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Educar para a Emancipação:
a Reorganização da Escola e do Espaço Pedagógico
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O PORTFÓLIO NO ESTÁGIO SUPERVISIONADO
DE LITERATURA: DA TEORIA À PRÁTICA
Suellen Santos Alves
(G–CLCA – UENP/CJ e bolsista PiBIC – Fundação Araucária)
Hiudéa Tempesta Rodrigues Boberg
(Orientadora – CLCA-UENP/CJ)
RESUMO
A comunicação tem a finalidade de divulgar os primeiros resultados sobre a sondagem de
como os estagiários do curso de Letras/Literatura da UENP, do CLCA/campus de
Jacarezinho, efetuam a transposição dos fundamentos teóricos e metodológicos às
propostas de suas práticas pedagógicas a serem desenvolvidas em sala de aula durante a
regência. A sondagem é feita por meio da análise dos registros reflexivos que os alunos
fazem nos portfólios elaborados ao final da sua formação, englobando os planos de aula
e a aplicabilidade de metodologias de ensino.
Palavras-chave:Portfólio. Estágio Supervisionado. Professor reflexivo.
1 Introdução
O presente artigo tem como objetivo tratar do portfólio como prática de reflexão
para o professor, e mostrar ainda os primeiros resultados sobre a sondagem de como os
estagiários do curso de Letras / Literatura da UENP, do CLCA/campus de Jacarezinho,
efetuam a transposição dos fundamentos teóricos e metodológicos às propostas de suas
práticas pedagógicas a serem desenvolvidas em sala de aula durante a regência.
Em seguida, será falado do portfólio como proposta pedagógica, segundo as
ponderações da pesquisadora portuguesa Idália Sá-Chaves, que defende o modelo como
uma nova filosofia de avaliação para o professor.
Logo após, será abordado o conceito de portfólio, mostrando as possíveis origens
da palavra, bem como sua definição.
De maneira breve, será mostrado o histórico da disciplina de Prática de Ensino de
Literatura, do curso de Letras/Literatura, apontando as mudanças que sua ementa tem
passado no decorrer dos anos.
Será relatada ainda, a aplicabilidade desse instrumento reflexivo nas séries finais
do curso, mostrando desde a elaboração do portfólio, até os benefícios obtidos pelo ato
de refletir.
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E por fim, será descrito o desenvolvimento da pesquisa que ainda está em
andamento, e que tem como principal objetivo verificar, por meio dos portfólios
reflexivos, se os alunos quartanistas da UENP têm de fato efetuado a transposição dos
fundamentos teóricos e metodológicos aprendidos durante a graduação em suas
regências e estágios.
2 Necessidade de reflexão sobre o ato de ensinar (professor reflexivo)
benefícios
Nos dias atuais, nos encontramos em momento de grandes complexidades no que
diz respeito ao ensino: ouve-se falar muito em pesquisa-ação, professores reflexivos,
práticas de ensino, metodologias eficazes. Apesar de todos esses assuntos serem de fato
importantes para que as aulas tenham bons resultados, isso ainda tem ficado no campo
teórico. É necessário que se tenha uma atenção maior sobre a formação de professores,
bem como sobre o ato de se refletir sobre sua postura.
O professor de Prática de Ensino tem o papel de provocar o habito da reflexão
sobre a postura a ser exercida em sala de aula, apresentando aos alunos elementos
teórico-metodológicos e recursos pedagógicos apropriados.
Dentro de suas possibilidades o professor deve acompanhar o desenvolvimento
dos alunos durante o período dos estágios e regências, avaliando a postura dos
discentes, a transposição das teorias aprendidas, a escolha das lições, o modo como ele
aborda as os temas ministrados, entre outras.
Nesse percurso, é importante observar quais as teorias que realmente sustentam
o cotidiano escolar, sempre buscando adequar os conceitos ao contexto escolar. Acerca
da formação do professor reflexivo, Isabel Alarcão menciona que:
Os formadores de professores têm uma grande responsabilidade na ajuda
ao desenvolvimento dessa capacidade de pensar autônoma e
sistematicamente. E têm vindo a ser desenvolvidas uma série de
estratégias de grande valor formativo, com algum destaque para a
pesquisa-acção no que concerne à formação de professores em contexto
de trabalho. Penso que a pesquisa-acção, a aprendizagem a partir da
experiência e a formação com base na reflexão têm muitos elementos em
comum. (Alarcão, 2004, p. 46)
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Ser um professor reflexivo liberta-o do comportamento rotineiro. A rotina é algo
muito fácil de seguir, pois o professor pode seguir um livro ou um texto exatamente
como ele propõe. No entanto, essa prática rotineira pode resultar em aulas não muito
produtivas, uma vez que o professor não se preocupou em ajustar a abordagem do texto
de acordo com as reais necessidades de seus alunos.
No momento em que o educador passa a refletir sobre sua prática pedagógica,
começa a agir de maneira deliberada. Assim, ele começa a ensinar não só o que mostra o
texto, mas também faz abordagens de maneira particular, tentando sempre se adequar à
realidade de sua de aula.
Sandra Lee McKay aponta em seu livro O professor reflexivo: guia para
investigação do comportamento em sala de aula, os benefícios de ser um professor
reflexivo:
Ser um professor reflexivo implica levar em consideração várias maneiras
de ensinar uma lição em particular. Decidindo-se por qual dessas
maneiras utilizar, os professores geralmente consideram fatores como o
nível de proficiência dos alunos, seus interesses, os objetivos do currículo
e o tempo disponível para o ensino. Considerar esses fatores ao decidir
como ensinar uma lição geralmente traz resultados satisfatórios. (MCKAY,
2003, p. 9)
Sabemos que cada sala tem realidades diferentes, cada aluno tem seus
conhecimentos empíricos. O professor reflexivo procura analisar o perfil de sua sala de
aula para decidir qual a melhor maneira de ensinar aos seus alunos, considerando fatores
como o conhecimento de mundo dos alunos. Tendo o professor esses cuidados, a aula na
maioria das vezes tem melhores resultados.
3 O portfólio como processo reflexivo (Idália Sá-Chaves)
O portfólio, sem dúvida vem sendo cada vez mais utilizado como objeto de
avaliação de práticas eficientes para o ensino. Ele é utilizado como ferramenta de coleta
de dados e avaliação de ensino/aprendizagem. Nele, é registrado todo o percurso pelo
qual
o
graduando
passou,
as
práticas
e
metodologias
utilizadas,
dificuldades
encontradas, obstáculos vencidos, entre outros elementos.
Os dados coletados podem vir à auxiliar o futuro professor a lidar com os
problemas percebidos dentro da sala de aula, como por exemplo: a maneira como ele
ministrou suas aulas de regência, as dificuldades de interesse dos alunos durante a aula,
o tipo de lição abordada por ele.
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Atualmente, quando se pensa em pesquisa-ação, portfólio reflexivo, formação de
professores, pensa-se sem dúvida em Idália Sá-Chaves, pois a pesquisadora tem grande
destaque quando se trata desses assuntos. Ela é membro do Conselho científico da
Universidade de Aveiro, do conselho pedagógico da Universidade de Aveiro, do Senado
da mesma Universidade, da Sociedade Portuguesa de Ciências da Educação, da
Sociedade Portuguesa dos Autores e da Associação de Jornalistas e Escritores. Publicou
várias obras, entres elas, Professores, eixo de mudança (1989); A construção pela
análise reflexiva de práxis (1995); A qualidade da escola somos nós (1997), entre
outras.
Em uma entrevista concedida à revista Olhar de professor, da Universidade
Estadual de Ponta Grossa (PR), Idália Sá-Chaves afirma que:
O portfólio sendo uma estratégia que concretiza cabalmente esta nova
filosofia [de avaliação] constitui, por isso, uma narrativa de cariz reflexivo,
que dá voz à pessoa do aluno que aprende, na medida da sua autoimplicação no processo e na complexa e múltipla interacção, que a relação
entre aprender e ensinar pressupõem. De um modo sempre inacabado e
intencional o aprendente vai dando conta não apenas dos conteúdos que
medeiam essa interacção, como também dos significados e dos sentidos
que ele mesmo atribui à informação com a qual interage. Por sua vez, o
formador tomando conhecimento da evolução do aluno pode, em tempo
útil, dar informação apropriada, que reencaminhe os processos de
desenvolvimento de cada aluno. (Sá-Chaves, 2011)
Segundo a pesquisadora, o portfólio seria uma nova filosofia de avaliação para o
professor, e uma nova filosofia de formação para o graduando, sendo assim, surge uma
nova compreensão da relação entre aprender e estudar. De modo que o discente tem a
oportunidade de repensar sobre o ensino que lhe é dado, e ainda o modo como ele tem
ministrado suas aulas nas regências e estágios.
Dessa maneira, o aluno, bem como o professor que o avalia, podem ter grandes
percepções, percepções essas que poderão fazer total diferença em sua formação, pois a
partir do momento em que nos autoavaliamos fica mais fácil perceber os pontos que
precisamos mudar ou adequar.
4 Conceito de portfólio
A palavra portfólio pode ter mais de uma origem, como: do italiano, no qual a
palavra é portafóglio e do inglês que é portfolio. No português, a palavra pode ser
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encontrada de duas maneiras: portifólio ou portfólio, ao invés de porta-fólios, que seria a
maneira mais natural na latinização da palavra.
O conceito surgiu na história da arte, denominado como um conjunto de trabalhos
artísticos (pinturas, desenhos, fotografias, etc.). No caso das artes, o portfólio tem o
papel de armazenar as obras já realizadas de um artista, é um instrumento que
possibilita ao artista mostrar as outras pessoas seus trabalhos individuais.
O portfólio define-se como “recipiente onde se guardam folhas soltas” (CEIA,
2011), sendo assim, é uma coletânea de dados, reflexões, experiências, que são
relatados de maneira escrita, como se fosse um diário do graduando. No decorrer dos
estágios e regências, os alunos escrevem todas as suas experiências, sejam elas
satisfatórias ou insatisfatórias. Essa prática possibilita ao próprio aluno analisar o próprio
percurso.
O uso desse instrumento no meu educacional serve como estratégia de autoavaliação do futuro educador, oferecendo-lhe a oportunidade de rever sua postura e
redefinir metas, mostrando quais suas necessidades de mudança, com o intuito de
suscitar reflexões sobre o ensino/aprendizagem.
Ele pode propor ao profissional
vários aspectos da aprendizagem, como
construção de novos conhecimentos, investigação sobre o modo como ele ensina,
autoavaliação, metodologias eficazes, entre outros. Sendo assim, ele pode contribuir
para que o educador melhore sua qualidade profissional.
5 Histórico da disciplina
No final de 2002, percebeu-se a necessidade de mudanças e adequações no curso
de Letras da Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras de Jacarezinho, que
naquela época ainda não era uma instituição unificada.
Era então, o momento de readequar as matrizes curriculares das habilitações, de
rever os conteúdos ministrados pelos professores, e ainda, era o momento de repensar
sobre as práticas pedagógicas e metodologias de ensino.
A partir de 2003, essas mudanças de fato começaram a ser colocadas em prática,
e assim observou-se a necessidade de incluir na grade do curso de Letras/Literatura a
disciplina de Prática de Ensino de Literatura.
Os discentes do curso de Literatura perceberam que deveriam assumir algumas
medidas para tentar mudar o quadro de desinteresse dos alunos de Letras pela literatura
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e leitura, uma vez que grande parte dos professores de Língua Portuguesa da região se
formavam nesta instituição. Com essa percepção, foram criados grupos de pesquisa,
práticas de iniciação científica e eventos anuais, onde alunos e professores têm a
oportunidade de compartilhar suas produções.
As medidas adotadas nasceram da necessidade de melhorar o curso de Letras,
bem como o envolvimento dos alunos com a literatura e a leitura.
A partir de 2006, houve um processo de ajustamento às carências reveladas pelo
curso, no que diz respeito aos estágios, e também ao ambiente escolar. Com base nessas
percepções, foi introduzido o portfólio na ementa de prática de ensino de Literatura e
Língua Portuguesa, com o intuito de auxiliar os estudantes em suas reflexões acerca do
ensino/aprendizagem, concepção e planejamento de aulas, análise de propostas
pedagógicas e metodológicas, entre outras relevâncias.
6 Aplicabilidade do portfólio no curso de Letras /Literatura
Desde que houve a introdução do portfólio como instrumento reflexivo, dentro da
ementa de Prática de Ensino I e II, procurou-se elaborar um modelo de portfólio, sendo
assim, ele foi inspirado nas deliberações de Isabel Alarcão, de Idália Sá-Chaves e de
Carlos Ceia, autores portugueses que são conhecidos por tratarem de temas pertinentes
à educação e formação de professores. Dessa maneira, foi criado um modelo de portfólio
baseado nas ponderações desses autores.
Os portfólios começam a ser elaborados no começo do 4º ano, com o auxílio da
professora
de
Prática
de
Ensino.
A
partir
desse
momento,
os
alunos
tomam
conhecimento do conceito do portfólio, os autores no qual o instrumento foi baseado, o
modo como ele deve ser montado e a importância que o portfólio reflexivo tem dentro da
formação.
O portfólio reflexivo dentro do meio educacional tem o papel de armazenar os
registros que constatam os efeitos do processo de ensino na trajetória acadêmica do
estudante, de modo que faz a recuperação de suas experiências durante os estágios e
aulas de regências. Têm a finalidade de rever posturas, mostrar aos alunos se de fato, as
práticas de ensino utilizadas por eles dentro de sala de aula, têm resultados satisfatórios.
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7 Pesquisa em desenvolvimento
A
pesquisa
a
ser
desenvolvida
tem
como
propósito
dar
continuidade
à
investigação empreendida pela Professora Hiudéa Boberg, em seu projeto de pesquisa
que trata de metodologias de ensino de literatura e propostas pedagógicas para o
professor. Em especial, essa pesquisa tem o objetivo de estudar a realização dos estágios
supervisionados de literatura, por alunos do curso de Letras, do Centro de Letras,
Comunicação e Artes, da UENP/Jacarezinho.
Com a pesquisa, pretende-se averiguar, nesses portfólios, de modo sistemático e
objetivo, se os alunos contemplam, com pertinência, conceitos relacionados aos métodos
de ensino de literatura, como “professor reflexivo”, “horizonte de expectativas”,
“recepção do texto”, “dialogismo”, “transversalidade”, “transdisciplinaridade” e “rizoma”.
A partir das propostas feitas por alunos, nos planos de aula das regências, serão
observados
os
apontamentos
reflexivos
sobre
a
aplicabilidade
delas,
sobre
as
experiências realizadas nos estágios e os resultados colhidos.
O conjunto de informações colhidas trará subsídios aos professores de Prática de
Ensino de Língua Portuguesa e Literatura, que podem servir de parâmetros tanto para
readequação dos conteúdos das disciplinas em questão, quanto para melhorar a
abordagem do aproveitamento dos resultados dos estágios, tendo em vista a formação
mais consistente e coerente dos futuros professores.
Para realização da pesquisa foi necessário, além do conhecimento da bibliografia
básica, tomar ciência dos autores que conceberam as metodologias de ensino de
literatura adotadas na disciplina de Prática de Ensino e Estágio Supervisionado de
Literatura. Estes autores são os teóricos estudados pelos integrantes do Grupo de
Pesquisa Literatura e Ensino, do qual faço parte.
A pesquisa compreendeu, até o momento, a seleção dos portfólios dos alunos do
4º ano de Letras/Literatura, do CLCA/CJ, a elaboração dos instrumentos de apreciação e
a aplicação desses instrumentos na análise dos portfólios.
Os instrumentos de apreciação constituem dois formulários: o primeiro tem o
título “Análise quantitativa de portfólio – Levantamento de dados”, e o segundo, “Análise
qualitativa de portfólio – Interpretação dos dados”. Os dois formulários foram concebidos
com a ajuda da orientadora e da professora da disciplina de Prática de Ensino, já que ela
é uma das docentes interessadas no resultado do levantamento de dados que a pesquisa
proporciona, justamente porque pode rever a sua prática como orientadora dos estágios,
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além de verificar se os elementos teórico-metodológicos estão de fato sendo assimilados
pelos quartanistas.
O levantamento dos primeiros dados resulta da aplicação dos instrumentos de
apreciação, com o propósito de constatar os registros reflexivos dos alunos nos planos de
aula propostos e nos comentários sobre as fichas de avaliação das regências, dentre
outros elementos observados. Até o momento, foi possível apenas a aplicação do
primeiro formulário, conforme será descrito a seguir.
Em uma natureza de trinta portfólios, dez se destacaram, e quatro entre esses
dez se sobressaíram. A professora de Prática de Ensino auxiliou na escolha dos melhores
portfólios,
ou
seja,
daqueles
que
ofereciam
reflexões
mais
substanciosas.
O
levantamento de dados, portanto, se deu a partir desses dez portfólios escolhidos. Para
cada um dos portfólios analisados foi preenchido um formulário.
Com base nos dados colhidos, pude perceber que as metodologias ensinadas no
decorrer da graduação têm grande relevância para que o aluno tenha um norte para
ministrar suas aulas.
Pode ser observado que a elaboração do portfólio dentro do curso é um auxilio
estratégico de autoavaliação, oferecendo-lhe a oportunidade de reflexão sobre seu
ensino, com o intuito de suscitar reflexões sobre o ensino/aprendizagem.
Pode ser notado ainda que os alunos têm algumas dificuldades de manter
coerência entre as propostas que formulam para as suas aulas de regência e os princípios
teórico-metodológicos adotados. As demais análises deverão esclarecer se estas
dificuldades são predominantes no processo reflexivo dos alunos sobre suas práticas
pedagógicas.
8 Considerações Finais
Em suma, compreende-se que o portfólio tem extrema importância para a
formação de futuros professores, auxiliando-o em suas práticas de ensino e seu
autoconhecimento.
Propõe também, ao professor que avalia o aluno, a oportunidade de verificar se as
metodologias e propostas pedagógicas estão de fato sendo assimiladas pelos alunos, e
assim, se esses conteúdos tem tido de fato boas repercussões.
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Pode-se concluir que essa prática de reflexão ajuda o graduando a ter mais
segurança na hora que se depara com possíveis problemas que acontecem com grande
frequência no ambiente de sala de aula, e sendo ele um profissional reflexivo e crítico do
seu próprio trabalho, conseguirá meios para tentar resolver esses possíveis problemas.
9 Referências
ALARCÃO, Isabel. Professores reflexivos em uma escola reflexiva.3. ed. São Paulo,
Cortez, 2004. (Coleção Questões da Nossa Época; 103).
CEIA, Carlos. A construção do porta-fólio da prática pedagógica: um modelo
dinâmico de supervisão e avaliação pedagógicas. Disponível em
www.fcsh.unl.pt/docentes/cceia/Educacao/portafolio.pdf
Acesso em 02/02/2006.
MCKAY, Sadra Lee. O professor reflexivo: guia para investigação do comportamento em
sala de aula. São Paulo, SBS, 2003.
SÁ-CHAVES, Idália. Discutindo sobre portfólios nos processos de formação. Entrevista
com Idália Sá-Chaves. Olhar de professor. Ponta Grossa, 7 (2): 09-17, 2004. Disponível
em www.uepg.br/olhardeprofessor/pdf/revista72_artigo01.pdf
Acesso em 20/02/2006.
Para citar este artigo:
ALVES, Suellen Santos. O portfólio no estágio supervisionado. In: XI CONGRESSO
DE EDUCAÇÃO DO NORTE PIONEIRO Jacarezinho. 2011.Anais...UENP – Universidade
Estadual do Norte do Paraná – Centro de Ciências Humanas e da Educação e Centro de
Letras Comunicação e Artes. Jacarezinho, 2011. ISSN – 18083579. p.539- 547.
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Suellen Santos ALves