con tu hermanito?”, classificado como pergunta
esclarecedora (produzido pelo falante 2 do sexo feminino).
Vale ressaltar que este enunciado, classificado como pergunta esclarecedora, foi
produzido anteriormente como iniciador de tópico, vide exemplo (9) abaixo.
(9) [B inicia um novo tópico ao perguntar pelo irmão de A]
36
B: ¿y con tu hermanito?
37
A: ¿ehn?
38
B: ¿con tu hermanito?
39
A: ah mi (her)manito re bien
[Conversa 1 – Mulheres – Buenos Aires]
É importante observar que a pergunta foi feita no início da gravação (seção de
abertura) e que as falantes, provavelmente, ainda estavam adaptando-se ao canal e ao
tempo de envio e recepção da voz pelo satélite. Por essa razão, pode ter sido necessária a
repetição da pergunta, visto que o marcador “¿ehn?” marca o não entendimento da
pergunta. Destacamos ainda que não foi a segunda repetição de um par de perguntas iguais.
No diálogo em questão, a primeira vez em que foi feita a pergunta (linha 36), a
curva de F0 apresentou um movimento ascendente-descendente no núcleo, ao passo que,
na repetição do mesmo enunciado para esclarecer uma informação não entendida (linha
38), houve um alongamento da sílaba pós-tônica, resultando na sustentação da curva de F0.
A figura 46, abaixo, ilustra a superposição dos contornos destes dois enunciados: em linha
125
contínua azul, a pergunta esclarecedora e em linha pontilhada rosa, a pergunta como
iniciador de tópico.
¿Con tu hermanito?
Figura 46: Superposição dos contornos melódicos do enunciado “¿Con tu hermanito?”. Em linha
contínua azul, classificado como pergunta esclarecedora e em linha pontilhada rosa, classificado como
iniciador de tópico.
Observamos que na repetição da pergunta há uma redução de -25% da duração da
sílaba tônica da primeira produção e um alongamento de +35% da sílaba pós-tônica,
também em relação à primeira produção da pergunta. Além desse critério fonético, valemonos do critério de o enunciado interrogativo em questão ser uma pergunta de cortersia que
coincide com o descrito para os vocativos da variedade de Buenos Aires, razão pela qual,
optamos por utilizar tal notação fonológica L+H*M%, com tom de fronteira médio.
4.2.2.6- Pergunta Retórica (1 ocorrência)
As perguntas retóricas são aquelas em que não há o objetivo de se obter alguma
informação ou resposta do outro falante, ao contrário, são perguntas que o falante faz para
si mesmo, uma vez que está certo de uma resposta negativa. Nesta categoria um
participante não solicita uma informação ao outro (IS-) e pode ou não mudar o turno, bem
como o tópico (FP±/TC±), como ilustrado em (9).
126
(9) [A e B conversam sobre seus sentimentos pessoais]
55
B: mmm
56
A: no sé qué no no tengo ganas de nada ¿sabés qué soñé?
57
B: ¿qué?
[Conversa 1 – Mulheres – Buenos Aires]
Classificamos apenas um enunciado dos 39 interrogativos totais analisados, que
apresentou contorno melódico final ascendente (figura 47).
¿Sabés qué soñé?
550
500
400
300
Pitch (Hz)
200
75
a
e
sa
bes
e
que
o
so
L+>H*
e
ñe
L+¡H*
HL%
sabés qué soñé?
0
1.187
Time (s)
Figura 26: Contorno melódico do enunciado “¿Sabés qué soñé?”, classificado como pergunta retórica
(produzido pelo falante 1 do sexo feminino).
É possível notar que a sílaba tônica está baixa, mas nesta própria sílaba há um
movimento ascendente. No entanto, cabe destacar que o padrão acentual é oxítono, o que
resulta em um padrão truncado do contorno de F0, já que não há espaço para que a curva
complete seu movimento (CUNHA, 2000; PINTO, 2009). Por esta razão, atribuímos a
configuração nuclear L+¡H*HL%.
Do ponto de vista da análise e notação fonológica dos tons, podemos sintetizar
nossos dados a partir da tabela abaixo:
127
Tabela 22
Variedade
Núcleo
N
%
Atitude e/ou estrutura
informativa
Buenos Aires
L+¡H*HL%
29
74%
Pedido de informação
L*L%
7
18%
Pedido de confirmação
L+H*L%
2
5%
Foco contrastivo
L+H*M%
1
3%
Cortesia
39
100%
Total
Tabela 22: Variação tonal no núcleo dos enunciados interrogativos totais da variedade de Buenos Aires.
Verificamos a ocorrência de quatro diferentes configurações tonais no núcleo. A
primeira e majoritária, L+¡H*HL%, se caracteriza por um movimento circunflexo final,
com pico alinhado à sílaba pós-tônica, encontrada em 74% dos enunciados. Observamos
que esse contorno é característico das perguntas que funcionam como um pedido de
informação.
A segunda configuração mais freqüente, L*L%, se caracteriza por um movimento
descendente final, encontrado em 18% dos enunciados. Tal contorno é característico dos
enunciados interrogativos totais que funcionam, atitudinalmente, como uma pergunta
confirmativa.
Em 5% dos enunciados, encontramos a configuração nuclear circunflexa, com pico
alinhado à sílaba tônica, L+H*L%, característico dos enunciados interrogativos totais que
possuem foco contrastivo no núcleo.
Ainda encontramos um contorno com tom de fronteira médio, L+H*M%,
caracterizando os enunciados que possuem marca de cortesia. Lembramos que a pergunta
que apresentou tal configuração, foi dita no início da conversa; há dúvida por parte da
falante a quem a pergunta se dirige, uma vez que esta não entende o conteúdo e em outro
momento anterior já havia sido necessário repetir uma pergunta. Acreditamos que tais
razões tenham contribuído para a implementação do padrão ascendente com tom de
fronteira médio.
No que se refere à análise pragmática, apresentamos na tabela 23 uma síntese de
nossos resultados.
128
Tabela 23
Categoria Pragmática
Detalhe de Elaboração
Buenos Aires
L+¡H*HL% (9)
L*L% (2)
L+H*L% (1)
Informação Suplementar
L+¡H*HL% (6)
L*L% (3)
L+H*L% (1)
Iniciador de Tópico
Diretor
do
Fluxo
L+¡H*HL% (6)
de L+¡H*HL% (5)
Informação
Pergunta Esclarecedora
L+¡H*HL% (2)
L*L% (2)
L+H*M% (1)
Pergunta Retórica
L+¡H*HL% (1)
Tabela 23: Síntese das configurações nucleares encontradas para cada categoria pragmática.
Nota-se que para as diferentes categorias pragmáticas, encontramos configurações
nucleares semelhantes, ao mesmo tempo em que para uma mesma categoria, verificamos
diferentes configurações nucleares. Acreditamos, assim como Couper-Kuhlen (2012), que
tal variação de padrões no núcleo se relaciona com os graus de certeza epistêmica
estabelecidos pelo contexto.
Nesse sentido, nos casos em que o grau de certeza é neutro, isto é, um pedido de
informação em que se deseja obter um dado, encontramos um contorno final circunflexo,
com pico de F0 alinhado à sílaba pós-tônica L+¡H*HL%. Para os casos em que há certeza
da verdade do conteúdo proposicional do enunciado, ou seja, as perguntas confirmativas,
encontramos um contorno melódico final descendente ou baixo L*L%.
Além dos dois graus de certeza epistêmica, atitude proposicional neutra (pedido de
informação) e atitude proposicional confirmativa (pergunta confirmativa), é possível
observar a ocorrência do padrão L+H*M%, para pergunta com atitude social de cortesia.
Podemos pensar ainda em uma variante do padrão circunflexo L+¡H*HL%. Neste
caso, o pico de F0 se alinha à sílaba pós-tônica. No caso dos enunciados com foco
contrastivo, o pico de F0 está alinhado à sílaba tônica, L+H*L%, o que corrobora que o
falante pode marcar o foco através da entoação (FACE & D’IMPERIO, 2005; FACE,
129
2006), ou seja, o alinhamento do contorno de F0, onde a subida termina, marca diferenças
entre um enunciado com foco contrastivo e um enunciado sem foco (foco amplo).
Cabe verificar no nível fonológico se há alguma modificação na implementação do
padrão acentual proposto, devido à estrutura acentual final do enunciado.
4.3- Notação fonológica e padrão acentual
Como é sabido, nossos dados são repertoriados em corpus de fala espontânea. Em
vista disso, não foi possível controlar o padrão acentual dos vocábulos do núcleo
(realizações oxítonas, paroxítonas e/ou proparoxítonas), o que resultou em dados com os
distintos padrões.
É interessante verificar e discutir se há alguma modificação na implementação do
padrão acentual proposto, devido à estrutura acentual final do enunciado.
Ao analisar a implementação no núcleo dos enunciados com padrão acentual final
proparoxítono, verificamos que a atribuição tonal não é diferente do padrão paroxítono,
no entanto ao contar com uma sílaba a mais o contorno do padrão final fica melhor
delineado, vide figura 48.
Ah ¿hablaban en código?
350
300
Pitch (Hz)
200
100
30
a
ah ha
a
bla
a
ban
L+>H*
e
o
en
co
i
di
o
go
L+¡H*
HL%
ah ¿hablaban en código?
0
1.553
Time (s)
Figura 48: Notação fonológica do enunciado com final proparoxítono “Ah ¿hablaban em código?”,
produzido pelo falante 1 do sexo feminino.
Analisando a implementação no núcleo dos enunciados com padrão acentual final
oxítono, consideramos que a atribuição tonal também não variou, embora o padrão fique
130
comprimido pelo final abrupto ou incompleto, causado pela ausência de sílabas posteriores
à tônica, vide figura 49.
¿Sabías que hablando de Román está todo mal en la casa de él?
350
300
Pitch (Hz)
200
75
a
ia
e
sabías
eoa
que
hablando deRomán
e
a
está
o
todo
a
e
a
mal en la
a
a
e
casa
L+>H*
de él
L+¡H* HL%
¿sabías que hablando de Román está todo mal en la casa de él?
0
2.624
Time (s)
Figura 49: Notação fonológica do enunciado com final oxítono “¿Sabías que hablando de
Román está todo mal en la casa de él?”, produzido pelo falante 2 do sexo feminino.
No caso de Buenos Aires, o padrão mais recorrente no núcleo é o circunflexo, com
pico alinhado à sílaba pós-tônica. Para os enunciados em que o núcleo é oxítono,
observamos que o contorno da curva de F0 pode ser ascendente. No entanto, optamos por
manter a notação fonológica L+¡H*HL%, uma vez que, houve truncamento da curva de
F0, pelo final abrupto ou incompleto pela ausência de sílabas posteriores à tônica.
4.4- Resumindo
Em resumo, constatamos com as análises dos nossos dados que:
 Com relação à implementação de F0 no pré-núcleo, observamos que 79% (26) dos
33 enunciados que possuem pré-núcleo apresentam contorno ascendente.
 Com relação à implementação de F0 no núcleo, observamos que 54% (19) dos 39
enunciados analisados apresentam contorno circunflexo.
 Com relação à implementação da duração no pré-núcleo, observamos que a sílaba
tônica apresenta maior duração em relação às demais sílabas do enunciado.
131
 Com relação à implementação da duração no núcleo, observamos que a sílaba póstônica apresenta maior duração em relação às demais sílabas do enunciado.
 Com relação à atribuição tonal, 76% (25) dos 33 enunciados que possuem pré-núcleo
receberam notação fonológica L+>H*. Já, para o núcleo, 74% (29) dos 39 enunciados
analisados receberam notação fonológica L+¡H*HL%.
 Com relação à análise pragmática, classificamos os 39 enunciados interrogativos totais
em seis das nove categorias propostas por Hedberg et alii (2010): (i) como detalhe de
elaboração, 75% dos 12 enunciados apresentaram padrão ascendente-descendente no
núcleo, L+¡H*HL%; (ii) como informação suplementar, 60% dos 10 enunciados
apresentaram padrão ascendente-descendente no núcleo, L+¡H*HL%; (iii) como
iniciador de tópico, 100% dos 6 enunciados apresentaram padrão ascendentedescendente no núcleo, L+¡H*HL%; (iv) como diretor do fluxo de informação, 100%
dos 5 enunciados apresentaram padrão ascendente-descendente no núcleo, L+¡H*HL%;
(v) pergunta esclarecedora, 40% dos 5 enunciados também apresentaram padrão
ascendente-descendente no núcleo, L+¡H*HL%, outros 40% apresentaram padrão
descendente, L*L% e (vi) como pergunta retórica, um enunciado (100%) apresentou
padrão ascendente-descendente, L+¡H*HL%.
 Tal distribuição e classificação podem dar-nos pistas sobre o funcionamento
conversacional e as funções das perguntas nas interações conversacionais. No entanto,
não se distinguem por diferentes padrões, acentos ou configurações tonais. O contraste
fonológico está mais relacionado ao nível semântico, de atitudes (atitude proposicional
confirmativa ou atitude social de cortesia) ou estruturas informativas (foco contrastivo)
do que ao nível pragmático conversacional.
132
5
RESULTADOS E DISCUSSÕES:
ENUNCIADOS INTERROGATIVOS TOTAIS
– VARIEDADE DE SANTIAGO DO CHILE
Neste capítulo, apresentaremos os resultados obtidos a partir da análise dos
contornos entonacionais dos enunciados interrogativos totais da variedade de Santiago.
Assim como no capítulo anterior, discutiremos, primeiramente, a análise fonética,
considerando os valores de frequência fundamental (F0) e duração do pré-núcleo –
primeiro vocábulo tônico – e do núcleo – último vocábulo tônico. Posteriormente, se
apresentará uma análise e discussão, baseada no modelo de classificação pragmático
proposto por Hedberg alii (2010) aliado à análise fonológica, isto é, uma classificação tonal
segundo a proposta do SP_ToBI (Estebas-Vilaplana & Prieto, 2008).
Foram analisados 39 enunciados interrogativos totais da variedade de Santiago do
Chile, sendo 15 enunciados proferidos pelos dois falantes do sexo feminino, da Conversa 3
e 24 enunciados proferidos pelos dois falantes do sexo masculino, da Conversa 4. A seguir,
transcrevemos estes 39 enunciados e sublinhamos o pré-núcleo e o núcleo.
 39 enunciados interrogativos totais repertoriados nas duas Conversas da variedade de
Santiago do Chile
FEMININOS
1- ¿Marcaste el uno?
2- ¿La empleada?
3- Pero17 ¿no está contento?
4- Oye ¿recibiste hoy una carta mía?
5- ¿Tú te acuerdas de Armando primo de nosotros?
6- ¿De mí?
7- ¿Los tienes ahí?
8- ¿Los tienes ahí?
Os vocábulos destacados em negrito se referem a marcadores conversacionais ou formas de tratamento
coloquiais característicos da variedade de Santiago do Chile.
17
133
9- ¿Este es adoptivo también?
10- Pero ¿no tan intenso como antes?
11- ¿Está muy mormón él?
12- ¿Lo dicen?
13- ¿Dicen eso?
14- ¿La Elisabeth?
15- ¿Así que actualmente está en vacaciones?
MASCULINOS
1- Ya ¿los mails?
2- ¿No recibiste nada así?
3- ¿No está registrada en Reuna?
4- ¿Lo cambiaste?
5- ¿Te podei meter a alguna de la Chile?
6- ¿Eso es?
7- ¿U Chile?
8- ¿Todos bien?
9- ¿La Claudia está durmi-?
10- ¿Está durmiendo la Claudia?
11- ¿Tenís clases temprano ahí?
12- Ah ¿llamó?
13- Pero ¿te conviene ir allá a la casa?
14- ¿Y hay que limpiarlo?
15- ¿Y él tendrá computador?
16- ¿Sacaron el rollo al final?
17- ¿Cobran muy caro?
18- ¿Así es?
19- ¿El sobre con dos cheques?
20- ¿Anotaste todos?
21- ¿La ocho y media?
22- Y tú ¿estái durmiendo?
23- ¿Estai en el República?
24- Ah y ¿te tomai después el metro?
134
5.1- Análise Fonética
Esta seção apresenta os resultados referentes à análise fonética, ou seja, à
implementação dos padrões prosódicos de F0 e duração dos enunciados interrogativos
totais da variedade de Santiago do Chile.
5.1.1- Análise Fonética: Descrição da F0
Analisamos o comportamento da frequência fundamental (F0) no pré-núcleo e no
núcleo dos 39 enunciados interrogativos totais da variedade de Santiago do Chile. Em
primeiro lugar, com relação ao comportamento da F0 no pré-núcleo, nota-se que em 18
dos 3018 enunciados interrogativos totais que possuem pré-núcleo, este contorno é
ascendente, com subida da sílaba tônica para a sílaba pós-tônica, conforme observado na
figura 50.
Oye ¿recibiste hoy una carta mía?
550
466Hz
te
388Hz
hoy
una
car
ta
mía
Pitch (Hz)
bis
re
ci
75
0
1.971
Time (s)
Figura 50: Comportamento da F0 no pré-núcleo de enunciados interrogativos totais da variedade de
Santiago do Chile. Subida de 78Hz da sílaba tônica para a sílaba pós-tônica no pré-núcleo, neste
enunciado, produzido pelo informante 1 do sexo feminino.
Nos demais 12 enunciados, o contorno do pré-núcleo é descendente ou baixo,
como ilustra a figura 51.
Embora sejam 31 os enunciados que apresentam pré-núcleo, em um enunciado o contorno de frequência
fundamental está ensurdecido.
18
135
¿Tenís clases temprano ahí?
Pitch (Hz)
450
hí
tem
125Hz
te
pra
ses
nís
no
a
cla
123Hz
50
0
1.135
Time (s)
Figura 51: Comportamento da F0 no pré-núcleo de enunciados interrogativos totais da variedade de
Santiago do Chile. Descida de 2Hz da sílaba tônica para a sílaba pós-tônica no pré-núcleo, neste
enunciado, produzido pelo informante 1 do sexo masculino.
Posteriormente, analisamos a média de F0 no pré-núcleo, considerando as vogais
pretônicas, tônicas e pós-tônicas. Trabalhamos com a média de 9 vogais pretônicas, 11
vogais tônicas e 9 vogais pós-tônicas para os enunciados femininos e 14 vogais pretônicas,
19 vogais tônicas e 13 vogais pós-tônicas para os enunciados masculinos.
É possível observar, ao analisar o gráfico 5, que tanto os sujeitos do sexo feminino
como os sujeitos do sexo masculino, realizam em média uma subida da pretônica para a
tônica e também da tônica para a pós-tônica.
Valores em Hz
Média de F0 das vogais do pré-núcleo
350
300
250
200
150
100
50
0
Masculino
Feminino
333
249
266
138
137
151
Pretônica
138
249
Tônica
137
266
Pós-tônica
151
333
Masculino
Feminino
Gráfico 5: Variação de média de F0 (em Hz) do pré-núcleo dos enunciados interrogativos totais da
variedade de Santiago do Chile.
136
Em síntese, a partir da análise dos dados, é possível destacar as seguintes
conclusões: em média, os sujeitos do sexo feminino implementam a F0 no pré-núcleo na
variedade de Santiago do Chile com uma subida de 17Hz da pretônica para tônica, isto é
+6%, e uma nova subida de 67Hz da tônica para pós-tônica, +20%, sendo a vogal póstônica mais proeminente. Com relação aos sujeitos do sexo masculino, estes implementam
a F0 no pré-núcleo, em média, com uma subida de 14Hz da tônica para pós-tônica, isto é
+9%.
Analisemos agora o comportamento da F0 no núcleo destes 39 enunciados.
Verifica-se, primeiramente, que há diferenças no comportamento da frequência
fundamental: dos 39 enunciados interrogativos totais, em 33 enunciados, o contorno é
ascendente (figura 52); em 5 enunciados, o contorno é descendente (figura 53) e em 1
enunciado, o contorno é circunflexo (figura 54).
¿Cobran muy caro?
350
253Hz
Pitch (Hz)
ro
178Hz
ca
cobran
121Hz
muy
50
0
0.6128
Time (s)
Figura 52: Comportamento ascendente da F0 no núcleo de enunciados interrogativos totais da variedade
de Santiago do Chile. Subida de 57Hz da sílaba pretônica para a sílaba tônica e uma nova subida de
75Hz da sílaba tônica para a sílaba pós-tônica no pré-núcleo, neste enunciado, produzido pelo informante
1 do sexo masculino.
137
¿Pero no está contento?
350
306Hz
con
229Hz
Pitch (Hz)
ten
está
no
pero
to
80Hz
50
0
1.449
Time (s)
Figura 53: Comportamento descendente da F0 no núcleo de enunciados interrogativos totais da variedade
de Santiago do Chile. Descida de 77Hz da sílaba pretônica para a sílaba tônica e uma nova descida de
149Hz da sílaba tônica para a sílaba pós-tônica no pré-núcleo, neste enunciado, produzido pelo informante
2 do sexo feminino.
Ya ¿los mails?
350
Pitch (Hz)
177Hz
130Hz
mail
ya
los
106Hz
50
0
0.7173
Time (s)
Figura 54: Comportamento circunflexo da F0 no núcleo de enunciados interrogativos totais da variedade
de Santiago do Chile. Subida de 47Hz da sílaba pretônica para a sílaba tônica e descida de 71Hz da
sílaba tônica para a sílaba pós-tônica no pré-núcleo, neste enunciado, produzido pelo informante 2 do sexo
masculino.
Em um segundo momento, analisamos a média de F0 no núcleo, considerando as
vogais pretônicas, tônicas e pós-tônicas. Trabalhamos com a média de 14 vogais pretônicas,
138
125 vogais tônicas e 8 vogais pós-tônicas para os enunciados femininos e 20 vogais
pretônicas, 25 vogais tônicas e 13 vogais pós-tônicas para os enunciados masculinos. Para
calcular a média de F0 da vogal pós-tônica do núcleo, nos casos em que há mais de uma,
somamos todas e depois dividimos este valor pelo total de sílabas pós-tônicas, para assim
obtermos a F0 média.
É possível observar algumas semelhanças na implementação da F0 no núcleo dos
enunciados interrogativos totais. Analisando o gráfico 6, observa-se que tanto os sujeitos
do sexo feminino quanto os sujeitos do sexo masculino realizam em média uma subida da
pretônica para a tônica e uma nova subida da sílaba da tônica para a pós-tônica.
Valores em Hz
Média de F0 das vogais do núcleo
400
350
300
250
200
150
100
50
0
Masculino
Feminino
318
348
362
227
143
Pretônica
143
318
175
Tônica
175
348
Masculino
Feminino
Pós-tônica
227
362
Gráfico 6: Variação de média de F0 (em Hz) do núcleo dos enunciados interrogativos totais da
variedade de Santiago do Chile.
Em síntese, a partir da análise dos dados, observa-se que, em média, os sujeitos do
sexo feminino implementam a F0 no núcleo na variedade de Santiago do Chile com uma
subida de 30Hz, ou seja de +9%, da pretônica para tônica seguida de uma subida de 14Hz,
isto é de +4%, da sílaba tônica para a pós-tônica. De igual modo, os sujeitos do sexo
masculino implementam a F0 no núcleo com uma subida de 32Hz, ou seja de +18%, da
sílaba pretônica para a tônica e uma nova subida de 52Hz, ou seja +23%, da sílaba tônica
para a pós-tônica.
Confrontando o comportamento da F0 no núcleo, verifica-se que, tanto no caso
dos sujeitos do sexo feminino quanto dos sujeitos do sexo masculino, a sílaba tônica é a
mais saliente em relação às sílabas adjacentes.
Portanto, na análise fonética, temos que na implementação da F0 no núcleo
dos 39 enunciados interrogativos totais da variedade de Santiago do Chile, em 85% dos
139
casos há uma subida da F0 da pretônica para a tônica que se mantém alta na pós-tônica
(núcleo ascendente); em 13%, a F0 apresenta uma descida da tônica para a pós-tônica
(núcleo descendente); e, 2% dos enunciados analisados apresentam uma subida da F0 da
pretônica para a tônica seguida de uma descida da tônica para a sílaba pós-tônica (núcleo
circunflexo).
Nossa hipótese é a de que tal diferença de comportamento nesta variedade se deva
à função que a interrogativa total ocupa no discurso (função pragmática), que será discutido
na seção 5.2 deste capítulo.
Vejamos a seguir, como se implementa a duração das sílabas nestes enunciados.
5.1.2- Análise Fonética: Descrição da Duração
Analisamos o comportamento da duração das sílabas do pré-núcleo e do núcleo
dos 39 enunciados interrogativos totais da variedade de Santiago do Chile. Em primeiro
lugar, com relação ao comportamento da duração no pré-núcleo dos enunciados
interrogativos totais da variedade de Santiago do Chile, vale destacar que 31 dos 39
enunciados possuem pré-núcleo.
Observamos que em 19 dos 31 enunciados considerados para esta análise, a sílaba
tônica apresenta maior duração que as sílabas adjacentes, como verificado na figura 55.
140
¿La Claudia está durmi-?
250
173ms
200
119ms
75ms
Pitch (Hz)
150
100
75
la
clau
dia
tá
durmi
¿La Claudia está durmi-?
0
0.9001
Time (s)
Figura 55: Comportamento da duração no pré-núcleo de enunciados interrogativos totais da variedade de
Santiago do Chile. Aumento de 98ms da duração da sílaba pretônica para a sílaba tônica e redução de
54ms da sílaba tônica para a pós-tônica no pré-núcleo, neste enunciado produzido pelo informante 1 do
sexo masculino.
Em 9 dos 31 enunciados considerados para esta análise, a sílaba pós-tônica
apresenta maior duração que as sílabas adjacentes, conforme ilustrado na figura 56.
¿Los tienes ahí?
500
100ms
400
147ms
211ms
Pitch (Hz)
300
200
100
0
los
tie
nes
ahí
¿Los tienes ahí?
0
1.109
Time (s)
Figura 56: Comportamento da duração no pré-núcleo de enunciados interrogativos totais da variedade de
Santiago do Chile. Aumento de 47ms da duração da sílaba pretônica para a sílaba tônica e aumento de
64ms da sílaba tônica para a pós-tônica no pré-núcleo, neste enunciado produzido pelo informante 2 do
sexo feminino.
141
Cabe mencionar que em outros três enunciados dos 31 considerados para a análise,
a sílaba pretônica apresenta maior duração que às sílabas adjacentes.
Posteriormente, analisamos a média de duração no pré-núcleo, considerando a
totalidade das sílabas pretônicas, tônicas e pós-tônicas. Trabalhamos com a média de 9
sílabas pretônicas, 11 tônicas e 9 pós-tônicas para os enunciados femininos e 14 sílabas
pretônicas, 20 tônicas e 13 pós-tônicas para os enunciados masculinos.
Analisando o gráfico 7, o qual ilustra a variação média da duração, em ms, nas
sílabas pretônicas, tônicas e pós-tônicas do pré-núcleo dos enunciados interrogativos totais
da variedade de Santiago do Chile, nota-se que os sujeitos do sexo feminino apresentam a
sílaba pós-tônica com maior duração. Já os sujeitos do sexo masculino apresentam, em
média um alongamento na sílaba tônica.
Valores em ms
Média de duração das sílabas do pré-núcleo
83
Masculino
117
Feminino
0
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
112
106
50
Feminino
117
158
172
100
158
150
Pretônica
172
Tônica
200
Pós-tônica
Masculino
83
112
106
Gráfico 7: Variação média da duração (em ms) nas sílabas pretônicas, tônicas e pós-tônicas do pré-núcleo
dos enunciados interrogativos totais da variedade de Santiago do Chile.
Em suma, analisando os dados de duração do pré-núcleo, observamos que, em
média, na variedade de Santiago do Chile, os sujeitos do sexo feminino implementam a
duração com um alongamento de +26% da sílaba pretônica para a sílaba tônica (+41ms) e
um novo alongamento de +8% da tônica para pós-tônica (+14ms). Nos sujeitos do sexo
masculino há um alongamento médio de +26% da pretônica para a sílaba tônica (+29ms) e
redução média de -5% da tônica para a sílaba pós-tônica (-6ms).
142
Vejamos agora o comportamento da duração no núcleo destes enunciados
interrogativos totais. Dos 39 enunciados analisados, em 22 o padrão acentual é paroxítono
ou proparoxítono, portanto os enunciados apresentam sílaba pós-tônica. Nos demais 17
casos, o núcleo possui padrão acentual oxítono ou é constituído por um monossílabo
tônico.
Independentemente do padrão acentual do núcleo, observamos que em 24 dos 39
enunciados analisados (62%), a sílaba tônica apresentou maior duração, vide figura 57.
¿Y hay que limpiarlo?
400
146ms
300
137ms
118ms
Pitch (Hz)
200
100
50
y
hay
que
lim
piar
lo
Y ¿hay que limpiarlo?
0
0.7695
Time (s)
Figura 57: Comportamento da duração no núcleo de enunciados interrogativos totais da variedade de
Santiago do Chile. Aumento de 28ms da duração da sílaba pretônica para a sílaba tônica e redução de
9ms da sílaba tônica para a pós-tônica no pré-núcleo, neste enunciado produzido pelo informante 2 do sexo
masculino.
Diferentemente, em 11 enunciados (28%) a sílaba pós-tônica foi alongada em
relação às demais sílabas do enunciado, vide figura 58.
143
¿Marcaste el uno?
600
211ms
186ms
Pitch (Hz)
107ms
50
mar
cas
te el
u
no
¿Marcaste el uno?
0
1.971
Time (s)
Figura 58: Comportamento da duração no núcleo de enunciados interrogativos totais da
variedade de Santiago do Chile. Aumento de 79ms da duração da sílaba pretônica para a sílaba tônica e
aumento de 25ms da sílaba tônica para a pós-tônica no pré-núcleo, neste enunciado produzido pelo
informante 2 do sexo feminino.
Em um segundo momento, analisamos a média dos valores de duração no núcleo,
considerando as sílabas pretônicas, tônicas e pós-tônicas. Trabalhamos com a média de 14
sílabas pretônicas, 15 tônicas e 8 pós-tônicas para os enunciados femininos e 20 sílabas
pretônicas, 24 tônicas e 14 pós-tônicas para os enunciados masculinos.
Vale ressaltar que para o cálculo da média de duração da sílaba pós-tônica do
núcleo, nos casos em que há mais de uma, somamos todas e depois dividimos este valor
pelo total de sílabas pós-tônicas, para assim obtermos a média.
O gráfico 8 exemplifica a variação média da duração, em ms, nas sílabas pretônicas,
tônicas e pós-tônicas do pré-núcleo dos enunciados interrogativos totais da variedade de
Santiago do Chile. Verifica-se que há divergência no comportamento da duração em
relação ao sexo dos sujeitos. Nas mulheres, a sílaba pós-tônica é a que apresenta maior
duração, ao passo que, nos homens, a sílaba tônica é a que possui maior duração.
144
Valores em ms
Média de duração das sílabas do núcleo
104
Masculino
139
140
Feminino
0
50
Feminino
140
189
196
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
100
150
166
Pretônica
189
196
200
Tônica
250
Pós-tônica
Masculino
104
166
139
Gráfico 8: Variação média da duração (em ms) nas sílabas pretônicas, tônicas e pós-tônicas do núcleo
dos enunciados interrogativos totais da variedade de Santiago do Chile.
Em suma, analisando os dados de duração do núcleo, observamos que, na
variedade de Santiago do Chile, os sujeitos do sexo feminino implementam a duração com
um alongamento de +26% da sílaba pretônica para a sílaba tônica (+49ms) e um pequeno
alongamento médio de +4% da tônica para pós-tônica (+7ms). Nos sujeitos do sexo
masculino há um alongamento médio de +37% da pretônica para a sílaba tônica (+62ms)
seguido de uma redução média de -19% da tônica para a sílaba pós-tônica (-27ms).
Na próxima seção, apresentamos a análise pragmática a partir do modelo de
classificação de Hedberg alii (2010) e discutimos as propostas de notação fonológica para
os enunciados interrogativos totais da variedade de Santiago do Chile.
5.2- Análise Pragmática e Notação Fonológica das Curvas Entonacionais
Nesta seção, apresentamos as análises referentes à análise pragmática e atribuição
tonal. Do ponto de vista pragmático, categorizamos as perguntas segundo o modelo de
análise proposto por Hedberg alii (2010) e atribuímos os tons aos contornos pré-nucleares
e nucleares de acordo com a proposta do Sp_ToBI (ESTEBAS-VILAPLANAS &
PRIETO, 2008).
Como exposto no capítulo anterior, o modelo de classificação adotado por
Hedberg alii (2010) prevê cinco dimensões pragmáticas de acordo com cada instância em
que se usam as interrogativas e nove categorias pragmáticas utilizadas para classificar a
145
função de cada pergunta no discurso. Para tais autores, cada uma das nove categorias é
identificada minimamente para que seja diferente das outras categorias em pelo menos uma
das cinco dimensões.
Com relação à configuração pré-nuclear e nuclear das perguntas que funcionam
como pedido de informação, esperamos encontrar em nossas análises o mesmo padrão
proposto por Ortiz alii (2010: 262), ou seja, pré-núcleo com acento bitonal descendente,
H+L* e núcleo ascendente, L+H*HH%.
Para a classificação dos 39 enunciados interrogativos totais da variedade de Santiago
do Chile utilizamos cinco das nove categorias propostas por Hedberg alii (2010).
Classificamos 12 perguntas como detalhe de elaboração; 11 perguntas como informação
suplementar; 9 como pergunta esclarecedora; 5 perguntas como diretor do fluxo de
informação; 1 pergunta como recíproca e 1 pergunta como iniciador de tópico.
A seguir, apresentamos nossas análises e discussões.
5.2.1- Análise Pré-nuclear
Com relação ao pré-núcleo, Ortiz alii (2010) propõem a notação descendente
H+L*, para as interrogativas totais neutras (pedido de informação) para a variedade de
Santiago do Chile. Verifiquemos se nossos dados confirmam o que já foi proposto por
estes autores.
Observamos quatro diferentes tipos de acentos tonais para o pré-núcleo dos
enunciados interrogativos totais da variedade de Santiago do Chile (16+10+2+2
ocorrências). O padrão majoritário foi encontrado em 16 dos 3019 enunciados (52%).
Nestes casos, o pré-núcleo apresentou contorno ascendente com pico deslocado à sílaba
pós-tônica, com notação fonológica L+>H* (figura 59). Tal resultado difere do
apresentado por Ortiz alii (2010).
Relembramos que 30 dos 39 enunciados interrogativos totais analisados para a variedade de Santiago do
Chile possuem pré-núcleo.
19
146
Pero ¿te conviene ir allá a la casa?
350
300
Pitch (Hz)
200
100
30
e
pero te
o
ie
e i
conviene
allá
ir
a
a
allá a
a
la casa
L+>H*
L+H*
HH%
Pero ¿te conviene ir allá a la casa?
0
1.396
Time (s)
Figura 59: Contorno melódico do enunciado “Pero ¿te conviene ir allá a la casa?”, produzido pelo
informante 1 do sexo masculino.
Em outros 10 enunciados, 33% do total, o pré-núcleo apresentou um contorno
baixo, como notação fonológica L*, como exemplificado pela figura 60.
¿Todos bien?
Pitch (Hz)
550
30
o
ie
todos
bien
L*
L+H*
HH%
¿todos bien?
0
0.5605
Time (s)
Figura 60: Contorno melódico do enunciado “¿Todos bien?”, produzido pelo informante 1 do sexo
masculino.
Finalmente, cabe sinalizar que encontramos outros dois padrões para o pré-núcleo,
H+L*, queda da curva de F0 na sílaba tônica, em dois enunciados e L+H*, ascendente
com pico alinhado à sílaba tônica, em um enunciado.
147
A seguir, apresentamos a análise da notação fonológica para o núcleo dos
enunciados interrogativos totais da variedade de Santiago do Chile.
5.2.2- Análise Nuclear
Conforme já mencionamos, classificamos 13 perguntas como detalhe de
elaboração; 11 perguntas como informação suplementar; 9 como pergunta esclarecedora; 5
perguntas como diretor do fluxo de informação e 1 pergunta como iniciador de tópico,
conforme sintetiza a tabela 24 abaixo.
Tabela 24
Categoria Pragmática
Quantitativo
Detalhe de Elaboração
13
Informação Suplementar
11
Pergunta Esclarecedora
9
Diretor do Fluxo de Informação
5
Iniciador de Tópico
1
Tabela 24: Quantitativo de enunciados interrogativos totais em cada categoria pragmática, variedade de
Santiago do Chile.
Vejamos as análises propostas a seguir, detalhadamente.
5.2.2.1- Detalhe de Elaboração (13 ocorrências)
Em (1) temos um exemplo de uma pergunta do tipo detalhe de elaboração, ou seja,
o falante B deseja obter mais detalhes sobre o tópico atual da conversa. Portanto, em uma
pergunta deste tipo é necessário que se busque uma informação (IS+). Nota-se que em tal
categoria não se passa o turno (FP-), ou seja, o falante B interroga por detalhes do tópico
corrente e o falante A mantém o turno da conversação.
(1) [A e B conversam sobre as ligações telefônicas]
5
A: igualmente Graciela mira aprovechando esta oportunidad antes las llamé pero no
6
estaban
7
B: ¿ahn?
148
8
A: y entonces me dijeron que como a las dos y media iban a llegar pero a esa hora
9
no podía llamar así que
10
B: ¿quién te contestó? ¿la empleada?
11
A: yo creo
[Conversa 3 – Mulheres – Santiago do Chile]
Nas perguntas desta categoria não há mudança no tópico da conversa (TC-) nem o
mesmo é interrompido (INT-), isto é, B elabora uma pergunta em seu turno, sem que
interrompa ou se sobreponha ao turno de B. Finalmente, é interessante destacar que as
perguntas deste tipo não possuem conteúdo proposicional (IR-), o que significa que o
conteúdo da pergunta não foi citado previamente na conversa.
Classificamos, nesta categoria, 13 enunciados interrogativos dos 39 analisados, com
duas configurações nucleares distintas (11+1+1 ocorrências). O contorno mais recorrente
foi o ascendente, L+H*HH%, em 11 dos 13 casos (92%), vide figura 61.
¿La empleada?
Pitch (Hz)
650
50
a
la
e
e
em
ple
a
a
a
da
L+H*
HH%
¿la empleada?
0
0.7695
Time (s)
Figura 61: Contorno melódico do enunciado “¿La empleada?”, classificado como detalhe de elaboração
(produzido pelo falante 2 do sexo feminino).
Verificamos no contorno acima que a sílaba pretônica está baixa, a tônica está em
movimento ascendente e a sílaba pós-tônica mantém o movimento descendente, com
atribuição tonal nuclear L+H*HH%, padrão esperado para os enunciados interrogativos
totais.
149
No entanto, em 1 pergunta desta categoria, verificamos um contorno descendente,
H+L*L%, da frequência fundamental. Acreditamos que tenha havido diferenças nos
padrões nucleares devido à presença de alguma atitude. Observemos o exemplo (2).
(2) [A e B conversam sobre as crianças que A cuida]
236
A: el Keylor ah ese es uno ese es un chico que tiene no más va a cumplir un año y
237
aho-
238
B: mmm oh que es chiquitito
239
A: va a cumplir un año el sábado y y ahora la mamá entonces va a adoptar a otro
240
bebé hermanito de él digamos
241
B: ah
242
A: que va a nacer ahora que va a nacer ahora esta otra semana
243
A: entonces la la señora esta lo va a adoptar también así es que van a ser hermanitos
244
digamos reales
245
B: mmm ¿este es adoptivo también?
246
A: sí es adoptivo el Keylor es adoptivo
[Conversa 3 – Mulheres – Santiago do Chile]
Este enunciado, especificamente, foi dito com o objetivo de confirmar uma
informação, ou seja, o falante tem certeza de que a resposta do ouvinte é afirmativa. Ortiz
alii (2010: 269) propõem um núcleo descendente – H+L*L% – para as perguntas
confirmativas da variedade de Santiago do Chile. Na figura 62, abaixo, confirmamos este
padrão proposto por tais autores.
150
¿ Este es adoptivo también?
550
500
400
300
Pitch (Hz)
200
100
50
e
e
a
este es
o
i
adop
ti
o
a
vo
tam
L+>H*
ie
bién
H+L* L%
¿Este es adoptivo también?
0
1.37
Time (s)
Figura 62: Contorno melódico do enunciado “¿Este es adoptivo también?”, classificado como detalhe de
elaboração (produzido pelo falante 2 do sexo feminino).
Observamos que a sílaba pretônica está alta e a tônica está em movimento
descendente, com atribuição tonal nuclear H+L*L%.
Além do contorno descendente, caracterizando os enunciados interrogativos totais
com função atitudinal confirmativa, verificamos a ocorrência de um contorno circunflexo.
Em 1 enunciado desta categoria, o contorno circunflexo se apresenta com pico alinhado à
sílaba tônica, L+H*L%, como ilustra a figura 63.
Ya ¿los mails?
350
300
Pitch (Hz)
200
100
30
a
ya
o
ai
los
mail
L+H*
L%
¿ ya los mails?
0
0.7173
Time (s)
Figura 63: Contorno melódico do enunciado “Ya ¿los mails?”, classificado como pergunta recíproca
(produzido pelo falante 2 do sexo masculino).
151
Na figura 63, acima, nota-se que a sílaba pré-tônica está baixa, seguida de um
movimento ascendente na sílaba tônica onde começa o movimento descendente. Por essa
razão, este contorno recebeu notação L+H*L%. Acreditamos que este enunciado está
prosodicamente marcado por um foco contrastivo no núcleo. Vejamos o exemplo (3).
(3) [A e B conversam sobre mensagens e e-mails]
5
A: eh recibí tu mensaje ayer ¿te dieron (( ))?
6
B: sí
7
A: ¿ahn?
8
B: ¿cómo?
9
A: que recibí tu mensaje ayer
10
B: ya ¿los mails?
11
A: sí
[Conversa 4 – Homens – Santiago do Chile]
Em (3), B confirma se a mensagem a que A se refere são os mails. No entanto, mails,
neste enunciado, contrasta com qualquer outra possibilidade dentro de uma sério ou
conjunto de tipos de mensagem. Assim, confirmamos a hipótese de que sobre o núcleo
recai um foco contrastivo, marcado pelo movimento circunflexo de F0, o que converge
com os resultados dos dados de Buenos Aires, apresentados e discutidos no capítulo 4.
5.2.2.2- Informação Suplementar (11 ocorrências)
A categoria informação suplementar engloba as perguntas que indagam sobre
alguma informação relevante ao tópico corrente, como em (4).
(4) [A e B conversam sobre as novidades da vida de A]
212
B: oye pero cuéntame de ti
213
A: Eh ¿de mí?
214
B: mmm
215
A: ah aquí estoy ¿de mí o de Myriam? [risas]
216
B: de ti
217
A: mmm mira siempre cuidando los niñitos
218
B: ¿los tienes ahí?
152
219
A: ¿ahn?
220
B: ¿los tienes ahí?
221
A: sí están aquí ahora están comiendo así es Myriam
[Conversa 3 – Mulheres – Santiago do Chile]
Observa-se em (4) que o participante B busca uma informação (IS+) sobre o tópico
corrente, sem mudar o tema da conversação (TC-). Não há mudança de turno (FP-), mas o
falante B é interrompido pela pergunta de A (INT+).
Dos 39 enunciados interrogativos totais analisados, classificamos pragmaticamente
11 enunciados como informação suplementar, com dois padrões nucleares distintos (7+4
ocorrências). Para esta categoria encontramos, em 7 enunciados (64%), um padrão
ascendente, L+H*HH %, como ilustrado na figura 64.
¿Los tienes ahí?
Pitch (Hz)
550
20
o
ie
los
e
tienes
L+H*
a
i
ahí
L+H* HH%
¿Los tienes ahí?
0
1.109
Time (s)
Figura 64: Contorno melódico do enunciado “¿Los tienes ahí?”, classificado como informação
suplementar (produzido pelo falante 2 do sexo feminino).
Na figura 64, a sílaba pretônica está baixa e a tônica está em movimento
ascendente, com atribuição tonal nuclear L+H*HH%.
Embora tenhamos verificado este padrão, encontramos também, em 4 enunciados
(36%), um padrão descendente, H+L*L%, característico das perguntas que funcionam
com uma atitude confirmativa (ORTIZ alii, 2010).
153
Pero ¿no está contento?
Pitch (Hz)
550
20
e
o
pero
o
no
a
está
o
e
con
L+>H*
o
ten
to
H+L*
L%
pero no está contento?
0
1.449
Time (s)
Figura 65: Contorno melódico do enunciado “Pero ¿no está contento?”, classificado como informação
suplementar (produzido pelo falante 2 do sexo feminino).
Nota-se na figura 65, acima, um exemplo de pergunta classificado como
informação suplementar que funciona também, do ponto de vista atitudinal, como uma
atitude confirmativa. Observa-se, no núcleo, contorno de F0 com sílaba pretônica alta,
seguida de uma tônica baixa e uma pós-tônica também baixa, H+L*L%.
(5) [A e B conversam sobre Nando?
14
B: [risas] oye ¿cómo le está yendo al Nando?
15
A: mira más o menos no más Graciela
16
B: ¿por qué?
17
A: no ha resultado como realmente pensábamos ¿ahn?
18
B: uy
19
A: hay muchos problemas ahí en esta compañía y mucho desorden y no mira
20
después te voy a mandar explicar más detalles en carta pero
21
B: ¿pero no está contento?
22
A: claro no no
[Conversa 3 – Mulheres – Santiago do Chile]
O exemplo (5), acima, confirma que a falante B possui uma atitude confirmativa em
relação ao conteúdo proposicional, ou seja, apresenta a certeza de que aquilo que se
pergunta possui uma resposta afirmativa.
154
5.2.2.3- Pergunta Esclarecedora (9 ocorrências)
Os enunciados interrogativos classificados como perguntas esclarecedoras
englobam as perguntas que funcionam como um pedido de repetição de uma informação já
dada anteriormente, como em (6).
(6) [A e B conversam sobre contas de e-mail]
164
A: parece que sí no lo tengo aquí a mano espérate a ver estoy buscando
165
**tututututú** chuta madre espérate déjame buscar aquí en esta otra libreta --
166
B: [noise]
167
A: aquí está Araucaria sec U Chile C L
168
B: ¿U Chile?
169
A: sí U Chile
[Conversa 4 – Homens – Santiago do Chile]
Observamos no diálogo do exemplo (6) que o falante B busca uma informação
informação (IS+) ao pedir a repetição de um conteúdo já dito anteriormente na gravação
(IR+). Dos 39 enunciados analisados, 9 foram classificados pragmaticamente como
pergunta esclarecedora e todos apresentaram um contorno ascendente, L+H*HH%,
como ilustrado na figura 66.
155
¿U Chile?
450
400
300
Pitch (Hz)
200
100
30
u
i
u
chile
e
L+H*
HH%
¿U Chile?
0
0.6911
Time (s)
Figura 66: Contorno melódico do enunciado “¿U Chile?”, classificado como pergunta esclarecedora
(produzido pelo falante 2 do sexo masculino).
Na figura 66, a sílaba pretônica está baixa e a tônica está em movimento
ascendente, seguida de uma pós-tônica alta, com atribuição tonal nuclear L+H*HH%.
5.2.2.4- Diretor do Fluxo de Informação (5 ocorrências)
As perguntas desta categoria são usadas como uma estratégia para controlar o
tópico da conversa, pois controlam a direção da informação. Nesta categoria não há
mudança de turno (FP-), mas há mudança de tópico (TC+), o que significa que um dos
participantes não deseja tomar o turno para si, mas deseja mudar o tópico corrente. Notase ademais que o falante busca uma informação (IS+), sem que interrompa o ouvinte
(INT-). Tampouco há conteúdo proposicional na gravação (IR-), como em (7).
(7) [A e B conversam sobre alguns familiares]
121
B: ya pues le dije vamos pero tiene que decirlo en serio pues Eddie no no así no
122
más porque entonces yo pensé que podía invitar
123
B: a a un nieto de Arnoldo ¿te acuerdas de ese Arnoldo primo de nosotros?
124
A: sí
[Conversa 3 – Mulheres – Santiago do Chile]
156
Encontramos para esta categoria pragmática 5 enunciados interrogativos totais dos
39 analisados. Em todos os casos, observamos um contorno ascendente, L+H*HH%,
como o ilustrado na figura 67.
¿Te acuerdas de ese Arnoldo primo de nosotros?
Pitch (Hz)
650
30
u
ea
ue
tú te a cuer
a
ea
das de ar
a
man
o
do
i
pri
o e
o
mo de no
L*
o
so
L+H*
o
tros
HH%
Tú te acuerdas de Armando primo de nosotros?
0
1.867
Time (s)
Figura 67: Contorno melódico do enunciado “¿Te acuerdas de ese Arnoldo primo de nosotros?”,
classificado como diretor do fluxo de informação (produzido pelo falante 2 do sexo feminino).
Nota-se um núcleo ascendente com sílaba pretônica baixa, seguida de uma tônica
alta que se mantém alta na sílaba pós-tônica, com configuração nuclear L+H*HH%.
5.2.2.5- Iniciador de Tópico (1 ocorrência)
A categoria de iniciador de tópico se caracteriza pelas perguntas que iniciam um
novo tópico. Nesta categoria há mudança de tópico (TC+) bem como uma busca de
informação (IS+). O participante que detém o turno pode ou não passá-lo ao outro
participante (FP±), como em (8).
(8) [A e B conversam sobre seus familiares]
22
A: claro no no
23
B: oye ¿recibiste hoy una carta mía?
24
A: no
25
B: ah yo pensaba que iba a recibirla porque hoy es el quinto día que le eché
26
A: ah no no la
157
27
B: ahí te contaba unas cosas de Eddie
[Conversa 3 – Mulheres – Santiago do Chile]
Dos 39 enunciados analisados, apenas 1 foi classificado como iniciador de tópico.
O contorno de tal enunciado apresentou sílaba pretônica baixa, e uma tônica em
movimento ascendente, com configuração nuclear L+H*HH%.
Oye ¿recibiste hoy una carta mía?
Pitch (Hz)
650
30
e
i
re
ci
i
bis
e
te
o
i u
hoy
a
una
a
car
L+>H*
Oye
a
ta
ia
mía
L+H* HH%
recibiste hoy una carta mía?
0
1.971
Time (s)
Figura 68: Contorno melódico do enunciado “Oye ¿recibiste hoy una carta mía?”, classificado como
iniciador de tópico (produzido pelo falante 2 do sexo feminino).
Do ponto de vista da análise fonológica, podemos sintetizar nossos resultados a
partir da tabela abaixo:
Tabela 25
Variedade
Núcleo
N
%
Atitude e/ou estrutura
informativa
Santiago do Chile
Total
L+H*HH%
33
85%
Pedido de informação
L*L%
5
12%
Pedido de confirmação
L+H*L%
1
3%
Foco contrastivo
39
100%
Tabela 25: Variação tonal no núcleo dos enunciados interrogativos totais da variedade de Santiago do
Chile.
158
Verificamos a ocorrência de três diferentes configurações tonais no núcleo. A
primeira e majoritária, L+H*HH%, se caracteriza por um movimento ascendente final,
encontrada em 85% dos enunciados. Observamos que esse contorno é característico das
perguntas que funcionam como um pedido de informação.
A segunda configuração mais freqüente, H+L*L%, se caracteriza por um
movimento descendente final, encontrado em 12% dos enunciados. Tal contorno é
característico dos enunciados interrogativos totais que funcionam, atitudinalmente, como
um pedido de confirmação.
Finalmente, em 3% dos enunciados, encontramos a configuração nuclear
circunflexa, com pico alinhado à sílaba tônica, L+H*L%, característico dos enunciados
interrogativos totais que possuem foco contrastivo no núcleo.
No que se refere à análise pragmática, apresentamos na tabela 26 uma síntese de
nossos resultados.
Tabela 26
Categoria Pragmática
Detalhe de Elaboração
Santiago do Chile
L+H*HH% (12)
H+L*L% (1)
Informação Suplementar
L+H*HH% (7)
H+L*L% (4)
Pergunta Esclarecedora
Diretor
do
Fluxo
L+H*HH% (9)
de
Informação
L+H*HH% (5)
Iniciador de Tópico
L+H*HH% (1)
Tabela 26: Síntese das configurações nucleares encontradas para cada categoria pragmática.
Observa-se que para as diferentes categorias pragmáticas, encontramos
configurações nucleares semelhantes, enquanto que para uma mesma categoria, verificamos
diferentes configurações nucleares. Acreditamos, assim como Couper-Kuhlen (2012), que
tal variação de padrões no núcleo se relaciona com os graus de certeza epistêmica
estabelecidos pelo contexto.
Dessa forma, nos casos em que o grau de certeza é neutro, isto é, um pedido de
informação em que se deseja obter um dado, encontramos um contorno final ascendente
159
(L+H*HH%). Para os casos em que há certeza da verdade do conteúdo proposicional do
enunciado, ou seja, as perguntas confirmativas, encontramos um contorno melódico final
descendente (H+L*L%), o que corrobora o contorno já descrito por Ortiz alii (2010).
Outra característica dos nossos dados pode ser pensada se levamos em
consideração os padrões fonológicos do núcleo: o enunciado com foco contrastivo,
L+H*L%.
Cabe verificar no nível fonológico se há alguma modificação na implementação do
padrão acentual proposto, devido à estrutura acentual final do enunciado.
4.3- Notação fonológica e padrão acentual
Como se sabe, nossos dados são repertoriados em corpus de fala espontânea. Em
vista disso, não foi possível controlar o padrão acentual dos vocábulos do núcleo, o que
resultou em dados com os distintos padrões: oxítono, paroxítono e proparoxítono.
É interessante verificar e discutir se há alguma modificação na implementação do
padrão acentual proposto, devido à estrutura acentual final do enunciado.
Ao analisar a implementação no núcleo dos enunciados com padrão acentual final
proparoxítono, verificamos que a atribuição tonal não é diferente do padrão paroxítono,
no entanto ao contar com uma sílaba a mais o contorno do padrão final fica melhor
delineado, vide figura 69.
¿Estai en el república?
Pitch (Hz)
600
30
ai
tai
e
e
en el
u
i
a
república
L*
L+H*
HH%
¿estai en el república?
0
1.161
Time (s)
Figura 69: Notação fonológica do enunciado com final proparoxítono “¿Estai en el república?”,
produzido pelo falante 1 do sexo masculino.
160
Analisando a implementação no núcleo dos enunciados com padrão acentual final
oxítono, consideramos que a atribuição tonal também não variou, embora o padrão fique
comprimido pelo final abrupto ou incompleto, causado pela ausência de sílabas posteriores
à tônica, vide figura 70.
¿No recibiste nada así?
450
400
300
Pitch (Hz)
200
100
30
o
no
o
no
e
i
e
a
recibiste
L+>H*
i
nada así
L+H*
HH%
No ¿no recibiste nada así?
0
1.344
Time (s)
Figura 70: Notação fonológica do enunciado com final oxítono “¿No recibiste nada así?”,
produzido pelo falante 1 do sexo masculino.
No caso da variedade de Santiago do Chile, o padrão mais recorrente no núcleo é o
ascendente. Optamos por manter a notação fonológica L+H*HH%, uma vez que uma vez
que, houve truncamento da curva de F0, pelo final abrupto ou incompleto pela ausência de
sílabas posteriores à tônica.
4.4- Resumindo
Em resumo, constatamos com as análises dos nossos dados da variedade de
Santiago do Chile que:
 Com relação à implementação de F0 no pré-núcleo, observamos que 60% (18) dos
30 enunciados apresentam contorno ascendente.
 Com relação à implementação de F0 no núcleo, observamos que 85% (32) dos 39
enunciados analisados apresentam contorno ascendente.
161
 Com relação à implementação da duração no pré-núcleo, observamos que as
mulheres tendem a alongar a sílaba pós-tônica ao passo que os homens tendem a
apresentar a sílaba tônica com maior duração.
 Com relação à implementação da duração no núcleo, também observamos que as
mulheres tendem a alongar a sílaba pós-tônica, embora seja uma diferença quase
imperceptível ao ouvido humano. Por outro lado, os homens tendem a apresentar a
sílaba tônica com maior duração.
 Com relação à atribuição tonal, 53% (16) dos 30 enunciados que possuem pré-núcleo
receberam notação fonológica L+>H*. Já, para o núcleo, 85% (32) dos 39 enunciados
analisados receberam notação fonológica L+H*HH%.
 Com relação à análise pragmática, classificamos os 39 enunciados interrogativos totais
em seis das nove categorias propostas por Hedberg et alii (2010): (i) como detalhe de
elaboração, 92% dos 12 enunciados apresentou padrão ascendente no núcleo,
L+H*HH%; (ii) como informação suplementar, 64% dos 11 enunciados apresentou
padrão ascendente no núcleo, L+H*HH%; (iii) como pergunta esclarecedora, 100% dos
9 enunciados também apresentou padrão ascendente; (iv) como diretor do fluxo de
informação, 100% dos 5 enunciados apresentou padrão ascendente, L+H*HH% e (v)
como iniciador de tópico, um enunciado (100%) apresentou padrão ascendente,
L+H*HH%.
 Tal distribuição e classificação podem dar-nos pistas sobre o funcionamento
conversacional e as funções das perguntas nas interações conversacionais. Entretanto,
não são distintivas por diferentes padrões, acentos ou configurações tonais. O contraste
fonológico está mais relacionado ao nível semântico, de atitudes (atitude proposicional
confirmativa) ou estruturas informativas (foco contrastivo) do que ao nível pragmático
conversacional.
162
6
SINTAGMAS ENTONACIONAIS SEGUIDOS
DE TAG QUESTION: ANÁLISE
PRELIMINAR
Nesta dissertação, objetivamos analisar prosódica e pragmaticamente a entoação de
enunciados interrogativos totais. Em nossos dados, amostras de fala espontânea, chamounos a atenção, as perguntas finais de confirmação (ou tag questions). Por essa razão,
interessou-nos investigar, ainda que preliminarmente, a estrutura prosódica da partícula
“¿no?”.
O Dicionário de Partículas Discursivas do Espanhol (BRIZ, PONS &
PORTOLÉS, 2008) define o marcador discursivo “¿no?” como aquele que (i) apela ao
ouvinte solicitando de maneira reforçada que confirme, ratifique ou aceite o dito ou o que
o falante pede e (ii) reafirma o que o próprio falante diz ao mesmo tempo em que chama a
atenção do ouvinte para que se alie com o que se está dizendo.
Nos últimos anos tem crescido o número de pesquisas e estudos sobre as
propriedades destas partículas discursivas, no entanto, o âmbito suprassegmental está
pendente de uma investigação mais profunda.
Em vista disso, pretendemos com esta análise preliminar descrever os contornos
entonacionais do tag question “¿no?” nas variedades do espanhol de Buenos Aires e Santiago
do Chile. Além disso, verificaremos se dito marcador pertence a um mesmo sintagma
entonacional ou se constitui um sintagma distinto. Assim como os resultados encontrados
em Serra (2009) para o português do Brasil, acreditamos que estes tag questions serão
realizados em sintagmas entonacionais diferentes.
Para nossas análises utilizaremos os pressupostos da fonologia prosódica
(NESPOR
&
VOGEL,
1994;
SERRA,
2009)
e
da
fonologia
entonacional
(PIERREHUMBERT, 1980; LADD, 1996; SOSA, 1999; ESTEBAS-VILAPLANA &
PRIETO, 2008), já discutidos no capítulo 1 desta dissertação.
6.1- Estudos sobre os tag questions: O âmbito prosódico
Como já mencionamos anteriormente, não são muitos os trabalhos que se propõem
a descrever a entoação de partículas discursivas em espanhol. Nesta seção, discutiremos
163
alguns estudos que tratam da análise prosódica dessas partículas, embora não apresentem
coincidências em termos de métodos nem de elementos prosódicos analisados.
Cid (1996) realiza uma investigação experimental sobre a produção de tag questions,
através de gravações de fala atuada por seis falantes de espanhol de diferentes
nacionalidades, a fim de verificar o comportamento do contorno entonacional nesse tipo
de pergunta confirmativa. O objetivo da autora é identificar as diferenças entre os tag
questions “¿no?” e “¿verdad?” produzidos em espanhol (língua materna) e seus equivalentes
em inglês (língua estrangeira) por esses seis falantes e compará-los com a produção do
mesmo item por anglofalantes. Cid (1996) conclui que os falantes de espanhol tendem a
produzir o tag question com contorno ascendente final tanto em espanhol como língua
materna quanto em inglês como língua estrangeira ao passo que os falantes de inglês
tendem a basear-se em conteúdos atitudinais e semânticos determinados pelo contexto.
Em trabalho semelhante para o português do Brasil, variedade carioca, Serra (2009)
apresenta um estudo sobre percepção e realização de fronteiras prosódicas dos Is+né. Em
relação à percepção, a autora afirma que a preferência dos juízes está em marcar a ruptura
depois do I+né. Por outro lado, em relação à realização de Is+né em fala espontânea, os
resultados são variados, podendo o I+né constituir um único I ou constituir dois Is
separados. Das 37 ocorrências de fala espontânea estudadas pela autora, apenas 2 casos de
Is+né foram realizados como um único I. Para estes casos, foram propostos dois
contornos nucleares distintos: H*+LL% e L+H*LH%.
No que se refere à realização de Is+né constituindo dois Is separados, Serra (2009)
observa um contorno caracterizado pela realização no primeiro I de um acento tonal e tom
de fronteira e por apenas um tom de fronteira no I constituído pelo “né”, sem acento
tonal, ao qual denomina “I degenerado”20. Nos 4 dados de fala espontânea deste tipo,
foram observados os seguintes contornos: H+L* L% + L%, em 1 I percebido; H+L* L%
+ H%, em 2 Is não percebidos e L+H* L% + L%, em 1 I não percebido (figura 71).
20
Conferir em Ladd (1996:220) exemplos, para o inglês, da entoação de tags sem acento tonal.
164
[pra começar a entrar literaturas]I [né]I
Figura 71: Exemplo de “I degenerado” (SERRA, 2009:135).
Na figura 71, acima, observamos um exemplo do que a autora denomina “I
degenerado”, caracterizado pela realização de um acento tonal e de um tom de fronteira no
primeiro I e por apenas um tom de fronteira no I constituído pelo “né”, sem acento tonal.
Para os demais casos em que o I que contém o “né” possui acento tonal, Serra
(2009) apresenta um contorno do primeiro I semelhante ao do segundo I, H+L* L% +
H+L* L%, vide figura 72.
[é o curso que tá salvando um pouco a faculdade]I [né]I
Figura 72: Exemplo de fronteira prosódica entre o I precedente e o I que contém o “né?”, ambos com
acento tonal e tom de fronteira (SERRA, 2009:135).
A autora conclui que há uma grande variedade de contornos entonacionais para os
Is+né. Além disso, a diferença encontrada entre a produção e a percepção, em que houve
preferência pela marcação de ruptura após o I+né, corrobora a proposta de restruturação
165
de I que prevê que um I pequeno tende a constituir um domínio composto com um I
adjacente.
É possível encontrar para o espanhol, estudos de outros marcadores discursivos,
embora não sejam exclusivamente interrogativos, como a investigação de Martín
Butragueño (2003). Em sua pesquisa, o autor descreve o contorno entonacional de
diferentes marcadores encontrados em um corpus do projeto “Cambio y Variación
Lingüística en la Ciudad de México” de três estilos de fala: gravação de conversa,
questionário lido e texto lido. Considerando a classificação discursiva proposta por Martín
Zorraquino e Portolés (1999), o autor divide os marcadores em cinco categorias: (i)
estruturadores da informação, (ii) conectores, (iii) reformuladores, (iv) operadores
argumentativos e (v) marcadores conversacionais. Além destes critérios discursivos, o autor
considera em suas análises a redução fônica ou não dos marcadores, a presença ou ausência
de fronteiras (pausas, alongamentos ou inflexões melódicas) anteriores ou posteriores aos
marcadores e os acentos tonais associados a tais itens.
Considerando alguns estudos que sugerem que os marcadores são seguidos de
pausas e outras investigações que propõem a associação dos marcadores a estruturas
nucleares suspensivas, Martín Butragueño (2003) parte da hipótese de que os marcadores
apresentam contorno nuclear H*+HL%. Sua análise corrobora que os marcadores seguidos
de fronteira apresentam uma marca prosódica específica, com estrutura suspensiva
H*+(H)L%, ou seja, um início alto, que pode ou não ser seguido de uma nova subida,
seguida de uma descida final. Por outro lado, quando o marcador não possui fronteira e se
incorpora ao enunciado, isto é, não possui autonomia tonal, recebe acentos tonais
esperados para as posições pré-nucleares: L*+H e algumas vezes H* e L+H*, este último
quando o marcador apresenta algum tipo de focalização.
Para o espanhol do Chile, mais especificamente, Pereira (2011) descreve os padrões
fonético-acústicos dos marcadores “a ver”, “bueno”, “claro”, “vale”, “¿cómo?” e “ya”,
associados aos significados pragmáticos de raiva, assentimento e estranheza, por
informantes de nível superior, falantes de espanhol do Chile. Os enunciados gravados
foram construídos através de situações fictícias semelhantes a situações reais de fala (fala
atuada). Para a análise entonacional, o autor considerou a proposta de análise por
configurações de Cantero (2002) e Cantero e Font (2009), que consiste em “discriminar los
valores frecuenciales relevantes (los segmentos tonales) de los valores irrelevantes (las F0
de las consonantes sonoras y de las glides)” (CANTERO e FONT, 2009 apud PEREIRA,
2011: 90).
166
A partir dessa investigação, Pereira (2011) sugere que os marcadores discursivos
estudados apresentam diferenças significativas na manifestação tanto fonética quanto
acústica dependendo do significado pragmático do contexto em que o marcador se insere.
Pensando nas discussões realizadas até aqui, levantamos as seguintes questões: (i) os
tag questions “¿no?” são realizados como um mesmo I junto ao I que os precede ou se
realizam em Is diferentes? e (ii) quais são os contornos entonacionais do marcador
interrogativo “¿no?” nas variedades do espanhol de Buenos Aires e Santiago do Chile?
6.2- Corpus Preliminar
Para responder às duas perguntas levantadas anteriormente, analisamos 18
ocorrências de Is+¿no?: 9 encontradas nas duas entrevistas da variedade de Buenos Aires e
9, nas duas entrevistas da variedade de Santiago do Chile. Para a variedade de Santiago do
Chile, encontramos uma variante do marcador conversacional confirmativo ¿no?, o ¿ah?,
que funciona como indexador social e regional. Por isso, analisamos também os casos em
que o ¿ah? aparece como confirmativo final.
Nesta seção, objetivamos apresentar uma descrição inicial do fenômeno de
fronteiras prosódicas, a partir de uma pequena amostra piloto, que será ampliada em
trabalhos futuros. A seguir, transcrevemos estas 18 ocorrências de Is+¿no? ou da variante
Is+¿ah?, na variedade de Santiago do Chile.
 9 ocorrências de Is+¿no? repertoriadas nas duas entrevistas da variedade de Buenos
Aires
FEMININOS
1- [sí]I [por um año]I [¿no?]I
MASCULINOS
1- [es lo que hacés vos]I [pero tiene un nombre formal]I [digamos]I [¿no?]I
2- [sí]I [por eso por eso]I [igualmente]I [te lo comentaba]I [nunca se sabe]I [¿no?]I
3- [es la que vive en Quilmes]I [¿no?]I
4- [no hay ninguna]I [¿no?]I
5- [huevadas]I [¿no?]I
167
6- [con cosas del mundial y con cosas del atentado]I [¿no?]I [bastante deprimente la
verdad]I
7- [yaquilandia es uno]I [¿no?]I
8- [mucho tiempo]I [¿no?]I
 9 ocorrências de Is+¿no? e de sua variante regional “ah” repertoriadas nas duas
entrevistas da variedade de Santiago do Chile
FEMININOS
1- [medio celoso]I [¿no?]I
2- [estaba como molesto de que le hablabas mucho de Eddie]I [¿ah?]I
3- [porque cuando él él ya termina]I [otro va a ir en su lugar]I [¿ah?]I
4- [parece que eso es lo que él quiere]I [¿ah?]I
5- [y así como para quedarse tanto tiempo tampoco]I [¿ah?]I
6- [posiblemente podría ser una semana]I [o dos semanas]I [o algo así quizás]I [¿ah?]I
MASCULINOS
1- [el reuna es lo que les da servicio a ustedes]I [parece]I [¿no?]I
2- [conoces el reuna tú]I [¿no?]I
3- [porque ustedes no han recibido nada de mensajes de afuera]I [¿no?]I
Vejamos a seguir, as análises e discussões dos dados para cada variedade do
espanhol.
6.3- Análises Preliminares
Vejamos, a seguir, as análises e discussões dos dados para cada variedade do
espanhol.
6.3.1- Buenos Aires
Conforme explicamos no capítulo 1, a teoria da fonologia prosódica (NESPOR &
VOGEL, 1994) sugere que o limite de um I pode ser identificado por uma pausa, um
alongamento silábico pré-fronteira ou um movimento tonal. No caso da variedade de
168
Buenos Aires, o alongamento e a inflexão tonal foram responsáveis pela marcação do limite
de I, uma vez que em nenhum dos dados analisados houve pausa entre o I precedente e o
“¿no?”.
Para os 8 enunciados analisados, observamos que em 100% dos dados, os Is+¿no?
foram realizados como dois Is separados, ou seja, houve realização de fronteira prosódica
entre o I precedente e o “¿no?”, com acento tonal e tom de fronteira em ambos os Is,
como ilustrado na figura 73.
[sí]I [por un año]I [¿no?]I
350
300
Pitch (Hz)
200
100
50
sí
por un año
H*
no
L%
L+H* HH%
0
1.475
Time (s)
Figura 73: Realização de fronteira prosódica entre o I precedente e o I que contém o “¿no?”, ambos com
acento tonal e tom de fronteira, na variedade de Buenos Aires. Enunciado produzido pelo informante 2, do
sexo feminino.
Com relação às fronteiras que ocorreram no I antes do “¿no?”, observamos que 8
dos 9 enunciados (89%), a fronteira foi realizada com tom de fronteira baixo e apenas 1
(11%), a fronteira foi realizada com um tom alto. A tabela 27 ilustra a distribuição das
configurações nucleares obtidas para os Is precedentes ao “¿no?”.
169
Tabela 27
Configurações Nucleares
Ocorrências
(L+)H*L%
5
(H+)L*L%
3
H*H%
1
Tabela 27: Distribuição das configurações nucleares obtidas para os Is precedentes ao “¿no?”, na
variedade de Buenos Aires.
Levando em consideração os contornos para os Is constituídos pelo “¿no?”,
constatamos que em todos os dados a fronteira foi realizada com um tom alto. Em 100%
dos casos, a configuração nuclear do “¿no?” é composta por um acento bitonal e tom de
fronteira alto L+H*HH%, como ilustra a figura 74.
[es es la que vive en Quilmes]I [¿no?]I
450
400
Pitch (Hz)
300
200
100
50
(( ))
es es la que vive en Quilmes
L+H*
0.69
no
L% L+H* HH%
2.18
Time (s)
Figura 74: Contorno de “¿no?” L+H*HH%, realizado em 100% dos 8 casos.
A análise dos dados demonstra que os tag questions dos enunciados analisados na
variedade de Buenos Aires se prosodizam separadamente, isto é, são realizados em Is
diferentes. O I que precede o ¿no?” apresenta tom de fronteira baixo em 88% dos dados
analisados. Além disso, 100% dos Is constituídos pelo “¿no?” apresentam um contorno
entonacional com final ascendente (HH%) composto também por acento tonal (L+H*).
170
6.3.2- Santiago do Chile
No caso da variedade de Santiago do Chile, observamos que nos 9 enunciados
analisados, tanto os 5 casos Is+¿no? quanto os 4 casos de Is+¿ah? foram realizados como
dois Is separados, ou seja, houve realização de fronteira prosódica entre o I precedente e o
“¿no?”/“¿ah?”, com acento tonal e tom de fronteira em ambos os Is, como ilustrado na
figura 75 e 76, respectivamente.
[porque ustedes no han recibido nada de mensajes de afuera]I [¿no?]I
400
300
Pitch (Hz)
200
100
50
porque ustedes no han recibido nada de mensajes de afuera no?
H*
L% L+H* HH%
1.812
2.73
Time (s)
Figura 75: Realização de fronteira prosódica entre o I precedente e o “¿no?”, ambos com acento tonal e
tom de fronteira, na variedade de Santiago do Chile.
171
[porque cuando él él ya termina]I [otro va a ir en su lugar]I [¿ah?]I
450
400
Pitch (Hz)
300
200
100
30
porque cuando él él ya termina otro va a ir en su lugar
373ms
L*
L%
¿ah?
L+H* HH%
2.011
4.035
Time (s)
Figura 76: Realização de fronteira prosódica entre o I precedente e o “¿ah?”, ambos com acento tonal e
tom de fronteira, na variedade de Santiago do Chile.
Com relação às fronteiras que ocorreram no I antes do “¿no?”, observamos que 8
dos 9 enunciados (89%) se realizaram com tom de fronteira baixo e apenas 1 (11%) foi
realizada com um tom de fronteira alto-descendente. A tabela 28 ilustra a distribuição das
configurações nucleares obtidas para os Is precedentes ao “¿no?” ou de sua variante “¿ah”.
Tabela 28
Configurações Nucleares
Ocorrências
H*L%
6
L*L%
2
H*HL%
1
Tabela 28: Distribuição das configurações nucleares obtidas para os Is precedentes ao “¿no?”, na
variedade de Santiago do Chile.
Com relação aos contornos dos Is constituídos pelo “¿no?” ou “¿ah?”, constatamos
que em todos os 9 dados (100%) a fronteira foi realizada com um tom alto. Cabe destacar
também que em todos os dados, encontramos um acento tonal ascendente L+H*, como
ilustrado na figura 77.
172
[el reúna es el que les da servicio a ustedes]I [parece]I [¿no?]I
350
300
Pitch (Hz)
200
75
el reuna es el que le da servicio a ustedes parece
L*
no?
L% L+H*
HH%
1.937
3.018
Time (s)
Figura 77: Contorno de “¿no?” L+H*HH% realizada em 100% dos casos, na variedade de Santiago
do Chile.
A análise dos dados demonstra que os tag questions dos 9 enunciados analisados na
variedade de Santiago do Chile se prosodizam separadamente, isto é, são realizados em Is
diferentes. O I que precede o “¿no?” ou o “¿ah?” apresenta tom de fronteira baixo em 88%
dos dados analisados. Além disso, 100% dos Is constituídos pelo “¿no?” apresentam um
contorno entonacional com final ascendente (HH%) composto também por acento tonal
(L+H*).
Confrontando a realização de Is+¿no? nas duas variedades de espanhol aqui
analisadas, notamos que em ambas há realização majoritária de uma fronteira prosódica
entre o I precedente e o I constituído pelo tag question, conforme já havia sido parcialmente
divulgado em Serra e Gomes da Silva (2013). Destacamos também a recorrência de uma
configuração nuclear ascendente neste segundo I.
Tal configuração ascendente difere das realizações do tag question “né?”, em
português do Brasil, variedade carioca. Segundo Serra (2009), o I constituído pela pergunta
confirmativa apresenta, como mais frequente, um contorno descendente H+L*L%.
Cabe ressaltar a necessidade de ampliação do corpus e de realização de um teste
perceptivo a fim de verificar se os juízes perceberão a realização dos Is+¿no? ou Is+¿ah?
em Is diferentes, como foi demonstrado na análise prosódica.
173
6.4- Resumindo
 A análise dessa amostra preliminar de dados demonstra que os tag questions dos
enunciados se prosodizam separadamente, isto é, são realizados em Is diferentes. O I
que precede o “¿no?” ou da variante “¿ah?”, na variedade de Santiago do Chile
apresenta tom de fronteira baixo em 16 dos 18 enunciados analisados (89%). Além
disso, 100% dos 18 Is constituídos pelo “¿no?”/“¿ah?” apresentam um contorno
entonacional com final ascendente (HH%) composto também por acento tonal L+H*
em todos os dados.
174
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Nesta dissertação, tivemos como proposta descrever a entoação de enunciados
interrogativos totais realizados em conversas telefônicas coloquiais por falantes de espanhol
das variedades de Buenos Aires e de Santiago do Chile, a partir da investigação da
correlação entre a forma prosódica e a função pragmática destes enunciados.
Três objetivos nos conduziram durante a produção do trabalho, a saber: (i) verificar
quais são os contornos entonacionais encontrados em conversas coloquiais dos enunciados
interrogativos totais nas variedades argentina (Buenos Aires) e chilena (Santiago do Chile),
através de dois parâmetros acústicos: frequência fundamental e duração; observando se
dados conversacionais e espontâneos confirmam ou não os resultados já descritos para a
fala lida e/ou atuada (SOSA, 1999; GABRIEL et alii, 2010; ORTIZ et alii, 2010;
FIGUEIREDO, 2011); (ii) analisar se há convergência ou divergência entre a forma
prosódica e a função pragmática; (iii) descrever os contornos entonacionais do tag question
“¿no?” nas variedades do espanhol de Buenos Aires e de Santiago do Chile e verificar se
dito marcador pertence a um mesmo sintagma entonacional ou se constitui um sintagma
distinto.
No capítulo 1, nos centramos na discussão dos modelos teóricos entonacionais e
dos estudos que nos embasaram para que pudéssemos analisar os nossos dados. Mais
especificamente, descrevemos (i) os pressupostos da fonologia entonacional, situada dentro
dos princípios do modelo métrico-autossegmental; (ii) o sistema de notação Sp_ToBI,
concebido como um tipo estandarizado de etiquetagem prosódica capaz de transcrever e
notar fonologicamente a entoação de diversas variedades do espanhol e (iii) os
pressupostos da fonologia prosódica. Ainda neste capítulo, apresentamos estudos recentes
da entoação de enunciados interrogativos totais das variedades de Buenos Aires e Santiago
do Chile.
Definimos, no capítulo 2, os conceitos de (i) coloquial (registro situacional); (ii)
oral (produção e recepção pelo canal fônico); (iii) espontâneo (grau de planejamento da
informação) e (iv) conversacional, (discurso oral, dialogal, imediato, dinâmico,
cooperativo e mudança de turno não pré-determinada). Apresentamos, também, o que
entendemos por conversação coloquial, uma modalidade conversacional com marcas de
situacional (coloquial). Além de destacar a estrutura de uma conversação a partir da
175
sucessão de turnos de fala e, em especial, a estrutura organizacional de uma conversa
telefônica.
No capítulo metodológico, o capítulo 3, relatamos como foram coletados os 78
enunciados interrogativos totais analisados para esta dissertação, bem como os critérios
de análise dos dados, tanto do ponto de vista fonético e de notação fonológica quanto do
ponto de vista pragmático.
Apresentamos as análises e discussões dos nossos dados nos capítulos 4, 5 e 6, em
que objetivamos responder às perguntas levantadas na introdução desta dissertação. Nos
capítulos 4 e 5, apresentamos as análises referentes à descrição dos contornos dos
enunciados interrogativos totais a partir das medidas de F0 e de duração nas variedades de
Buenos Aires e Santiago do Chile, respectivamente. Verificamos algumas diferenças entre
as duas variedades aqui analisadas. Do ponto de vista fonético e no que se refere à
implementação de F0 no pré-núcleo, em ambas as variedades observamos um
comportamento, majoritariamente, ascendente.
Por outro lado, a implementação de F0 no núcleo apresentou diferenças
significativas entre as duas variedades. Na variedade de Buenos Aires, observamos três
diferentes contornos para o núcleo dos enunciados interrogativos totais: contorno
circunflexo, em 19 dos 39 dados analisados (49%); contorno ascendente em 12 dos 39
dados analisados (31%) e contorno descendente em 8 dos 39 dados analisados (20%).
Verificamos ainda que nos 12 enunciados em que o núcleo é ascendente, o vocábulo final
possui padrão acentual oxítono ou é constituído por um monossílabo tônico. Portanto,
constatamos que, nestes casos, houve truncamento do padrão esperado para a variedade de
Buenos Aires, o circunflexo.
Para a variedade de Santiago do Chile, também observamos três diferentes
contornos para os enunciados interrogativos totais: contorno ascendente, em 32 dos 39
dados analisados (85%); contorno descendente, em 5 dos 30 dados analisados (13%) e
contorno circunflexo, em 1 dos 39 dados analisados (2%).
Confrontando as duas variedades aqui estudadas, constatamos que na variedade de
Buenos Aires, a ocorrência de enunciados interrogativos totais com contorno circunflexo
no núcleo é majoritária, ao passo que na variedade de Santiago do Chile, o contorno
ascendente no núcleo é o mais recorrente.
Com relação à implementação da duração, também foi possível encontrar
comportamentos distintos entre as duas variedades. Na variedade de Buenos Aires,
176
encontramos uma diferença entre pré-núcleo e núcleo. O primeiro apresenta maior duração
da sílaba tônica ao passo que no núcleo, a sílaba pós-tônica apresenta maior duração.
Na variedade de Santiago do Chile observamos uma diferença entre sujeitos do
sexo feminino e sujeitos do sexo masculino. Tanto no pré-núcleo como no núcleo, a sílaba
pós-tônica apresenta maior duração, no caso dos sujeitos do sexo feminino e, no caso dos
sujeitos do sexo masculino, a sílaba tônica é a que apresenta maior duração. Cabe salientar,
contudo, que independente do sexo do sujeito, há um aumento médio de +35ms, para o
pré-núcleo e um aumento médio de +56ms, para o núcleo, da sílaba pretônica para a
tônica, o que poderia caracterizar a implementação da duração nesta variedade.
Pensando na notação fonológica dos contornos do núcleo e considerando as
descrições realizadas por Gabriel et alii (2010) e por Ortiz et alii (2010), para as variedades
de Buenos Aires e de Santiago do Chile, respectivamente, para dados de fala atuada,
verificamos em nossos dados de fala espontânea a ocorrência majoritária do mesmo
contorno para o núcleo dos enunciados interrogativos totais propostos pelos autores.
Portanto, no que se refere à implementação de F0 e notação fonológica, 30 dos 39
enunciados analisados (77%) na variedade de Buenos Aires receberam notação
L+¡H*HL%, isto é, contorno de F0 com sílaba pretônica baixa, tônica ascendente até a
sílaba pós-tônica onde inicia o movimento descendente. Já, para a variedade de Santiago
do Chile, 32 dos 39 enunciados analisados (85%) receberam notação L+H*HH%, ou
seja, sílaba pretônica baixa, seguida de tônica ascendente com tom de fronteira também
ascendente.
Para dar conta da análise pragmática dos dados, recorremos ao modelo de
classificação proposto por Hedberg et alii (2010), que prevê nove categorias pragmáticas
para os enunciados interrogativos, segundo o seu uso no discurso. Observamos que para as
diferentes categorias pragmáticas, encontramos configurações nucleares semelhantes,
enquanto que para uma mesma categoria, verificamos diferentes configurações nucleares.
Por essa razão, constatamos que tal variação de padrões no núcleo se relaciona com os
graus de certeza epistêmica, estabelecidos pelo contexto (COUPER-KUHLEN, 2012).
Nossos dados demonstram a ocorrência de duas certezas epistêmicas que se
distinguem pelo comportamento de F0 na posição nuclear do enunciado. A primeira
equivale aos casos em que o grau de certeza é neutro, isto é, um pedido real de informação
em que se deseja obter um dado. A segunda engloba os casos em que há certeza da verdade
do conteúdo proposicional do enunciado, ou seja, as perguntas confirmativas.
177
Em síntese, as perguntas que funcionam como um pedido de informação
apresentam como contorno mais frequente o ascendente-descendente, com notação
fonológica L+¡H*HL% e as que funcionam como um pedido de confirmação,
apresentam como contorno mais frequente o descendente com notação L*L%, para a
variedade de Buenos Aires. Já para a variedade de Santiago do Chile, as perguntas que
funcionam como um pedido de informação apresentam como contorno mais frequente o
ascendente, com notação fonológica L+H*HH% e as que funcionam como um pedido
de confirmação, apresentam como contorno mais frequente o descendente com notação
H+L*L%.
Ainda encontramos três exemplos de enunciados interrogativos totais cujo núcleo
apresenta foco contrastivo, dois na variedade de Buenos Aires e um na variedade de
Santiago do Chile. Nestes casos, o contorno mais recorrente, para ambas as variedades, foi
o circunflexo, L+H*L%. No caso específico da variedade de Buenos Aires, encontramos
enunciado interrogativo, funcionando como uma pergunta de cortesia. Este enunciado
apresentou contorno ascendente, com tom de fronteira médio e recebeu notação
fonológica L+H*M%.
Realizamos, no capítulo 6, uma análise preliminar de um corpus piloto composto por
sintagmas entonacionais (Is) seguidos de “¿no?”, caracterizado por ser uma pergunta final
de confirmação. A análise dessa amostra piloto de dados demonstra que os tag questions dos
enunciados se prosodizam separadamente, isto é, são realizados em Is diferentes. O I que
precede o “¿no?” apresenta tom de fronteira baixo em 16 dos 18 enunciados analisados
(89%). Além disso, 100% dos 18 Is constituídos pelo “¿no?” apresentam um contorno
entonacional com final ascendente (HH%) composto também por acento tonal L+H*
em todos os dados.
Esperamos com esta dissertação ter contribuído para os estudos entonacionais de
língua espanhola por meio de investigações no contexto de fala espontânea conversacional.
178
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
AGUILAR, L. “La entonación”. In: ALCOBA, Santiago (org.) La expresión oral. Barcelona:
Ariel, 2000, pp. 115-145.
_________________. “La prosodia”. In: ALCOBA, Santiago (org.) La expresión oral.
Barcelona: Ariel, 2000, pp. 89-113.
AGUILAR, L.; DE-LA-MOTA, C.; PRIETO, P. (coords). Sp_ToBI Training Materials. 2009.
Web page: http://prosodia.upf.edu/sp_tobi/
BECKMAN, M.; DÍAZ-CAMPOS, M.; MCGORY, J. and MORGAN, T. Intonation
across Spanish in the Tones and Break Indices frameworks. In: Probus 14. 2002. p. 9-36
BISOL, L. Os constituintes prosódicos. In: BISOL, L. (org.). Intodução a estudos de fonología do
portugués brasileiro. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2005, P. 243-255.
BLANCHE-BENVENISTE, C. Lo hablado y lo escrito. In.: _________ Estudios lingüísticos
sobre la relación entre oralidad y escritura. Barcelona: Gedisa, 1998, p. 29-63.
BOERSMA, P. & WEENINK, D. Praat: doing phonetics by computer. Versão 5.3.08, 2012.
Disponível em: http://www.fon.hum.uva.nl/praat/
BRIZ, A. El español coloquial: Situación y uso. Madrid: Arco Libros, 1996.
____________. El español coloquial en la conversación: Esbozo de una pragmagramática. Barcelona:
Ariel, 1998.
____________. Las unidades de la conversación. In: ____________. ¿Cómo se comenta un
texto coloquial?. Barcelona: Ariel, 2000, p.51-80.
____________. El español coloquial en la clase de E/LE. Madrid: SGEL, 2002.
179
____________. La conversación coloquial española. Comunicação oral apresentada na
Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro, 21 e 22 de setembro de
2011.
____________, PONS, S., PORTOLÉS, J. (coord). Diccionario de partículas discursivas del
español, 2013. En línea, dirección electrónica: www.dpde.es.
BROWN, R. & LENVINSON, S. Politeness. Some universals in language use. Cambridge: Cup,
1987.
BUTRAGUEÑO, P. M. Hacia una descripción prosódica de los marcadores discursivos.
Datos del español de México. In: HERRERA, E. & BUTRAGUEÑO, P. M. La tonía.
Dimensiones fonéticas y fonológicas. México: El Colegio de México, 2003. Disponível em:
http://lef.colmex.mx/Sociolinguistica/Entonacion%20del%20espanol%20mexicano/Ento
nacion.htm.
CANTERO, F. J. Teoría y análisis de la entonación. Edicions de la Universitat de Barcelona,
2002.
CARRICABURRO, N. Las fórmulas de tratamiento en el español actual. Madrid: Arco Libros,
1997.
CID, M. La entonación de las preguntas ratificadas en español y sus equivalentes ‘question
tags’ en inglés: una comparación. In: Onomázein 3. Santiago de Chile: Facultad de Letras,
Pontificia Universidad Católica de
Chile,
1996,
p.
143-162.
Disponível em:
http://onomazein.net/1/entonacion.pdf
CORTÉS, M. M. Didáctica de la prosodia del español: la acentuación y la entonación. Madrid:
Edinumen, 2000.
COUPER-KUHLEN, E. Some truths and untruths about final intonation in
conversational questions. In: RUITER, J. P. (ed.) Questions: formal, functional and interactional
perspectives. Cambridge: Cambridge University Press, 2012.
180
____________. Prosody and Conversation. Curso apresentado na Escola de Altos Estudos
Prosódicos, Maceió, 21 a 24 de outubro de 2013.
CUNHA, C. S. Entoação regional no português do Brasil. Tese de Doutorado (Língua
Portuguesa). Rio de Janeiro, Faculdade de Letras, Universidade Federal do Rio de Janeiro,
2000.
ESCANDELL VIDAL, M. V. Los enunciados interrogativos. Aspectos semánticos y
pragmáticos. In: BOSQUE, I; DEMONTES, V. Gramática descriptiva de la lengua española, 3.
Madrid: Espasa Calpe Libros, 1999, p. 3929-3991.
ESTEBAS-VILAPLANA, E. y PRIETO, P. La notación prosódica del español: una
revisión del Sp_ToBI. In: Estudios de fonética experimental XVII. Barcelona: Laboratori de
Fonética de la Universidad de Barcelona, 2008, p. 263-283.
FACE, T. L. Rethinking Spanish L*+H and L+H*. In: DÍAZ-CAMPOS, M. (ed.) Selected
Proceedings of the 2nd Conference on Laboratory Approaches to Spanish Phonetics and Phonology.
Somerville, MA: Cascadilla Proceedings Project, 2006, p. 75-84.
____________ & D’IMPERIO, M. Reconsidering a Focal Typology: Evidence from
Spanish and Italian. In: Italian Journal of Linguistics 17, 2005, p. 271-289.
FIGUEIREDO, N. S. Análise da Entoação em Atitudes Proposicionais de Enunciados Assertivos e
Interrogativos totais do Espanhol Argentino: nas variedades de Buenos Aires e Córdoba. 2011.
Dissertação (Mestrado em Letras Neolatinas). Faculdade de Letras, Universidade Federal
do Rio de Janeiro, 2011.
FONTANELLA DE WEINBERG, M. B. Sistemas pronominales de tratamiento usados
en el mundo hispánico. In: BOSQUE, I; DEMONTES, V. Gramática descriptiva de la lengua
española, 1. Madrid: Espasa Calpe Libros, 1999, p. 1399-1425.
GABRIEL, C.; FELDHAUSEN, I.; PESKOVÁ, A.; COLANTONI, L.; LEE, S.;
ARANA, V. & LABASTÍA, L. Argentinian Spanish Intonation. In: PIETRO, P &
181
ROSEANO, P. (org.). Transcription of Intonation of the Spanish Language. Lincom Europa:
München, 2010, p. 285-317.
GONÇALVES, C. A. Flexão e Derivação em Português. In: VIEIRA, S. R. e BRANDÃO,
S. F. (Orgs.). Ensino de Gramática: Descrição e Uso. São Paulo: Editora Contexto, 2007, p. 149168.
GURLEKIAN, J. A., EVIN, D., MIXDORFF, H., TORRES, H. AND PFITZINGER,
H.. Accent command model parameter alignment in Argentine Spanish absolute
Interrogatives. In: Electronic Speech Signal Processing 2010. Berlin, 2010b. p. 77-93.
HEDBERG, N.; SOSA, J. M.; GORGÜLÜ, E. & MAMENI, M. Prosody and pragmatics
of wh-interrogatives. In: HEIJL, M. 2010 CLA Conference Proceedings. Canadá, 2010.
Disponível em: http://homes.chass.utoronto.ca/~cla-acl/actes2010/actes2010.html
HIRSCHBERG, J. Communication and prosody: Functional aspects of prosody. In: Speech
Communication 2002, p. 31-43.
HUALDE, J. I. El modelo métrico y autosegmental. In.: PRIETO, P. (coord) Teorías de la
entonación. Barcelona: Ariel, 2003, p.155-184.
KERBRAT-ORECCHIONI, C. Análise da conversação: princípios e métodos. Tradução: Carlos
Piovezani Filho. São Paulo: Parábola, 2006 [1996].
____________. Modelo de variações intraculturais e interculturais: as formas de
tratamento nominais em francês. Tradução: Fernando Afonso de Almeida e Leticia Rebollo
Couto. In: REBOLLO COUTO, L. & LOPES, C. R. S. (orgs.) As formas de tratamento em
português e em espanhol: variação, mudança e funções conversacionais. Niterói: Editora da UFF, 2011,
p.19-44.
KOCH, I. V. A inter-ação pela linguagem. São Paulo: Contexto, 2010.
LADD, D. R. Intonational phonology. Cambridge: CUP, 1996.
182
LENVINSON, S. A estrutura conversacional. In: ____________. Pragmática. Tradução:
Luis Carlos Borges e Aníbal Mari. São Paulo: Parábola, 2007.
LUCENTE, L. Aspectos Dinâmico-Funcionais do Foco e da Curva Entoacional do Português
Brasileiro. Tese de Doutorado. Universidade Estadual de Campinas, 2012.
MORAES, J. A. A entoação dita expressiva: fenômeno discreto ou contínuo. (comunicação)
Congresso Nacional de Fonética e de Fonologia. Niterói: UFF, 2008b.
NESPOR, M. & VOGEL, I. La prosodia. Madrid: Visor Distribuciones, S.A., 1994.
NOOTEBOOM, S. The prosody of speech: melody and rhythm. In: HARDCASTLE, W.
J. & LAVER, J. (ed.) The handbook of phonetic sciences. Oxford: Blackwell Publishers, 1997,
p.640-673.
ORTIZ, H.; FUENTES, M. & ASTRUC, L. Chilean Spanish Intonation. In: PIETRO, P &
ROSEANO, P. (org.). Transcription of Intonation of the Spanish Language. Lincom Europa:
München, 2010, p.255-283.
PEREIRA, D. I. Análisis acústico de los marcadores discursivos a ver, bueno, claro, vale,
¿cómo? y ya. In: Onomázein 24. Santiago de Chile: Facultad de Letras, Pontificia Universidad
Católica de Chile, 2011, p.85-100. Disponível em: http://onomazein.net/24/04.pdf
PIERREHUMBERT, J. B. The phonology and Phonetics of English Intonation. Tesis doctoral,
MIT, Cambridge, Massachusetts, 1980.
PIETRO, P. Teorías de la Entonación. Barcelona: Ariel, 2003.
PIETRO, P & ROSEANO, P. Introduction. In: ____________. (orgs.) Transcription of
Intonation of the Spanish Language. Lincom Europa: München, 2010, p. 1-15.
____________ (coord.). Atlas interactivo de la entonación del español. 2009‐2013. Disponível
em: http://prosodia.upf.edu/atlasentonacion/
183
PINHO, J. R. D. Análise de fronteira e proeminências prosódicas no fonoestilo de telejornais chilenos e
espanhóis. Tese (Doutorado em Letras Neolatinas). Faculdade de Letras, Rio de Janeiro,
inédito.
PINTO, M. S. Transferências prosódicas do PB/LM na aprendizagem do E/LE: enunciados assertivos
e interrogativos totais. Tese de Doutorado (Letras Neolatinas). Faculdade de Letras, Rio de
Janeiro, 2009.
REBOLLO COUTO, L. & KULIKOVSKI, Z. M. El voseo argentino y el voseo chileno:
diferencias sociolingüísticas y conversacionales a través de diálogos cinematográficos y
textos en internet. In: REBOLLO COUTO, L. & LOPES, C. R. S. (orgs.) As formas de
tratamento em português e em espanhol: variação, mudança e funções conversacionais. Niterói: Editora
da UFF, 2011, p.497-531.
ROMÁN, D., COFRÉ, V. & ROSAS, C. Rasgos prosódicos de oraciones sin expansión,
del español de Santiago de Chile en habla femenina. In: Language Design, Special Issue 2,
2008, p. 137‐146.
SÁ, P. C. F. Análise prosódicas de enunciados assertivos e interrogativos totais no espanhol de
Montevidéu. Tese (Doutorado em Letras Neolatinas). Faculdade de Letras, Rio de Janeiro,
inédito.
SERRA, C. R. Realização e percepção de fronteiras prosódicas no Português do Brasil: Fala espontânea e
Leitura. Tese (Doutorado em Língua Portuguesa). Faculdade de Letras, Rio de Janeiro,
2009.
____________ & GOMES DA SILVA, C. On prosodic phrasing of tag questions (“né?/¿no?”):
Brazilian Portuguese and Argentinean and Mexican Spanish. Pôster apresentado no Phonetics and
Phonology in Iberia, Lisboa, 25 e 26 de junho de 2013.
SOSA, J. M. La entonación del español. Su estructura fónica, variabilidad y dialectología. Madrid:
Cátedra, 1999.
184
____________. La notación tonal del español en el modelo Sp_ToBI. In.: PRIETO, P.
(coord) Teorías de la entonación. Barcelona: Ariel, 2003, p. 185-208.
TANNEN, D. Conversational style: analysing talk among friends. New York/Oxford: Oxford
Univesity Press, 2005.
TORREGÓN, A. El voseo en Chile: una aproximación diacrónica. In: HUMMEL, M;
KLUGE, B & LASLOP, M. E. V. (editores). Formas y fórmulas de tratamiento en el mundo
hispánico. Ciudad de México: El Colegio de México, 2010, p. 413-427.
____________. Nuevas observaciones sobre el voseo en el español de Chile. In:
HUMMEL, M; KLUGE, B & LASLOP, M. E. V. (editores). Formas y fórmulas de tratamiento
en el mundo hispánico. Ciudad de México: El Colegio de México, 2010, p. 755-769.
185
ANEXO 1: MÉDIAS DE F0 E DURAÇÃO
 ENUNCIADOS INTERROGATIVOS TOTAIS DA VARIEDADE DE BUENOS AIRES
 FEMININOS
1- ¿Con tus amigos todo bien?
PRÉ-NÚCLEO
NÚCLEO
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
F0
225Hz
264Hz
299Hz
226Hz
280Hz
-
Duração
78ms
150ms
145ms
68ms
324ms
-
Tom
L+>H*
L+¡H*HL%
2- ¿Con tus amigos todo bien?
PRÉ-NÚCLEO
NÚCLEO
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
F0
202Hz
253Hz
257Hz
217Hz
249Hz
-
Duração
62ms
145ms
131ms
106ms
399ms
-
Tom
L+>H*
L+¡H*HL%
PRÉ-NÚCLEO
NÚCLEO
3- ¿Y con tu hermanito?
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
F0
-
-
-
222Hz
280Hz
316Hz
Duração
-
-
-
156ms
231ms
275ms
Tom
L+H*HH%
186
4- ¿Con tu hermanito?
PRÉ-NÚCLEO
NÚCLEO
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
F0
-
-
-
192Hz
239Hz
252Hz
Duração
-
-
-
120ms
174ms
421ms
Tom
L+H*HH%
5- ¿Sabés que soñé?
PRÉ-NÚCLEO
NÚCLEO
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
F0
301Hz
262Hz
-
245Hz
261Hz
-
Duração
74ms
156ms
-
159ms
335ms
-
Tom
L+>H*’
L*HH%
PRÉ-NÚCLEO
NÚCLEO
6- ¿Se van a ver?
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
F0
162Hz
149Hz
-
153Hz
357Hz
-
Duração
103ms
145ms
-
69ms
228ms
-
Tom
H*
L*HH%
7- ¿Le preguntaste a tu hermano de Manuel?
PRÉ-NÚCLEO
NÚCLEO
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
F0
279Hz
280Hz
394Hz
181Hz
287Hz
-
Duração
81ms
122ms
80ms
159ms
414ms
-
Tom
L+H*
L+H*HH%
187
8- ¿Lo sabías?
PRÉ-NÚCLEO
NÚCLEO
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
F0
-
-
-
175Hz
370Hz
191Hz
Duração
-
-
-
145ms
110ms
325ms
Tom
L+¡H*HL%
9- Ah ¿hablaban en código?
PRÉ-NÚCLEO
NÚCLEO
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
F0
233Hz
229Hz
233Hz
200Hz
247Hz
227Hz
Duração
120ms
207ms
30ms
128ms
180ms
188ms
Tom
L+>H*
L+¡H*HL%
PRÉ-NÚCLEO
NÚCLEO
10- ¿Hablaban en código?
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
F0
161Hz
193Hz
210Hz
177Hz
210Hz
216Hz
Duração
88ms
163ms
141ms
133ms
109ms
222ms
Tom
L+>H*
L+¡H*HL%
11- ¿Sabías que Orlando Román está tomado en la casa de él?
PRÉ-NÚCLEO
NÚCLEO
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
F0
234Hz
153Hz
154Hz
176Hz
182Hz
-
Duração
126ms
109ms
95ms
179ms
360ms
-
Tom
L+¡H*HL%
188
12- ¿Se separaron?
PRÉ-NÚCLEO
NÚCLEO
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
F0
-
-
-
77Hz
229Hz
241Hz
Duração
-
-
-
177ms
160ms
259ms
Tom
L+¡H*HL%
13- ¿Lo ves seguido?
PRÉ-NÚCLEO
NÚCLEO
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
F0
158Hz
164Hz
-
166Hz
239Hz
240Hz
Duração
138ms
132ms
-
102ms
160ms
143ms
Tom
L+>H*
L+¡H*HL%
PRÉ-NÚCLEO
NÚCLEO
14- ¿Ella está mal?
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
F0
-
168Hz
182Hz
169Hz
169Hz
-
Duração
-
95ms
119ms
80ms
262ms
-
Tom
L+H*
L*L%
PRÉ-NÚCLEO
NÚCLEO
15- ¿Ella está mal?
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
F0
-
173Hz
173Hz
169Hz
169Hz
-
Duração
-
103ms
124ms
94ms
188ms
-
Tom
L+>H*
L*L%
189
16- ¿Alguien que esté también tan cerca?
PRÉ-NÚCLEO
NÚCLEO
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
F0
-
151Hz
159Hz
142Hz
161Hz
158Hz
Duração
-
162ms
194ms
173ms
169ms
223ms
Tom
L+>H*
L*L%
PRÉ-NÚCLEO
NÚCLEO
17- ¿Te sentís responsable?
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
F0
164Hz
175Hz
-
162Hz
173Hz
164Hz
Duração
184ms
136ms
-
229ms
154ms
177ms
Tom
L+>H*
L *L%
18- ¿Te dijo algo por el viaje?
PRÉ-NÚCLEO
NÚCLEO
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
F0
195Hz
190Hz
192Hz
174Hz
215Hz
203Hz
Duração
125ms
67ms
165ms
98ms
248ms
337ms
Tom
L+H*
L+¡H*HL%
PRÉ-NÚCLEO
NÚCLEO
19- ¿Te lo bancás?
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
F0
-
-
-
180Hz
219Hz
-
Duração
-
-
-
197ms
345ms
-
Tom
L+¡H*HL%
190
20- ¿Esa es la que vos la tenías cagazo?
PRÉ-NÚCLEO
NÚCLEO
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
F0
-
247Hz
295Hz
204Hz
220Hz
186Hz
Duração
-
97ms
109ms
189ms
139ms
262ms
Tom
L+>H*
L*L%
PRÉ-NÚCLEO
NÚCLEO
21- ¿Buena onda?
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
F0
-
210Hz
205Hz
-
234Hz
187Hz
Duração
-
125ms
139ms
-
248ms
241ms
Tom
L*L%
22- ¿Buena onda?
PRÉ-NÚCLEO
NÚCLEO
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
F0
-
209Hz
211Hz
-
226Hz
181Hz
Duração
-
63ms
165ms
-
117ms
275ms
Tom
L*L%
23- ¿Está allá ahora?
PRÉ-NÚCLEO
NÚCLEO
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
F0
192Hz
194Hz
-
241Hz
258Hz
308Hz
Duração
142ms
90ms
-
75ms
140ms
198ms
Tom
L+>H*
L+¡H*HL%
191
24- ¿Se quedó a vivir?
PRÉ-NÚCLEO
NÚCLEO
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
F0
206Hz
244Hz
239Hz
209Hz
254Hz
-
Duração
93ms
96ms
33ms
109ms
285ms
-
Tom
L+H*
L+H*HH%
PRÉ-NÚCLEO
NÚCLEO
25- ¿Y que el padre volvió?
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
F0
214Hz
220Hz
225Hz
185Hz
242Hz
-
Duração
81ms
122ms
80ms
134ms
306ms
-
Tom
L+>H*
L+¡H*HL%
26- ¿Estará arrepentido Román?
PRÉ-NÚCLEO
NÚCLEO
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
F0
181Hz
188Hz
-
161Hz
220Hz
-
Duração
187ms
173ms
-
100ms
280ms
L+¡H*HL%
-
Tom
L+>H*
192
 MASCULINOS
1-¿Vienes para las fiestas?
PRÉ-NÚCLEO
NÚCLEO
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
F0
-
113Hz
-
99Hz
146Hz
88Hz
Duração
-
220ms
-
149ms
323ms
226ms
Tom
L+H*L%
2- Ah, ¿estudia esto?
PRÉ-NÚCLEO
NÚCLEO
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
F0
108Hz
147Hz
126Hz
-
135Hz
104Hz
Duração
64ms
153ms
110ms
-
128ms
398ms
Tom
L+H*
L+¡H*HL%
3- Che, ¿estás en contacto acá con tu familia con alguien más?
PRÉ-NÚCLEO
NÚCLEO
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
F0
121Hz
163Hz
155Hz
-
165Hz
-
Duração
142ms
145ms
112ms
-
314ms
-
Tom
L+H*
L+¡H*HL%
PRÉ-NÚCLEO
NÚCLEO
4- ¿Es el código de Seattle?
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
F0
132Hz
128Hz
134Hz
106Hz
149Hz
141Hz
Duração
125ms
104ms
89ms
87ms
171ms
228ms
Tom
L+>H*
L+¡H*HL%
193
5- ¿Es verdad que empezaron a comprar cosas?
PRÉ-NÚCLEO
NÚCLEO
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
F0
179Hz
246Hz
209Hz
148Hz
204Hz
225Hz
Duração
80ms
140ms
66ms
125ms
224ms
254ms
Tom
L+¡H*HL%
6- ¿En la casa de ella?
PRÉ-NÚCLEO
NÚCLEO
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
F0
128Hz
145Hz
150Hz
-
161Hz
155Hz
Duração
115ms
81ms
118ms
-
184ms
282ms
Tom
L+>H*
L*L%
7- ¿Y esa casa es así como candidata?
PRÉ-NÚCLEO
F0
Duração
NÚCLEO
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
-
178Hz
171Hz
116Hz
162Hz
218Hz
132ms
157ms
125ms
112ms
127ms
288ms
Tom
L+>H*
L+¡H*HL%
8- Pero, ¿vas a estar dando vueltas?
PRÉ-NÚCLEO
NÚCLEO
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
F0
-
190Hz
187Hz
135Hz
165Hz
244Hz
Duração
-
153ms
30ms
79ms
182ms
79ms
Tom
L+>H*
L+¡H*HL%
194
9- ¿Un mes?
PRÉ-NÚCLEO
NÚCLEO
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
F0
-
-
-
95Hz
164Hz
-
Duração
-
-
-
66ms
207ms
-
Tom
L*HH%
10- ¿Dos de enero?
PRÉ-NÚCLEO
NÚCLEO
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
F0
-
115Hz
99Hz
99Hz
131Hz
94Hz
Duração
-
127ms
151ms
151ms
185ms
186ms
Tom
L+H*L%
11- ¿Noticias del país hoy?
PRÉ-NÚCLEO
NÚCLEO
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
F0
179Hz
246Hz
209Hz
148Hz
204Hz
225Hz
Duração
80ms
140ms
66ms
125ms
224ms
254ms
Tom
L+H*
L+¡H*HL%
PRÉ-NÚCLEO
NÚCLEO
12- ¿Capaz que vas?
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
F0
88Hz
112Hz
-
-
130Hz
-
Duração
77ms
158ms
-
-
307ms
-
Tom
195
13- ¿Ahí te dan un título?
PRÉ-NÚCLEO
NÚCLEO
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
F0
91Hz
111Hz
-
110Hz
140Hz
103Hz
Duração
89ms
112ms
-
192ms
158ms
359ms
Tom
L+¡H*HL%
196
 ENUNCIADOS INTERROGATIVOS TOTAIS DA VARIEDADE DE SANTIAGO DO CHILE
 FEMININOS
1- ¿Marcaste el uno?
PRÉ-NÚCLEO
NÚCLEO
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
F0
237Hz
305Hz
377Hz
-
391Hz
446Hz
Duração
279ms
147ms
128ms
-
93ms
196ms
Tom
L+H*
L+H*HH%
PRÉ-NÚCLEO
NÚCLEO
2- ¿La empleada?
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
F0
-
-
-
260Hz
364Hz
532Hz
Duração
-
-
-
144ms
72ms
236ms
Tom
L+H*HH%
3- Pero ¿no está contento?
PRÉ-NÚCLEO
NÚCLEO
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
F0
241Hz
152Hz
-
306Hz
229Hz
80Hz
Duração
50ms
156ms
-
167ms
286ms
187ms
Tom
L+>H*
H+L*L%
4- Oye, ¿recibiste hoy una carta mía?
PRÉ-NÚCLEO
NÚCLEO
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
F0
301Hz
388Hz
466Hz
377Hz
414Hz
514Hz
Duração
133ms
190ms
140ms
164ms
239ms
97ms
Tom
L+>H*
L+H*HH%
197
5- ¿Te acuerdas de Armando primo de nosotros?
PRÉ-NÚCLEO
NÚCLEO
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
F0
142Hz
164Hz
180Hz
344Hz
378Hz
489Hz
Duração
50ms
162ms
127ms
107ms
186ms
211ms
Tom
L+H*HH%
6- ¿De mí?
PRÉ-NÚCLEO
NÚCLEO
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
F0
-
-
-
245Hz
528Hz
-
Duração
-
-
-
171ms
236ms
-
Tom
L+H*HH%
7- ¿Los tienes ahí?
PRÉ-NÚCLEO
NÚCLEO
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
F0
243Hz
288Hz
290Hz
246Hz
316Hz
-
Duração
100ms
147ms
211ms
106ms
177ms
-
Tom
L+H*
L+H*HH%
PRÉ-NÚCLEO
NÚCLEO
8- ¿Los tienes ahí?
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
F0
256Hz
259Hz
278Hz
247Hz
356Hz
-
Duração
141ms
141ms
288ms
111ms
136ms
-
Tom
L+H*
L+H*HH%
198
9- ¿Este es adoptivo también?
PRÉ-NÚCLEO
NÚCLEO
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
F0
-
268Hz
348Hz
427Hz
233Hz
-
Duração
-
141ms
84ms
125ms
204ms
-
Tom
L*+H
H+L*L%
10- Pero ¿no tan intenso como antes?
PRÉ-NÚCLEO
NÚCLEO
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
F0
311Hz
324Hz
321Hz
297Hz
268Hz
161Hz
Duração
97ms
233ms
116ms
114ms
173ms
249ms
Tom
L+H*
H+L*L%
PRÉ-NÚCLEO
NÚCLEO
11- ¿Está muy mormón él?
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
F0
263Hz
151Hz
331Hz
356Hz
227Hz
-
Duração
111ms
126ms
207ms
267ms
200ms
-
Tom
L*+H
H+L*L%
PRÉ-NÚCLEO
NÚCLEO
12- ¿Lo dicen?
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
F0
-
-
-
252Hz
252Hz
471Hz
Duração
-
-
-
104ms
200ms
245ms
Tom
L+H*HH%
199
13- ¿Dicen eso?
PRÉ-NÚCLEO
NÚCLEO
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
F0
-
309Hz
405Hz
427Hz
544Hz
-
Duração
-
189ms
248ms
98ms
264ms
-
Tom
L*+H
L+H*HH%
PRÉ-NÚCLEO
NÚCLEO
14- ¿La Elisabeth?
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
F0
-
-
-
371Hz
428Hz
-
Duração
-
-
-
175ms
157ms
-
Tom
L+H*HH%
15- ¿Así que actualmente está en vacaciones?
PRÉ-NÚCLEO
NÚCLEO
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
F0
247Hz
315Hz
-
292Hz
287Hz
200Hz
Duração
90ms
104ms
-
107ms
214ms
147ms
Tom
L+H*
L+H*HH%
200
 MASCULINOS
1- ¿Ya los mails?
PRÉ-NÚCLEO
NÚCLEO
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
F0
-
-
-
130Hz
177Hz
-
Duração
-
-
-
134ms
239ms
-
Tom
L+H*L%
2- ¿No recibiste nada así?
PRÉ-NÚCLEO
NÚCLEO
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
F0
126Hz
135Hz
147Hz
162Hz
214Hz
-
Duração
108ms
221ms
57ms
150ms
211ms
-
Tom
L*+H
L+H*HH%
3- ¿No está registrada en Reuna?
PRÉ-NÚCLEO
NÚCLEO
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
F0
107Hz
115Hz
116Hz
105Hz
121Hz
202Hz
Duração
101ms
99ms
84ms
143ms
105ms
120ms
Tom
L+H*
L+H*HH%
PRÉ-NÚCLEO
NÚCLEO
4- ¿Lo cambiaste?
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
F0
-
-
-
120Hz
157Hz
256Hz
Duração
-
-
-
155ms
179ms
98ms
Tom
L+H*HH%
201
5- ¿Eso es?
PRÉ-NÚCLEO
NÚCLEO
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
F0
-
138Hz
144Hz
-
191Hz
-
Duração
-
33ms
87ms
-
155ms
-
Tom
L+H*HH%
6- ¿U Chile?
PRÉ-NÚCLEO
NÚCLEO
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
F0
-
-
-
112Hz
150Hz
266Hz
Duração
-
-
-
53ms
87ms
174ms
Tom
L+H*HH%
7- ¿Todos bien?
PRÉ-NÚCLEO
NÚCLEO
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
F0
-
162Hz
-
-
194Hz
-
Duração
-
192ms
-
-
171ms
-
Tom
L+H*HH%
8- ¿La Claudia está durmi-?
PRÉ-NÚCLEO
NÚCLEO
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
F0
127Hz
144Hz
158Hz
139Hz
131Hz
173Hz
Duração
75ms
173ms
119ms
83ms
82ms
124ms
Tom
L+H*
L+H*HH%
202
9- ¿Está durmiendo la Claudia?
PRÉ-NÚCLEO
NÚCLEO
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
F0
-
133Hz
130Hz
166Hz
190Hz
247Hz
Duração
-
64ms
88ms
109ms
165ms
112ms
Tom
L+H*HH%
10- ¿Tenís clases temprano ahí?
PRÉ-NÚCLEO
NÚCLEO
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
F0
125Hz
123Hz
133Hz
186Hz
198Hz
-
Duração
64ms
136ms
90ms
47ms
264ms
-
Tom
L*+H
L+H*HH%
PRÉ-NÚCLEO
NÚCLEO
11- Ah ¿llamó?
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
F0
-
-
-
129Hz
176Hz
-
Duração
-
-
-
106ms
146ms
-
Tom
L+H*HH%
12- ¿Te podei meter a alguna de la Chile?
PRÉ-NÚCLEO
NÚCLEO
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
F0
115Hz
123Hz
-
147Hz
192Hz
212Hz
Duração
82ms
155ms
-
96ms
127ms
155ms
Tom
L+H*HH%
203
13- Pero ¿te conviene ir allá a la casa?
PRÉ-NÚCLEO
NÚCLEO
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
F0
115Hz
136Hz
175Hz
175Hz
216Hz
133Hz
Duração
102ms
108ms
113ms
119ms
122ms
212ms
Tom
L+H*
L+H*HH%
PRÉ-NÚCLEO
NÚCLEO
14- ¿Y hay que limpiarlo?
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
F0
122Hz
123Hz
-
118Hz
118Hz
232Hz
Duração
18ms
129ms
-
118ms
146ms
137ms
Tom
L*
L+H*HH%
PRÉ-NÚCLEO
NÚCLEO
15- ¿Y él tendrá computador?
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
F0
106Hz
108Hz
100Hz
122Hz
166Hz
-
Duração
67ms
54ms
198ms
101ms
149ms
-
Tom
L+H*
L+H*HH%
PRÉ-NÚCLEO
NÚCLEO
16- ¿Sacaron el rollo al final?
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
F0
131Hz
141Hz
159Hz
222Hz
213Hz
-
Duração
84ms
110ms
110ms
111ms
248ms
-
Tom
L+H*
L+H*HH%
204
17- ¿Cobran muy caro?
PRÉ-NÚCLEO
NÚCLEO
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
F0
-
-
131Hz
121Hz
178Hz
253Hz
Duração
-
34ms
160ms
149ms
74ms
78ms
Tom
L+H*HH%
18- ¿Así es?
PRÉ-NÚCLEO
NÚCLEO
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
F0
231Hz
181Hz
-
-
174Hz
-
Duração
60ms
124ms
-
-
298ms
-
Tom
L+H*HH%
19- ¿El emisor le mandó el cheque?
PRÉ-NÚCLEO
NÚCLEO
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
F0
139Hz
161Hz
160Hz
156Hz
178Hz
226Hz
Duração
115ms
116ms
108ms
90ms
190ms
142ms
Tom
L+H*
L+H*HH%
PRÉ-NÚCLEO
NÚCLEO
20- ¿Anotaste todos?
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
F0
126Hz
155Hz
268Hz
-
185Hz
-
Duração
89ms
152ms
67ms
-
266ms
-
Tom
L+H*
L+H*HH%
205
21- ¿Las ocho y media?
PRÉ-NÚCLEO
NÚCLEO
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
F0
135Hz
136Hz
141Hz
142Hz
183Hz
290Hz
Duração
106ms
50ms
102ms
31ms
107ms
116ms
Tom
L+H*HH%
23- Y tú ¿estás durmiendo?
PRÉ-NÚCLEO
NÚCLEO
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
F0
-
142Hz
-
144Hz
159Hz
222Hz
Duração
-
187ms
-
86ms
182ms
152ms
Tom
L+H*HH%
23- ¿Estai en el república?
PRÉ-NÚCLEO
NÚCLEO
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
F0
-
123Hz
-
111Hz
190Hz
243Hz
Duração
-
197ms
-
94ms
164ms
117ms
Tom
L+H*HH%
24- Ah y ¿te tomai después el metro?
PRÉ-NÚCLEO
NÚCLEO
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
Pretônica
Tônica
Pós-tônica
F0
224Hz
124Hz
-
146Hz
154Hz
-
Duração
93ms
145ms
-
105ms
106ms
202ms
Tom
L*L%
206
ANEXO 2: CONTORNOS ENTONACIONAIS DO
PRÉ-NÚCLEO E DO NÚCLEO
 ENUNCIADOS INTERROGATIVOS TOTAIS DA VARIEDADE DE BUENOS AIRES
1- Detalhe de Elaboração
1.1- Enunciados Femininos
1.1.1- ¿Se van a ver?
450
400
300
Pitch (Hz)
200
100
30
e
a
se
a
e
van a
ver
L*
L*
HH%
¿Se van a ver?
0
0.8479
Time (s)
1.1.2- ¿Lo sabías?
450
400
300
Pitch (Hz)
200
100
30
o
lo
a
i
a
sa
bias
L+¡H*
HL%
¿lo sabías?
0
0.7956
Time (s)
207
1.1.3- ¿Alguien que esté también tan cerca?
450
400
300
Pitch (Hz)
200
100
30
a
ie
al
e
guien
e
que esté
a
ie
tam
bién
a
e
tan
a
cer
L*
L*
ca
L%
¿alguien que esté también tan cerca?
0
1.717
Time (s)
1.1.4- ¿Te sentís responsable?
450
400
300
Pitch (Hz)
200
100
30
e
e
i
e
o
te
sen
tís
res
pon
a
sa
L+>H*
e
ble
L*
L%
¿Te sentís responsable?
0
1.475
Time (s)
1.1.5- ¿Se quedó a vivir?
Pitch (Hz)
650
30
e
se
e
o
quedó
a
a
i
vi
L+>H*
i
vir
L*
HL%
¿Se quedó a vivir?
0
0.9262
Time (s)
208
1.1.6- ¿Estará arrepentido Román?
450
400
300
Pitch (Hz)
200
100
50
e
a
uh
a
e
e
io
estará arrepentido
o
a
Román
L+>H*
L+¡H* HL%
uh ¿estará arrepentido Román?
0
1.632
Time (s)
1.1.7- ¿Se separaron?
450
400
300
Pitch (Hz)
200
100
50
uy
uy
e
se
e
se
a
pa
a
ra
L+¡H*
uy
o
ron
HL%
¿se separaron?
0
1.553
Time (s)
209
1.2- Enunciados Masculinos
1.2.1- ¿Venís para las fiestas?
350
300
Pitch (Hz)
200
100
50
e
i
venís
a
a
pa’
las
ie
a
fiestas
H+L*
L+H*
L%
¿venís para las fiestas?
0
1.292
Time (s)
1.2.2- ¿Es el código de Seattle?
350
300
Pitch (Hz)
200
100
50
e
e
o
es el
i
o
e
código
ea
de
u
seatle
L+>H*
L+¡H*
HL%
¿Es el código de Seattle?
0
1.266
Time (s)
1.2.3- ¿Y esa casa es así como candidata?
350
300
Pitch (Hz)
200
100
50
oi
e ue o y e
oy que bueno y
a
esa
a
ae
casa
a
es así
i
o
o
como
a
i
a
candidata
L+>H*
oy, qué bueno!
a
L+¡H*
HL%
¿ y esa casa es así como candidata?
0
2.467
Time (s)
210
1.2.4- ¿Vas a estar dando vueltas?
350
300
200
Pitch (Hz)
100
50
a
pero
a e
a
a
vas a estar
o
dando
L+>H*
ruido
ue
a
vueltas
L+¡H*
HL%
Pero ¿vas a estar dando vueltas?
0
1.449
Time (s)
1.2.5- ¿Vos terminás ahora un año y ahí te dan un título?
350
300
Pitch (Hz)
200
100
50
o
vos
e
i a
ao
terminás ahora
a
u
silencio
a
o
un año
ai e
yyy
L+>H*
i
ahíte dan un
u
o
título
L+¡H*
HL%
¿vos terminás ahora un año yyy ahí te dan un título?
0
5.628
Time (s)
211
2- Informação Suplementar
2.1- Enunciados Femininos
2.1.1- Ah ¿hablaban en código?
350
300
Pitch (Hz)
200
100
30
a
ah ha
a
a
bla
e
ban
o
en
L+>H*
i
co
di
L+¡H*
o
go
HL%
ah ¿hablaban en código?
0
1.553
Time (s)
2.1.2- ¿Lo ves seguido?
350
300
Pitch (Hz)
200
100
30
o
e
lo
e
ves se
L+H*
i
o
gui
do
L+¡H*
HL%
¿lo ves seguido?
0
1.214
Time (s)
212
2.1.3- ¿Ella está mal?
450
400
300
Pitch (Hz)
200
100
30
e
a
e
a
ella
a
está
mal
L*+H
L*
L%
¿ella está mal?
0
0.6665
Time (s)
2.1.4- ¿Esa es la que vos la tenías cagazo?
450
400
300
Pitch (Hz)
200
100
30
e
a e
esa
a
a
es la que vos
e
la
te
ia
nías
a
a
ca
o
ga
L+>H*
zo
L*
L%
¿Esa es la que vos le tenías cagazo?
0
1.658
Time (s)
2.1.5- ¿Buena onda?
350
300
Pitch (Hz)
200
100
30
ue
bue
L*
a
na
o
a
on
L*
da
L%
¿Buena onda?
0
0.7434
Time (s)
213
2.1.6- ¿Y que el padre se volvió?
550
500
400
300
Pitch (Hz)
200
75
y
e
a
y
que el
e
e
padre
o
io
se
volvió
L+>H*
L+¡H*
HL%
¿Y que el padre se volvió?
0
1.309
Time (s)
2.2- Enunciados Masculinos
2.2.1- Ah ¿estudia esto?
350
300
Pitch (Hz)
200
100
50
e
u
a
ia
e
o
estudia
esto
L+>H*
L+¡H*
HL%
ah, ¿estudia esto?
0
1.187
Time (s)
2.2.2- ¿En la casa de ella?
450
400
300
Pitch (Hz)
200
100
50
e
a
en la
a
a
casa
a
de ella
L+>H*
ruido
e
L+¡H*
HL%
¿en la casa de ella?
0
1.083
Time (s)
214
2.2.3- ¿Dos de enero?
350
300
Pitch (Hz)
200
75
o
e
e
dos
o
de enero
L+H*
L%
¿dos de enero?
0
0.874
Time (s)
2.2.4- ¿Capaz que vas?
350
300
Pitch (Hz)
200
100
50
a
a
capaz
e
a
que
vas
L+>H*
L+¡H*
HL%
¿capaz que vas?
0
0.7434
Time (s)
215
3- Iniciador de Tópico
3.1- Enunciados Femininos
3.1.1- ¿Con tus amigos todo bien?
350
300
Pitch (Hz)
200
100
30
o
con
u
a
tus
a
i
o
mi
o
gos
o
todo
ie
bien
L+>H*
L+¡H*
HL%
con tus amigos todo bien?
0
1.423
Time (s)
3.1.2- ¿Y con tu hermanito?
350
300
Pitch (Hz)
200
100
30
y
o
u e
a
y
con
tu her
ma
i
ni
L+H*
o
to
HL%
y con tu hermanito?
0
1.37
Time (s)
216
3.1.3- ¿Le preguntaste a tu hermano de Manuel?
Pitch (Hz)
550
10
e
e
le
u a
ea
pre gun tas
ue
a
o
te a tu her ma
no
de
a
ue
ma
nuel
H+L*
L+¡H*
HL
¿le preguntaste a tu hermano de Manuel?
0
1.814
Time (s)
3.1.4- ¿Sabías que hablando de Román está todo mal en la casa de él?
350
300
Pitch (Hz)
200
75
a
ia
e
sabías
eoa
e
que
hablando deRomán
a
está
o
todo
a
e
a
mal en la
a
a
e
casa
de él
L+>H*
L+¡H* HL%
¿sabías que hablando de Román está todo mal en la casa de él?
0
2.624
Time (s)
3.2- Enunciados Masculinos
3.2.1- ¿Es verdad que se empezaron a comprar cosas?
350
300
Pitch (Hz)
200
100
50
e e ao a
o
a
es verdad que empezaron
comprar
L+>H*
o
a
cosas
L+¡H*
HL%
¿es verdad que se empezaron a comprar cosas?
0
3.199
Time (s)
217
3.2.2- ¿Noticias del país hoy?
350
300
Pitch (Hz)
200
100
50
o
i
ia
e
noticias
a
i
oi
del
país hoy
L+>H*
L+¡H*
HL%
¿noticias del país hoy?
0
1.527
Time (s)
4- Pergunta Esclarecedora
4.1- Enunciados Femininos
4.1.1- ¿Con tus amigos todo bien?
450
400
300
Pitch (Hz)
200
75
o
u
con
tus
a
i
amigos
o
o
todo
L+>H*
ie
bien
L+¡H*
HL%
¿con tus amigos todo bien?
0
1.788
Time (s)
218
4.1.2- ¿Y con tu hermanito?
450
400
300
Pitch (Hz)
200
75
o
ue
con
tu her
a
i
ma
o
ni
to
L+H*
M%
¿con tu hermanito?
0
1.214
Time (s)
4.1.3- ¿Hablaban en código?
450
400
300
Pitch (Hz)
200
100
30
a
ha
a
bla
a
ban
e
o
en
co
L+>H*
i
di
o
go
L+¡H*
HL%
¿hablaban en código?
0
1.292
Time (s)
4.1.4- ¿Ella está mal?
450
400
300
Pitch (Hz)
200
75
e
a
ella
e
a
está
L+>H*
a
mal
L*
L%
¿ella está mal?
0
0.736
Time (s)
219
4.1.5- ¿ Buena onda?
450
400
300
Pitch (Hz)
200
75
ue
a
bue
o
a
na
on
L*
da
L*
L%
¿Buena onda?
0
0.8479
Time (s)
5- Diretor do Fluxo de Informação
5.1- Enunciados Femininos
5.1.1- ¿Te dijo algo por el viaje?
450
400
300
Pitch (Hz)
200
75
e
i
te
o
dijo
a
o
algo
o
e
por el
L*
ia
via
L+¡H*
e
je
HL%
te dijo algo por el viaje?
0
1.736
Time (s)
220
5.1.2- ¿Te lo bancás?
350
300
Pitch (Hz)
200
75
e
te
o
lo
a
a
ban
cás
L+¡H*
HL%
te lo bancás?
0
0.8479
Time (s)
5.1.3- ¿Está allá ahora?
350
300
Pitch (Hz)
200
75
e
a
está allá
a
a
o
aho
L*
a
ra
L+¡H*
HL%
¿está allá ahora?
0
1.066
Time (s)
221
5.2- Enunciados Masculinos
5.2.1-Che ¿estás en contacto acá con tu familia con alguien más?
350
300
Pitch (Hz)
200
100
50
e
che
e
a e o
a
estás en contacto
oa a o
acá
o
a
con con tu
i
ia o a ie
familia
a
con alguien mas
L+H* L%L+>H*
L+¡H*HL%
che ¿estás en contacto acá con tu familia? con alguien más?
0
3.33
Time (s)
5.2.2- ¿Un mes?
350
300
Pitch (Hz)
200
100
50
e
un
mes
L*
HH%
¿un mes?
0
0.5344
Time (s)
222
6- Pergunta Retórica
6.1- Enunciados Femininos
6.1.1- ¿Sabes que soñé?
550
500
400
300
Pitch (Hz)
200
75
a
sa
e
bes
e
que
o
so
L+>H*
e
ñe
L+¡H*
HL%
sabés qué soñé?
0
1.187
Time (s)
223
 ENUNCIADOS INTERROGATIVOS TOTAIS DA VARIEDADE DE SANTIAGO DO CHILE
1- Detalhe de Elaboração
1.1- Enunciados Femininos
1.1.1- ¿La empleada?
Pitch (Hz)
650
50
a
e
la
e
em
ple
a
a
a
da
L+H*
HH%
¿la empleada?
0
0.7695
Time (s)
1.1.2- ¿Este es adoptivo también?
550
500
400
300
Pitch (Hz)
200
100
50
e
e
este es
a
o
adop
i
ti
o
a
vo
tam
L+>H*
ie
bién
H+L* L%
¿Este es adoptivo también?
0
1.37
Time (s)
224
1.2- Enunciados Masculinos
1.2.1- ¿No recibiste nada así?
450
400
300
Pitch (Hz)
200
100
30
o
no
o
e
no
i
e
a
recibiste
i
nada así
L+>H*
L+H*
HH%
No ¿no recibiste nada así?
0
1.344
Time (s)
1.2.2- Ah ¿llamó?
450
400
300
Pitch (Hz)
200
100
50
a
a
Ah
o
llamó
L+H*
ruido
Ah ¿llamó?
HH%
ruido
0
0.5605
Time (s)
1.2.3- ¿Y hay que limpiarlo?
450
400
300
Pitch (Hz)
200
100
30
i
ai
y
hay
e
i
que
ia
o
limpiarlo
L*
L+H*
HH%
Y ¿hay que limpiarlo?
0
0.7695
Time (s)
225
1.2.4- ¿Sacaron el rollo al final?
450
400
300
Pitch (Hz)
200
100
30
a
a
o
e
sacaron
ojo
el
a
rollo
i
al
a
final
L+>H*
L+H* HH%
¿Sacaron el rollo al final?
0
1.318
Time (s)
1.2.5- ¿Cobran muy caro?
450
400
300
Pitch (Hz)
200
100
30
o
a
ui
cobran
a
muy
caro
L*
L+H*
HH%
¿cobran muy caro?
0
0.6128
Time (s)
1.2.6- ¿El sobre con dos cheques?
450
400
300
Pitch (Hz)
200
100
30
e
o
llegó
e
e
el
e
e
cheque
L*
o
el
L%
le llegó el cheque
sobre
e
o
o
con dos
L+>H*
e
e
cheques
L+H*
HH%
¿el sobre con dos cheques?
0
2.729
Time (s)
226
1.2.7- ¿Anotaste todos?
Pitch (Hz)
550
30
a
a
o
ya
a
e
o
anotaste
todos
L+>H*
L+H*
HH%
Ya ¿anotaste todos?
0
1.057
Time (s)
1.2.8- Y tú ¿estás durmiendo?
Pitch (Hz)
550
30
i
u
y
tú
a
u
je
tás
o
durmiendo
L*
L+H*
HH%
Y tú, ¿estás durmiendo?
0
0.9785
Time (s)
1.2.9- ¿Estai en el República?
Pitch (Hz)
600
30
ai
tai
e
e
en el
u
i
a
república
L*
L+H*
HH%
¿estai en el república?
0
1.161
Time (s)
227
1.2.10- Ah y ¿te tomai después el metro?
500
400
300
Pitch (Hz)
200
100
30
e
ah
y
o
te
ai
tomai
e
ue e
e
después el
L+>H*
o
metro
L+H*
HH%
ah y ¿te tomai después el metro?
0
1.396
Time (s)
2- Informação Suplementar
2.1- Enunciados Femininos
2.1.1- Pero ¿no está contento?
Pitch (Hz)
550
20
e
o
pero
o
no
a
está
o
e
con
L+>H*
ten
H+L*
o
to
L%
pero no está contento?
0
1.449
Time (s)
228
2.1.2- ¿Los tienes ahí?
Pitch (Hz)
550
20
o
ie
e
los
a
i
tienes
ahí
L+H*
L+H* HH%
¿Los tienes ahí?
0
1.109
Time (s)
2.1.3- Pero ¿no tan intenso como antes?
450
400
300
Pitch (Hz)
200
100
30
e o
pero
o
no
a
i
tan
in
e
ten
o
so
o
o a
como
H+L*
e
an
H+L*
tes
L%
pero no tan intenso como antes?
0
1.971
Time (s)
2.1.4- ¿Está muy mormón él?
450
400
300
Pitch (Hz)
200
100
30
e
es
a
tá
ui
muy
o
mor
L+>H*
o
e
mon el
H+L*
L%
está muy mormón el?
0
1.579
Time (s)
229
2.1.5- ¿Lo dicen?
500
400
300
Pitch (Hz)
200
100
30
o
i
lo
e
di
cen
L+H*
HH%
¿lo dicen?
0
0.7173
Time (s)
2.1.6- ¿Así que actualmente están de vacaciones?
Pitch (Hz)
550
30
a
i
así
e ua
e
e
e
que actualmente
a
a
está en
a
io
e
vacaciones
L+>H*
H+L*
L%
¿así que actualmente está en vacaciones?
0
1.971
Time (s)
2.2- Enunciados Masculinos
2.2.1- ¿No está registrada en Reuna?
450
400
300
Pitch (Hz)
200
100
30
o
no
a
está
e
i
a
registrada
e
e
en
L*
u
a
reuna
L+H*
HH%
¿No está registrada en Reuna?
0
1.658
Time (s)
230
2.2.2- ¿Te podei meter a alguna de la Chile?
Pitch (Hz)
550
30
e
oei
te
podei
e
e
a
a
meter
a
a la
u
a
alguna a la
L+>H*
a
i
e
chile
L+H*
HH%
¿te podei meter a la: alguna a la Chile?
0
2.102
Time (s)
2.2.3- ¿Eso es?
450
400
300
Pitch (Hz)
200
100
30
e
o
e
eso
es
L+H*
HH%
¿Eso es?
0
0.6389
Time (s)
2.2.4- Pero ¿te conviene ir allá a la casa?
350
300
Pitch (Hz)
200
100
30
e
pero te
o
ie
e i
conviene
allá
ir
a
allá a
L+>H*
a
a
la casa
L+H*
HH%
Pero ¿te conviene ir allá a la casa?
0
1.396
Time (s)
231
2.2.5- ¿Y él tendrá computador?
500
400
300
Pitch (Hz)
200
100
30
i
e
y
él
e
a
o
tendrá
u
o
computador
L*
L+H*
HH%
Y ¿él tendrá computador?
0
1.187
Time (s)
3- Pergunta Esclarecedora
3.1- Enunciados Femininos
3.1.1- ¿De mí?
Pitch (Hz)
650
30
e
i
de
mí
L+H* HH%
ehn
¿De mí?
0
risas
1.37
Time (s)
232
3.1.2- ¿Los tienes ahí?
500
400
300
Pitch (Hz)
200
100
50
o
ie
los
e
a
i
tienes
ahí
L+H*
L+H*
HH%
¿Los tienes ahí?
0
1.161
Time (s)
3.1.3- ¿Dicen eso?
Pitch (Hz)
650
30
i
e
di
e
cen
o
eso
L+>H*
L+H*
HH%
dicen eso?
0
0.8
Time (s)
3.1.4- ¿La Elisabeth?
Pitch (Hz)
650
30
a
la
e
i
a
e
elisabeth
L+H*
HH%
la elisabeth?
0
0.8479
Time (s)
233
3.2- Enunciados Masculinos
3.2.1- Ah ¿lo cambiaste?
450
400
300
Pitch (Hz)
200
100
30
a
o
ah
a
ia
lo
e
cambiaste
L+H*
HH%
ah ¿lo cambiaste?
0
0.874
Time (s)
3.2.2 ¿U Chile?
450
400
300
Pitch (Hz)
200
100
30
u
i
u
chile
e
L+H*
HH%
¿U Chile?
0
0.6911
Time (s)
3.2.3- ¿Todos bien?
Pitch (Hz)
550
30
o
ie
todos
bien
L*
L+H*
HH%
¿todos bien?
0
0.5605
Time (s)
234
3.2.4- ¿Está durmiendo la Claudia?
350
300
Pitch (Hz)
200
100
30
a
tá
u
ie
a
durmien pausa/ruido tá
u
ie
o
durmiendo
a
la
L+>H*
au
ia
claudia
L+H*
HH%
¿Está durmien- está durmiendo la Claudia?
0
1.396
Time (s)
3.2.5- ¿Así es?
350
300
Pitch (Hz)
200
100
30
a
i
e
así
es
H+L*
L+H*
HH%
¿así es?
0
0.7173
Time (s)
235
4- Diretor do Fluxo de Informação
4.1- Enunciados Femininos
4.1.1- ¿Marcaste el uno?
Pitch (Hz)
550
30
a
a
mar
e
cas
u
te
L+>H*
o
el uno?
L+H*
HH%
¿Marcaste el uno?
0
1.971
Time (s)
4.1.2- ¿Tú te acuerdas de Armando primo de nosotros?
Pitch (Hz)
650
30
u
ea
ue
tú te a cuer
a
ea
das de ar
a
man
o
do
i
pri
o e
o
mo de no
L*
o
so
L+H*
o
tros
HH%
Tú te acuerdas de Armando primo de nosotros?
0
1.867
Time (s)
236
4.2- Enunciados Masculinos
4.2.1- ¿La Claudia está durmi-?
350
300
Pitch (Hz)
200
100
30
a
au
la
ia
a
claudia
u
tá
i
durmi
L+>H*
L+H*HH%
¿La Claudia está durmi-?
0
0.9001
Time (s)
4.2.2- ¿Tenís clases temprano ahí?
450
400
300
Pitch (Hz)
200
100
30
e
i
a
tenís
e
a
clases
o a
i
temprano
ahí
L*
L+H*
HH%
¿tenís clases temprano ahí?
0
1.135
Time (s)
4.2.3- ¿Las ocho y media?
450
400
300
Pitch (Hz)
200
100
30
a
o
las
o
ocho
e
ia
y media
L*
L+H*
HH%
¿las ocho y media?
0
0.5866
Time (s)
237
5- Pergunta Recíproca
5.1- Enunciados Masculinos
5.1.1- ¿Ya los mails?
350
300
Pitch (Hz)
200
100
30
a
o
ya
ai
los
mail
L+H*
L%
¿ ya los mails?
0
0.7173
Time (s)
6- Iniciador de Tópico
6.1- Enunciados Femininos
6.1.1- Oye ¿recibiste hoy una carta mía?
Pitch (Hz)
650
30
e
i
re
ci
i
bis
e
te
o
i u
hoy
a
una
a
car
L+>H*
Oye
.
a
ta
ia
mía
L+H* HH%
recibiste hoy una carta mía?
0
1.971
Time (s)
238
ANEXO 3: CONTORNOS ENTONACIONAIS DOS
IS+¿NO?/IS+¿AH?
 VARIEDADE DE BUENOS AIRES
1- Enunciados Femininos
1.1- [sí]I [por um año]I [¿no?]I
350
300
Pitch (Hz)
200
100
50
sí
por un año
H*
no
L%
L+H* HH%
0
1.475
Time (s)
2- Enunciados Masculinos
2.1- [es lo que hacés vos]I [pero tiene un nombre formal]I [digamos]I [¿no?]I
400
300
Pitch (Hz)
200
100
30
pero tiene un nombre formal
digamos
L*
2.27
no
L%L+H*
HH%
4.427
Time (s)
239
2.2- [sí]I [por eso por eso]I [igualmente]I [te lo comentaba]I [nunca se sabe]I [¿no?]I
250
200
Pitch (Hz)
150
100
50
igualmente te lo comentaba
nunca se sabe
no
H*
L% L+H* HH%
1.842
3.46
Time (s)
2.3- [es la que vive en Quilmes]I [¿no?]I
450
400
Pitch (Hz)
300
200
75
(( ))
es es la que vive en Quilmes
no
L+H*
L% L+H* H%
0.6605
2.18
Time (s)
2.4- [no hay ninguna]I [¿no?]I
400
300
Pitch (Hz)
200
100
30
noticias del país hoy
43ms
no hay ninguna
H+L*
0.4287
no?
L% L+H*HH%
2.441
Time (s)
240
2.5- [huevadas]I [¿no?]I
250
200
Pitch (Hz)
150
100
50
30
huevadas
no
H+L*
L%
L+H*
HH%
0
1.083
Time (s)
2.6- [con cosas del mundial y con cosas del atentado]I [¿no?]I
450
400
Pitch (Hz)
300
200
75
con cosas del mundial
y con cosas del atentado
no
H*
H%L+H*H%
1.011
2.919
Time (s)
2.7- [yaquilandia es uno]I [¿no?]I
250
200
Pitch (Hz)
150
100
50
30
Yanquilandia es uno
no
H*
0
L%L+H* HH%
1.214
Time (s)
241
2.8- [mucho tiempo]I [¿no?]I
250
200
Pitch (Hz)
150
100
50
30
mucho tiempo
L*
¿no?
L% L+H*
0
HH%
1.553
Time (s)
242
 VARIEDADE DE SANTIAGO DO CHILE
1- Enunciados Femininos
1.1- [medio celoso]I [¿no?]I
400
300
Pitch (Hz)
200
75
medio celoso
no?
H*
HL%
L+H*
HH%
0
1.067
Time (s)
1.2- [estaba como molesto de que le hablabas mucho de Eddie]I [¿ah?]I
450
400
Pitch (Hz)
300
200
100
30
estaba como molesto de que le hablabas mucho de Eddie
H*
¿ah?
L%
2.196
L+H*
HH%
3.356
Time (s)
243
1.3- [porque cuando él él ya termina]I [otro va a ir en su lugar]I [¿ah?]I
450
400
Pitch (Hz)
300
200
100
30
porque cuando él él ya termina otro va a ir en su lugar
373ms
L*
¿ah?
L%
L+H* HH%
2.011
4.035
Time (s)
1.4- [parece que eso es lo que él quiere]I [¿ah?]I
500
400
Pitch (Hz)
300
200
100
30
parece que eso es lo que él quiere
H*
¿ah?
L% L+H*
HH%
1.143
1.997
Time (s)
1.5- [y así como para quedarse tanto tiempo tampoco]I [¿ah?]I
500
400
Pitch (Hz)
300
200
100
30
y así como para quedarse tanto tiempo tampoco
H*
L%
2.832
221ms
¿ah?
L+H*
HH%
4.009
Time (s)
244
1.6- [posiblemente podría ser una semana]I [o dos semanas]I [o algo así quizás]I [¿ah?]I
450
400
Pitch (Hz)
300
200
100
30
o dos semanas
o algo así quizás
335ms
H*
L%
¿ah?
L+H* HH%
3.454
5.289
Time (s)
2- Enunciados Masculinos
2.1- [el reuna es lo que les da servicio a ustedes]I [parece]I [¿no?]I
350
300
Pitch (Hz)
200
75
el reuna es el que le da servicio a ustedes parece
L*
no?
L% L+H*
1.937
HH%
3.018
Time (s)
245
2.2- [conocei el reuna tú]I [¿no?]I
450
400
Pitch (Hz)
300
200
100
50
conoces el reuna tú
no?
H* L% L+H* HH%
0.1071
1.11
Time (s)
2.3- [porque ustedes no han recibido nada de mensajes de afuera]I [¿no?]I
400
300
Pitch (Hz)
200
100
50
porque ustedes no han recibido nada de mensajes de afuera no?
H*
L% L+H* HH%
1.812
2.73
Time (s)
246
ANEXO 4: TRANSCRIÇÃO DAS CONVERSAS
TELEFÔNICAS
Conversa 1 – Mulheres – Buenos Aires
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31
32
33
34
35
36
37
38
39
40
41
42
43
44
45
46
47
A: hola
B: buen día
A: es que me dijeron si porque te dan sesenta segundos para colgar
B: ahn
A: por eso puedes dejar antes el mensaje
B: ahn
A: entonces te dan sesenta segundos y después te preguntan si están de acuerdo
en grabar la conversación y qué sé yo
B: sí escuche hablan en español
A: ah sí sí sí
B: risas
A: sí
B: che y contáme ¿con tus amigos todo bien?
A: ¿ehn?
B: ¿con tus amigos todo bien?
A: ehhhh el día que llegué me llamó el hincha del español
B: ah ¿y por qué?
A: de pedo ayy no no es re divino lo que pasa es que está más solo que un
hongo pero pero no es buen tipo re divino aparte el otro día fui a almorzar con
él y chocó el auto nuevo
B: no
A: así que estaba pobre te juro me dio una lástima
B: ¿lo hizo mierda o más o menos?
A: la puerta del conductor y encima yo me ligué un ausente por su por su culpa
B: un ausente porque fue yendo a colegio ¿fue?
A: no no él fue a visitar al colegio entonces me fue a buscar averiguó y me fue a
buscar a la clase que tengo antes de almorzar viste después íbamos a ir almorzar
supuestamente
B: ahn
A: no pero buena onda después también el día que llegué de pedo también
porque no sabía que yo había llegado me llamó mi amiga esta la Yanqui Alis
con la que fui a hacer ski aquático.
B: ahn
A: así que re divina no me llamó re divina estuvo y después me dijo de ir a
almorzar el otro día que sé yo así que bien y después me llamó
B: ¿y con tu hermanito?
A: ¿ehn?
B: ¿con tu hermanito?
A: ah mi (her)manito re bien
B: ¿cómo está él?
A: no él está re bien ahora él es el que me tiene que bancar a mí porque en
realidad yo no estoy muy bien no sé qué me pasa estoy medio depre
B: ¿sí?
A: sí pero pobre les empecé a grabar un casete a ustedes pero está bueno así
247
48
49
50
51
52
53
54
55
56
57
58
59
60
61
62
63
64
65
66
67
68
69
70
71
72
73
74
75
76
77
78
79
80
81
82
83
84
85
86
87
88
89
90
91
92
93
94
95
96
97
98
tiene contraste porque está bastante depresivo el asunto
B: [risas]
A: pero esperá va a estar mejor entonces van a decir mirá que bien que está
Mónica ahora
B: [risas]
A: me grabé todo el casete así porque si no se van a deprimir ustedes
B: qué mal boluda y ¿con Lola hablaste ya o no?
A: no
B: ¿no?
A: no no no sé qué voy a hacer no tiene mucho sentido nada así que
B: mmm
A: no sé qué no no tengo ganas de nada ¿sabes qué soñé?
B: ¿qué?
A: me siento mal por haber soñado eso [risas]
A: soñé que me tranzaba a Matus gorda boluda [risas]
B: ah [risas]
A: te juro me quedé
B: a Matus la llamó la Mina
A: ¿eh?
B: a Matus la llamó la Mina de Bariloche
A: ¿en serio?
B: te juro
A: ah y el otro ¿qué? ¿se van a ver?
B: sí sí lo que pasa había ningún horario les coincidía pero se iban a ratear
ambos el lunes o el martes del cole de sus respectivos colegios
A: mmm
B: y se iban a encontrar [risas]
A: mirá vos qué bueno yo me sentí re culpable cuando me desperté re mal me
sentí [risas]
B: [risas] pobrecita
A: pero bueno vos ¿cómo estás che?
B: yo acá boluda estoy yendo para el cumpleaños de Martín que es hoy
A: ah hoy es su cumpleaños
B: sí por eso me estaba bañando para ese tal acontecimiento [risas]
A: Ah [risas] ¿qué tal con él?
B: [risas] bien bien más o menos [risas]
A: [risas]
B: él está pasando por un mal momento y yo estoy en mi mejor momento
A: ah CarelB: este
A: ¿qué?
B: encima ¿sabes qué? che ¿le preguntaste a tu hermano de Manuel?
A: sí
B: ¿y?
A: me dijo ay es re buen tipo re divino ay me encanta porque Mariana también
me caía bien me dice qué bueno qué divino me dice eso dice que es un buenazo
que es un pan de Dios
B: ¿sí?
A: que de él fue amigo pero de momento como Víctor tiene como tres o cuatro
años más que él
B: sí
248
99
100
101
102
103
104
105
106
107
108
109
110
111
112
113
114
115
116
117
118
119
120
121
122
123
124
125
126
127
128
129
130
131
132
133
134
135
136
137
138
139
140
141
142
143
144
145
146
147
148
149
A: en el momento era amigo pero en el club cuando estaban ahí después no
salían porque él estaba en otra onda
B: sí
A: pero igual le ha parecido siempre re buen tipo
A: y ¿qué pasó?
B: ah mañana es fiesta del reencuentro en Bariloche
A: ah
B: y no va a ir Martín y yo estoy desesperada pobre [risas]
A: ay Tati
B: ¿qué?
A: qué hija de puB: no soy de hielo che soy humana
A: y se nota que no estás bien con Martín hija de puta
B: yo estoy bien él no está bien [risas]
A: sí estás re bien
B: [risas]
A: super enamorada no no tenés [risas]
B: no eso sí que no [risas]
B: ay así que
A: qué y pero qué más o sea
A: Martín que cuando volvieron estuvieron bien o tipo vos no te sentías tan
unida como antes o sí
B: boluda yo no sé si es pasajero o que pero yo estoy en otra estoy en la luna de
Valencia cómo te puedo explicar
A: en el colegio es cualquier cosa
B: el el mmm el colegio no existe me duermo en todas las clases todas
A: [risas]
B: todas el otro día entramos a la una de la tarde salimos a las cuatro Maru y yo
nos dormimos Male vino y nos despertó chicas tienen inglés nos dijo
A: [risas]
B: eso no todo el mundo apolizando nadie le da bola a nada a nadie le interesa
nada
A: ay Dios mío ayayay
B: {cough} boluda ¿sabías qué?
A: ¿qué?
B: que Jedy tranzó con el coordinador ¿lo sabías?
A: sí Tati si te lo dije en el micro
A: y te dije que a mí me habían dicho que también Nelly se habían encamado
B: bueno ah bueno no estuvo sólo con ese estuvo como con cuatro o cinco
coordinadores
B: Carolina también Geraldin
A: ay miB: estuvo con José a punto
A: hijo si yo sabía pero no no hicieron nada tipo
A: estaba el novio de Geraldin ahí
B: no sé o sea estuvieron (( ))
B: no vos también pensaste que era el novio no era el novio [risas]
A: ah ¿hablaban en código?
B: ¿eh?
A: ¿hablaban en código?
B: ¿quiénes?
249
150
151
152
153
154
155
156
157
158
159
160
161
162
163
164
165
166
167
168
169
170
171
172
173
174
175
176
177
178
179
180
181
182
183
184
185
186
187
188
189
190
191
192
193
194
195
196
197
198
199
200
A: Geraldin y Paula
B: ¿por qué?
A: porque a mí me habían dicho que estaba el novio
B: ah sí el novio de Geraldin estaba en Bariloche pero yo una vez entré al cuarto
de ellas y había un flaco medio en bola entonces me di vuelta y en la cama con
Geraldin entonces él yo no sabía nada de eso me dije debe ser el novio de si
ese era el novio yo ahí mismo me di vuelta y me fui pero oh era José
A: ah era José
B: sí boluda
A: ay Dios mío pero qué ¿Jedy se encamó al final con este Marcelo o no?
B: parece que sí ella no me dijo nada pero todo el mundo dice que sí
A: mmm ay esta chica
B: y después había Gabriela Korganski se tranzó se los tranzó a los dos en pedo
a Diego Cantillano y a Román
A: no
B: Román se quiere cortar un testículo boluda [risas] parece que -A: [risas] pobrecito está totalmente -B: lo que pasa que con Román estuvo a punto de de de tener relaciones
A: uh ¿estará arrepentido Román?
B: Román no se acordaba nada nada tenía un pedo
A: ay dale
B: no te juro que me que le dijeron al otro día
A: sí no se quiere acordar boluda
B: Gabriela no parece que Gabriela le escribió una carta
A: porque está
B: porque Gabriela quería que dejara la novia que él tiene
A: mmm
B: así que che ¿sabías que hablando de Román está todo mal en la casa de
él?
A: ¿cómo?
B: porque los padres están separados
A: uy ¿se separaron?
B: sí porque el padre se mandó una cagada terrible
A: ¿qué hizo?
B: vos callate no digas nada pero ganaron el juicio el seguro de Marcelo por lo
del accidente
A: ahá
B: y con esa guita iban a pagar el el departamento donde están viviendo ahora
que está sin pagar y un día antes la madre de Román se entera que la guita no
está que el padre se cagó toda la guita en un negocio tratando de duplicarla
multiplicarla no sé qué historia
A: uy
B: que eran setenta mil dólares boluda tienen un quilombo
A: ay y encima obviamente no la disfrutó ni nada
B: no no así que y Romy está con un ataque depresivo te juro lo veo re mal
A: ay ¿lo ves seguido?
B: ¿eh? estuvo el otro día en el cole no habla y yo me encontré con él el
domingo a la noche cuando vol- cuando volvía del aeropuerto
A: mmm
B: porque sabía que estaba mal que Jedy me había comentado lo llamé nos
encontramos me contó
250
201
202
203
204
205
206
207
208
209
210
211
212
213
214
215
216
217
218
219
220
221
222
223
224
225
226
227
228
229
230
231
232
233
234
235
236
237
238
239
240
241
242
243
244
245
246
247
248
249
250
251
B: y después no no lo vi más hablé por teléfono
A: mmm
B: más nada
A: ay mandale saludos míos
B: mmm
A: yo ahora mandé a revelar las fotos
B: ah yo también y me olvidé ir a buscar o sea se me pasó el tiempo y cerró hoy
el negocio y no la he podido ir a buscar [risas]
A: qué boluda
A: con tus viejos ¿qué tal tán?
B: con mis viejos con mi viejo re bien o sea bastante bien con mi mamá estoy
bien pero estoy preocupada por mi mamá
A: ¿ella está mal?
B: ¿eh?
A: ¿ella está mal?
B: muy mal te juro estoy preocupada
A: nmm
A: [noise]
B: no no sé qué hacer porque eso yo le decía el otro día el otro día a mi papá que
yo estoy como sola o sea no tengo a nadie a quien recurrir ni con quien
compartirlo ¿entendés?
B: sí no no te juro –
A: ah ningún amigo tipo de tu vieja ¿alguien que esté también tan cerca?
B: no o sea o sea soy yo sola si mi vieja está mal mi mamá no tiene un esposo ni
tiene otro hijo ¿entendés?
A: claro
B: (es)toy yo y yo argentina tengo que ir
A: ¿te sentís responsable?
B: soy muy sí siento que tengo una responsabilidad demasiado grande
A: mmm
B: así que
A: lo que pasa es que no tenés que tomarla como o sea vos te la estás tomando
como responsabilidad
B: es que es inevitable boluda
A: pero ya que es inevitable pero te juro que vas a tener que hacer un esfuerzo
para separarlo Tati porque si no
B: sí pero por ejemplo hoy hoy yo estaba acá tirada a punto de tirarme a dormir a
la tarde me llamó que estaba enferma que no se podía mover que vaya a llevar el
remedio y no sé qué y no sé cuanto y me tuve que quedar toda la tarde
cuidándola
A: ¿y qué tenía?
B: y viste no tiene ochenta años que bueno y mi abuela mi abuela nunca lo hace
A: pero ¿por qué no se podía mover?
B: porque le agarró un ataque al hígado y no se podía mover de la cama estaba
hecha mierda
A: ¿en serio o está demasiado tipo?
B: y yo no sé viste
A: tú crees
B: yo creo que sí que en serio lo que pasa es sicológico de acá a la China
¿entendés?
A: claro o sea es bien tipo si no venís conmigo me muero bien que te di ella no
251
252
253
254
255
256
257
258
259
260
261
262
263
264
265
266
267
268
269
270
271
272
273
274
275
276
277
278
279
280
281
282
283
284
285
286
287
288
289
290
291
292
293
294
295
296
297
298
299
300
301
302
te ayuda a sacarte los -B: sí pero no sé si lo hace a propósito o lo hace inconscientemente pero o o sea
sicológicamente es obvio ¿entendés? no sé si lo hace consciente o
inconscientemente pero yo no puedo decir que no ¿entendés?
A: claro en esa situación no es difícil pero es difícil
B: así que
A: pero no no podés por más que no no seas sabés te sentís no podés o sea tenés
que ayudarte a vos misma no sentirte responsable porque no es lo que o sea
B: no responsable no o sea con culpas no me siento pero me siento responsable
A: no pero o sea como que vos en este momento a tu vieja vos no la podés
ayudar aunque quieras ella sola se tiene que ayudar es así
B: sí pero igual a veces me preocupa el otro día hablé y me preocupó en serio
¿entendés?
A: sí si entiendo obvio que entiendo voy aprendiendo pero sí
B: así que che y vos con Jorge ¿cómo estás?
A: ah yo tamos no está la no estamos en súperB: es el mejor momento
A: claro súper comunicativos y cariñosos tipo pero está tranquilo qué sé yo más
o menos o sea no no no creamos
B: ¿te dijo algo por el viaje?
A: no no no no hablamos nada lo único que en un momento comentó así como
de paso pero para que yo lo oiga que él pensaba que yo debería haber llegado la
semana anterior pero así como de paso como para que yo lo oiga pero no no
discutimos digamos nada
B: está bien
A: qué sé yo
A: me enteré que hay una brasilera ahora en el colegio
B: que ¿qué?
A: hay una brasilera en el colegio nueva que no sabe hablar nada de inglés ya
B: ah ¿sí?
A: voy a tratar de
B: che qué tal el cole- el reintegro vos ¿te lo bancás?
A: sí yo sé que me lo voy a poder bancar lo que pasa es que no sé a menos que
esté muy mal
B: sí ¿por qué?
A: no sé no sé no sé por qué no sé igual o sea tipo la profesora de historia me vio
sólo por el pasillo y me dijo Mónica dónde estuviste te te estaba buscando te
estaba esperando por qué no habías llegado no sé qué
B: [risas]
A: tipo me trata re bien porque tengo que hacer la primera parte de su materia y
tipo me dice y bueno igual a vos como no te va a ir bien no sé que tipo re bien yy
B: ¿esa es la que vos la tenías cagazo?
A: claro en el cole digamos es la más difícil porque es la materia que más tengo
para mí fue la materia más difícil y después por la de inglés no me tratan bien
por general tipo la de teatro me trata bien tipo bienvenida Mónica
B: ¿buena onda?
A: ¿ehn?
B: ¿buena onda?
A: sí pero lo que pasa es que ponele es muy ambiguo todo porque yo necesito
otras cosas yyy ponele la de teatro dijo bueno bienvenida Mónica y que sé yo
que que y todos me aplaudieron y dijo que yo le dije que iban a estar contenta
252
303
304
305
306
307
308
309
310
311
312
313
314
315
316
317
318
319
320
321
322
323
324
325
326
327
328
329
330
331
332
333
334
335
336
337
338
339
340
341
342
343
344
que viniera y ella no me creía y yo le dije que algunos habían venido a
preguntarme y qué sé yo pero yo no me doy cuenta en realidad o sea hay gente
que es macanuda conmigo pero así de pasada o sea tipo re macanuda pero
B: lo suficiente y hasta ahí
A: claro
B: ahn
A: y que sé yo saludo así la alemana que también
B: y tu amiga la que estaba acá en aquella vez ¿está allá ahora?
A: se quedó acá boluda se quedó allá digo
B: ¿se quedó a vivir?
A: llegó llegué acá y llamé el españ- Fernando me dijo y yo no entendía nada
entonces llamé a la hermana de ella que vivía acá y me dijo que sí que dos horas
antes del avi- del vuelo no sé que decidió quedarse se ve que la vieja la debe
haber presionado porque la vieja quería que se quede
B: ¿y que el padre se volvió?
A: sí
B: ahn
A: tá loca porque aparte ahora tiene que hacer todas las equivalencias y ya viste
no sé
B: sí por un año ¿no?
A: sí mucho ralle aparte porque ella nunca pensaba tipo quería quedarse
estudiando acá ella entonces
B: debe ser re jodido
A: pero se quedó allá y fui al colegio en auto una vez
B: ¿estás usando el auto o lo usa Victor?
A: nos vamos a turnar lo que pasa es que cuando llegué estaba en el mecánico y
cuando lo sacaron del mecánico pusieron al en el taller al otro
B: ahn
A: entonces ahora estamos con el que usamos Victor y yo y lo está usando Jorge
porque él tiene que ir a la oficina
B: claro y vos ¿en qué vas al cole?
A: en colectivo como siempre
B: always
A: always
A: pero qué sé yo y tengo mucho para estudiar y leer y estoy
B: bueno eso es bueno por lo menos te vas a distraer
A: y que no me puedo enganchar estoy re mambiada no me puedo enganchar
bueno más o menos
B: pero ¿por qué estás mambiada?
A: no sé estoy re
B: qué estás tipo por ejemplo yo te explico estoy en otra pero porque estoy en
viaje todavía y tengo que volver y toda la bola
253
Conversa 2 – Homens – Buenos Aires
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31
32
33
34
35
36
37
38
39
40
41
42
43
44
45
46
47
48
49
B: vos sos el que llama
A: sí ya marqué uno
B: ahí está
A: espero a lo mejor espero que no se corte sí ya marqué
B: bueno capaz que se cortó la otra vez porque no marcaste
A: eh sí por eso ahora marqué vamos a ver che te decía
B: te voy a preguntar ¿cuándo vas a venir vos? ¿si sabés o si tenés una idea?
A: sí mirá tengo pasaje reservado para el dieciséis pero lo tengo que pagar todavía
B: ¿de qué?
A: de diciembre
B: ah falta todavía
A: sí sí
B: ¿venís para las fiestas?
A: para las fiestas exacto me quedaré hasta el dos o el tres
B: ¿vos escuchás bien o tardás en pensar?
A: no no es que hay un delay es porque
B: como un retardo te digo
A: sí es del satélite
B: ah bueno no porque yo cuando llamaba a Europa no tenía tanto retardo
A: capaz que no sé no sé bien a lo mejor porque son chotas líneas nada más eso y
no te andaba comentando vos sabés que acá hay hay un departamento que se
llama epidemiology que es básicamente estadística aplicada a medicina
B: si es epidemiologia bueno si es eso
A: es lo que hacés vos pero tiene un nombre formal digamos ¿no?
B: sí acá también hay una carrera que me parece que yo voy a hacer eso
A: ah bueno
B: en la universidad Belgrano están haciendo un máster de epidemiología
A: ah bueno
A: ah porque acá tengo amigos
B: aparte en Seattle hay un centro grande de ¿cómo se llama? de oncología y qué
sé yo que es en estadística
A: exacto más te digo porque una de mis roomates una de las personas una de las
chicas que vive conmigo estudia eso ahí por eso lo sabía
B: ah ¿estudia eso?
A: yyy sí sí sí
B: lo que ahora más adelante te pido algún dato sobre qué va que me pueda
mandar ella sobre programas esas cosas así
A: aham
B: lo que pasa es que yo irme a estudiar yo te digo realmente irme a estudiar allá
que por lo menos son dos anos un año que sé yo ehh un pedo ¿viste? pero
digamos que tengo otros planes más inmediatos
A: sí por eso por eso igualmente te lo comentaba nunca se sabe ¿no?
B: sí yo pensaba porque viste yo me recibí de analista y lo pensaba hacer un
Master acá
A: sí
A: mmm
B: en en Estadística
A: claro
B: pero en Estadística no Estadística Matemática(s) sino Estadística aplicada a
254
50
51
52
53
54
55
56
57
58
59
60
61
62
63
64
65
66
67
68
69
70
71
72
73
74
75
76
77
78
79
80
81
82
83
84
85
86
87
88
89
90
91
92
93
94
95
96
97
98
99
100
Medicina
A: aplicada claro
B: claro estoy laburando en otro lado aparte ahora ¿viste? tengo bastante laburo
A: ah qué qué ¿en dónde estás laburando?
B: estoy laburando con un grupo de trasplante
A: ah
B: y aparte en la Academia que es mi laburo de siempre digamos
A: che y en la Academia al final este tus relaciones andan bien como para que
puedas usar el e-mail o seguís así
B: no porque eso mirá
B: esa es una historia ¿viste? porque ahí en la academia son muy rompepelota con
esas cosas
A: ya
B: con esas
A: ahá
B: y solamente las quieren usar para fines académicos digamos ah
A: sí
B: y para las cosas que yo quiero hablar con vos realmente no me sirve porque lo
que pasa es que quiero poner cosas personales
A: exacto chusmear personales
B: no me interesa hablar de otro tipo de cosas con vos
B: así que no sé por ahora se me ocurre más que nada escribir
A: sí no está bien
B: o llamar
A: no el problema con escribir es que la verdad ¿viste? cuesta sentarse a escribir y
B: es medio plomo es medio lento aparte ese tema de escribir eso seguro
A: sí es más o sea es es me gusta más porque lees la letra pero yo te digo en el
email en el e-mail yo paso todo el día en la computadora
B: pero es lento esto es lento y se pierde correlación en las cosas yo te cuento una
cosa que
A: exacto
B: resulta que cuando te llega es vieja y bueno lo mismo te pasa a vos
A: exacto exacto
B: es un embole che ¿estás en contacto acá con tu familia con alguien más?
A: más o menos mira por carta me ando escribiendo con algunas chicas yyy con
hombres mira sos vos el único con quien me escribo porque los hombres en
general son todos más más vagos
B: claro sí
A: chicas me estoy escribiendo con tres con mi familia hablo casi todas las
semanas eh
B: te acordás de los amigos ah
A: sí sí sí como ahora dirás ya
B: sí más o menos más o menos
A: [risas]
B: una vez por mes
A: y bueno viejo vos no me llamaste nunca [risas]
B: pero me ac- pero me acuerdo que es lo importante
A: [risas] che loco voy a cumplir treinta
B: sí sabés que sí
A: el mes que viene qué bárbaro
B: y está que se te allanó sabés que yo te diga ¿no? no entiendo lo que dice
255
101
102
103
104
105
106
107
108
109
110
111
112
113
114
115
116
117
118
119
120
121
122
123
124
125
126
127
128
129
130
131
132
133
134
135
136
137
138
139
140
141
142
143
144
145
146
147
148
149
150
151
A: no pero vos
B: el mes que viene treinta pirulos hermano
B: ah dame tu tele yo no tengo tu teléfono eso es lo que pasa
A: ah cambié el teléfono es verdad anotá
B: y por lo menos aparte por lo menos para llamarte para tu cumpleaños
A: sí anotá anotá es el dos cero seis
B: sí dos cero seis
A: seis tres dos
B: ¿ese es el código de Seattle?
A: sí
B: sí dale
A: seis tres dos eh dos siete nueve cinco
B: sí a ver seis tres dos dos siete nueve cinco
A: sí
B: dos cero seis Yanquilandia es uno ¿no?
A: sí
A: y Yanquilandia creo que sea el internacional es uno sí sí
B: este no pero llamarte para tu cumple aunque sea
A: bárbaro bárbaro está bien
B: así no te podés quejar
A: che y después alguna novedad así de este tu vieja -A: ah ahá
B: y a ver de laburo ando bien este mi abuela este anda medio jodida
A: mmm está vieja digamos claro
B: va jodida jodida por los años
B: claro exacto este
A: tu vieja ¿cómo anda?
B: mi vieja bien el ojo ¿viste? anda más o menos viste pero ve mejor que antes
A: ah ah ahá
B: no tanto como ella esperaba porque ¿viste? la primera operación fue muy
buena
A: ahá
B: ve perfecto del primer ojo que le operaron y del segundo ¿viste? ve mejor que
antes pero no perfecto
A: le contrasta un poco claro con el otro
B: claro porque esperaba bueno que iba a ser como como lo otro y parece que el
primer ojo fue una decepción no se fue un culo como que recuperó el cien por
ciento de la visión de una persona normal
A: [risas] y el otro fue normal digamos
B: el otro fue lo que se espera de una operación de ese tipo
A: ah mirá pobre sí
B: una mejora pero relativa no un porcentaje tan alto [noise]
B: este y bien mi vieja vive enquilombada con el tema de mi abuela y todo eso
pero bien - noise
A: sí me imagino
B: este yo que bien estoy con mi novia bárbaro noise
A: sí sí ¿cómo se llama? porque por lo menos tengo que
B: María Laura
A: María Laura sí sí María Laura espero acordarme
B: noise
A: este es es la que vive en Quilmes ¿no?
256
152
153
154
155
156
157
158
159
160
161
162
163
164
165
166
167
168
169
170
171
172
173
174
175
176
177
178
179
180
181
182
183
184
185
186
187
188
189
190
191
192
193
194
195
196
197
198
199
200
201
202
B: claro claro
A: oh tenés seguís viajando así [risas] tenés
B: oh no viene ella prácticamente te digo prácticamente
A: te que- [risas] siguen las -B: yo voy con cuentagotas siguiendo mis preceptos
A: sí sí del estilo Frank tiene un estilo así
B: nada esta vez digamos que es otra cosa nada que ver con
A: no no no no no no simplemente hay
B: y de estilo este vagan pues
A: algunos patrones se mantienen ahora [risas]
B: el estilo vago sigue igual vamos
A: exacto estilo vago
B: fundidos
A: y otra
B: no pero bien estamos bárbaro
A: sí ah
B: sí sí bárbaro
A: así es que ¿es verdad que se empezaron a comprar cosas?
B: y más no pues y claro que te con- verdad compramos muebles compramos un
juego de dormitorio y un juego de living
A: ahá y qué ¿qué planes hay? digamos
B: nos gastamos nos gastamos como dos lucas en eso
A: a la flauta qué ¿y dónde lo tienen? ¿en la casa de ella?
B: claro porque ella tiene la casa del abuelo que falleció quedó vacía y lo tenemos
ahí
A: uy qué bueno ¿y esa casa es así como candidata?
B: como depósito no no queremos ver donde sacar un crédito en realidad
A: no pero ah ah ah
B: porque esa casa queda al lado de la casa de los viejos
A: ah
B: y a mí no me copa mucho la idea
A: sí es el culo del mundo
B: eso que queda re lejos y segundo viste ya
A: al lado de la cuñada al lado de la suegra
B: por eso no me copa eso
A: sí sí si te entiendo
B: sí pues la idea es juntar eh ¿viste? para poder sacar un crédito o una cosa así
A: sí eso es
B: que tenés que juntar el cuarenta por ciento del valor del inmueble y te manA: cuarenta por ciento y qué con lo que ganás co- ¿cuánto estás ganando? ¿cómo
está el tema de sueldos? sí
B: yo estoy bien yo estoy bien porque tengo varios laburos digamos ahora tengo
dos laburos encima los laburos que hago aparte pero eso no lo puedo contar todos
los meses
A: claro contame pero así más o menos algo estándar o sea lo lo que hacés en la
Academia ¿cuánto te da?
B: y ahí una luca ponele y media luca más del otro laburo
A: mmm
B: y promedio ponele que haga algún que otro laburo promedio que es el laburo
promedio por tres gambas más aparte
A: claro y te digo ¿te estás matando o te queda tiempo? ah
257
203
204
205
206
207
208
209
210
211
212
213
214
215
216
217
218
219
220
221
222
223
224
225
226
227
228
229
230
231
232
233
234
235
236
237
238
239
240
241
242
243
244
245
246
247
248
249
250
251
252
253
B: no no sí sí sí generalmente tipo cuatro de la tarde yo me desocupo de todo
A: claro claro ah bien bien bien
B: o sea algún día un poco más viste otro día tres y media depende estoy tranquilo
digamos estoy así loco loco
A: claro y estás ahorrando como loco me imagino ¿más o menos?
B: y claro estoy pagando la cuota de un auto
A: ah qué bien
B: este -- y estoy ahorrando noise
A: y haciendo haciendo vida como de gente grande [risas]
B: me compré un equipo de música alucinante con una cosa con tres compacts
A: ah a la flauta ah
B: este sí de estos bichos que tienen una cosa arriba de la otra
A: sí uy qué pinta qué bueno
B: sí buenísimo buenísimo
B: estoy re copado
A: sí y cuando yo vaya en diciembre ¿vos vas a estar dando vueltas?
B: en diciembre voy estar acá todavía no me voy de vacaciones a
A: en las fiestas ah okey sí porque te digo que va a ser va a ser medio jodido en el
sentido que voy a estar poco tiempo y y
B: y encima son las fiestas
A: y son las fiestas y
B: o sea hasta ¿cuánto tiempo vas a estar más o menos? ¿un mes?
A: mirá llegaré un sábado creo que sábado dieciséis de diciembre
B: sí
A: y me quedaré hasta el martes dos y en el medio qué sé yo ¿viste? este mi
familia ¿cómo?
B: ¿dos de enero? hasta el dos de enero nada más
A: dos de enero sí y en el medio viste mi familia nos iremos a la costa unos días
B: vas a estar poco y nada
A: este claro por eso así este eso vamos a tener que combinar
B: sí tratar de combinar aunque sea un par de veces vernos
A: no eso es seguro pero lo que quiero decir es que bueno vamos a tener que
hablar este
B: sí estoy
A: che y después bueno el resto bien ya
B: es que esto es tranqui que sé yo
A: está bien ninguna ¿noticias del país hoy? no hay ninguna ¿no?
B: y no el quilombo ese que hubo ese del atentado
A: acá sí pues la bomba me dijeron leí por ahí que hubo una especie de falsa
alarma
B: ah sí sí
A: que andan todos histéricos que nadie quiere acercarse a las cosas judías
B: la semana pasada sí no es para tanto ya eso
A: sí están medio así que Grondona transmitió de un establecimiento judío eh eh
huevadas ¿no?
B: ah sí esos son
B: lo únic- lo único por donde fue el atentado digamos después de lo demás
A: sí
B: es de esas cosas dimes y diretes digamos eh
A: justamente me acaban de llegar me mandaron una pila de diarios y revistas y
B: sí
258
254
255
256
257
258
259
260
261
262
263
264
265
266
267
268
269
270
271
272
273
274
275
276
277
278
279
280
281
282
283
284
285
286
287
288
289
290
291
292
293
294
295
296
297
298
299
300
301
302
303
304
A: con cosas del Mundial y con cosas del atentado ¿no? bastante deprimente la
verdad
B: sí eso continuaba
A: es la de acá la de acá
B: parece un bodrio eso eso lo como cien personas murieron allí
A: sí fue cien personas sí sí sí además como te digo te súper sensibilizás desde acá
porque acá cualquier cosa que dicen de Argentina te -B: claro
A: la re agrandás ah sí
B: claro
A: ah más yo por ejemplo acá viste me la paso jugando al fútbol me gusta el tango
B: pero igual fue algo groso esto eso no es una pelotudez es un atentado
A: no no objetivamente
B: en cualquier lado del mundo es algo importante
A: sí igual te da armate de bronca porque vos sabés en el New York Times
B: oye porque voló un edificio completo así limpito
A: sí sí no lo que te quería decir que la importancia que se le da a eso acá porque
A: por ejemplo fue tapa en el New York Times pero el English New York Times
es un diario importante tipo La Nación así
B: sí
A: y en el diario local de Seattle
B: mmm ni bola
A: este no salió salieron cuatro renglones al día siguiente del atentado
B: no pero el diario local de Seattle debe ser como no sé el diario de un pueblo de
A: de Santiago del Estero viste sí
B: claro
A: pero acá estamos hablando de ciudades de cinco millones de personas eso sí te
da una bronca eso
B: sí ya sé pero con la mentalidad que tienen ven solamente lo que tienen ellos a
su alrededor
A: exacto
B: por eso digo o sea digo no me extraña aunque sean ciudades grandes pero que
sé yo de repente vos ves periodistas que van a preguntar cosas que sabe todo el
mundo y ellos no lo saben dónde queda Buenos Aires y ellos dicen en Brasil
A: exacto
A: bueno te digo que esas son historias que te las encontrás acá todo el tiempo ah
B: entonces por eso es verdad eso
A: ah hablando de Brasil vos sabés que me estoy empezando a enganchar con un
grupo acá para trabajar que van a hacer experimentos en Brasil el año que viene
así que estoy tratando ahí de ver
B: ¿capaz que vas?
A: y depende de que como que haya parado porque es como que estoy entrando
recién en el grupo y todavía no
B: ¿cómo es el tema? ¿vos terminás ahora un año y ahí te dan un título?
A: eh no no tenés que aprobar en materias de cursos tenés que aprobar el examen
que voy a tomar ahora
B: sí
A: yyy
B: ¿pero vos te quedás más tiempo para terminar lo que estás haciendo o para
hacer otra cosa más?
A: eh bueno una vez que terminás los cursos más o menos para la época o sea un
259
305
306
307
308
309
310
311
312
313
314
315
316
317
318
319
320
321
322
323
324
325
326
327
328
329
330
331
332
333
334
335
336
337
338
339
340
poco antes de terminar los cursos ya tenés que tener decidido si vas a seguir
trabajando para hacer el doctorado o para hacer el master
B: ahan ahan
A: eh mi idea es este y eso es más o menos para diciembre para la vuelta de
Buenos Aires ya lo voy a tener decidido en realidad también quiero ir un poco a
Buenos Aires y ver cómo está todo allá ver cómo me siento también
B: acá está todo bien va todo entonces
A: no no como me sienta así de qué sé yo viste de extrañar y ver a los amigos de
nuevo
B: ahora com ¿cómo te sentís allí? ¿bien?
A: baja sube y baja sube y baja este
B: ah ¿tenés días?
A: sí exacto de repente tengo acá teng- gente que me estoy haciendo amiga eh
B: no no me imagino que debés estar bien seguro porque si no no te quedarías
tampoco pero te agarra de repente qué sé yo ¿extrañás un poco o nada?
A: sí sí no extraño extraño y es algo que no lo podés parar ehh
B: mucho tiempo ¿no?
A: sí además es mucho bronca porque de repente te ponés o sea- te ponés a hablar
con alguien y no tenés si tenés algo en común es solamente lo que viviste en el
último año
B: tenés razón
A: claro entonces no podés no podés hablar de cuando Argentina salió campeón
mundial porque a nadie le interesa
B: hasta compartir las boludeces qué sé yo hasta nuestra misma forma de hablar
no sé si nosotros hablamos así como estamos hablando ahora los otros no
entienden nada
A: sí bueno esto también hay esas boludeces tuve bastante problemas con el tema
de bueno que nosotros nos manejamos mucho con
B: debe haber un español chato que no hablás en realidad todos los días vos
A: no no hablo español no hablo español
B: de repente encontrás a alguien que es qué sé yo chileno o no sé o ecuatoriano
o lo que sea hablan un idioma que no es el tuyo
A: no no prefiero eso a que de repente porque estando acá te das cuenta que con la
gente latina tenés muchísmas cosas en común que estando en Argentina no te
dabas cuenta yyy de repente contrasta mucho cuando te ponés a hablar con
norteamericanos particularmente con norteamericanos que no viajan
260
Gravação 3 – Mulheres – Santiago do Chile
133
134
135
136
137
138
139
140
141
142
143
144
145
146
147
148
149
150
151
152
153
154
155
156
157
158
159
160
161
162
163
164
165
166
167
168
169
170
171
172
173
174
175
176
177
178
179
180
181
A: hello Graciela
B: ¿marcaste el uno?
A: sí ya estoy lista
B: ya oye que gusto de oírte
A: igualmente Graciela mira aprovechando esta oportunidad antes las llamé pero
no estaban
B: ¿ahn?
A: y entonces me dijeron que como a las dos y media iban a llegar pero a esa
hora no podía llamar así que
B: ¿quién te contestó? ¿la empleada?
A: yo creo
B: y no me dijo nada
A: ah así que
B: [risas] oye ¿cómo le está yendo al Nando?
A: mira más o menos nomás Graciela
B: ¿por qué?
A: no ha resultado como realmente pensábamos ¿ahn?
B: uy
A: hay muchos problemas ahí en esta compañía y mucho desorden y no mira
después te voy a mandar explicar más detalles en carta pero
B: ¿pero no está contento?
A: claro no no
B: oye ¿recibiste hoy una carta mía?
A: no
B: ah yo pensaba que iba a recibirla porque hoy es el quinto día que le eché
A: ah no no la
B: ahí te contaba unas cosas de Eddie
A: y ¿qué es de mi hijo? ¿cómo?
B: ay está tan lindo
A: ¿cómo lo encuentra? ¿y qué le ha parecido?
B: oh nos encanta oye a mí me encanta y a la nena también es tan dije tan mira la
verdad es tan bueno tan oh me encanta estar con él fíjate
A: ah que bueno
B: desgraciadamente puede venir los lunes en la mañana un día tan re malo
porque se encuentra pura gente de edad yo le invitaría gente pero los días
sábados po pero es muy dice es tan mira es tan se sacrifica en todas las cosas ahí
de los mormones camina por las calles y todo eso pero lo hace con tanta fe oye
que da gusto (( ))
A: claro
B: da mucho gusto verlo a él
A: así son todos oye no solamente él
A: así son toda la gente
B: fíjate el otro día hablé con e- cuando fue anteayer que me llamó Cristian por
este mismo sistema
B: sí
B: entonces le dije yo que Eddie estaba aquí y que me gustaba tanto que era tan
veraz que era tan responsable y entonces me dijo todos los Moreli son así la
Chela Orlando y la Myriam todos son así me dijo
B: [risas]
261
182
183
184
185
186
187
188
189
190
191
192
193
194
195
196
197
198
199
200
201
202
203
204
205
206
207
208
209
210
211
212
213
214
215
216
217
218
219
220
221
222
223
224
225
226
227
228
229
230
231
232
B: todos son bondadosos y responsables
A: [risas] ay
B: buena la idea que tiene de ti
A: fíjate sí pero eh
B: [risas]
A: eh Christian él me llamó para acá y me dijo que tú habías hablado con él pero
como que estaba me dio la impresión como que parecía que estaba como
molesto de que le hablabas mucho de Eddie ¿ah?
B: ¿bah?
A: pienso yo como que a lo mejor que estaba como medio celoso que le estarían
quitando el cariño [risas]
B: medio celoso ¿no?
B: No no no
A: [risas] así es que -B: uno tiene corazón que puede querer a mucha gente
A: claro pues claro yo me alegré de que él las vaya a ver y todo eso y que vaya a
ver a mis papis todo eso porque
B: claro este lunes no vino porque tenían creo que iban a jugar fútbol o una cosa
así
A: sí
B: y y el otro día habían tenido también una una reunión de una reunión de
mormones total que no le sacamos ninguna palabra porque dijo que habían sido
puras payasadas [risas] y eso fue todo él iba a cantar con otro -A: ah [risas]
B: uno que es per- uno que es peruano es decir que la mamá es peruana y él es
norteamericano
A: ah
B: y habla re mal castellano pero malísimo -A: ah
B: pero fíjate que tiene una carita como de esos chiquillos bien pobres chilenos
oye así
A: ¿sí? [risas]
B: chiquito negrito y todo eso y cuando lo oigo lo oigo hablar así tan difícil
[risas] [[imitating a foreigner]]
A: [risas]
B: [[risas]] me dio risa y le dije y ese chiquillo por qué habla
así porque es norteamericano me dijo
A: [risas]
B: oye pero Eddie ha progresado mucho en su castellano y sabe hartas
A: me imagino me imB: hartas palabras de gente joven oye me da tanta risa -A: ay qué cómico
B: porque un día le estaba diciendo yo que ahora que tú le habías mandado los
cien dólares él iba a ser multimillonario me dijo ¿dónde la viste? [risas] -A: [risas]
B: eso de dónde la viste quiere decir de donde sacaste eso
A: Ah [risas]
B: [risas] y tiene montones de términos así le encanta decir sí **pú** no **pú**
[risas] -A: [risas] ah
B: y es tan risueño oye
262
233
234
235
236
237
238
239
240
241
242
243
244
245
246
247
248
249
250
251
252
253
254
255
256
257
258
259
260
261
262
263
264
265
266
267
268
269
270
271
272
273
274
275
276
277
278
279
280
281
282
283
A: sí
B: pero se ve tan diferente de las fotografías que tú nos has mandado -A: ¿sí?
B: porque anda con el pelo tan cortito pero si -A: claro claro por eso
B: cortísimo y más encima los días lunes parece que siempre se corta el pelo -A: ah
B: dice que así es más cómodo
A: [risas]
B: [risas]
B: anda con el pelo bien cortito
A: qué cosa
B: pero a mí me da la impresión de que ahí lo quieren harto oye
A: ah sí?
B: sí y tiene unos unos compañeros y fíjate que yo le dije el otro día que yo tenía
un departamento en Viña entonces me dijo pero me encanta Chely eso que sea
tan espontáneo me dijo podíamos ir en el verano allá
A: [risas]
B: el año cuando yo me pueda ir
A: [risas]
B: ya pues le dije vamos pero tiene que decirlo en serio pues Eddie no no así
nomás porque entonces yo pensé que podía invitar
B: a a un nieto de Arnoldo ¿te acuerdas de ese Arnoldo primo de nosotros?
A: sí
B: que se murió
A: sí ah
B: bueno total que ese chiquillo es un chiquillo encantador -A: ah
B: muy caballero muy mira es un chiquillo muy dije y tiene además una virtud
que tiene auto y es de esos chiquillos así difíciles de encontrar en Chile que son
que trabajan en el día en un banco y en la noche estudia en la tarde así estudia
esa cosa como contabilidad no sé qué es la cosa que estudia -A: ya
B: y tiene un autito entonces yo pensaba iba a tener una persona más o menos de
su edad pues oye
A: Claro
B: y entonces yo le dije que le preguntara porque tiene que preguntarle al
presidente -A: ah
B: si acaso el presidente de los mormones -A: sí
B: si acaso le pagarían el pasaje de vuelta si él se fuera más tarde porque él se
quería quedar unos tres meses más aquí entonces él cada vez le digo yo oye pues
Ed- oye pues Eddie y preguntaste no no he preguntado porque no lo he visto
falta mucho todavía no pues Eddie es que yo tengo que ordenar las cosas porque
yo le tengo que decir a este chiquillo si es que quiere ir a veranear con nosotros
pero yo creo que a este chiquillo le gustaría porque con nosotros es bien cariñoso
este -A: sí
B: este chiquillo que se llama Carlos Ortiz
A: sí
263
284
285
286
287
288
289
290
291
292
293
294
295
296
297
298
299
300
301
302
303
304
305
306
307
308
309
310
311
312
313
314
315
316
317
318
319
320
321
322
323
324
325
326
327
328
329
330
331
332
333
334
B: y entonces pues ahí más encima dispondríamos de un auto y podríamos
conocer hartas cosas de ahí pues oye ¿no es cierto?
A: posiblemente que no no no creo yo que le den permiso ah no creo que le den
permiso
B: ah
A: y así como para quedarse tanto tiempo tampoco ah?
B: pero que se quedara un mes siquiera -A: posiblemente podría ser una semana o dos semanas o algo así quizás ah? -B: mmm pero -A: pero no creo yo
B: ah ojalá que le den pues -A: porque ellos tienen que cumplir una ellos tienen que cumplir un período y es
todo es toda una cosa planeada ¿me entiendes Graciela?
B: mmm
A: porque cuando él él ya termina otro va a ir en su lugar ah?
B: ah
A: así es que no
B: bueno pero la cosa es que lo que quiere él no es seguir de misionero sino que
lo que quiere él es sencillamente le paguen el pasaje después el mismo pasaje
que le iban a pagar el año anterior eso es lo que quiere él
A: ¿cómo dices tú no seguir de misionero?
B: no pues es decirA: cuando él cuando él ya acabe su período ¿dices tú? -B: eso
A: y entonces quedarse un tiempo ex- quedarse un tiempo extra ¿dices tú?
B: entonces (( )) claro quedarse un tiempo extra lo único que le interesa a él es
que le paguen el pasaje -A: claro
B: entonces tiene que consultar si le pagan el pasaje o no yo no encuentro que no
perderían nada si le pagaran el pasaje pues oye
A: claro pero no no creo yo fíjate no creo yo que
B: ojalá que le resulte
A: no creo yo que le
B: el parece que tiene ciertas ideas fíjate y en este tiempo la casa está el
departamento está arrendado y además en este tiempo allá suele llover y hace
frío ha habido temblores y todas esas cosas
A: claro sí
B: así es que no no vale la pena
A: y por qué piensa quedarse él más tiempo? ¿para poder conocer o por qué
dice?
B: parece que eso es lo que él quiere ¿ah?
A: ah conocer darse un paseo
B: ah
A: sí
B: claro porque mira oye viene los lunes en la mañana va a donde Raúl que se
debe latear su poco viene aquí que también se debe latear su poco a pesar de que
nosotras somos un poco más risueñas que que allá pues y que los pobres están
tan así como cabizbajos todo el tiempo -A: sí
B: mm y entonces fíjate que a lo mejor se podría dar un viajecito a lo mejor
Raulito lo podría invitar que ellos salen de viaje van el año pasado fueron al sur
264
335
336
337
338
339
340
341
342
343
344
345
346
347
348
349
350
351
352
353
354
355
356
357
358
359
360
361
362
363
364
365
366
367
368
369
370
371
372
373
374
375
376
377
378
379
380
381
382
383
384
385
a una cantidad de lago y de cosas entonces es lindo eso pues -A: claro claro
B: y lo único que tendrían que hacer sería pagarle el pasaje nomás -A: claro quizás pues a lo mejor -B: ¿cuánto vale el pasaje de aquí para allá oye?
A: como unos mil doscientos dólares será más o menos -B: ah eso no sé cuanto es en plata chilena ah pero eso tiene que ser mucho en
plata chilena
A: así es oye -B: oye pero cuéntame de ti
A: Eh ¿de mí?
B: Mmm
A: ah aquí estoy ¿de mí o de Myriam? [risas]
B: de ti
A: mmm mira siempre cuidando los niñitos
B: ¿los tienes ahí?
A: ahn?
B: ¿los tienes ahí?
A: sí están aquí ahora están comiendo así es Myriam
B: [risas]
A: la Myriam les está dando la comida así es porque a las seis se van
B: [risas]
A: allá van a ser las siete aquí van a ser las seis ahora en este momento
B: ah
B: sí
A: así es que ahí están comiendo y y bueno cuido siempre a los mismos dos
hermanitos que cuidaba antes
B: mmm
A: pero el más grande ya va a la escuela así es que ese viene nomás por las
tardes nomás un rato -B: Ah
A: y entonces cuido al chico -B: y el otro que tiene un nombre Calem no sé cuánto se llama -A: el Keylor ah ese es uno ese es un chico que tiene nomás va a cumplir un año
y ahoB: mmm oh que es chiquitito
A: va a cumplir un año el sábado y y ahora la mamá entonces va a adoptar a otro
bebé hermanito de él digamos -B: ah
A: que va a nacer ahora que va a nacer ahora esta otra semana
A: entonces la la señora esta lo va a adoptar también así es que van a ser
hermanitos digamos reales
B: mmm ¿este es adoptivo también?
A: sí es adoptivo el Keylor es adoptivo
B: mmm
B: ah
A: eh y es un matrimonio joven
A: me bien bien dije oye muy buenos mozos ellos
B: ah
A: el niñito este es bien morenito yo creo que tiene mezclas así como de iraní o
algo así ahn
265
386
387
388
389
390
391
392
393
394
395
396
397
398
399
400
401
402
403
404
405
406
407
408
409
410
411
412
413
414
415
416
417
418
419
420
421
422
423
424
425
426
427
428
429
430
431
432
433
434
435
436
B: ah bueno pero tú ¿cómo estás de tu salud?
A: más o menos mira hay día que estoy mejor igual que siempre
B: pero ¿qué es que te duele? ¿qué te pasa?
A: pero siempre tomando todos los remedios y si no no es que los dolores son
permanentes me entiendes? no se me desaparecen entonces la única manera es
B: pero no tan intenso como antes?
A: claro de tenerlo así calladito digamos soportable es tomar un montonal de
remedios que tengo que tomar todos los días pues
B: que lástima eh pero es mejor que tomes eso que no te de ese dolor tan
espantoso
A: claro
B: oye ¿qué es de Claudio?
A: mira está bien ayer ayer
B: ¿está muy mormón él?
A: sí ahora sí eh echaron él a la iglesia hace un tiempo
B: me mandaron decir a Raúl que estaba feliz
A: le encanta oye ir a la iglesia
B: bueno
A: es que mira la gente de aquí de donde nosotros vamos es toda gente muy fina
Graciela y no solamente muy educada sino que es toda gente muy buena
B: ahn
A: son gente tan unida servicial te ayudan qué sé yo todo el mundo está
preocupado con los otros los otros que están enfermos tenemos unos comités
digamos que nos preocupamos de llevarles comida todas las señoras que tienen
guagüita les llevamos comida para que no tengan que estar preocupadas porque
es que aquí no tenemos empleados Graciela
B: claro
A: entonces uno mira todo el mundo se ayuda es tan lindo
B: que lindo que estés metida en eso
A: es tan bonito que entonces
B: y claudio ya ha cambiado entonces
A: mucho han cambiado les falta mucho que recorrer todavía pero han cambiado
esto ya no ven la vida del signo peso nomás como veían antes pues han
cambiado mucho ahora ellos se dan cuenta de muchos errores que cometieron
ellos mismos al enseñar a sus niños
B: ¿lo dicen?
A: ¿ahn?
B: ¿dicen eso?
A: sí claro a mí me lo dicen pues
B: ah que bueno
A: sí y y han cambiado muchísimo sí claro que es un largo camino porque no es
fácil cambiar de un día para el otro
B: claro oye y la hi y la hija de Claudio ¿que está estudiando?
A: la Elisabeth? bueno la Elisabeth acaba de terminar el Liceo recién se acaba
de graduar ahn
B: ah
A: así que ahora va a estar de vacaciones de verano que aquí es verano ahora
B: ah
A: ahora aquí los chicos salieron a vacaciones de verano
B: ah
A: entonces ya no comienzan la escuela otra vez hasta septiembre
266
437
438
439
440
441
442
443
444
445
446
447
448
449
450
451
452
453
454
455
456
457
458
459
460
461
462
463
464
465
466
467
468
469
470
471
472
473
474
475
B: ¿(( )) de vacaciones?
A: claro todos salieron de vacaciones aquí así que entonces ella va a ir al coles
B: ¿qué va a estudiar?
A: mira los primeros años son todos así comunes digamos
B: ahn
A: entonces ahí tienen la oportunidad que les muestran todo lo que pueden
estudiar ¿me entiendes?
B: es bueno esto
A: si es bien bueno
B: oye ¿cómo está margari?
A: margarita está bien ella está cui a ella cuida a la Candis vive con ella ahora
B: sí sí supe esto
A: sí supiste
A: el otro día fue una llamada de Lindsay entonces hice unas fotos que te voy a
mandar Grasiela
B: ay qué bueno
A: para que puedas ver ahí a la Candis y a la Sandis para que puedas ver a las
Fotos
B: que bueno
A: así que te explico más en la carta te escribí el otro día porque le mandé una
tarjeta a la nena como va a estar de cumpleaños entonces le escribí pero
B: claro
A: ahora como dices tú que me mandaste una carta entonces y ahora te la voy a
contestar
B: yo saqué las cuentas de cinco días y pensaba que la ibas a recibir hoy
A: oye Graciela pregúntale a Andrés si él recibió yo le mandé un paquete como
un
B: me dijo que le había llegado un paquete
A: ah sí?
B: porque a veces hablamos por teléfono
A: ah?
B: entonces me dijo que le había llegado un paquete pero ¿que cosa eran oye?
A: bueno
B: ah dice que le llegó un librito y que eran pura bromas de los misioneros
A: ah sí
B: y que me lo iba a traer para que yo lo viera
A: es que siempre le ando mirando por cosita así para alegrarlo un poco para que
no se sienta tan solo
A: y le mandé así una polera gruesa
267
Gravação 4 – Homens – Santiago do Chile
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31
32
33
34
35
36
37
38
39
40
41
42
43
44
45
46
47
48
49
A: ahora tengo que decir yo que doy permiso para que esta llamada sea grabada
tú también tienes que decir lo mismo
B: doy permiso para que esta llamada sea grabada
A: ya ahora empezamos
A: eh recibí tu mensaje ayer ¿te dieron (( ))?
B: sí
A: ¿ahn?
B: ¿cómo?
A: que recibí tu mensaje ayer
B: ¿ya leí los mails?
A: sí
B: ayer me dieron una cuenta o sea el lunes
A: ya
B: no miento el lunes traté ayer eh me habilitaron la cuenta en la mañana
A: ya ya ya
B: y tú te mandaste un mail en mayo a un señor que se llama Esteban Álvarez
A: Álvarez ya
B: ya él es el jefe de computación de la escuela
A: ya
B: él recién la vio el lunes
A: tutaro puta bueno que es flojo ¿eh? ¿por qué no lo había visto antes?
B: porque según él tenía malo el terminal no sé que cuestiones el pc no sé que
cuestiones tenia
A: igual que tu amigo de Maturana también hice un finger yo y él que no abre su
mail desde el 15 de agosto que no lo abre
B: hum hum
A: o sea que los mensajes que nos mandamos la otra vez después ya no lo
vieron más
B: claro seguramente
A: ya ya y yo traté de contestarte pero como tú me decís no se puede tú no
puedes recibir mensajes
B: ¿mails?
A: no
B: ¿no?
A: no así es que que sé seeee / yo le mandé
B: estoy seguro que sí se puede o no ah porque yo traté de hacer un doc y no
pasó nada
B: no no no
A: y el mail tampoco no llevó ningún mail yo no sé si tú mandaste algún mail
A: sí yo te mandé pero se me devuelve para acá porque resulta que tu maqu- la
máquina donde estái conectado tú eh… después del signo arroba de portales esa
máquina no está registrada con el reuna el reuna es el que le da servicio a
ustedes parece ¿no?
B: sí
A: conoces el reuna tú ¿no?
B: algo algo algo
A: de una de una como se llama de un consorcio de universidades que se formó
en el año noventa parece una cuestión así y después empezaron a dar servicio se
formaron comercialmente y empezaron a dar servicio todas las universidades
268
50
51
52
53
54
55
56
57
58
59
60
61
62
63
64
65
66
67
68
69
70
71
72
73
74
75
76
77
78
79
80
81
82
83
84
85
86
87
88
89
90
91
92
93
94
95
96
97
98
99
100
privadas ahora están con ellos
B: claro eso es lo que tenía entendido
A: ya entonces pa- pa- tienen que registrarse parece que estos gallos no se han
registrado y por eso que mi com- las computadores de acá de fuera no los
reconocen yo creo que incluso dentro de Chile que no sean internos de la
Portales no los reconocen
A: así que yo le mandé por ejemplo a este Álvarez le mandé después que me
mandaste tú le mandé a él un mensaje -B: ayer
A: diciéndole que había recibido ayer claro
B: ya
A: después que tú me mandaste que había recibido tu mensaje pero que no podía
contestarte así que por favor te mandara un mensaje interno avisándote ¿no
recibiste nada así?
B: no
A: le mandé a varios gallos le mandé uno al gallo de Reúna también y le mandé
otro al Rutz de de la Portales así que a lo mejor hoy día te van pero los gallos
esos parece que no se conectan nunca pues oh así es que no -B: yo tengo entendido que que el administrador porque el administrador primero
se sentó y mandó un mensaje y al parecer parece que lo mandó a la jota ocho tres
A: ya
A: sí si yo hablé yo le mandé un mensaje al tres y me lo mandó y luego luego -B: y claro y lo mandó el administrador -A: ya ya ya ya
B: porque estaba parece no sé qué le pasó parece que estaba sin lentes no veía
los números y estaba como vieja tecleando y después lo corrigió pues -A: ya te digo recibí otro también del de un administrador parece que fue pero
venía en blanco con tres líneas en blanco
B: ah claro
A: claro
B: es que estaban probando porque ni ellos saben si está bien porque tienen ese
problema de configuración
A: ya
A: ya ya ya yo le contesté y bueno el mensaje me rebotó se me dio vuelta para
acá se devolvió porque no encontró el -B: y no sé me dijo hay un compañero que trabaja allá arriba también que me dijo
si yo te doy el paso -B: eh tú puedes hacer un un ¿cómo me dijo? entrar al del de Portales al servidor
y después -A: ya claro
B: de adentro -A: ya me conecto como tú -B: claro
A: claro pero tampoco lo reconoce eso lo hice yo el comando es un Telnet
parece -B: claro un telnet
A: claro pero no se puede porque no lo reconoce porque no está registrada la
máquina de ustedes
A: no lo no lo no se reconoce
B: ¿no está registrada en Reúna?
A: en Reúna claro así que eso es lo que porque el Reúna tiene que poner al día
269
101
102
103
104
105
106
107
108
109
110
111
112
113
114
115
116
117
118
119
120
121
122
123
124
125
126
127
128
129
130
131
132
133
134
135
136
137
138
139
140
141
142
143
144
145
146
147
148
149
150
151
los archivos son todos estos son archivos los que hay entonces cuando el
computador tiene que ponerse en contacto con otra máquina distante empieza a
buscar a buscar a buscar y ahí tiene que estar registrado con esos archivos si no
está registrado no no hace la conexión pues
B: sí yo ayer me estuve metiendo a FreeNet
A: ¿a cuál FreeNet te metís tú?
B: al a la tuya pues a la a la dirección que tú me diste -A: ¿cómo te metiste?
B: con un Telnet
A: ya
B: un Open
A: ya
B: el Open primero
A: ah entonces métete en la cuenta mía po tú te anota tú te sabei ya el el A J
ocho ocho dos qué sé yo arroba FreeNet FreeNet Carleton -B: arroba Carleton FreeNet punto Carleton punto C A -A: ya el password es lulito dos -B: ¿cuánto?
A: lulito dos
B: ya ya
A: ya así que te metí ahí nomás y eh tú mandaste tu password de tu cuenta al
gallo este de la ocho ocho tres así es que -B: no si lo cambié po -A: ah ¿lo cambiaste? ¿cuándo? ¿ayer?
B: sí ayer pues ayer mismo porque me di cuenta que este gallo la mandó mal
A: ah ya ya ya así que claro eso te iba a decir yo [background speech] por si ese
gallo se puede por -- pero como te digo la máquina de ustedes no está accesible
de afuera de fuera de la Portales así que -B: no lo cambié en el momento
A: ya porque ustedes no han recibido nada de mensajes de afuera ¿no? ¿alguien
ha recibido recibe mensajes de afuera o no?
B: eh no pues al parecer no no tengo idea realmente no sé pues
A: no (( )) no eso no se puede ya está pues
B: yo voy a tratar de comunicarme con un amigo de la Chile ahora así -A: ya a ver si se puede
B: y me tira algo para acá pues
A: ya
A: porque eso también sería la otra si tú te puedes comunicar con ese de la Chile
y de ahí de la Chile salir para acá para fuera
B: ah claro
A: claro con quién es con el Maturana o con otro
B: claro pero el Maturana el Maturana tiene hartas cuentas que le han dado los
Jáquer
A: puta el huevón este ya
B: tiene tiene varias cuentas
A: chuta y no usa ninguna ¿o usa alguna?
B: no yo lo llamé ayer para decirle pero estaba durmiendo porque se quedó toda
la noche estudiando -A: chitas
B: ayer en la tarde estaba durmiendo po -A: ya
270
152
153
154
155
156
157
158
159
160
161
162
163
164
165
166
167
168
169
170
171
172
173
174
175
176
177
178
179
180
181
182
183
184
185
186
187
188
189
190
191
192
193
194
195
196
197
198
199
200
201
202
B: {throat clear}
A: puta madre ya -B: y entonces hay un par de cuentas que debe tener desocupadas pues
A: podías usar tú pero de ahí de tu escuela ¿te podei meter a alguna de la
Chile?
B: no sé ayer me traté de meter pero no no me acordaba del del del servidor pues
es Araucaria punto punto sec parece -A: eh espérate a ver (( )) **tutututú** Araucaria no -B: Araucaria punto sec punto U C H punto C L
A: claro parece que es así -B: ¿eso es?
A: parece que sí no lo tengo aquí a mano espérate a ver estoy buscando
**tututututú** chuta madre espérate déjame buscar aquí en esta otra libreta -B: [noise]
A: aquí está ya Araucaria sec U Chile C L
B: ¿U Chile?
A: sí U Chile
B: ¿o U C H?
A: no U Chile
B: a ver Araucaria -A: Sec -B: sec -A: U Chile -B: U Chile -A: C L -B: C L ahí está pues voy a ver si ahora puedo
A: ya
A: okey y ¿cómo están allá en la casa?
B: bien
A: sí ¿todos bien? ¿la Claudia está durmi-?
B: sí todos bien ¿ah?
A: ¿está dur- está durmiendo la Claudia?
B: no la Claudia se partió al colegio
A: ah ya se fue ya chúpala ¿a qué hora entra?
B: sí pues a las ocho
A: ah la máquina y tú ¿estái durmiendo?
B: no yo ya iba saliendo yo estaba justo terminando de tomar desayuno
A: ah ¿sí? chúpala
B: sí
A: ah ya ¿tení clases temprano ahí?
B: sí
A: ya y ¿cómo te ha ido?
B: bien
A: ya
B: bien
A: ya y ¿para cuándo te graduai?
B: no sé pues
A: chuta
B: ah a todo esto a todo esto llamó ayer José -A: Ah el France -B: Sí cómo Pacheco --
271
203
204
205
206
207
208
209
210
211
212
213
214
215
216
217
218
219
220
221
222
223
224
225
226
227
228
229
230
231
232
233
234
235
236
237
238
239
240
241
242
243
244
245
246
247
248
249
250
251
252
253
A: Pacheco ah ¿llamó?
B: Pacheco sí
A: ah ¿sí?
B: ayer lo llamé anoche
A: ya ya está y podéi pasar por ahí por la -- ¿está trabajando ya o no? yo creo
que sí ah
B: eh no me me dijo que fuera a la casa -A: Ah a la casa
B: porque la está arreglando y -A: ah ya
B: me dijo que a cualquier hora podía ir -A: ya ya ya pero ¿te conviene ir allá a la casa? está re lejos parece que está
para arriba para La Reina -B: queda al otro lado del mundo -A: está para arriba para La Reina parece está (( ))
B: sí al final al final -A: chuta ¿qué vai a hacer? ¿vai a esperar que vuelva a trabajar o no?
B: eh no voy a ir me voy a pegar un pique no sé pues uno de estos días le voy a
decir a un compañero que -A: ya
B: que me deje cerca uno que ande en auto que me tire -A: ya
B: me deje cerca y después me vuelvo en micro si -A: ya porque yo te estoy mandando -B: la vieja no -- ¿ah?
A: ¿ah? porque yo te estoy mandando el cheque ahora junté dos cheques ahora te
lo estoy mandando esta tarde -B: ya
A: y ahí te estaba explicando queee de los discos de la agenda que te digo yo
electrónica del playboy eh -B: mmm
A: como se llama el primer disco parece que está corrupto
B: y ¿hay que limpiarlo?
A: eh no eh tiene que haber en el primer disco tiene que haber archivos con
extensión X C o extensión T X T -B: ya cómo texto
A: texto de T X T y parece que todos están con punto cómo se llama esta rayita
de subrayado -A: y otras dos letras o sea que parece que se substituyeron esos archivos de
alguna manera -A: así que si tú no tení archivo échale una mirada al disco uno sobre todo si no
tení eh porque tení que empezarlo a instalar con el disco uno eh si no tení
archivo X C quiere decir que te lo voy a tener que mandar de nuevo -B: nmm
B: ya
A: ya o si no échale una mirada o que le dé una mirada el guatón porque el
mismo juego de discos se los dí al guatón al José Pacheco
B: y ¿tendrá computador?
A: parece que no tiene el gua- no sé si tendrá en la bega pero puedes decirle tú
que te los preste para echarle una miradita si es que los tuyos están malos no sé
po porque no creo que tenga en la casa (( )) así que pues eso nomás y les mandé
272
254
255
256
257
258
259
260
261
262
263
264
265
266
267
268
269
270
271
272
273
274
275
276
277
278
279
280
281
282
283
284
285
286
287
288
289
290
291
292
293
294
295
296
297
298
299
300
301
302
303
304
también otro paquetito de sorpresa para ustedes
B: ya una cámara me dijo también que venía me dijo este gallo -A: ah te dijo el guatón puta el guatón sapo el guatón
B: sí [risas]
A: le dije al huevón que era sorpresa (( )) [risas] puta el huevón metió las patas
el guatón ya ya ojalá que les guste les sirva -B: ya
A: y para que me manden alguna fotita para eso se las estoy mandando la chiva
de que todavía está el rollo adentro -B: mmm [noise]
A: ¿sacaron el rollo al final?
B: sí (( )) [[distortion]] sí parece que lo sacaron -A: puta y -- y ¿cómo estaba? ¿está bueno o no?
B: no sé yo realmente no lo he visto -A: chúpala y ahí habían fotos de aquí de Canadá poB: sí no sé debe estar el rollo por ahí no no no creo que las hayan mandado a
revelar todavía -A: por Dios ya
B: es que ya es un robo sacar fotos aquí -A: ¿ah?
B: es un robo ya la cuestión de las fotos aquí
A: sí ¿por qué? ¿cobran muy caro?
B: oye el carísimo el revelado es carísimo
A: ¿así es?
A: pobre pueden mándalas para acá yo creo que se -velan si le pasan por la
aduana
B: claro con mucha radiación
A: claro porque todos están pasando todos por los rayos x
B: sí radiación queda manchado
A: ¿ahn?
B: queda manchado
A: claro ya está bueno ¿qué otra cosa más te iba a decir? ¿les llegó el cheque? ¿el
sobre con dos cheques?
B: sí llegó uno con dos cheques hace un tiempo
A: ya sí po ya hace unas tres semanas como máximo
B: más o menos un mes
A: ya está como te digo te estoy mandando hoy día ese cheque
B: ya
A: así que una semana más ya está llegando para allá ya está ¿qué más tenía que
decirte yo?
A: ya bueno en caso de que te podei conectar tú me bueno aquí a la free net de
aquí
B: ya cuando yo trate de meterme allá yo hago un tel net open y hago el después
open free net punto carleton
A: bueno para ahorrarte un a mí pa ahorrarte el paso del open two le poní el tel
net y el número del o sea el nombre del domain que le llamamos aquí en
inglés
B: tel net free net
A: que es el nombre después del signo arroba entonces le poní tel
A: tel net free net
B: le poní tel net free net punto carleton punto cl
273
305
306
307
308
309
310
311
312
313
314
315
316
317
318
319
320
321
322
323
324
325
326
327
328
329
330
331
332
333
334
335
336
337
338
339
340
341
342
343
344
345
346
A: sí
A: ahí te ahorrai el open toda esa bosta
B: ahí me va a pedir el (( ))
A: ahí se va a conectar claro te va a decir trying que sé yo está llamando
B: sí
A: y después hasta que te salga el login en el login le entrai ehh la j
B: después me pide el password también
A: después le metí el password claro
B: ya
A: ya y a ver si te funciona esa bosta
B: mmm
A: ¿anotaste todo eso?
B: sí
A: sí ya ya está
B: sí
A: ok ¿qué hora es ya? ¿la ocho y media? ocho y veinticinco
B: las ocho y veinticinco
A: ya ¿a qué hora entrai a la clase?
B: a las ocho
A: chuta madre o sea que estai un poco atrasado
B: sí hoy entraba a las sí si tú me llamaste eran las ocho cinco ¿cierto? claro
cinco ocho diez
A: sí
B: y yo yo no parto a esa hora porque nadie ningún profesor llega a esa hora
temprano a las ocho siempre llegan ocho media nueve
A: andan todos con la misma ley
A: [risas]
B: ¿ah?
A: andan todos al mismo paso
B: sí
A: y ¿dónde tenei clases tú?
B: ehh
A: ehh ¿estai en el república?
B: en el ejército
A: ¿ah?
B: en el ejército en ejército
A: ya ya ya
B: (( ))
A: ¿cuántos micros te tomai? ¿uno nomás?
B: un micro y un metro
A: ah y te tomai después el metro ¿ya?
B: sí porque son como cuatro cuadras de lo de la avenida estoy a cuatro cuadras
274
Download

baixar - Faculdade de Letras