OPINIÃO
4 — TERÇA-FEIRA, 21 de agosto de 2001
CORREIO DO POVO
O homem da vassoura
Flávio Alcaraz Gomes
ia 19 de agosto de 1961, o presidente Jânio Quadros
condecorou Ernesto “Che” Guevara com a Ordem do
Cruzeiro do Sul. Embora desgostasse os militares, que o
apoiavam abertamente, muitos ali viram um gesto de independência com relação aos Estados Unidos e à sua política anticubana. Eleito com 48% dos votos, Jânio tinha
tomado posse em janeiro, substituindo Juscelino Kubitscheck e levando para Brasília a nossa esperança por moralidade. Sua campanha fora construída com esta proposta: moralização. O jingle sentenciava: “Varre, varre, vassourinha,/ Varre a corrupção”. Sete meses de governo haviam passado e a não ser bobagens incompatíveis com um
presidente (proibição de rinhas de galo, de desfiles com biquíni, etc.), pouco ou nada fez. Nos meios jornalísticos circulava, com preocupação, uma frase sua: “Com esse Congresso não dá para governar”. O que estaria querendo
aprontar o homem da vassoura?
EMPRESA JORNALÍSTICA CALDAS JÚNIOR
D
E-mail: alcaraz@cpovo.net
Aos meus leitores
Maria do Carmo Bueno
empre recebo cartas dos meus leitores sobre o que escrevo neste espaço. Sobre meu último artigo, de
7/8/01, escreveu-me o Darcy Corrêa da Silva, de Estrela (RS), inconformado com a menção que fiz ao corte nas
aposentadorias dos trabalhadores argentinos sem citar
os aposentados brasileiros.
Pois, meu prezado Darcy, a referência que fiz aos argentinos, com base na notícia que então enchia as manchetes dos jornais, vale para todos os aposentados injustiçados, próximos e distantes, brasileiros ou não. Os argentinos, aliás, estão lutando com garra porque lá as coisas ocorreram de forma clara. Aqui no Brasil, tudo se
deu de maneira mais insidiosa e mascarada, o que dificultou a reação. Ela, no entanto, já está acontecendo, inclusive pelas palavras do presidente do Supremo Tribunal Federal, que veio corajosamente a público lembrar o
princípio constitucional da irredutibilidade de vencimentos dos servidores públicos. Se, nos últimos sete anos,
houve uma inflação acumulada de 75%, se os funcionários públicos não tiveram reajuste nesse período, ocorreu
inegavelmente redução de vencimentos. Igualmente perverso é o tratamento dispensado aos aposentados da iniciativa privada. Não poucos passaram a vida descontando para a Previdência sobre 20 salários mínimos e hoje
recebem proventos inferiores a dez salários. De que vale
o mandamento constitucional segundo o qual a lei não
prejudicará o direito adquirido (artigo 5O, XXXVI da
Constituição da República)? O professor Márcio Costa,
da Udesc de Lages (SC), escreve-me lembrando também
os planos Collor, Bresser e as reiteradas ameaças de descontos de Previdência para os aposentados. Numa figura
forte, lembra que, se os fatos continuarem evoluindo,
dentro em breve será revogada a Lei Áurea e que, inspirado em Manuel Bandeira, pretende ir para Passárgada,
não para ser amigo do rei, mas para ser gente.
Ambos têm razão. Lembro com tristeza o que afirmei
sobre a decadência do Estado-Nação, impotente diante
dos organismos internacionais. Precisamos lembrar de
Seattle, Davos, mais recentemente de Gênova, e encontrar meios de influenciar os que decidem, em torno de
uma mesa, os nossos destinos.
www.mariadocarmo.com.br
S
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A questão dos juros
Comitê de Política Monetária está diante de difícil opção, na reunião dessa semana que deve definir a nova taxa básica dos juros. Se aumentar o índice, que hoje está em 19% ao ano, estará indicando ao mercado financeiro que o país caminha, inevitavelmente,
para uma recessão. Se baixar a taxa, colocará em risco – segundo entendem alguns, mas não a maioria dos analistas – a política de controle da inflação, na medida em que ela poderá ultrapassar a casa
dos 6% ao final do ano, superando a margem de dois pontos para cima, estabelecida pela meta, consoante compromisso assumido com
o Fundo Monetário, no acordo em vigor.
A discussão em torno da questão se tornou imperiosa, pois o desempenho do Produto Interno Bruto, medido no segundo trimestre do
ano, assinalando um recuo de 0,99% em relação ao primeiro, tornou
muito claro que a freada da atividade, como também pela repercussão da crise econômica da Argentina e pela escassez de geração de
energia elétrica, motivada pela baixa dos reservatórios de água que
acionam as usinas hidrelétricas, atingindo duramente as regiões
Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste, ressalta os sintomas de recessão
INSTITUTO
ASSOCIAÇÃO
VERIFICADOR
NACIONAL
a curto prazo. Não foi outro o motivo que levou o presidente FernanDE CIRCULAÇÃO
DE JORNAIS
do Henrique Cardoso a manifestar preocupação com o efeito negativo dos juros elevados, ao sugerir que as autoridades monetárias façam sintonia fina na questão da taxa básica, para que se possa DO LEITOR
manter a economia em movimento. É evidente que o Copom não pode Transportes
ignorar a posição do presidente da República, na reunião que definiCom alegria li, no Correio do Povo, um artigo no qual o
rá a nova taxa. Nas últimas cinco reuniões, houve elevação ou manu- secretário dos Transportes refere-se à construção de importante
estrada que ligará a Metade Norte à Metade Sul
tenção do índice que estava sendo praticado.
encurtando distâncias no rumo dos portos de Pelotas e
Esta semana, a expectativa do mercado financeiro é de que o Ban- Rio Grande. Também ouvi, na Rádio Guaíba, que técnicos
co Central mantenha a taxa Selic nos 19% ao ano, retirando a ten- estudam a viabilidade de criar uma hidrovia ligando Porto
a Buenos Aires. Servidor hidroviário inativo, sintodência de alta, mesmo porque, na visão dos técnicos, como expres- Alegre
me na expectativa de ver tais obras concretizadas.
sou o ex-ministro e hoje deputado Delfim Netto, não há nenhuma ra- Joaquim Gonçalves Fialho, Porto Alegre
zão para elevar os juros. Não se descarta, inclusive, a possibilidade Educação
Nos anos 50 e 60, o ensino público tinha qualidade, pode um pequeno recuo no índice da taxa, como parece estar pedindo o
era restrito à classe média. O professor era respeitapresidente Fernando Henrique Cardoso. Quarta-feira, a nova taxa rém
do, tinha ótima formação e autoridade. Nas décadas de 70
será conhecida, quando do encerramento da reunião do Copom.
e 80, o sistema foi ampliado e um número maior de crian-
O
ças passou a freqüentar as escolas. No entanto, não foi
mantido o mesmo padrão. A profissão perdeu prestígio e a
autoridade do professor se deteriorou. Agora tenta-se resgatar a valorização do professor com campanhas e programas na escola além de reavaliar a questão salarial.
Antonio Prates Soares, Palmeira das Missões
AMORIM
Terminal Mauá
Embora não precise dele, cumprimento a prefeitura pela conclusão do Terminal Mauá. Principalmente por um
detalhe: foram inaugurados dois sanitários, diferentemente do Abrigo da Praça Parobé, que está sem sanitários, apesar de terem fechado os sanitários da praça XV.
Unigmolino de Ávila, Porto Alegre
Alcoólicos
O Grupo Ipiranga de AA aguarda a visita de companheiros que tenham problemas com o álcool e queiram parar
de beber. Reuniões às terças e quintas-feiras, às 20h, na
Igreja N. S. do Trabalho, na rua Benno Mentz,1560.
Companheiro Ricardo II, Porto Alegre
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deputada estadual
PANORAMA POLÍTICO / Armando Burd
GUAÍBA
Jornal da Tarde
AM 720 kHz
2ª a 6ª das 16h30min às 17h30min
Governistas aprovam com folga
Em campanha
Crédito
Apartes
1) A aprovação do projeto da nova previdência dos municipários, ontem,
deu-se com margem além do esperado na Câmara de Porto Alegre. Os 28 votos favoráveis e só cinco contra não refletiram o forte embate travado entre
governistas e oposição ao longo do 1O semestre. Prova de que o Montepio dos
Funcionários Municipais não estava tão respaldado como se imaginava.
2) A consulta aos servidores da prefeitura sobre o projeto da nova previdência, proposta pelo vereador Nereu D’Ávila, corre riscos, mesmo que esteja prevista sua realização até 30 dias depois da publicação. O Executivo vai
vetá-la e, ao mesmo tempo, recorrer ao Supremo Tribunal Federal. Isso significa que, mesmo aprovada, não há garantia de que venha a acontecer.
O candidato à presidência nacional do PMDB, Michel Temer, almoçará 6a-feira, em Porto Alegre, com
deputados estaduais e federais.
Convencionais gaúchos receberam
ontem, de Maguito Villela, outro que
concorre, carta pedindo seus votos.
A Assembléia vota hoje emenda
constitucional do deputado José Ivo
Sartori determinando aplicação de
0,5% da receita líquida do Estado
em crédito educativo. Provocará debate com governistas, autores do
projeto da universidade estadual.
Em 2001, daria R$ 20 milhões e o
governo aplicará só R$ 5 milhões.
Observadores da campanha para
presidência do diretório nacional do
PT estão garantindo: haverá 2O turno.
Itamar Franco diz que admite
ser vice em chapa para o Palácio
Planalto. Pois só vendo para crer.
PTB se aproxima do PT na eleição
ao governo de Pernambuco. Lula já foi
ouvido. Falta pouco para o acerto.
Governo quer vigência do novo
Código Civil em 2001 e o Congresso, em 2003. Decisão é previsível.
Dá de tudo em Brasília: deputado
federal Silas Câmara, do Amazonas,
tem 2 carteiras de identidade e CPFs.
Revista editada pela bancada estadual do PT inova, fugindo aos velhos padrões da promoção pessoal.
Goiânia instala microcâmeras nas
principais avenidas para auxiliar policiamento. Quanto a Porto Alegre...
No jornal: “FMI exige déficit zero
por dez anos na Argentina”. Não há
mais espaço para furos no cinto.
Publicitário Carlito Maia apela para humor: “Brasil? Fraude explica”.
E-mail: burd@cpovo.net
Preferido
É muito poder
Para justificar sua discordância
com o voto contrário do PT ao referendo, o vereador José Fortunati citou Norberto Bobbio. Não por acaso, o cientista político cujos livros
Tarso Genro mantém à cabeceira.
Oposição na Assembléia Legislativa quer que próximo conselho da
Agência Estadual de Regulação dos
Serviços Públicos Delegados tenha
representação de todos os segmentos, tanto técnico como político.
O que diz — Trechos de entrevista de Lula aos Diários e Emissoras Associados: “Qualquer outro petista pode ser candidato ao Planalto e perder
a primeira vez. Eu não posso perder mais” (...) “A minha colocação, hoje, é
a de quem está duas voltas à frente do 2O colocado. Só não posso quebrar.
Não posso acelerar demais, não posso derrapar na curva” (...) “O governo
não está morto. Fernando Henrique ainda tem 16 meses de mandato”.
Divisão
Galerias da Câmara de Porto Alegre dividiram-se ontem como se fosse Gre-Nal. De um lado, os CCs querendo aprovar projeto da previdência. De outro, municipários contra.
Tem razão
O vereador Eduardo Viera, de
Santana do Livramento, deixou o
PSDB, na semana passada. Entrará
5a-feira no PFL, ficando muito à vontade. Justifica dizendo que, no plano
nacional, os dois partidos estão unidos. No município também. Entre os
tucanos não encontrou espaço para
concorrer à Assembléia Legislativa.
Entusiasmo
O presidente do Uruguai, Jorge
Battle, declarou-se, na semana passada, entusiasmado com criação da
Universidade Pública Estadual do
RS. Espera assinatura de convênios
com a Universidade de Montevidéu.
Falsificações
O Banco Central da Argentina
avisa que, até 31 deste mês, devem
ser trocadas as notas de 50 e 100
pesos. Motivo é o volume assustador
de falsificações. Novas terão fita
magnética interna de identificação.
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PANORAMA POLÍTICO/ Armando Burd