PLANO DE MANEJO
RESERVA PARTICULAR DO
PATRIMÔNIO NATURAL
RPPN GUARIRÚ
Varzedo - Bahia
Responsável Técnica Plano de Manejo: Alessandra Nasser Caiafa
Titulação: Doutora em Biologia Vegetal – UNICAMP
Local: Varzedo – Bahia
SETEMBRO DE 2014
1
PLANO DE MANEJO
RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL
RPPN GUARIRÚ
Proprietário: Flávio Pantarotto
Equipe Técnica:
Resp. Técnica Plano de Manejo: Dra. Alessandra Nasser Caiafa, Bióloga
Coord. Vegetação: Dra. Alessandra Nasser Caiafa, Bióloga
Coleta de Dados Secundários: Dra. Alessandra Nasser Caiafa, Bióloga
Coord. Avifauna: Dra. Carolina Saldanha Scherer, Bióloga
Coord. Mamíferos: Dr. Téo Veiga de Oliveira, Dra. Carolina S. Scherer, Bacharel Mateus Souza de
Carvalho, Biólogos
Coord. Macroinvertebrados Aquáticos: Dr. Sérgio S. da Rocha, Biólogo
Coord. Caracterização Histórica/Socioambiental: Dinéia P. Santos, graduanda em Biologia
Coord. de Geoprocessamento e Mapas: MSc. José Roberto Galindo, Engenheiro Agrimensor
Estagiários:
● Andressa Ribeiro (Engenharia Florestal – Vegetação)
● Éber Dourado (Engenharia Florestal – Vegetação)
● Elfany Lopes (Licenciatura em Biologia – Vegetação)
● Ricardo V. Alexandrino (Bacharelado em Biologia – Vegetação)
● Luma Borges (Bacharelado em Biologia – Mastofauna)
● Emília Camurugi (Bacharelado em Biologia – Avifauna)
● Jayane Lima (Bacharelado em Biologia – Macroinvertebrados Aquáticos)
● Ricardo V. Alexandrino (Bach. em Biologia – Geoprocessamento e Mapas)
Auxiliar de Topografia: Fagner Taiano da Silva
2
APOIO:
Esse Plano de Manejo recebeu apoio do Programa de Incentivo às RPPN’s da Mata Atlântica,
coordenado por Conservação Internacional no Brasil, Fundação SOS Mata Atlântica e The Nature
Conservancy, por meio do Edital n° X de 2011.
Os profissionais acima listados são oriundos do Corpo Docente da Universidade Federal do
Recôncavo da Bahia, que atuaram voluntariamente neste Plano de Manejo, com exceção da graduanda em
Biologia Dinéia P. dos Santos, cuja atuação deve-se a sua experiência em levantamentos desta natureza
enquanto colaboradora do Grupo Ambientalista da Bahia – GAMBÁ. Também exceção cabe ao Dr. Téo
de Oliveira Veiga e o Bacharel em Biologia Mateus Souza de Carvalho, vinculados a Universidade
Estadual de Feira de Santana que se uniram a nossa equipe no meio do processo de caracterização dos
mamíferos somando valores à equipe da UFRB.
3
AGRADECIMENTOS:
Ao Sr. Buri, nosso mateiro e exímio conhecedor das Matas da RPPN Guarirú e suas Plantas e Animais;
A equipe do SOS Mata Atlântica na pessoa de Mariana Machado, sempre à disposição dos proprietários
de RPPN e seus colaboradores; e
Aos estagiários dos Cursos de Bacharelado e Licenciatura em Biologia e Engenharia Florestal da UFRB,
que colaboraram na coleta de dados que foram listados anteriormente.
A Dra. Maria Cristina Vasconcelos Furtado, da Universidade Federal de Juiz de Fora – UFJF, pelo
auxílio na revisão de forma e ortografia do Plano de Manejo.
APRESENTAÇÃO
4
O texto que se segue traz as informações inéditas sobre determinados aspectos do ambiente
biótico na RPPN Guarirú, única Unidade de Conservação na Serra da Jibóia, um importante remanescente
de Mata Atlântica no Recôncavo Sul Baiano, bem como uma coleção de dados secundários sobre o meio
físico e aspectos históricos da região.
Vale destacar que a função principal da RPPN Guarirú é a Conservação da Biodiversidade e,
consequentemente, a manutenção dos Serviços Ambientais, portanto não é uma Unidade de Conservação
aberta à visitação, dedicando-se apenas às atividades de pesquisa científica e para tanto busca parceiras
com as Instituições de Ensino Superior do Estado da Bahia como: Universidade Estadual de Feira de
Santana, Universidade Federal da Bahia e Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, sendo essa
última fundamental para o desenvolvimento desse plano de manejo.
SUMÁRIO
5
Lista de figuras.........................................................................................................................
08
Lista de Tabelas........................................................................................................................
10
1. Introdução.............................................................................................................................
11
2. Informações gerais................................................................................................................
14
2.1. Acesso................................................................................................................................
14
2.2. Histórico de criação e aspectos legais da RPPN................................................................
15
2.3. Quadro-Resumo da RPPN Guarirú....................................................................................
15
3. Diagnóstico...........................................................................................................................
16
3.1. Caracterização da RPPN....................................................................................................
16
3.2. Clima.................................................................................................................................
16
3.3. Relevo................................................................................................................................
16
3.4. Hidrografia.........................................................................................................................
17
3.5. Vegetação..........................................................................................................................
19
3.5.1 Florística..........................................................................................................................
19
3.5.2 Zoneamento da vegetação natural...................................................................................
21
3.6. Fauna.................................................................................................................................
30
3.6.1. Avifauna.........................................................................................................................
30
3.6.2. Mastofauna.....................................................................................................................
33
3.6.3. Qualidade dos Ambientes Aquáticos e Invertebrados Limnicos....................................
43
3.7. Aspectos históricos e culturais..........................................................................................
62
3.8. Pesquisa e monitoramento.................................................................................................
62
3.9. Ocorrência de fogo............................................................................................................
63
3.10. Atividades desenvolvidas na RPPN................................................................................
63
3.11. Sistema de gestão.............................................................................................................
64
3.12. Pessoal.............................................................................................................................
64
3.13. Infra estrutura..................................................................................................................
64
3.14. Equipamentos e serviços.................................................................................................
65
3.15. Recursos financeiros........................................................................................................
65
3.16. Formas de cooperação.....................................................................................................
65
4. Caracterização da Propriedade.............................................................................................
66
5. Caracterização da Área do Entorno.....................................................................................
66
6. Possibilidade de Conectividade...........................................................................................
69
7. Declaração de Significância.................................................................................................
70
8. Planejamento........................................................................................................................
71
6
8.1. Objetivos Específicos de Manejo......................................................................................
71
8.2. Zoneamento.......................................................................................................................
71
8.2.1 Zona Silvestre..................................................................................................................
71
8.2.2. Zona de Proteção............................................................................................................
72
8.2.3. Zona de Transição..........................................................................................................
74
8.2.4. Zona de Recuperação......................................................................................................
74
8.3. Programas de Manejo........................................................................................................
75
8.3.1. Programa de Administração...........................................................................................
75
8.3.2. Programa de Proteção e Fiscalização.............................................................................
77
8.3.3. Programa de Pesquisa e Monitoramento........................................................................
78
8.3.4. Programa de Comunicação.............................................................................................
78
8.4. Cronograma de Atividades e Custos.................................................................................
79
9. Referências bibliográficas e bibliografia consultada............................................................
80
10. Anexos................................................................................................................................
89
Lista de figuras
7
Figura 1: Área de estudo e as respectivas marcações do levantamento topográfico, bem como os
cursos d’água (em azul) que cortam parte da RPPN Guarirú, Varzedo, Bahia......................................
Figura 2: Mapa do zoneamento da vegetação natural na RPPN Guarirú, Varzedo,
Bahia.......................
Figura 3: Área mais preservada na unidade FODP na RPPN Guarirú, Varzedo, Bahia. ...........
18
24
25
Figura 4: Heliconia ssp. na área do fragmento mais preservado na RPPN Guarirú, Varzedo,
Bahia............................................................................................................................................
25
Figura 5: Vegetação da unidade classificada como FODS na parte central da RPPN Guarirú,
Varzedo, Bahia. ..........................................................................................................................
25
Figura 6: Destaque para o afloramento rochoso em meio ao fragmento florestal na RPPN Guarirú,
Varzedo, Bahia..............................................................................................................
26
Figura 7: Predominância da Attalea dubia (indaiá) na unidade MSRA na RPPN Guarirú, Varzedo,
Bahia............................................................................................................................
27
Figura 8: Espécie invasora Urochloa decumbens na boda da unidade MSRM, na RPPN Guarirú,
Varzedo, Bahia..............................................................................................................
27
Figura 09: Unidade classificada como MSRI na RPPN Guarirú, Varzedo Bahia, destacada pelo
círculo amarelo....................................................................................................................
28
Figura 10: Vegetação da unidade classificada como PASTO na RPPN Guarirú, Varzedo,
Bahia............................................................................................................................................
29
Figura 11: Aves encontradas na RPPN Guarirú, Varzedo, Bahia. .............................................
Figura 12: Fezes de Pecari tajacu (caititu), amostrada na RPPN Guarirú, Varzedo, Bahia.......
Figura 13: Escavação (A) e Pegada (B) de Dasypus novemcinctus (tatu galinha), amostrado na
RPPN Guarirú Varzedo, Bahia..............................................................................................
Figura 14: Oligoryzomys nigripes (rato) , amostrado na RPPN Guarirú, Varzedo, Bahia.........
Figura 15: Trinomys setosus (rato de espinho), amostrado na RPPN Guarirú, Varzedo, Bahia.
Figura 16: Pegadas de Cerdocyon thous (Cachorro-do mato), amostradas na RPPN Guarirú,
Varzedo, Bahia............................................................................................................................
31
39
39
39
40
40
Figura 17: Pegada e molde de Leopardus pardalis (Jaquatirica), amostradas na RPPN Guarirú,
Varzedo, Bahia..............................................................................................................
41
Figura 18: Marmosa murina (catita), amostrada na RPPN Guarirú, Varzedo, Bahia………….
41
8
Figura 19: Indivíduo de Metachirus nudicaudatus (rato-sariguê) com filhotes, amostrados na RPPN
Guarirú, Varzedo, Bahia...................................................................................................
Figura 20: primeiro ponto de coleta do Riacho das palmeiras, RPPN Guarirú, Varzedo, Bahia
Figura 21: segundo ponto de coleta do Riacho das Palmeiras, RPPN Guarirú, Varzedo, Bahia
42
44
44
Figura 22: segundo ponto de coleta do Riacho das Palmeiras com alteração antrópica, RPPN
Guarirú, Varzedo, Bahia..............................................................................................................
45
Figura 23: terceiro ponto de coleta do Riacho das Palmeiras, Entorno da RPPN Guarirú, Varzedo,
Bahia............................................................................................................................
45
Figura 24: Abundância relativa das famílias de macroinvertebrados encontradas no ponto 1 do
Riacho das Palmeiras, RPPN Guarirú, Varzedo, Bahia. .......................................................
47
Figura 25: Abundância relativa das famílias de macroinvertebrados encontradas no ponto 2 do
Riacho das Palmeiras, RPPN Guarirú, Varzedo, Bahia.........................................................
48
Figura 26: Abundância relativa das famílias de macroinvertebrados encontradas no ponto 3 do
Riacho das Palmeiras, RPPN Guarirú, Varzedo, Bahia.........................................................
48
Figura 27: Abundância relativa das famílias de macroinvertebrados encontrados no ponto 2 antes e
após o desmatamento da mata ciliar do Riacho das Palmeiras.......................................
49
Figura 28: Mapa de Zoneamento Ambiental da RPPN Guarirú, Varzedo Bahia........................
Figura 29: Ante Projeto da nova Casa do Pesquisador, RPPN Guarirú, Varzedo, Bahia...........
73
76
Lista de tabelas
Tabela 1: Lista das espécies arbóreas até o momento na RPPN Guarirú, Varzedo, Bahia......
20
Tabela 2. Avifauna registrada na localidade da RPPN Guarirú, Varzedo, Bahia. ..................
32
Tabela 3. Mastofauna registrada na localidade da RPPN Guarirú, Varzedo, Bahia. ..............
37
9
Tabela 4: Relação dos macroinvertebrados bentônicos coletados em três pontos da RPPN Guarirú, no
Riacho das Palmeiras............................................................................................
Tabela 5: Relação dos macroinvertebrados bentônicos coletados em três pontos da RPPN Guarirú, no
Riacho das Palmeiras com respectivos valores de tolerância (VT) utilizados na determinação dos
índices bióticos BMWP. (fi) freqüência simples absoluta; (fr%) potência da freqüência simples
relativa. ................................................................................................
Tabela 6: Relação dos macroinvertebrados bentônicos coletados em três pontos da RPPN Guarirú, no
Riacho das Palmeiras com respectivos valores de tolerância (VT) utilizados na determinação dos
índices bióticos BMWP. (fi) freqüência simples absoluta; (fr%) potência da freqüência simples
relativa. ................................................................................................
Tabela 7: Índices de riqueza, dominância, equitatividade e diversidade de Shannon-Wienner
calculados com amostras do ponto 1, 2 e 3 do Riacho das Palmeiras, Varzedo
BA..............................................................................................................................
Tabela 8: Valores dos índices BMWP, avaliação da qualidade da água e composição das famílias de
macroinvertebrados bentônicos encontradas no Riacho das Palmeiras Varzedo, BA, em dezembro de
2011 a agosto de 2012...........................................................................
Tabela 9: Descrição de alguns parâmetros sobre a população do município de Varzedo, Bahia,
Brasil............................................................................................................................
Tabela 10: Descrição de alguns parâmetros sobre a população do município de Castro Alves, Bahia,
Brasil..................................................................................................................
50
53
56
59
60
67
68
1. Introdução
A RPPN GUARIRÚ, com área de 41,0 ha (quarenta e um hectares) foi criada em 03 de setembro
de 2009, pela Portaria No 74 do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade - ICMBio,
com o apoio do Programa de Incentivo à Criação de Reservas Particulares do Patrimônio Natural, V
Edital. A RPPN situa-se no município de Varzedo, na região do Recôncavo Baiano, e está inserida num
10
maciço serrano denominado Serra da Jibóia, que faz parte do Mosaico Ecológico do Corredor Central da
Mata Atlântica.
A RPPN Guarirú não possui e não possuirá atividades econômicas realizadas em seu interior,
sendo sua missão primordial a conservação ambiental para as atuais e futuras gerações, por meio da
viabilização de projetos de pesquisa científica desenvolvida por diversos setores, desde Instituições de
Ensino Superior até Organizações Não Governamentais, e da preservação de suas nascentes e de toda a
biodiversidade contida na área da Reserva.
Até o presente momento, esta RPPN é a única Unidade de Conservação situada na Serra da Jibóia,
um enclave de Mata Atlântica em meio à região de Caatinga, o que por si só já valeria sua conservação. O
entorno da Reserva é caracterizado por pequenas propriedades rurais, cujas áreas de preservação
permanente de algumas se encontram em avançado estágio de degradação, tendo vocação para a pecuária
e para o cultivo da mandioca. Vale ressaltar que a situação de degradação pode ser potencializada nos
próximos anos, pois uma empresa de mineração já requereu a área da Serra da Jibóia para pesquisa da
viabilidade da prospecção de granito. Por outro lado, o INEMA (Instituto Estadual de Meio Ambiente)
está ultimando os estudos para a criação de uma unidade de conservação estadual na Serra da Jibóia.
A Serra da Jibóia foi destacada por Martinelli (2007), em um artigo sobre biodiversidade de
montanhas do Brasil, como uma região de extrema importância, salientando a urgência em realizar
inventários biológicos desta área pouco explorada no que diz respeito à biodiversidade. Segundo o
documento “Avaliação e Ações Prioritárias para a Conservação da Biodiversidade da Mata Atlântica e
Campos Sulinos”, do Ministério do Meio Ambiente em parceria com a Conservation International do
Brasil, Fundação SOS Mata Atlântica, Fundação Biodiversitas, Instituto de Pesquisas Ecológicas,
Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, SEMAD/Instituto Estadual de Florestas-MG, a
Serra da Jibóia é tida como uma área ainda desconhecida, mas provavelmente com grande importância
biológica.
De acordo com este o documento, a região da Serra da Jibóia não é mencionada dentre as áreas de
importância biológica, no que concerne à necessidade de preservação de aves e mamíferos. Porém, esta é
uma área ainda pouco conhecida e estudada, de forma que é necessário um maior número de
investigações da fauna em geral desta região, a fim de observar seu potencial e assim investir em políticas
e projetos para a sua preservação.
Para a fauna de vertebrados registrada na Mata Atlântica, existem atualmente cerca de 130
espécies de mamíferos e 620 de aves conhecidas, sendo que destas 55 espécies de mamíferos e 188 de
aves são endêmicas deste bioma e segundo, as listas oficiais, 50 espécies de mamíferos e 98 de aves são
ameaçadas de extinção. Algumas destas espécies de aves endêmicas e ameaçadas já foram registradas em
locais próximos a área de estudo, como por exemplo, Tinamus solitarius (macuco), Sarcoramphus papa
(urubu-rei), Geotrygon montana (juriti), Procnias nudicollis (araponga), Lipaugus lanioides (cricrió-da11
serra), Claravis pretiosa (rolinha-azul), Tangara seledon (sete-cores), Herpsilochmus pileatus
(choquinha), Touit surda (periquito) e Penelope jacucaca (jacu-açu). Dentre os mamíferos, também já foi
relatada a presença de algumas espécies ameaçadas de extinção, como Callicebus melanochir (macacoguigó), Cebus xanthosternos (macaco-prego-de-peito-amarelo), Leopardus pardalis (jaguatirica) e Puma
concolor (suçuarana), e ainda possivelmente Bradypus torquatus (preguiça), Myrmecophaga tridactyla
(tamanduá) e Tolypeutes tricinctus (tatu).
Com relação aos recursos hídricos, o uso de bioindicadores de qualidade de água no
monitoramento de bacias hidrográficas tem sido amplamente utilizado em países desenvolvidos e, na
Europa e América do Norte, por exemplo, tal metodologia já faz parte de normas técnicas nacionais.
Levantamentos detalhados de organismos aquáticos, apesar de necessários, muitas vezes são dificultados
devido à escassez de recursos financeiros ou tempo para a realização do trabalho. Neste contexto,
levantamentos de curta duração tornam-se uma alternativa viável, pois permitem um conhecimento
preliminar da diversidade e das condições da biota. A realização de uma avaliação da qualidade dos
corpos de água da Reserva Guarirú é de extrema importância para seu Plano de Manejo, uma vez que a
Serra da Jibóia é berçário de uma série de nascentes que alimentam rios que abastecem as cidades de seu
entorno. Portanto, ter ciência da atual qualidade de tais corpos d’água é essencial para a elaboração de
políticas de manejo e uso sustentável desse precioso recurso.
Para a elaboração deste plano de manejo, foram coletadas amostras de vegetais e animais
invertebrados. Com relação aos vertebrados, apenas os poucos espécimes que morreram no manuseio das
armadilhas foram incluídos. Para estas atividades foram solicitadas licenças necessárias junto ao ICMBIO
(SISBIO). Todas as amostras de material biológico coletadas durante a realização plano foram
depositadas em coleções específicas da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia e poderão servir
como fonte de pesquisas e para fins didáticos da Instituição.
Portanto, a realização deste plano expôs uma importante área a ser estudada por pesquisadores de
diversas áreas do conhecimento, por meio de trabalhos conjuntos da RPPN Guarirú com Instituições de
Ensino Superior da região.
O objetivo principal deste estudo foi a elaboração do plano de manejo da RPPN Guarirú que será
o documento técnico de gestão da Unidade de Conservação para que a mesma possa cumprir os objetivos
estabelecidos no ato de sua criação. E como objetivos específicos podemos apontar:
● Levantar as informações existentes sobre a Reserva, para auxiliar em seu manejo;
● Conhecer o fragmento florestal e assim indicar seu estado atual de conservação e possíveis
medidas de restauração quando necessário;
● Avaliar a qualidade do ambiente aquático, permitindo inferir sobre a qualidade da água das
nascentes da RPPN que contribuem para a formação do Riacho das Palmeiras, constituinte
importante da bacia hidrográfica do Rio da Dona;
12
● Conhecer as principais aves e mamíferos da região;
● Contribuir para a divulgação da Unidade de Conservação no meio científico e assim captar
recursos para o desenvolvimento de pesquisas na RPPN Guarirú;
● Possibilitar a pesquisa científica na RPPN por intermédio do estabelecimento de parceria com a
UFRB- Universidade Federal do Recôncavo da Bahia.
2. INFORMAÇÕES GERAIS
2.1. Acesso
Em termos de localização dentro dos municípios que abrangem a Serra da Jibóia, a RPPN Guarirú
situa-se no município de Varzedo, no limite territorial com o município vizinho de Castro Alves. No que
tange ao acesso a RPPN Guarirú, o município de Castro Alves é o principal acesso de pessoas e serviços
para os frequentadores da RPPN Guarirú, por isso serão apresentadas as possibilidades de acesso via este
município. É possível chegar à Castro Alves por meio de transportes interurbanos que chegam a
13
rodoviária municipal. O aeroporto mais próximo fica na cidade de Salvador. Na cidade de Castro Alves
não há serviços emergenciais como Corpo de Bombeiros, câmbios e resgates. O acesso a RPPN Guarirú a
partir deste município é feito por estrada não asfaltada. Somente utilizando transporte próprio é possível
se chegar a RPPN. Os ônibus escolares e transportes municipais que circulam naquela região só vão até a
comunidade do Morro, a mais próxima da RPPN. Os moradores do entorno da UC necessitam percorrer
uma distância de aproximadamente 4 Km para conseguirem transporte para a cidade.
2.2. Histórico de criação e aspectos legais da RPPN
A Fazenda Serenidade, onde se localiza a RPPN Guarirú, foi adquirida por seu proprietário,
Flávio Pantarotto, no ano de 2006. Seu objetivo ao adquiri-la sempre foi a transformação de mais de
cinquenta por cento da propriedade em uma Reserva Particular do Patrimônio Natural na esfera federal,
via Instituto Chico Mendes de Proteção da Biodiversidade, órgão vinculado ao Ministério do Meio
Ambiente.
A vocação da RPPN Guarirú, por intenção de seu proprietário, é a Conservação da Biodiversidade
e a manutenção dos Serviços Ecossistêmicos. Como o sr. Flávio se intitula “fazendeiro de água e ar”, as
atividades possíveis na RPPN Guarirú, compatíveis com seu desejo, são as pesquisas acadêmicas. Não
sendo então, a RPPN Guarirú, aberta a visitação e nem visa, o proprietário, sua exploração econômica.
Com relação aos aspectos legais, a RPPN Guarirú foi criada pela Portaria n° 74 de 03 de setembro
de 2009. A base legal para sua criação e administração remete-se ao cumprimento das exigências
dispostas na Lei n° 9.985 de 18 de julho de 2000, que institui o Sistema Nacional de Unidades de
Conservação da Natureza, e no Decreto n° 5.746 de 05 de abril de 2006, que regulamenta a categoria de
unidade de conservação de uso sustentável, Reserva Particular do Patrimônio Natural – RPPN.
2.3. Quadro-Resumo da RPPN Guarirú:
Nome da RPPN
RPPN GUARIRÚ
Nome do Proprietário
Flávio Pantarotto
Nome do Representante
Flávio Pantarotto
Endereço da RPPN
Fazenda Serenidade, Zona Rural Município de Varzedo – BA.
Endereço para Correspondência
Alameda Florença, n° 161, apt° 1003, bairro Pituba, Salvador Bahia,
CEP: 41.830-460
Telefone
(71) 9948-7075
14
email
flavio.pantarotto@gmail.com
Área da RPPN
41 hectares
Área da Propriedade
63 hectares
Principal Município de Acesso a Castro Alves, Bahia.
RPPN
Municípios
e
Estados Varzedo, Bahia.
Abrangidos
Coordenadas Geográficas
Latitude 12º 51' e Longitude 38º 27'
Portaria de Criação e Data
Portaria n. 74 de 03/09/2009
Bioma
Mata Atlântica
Distância Centro Urbano mais 200 km da capital do estado, Salvador.
Próximo
Meio Principal de Chegada a Veículo Próprio
RPPN
Atividades Ocorrentes
Pesquisa Acadêmica
3. DIAGNÓSTICO
3.1. Caracterização da RPPN
3.2. Clima
Os dados climáticos são secundários, adquiridos na SEI – Bahia e nas parcas literaturas
acadêmicas sobre a região. Apenas os dados pluviométricos de uma sequência histórica de 10 anos foram
cedidos pelo Grupo Ambientalista da Bahia – GAMBÁ, que mantém um Posto Avançado da Reserva da
Biosfera da Mata Atlântica, a Reserva Jequitibá, na Serra da Jibóia, no município de Elísio Medrado, em
15
uma altitude similar a da RPPN Guarirú.
O clima da região é classificado como sub-úmido a seco e a temperatura média anual é de 22ºC.
O índice pluviométrico para região é alto em função das constantes chuvas orográficas, variando em
função da altitude que, em determinadas localidades, chega a cerca de 800 metros, concentradas
principalmente entre os meses de abril a julho, contribuindo diretamente na formação e manutenção de
importantes nascentes (SANDES, 2001).
Em termos pluviométricos, característica abiótica que mais influencia a vegetação local, os dados
disponibilizados em oito anos de coleta atrelada ao projeto Reflorar demonstram uma média de 1.195,6
mm de chuva ao ano.
3.3. Relevo
Os dados de relevo da região da Serra da Jibóia, onde se localiza da RPPN Guarirú, foram
extraídos do volume n° 24 e folha SD n° 24 do Projeto Radam Brasil de 1981. Apesar dos mais de 30
anos, essa ainda é a base mais completa de informações geológicas e geomorfológicas da Região da Serra
da Jibóia.
A região onde se localiza a RPPN Guarirú é transicional entre os Biomas Mata Atlântica e
Caatinga. A região da Serra da Jibóia localiza-se na região geomorfológica do Recôncavo. Essa região é
dividida em duas unidades geomorfológicas: Tabuleiros do Recôncavo e Baixada Litorânea. A região do
Recôncavo é caracterizada por relevos dissecados em lombas e colinas de vertentes convexizadas,
eventualmente tabulares, desenvolvidas sobre litologias do Jurássico e Cretáceo, onde a atuação tectônica
manifesta-se pela inclinação das camadas, retilizações de cursos de água e alinhamentos no relevo
(RADAM BRASIL, 1981).
Já na unidade dos Tabuleiros do Recôncavo, onde se destaca a Serra da Jibóia, o relevo apresentase retalhado em interflúvios pequenos, de um modo geral convexizados, com ocorrência de residuais de
topo tabular, alguns mapeados como morros testemunhos. Os topos tabulares são quase sempre limitados
por ressaltos ou pequenas escarpas, predominando escarpas côncavo-convexas. As colinas, como a Serra
da Jibóia, são raras e surgem como monoclinais e frequentemente aparecem intercaladas com rampas
coalescentes (RADAM BRASIL, 1981).
3.4. Hidrografia
Os Tabuleiros do Recôncavo apresentam-se como uma área drenada por pequenos rios
independentes que atravessam a unidade, de um modo geral no sentido NO-SE. Os vales são largos e têm
um fundo chato, colmatado por material arenoso proveniente das encostas, principalmente em decorrência
16
dos desmatamentos (RADAM BRASIL, 1981).
De uma forma geral a Serra da Jibóia apresenta-se como um divisor de águas, que separa as subbacias dos rios Jaguaripe, da Dona, Jiquiriça e Paraguaçu, além de fornecer água de qualidade para a
população autóctone (SANDES, 2001).
Na RPPN Guarirú encontram-se duas nascentes (Figura 1) que auxiliam na formação do Riacho
da Palmeira, um constituinte da Bacia do Rio da Dona, importante fonte e abastecimento para toda a
região econômica do Município de Santo Antônio de Jesus. Vale destacar que fora da RPPN, a vegetação
ciliar encontra-se devastada e sinais de erosão são visíveis nos pequenos córregos. Na propriedade onde
se localiza a RPPN Guarirú, a Fazenda Serenidade, os cursos d’água que deixam a RPPN também se
encontravam desmatados, porém por intermédio do Grupo Ambientalista da Bahia – GAMBÁ e seu
projeto “Ações Sustentáveis para o Recôncavo Sul Baiano”, financiado pela Petrobrás Ambiental, essa
região foi toda reflorestada em 2010 e segue sendo monitorada pelo GAMBÁ em parceria com a UFRB, e
já demonstra melhoras significativas na qualidade ambiental das margens dos cursos d’agua.
17
Figura 1: Área de estudo e as respectivas marcações do levantamento topográfico, bem como os cursos
d’água (em azul) que cortam parte da RPPN Guarirú, Varzedo, Bahia.
18
3.5. Vegetação
3.5.1 Florística
Para amostragem da vegetação foi utilizado o método de quadrantes centrados, tomando como
base o topo da área de vegetação mais preservada. A partir das marcações feitas pelo trabalho de
levantamento topográfico da reserva, foram estabelecidas doze linhas de amostragem com distância
mínima de 50 metros entre si. A partir da borda para o interior da mata foram estabelecidos pontosquadrantes em cada linha de amostragem, equidistantes 12 metros. Foram estabelecidos 120 pontos
quadrantes, o que totaliza 480 indivíduos arbóreos com perímetro a altura do peito maior ou igual a 15cm.
De quase a totalidade dos indivíduos amostrados, foi coletado o material botânico com auxílio de
um podão e devidamente identificado. Este material, após passar pelo processo de herborização, foi
acondicionado no Laboratório de Ecologia Vegetal da UFRB, onde esta sendo morfo-tipado
(identificação de: filotaxia, forma de folha, de bordo, de base de ápice, entre outras características
dendrológicas) e o processo de classificação taxonômica dos indivíduos encontra-se em fase de
finalização. Destaca-se a dificuldade de identificação dos táxons até o nível específico, especialmente
relacionada à ausência de material para comparação nos herbários de referência da Universidade Estadual
de Feira de Santana (HUEFS) e da Universidade Federal da Bahia. O que salienta a importância, o
ineditismo e a urgência em intensificarmos o conhecimento botânico da RPPN Guarirú e,
consequentemente, da Serra da Jibóia.
Os 480 indivíduos amostrados foram morfotipados e, até o momento, são 204 morfoespécies
compondo a amostragem da vegetação arbórea da RPPN Guarirú. Determinadas até o nível específico e
com os rigores acadêmicos necessários, temos as espécies listadas na Tabela 1.
19
Tabela 1: Lista das espécies arbóreas até o momento na RPPN Guarirú, Varzedo, Bahia.
Família
Araliaceae
Fabaceae
Malphigiaceae
Urticaceae
Urticaceae
Clusiaceae
Capparaceae
Erythroxylaceae
Erythroxylaceae
Arecaceae
Nytaginaceae
Asteraceae
Espécie
Aparistimum cordatum
Bauhinia longifolia
Byrsonima sericea
Cecropia cf. hololeuca
Cecropia pachystachya
Clusia nemorosa
Crateava tapia
Erythroxylum buxus
Erythroxylum cuspidifolium
Euterpe edulis
Guapira opposita
Apocynaceae
Himatanthus phagedaenicus
Melastomataceae
Fabaceae
Fabaceae
Fabaceae
Moraceae
Melastomataceae
Melastomataceae
Melastomataceae
Melastomataceae
Melastomataceae
Melastomataceae
Myrtaceae
Lauraceae
Lauraceae
Lauraceae
Fabaceae
Sapotaceae
Malvaceae
Myrsinaceae
Araliaceae
Meliaceae
Huberia ovalifolia
Hymenaea courbaril
Inga striata
Inga vera
Maclura tinctoria
Miconia albicans
Miconia amoena
Miconia diminuta
Miconia lepidota
Miconia minutiflora
Miconia piliatta
Myrcia rostrata
Nectandra megapotamica
Ocotea cf. laceolata
Ocotea longifolia
Peltophorum dubium
Pouteria grandiflora
Pseudobombax grandiflorum
Rapanea Umbellata
Schefflera morototoni
Trichilia claussenii
Gochnatia polymorpha
3.5.2 Zoneamento da vegetação natural
20
O zoneamento é fundamentado no estabelecimento de unidades homogêneas de paisagem, que
sejam visualmente identificáveis, com base nas características fisionômicas da vegetação (Zonneveld,
1992). Cada unidade de paisagem foi obtida em trabalho de campo com o auxílio de aparelho de GPS
(Global Position System) modelo (Garmin 60 CSx), realizado com a tomada de pontos, usando como
referencia a planta do imóvel georreferenciada (Figura 1).
Para a descrição da vegetação natural da área, foi adotada a nomenclatura proposta por Veloso et
al. (1991), que define a Floresta Ombrófila Densa como uma vegetação caracterizada por fanerófitos,
lianas e epífitas em abundância onde sua formação está condicionada à ocorrência de temperaturas
elevadas, altas precipitações bem distribuídas durante o ano, cujo período seco varia de zero a 60 dias.
Para classificação dos estágios de sucessão da vegetação natural, utilizamos como base a
Resolução n. 05/1994 do CONAMA, a qual define a vegetação primária e secundária nos estágios inicial,
médio e avançado de regeneração da Mata Atlântica para o estado da Bahia, a saber:
Art. 1º. Vegetação primária é aquela de máxima expressão local, com grande diversidade biológica, sendo
os efeitos das ações antrópicas mínimos, a ponto de não afetar significativamente suas características
originas de estrutura e de espécies.
Art. 2º. Vegetação secundária ou em regeneração é aquela resultante dos processos naturais de sucessão,
após supressão total ou parcial da vegetação primária por ações antrópicas ou causas naturais, podendo
ocorrer árvores remanescentes da vegetação primária.
Art. 3º. Os estágios em regeneração da vegetação secundária a que se refere o artigo 6º. do Decreto
750/93, passam a ser assim definidos:
I - Estágio inicial de regeneração: a) Fisionomia herbáceo/arbustiva de porte baixo; altura média inferior a
5 metros para as florestas ombrófila densa e estacional semidecidual e altura média inferior a 3 metros
para as demais formações florestais, com cobertura vegetal variando de fechada a aberta; b) Espécies
lenhosas com distribuição diamétrica de pequena amplitude: DAP médio inferior a 8 centímetros para
todas as formações florestais; c) Epífitas, se existentes, são representadas principalmente por líquens,
briófitas e pteridófitas, com baixa diversidade; d) Trepadeiras, se presentes, são geralmente herbáceas; e)
Serapilheira, quando existente, forma uma camada fina pouco decomposta, contínua ou não; f)
Diversidade biológica variável com poucas espécies arbóreas ou arborescentes, podendo apresentar
plântulas de espécies características de outros estágios; g) Espécies pioneiras abundantes; h) Ausência de
subosque;
II - Estágio médio de regeneração: a) Fisionomia arbórea e/ou arbustiva predominando sobre a herbácea,
podendo constituir estratos diferenciados; a altura média é de 5 a 12 metros para as florestas ombrófila
densa e estacional semidecidual e de 3 a 5 metros para as demais formações florestais; b) Cobertura
arbórea variando de aberta a fechada, com ocorrência eventual de indivíduos emergentes; c) Distribuição
diamétrica apresentando amplitude moderada, com predomínio dos pequenos diâmetros: DAP médio de 8
21
a 18 centímetros para as florestas ombrófila densa e estacional semidecidual e DAP médio de 8 a 12
centímetros para as demais formações florestais; d) Epífitas aparecendo com maior número de indivíduos
e espécies em relação ao estágio inicial, sendo mais abundantes na floresta ombrófila; e) Trepadeiras,
quando presentes, são predominantemente lenhosas; f) Serapilheira presente, variando de espessura de
acordo com as estações do ano e a localização; g) Diversidade biológica significativa; h) Subosque
presente;
III - Estágio avançado de regeneração: a) Fisionomia arbórea dominante sobre as demais, formando um
dossel fechado e relativamente uniforme no porte, podendo apresentar árvores emergentes; a altura média
é superior a 12 metros para as florestas ombrófila densa e estacional semidecidual e superior a 5 metros
para as demais formações florestais; b) Espécies emergentes ocorrendo com diferentes graus de
intensidade; c) Copas superiores horizontalmente amplas; d) Epífitas presentes em grande número de
espécies e com grande abundância, principalmente na floresta ombrófila; e) Distribuição diamétrica de
grande amplitude: DAP médio superior a 18 centímetros para as florestas ombrófila densa e estacional
semidecidual e DAP médio superior a 12 centímetros para as demais formações florestais; f) Trepadeiras
geralmente lenhosas, sendo mais abundantes e ricas em espécies na floresta estacional; g) Serapilheira
abundante; h) Diversidade biológica muito grande devido à complexidade estrutural; i) Estratos herbáceo,
arbustivo e um notadamente arbóreo; j) Florestas neste estágio podem apresentar fisionomia semelhante à
vegetação primária; k) Subosque normalmente menos expressivo do que no estágio médio; l)
Dependendo da formação florestal pode haver espécies dominantes.
Os dados coletados foram editados em Sistema Geográfico de Informações (SIGs) e aplicados no
programa ArcGIS modelo (ArcMap10) conforme a legenda predefinida para a confecção do mapa de
zoneamento da vegetação natural para a RPPN Guarirú.
Com base nas características e na fragilidade das unidades de paisagem, grau de desenvolvimento,
alterações de origem humana identificados in loco e avaliação do seu estágio sucessional da vegetação,
classificamos as unidades de zoneamento da vegetação.
Foram caracterizadas oito unidades fisionômicas na vegetação natural da RPPN Guarirú, sendo
cinco unidades descritas na Resolução CONAMA 05, de 04 de maio de 1994, e três unidades peculiares à
RPPN em estudo. A seguir serão descritas as seguintes unidades: Floresta Ombrófila Densa Primária;
Floresta Ombrófila Densa Secundária; Afloramento; Mata Secundária em Regeneração Avançada; Mata
Secundária em Regeneração Média; Mata Secundária em Regeneração Inicial; Pasto e Jaqueiral.
Com relação à área ocupada pelas unidades Floresta Ombrófila Densa Secundária ocupou a maior
área da RPPN (30,2%), seguida da Floresta Ombrófila Densa Primária (24,7%), da Mata Secundária em
Regeneração Avançada (18,6%), da Mata Secundária em Regeneração Média (13,2%), da Mata
Secundária em Regeneração Inicial (5,3%), do Pasto (3,0 %), do Jaqueiral (0,6%) e do Afloramento
rochoso (0,1 %) (Figura 2).
22
Segundo Reis et al. (1995), as poucas áreas de Mata Atlântica que ainda podem ser caracterizados
como florestas primárias concentram-se em regiões de maior altitude e de difícil acesso. O fragmento de
Floresta Ombrófila Densa que se manteve mais preservado dentro dos limites da fazenda Serenidade
apresenta características similares, ou seja, está na cota altitudinal mais alta da RPPN, a cerca de 750
metros acima do nível do mar, o que para o Recôncavo Baiano pode ser considerado de elevada altitude.
A unidade denominada nesse estudo como Floresta Ombrófila Densa Primária (FODP) encontrase na porção Ocidental da Serra da Jibóia, com fisionomia arbórea dominante, formação de um dossel
uniforme (Figura 3) com altura das copas de alguns espécimes atingindo até 38 metros de altura e
Perímetro Altura do Peito (PAP) chegando a 2 metros de largura.
Em um estudo fitossociológico preliminar realizado na área desde 2011, para a composição do
plano de manejo, a equipe verificou a presença de espécies raras na área como, a Manilkara salzmannii
(A.DC.) H.J. Lam (maçaranduba) e o Euterpe edulis Mart. (palmito juçara). Nessas áreas há ocorrência de
epífitas que são características de florestas pouco degradadas já que requerem condições muito
específicas de microclima e estrutura da vegetação. Há ocorrência de plantas tropicais, como a Heliconia
L. ssp. (Figura 4) que são altamente dependentes de condições específicas de precipitação de chuva,
temperatura e qualidade do solo.
A vegetação secundária é classificada como uma formação onde as comunidades vegetais surgem
após um impacto natural ou antrópico. É caracterizada por estádios sucessionais bem-demarcados e que
tendem a recompor a vegetação original, sendo um mecanismo de auto-renovação das florestas tropicais
por meio da restauração de locais perturbados (KAGEYAMA & CASTRO, 1989).
A unidade classificada como Floresta Ombrófila Densa Secundária (FODS) situa-se na parte
central da reserva, logo abaixo da porção mais elevada da RPPN. Apresenta uma formação arbórea de
expressão considerável, formação de um dossel continuo, porém com algumas descontinuidades entre as
árvores. As espécimes possuem diminuição significativa na altura das copas (cerca de 18 metros) e
diâmetro (cerca de 30 cm) (Figura 5) se comparadas com a Floresta Ombrófila Densa Primária. Nessas
áreas ainda podem ocorrer árvores remanescentes de vegetação primária.
23
Figura 2: Mapa do zoneamento da vegetação natural na RPPN Guarirú, Varzedo, Bahia.
24
Figura 3: Área mais preservada na unidade FODP na RPPN Guarirú, Varzedo, Bahia.
Figura 4: Heliconia ssp. na área do fragmento mais preservado na RPPN Guarirú, Varzedo, Bahia.
Figura 5: Vegetação da unidade classificada como FODS na parte central da RPPN Guarirú, Varzedo,
Bahia.
25
A unidade classificada como Afloramento rochoso encontra-se dentro da área de Floresta
Ombrófila Densa Primária na RPPN. A fisionomia arbórea sofre influencia direta do afloramento de
rocha, pois este impossibilita o estabelecimento e a fixação de árvores de grande e médio portes, com a
constatação da redução da altura e do diâmetro das árvores. Nas áreas em que a rocha aflora mais
acentuadamente na superfície, as únicas espécies vegetais que conseguem se fixar são as espécies
rupícolas e ou epífitas, uma vez que o habitat epifítico é muito similar ao habitat rupícola. Nas regiões de
maior área contígua de afloramento rochoso (Figura 6) são encontradas espécies epilíticas típicas de
afloramento rochoso granítico como a Alcantarea nahoumii (Leme) J.R. Grant.
Figura 6: Destaque para o afloramento rochoso em meio ao fragmento florestal na RPPN Guarirú, Varzedo, Bahia.
A unidade classificada como Mata Secundária em Regeneração Avançada (MSRA) é uma área
com 27 anos de regeneração natural sem qualquer interferência antrópica. Com fisionomia arbórea
dominante sobre as demais, começa a se formar um dossel fechado e uniforme no porte, altura média das
copas superior a 12 metros de altura, PAP superior a 18 cm, serapilheira abundante. Estrato herbáceo,
arbustivo e notadamente arbóreo com a palmeira Attalea dubia (Mart.) Burret (indaiá) como espécie
dominante (Figura 7). A florística está representada por alguns representates de Dalbergia nigra (Vell.)
Allemão ex Benth (jacarandá da Bahia), Cordia L. sp. (claraíba), Ocotea Aubl. sp. (louro) e Pogonophora
Miers ex Benth. sp. (cocão).
26
Figura 7: Predominância da Attalea dubia (indaiá) na unidade MSRA na RPPN Guarirú, Varzedo, Bahia.
A área denominada de Mata Secundária em Regeneração Média (MSRM) está localizada próxima
ao limite da RPPN com as outras propriedades que não possuem vegetação primária e secundária
preservadas, como nos limites superiores da RPPN. Apresenta uma formação arbórea/arbustiva
predominando sobre a herbácea, constitui estratos diferenciados com altura média das copas entre 5 a 15
metros de altura e a cobertura arbórea começa a se fechar com alguns indivíduos emergentes da espécie
Attalea dubia (indaiá). O PAP das árvores variam entre 10 a 18 cm, serrapilheira presente com uma
significante cobertura do solo, aumento da diversidade e formação de um pequeno subosque. A florística
têm ocorrência de espécies como Mimosa tenuiflora (Willd.) Poir (jurema-preta), Pogonophora sp.
(cocão), Myrcia DC. ex Guill. sp.(murta) e Cupania L.sp.(camboatá).
Na borda dessas áreas há ocorrência de espécies exóticas invasoras como a Urochloa decumbens.
(Stapf) R.D. Webster (capim braquiária) e internamente há um domínio desiquilibrado de lianas ou
arvoretas que dificultam o estabelecimento de espécies arbóreas de grande porte, que são característicos
dos fragmentos de Floresta Ombrófila Densa preservados (Figura 8).
Figura 8: Espécie invasora Urochloa decumbens na boda da unidade MSRM, na RPPN Guarirú,
Varzedo, Bahia.
27
A unidade classificada como Mata Secundária em Regeneração Inicial (MSRI) esta localizada na
área de menor elevação e próximo ao acesso da fazenda (Figura 9). Apresenta uma formação
herbáceo/arbustiva de porte baixo com altura das copas inferior a 5 metros de altura e PAP inferior a 10
cm, com cobertura vegetal aberta de 4 anos sem interferência humana. Ausência de espécies epífitas,
serapilheira insipiente e ausência de subosque. A florística está representada em maior freqüência pela
predominância de Urochloa decumbens (capim braquiária), Cyperus L. sp. (tiriricão) e alguns indivíduos
da palmeira Attalea dubia (indaiá) no topo dessas áreas, porém bem pontuais em certos trechos, outros
formando um aglomerado maior de indivíduos.
Figura 09: Unidade classificada como MSRI na RPPN Guarirú, Varzedo Bahia, destacada pelo círculo
amarelo.
As unidades classificadas como Pasto são formadas dominantemente por Urochloa decumbens
(Capim braquiária) (Figura 10), um capim africano muito utilizado na formação de pastagens desta
região. Suas áreas ainda no interior na RPNN refletem o uso do antigo proprietário que praticava a
bovinocultura de leite até 2009. A braquiária, por apresentar taxa de germinação alta e irregular, dificulta
a fixação de outras espécies na área e, consequentemente, sua regeneração. Porém é possível notar alguns
representantes arbóreos de espécies nativas e exóticas utilizadas na formação do antigo pomar da fazenda
como Anacardium occidentale L. (Caju), Artocarpus heterophyllus Lam. (jaca), Spondias purpurea L.
(Siriguela), próximos a sede da fazenda.
28
Figura 10: Vegetação da unidade classificada como PASTO na RPPN Guarirú, Varzedo, Bahia.
A unidade classificada como Jaqueiral nesse estudo é uma área delimitada segundo a ocorrência
de uma grande concentração da espécie Artocarpus heterophyllus que se estabeleceu no local. Há
indicativo que a mesma área é ocupada por um grande numero de espécies animais que utilizam o fruto
para a alimentação. A jaca é um fruto originário da Ásia (Índia, Malásia, Filipinas), que foi introduzido e
difundido no Brasil pelos portugueses durante o século XVIII.
Para áreas preservadas, a presença desta espécie é considerada um fator negativo, já que pode
interagir de maneira alelopática com outras espécies e deste modo comprometer a estrutura, a dinâmica e
a diversidade dos fragmentos de floresta. Os aleloquímicos podem desempenhar um papel significativo
no padrão de vegetação e nas variações em microescala no ambiente químico do solo, tais como aquelas
causadas pela decomposição de resíduos vegetais e liberação de metabólitos secundários, que seriam
importantes para a germinação e o estabelecimento de sementes individuais (FERREIRA; ÁQUILA,
2000; MARASCHIN; SILVA; ÁQUILA, 2006).
A alelopatia pode acontecer no processo de decomposição das folhas no solo. Quando se refere à
formação da vegetação, espécies mais sensíveis podem não se desenvolver na presença de jaqueiras, pois
as folhas caídas naturalmente no solo podem liberar substâncias inibitórias no desenvolvimento de
plantas. É notória a presença reduzida de espécies nativas nessa região, com grande concentração de
jaqueiras.
29
3.6. Fauna
3.6.1. Avifauna
Foram realizadas cinco saídas de campo para observação das aves. Para o levantamento das
espécies, foram feitas caminhadas por trilhas pré-existentes em trechos da RPPN Guarirú para a
realização de observações diretas, a olho nu ou com o auxílio de binóculos 7X50. As vocalizações
também foram consideradas registros da presença de diferentes espécies de aves e, quando possível,
foram feitos registros fotográficos.
Os registros das aves foram feitos pelo método de lista contínua, onde não há repetição de espécies.
Além de um guia de campo, também serviram como referência os cantos de um banco de audio para a
confirmação das espécies ouvidas. A organização sistemática e a nomenclatura para a elaboração das
listas seguiram o padrão do Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos (CBRO).
As observações foram iniciadas sempre às 5h e 30 min e interrompidas às 10h, com retorno às 15h
e término às 17:30h. As informações referentes à coleta de dados foram anotadas em uma caderneta.
Foi obtido um total de 59 espécies distribuídas em 21 famílias, compondo até o momento, a
avifauna da RPPN Guarirú (Tabela 2, Figura 11).
Das espécies registradas, não há nenhum registro de espécies raras, ameaçadas ou vulneráveis no
Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção. Porém, salienta-se que este é apenas um
levantamento inicial e que o local apresenta grande potencial quanto à representação de uma maior
diversidade de espécies.
Foram determinados os grupos tróficos das espécies de aves amostradas, sendo 19 espécies com
hábito insetívoro, 13 espécies onívoras, sete espécies granívoras e sete frugívoras, cinco espécies
carnívoras, quatro espécies nectívoras e três espécies detritívoras. Quando se considera o número de
indivíduos ou registros para a estruturação das relações tróficas, evidencia-se uma representação real de
como o recurso é utilizado, existe uma relação visível de determinados tipos de dieta e o habitat
(MOTTA-JÚNIOR, 1990).
A preferência por artrópodes possivelmente ocorre por causa da abundância destes na natureza. Os
onívoros também são bem representados, pois estes possuem uma dieta mais generalista, o que
dependendo do estado de conservação da área estudada e da sazonalidade, são maioria devido à baixa
seletividade da dieta (SILVA, 2009).
O número de espécies onívoras em geral é maior nas matas menos alteradas e o de insetívoros
aumenta nas mais alteradas. As aves insetívoras são indicadas como o grupo mais sensível à
fragmentação da floresta, quando a mesma é diminuída (TELINO-JÚNIOR et, al 2005).
30
No presente estudo, a maioria das aves (19 espécies) pertence ao grupo trófico dos insetívoros,
seguida das aves que se encontram no grupo trófico dos onívoros (13 espécies). Essa relação é observada
porque os insetívoros e os onívoros são dominantes em qualquer habitat. A redução da vegetação natural
em pequenas “ilhas” dificulta a ocorrência de representantes de aves que comem frutos, devido à
necessidade de áreas maiores de vegetação para que os frutos possam estar disponíveis por todo o ano
(MOTTA-JÚNIOR, 1990). Os grupos tróficos da avifauna registradas nesse levantamento obedecem os
mesmos padrões de áreas estudadas por outros autores, com predominância de aves insetívoras e
onívoras.
A
B
C
D
Figura 11: Aves encontradas na RPPN Guarirú, Varzedo, Bahia. A) Columbina squammata (Fogoapagou); B) Volatinia jacarina (Tiziu); C) Sporophila nigricollis (Baiano) e D) Todirostrum
cinereum (Ferreirinho-relógio).
Tabela 2. Avifauna registrada na localidade da RPPN Guarirú, Serra da Jibóia, Varzedo, Bahia,
31
apresentando família, espécie, nome comum e grupo trófico.
Família
Espécie
Nome Popular
Grupo Trófico
Cathartes aura (Linnaeus, 1758)
Urubu-de-cabeça-vermelha
Detritívoro
Cathartes burrovianus Cassin, 1845
Urubu-de-cabeça-amarela
Detritívoro
Coragyps atratus (Bechstein, 1793)
Urubu-de-cabeça-preta
Detritívoro
Elanus leucurus (Vieillot, 1818)
Gavião-peneira
Carnívoro
Rupornis magnirostris (Gmelin, 1788)
Gavião-carijó
Carnívoro
Caracara plancus (Miller, 1777)
Caracará
Carnívoro
Milvago chimachima (Vieillot, 1816)
Carrapateiro
Carnívoro
Columbina talpacoti (Temminck, 1811)
Rolinha-roxa
Granívoro
Columbina squammata (Lesson, 1831)
Fogo-apagou
Granívoro
Columbina picui (Temminck, 1813)
Rolinha-picui
Granívoro
Patagioenas picazuro (Temminck,1813)
Pombão
Frugívoro
CUCULIDAE
Crotophaga ani Linnaeus, 1758
Anu-preto
Insetívoro
TYTONIDAE
Tyto alba (Scopoli, 1769)
Coruja-da-igreja
Carnívoro
Eupetomena macroura (Gmelin, 1788)
Beija-flor-tesoura
Nectívoro
Chlorostilbon lucidus (Shaw, 1812)
Besourinho-de-bico-vermelho
Nectívoro
Heliothryx auritus (Gmelin, 1788)
Beija-flor-de-bochecha-azul
Nectívoro
Myrmorchilus strigilatus (Wied, 1831)
Piu-piu
Insetívoro
Sakesphorus cristatus (Wied, 1831)
Choca-do-nordeste
Insetívoro
Thamnophilus capistratus Lesson, 1840
Choca-barrada-do-nordeste
Insetívoro
THAMNOPHILIDAE
Taraba major (Vieillot, 1816)
Choró-boi
Insetívoro
FURNARIIDAE
Synallaxis frontalis Pelzeln, 1859
Petrim
Insetívoro
Synallaxis scutata Sclater, 1859
Estrelinha-preta
Insetívoro
Manacus manacus (Linnaeus, 1766)
Rendeira
Frugívoro
Chiroxiphia pareola (Linnaeus, 1766)
Tangará-falso
Frugívoro
Tolmomyias flaviventris (Wied, 1831)
Bico-chato-amarelo
Insetívoro
Todirostrum cinereum (Linnaeus, 1766)
Ferreirinho-relógio
Insetívoro
Pachyramphus viridis (Vieillot, 1816)
Caneleiro-verde
Insetívoro
Camptostoma obsoletum (Temminck, 1824)
Risadinha
Onívoro
Myiopagis viridicata (Vieillot, 1817)
Guaracava-de-crista-alaranjada
Insetívoro
Myiopagis caniceps (Swainson, 1835)
Guaracava-cinzenta
Frugívoro
Hirundinea ferruginea (Gmelin, 1788)
Gibão-de-couro
Insetívoro
Elaenia flavogaster (Thunberg, 1822)
Guaracava-de-barriga-amarela
Insetívoro
Phyllomyias fasciatus (Thunberg, 1822)
Piolhinho
Insetívoro
Myiarchus swainsoni Cabanis & Heine, 1859
Irré
CATHARTIDAE
ACCIPITRIDAE
FALCONIDAE
COLUMBIDAE
TROCHILIDAE
PIPRIDAE
RYNCHOCYCLIDAE
TYRANNIDAE
Pitangus sulphuratus (Linnaeus, 1766)
Bem-te-vi
Onívoro
Megarynchus pitangua (Linnaeus, 1766)
Neinei
Frugívoro
Tyrannus melancholicus Vieillot, 1819
Suiriri
Onívoro
Myiozetetes similis (Spix, 1825)
Bentevizinho-de-penacho-vermelho
Onívoro
Fluvicola nengeta (Linnaeus, 1766)
Lavadeira-mascarada
Insetívoro
Cnemotriccus fuscatus (Wied, 1831)
Guaracavuçu
Onívoro
Insetívoro
Insetívoro
32
Pygochelidon cyanoleuca (Vieillot, 1817)
Andorinha-pequena-de-casa
Insetívoro
Stelgidopteryx ruficollis (Vieillot, 1817)
Andorinha-serradora
Insetívoro
Troglodytes musculus Naumann, 1823
Corruíra
Insetívoro
Pheugopedius genibarbis (Swainson, 1838)
Garrinchão-pai-avô
Onívoro
HIRUNDINIDAE
TROGLODYTIDAE
33
Tabela 2. Avifauna registrada na localidade da RPPN Guarirú, Serra da Jibóia, Varzedo, Bahia,
apresentando família, espécie, nome comum e grupo trófico. (continuação)
Família
Espécie
Nome Popular
Grupo Trófico
TURDIDAE
Turdus leucomelas Vieillot, 1818
Sabiá-barranco
Onívoro
MIMIDAE
Mimus saturninus (Lichtenstein, 1823)
Sabiá-do-campo
Onívoro
COEREBIDAE
Coereba flaveola (Linnaeus, 1758)
Cambacica
Nectívoro
Saltator similis d'Orbigny & Lafresnaye, 1837
Trinca-ferro-verdadeiro
Frugívoro
Thlypopsis sordida (d'Orbigny & Lafresnaye, 1837)
anário
Frugívoro
Tangara sayaca (Linnaeus, 1766)
Sanhaçu-cinzento
Onívoro
Tangara cayana (Linnaeus, 1766)
Saíra-amarela
Onívoro
Zonotrichia capensis (Statius Muller, 1776)
Tico-tico
Granívoro
Sicalis flaveola (Linnaeus, 1766)
Canário-da-terra-verdadeiro
Granívoro
Volatinia jacarina (Linnaeus, 1766)
Tiziu
Granívoro
EMBERIZIDAE
Sporophila nigricollis (Vieillot, 1823)
Baiano
Granívoro
ICTERIDAE
Icterus cayanensis (Linnaeus, 1766)
Inhapim
Onívoro
Gnorimopsar chopi (Vieillot, 1819)
Graúna
Onívoro
Euphonia chlorotica (Linnaeus, 1766)
Fim-fim
Onívoro
Euphonia violacea (Linnaeus, 1758)
Gaturamo-verdadeiro
Onívoro
THRAUPIDAE
FRINGILLIDAE
3.6.2. Mastofauna
Foram realizadas oito saídas de campo para o levantamento da mastofauna, sendo realizados,
inicialmente, três tipos de metodologias: registros visuais, registros de vestígios e entrevistas com
moradores da região. Posteriormente, foi aplicado o método de captura por meio de armadilhas
Tomahawk e Sherman e armadilhas fotográficas.
Os registros visuais de mamíferos vivos ou mortos e os registros de seus vestígios foram obtidos
ao longo de caminhadas. Os percursos foram realizados em diferentes horários do dia e da noite, sem uma
duração preestabelecida. No caso de registros visuais, os indivíduos foram fotografados sempre que
possível. A identificação foi realizada segundo guias de campo, anotando-se o horário, a data, a espécie, o
número de indivíduos avistados e a atividade desempenhada (em deslocamento, em descanso, em
forrageamento, etc.). Também foram considerados como registros, vestígios com pegadas, fezes,
vocalizações, trilhas, tocas, alimento consumido, solo fuçado, cama, ossos e dentes. Além disso, tentou-se
capturar as pegadas em parcelas de areia, com dimensões de 0,50x0,50m, preenchidas com areia fina (2-4
cm de altura). No período de coleta, as parcelas foram limpas, molhadas e iscadas um dia antes da coleta.
Após permanecerem 24 horas iscadas, cada parcela foi percorrida, verificando-se a presença ou não de
pegadas de mamíferos, identificando-as com o auxílio de guias de campo, anotando a espécie, o
local/estação, a data e o horário, o tipo de isca utilizada e, finalmente, iscando novamente as parcelas.
34
Sempre que necessário, as parcelas foram molhadas entre um dia de coleta e outro. Somente foram
considerados para as listagens de mamíferos os táxons, em nível de gênero ou espécie, cujos vestígios
puderam ser identificados com alto grau de confiabilidade.
As entrevistas foram realizadas com
moradores próximos ao local, de modo a complementar as demais metodologias. Os entrevistados foram
inicialmente interrogados sobre as espécies ocorrentes localmente, deixando-se que eles as citassem
espontaneamente. Posteriormente, as perguntas consistiram-se na existência ou extinção de outras
espécies. No caso de dúvidas sobre a correspondência do nome de um animal citado pelo entrevistado a
um nome científico, foi solicitada aos entrevistados uma descrição do animal, incluindo suas
características que o diferem de espécies morfologicamente semelhantes.
Foram utilizadas armadilhas de isca do tipo Tomahawk e Sherman para captura de pequenos
mamíferos terrestres, as quais ofereceram uma maneira efetiva para inventariar espécies de pequeno
porte, tendo sido possível a marcação e a soltura sem danos físicos aos espécimes (Sibbald et al., 2006).
Foram selecionados dois transectos com 500 m de extensão cada um, contendo 35 estações de captura.
Cada estação foi composta por uma armadilha, do tipo Tomahawk ou do tipo Sherman alternadamente,
distantes 15m uma da outra (Auricchio & Salomão, 2002). Em cada transecto, pelo menos 10 das 35
armadilhas foram colocadas em árvores ou arbustos com altura variando entre 0,5 m e 1,5 m. O período
de permanência das armadilhas foi de quatro noites consecutivas para cada transecto. As armadilhas
foram visitadas todos os dias, sendo checadas sempre por volta das 6h da manhã. O esforço de captura
(armadilha x noite) foi de 300, calculado a partir da seguinte fórmula: EC = (Nº armadilhas x Nº de noites
ativas da armadilha). As iscas empregadas foram variadas, compostas de uma mistura de banana e pasta
de amendoim; banana, flocos de milho e óleo de fígado de bacalhau; pedaços de bacon e sardinha; paçoca
de amendoim e flocos de milho (Grelle, 2003; Meireles et al., 2011; Oliveira et al., 2011). Estas iscas
caracterizam-se como de amplo espectro, já que atraem tanto espécies carnívoras quanto onívoras ou
herbívoras/granívoras. Foram ainda utilizadas três armadilhas fotográficas por transecto, as quais
permaneceram instaladas por quatro dias a cada coleta.
O uso de armadilhas fotográficas permite o levantamento em diversos pontos e por longos
períodos, a um custo reduzido, mostrando-se particularmente útil no estudo de espécies de hábitos
noturnos ou que ocorram em baixas densidades (Santos-Filho & Silva, 2002; Miranda et al., 2005). No
presente projeto, cada armadilha fotográfica foi contada como uma unidade amostral. Nos animais
capturados foram tomadas as medidas de comprimento total, comprimento da cabeça e do corpo
mensurados, além do comprimento e da caracterização da cauda. Também foram registradas a
caracterização da pelagem (tons, pilosidades bifásicas ou monofásicas, variação de cores) e os padrões
morfológicos específicos (número de dígitos, tipo de orelha, etc), sendo fotografados para confirmação
taxonômica. Para evitar o duplo registro de exemplares, os animais foram marcados com a fixação de
35
brincos de alumínio de 7-9mm, a depender do porte do animal (Vieira & Monteiro-Filho, 2003; Pardini &
Umetsu, 2006). Após a realização do procedimento descrito acima, os indivíduos foram liberados no
mesmo local de captura. Os indivíduos capturados foram identificados por meio da bibliografia
pertinente, chegando até o menor nível taxonômico possível (Emmons, 1997; Gardner, 2007; Bonvicino
et. al., 2008; Reis et al., 2011).
Foram obtidos um total de 23 espécies de mamíferos não voadores distribuídas em 15 famílias e
sete ordens, compondo a mastofauna da RPPN Guarirú amostrada até o momento (Tabela 3). Diante da
pequena dimensão de mata existente na área de estudo, os resultados obtidos foram bastante expressivos,
comparando-se a diversidade de espécies encontradas no local com os padrões de diversidade encontrados
em outros trabalhos.
A lista de mamíferos apresentada neste estudo foi composta, principalmente por espécies
detectadas por meio de pegadas e por outras observações indiretas (como vocalizações, trilhas, camas,
tocas, alimento mordido e solo fuçado) e diretas (visualizações e capturas). Das 23 espécies de mamíferos
registradas, sete espécies (Bradypus torquatus, Tamandua tetradactyla, Lontra longicaudis, Chrysocyon
brachyurus, Nasua nasua, Leopardus tigrinus, Didelphis aurita) foram somente registradas por
entrevista, com um morador local. Estas espécies podem ter sua ocorrência pouco provável ou já terem
sido extintas do local, já que não foram observadas diretamente ou por intermédio de vestígios. Além
disso, tais espécies podem não terem sido observadas devido a época e clima predominante na época das
campanhas. Dez espécies foram amostradas por método indireto e sete foram observadas diretamente,
pelo método de captura ou visualização. Das espécies registradas através de visualização ou vestígio,
apenas uma espécie (Conepatus semistriata) não foi citada pelo entrevistado.
Dentre as 23 espécies de mamíferos registradas na primeira etapa, quatro encontram-se em
diferentes categorias no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção. As espécies
Chrysocyon brachyurus, Bradypus torquatus e Leopardus tigrinus são consideradas vulneráveis, já as
espécies de Callicebus encontram-se na categoria criticamente em perigo e vulnerável.
As espécies amostradas somente pelo método de captura somaram sete, sendo que todas foram
marcadas e soltas, com exceção de dois indivíduos que foram a óbito no momento da medição e pesagem.
Houve um grande número de recaptura, principalmente na espécie Trinomys setosus, onde um mesmo
indivíduo foi capturado oito vezes. Também, foi recapturada uma fêmea Metachirus nudicaudatus, a qual
na segunda captura, estava com os filhotes.
36
Tabela 3. Mastofauna registrada na localidade da RPPN Guarirú, Serra da Jibóia, Varzedo, Bahia, apresentando nome comum,
dieta (On - onívoro, Fr – frugívoro, Her-herbívoro, Car - carnívoro, Fol - folhas como principal item da dieta, In insetos como principal item da dieta), e o hábito (Ter - terrestre, Arb – arborícola, Aqu – aquático) segundo
NEGRÃO; PÁDUA (2006), e as formas de registro: (Vi - visualização; Ac - alimento consumido; PE -pegadas;
Vo - vocalização; Tr - trilha; To - tocas; Sf - solo fuçado; Ca - cama; E – entrevista; Cap - capturado). * Espécie
ameaçada de extinção de acordo com o IBAMA (2008).
Ordem/ Família
Nome Científico
Nome Comum
Dieta
Hábito
Tipo de Registro
Principal
PRIMATA
Callithrichidae
Callithrix pennicillata (Geoffroy,
Mico de tufo-preto
On
Arb
Vi/E
Callicebus * sp.
Macaco-Guigó
On
Arb
Vo/E
Pecari tajacu (Linnaeus, 1758)
Caititu
On
Ter
PE/Vo/Sf/E – Fig.12
Euphractus sexcinctus (Linnaeus,
Tatu peba
On
Ter
To/Sf/E
Tatu galinha
On/In
Ter
PE/Tr/To/Sf/E
1812)
Pitheciidae
ARTIODACTYLA
Tayassuidae
CINGULATA
Dasypodidae
1758)
Dasypus novemcinctus (Linnaeus,
1758)
–
Fig.13
PILOSA
Bradypodidae
Bradypus * torquatus (Llliger,
Preguiça-de-coleira
Fol
Arb
E
Tamanduá-mirim
In
Ter
E
Cutia-de-ancas-
Fr
Ter
Ac/Tr/E
1811)
Myrmecophagidae
Tamandua
tetradactyla
(Linnaeus, 1758)
RODENTIA
Dasyproctidae
Dasyprocta
aguti
(Linnaeus,
1776)
amarelas
Cuniculidae
Cuniculus paca (Linnaeus, 1766)
Paca
He/Fr
Ter
PE/Tr/To/Sf/Ca/E
Cricetidae
Akodon cursor
Rato
He/On
Ter
Cap
Oligoryzomys nigripes
Rato
He/On
Ter
Cap – Fig. 14
Trinomys setosus (captura);
rato-de-espinho
He/On
Ter
Cap - Fig. 15
Sigmodontinae
Echimyidae
37
Tabela 3. Mastofauna registrada na localidade da RPPN Guarirú, Serra da Jibóia, Varzedo, Bahia, apresentando nome comum,
dieta (On - onívoro, Fr – frugívoro, Her-herbívoro, Car - carnívoro, Fol - folhas como principal item da dieta, In insetos como principal item da dieta), e o hábito (Ter - terrestre, Arb – arborícola, Aqu – aquático) segundo
NEGRÃO; PÁDUA (2006), e as formas de registro: (Vi - visualização; Ac - alimento consumido; PE -pegadas;
Vo - vocalização; Tr - trilha; To - tocas; Sf - solo fuçado; Ca - cama; E – entrevista; Cap - capturado). * Espécie
ameaçada de extinção de acordo com o IBAMA (2008). (Continuação)
Ordem/ Família
Nome Científico
Nome Comum
Dieta
Hábito
Principal
Tipo
de
Registro
CARNIVORA
Mustelidae
Conepatus
semistriata
Jeritataca ou Gambá
On
(Lichtenstein, 1836)
Ter/
PE
Arb
Lontra longicaudis (Olfers, 1818)
Lontra
Car
Ter/
E
Aqu
Canidae
Cerdocyon thous (Linnaeus, 1766)
Lobinho ou cachorro do
On
Ter
PE/E – Fig. 16
Lobo Guará
Car
Ter
E
Quati
On
Ter/
E
mato
Chrysocyon brachyurus* (Llliger,
1815)
Procyonidae
Nasua nasua (Linnaeus, 1766)
Arb
Felidae
Leopardus*
tigrinus
(Schreber,
Gato-pintado
Car
Ter
E
Leopardus pardalis
jaguatirica
Car
Ter
PE – Fig. 17
Didelphis aurita (Wied, 1826)
Sarigué-de-orelhas-
On
Ter/
E/Cap
1775)
DIDELPHIMORPHIA
Didelphidae
pretas
Arb
Marmosa murina
Catita
On
Arb
Cap – Fig. 18
Marmosops incanus
rato-cachorro
On
Arb
Cap
Metachirus nudicaudatus
rato-sariguê
On
Ter
Cap – Fig. 19
38
Figura 12: Fezes de Pecari tajacu (caititu), amostrada na RPPN Guarirú, Varzedo, Bahia.
Figura 13: Escavação (A) e pegada (B) de Dasypus novemcinctus (tatu galinha), amostradas na RPPN Guarirú, Varzedo,
Bahia.
Figura 14: Oligoryzomys nigripes (rato), amostrado na RPPN Guarirú, Varzedo, Bahia.
39
Figura 15: Trinomys setosus (rato de espinho), amostrado na RPPN Guarirú, Varzedo, Bahia.
Figura 16: Pegadas de Cerdocyon thous (Cachorro do mato), amostradas na RPPN Guarirú, Varzedo, Bahia.
40
Figura 17: Pegada e molde de Leopardus pardalis (Jaquatirica), amostradas na RPPN Guarirú, Varzedo, Bahia.
Figura 18: Marmosa murina (catita), amostrada na RPPN Guarirú, Varzedo, Bahia.
41
Figura 19: Indivíduo de Metachirus nudicaudatus (rato-sariguê) com filhotes, amostrados na RPPN Guarirú, Varzedo, Bahia.
42
3.6.3. Qualidade dos Ambientes Aquáticos e Invertebrados Limnicos
Foram realizadas coletas mensais durante o período de dezembro de 2011 a agosto de 2012 em
três pontos do riacho das Palmeiras que apresentaram macrohabitats muitos distintos, e por isso foram
classificados como: ponto 1, ambiente lótico, dentro da reserva legal, com mata ciliar preservada,
contendo substrato rochoso, fraca correnteza, e remansos onde se acumulava grande quantidade de
matéria orgânica, principalmente folhas advindas da mata ciliar (Figura 20); o ponto 2 era um ambiente
lêntico (açude artificial para captação de água), na borda da mata da reserva legal, com pouca mata ciliar
em sua proximidade, contendo um substrato areno-lodoso, com matéria orgânica vegetal em
decomposição (Figura 21); vale ressaltar que em junho de 2012 o ponto 2 sofreu uma “limpeza” de sua
vegetação marginal (composta principalmente de braquiária e Jurema) (Figura 22). O ponto 3, tratou-se
de uma represa localizada em uma área de reflorestamento, portanto sem qualquer cobertura de mata
ciliar, com substrato arenoso e com poucas macrófitas nas margens (Figura 23).
A macrofauna bentônica foi capturada com o auxílio de puçá passado por entre a vegetação
marginal e no leito do rio, durante 5 minutos para amostragem do sedimento e do folhiço acumulado.
Todo o conteúdo amostrado pelo puçá foi despejado em sacos plásticos devidamente identificados
contendo álcool com corante rosa de bengala para a fixação dos organismos. Em seguida, o material foi
levado ao laboratório de Zoologia de Invertebrados da UFRB, onde foram realizados os processos de
triagem, quantificação e identificação dos organismos até o menor nível taxonômico possível, utilizandose chaves dicotômicas específicas para cada grupo de macroinvertebrados amostrado (Melo, 2003; Costa
et al., 2006; Froehlich, 2007). Após as identificações, os animais foram colocados em frascos
devidamente etiquetados contendo a data e o local da coleta.
A comunidade de macroinvertebrados de cada ponto de coleta foi avaliada pelos índices de
riqueza, dominância, equitatividade, diversidade (Shannon-Wiener) e BMWP. A metodologia do índice
BMWP consiste em ordenar as famílias de macroinvertebrados em grupos, seguindo um gradiente de
tolerância a ambientes modificados que, geralmente, varia de maior para menor. Cada família encontrada
corresponderá a uma pontuação, que oscila de 10 a 1, sendo que as famílias mais sensíveis à
contaminação recebem as pontuações maiores, chegando em ordem decrescente até 1, onde estão aquelas
mais tolerantes (SILVA et al., 2OO7).
43
Figura 20: Primeiro ponto de coleta do Riacho das palmeiras, RPPN Guarirú, Varzedo, Bahia.
Figura 21: Segundo ponto de coleta do Riacho das Palmeiras, RPPN Guarirú, Varzedo, Bahia.
44
Figura 22: Segundo ponto de coleta do Riacho das Palmeiras com alteração antrópica, RPPN Guarirú, Varzedo, Bahia.
Figura 23: Terceiro ponto de coleta do Riacho das Palmeiras, Entorno da RPPN Guarirú, Varzedo,
Bahia.
Inicialmente a coleta dos invertebrados límnicos para fins de avaliação da qualidade dos
45
ambientes aquáticos seria realizada a cada dois meses. Entretanto, considerou-se mais adequado, visando
uma análise temporal da comunidade de macroinvertebrados, a realização de coletas mensais. Além disso,
na primeira viagem de campo (em dezembro de 2011) verificou-se a existência de um terceiro ponto de
amostragem, caracterizado por uma barragem que em visitas anteriores à RPPN estava vazia, localizada
em uma área da propriedade onde atualmente realiza-se uma tentativa de recomposição da mata ciliar.
Este ponto foi escolhido porque poderia disponibilizar uma série temporal da dinâmica e da sucessão da
comunidade de macroinvertebrados à medida que o reservatório se estabilizava e o processo de
reflorestamento se consolidava.
Os macroinvertebrados amostrados foram incluídos em 28 famílias da Classe Insecta, além de
crustáceos da ordem Decapoda e anelídeos da classe Oligochaeta. As tabelas 1, 2 e 3 mostram os números
de indivíduos coletados por táxon nos três pontos de amostragens, com os seus respectivos valores de
tolerância atribuídos com base em sua sensibilidade e tolerância a perturbações ambientais (Alba-Terceto
& Sanchez-Ortega, 1988).
Em todos os pontos de amostragem foram encontrados indivíduos da família Chironomidae
(Diptera), com exceção da segunda coleta feita no ponto 3, seguida pela família Trichodactylidae
(Decapoda) que foi encontrada em todas as coletas dos pontos 1 e 2. No ponto 1, as famílias mais
abundantes foram Chironomidae e Trichodactylidae (Figura 24). Para o ponto 2, os táxons mais
abundantes foram Trichodactylidae e Chironomidae (Figura 25). Finalmente, no ponto 3 os táxons mais
abundantes foram Oligochaeta e Culicidae (figura 26).
A figura 27 mostra que após o evento de retirada (“limpeza”) da vegetação da margem do ponto 2
houve uma pequena alteração da fauna de macroinvertebrados, fato provavelmente relacionado às
mudanças nos microhabitats causadas pelo evento. Podemos citar, por exemplo, o desaparecimento de
insetos da família Ephemeroptera (Leptophlebiidae) que segundo o índice BMWP é um organismo muito
sensível a alterações ambientais. Ao mesmo tempo, indivíduos mais tolerantes, tais como efemerópteros
Baetidae, hemípteros Nepidae, besouros Hydrophilidae e dípteros Chironomidae, surgiram ou tornaramse mais frequentes (figura 27).
A dominância, a riqueza, a diversidade e a equitatividade foram os parâmetros ecológicos
utilizados para avaliar a comunidade de macroinvertebrados amostrada em cada ponto. A riqueza
taxonômica foi praticamente igual em todos os três pontos de coleta (Tabela 4). Os índices de
Dominância foram baixos (próximos de 0) nos três pontos e, consequentemente, os índices de
Equitabilidade foram altos (próximos de 1). Isto demonstra que há um equilíbrio entre os táxons que
fazem parte da comunidade de macroinvertebrados nos três pontos de coleta, ou seja, não há um táxon
dominante. Tal fato, aliado à elevada riqueza da macrofauna (valores entre 19 e 20), é indicador das boas
condições dos ambientes límnicos na RPPN Guarirú (Tabela 4).
O método do índice de BMWP faz menção a um sistema de classificação da qualidade da água.
46
Dessa forma, tomando como base os índices bióticos existentes, foi possível determinar as faixas de
pontuação para cada ponto estudado no riacho das Palmeiras, visando à determinação da qualidade do
ambiente. Os resultados dessa avaliação estão disponíveis na tabela 5. O método BMWP classificou os
pontos 1 e 2 como um sistema com pouca alteração, enquanto no ponto 3 o índice indicou um ambiente
com efeitos moderados de alteração.
Figura 24: Abundância relativa das famílias de macroinvertebrados encontradas no ponto 1 do Riacho das Palmeiras, RPPN
Guarirú, Varzedo, Bahia.
47
Figura 25: Abundância relativa das famílias de macroinvertebrados encontradas no ponto 2 do Riacho das Palmeiras, RPPN
Guarirú, Varzedo, Bahia.
Figura 26: Abundância relativa das famílias de macroinvertebrados encontradas no ponto 3 do Riacho das Palmeiras, RPPN
Guarirú, Varzedo, Bahia.
48
Figura 27: Abundância relativa das famílias de macroinvertebrados encontrados no ponto 2 antes e após o desmatamento da
Data ciliar do Riacho das Palmeiras.
49
Tabela 4: Relação dos macroinvertebrados bentônicos coletados em três pontos da RPPN Guarirú, no Riacho das Palmeiras com respectivos valores de
tolerância (VT) utilizados na determinação dos índices bióticos BMWP. (fi) frequência simples absoluta; (fr%) potência da freqüência simples
relativa.
TAXONS
BMWP DEZ/11
JAN/12
FEV
MAR
ABR
MAI
JUN
JUL
AGO
TOTAL
PONTO 1
fr
fr% fr
fr% fr
fr% fr
fr% fr
fr% fr
fr% fr
fr% fr
fr% fr
fr%
1
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
2
1,9
1
1,4
-
-
3
4
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
1
1,5
-
-
-
-
-
-
1
Elmidae
5
-
-
2
3,2
1
0,8
1
3,3
-
-
1
1,5
-
-
1
1,4
1
1,8
7
Gyrinidae
5
8
15
13
21
1
0,8
2
6,7
3
5,5
3
4,4
5
4,7
1
1,4
2
3,6
38
2
-
-
17
27
38
30
7
23
22
40
32
47
49
46
35
47
28
50
228
Chironomidae sp2 (pupa)
2
-
-
-
-
-
-
-
-
1
1,8
-
-
5
4,7
3
4
2
3,6
11
Ceratopogonidae
4
1
1,8
-
-
4
3,2
-
-
4
7,3
3
4,4
6
5,7
4
5,4
10
18
32
Tanyderidae
6
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
1
1,4
-
-
1
FILO ANNELIDA
Classe Oligochaeta
FILO ARTTROPODA
CLASSE INSECTA
ORDEM COLEOPTERA
Família Dytiscidae
ORDEM DIPTERA
Família Chironomidae sp1
50
ORDEM EPHEMEROPTERA
Família Baetidae
5
1
1,8
1
1,6
-
-
-
-
-
-
2
2,9
-
-
-
-
1
1,8
5
10
3
5,5
-
-
1
0,8
-
-
-
-
1
1,5
22
21
-
-
-
-
27
5
1
1,8
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
1
Notonectidae
3
14
26
6
9,7
7
5,6
2
6,7
4
7,3
11
16
3
2,8
4
5,4
2
3,6
53
Veliidae
7
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
1
0,9
-
-
-
-
1
Leptophlebiidae
ORDEM HEMIPTERA
Família Macroveliidae
51
Tabela 4: Relação dos macroinvertebrados bentônicos coletados em três pontos da RPPN Guarirú, no Riacho das Palmeiras com respectivos valores de
tolerância (VT) utilizados na determinação dos índices bióticos BMWP. (fi) frequência simples absoluta; (fr%) potência da freqüência simples
relativa. (continuação)
TAXONS
BMWP
DEZ/11
JAN/12
FEV
MAR
ABR
MAI
JUN
JUL
AGO
TOTAL
5
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
1
1,4 -
-
1
Lestidae
8
-
-
-
-
3
2,4 -
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
3
Megapodagrionidae
10
1
1,8 -
-
-
-
-
-
-
-
1
1,5 -
-
-
-
-
-
2
Perilestidae
9
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
2
1,9 1
1,4 -
-
3
8
11
20
6
9,7 42
34
2
6,7 9
16 2
2,9 2
1,9 4
5,4 2
3,6 80
7
-
-
12
19
13
10
7
23
-
-
1,5 3
2,8 4
5,4 -
-
40
6
15
27
5
8,1 15
12
9
30
12
22 10
15
5,7 14
19
14
94
112
55
55
68
ORDEM ODONATA
Família Gomphidae
ORDEM PLECOPTERA
Família Perlidae
ORDEM TRICHOPTERA
Famíla Leptoceridae
1
CLASSE MALACOSTRACA
ORDEM DECAPODA
Família Trichodactylidae
TOTAL
62
125
30
6
106
74
8
56
631
52
Tabela 5: Relação dos macroinvertebrados bentônicos coletados em três pontos da RPPN Guarirú, no Riacho das Palmeiras com respectivos valores de
tolerância (VT) utilizados na determinação dos índices bióticos BMWP. (fi) freqüência simples absoluta; (fr%) potência da freqüência simples
relativa.
TAXONS
BMWP
DEZ/11
JAN/12
FEV
MAR
ABR
MAI
JUN
JUL
AGO
TOTAL
fi
fr% fi
fr% fi
fr% fi
fr% fi
fr% fi
fr% fi
fr% fi
fr% fi
fr%
4
-
-
1
4,2
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
1
2,9
2
Elmidae
5
-
-
1
4,2
-
-
-
-
1
4,3
1
11
1
1,8
-
-
-
-
4
Gyrinidae
5
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
1
11
-
-
-
-
-
-
1
Hydrophilidae
5
1
5,9
1
4,2
-
-
-
-
2
8,7
1
11
15
27
-
-
16
47
36
2
5
29
-
-
5
28
8
36
7
30
-
-
23
41
-
-
6
18
54
Ceratopogonidae
4
2
12
2
8,3
-
-
3
14
3
13
-
-
2
3,6
2
17
1
2,9
15
Chaoboridae
3
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
1
2,9
1
Culicidae (pupa)
1
-
-
-
-
-
-
-
-
1
4,3
-
-
-
-
-
-
-
-
1
5
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
2
3,6
-
-
2
5,9
4
PONTO 2
FILO ARTTROPODA
CLASSE INSECTA
ORDEM COLEOPTERA
Família Dytiscidae
ORDEM DIPTERA
Famíla Chironomidae
ORDEM EPHEMEROPTERA
Família Baetidae
53
Leptophlebiidae
10
-
-
1
4,2
-
-
1
4,5
1
4,3
-
-
-
-
-
-
-
-
3
6
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
1
1,8
1
8,3
-
-
2
Nepidae sp2
6
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
1
8,3
3
8,8
4
Notonecidae
3
-
-
2
8,3
2
11
-
-
5
22
2
22
-
-
1
8,3
-
-
12
ORDEM HEMIPTERA
Família Nepidae
54
Tabela 5: Relação dos macroinvertebrados bentônicos coletados em três pontos da RPPN Guarirú, no Riacho das Palmeiras com respectivos valores de
tolerância (VT) utilizados na determinação dos índices bióticos BMWP. (fi) freqüência simples absoluta; (fr%) potência da freqüência simples
relativa. (continuação)
TAXONS
BMWP
DEZ/11
JAN/12
FEV
MAR
ABR
MAI
JUN
JUL
AGO
TOTAL
8
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
1
2,9
1
Libellulidae
8
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
2
3,6
-
-
-
-
2
Perilestidae
9
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
1
1,8
-
-
-
-
1
8
-
-
3
13 -
-
-
-
-
-
-
-
-
-
1
8,3
-
-
4
7
1
5,9
3
13 3
17 2
9,1
-
-
-
-
-
-
1
8,3
-
-
10
6
8
47
10
42 8
44 8
36
3
13 4
16
5
42
3
8,8
58
105
17
ORDEM ODONATA
Família Aeshnidae
ORDEM PLECOPTERA
Família Perlidae
ORDEM TRICHOPTERA
Família Leptoceridae
CLASSE MALACOTRACA
ORDEM DECAPODA
Família Trichodactylidae
TOTAL
24
18
22
23
9
44 9
56
12
34
Tabela 6: Relação dos macroinvertebrados bentônicos coletados em três pontos da RPPN Guarirú, no Riacho das Palmeiras com respectivos valores de
55
tolerância (VT) utilizados na determinação dos índices bióticos BMWP. (fi) freqüência simples absoluta; (fr%) potência da freqüência simples
relativa.
TAXONS
BMWP DEZ/11
JAN/12
FEV
MAR
ABR
MAI
JUN
JUL
AGO
TOTAL
PONTO 3
fr
fr% fr
fr% fr
fr% fr
fr% fr
fr% fr
fr% fr
fr% fr
fr% fr
fr%
1
6
67
-
-
-
-
-
-
-
-
1
14
7
58
5
16
53
4
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
1
8,3
2
6,4
3
1
3,2
1
FILO ANNELIDA
Classe Oligochaeta
8
27
FILO ARTTROPODA
CLASSE INSECTA
ORDEM COLEOPTERA
Família Curculionidae
Dytiscidae
4
Dytiscidae sp2(larva)
-
-
-
-
1
5,6
-
-
1
6,7
-
-
-
-
2
-
-
-
-
-
-
1
50
-
-
-
-
-
-
1
4
Hydrophilidae sp2 (larva)
5
ORDEM DIPTERA
Família Ceratopogonidae (pupa)
4
1
3,2
1
6,7
2
56
Ceratopogonidae
4
6
Chironomidae
2
Chironomidae (pupa)
2
Chaoboridae
3
-
-
-
-
6
33
-
-
-
-
-
-
-
-
6
Chaoboridae sp2 (pupa)
3
-
-
-
-
-
-
-
-
5
33
-
-
-
-
5
Culicidae (pupa)
1
-
-
-
-
-
-
-
-
6
40
6
86
4
33
3
33
-
-
9
50
-
-
-
-
-
-
-
19
-
3
20
9
12
1
3,2
6
1
22
19
57
Tabela 6: Relação dos macroinvertebrados bentônicos coletados em três pontos da RPPN Guarirú, no Riacho das Palmeiras com respectivos valores de
tolerância (VT) utilizados na determinação dos índices bióticos BMWP. (fi) freqüência simples absoluta; (fr%) potência da freqüência simples relativa.
(continuação)
TAXONS
BMWP
DEZ/11
5
-
JAN/12
FEV
MAR
ABR
MAI
JUN
JUL
AGO
TOTAL
ORDEM HEMIPTERA
Família Belostomatidae
-
-
-
1
5,6
-
-
-
-
-
-
-
-
1
Naucoridae
3
2
13
2
Nepidae
6
1
6,7
1
Notonectidae
3
-
-
5
-
-
-
-
-
-
-
-
2
13
-
-
-
-
3
9,7
2
6,4
-
-
3
9,7
3
1
3,2
2
ORDEM ODONATA
Família Aeshnidae
8
Coenagrionidae
7
Libellulidae
8
-
-
-
-
1
5,6
-
-
-
-
-
-
-
-
2
-
-
1
ORDEM TRICHOPTERA
Família Leptoceridae
Leptoceridae sp2
TOTAL
7
-
-
-
-
-
-
1
50
-
-
-
-
-
-
7
-
-
-
-
-
-
-
-
1
6,7
-
-
-
-
91
9
-
18
2
15
7
12
1
31
15
109
Tabela 7: Índices de riqueza, dominância, equitatividade e diversidade de Shannon-Wienner calculados com amostras do ponto 1, 2 e 3 do Riacho das
58
Palmeiras, Varzedo BA.
PONTO 1
PONTO 2
PONTO 3
Riqueza Taxonômica
20
19
20
Dominância
0,2
0,2
0,1
Equitabilidade (Pielou)
0,7
0,7
0,8
Diversidade de Shannon-Wienner
2,1
2,1
2,4
59
Tabela 8: Valores dos índices BMWP, avaliação da qualidade da água e composição das famílias de
macroinvertebrados bentônicos encontradas no Riacho das Palmeiras Varzedo, BA, em
dezembro de 2011 a agosto de 2012.
PONTO FAMÍLIAS
Baetidae-
BMWP CLASSE SIGNIFICADO
Ceratopogonidae-Chironomidae-
Dytiscidae-Elmidae-Gyrinidae1
• Sistema com um
Gomphidae-
pouco de alteração
Lestidae- 112
Leptophlebiidae-Leptoceridae-
III
Megapodagrionidae-Macroveliidae-NotonectidaeOligochaeta-Perlidae-Perilestidae-
Tanyderidae-
Trichodactylidae- Veliidae
Aeshnidae-Baetidae-CeratopogonidaeChaoboridae-Chironomidae-Culicidae2
Dytiscidae-Elmidae-Gyrinidae-HydrophilidaeLeptophlebiidae-Leptoceridae-Libelludidae-
• Sistema com um
105
III
pouco de alteração
Nepidae-Notonectidae-Perlidae-PerilestidaeTrichodactylidae
Aeshnidae-Belostomatidae-ChironomidaeChaoboridae-Coenagrionidae-Culicidae3
Curculionidae-DytiscidaeLeptoceridaeNotonectidae- Oligocheta
Hydrophilidae- 91
Libellulidae-Nepidae-
IV
•
Efeitos
moderados
de
poluição
60
Ações Futuras:
Notou-se que o evento de retirada da cobertura vegetal das margens do ponto 2 afetou a
macrofauna daquele ponto, provavelmente devido a uma alteração na quantidade de insolação, na
disponibilidade de refúgios e no aporte de matéria orgânica (folhiço) para a comunidade de
macroinvertebrados. Considerando que este ponto situa-se nos limites da Reserva Legal da RPPN
Guarirú, recomenda-se a recomposição daquelas margens com mata nativa e o monitoramento a longo
prazo da biota aquática que ali vive. Além disso, dada a grande diversidade de invertebrados aquáticos do
local e a escassez de informações sobre estes animais, são necessários estudos mais profundos sobre
aspectos da biologia destes invertebrados.
Especificamente com relação ao ponto 3, a tabela 6 mostra que ao longo do período amostral
houve grande variação dos táxons capturados, o que demonstra a instabilidade natural de sua recente
formação. Isto, aliado ao fato de no local estar se desenvolvendo uma tentativa de recuperação da mata
ciliar, enfatiza a necessidade de um monitoramento de longo prazo daquele ambiente límnico, a fim de
monitorar a qualidade do mesmo e da sua macrofauna.
3.7. Aspectos Históricos e Culturais
61
Os primeiros habitantes da região da Serra da Jibóia foram os índios Kariris Sabujás que
ocupavam um território que se estendia desde a Serra da Jibóia até as margens do Rio Paraguaçu. Os
nativos chamavam a Serra de Guarirú, que significa “reservatório de água”, nome justificado pelo fato de
que no lado poente da Serra nascem 11 cursos de água e do lado do nascente brotam mais de 30 cursos,
todos perenes. Rios como da Dona, Congonha, Preto, Braga, entre outros, têm suas nascentes no alto da
Serra da Jibóia.
O nome Guarirú dado pelos índios à bela Serra foi posteriormente mudado pelos colonos para
Jibóia, pelo fato do relevo da mesma lembrar a sinuosidade de uma cobra jibóia (Boa constrictor
Linnaeus, 1758) em movimento, e é por este nome que a Serra é conhecida até os dias atuais.
3.8. Pesquisa e Monitoramento
Em termos de pesquisas realizadas no interior da RPP Guarirú, ou até mesmo na Fazenda
Serenidade, essa equipe do Plano de Manejo é o primeiro grupo de pesquisadores a concentrar seus
estudos na área. Além dos estudos de levantamento básico que compõem esse plano de manejo em seus
itens anteriores podemos citar as pesquisas em andamento:
● Chave de Identificação Dendrológica das Espécies Arbóreas da RPPN Guarirú. Responsáveis:
Alessandra N. Caiafa, Fabiano M. Martins e Andressa Ribeiro, Universidade Federal do
Recôncavo da Bahia;
● Estrutura da Comunidade Arbórea de um fragmento de Floresta Ombrófila Densa Atlântica, na
Serra da Jibóia, RPPN Guarirú. Responsáveis: Alessandra N. Caiafa, Elfany N. Lopes, Andressa
Ribeiro e Éber Dourado, Universidade Federal do Recôncavo da Bahia; e
● Inventário da mastofauna terrestre da Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) de
Guarirú, Município de Varzedo, Bahia, Brasil. Responsáveis: Téo Veiga de Oliveira, Mateus S. de
Carvalho, Universidade Estadual de Feira de Santana.
Vale destacar que essas pesquisas foram aprovadas pelo proprietário e possuem as respectivas
licenças dos órgãos ambientais para a coleta de material, quando necessário. Com a efetivação do
Conselho Consultivo da Reserva, descrito aditante, no Programa de Administração, as mesmas serão
submetidas a ele, bem como as pesquisas vindouras. Futuramente espera-se a celebração de um Convênio
de Cooperação Técnica entre a RPPN Guarirú e a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia.
É natural que em pouco mais de três anos de criação não tenhamos ainda o número de estudos
almejados. Porém, a divulgação dos primeiros resultados dos estudos conduzidos na RPPN já começaram
a despertar o interesse de outros pesquisadores de diversas instituições de ensino superior. A estratégia de
62
divulgação adotada até o momento é a apresentação dos resultados preliminares desse Plano de Manejo
no VII Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação – 2012, em João Pessoa – PB e no XXIX
Congresso Brasileiro de Zoologia – 2012, Salvador – BA.
Manuscritos já estão em fase de construção para posterior envio a periódicos de pesquisa
indexados, corroborando a vocação da RPPN Guarirú para a pesquisa acadêmica. Vale destacar que todos
os certificados de trabalhos científicos oriundos da RPPN Guarirú são entregues ao proprietário e
almejamos a criação de um Programa de Comunicação que possa tornar essas informações mais
acessíveis.
3.9. Ocorrência de Fogo
As informações obtidas com os moradores do entorno da RPPN Guarirú evidenciam que um
incêndio nas áreas florestadas da região não ocorre há mais de 15 anos. Também é importante relatar que
os vizinhos fronteiriços à RPPN Guarirú são proprietários imbuídos da preservação dos fragmentos
florestais, a despeito da pouca escolaridade e a prática de manejo das áreas agrícolas não contíguas com
fogo é restrita a apenas uma propriedade, não detectando, assim, ameaça por fogo que necessite de
atenção e cuidados especiais, além de um aceiro de 50 metros ao redor da Zona de Transição, nos limites
da RPPN Guarirú.
Todavia, em caso de incêndio o Corpo de Bombeiros mais próximo localiza-se em Santo Antônio
de Jesus, cerca de uma hora da RPPN Guarirú.
3.10. Atividades Desenvolvidas na RPPN
Como já relatado em itens anteriores, a vocação da RPPN Guarirú é a pesquisa acadêmica. Sendo
assim, essas atividades já foram tratadas no item 3.8 (Pesquisa e Monitoramento).
3.11. Sistema de Gestão
A RPPN Guarirú é conduzida exclusivamente por seu proprietário, o Sr. Flávio Pantarotto, que até
63
o momento não vê a necessidade de uma parceria para sua gestão, mas no futuro as portas para parcerias
de gestão não estão descartadas,.
A RPPN Guarirú ainda não dispõe de um conselho consultivo mas será implantado s curto prazo
como explicitará o item Programa de Administração.
3.12. Pessoal
O proprietário da RPPN Guarirú não dispõe de funcionários efetivos em sua propriedade rural, a
Fazenda Serenidade. Serviços de reparo em cercas, limpezas de trilhas e aceiros são realizados por
trabalhadores diaristas.
3.13. Infra Estrutura
Na RPPN Guarirú não existem edificações, apenas cercas limítrofes e trilhas para deslocamento
dos pesquisadores. Todas as edificações utilizadas pelos pesquisadores em campanha de campo na RPPN
localizam-se no interior da Fazenda Serenidade.
As edificações que servem à RPPN Guarirú são um pequeno alojamento para quatro pessoas nos
fundos da sede da fazenda e um estacionamento cimentado em frente à sede da fazenda. O alojamento
dispõe de um quarto pequeno; um banheiro com chuveiro simples, sem aquecimento; e uma pequena
cozinha, sendo a casa não maior de 20 metros quadrados.
Há a intenção do proprietário em construir maiores e melhores acomodações para os
pesquisadores. Para tal parcerias serão buscadas para viabilização do Programa de Administração descrito
a frente.
Na atualidade, o presente instrumento de manejo detectou que o sistema de sinalização da RPPN é
falho e que mais placas educativas e de cunho informativo devem ser afixadas ao longo do perímetro
externo da RPPN Guarirú. As cercas também necessitam de reforma, também detalhado no Programa de
Proteção e Fiscalização descrito a frente.
O sistema de saneamento da propriedade é por meio de fossa séptica, adequado a realidade local.
Energia elétrica não representa um fator limitante, pois a RPPN Guarirú dispõe na atualidade de energia
solar e energia distribuída pela concessionária estadual a COELBA.
As vias de acesso a RPPN Guarirú estão adequadas ao que a mesma se propõe. Porém
manutenções periódicas são necessárias, de uma certa forma realizadas pelo poder público municipal, se
acionado. As trilhas no interior da RPPN são a contento, porém necessitam de manutenções periódicas
que têm sido realizadas.
64
3.14. Equipamentos e Serviços
A RPPN Guarirú dispõe de telefonia celular e acesso a internet de alta velocidade. O proprietário
dispõe de um “kit” de primeiros socorros básicos. Os equipamentos de pesquisa e de segurança
disponíveis na RPPN são: perneiras, lanternas, prensas botânicas, facão, binóculo e receptor GPS. Vale
destacar que cada pesquisador é responsável pelos materiais utilizados em sua pesquisa, bem como os
equipamentos adequados de segurança aos seus executores. A RPPN Guarirú não dispõe de serviços
oferecidos aos pesquisadores.
3.15. Recursos Financeiros
Os parcos recursos financeiros da RPPN Guarirú são recursos próprios de seu proprietário.
3.16. Formas de Cooperação
Como relatado anteriormente, está em fase de estudo pelo proprietário um Convênio de
Cooperação Técnica entre a RPPN Guarirú e a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. Porém, vale
destacar que a cooperação informal dos pesquisadores da UFRB é irrestrita. Os profissionais da
Instituição estão sempre a disposição do proprietário da RPPN.
Outra parceira já firmada é com o Grupo Ambientalista da Bahia – GAMBÁ. O GAMBÁ, como
informado anteriormente, já reflorestou um hectare de mata ciliar nas imediações da RPPN Guarirú e há
garantia de auxílio no que diz respeito à doação de mudas para a efetivação do Programa Especial de
Recuperação.
É desejo do proprietário firmar a novas parcerias, contanto que as mesmas rendam bons frutos
para a Conservação da Biodiversidade da Serra da Jibóia.
4. Caracterização da Propriedade
A Fazenda Serenidade como todas as propriedades rurais do entorno da Serra da Jibóia, sofreu
cortes rasos em seus fragmentos florestais naturais. Em termos de uso e ocupação dos solos na Fazenda,
encontra-se com apenas uma região de pasto em comodato, no limite da RPPN próximo a Mata
65
Secundária em Estágio Inicial de Regeneração. Este pasto é completamente cercado e não há acesso dos
animais a área da RPPN. Fora esta, nenhuma outra atividade agropecuária é realizada para fins comerciais
da Fazenda. Sendo assim, julga-se que nenhuma atividade realizada promova risco ambiental a RPPN
Guarirú.
A Fazenda Serenidade hoje é parceira fundamental das pesquisas da RPPN Guarirú, pois toda a
infraestrutura de hospedagem e suporte para execução das pesquisas encontra-se em sua área. Destaque
cabe ao fato da energia solar que é utilizada para aquecimento do chuveiro da casa sede e que até dois
anos atrás era a única fonte de energia da Fazenda, porém teve que ser acrescida da energia fornecida pela
concessionária.
5. Caracterização da Área do Entorno
A RPPN Guarirú encontra-se na área de divisa territorial dos municípios de Castro Alves e
Varzedo, os quais fazem parte juntamente com Elísio Medrado, São Miguel das Matas e Santa Terezinha,
do conjunto de municípios que circundam a região da Serra da Jibóia.
O município de Varzedo está situado na microrregião de Santo Antônio de Jesus, a 200km da
capital Salvador (12° 58′ 14″ Sul, 39° 23′ 37″ Oeste). O município possui uma área territorial de 226,794
Km2. Originalmente toda a sua extensão territorial era coberta por Mata Atlântica. Hoje restam apenas
1,918 Km2, o que equivale a menos de 11% de sua mata original (SOS Mata Atlântica/INPE, maio 2009).
O município fica a uma altitude de 158 metros do nível do mar e tem predominância de clima tropical
com estação seca (Classificação climática de Köppen-Geiger: Aw). De acordo com o censo populacional
de 2010, a população residente total é de 9.109 habitantes, sendo que maior parte reside em área rural
(Tabela 9).
Existem 44 escolas no município, distribuídas entre as zonas urbana e rural, além de cinco
estabelecimentos de saúde, todos de administração municipal. A base econômica do município é a
agricultura, com o cultivo de banana, laranja, cacau, mamão, maracujá e coco da Bahia. A indústria, o
comércio, a pecuária com criação de gado, galinha e a produção de carvão e lenha também são atividades
que influenciam na economia do município que teve em 2009 um PIB per capita de R$ 4.209,67.
Na cidade não existem rodoviária, aeroporto e serviços emergenciais como Corpo de Bombeiros,
resgates ou câmbio. Em relação ao transporte, existem linhas de ônibus interurbanos que passam na
cidade, a qual é dividida ao meio pela BR 101. O aeroporto mais próximo fica em Salvador e o Corpo de
Bombeiros pode ser solicitado da cidade de Santo Antônio de Jesus.
Assim como toda a região da Serra da Jibóia, o município de Varzedo fora originalmente povoado
pelos índios Sabujas e Cariris, descendentes dos Tupinambás, os quais entraram em intensos conflitos de
terra com os colonizadores que almejavam crescimento econômico a partir da exploração da região,
66
visada por ser muito promissora para o cultivo.
A divisão administrativa do município de Varzedo é referente ao ano de 1933, sendo que o mesmo
fazia parte do município de Santo Antônio de Jesus com o antigo nome de distrito de Vargem Grande. O
distrito fora elevado à categoria de município com a denominação de Varzedo, pela Lei Estadual n.º
5.002, de 13-06-1989, desmembrando-se do município de Santo Antônio de Jesus e também de Castro
Alves ao qual pertencia o distrito de Taboleiro Castro, instalado em 01-01-1990, que passou a fazer parte
de Varzedo. Portanto, em divisão territorial datada de 1993, o município é constituído de dois distritos:
Varzedo e Taboleiro Castro.
Tabela 9: Descrição de alguns parâmetros sobre a população do município de Varzedo, Bahia, Brasil.
Descrição
Valor
Unidade
População residente – Área urbana
3.364
pessoas
População residente – Área rural
5.745
pessoas
Homens residentes
4.534
habitantes
Mulheres residentes
4.575
habitantes
Grau de escolaridade – alfabetizada
6.510
pessoas
Grau de escolaridade - não-alfabetizada
1.808
pessoas
O município de Castro Alves está situado a 103 Km da capital Salvador (12° 44′ 51″ Sul, 39° 25′
52″ Oeste). Possui uma população de 25.408 pessoas, sendo que maior parte desta reside na zona rural
(Tabela 10) e sua área territorial é de 711,727 Km². Em sua totalidade era originalmente coberto por
vegetação de Mata Atlântica hoje reduzida a cerca de 3,080 Km², o que equivale a menos de 4% da
vegetação original (SOS Mata Atlântica/INPE, maio 2009). Estando a uma altitude de 230 m do nível do
mar, predomina no município o clima tropical com estação seca de acordo com a Classificação climática
de Köppen-Geiger: Aw.
A base econômica é a agricultura, com o cultivo de banana, laranja, coco da Bahia, tangerina,
limão, feijão, mandioca e amendoim. Existem 313 empresas atuantes. O PIB per capita gira em torno de
R$ 4.417,47 por ano. Existem 15 estabelecimentos de saúde em Castro Alves, sendo que destes 11 são de
administração pública, além de 71 estabelecimentos de ensino.
A criação do município de Castro Alves remete ao início do século XVIII, quando a
Sesmaria do Aporá foi desmembrada em duas, uma das quais, doada a João Evangelista de Castro
Tanajura, avô do poeta Antonio Frederico de Castro Alves (Castro Alves). A região ocupada pelos
67
colonos era terra habitada pelos índios Sabujas e Cariris, o que resultou em grandes combates entre
colonos e indígenas. O progresso do povoamento foi influenciado pelo fato da região ser pouso
obrigatório de tropeiros que viajavam de São Félix e de outras localidades do recôncavo para as Minas do
Rio das Contas e estado de Minas Gerais.
A fazenda Curralinho, propriedade da família do poeta Castro Alves, foi o marco inicial de
surgimento da cidade de Castro Alves. Ali foi criada, pela Resolução provincial nº 1334, de 28 de junho
de 1873, a freguesia, sob o nome de Nossa Senhora da Conceição de Curralinho, que mais tarde tornou-se
o Município de Curralinho, desmembrado da cidade de Cachoeira. A sede do município obteve foros de
cidade em virtude da Lei nº 88, de 22 de junho de 1895, passando então a ser denominada Castro Alves,
em homenagem ao ilustre poeta cuja família fora pioneira na construção do município.
Tabela 10: Descrição de alguns parâmetros sobre a população do município de Castro Alves, Bahia,
Brasil.
Descrição
Valor
Unidade
População residente – Área urbana
15.686
Pessoas
População residente – Área rural
9.722
pessoas
Homens residentes
12.268
habitantes
Mulheres residentes
13.140
habitantes
Grau de escolaridade – alfabetizada
18.245
pessoas
Grau de escolaridade - não-alfabetizada
4.291
pessoas
Dados Socioambientais dos Moradores do Entorno da RPPN Guarirú:
Foram realizadas entrevistas com três famílias residentes na região de entorno da Fazenda
Serenidade, contabilizando um total de 19 moradores. Em relação à escolaridade dos moradores
entrevistados, quatro são analfabetos, três não possuem idade escolar e 13 são alfabetizados, sendo que
destes, 10 estudaram somente até a 4º série do ensino fundamental e um cursou até a 8º série. Na região
existem duas escolas, sendo uma de ensino primário e uma de ensino fundamental (1ª a 4ª série). Devido
a dificuldade de deslocamento até a sede do município, a maioria dos moradores encerram os estudos na
4ª série e daí dedicam-se ao trabalho na lavoura.
A fonte principal de renda é o cultivo de mandioca, além do cacau e da banana. A criação de
galinha é voltada somente para consumo próprio e nenhuma família possui criação de gado. Os produtos
68
cultivados geralmente são vendidos na feira livre da cidade de Castro Alves. A mandioca é beneficiada na
casa de farinha existente na propriedade de um dos moradores, a qual é a única casa de farinha manual
que ainda existe na redondeza. Dos moradores entrevistados, apenas três desenvolvem outra atividade
além do trabalho na lavoura, sendo que uma é empregada doméstica e dois são diaristas, realizando
trabalhos nas fazendas da região. Além das atividades descritas, todas as famílias recebem o auxilio do
Programa Bolsa Família, concedido pelo Governo Federal para ajudar as famílias de baixa renda.
Como a região onde os moradores residem é divisa entre os municípios de Castro Alves e
Varzedo, o atendimento básico e as atividades dos moradores se dividem entre os dois municípios, de
modo que a maioria dos habitantes votam na cidade de Castro Alves, mas o auxílio do bolsa família e o
atendimento dos Agentes de Saúde é realizado por meio da Prefeitura do município de Varzedo. O posto
de saúde mais próximo fica na comunidade do Morro, localidade próxima da região da RPPN Guarirú, no
entanto, o hospital mais próximo fica no município de Castro Alves. Segundo relato dos moradores, os
agentes de saúde fazem visitas às casas frequentemente. Existe a dificuldade para deslocamento dos
moradores para a sede dos municípios devido à falta de transporte na região. Para ter acesso a algum tipo
de transporte, os moradores precisam se deslocar a uma distância de 4 Km, trajeto que geralmente é feito
com o auxilio de um animal, principalmente nos dias de feira, quando os produtos cultivados são
transportados até o ponto mais próximo onde pegam um transporte municipal ou alternativo.
6. Possibilidade de Conectividade
Infelizmente até a data de finalização desse plano de manejo, a RPPN Guarirú configura-se como
a única Unidade de Conservação da Serra da Jibóia. Portanto, até o momento, conectividade com outra
Unidade de Conservação não é possível.
No que tange as Áreas de Preservação Permanente e Reserva Legal das propriedades do entorno,
as informações levantadas apontam para a degradação das Áreas de Preservação Permanente, bem como a
inexistência de propriedades no entorno com Reserva Legal averbada. Esperamos que numa próxima
investida do Grupo Ambientalista na região possa, ao menos, mitigar a degradação das Áreas de
Preservação Permanente.
É notório que a RPPN Guarirú apresenta grande conectividade com três propriedades vizinhas
com fragmentos florestais maiores que a própria RPPN e em excelente estado de conservação.
Enxergamos como papel também prioritário da RPPN Guarirú o estímulo à formação de novas RPPN’s e,
aos poucos, ganhando a confiança dos moradores locais, as portas para a criação de novas RPPN’s na
Serra da Jibóia se abrirão.
7. Declaração de Significância
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O Recôncavo Sul Baiano originalmente era coberto por Mata Atlântica, porém atualmente é uma
das regiões com um dos mais baixos percentuais de áreas florestadas do País (Nacif, 2010). Esta situação
alarmante é reflexo de seu povoamento intenso, que vem transformando suas paisagens desde a época do
Brasil Império.
Um relevante maciço serrano desta região que ainda guarda importantes remanescentes de Mata
Atlântica é a Serra da Jibóia, uma região de transição entre a Mata Atlântica e a Caatinga (CarvalhoSobrinho et al. 2005), o que torna a vegetação ainda mais peculiar. É nessa região que se localiza a RPPN
Guarirú.
Em termos de prioridades para conhecimento e conservação, a Serra da Jibóia foi destacada por
Martinelli (2007) em um artigo sobre biodiversidade de montanhas do Brasil como uma região de
extrema importância e salienta a urgência em se realizar inventários biológicos desta área pouco
explorada no que diz respeito a sua biodiversidade. Segundo também o documento “Avaliação e Ações
Prioritárias para a Conservação da Biodiversidade da Mata Atlântica e Campos Sulinos”, do Ministério
do Meio Ambiente em parceria com a Conservation International do Brasil, Fundação SOS Mata
Atlântica, Fundação Biodiversitas, Instituto de Pesquisas Ecológicas, Secretaria do Meio Ambiente do
Estado de São Paulo, SEMAD/Instituto Estadual de Florestas-MG, vemos que a Serra da Jibóia é tida
como uma área ainda desconhecida, mas provavelmente com grande importância biológica (MMA,
2000).
O Corredor Central da Mata Atlântica localiza-se na costa atlântica entre os estados da Bahia e
Espírito Santo, estendendo-se por cerca de 1.200 km no sentido norte-sul (Campanili e Schaffer, 2010). A
Serra da Jibóia está inserida na porção norte do Corredor Central da Mata Atlântica. Os corredores
ecológicos apresentam-se como mecanismo complementar de proteção da biodiversidade que podem
englobar em sua extensão várias unidades de conservação. A Serra da Jibóia é a região dentro do corredor
com o menor número de unidades de conservação e com vegetação menos conhecida.
O relatado nos parágrafos acima, já seria suficiente para declarar a significância da RPPN Guarirú
e seu papel para a conservação da biodiversidade e o Sistema Nacional de Unidades de Conservação
Naturais. Aliado a isso é notório que as caracterizações biótica e abiótica realizadas para a confecção
deste plano de manejo destacaram a presença de espécies raras e ameaçadas de extinção da flora e da
fauna. Além disso, o estado de conservação de quase 50% da área total da RPPN também merece
destaque.
8. Planejamento
8.1. Objetivos Específicos de Manejo
70
Os objetivos específicos do plano de manejo da RPPN Guarirú são relacionados a suas função fim
e motivo de sua criação, que são a conservação dos recursos naturais e o apoio às pesquisas acadêmicas
que contribuam para o conhecimento e a manutenção da biodiversidade, objetivo consonante com o
Artigo n° 21 do Sistema Nacional de Unidades de Conservação de 18 de julho de 2000.
8.2. Zoneamento
O zoneamento ambiental consiste em dividir o território em zonas nas quais são autorizadas
determinadas atividades e interditadas outras (MAZZINI, 2006), de acordo com o que se pretende
desenvolver e as particularidades existentes na unidade de conservação. Segundo Mazzini (2006) é o
plano de manejo que estabelece o zoneamento e as normas que devem disciplinar o uso e a conduta com
os recursos ambientais de uma unidade de conservação.
Na RPPN Guarirú, se pode adotar cinco zonas de zoneamento definidas para uma RPPN,
conforme o Roteiro Metodológico para Elaboração de Plano de Manejo para Reservas Particulares do
Patrimônio Natural (IBAMA, 2004). Essas zonas estão descritas a seguir e apresentadas no mapa da
Figura 28.
8.2.1 Zona Silvestre
A zona Silvestre é caracterizada como a área mais bem preservada dentro da Unidade de
Conservação, destina-se apenas a conservação, como preconiza o Roteiro Metodológico (IBAMA, 2004).
A zona silvestre da RPPN Guarirú é aquela dotada de Floresta Ombrófila Densa Primária (Figura 28).
Será permitido nesta zona somente pesquisa, estudos, monitoramento, proteção e fiscalização.
Não haverá infraestrutura.
8.2.2. Zona de Proteção
Na zona de proteção silvestre temos a Floresta Ombrófila Densa Atlântica secundária e a Mata em
Estado Avançado de Regeneração (Figura 28), pois diante da realidade de perturbação da Serra da Jibóia
essas áreas podem ser consideradas como posto no Roteiro Medodológico (IBAMA, 2004).
Por se tratar de uma área natural e que recebeu grau mínimo de intervenção humana podem
ocorrer pesquisa, estudos, monitoramento, proteção e fiscalização.
Admite-se nessa Zona a visitação de baixo impacto, no entanto, não é objetivo específico de
manejo da RPPN, portanto não haverá visitação nessa zona.
É possível a colocação de infraestrutura nessa zona, desde que voltada para o controle e a
fiscalização da Unidade, no entanto, toda infraestrutura referente a proteção da Unidade será instalada
71
fora da área da RPPN.
72
Figura 28: Mapa de Zoneamento Ambiental da RPPN Guarirú, Varzedo Bahia.
73
8.2.3. Zona de Transição
Faixa de cerca de 25 metros em torno no perímetro da RPPN Guarirú onde as cercas serão
reforçadas, bem como as placas de Instrução alocadas. Apesar da baixa incidência de incêndios, é nessa
zona que um aceiro existe e será recuperado sistematicamente (Figura 28).
Esta zona serve de filtro, faixa de proteção, que absorverá os impactos externos que podem
prejudicar a Unidade.
Visando a proteção da Unidade, a infraestrutura que essa zona receberá será: reforço das cercas ao
longo de seu perímetro, colocação de placas de instrução e recuperação de um aceiro existente. No
entanto, se for necessário, poderá receber outras infraestruturas e serviços referentes a RPPN.
8.2.4. Zona de Recuperação
Dadas as peculiaridades das áreas e dos tipos de distúrbios diferenciados que cada setor sofreu, foi
necessário dividir a zona de recuperação em quatro zonas distintas, pois quatro diferentes programas de
recuperação serão implantados. Maiores detalhes no item Projeto Específico de Restauração Florestal.
Esta zona permite visitação, no entanto, como não é objetivo da Unidade não haverá visitação.
A Zona de Recuperação I passará pelo processo de recuperação espontânea sendo feita verificação
da progressão da regeneração natural por meio da avaliação da progressão dos estágios de regeneração
dispostos nas resoluções CONAMA.
As zonas de recuperação II e III (Figura 28), após uma criteriosa avaliação das medidas de
restauração serão seguidas as orientações do Pacto Pela Restauração da Mata Atlântica. Depois de
avaliadas as medidas mais factíveis de restauração, um projeto de pesquisa será desenvolvido e será
submetido às agências de fomento, ou busca de parcerias com OSCIP’s, para implementá-lo.
Pelas avaliações iniciais já realizadas para a elaboração do Plano de Manejo, é perceptível que
para a Zona de Recuperação II, mata em estado inicial de regeneração, apenas o isolamento dos fatores de
perturbação, como o efetivo cercamento do pasto, pois na atualidade há o escape de animais para essa
zona da RPPN, e a condução da regeneração natural, por meio do coroamento das árvores regenerantes e
combate das gramíneas exóticas são suficientes.
Na Zona de Recuperação IV o problema é a presença dos “Jaqueirais”. Como explicitado no item
relativo ao zoneamento da vegetação, a jaqueira (Artocarpusheterophyllus) é uma exímia competidora
que reduz drasticamente a biodiversidade natural nos fragmentos florestais onde essa espécie caracterizase como uma subespontânea dominante.
Não será utilizado método do corte raso dessas jaqueiras, pois, mesmo que incipiente, a
74
regeneração natural encontra-se presente na área. Avaliações mais rigorosas são necessárias, mas a morte
em pé de grupos de árvores isolados por anelamento parece ser a técnica mais adequada, bem como a
retirada manual do banco de plântulas bastante copioso após a estação de frutificação.
Para a efetivação dessas ações, equipamentos como motosserras e contratação de pessoal de
campo serão necessárias. Pessoal deverá ser treinado para uso da motosserra e esta deverá estar
legalmente registrada no órgão ambiental competente.
Será viabilizado um projeto de pesquisa em parceria com o Laboratório de Anatomia Vegetal da
UFRB e enviado a agências financiadoras na busca de recursos.
NORMA GERAL:
Além das atividades de proteção e recuperação de área, somente será permitido na RPPN Guariru a
PESQUISA CIENTÍFICA, devidamente autorizada pelo SISBIO quando exigível.
8.3. Programas de Manejo
Os Programas de Manejo ditam as atividades que serão desenvolvidas na RPPN e a oportunidade
de implantação do Plano de Manejo. Vale destacar que a execução dos Programas de Manejo são
dependentes da aquisição de recursos, via editais, especialmente os relacionados com o Incentivo ao
estabelecimento de RPPN’s.
8.3.1. Programa de Administração
A administração da RPPN Guarirú é efetuada pelo seu proprietário, que mantém atualizados os
arquivos referentes à RPPN, como documentos, livro de contabilidade da RPPN e acervo das
bibliografias oriundas das pesquisas na RPPN.
Como exposto em itens acima, toda a infraestrutura relacionada à utilização da RPPN para fins de
pesquisa está na área da Fazenda Serenidade. Hoje a casa de pesquisador é suficiente para a equipe do
Plano de Manejo, porém com o aumento esperado de pesquisas na RPPN Guarirú uma casa de
pesquisador será construída isolada da sede e seu croqui inicial está apresentando na figura 29.
75
Figura 29: Ante Projeto da nova Casa do Pesquisador, RPPN Guarirú, Varzedo, Bahia.
76
A casa do pesquisador, a ser construída num prazo mínimo de cinco anos, poderá comportar até
oito pesquisadores por campanha de campo e contará com um depósito, que inexiste na atual casa do
pesquisador. Estimamos o custo da construção de uma casa de 53,30 m2 em R$ 46.900,00. Dado ao fato
das ações necessárias para a efetivação da Casa do Pesquisador serem ainda incipientes, não julgamos
prudente esse item se configurar como um Programa Especial.
Na Zona de Recuperação IV – Jaqueiral se iniciará a retirada paulatina jas jaqueiras, assim que
recursos forem captados.
Será criado e efetivado na RPPN Guarirú um Conselho Consultivo a ser composto pelo
proprietário, na qualidade de presidente do Conselho, com mandatos de dois anos e um membro titular e
um suplente que serão indicados pelas Instituições de Ensino Superior que desenvolvem pesquisa na
RPPN, pelas organizações do terceiro setor (OSCIP’s) e pela comunidade que reside no entorno da
RPPN.
O funcionamento do Conselho Consultivo da RPPN Guarirú será estabelecido por meio de um
estatuto a ser criado e discutido com seus membros fundadores. As funções básicas do Conselho
Consultivo serão a aprovação das pesquisas a serem realizadas no interior da RPPN e a aprovação de
qualquer alteração a ser realizada no Plano de Manejo da RPPN Guarirú.
8.3.2. Programa de Proteção e Fiscalização
A RPPN Guarirú, como contextualizado anteriormente, não dispõe de pessoal. Portanto, as ações
de fiscalização são totalmente dependentes da ação do proprietário e dos pesquisadores que desenvolvem
seus projetos na RPPN Guarirú. Por isso investimento em cercas, aceiros e placas de sinalização será a
prioridade nos próximos três anos, com todo o esforço de captação de recursos direcionado à efetivação
desse Programa de Proteção e Fiscalização.
O perímetro calculado da RPPN Guarirú é de 4.200,00 m. Sendo assim será necessária uma cerca
com estacas de cimento com apenas dois fios de arame liso, para não impedir o trânsito de animais entre
os fragmentos vizinhos. Um aceiro dessa metragem também deve ser recuperado ainda na primeira
metade de 2013, mesmo que os custos incidam sobre o proprietário.
A cargo do proprietário continuará sendo mantida na sede da Fazenda Serenidade uma kit básico
de primeiros socorros. Para salvamentos mais especializados iremos recorrer ao grupamento de
bombeiros na cidade de Santo Antônio de Jesus, a cerca de 50 km da RPPN Guarirú.
77
8.3.3. Programa de Pesquisa e Monitoramento
Não há na atualidade nenhum programa de Pesquisa e Monitoramento para a RPPN Guarirú.
Todas as informações sobre potencialidades de pesquisas e de infraestrutura básica para as mesmas já
foram citadas em itens anteriores.
As normas de conduta das pesquisas na RPPN Guarirú, bem como as formas de elaboração e
entrega de relatórios parciais e finais da pesquisa e o retorno das publicações ao acervo da RPPN Guarirú
serão estabelecidas pelo Conselho Consultivo, no ato de sua efetivação.
8.3.4. Programa de Comunicação
Sob responsabilidade do proprietário será criado um blog da RPPN Guarirú e disponibilizado na
rede mundial de computadores. Neste blog estarão as informações sobre a RPPN Guarirú, cópia do Plano
de Manejo, normas para licença de pesquisa, bem como as publicações oriundas dos projetos
desenvolvidos na RPPN Guarirú.
8.5. Cronograma de Atividades e Custos
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ATIVIDADE
PERÍODO
CUSTO ESTIMADO
Casa do Pesquisador
Até 2017
R$ 46.000,00
Cercamento perimetral
Até 2014
R$ 25.200,00
Placas de Sinalização (10 unidades)
Até 2014
R$ 1.200,00
Aceiro
Até o fim de 2013
R$ 4.000,00
Programa de Restauração
Até 2014
R$ 30.000,00
Até 2016
R$ 12.800,00
Zonas de Recuperação I, II E III
Programa de Restauração
Zona de Recuperação IV
TOTAL
R$ 119.200,00
9. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS e BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
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10. Anexos:
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89
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