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Dono de um Currículo Policial invejável, o operacional ex-Diretor do DOE/
DEPATE GERALDO LUIZ NUGOLI COSTA, vem mostrando toda
sua eloqüência e capacidade administrativa a frente da Academia de
Polícia da PCDF. Na Polícia Civil do DF desde 1982, onde ingressou
na carreira de Agente de Polícia, NUGOLI ascendeu ao cargo de
Delegado de Polícia em 1996. Além de Diretor da APC, esse Paulista de Guararapes também é Instrutor de Armamento e Tiro,
Técnicas Operacionais da Ação Policial e Gerenciamento de
Crises. Com olhar no futuro e cheio de inovações, o Dr. NUGOLI concedeu entrevista exclusiva ao ESCRIBA, onde fala
do concurso de Escrivães, da transformação da APC em Instituição de Ensino Superior e da realização de cursos em todos
os campos da ação Policial.
ESCRIBA
– Há um concurso para os cargos
de Escrivão de Polícia e de Perito Criminal em andamento. O senhor acredita que os aprovados nesse certame farão os respectivos cursos de formação na APC ainda este ano?
Dr. NUGOLI
– Além dos concursos para
Escrivão de Polícia e Perito Criminal, também estão em andamento os certames
para Papiloscopista e Perito Médico Legista. A previsão, caso
não exista nenhum problema, é
no sentido de que todos os aprovados tenham concluído o curso
de formação até dezembro do
corrente ano, estando assim, totalmente aptos para o ingresso
na PCDF a partir de janeiro de
2009.
ESCRIBA – Ainda com relação ao concurso para Escrivães, o senhor já sabe qual será
o número de alunos matriculados na primeira fase do curso de
formação?
Dr. NUGOLI
ESCRIBA – O senhor promoveu em meados
do ano passado o primeiro curso para aperfeiçoamento de Escrivães Chefes da PCDF, o qual foi dirigido as Circunscricionais, tendo repetido a iniciativa
este ano para os Escrivães Chefes do DPE. Apesar
de louvável e inédita a determinação de se implementar referido curso, é sabido que os escrivães
carecem de aperfeiçoamento em áreas específicas,
como informática, conhecimentos
jurídicos, gramática e redação,
além é claro, de também terem a
necessidade de atualização e reciclagem do lado operacional, já
que, a despeito das características
e peculiaridades do seu mister, são
tão policiais quanto os integrantes
das demais carreiras. Enquanto
Diretor da Academia de Polícia, o
senhor tem algum projeto voltado
para a Escrivania?
... “A previsão
é de que todos
os aprovados
tenham concluído o curso
de formação
até dezembro
do corrente
ano”...
– Serão
convocados 120 (cento e vinte) candidatos para o Curso de
Formação, sendo, 63 (sessenta e três) para provimento imediato e 57 (cinqüenta e sete) para o preenchimento do quadro reserva. O Curso de Formação terá uma única etapa, com 400 (quatrocentas)
horas-aula. O candidato que atingir nota igual ou
superior a 6,0 (seis) será considerado aprovado. O
candidato que atingir nota igual ou superior a 7,0
(sete) além de ser considerado aprovado, poderá,
mediante apresentação de Trabalho de Conclusão
de Curso, receber a titulação de Pós-graduação lato
sensu em Escrivania Policial.
Escriba - um jornal da Associação dos Escrivães de Polícia da PCDF
Dr. NUGOLI
– Sim. Estamos implementando novas formas de ensino, mais dinâmicas e
abrangentes, voltadas às necessidades gerais e específicas de cada
cargo. O nosso primeiro objetivo é
o de transformarmos a Academia
em Instituição de Ensino Superior
– IES, por intermédio do Credenciamento Especial dos nossos cursos junto ao Ministério da Educação. Assim,
esperamos que, em um curto espaço de tempo,
de dois a cinco anos, a Academia de Polícia Civil
do Distrito Federal figure como um ícone em educação policial, tanto no cenário nacional quanto
internacional. Ainda nesse sentido, adquirimos recentemente uma Plataforma de Ensino a Distância,
que propiciará maior comodidade aos policiais civis,
que poderão participar dos mais diversos cursos
em ambiente virtual. No ano passado realizamos
o Levantamento de Necessidades de Treinamento
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– LNT, junto a todas as unidades da PCDF e, no ano
em curso, estamos realizando todos os cursos apontados pelo referido Levantamento. Nesse sentido, a
parceria com a Corregedoria de Polícia, na pessoa
da Drª. NÉLIA MAURÍCIO, mui digna Corregedora,
tem se mostrado de extrema importância, uma vez
que nos aponta com maior precisão as necessidades de treinamento dos Escrivães, sendo certo que
todas serão atendidas, inclusive no tocante a reciclagem em Técnicas Operacionais da Ação Policial
- TOAP. Ainda no decorrer deste ano, iniciaremos
cursos de aperfeiçoamento jurídico em Direito Penal, Direito Processual Penal, Direito Administrativo,
Direito Constitucional e Leis Penais Extravagantes,
cursos estes abertos a todos os servidores, com
turmas pela manhã e à noite. Estamos totalmente
abertos para críticas e sugestões acerca dos cursos
oferecidos pela Academia, as quais podem ser feitas
por intermédio do e-mail [email protected].
ESCRIBA – A PCDF tem o privilégio de dispor
de quadros, do ponto de vista operacional e acadêmico, extremamente preparados. Quando da realização do curso de formação para o cargo de Escrivães, a Academia pretende agregar ao seu corpo
docente Escrivães para ministração de disciplinas
ligadas a práticas cartorárias?
... “Serão convocados
120 (cento e vinte)
candidatos para o Curso de Formação,”...
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Dr. NUGOLI
– Não existe ninguém mais
capacitado à docência de práticas cartorárias que
os próprios escrivães. Assim, é certo que serão
selecionados professores oriundos
dessa nobre classe de servidores.
Tratando-se de um Curso de Formação que, como já foi dito, possibilita a titulação como especialista,
temos que contar, ainda, com um
corpo docente composto por, no
mínimo, 50% de mestres e doutores, os quais, já estão sendo selecionados.
ESCRIBA – Ao longo de sua
pois figura como garantia de dívida em uma ação
judicial contra a Terracap. Estamos trabalhando juntamente com a Terracap, no sentido de que o Judiciário aceite uma substituição
de garantia para que o terreno
seja liberado e possamos iniciar
o processo de construção.
... “O nosso
primeiro objetivo é o de
transformarmos
a Academia em
Instituição de
Ensino Superior – IES”...
carreira, o Policial, salvo algumas
exceções, desfruta de sua Academia de Polícia apenas duas vezes.
Uma por ocasião do curso de formação e a outra quando é chamado para o curso especial, ficando
muitas vezes, sem acesso às novidades que a dinâmica do mundo disponibiliza aos
instrumentos de segurança do Estado, como é o
caso das Polícias. O senhor pretende mudar essa
realidade?
Dr. NUGOLI – Como Policial Civil há quase
26 (vinte e seis) anos, conheço bem essa realidade
e, por conhecê-la, é que, no ano passado, nossa
equipe ultrapassou todos os recordes da história
da Academia, quando oferecemos 68 (sessenta e
oito) cursos divididos entre as mais diversas áreas
do conhecimento policial, atendendo a um público
de 1920 (um mil, novecentos e vinte) alunos. O recorde anterior era de 40 (quarenta) cursos. Neste
ano, esperamos superar essa marca e, com o imprescindível apoio da Direção Geral, é certo que
atenderemos a um número superior a 3000 (três
mil) Policiais Civis. A capacitação e o treinamento
são ferramentas indispensáveis para a melhoria da
qualidade dos serviços oferecidos pela
PCDF. Não basta sermos considerados
a melhor Polícia Civil do Brasil. Temos
que fazer jus a esse título e procurar melhorar sempre. A população do Distrito
Federal não merece menos que isso.
ESCRIBA
– Há previsão de quando será construída a APC definitiva?
Dr. NUGOLI – Estamos com o
ESCRIBA
– Faz parte da
agenda da APC a realização de
conferências ou palestras em
torno de temas de interesse dos
Policiais como Lei Orgânica,
Doenças do Trabalho, Aposentadoria Especial, etc.?
Dr. NUGOLI
– Estamos planejando uma série de
atividades, dentre as quais um
ciclo de palestras sobre temas
de interesse da PCDF. Tais atividades serão, a princípio, realizadas no novo auditório do Departamento de Polícia
Especializada, que oferecerá condições mais apropriadas para a realização desse tipo de evento. A
inauguração do auditório está prevista para o próximo dia 29 e, a partir dessa data, em comum acordo
com a Direção daquele Departamento, poderemos
iniciar nossas atividades.
ESCRIBA – Além de formar novos Policiais o
senhor acha que a APC pode ser usada como fórum
de debate acerca da Instituição, sua estrutura, e da
própria categoria?
Dr. NUGOLI – A Academia de Polícia é o
nascedouro e a eterna casa de todos os Policiais
Civis. Todos os assuntos relacionados direta ou indiretamente à atividade policial devem ser estudados
e debatidos. Não cuidamos apenas da formação de
novos policiais. Somos um centro de produção e disseminação
de conhecimento voltado à melhoria das condições de trabalho
dos servidores e, conseqüentemente, da melhoria dos serviços
oferecidos pela PCDF. Também
estamos voltados ao resgate dos
valores institucionais, da história
da Instituição e da valorização do
Policial Civil aposentado.
A equipe da APC acredita que
sempre é possível melhorar. Que
velhos paradigmas devem ser revistos e superados. Que o maior
valor da Instituição reside no seu
corpo de servidores, e que eles
merecem e devem ser tratados
com dignidade e respeito. Que a
Polícia Civil é indivisível e o sucesso da Instituição
depende diretamente do trabalho desenvolvido em
equipe. Por fim, que o nosso maior valor está alicerçado no inabalável sentimento que habita o coração
de cada policial civil: o “orgulho de ser policial”.
... “Não existe ninguém
mais capacitado à
docência de
práticas cartorárias que
os próprios
escrivães”...
projeto pronto e temos R$ 11.000.000,00
(onze milhões de reais) reservados para
esse fim, no entanto, ainda estamos encontrando dificuldades para a liberação
do nosso terreno pela Terracap. Como é
do conhecimento público, tínhamos um
terreno de 86 (oitenta e seis) mil metros
quadrados próximo à hípica e ao Carrefour Sul. Esse
terreno foi retirado da PCDF no governo passado e,
em seu lugar, nos foi concedido um outro terreno,
desta feita, enfrente ao Extra e a Leroy Merlim, no
entanto, contra esse terreno existe uma restrição,
“DESABAFO”
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A negligência e o desrespeito ao profissional da
Escrivania parece não ter fim.
Será necessário normatizar atitudes e visões básicas de administração aos gestores da Polícia? A
indagação se deve a alguns fatos pitorescos, se
não vejamos: É cristalino que em uma Delegacia
de Polícia, até pelas características elementares
de seu mister, quem mais se utiliza do computador
é o Escrivão de Polícia. Sendo tal fato uma constatação diária, não seria de bom alvitre que esse
profissional tivesse preferência na distribuição dos
equipamentos mais modernos?
O que seria óbvio a qualquer administração de
empresa privada segue uma lógica diferente na
nossa Instituição, onde o Escrivão de Polícia labuta, salvo raras exceções, com máquinas de pouca
ou quase nenhuma capacidade e ainda é alvo de
chacota de quem não tendo 10% de sua necessidade de utilização de um aparelho mais moderno,
é contemplado com um.
O descaso é tamanho que em certa Unidade se
fez pedido de carimbos para todos os Policiais. O
carimbo destinado aos Escrivães foi o tradicional
de madeira, já para os demais servidores distribuiu-se carimbos modernos de bolso que não necessitam da utilização de esponjas.
Quero crer que tanto no caso dos computadores,
quanto no episódio dos carimbos o que ocorreu foi
uma infeliz coincidência, pois me nego a acreditar que o descaso a uma categoria leve gestores
públicos perderem noções básicas de administração.
(AGNALDO MACHADO CRUZ
Mat. 46.754-5/Escrivão de Polícia)
MANIFESTE-SE
Você também pode ter seu desabafo,
artigo, comentário, denúncia, crítica,
sugestão, homenagem e elogio publicados no ESCRIBA. Esse espaço pertence ao Escrivão de Polícia da PCDF,
sendo, juntamente com a nossa página na web, seu meio democrático de
manifestação. Fale conosco e passe
sua matéria pelo telefax 3965.5960 ou
por meio do nosso endereço eletrônico
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