UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA ELÉTRICA E
INFORMÁTICA INDUSTRIAL
RITA DE CÁSSIA DE LIMA SILVA
AVALIAÇÃO DO USO DE DETECTORES FINOS PARA A
PRODUÇÃO DE IMAGEM COM FEIXES DE PRÓTONS
DISSERTAÇÃO
CURITIBA
2012
RITA DE CÁSSIA DE LIMA SILVA
AVALIAÇÃO DO USO DE DETECTORES FINOS PARA A
PRODUÇÃO DE IMAGEM COM FEIXES DE PRÓTONS
Dissertação de mestrado apresentada ao
Programa
de
Pós-Graduação
em
Engenharia
Elétrica
e
Informática
Industrial da Universidade Tecnológica
Federal do Paraná como requisito parcial
para obtenção do título de “Mestre em
Ciências” - Área de Concentração:
Engenharia Biomédica.
Orientador: Prof. Dr. Sergei Anatolyevich
Paschuk
Coorientador: Prof. Dr. Valeriy Denyak
CURITIBA
2012
S586
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação
Silva, Rita de Cássia de Lima e
Avaliação do uso de detectores finos para a produção de imagem com feixes de prótons / Rita de Cássia de Lima e Silva. — 2012.
50 f. : il. ; 30 cm
Orientador: Sergei Anatolyevich Paschuk.
Coorientador: Valeriy Denyak.
Dissertação (Mestrado) – Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Programa
de Pós-graduação em Engenharia Elétrica e Informática Industrial. Curitiba, 2012.
Bibliografia: f. 43-46.
1. Detectores. 2. Feixes de prótons. 3. Radiografia. 4. Monte Carlo, Método. 5.
Simulação (Computadores). 6. Engenharia biomédica. 7. Engenharia elétrica –
Dissertações. I. Pachuk, Sergei Anatolyevich, orient. II. Denyak, Valeriy, coorient. III.
Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Programa de Pós-graduação em
Engenharia Elétrica e Informática Industrial. IV. Título.
CDD (22. ed.) 621.3
Biblioteca Central da UTFPR, Campus Curitiba
AGRADECIMENTOS
Quero registrar aqui a minha sincera gratidão a Deus por sua permissão de
mais um sonho realizado. Ao meu esposo, que sempre me apoiou e me encorajou
em todas as etapas. Aos meus colegas de laboratório que deram suas parcelas de
contribuição para o desenvolvimento desse trabalho. Agradeço pela amizade e
companheirismo de todos.
Ao meu orientador Prof. Dr. Sergei Anatolyevich Paschuk e coorientador
Prof. Dr. Valeriy Denyak, pela compreensão e incentivo, o que sem isso não seria
possível chegar até aqui.
Ao Prof. Dr. Hugo Reuters Schelin, que desde a época da faculdade tornouse para mim o principal motivador para a continuidade na área da pesquisa.
À CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior),
pelo apoio financeiro.
RESUMO
SILVA, Rita de Cássia de Lima. Avaliação do uso de detectores finos para a
produção de imagem com feixes de prótons. 2012. 50 f. Dissertação (Mestrado em
Ciências) – Programa de Pós-Graduação em Engenharia e Informática Industrial,
Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Curitiba, 2012.
Desde os primeiros trabalhos propondo o uso dos prótons para a construção da
imagem, a principal vantagem, sobre os raios X, foi esperada como um resultado da
propriedade específica do fluxo de próton em diminuir acentuadamente no fim do
alcance da partícula. Esta ideia foi declarada, porém não foi checada. No presente
trabalho, esta hipótese foi investigada usando simulação Monte Carlo, com o auxílio
do software SRIM-2008, para o caso de um detector que registra pequena parte da
energia de saída do próton (detector fino). Primeiramente, foi determinada a
espessura do detector para a investigação da perda de energia dos prótons em um
objeto de água com 20 cm. Foi estudada a dose absorvida necessária para distinguir
dois objetos de água com espessura de 20 cm e 20,1 cm, como função da energia
inicial. O resultado foi comparado com os dados obtidos por um detector grosso, que
registra energia total de saída. A investigação realizada mostrou que a ideia principal
de se trabalhar no fim de alcance dos prótons para a construção da imagem, não é
correta quando se utiliza detector fino bem como detector grosso. Em geral, os
sistemas de detecção, baseados em medidas de energia total de saída, são
preferíveis àqueles que se baseiam em detectores finos.
Palavras-chave: Dose absorvida. Imagem com próton. Detector fino. Fim do
alcance dos prótons. Dependência de energia.
ABSTRACT
SILVA, Rita de Cássia de Lima. Evaluation about the use of thin detectors for proton
imaging. 2012. 50 f. Dissertação (Mestrado em Ciências) – Programa de PósGraduação em Engenharia e Informática Industrial, Universidade Tecnológica
Federal do Paraná. Curitiba, 2012.
Since the earliest works proposing the use of protons for imaging, the main
advantage of protons over X-rays was expected to be a result of the specific property
of the proton flux dropping off very steeply at the end of the particle range. This idea
was declared but was not checked. In the present work, this assumption was
investigated using the Monte Carlo simulation, with the help of SRIM-2008 software,
for the case of a detector that registers only a small part of the proton exit energy
(thin detector). First, a thickness of such detector was determined for the investigated
water object of 20 cm. Then, it was studied the minimum dose absorbed by an object
that is necessary to distinguish two water objects with the thicknesses of 20 cm and
20.1 cm as a function of the initial energy. The results were compared with the case
of thick detector that registers the total exit energy. The carried out investigation
shows that the principal idea of proton imaging to work near the end of the proton
range is not correct in the case of thin detector as well as for thick one. In general,
detector systems based on the measurement of the total exit energy are preferable to
systems based on thin detectors.
Keywords: Absorbed dose. Proton imaging. Thin detector. End of the proton range.
Energy dependence.
LISTA DE FIGURAS
Figura 1 - Comparação entre raios X e prótons quanto à deposição de dose no
tecido ........................................................................................................ 16
Figura 2 - Janela de entrada do software SRIM-2008 ............................................... 22
Figura 3 - Plataforma TRIM ...................................................................................... 23
Figura 4 - Trajetória de um feixe de prótons dentro de uma camada de água:
simulação feita pelo TRIM ....................................................................... 23
Figura 5 - Espectro de energias de saída do feixe de prótons, após interação
com 20 cm de água: energia inicial 174 MeV .......................................... 26
Figura 6 - Espectro do feixe de prótons de energia inicial 190 MeV, após
interação com 20 cm de água ................................................................. 27
Figura 7 - Esquema do experimento computacional ................................................ 29
Figura 8 - Função
. Energia inicial de 174,4 MeV. ........................................... 32
Figura 9 - Função
. Energia inicial de 174,7 MeV ........................................... 34
Figura 10 - Dependência energética da dose ........................................................... 37
Figura 11 - Espectro típico das energias de saída para a região positiva
de
................................................................................................. 39
Figura 12 - Espectro típico das energias de saída para a região negativa
de
................................................................................................. 39
LISTA DE TABELAS
Tabela 1 - Função
na energia inicial de 174,4 MeV. ....................................... 32
Tabela 2 - Resultados de ajuste de linha reta. .......................................................... 33
Tabela 3 - Função
na energia inicial de 174,7 MeV........................................ 34
Tabela 4 - Resultados das simulações das características de saída dos feixes
de prótons ................................................................................................ 36
LISTA DE SIGLAS E SÍMBOLOS
amu
EMC
eV
CT
GeV
LLUMC
MeV
NIST
pCT
PSTAR
SP
SSD
Atomic Mass Unit
Espalhamento Múltiplo Coulombiano
elétron-volt
Computed Tomography
Giga elétron-volt
Loma Linda University Medical Center
Mega elétron-volt
National Institute of Standards and Technology
Proton Computed Tomography
Stopping Power and Range Tables for Protons
Stopping Power
Silicon Strip Detector
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................... 10
1.1 MOTIVAÇÕES .................................................................................................... 10
1.2 OBJETIVOS ........................................................................................................ 12
1.2.1 Objetivo Geral .................................................................................................. 12
1.2.2 Objetivos Específicos ....................................................................................... 12
1.3 ESTRUTURA DA DISSERTAÇÃO ...................................................................... 13
2 REVISÃO DA LITERATURA ................................................................................. 14
2.1 BREVE HISTÓRICO: RADIOGRAFIA E TOMOGRAFIA COM FEIXE DE
PRÓTONS .......................................................................................................... 14
2.2 INTERAÇÃO DOS PRÓTONS COM A MATÉRIA .............................................. 17
2.2.1 Perda de Energia Média ................................................................................... 17
2.2.2 Variação da Perda de Energia (Straggling) ..................................................... 19
2.3 ESTUDOS ANTERIORES ................................................................................... 20
3 METODOLOGIA .................................................................................................... 22
3.1 MODELAGEM COMPUTACIONAL ..................................................................... 22
3.2 ÁGUA COMO MATERIAL ALVO......................................................................... 24
3.3 ESCOLHA DO MATERIAL E ESPESSURA DO DETECTOR ............................ 25
3.4 ESTUDO SOBRE A PERDA DE ENERGIA E NÚMERO DE PRÓTONS ........... 28
3.5 CÁLCULO DA FUNÇÃO DE DISTRIBUIÇÃO ..................................................... 31
3.5.1 Energia Inicial de 174,4 MeV ............................................................................ 31
3.5.2 Energia Inicial de 174,7 MeV ............................................................................ 34
3.6 CÁLCULO DA DOSE .......................................................................................... 35
4 RESULTADOS E DISCUSSÕES ........................................................................... 36
4.1 ESPESSURA DO DETECTOR .......................................................................... 36
4.2 DEPENDÊNCIA ENERGÉTICA DA DOSE ......................................................... 37
5 CONCLUSÕES ...................................................................................................... 41
5.1 SUGESTÃO PARA TRABALHO FUTURO.......................................................... 42
REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 43
ANEXO A – ARQUIVO DE SAÍDA ........................................................................... 47
ANEXO B – APRESENTAÇÃO E PUBLICAÇÃO .................................................... 50
10
1 INTRODUÇÃO
1.1 MOTIVAÇÕES
As primeiras proposições feitas por Koehler (1968) e posteriormente por
Steward e Koehler (1973), a respeito do uso de prótons para a aquisição de
imagens, revelaram que estas partículas apresentam vantagem em relação aos
raios X, por apresentarem como característica uma mudança brusca do fluxo de
energia do feixe, no fim do alcance dentro de um objeto, fenômeno conhecido como
pico de Bragg. Em experimentos, os pesquisadores observaram que houve uma
significante redução de dose quando se trabalha na região do fim do alcance dos
prótons, utilizando-se para registro das partículas um detector fino, no qual é
absorvida somente pequena porção de energia de saída do feixe. Para se trabalhar
no fim do alcance, é necessário escolher uma energia inicial mínima, a fim de que o
feixe seja suficiente para atravessar o material, na intenção de que a região de maior
mudança do fluxo de energia seja posicionada no sistema de detecção.
O interesse em se estudar e buscar desenvolver um sistema capaz de
construir imagens, pela interação dos prótons com o meio, foi dando espaço aos
avanços
tecnológicos
conquistados
pela
Tomografia
Computadorizada
por
transmissão de raios X, CT da sigla em inglês. Isso porque, na primeira situação, é
preciso um acelerador de partículas, dentre outros dispositivos, que torna sua
execução onerosa. No entanto, com o surgimento de centros especializados no
tratamento tumoral por feixe de prótons e a necessidade de um planejamento
preciso, a comunidade científica retomou seu esforço para o desenvolvimento de um
tomógrafo por transmissão de feixe de prótons, pCT da sigla em inglês
(ZYGMANSKI, 2000). Atualmente, o planejamento para o tratamento do paciente é
feito a partir de imagens de radiografias e CT. Uma vez que os procedimentos da
aquisição da imagem e da terapia envolvem interações físicas diferentes, a
localização do tumor e o cálculo de dose podem não ser tão precisos (EVSEEV et
al., 2004).
11
Para o tratamento, utiliza-se a propriedade do próton em depositar baixa
dose na entrada do corpo e máxima dose no fim de sua trajetória, podendo ser
modulada para coincidir com o local do tumor, de maneira a cobrir todo o seu
volume e, poupar os tecidos adjacentes à ele. Como mencionado anteriormente,
esse fenômeno é conhecida como pico de Bragg e apresenta vantagens quando se
refere ao tratamento tumoral. Contudo, para a obtenção da imagem é preciso avaliar
outras características relacionadas com o processo de interação do próton com a
matéria. Para detectores finos, assim como para grossos, existem dois processos
que podem anular a vantagem da queda acentuada no fluxo de energia do feixe.
Primeiramente, quanto menor for a energia inicial, maior será a perda de energia do
próton dentro do objeto. E, com a diminuição da energia inicial do feixe, maior será a
variação da perda energética (Straggling). Dessa maneira, o número de prótons
deverá ser maior, a fim de estimar a perda de energia dentro do detector fino.
Diante desta problemática, qual seria o valor da energia inicial para
considerá-la como a mínima possível? Quão grande deve ser a região de energias
iniciais onde a vantagem dos prótons sobre os raios X pode ser esperada? Estas
perguntas estavam sem respostas até agora, principalmente por causa da ausência
de equações matemáticas para calcular a perda da energia do próton e a
complexidade de investigação experimental nessa região de energia. Com o
desenvolvimento dos códigos computacionais Monte Carlo, assim como GEANT e
SRIM os quais modelam a interação da partícula com a matéria, é possível estudar
os eventos próximos do fim do alcance do próton.
Nesse estágio, é importante considerar a energia inicial do feixe levando em
consideração fatores específicos, assim como dose mínima de radiação e tamanho
e densidade do objeto.
12
1.2 OBJETIVOS
1.2.1 Objetivo Geral
O presente trabalho tem por objetivo geral, determinar a dependência da
dose absorvida necessária para detectar a diferença entre dois objetos de 20 e
20,1 cm, em relação à energia inicial do feixe de próton, registrando-os por um
detector fino. Além disso, comparar os resultados com os dados obtidos por um
detector grosso, adquiridos em trabalhos anteriores.
1.2.2 Objetivos Específicos
Ainda, como objetivos específicos este trabalho visa:

Através do código Monte Carlo, SRIM-2008 (Stopping and Range of Ions in
Matter), determinar uma fina espessura para um detector, já que este conceito
é relativo e depende da energia inicial dos prótons, da espessura do objeto,
dos materiais que o compõem e do próprio material do detector.

Utilizando o SRIM-2008, executar a modelagem das perdas de energia dos
prótons no detector fino, ao atravessarem objetos de 20 e 20,1 cm de água,
na região das energias iniciais de 170 a 200 MeV com 200.000 partículas
para cada simulação.

Utilizando a linguagem de programação FORTRAN (Formula Translation),
calcular para cada energia inicial a dose mínima que seja preciso depositar no
objeto, para detectar a diferença entre 20 e 20,1 cm de água.
13
1.3 ESTRUTURA DA DISSERTAÇÃO
A dissertação está organizada em cinco seções, as quais são descritas a
seguir:
Na seção 1, é apresentada a introdução com as motivações e justificativas
do trabalho, bem como seus objetivos.
Na seção 2, uma revisão da literatura é introduzida com um breve histórico
sobre os primeiros experimentos referentes à aquisição de imagem pela interação
dos prótons com a matéria, além de uma resumida abordagem física.
Na seção 3, é apresentada a metodologia empregada para a escolha da
espessura do detector, o estudo referente à perda de energia e número de prótons
necessário para diferenciar duas espessuras de mesmo material, e as equações
utilizadas para esse propósito.
Na seção 4, são apresentados os resultados obtidos através das simulações
feitas pelo software SRIM-2008 e evidenciado o perfil da dose registrada pelo
detector fino.
Por fim, as conclusões são apresentadas na seção 5, juntamente com uma
proposta para trabalhos futuros.
14
2 REVISÃO DA LITERATURA
2.1 BREVE HISTÓRICO: RADIOGRAFIA E TOMOGRAFIA COM FEIXE DE
PRÓTONS
As primeiras investigações sobre a viabilidade da aquisição de imagem por
feixes de prótons foram realizadas na década de 60 por Cormack (1963). Neste
trabalho, o autor discutiu os problemas matemáticos ligadas com a utilização dos
prótons, comparando-os com raios X e pósitrons.
Primeiramente, foi a radiografia por feixes de prótons que abriu
possibilidades para os estudos referentes à pCT. Koehler (1968) provou que o uso
de material alvo com espessura igual ao alcance dos prótons, com a região de maior
liberação de dose posicionada fora do objeto, pode fornecer imagens com melhor
qualidade, comparadas com as obtidas por feixes de raios X. Em seu trabalho,
adicionou a uma pilha de absorvedores de alumínio com 18 g/cm2 de espessura
total, na profundidade de 9 g/cm2, outro absorvedor, de mesmo material e formato
diferente, com 0,035 g/cm2 de espessura e irradiou-os com um feixe de prótons.
Como detector, um filme fotográfico foi colocado na região do fim do alcance das
partículas e pôde registrar o ótimo contraste produzido, porém evidenciando pobre
resolução espacial.
Considerando que o principal e atual objetivo é obter imagens de regiões
anatômicas do corpo humano, a partir de 1968 as sequentes pesquisas objetivaram
estudar a viabilidade de visualizar a fronteira entre os tecidos humanos, já que para
a sua maioria a diferença entre as características mais importantes como densidade,
razão entre número atômico/massa (Z/A) e potencial de ionização não ultrapassa
10%. Elementos de Z relativamente baixo, como é o caso dos tecidos humanos,
apresentam uma relação Z/A aproximadamente 0,5 e elementos com Z elevados,
aproximadamente 0,4. A exceção é o hidrogênio que possui Z/A = 1 (PODGORSAK,
2005, p. 5). Nesse sentido, logo após a data em questão, Steward e Koehler (1973),
obtiveram com um feixe de energia de 160 MeV, uma imagem de um espécime de
cérebro humano o qual possuía glioblastoma multiforme, cuja densidade é
15
levemente maior comparada às demais estruturas cerebrais. Utilizaram um filme
Polaróide e o posicionaram sob a peça anatômica, coincidindo com o pico de Bragg.
Com esta técnica, os autores confirmaram que aproveitando o fenômeno com o qual
as partículas carregadas pesadas, especialmente os prótons, depositam sua maior
dose no fim da trajetória dentro da matéria, é possível obter imagens de alto
contraste e distinção de estruturas adjacentes de até 0,01 g/cm 2, consideravelmente
superiores aquelas obtidas por radiografias com feixes de raios X.
A tomografia por feixes de prótons também despertou o interesse dos
pesquisadores. Phantons e demais equipamentos simples foram empregados nos
experimentos de Cormack e Koehler (1976) no qual mostram que a pCT pode
evidenciar estruturas de baixo contraste, irradiando soluções de açúcar com uma
diferença de densidade de 0,5 % em relação à água.
Outros trabalhos seguiram com o intuito de comparar as técnicas de
obtenção de imagem por transmissão de raios X e por transmissão de prótons.
Diferentemente da interação dos fótons com a matéria, em que é mensurada a
perda de intensidade do feixe, a interação dos prótons é medida pela perda de
energia das partículas. A fim de estabelecer uma comparação entre os dois
métodos, Hanson e colegas (1978, 1979, 1981), em experimento, investigaram os
resultados obtidos pelas imagens de CT por transmissão de raios X e por
transmissão de prótons e concluíram que o último método pode ser aplicado com
significantes resoluções em densidades à dose menores.
Com o desenvolvimento da CT de primeira para a quinta geração e com a
agregação de novas tecnologias, as pesquisas referentes à pCT estagnaram
principalmente por considerar que sua possível implementação seria dispendiosa,
pois para isso é necessário a instalação de um acelerador de partículas que forneça
energia para as mesmas em torno de 300 MeV (ASSIS et al., 2005). Contudo, com a
instalação de centros de tratamento do câncer com feixes de prótons, sendo o
primeiro a ser instalado o Centro Médico da Universidade de Loma Linda (LLUMC)
nos Estados Unidos, em 1990, o interesse pelas pesquisas foi retomado
(ZYGMANSKI, 2000).
O emprego dos prótons para propósitos médicos, foi motivado pelo doutor
Robert R. Wilson, com início em 1946. Ele analisou os estudos de William H. Bragg,
o qual descreveu primeiramente a curva característica, batizada com seu sobrenome
16
(CHAU; CHOU, 2009). Wilson concluiu que a propriedade dessas partículas poderia
ser aproveitada para o tratamento do câncer. É importante salientar que, a terapia
por feixe de prótons é indicada para tumores bem localizados, como o câncer de
próstata por exemplo. A eficiência biológica da distribuição de dose pelo próton é
superior à liberada pela radioterapia com raios X. Isso confere maior energia
depositada no fim do alcance da partícula em que, após isto, a energia diminui de
90% para 20% dentro de poucos milímetros (SCHULTE et al., 2005). Assim, através
de modulações em energia, todo o volume tumoral pode ser coberto e, além disso,
os tecidos sadios adjacentes são poupados. A Figura 1 apresenta a característica
do pico de Bragg em relação à liberação de dose pelos fótons de raios X.
Figura 1 - Comparação entre raios X e prótons quanto
à deposição de dose no tecido.
Fonte: Adaptado de KOCK; MULLER, 2010.
Como podem ser observados, para as energias apresentadas na Figura 1,
os fótons de raios X depositam a máxima dose após poucos milímetros da superfície
enquanto que os prótons, após alguns centímetros.
Assim como para a radioterapia, para a terapia com próton o planejamento é
guiado por imagens radiográficas e por CT, o que torna a localização da massa
tumoral imprecisa, considerando que os dois processos, planejamento e tratamento
envolvem interações físicas diferentes (EVSEEV et al., 2004).
17
Pela necessidade de imagens precisas para o planejamento do tratamento,
alguns grupos de pesquisas estão se empenhando na criação de equipamentos para
a aquisição de radiografias por feixes de prótons (SCHNEIDER; PEDRONI, 1995).
Ademais, vários cientistas estão em fase de estudos com o intuito de construir um
tomógrafo que empregue as partículas utilizadas para o tratamento para a formação
da imagem, a fim de tornar todo o procedimento mais preciso.
2.2 INTERAÇÃO DOS PRÓTONS COM A MATÉRIA
Prótons e raios X interagem com a matéria de maneira diferente. A partícula
em questão perde grande parte de sua energia através de colisões elásticas com os
elétrons de órbitas externas do átomo, provocando excitações e ionizações. Ao
atravessarem o material, os prótons sofrem deflexões em sua trajetória original,
provocadas pelo Espalhamento Múltiplo Coulombiano (EMC) a baixo ângulo. Este
fenômeno, na faixa de energia usada para os experimentos relacionados à pCT,
contribui pouco para a perda de energia das partículas incidentes. Além disso, nas
mesmas condições, os prótons podem sofrer interações nucleares o que não
contribui para a imagem, mas aumenta a dose local.
Como esses fenômenos
ocorrem aleatoriamente, a quantidade de perda de energia e desvios das partículas
são estimados estatisticamente. De um modo geral, a variação da perda de energia,
conhecida pelo termo Straggling é o fator limitante da resolução em densidade nas
imagens obtidas pela interação de prótons com o meio e, o EMC é o fator limitante
para a resolução espacial (SHULTE et al., 2005).
2.2.1 Perda de Energia Média
Neste tópico, tomaremos como base as explicações de Li et al. (2003) e
Shulte et al. (2005) para apresentar as principais equações matemáticas e seus
significados.
18
Como mencionado anteriormente, a partícula carregada pesada perde
energia quando atravessa um material. E, em sua maioria, são as ionizações e as
excitações provocadas pela partícula ao átomo do meio que ocasionam o déficit
energético. A grandeza conhecida como SP (Stopping Power) representa a taxa da
perda de energia, por unidade de trajetória percorrida pela partícula e, é dada pela
equação de Bethe-Bloch:
(1)
Em que
do próton,
é a densidade eletrônica volumétrica,
é a localização espacial
é o potencial de ionização médio do meio e
é a energia do
próton.
O termo
é o SP definido como:
(2)
A constante
,
é a velocidade relativa à velocidade da luz
é a energia de repouso do elétron e
.
é considerado, para o propósito da pCT, igual ao valor encontrado para
a água em que
, pois o potencial de ionização médio para os tecidos
do corpo humano varia pouco em relação à água e, por isso, tornam-se compatíveis.
Assim,
depende apenas da variação de energia, podendo ser integrada da
seguinte forma:
(3)
19
A letra
final
representa a espessura do meio e pode ser resolvida pela energia
.
2.2.2 Variação da Perda de Energia (Straggling)
A dissipação da energia do próton dentro do material
acontece
estatisticamente. De acordo com Schulte et al. (2005) e Penfold (2010), quando a
perda de energia não ultrapassa 20% da energia inicial, mas é alta o bastante de
modo que possa ser aplicado o teorema do limite central, a teoria de Bohr pode ser
empregada para o cálculo da variância da perda de energia dentro da matéria
(BOHR, 1948).
Considerando prótons relativísticos atravessando um objeto de
espessura , a distribuição da energia pode ser descrita pela teoria de Bohr:
(4)
Em que
é a energia média em relação a energia inicial dos prótons
, após atravessarem uma espessura
do objeto. E a distribuição assume o
formato de uma gaussiana.
Para a energia final que excede a 20% da energia inicial, a distribuição de
energia apresenta um longo pico que caracteriza a perda máxima, não configurando
uma curva de Gauss. Assim, a estimativa da variância da perda da energia da
partícula deve ser obtida por outro método. A teoria descrita por Tschalar pode
expressar melhor essa situação (TSCHALAR, 1968):
(5)
20
Onde,
(6)
Na equação 5, o termo
anteriormente na equação 2 por
representa o SP, apresentado
.
2.3 ESTUDOS ANTERIORES
Em seus primeiros experimentos referentes à radiografia e tomografia com
prótons, Hanson (1978) já investigava a dependência de dose absorvida pelo objeto,
em relação à energia inicial do feixe de próton. Em seu trabalho, os cálculos
analíticos foram usados estudando a resposta do detector grosso que registra toda
energia de saída do próton.
Depois do renascimento do interesse nesse assunto, os cálculos foram
repetidos por Schulte et al. (2005). Os resultados dos dois estudos mostraram que a
melhor faixa de energia inicial, levando em consideração a dose depositada no
objeto, encontra-se no fim do alcance dos prótons e com o aumento da energia
inicial a dose cresce significativamente.
Tendo em vista que as fórmulas analíticas não fornecem resultados corretos
perto do fim do alcance, o estudo foi repetido com modelagem computacional
utilizando o software SRIM (DENYAK et al., 2006; ROCHA, 2007). Esta investigação
mostrou que a diferença entre os cálculos analíticos e a modelagem computacional
é grande. A modelagem não comprovou a queda brusca da dose na região do fim do
alcance. Pelo contrário, nessa área a dose cresce significativamente com a
diminuição da energia.
Os trabalhos de Denyak et al. (2011) e de Denyak, Paschuk e Schelin (2011)
feitos com as fórmulas mais sofisticadas e a modelagem de melhor estatística
provaram as conclusões anteriores. Quando se trabalha na região do fim do alcance
21
dos prótons, portanto, com energias iniciais baixas, mas o suficiente para atravessar
um objeto, a dose absorvida aumenta. Assim, a resolução em densidade obtida na
região do pico de Bragg é minimizada pelo efeito Straggling, o que exige um
aumento do número das partículas do feixe. Os resultados conclusivos dos trabalhos
mencionados foram que, na região do fim do alcance das partículas, a dose
aumenta consideravelmente, enquanto que longe dessa região a dose praticamente
não depende da energia inicial.
Como continuação da investigação, o presente trabalho visa estudar a
mesma questão usando o método proposto por Denyak et al. (2011) considerando
para registro de dados um detector fino de silício e, compará-los aqueles obtidos
com detector grosso.
22
3 METODOLOGIA
3.1 MODELAGEM COMPUTACIONAL
O computador utilizado para as simulações foi um Intel ® CoreTM i3. O tempo
de processamento para cada simulação foi de aproximadamente sete horas. Este
tempo variou para mais ou para menos de acordo com a energia inicial utilizada,
considerando que o número de prótons foi mantido fixo, em torno de 200 mil.
Para obter a energia de saída dos prótons, foi utilizado o software SRIM2008, obtido gratuitamente no site de seus desenvolvedores (www.srim.org). Nele é
possível modelar interações de vários íons com energia inicial de 10 eV a 2
GeV/amu com diferentes materiais. A Figura 2 apresenta a janela de entrada desse
programa, onde são encontrados opções de cálculos.
Figura 2- Janela de entrada do software SRIM-2008.
Para o propósito do presente trabalho, foi utilizada a opção TRIM
Calculation. O TRIM é uma plataforma dentro do SRIM que possui bibliotecas com
variadas substâncias, íons e partículas além de possibilitar a seleção da energia
inicial desejada, a quantidade de partículas e espessura dos materiais. O TRIM
23
permite apenas que as substâncias sejam dispostas em camadas paralelas, não
sendo possível construir geometrias complexas. A Figura 3 apresenta a interface da
plataforma TRIM.
Figura 3 – Plataforma TRIM.
A Figura 4 mostra um exemplo de uma simulação da interação do feixe
dentro de uma camada de água, feita pelo TRIM.
Figura 4 – Trajetória de um feixe de prótons dentro
de uma camada de água: simulação feita pelo TRIM.
24
Ao final do processo, o programa fornece um arquivo de saída no formato
.txt (Anexo A), contendo informações de saída de cada partícula que foi modelada,
assim como energia final, coordenadas e angulações. Dentre estes conjuntos de
dados, somente a energia final foi relevante para o presente trabalho.
3.2 ÁGUA COMO MATERIAL ALVO
A perda de energia dos prótons dentro de um objeto depende de sua
densidade, razão da massa por número atômico e energia de excitação. Essas
características são próximas as da água (ICRU Report 44,1989). De acordo com
Guyton e Hall (2006, p. 293) o corpo de um humano adulto com um peso médio de
70 kg (quilogramas), possui cerca de 60% de água, aproximadamente 42 litros. Para
simplificar, o objeto de estudo foi escolhido com uma espessura de 20 cm, com uma
densidade equivalente à água.
A questão do comprimento e densidade do objeto, não é muito importante do
ponto de vista da passagem dos prótons através da matéria. O comprimento ou a
densidade muda somente a energia mínima da partícula. Portanto, esses
parâmetros devem ser escolhidos aproximadamente iguais àqueles usados na
medicina. Neste caso, a espessura de 20 cm simula o diâmetro médio de um crânio
humano.
A resolução em densidade deve ser maior que 0,01 g/cm 2 ou 1% (ICRU
Report 44,1989). E, de acordo com Schulte et al. (2004) e Schneider e Pedroni
(1995), a resolução espacial requerida para os propósitos médicos precisa ser de
pelo menos 0,1 cm. Neste contexto, no trabalho de Denyak (2011) foi considerado
que para a densidade da água (1 g/cm3) seria necessário fazer a distinção da perda
de energia dos prótons passando entre as espessuras de 20,001 g/cm2 e 20 g/cm2.
Na prática, esta diferença serve como um ponto de referência. Ocorre uma mudança
no valor absoluto da dose, porém não afeta sua dependência em energia.
Entretanto, considerando que a distinção entre as duas medidas é muito pequena,
seria necessário uma quantidade muito grande de partículas para a simulação, o
que refletiria num tempo de aproximadamente um mês para a conclusão. Sendo
25
assim, os pesquisadores decidiram obter a diferença entre 20,01 g/cm 2 - 20 g/cm2 e
20,1 g/cm2 - 20 g/cm2. O comportamento da curva da dose não é alterado. Tais
mudanças em espessura não afetam a dependência em energia da dose. O valor
absoluto da dose diminui nesses dois últimos casos, uma vez que é necessário um
número menor de partículas para a simulação.
Vale destacar que, no trabalho de Denyak (2011) os dados foram obtidos por
detector do tipo grosso. No presente trabalho, foi assumida a investigação das
diferenças entre as espessuras de 20,1 g/cm 2 e 20 g/cm2 cujos dados foram
registrados por detector do tipo fino.
3.3 ESCOLHA DO MATERIAL E ESPESSURA DO DETECTOR
Primeiramente, foi preciso escolher o material do detector. A construção
moderna do equipamento pCT exige não somente a medição da energia de saída do
próton, mas, também suas coordenadas (SCHULTE et al., 2004). Entre os modernos
detectores de coordenada se destaca o SSD (Silicon Strip Detector) construído a
base de silício. Por isso chegou-se a conclusão que o silício (Si) seria mais
adequado, já que é bastante empregado atualmente e por ser relativamente barato.
O próximo passo, portanto, seria investigar qual a espessura que pudesse
ser considerada fina para tal detector. Para tanto, foi escolhido um feixe com 10.000
prótons.
O conceito detector fino e grosso é relativo e depende da energia do feixe de
saída dos prótons. Teoricamente, um detector grosso é aquele que registra qualquer
energia de saída. Na prática, a distribuição de energia dos prótons deixando um
objeto tem forma de uma gaussiana e, assim, não apresenta uma energia máxima.
Como uma aproximação, um detector pode ser chamado grosso quando ele tem a
capacidade de registrar a maior parte das energias de saída dos prótons. No
presente trabalho, foi considerado como detector grosso quando este apresentou a
capacidade de registrar a energia de saída igual ao valor médio da distribuição de
Gauss (Emáx) mais dois desvios padrões (σ). Foi considerado, portanto, que um
detector fino poderia ter uma espessura, pelo menos, dez vezes menor.
26
A região chamada fim do alcance dos prótons inicia aproximadamente
quando a energia do máximo da distribuição de Gauss torna-se menor que dois
desvios padrões. Para tais energias iniciais, alguns prótons não saem do objeto e
isso ocorre devido ao inicio da queda do fluxo de energia do próton. Para a
espessura de 20 cm de água, essa energia é de aproximadamente 175 MeV.
Foram feitas simulações computacionais para prótons com energia inicial de
174 MeV. O exemplo do espectro de energia gerado pelo programa OriginPro7.5 a
partir dos dados obtidos do software SRIM-2008, é apresentado na Figura 5.
Figura 5 - Espectro de energias de saída do feixe de prótons,
após interação com 20 cm de água: energia inicial 174 MeV.
Conforme explicado anteriormente, os primeiros valores são coletados logo
após o ponto zero das coordenadas, o que significa que alguns prótons não saíram
do material, porém, os que foram detectados configuram o espectro do fim do
alcance dos prótons ou pico de Bragg, que ficou posicionado fora da camada de
água, logo após a trajetória.
Os prótons, inicialmente monocromáticos, formam uma distribuição de
energia do tipo Gauss após saírem do objeto. Isto significa que não existe um valor
exato de energia que pode ser considerado dentro do intervalo do fim do alcance.
Do ponto de vista do gráfico de distribuição das energias finais (Figura 5), este
intervalo começa quando o primeiro próton sai do objeto e o primeiro ponto aparece
27
no gráfico. O fim deste intervalo se dá quando todos os prótons saem do objeto e, no
gráfico, aparece uma distribuição do tipo Gauss, pouco afastada do eixo Y.
Cabe ressaltar que quando se rotula um detector de fino ou de grosso é
preciso incluir um referencial, uma vez que essa noção é relativa. No contexto da
presente pesquisa, a referência é a distância entre o pico da distribuição de energia
final e o começo do sistema das coordenadas. Quando a distância entre o máximo
da gaussiana e o ponto 0 do eixo X é igual a dois desvios padrões, a probabilidade
de que o próton não saiu do objeto é menor que 5%. Por isso, a largura da
distribuição pode ser tratada como um ponto da referência. Se o objetivo é registrar
a energia total, a partir dessas informações, calcula-se uma espessura de detector
razoavelmente larga para incluir todo o espectro. Contudo, se o que se deseja
registrar é apenas parte da energia desse espectro, a espessura deve ser, pelo
menos, dez vezes menor. Entretanto, essa largura não é uma constante. Ela
depende da energia final dos prótons e da espessura do objeto irradiado.
Em nível de comparação, uma nova simulação foi realizada, desta vez,
selecionando uma energia inicial de 190 MeV e um novo espectro foi gerado – ver
Figura 6.
Figura 6 - Espectro do feixe de prótons de energia inicial
190 MeV, após interação com 20 cm de água.
28
Os gráficos apresentados fornecem informações importantes a respeito da
espessura do detector de Si. Levando em conta que o objetivo foi registrar a perda
de energia dos prótons na região do pico de Bragg, ou seja, no fim do alcance,
diferentemente do primeiro gráfico, na Figura 6 percebe-se que a gaussiana ficou
muito distante dos eixos das coordenadas e isso dá a ideia de que o pico seria
localizado fora do detector. A energia de 190 MeV, sem dúvidas, está fora do
intervalo requerido, considerando a espessura da camada de água de 20 cm. Entre
a gaussiana e o começo do sistema das coordenadas, há uma grande área onde a
frequência de ocorrência de prótons é bem baixa, aproximadamente zero.
Para estimar a espessura de um detector fino a partir da região próxima do
fim do alcance, a espessura de um detector grosso foi determinado a partir das
energias iniciais (Ein) compreendidas entre 171 MeV-174 MeV. As distribuições das
energias de saídas foram construídas com o auxílio do software OriginPro 7.5 e
aproximadas com as funções de Gauss.
O alcance do próton (RSi) no Si, para uma energia igual a Emax+2, foi
calculado com base em tabelas fornecidas no site do NIST (National Institute of
Standards and Technology) em sua plataforma PSTAR (Stopping Power and Range
Tables for Protons), onde selecionando o íon e a energia desejada, é gerada uma
tabela com dados de alcance destes íons dentro do material, apresentados em
g/cm2. Como o interesse foi investigar a espessura do detector de Si que poderia ser
considerada fina, foi feita a conversão de g/cm2 para cm, simplesmente dividindo o
valor encontrado na tabela PSTAR pela densidade volumétrica do Si que é 2,33
g/cm3.
3.4 ESTUDO SOBRE A PERDA DE ENERGIA E NÚMERO DE PRÓTONS
Como mencionado anteriormente, a água foi escolhida por se tratar de uma
substância abundante no corpo humano. O esquema do experimento computacional
é mostrado no esquema da Figura 7.
29
Figura 7 – Esquema do experimento computacional.
A essência do método utilizado é determinar o mínimo número de prótons
que é requerido para distinguir duas espessuras de água, como feito nos trabalhos
de Denyak et al. (2011) e Denyak, Paschuk e Schelin (2011).
Com o objetivo de estudar a perda de energia dentro do detector e investigar
a quantidade de prótons necessária para resolver diferenças mínimas de espessuras
entre duas estruturas, dentro do código de simulação foram selecionadas camadas
de água com espessuras de 20 cm e 20,1 cm. Com um ângulo de incidência de zero
graus em relação ao alvo, os feixes de prótons, para cada simulação, obtiveram
energias iniciais de 170 MeV a 200 MeV.
Para cada energia inicial, os dados almejados foram inseridos na plataforma
TRIM na qual se encontra opções para a realização dos cálculos. Como inicialmente
o objetivo era simular a interação das partículas com o material, foi selecionada a
opção “Ion Distribution and Quick Calculation of Damage”. Para obter um feixe em
torno de 200.000 prótons, para cada espessura da camada de água realizou-se
duas simulações, uma vez que a cada simulação um feixe pode conter até 99.999
partículas. Para isto, foi preciso mudar o número na opção “Random Number Seed”,
encontrada no canto inferior esquerdo da Figura 3, a fim de compilar com os
mesmos dados do primeiro processo, entretanto, considerando um evento diferente
e, configurando no final, dois arquivos para 20 cm e dois para 20,1 cm de água.
Após esse procedimento, destinou-se investigar quantas partículas e qual
seria a energia média registrada dentro do detector de Si. Para este propósito, a
30
opção selecionada foi “Varying Ion Energy/Angle/Depth (Quick Damage) Using
TRIM.DAT” a qual simula a interação das partículas, a partir dos dados adquiridos
na primeira etapa, até alcançar o detector. Assim, duas simulações foram feitas com
20 cm de água mais uma camada de 100 µm de Si e outras duas com 20,1 cm de
água e 100 µm de Si.
Com o auxílio do código de programação FORTRAN, a energia depositada
por cada próton no detector foi determinada por meio da subtração das energias
antes e após o detector e, assim, os arquivos de energia perdida por cada próton
foram gerados. Para calcular a energia média do próton pelo número fixo de prótons
depositados no detector fino, foi calculada a soma das energias perdidas para cada
partícula. Este processo foi repetido cem vezes, com diferentes conjuntos de dados
produzidos com o TRIM para camadas de água de 20 e 20,1 cm. Para cada
espessura, a distribuição da energia média do próton foi construída com o programa
OriginPro 7.5, onde o espectro gerado foi normalizado pela função gaussiana e
obtido a energia média (Emed), desvio padrão (med) e os erros de cada determinação
(Emed e med).
Foi considerado, assim como nos trabalhos referidos nesse tópico, que para
duas estruturas serem distinguidas, a diferença entre as energias médias
correspondentes devem ser igual a dois desvios padrões (DENYAK; PASCHUK;
SCHELIN, 2011). Para isso, a razão abaixo foi estudada como uma função de
distribuição do número de prótons:
(7)
O símbolo
significa o número de prótons. A propagação do erro foi obtida
pela Equação 8:
(8)
31
Em que
é:
(9)
E
é:
(10)
Com os valores resultantes dos cálculos foi possível construir um gráfico de
e sua linearização. Este gráfico permite determinar o número de prótons
necessário para distinguir duas espessuras de mesma densidade.
3.5 CÁLCULO DA FUNÇÃO DE DISTRIBUIÇÃO
Com a intenção de apresentar os passos seguidos com o auxílio dos softwares e
dos cálculos citados, serão descritos os métodos utilizados para apenas duas
energias iniciais.
3.5.1 Energia Inicial de 174,4 MeV
A Tabela 1 apresenta os resultados dos cálculos para a função
considerando a energia inicial 174,4 MeV.
32
Tabela 1 - Função
na energia inicial de 174,4 MeV.
Np
F(Np)
∆F(Np)
100
0,129
0,028
500
0,321
0,048
2000
0,382
0,114
3000
0,899
0,147
4000
1,535
0,687
5000
0,902
0,303
6000
1,505
0,314
A Figura 8 é o gráfico da função
Figura 8 – Função
com os dados da Tabela 1.
. Energia inicial de 174,4 MeV.
Nesse gráfico, os sete pontos representam os sete cálculos realizados para
os diferentes números de partículas. A escolha dos números de pontos e a
quantidade de prótons em cada projeção foram feitas sem um critério específico. A
partir dos resultados da primeira simulação, os outros números de partículas foram
selecionados, visando um resultado próximo do valor numérico 1. Como pode ser
observado, o ponto de maior flutuação possui o maior erro (+/- 0,687). A linha reta
em vermelho foi calculada pelo programa OriginPro 7.5, a fim de estimar o valor de
33
igual a 1 e obter o número de partículas necessárias para diferenciar uma
espessura de 0,1 cm, considerando um feixe de 174,4 MeV de energia inicial.
O programa também fornece uma tabela com as informações contidas no
gráfico (Tabela 2).
Tabela 2 – Resultados de ajuste de linha reta.
Se
, então:
(11)
(12)
O símbolo
significa o número de prótons e os índices
e
coeficientes
linear e angular da linha reta, respectivamente.
Utilizando-se dessas informações, e aplicando-se a equação 12, obteve-se
que o número de prótons suficiente para distinguir as duas espessuras em questão é
de aproximadamente 4064 +/- 731.
34
3.5.2 Energia Inicial de 174,7 MeV
Para a energia inicial de 174,7 MeV obteve-se nove pontos, cujo critérios de
escolha seguiu-se da mesma maneira como explicado anteriormente (Tabela 3).
Tabela 3 - Função
na energia inicial de 174,7 MeV.
Np
F(Np)
∆F(Np)
100
0,121
0,021
500
0,269
0,045
2000
0,490
0,105
3000
0,536
0,123
4000
0,835
0,181
5000
0,614
0,359
6000
0,887
0,312
7000
1,336
0,346
8000
1,223
0,342
Na Figura 9 que apresenta a função de distribuição com os dados da Tabela
3, este fato pode ser mais bem visualizado.
Figura 9 – Função
. Energia inicial de 174,7 MeV.
35
Com os valores resultantes do programa OriginPro 7.5 e aplicando a equação
12, o número de partículas suficientes para resolver as duas espessuras expressas
neste caso é de aproximadamente 5630 +/- 600.
3.6 CÁLCULO DA DOSE
A espessura de 20 cm foi tomada como referência para a estimativa da dose
recebida pela água, já que trabalhos anteriores demonstraram que o perfil de dose é
semelhante para pequenas diferenças entre espessuras de materiais.
Para o cálculo da dose, o número de prótons encontrado pela função de
distribuição foi multiplicado pela perda de energia dentro do material. Dessa
maneira, as fórmulas para o cálculo da dose e respectivo erro são descritos a seguir:
(13)
Em que
significa a energia absorvida pela água.
A propagação de erro foi calculada pela fórmula:
(14)
As duas últimas equações foram aplicadas para cada conjunto de dados
obtidos pelas simulações com as energias iniciais do feixe de 170 MeV a 200 MeV e,
então, calculado o perfil de dose registrada pelo detector fino. Este perfil foi
comparado àqueles obtidos em trabalhos anteriores para detector do tipo grosso.
36
4 RESULTADOS E DISCUSSÕES
4.1 ESPESSURA DO DETECTOR
Os resultados das determinações dos picos e desvios padrões das
distribuições das energias de saída dos prótons, as quais abrangem a região do fim
do alcance para a espessura de água de 20 cm, são apresentadas na Tabela 4
juntamente com os resultados das avaliações das espessuras que podem
compreender detectores do tipo grosso para a faixa de energia em questão.
Tabela 4 – Resultados das simulações das características de saída dos feixes de prótons.
Ein
Número de prótons que atravessaram
Emáx
σ
Emáx + 2σ
EspSi
(MeV)
o objeto (%)
(MeV)
(MeV)
(MeV)
(µm)
171
4
7,7
4,1
15,9
1630
172
18
8,9
5,6
20,1
2460
173
46
11,2
6,1
23,4
3210
174
76
14,7
6,5
27,7
4340
A partir das energias iniciais de 171 MeV a 174 MeV, foi investigada a
quantidade de prótons que atravessaram o objeto, a energia máxima do espectro
após o emprego da correção de Gauss e respectivos desvios padrões. A quinta
coluna apresenta os valores encontrados para as faixas de energias que
compreendem as larguras dos espectros, os quais são apresentados da sexta
coluna com base nos dados fornecidos pela tabela NIST.
Para o propósito desse trabalho, foi assumido que para um detector ser
considerado fino, poderia ter uma espessura pelo menos dez vezes menor do que a
encontrada para um detector grosso, a fim de assegurar que todas as partículas
passassem pela estrutura de detecção e nela depositassem sua energia.
Nesse sentido, considerando as informações da última coluna, um detector de
Si de espessura de 100 μm, para a faixa de energias iniciais propostas na tabela e
37
para um objeto alvo com espessura de 20 cm, já pode ser considerado um detector
fino. Esta espessura é atualmente utilizada nos detectores de silício tira/pixel.
4.2 DEPENDÊNCIA ENERGÉTICA DA DOSE
A Figura 10 apresenta a dependência energética da dose para os detectores
do tipo fino e grosso. No eixo X são apresentadas as energias iniciais do feixe e no
eixo Y os valores de dose absorvida, em escala logarítmica.
Figura 10 – Dependência energética da dose. Os círculos
cheios representam os resultados para o detector fino. Os
círculos e os quadrados vazios representam os resultados
para o detector grosso, de acordo com os trabalhos de Denyak
et al. 2011 e Denyak; Paschuk; Schelin, 2011, respectivamente.
Os círculos vazios representam os valores resultantes do trabalho de
Denyak et al. (2011) e os quadrados vazios representam os resultados do trabalho
de Denyak; Paschuk; Schelin, (2011), em ambos utilizando-se detector grosso. Os
círculos cheios são os resultados obtidos pelo detector fino.
38
Como pode ser observada, a característica da dependência de dose é muito
mais complexa do que o que foi suposto em estudos de referência (Koehler, 1968;
Steward; Koehler, 1973).
É evidente que há uma diferença significativa entre os registros dos dois
tipos de detectores para a dependência energética da dose. Praticamente para
todas as energias do intervalo em estudo, as doses para o detector fino são maiores
que para o detector grosso. Para energias mínimas maiores que 10 MeV essa
diferença atinge de 10 a 1000 vezes. Entretanto, para energias maiores
que 175 MeV a dose aumenta muito rapidamente com o aumento da energia do
próton. Quase um crescimento exponencial.
Outro resultado interessante, referente ao detector do tipo fino, é que a
região de energia se divide em duas, considerando a equação 7. Para energias
menores que 175 MeV, a energia absorvida pelo detector fino é maior para a
espessura de 20 cm de água e a função
é positiva e, no âmbito da
reconstrução da imagem, seria possível uma resolução de estruturas adjacentes.
Para energias maiores que 175 MeV, a função muda de sinal uma vez que a energia
absorvida pela camada de 20,1 cm de água é muito maior do que para 20 cm. Neste
caso, seria possível também a diferenciação entre estruturas do mesmo material,
com espessuras aproximadas.
Na região de energia acima de 175 MeV, todos os prótons saem do objeto e
as energias de saída são maiores para espessuras menores. Portanto, a energia
absorvida pelo detector fino é menor para objetos alvos com espessuras menores,
tendo em vista que a perda de energia das partículas é menor para altas energias.
Assim, a função
torna-se negativa.
A região positiva da função
corresponde ao fim do alcance dos
prótons, quando alguns deles não saem do objeto. O número de prótons que não
contribuem para o registro de energia é maior para objetos mais espessos, tornando
positiva a função
.
Vale destacar que o sinal da função, positivo e negativo, não é considerado
para reconstrução da imagem. Os valores são obtidos em módulo.
Essa diferença é evidente até mesmo no espectro da energia de saída dos
prótons. As Figuras 11 e 12 apresentam espectros típicos para as regiões positiva e
negativa de
. Enquanto que, para os valores positivos de
surgem picos
39
de alta energia, para os valores negativos de
o espectro das energias de
saída tem quase um formato tipo Gauss.
Figura 11 - Espectro típico das energias de saída para a
região positiva de
Figura 12 - Espectro típico das energias de saída para a região
negativa de
40
No limite entre as duas regiões, a dose tende ao infinito, o que significa que
não é possível diferenciar duas espessuras, mesmo aumentando a quantidade de
partículas. Portanto, nesse ponto
é igual à zero.
41
5 CONCLUSÕES
No presente trabalho foi determinada, a partir de um detector fino, a
dependência energética da dose depositada por prótons, cuja quantidade foi
necessária para detectar a diferença entre dois objetos de 20 e 20,1 cm.
Através
do
código
de
modelagem
computacional,
SRIM-2008,
foi
determinada a espessura de um detector considerado fino para uma camada de
água de 20 cm. Os cálculos mostraram que o detector de silício, com espessura de
aproximadamente 100 m, pode ser considerado uma espessura fina para um
detector.
Foram modeladas as energias perdidas pelos prótons no detector fino ao
atravessarem os objetos de 20 e 20,1 cm de água, com energias iniciais de 170 a
200 MeV e com 200.000 prótons. Além disso, com o conjunto de energias
modeladas, foi determinada a quantidade mínima dos prótons para distinguir dois
objetos com espessuras de 20 e 20,1 cm de água.
Foi calculada, para cada energia inicial, a dose mínima necessária para a
deposição nos objetos a fim de detectar a diferença entre as duas espessuras em
questão. Os resultados foram comparados com os dados obtidos anteriormente para
um detector grosso.
A investigação realizada mostrou que a ideia principal da imagem adquirida
com feixe de prótons, na região do fim do alcance, não é confiável tanto para o
registro a partir de detectores finos quanto para detectores grossos. Em geral, os
sistemas de detecção baseados em medidas de energia total de saída são
preferíveis àqueles que registram pequena parte. Isso porque, existe uma faixa de
energia, ao redor de 180 MeV, em que a dose apresenta pouca variação, o que os
tornam mais confiáveis do que os detectores do tipo fino.
42
5.1 SUGESTÃO PARA TRABALHO FUTURO
Realizar os cálculos e simulações utilizando os softwares GEANT e MCNP,
a fim de comparar os dados adquiridos pelo software usado no presente trabalho, o
SRIM-2008.
43
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47
ANEXO A – ARQUIVO DE SAÍDA
============================== SRIM-2008.04 ==============================
==============================================================================
================= TRANSMIT.txt : File of Transmitted Ions ==================
= This file tabulates the kinetics of ions or atoms leaving the target.
=
= Column #1: S= Sputtered Atom. B= Backscattered Ion. T= Transmitted Ion. =
= Col.#2: Ion Number. Col.#3: Z of atom leaving. Col.#4: Atom energy (eV). =
= Col.#5-7: Last location: X= Depth into target. Y.Z= Transverse axes.
= Col.#8-10: Cosines of final trajectory.
=
=
= *** This data file is in the same format as TRIM.DAT (see manual for uses).=
====== TRIM Calc.= H(174 MeV) ==> Water_Liquid( 200 mm) ====================
Ion Atom Energy
Numb Numb
(eV)
Depth
X(A)
Lateral-Position
Y(A)
Z(A)
Atom Direction
Cos(X) Cos(Y) Cos(Z)
T
1 1 .1091983E+08 2000000E+03 .6626E+08 -.3019E+08 .9981381 .0350476 -.0499190
T
3 1 .1288081E+08 2000000E+03 .3574E+08 .2039E+08 .9991963 .0179055 .0358643
T
4 1 .1051435E+08 2000000E+03 .5021E+08 .6056E+07 .9964123 .0485213 .0693411
T
6 1 .1538793E+08 2000000E+03 -.1734E+08 -.6679E+08 .9985972 -.0124211 -.0514723
T
7 1 .2357983E+08 2000000E+03 -.1546E+08 -.6726E+06 .9980702 .0573377 -.0238389
T
8 1 .1705334E+08 2000000E+03 -.3021E+08 -.9342E+07 .9928358 -.0717444 -.0955500
T
9 1 .1780558E+08 2000000E+03 .6915E+08 .1175E+08 .9969070 .0708300 .0340523
T 10 1 .1323311E+08 2000000E+03 .6312E+07 -.2477E+08 .9991745 .0405325 .0027220
T 12 1 .1814978E+08 2000000E+03 -.2640E+08 -.4729E+08 .9728405 -.2022413 .1126051
T 13 1 .1152171E+08 2000000E+03 -.3265E+08 -.1439E+08 .9999965 .0018221 .0019317
T 14 1 .1216548E+08 2000000E+03 .5674E+08 .8113E+07 .9915910 .1288107 .0124569
T 15 1 .9069711E+07 2000000E+03 .3939E+07 -.2795E+08 .9987474 -.0498134 .0047101
T 16 1 .9291767E+07 2000000E+03 -.2430E+08 -.2077E+08 .9991204 -.0277348 -.0314519
T 17 1 .1104050E+08 2000000E+03 -.4341E+08 .8650E+07 .9979777 -.0545426 -.0326443
T 18 1 .1055788E+08 2000000E+03 -.1673E+08 -.3502E+08 .9995297 -.0241527 .0188936
T 19 1 .1017764E+08 2000000E+03 -.5798E+07 -.2931E+08 .9997394 .0050931 -.0222511
T 20 1 .1031236E+08 2000000E+03 -.2775E+08 -.1607E+08 .9982074 -.0240520 -.0548040
T 22 1 .1791947E+08 2000000E+03 -.1403E+08 .3037E+08 .9970582 -.0402933 .0652029
48
T 23 1 .2481334E+08 2000000E+03 -.4158E+08 -.1668E+08 .9979434 -.0456704 -.0449789
T 24 1 .2060146E+08 2000000E+03 -.5285E+08 .1290E+08 .9960855 -.0837484 .0282813
T 25 1 .5732076E+07 2000000E+03 .5890E+08 .6519E+07 .9995082 .0296735 .0101403
T 26 1 .2394745E+08 2000000E+03 .1969E+08 .5058E+08 .9975958 .0408475 .0559836
T 27 1 .1987689E+08 2000000E+03 -.1380E+07 -.2332E+08 .9999718 .0050889 -.0055178
T 28 1 .7384369E+07 2000000E+03 .5946E+07 -.2024E+08 .9956233 -.0130057 -.0925473
T 29 1 .1539881E+08 2000000E+03 .4482E+08 .1664E+08 .9956873 .0910356 .0178688
T 30 1 .8055390E+07 2000000E+03 -.4728E+07 -.1815E+08 .9974899 .0701751 -.0094569
T 31 1 .1816423E+08 2000000E+03 -.1836E+08 .7184E+07 .9983987 .0135578 .0549201
T 32 1 .1974325E+08 2000000E+03 -.6439E+07 -.1386E+08 .9983392 -.0046379 -.0574224
T 34 1 .1384443E+08 2000000E+03 -.1056E+09 .1204E+09 .9995408 -.0276589 .0123731
T 35 1 .1116472E+08 2000000E+03 .2614E+08 .3807E+07 .9992524 .0320365 -.0216388
T 37 1 .1764339E+08 2000000E+03 .6022E+08 -.3559E+07 .9987713 .0248103 .0428980
T 38 1 .1084946E+08 2000000E+03 .3216E+08 .7437E+06 .9969379 .0330736 -.0708592
T 39 1 .1576453E+08 2000000E+03 -.3559E+08 .6243E+07 .9981156 -.0596315 -.0144705
T 40 1 .2125773E+08 2000000E+03 .1990E+08 -.3156E+07 .9978568 .0654082 .0019041
T 41 1 .1391829E+08 2000000E+03 -.1657E+08 .2951E+08 .9982803 -.0569551 .0138794
T 42 1 .1664111E+08 2000000E+03 -.2889E+08 -.4101E+06 .9971165 -.0707827 .0273597
T 43 1 .1166968E+08 2000000E+03 -.5476E+06 .2271E+08 .9954623 -.0325618 .0894119
T 47 1 .1931758E+08 2000000E+03 .7077E+07 -.3147E+08 .9987743 .0194412 -.0455189
T 48 1 .1606261E+08 2000000E+03 -.2161E+08 .1720E+07 .9999422 -.0094468 .0051326
T 49 1 .1683189E+08 2000000E+03 .3769E+08 -.1606E+08 .9989296 -.0054162 -.0459373
T 50 1 .1123924E+08 2000000E+03 .3568E+07 -.1077E+08 .9968245 -.0415347 .0679393
T 51 1 .2537747E+08 2000000E+03 -.6459E+08 .1685E+08 .9970318 -.0685388 .0350723
T 52 1 .1544753E+08 2000000E+03 -.1114E+08 -.4549E+07 .9989273 .0192798 -.0421022
T 53 1 .9756922E+07 2000000E+03 .5944E+08 -.2128E+08 .9965163 .0598589 -.0580710
T 54 1 .1758868E+08 2000000E+03 -.7824E+08 .8231E+07 .9958191 -.0861415 -.0303954
T 55 1 .1791368E+08 2000000E+03 .4214E+08 .2097E+07 .9984068 .0350948 .0441837
T 59 1 .1731369E+08 2000000E+03 .6943E+08 -.3527E+08 .9942043 .0171954 -.1061228
T 60 1 .7636135E+07 2000000E+03 .2329E+08 -.1247E+08 .9954721 .0898709 .0309614
T 61 1 .1856722E+08 2000000E+03 .6549E+08 -.1407E+08 .9960866 .0826229 -.0313834
T 63 1 .8591981E+07 2000000E+03 -.1728E+08 -.2819E+06 .9934586 -.0319942 .1096197
T 64 1 .1562497E+08 2000000E+03 -.2397E+08 -.2601E+08 .9949021 -.0665717 -.0757500
T 65 1 .1185208E+08 2000000E+03 .1921E+08 -.1257E+08 .9970325 -.0324887 .0697897
49
T 66 1 .2525867E+08 2000000E+03 -.1713E+08 -.1568E+08 .9995363 .0025636 -.0303430
T 67 1 .2084730E+08 2000000E+03 -.2090E+08 -.1666E+08 .9977117 -.0647044 -.0196153
T 68 1 .2416861E+08 2000000E+03 -.8012E+05 -.1287E+08 .9999224 .0109678 -.0059150
T 69 1 .5958594E+07 2000000E+03 .2141E+08 .2951E+08 .9953038 .0201223 .0946857
T 70 1 .9888489E+07 2000000E+03 .3497E+07 .1692E+08 .9995423 -.0211286 .0216514
T 71 1 .1893205E+08 2000000E+03 -.6189E+08 .8890E+07 .9999756 -.0060820 .0034488
T 72 1 .1089001E+08 2000000E+03 -.7097E+07 .9376E+07 .9993596 -.0352694 .0060306
T 73 1 .1149241E+08 2000000E+03 .1241E+08 .3031E+08 .9996897 .0088583 -.0232828
T 74 1 .1530742E+08 2000000E+03 .5892E+08 -.4031E+07 .9987372 .0210603 .0456123
T 75 1 .2302825E+08 2000000E+03 -.1618E+08 .2604E+08 .9961312 .0594277 .0647379
T 76 1 .2666912E+08 2000000E+03 -.3136E+08 -.2652E+08 .9966720 -.0468074 -.0667378
T 77 1 .3194981E+07 2000000E+03 -.5869E+07 .1013E+09 .9995150 .0036362 .0309291
T 78 1 .1199035E+08 2000000E+03 .3621E+08 -.8719E+04 .9989632 .0274160 -.0363445
T 79 1 .1752381E+08 2000000E+03 -.3283E+08 .8070E+07 .9978314 -.0628298 .0196186
T 80 1 .1953849E+08 2000000E+03 .4211E+07 -.1657E+08 .9957010 .0506102 .0775769
T 81 1 .1372393E+08 2000000E+03 .2490E+08 -.2067E+08 .9987247 -.0496936 -.0089210
T 82 1 .1753009E+08 2000000E+03 -.3772E+05 -.1011E+08 .9989399 -.0135426 .0439960
T 83 1 .1476268E+08 2000000E+03 .2111E+08 -.5843E+08 .9969118 -.0170619 -.0766535
T 84 1 .2557718E+08 2000000E+03 -.1388E+08 -.3470E+08 .9974697 -.0143370 -.0696323
T 85 1 .1855291E+08 2000000E+03 -.5827E+08 -.2187E+08 .9980555 -.0351462 -.0514773
T 86 1 .7586137E+07 2000000E+03 -.1136E+08 .4412E+08 .9976432 .0132396 .0673261
T 88 1 .2595497E+08 2000000E+03 .1039E+09 -.3226E+08 .9921152 .1253272 .0007654
T 89 1 .2596414E+08 2000000E+03 .4278E+07 .2860E+07 .9992593 .0147601 .0355380
T 91 1 .1626100E+08 2000000E+03 -.2219E+08 .2090E+08 .9989349 -.0461085 -.0017453
T 92 1 .2259662E+08 2000000E+03 -.1868E+08 -.2794E+08 .9985322 -.0475988 -.0258401
T 94 1 .1581850E+08 2000000E+03 -.2462E+08 -.2215E+08 .9990237 -.0403614 -.0179614
T 95 1 .2517724E+08 2000000E+03 .6238E+07 .1660E+08 .9992877 -.0238294 .0292617
T 97 1 .2054908E+08 2000000E+03 .3495E+08 .2877E+08 .9980887 .0548794 .0284098
T 99 1 .1163805E+08 2000000E+03 .8486E+08 -.3320E+08 .9932197 .1157227 .0110870
T 100 1 .1192777E+08 2000000E+03 .2831E+08 .5087E+07 .9982079 .0590122 -.0099273
50
ANEXO B – APRESENTAÇÃO E PUBLICAÇÃO
Apresentação:
1- Encontro de Física 2011, Foz do Iguaçu, PR, 5 a 10 de junho de 2011.
V.V.DENYAK, H.R. SCHELIN, R.C.L.SILVA, S.A.PASCHUK. Usage of thin detector
in proton imaging.
2 - 8th International Topical Meeting on Industrial Radiation and Radioisotope
Measurement Applications (IRRMA-8)
V.V. DENYAK, H.R. SCHELIN, R.C.L. SILVA, C. KOZUKI, S.A. PASCHUK, E.
MILHORETTO. Dose Energy Dependence in Proton Imaging with Thin Detector.
Aceitos para publicação em periódico:
V.V. DENYAK, H.R. SCHELIN, R.C.L. SILVA, C. KOZUKI, S.A. PASCHUK, E.
MILHORETTO. Dose Energy Dependence in Proton Imaging with Thin Detector.
Appl. Rad. Isot doi:10.1016/j.apradiso.2011.11.004 accepted for publication, 2012.
Download

CT_CPGEI_M_ Silva, Rita de Cássia de Lima_2012