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FOTOS: Miguel Serradas Duarte
FOTOS: Miguel Serradas Duarte
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Quinta de São Sebastião
Tradição e modernidade
às portas de Lisboa
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Casas nobres, jardins, lendas e tradições. No Lumiar, a riqueza do património histórico
desperta a curiosidade de conhecer de perto lugares ainda hoje fiéis à sua origem.
A Quinta de São Sebastião, com o seu palacete e envolvente paisagística, é um desses
espaços privilegiados. Um sofisticado condomínio residencial está agora integrado
nos jardins da Quinta, que também foram alvo de um projecto de recuperação.
Manter o equilíbrio visual entre as novas estruturas edificadas, os espaços verdes
e a traça antiga do palacete foi o maior objectivo.
Contextualização histórica
Com uma área total de 19 mil m², a Quinta de São Sebastião, construída no
século XVII, deve o seu nome à proximidade com a Ermida de São Sebastião,
situada no Largo com a mesma designação. Ao longo da história, a propriedade foi pertença de várias famílias, tendo-se desenvolvido significativas obras
de reconstrução e valorização, tanto do palácio como das zonas verdes envolventes. O arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles, um dos nomes mais conceituados no domínio da arquitectura paisagista em Portugal, foi o responsável pelo
estudo das áreas ajardinadas da Quinta nos anos 70.
Pérgula e pavilhão real
Duas construções imponentes
A Quinta reúne, no seu conjunto, um acervo artístico de grande riqueza e
diversidade, sendo peremptório deixar um apontamento especial para a pérgula e para o pavilhão real, enquanto dois dos elementos arquitectónicos mais
singulares. Ao longo de um caminho coberto, a pérgula conduz ao extenso
relvado onde se encontram o lago (artificial) e o pavilhão real. O tecto de arco
abatido ostenta pinturas com motivos vegetalistas, com destaque para a folha de videira enquanto elemento decorativo.
Sensivelmente a meio da sua extensão está uma escadaria de
balaústres em cantaria que conduz ao amplo relvado onde se
situam o lago e o pavilhão real.
O pavilhão real destaca-se pela magnificência das paredes e
tecto totalmente decorados com magníficas pinturas a fresco
realizadas pelo arquitecto A. Basalisa, em 1971. A composição
central é enquadrada em trompe l’oeil (técnica artística com truques de perspectiva que cria uma ilusão óptica ao mostrar algo
que não existe realmente) de colunas, balaustrada e escada-
rias em primeiro plano. Para lá destes elementos arquitectónicos, ganha vida uma paisagem na qual podem ver-se retratados
vários acontecimentos em simultâneo, tais como uma caçada
ou personagens nobres que passeiam pelo jardim.
(Fonte de informação: “Nova Monografia do Lumiar”, editado pela
Junta de Freguesia do Lumiar em 2008)
Empreendimento habitacional
“Quinta de São Sebastião”
Integrado nos jardins da Quinta de São Sebastião, nasceu um
condomínio privado que valoriza a privacidade, o bem-estar e a
segurança. O maior desafio do projecto, desenhado pelo arquitecto João Goes Ferreira, consistiu em garantir o equilíbrio
entre as novas estruturas e os espaços verdes envolventes. Os
29 apartamentos de luxo, divididos em dois edifícios, convivem
assim com o extenso jardim de uma forma harmoniosa, sem
comprometer visualmente a traça antiga do palácio e a matriz
arquitectónica da propriedade. Sofisticados, amplos e confortáveis, com uma vista rasgada sobre os jardins da Quinta, os
apartamentos, de diferentes tipologias, apresentam um desenho contemporâneo, enriquecido pela qualidade e bom gosto
dos acabamentos. Zonas sociais, como uma piscina ao ar livre
e outra coberta e um health-club, complementam o cenário de
luxo e funcionalidade de um empreendimento concebido para
transformar a vivência em Lisboa numa experiência ainda mais
agradável.
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Projecto de integração paisagística
Da autoria da “Entreplanos”, Gabinete de Arquitectura, Urbanismo e Design,
a proposta de integração paisagística da Quinta de São Sebastião consistiu na
recuperação e valorização do quadro paisagístico do jardim, enquadrando-o
nas novas estruturas edificadas. De referir que os trabalhos de modelação
do terreno pressupostos no projecto foram definidos tendo em conta o menor
movimento de terras possível para garantir uma integração equilibrada na
topografia original do terreno.
O primeiro passo consistiu em desenvolver um estudo das reais condições
fitossanitárias da vegetação existente no local para assim serem definidas as
intervenções a realizar na mancha arbórea.
A operação de maior relevo diz respeito à envolvente imediata aos blocos habitacionais, que ocupam a área a norte da Quinta de São Sebastião. Criou-se
um traçado simples, delimitando áreas de acesso e de estada para os residentes. Ao longo do alçado sul, os logradouros, localizados principalmente junto
dos três portões de entrada da Quinta, são delimitados por muros desenhados
em arco que ajudam a definir o terreno e reforçam a sua modelação.
A proposta de integração
paisagística consistiu
na recuperação e valorização
do jardim, enquadrando-o
nas novas estruturas edificadas.
Os trabalhos de modelação
do terreno foram definidos de
forma a garantir uma integração
equilibrada na topografia original
do terreno. Introduziram-se novas
espécies que unificam a imagem
da Quinta e funcionam como
referência visual.
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Foi mantida a maioria dos acessos pedonais e, tendo-se apostado na recuperação dos pavimentos já existentes, a opção manteve-se entre a utilização
de calçado e de saibro, de acordo com a utilidade de cada acesso. Os espaços pavimentados associados aos edifícios de habitação estão perfeitamente
enquadrados nas áreas verdes. Estas apresentam-se sob a forma de árvores
e arbustos que oferecem cor e diversidade ao espaço envolvente e conduzem
o olhar para os pontos de maior interesse.
Sendo o Pavilhão do Parque (pavilhão real) uma das estruturas mais antigas
e características da Quinta, o projecto contemplou a criação de uma zona de
enquadramento que a preservasse do acesso aos apartamentos, quando feito
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pela entrada a sul. Assim, relativamente ao caminho da alameda dos ciprestes, este apresenta-se ampliado na frente do
Pavilhão. Rodeando o lago artificial e a área de relvado, facilita
a circulação e potencia a estada. Optou-se também por estender a ligação deste caminho até ao acesso lateral da pérgula e
área de bosquete.
Introdução de novas espécies e elementos
Uma das principais preocupações na concepção de qualquer
projecto de arquitectura paisagista é a escolha de espécies que
se adaptem às condições edafoclimáticas do local e convivam
O maior desafio do projecto
de arquitectura do condomínio
residencial, desenhado pelo
arquitecto João Goes Ferreira,
consistiu em garantir o equilíbrio
entre as novas estruturas
e os espaços verdes envolventes.
harmoniosamente com os exemplares já existentes. Foram então introduzidas
outras espécies de interesse botânico que contribuem para unificar a imagem
da Quinta e funcionam como referência visual.
Procedeu-se igualmente à recuperação dos elementos de água e da pérgula,
que, pela passagem do tempo e dadas as condições naturais a que esteve
sujeita ao longo dos anos, apresentava um avançado estado de degradação.
Os trabalhos de recupração desenvolvidos permitiram um novo usufruto deste
que é um dos mais carismáticos elementos arquitectónicos da Quinta.
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Manutenção
O projecto contemplou, desde o início, a definição das melhores soluções em termos de manutenção futura do espaço. A
proposta consistiu na integração de um sistema de rega automática, com sensor de chuva, o que permite uma manutenção
mais fácil, económica e sustentável.
A Quinta reúne um acervo artístico de grande riqueza e diversidade. O pavilhão
real destaca-se pela magnificência das paredes e tecto decorados com magníficas
pinturas a fresco em trompe l’oeil, realizadas pelo arquitecto A. Basalisa, em 1971.
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