CIÊNCIA E CULTURA - Revista Científica Multidisciplinar do Centro Universitário da FEB
v. 7, nº 2, Novembro/2011 - ISSN 1980 - 0029
Editorial
Meio Ambiente e Saúde: reflexos da ação do homem
Alfésio Luís Ferreira BRAGA
ARTIGOS CIENTÍFICOS - ORIGINAL ARTICLES
Diagnóstico e tratamento de cisto do canal nasopalatino. Relato de caso.
Suélen MATARELI, Ana Paula Delduque Freitas GORJON, Felipe Gai ISPER, Rubens de SOUZA-NETO, Miguel
Alfredo ISPER, Fabiano de Sant’Ana dos SANTOS
Investigation of the total uranium concentration in surface and underground water samples from the
Caetité region, BA.
Júlia Grasiela Batista SILVA, Ione Makiko YAMAZAKI, Luiz Paulo GERALDO
Obesidade, doença periodontal e o risco às doenças cardiovasculares – revisão de literatura.
Thais Uenoyama DEZEM, Eliane Marçon BARROSO, Ana Luiza Vanzato CARRARETO, Elizangela Partata
ZUZA, Benedicto Egbert Corrêa de TOLEDO, Alex Tadeu MARTINS, Juliana Rico PIRES
Determinação da matéria seca e dos teores de macronutrientes da grama batatais pelos métodos de secagem
em forno de microondas e estufa
Aliny Alencar de LIMA; Déborah Verçoza da SILVA; Altenira Galvão MAIA; Igor Honorato Leduino da SILVA; Paulo
Márcio BEBER; Renato de Mello PRADO; Paulo Guilherme Salvador WADT
Próteses sobre implante: cimentada ou parafusada? Revisão da literatura.
Daniel PALHARES1* , Celso Eduardo SAKAKURA 1, Marcelo Bighetti TONIOLLO 2, Carla Moreto SANTOS 3, Wilson
MATSUMOTO3, Regina Maura FERNANDES 3, Renato José BERRO 3.
Padronização da produção extracelular de pigmentos vermelhos por Monascus ruber.
Naiara ZANETI,, Luciana GAZZONE, Juliana Custodio TOLEDO, Guilherme Augusto TEIXEIRA, Cristiane Cardoso
Correia TEIXEIRA
Avaliação da obesidade e dos parâmetros clínicos periodontais em acadêmicos de Odontologia
Elizangela Partata ZUZA, Suélen MATARELI, Aline Gunther ARANTES, Juliana Rico PIRES, Alex Tadeu MARTINS,
Benedicto Egbert Corrêa de TOLEDO
Menopausa: conceito e tratamentos alopático, fitoterápico e homeopático
Andressa Leme de FIGUEIREDO, Fernanda Domingos de OLIVEIRA, Lígia Cury CASULA, Mariane BAIOCATO,
Fabricia Helena SANTELLO
Avaliação radiográfica das variações anatômicas do incisivo central inferior: estudo “in vitro”
Devanir de Araujo CERVI, Alexandre Pugliesi NEVES, Maria José Pereira de ALMEIDA
Presença de Pseudomonas aeruginosa multirresistente em fonte ambiental hospitalar
Cátia REZENDE*, Ana Paula MENON, Gabriela BAIDA, Juliana Eustachio ROSOLEM, Renata Camacho MIZIARA,
Simone Barone Salgado MARQUES
Ciência e Cultura
1
2
Ciência e Cultura
CIÊNCIA E CULTURA - Revista Científica Multidisciplinar do Centro Universitário da FEB
v. 7, nº 2, Novembro/2011 - ISSN 1980 - 0029
CENTRO UNIVERSITÁRIO DA FUNDAÇÃO EDUCACIONAL DE BARRETOS
PRÓ-REITORIA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA
Revista Científica Multidisciplinar do
Centro Universitário da Fundação Educacional de Barretos
Endereço:
POSGRAD - Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa
Centro Universitário da Fundação Educacional de Barretos
Av. Prof. Roberto Frade Monte, 389 – Aeroporto
14783-226 – Barretos – SP – Brasil
[email protected]
http://www.unifeb.edu.br/revista/edicao.php
Publicação Semestral / Semi-annual publication
Solicita-se permuta / Exchange desired / Si chiede lo cambio / On demande l’échange / Man bittet um Austausch
Ciência e Cultura
3
4
Ciência e Cultura
CIÊNCIA E CULTURA - Revista Científica Multidisciplinar do Centro Universitário da FEB
v. 7, nº 2, Novembro/2011 - ISSN 1980 - 0029
CIÊNCIA E CULTURA
CENTRO UNIVERSITÁRIO
DA FUNDAÇÃO EDUCACIONAL DE BARRETOS
Reitoria
Reitor: Prof. Dr. Álvaro Fernandez Gomes
Pró-Reitor de Graduação: Profa. Dra. Luiza Maria Pierini Machado
Pró-Reitor de Pós-Graduação: Prof. Dr. Luiz Paulo Geraldo
Superintendente de Administração e Finanças: Sr. Rogério Alves Vieira
Conselho Curador
Aparecida Fátima S.de Lima Araújo
Presidente
André Faleiros Andrade
Mara Lúcia Basso Fabrício
César Augusto Passarela
Merhej Najm Neto
Wander Stuart Coronato Nogueira
Vice-Presidente
Dickinson Girardi
Nilton Borges Pimenta
Maurício Suzuki
Secretário
Fauze José Daher
Joseli Nogueira Lelis
Geisel Alves da Silva
Renato Peghim
Ciência e Cultura
Editor:
Editores Adjuntos:
Prof. Dr. Luiz Paulo Geraldo (UNIFEB)
Profª. Ana Emília Farias Pontes (UNIFEB)
Prof. Dr. João Antonio Galbiatti (UNESP/Jaboticabal)
Prof. Dr. Valdir Gouveia Garcia (UNIFEB)
Prof. Dr. Mauro da Silva Dias (IPEN-CNEN/SP)
Prof. Dr. Sebastião Hetem (UNESP/Araçatuba)
Comissão Editorial
Agnaldo Arroio (Ensino de Química – USP/SãoCarlos)
Alberto Cargnelutti FilhO (Agronomia – UNESP/Jaboticabal)
Alex Tadeu Martins (Odontologia-UNIFEB)
Alexandre Bryan Heinemann (CIRAD – França)
Alfredo Argus (Serviço Social – UNIFEB)
Álvaro Fernandes Gomes (Física – UNIFEB)
Ana Carolina Garcia Canoas (Engenharia - UNIFEB)
Ana Emília F. Pontes (Odontologia-UNIFEB)
Ana Maria de Souza (Farmácia – USP/Ribeirão Preto)
André Cordeiro Leal (Direito – PUC/MG)
André Del Negri (Direito – UNIUBE)
Andréia Raquel Simoni (Engenharia Mecânica - UNIFEB)
Ângelo Rubens Migliore Júnior (Engenharia Civil – UNIFEB)
Antonio Aparecido Pupim Ferreira (Química - UNESP/Araraquara)
Antonio Baldo Geraldo Martins (Agronomia– UNESP/Jaboticabal)
Antonio Carlos Delaiba (Engenharia Elétrica – UFU)
Antonio Carlos Pizzolitto (Farmácia – UNESP/Araraquara)
Antonio de Paulo Peruzzi (Engenharia - UNIFEB)
Arlindo José de Souza Júnior (Educação Matemática – UFU)
Benedicto Egbert Correa de Toledo (Odontologia–UNIFEB,UNESP/Araraquara)
Camila Ferreira de Avila (Pedagogia - UNIFEB)
Caren Elisabeth Studer (Pedagogia - UNIFEB)
Carlos Eduardo Angeli Furlani (Agronomia - UNESP/Jaboticabal)
Carlos José dos Santos Pellegrino (Odontologia – UNIFEB)
Carlos Reisser Junior (Agrometeorologia – EMBRAPA/ClimaTemperado)
Carlos Teixeira Puccini (Engenharia Civil – UNIFEB)
Celso Eduardo Sakakura (Odontologia - UNIFEB)
Claudia Regina Bonini Domingos (Biologia – UNESP/São José do Rio Preto)
Clovis Sansigolo (INPE)
Cristiane Cardoso Correa Teixeira (Farmácia – UNIFEB)
Daniela Cristina Z. P. David (Agronomia - UNIFEB)
Daniela Jorge de Moura (Engenharia Agrícola – UNICAMP)
Danilo Cesar Checchio Grotta (Engenharia Civil - UNIFEB)
Danísio Prado Munari (Agronomia – UNESP/Jaboticabal)
Darclet Terezinha Malerbo de Souza (Zootecnia – UNIFEB)
David Chacon Álvares (Eng. Alimentos – Univ. Est. Paraná/Guarapuava)
Deise Maria Fontana Capalbo (Meio Ambiente - EMBRAPA/Jaguariúna)
Deise Pazeto Falcão (Farmácia - UNESP/Araraquara)
Delly Oliveira Filho (Engenharia Agrícola – UFV)
Deny Munari Trevisani (Odontologia – UNIFEB)
Diana Maria Serafim (Química, UNIFEB)
Dietrich Schiel (Ensino de Física – USP/São Carlos)
Dílson Gabriel dos Santos (Administração – FEA/USP)
Dirceu da Silva (Educação – UNICAMP)
Durval Dourado Neto (Ciências Agrárias - USP)
Eduardo Katchburian (Medicina – UNIFESP)
Eduardo Teixeira da Silva (Eng. Agrícola – UFPR)
Elcio Marcantonio Junior (Odontologia – UNESP/Araraquara)
Eleny Zanelha Balducci (Odontologia – UNESP/Araraquara)
Elisabete Frollini (Química – USP/São Carlos)
Elisabeth Pimentel Rosseti (Odontologia - UNIFEB)
Elizangela Partata Zuza (Odontologia - UNIFEB)
Fabiano de Sant’Ana dos Santos (Odontologia – UNIFEB)
Fábio Luiz F. Scannavino (Odontologia - UNIFEB)
Fábio Olivieri de Nobile (Agronomia - UNIFEB)
Fabrícia Helena Santello (UNIFEB)
Fernanda Scarmato de Rosa (Farmácia – UNIFEB)
Fernando Horta Tavres (Direito – PUC/MG)
Fernando Salimon Ribeiro (Odontologia - UNIFEB)
Flávio Dutra de Rezende (Zootecnia - APTA/AM – Secret. Agricultura de SP)
Ciência e Cultura
5
Geraldo Nunes Correa (Sistema de Informação – UNIFEB)
Gláucia Heloisa Malzone Bastos de Aquino ( Serviço Social - UNIFEB)
Gustavo Rezende Siqueira (Zootecnia - APTA/AM – Secret. Agricultura de SP)
Heizir Ferreira de Castro (Engenharia Química – FAENQUIL/Lorena)
Helcio Zanetti Bocatto (Agronomia- UNIFEB)
Helio Grassi Filho (Agronomia – UNESP/Jaboticabal)
Hélio Massaiochi Tanimoto (Odontologia – UNIFEB)
Hérida Regina Nunes Salgado (Farmácia – UNESP/Araraquara)
Hidetake Imasato (Química – USP/São Carlos)
Holmer Savastano Júnior (Eng. Civil/Agrícola – FZEA-USP/ Pirassununga)
Hugo Barbosa Suffredini (Química – UNIJUÍ)
Humberto Tonhati (Agronomia – UNESP/Jaboticabal)
Ignácio Maria dal Fabro (Engenharia Agrícola – UNICAMP)
Irenilza de Alencar Naas (Engenharia Agrícola – UNICAMP)
Isabel Cristina Moraes Freitas (Engenharia de Alimentos – UNIFEB)
Jackson Rodrigues de Souza (Química – UFC)
Jairo Osvaldo Cazetta (Agronomia – UNESP/Jaboticabal)
Janice Rodrigues Perussi (Química – USP/São Carlos)
Jaqueline Aparecida Bória Fernandez (Eng. Ambiental - UNIFEB)
Jean Carlo Alanis (Engenharia de Alimentos – UNIFEB)
Jeosadaque José de Sene (Química – UNIFEB)
João Antonio Galbiatti (Agronomia – UNESP/Jaboticabal)
João Domingos Biagi (Engenharia Agrícola – UNICAMP)
Jorge Aberto Vieira Costa (Eng. de Alimentos–UFRGS)
José Carlos Barbosa (Agronomia – UNESP/Jaboticabal)
José Eduardo Cora (Agronomia – UNESP/Jaboticabal)
José Luiz Guimarães (Educação – UNESP/Assis)
José Marques Júnior (Agronomia – UNESP/Jaboticabal)
José Tadeu Jorge (Engenharia Agrícola – UNICAMP)
José Walter Canoas (Serviço Social – UNESP/Franca)
Juliana Rico Pires (Odontologia - UNIFEB)
Juliemy Aparecida de Camargo Scuoteguazza (Odontologia – UNIFEB)
Júlio César dos Santos (Engenharia Química – FAENQUIL/Lorena)
Jurandyr Carneiro Nobre de Lacerda Neto (Física, UNIFEB)
Karina Silva Moreira Macari (Odontologia – UNIFEB)
Késia Oliveira da Silva (Engenharia Agrícola – ESALQ/USP)
Khosrow Ghavami (Engenharia Civil – PUC/RJ)
Kil Jin Park (Engenharia Agrícola – UNICAMP)
Kleiber David Rodrigues (Engenharia Elétrica – UFU)
Letícia Helena Theodoro (Odontologia - UNIFEB)
Lindamar Maria de Souza (Farmácia – UNIFEB)
Lisete Diniz Ribas Casagrande (Educação – UNAERP)
Lizandra Amoroso (Zootecnia – UNIFEB)
Lizeti Toledo de Oliveira Ramalho (Odontologia – UNESP/Araraquara)
Lucas de Souza Lehfeld ( Direito - UNIFEB)
Lúcia Helena Sipaúba Tavaraes (Engenharia Agrícola – UNESP/Jaboticabal)
Luciana Renata Muzzeti Martinez (Educação Física – UNIFEB)
Luciana Rezende Alves de Oliveira (Farmácia - UNIFEB)
Lucimara Perpetua Ferreira Aggarwall (Física – UNIFEB)
Luiz Alves Rodrigues (Farmácia - UNIFEB)
Luiz Carlos Pardini (Odontologia – USP/Ribeirão Preto)
Luiz Fernando Rimoli (Farmácia - UNIFEB)
Luiz Macelaro Sampaio (Odontologia – UNIFEB)
Luiz Manoel Gomes Junior (Direito – UNIFEB)
Luiz Paulo Geraldo (Física – UNIFEB)
Luiz Rodrigues Wambier (Direito - UNAERP)
Luiza Maria Pierini Machado (Engenharia de Alimentos – UNIFEB)
Maira Mattar (Zootecnia - UNIFEB)
Manoel de Jesus Simões (Medicina – UNIFESP)
Manoel Victor Franco Lemos (Agronomia – UNESP/Jaboticabal)
Marcelo Borges Mansur (Engenharia Química – UFMG)
Marcelo Henkemeier (Engenharia de Alimentos - UPF)
Marcelo Henrique de Faria (Zootecnia - APTA/AM – Secret. Agricultura de SP)
Márcia Justino Rossini Mutton (Agronomia – UNESP/Jaboticabal)
Márcia Luzia Rizzatto (Engenharia de Alimentos – UNIFEB)
Marcia Maisa de Freitas Afonso (Odontologia - UNIFEB)
Marco Aurélio Neves da Silva (Zootecnia – ESALQ/USP)
Maria Auxiliadora Brigliador Conti (Química – UNIFEB)
Maria Cristina Piana (Serviço Social – UNIFEB)
Maria Cristina Thomaz (Agronomia – UNESP/Jaboticabal)
6
Ciência e Cultura
Maria José de Almeida (Educação – UNICAMP)
Maria José de Oliveira Lima (Serviço Social – UNIFEB)
Maria José Soares Mendes Giannini (Farmácia – UNESP/Araraquara)
Maria Teresa do Prado Gambardella (Química – USP/São Carlos)
Maria Tereza Ribeiro Silva Diamantino (Engenharia de Alimentos – UNIFEB)
Marília Oetterer (Agroindústria – ESALQ/USP)
Mário José Filho (Serviço Social – UNESP/Franca)
Mário Rolim (Engenharia Agrícola – UFRPE)
Marlei Aparecida Seccani Galassi (Odontologia – UNIFEB)
Mauro dal Secco de Oliveira (Agronomia – UNESP/Jaboticabal)
Miguel Carlos Madeira (Odontologia – UNESP/Araçatuba)
Miriam Eiko Katuki Tanimoto (Odontologia – UNIFEB)
Nilza Maria Martinelli (Agronomia – UNESP/Jaboticabal)
Norberto Luiz Amsei Júnior (Quimica - UNIFEB)
Odair A. Fernandes (Agronomia – UNESP/Jaboticabal)
Odila Florêncio (Química – UFSCAR)
Orlando Fatibello Filho (Química – UFSCAR)
Oselys Rodrigues Justo (Engenharia Química - FEQ/UNICAMP)
Osvaldo Eduardo Aielo (Física – UNIFEB)
Patrícia Amoroso (Odontologia – UNIFEB)
Patrícia Helena Rodrigues de Souza (Odontologia – UNIFEB)
Patrícia Maria Nassar (Química – UNIFEB)
Paula Homem de Mello (Química – USP/São Carlos)
Paulo César Hardoim (Engenharia Agrícola – UFLA)
Paulo Estevão Cruvinel (EMBRAPA/São Carlos)
Paulo Roberto dos Santos Pinto (Odontologia – UNIFEB)
Paulo Roberto da Silva Ribeiro (Farmácia – UFMA)
Paulo Sérgio Cerri (Odontologia – UNESP/Araraquara)
Pedro Leite de Santana (Engenharia Química – UFS)
Pedro Paulo Scandiazzo (Educação Matemática–UNESP/S. J. do Rio Preto)
Rael Vidal (Biologia – UNIFEB)
Ranulfo Monte Alegre (Engenharia de Alimentos – UNICAMP)
Raphael Carlos Comeli Lia (Odontologia – UNIFEB)
Regilene Steluti (Farmácia – UNIFEB)
Regina Célia de Matos Pires (Recursos Hídrico – IAC/Campinas)
Regina Kitagawa (Engenharia de Alimentos – ITAL)
Reginaldo da Silva (Direito – UNIFEB)
Renata Camacho Miziara (Odontologia – UNIFEB)
Renato de Mello Prado (Agronomia – UNESP/Jaboticabal)
Renato Moreira Ângelo (Física – UFPR)
Ricardo Dias Signoretti (Eng. Agronômica-APTA/AM–Secret.Agricultura- SP)
Rinaldo César de Paula (Agronomia – UNESP/Jaboticabal)
Rober Tufi Hetem (Medicina – UNICAMP)
Roberta Toledo Campos (Direito – UNIUBE)
Roberto Braga (Planejamento Urbano – UNESP/Rio Claro)
Roberto Holland (Odontologia – UNESP/Araçatuba)
Romildo Martins Sampaio (Engenharia de Alimentos – UFMA)
Rosangela de Carvalho Goulart Guedes Prado (UNIFEB)
Rosemiro Pereira Leal (Direito – UFMG e PUC/MG)
Rouverson Pererira da Silva (Agronomia – UNESP/Jaboticabal)
Salete Linhares Queiroz (Química – USP/São Carlos)
Sally Cristina Moutinho Monteiro (Farmácia – UFMA)
Sebastião Hetem (Odontologia-UNESP/Araçatuba)
Sérgio de Freitas (Agronomia – UNESP/Jaboticabal)
Sérgio Henrique Tiveron Juliano (Direito – UNIUBE)
Shirley Aparecida Garcia Berbari (Engenharia de Alimentos – UNIFEB)
Silvano Bianco (Agronomia – UNESP/Jaboticabal)
Simone Barone Salgado Marques (Farmácia - UNIFEB)
Sissi Kawai Marcos (Engenharia de Alimentos – UNIFEB)
Sônia Maria Alves Jorge (Química – UNESP/Botucatu)
Sonia Regina Meira (Educação - FAEX)
Sylvio Luís Honório (Engenharia Agrícola – UNICAMP)
Telmo Antonio Dinelli Estevinho (Sociologia/Ciência Política– UFMT)
Terezinha Oliveira Maia Martincowski (Pedagogia - UNIFEB)
Tetuo Okamoto (Odontologia – UNESP/Araçatuba)
Ueide Fernando Fontana (Odontologia – UNIFEB)
Valdir Gouveia Garcia (Odontologia/UNIFEB – UNESP/Araçatuba)
Victor Haber Perez (UENF/RJ)
Walter Antonio de Almeida (Odontologia – UNIFEB)
CIÊNCIA E CULTURA - Revista Científica Multidisciplinar do Centro Universitário da FEB
v. 7, nº 2, Novembro/2011 - ISSN 1980 - 0029
SUMÁRIO
Editorial
Meio Ambiente e Saúde: reflexos da ação do homem
9
Alfésio Luís Ferreira BRAGA
ARTIGOS CIENTÍFICOS-ORIGINAL ARTICLES
Diagnóstico e tratamento de cisto do canal nasopalatino. Relato de caso.
Diagnosis and treatment of nasopalatine cyst. Case Report
Suélen MATARELI, Ana Paula Delduque Freitas GORJON, Felipe Gai ISPER, Rubens de SOUZA-NETO,
Miguel Alfredo ISPER, Fabiano de Sant’Ana dos SANTOS
Investigation of the total uranium concentration in surface and underground water samples from the
Caetité region, BA.
Investigação da concentração de urânio total em amostras de águas superficiais e subterrâneas coletadas
na região de Caetité, BA.
Júlia Grasiela Batista SILVA, Ione Makiko YAMAZAKI, Luiz Paulo GERALDO
11
17
Obesidade, doença periodontal e o risco às doenças cardiovasculares – revisão de literatura.
Obesity, periodontal disease and cardiovascular disease risk - literature review.
Thais Uenoyama DEZEM, Eliane Marçon BARROSO, Ana Luiza Vanzato CARRARETO, Elizangela
Partata ZUZA, Benedicto Egbert Corrêa de TOLEDO, Alex Tadeu MARTINS, Juliana Rico PIRES
23
Determinação da matéria seca e dos teores de macronutrientes da grama batatais pelos métodos de
secagem em forno de microondas e estufa
Determination of dry matter and macronutrient content of bahiagrass by the methods of drying in
microwave oven and oven drying
Aliny Alencar de LIMA; Déborah Verçoza da SILVA; Altenira Galvão MAIA; Igor Honorato Leduino da
SILVA; Paulo Márcio BEBER; Renato de Mello PRADO; Paulo Guilherme Salvador WADT
31
Próteses sobre implante: cimentada ou parafusada? Revisão da literatura.
Implant prosthesis: cement-retained or screw-retained? Literature review.
Daniel PALHARES1*, Celso Eduardo SAKAKURA1, Marcelo Bighetti TONIOLLO2, Carla Moreto
SANTOS3, Wilson MATSUMOTO3, Regina Maura FERNANDES3, Renato José BERRO3.
35
Padronização da produção extracelular de pigmentos vermelhos por Monascus ruber.
Standardization of production of red pigments by Monascus rubber.
Naiara ZANETI,, Luciana GAZZONE, Juliana Custodio TOLEDO, Guilherme Augusto TEIXEIRA,
Cristiane Cardoso Correia TEIXEIRA
43
Avaliação da obesidade e dos parâmetros clínicos periodontais em acadêmicos de Odontologia
Evaluation of obesity and clinical periodontal parameters in dental students
Elizangela Partata ZUZA, Suélen MATARELI, Aline Gunther ARANTES, Juliana Rico PIRES, Alex Tadeu
MARTINS, Benedicto Egbert Corrêa de TOLEDO
51
Menopausa: conceito e tratamentos alopático, fitoterápico e homeopático
Menopause: concept and allopathic, homeopathic and herbal treatments
Andressa Leme de FIGUEIREDO, Fernanda Domingos de OLIVEIRA, Lígia Cury CASULA, Mariane
BAIOCATO, Fabricia Helena SANTELLO
59
Avaliação radiográfica das variações anatômicas do incisivo central inferior: estudo “in vitro”
Assessment of the radiographic anatomical variations of the mandibular central incisor: “in vitro”
study.
69
Devanir de Araujo CERVI, Alexandre Pugliesi NEVES, Maria José Pereira de ALMEIDA
Presença de Pseudomonas aeruginosa multirresistente em fonte ambiental hospitalar
Presence of multidrug-resistant Pseudomonas aeruginosa in hospital environmental source
Cátia REZENDE*, Ana Paula MENON, Gabriela BAIDA, Juliana Eustachio ROSOLEM, Renata Camacho
MIZIARA, Simone Barone Salgado MARQUES
75
Ciência e Cultura
7
8
Ciência e Cultura
CIÊNCIA E CULTURA - Revista Científica Multidisciplinar do Centro Universitário da FEB
v. 7, nº 2, Novembro/2011 - ISSN 1980 - 0029
Editorial
Meio Ambiente e Saúde: reflexos da ação do homem
A influência exercida pelo meio ambiente sobre os seres humanos é fato reconhecido quase que
instintivamente pelo homem desde o início dos tempos. Ela ficou documentada, pela primeira vez, quando
Hipócrates, médico grego reconhecido como o mais importante da história de medicina, escreveu seu tratado
intitulado “Sobre os ares, as águas e os lugares”, no século IV A.C. discorrendo sobre os efeitos benéficos
ou maléficos que os diferentes componentes ambientais podem exercer sobre a saúde.
Decorridos quase 25 séculos, os seres humanos têm contribuído de forma determinante para a
deterioração do meio ambiente e, consequentemente, para o aparecimento de uma grande quantidade de
doenças relacionadas à presença de substâncias tóxicas nos diferentes compartimentos ambientais.
Até a Revolução Industrial, iniciada na Europa na metade do século XVIII, os principais fatores de
risco para a saúde dos seres humanos estavam ligados às doenças infecto-contagiosas que dizimavam
comunidades inteiras e atingiam proporções pandêmicas. A falta de noções mínimas de saneamento básico
contribuía para esta situação incontrolável, associada à medicina ainda rudimentar mesclada ao fanatismo
religioso que dominava o continente europeu.
A partir do século XVIII, avanços nas áreas das ciências da saúde ajudaram a minimizar os efeitos
das doenças infecto-contagiosas sobre os seres humanos. Entretanto, devido à frenética atividade produtiva
facilitada pela maquina a vapor, começaram a ser despejadas no ambiente toneladas de resíduos resultantes
das atividades industriais. Ar, água e solo têm sido o destino final de uma grande quantidade e variedade de
poluentes que colocam em risco a saúde e, consequentemente, a qualidade de vida dos habitantes de centros
urbanos.
A poluição do ar passou a ser considerada um sério problema de saúde pública na Europa e nos
Estados Unidos apenas duzentos anos após o início da Revolução Industrial. Para isso, foi preciso que três
grandes episódios de excesso de poluentes ocorressem durante períodos de inversão térmica no Vale de
Meuse, na Bélgica (1938), em Donora, na Pensilvânia, EUA (1948), e em Londres, Inglaterra (1952).
Milhares de mortes e de pessoas que adoeceram por causas respiratórias ou cardiovasculares ajudaram a
dimensionar o problema e a colocá-lo como prioridade para o poder público.
Desde então, foram identificados os poluentes do ar emitidos através da queima de combustíveis
fósseis e esclarecidos os seus efeitos tóxicos sobre plantas e animais. Inicialmente de responsabilidade
quase que exclusiva das indústrias de diferentes setores de produção, as emissões de poluentes passaram a
ter a contribuição cada vez mais expressiva da frota de veículos.
No Brasil, nos grandes centros urbanos, os veículos respondem por mais de 90% das emissões de
gases e de 60% das emissões de partículas inaláveis. Em áreas industriais, como na cidade de Cubatão,
onde as emissões de poluentes atmosféricos ainda são predominantemente industriais, o aumento das emissões
veiculares cria uma mistura de poluentes com grande toxicidade, que afeta toda a população exposta e, de
forma mais grave, os fetos, as crianças e os idosos.
Gases e poeiras promovem um processo de estresse oxidativo nas vias aéreas que levam, nos mais
susceptíveis, ao desencadeamento de um processo inflamatório localizado e restrito ao sistema respiratório,
ou que pode se estender para o restante do organismo e, principalmente, para o sistema cardiovascular.
Dados recentes mostram que a exposição a estes poluentes se constitui no fator de risco que mais causa
mortes por infarto agudo do miocárdio no mundo.
A adoção do álcool para uso veicular ou para a mistura com a gasolina, associada à incorporação de
avanços tecnológicos que tornam mais eficientes as queimas de combustíveis nos veículos e diminuem as
emissões de poluentes levaram a uma redução nas concentrações de poluentes nos centros urbanos brasileiros.
Ainda assim, estima-se que na cidade de São Paulo oito mortes por dia e 20% de todas as internações
hospitalares por doenças cardiorrespiratórias ocorram por causa das concentrações atuais de poluentes
atmosféricos.
Se por um lado o álcool ajudou a reduzir a poluição do ar nos centros urbanos, por outro a sua
produção acabou por piorar a qualidade do ar nas cidades próximas às áreas de plantação de cana de
açúcar. Ainda se utiliza na maioria das áreas de produção a queima da plantação antes da colheita, o que
leva à emissão de toneladas de poluentes durante os períodos de safra. Os mesmos efeitos adversos da
poluição do ar observados nos grandes centros urbanos passaram a ser registrados em cidades com frotas
de veículos muito menores. Além disso, devemos salientar as condições desumanas de trabalho na colheita
manual da cana de açúcar. A leniência das autoridades responsáveis levará a muitos efeitos adversos à
Ciência e Cultura
9
saúde da população do entorno e dos trabalhadores que poderiam ser evitados caso seja banida a queima
pré-colheita e adotada a mecanização.
Ainda há muito a se fazer para minimizar os efeitos adversos causados pela exposição aos poluentes
atmosféricos. Medidas como a adoção de combustíveis mais limpos (diesel com menor concentração de
enxofre, por exemplo) e de biocombustíveis, o uso mais intenso do gás natural, o desenvolvimento de veículos
elétricos, o transporte público em quantidade e qualidade, o planejamento urbano e uma legislação mais
rigorosa contra os poluidores devem ser imediatamente implementadas.
Infelizmente não foi apenas o ar que sofreu com as atividades produtivas e com a destinação
inadequada de resíduos. Solo e águas superficiais e subterrâneas também se tornaram destino destes poluentes.
Minamata, no Japão, e Love Canal, nos EUA são dois exemplos dos riscos que a exposição a metais tóxicos
e substâncias químicas pode representar para o desenvolvimento neurológico inadequado e para o
aparecimento de tumores em diferentes órgãos.
A industrialização acelerada ocorrida na cidade de Cubatão entre as décadas de 1950 e 1970 levou
à instalação de indústrias de diferentes ramos de atividades, incluindo as petroquímicas, siderúrgicas, de
fertilizantes e de pesticidas, entre outras. Uma legislação leniente e uma fiscalização frouxa criaram as
condições para a ocorrência de uma série de violações de normas de procedimento para destinação dos
resíduos das linhas de produção.
Áreas fora das plantas industriais e próximas a núcleos habitacionais foram utilizadas como depósitos
das escórias destas empresas sem que houvesse o preparo adequado e a autorização para essa finalidade.
Muitas áreas de mangue foram aterradas com uma mistura de escoria industrial e solo e bairros inteiros
foram construídos nestes locais. Por pelo menos três décadas as pessoas conviveram em situações muito
precárias em termos de benfeitorias e suporte público. A parte continental da cidade de São Vicente, diversas
áreas da cidade de Cubatão e o distrito de Vicente de Carvalho no Guarujá, são algumas das áreas que
sofreram e ainda sofrem com os efeitos desta contaminação.
Não é por outra razão que na Baixada Santista se observa um elevado coeficiente de mortalidade
por câncer de mama, maior do que o observado para o estado de São Paulo e para o Brasil; prevalências de
hipertensão e de doenças respiratórias maiores do que as observadas na cidade de São Paulo; níveis séricos
de mercúrio acima do limite de tolerância biológica; alterações cognitivas em crianças e adolescentes; e
níveis de chumbo, mercúrio e cádmio na poeira domiciliar acima dos padrões recomendados pela CETESB.
Há outras áreas espalhadas pelo país com situação semelhante. Santo Amaro, na Bahia, enfrenta o
chumbo que contamina toda a cidade. No município de São Paulo, diversas áreas estão contaminadas por
lixo residencial e industrial ou por produtos derivados de petróleo que vazam dos tanques dos postos de
combustível ou dos tanques de armazenamento nas indústrias, para o solo e as águas adjacentes a estas
áreas. Diariamente são conhecidas novas áreas contaminadas com populações expostas.
As doenças relacionadas à contaminação ambiental fazem parte do grupo de doenças provocadas
pelo homem que redefiniram o perfil da transição epidemiológica no último século. Elas são um problema de
saúde pública que merece uma pronta resposta por parte dos administradores públicos. Para tanto, o sistema
de saúde precisa se adequar a demandas que não são corriqueiras, as autoridades responsáveis precisam
agir imediatamente para mitigar o problema que se arrasta e a população precisa ser comunicada da situação
para que possa atuar na busca de soluções para um problema que é de extrema gravidade.
BRAGA, ALF; PEREIRA, LAA; GERALDO, LP. Estudo epidemiológico na população residente na
Baixada Santista - Estuário de Santos: avaliação de indicadores de efeito e de exposição a contaminantes
ambientais. Acessado em 28 set 2011. Disponível em: http://www.unisantos.br/upload/
menu3niveis_1280350424329_relatorio_final_estuario_completo.pdf.
CETESB – Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental, Secretaria de Estado do Meio
Ambiente, Governo do Estado de São Paulo. Sistema Estuarino de Santos e São Vicente. Relatório
Técnico Agosto de 2001.
CETESB. Qualidade do ar no Estado de São Paulo 2010. Acessado em 29 set 2011. Disponível em: http:/
/www.cetesb.sp.gov.br/ar/qualidade-do-ar/31-publicacoes-e-relatorios.
Prof. Dr. Alfésio Luís Ferreira Braga
Médico Epidemiologista. Professor e Pesquisador do Grupo de Avaliação de Exposição e Risco Ambiental
do Programa de Pós-Graduação estrito senso em Saúde Coletiva da Universidade Católica de Santos;
Pesquisador sênior do Núcleo de Estudos em Epidemiologia Ambiental do Laboratório de Poluição
Atmosférica Experimental da Faculdade de Medicina da USP e Coordenador de Estudos Epidemiológicos
do Instituto Nacional de Avaliação Integrada de Risco Ambiental – MCT/CNPq/FAPESP.
10
Ciência e Cultura
CIÊNCIA E CULTURA - Revista Científica Multidisciplinar do Centro Universitário da FEB
v. 7, nº 2, Novembro/2011 - ISSN 1980 - 0029
Diagnóstico e tratamento de cisto do canal nasopalatino. Relato
de caso.
Diagnosis and treatment of nasopalatine cyst. Case Report
Suélen MATARELI, Ana Paula Delduque Freitas GORJON, Felipe Gai ISPER, Rubens de SOUZA-NETO, Miguel
Alfredo ISPER, Fabiano de Sant’Ana dos SANTOS*
Centro Universitário da Fundação Educacional de Barretos, Curso de Odontologia, Av. Prof. Roberto Frade Monte 389,
Aeroporto, CEP 14783-326, Barretos, SP.
RESUMO
O cisto do ducto nasopalatino é a patologia de maior frequência de origem não odontogênica que acomete a
região maxilar. Esta doença pode atingir indivíduos de qualquer faixa etária, sendo mais comum entre a 4a e
6a década de vida. A patogenia é controvertida e a biópsia é indicada. A colocação de dispositivo para
drenagem do conteúdo cístico pode ser recomendada e o tratamento é cirúrgico. O objetivo desse estudo foi
descrever um caso clínico de um cisto do ducto nasopalatino em paciente portadora de prótese total, que
apresentou dor e aumento volumétrico na região anterior do palato. O tratamento consistiu na descompressão
e enucleação do cisto. O paciente recebeu acompanhamento por 3 anos e foi observado ausência de
recorrência e reparo do osso acometido.
Palavras-Chave: Cistos Ósseos, Cistos Não-Odontogênicos, Cistos Maxilomandibulares.
ABSTRACT
The nasopalatine cyst is the pathology of larger frequency of non odontogenic origin that injures the maxillary
area. This disease can reach individuals of any age group, being more common around to 4th and 6th decade
of life. The pathogenesis is controverted and the biopsy is indicated. The placement of the device to drain
the cystic content may be recommended and the treatment is surgical. The aim of this study was to report
a clinical case of a nasopalatine cyst in patient bearer of complete dentadure, that presented pain and
volume increase in the area previous of the palate. The treatment consisted of the dreinage and cyst
enucleation. The patient was followed for 3 years and it was observed no recurrence absence and repair of
the injure bone.
Keywords: Bone Cysts, Non Odontogenic Cysts, Jaw Cysts.
Autor para Correspondência:
e-mail: [email protected]
Telefone: (17) 3321-6402, (17) 3321-6328
Recebido em: 04/04/2011
Aceito para publicação em: 02/09/2011
*
Ciência e Cultura
11
Diagnóstico e tratamento de cisto do canal nasopalatino. Relato de caso.
MATARELI et al
INTRODUÇÃO
Relato de Caso
O cisto do ducto nasopalatino (CDNP) é a
patologia não odontogênica mais comuns dos
maxilares, com uma frequência de cerca de 2% dos
cistos da região bucomaxilofacial (GROSSMANN
et al., 2007). A sua incidência pode variar de 1 a
1,5% na população e supõe-se que o CDNP se
origine de remanescentes do ducto nasopalatino, uma
estrutura embrionária que liga a cavidade nasal à oral
na região do canal incisivo (NEVILLE et al., 2009).
Outros possíveis fatores etiológicos sugeridos são: o
trauma, infecção do ducto e retenção de muco das
glândulas salivares menores adjacentes, assim a
patogênese desta lesão ainda é pouco conhecida
(SHAFER et al., 2009). As características clínicas e
radiográficas do CDNP apresentam-se como
tumefação no palato e lábio, dor e drenagem
(ELYASSI et al., 2009; NEVILLE et al., 2009).
Quanto à faixa etária, o CDNP pode se
desenvolver em qualquer idade, até mesmo no feto,
sendo mais comum entre a 4ª e a 6ª década de vida
(SHAFER et al., 2009). Esta doença ocorre com mais
frequência no gênero masculino seguindo a proporção
de 3:1 (REGEZI et al., 2002).
O CDNP é tratado por enucleação cirúrgica
e a biópsia é recomendada, porque a lesão não é
diagnosticada por radiografia e existem outras lesões
benignas e malignas semelhantes a está patologia
(MISSAWA, 2007, SHAFER et al., 2009, BACHUR
et al., 2010; FAITARONI et al., 2011). A recidiva é
raramente observada (NELSON & LINFESTY,
2010). A transformação maligna tem sido relatada
em casos escassos (NEVILLE et al., 2009).
O objetivo desse estudo foi descrever um
caso clínico de um CDNP em paciente portadora de
prótese total superior e inferior, que apresentou dor
e aumento volumétrico na região anterior do palato.
Paciente do gênero feminino, octogenária,
meloderma, apresentou-se na Clínica de Diagnóstico
e Cirurgia do Curso de Odontologia do Centro
Universitário da Fundação Educacional de Barretos
– UNIFEB, com queixa principal de dor, boca seca,
gosto ruim e salgado na boca. Além disso, relatou
um aumento volumétrico na região anterior do palato
a mais de 10 meses, sendo esta as principais razões
que levaram a paciente a procurar pelo atendimento
odontológico.
Durante o exame físico extrabucal,
observou-se um suave aumento volumétrico com
atenuação do sulco nasopalatino e levantamento da
asa do nariz. No exame físico intrabucal, foi verificado
que a paciente era edêntula, portadora de prótese
total superior e inferior, apresentando uma lesão e
tumefação na fibromucosa palatina, na região da rafe
palatina e posterior à papila incisiva. A lesão
apresentava um diâmetro aproximado de 5 mm,
limites nítidos, de coloração avermelhada, mucosa
adjacente normal e de formato arredondado.
Durante a palpação da lesão, notou-se uma
consistência flácida e com sintomatologia dolorosa.
Todas as características da lesão foram anotadas na
ficha clínica.
No exame radiográfico com a técnica
intrabucal oclusal, observou-se uma imagem
radiolúcida, bem delimitada do rebordo alveolar sobre
a rafe palatina (Figura 1). Mediante os exames clínico
e radiográfico, o diagnóstico sugerido foi o de CDNP.
O plano de tratamento consistiu na realização de
biópsia, descompressão cística e enucleação cística.
Para a punção aspirativa foi colocado um
dreno visando à descompressão do cisto; o paciente
foi preparado seguindo as orientações de
biossegurança preconizadas pelo Curso de
Figura 1: Imagem radiolúcia representando a extensão do cisto do ducto nasopalatino.
12
Ciência e Cultura
CIÊNCIA E CULTURA - Revista Científica Multidisciplinar do Centro Universitário da FEB
Odontologia do UNIFEB (SANTOS, 2010). A
anestesia local foi realizada por meio da técnica
infiltrativa subperióstica bilateral por vestibular, com
objetivo de anestesiar o nervo alveolar superior
anterior, nervo alveolar superior médio, nervo
nasopalatino na região da papila incisiva e nervo
v. 7, nº 2, Novembro/2011 - ISSN 1980 - 0029
palatino maior. Em seguida, foi realizada a punção
aspirativa (Figura 2), utilizando-se para isto uma
seringa descartável (BD Plastipak®, São Paulo,
Brasil) e uma agulha 21 G1 (BD Precisionglide®, São
Paulo, Brasil) obtendo-se um resultado positivo para
o líquido.
Figura 2: Punção do conteúdo cístico.
A cirurgia de acesso ao cisto foi realizada por meio
de uma incisão circular com uma lâmina de bisturi
de aço carbono número 11 (Two arrows, Shanghai,
China) no rebordo gengival voltado para a face
vestibular. Em seguida, foi realizado a divulsão do
retalho mucoperiosteal, onde se identificou uma
membrana sugestiva de cisto, que foi removida em
parte por meio de uma pinça Allis (Figura 3). Com
uma pinça goiva foi realizada a ampliação da loja
cirúrgica. Por fim, conforme Igreja et al. (2005)
propuseram foi colocado um dreno na região
vestibular (Figura 4). O dreno permaneceu em
posição durante 15 dias. O líquido e o epitélio cístico
removidos foram encaminhados para análise
histopatológica no laboratório do serviço de patologia
bucal do Curso de Odontologia do Centro Universitário da Fundação Educacional de Barretos. A paciente
foi orientada a realizar todos os dias uma irrigação
na loja cirúrgica com soro fisiológico para retirada
de restos de alimentos e prevenção de odor fétido.
Figura 3: Cirurgia de preparo para adaptação do dreno.
Figura 4: Dreno adaptado na porção vestibular do
rebordo alveolar.
Ciência e Cultura
13
Diagnóstico e tratamento de cisto do canal nasopalatino. Relato de caso.
O aspecto microscópico foi compatível com CDNP,
onde os cortes histológicos seriados mostram
fragmentos de tecidos conjuntivos com densidade
colágena variável tendo infiltrado inflamatório difuso
prevalecentemente mononucleado. Constatou-se
também a presença de formação cavitária revestida
por epitélio pavimentoso estratificado acantótico e
não foram detectados sinais de malignidade.
A paciente retornou após 15 dias com
melhora do quadro clínico, houve regressão da
sintomatologia dolorosa e da tumefação provocada
pela lesão cística. Nessa sessão, removeu-se o dreno
e foi realizado a enucleação da cápsula cística. Para
isso, a paciente recebeu os preparos em termos de
biossegurança. Foi realizada anestesia dos nervos:
Figura 5: Imagem radiográfica de acompanhamento
após 24 meses da cirurgia.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
No presente estudo, os autores reportam um
caso de CDNP em paciente com 80 anos de idade
do gênero feminino. Na literatura verificou-se que o
CDNP é mais comumente observado entre a quarta
e sexta décadas de vida, entretanto pode também
ser observado em crianças de tenra idade e em jovens
(ELY et al., 2001; MARTINS et al., 2007; BACHUR
et al., 2009; NEVILLE et al., 2009; NONAKA et
al., 2011). Outra constatação interessante é que o
CDNP acomete homens adultos com maior
frequência (ESCODA et al., 2008; BACHUR et al.,
2009). Este último dado contraria um estudo realizado
no Brasil, onde o CDNP foi predominante no gênero
feminino (NONAKA et al., 2011).
Os dados levantados durante a anamnese
não apontam história de trauma, infecção do ducto e
retenção de muco das glândulas salivares menores
adjacentes. Clinicamente, a paciente apresentou dor
e tumefação, provavelmente relacionados ao
crescimento expansível da lesão e também por
14
Ciência e Cultura
MATARELI et al
alveolar superior anterior, alveolar superior médio e
nasopalatino. Uma vez retirado o dreno deu-se início
a enucleação da cápsula cística. Com as costas de
uma cureta, a cápsula foi deslocada em toda a sua
extensão e, cuidadosamente, uma gaze foi sendo
introduzida na loja cirúrgica.
À medida que a gaze foi sendo introduzida a
cápsula cística foi sendo expulsa da cavidade
cirúrgica. A loja cirúrgica foi suavemente irrigada
com soro fisiológico, realizou-se a hemostasia e, em
seguida, a sutura. Finalmente, o acompanhamento
clínico e radiográfico da paciente foi realizado para
verificação da progressiva diminuição da área cística
e neoformação óssea da região acometida (Figuras
5 e 6).
Figura 6: Imagem radiográfica de acompanhamento
após 36 meses da cirurgia.
estarem infectadas por micro-organismos
oportunistas, conforme estabelecido por outros
pesquisadores (ELYASSI et al., 2009; NEVILLE et
al., 2009; OLIVEIRA et al., 2009). Casos
assintomáticos e descobertos por exames
radiográficos de rotina também podem ocorrer
(MARTINS et al., 2007). Conforme consta na
literatura, a patogênese do CDNP é desconhecida,
provavelmente ela representa uma degeneração
cística espontânea de remanescente do ducto
nasopalatino (NEVILLE et al., 2009; SHAFER et
al., 2009). Ainda no que se refere à etiologia, o trauma
parece não estar relacionado com o CDNP, de acordo
com achados de um estudo retrospectivo de 31 casos
desta patologia (VASCONCELOS et al., 1999).
O exame radiográfico apresentou uma
imagem radiolúcida ovalada de limites nítidos e
circunscritos, próxima a linha média da região anterior
da maxila. Tais características mencionadas no
presente relato seguem os padrões similares às
definições consideradas pela literatura (NEVILLE
et al., 2009; SHAFER et al., 2009).
CIÊNCIA E CULTURA - Revista Científica Multidisciplinar do Centro Universitário da FEB
Para o diagnóstico do CDNP, os autores do
presente estudo se basearam nas observações
clínicas, radiográficas e exame histopatológico,
conforme descrito por outros pesquisadores
(VELASQUEZ-SMITH et al., 1999; MARTINS et
al., 2007; BACHUR et al., 2009). O CDNP é uma
entidade patológica que apresenta dificuldade para
ser diagnosticada, assim sendo para se evitar erros
no diagnóstico e conduta terapêutica a tomografia é
um recurso que deve ser solicitado pelos profissionais
(HARRIS & BROWN, 1997; OLIVEIRA et al.,
2009; FAITARONI et al., 2011). Salienta-se também
que na literatura há um número pequeno de estudos
abordando os aspectos clínico-patológico (BACHUR
et al., 2009; NEVILLE et al., 2009; SHAFER et al.,
2009). Para remoção da lesão apresentada nesse
relato, planejou-se o tratamento cirúrgico em duas
etapas, sendo que a primeira foi o procedimento de
descompressão do cisto por meio da fixação de um
dreno (IGREJA et al., 2005). Decorridos 15 dias, o
dreno foi retirado e, na mesma sessão, a lesão cística
foi enucleada totalmente, conforme estabelecido por
outros autores (ELLIOT et al., 2004; BACHUR et
al., 2009; CONTE-NETO et al., 2010). Não obstante,
há estudos que recomendam que o procedimento para
enucleação da cápsula cística deva ser realizada após
1 ano do paciente ter permanecido com um dreno,
tendo em vista que esta conduta denominada de
marsupialização reduz a extensão cística
(GNANASEKHAR et al., 1995; BACHUR et al.,
2009; SHAFER et al., 2009). No entanto, a
marsupialização não foi o procedimento de eleição
adotado nos 30 casos estudados por Vasconcelos et
al. (1999), desta forma corroborando a conduta
adotada pelos autores do presente estudo. Salientase que a paciente foi acompanhado durante 3 anos e
os dados clínicos e radiológicos sugeriram formação
óssea na região acometida pelo CDNP. O ideal é
que os casos sejam acompanhados por pelo menos 3
anos, conforme estabelecido por outros autores para
verificação da neoformação óssea e ausência de
recidiva (RIGHINI et al., 2004; MARTINS et al.,
2007; CONTE-NETO et al., 2010; NELSON &
LINFESTY, 2010).
v. 7, nº 2, Novembro/2011 - ISSN 1980 - 0029
acompanhamento clínico permitiu a verificação da
neoformação óssea e ausência de recidiva.
AGRADECIMENTOS
Aos professores Dr. Raphael Carlos Comelli
Lia e Renata Marins Hebling, responsáveis pelo
Serviço de Patologia do Centro Universitário do
UNIFEB.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BACHUR, A.M.; SANTOS, T.C.R.B.; SILVEIRA,
H.M., PIRES, F.R. Cisto do ducto nasopalatino:
considerações microscópicas e de diagnóstico
diferencial. Robrac, v.18, n.47, p. 58-62, 2009.
CONTE-NETO, N.; BASTOS, A.S.; DANTAS,
J.F.O; CARVALHO, W.R.S.; ANDRADE, C.R.;
VIEIRA, E.H. Nasopalatine duct cyst: a case report
within 3 years follow-up. Int J Dent, v. 9, n.3, p. 1559, 2010.
ELLIOTT K.A.; FRANZESE, C.B.; PITMAN, K.T.
Diagnosis and surgical management of nasopalatine
duct cysts. Laryngoscope, v. 114, n.8, p. 1336-40,
2004.
ELY, N.; SHEEHY, E.C.; MC DONALD, F.
Nasopalatine cisty duct: a case report . Int J. Paediatr
Dent., v.11, n.2, p. 135-7, 2001.
ELYASSI, A.R.; CLOSMANN, J.J.; TORSKE,
K.R.; BAUS, M.R. A case of anterior maxillary
radiolucency. Gen Dent., v.57, n.4, p.402-7, 2009.
ESCODA FRANCOLI, J.; ALMENDROS
MARQUÉS, N.; BERINI AYTÉS, L.; GAY
ESCODA, C. Nasopalatine duct cyst: report of 22
cases and review of the literature. Med Oral Patol
Oral Cir Bucal., v.13, n.7, p. e438-43, 2008.
CONCLUSÃO
FAITARONI,
L.A.;
BUENO,
M.R.;
CARVALHOSA, A.A.; MENDONÇA, E.F.;
ESTRELA, C. Differential diagnosis of apical
periodontitis and nasopalatine duct cyst. J Endod.,
v.37, n.3, p. 403-10, 2011.
O diagnóstico do CDNP é realizado por meio
de exame clínico, análise detalhada das imagens
radiográficas ou tomográficas devendo ser
confirmado mediante exame histopatológico. O
tratamento consistiu em drenagem do conteúdo
cístico e enucleação total da lesão. O
GNANASEKHAR, J.D.; WALVEKAR, S.V.; ALKANDARI, A.M.; AL-DUWAIRI, Y. Midiagnosis
and mismanagement of nasopalatine duct cyst and
its corrective therapy. A case report. Oral Surg Med
Oral Pathol Oral Radiol Endod., v.8, n.4, p. 456 – 70,
1995.
Ciência e Cultura
15
Diagnóstico e tratamento de cisto do canal nasopalatino. Relato de caso.
GROSSMANN, S.M.; MACHADO, V.C.;
XAVIER, G.M.; MOURA, M.D.; GOMEZ, R.S.;
AGUIAR, M.C.; et al. Demographic profile of
odontogenic and selected nonodontogenic cysts in a
Brazilian population. Oral Surg Oral Med Oral Pathol
Oral Radiol Endod., v.104, n.6, p. 35-41, 2007.
HARRIS, I.R.; BROW, J.E. Application of cross –
selectional imaging in the differencial diagnosis of
apical radiolucency: case report . Int. Endod J., v.30,
n.4, p. 288-90, 1997.
IGREJA, F.F.; PENNA, I.; CAMISASCA, D.R.;
BARROS,
L.A.P.;
PEREIRA,
T.C.R.
Marsupialização como tratamento inicial de cisto do
ducto nasopalatino. Rev Cir Traumatol Buco-MaxiloFac., Camaragibe, v.5, n.2, p. 41 - 48, 2005.
MARTINS, M.D.; RUSSO, M.P.; BUSSADORI,
S.K.; FERNANDES, K.P.S.; MISSAWA, G.T.M.
Cisto do ducto nasopalatino: relato de caso clínico e
revisão da literatura. Rev Inst Ciênc Saúde., v.25,
n.2, p. 193-7, 2007.
NELSON, B.L.; LINFESTY, R.L. Nasopalatine duct
cyst. Head Neck Pathol., v. 4, n.2, p. 121-2, 2010.
NEVILLE, B.W.; DAMM, D.D.; ALLEN, C.M.;
BOUQUOT, J.E. Patologia oral e maxillofacial. 3a
ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2009. 972 p.
NONAKA, C.F.; HENRIQUES, A.C.; DE MATOS,
F.R.; DE SOUZA, L.B.; PINTO, L.P.
Nonodontogenic cysts of the oral and maxillofacial
region: demographic profile in a Brazilian population
over a 40-year period. Eur Arch Otorhinolaryngol.,
v.268, n.6, p.917-22, 2011.
16
Ciência e Cultura
MATARELI et al
OLIVEIRA, M.T.F.; FREIRE, D.R.; BICALHO,
A.A.; SANTOS, C.R.R.; SOARES, J.A. Cisto do
ducto nasopalatino: relato de caso clínico. Rev
Odontol UNESP, Araraquara, v. 38, n. 6, p. 371-74,
2009.
REGEZI, J.A.; SCIUBBA, J.J.; POGREL, M.A.
Atlas de Patologia Oral e Maxilofacial. 1a ed. Rio de
Janeiro: Guanabara-Koogan, 2002. 184 p.
RIGHINI, C.A.; BOUBAGRA, K.; BETTEGA, G.;
VEROUGSTREATE, G.; REYT, E. Nasopalatine
canal cyst: 4 cases and a review of the literature.
Ann Otolaryngol Chir Cervicofac., v.121, n. 2, p.1159, 2004.
SANTOS, F.S. Manual de biossegurança da clínica
odontológica do Curso de Odontologia do Centro
Universitário da Fundação Educacional de Barretos.
Disponível em:
<http://www.feb.br/cursos_odonto/MANUAL
DEBIOSSEGURANCACURSODEODONTOLOGIA
UNIFEB062010.pdf>. Acesso em 30/03/2011.
SHAFER, W.G.; HINE, M.K.; LEVY, B.M. Shafers
textbook of oral pathology. 6th ed. Noida: Elsevier,
2009. 984 p.
VASCONCELOS, R.F.; FERREIRA DE AGUIAR,
M.C.; CASTRO, W.H.; ARAÚJO, V.C.;
MESQUITA R.A. Restropective analysis of 31 cases
of nasopalatine duct cyst. Oral Dis., v.5, n. 4, p.3258, 1999.
VELASQUEZ-SMITH, M.T.; MASON, C.;
COONAR, H.; BENNETT, J. A nasopalatine cyst
in an 8-year-old child. Int J Paediatric Dent., v.9, n.2,
p.123-7, 1999.
CIÊNCIA E CULTURA - Revista Científica Multidisciplinar do Centro Universitário da FEB
v. 7, nº 2, Novembro/2011 - ISSN 1980 - 0029
Investigation of the total uranium concentration in surface and
underground water samples from the Caetité region, BA.
Investigação da concentração de urânio total em amostras de águas
superficiais e subterrâneas coletadas na região de Caetité, BA.
Júlia Grasiela Batista SILVA1, Ione Makiko YAMAZAKI2, Luiz Paulo GERALDO1*.
Centro Universitário da Fundação Educacional de Barretos – UNIFEB, Av. Prof. Roberto Frade Monte 389, Aeroporto,
CEP 14783-226, Barretos, (SP).
2
Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares IPEN-CNEN/SP, CP 11049, Pinheiros, CEP 05422-970,
São Paulo, (SP).
1
ABSTRACT
At the region of Caetité, BA, it is located the largest uranium mine in exploration at present days in Brazil. During the
uranium extraction process, it may be having an environmental contamination by this heavy metal due to rain water and
other natural transport mechanism, with potential exposition risk to the local population. The aim of this work was to
investigate the total (dissolved and particulate phases) uranium concentration in surface and underground water
samples collected at the Caetité region, using the nuclear track registration technique (SSNTD) in a polycarbonate
plastic. A 100 mL volume of water samples were initially treated in 10 mL HNO3 (PA) and concentrated by evaporation
at a temperature around 80oC. The resulting residue was diluted to a total volume of 25 mL without passing it through
a filter. About 10 ì L of this solution was deposited on the plastic detector surface together with 5 ì L of a Cyastat®
detergent solution (5%) and evaporated under an infrared lamp. All the resulting deposits of non volatile constituents
were irradiated, together with a uranium standard sample, at the IPEN-IEA-R1 (3.5 MW) nuclear reactor for approximately
3 min. After irradiations, chemical etching of the plastic detectors was carried out at 60oC, for 65 min. in a NaOH (6 mol
L-1) solution. The fission tracks were counted scanning all the deposit area of the plastic detector with a system
consisting of an optical microscope together with a video camera and TV monitor. The average values of uranium
concentrations obtained in this work ranged from (0.95 ± 0.19) µg L-1 to (25.60 3.3) µg L-1. These results were compared
to values reported in the literature for water samples from other regions and discussed in terms of safe limits recommended
by WHO - World Health Oganization and CONAMA - Conselho Nacional do Meio Ambiente.
Keywords: Uranium, Natural Radioactivity, Fission Track Detectors, Waters.
RESUMO
Na região de Caetité, BA, está localizada a maior mina de exploração de urânio do Brasil no momento. Durante o
processo de extração do urânio pode estar havendo uma contaminação ambiental por este metal pesado por meio das
chuvas e outros mecanismos de transporte, com um risco potencial de exposição para a população local. O objetivo
deste trabalho foi investigar a concentração de urânio total (dissolvido e particulado) em amostras de águas superficiais
e subterrâneas coletadas na região de Caetité, utilizando a técnica do registro de traços nucleares (SSNTD) em um
plástico policarbonato. Inicialmente, 5 mL de HNO3 (PA) foi adicionado em 100 mL de cada amostra de água e o
conjunto foi concentrado por evaporação a uma temperatura em torno de 80 oC. O resíduo resultante foi diluído a um
volume total de 25 mL sem filtragem. Aproximadamente 10 ì L desta solução foi depositada na superfície do detector
plástico juntamente com 5 ì L de uma solução (5%) do detergente Cyastat® e evaporado em uma lâmpada infravermelho.
Todos os depósitos de constituintes não voláteis foram irradiados, junto com uma amostra padrão de urânio, no reator
nuclear IPEN-IEA-R1 (3,5 MW), por um período de tempo de 3 min. Após as irradiações os detectores plásticos foram
revelados quimicamente em um solução de NaOH (6 mol L-1) a 60oC por 65 min. Os traços de fissão foram contados em
toda a área do depósito no detector plástico utilizando um sistema consistindo de um microscópio óptico acoplado à
uma câmara de vídeo e monitor de TV. Os valores médios das concentrações de urânio obtidos neste trabalho variaram
de (0,95 ± 0,19) µg L-1 a (25,60 3,3) µg L-1. Estes resultados foram comparados com valores divulgados na literatura
para amostras de águas coletadas em outras regiões e discutidos em termos dos limites de segurança recomendados
pela OMS – Organização Mundial de Saúde e CONAMA - Conselho Nacional do Meio Ambiente.
Palavras-chave: Urânio, Radioatividade Natural, Detectores de Traços de Fissão, Águas.
*Autor para Correspondência:
e-mail: [email protected]
Telefone: (17) 3321-6438
Recebido em: 29/08/2011
Aceito para publicação em: 06/10/11
Ciência e Cultura
17
Investigation of the uranium concentration in water samples
INTRODUCTION
In the last decades, special attention has been
given to the control of natural occurrence radioactive
materials, in particular uranium, due to the increasing
of activities mainly related to uranium ore milling,
fertilizer production and coal thermal electric
industries in several countries. The increasing of
uranium presence in the environment is a matter of
serious concern, because it can represent an
important exposition source to the living organisms.
In this way, the knowledge of uranium content in
environmental and biological samples is important
from the viewpoint of radiological protection of the
general population.
At Caetité County, south of Bahia state in
Brazil, are located some important ore mines mainly
uranium, manganese, amethyst and iron. The largest
uranium mine in exploration at present days is located
in this County near the Maniaçu district. The region
presents naturally high uranium concentrations in
rocks and this geological characteristic together with
the uranium milling activities may be producing
contamination of the water sources in that region.
The aim of this investigation is to report
results from total (dissolved and particulate phases)
uranium concentration determinations for surface and
underground water samples collected in the Caetité
County near a uranium mine, using the fission track
registration technique (SSNTD).
MATERIAL AND METHODS
In order to determine the uranium
concentration in the water samples it was employed
the fission track registration technique in a
polycarbonate plastic named PCLIGHT (l mm
thickness) produced by Policarbonatos do Brasil S/
A. The technique is simple, efficient and inexpensive,
justifying its large use in several works reported in
the literature worldwide in the last years. By
employing a visual track counting system the
efficiency of the technique is higher than 95%.
In the region of interest a tap water sample
was collected from the Maniaçu district, three
underground water samples and seven surface water
samples, from the region near the uranium mine, as
indicated in Figure 1.
Control sample waters collected from four
rivers: Pitangueiras, Capim, Cachoeirinha and Olhos
D’Água were also analyzed. These rivers are located
18
Ciência e Cultura
SILVA et al
in the Barretos County, north of the São Paulo state,
in a region where uranium occurrence can be
considered as being low (< 1µg L-1) GERALDO,
et. al. 1979).
A volume of 100 mL was taken from each
water sample and 10 mL of concentrated HNO3 was
added in order to acidify the sample to a pH lower
than 2. In a thermal plate the solution was evaporated
at a temperature of 80 ºC until reaching a final volume
of 25 mL. This procedure was carried out in order to
obtain a homogeneous uranium distribution in the
sample and a higher sensitivity for the technique.
Aliquots of 10 µL of each solution were deposited on
the plastic detector surface (approximately 1 cm2
area) together with 5 µL of a Cyastat® detergent
solution (5%, Cytec Industrias) and evaporated under
an infrared lamp (150 W) at a temperature around
70 oC. The Cyastat detergent solution has the function
of an electrostatic neutralizer in such way that reduces
the droplet surface tension and allows obtaining
deposits with better homogeneity. In a similar way it
was prepared deposits of a standard solution, having
a known uranium concentration, to be employed as
neutron flux monitor during the neutron irradiations.
All the plastic detectors containing the water
and uranium standard sample deposits were wrapped
with aluminum foil and piled inside an aluminum rabbit
(22 mm diameter by 70 mm height) usually employed
for neutron irradiations at IPEN-IEA-R1 (3.5 MW)
pool type research nuclear reactor. The aluminum
rabbit after being sealed by welding was placed for
neutron irradiation near the reactor core in a position
where the thermal neutron flux was around
1.2x1013n/cm2.s. In this work, the irradiation time
employed for all the samples was about 3 min
(GERALDO, et al. 2010).
After the irradiations, chemical etching of the
plastic detectors was performed at a temperature of
61 oC, in a NaOH (6 mol L-1) solution, for a time
period of 65 min, to enlarge the fission tracks in order
to be possible to observe them in a common optical
microscope. The total track counting was obtained
by scanning all the deposit area in the detector film
with a binocular optical microscope coupled to a video
camera and a TV monitor.
As illustration, in figure 2 is presented fission
tracks on an area of the plastic detector after
chemical etching in the condition mentioned above.
For each water and uranium sample a track counting
at least for 5 deposit areas it was carried out and the
final value was determined by the average of the
experimental results.
CIÊNCIA E CULTURA - Revista Científica Multidisciplinar do Centro Universitário da FEB
v. 7, nº 2, Novembro/2011 - ISSN 1980 - 0029
Figure 1: Map of Caetité (BA) region where the water sampling sites are indicated.
Figure 2: Fission tracks on an area of the PCLIGHT detector after chemical etching in the
conditions adopted in this work.
Ciência e Cultura
19
Investigation of the uranium concentration in water samples
RESULTS AND DISCUSSION
The average values found for U concentration
in control water samples from rivers where the
uranium content is supposed to be low are listed in
Table 1. The overall uncertainties for all the results
obtained in this work were determined taking into
consideration the following partial error sources:
standard deviations of the mean values obtained in
SILVA et al
the track counting for the water sample and uranium
standard sample deposits as well as the systematic
error of 6.8% in the uranium content certified value
for the standard uranium solution.
The calculated average value for the control
water samples may be considered as representative
of naturally occurring radioactive background for
surface water systems (GERALDO et al., 1979;
SCHMIDT, 2004; CARVALHO et al., 2007).
Table 1: Average values for the uranium concentration in water samples from rivers of Barretos County region
The U concentration average values obtained
for surface (SW) and underground (UW) waters as
well as for tap water from the Caetité County region
are listed in Table 2.
As it was expected underground waters
presented the highest values. However, the values
found for the surface waters are also much higher
than those obtained for the control water even for
the tap water which usually is very low. An
interpretation for these abnormal occurrences of
uranium background in the consumption waters are
the presence of uranium ore mines in that region
Table 2: Average uranium concentrations in water samples collected in the Caetité County region.
According to Brazilian agency for water
quality control (CONAMA, 2005) the safe limit for
uranium content in drinking water is 20 µg L-1.
Recently the World Health Organization has
recommended as safe limit in waters for drinking
purposes 30 µgU L-1 (WHO, 2011). These limits are
provisional guideline values and represent the uranium
concentration that does not result in any significant
20
Ciência e Cultura
risk to the public health. Taking into consideration
the WHO recommendation all the water samples
from the Caetité region seem to have uranium
concentration values lower than the maximum limit.
However, when compared with CONAMA limit the
water from Quessengue Comunity well is not
appropriated for consumption.
The uranium concentration interval obtained
CIÊNCIA E CULTURA - Revista Científica Multidisciplinar do Centro Universitário da FEB
in this work for water samples from Caetité region
are compared with those reported by other authors
in Table 3. Some results were reported in mBq L-1
and to obtain the value in µg L-1 it was used the
following conversion factor 1µg L-1 = 12.35 mBq L1
(GERALDO et al., 2010). As shown in this table,
v. 7, nº 2, Novembro/2011 - ISSN 1980 - 0029
the interval of the present investigation agrees
reasonably well with the ranges reported for Spain
and India water samples. However, if it is considered
only the surface waters analysis the present results
are in better agreement with the other authors within
the experimental uncertainties.
Table 3: Comparison of uranium concentration intervals reported in the literature worldwide for water samples.
CONCLUSIONS
Uranium concentration in surface and
underground water samples collected at Caetité
County, BA and in control water samples from rivers
of Barretos County, SP have been measured in the
present investigation. The average uranium
concentration in control water samples is within the
usual range found for consumption waters in several
countries. However, for water samples from the
Caetité region the uranium concentrations are much
higher than the values found for the control waters.
This may be interpreted as being a naturally occurring
process since it is a region with high levels of uranium
ore.
On comparing the present results with the
provisional safe limit proposed by World Health
Organization (WHO, 2011), all the waters analyzed
in this work seem to have uranium concentration
below the recommended level. However when
compared with the maximum limit established by
Brazilian agency for water quality control
(CONAMA, 2005), one of the water samples
(Quessengue Well) is not appropriated for public
consumption.
ACKNOWLEDGEMENTS
One of the authors (J.G.B.S) is grateful to
Conselho Nacional de Pesquisa e DesenvolvimentoCNPq for financial support of the present work.
REFERENCES
BOMBEN, A. M.; EQUILLOR, H. E.; OLIVEIRA,
A. A. Ra–226 and natural uranium in Argentina
bottled mineral waters. Radiat. Prot. Dosim. 67, p.
221-224, 1996.
CAMACHO, A.; DEVESA, R.; VALLÉS, I.;
SERRANO, I.; SOSLER, J.; BLÁSQUEZ, S.;
ORTEGA, X.; MATIA, L. Distribution or uranium
isotopes in surface water of the Liobregat river basin
(Northeast Spain). Journal of Environmental
Radioactivity 101(12), p. 1048-1054, 2010.
CARVALHO, F.P.; OLIVEIRA, J.M; LOPES, I.;
BATISTA, A. Radionuclides from past uranium
Ciência e Cultura
21
Investigation of the uranium concentration in water samples
mining in rivers of Portugal. Journal of
Environmental Radioactivity 98, p. 298-314, 2007.
CONSELHO
NACIONAL
DO
MEIO
AMBIENTE-CONAMA. Resolução 357, Brazil,
2005
GERALDO, L.P.; CESAR, M.F.; MAFRA, O.Y./;
TANAKA, E.M. Determination of uranium
concentration in water samples by the fission track
registration technique. J. Radioanal. Nucl. Chem.
49, p.123-126, 1979.
GERALDO, L.P.; SERAFIM, R.A.M.; CORREA,
B.A.M.; YAMAZAKI, I.M. Uranium content and
dose assessment for sediment and soil samples from
the estuarine system of Santos and São Vicente, SP,
Brazil. Radiation Protection and Dosimetry
140(1), p. 96-100, 2010.
KORUN, M.; KOVAÈIÈ, K. Determination of 238U
in ground-water samples using gamma-ray
spectrometry. Applied Radiation and Isotopes 69,
p. 636-640, 2011.
22
Ciência e Cultura
SILVA et al
RAMLI, A.T.; WAHAB, A.; HUSSEIN, M.A.;
WOOD, A.K. Environmental 238U and 232Th
concentration measurements in an area of high level
natural background radiation at Palong, Johor,
Malaysia. Journal of Environmental
Radioactivity 80, p. 287-304, 2005.
SCHMIDT, S. Investigation of dissolved uranium
content in the watershed of Seine River (France).
Journal of Environmental Radioactivity 78 (1),
p. 1-10, 2004.
SINGH, H.; SINGH, J.; SINGH, S.; BAIWA, B.S.
Uranium concentration in drinking water samples
using the SSNTDs . Indian J. Phys. 83(7), p. 10391044, 2009.
WORLD HEALTH ORGANIZATION-WHO.
Guidelines for drinking-water quality. Geneva,
Switzerland, 2011.
CIÊNCIA E CULTURA - Revista Científica Multidisciplinar do Centro Universitário da FEB
v. 7, nº 2, Novembro/2011 - ISSN 1980 - 0029
Obesidade, doença periodontal e o risco às doenças
cardiovasculares – revisão de literatura.
Obesity, periodontal disease and cardiovascular disease risk - literature
review.
Thais Uenoyama DEZEM, Eliane Marçon BARROSO, Ana Luiza Vanzato CARRARETO, Elizangela Partata ZUZA,
Benedicto Egbert Corrêa de TOLEDO, Alex Tadeu MARTINS, Juliana Rico PIRES.
Centro Universitário da Fundação Educacional de Barretos – UNIFEB, Programa de Mestrado em Ciências
Odontológicas, Av. Prof. Roberto Frade Monte 389, Aeroporto, CEP: 14783-226. Barretos, SP.
RESUMO
A aterosclerose é um processo inflamatório crônico multifatorial e progressivo, ocasionado pela deposição
de moléculas de gordura no endotélio de artérias e vasos sanguíneos. Esta doença tem sido considerada
uma das doenças cardiovasculares prevalentes em pacientes obesos. Atualmente, sabe-se que essas duas
alterações sistêmicas podem ser influenciadas pela presença de processos inflamatórios crônicos. Dessa
forma, o objetivo deste estudo foi apresentar uma revisão da literatura sobre a inter-relação entre obesidade,
doenças cardiovasculares e a presença da doença periodontal. Foi observado que o aparecimento da
aterosclerose está relacionado com fatores de risco, tais como oxidação de lipoproteína de baixa densidade
e de radicais livres, com a presença de alterações metabólicas e sistêmicas decorrentes do diabetes mellitus
e da obesidade, além da presença de patógenos associados a infecções periodontais. Observou-se também
que o tecido adiposo sintetiza e armazena mediadores inflamatórios, tais como interleucina 6 (IL-6) e fator
de necrose tumoral-alpha (TNF-á), que também participam da etiopatogênese da doença periodontal e tem
sido considerados responsáveis pelo desencadeamento e/ ou exacerbação da atividade inflamatória nas
lesões ateromatosas. Baseado na literatura científica, conclui-se que a obesidade e doença periodontal são
fatores de risco às cardiopatias, e a associação dessas alterações pode exacerbar esse risco.
Palavras-chave: obesidade, doença periodontal, doença cardiovascular, aterosclerose, risco cardíaco.
ABSTRACT
Atherosclerosis is a chronic inflammatory and progressive multifactorial process, caused by fat molecules
deposition in the endothelium of arteries and blood vessels. Atherosclerosis has been considered a prevalent
cardiovascular disease in obese patients. Currently, it is known that these two systemic alterations may be
influenced by chronic inflammatory processes. The purpose of this study was to present a literature review
considering the relationship among obesity, cardiovascular disease and periodontal disease. It was observed
that atherosclerosis is associated with risk factors such as low density lipoprotein oxidation, presence of free
radicals, presence of metabolic and systemic alterations due diabetes mellitus and obesity, and the presence
of pathogens associated with periodontal infections. It was also observed that adipose tissue synthesizes and
stores inflammatory mediators such as interleukin 6 (IL-6) and tumor necrosis factor-alpha (TNF-á), which
also participate in the etiopathogenesis of periodontal disease and has been held accountable for trigger and/
or exacerbation of inflammatory activity in atheromatous lesions. Based on scientific literature, it is concluded
that obesity and periodontal disease are risk factors to cardiovascular disease and the association of these
changes may exacerbate this risk.
Keywords: obesity, periodontal disease, cardiovascular disease, atherosclerosis, cardiovascular risk.
Autor para Correspondência:
Fone/Fax: (17) 3321-6468
E-mail: [email protected]
Recebido em: 13/09/2010
Aceito para publicação em: 21/10/2011
Ciência e Cultura
23
Obesidade, doença periodontal e o risco às doenças cardiovasculares
INTRODUÇÃO
A aterosclerose é um processo inflamatório
crônico multifatorial e progressivo, ocasionado pela
deposição de Lipoproteínas de Baixa Densidade
(colesterol LDL) na região subendotelial de artérias
de calibres médio e grosso (ROSS, 1999; BURT
2000; BECK & OFFENBACKER, 2001). Segundo
diversos autores (MONTEIRO et al, 2000; RITCHIE,
2007; NUCCI DA SILVA, 2009; SAXLIN, 2009), o
colesterol depositado sofre oxidação originando
inflamação dos tecidos subendoteliais e a
conseqüente formação da placa aterosclerótica e
conseqüente comprometimento cardiovascular.
Estudos têm demonstrado que o aparecimento
da aterosclerose está diretamente relacionado com
a presença de potentes fatores de risco, como LDL
oxidado, hiperglicemia, hipertensão arterial, obesidade,
diabetes mellitus, alterações genéticas, aumento da
concentração de proteína C reativa (PCR), presença
de radicais livres liberados principalmente pelo cigarro,
e com a presença de patógenos associados a
infecções, como às periodontais (BURT, 1993;
BECK, 2001).
Outros autores relataram que o
comprometimento cardiovascular tem sido
relacionado com sobrepeso e obesidade, com
alimentação rica em açúcares e gorduras, e com o
sedentarismo (NOBRE et al, 2008; MONTEIRO et
al 2009). Segundo Wilson et al. (2002)
aproximadamente 20% dos casos das doenças
cardiovasculares estão associadas com a condição
de sobrepeso ou obesidade. Segundo Aronne e Segal
(2002), a obesidade é definida como uma doença
caracterizada por peso corporal acima do aceitável
ou ideal, geralmente devido ao acúmulo excessivo
de gorduras no corpo.
Estudos divulgados na literatura (SANTOS &
WILMORE, 1996; MAYEUX, 1997) sugerem que
a alta prevalência do desenvolvimento ou progressão
da aterosclerose em pacientes obesos, pode estar
influenciada indiretamente, pela liberação sistêmica
de mediadores inflamatórios, tais como IL-6 e TNFá, secretados pelo tecido adiposo visceral. Além
disso, segundo Genco et al. (1998) e Ridker (1999),
as adipocitocinas (citocinas liberadas pelos
adipócitos), são capazes de elevar os níveis
plasmáticos de proteína-C reativa, de fibrinogênio e
de interleucina-6 (IL-6).
Além da obesidade, estudos têm observado a
participação da doença periodontal como fator
desencadeador e perpetuador de ateromas (BLAKE
& RIDKER, 2002; MACHIAVELLI & PIO, 2008).
A doença periodontal é caracterizada por destruição
24
Ciência e Cultura
DEZEM et al
dos tecidos de suporte do dente (ligamento
periodontal, cemento e osso alveolar) e formação de
bolsas periodontais, favorecendo a colonização de
bactérias anaeróbicas (OFFENBACKER, 2004).
Segundo Beck (1996), a atuação da doença
periodontal na aterosclerose é decorrente da
periodontite ser uma infecção crônica multifatorial
causada direta e indiretamente por bactérias Gramnegativas. Indiretamente, esta infecção crônica da
cavidade bucal promove liberação de produtos
bacterianos (endotoxinas) na corrente circulatória,
estimulando assim, o sistema imune a liberar uma
série de citocinas inflamatórias local, tais como
prostaglandinas (PGE), interleucina- 1 (IL-1), e fator
de necrose tumoral alfa (TNF-á). É capaz de atingir
níveis sistêmicos, podendo contribuir para o processo
de inflamação associada à aterosclerose
(MEURMAN et al., 2004).
Evidências recentes têm demonstrado que os
mediadores inflamatórios que participam da
etiopatogênese da doença periodontal, são secretados
em maior quantidade em pacientes obesos (HELUY
& NAIDU, 2005; PISCHON et al, 2007; SAXLIN,
2009), sugerindo similaridade na patofisiologia da
obesidade e da doença periodontal. Adicionalmente,
Greenburg & Obin, (2006) e Ritchie (2007) relatam
que o tecido adiposo pode funcionar como um
reservatório de citocinas inflamatórias, sugerindo que
o aumento da gordura corporal aumente a
probabilidade de uma resposta inflamatória ativa na
doença periodontal.
Diante ao exposto o objetivo deste estudo foi
apresentar uma revisão da literatura associando a
obesidade e a doença periodontal, como fatores de
risco às doenças cardiovasculares.
Doença Cardiovascular
A doença cardiovascular é classificada como
toda alteração que venha modificar a hemodinâmica
do sistema circulatório (BRASIL, 2009).
No Brasil, doenças cardiovasculares são
responsáveis por 50% das mortes com causa
conhecida. Apesar de apresentar um declínio nos
últimos anos (33%), nos centros urbanos
industrializados continuam sendo a principal causa
de morte da população. (BRASIL, 2009).
Vários estudos mostram que dentre as doenças
cardiovasculares, a aterosclerose é a mais prevalente
(OKRAINEC, 2004; POLANCZKY, 2005;
MONTEIRO et al, 2009). Sendo considerada uma
das doenças das artérias, caracterizada pelo
desenvolvimento de lesões gordurosas, denominadas
placas ateromatosas ou ateroscleróticas, na parede
arterial interna (FAXON, 2004; POLANCZKY,
CIÊNCIA E CULTURA - Revista Científica Multidisciplinar do Centro Universitário da FEB
2005)
O surgimento da lesão aterosclerótica
primária, que é um processo inflamatório crônico
multifatorial, conhecida como estria gordurosa, devese à deposição de cristais de colesterol LDL na região
subendotelial da artéria (OKRAINEC, 2004). O
acúmulo desse conglomerado de cristais de colesterol
atua como fator agressor local, estimulando a adesão
e migração de macrófagos e linfócitos para a região,
iniciando um processo inflamatório com a produção
local de citocinas e ativação da proliferação de
fibroblastos, induzindo a proliferação celular do
músculo liso e do tecido fibroso circundante da
parede da artéria e interferindo dessa forma, na
homeostase endotelial (ROSS, 1999; LIBBY, 2001)
Como conseqüência da aderência celular à
parede endotelial e homeostase, ocorre um aumento
das propriedades vasoconstritoras e pró-trombóticas
(GRUNDY, 2005), podendo ocasionar exacerbação
de lesões e/ou agravamento das alterações
ateroscleróticas pré-existentes (NUCCI DA SILVA,
2009). Alguns autores relatam ainda que a severidade
e/ ou acometimento aterosclerótico pode apresentar
ocorrência acentuada quando associada a potentes
fatores de risco, tais como: LDL oxidado, dislipidemia,
hiperglicemia, presença de radicais livres, hipertensão
arterial, diabetes mellitus, idade avançada, alterações
genéticas, aumento da concentração de proteína C
reativa (PCR), hiper-homocisteinemia e presença de
micro-organismos como Clamydia pneumoniae,
herpes-virus e patógenos associados a infecções,
como às periodontais (BURT, 1993; ROSS, 1999;
BECK, 2001) Além desses fatores, alguns estudos
relatam a influência de mediadores inflamatórios, tais
como IL-6 e TNF-á, secretados sistemicamente por
adipócitos ou decorrente de processos inflamatórios
agudos (MEHTA et al, 1998; LOOS et al, 2000;
BRUUN et al, 2003; YAMAZAKI et al, 2005).
Inter-relação entre Obesidade e Doença
Cardiovascular
A obesidade é uma condição caracterizada por
acúmulo anormal ou excessivo de gordura corporal
(DEURENBERG & YAP, 1999; GENCO et al 2005;
SHIMAZAKI et al, 2007; KHADER et al, 2009).
Autores relatam que esta condição física e
metabólica, compromete a expectativa de vida do
indivíduo, visto que cerca de 60% dos obesos chegam
até aos 60 anos de idade, em comparação a 90%
das pessoas magras (KHADER et al, 2009). Tal fato
pode ser explicado por diversos fatores.
Evidências científicas (WOLF et al, 1997;
GROSSI, 1998) têm mostrado que o ganho de peso
está diretamente associado com o aumento da
v. 7, nº 2, Novembro/2011 - ISSN 1980 - 0029
pressão sanguínea. Comparando um grupo de
pacientes obesos com pacientes não obesos,
observou-se que a obesidade estava associada com
risco 5 vezes maior para o desenvolvimento de
hipertensão. Além disso, considerou-se o excesso de
peso como fator causal em 2/3 dos casos de
hipertensão arterial (KENCHAIAH et al., 2002).
Além disso, o índice de massa corporal (IMC) e a
circunferência abdominal têm sido considerados como
possíveis fatores indicativos de risco, aumentando a
morbidade de pacientes obesos (GROSSI &
GENCO, 1998; WANG et al, 2005). Uma das
hipóteses do desenvolvimento de algumas destas
doenças baseia-se no fato de que a intensa secreção
de ácidos graxos, citocinas pró-inflamatórias e
hormônios provenientes do tecido adiposo, poderiam
levar à resistência a insulina e alterar o metabolismo
hepático, ocasionando síntese anormal de lipoproteína
e aumento da gliconeogênese (SLADE et al, 2000;
ECKEL, 2005; HASLAM, 2005). Isto sugere que
além das cardiopatias, a gordura localizada na região
abdominal é um significante fator de risco para
diversas doenças crônicas, tais como diabetes do tipo
2, hipertensão, dislipidemia, vários tipos de câncer,
doenças cerebrovasculares, e até mesmo para
doenças periodontais (KOPELMAN, 2000; SAITO
et al, 2001; HELUY & NAIDU, 2005).
Neste contexto, relata-se que a obesidade
afeta a imunidade do hospedeiro devido à diminuição
do fluxo sanguíneo por meio de ativação do inibidor
do ativador de plasminogênio 1 (PAI-1), cuja
expressão gênica encontra-se aumentada na
obesidade visceral, induzindo a agregação de
plaquetas e assim, exacerbando o risco às doenças
vasculares isquêmicas. (TANAKA et al, 1993). Além
disso, estudos divulgados na literatura (MEHTA et
al, 1998; LOOS et al, 2000; BRUUN et al, 2003;
YAMAZAKI et al, 2005; MONTEIRO et al, 2009)
relatam que a liberação sistêmica de mediadores
inflamatórios na obesidade (IL-6 e TNF-á), pode
predispor a estados pró-coagulantes, originando
trombos e conseqüentemente, podendo causar
eventos isquêmicos agudos e alterações
ateroscleróticas.
Inter-relação entre Doença Periodontal e
Doença Cardiovascular
Estudos sobre a inter-relação entre periodontite
e doenças cardiovasculares relataram mecanismos
de plausibilidade biológica de causa
(MACHIAVELLI & PIO, 2008, FRIEDWALD et
al, 2009). O primeiro mecanismo relata o efeito
sistêmico da resposta inflamatória local
desencadeada por processo infeccioso local
Ciência e Cultura
25
Obesidade, doença periodontal e o risco às doenças cardiovasculares
ocasionado pela periodontite moderada e/ ou severa.
Os autores ressaltaram que esse efeito foi observado
pela redução dos níveis séricos de proteína C-reativa
e de outros biomarcadores inflamatórios após
tratamento periodontal.
O segundo mecanismo que hipoteticamente
explica a inter-relação entre periodontite e doença
cardiovascular é a presença de microorganismos
periodontais em placas de ateroma de pacientes com
complicações cardiovasculares e com ocorrência de
endocardite infecciosa (FRIEDWALD et al, 2009).
Esta hipótese foi comprovada em outros estudos
(MACHIAVELLI & PIO, 2008, FRIEDWALD et
al, 2009), onde também foi encontrado nas placas de
ateroma, material genético de bactérias periodontais
(como Porphyromonas gingivalis e Prevotella
intermedia), e patógenos bucais Streptococcus
sanguis (CHIU, 1999). Estudos divulgados na
literatura (MACHIAVELLI & PIO, 2008,
FRIEDWALD et al, 2009) justificam esta hipótese
pelo fato da infecção crônica na cavidade bucal
(doença periodontal) liberar produtos bacterianos na
corrente circulatória, como é o caso das endotoxinas,
que estimulam o sistema imune a liberar uma série
de citocinas inflamatórias como interleucina-1á (IL1á), IL- 6 e tumor necrosis factor alpha (TNF-á)
bem como prostaglandinas-E2 (PGE2) de forma a
desencadear e/ ou exacerbar a atividade inflamatória
nas lesões ateromatosas e acelerar o desenvolvimento
das DCV (GENCO et al, 1998; BECK et al, 2000;
LOOS et al, 2000).
Segundo Beck et al. (1996), as infecções
periodontais parecem aumentar o risco à DCVs e às
doenças cerebrovasculares em grau similares aos
ocasionados pelos fatores de risco clássicos às
DCVs. Alguns autores (GENCO et al, 2005)
sugerem que tal fato ocorre devido a resposta imuneinflamatória decorrente da periodontite, exacerbar o
processo de aterogênese.
Considerando o efeito direto dos microorganismos, Offenbacher (2004), relatou que as
bactérias anaeróbias se alojam nas bolsas
periodontais, considerado um habitat ideal para
proliferação bacteriana. Assim, o contato direto destes
micro-organismos com o tecido conjuntivo permite
via corrente sangüínea, a colonização do endotélio e
a agregação plaquetária, aumentando o risco de
eventos trombogênicos (SCANNAPIECO et al.,
1999).
Pesquisa realizada por Haraszthy et al. (2000)
com 50 pacientes portadores de estenose de carótida
apresentaram colonização bacteriana diversificada,
o citomegalovírus foi encontrado em 38% das placas
de ateroma e o Campylobacter pneumoniae em
26
Ciência e Cultura
DEZEM et al
18% das mesmas. Dentre os patógenos periodontais
encontrados, T. forsythia foi encontrado em 30%
dos ateromas, o P. gingivalis em 26%, A.
actinomycetemcomitans em 18% e o P. intermedia
em 14% das placas ateroscleróticas. Os autores
concluem que os patógenos periodontais podem ser
considerados microrganismos infecciosos
responsáveis de forma direta e/ou indiretamente pelo
desenvolvimento e progressão da aterosclerose
(HARASZTHY, et al 2000). Além disso, em
indivíduos com doença periodontal são encontrados
níveis aumentados de proteínas da fase aguda, como
fibrinogênio e proteína C reativa (PCR)(YAMAZAKI
et al. 2005; MARCACCINI et al. 2009). Estudo
realizado por Yamazaki et al.(2005) observou que após
10 dias do tratamento periodontal não-cirúrgico, houve
uma redução significativa na concentração sérica de
proteína C-reativa, enquanto, outros estudos
(BRUUN et al, 2003; D´AIUTO et al, 2006),
observaram redução na concentração de IL-6,
citocina esta, relacionada com maior destruição
tecidual na doença periodontal. Dessa forma, a
doença periodontal é capaz de predispor à doença
cardiovascular, dada a abundância de espécies Gramnegativas envolvidas, os níveis prontamente
identificáveis de citocinas pró-inflamatórias no líquido
crevicular, os densos infiltrados de células imunes
envolvidas, a associação com fibrinogênio periférico
e contagem de leucócitos, bem como a extensão e
cronicidade dessa doença. (YAMAZAKI et al, 2005;
D´AIUTO et al, 2006).
Associação entre Obesidade, Doença
Periodontal e o Risco Cardiovascular
Estudos relatados na literatura (TANAKA et
al, 1993; BASTOS et al, 2005) sugerem que uma vez
que o tecido adiposo secreta algumas das citocinas
pró-inflamatórias e estimula a participação dos
macrófagos no processo patogênico da doença, ora
por meios diretos ainda desconhecidos, ora por
mecanismos indiretos, induzindo a produção do
interferon (IFN-ã) e ativador dos macrófagos pelos
linfócitos (NK), liberando mediadores da inflamação
crônica (TNF-á, IL-6, IL-1, IL-8, metaloproteinases,
prostaglandinas; dentre outros), a obesidade pode
perpetuar a inflamação nas estruturas periodontais
e nas doenças cardiovasculares encontradas nesses
pacientes (BASTOS et al, 2005; TANAKA et al,
1993).
Recentemente Reeves et al. (2006) afirmou
que além da massa corporal, a circunferência
abdominal também está associada às periodontites.
Enfatizando estes achados, outros estudos (LUNDIN
et al, 2004; HAFFAJJEE & SOCRANSKY, 2009;
CIÊNCIA E CULTURA - Revista Científica Multidisciplinar do Centro Universitário da FEB
KHADER et al, 2009) verificaram que há uma
correlação positiva entre massa corporal e
periodontites sendo que pacientes obesos com IMC≥
40 apresentavam elevados níveis de TNF-á no fluido
sulcular. O fato da doença periodontal, que apresenta
importante carga infecciosa e inflamatória, ser
frequentemente encontrada em pacientes obesos
(SAITO et al, 2001; PISCHON et al, 2007) e a
relação com as doenças cardiovasculares, está
diretamente relacionada com os mecanismos de
morbidade e mortalidade dos pacientes quando essas
doenças estão associadas. Tal fato pode ser
justificado por ocorrer um aumento da síntese
hepática da proteína C-reativa, que é um fator de
risco recentemente reconhecido e aceito para o
infarto agudo do miocárdio (IAM) e acidente
cerebrovascular (AVC), em pacientes com doença
periodontal moderada e severa (IKEOKA &
CARAMELLI, 2000). A influência dos fatores de
risco são independentes para o acometimento da
aterosclerose e conseqüente doença isquêmica do
coração (GRUNDY et al, 2005), mas quando
associados, aumentam de forma alarmante, o risco
às doenças cardiovasculares (BECK &
OFFENBACKER, 2001; SANTOS FILHO &
MARTINEZ, 2002; WILSON et al, 2002; PISCHON
et al, 2007). Considerando fatores de risco comuns à
doença periodontal e às doenças cardiovasculares, o
diabetes mellitus, a obesidade, a inflamação sistêmica,
o perfil lipídico alterado e a hipertensão, estudos
sugerem que a prevenção dos fatores de risco tem
determinado uma menor morbidade e mortalidade dos
pacientes cardiopatas (SAITO et al, 2001; PISCHON
et al, 2007; KENCHAIACH et al, 2002; ACCARINI,
2006).
CONCLUSÃO
Baseado nos estudos divulgados na literatura,
conclui-se que a associação entre obesidade e doença
periodontal poderia aumentar o risco às cardiopatias,
portanto, medidas preventivas de saúde pública tais
como, combate ao excesso de peso, controle à
progressão da doença periodontal, re-educação
alimentar, absenteísmo ao fumo, orientação para
prática de exercícios físicos, cuidados à saúde geral
e bucal, devem ser adotadas para evitar esta interrelação.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ACCARINI, R.; GODOY, M. F. Periodontal disease
v. 7, nº 2, Novembro/2011 - ISSN 1980 - 0029
as a potential risk for acute coronary syndromes.
Arquivos Brasileiro de Cardiologia 2006; (87): 5926.
ARONNE, L. J.; SEGAL K. R. Adiposity and fat
distribution outcome measures: assessment and
clinical implications. Obesity Research 2002;
(10):14S-21S.
BASTOS, A. A. et al. Obesidade e doença
periodontal. Pesquisa Brasileira em Odontopediatria
e Clinica Integrada 2005; 5(3):275-9
BECK, J. D.; LOE, H. Epidemiological principles in
study periodontal disease. Periodontology 2000-1993;
2(2):34-45.
BECK, J. D.; OFFENBACHER, S. The association
between periodontal disease and cardiovascular
diseases: a state-of-the-science-review. Annals of
Periodontology, 2001; 6(1):9-15.
BECK, J. D.; OFFENBACHER, S. The association
between periodontal disease and cardiovascular
diseases: a state-of-the-science-review. Annals of
Periodontology 2001; 6(1):9-15.
BECK, J. D. Periodontal disease and cardiovascular
disease. Journal Periodontology, 1996; (67):1123-37.
BLAKE, G. J.; RIDKER, A. Inflammatory BioMarkers and cardiovascular risk predition. Journal
of Internal Medicine 2002; (252):283-94.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de
Vigilância em Saúde. Secretaria de Gestão
Estratégica e Participativa. Vigitel Brasil 2008:
vigilância de fatores de risco e proteção para doenças
crônicas por inquérito telefônico. Brasília: Ministério
da Saúde, 2009.
BRUUN, J. M. et al. Association between measures
of insulin sensitivity and circulating levels of
interleukin-8, interleukin-6 and tumor necrosis factoralpha. Effect of weight loss in obese men. Eur J
Endocrinol. 2003; 148: 535-42.
BURT, B. A. The role of epidemiology and study of
periodontal disease. Periodontology 2000, 1993;2
(2):26-33.
CHIU, B. Multiple infections in carotid atherosclerotic
plaques. American Heart Journal. 1999 Nov;138(5
Pt 2):S534-6.
D´AIUTO, F. et al. Peridontal infections cause
changes in tradional and novel cardiovascular risk
Ciência e Cultura
27
Obesidade, doença periodontal e o risco às doenças cardiovasculares
factors: results from randomized controlled clinical
trial. American Heart Journal 2006; (151):977-84.
DEURENBER, G. P.; YAP, M. The assessment of
obesity: methods for measuring body fat and global
prevalence of obesity. Baillieres Clinical
Endocrinology and Metabolism 1999; (3): 1-11.
ECKEL, R. H.; GRUNDY, S. M.; ZIMMET, P. Z.
The metabolic syndrome.
Lancet 2005;
365(9468):1415-1428.
FAXON, D. P. et al. Atherosclerotic Vascular
Disease: Pathophysiology. Circulation 2004; (109):
2615-25.
FRIEDWALD, V. E. et al. Periodontitis and
Atherosclerotic cardiovascular disease. Journal
Periodontology. 2009 Jul;80(7):1021-32.
DEZEM et al
periodontal: uma análise dos possíveis mecanismos
de patogênese. Revista Periodontia 2005; (15): 2227.
IKEOKA, D. T.; CARAMELLI, B. O papel da
infecção na instabilização da placa de ateroma.
Revista Sociedade de Cardiologia do Estado de São
Paulo 2000; 10(6): 744-50
KENCHAIAH, S. et al. Obesity and the risk of
heart failure. New England Journal of Medicine 2002;
(347):305-13.
KHADER, Y. S. et al. The association between
periodontal disease and obesity among adults in
Jordan. Journal Clinical Periodontology 2009; (36):
18–24.
KOPELMAN, P. G. Obesity as a medical problem.
Nature 2000; 6 (6778) 635-643
GENCO, R. J. et al. Overview of risk factors for
periodontal disease and implications for diabetes and
cardiovascular disease. Compend Contin Educ Dent
1998; (19) (Spec. Issue): 40-45.
LIBBY, P. Current concepts of the pathogenesis of
the acute coronary syndromes. Circulation. 2001;
(104): 365-72.
GENCO, R. J. et al. A proposed model linking
inflammation to obesity, diabetes, and periodontal
infections. Journal Periodontolology 2005; 76 (11
Suppl): 2075-84.
LOOS, B. G. et al. Elevation of systemic markers
related to cardiovascular diseases in the peripheral
blood of periodontitis patients. Journal Periodontology
2000;(71):1528-1534.
GREENBURG, A. S.; OBIN, M. S. Obesity and the
role of the adipose tissue in inflammation and
metabolism. American Journal Clinical Nutrition 2006;
(83):461S-465S.
LUNDIN, M. et al. Correlation between TNF-alpha
in gingival crevicular fluid and body mass index in
obese subjects. Acta Odontologica Scandinavica
2004; (62): 273-277
GROSSI, S. G.; GENCO, R. J. Periodontal disease
and diabetes mellitus: a two-way relationship. Annals
of Periodontology 1998; (3):51-61
MACHIAVELLI, J. L.; PIO, S. Medicina
Periodontal: uma revisão de literatura. Clinical
Scientific 2008; 7(1):19-23.
GRUNDY, S. M. et al. Diagnosis and management
of the metabolic syndrome. An American Heart
Association/ National Heart, Lung, and Blood Institute
Scientific Statement. Circulation 2005; (112): 2735.
MARCACCINI, A. M. et al. Circulating interleukin6 and high-sensitivity C-reactive periodontal therapy
in otherwise healthy subjects. Journal Periodontology.
2009; (80), 594-602.
HAFFAJEE, A. D.; SOCRANSKY, S. S. Relation
of body mass index, periodontitis and Tannerella
forsythia. Journal Clin Periodontol 2009; 36: 89-99.
MAYEUX, P. R. Pathobiology od lipopolysaccharide.
Journal of Toxicology Environmental Health
1997;(51):415-435
HARASZTHY, V. I. et al. Identification of periodontal
pathogens in atheromatous plaques. Journal
Periodontology 2000;(71):1554-1560.
MEHTA, J. L.; SALDEEN, T. G. P.; RAND, K.
Interactive role of infection, inflammation and
traditional risk factors in atherosclerosis and coronary
artery disease. Journal of the American College of
Cardiology 1998;(31):1217-1225.
HASLAM, D.W.; JAMES, W. P. Obesity. Lancet
2005; 366(9492):1197-1209
HELUY, S. L. C.; NAIDU, T. G. Obesidade e doença
28
Ciência e Cultura
MEURMAN, J. H.; SANZ, M.; JANKET, S. J. Oral
Health, atherosclerosis and cardiovascular disease.
CIÊNCIA E CULTURA - Revista Científica Multidisciplinar do Centro Universitário da FEB
Critical Reviews of Oral Biology Med 2004; (15):40313.
MONTEIRO, A. M. et al Cardiovascular disease
parameters in periodontitis. Journal Periodontology.
2009; (80): 378-88.
NOBRE, M. R. C. et al. Prevalências de sobrepeso,
obesidade e hábitos de vida associado ao risco
cardiovascular em alunos do ensino fundamental.
Revista da Associação Médica Brasileira 2008; 52(2):
118-24.
NUCCI, S. L. P.; GUN, C.; SIMONI, J. L.
Periodontal disease in upper Framingham risk score
patients: cause or casual. Atherosclerosis 2009 (in
press).
OFFENBACHER, S. Maternal periodontal
infections, prematurity, and growth restriction. Clinical
Obstetrics Gynecology 2004;(47):808-21.
v. 7, nº 2, Novembro/2011 - ISSN 1980 - 0029
SAITO, T. et al. Relationship between upper body
obesity and periodontitis. Journal of Dental Research
2001; (80): 1631-1636.
SANTOS FILHO, R. D.; MARTINEZ, T. L. R.
Fatores de Risco para Doença Cardiovascular:
Velhos e Novos Fatores de Risco, Velhos Problemas!
Arquivos Brasileiro de Endocrinologia e Metabologia
2002; (46): 212-14.
SAXLIN, T. et al. Role of serum cytokines tumour
necrosis factor-a and IL-6 in the association between
body weight and periodontal infection. Journal Clinical
Periodontology 2009; (36): 100–5.
SCANNAPIECO, F. A.; GENCO, R. J. Association
of periodontal infections with atherosclerotic and
pulmonary disease. Journal Periodontology, 1999;
(34):340-5
OKRAINEC, K.; BANERJEE D. K.; EISENBERG,
M. J. Coronary artery disease in the developing
world. American Heart Journal, 2004; 148(1):7-15.
SHIMAZAKI, Y. et al. Relationship of metabolic
syndrome to periodontal disease in Japanese women:
the Hisayama Study. Journal Dental Research 2007;
(86): 271-5.
OKRAINEC, K. et al. Coronary artery disease in
the developing world. Am Heart J 2004; 148(1):715.
SLADE, G. D. et al. Acute-phase inflammatory
response to periodontal disease in the US population.
Journal of Dental Research 2000; (79):49-57
PISCHON, N. et al. Obesity, Inflammation, and
Periodontal Disease. Journal of Dental Research
2007; 86 (5) 400-9
TANAKA, S. et al. Impaired immunity in obesity:
suppressed but reversible lymphocyte
responsiveness. International Journal of Obesity and
Related Metabolic Disorders. 1993, 17 (11): 631-36.
POLANCZYK, C. A. Fatores de Risco
Cardiovascular no Brasil: os próximos 50 anos!
Arquivos Brasileiro de Cardiologia 2005; 84(3): 199201.
REEVES, A. F.; REES, J. M.; SCHIFF, M.;
HUJOEL, P. Total body weight and waist
circumference associated with chronic periodontitis
among adolescents in the United States. Archives of
Pediatrics & Adolescent Medicine 2006; (160): 894899.
RIDKER, P. M. Inflammation, atherosclerosis, and
cardiovascular risk: An epidemiologic view. Blood
Coagulation & Fibrinolysis 1999;10(Suppl. 1):S9-S12.
RITCHIE, C. S. Obesity and periodontal disease.
Periodontol 2000, 2007; (44): 154-63.
ROSS, R. Atherosclerosis – an inflammatory disease.
New England Journal of Medicine 1999; (340): 11526.
WANG, Y. et al. Comparison of abdominal adiposity
and overall obesity in predicting risk of type 2 diabetes
among men. American Journal of Clinical Nutrition
2005; (81):555-63.
WILSON, P. W. et al. Overweight and obesity as
determinants of cardiovascular risk: the Framingham
experience. Archives of Internal Medicine, 2002;
(162):1867-72.
WOLF, H. K. et al. Blood pressure levels in the 41
populations of the WHO MONICA Project. Journal
of Human Hypertension. 1997; (11):733-42.
YAMAZAKI, K. T. et al. Effect of periodontal
treatment on the C-reactive protein and proinflammatory cytokine levels in Japanese periodontitis
patients. Journal of Periodontology Research 2005;
(40): 53-8
Ciência e Cultura
29
30
Ciência e Cultura
CIÊNCIA E CULTURA - Revista Científica Multidisciplinar do Centro Universitário da FEB
v. 7, nº 2, Novembro/2011 - ISSN 1980 - 0029
Determinação da matéria seca e dos teores de macronutrientes
da grama batatais pelos métodos de secagem em forno de
microondas e estufa
Determination of dry matter and macronutrient content of bahiagrass by
the methods of drying in microwave oven and oven drying
Aliny Alencar de LIMA1; Déborah Verçoza da SILVA1; Altenira Galvão MAIA1; Igor Honorato Leduino da SILVA1;
Paulo Márcio BEBER1; Renato de Mello PRADO2*; Paulo Guilherme Salvador WADT3
Universidade Federal do Acre. Curso de Pós-Graduação em Agronomia (Produção Vegetal), Campus Universitário BR 364, Km 04 – Distrito Industrial
Caixa Postal 500, CEP 69915-900, Rio Branco, AC.
2
Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias, Depto. de Solos e Adubos, Via de
Acesso Paulo D. Castellane, s/n., CEP 14889-900, Jaboticabal, SP.
3
EMBRAPAAcre, Rodovia BR-364, Km14 - Caixa Postal 321, CEP: 69914-220, Rio Branco, AC.
1
RESUMO
O uso do forno de microondas para secagem de folhas pode ser método alternativo a estufa pelo menor
tempo de secagem se não afetar os teores de nutrientes e o diagnóstico nutricional da cultura. Objetivou-se
avaliarem dois métodos de secagem, em forno microondas e estufa, para determinação de matéria seca e
teores foliares de macronutrientes da grama batatais. A coleta das amostras no campo foi realizada na Unesp,
Câmpus Jaboticabal, em ziguezague, a partir de 200 folhas recém-maduras (sadias), cortadas a 6 cm acima do
nível do solo. Os tratamentos foram constituídos de dois métodos de secagem em forno microondas e em
estufa de circulação de ar forçada e com 10 repetições. Avaliaram-se a massa da matéria seca e os teores
foliares de macronutrientes. Os métodos de secagem em estufa e forno microondas foram semelhantes na
determinação da matéria seca das folhas e dos teores dos macronutrientes, exceto potássio e cálcio. O
emprego da secagem das folhas da grama batatais pelo forno microondas é adequado para a determinação
da matéria seca e não influencia no diagnóstico nutricional da cultura.
Palavras-Chave: Paspalum notatu, Análise Foliar, Diagnose Foliar.
ABSTRACT
The use of microwave ovens for leave drying can be an alternative method with relation to ovens due to the
lower stove drying time if it does not affect the levels of nutrients and the nutritional diagnosis of the culture.
The objective of this work was to evaluate two methods of drying, microwave and oven drying, in order to
determine dry matter and foliar nutrients of bahia grass. The sampling was done in the field at UNESP,
Jaboticabal Campus, in zigzag way, from 200 recently matured leaves (healthy), cut to 6 inches above
ground level. The treatments consisted of two methods of drying in microwave oven and circulation of air
and with 10 repetitions. It was evaluated the dry matter and foliar concentrations of macronutrients. The
methods of drying in the oven drying and microwave oven were similar in determining the mass of leaves
and the levels of nutrients, except potassium and calcium. The use of drying bahia grass leaves by microwave
oven is suitable for the determination of dry matter and it has not influence on the nutritional diagnosis of the
culture.
Keywords: Paspalum notatu, Leaf Analysis, Foliar diagnosis.
*Autor para correspondência:
e-mail: [email protected]
Telefone: (16) 3209-2672 / 3209-2673
Recebido em: 26/04/2011
Aceito para publicação em: 20/09/2011
Ciência e Cultura
31
Determinação da matéria seca e dos teores de macronutrientes da grama batatais
INTRODUÇÃO
A grama-batatais (Paspalum notatum) é
uma planta perene, persistente, reproduzida por
semente e multiplicada vegetativamente, tendo folhas
concentradas na parte basal da planta permitindo
ótima cobertura vegetal, fazendo parte de campos
desportivos e áreas verde. É uma espécie adaptada
a solos de baixa fertilidade, a condições de déficit
hídrico e ao pisoteio, porém, exige cortes frequentes
para a manutenção da qualidade do gramado, devido
ao rápido crescimento (GOATLEY et al., 1998).
Para que os gramados desempenhem todos
seus benefícios é necessário que ele esteja
adequadamente suprido com todos elementos
minerais essenciais, para que possa ter um bom
crescimento e manter a qualidade. Como a maioria
dos solos não possui os nutrientes numa quantidade
suficiente para atender a demanda pelas gramas, é
necessário aplica-los, através da adubação (GODOY
e BÔAS, 2003). O programa adequado de adubação
exige emprego de ferramentas que permita avaliar a
fertilidade do solo e associado com a diagnose foliar,
a partir da análise química da planta, constituindo
método diagnóstico preciso.
Assim, a análise química foliar em gramados
segundo Plank & Carrow (2003) pode ser utilizada
para: confirmar a suspeita de sintomas visuais de
deficiência; verificar toxicidades; revelar a
deficiência pela fome oculta, isto é, a planta não
mostra nenhum sintoma visível mas o teor do nutriente
está baixo o suficiente para reduzir o crescimento ou
afetar características de qualidade; avaliar a
eficiência dos fertilizantes aplicados; auxiliar na
recomendação da adubação e monitorar o estado
nutricional da planta no decorrer do ciclo.
O sucesso do diagnóstico nutricional com
emprego da análise química foliar depende da
adequada execução das etapas envolvidas, desde a
amostragem de folhas, preparo das amostras, análise
química e até a interpretação dos resultados obtidos.
Uma etapa importante seria a fase de preparo
das amostras, especialmente a secagem do material
vegetal, pois é uma fase que demanda tempo e
dificulta a liberação rápida do resultado da análise
foliar para posterior tomada de decisão do técnico
para elaborar o diagnóstico nutricional da cultura e
possível intervenção no programa de adubação do
sistema de produção da cultura.
O processo de secagem deverá ocorrer o
mais rápido possível, a fim de evitar e/ou inibir as
alterações químicas e a degradação dos tecidos
durante o armazenamento (LACERDA et al., 2009).
O processo convencional de secagem de amostras
32
Ciência e Cultura
LIMA et al
utiliza estufas de circulação forçada de ar a 65°C
durante aproximadamente 72 h, dependendo do tipo
de amostra (PETRUZZI et al., 2005), dificultando a
liberação rápida do resultado da análise foliar.
Alguns métodos de secagem alternativos
como o forno microondas (FMO) reduz o tempo de
secagem e a contaminação bacteriana, resultando
em melhor aparência e qualidade do produto, sem
influenciar na composição química do material seco
(HORSTEN et al., 1999, citado por PASTORINI et
al. 2002).
As informações sobre os efeitos de métodos
de secagem na determinação da matéria seca e dos
teores de nutrientes foliares, são limitadas na
literatura e restritos a algumas espécies, e não foram
encontrados trabalhos estudando a grama batatais.
Neste trabalho, objetivou-se avaliar dois
métodos de secagem, em forno microondas e estufa,
para determinação de matéria seca e teores foliares
de macronutrientes da grama batatais.
MATERIAL E MÉTODOS
O experimento foi desenvolvido no laboratório de Nutrição de Plantas da Unesp Câmpus
Jaboticabal, utilizando amostras de tecido foliar da
grama batatais. A coleta das amostras no campo foi
realizada (dia 08/02/2011), no Câmpus da Unesp, em
ziguezague, sendo coletadas 200 folhas recém-maduras
(sadias) a 6 cm acima do nível do solo, de plantas que
apresentavam parte aérea com 15 cm de altura. Em
seguida, as amostras foram preparadas com a
descontaminação pela lavagem conforme Prado
(2008) sendo a sequência de lavagem em água
corrente destilada; solução detergente (0,1%);
solução ácido clorídrico (0,3%) e água deionizada. E
posteriormente as amostras foram acondicionadas
em sacos de papel em geladeira até o processamento
para determinação da matéria seca. Os tratamentos
foram constituídos pelos dois métodos de secagem,
o convencional pela estufa com circulação forçada
de ar regulada a temperatura de 70ºC e o forno
microondas. O delineamento experimental utilizado
foi um inteiramente casualizado, e com 10 repetições.
A secagem pelo forno microondas seguiu os
procedimentos relatados por Lacerda et al. (2009),
onde indicam submeter cada amostra a secagem em
3 ciclos de 5 minutos, 1 ciclo de 3 minutos, 1 ciclo de
2 minutos e 1 ciclo de 1 minutos (até atingir massa
constante). Em cada intervalo de ciclo o material
vegetal seco em microondas foi desprendido do
recipiente com uma espátula, a fim de evitar a fixação
na superfície do mesmo e também com o intuito de
CIÊNCIA E CULTURA - Revista Científica Multidisciplinar do Centro Universitário da FEB
se evitar a possibilidade de combustão do material
vegetal. No interior do FMO, foi colocado um béquer
com 150 mL de água a fim de umedecer o ambiente
e evitar a queima das amostras e danos no aparelho
(Undersander et al., 1993) e a água foi trocada a
cada nova sequência para evitar sua fervura e que
espirre na amostra umedecendo a mesma e
aumentado o tempo de secagem. O forno micro-ondas
(FMO) empregado apresentava as seguintes
características: carga máxima: 5 kg, capacidade: 35 L,
tensão de alimentação: 220 V, corrente 13 A, frequência:
60 Hz (rede), potência útil: 1.100 W (máxima),
frequência: 2.450 MHz (operação), consumo: 1,6 kW/
hora, velocidade do prato giratório: 3 rpm, dimensões
externas: 306x555x428 mm .
Após a obtenção de massa seca constante
para os dois métodos as amostras foram moídas em
moinho tipo Willey e acondicionadas em sacos de
papel seguidas posteriormente para determinação dos
teores de macronutrientes, conforme metodologia
descrita por Bataglia et al. (1983).
Os dados foram submetidos à análise de
variância sendo aplicado o teste Tukey ao nível de
significância de 5% de probabilidade.
v. 7, nº 2, Novembro/2011 - ISSN 1980 - 0029
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Observa-se que a porcentagem da matéria
seca obtida da grama batatais não diferiu
estatisticamente entre os dois métodos de secagem
utilizados (Tabela 1). Marcante et al. (2010) em
trabalho realizado com folhas de maracujá, pêssego
e abacate também não observaram diferença
significativa para porcentagem de matéria seca.
Resultados semelhantes dos dois métodos de
secagem na determinação da matéria seca foram
obtidos por outros autores como Lacerda et al. (2009)
em três espécies forrageiras; Petruzzi et al. (2005)
em cinco espécies de forrageiras e Pastorini et al.
(2002) em plantas de milho e feijão.
Neste sentido, Crespo et al. (2007)
concluíram que o método de secagem em FMO
permitiu determinar de forma confiável o conteúdo
de matéria seca em plantas forrageiras, reduzindo
significativamente o tempo de secagem.
Os teores foliares para macronutrientes
foram semelhantes independentemente do método
de secagem, exceto para potássio e cálcio
(Tabela 1).
Tabela 1: Porcentagem de matéria seca e teores de macronutrientes em amostras de folhas de grama batatais em função
de dois métodos de secagem forno microondas e estufa
Médias seguidas de letras diferentes na coluna diferem (P<0,05) estatisticamente entre si pelo teste Tukey.
Resultados semelhantes foram obtidos por
Marcante et al. (2010) estudando os efeitos de dois
métodos de secagem nos teores de macronutrientes
foliares em três frutíferas, onde observaram
semelhança entre os métodos, exceto para o Ca para
uma frutífera (pêssego).
Considerando os teores foliares adequados
para a grama batatais, segundo EMBRAPA (1997)
para os macronutrientes (N: 12-22; P: 1-3; K: 12-25;
Ca: 3-6; Mg: 2-4; S: 0,8-2,5 g.kg-¹), observa-se que
o diagnóstico nutricional da cultura indica adequado
para todos nutrientes, exceto o Ca que estaria
deficiente na planta, independentemente do método
de secagem das amostras. Assim, nota-se que o
diagnóstico do Ca e do K, foram semelhantes,
embora tenha havido diferença estatística (Tabela
1), implicando que essa foi pouco importante
agronomicamente pois não houve alteração no
diagnóstico nutricional da cultura.
Assim, nota-se o potencial de uso do forno
microondas em laboratórios de rotina de nutrição de
plantas, o que poderá diminuir o tempo da análise
foliar, otimizando o diagnóstico nutricional da cultura.
CONCLUSÃO
Os métodos de secagem em estufa e forno
microondas foram semelhantes na determinação da
matéria seca das folhas e dos teores dos
macronutrientes, exceto potássio e cálcio.
Ciência e Cultura
33
Determinação da matéria seca e dos teores de macronutrientes da grama batatais
O emprego da secagem das folhas da grama
batatais pelo forno microondas é adequado para a
determinação da matéria seca e não influencia no
diagnóstico nutricional da cultura.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BATAGLIA, O. C.; FURLANI, A. M. C.;
FURLANI, P. R.; TEIXEIRA, J. P. F.; GALLO, J.R.
Métodos de análise química de plantas.
Campinas, Instituto Agronômico. Boletim Técnico,
78. p.48, 1983.
CRESPO, R. J.; CASTAÑO, J. A.; CAPURRO, J.
A. Secado de forraje con el horno microondas: efecto
sobre análisis de calidad. Agricultura técnica, v.67,
n.2, p. 210-218, 2007.
LIMA et al
LACERDA, M.J.R.; FREITAS, K.R.; SILVA, J.W.
Determinação da matéria seca de forrageiras pelos
métodos de microondas e convencional. Bioscience
Journal, v.25, n.3, p. 185-190, 2009.
MARCANTE, N.C.; PRADO, R.M.; SILVA,
M.A.C., ROSSET, J.S.; ECCO, R.M.; SAVAN,
P.A.L.. Determinação da matéria seca e teores de
macronutrientes em folhas de frutíferas usando
diferentes métodos de secagem. Ciência Rural, v.40,
n.11,p.2398-2401, 2010.
PASTORINI, L. H. et al. Secagem de material
vegetal em forno microondas para determinação de
matéria seca e análises químicas. Ciência e
Agrotecnologia, v.26, n.6, p.1252-1258, 2002.
EMBRAPA. Centro Nacional de Pesquisa de Solos
(Rio de Janeiro, RJ). Manual de métodos de
análise de solo. 2ed. Rio de Janeiro: Embrapa Solos,
1997. 212 p.
PETRUZZI, H. J. STRITZLER, N.P.; FERRI,
C.M.; PAGELLA, J.H.; RABOTNIKOF, C.M.
Determinación de materia seca por métodos
indirectos: utilización del horno a microondas. Boletín
de divulgacíon técnica, n.88. 11p.2005. (EEA
INTA, Anguil “Ing.Agr. Guillermo Covas”).
GOATLEY, J.M.; MALDDOX, V.L.; WATKINS,
R.M. Bahiagrass response to a plant growth regulator
as effected by mowing interval. Crop Science, v.38,
n.1, p.196-200, 1998.
PLANK, C.O.; CARROW, R.N. Plant analysis:
an important tool in turf production. University
of Georgia, College of Agriculture and Environmental
Sciences, 2003.
GODOY, L.J.G.; BÔAS, R.L.V. Nutrição de gramados.
In: SIMPÓSIO SOBRE GRAMADOS: Produção,
Implantação e Manutenção, 1. Anais. Botucatu:
UNESP/FCA,48p. 2003.
PRADO, R.M. Nutrição de plantas. São Paulo:
Editora UNESP, 2008. v. 1. 407 p.
UNDERSANDER, D.; MERTENS, D. R.; THIEX,
N. Forage analyses procedures. Omaha: National.
Forage Testing Association, 1993. 153 p.
34
Ciência e Cultura
CIÊNCIA E CULTURA - Revista Científica Multidisciplinar do Centro Universitário da FEB
v. 7, nº 2, Novembro/2011 - ISSN 1980 - 0029
Próteses sobre implante: cimentada ou parafusada?
Revisão da literatura.
Implant prosthesis: cement-retained or screw-retained? Literature review.
Daniel PALHARES1*, Celso Eduardo SAKAKURA1, Marcelo Bighetti TONIOLLO2, Carla Moreto SANTOS3, Wilson
MATSUMOTO3, Regina Maura FERNANDES3, Renato José BERRO3.
Centro Universitário da Fundação Educacional de Barretos – UNIFEB, Programa de Mestrado em Ciências
Odontológicas, Av. Prof. Roberto Frade Monte 389, Aeroporto, CEP 14783-226 Barretos (SP).
2
Universidade de São Paulo – USP, FORP/USP – Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto, Avenida do Café, s/n,
Monte Alegre, CEP14040-904 Ribeirão Preto (SP).
3
Associação Odontológica de Ribeirão Preto – AORP, Rua Alice Além Saad 650, Nova Ribeirânia, CEP 14096-570
Ribeirão Preto (SP).
1
RESUMO
Os implantes osseointegrados começaram a atuar na área odontológica de maneira mais segura e previsível há
aproximadamente quatro décadas. Inicialmente, de forma coadjuvante, e a partir da década de 80 os implantes
osseointegrados passaram a ser utilizados rotineiramente para solucionar problemas de edentulismos parciais ou
mesmo para reposição de elementos isolados. Levando-se em conta o planejamento das próteses sobre implante,
dois tipos de retenção podem ser utilizadas: cimentadas ou parafusadas. O reabilitador deve levar em consideração
as características, indicações e contraindicações, assim como vantagens e desvantagens de cada uma dessas
opções protéticas para eleger os componentes, a fim de solucionar satisfatoriamente os casos clínicos. As
próteses parafusadas são bem indicadas para pequenos espaços entre os arcos, tendo boa resolubilidade em
casos de coroas clínicas curtas. Além disso, sua reversibilidade é um item importante, sobretudo em casos mais
extensos. Por outro lado, o parafuso oclusal de retenção da prótese parafusada pode apresentar-se de forma
muito superficial prejudicando tanto a estética como a função da reabilitação. Já as próteses cimentadas são
capazes de manter a integridade da superfície oclusal, o que favorece sua aparência e funcionabilidade. Aliado
a isso, há sua passividade, a qual representa outra vantagem neste tipo de planejamento protético. No entanto,
a irreversibilidade é uma característica inerente a estas próteses, podendo ser amenizada com o eventual uso
dos cimentos temporários. Diante de todas estas propriedades dos tipos de retenção das próteses sobre implantes,
pode-se concluir que cabe ao reabilitador sempre buscar novas informações e se atualizar quanto aos conceitos
e novidades a respeito dos variados sistemas protéticos. Assim, será possível eleger o melhor tratamento em
cada caso visando o melhor prognóstico possível.
Palavras-Chave: Prótese dentária fixada por implantes; Implantes dentários.
ABSTRACT
Osseointegrated implants began to have its performance in the dental field in a more secure and predictable way
for nearly last four decades. Initially, as coadjutants, and since 1980, the osseointegrated implants started to be
used very often to solve partial edentulous problems or even for a single tooth. About the planning of implant
prosthesis, two kinds of retention can be used: cement-retained or screw-retained. The rehabilitator must
consider the characteristics, indications and contraindications, as well as advantages and disadvantages of each
one of these options to elect the prosthetic components and to resolve satisfactorily the clinical cases. The
screw-retained prostheses are well indicated to small spaces between the arches and capable of resolving
problems in cases of short clinical crowns. Moreover, its reversibility is an important issue, especially in more
extensive cases. Furthermore, the occlusal screw retention of the prosthesis may be superficially, affecting not
only the aesthetic as the function of rehabilitation. The cement-retained prostheses are able to maintain the
integrity of the occlusal surface, which favors its appearance and functionality. Allied to this, there is its
passivity, which represents another advantage in this type of prosthetic planning. However, the irreversibility is
an inherent feature of the cemented prosthesis, which can be relieved with the possible use of temporary
cements. Considering all these properties of the type of retention of the implant prosthesis, it can be concluded
that the rehabilitator always need to be seeking new information and update of the concepts and news about the
varied prosthetic systems. Thus, it will be possible to choose the best treatment for each case in the best
possible prognosis.
Keywords: Implant-supported prosthesis; Dental implants.
*Autor para correspondência:
E-mail: [email protected] ou [email protected]
Fone: 16-36257574, 91330272
Recebido em: 14/03/2011
Aceito para publicação em: 28/06/2011
Ciência e Cultura
35
Próteses sobre implante: cimentada ou parafusada?
INTRODUÇÃO
Após os trabalhos desenvolvidos por
Branemark na década de 60, os implantes
osseointegrados têm ganhado destaque crescente nas
reabilitações protéticas de maneira segura e previsível
(FRIBERG et al., 2000; GOODACRE et al., 2003).
Desenvolvidos para ser utilizados como pilares
de ancoragem de próteses totais mandibulares, estes
implantes, usualmente em número de quatro a seis,
recebiam, após o período de cicatrização inicial e a
segunda etapa cirúrgica, próteses em resina reforçada
com infraestrutura metálica que eram retidas aos
“abutments” (intermediários), por meio de parafusos
de ouro, denominados parafusos de retenção. O fato
das próteses serem parafusadas sobre os implantes
e não cimentadas, como as reabilitações sobre dentes
naturais, trouxe o grande beneficio da reversibilidade,
podendo removê-las para higienização, reparos,
avaliação dos implantes e tecidos periimplantares.
Sobretudo para reabilitações protéticas extensas, em
pacientes com idade avançada ou com dificuldades
para manutenção de um nível desejável de higiene,
este benefício deve ser considerado como de
fundamental importância para a longevidade do
trabalho executado (TAYLOR et al., 2000).
A partir da década de 80, os implantes
osseointegrados passaram a ser utilizados
rotineiramente para solucionar problemas de
edentulismos parciais ou mesmo para reposição de
elementos isolados. Contribuiu para isso o
desenvolvimento de componentes protéticos com
grande apelo estético, fazendo com que as próteses
sobre implantes se tornassem cada vez mais
confiáveis, diminuindo assim a necessidade de
remoção periódica das reabilitações, abrindo espaço
para as próteses cimentadas que possuem maior
passividade, melhor estética e distribuição das forças
oclusais (TAYLOR e AGAR, 2002; EISENMANN
et al., 2004). Atualmente, as pesquisas estão voltadas
para a utilização de cimentos temporários
(provisórios) que permitem a fácil remoção da
prótese, solucionando o problema da reversibilidade
(CHEE e JIVRAJ, 2006).
Assim, com a evolução dos casos e da história
da implantodontia, bem como o aprimoramento das
técnicas, tem-se estudado e evoluído quanto à
aplicabilidade das próteses implanto-suportadas
visando sua melhor função e estética.
Revisão da literatura
A literatura é vasta quanto à escolha do uso
de próteses parafusadas ou cimentadas (SHADID
e SADAGA, 2010).
36
Ciência e Cultura
PALHARES et al
No entanto, ainda assim, muita dúvida existe
em relação a qual sistema deve-se optar nos mais
variados tipos de planejamentos existentes.
Durante a vida de uma prótese sobre implante,
o clínico poderá ter que remover a prótese para
higienização, reparos e reaperto de parafusos. Por
tal motivo o sistema parafusado tornaria todos estes
procedimentos mais facilmente alcançáveis.
As próteses parafusadas sobre implantes
trouxeram o grande beneficio da reversibilidade, ou
seja, pode-se removê-la para higienização, reparos
ou avaliação dos implantes e tecidos periimplantares.
Sobretudo em pacientes com idade avançada ou com
dificuldade para manutenção de um nível desejável
de higiene, esse benefício deve ser considerado como
de fundamental importância para a longevidade do
trabalho executado (BEZERRA e ROCHA, 1999;
MACEDO, 2000).
Por outro lado, os parafusos das próteses
recebem cargas cíclicas elevadas em casos de
parafunção. Assim, os parafusos retentores estão em
risco de fratura ou soltura a longo prazo. Estas
complicações são responsáveis por muitos dos
problemas encontrados nas próteses retidas por
parafuso, com a soltura do parafuso relatada em 6 a
38% das próteses (KALLUS e BESSING, 1996).
A idealização da colocação dos implantes no
centro do sulco central da prótese ou próximo à
cúspide de contenção cêntrica foi para que as forças
oclusais incidissem axialmente e pudessem ser melhor
absorvidas (MISCH, 2000).
Além da questão do posicionamento do
implante, outros fatores foram listados como possíveis
de levarem ao afrouxamento do parafuso oclusal:
falha de aperto adequado; desgaste da supraestrutura;
deflexão da supraestrutura; desajustes dos demais
componentes; detritos no parafuso; desenho do
parafuso e elasticidade do osso, permitindo movimento
do implante (BINON, 1996).
Outra questão importante é o assentamento
passivo em próteses parafusadas, o qual apresenta
um desafio técnico difícil. Assentamento inadequado
pode levar à introdução de tensões prejudiciais aos
implantes e aos tecidos de suporte. A consequência
dessas tensões pode incluir afrouxamento e fratura
dos parafusos de retenção, fraturas da armação
metálica ou da cerâmica (MACEDO, 2000).
Além disso, o fato de uma prótese retida por
parafuso não selar a interface ou margem abutment/
coroa, que abriga bactérias no sulco, pode até agir
como um bombeamento de endotoxinas, que encoraja
a proliferação de microorganismos na região sulcular
(JANSEN et al., 1997).
Na prótese sobre implante cimentada não há
CIÊNCIA E CULTURA - Revista Científica Multidisciplinar do Centro Universitário da FEB
nenhum espaço entre a coroa e abutment. Uma
conexão de metal com metal totalmente justaposta é
formada apenas com uma linha de cimento entre elas
(MISCH, 1995).
A utilização de componentes protéticos préfabricados como “copings” de transferência, análogos
e cilindros de ouro, foi sugerida a fim de contribuir
para um melhor assentamento cervical das próteses
sobre implantes parafusadas (LEWEIS, 1997).
A estética no canal de acesso do parafuso,
particularmente se o canal for feito de metal, é um
complicante nas próteses parafusadas. Mesmo no
caso do metal ficar profundo com a aplicação da
porcelana, visando melhor estética, fraturas na
mesma em volta do canal de acesso podem acontecer
(CHEE, 1999).
Além disso, o uso de “inlay” de cerâmica para
vedação do canal de acesso do parafuso de retenção
oclusal, estaria menos indicada para próteses
extensas ou para pacientes com dificuldade de
higienização, onde a reversibilidade seria mais
solicitada e este procedimento se tornaria trabalhoso
e de alto custo (BEZERRA e ROCHA, 1999).
O diâmetro mínimo do canal de acesso do
parafuso de retenção oclusal é de 3mm e, quando
comparado ao diâmetro total da mesa oclusal do
segundo pré-molar inferior, que é de 5,5mm, este
orifício ocupa 55% de toda a superfície oclusal
(HEBEL e GAJJAR, 1997).
Assim, a prótese sobre implante parafusada
necessita de um bom posicionamento do implante
para um ótimo direcionamento do canal de acesso
para o parafuso. Um mau direcionamento pode levar
a uma prótese pouco estética (CHEE, 1999).
A cimentação da prótese sobre implante elimina
a falta de estética causada pelo canal de acesso da
prótese parafusada. Segundo alguns autores, quando
comparada à prótese parafusada sobre implante, a
prótese cimentada tem o potencial de compensar
qualquer discrepância dimensional na adaptação da
prótese com o abutment, e isso pode contribuir com
o aumento da passividade. Além disso, comentam
que muitos dentistas não consideram a retenção por
cimento uma opção em próteses implantosuportadas,
pois acreditam que as próteses cimentadas não são
recuperáveis. No entanto, o cimento, quando usado
apropriadamente,
pode
reter
próteses
implantosuportadas e promover a reversibilidade. Os
autores propõem a utilização de cimentos temporários
associados à vaselina, havendo assim, a possibilidade
de remoção da prótese cimentada (HEBEL e
GAJJAR, 1997).
A reversibilidade das próteses quando
cimentadas com cimento temporário também foi
v. 7, nº 2, Novembro/2011 - ISSN 1980 - 0029
constatada por outros autores, corroborando em tal
afirmação (MISCH, 2000).
Além disso, a introdução no mercado de
componentes que não necessitam de frequentes
apertos no parafuso do abutment tem reduzido a
necessidade de remoção das próteses cimentadas
sobre implantes (VIGOLO et al., 2000).
Em casos de pouco espaço protético vertical
em que pode não haver altura suficiente para a
instalação de um pilar sólido a fim de se promover
uma retenção adequada, a prótese parafusada se faz
muito interessante, já que sua estabilização é dada
pelo parafuso de retenção e não pela retenção
friccional das paredes do preparo, não dependendo
da altura do espaço protético, promovendo
estabilidade retentiva mesmo no caso de coroas
curtas (BEZERRA e ROCHA, 1999; MACEDO,
2000).
Com toda a certeza, uma das principais
vantagens de uma supraestrutura retida por parafuso
é a retenção mais discreta do sistema de abutment.
As próteses cimentadas requerem um componente
vertical de pelo menos 5mm para fornecer retenção
e resistência, além de uma inclinação dita como ideal
das paredes próxima a 6 graus, evitando com isso a
perda da retenção friccional (JORGENSEN, 1995).
A retenção da prótese sobre o pilar será função
direta do tipo de cimento, do desenho do pilar, da
altura, da largura, do grau de convergência e da
aspereza entre as superfícies nas quais o agente de
cimentação encontra-se (BARBOSA, 2008).
Por causa da altura do abutment, coroas sobre
implantes retidas por cimento temporário podem ser
de difícil remoção (COVEY et al., 2000).
Nas próteses sobre implantes cimentadas há
um fator de grande valia para a adequada
biomecânica de todo o sistema reabilitador, que é a
adaptação passiva entre a supraestrutura e o pilar
intermediário, sendo responsável por impedir ou
minimizar as concentrações de tensões no osso
adjacente ao implante (JEMT, 1991).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Em prótese sobre implantes, para a definição
do tipo de retenção, cimentada ou parafusada, o
reabilitador deve ter em mente as indicações,
vantagens e desvantagens de cada uma destas
fixações protéticas.
Facilidade de Confecção e Custos
As próteses sobre implante cimentadas
possuem característica de confecção mais simples
Ciência e Cultura
37
Próteses sobre implante: cimentada ou parafusada?
comparativamente às parafusadas. Isso se deve às
técnicas protéticas convencionalmente utilizadas,
tanto clínicas como laboratoriais, na confecção de
próteses em geral (HEBEL e GAJJAR, 1997).
Além disso, sabe-se que as próteses
parafusadas apresentam maior custo devido à maior
necessidade de componentes. No entanto, tal custo
aumentado permite uma melhor previsibilidade em
caso de eventual necessidade de reversibilidade da
prótese, em comparação a uma cimentada
(GERVAIS e WILSON, 2007).
Reversibilidade no sistema de fixação
A reversibilidade é um item importante,
sobretudo em casos mais extensos. A prótese
parafusada sobre implante apresenta o beneficio da
reversibilidade, que permite a remoção da prótese
para higienização, reparos ou avaliação dos implantes
(BEZERRA e ROCHA, 1999; MACEDO, 2000).
Em pacientes com idade avançada ou com
dificuldade para manutenção de um nível desejável
de higiene, esse benefício torna-se importante para
a durabilidade do trabalho (BEZERRA e ROCHA,
1999).
O maior problema apresentado na técnica de
cimentação é justamente a irreversibilidade, que pode
ser evitada fazendo-se uso de cimentos temporários
associados à vaselina (BEZERRA e ROCHA, 1999;
HEBEL e GAJJAR, 1997; MISCH, 2000).
A prótese cimentada sobre implante não é
reversível quando se usa um cimento definitivo,
porém a utilização de um cimento temporário
favorece sua remoção, tomando-se apenas o cuidado
para que a peça não se solte durante a função
(HEBEL e GAJJAR, 1997). Contudo, até mesmo
com a utilização de cimentos provisórios, as próteses
cimentadas podem ser de difícil remoção (KIM et
al., 2009). É comprovado que a conicidade ideal do
abutment e a sua longa parede permitem o uso de
cimento provisório para a retenção da prótese por
um longo período (FREITAS et al., 2007).
Superfície oclusal
Em alguns casos o parafuso oclusal pode
apresentar-se superficial e mesmo com a utilização
de resinas de última geração e opacas, é possível
ver a sombra da infraestrutura metálica ou do
parafuso de retenção por transparência, gerando
desarmonia estética. (FREITAS et al., 2007).
Varias técnicas foram desenvolvidas para
resolver este problema, como a confecção de “inlays”
de cerâmica para vedação do canal de acesso do
parafuso de retenção oclusal (BEZERRA e ROCHA,
1999).
38
Ciência e Cultura
PALHARES et al
Outros artifícios foram usados para as
reabilitações protéticas retidas por parafusos, como
a utilização de obturador de silicone associado à
resina acrílica fotopolimerizável (ADRIAN, 1992).
Algumas questões fundamentais são geradas,
como por exemplo, a necessidade futura da remoção
destas próteses após a utilização da incrustação
cerâmica, ou ainda o custo adicional gerado em um
procedimento que já é bastante elevado. (FREITAS
et al., 2007).
A falta de suporte na região do orifício aumenta
os riscos de fratura para a cerâmica, pois por
questões estéticas nem sempre é possível
infraestrutura metálica como suporte adequado. (LEE
et al., 2010).
Cabe salientar que pouco se encontra na
literatura a respeito de materiais para vedação do
canal de acesso do parafuso de retenção, sendo esta
problemática ignorada por grande parte dos autores
(SILVA et al., 2011).
Outro fator importante a ser verificado é a
interferência do parafuso na anatomia oclusal,
comprometendo também a função. A restauração
retida por parafuso geralmente tem cargas
deslocadas na cúspide vestibular mandibular ou
cúspide palatina maxilar, que é uma carga em
cantilever e que aumenta a força devido ao
movimento de alavanca. Já a prótese cimentada pode
ter o contato oclusal diretamente sobre o corpo do
implante (MISCH, 2000).
A grande vantagem da utilização de próteses
cimentadas é a integridade da superfície oclusal, quer
seja do ponto de vista funcional ou estético
(BEZERRA e ROCHA, 1999).
Este tipo de reabilitação é realizado sobre
abutments personalizáveis, tornando o procedimento
menos complexo e dispendioso. (SHADID et al.,
2010).
Adaptação passiva da prótese sobre implante
As fundições passivas representam uma
vantagem considerável nas próteses cimentadas. Os
espaçadores para troquéis criam um espaço de
aproximadamente 40 micrômetros para o cimento,
que compensa uma parte da alteração dimensional
dos materiais de laboratório e permite a confecção
de uma fundição mais passiva com as próteses
cimentadas (SILVA et al., 2011).
Além disso, a prótese cimentada tem o
potencial de compensar qualquer discrepância
dimensional na adaptação da prótese com o abutment,
contribuindo com o aumento da passividade
(MACEDO, 2000; HEBEL e GAJJAR, 1997;
MISCH, 2000).
CIÊNCIA E CULTURA - Revista Científica Multidisciplinar do Centro Universitário da FEB
Outra característica a ser mencionada é a
ausência de espaço entre a coroa e o abutment, sendo
uma conexão de metal com metal justaposta, apenas
com uma linha de cimento entre eles, aumentando
assim, a passividade (MISCH, 2000).
Com relação à prótese parafusada sobre
implante, assentamento passivo é um desafio técnico
difícil. Um assentamento inadequado pode provocar
o afrouxamento e fratura dos parafusos de retenção,
fratura da armação metálica ou da cerâmica
(MACEDO, 2000).
A má adaptação das próteses sobre implante
está diretamente relacionada com complicações
biológicas e mecânicas (DUYCK e NAERT, 2002).
Muitos autores acreditam que próteses sobre
implante cimentadas têm melhor capacidade para
obter adaptação passiva do que as parafusadas, uma
vez que o agente cimentante poderia agir absorvendo
impactos e reduzindo tensões transmitidas ao osso e
todo o complexo do implante (EISENMANN et al.,
2004).
No entanto, existem inúmeros fatores que
afetam diretamente a adaptação e passividade das
próteses sobre implante, entre eles a precisão de todo
o processo de fabricação, incluindo moldagem e
fundição, além da habilidade do operador e técnico
em prótese (HECKMANN et al., 2004).
Há relatos que as próteses sobre implante
parafusadas possuem menor “gap” de interface entre
suas conexões do que as cimentadas. Como
consequência, estas poderiam gerar maior risco de
colonização e dissolução do cimento, além de
inflamação gengival. Para melhorar a adaptação
passiva das próteses sobre implante parafusadas,
pode-se lançar mão de duas técnicas relatadas na
literatura: secção da infraestrutura em partes e solda
a laser (EISENMANN et al., 2004; HEBEL e
GAJJAR, 1997).
Distribuição da tensão provocada pelas cargas
mastigatórias no componente/implante/osso
Há grande preocupação com relação ao
comportamento biomecânico da infraestrutura das
próteses sobre implante, uma vez que toda e qualquer
carga sobre ela gerará uma distribuição de tensões
na interface osso-implante, podendo acarretar
inúmeras consequências (ERKMEN et al., 2010).
Influência de vários fatores são presentes no
comportamento das próteses, como diâmetro dos
implantes, comprimento, desenho de superfície,
posicionamento espacial, entre outros. Os tipos de
sistemas de conexão entre o implante e a prótese
sobre implante também variam e repercutem em seu
desempenho, além da questão destas próteses serem
v. 7, nº 2, Novembro/2011 - ISSN 1980 - 0029
parafusadas ou cimentadas (GENG et al., 2004).
A escolha entre uma retenção por parafusos
ou por cimentos exerce uma grande influência no
plano de tratamento final, já que atinge, de maneira
direta, a força transmitida aos componentes e a
interface osso-implante (HECKMANN et al., 2004).
Estudo das tensões induzidas em implantes, por
meio de análise fotoelástica, tanto em próteses
parciais fixas cimentadas como parafusadas, revelou
que as infraestruturas cimentadas geram níveis mais
baixos de distribuição de tensão quando submetidas
à carga compressiva, comparadas às próteses
parafusadas. No entanto, tanto as próteses
cimentadas como as parafusadas não possuem
adaptação totalmente passiva, podendo produzir
tensão de baixa magnitude nos implantes (MANZI
et al., 2009).
Outra metodologia também usada para
análise da distribuição de tensões nos implantes e
estruturas circunjacentes é o método dos elementos
finitos. Autores já demonstraram, utilizando-se de tal
metodologia, que há maior acúmulo de tensões na
crista alveolar do osso cortical e nas próteses quando
estas são parafusadas. Além disso, as maiores
tensões concentram-se na porção cervical dos pilares,
fato este que pode estar diretamente relacionado às
complicações como soltura e/ou fratura do parafuso
de retenção (QUARESMA et al., 2008).
Formato e tamanho dos pilares
É bem documentado na literatura odontológica
que muitos fatores influenciam o resultado da
retenção nas próteses cimentadas, tanto nos dentes
naturais, quanto nos abutments de implantes. Estes
fatores são conicidade ou paralelismo, área de
superfície e altura, superfície polida ou rugosa e tipo
de cimento (HEBEL e GAJJAR, 1997).
A inclinação ideal das paredes de um preparo
deve estar próxima a 6°, evitando com isso a perda
de retenção friccional. Este conceito pode ser
empregado tanto para preparos em dentes, quanto
para abutments sobre implantes (JORGENSEN,
1995).
Assim, pode-se dizer que a vantagem primária
de uma supraestrutura retida por parafuso é a
retenção mais discreta do sistema de abutments. Já
as próteses cimentadas requerem um componente
vertical de pelo menos 5mm para fornecer retenção
e formar a resistência. Casos com pequeno espaço
entre os arcos geram coroas clínicas mais curtas,
havendo a indicação de próteses parafusadas, já que
a estabilização é dada pelo parafuso de retenção e
não pela retenção friccional das paredes do preparo
(BEZERRA e ROCHA, 1999; MACEDO, 2000).
Ciência e Cultura
39
Próteses sobre implante: cimentada ou parafusada?
Carregamento imediato
As próteses sobre implante parafusadas são
consideradas as de escolha para a realização de carga
imediata, já que resquícios de cimento podem causar
injúrias aos tecidos periimplantares, prejudicando
tanto a cicatrização tal como a osseointegração.
Além disso, a interface de componentes
usinados é superior em relação à margem de qualquer
tipo de cimento (KEITH et al., 1999).
Outro fator é que a retenção do parafuso
proporciona uma imobilização mais definitiva e rígida
aos componentes e respectivos implantes,
aumentando a estabilidade primária (CHEE e
JIVRAJ, 2006).
PALHARES et al
A literatura a respeito do assunto tratado é
vasta, com muitos estudos e considerações diversas
sobre o comportamento das próteses sobre implantes
parafusada e cimentada. É importante destacar que
cabe ao profissional avaliar cada caso de forma
individualizada e ponderar sobre as características
inerentes a cada tipo de sistema de retenção,
adequando-o à situação em que está sendo aplicado,
já que ambos podem ser corretamente utilizados,
desde que haja adequado planejamento do caso. Não
há evidências que favoreçam, de forma geral, um
mecanismo de retenção em detrimento ao outro.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Complicações
Uma complicação da prótese parafusada é a
falha dos componentes do parafuso por fadiga. O
diâmetro estreito do parafuso da prótese reduz sua
resistência a longo prazo (GOODACRE et al., 2003).
O limite da fadiga ou resistência é
aproximadamente a metade da resistência máxima
de um material. Os parafusos da prótese recebem
cargas cíclicas elevadas, em um caso de parafunção.
Como resultado, os parafusos retentores estão em
risco de fratura ou soltura. (SHADID et al., 2010).
O desgaste das roscas, por causa de soltura
do parafuso, pode ocorrer quando a restauração é
repetidamente removida e reinserida durante vários
anos. Um parafuso com o dobro do diâmetro é 16
vezes mais forte. Por ser o diâmetro do parafuso
oclusal menor que qualquer um dos componentes do
implante, ele corre maior risco de fratura (KALLUS
e BESSING, 1996).
Já nas próteses cimentadas, as complicações
acontecem quando há fratura ou desgaste da
superfície estética da prótese, cerâmica ou resina.
Nessa situação, o profissional se vê obrigado a
seccionar a peça e confeccionar um novo trabalho.
(KALLUS e BESSING, 1996).
CONCLUSÃO
Os artigos científicos consultados permitem
algumas considerações pontuais:
• A prótese cimentada sobre implante tem
como principal vantagem a passividade,
estética oclusal e a integridade da superfície
oclusal;
• A prótese parafusada sobre implante tem a
reversibilidade como maior vantagem e deve
ser indicada em casos de coroas curtas, em
que o espaço interoclusal é pequeno.
40
Ciência e Cultura
ADRIAN, E. A silicone obturator for the access
canal in implant-retained fixed prostheses. J Prosth
Dent, v.72, p.597-603, 1992.
BARBOSA, G.F. Quando cimentar ou parafusar
prótese sobreimplante? Implantnews, v.5, p.75-80,
2008.
BEZERRA, F.J.B.; ROCHA, P.V.B. Screw-retained
Prostheses versus Cemented Prostheses. Use of
ceramic inlays to obture the oclusal gold screw
access conduit. Innovations Journal, v.3, p.6-10, 1999.
BINON, P.P. The effect of implant/abutment
hexagonal misfit on screw joint stability. Int J
Prosthodont Lombard, v.9, p.149-160, 1996.
CHEE, W. Cemented versus screw-retained implant.
Int J Oral Maxilofac Implants, v.14, p.137-141, 1999.
CHEE, W.; JIVRAJ, S. Screw versus cemented
implant-supported restorations. Br Dent J, v.201,
p.501-507, 2006.
COVEY, D.A.; KENT, D.K.; ST GERMAIN,
H.A.J.R.; KOKA, S. Effects of abutment size and
luting cemented type on the uniaxial retention force
of implant-supported crowns. J Prosthet Dent, v.83,
p.344-348, 2000.
DUYCK, J.; NAERT, I. Influence of prosthesis fit
and the effect of a luting System on the prosthetic
connection preload: an in vitro study. Int J
Prosthodont, v.15, p.389-396, 2002.
EISENMANN, E.; MOKABBERI, A.; WALTER,
M.H.; FREESMEYER, W.B. Improving the fit of
implantsupported superstructures using the spark
CIÊNCIA E CULTURA - Revista Científica Multidisciplinar do Centro Universitário da FEB
erosion technique. Int J Oral Maxillofac Implants,
v.19, p.810-818, 2004.
ERKMEN, E.; MERIÇ, G.; KURT, A.; TUNÇ, Y.;
ESER, A. Biomechanical comparison of implant
retained fixed partial dentures with fiber reinforced
composite versus conventional metal frameworks: A
3D FEA study. Journal of the Mechanical Behavior
of Biomedical Materials, doi:10.1016/
j.jmbbm.2010.09.011.
FREITAS, R.; OLIVEIRA, J.L.G.; ALMEIDA,
A.A.; MAIA, B.G.F. Parafusar ou cimentar: qual a
melhor opção para as próteses implantosuportadas?
Implantnews, v.4, p.255-60, 2007 .
FRIBERG, B.; GRONDAHL, K.; LEKHOLM, U.;
BRANEMARK, P.I. Long-term follow-up of
severely atrophic edentulous mandibles reconstructed
with short Branemark implants. Clinical Implant
Dentistry and Related Research, v.2, p.184-189, 2000.
GENG, J.P.; MA, Q.S.; XU, W.; TAN, K.B.C.; LIU,
G.R. Finite element analysis of four thread-form
configurations in a stepped screw implant. Journal
of Oral Rehabilitation, v.31, p.233-39, 2004.
GERVAIS, M.J.; WILSON, P.R. A rationale for
retrievability of fixed, implant-supported prostheses:
a complication-based analysis. Int J Prosthodont, v.20,
p.13-24, 2007.
GOODACRE,
C.J.;
BERNAL,
G.;
RUNGCHARASSAENG, K.; KAN, J.Y.K. Clinical
complications with implants and implant prostheses.
The Journal of Prosthetic Dentistry, v.90, p.121-132,
2003.
HEBEL, K.; GAJJAR, R.C. Cemented-retained
versus screw-retained implant restorations: Achieving
optimal occlusion and esthetics in implant dentistry. J
Prosth Dent, v.77, p.28-35, 1997.
HECKMANN, S.M.; KARL, M.; WICHMANN,
M.G.; WINTER, W.; GRAEF, F.; TAYLOR, T.D.
Cement fixation and screw retention: parameters of
passive fit. An in vitro study of three-unit
implantsupported fixed partial dentures. Clin Oral
Implants Res, v.15, p.466-73, 2004.
JANSEN, V.K.; CONRADS, G.; RICHTER, E.J.
Microbial leakage and marginal fit of the implant
abutment interface. Int J Oral Maxilofac Implants,
v.12, p.527-540, 1997.
v. 7, nº 2, Novembro/2011 - ISSN 1980 - 0029
JEMT, T. Osseointegrated implants for single tooth
replacement: a 1 year report from a multicenter
prospective study. Int J Oral Maxilofac Impl, v.6, p.2935, 1991.
JORGENSEN, K. The relationship between retention
and convergence angle in cemented veneers crows.
Acla odontol Scand, v.13, p.35-40, 1995.
KALLUS, T.; BESSING, C. Loose gold screw
frequently occur in full-arch fixed prostheses
supported by Osseointegrated implants after 5 years.
Int J Oral Maxilofac Implants, v.9, p.169-178, 1996.
KIM, S. G.; PARK, J. U.; JEONG, J. H.; BAE, C.;
BAE, T. S.; CHEE, W. In vitro evaluation of reverse
torque value of abutment screw and marginal opening
in a screw – and cement- retained implant fixed
partial denture design. Int j oral maxillofac implants,
24:1061-7, 2009.
KEITH, S.E.; MILLER, B.H.; WOODY, R.D.;
HIGGINBOTTOM, F.L. Marginal discrepancy of
screwretained and cemented metal-ceramic crowns
on implant abutments. Int J Oral Maxillofacial
Implants, v.14, p.369-78, 1999.
LEE, A.; OKAYASU K.; WANG, HL. Screwversus cement-retained implant restorations: Current
concepts. Implant Dent, 19:8-15, 2010.
LEWEIS, S. The “UCLA” abutment. Int J Oral
Maxilofac Implant, v.3, p.237-242, 1997.
MANZI, M.R.; PIMENTEL, A.C.; LOPES, F.M.;
GUIMARÃES, C.P.D.; SENDYK, C.L.; SENDYK,
W.R. Análise fotoelástica das tensões induzidas em
implantes por próteses parciais fixas cimentadas,
parafusadas e mistas. ImplantNews, v.6, p.73-79,
2009.
MACEDO, N.L. Seminário odontológico Latino
Americano de São Paulo. Seminarista-área de
implantes, p.1-52, 2000.
MISCH, C.E. Implantes Dentários Contemporâneos.
Livraria e editora Santos 2ª ed., São Paulo, p.547593, 2000.
OLIVEIRA, C.A.; VIEIRA, B.I.; ANDREAZA, H.;
CRUZ, M.R. Prótese parafusada versus prótese
cimentada. Implantnews, v.4, p.193-7, 2007.
Ciência e Cultura
41
Próteses sobre implante: cimentada ou parafusada?
QUARESMA, S.E.; CURY, P.R.; SENDYK, W.R.;
SENDIK, C. A finite element analysis of two
different dental implants: stress distribution in the
prosthesis, abutment, implant and supporting bone. J
Oral Implantl, v. 34, p.1-6, 2008.
SHADID, R.; SADAGA, M.S.N. A comparison
Between Screw Vs. Cement Retained Implant
Prostheses: A literature Review. Journal of Oral
Implantology, 2010 doi: 10.1563/AAID-JOI-D-1000146.
SILVA, L. O.; HENRIQUES, E. F.; GUIMARÃES,
R. P.; GIRUNDI, F. M. S.; HENRIQUES, S. E. F.;
LEHMAN, L. F. C. Revisão dos princípios
fundamentais de prótese sobreimplante parafusada
e cimentada. Implantnews, v.8(2),p.213-8, 2011.
42
Ciência e Cultura
PALHARES et al
TAYLOR, T.D.; BELSER, U.; MERISCSKESTERN, R. Prosthodontic considerations. Clin Oral
Implants Res, v.11, p.101-107, 2000.
TAYLOR, T.D.; AGAR, J.R. Twenty years of
progress in implant prosthodontics. J Prosthet Dent,
v.88, p.89-95, 2002.
VIGOLO, P.; MAJZOUB, Z.; CORDIOLI, G.P.
Measurement of the dimensions and abutment
rotational freedom of gold machined 3i UCLA type
abutments in the as-received condition, after casting
with a noble metal alloy and porcelain firing. J Prosthet
Dent, v.84, p.548-553, 2000.
CIÊNCIA E CULTURA - Revista Científica Multidisciplinar do Centro Universitário da FEB
v. 7, nº 2, Novembro/2011 - ISSN 1980 - 0029
Padronização da produção extracelular de pigmentos
vermelhos por Monascus ruber.
Standardization of production of red pigments by Monascus rubber.
Naiara ZANETI,, Luciana GAZZONE, Juliana Custodio TOLEDO, Guilherme Augusto TEIXEIRA, Cristiane Cardoso
Correia TEIXEIRA*
Centro Universitário da Fundação Educacional de Barretos, Av. Prof. Roberto Frade Monte nº 389, Aeroporto, CEP
14783-226, Barretos, SP.
RESUMO
Monascus ruber, um ascomiceto, é usado há muito tempo na culinária oriental para a produção de pigmentos,
comidas fermentadas e bebidas. Diversos estudos têm sido realizados a fim de aumentar a produção de
pigmentos vermelhos pelo Monascus ruber. Os estudos apresentados atualmente são realizados, na maioria,
com fermentação sólida, no qual a produção de pigmentos vermelhos é maior, porém, há dificuldade em se
controlar o processo. Por isso, torna-se necessário investir mais no estudo de fermentação em cultivo
submerso com o objetivo de torná-la competitiva, uma vez que este tipo de fermentação é de fácil mistura,
permitindo condições uniformes para o crescimento da cultura e maior controle de processo. Este trabalho
se insere neste contexto uma vez que consiste no estudo da fermentação em meio submerso de Monascus
ruber. Padronizando a fermentação, obteremos um produto mais rico em pigmentos, o que aumenta seu
valor comercial. Para tanto realizou-se um planejamento fatorial completo, com dois fatores em três níveis.
Avaliou-se a influência da concentração de glicose e zinco na produção de pigmentos, em diferentes tempos
de fermentação. Maior produção de pigmentos vermelhos foi obtida no 21° dia, após este dia ocorre uma
diminuição do teor de pigmentos vermelhos no extrato. Além disso, maior produção extracelular de pigmentos
vermelhos é obtida com maior concentração de glicose e menor concentração de zinco. Portanto, pode-se
concluir que o experimento 7 com 21 dias de fermentação é a melhor condição, dentre as estudadas, para a
fermentação do Monascus ruber visando a produção de pigmentos extracelulares.
Palavras - Chave: Pigmentos vermelhos, Monascus ruber.
ABSTRACT
The Monascus ruber has been used for a long time in Eastern cuisine in order to produce pigments,
fermented foods and beverages. Several studies have been performed to increase the production of the red
pigments by the M. ruber. The majority of the studies presented are performed using solid fermentation that
produces more quantity of red pigments, but there is difficulty in controlling the process. Therefore it is
necessary to invest in studies of fermentation in submerged cultivation in order to make it competitive, since
this type of fermentation is easy to mix, permitting equal conditions to the growth of the culture and the
control of the process. This paper is inserted in this context, once that it consists in studying the fermentation
in submerged environment of M. ruber. A product with more pigments will be obtained if the fermentation
is standardized, which increases the commercial value. Because of this a full factorial design was realized,
taking two factors in three levels. The influence of glucose and zinc concentration in pigments production, at
different times of fermentation was evaluated. Increased production of red pigment was obtained in the 21th
day after this; there is a decreased level of red pigments. Furthermore, increased extracellular production of
red pigments is obtained with higher concentrations of glucose and lower of zinc. Therefore, one can conclude
that the experiment 7, 21 days of fermentation, is the best condition, among those studied, for the fermentation
of M. ruber for the production of extracellular pigments.
Keywords: Red pigments, Monascus ruber
*Autor para correspondência:
e-mail: [email protected]
Telefone: (17) 33216439 / (16) 81460508
Recebido em: 08/08/2011
Aceito para publicação em: 13/09/2011
Ciência e Cultura
43
Padronização da produção extracelular de pigmentos vermelhos
INTRODUÇÃO
Os produtos naturais são utilizados pela
humanidade desde os primórdios da civilização para
o alívio dos sintomas e cura de doenças. A história
do Brasil está ligada ao comércio de produtos naturais,
do pau Brasil era extraído a brazilina, que facilmente
se oxidava a brazileína, corante de cor vermelha
utilizado para escrever e tingir roupas. Além da
brazilina, diversos outros corantes foram extraídos
de fontes naturais. Até o final do século XIX somente
os corantes naturais eram disponíveis, com isso estes
produtos tinham enorme valor comercial. Contudo,
houve diminuição do uso de corantes naturais no final
do século XIX com o desenvolvimento dos corantes
sintéticos pelas indústrias alimentícias (VIEGAS,
BOLZAN, BARREIRO, 2006).
A partir deste desenvolvimento, seguiu-se a
formulação de leis para uso de corantes, com o
objetivo de proteger a saúde do consumidor. Assim,
no início do século XX, nos EUA foi divulgada uma
lista dos corantes permitidos, sendo permitidos apenas
sete corantes sintéticos. Atualmente a preocupação
dos consumidores com a qualidade dos alimentos vem
aumentando, e assim, estabeleceu-se uma tendência
de preferência por produtos naturais. Com o
progresso da ciência e tecnologia, a população
reconhece que os pigmentos sintéticos podem induzir
o câncer. Conseqüentemente, há a necessidade de
se encontrar fontes alternativas para corantes em
alimentos, sendo a cultura microbiana uma
ferramenta importante a ser explorada (WIGGERALBERTI, et. al., 1999).
Os fungos filamentosos, potenciais
produtores de pigmentos naturais, são organismos
promissores para a indústria produtora de proteínas
heterólogas, ácidos orgânicos e policetídeos.
Policetídeos são produtos naturais estruturalmente
complexos e extremamente ricos em moléculas
bioativas. Inclui um número grande de importantes
produtos farmacêuticos, antibióticos, agentes
anticancerígenos, imunossupressores, agentes
antiparasitários,
antifúngicos,
agentes
cardiovasculares; produtos veterinários e aditivos
alimentares,
especialmente
pigmentos
(KUJUMDZIEVA, HALLET, SAVOV et al., 1997).
O fungo Monascus ruber destaca-se neste
cenário, uma vez que existe mais de cinqüenta
patentes sobre a produção de pigmentos vermelhos,
laranja e amarelo, por este microrganismo,
principalmente no Japão, EUA, França e Alemanha.
Pelo menos seis tipos de pigmentos produzidos pelo
Monascus são conhecidos, sendo que o pigmento
vermelho é o de maior importância na indústria de
44
Ciência e Cultura
ZANETI et al
alimentos, devido à sua aplicabilidade. Produtos
cárneos, peixes, “ketchup”, chocolates, sorvetes,
vinagre, picles, sopas, cremes, salgadinhos e outros
fazem uso deste corante. Especial interesse existe
nesta cor devido à sua estabilidade à temperatura e
à luz (FINK-GREMMELS, DRESEL e LEISTNER,
1991).
Estimativas mostram que o consumo
brasileiro de extrato de Monascus movimenta cerca
de cinco milhões de reais por ano, e cerca de 500
toneladas por ano. Este consumo pode aumentar tendo
em vista seu grande potencial. Desde 1999,
Monascus ruber vem despertando o interesse de
pesquisadores do mundo todo (ROSSI, 2006), devido
à atividade hipocolesterolêmica de um dos seus
metabólitos, a monacolina K (MANZONI et al.,
1999).
Diversos estudos têm sido realizados a fim
de aumentar a produção de pigmentos vermelhos pelo
Monascus ruber (PASTRANA et. al., 1995). Cabe
ressaltar que os estudos apresentados atualmente,
tanto no Brasil quanto nos países citados, são
realizados, na maioria, com fermentação sólida. No
estado sólido, a produção de pigmentos vermelhos é
maior (JACOBSEN, WASILESKI, 1994) devido à
difusão dos pigmentos intracelulares na matriz sólida,
porém, com menor flexibilidade e menor controle do
processo (ROSSI, 2006). Em culturas submersas os
pigmentos permanecem no micélio devido à baixa
solubilidade destes no meio. Diversos estudos
tentando aumentar a eficiência destes processos
(meio de cultivo sólido) são relatados, justificando
sua importância econômica (TENG, FELDHEIM,
2001). Por isso, torna-se necessário investir mais no
estudo de fermentação em cultivo submerso com o
objetivo de torná-la competitiva, uma vez que este
tipo de fermentação é de fácil mistura, permitindo
condições uniformes para o crescimento da cultura.
Permitem, também, mais fácil controle sobre as
condições de cultivo como pH, oxigênio dissolvido,
temperatura, velocidade de agitação e concentração
de nutrientes. O alto calor específico e a alta
condutividade térmica auxiliam no controle da
temperatura (ROSSI, 2006).
Este trabalho se insere neste contexto uma
vez que consiste no estudo da fermentação de
Monascus ruber. Embora já existam estudos sobre
a produção de pigmentos por M. ruber, não há muitos
estudos que visam padronizar as condições de
fermentação em meio submerso. Portanto, este
estudo é fundamental uma vez que as condições de
cultivo em fermentação submersa se alteram de uma
linhagem do microrganismo para outra. Além disso,
muito poucos estudos são realizados nesta área no
CIÊNCIA E CULTURA - Revista Científica Multidisciplinar do Centro Universitário da FEB
Brasil segundo o relatório do Projeto BRA/96/025 ACORDO SUDAM/PNUD (MAIMOM, 2005).
MATERIAL E MÉTODOS
Os experimentos visando à determinação de
características do processo e dos efeitos de alguns
fatores selecionados sobre a produção extracelular
de pigmentos por Monascus ruber, em meio
fermentativo submerso com diferentes aditivos,
foram realizados segundo um planejamento fatorial
completo com dois fatores em três níveis (32) (BOX,
v. 7, nº 2, Novembro/2011 - ISSN 1980 - 0029
HUNTER, HUNTER, 1978), conforme pode ser
visto nas Tabelas 1 e 2. Este experimento foi realizado
em duplicata. Os dados foram tratados por análise
de variância usando a técnica de superfície de
resposta, com o auxílio do modulo “Visual General
Linear Model” (VGLM) do software Statistica 99
(Statsoft, Inc USA).
Os fatores estudados, bem como os níveis
selecionados, alto, médio e baixo, usando a
nomenclatura + 1, 0 e – 1 em sua forma codificada,
estão demonstrados na Tabela 1. O planejamento
experimental com os fatores codificados está na
Tabela 2.
Tabela 1: Fatores estudados e seus níveis
Tabela 2: Planejamento Fatorial completo e seus fatores codificados
Para a análise de superfície de resposta as variáveis estudadas precisaram ser decodificadas. A
decodificação é dada pela fórmula da Equação 1:
Variável codificada = nível não codificado – 0,5 x (alto nível + baixo nível) (1)
0,5 x (alto nível - baixo nível)
A seguinte composição do meio foi mantida
constante em todos os experimentos: K2HPO4, 5g/
L; KH2PO4, 5 g/L; CaCl2, 0,1 g/L; MgSO4.7H2O,
0,5 g/L; FeSO4.7H2O, 0,01 g/L; KNO3, 2 g/L e
MnSO4. H2O, 0,03 g/L, Ágar potato dextrose 18g/L.
O pH inicial foi de 6,5, não necessitando o seu
ajustamento com ácido fosfórico (H3PO4).
Os experimentos foram realizados em
duplicata, aproximadamente 30ºC, agitação 10rpm,
sem aeração, pH entre 6,0 e 6,5. Foram inoculados
em 50 mL de meio 2 mL de suspensão de inoculo
(5,84 x 10 6 esporos/mL). Essa suspensão foi
preparada utilizando-se aproximadamente 16,8 g de
massa micelial úmida em 10 mL de água destilada
esterilizada e filtrada. Foi acompanhada a produção
de pigmentos por vinte três dias, até atingir o máximo
de produção.
Determinação de pigmentos de Monascus ruber
A análise da produção de pigmentos de
Monascus foi feita pela medida da absorvância, em
espectrofotômetro do pigmento nas faixas próximas
a 400 e 500 nm para pigmentos amarelos (UA
400nm), e vermelhos (UA 500nm), respectivamente
Ciência e Cultura
45
Padronização da produção extracelular de pigmentos vermelhos
(JOHNS, STUART, 1991). A relação absorvância a
500 nm /absorbância a 400 nm (ABS 500/400 nm)
fornece a relação entre pigmento vermelho e amarelo
(WONG, KOEHLER,1981).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
O fator usado para a caracterização dos
extratos foi a produção de pigmentos vermelhos, UA
500nm, a produção de pigmentos amarelos,
UA400nm e a relação de pigmentos vermelhos e
amarelos, ABS 500/400 nm.
ZANETI et al
Nas Figuras 1, 2 e 3 estão ilustradas o teor
de pigmentos vermelhos, UA 500, ao longo da
fermentação. Pode-se observar que, na maioria dos
experimentos realizados, a produção de pigmentos
vermelhos aumenta até o 21odia de fermentação, após
este dia o teor diminui, sugerindo uma degradação
destes. Portanto, a fermentação para a produção
extracelular de pigmentos vermelhos, através do
Monascus ruber deverá ser realizado por 21 dias.
Além disso, pode-se observar uma maior produção
de pigmentos vermelhos no experimento 7, Figura 1.
Na Figura 3 observa-se a menor produção de
pigmentos vermelhos.
Figura 1: Produção de pigmentos vermelhos, dos experimentos com maior teor de glicose, ao longo do
estudo de fermentação.
Figura 2: Produção de pigmentos vermelhos, dos experimentos com teor intermediário de glicose, ao longo
do estudo de fermentação.
46
Ciência e Cultura
CIÊNCIA E CULTURA - Revista Científica Multidisciplinar do Centro Universitário da FEB
v. 7, nº 2, Novembro/2011 - ISSN 1980 - 0029
Figura 3: Produção de pigmentos vermelhos, dos experimentos com menor teor de glicose, ao longo do
estudo de fermentação.
Os resultados da análise de variância do
planejamento fatorial estão descritos abaixo. A
análise de variância foi realizada somente para o 21o
dia de fermentação, devido à maior produção de
pigmentos vermelhos. Foram feitos gráficos de
superfície de resposta a fim de auxiliar o estudo da
influencia da composição do meio na produção de
pigmentos. A Tabela 3 mostra os resultados da análise
de variância (ANOVA) dos dados referentes a
produção de pigmentos no 21o dia de fermentação.
Tabela 3: Análise de variância (ANOVA) dos dados referentes à produção de pigmentos no 21o dia de fermentação
* variável significante a 0,1%, **variável significante a 5%.
Analisando os dados demonstrados na Tabela
3 pode-se aferir que a concentração de glicose
influenciou positivamente o teor de pigmentos
vermelhos e amarelos com 5% de significância e
negativamente a ABS 500/400 com 5% de
significância. O termo quadrático da glicose
influenciou somente a relação ABS 500/400, com
0,1% de significância.
Analisando a Figura 4 pode-se afirmar que a
relação ABS 500/400 diminui com concentração
intermediária de glicose, ou seja, nesta concentração
há maior produção de pigmentos amarelos em
relação aos vermelhos. Além disso, pode-se
observar nas Figuras 5 e 6 que a produção de
pigmentos vermelhos e amarelos aumenta
linearmente com o aumento da concentração de
glicose. O teor de zinco não influenciou de forma
significativa a produção de pigmentos.
Ciência e Cultura
47
Padronização da produção extracelular de pigmentos vermelhos
ZANETI et al
Figura 4: Gráfico de superfície de resposta da razão ABS 500/400 em função do teor de zinco e
glicose, 21o dia de fermentação.
Figura 5: Gráfico de superfície de resposta da razão UA 500 em função do teor de zinco e glicose, 21o
dia de fermentação.
Figura 6: Gráfico de superfície de resposta da razão UA 400 em função do teor de zinco e glicose, 21o dia de fermentação.
48
Ciência e Cultura
CIÊNCIA E CULTURA - Revista Científica Multidisciplinar do Centro Universitário da FEB
Produtos obtidos por fermentação do
Monascus ruber são usados como pigmentos em
alimentos entre outras propostas culinárias e sua cor
varia de amarelo a vermelho escuro, dependendo
das condições de fermentação (TENG, FELDHEIM,
2001).
Para a indústria é mais importante a produção de
pigmentos vermelhos. Para tanto, um planejamento
fatorial foi realizado usando meio de cultura
previamente estudado (TEIXEIRA, 2011), variando
o teor de glicose e zinco.
Baseado no presente estudo pode-se aferir
que a maior produção extracelular de pigmentos
vermelhos é obtida com maior concentração de
glicose e menor concentração de zinco. É preciso
ressaltar que o teor de pigmentos vermelhos obtidos
neste estudo foi superior ao encontrado na literatura.
Teixeira 2011 estudou a produção de pigmentos
vermelhos por cultura submersa obtendo UA 500 de
11,67, valor inferior ao encontrado neste estudo,
23,64.
v. 7, nº 2, Novembro/2011 - ISSN 1980 - 0029
JACOBSEN, G.; WASILESKI, J. Production of Food
Colorants by Fermentation. In: WILEY, J.,
Production of Food Colorants by Fermentation,
Gabelman, p.205-234, 1994.
JOHNS M. R., STUART D. M. Production of
pigments by Monascus purpureus in solid culture
Journal Industrial Microbiology, v. 8, p. 23-38, 1991.
KUJUMDZIEVA, A. V., J. N. HALLET, V.
SAVOV, et al. Monascus purpureus strain producer
of pigments and by-products. Journal of Cleaner
Production, v.5, p.115-123. 1997.
MAIMOM, D. Estudo de mercado de matéria-prima:
Corantes naturais (cosméticos, indústria de
alimentos), conservantes e aromatizantes, bioinseticidas e óleos vegetais e essenciais (cosméticos
e oleoquímica): PROJETO BRA/96/025 - Acordo
SUDAM/PNUD, Rede Para Conservação e Uso
Dos Recursos Genéticos - GENAMAZ. 2005.
CONCLUSÃO
MARTINKOVA, L. et al. Biological activities of
oligoketide pigments of Monascus purpureus. Food
additives and contaminants, v.16, n.1, p.15-24. 1999.
Conclui-se que as melhores condições,
dentre as estudadas, para produção de pigmentos
vermelhos extracelulares por fermentação do
Monascus ruber foram as concentrações maior de
glicose (100g/L) e menor de zinco (0,01g/L) mantendo
a fermentação por 21 dias, no qual obteve-se o
máximo dos metabólitos avaliados.
PASTRANA, L., BLANC, P.J., SANTERRE, A. L.,
LORETM.O. AND GOMA, G. Production of Red
Pigments by Monascus ruber in Synthetic Media
with a Strictly Controlled Nitrogen Source. Process
Biochemistry, v.30, pp. 333-341, 1995.
AGRADECIMENTOS
ROSSI, M. J. Tecnologia para produção de
inoculantes de fungos ectomicorrízicos utilizando
cultivo submerso em biorreator airlift. 2006. 188f.
Tese (Doutorado em Engenharia Química).
Departamento de Engenharia Química e Engenharia
de Alimentos da Universidade Federal de Santa
Catarina, 2006.
Ao Programa Institucional de Iniciação Científica
PIBIC/CNPq/Unifeb 02/2010.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BOX, M., HUNTER, W. G., HUNTER, J. S.
Statistics for Experimenters. N. York, John Wiley &
Sons, 1978.
FINK-GREMMELS, J., J. DRESEL e L.
LEISTNER. Use of Monascus extracts as an
alternative to nitrite in meat products. Fleischwirtsch,
v.71, p.1184-1186, 1991.
TEIXEIRA, C.C.C.; TEIXEIRA, G.A.; FREITAS,
L.A.P. Spray Drying of Extracts from Red Yeast
Fermentation Broth. Drying Technology. v.29, n.3,
p.342-350. 2011.
TENG, S. S.; FELDHEIM, W. Anka and anka
pigment production. Journal of industrial microbiology
& biotechnology, v.26, n.5, May, p.280-282. 2001.
VIEGAS, C., BOLZANI, V.S.; BARREIRO, E.J.
Os produtos naturais e a química medicinal moderna.
Quimica. Nova, v.29, n.2, p.326-337, 2006.
Ciência e Cultura
49
Padronização da produção extracelular de pigmentos vermelhos
WIGGER-ALBERTI, W.A. et al. Anaphylaxis due
to Monascus purpureus-fermented rice (red yeast
rice). Allergy, v.54, n.12, Dec, p.1330-1331. 1999.
50
Ciência e Cultura
ZANETI et al
WONG, H. C., KOEHLER, P. Production and
isolation of an antibiotic from 90 Monascus
purpureus and its relationship to pigment production.
Journal Food Science, v. 46, p.589-592, 1981.
CIÊNCIA E CULTURA - Revista Científica Multidisciplinar do Centro Universitário da FEB
v. 7, nº 2, Novembro/2011 - ISSN 1980 - 0029
Avaliação da obesidade e dos parâmetros clínicos periodontais
em acadêmicos de Odontologia
Evaluation of obesity and clinical periodontal parameters in dental students
Elizangela Partata ZUZA*, Suélen MATARELI, Aline Gunther ARANTES, Juliana Rico PIRES, Alex Tadeu MARTINS,
Benedicto Egbert Corrêa de TOLEDO
Curso de Pós-graduação em Ciências Odontológicas - Centro Universitário da Fundação Educacional de Barretos –
Unifeb. Av. Professor Roberto Frade Monte, 389 - CEP 14283-078 - Barretos-SP.
RESUMO
Algumas pesquisas têm sugerido haver maior predisposição às doenças periodontais em pacientes obesos.
O objetivo deste estudo foi avaliar a prevalência de obesidade e de doença periodontal em acadêmicos do
curso de Odontologia do Centro Universitário da Fundação Educacional de Barretos. A prevalência de
obesidade foi baixa, sendo que dos 80 voluntários, apenas 9 (11,25%) apresentaram Índice de Massa Corporal
≥30 kg/m2. As médias de gordura corporal foram de 24.6 (± 1,4) para homens e 31,0 (± 4,1) para mulheres;
relação cintura-quadril de 0,85 (± 0,07) para homens e 0,78 (± 0,05) para mulheres; circunferência abdominal
de 90,0 (± 1,58) para homens e 80,3 (± 7,3) para mulheres. Em relação aos índices periodontais, as médias
foram de 0,9 (± 2,4) e 10,7 (± 6,0) para o Índice de Sangramento Gengival e Índice de Placa Visível,
respectivamente. A porcentagem de sítios com Profundidade de Sondagem (PS) de 0 mm foi de 15,2 (±
10,1); PS 1 mm de 39,7 (± 13,6); PS 2 mm de 30,6 (± 12,2); PS 3 mm de 10,5 (± 9,5); PS 4 mm de 3,1 (± 2,9)
e PS ≥ 5 mm de 0,9 (± 0,1). Dezenove alunos (23,75%) apresentaram Recessão Gengival com média de 1,0
(± 0,3) e Perda de Inserção Clínica de 3,6 (± 2,2). O sangramento à sondagem apresentou-se baixo com
média de 1,8 (± 1,3). Diante dos resultados obtidos, verificou-se que a prevalência de obesidade e de doença
periodontal não foi significante na população em estudo, sugerindo-se a realização de estudos semelhantes
em outras populações.
Palavras-chave: Obesidade, Índice de Massa Corporal, Doenças Periodontais.
ABSTRACT
Some studies have suggested that obese patients present a higher predisposition to periodontal diseases. The
aim of this study was to evaluate the prevalence of obesity and periodontal disease in dental students of the
Centro Universitário da Fundação Educacional de Barretos. The prevalence of obesity was low, and from
the 80 volunteers, only nine (11.25%) had a Body Mass Index ≥30 kg/m2. The averages of body fat were
24.6 (± 1.4) for men and 31.0 (± 4.1) for women; waist-hip Ratio were 0.85 (± 0.07) for men and 0.78 (±
0.05) for women, and the waist circumference averages were 90.0 (± 1.58) for men and 80.3 (± 7.3) for
women. Regarding the periodontal parameters, the means were 0.9 (± 2.4) and 10.7 (± 6.0) for the Gingival
Bleeding Index and Visible Plaque Index, respectively. The percentage of sites with 0 mm Probing Depth
(PS) was 15.2 (± 10.1); PS 1 mm 39.7 (± 13.6); PS 2 mm 30.6 (± 12 2) PS 3 mm 10.5 (± 9.5) PS 4 mm in
3.1 (± 2.9) and PS ≥ 5 mm 0.9 (± 0.1). Nineteen students (23.75%) had gingival recession with mean of 1.0
(± 0.3) and clinical attachment loss of 3.6 (± 2.2). The bleeding on probing was low with an average of 1.8
(± 1.3). Based on these results, it was found that the prevalence of obesity and periodontal disease was not
significant in this study population, suggesting development of similar studies in other populations.
Keywords: Obesity, Body Mass Index, Periodontal Diseases.
*Autor para Correspondência:
Telefones: +55 16 33216468 | +55 16 99949868
e-mail: [email protected]
Recebido em: 30/08/2010
Aceito para publicação em: 06/12/2010.
Ciência e Cultura
51
Avaliação da obesidade e dos parâmetros clínicos periodontais
INTRODUÇÃO
Além de a obesidade ser um problema de
saúde pública, atualmente também tem sido
considerada como um indicador de risco para o
aparecimento e progressão de periodontites (DOLL
et al., 2002; STURM, 2002; AL-ZAHRANI et al.,
2003; KHADER et al., 2009; KIM et AL., 2010). A
obesidade também está diretamente relacionada com
o desenvolvimento de algumas doenças sistêmicas,
tais como, diabetes, hipertensão, doenças
cardiovasculares e osteoartrites (MUST et al., 1999).
A associação entre obesidade e doença
periodontal tem sido foco de alguns estudos. Em 1977,
Perlstein e Bissada realizaram uma pesquisa com o
objetivo de verificar se a resposta periodontal a
irritantes gengivais apresentava-se alterada em ratos
obesos e hipertensos. Os autores sugeriram que a
obesidade contribuiu significativamente com a
condição de severidade periodontal, enquanto que a
hipertensão apenas, não foi um fator significante. Em
humanos, a pesquisa de Saito et al. (2001) avaliou a
relação entre obesidade e periodontite em 643
pacientes japoneses aparentemente saudáveis, que
foram divididos em diferentes categorias de massa
corporal. Os resultados mostraram que somente os
pacientes com maiores massas corporais e maiores
proporções abdômen-quadril, apresentavam
significante aumento do risco às periodontites, quando
comparados aos pacientes que se encontravam em
categorias menores.
Recentemente, um estudo realizado por AlZahrani et al. (2003) avaliou a relação entre massa
corporal, circunferência abdominal e doença
periodontal em indivíduos jovens, de meia idade e
idosos. Os achados mostraram que houve uma
associação significante entre as medidas de gordura
corporal e periodontites nos pacientes jovens, mas
não nos de meia idade ou idosos. Afirmaram que a
obesidade pode ser um indicador de risco potencial
para o desenvolvimento de doenças no periodonto,
especialmente em jovens. Outro estudo que sugeriu
haver uma maior correlação entre obesidade e
periodontite em jovens foi a pesquisa realizada por
Alabdulkarim et al. (2005), que avaliou a perda óssea
radiográfica em indivíduos obesos e não obesos..
De acordo com Chrousos (2000) o tecido
adiposo secreta citocinas pró-inflamatórias
proporcionais à massa corporal do indivíduo. Dessa
forma, grandes quantidades de IL-6 e TNF-alfa são
secretadas em pacientes obesos, sendo que a
obesidade pode ser considerada como um estado
inflamatório crônico, que se associa à várias sequelas
comportamentais, metabólicas, imunológicas e
52
Ciência e Cultura
ZUZA et al
cardiovasculares. Heluy e Naidu (2005) afirmaram
que as citocinas pró-inflamatórias secretadas em
maior quantidade em pacientes obesos perpetuam a
inflamação nas estruturas periodontais.
Um estudo recente (REEVES et al., 2006)
verificou o quanto as medidas de obesidade estão
associadas aos problemas periodontais em 2.452
pacientes não fumantes, com idades entre 13 a 21
anos. Pacientes que apresentaram 1 ou mais sítios
periodontais com perda de inserção e profundidade
de sondagem de 3 mm (n=111) foram considerados
como grupo teste, enquanto os indivíduos que não
apresentavam esses critérios, como grupo controle
(n=2.341). Os resultados mostraram que os
adolescentes obesos com idades entre 13 e 16 anos
não apresentavam risco aumentado às periodontites
crônicas, em comparação aos adolescentes obesos
com idades entre 17 a 21 anos. Afirmaram que a
massa corporal e circunferência abdominal estão
associadas às periodontites, porém variam com a
idade. Levando-se em consideração a importância
do tema, o objetivo deste estudo foi avaliar a
prevalência de obesidade e de doença periodontal
em acadêmicos do curso de Odontologia do Centro
Universitário da Fundação Educacional de Barretos
(UNIFEB).
MATERIAL E MÉTODOS
Os alunos do curso de Odontologia foram
convidados a participar do estudo, sendo que os
voluntários assinaram um Termo de Consentimento
Livre e Esclarecido, aprovado pelo Comitê de Ética
em Pesquisa do UNIFEB. Todos os acadêmicos
voluntários foram avaliados para a averiguação dos
critérios de obesidade e de doença periodontal.
Dados Antropométricos:
Para medição da obesidade foram utilizados
os métodos de Índice de Massa Corporal (IMC),
Circunferência Abdominal (CA), Relação AbdômenQuadril (RAQ) e Bioimpedância (porcentagem de
gordura corporal). O peso dos indivíduos foi
mensurado em balança portátil comum, com
graduação de 100 gramas por quilograma, avaliada
pelo INMETRO (Instituto Nacional de Metrologia,
Normalização e Qualidade Industrial). A altura foi
medida por uma régua metálica, com variação de
0,5cm, fixada em um suporte de aço. Os pacientes
foram medidos sem sapatos. O IMC foi calculado
dividindo-se o Peso (Kg) pelo quadrado da Altura
(m2), e a unidade expressa em Kg/m2. Os pacientes
foram considerados obesos quando o IMC ≥ 30 kg/
CIÊNCIA E CULTURA - Revista Científica Multidisciplinar do Centro Universitário da FEB
m2, enquanto os não obesos quando o IMC variava
de 18,5 a 24,9 kg/m2 (WHO, 1998).
A medição da circunferência abdominal
(CA) foi realizada utilizando uma fita métrica graduada
em centímetros na altura da cicatriz umbilical, onde
medidas acima de CA ≥ 102 cm para homens e ≥ 88
cm para mulheres foram consideradas como
indicadores de obesidade (GRUNDY et al., 2005).
As medidas da circunferência do quadril
também foram realizadas com fita métrica graduada
em centímetros. Para a determinação da razão entre
as medidas do abdômen e do quadril (RAQ), dividiuse a medida obtida do abdômen (em centímetros),
pela medida do quadril (WOOD et al., 2003). A
obesidade foi considerada na presença de RAQ ≥
0,85 para mulheres e ≥ 0,9 para homens (SAITO et
al., 2001).
Para avaliação complementar e precisa da
massa adiposa e da massa magra dos indivíduos,
utilizou-se o método da impedância bioelétrica (ou
bioimpedância). A bioimpedância foi medida através
de um aparelho (Omron Healthcare Co, Ltd, Toquio,
Japão) (KHADER et al., 2009), seguindo-se as
orientações do fabricante. Os dados referentes ao
peso, altura, idade, sexo e prática de atividades físicas
deveriam ser inseridos no aparelho previamente à
sua aplicação. Em seguida, os pacientes deveriam
ficar em pé, com as pernas afastadas e os braços
em uma posição de 90 graus em relação ao tronco,
para que a corrente elétrica de baixa intensidade
pudesse percorrer toda a extensão corporal. Os
valores de Gordura Corporal (GC) foram
considerados normais se < 25% para homens e <
33% para mulheres (MANCINI, 2002).
Exame Clínico:
O exame clínico periodontal consistiu da
v. 7, nº 2, Novembro/2011 - ISSN 1980 - 0029
avaliação do Índice de Sangramento Gengival (ISG),
do Índice de Placa Visível (IPV) (AINAMO e BAY,
1975), do Sangramento a Sondagem (SS), da
Profundidade de Sondagem (PS) e do Nível de
Inserção Clínico (NIC).
O sangramento gengival marginal foi
avaliado utilizando-se uma sonda milimetrada do
tipo Williams (Hu-Friedy PCPUNC – 15), a qual
foi colocada, aproximadamente, 1mm intra-sulcular
em 45 a 60 graus, percorrendo-se da superfície
distal para mesial. O IPV foi verificado nas
superfícies dentais após secagem com ar
comprimido.
O SS foi considerado quando houvesse
sangramento em até 30 segundos após sondagem
periodontal. Os índices ISG, IPV e SS foram
anotados de forma dicotômica (códigos 0 =
ausência de sangramento e 1 = presença de
sangramento).
Os parâmetros periodontais foram
avaliados medindo-se a PS e o NIC. A PS foi
medida em todos os dentes considerando-se a
distância da margem gengival ao fundo da bolsa
em milímetros (mm), enquanto o NIC foi medido
a partir da junção cemento-esmalte até o fundo
da bolsa e/ou sulco sondável (em mm).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
As características da população em estudo
podem ser verificadas na Tabela 1. Aceitaram
participar da pesquisa 21 homens e 59 mulheres, com
idade média (± Desvio Padrão) de 20,9 (± 2,8) e
número médio de dentes de 28,0 (± 2,0). O número
total de sítios periodontais avaliados foi de 150,8 (
6,0).
Tabela 1. Características da população em estudo.
Os resultados achados mostraram que a
prevalência de obesidade em acadêmicos de
Odontologia foi baixa, sendo que dos 80 alunos
avaliados, apenas 9 (11,25%) apresentaram Índice
de Massa Corporal (IMC) ≥30 Kg/m2. Os valores
médios (± DPs) para o IMC, Gordura corporal, RAQ
e CA estão detalhados na Tabela 2.
Ciência e Cultura
53
Avaliação da obesidade e dos parâmetros clínicos periodontais
ZUZA et al
Tabela 2. Porcentagem média e desvio padrão (DP) dos dados antropométricos.
Em relação aos índices periodontais, os
valores médios (em porcentagens) para o Índice de
Sangramento Gengival (ISG), Índice de Placa Visível
(IPV), Recessão Gengival (RG), Profundidade de
Sondagem (PS), Sangramento a Sondagem (SS) e
Nível de Inserção Clínico (NIC) podem ser
verificados na Tabela 3. Apenas 3 (3,75%) voluntários
apresentaram sítios com SS, mas não associados a
PS > 3 mm.
Tabela 3. Valores médios e desvio padrão (DP) dos parâmetros gengivo-periodontais (em porcentagens).
ISG: índice de sangramento gengival; IPV: índice de placa visível; RG: recessão gengival; PS: profundidade
de sondagem; SS: sangramento a sondagem; NIC: nível de inserção clínico.
Para a avaliação da obesidade, a maioria dos
estudos utilizou o Índice de Massa Corporal (IMC),
que corresponde ao Peso (Kg) dividido pelo quadrado
da altura (m) (SAITO et al., 2001; AL-ZAHRANI
et al., 2003; WOOD et al., 2003; LUNDIN et al.,
2004; ALABDULKARIM et al., 2005; DALLA
VECCHIA et al., 2005; GENCO et al., 2005;
NISHIDA et al., 2005; SAITO et al., 2005;
GURSOY et al., 2006; REEVES et al., 2006;
LINDEN et al., 2007; SHIMAZAKI et al., 2007;
KHADER et al., 2009; KIM et al., 2010). Esse índice
é recomendado pelo World Health Organization
(1998).
Além do IMC, alguns autores também
avaliaram a circunferência abdominal (CA) (ALZAHRANI et al., 2003; REEVES et al., 2006;
SHIMAZAKI et al., 2007; KHADER ET al., 2009;
54
Ciência e Cultura
KIM et AL., 2010), a razão entre a circunferência
do abdômen e quadril (RAQ) (SAITO et al., 2001;
WOOD et al., 2003; SAITO et al., 2005; KHADER
ET al., 2009), as dobras cutâneas (WOOD et al.,
2003; REEVES et al., 2006) e a gordura corporal
(SAITO et al., 2001; WOOD et al., 2003; SAITO et
al., 2005). A análise conjunta de todos esses fatores
torna-se de fundamental importância, já que alguns
trabalhos têm demonstrado que a deposição de
gordura na região abdominal (obesidade visceral) é
um grave fator de risco cardiovascular, além de atuar
na homeostase glicose-insulina, na hipertensão,
dislipidemias, dentre outros. De acordo com Kim et
al. (2010), a obesidade abdominal parece estar
significativamente associada às periodontites,
enquanto o índice de massa corporal não. Dessa
forma, no intuito de avaliar a real condição de
CIÊNCIA E CULTURA - Revista Científica Multidisciplinar do Centro Universitário da FEB
obesidade, utilizou-se neste estudo uma associação
de métodos, tais como, IMC, RAQ, CA e
bioimpedância.
De acordo com a WHO (1998), os pacientes
podem ser diagnosticados como obesos quando o
IMC for ≥ 30, enquanto os não obesos são
considerados quando o IMC for ≤ 25. Considerandose que a porcentagem de alunos obesos foi baixa,
pois dos 80 apenas 9 (11,25%) apresentaram IMC
≥30 kg/m2, estima-se que a condição de obesidade
não é um achado frequente no grupo estudado. Tal
fato impossibilita uma avaliação dos diferentes graus
de obesidade, como proposto por Reeves et al. (2006).
Além do mais, a média de IMC em nossa amostra
foi de 23,0 (± 2,2), demonstrando que a maioria dos
alunos apresentava IMC dentro dos critérios de não
obesidade. A condição de obesidade também pode
ser considerada quando a Relação Abdômen-Quadril
(RAQ) for ≥ 0.8 para mulheres e ≥ 0.9 para homens,
sendo que sua variação será baseada em diferenças
esqueléticas e na distribuição de gordura entre os
sexos (SAITO et al., 2001). A RAQ em nosso estudo
foi de 0,78 (± 0,05) para mulheres e de 0,85 (± 0,07)
para homens, demonstrando-se dentro dos padrões
de normalidade. Em relação à Circunferência
Abdominal (CA), há excessos quando sua medida
for > 102 cm para homens e > 88 cm para mulheres
(WHO, 1998). Assim, a CA também se encontrou
dentro dos padrões de normalidade considerando-se
a média de homens e mulheres, respectivamente de
90,0 (± 1,58) e 80,3 (± 7,3).
Para a verificação dos parâmetros
periodontais, a profundidade de sondagem (PS) e o
nível de inserção clínico (NIC) foram os principais
parâmetros clínicos avaliados. Diversos estudos
consideram bolsas patológicas com sangramento à
sondagem quando a PS for ≥2 mm (SHIMAZAKI
et al., 2007), ≥3,0 mm (REEVES et al., 2006), ≥3,5
mm (NISHIDA et al., 2005), ≥4 mm (SAITO et al.,
2001; AL-ZAHRANI et al., 2003; LUNDIN et al.,
2004; GURSOY et al., 2006) e 5 a ≥ 6 mm (LINDEN
et al., 2007). Nossos achados mostraram baixo índice
de sangramento à sondagem (SS) com média de 1,8
(± 1,3), sendo que, todos os 3 casos (3,75%) que
apresentaram SS estavam relacionados às faces
proximais dos dentes posteriores, provavelmente
devido ao uso inadequado do fio dental, porém sem
associação a PS > 3 mm.
Em relação ao NIC, alguns estudos
consideram como perda de inserção quando o NIC
for ≥ 1,5 mm (GENCO et al., 2005), ≥ 3 mm (ALZAHRANI et al., 2003; WOOD et al., 2003;
REEVES et al., 2006; SHIMAZAKI et al., 2007) e
≥5 mm (DALLA VECCHIA et al., 2005). Em nosso
v. 7, nº 2, Novembro/2011 - ISSN 1980 - 0029
estudo, a porcentagem média (ou valor médio) do
NIC foi de 3,6 (± 2,2), porém apenas 7 alunos (8,75%)
apresentavam pequenas recessões gengivais,
caracterizando-se como perda de inserção clínica pela
migração apical do epitélio juncional. Dos 7 casos, 4
relataram ter feito uso de aparelhos ortodônticos;
dessa forma, provavelmente a movimentação
ortodôntica tenha ocasionado a migração epitelial por
diversos motivos, como por exemplo, fina espessura
da tábua óssea vestibular ou fina espessura do tecido
gengival. Ademais, com frequência observam-se
traumas mecânicos de escovação, devido ao uso de
escovas com cerdas duras ou até mesmo força
motora relativamente intensa durante o procedimento
de escovação (ENDO et al., 2006).
Uma limitação de nosso estudo foi o tamanho
da amostra com apenas 80 indivíduos, assim, sugerese a realização de estudos similares com amostras
representativas maiores. Neste estudo transversal,
apesar de nossos achados não terem demonstrado
alta prevalência de obesidade e de doença periodontal
na população estudada, destaca-se a importância de
estudos epidemiológicos transversais, a fim de se
averiguar as reais condições clínicas e características
de determinadas populações. Alguns estudos
sugerem que a obesidade é um fator de risco para o
agravamento de quadros periodontais (SAITO et al.,
2001;
AL-ZAHRANI
et
al.,
2003;
ALABDULKARIM et al., 2005; REEVES et al.,
2006; KHADER et al., 2009; KIM et al., 2010), no
entanto, considerando-se que a prevalência de
obesidade e doença periodontal foi baixa nessa
população alvo, sugere-se que outras populações
sejam investigadas.
CONCLUSÃO
Diante dos resultados obtidos e
considerando-se os limites deste estudo, pode-se
concluir que a prevalência de obesidade e doença
periodontal não foi significante em acadêmicos de
Odontologia. Dessa forma, sugere-se que estudos
transversais sejam realizados em outras populações,
a fim de se avaliar a real influência da obesidade
sobre os tecidos periodontais.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
AINAMO, J.; BAY, I. Problems and proposals for
recording gingivitis and plaque. International Dental
Journal, London, v.25, n.4, p. 229-235, 1975.
Ciência e Cultura
55
Avaliação da obesidade e dos parâmetros clínicos periodontais
ALABDULKARIM, M.; BISSADA, N.; ALZAHRANI, M.; FICARA, A.; SIEGEL B. Alveolar
bone loss in obese subjects. Journal of the
International Academy of Periodontology, London,
v.7, n.2, p. 34-38, 2005.
AL-ZAHRANI, M.S.; BISSADA, N.F.;
BORAWSKI, E.A. Obesity and periodontal disease
in Young, middle-age, and older adults. Journal of
Periodontology, Chicago, v.74, n.5, p. 610-615, 2003.
CHROUSOS, G.P. The stress response and immune
functions: clinical implications. The 1999 Novera H.
Spector Lecture. Annals of the New York Academy
of Sciences, New York, v.917, p.38-67, 2000.
DALLA VECCHIA, C.F.; SUSIN, C.; ROSING,
C.K.; OPPERMANN, R.V.; ALBANDAR, J.M.
Overweight and obesity as risk indicators for
periodontitis in adults. Journal of Periodontology,
Chicago, v.76, n.10, p. 1721-1728, 2005.
DOLL, S.; PACCAUD, F.; BOVET, P.; BURNIER,
M.; WIETLISBACH, V. Body mass index, abdominal
obesity, and blood pressure: Consistency of their
association across developing and developed
countries. International Journal of Obesity and
Related Metabolic Disorders, Hampshire, v.26, n.1,
p. 48-57, 2002.
ENDO, H.; REES, T.D.; HALLMON, W.W.;
KONO. Y.; KATO. T. Self-inflicted gingival injuries
caused by excessive oral hygiene practices. Tex Dent
J, Texas, v.123, n.12, p. 1098-1104, 2006.
GENCO, R.J.; GROSSI, S.G.; HO, A.;
NISHIMURA, F.; MURAYAMA, Y. A proposed
model linking to obesity, diabetes, and periodontal
infections. Journal of Periodontology, Chicago, 76 (11
Suppl), p. 2075-2084, 2005.
GRUNDY, S.M.; CLEEMAN, J.I.; DANIELS, S.R.;
DONATO, K.A.; ECKEL, R.H.; FRANKLIN, B.A.
et al. Diagnosis and management of the metabolic
syndrome. An American Heart Association/ National
Heart, Lung, and Blood Institute Scientific Statement.
Circulation, v.112, p.2735-52, 2005.
GURSOY, U.K.; MARAKOGLU, I.; ERSAN, S.
Periodontal status and cytoplasmic enzyme activities
in gingival crevicular fluid of type 2 diabetic and/or
obese patients with chronic periodontitis. Journal of
the International Academy of Periodontology, London,
v.8, n.1, p. 2-5, 2006.
56
Ciência e Cultura
ZUZA et al
HELUY, S.L.C.; NAIDU, T.G. Obesidade e doença
periodontal: uma análise dos possíveis mecanismos
de patogênese. Revista Periodontia, São Paulo, v.15,
p. 22-27, 2005.
KHADER, Y.S.; BAWADI, H.A.; HAROUN, T.F.;
ALOMARI, M.; TAYYEM, R.F. The association
between periodontal disease and obesity among
adults in Jordan. J Clin Periodontol v.36, p.18–24,
2009.
KIM, E.J.; JIN. B.H.; BAE, K.H. Periodontitis and
Obesity: A Study of the Fourth Korean National
Health and Nutrition Examination Survey. J
Periodontol [Nov 2, Epub ahead of print, acesso em
19/11/2010], 2010
LINDEN, G.; PATTERSON, C.; EVANS, A.; KEE,
F. Obesity and periodontitis in 60-70-year-old men.
Journal of Clinical Periodontology, Copenhagen, v.
34, n.6, p. 461-466, 2007.
LUNDIN, M.; YUCEL-LINDBERG, T.;
DAHLLOF, G.; MARCUS, C.; MODEER, T.
Correlation between TNF-alpha in gingival crevicular
fluid and body mass index in obese subjects. Acta
Odontologica Scandinavica, Stockholm, v.62, n.5, p.
273-277, 2004.
MANCINI M. Métodos de avaliação de obesidade
e alguns dados epidemiológicos. Revista ABESO, n.
11, 2002.
MUST, A.; SPADANO, J.; COAKLY, E.H.; FIELD,
A.E.; COLDITZ, G.; DIETZ, W.H. The disease
burden associated overweight and obesity. Journal
of the American Medical Association, Chicago, v.282,
n.16, p. 1523-1529, 1999.
NISHIDA, N.; TANAKA, M.; HAYASHI, N.;
NAGATA, H.; TAKESHITA, T.; NAKAYAMA,
K.; MORIMOTO, K.; SHIZUKUISHI, S.
Determination of smoking and obesity as periodontitis
risks using the classification and regression tree
method. Journal of Periodontology, Chicago, v. 76,
n.6, p. 923-928, 2005.
PERLSTEIN, M.I.; BISSADA, N.F. Influence of
obesity and hypertension on the severity of
periodontitis in rats. Oral Surgery Oral Medicine and
Oral Pathology, St. Louis, v.43, n.5, p. 707-719, 1977.
REEVES, A.F.; REES, J.M.; SCHIFF, M.; HUJOEL,
P. Total body weight and waist circumference
CIÊNCIA E CULTURA - Revista Científica Multidisciplinar do Centro Universitário da FEB
v. 7, nº 2, Novembro/2011 - ISSN 1980 - 0029
associated with chronic periodontitis among
adolescents in the United States. Archives of
Pediatrics & Adolescent Medicine, Chicago, v.160,
n.9, p. 894-899, 2006.
Relationship of metabolic syndrome to periodontal
disease in Japanese women: the Hisayama Study.
Journal of Dental Research, Chicago, v.86, n.3, p.
271-275, 2007.
SAITO, T.; SHIMAZAKI, Y.; KOGA, T.;
TSUZUKI, M.; OHSHIMA, A. Relationship
between upper body obesity and periodontitis. Journal
of Dental Research, Chicago, v.80, n.7, p. 1631-1636,
2001.
STURM, R. The effects of obesity, smoking, and
drinking on medical problems and costs. Health
Affairs, Philadelphia, v.21, n.2, p. 245-253, 2002.
SAITO, T.; SHIMAZAKI, Y.; KIYOHARA, Y.;
KATO, I.; KUBO, M.; IIDA, M.; YAMASHITA, Y.
Relationship between obesity, glucose tolerance, and
periodontal disease in Japanese women: the
Hisayama study. Journal of Periodontal Research,
Copenhagen, v.40, n.4, p. 346-353, 2005.
SHIMAZAKI, Y.; SAITO, T.; YONEMOTO, K.;
KIYOHARA, Y.; LIDA, M.; YAMASHITA, Y.
WOOD, N.; JOHNSON, R.B.; STRECKFUS, C.F.
Comparison of body composition and periodontal
disease using nutritional assessment techniques: Third
National Health and Nutrition Examination Survey
(NHANES III). Journal of Clinical Periodontology,
Copenhagen, v.30, n. 4, p. 321-327, 2003.
WORLD HEALTH ORGANIZATION. Obesity:
preventing and managing the global epidemic. Report
of the WHO consultation on obesity. Geneva: World
Health Organization, 1998.
Ciência e Cultura
57
58
Ciência e Cultura
CIÊNCIA E CULTURA - Revista Científica Multidisciplinar do Centro Universitário da FEB
v. 7, nº 2, Novembro/2011 - ISSN 1980 - 0029
Menopausa: conceito e tratamentos alopático, fitoterápico e
homeopático
Menopause: concept and allopathic, homeopathic and herbal treatments
Andressa Leme de FIGUEIREDO, Fernanda Domingos de OLIVEIRA, Lígia Cury CASULA, Mariane BAIOCATO,
Fabricia Helena SANTELLO*.
Centro Universitário da Fundação Educacional de Barretos – UNIFEB, Avenida Prof. Roberto Frade Mote, nº 389,
Aeroporto, CEP: 14783-226, Barretos-SP.
RESUMO
A menopausa é caracterizada por vários sintomas como ondas de calor, suores noturnos, insônia, irritabilidade,
ressecamento vaginal, diminuição da atenção e memória. Os principais hormônios ovarianos são o estradiol
e a progesterona. No climatério há uma progressiva queda de função ovariana, com redução da secreção de
estrógenos. Em virtude do quadro de sintomas e das várias alterações hormonais, existem diferentes
tratamentos para melhora da sintomatologia e prevenção de complicações decorrentes da menopausa, como
a osteoporose. Uma das terapias utilizadas é a Homeopatia, especialidade médica embasada na Lei dos
Semelhantes, que usa preparações de substâncias altamente dinamizadas para reequilibrar a energia vital
dos indivíduos, as quais curam um quadro de sinais e sintomas semelhantes aos dos indivíduos saudáveis
quando da experimentação. A Fitoterapia, assim como a Alopatia, trata pela Lei dos Contrários. A primeira
se caracteriza pelo uso de plantas medicinais como matéria-prima farmacêutica, onde os fitoestrogênios
possuem efeito semelhante aos estrogênios femininos, tendo como representantes mais prescritos a isoflavona
de soja, Trifolium pratense L., e a Cimicifuga racemosa. Já o tratamento alopático baseia-se na reposição
de estrógenos e progesterona, isolados ou associados, sendo comercializados em drogarias, onde se encontram
vários princípios ativos e marcas. Todas as terapias revisadas neste estudo apresentam resultados positivos
na menopausa, não se permitindo inferir qualquer vantagem de uma sobre a outra. O tipo de tratamento vai
depender dos sintomas e resposta do organismo da mulher, que juntamente com o prescritor vão decidir qual
esquema terapêutico seguir, ou até utilizar uma associação de tratamentos.
Palavras-chave: Homeopatia, Tratamento da Menopausa, Alopatia, Fitoterapia.
ABSTRACT
Menopause is characterized by various symptoms such as hot flashes, night sweats, insomnia, irritability,
vaginal dryness, decreased attention and memory. The main ovarian hormones are estradiol and progesterone.
At climatery there is a progressive decline of ovarian function, with estrogens secretion reduction. Under
the framework of symptoms and the various hormonal changes, there are different treatments for relief of
symptoms and prevention of complications of menopause such as osteoporosis. One of the therapies is
Homeopathy, a medical speciality based on the Similar Law, using preparations of highly dinamized substances
to rebalance the vital energy of individuals, which cure signs and symptoms similar to those of healthy
individuals when the experimentation. Phytotherapy, as well as Allopathy, treat by “Law of Opposites.” The
first one is characterized by the use of medicinal plants as pharmaceutical raw material, where phytoestrogens
have similar effects to the female estrogens, having as greatest representatives prescribed the soy isoflavone,
Trifolium pratense L. and Cimicifuga racemosa. Already the allopathic treatment is based on the replacement
of estrogen and progesterone, singly or jointly, being commercialized in drugstores, where several active
ingredients and brands. All therapies reviewed in this study presented positive results in menopause, do not
allow us to infer any advantage of one over another. The treatment type depends on symptoms and response
of woman body, who along with prescribers will decide which therapeutic regimen to follow, or even use a
combination of treatments.
Keywords: Homeopathy, Menopause Treatment, Allopathy, Phytotherapy.
Autor para correspondência:
e-mail:[email protected]
Telefone: (17) 33216391, fax: (17) 33226205
Recebido em: 07/07/2011
Aceito para publicação em: 05/09/2011
*
Ciência e Cultura
59
Menopausa: conceito e tratamentos alopático, fitoterápico e homeopático
INTRODUÇÃO
Sistema reprodutor feminino e menopausa
O sistema reprodutor feminino é responsável
pela produção de óvulos e hormônios, pela criação
de condições propícias à fecundação e, quando esta
ocorrer, pela proteção ao desenvolvimento do
embrião. Está constituído basicamente pelos ovários,
trompas de Falópio, útero e vagina (LIMA, 2010).
Os dois hormônios sexuais ovarianos são os
estrogênios e a progesterona (GUYTON, 2006). Os
estrogênios são responsáveis pelo desenvolvimento
dos órgãos sexuais femininos, amadurecimento do
óvulo, alterações da mucosa uterina e vaginal,
desenvolvimento e manutenção das características
sexuais secundárias femininas e do comportamento
sexual. A progesterona é responsável pela
manutenção do miométrio uterino, onde se
desenvolverá o embrião (FERNANDES, 1981).
Por volta dos 40 anos, a mulher inicia o
climatério (GANDRA et al., 2002). Climatério,
palavra que vem do grego klimacton, que significa
crise, é considerado o momento de transição entre a
fase reprodutiva e não reprodutiva, caracterizado por
alterações funcionais, morfológicas e hormonais
(LIMA & PINHO NETO, 2000). Do grego men
(mês) e pausis (cessação), a menopausa reporta-se
à última menstruação confirmada pela subsequência
de um ano de amenorréia (MANSFIELD & VODA,
1997).
Segundo estudo de Skouby (2004), 10% da
população mundial feminina estão para atravessar a
fase de menopausa ou já passaram por esta
experiência. Prevê-se que, durante a próxima década,
2% do total das mulheres no mundo irão chegar a
este período das suas vidas. De acordo com
estimativas do Datasus de 2007, a população feminina
brasileira totalizava mais de 98 milhões de mulheres.
Nesse universo, cerca de 30 milhões têm entre 35 e
65 anos, o que significa que 32% das mulheres no
Brasil estão na faixa etária em que ocorre o climatério
(BRASIL, 2008).
Dentre os sintomas presentes na menopausa
podem-se citar ondas de calor, suores noturnos,
insônia, irritabilidade, depressão, diminuição da
atenção, alterações de humor e memória. Elas podem
ser acompanhadas por rubor facial, taquicardia,
transpiração, palpitações, ansiedade, irritabilidade e
suor noturno (BORDET et al., 2008). As ondas de
calor ou fogachos podem ser causadas por variação
no sistema termorregulatório hipotalâmico, devido à
deficiência de estrogênio (BLAKE, 2006).
Diversos sintomas genitais decorrem do
hipoestrogenismo, tais como ressecamento vaginal,
60
Ciência e Cultura
FIGUEIREDO et al
dispareunia, hemorragia durante o coito, prurido vulvar
e corrimento vaginal. Os sintomas urológicos mais
comuns são a disúria, polaciúria, noctúria e, em
especial, a incontinência urinária (BLAKE, 2006).
Podem ocorrer também osteoporose e problemas
cardiovasculares (ABERNETHY, 2003).
Homeopatia na menopausa
A Homeopatia foi descoberta no final do
século XVIII, por Samuel Hahnemann, e hoje é
praticada amplamente por todo o mundo (ERNST &
KAPTCHUK, 1996). Estimou-se que 3,4% da
população usaram homeopatia em 1997 nos Estados
Unidos, e esta porcentagem cresceu cinco vezes
desde 1990 (JACOBS et al., 2005).
A descoberta de um tratamento não hormonal
para os sintomas da menopausa seria um ótimo
benefício para a melhora da qualidade de vida em
sobreviventes com câncer de mama, assim como para
as mulheres que sofrem a síndrome da menopausa
(JACOBS et al., 2005; THOMPSON, 2010).
Segundo estudos, medicamentos homeopáticos têm
sido utilizados para o tratamento de mulheres com
ondas de calor ou outros sintomas da menopausa por
mais de 150 anos e 90% relataram o
desaparecimento ou a redução dos sintomas após 15
dias de terapia homeopática (GUERNSEY, 1866).
Os medicamentos mais prescritos para os
sintomas da menopausa são a Lachesis muta,
Belladona Sulphur, Sepia officinalis, Sanguinaria
canadensis, Amylium nitrosum, Calcarea
carbonica, Glonoinum, Natrum muriaticum e
Pulsatilla (BORDET et al., 2008).
Lachesis muta
Este medicamento é preparado com o veneno
de um ofídio, o Lachesis muta. O tipo clássico é
uma mulher que já passou dos 40 anos, tem a face
manchada, púrpura sob um fundo amarelado, as
bochechas são coloridas de vermelho claro. As
pálpebras são inchadas ou tumefeitas e o nariz fica
como uma framboesa cercada de varizes. Todos os
transtornos costumam ser mais evidentes na
menopausa, como ondas de calor e suores. Sente
calor na testa durante a menopausa, vertigem com
grande afluxo de sangue na cabeça. A lateralidade é
esquerda.
Lachesis muta está estreitamente
relacionado com os ovários, onde o esquerdo é
afetado primeiro. Quanto à agravação, ocorre pelo
sono; de manhã, ao despertar; pelo sol; na primavera;
bebidas; por ventos, água e banhos quentes. A
melhora ocorre por tempo moderado, nem muito
quente, nem muito frio; pelo aparecimento de uma
CIÊNCIA E CULTURA - Revista Científica Multidisciplinar do Centro Universitário da FEB
secreção. Lachesis muta é um dos medicamentos
melhor indicado para a menopausa (LATHOUD,
2004).
Sulphur
Sulphur ou enxofre pertence à família dos
metalóides. Está bastante disseminado na natureza
e é encontrado em estado natural perto de alguns
vulcões. Apresenta-se sob a forma de um corpo sólido
amarelo limão, insípido, inodoro, insolúvel na água,
quase insolúvel no álcool, solúvel no éter, benzina,
óleo e no sulfeto de carbono.
O estado mental de Sulphur pode ser
explicado pelo congestionamento venoso, pela
vasodilatação e hipertensão do cérebro, que
provocam uma euforia patológica (atarefado todo
tempo, mania de grandeza, egoísmo, ilusão de que
trapos são roupas de seda, e se vê imensamente rico,
delírio religioso, deforma os grandes conceitos
espirituais e metafísicos). Sua lateralidade é esquerda.
A agravação ocorre pelo calor da cama, à noite; pelo
repouso; pelo sono; em pé; por água e banhos; pela
manhã. A melhora vem com o tempo seco e quente.
Sulphur não suporta nem o calor intenso,
nem o frio, gosta de ar livre. Os sintomas locais sobre
os órgãos genitais femininos são: pruridos na vulva,
coceira ao redor dos grandes lábios, transpiração
ofensiva, ardor na vagina, secura, sensação de
escoriação que leva ao coito doloroso. Ondas de calor
durante a menopausa, com cabeça, mãos e pés
quentes, com intensa sensação de vazio gástrico,
sobretudo às 11 horas da manhã. Sulphur pode
ajudar qualquer momento em que haja calor durante
a menopausa (LATHOUD, 2004).
Sepia officinalis
Sepia officinalis é um molusco marinho
cefalópode, de onde se extrai uma tinta de natureza
animal usada em Homeopatia, que recebe o nome
de Ossa Sepiae. Apresenta uma ação profunda no
organismo, principalmente da mulher.
Segundo Hahnemann, os sintomas mais
frequentes são: desalento e choro melancólico,
ansiedade ao anoitece e à apreensão com ondas de
calor, aversão a sua ocupação, indiferença à família,
ataques de vertigem com inconsciência enquanto
caminha ao ar livre, enquanto escreve, debilidade de
memória, sensação de e incapacidade para o trabalho
mental. A lateralidade é esquerda. A agravação
ocorre pela manhã e no final do dia; após o meio-dia
tem melhora momentânea; piora pelo ar frio; por
lavar-se; antes de uma tempestade; após a refeição.
Melhora após o meio-dia; pelo exercício violento; pelo
calor da cama e aplicações quentes; mantendo as
v. 7, nº 2, Novembro/2011 - ISSN 1980 - 0029
pernas elevadas. Dores ardentes pulsáteis ou agudas
no útero que irradiam para a parte superior do órgão,
como se o útero estivesse apertado por uma mão.
Cólicas antes da menstruação, durante melancolia,
odontalgia, cefaléia, dores nos membros, sensação
de peso e pressão na região útero ovariana
(LATHOUD, 2004).
Atropa belladonna
Atropa belladonna, Belladone, Morelle
furiosa ou Morelle marina, é uma planta herbácea
da família das Solanáceas (gênero Atropa) que
cresce em estado selvagem em toda a Europa. Do
ponto de vista tóxico é uma das mais perigosas da
região. Tem na sua composição alcalóides muito
tóxicos e com estreitas relações químicas entre eles.
O mais conhecido e importante é a atropina. A tintura
mãe, com a qual se prepara as dinamizações desse
medicamento, é feita com a planta fresca inteira,
colhida no mês de Junho no momento da floração.
Age profundamente no sistema nervoso onde produz
uma congestão ativa, excitação furiosa, perversão
da sensibilidade, dores, espasmos e convulsões. Sobre
o cérebro os efeitos mais imediatos são: insônia,
delírio e loucura furiosa, acompanhados de sinais de
afluxo sanguíneo nessa região, tais como: vermelhidão
na face, cefalalgia congestiva, intolerância à luz e ao
ruído. As pessoas de Atropa belladonna têm um
grande afluxo de sangue para o cérebro, justificando
suas dores de cabeça. Inclusive agravam os sintomas
mentais quando cortam o cabelo. O medicamento
está indicado nos casos onde as sensações aparecem
de forma repentina e rápida. A lateralidade é direita.
A agravação ocorre pelo toque e menor contato;
ruído; movimento; correntes de ar; luz brilhante;
deitado na horizontal; pelas bebidas; após o meiodia; pelo movimento. A melhora acontece com o
repouso; sentado ou deitado; por aplicações frias;
em um quarto quente. Quanto aos sintomas locais
dos órgãos genitais femininos, o útero e ovários são
congestionados e dolorosos ao toque e sensíveis ao
menor movimento.
Atropa belladonna é útil nas mulheres de
rosto vermelho, pletóricas, rigorosas, que se casam
tarde e no dia do parto têm um espasmo uterino e
não ocorre dilatação. Essas mulheres estão
congestionadas, têm muito calor, estão agitadas e
hipersensíveis. Inflamação dos seios com
vermelhidão, traços vermelhos de linfangite que
irradiam do mamilo; calor, dores pulsáteis muito vivas,
pontadas, hipersensibilidade (LATHOUD, 2004).
Glonoinum
É um medicamento preparado com a
Ciência e Cultura
61
Menopausa: conceito e tratamentos alopático, fitoterápico e homeopático
nitroglicerina. Glonoinum se resume em coração e
cabeça. Produz violentas e súbitas irregularidades
na circulação, com uma hiperemia cerebral ativa e
palpitações cardíacas. A paciente Glonoinum
apresenta características próprias e peculiares, e
sempre lembrando a nitroglicerina com suas
características altamente explosivas e pela rapidez
com que se dá esta explosão. O sangue parece correr
para o coração e subir rapidamente para a cabeça A
lateralidade é não característica. A agravação ocorre
pelo vinho e aguardente; pelo sol, após uma exposição
aos raios solares; pela luz artificial ou fogo; pelo ruído;
ao inclinar-se para frente; às 6 horas da manhã e ao
meio-dia; pelo tempo úmido e por aplicações frias;
após cortar os cabelos; após um sono curto. A melhora
ocorre se descobrindo; ao ar livre, ao passear. Os
sintomas locais nos órgãos genitais femininos são de
uma mulher com congestão intensa do cérebro
induzida nas constituições pletóricas por súbita
supressão da menstruação, ou distúrbios da
circulação intracraniana na menopausa. Não só
melhora os sintomas femininos durante o período da
menstruação, mas também pode ser útil na época da
menopausa. Não age como Lachesis muta ou como
Sulphur nas ondas de calor deste período, mas é
precioso quando elas são violentas e localizadas no
cérebro (LATHOUD, 2004).
Sanguinaria canadensis
Sanguinaria canadensis é uma planta
herbácea da família das Papaveráceas que cresce
na floresta dos Estados Unidos e, sobretudo no
Canadá, sendo também cultivada nos jardins. Seu
nome advém do suco vermelho como sangue que
escorre da sua raiz ao ser seccionada. Age
intensamente nas mucosas, irritando-as
violentamente, causando inicialmente uma extrema
secura. Alterna secura com sensação de queimação,
como se as mucosas estivessem sem epitélio, há ainda
a formação de pólipos que sangram de forma
prolongada e profusa. Não é um medicamento de
ação profunda e prolongada. A lateralidade é não
característica. A agravação ocorre estando deitado
do lado direito; à noite; pelo toque e pelo movimento;
pelo ruído. A melhora acontece pelo sono e pela
obscuridade; pelo frio; pelos ácidos. Os sintomas
locais dos órgãos genitais femininos são:
menstruações adiantadas, abundantes, de sangue
escuro, misturado com coágulos irritantes e de mau
cheiro, fluxo menstrual vermelho brilhante, fétido, que
se torna escuro e perde então o seu odor; hemorragias
na menopausa de sangue vermelho e brilhante, com
coágulos fétidos, se acompanham com cefaléias
características do medicamento, afluxo de sangue
62
Ciência e Cultura
FIGUEIREDO et al
na face que se torna escarlate e esta cor viva
desaparece ao mesmo tempo em que aparece o suor,
sensação de fraqueza e de desfalecimento;
amenorréia com ondas de calor, palpitações, dores
nevrálgicas na têmpora direita, dores abdominais
como se fosse menstruar; sensibilidade e inchaço
doloroso nos seios durante a menopausa (LATHOUD,
2004).
Fitoterapia na menopausa
Fitoterapia é o uso de plantas medicinais
como matérias-primas farmacêuticas e sua utilização
no tratamento dos sintomas da menopausa e em
doenças relacionadas cresce a cada ano
(FARMACOPÉIA
HOMEOPÁTICA
BRASILEIRA, 1997; MOLLA et al., 2011).
Para as mulheres com intolerância ou contraindicação aos estrogênios como terapia
medicamentosa, pode-se fazer uso de fitoestrogênios
(CHENG et al., 2001). Substâncias presentes nas
plantas com efeito semelhante aos estrogênios
femininos, os quais pertencem à classe dos
flavonóides (KURZER & XU, 1997; CORNWELL
et al., 2004). Sua propriedade estrogênica decorre
de sua estrutura química formada por anéis fenólicos
heterocíclicos, similares aos dos estrogênios naturais
e sintéticos (HARBORNE & WILLIAMS, 2000;
IBARRETA et al., 2001).
Os fitoestrogênios, na forma de compostos
apolares ou conjugados à albumina sérica, podem
atravessar a membrana plasmática e estimular os
receptores esteróides no citoplasma, sendo assim
carreados para o núcleo celular até o complexo de
transcrição genética, agindo de forma semelhante aos
compostos estrogênicos conhecidos (HAVSTEEN,
2002). Devido à semelhança estrutural dos
fitoestrogênios com os estrogênios naturais
endógenos, eles se ligam por competitividade ao
receptor celular e inibem uma série de enzimas
envolvidas no metabolismo hormonal (MOLLA et al.,
2011).
Glycine max (Isoflavona de soja)
Dentre os flavonóides, com efeito
estrogênico, o grupo das isoflavonas tem a soja como
principal fonte alimentar. Cheng et al. (2001)
desenvolveram um estudo clínico cujos resultados
demonstraram que as mulheres que receberam 60
mg de isoflavonas por dia, durante três meses,
tiveram redução de fogachos e de sudorese noturna
de 57% e 43%, respectivamente. Neste mesmo
estudo, não foram encontradas alterações
endometriais e mamárias, indicando uma possível
segurança no uso destas substâncias.
CIÊNCIA E CULTURA - Revista Científica Multidisciplinar do Centro Universitário da FEB
As isoflavonas em mulheres na pósmenopausa aliviam os sintomas vasomotores
(CARROLL, 2006, CASSIDY et al., 2006). Além
disso, pesquisas já demonstraram redução do
colesterol de baixa densidade (HAN et al., 2002).
Existe também uma relação com o uso de isoflavonas
durante a menopausa para prevenir a perda óssea
(SETCHELL & LYDEKING-OLSEN, 2003;
CORNWELL et al., 2004; CASSIDY et al., 2006).
Outra função terapêutica seria a prevenção contra
alguns tipos de câncer, através da inibição do
crescimento e da angiogênese tumoral (RICE &
WHITEHEAD, 2006).
As isoflavonas possuem estrutura química
semelhante à dos estrógenos, tais como o 17 â estradiol (THAM et al. 1998) e desempenham ação
tanto estrogênica quanto antiestrogênica. É esta dupla
ação, permite ao organismo, uma regulação hormonal
adequada, fazendo da soja, um alimento com
diferentes ações terapêuticas (MOLLA et al., 2011).
Nomes comerciais: Estrofito®, Estrofito
Plus®, Estrofito Forte®, Estromineral®, Phyto Soya®,
Afron®, Femmet N®, Isoflavonas M.R.L.®, Fisiogen®
e Isogyn®.
Trifolium pratense L.
O nome comum é trevo vermelho. Sua maior
produção ocorre no inverno e o ciclo de vida é bianual
ou anual (FONSECA, 1997).
As isoflavonas principais do trevo vermelho
são a biochanina A, formononetina, daidzeina e
genisteína. A quantidade total de fitoestrogênios é de
aproximadamente 0,17%, atuando como agonistas
parciais em alguns tecidos e como antagonistas em
outros, exibindo propriedades hormonais e nãohormonais. Estes compostos possuem uma afinidade
maior para os receptores estrogênicos beta, ao invés
dos receptores alfa (IBARRETA et al., 2001).
A Trifolium pratense L. é utilizada para
melhora da incidência e severidade das ondas de
calor, diminuição dos riscos de doenças
cardiovasculares devido ao aumento do colesterol
HDL, inibição da agregação plaquetária, melhora da
complacência arterial sistêmica e diminuição do grau
de perda óssea em mulheres pré e perimenopausadas (DEF 2004/2005). Uma das
apresentações do Trifolium pratense é o Climadil®.
Cimicifuga racemosa
Planta rica em fitoestrogênios, age no
hipotálamo reduzindo a pulsatilidade do hormônio
liberador de gonadotrofina (GnRH), previne a
osteoporose e a incontinência urinária. Seus fitoativos
são a isoflavona (formononetina) e terpenóides
v. 7, nº 2, Novembro/2011 - ISSN 1980 - 0029
(triterpênicos) e suas indicações estão relacionadas
à regulação dos ciclos menstruais, enxaqueca,
dismenorreia (WUTTKE et al., 2003; MOLLA et
al., 2011), além da diminuição significativa dos
fogachos e outros sintomas vasomotores,
minimização da ansiedade e depressão em mulheres
pós-menopausa com seu uso prolongado (NAPPI et
al., 2005). Halaska et al. (1998) comprovaram seu
uso na redução da mastalgia, caracterizada por um
desconforto mamário. Alguns nomes comerciais
dessa planta são: Aplause®, Amenopan®, Mencirax®,
Clifemin®.
Ginkgo biloba L.
Este fitoterápico tem várias propriedades
terapêuticas, entre elas: antioxidante, antiinflamatória, prevenção do envelhecimento estimula
a circulação sanguínea, protege a barreira hematoencefálica, inibe a agregação plaquetária, regulariza
a permeabilidade capilar e age no sistema nervoso
central. Recentemente, aventou-se a possibilidade
deste extrato ser utilizado como fitoestrogênio no
tratamento de sintomas da menopausa (OH &
CHUNG, 2004). Da parcela de 52,7% da população
norte americana que utiliza algum composto
alternativo em substituição aos medicamentos
tradicionais, 6,8% relatou fazer uso de Ginkgo biloba
L. Dentre as mulheres que utilizavam alguma terapia
alternativa para o tratamento de sintomas
vasomotores durante a menopausa, o Ginkgo biloba
L. era utilizado por 7,2% delas. Já nas mulheres que
utilizavam para o tratamento de sintomas psicológicos
e somáticos era consumido por 8,3% e 7,8% delas,
respectivamente (GOLD et al., 2007).
Estudo anterior, in vitro, comprovou a ação
estrogênica e seus principais flavonóides (quercetina,
kaempferol e isorhamnetina) apontando a hipótese
de seu uso durante o climatério (OH & CHUNG,
2004). Sabe-se também que a quercetina e o
kaempferol alteram a fisiologia do metabolismo ósseo,
provavelmente, mediados pela ação estrogênica
intrínseca destas substâncias, podendo ser utilizados
para a prevenção e tratamento da osteoporose
causada pela menopausa. (PANG et al., 2006).
Alguns dos medicamentos comerciais contendo
Ginkgo biloba L. são: Tanakan® e Tebonin®.
Angelica sinensis
Pertence à família Apiceae e é a planta mais
amplamente utilizada na China, contendo flavonóides
(furanocumarinas) e esteróides. Também conhecida
como Dong Quai, Dang Gui, Toki, Don Quai,
Ginseng-Feminino e Ginseng-Para-Mulheres. A raiz
do Dong Quai ajuda a estabilizar os níveis de açúcar
Ciência e Cultura
63
Menopausa: conceito e tratamentos alopático, fitoterápico e homeopático
no sangue. A planta é constituída de niacina, óleo
essencial (carvacrol, safrol, isosafrol), sesquiterpenos,
cadineno, cumarina, sitosterol, vitamina B-12 e
vitamina E.
Na medicina alternativa, mulheres que param
de usar pílulas anticoncepcionais podem usar o Dong
Quai para restabelecer ciclos menstruais regulares.
Apresenta ações antiinflamatórias, antiespasmódicas
e de alívio dos sintomas da menopausa. Também
possui propriedades anti-trombóticas, vasodilatadoras
coronarianas, hepatoprotetoras e tonificante da
musculatura uterina (AVILA & FETROW, 2000). A
Angelica sinensis é comercializada em farmácias
de manipulação, mas também é encontrada em
drogarias como Solaray®.
Vitex agnus-castus (Chaste tree berry)
Vitex agnus-castu é natural da região do
Mediterrâneo e da Criméia, sendo encontrado
também em regiões quentes da Ásia, África e
Américas (MILEWICZ et al. 1993). Conhecido no
Estado do Pará como Alecrim-de-Angola veio de
culturas negras (ZWAVING & BOS, 1996).
Essa planta contém compostos com estrutura
semelhante à progesterona: atua sobre a glândula
pituitária, bloqueando a liberação do hormônio folículo
estimulante, enquanto que a secreção do hormônio
luteinizante é estimulada; assim como o equilíbrio na
produção de estrógeno e progesterona (MERZ et
al., 1996; MILEWICZ et al. 1993). Reduz alguns
sintomas indesejáveis da menopausa, associados com
a redução da produção de progesterona. A ação
normalizadora e balanceadora (estrógenoprogesterona) é benéfica no tratamento de
menstruação irregular e dolorosa, infertilidade,
síndrome pré-menstrual, problemas de menopausa e
outros desequilíbrios hormonais. É útil no tratamento
de endometriose e também para normalizar o sistema
hormonal após o uso descontinuado de pílulas
anticoncepcionais (VEAL, 1998; BERGER et al.,
2000). Também promove melhora da lubrificação
vaginal em mulheres pós-menopáusicas. Além disso,
produz uma sensível melhora dos sintomas
depressivos e da ansiedade (TAYLOR, 2001).
Comercialmente encontra-se o Vitex agnus-castus
como: Lutene®, Nalle ®, Normaciclo ®, Tenag® ,
Vitenon®.
Oenethera biennis (Óleo de prímula)
A Prímula é também conhecida como
Prímula-da-Noite, Estrela-da-Noite, SalgueiroNoturno, Panacéia-de-Rei e Erva-dos-Burros.
Pertence a família Onagraceae.
As sementes de prímula são ricas em óleos
64
Ciência e Cultura
FIGUEIREDO et al
que contêm ácido linolênico e ácido linoléico. Há
evidências de que seu óleo reduza a incidência dos
fogachos no período noturno em mulheres
menopáusicas, além de aumentar a absorção de cálcio
pelo intestino e reduzir a excreção urinária do mesmo,
aumentando, desta maneira, sua deposição óssea.
Alguns estudos também indicam melhora no perfil
lipídico, redução de triglicerídeos e LDL e aumento
de HDL, com seu uso (HORROBIN, 1997).
Nomes comerciais mais encontrados em
drogarias e farmácias: Prímuris®, Gamaline-V®,
Primolan®, Livten®.
Não há consenso, entretanto, entre risco/
benefício do uso de fitoestrogênios na menopausa.
Estudos clínicos controlados e de longa duração
devem ser realizados para avaliar melhor tal conduta
(KRONENBERG & FUGH-BERMAN, 2002;
POWLES, 2004), bem como a segurança do seu uso
(STRAUSS et al., 1998).
Alopatia na menopausa
Etimologicamente, Alopatia (all = diferente;
patia = doença) significa curar através de um método
que usa um sistema antagônico da doença que está
ocorrendo.
O estrógeno é indiscutivelmente a terapêutica
mais eficiente na terapia hormonal da menopausa
(THM) para o alívio da sintomatologia menopausal,
incluindo aqueles vasomotores e fogachos com
sudorese intensa. Porém, mulheres entre 50-59 anos
de idade apresentam uma resposta mais favorável à
reposição hormonal, quando comparada as mais
idosas (ANDERSON et al., 2004).
Apesar de estudos terem comprovado que o
uso de estrógeno isoladamente ou associado à
progesterona, aumentou a incidência de doenças
como: risco de infarto do miocárdio,
tromboembolismo venoso, acidente vascular cerebral
(39%), câncer de mama invasivo (23%), os resultados
não são relevantes entre a faixa etária avaliada (50
a 59 anos). A estrogenoterapia também pode diminuir
a perda de massa cinzenta na pós-menopausa
(BOCCARDI et al., 2006). Entretanto, houve uma
diminuição de 39% de fraturas nas vértebras e bacia
e da incidência de câncer no colo-retal. Além de
melhoras dos sintomas depressivos em mulheres na
peri-menopausa (CLAUPAUCH et al., 2005). Já
está bem estabelecido que com a reposição
estrogênica continuada, isolada ou associada à
progestágeno, ocorre à redução do risco de fraturas
e preservação da massa óssea (PARDINI, 2007).
São inúmeras as vias de administração da
THM, sendo cada uma delas determinada caso a
caso. Existem evidências de que a via transdérmica
CIÊNCIA E CULTURA - Revista Científica Multidisciplinar do Centro Universitário da FEB
v. 7, nº 2, Novembro/2011 - ISSN 1980 - 0029
não aumenta os níveis de proteína C reativa e pode
estar associada a um risco menor de trombose em
relação à via oral. Os efeitos benéficos e adversos
dos hormônios são dose-dependentes. Logo, nos
esquemas de tratamento hormonal pode haver uma
tendência de redução das doses, ocorrendo
perspectivas de redução dos riscos relacionados ao
seu uso. O risco absoluto para várias doenças duplica
em cada década da vida, portanto, a THM seria mais
adequada no período de transição da menopausa
(PARDINI, 2007). Nomes comerciais: Estradiol®,
Estreva®, Estrofe®, Estrogen®, Fem 7®.
que todas apresentam resultados positivos na
menopausa, não se permitindo afirmar qualquer
vantagem de uma sobre a outra. O tipo de tratamento
vai depender dos sintomas e resposta do organismo
da mulher, que juntamente com o prescritor vão
decidir qual esquema terapêutico a ser adotado, ou
até utilizar uma associação de tratamentos.
Tibolona
A tibolona é um esteróide sintético utilizado
para o tratamento de sintomas do climatério. Após a
absorção, ela combina atividade estrogênica,
progestogênica e uma leve ação androgênica. Além
de ser indicada para os sintomas do climatério,
também utilizada para profilaxia da osteoporose. Sua
ação estrogênica acontece em ossos, vagina, cérebro
e sistema cardiovascular e a progestogênica no
endométrio e mama (PANTALEÃO et al., 2009).
Após administração oral (dose diária é de
2,5 mg), a tibolona é rapidamente metabolizada no
fígado em 3-alfa e 3-beta-hidroxitibolona, pela ação
das 3-alfa e 3-beta-hidroxiesteroide deidrogenases
hepática e intestinal. Ambos os hidroxi metabólitos
têm meia-vida de aproximadamente sete horas. São
estes metabólitos os responsáveis pela ação
estrogênica da tibolona e parecem ser agonistas do
receptor estrogênico humano, apresentando menor
potência que o estradiol (PANTALEÃO et al., 2009).
Estudos demonstram que mulheres tratadas
com tibolona apresentam a sensibilidade e a dor
mamária reduzidas. A tibolona não aumenta a
densidade mamária e, portanto não afeta
negativamente o rastreamento mamográfico utilizado
para câncer de mama (GUZMÁN-SILVA et al.,
2010). Através de sua ação sobre uma lipase
hepática, diminui o colesterol HDL (MAIA FILHO,
2008). Algumas apresentações comerciais da tibolona
são Livial®, Boltin®, Libiam®, Livolon®, podendo
também ser encontrada em farmácias de
manipulação.
ANDERSON, G. L. et al. Womens Health Initiative
Steering Committee. Effects of conjugated equine
estrogen in postmenopausal women with
hysterectomy. The Womens Health Initiative
Randomized Controlled Trial, v.291, p.1701-1712,
2004.
CONCLUSÃO
Ao se comparar as três terapias
preconizadas para o tratamento da menopausa, a
Alopatia, a Fitoterapia e a Homeopatia, onde as duas
primeiras são baseadas no princípio dos contrários
(Contrario contrarius curantur), exatamente o
oposto da última, fundamentada no princípio dos
semelhantes, (Similia similibus curentur), infere-se
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ABERNETHY, K. Menopause. Nursing Standard,
v.17, p. 45-53, 2003.
AVILA, J. R. FETROW, C. W. Manual de Medicina
Alternativa para o Profissional. Guanabara Koogan,
2000. 743p.
BERGER, D. et al. Efficacy of Vitex agnus castus
L. extract Ze 440 in patients with pre-menstrual
syndrome (PMS). Archives of Gynecology and
Obstetrics, v.264, p.150-153, 2000.
BLAKE, J. Menopause: evidence-based practice.
Best Practice & Research. Clinical Obstetrics &
Gynaecology, v.20, p.799-839, 2006.
BOCCARDI, M. et al. Effects of hormone therapy
on brain morphology of healthy postmenopausal
women: a Voxel based morphometry study.
Menopause, v.13, p.584-591, 2006.
BORDET M. F., COLAS A., MARIJNEN P.,
MASSON J., TRICHARD M. Treating hot flushes
in menopausal women with homeopathic treatment—
results of an observational study. Homeopathy, v.97,
p.10-15, 2008.
BRASIL, Ministério da Saúde Secretaria de Atenção
à Saúde. Departamento de Ações Programáticas
Estratégicas. Manual de Atenção à Mulher no
Climatério-Menopausa. Ministério da Saúde. 2008.
192p.
CARROLL, D.G. Nonhormonal therapies for hot
flashes in menopause. American Family Physician,
v.73, p.457-464, 2006.
Ciência e Cultura
65
Menopausa: conceito e tratamentos alopático, fitoterápico e homeopático
CASSIDY, A. et al. Critical review of health effects
of soyabean phyto-oestrogens in postmenopausal
women. The Proceedings of the Nutrition Society,
v.65, p.76-92, 2006.
CHENG, G. et al. Isoflavone treatment for acute
menopausal symptoms. Menopause, v.14, p.468-473,
2001.
CLAPAUCH, R. et al. Terapia de reposição
hormonal na menopausa. Posicionamento do
Departamento de Endocrinologia Feminina e
Andrologia da SBEM. Arquivos Brasileiros de
Endocrinologia & Metabologia, v.49, p.449-454, 2005.
FIGUEIREDO et al
GUERNSEY, H.N. Hysteria. Hahnemaniana mensal,
v.1, p.387-404, 1866.
GUYTON, A. C. Fisiologia Humana – Mecanismos
das Doenças. 6 ed. Rio de Janeiro: Guanabara
Koogan, 2006. 564p.
GUZMÁN-SILVA, M A; POLLASTRI, C.E;
ANDRADE, G.M; PANTALEÃO, J.A.S; SILVA,
I.H. Ação da tibolona sobre o parênquima mamário.
FEMINA, v.38, p.51, 2010.
HAHNEMANN, S. Organon da Arte de Curar. 6
ed. Robe, 1996. 248p.
CORNWELL, T.; COHICK, W.; RASKIN, I.
Dietary phytoestrogens and health. Phytochemistry,
v.65, p.995-1016, 2004.
HALASKA, M. et al. Treatment of cyclical
mastodynia using an extract os Vitex agnus castus:
results of a double-blind comparison with a placebo.
Ceska Gynekol, v.63, p.388-392, 1998.
Dicionário de Especialidades Farmacêuticas (DEF)
2004/05. Rio de Janeiro: Ed. Publ. Científicas, 2004.
929p.
HAN, K. K. et al. Benefits of soy isoflavone
therapeutic regimen on menopausal symptoms.
Obstetrics and Gynecology, v.99, p.389-394, 2002.
ERNST, E.; KAPTCHUK, T.J. Homeopathy
revised. Archives of Internal Medicine, v.156, p.21622164, 1996.
HARBORNE, J. B.; WILLIAMS, C. A. Advances
in flavonoid research since 1992. Phytochemistry,
v.55, p.481-504, 2000.
FARMACOPÉIA
HOMEOPÁTICA
BRASILEIRA. 2 ed. São Paulo: Atheneu, 1997. pt.1.
n.p.
HAVSTEEN, B. H. The biochemistry and medical
significance of the flavonoids. Pharmacology &
Therapeutics, v.96, p.67-202, 2002.
FERNANDES, V. Zoologia. 7 ed. São Paulo: EPU,
1981. 371p.
HORROBIN K. Calcium metabolism, osteoporosis
and essential fatty acids: a review. Progress in Lipid
Research, v.36, p.131-151, 1997.
MAIA FILHO, H. Mecanismo de Ação da Tibolona
e Suas Implicações na Terapia de Reposição
Hormonal. Salvador: Sobrage, 2008. Disponível em:
http://www.sobrage.org.br/novembro8.html. Acesso
em 18 de novembro de 2010.
FONSECA, M. G. C. Plantio Direto de Forrageiras:
sistema de produção. Guaíba: Agropecuária, 1997.
101p.
GANDRA, F. R.; PIRES, C. V. G.; LIMA, R. C. V.
O dia-a-dia do professor. Adolescência: afetividade,
sexualidade e drogas. Fapi, 2002. n.p.
GOLD, E. B. et al. Cross-sectional analysis of
specific complementary and alternative medicine
(CAM) use by racial/ethnic group and menopausal
status: the Study of Women’s Health Across the
Nation (SWAN). Menopause, v.14, p.612-623, 2007.
66
Ciência e Cultura
IBARRETA, D.; DAXENBERGER, A.; MEYER,
H. H. Possible health impact of phytoestrogens and
xenoestrogens in food. Acta Pathologica,
Microbiologica et Immunologica Scandinavica, v.109,
p.161-184, 2001.
JACOBS, J.; HERMAN, P.; HERON, K.; OLSEN,
S.; VAUGHTERS, L. Homeopathy for menopausal
symptons in breast cancer survivors: A preliminary
randomized controlled trial. The Journal of Alternative
and Complementary Medicine, v.11, p.21-27, 2005.
KRONENBERG, F.; FUGH-BERMAN, A.
Complementary and alternative medicine for
menopausal symptoms: a review of randomized,
controlled trials. Philadelphia: Annals of Internal
Medicine, v.137, p.805-813, 2002.
KURZER, M. S.; XU, X. Dietary phytoestrogens.
CIÊNCIA E CULTURA - Revista Científica Multidisciplinar do Centro Universitário da FEB
v. 7, nº 2, Novembro/2011 - ISSN 1980 - 0029
Annual Review of Nutrition, v.17, p.353-381, 1997.
Pharmacology, v.71, p.818-826, 2006.
LATHOUD. Matéria Médica Homeopática. 2 ed.
Organon, 2004. 1192p.
PANTALEÃO, J.A.S; HENRIQUES, H. N;
CARVALHO, A. C. B; POLLASTRI, C. E;
SOARES FILHO, P. J.; GUZMÁN-SILVA, M. A.
Efeito da tibolona sobre o endométrio de ratas
castradas. Revista Brasileira de Ginecologia e
Obstetrícia, v.31, p.124-130, 2009.
LIMA, H. Sistema Genital Feminino I. 1° ano. 2008.
Disponível em: http://www.portalimpacto.com.br/
docs/2008Hubertt1AnoF2Aula03.pdf. Acesso em: 20
de agosto de 2010.
LIMA, J.; PINHO NETO, J. S. L. Terapia de
Reposição hormonal na perimenopausa. Femina, v.
9, p. 475-478, 2000.
MANSFIELD, P. K.; VODA, A. M. Womencentered information on menopause for health care
providers: finding from the midlife women’s health
survey. Health Care for Women International, v.18,
p.55-72, 1997.
MANUAL DE ATENÇÃO À MULHER NO
CLIMATÉRIO/MENOPAUSA. MINISTÉRIO DA
SAÚDE. Secretaria de Atenção à Saúde.
Departamento de Ações Programáticas Estratégicas,
2008. 192p.
MERZ PG, et al. The effects of a special Agnus
castus extract (BP1095E1) on prolactin secretion in
healthy male subjects. Experimental and Clinical
Endocrinology & Diabetes, v.104, p.447-453, 1996.
MILEWICZ, A., et al. Vitex agnus castus extract in
the treatment of lutel phase defects due to latent
hyperprolactinemia. Results of randomized
placebocontrolled
double-blind
study.
Arzneimittelforschun, v.43, p.752-756, 1993.
MOLLA, M.D.; HIDALGO-MORA, J.J.;
SOTERAS, M.G. Phytotherapy as alternative to
hormone replacement therapy. Front Biosci (Schol
Ed), v.1, p.191-204, 2011.
NAPPI, R. E. et al. Efficacy of Cimicifuga racemosa
on climacteric complaints: a randomized study versus
low-dose transdermal estardiol. Gynecological
Endocrinology, v.20, p.30-35, 2005.
OH, S.M.; CHUNG, K.H. Estrogenic activities of
Ginkgo biloba extracts. Life Sciences, v.74, p.13251335, 2004.
PANG, J.L. et al. Differential activity of kaempferol
and quercetin in attenuating tumor necrosis factor
receptor family signaling in bone cells. Biochemical
PARDINI, D. Menopausal hormone therapy.
Arquivos Brasileiros de Endocrinologia &
Metabologia, v.51, p.938-942, 2007.
POWLES, T. Isoflavones and women’s health.
Breast Cancer Research,v.6, p.140-142, 2004.
RICE, S.; WHITEHEAD, S.A. Phytoestrogens and
breast cancer— promoters or protectors? EndocrineRelated Cancer, v.13, p.995-1015, 2006.
SETCHELL, K. D.; LYDEKING-OLSEN, E.
Dietary phytoestrogens and their effect on bone:
evidence from in vitro and in vivo, human
observational, and dietary intervention studies. The
American Journal of Clinical Nutrition, v.78, p.593609, 2003.
SKOUBY, S. O. Health in the menopause: advances
in management. International Congress Series, v.
1266, p.151-155, 2004.
STRAUSS, L. et al. Dietary phytoestrogens and their
role in hormonally dependent disease. Toxicology
Letters, v.102-103, p.349-354, 1998.
TAYLOR, M. Botanicals: Medicines and
menopause. Clinical Obstetrics and Gynecology, v.44,
p.853-863, 2001.
THAM, D.M. et al. Potential health benefits of
dietary phytoestrogens: a review of the clinical,
epidemiological, and mechanistic evidence. The
Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, v.83,
p.2223-2235, 1998.
THOMPSON, E. A. Alternative and complementary
therapies for the menopause: a homeopathic
approach. Maturitas, v.66, p.350-354, 2010.
VEAL, L. Complementary therapy and infertility: an
Icelandic perspective. Complement-Ther-NursMidwifery, v.4, p.3-6, 1998.
WUTTKE, W. et al. The Cimicifuga preparation
Ciência e Cultura
67
Menopausa: conceito e tratamentos alopático, fitoterápico e homeopático
BNO 1055 vs. conjugated estrogens in a double-blind
placebo-controlled study: effects on menopause
symptoms and bone markers. Maturitas, v.14, p.6777, 2003.
68
Ciência e Cultura
FIGUEIREDO et al
ZWAVING, J.H.; BOS, R. Composition of the
essential fruit oil of Vitex agnus castus. Planta
Medica, v.62, p.83-84, 1996.
CIÊNCIA E CULTURA - Revista Científica Multidisciplinar do Centro Universitário da FEB
v. 7, nº 2, Novembro/2011 - ISSN 1980 - 0029
Avaliação radiográfica das variações anatômicas do incisivo
central inferior: estudo “in vitro”
Assessment of the radiographic anatomical variations of the mandibular
central incisor: “in vitro” study.
Devanir de Araujo CERVI*, Alexandre Pugliesi NEVES, Maria José Pereira de ALMEIDA.
Centro Universitário da Fundação Educacional de Barretos – UNIFEB, Av. Professor Roberto Frade Monte 389,
Aeroporto, CEP 14783-226 Barretos (SP).
RESUMO
O conhecimento da anatomia interna dos dentes desempenha um papel importante na
um tratamento endodôntico bem sucedido. O objetivo do estudo foi avaliar radiograficamente a anatomia
interna de dentes incisivos centrais inferiores, quanto a presença de istmos, dilacerações e duplicidade de
canais encontradas durante um tratamento endodôntico de rotina. Foram selecionados aleatoriamente
seiscentos incisivos inferiores que foram examinados radiograficamente no sentido mésio - distal para avaliar
a anatomia do canal radicular e da presença de suas variações. O estudo radiográfico mostrou que 79,11%
das amostras tinham canal único, 5,33% tinham de dois canais, 12,83% tinham istmo e 2,73% de dilacerações.
Palavras-Chave: incisivo central inferior, anatomia interna, canais radiculares.
ABSTRACT
Knowledge of internal anatomy of tooth plays an important role in a successful endodontics treatment. The
aim of this study was to evaluate radiographically the internal anatomy of lower central incisors teeth, the
presence of the isthmus, lacerations and duplicate channels found during a routine root canal treatment. Six
hundred randomly selected mandibular incisors were examined by x-ray, by side proximal to assess root
canal anatomy and the presence of their variations. The radiographic study showed that 79.11% of the
samples had single-channel, 5.33% had two canals, 12.83% had isthmus and 2.73% had lacerations.
Keywords: lower central incisor, internal anatomy, root canals.
* Autor para correspondência:
E-mail: [email protected]
Fone: 17-33216402
Recebido em: 15/02/2011
Aceito para publicação em: 21/10/2011
Ciência e Cultura
69
Avaliação radiográfica das variações anatômicas do incisivo central inferior
INTRODUÇÃO
Para que sejam realizadas as diversas
intervenções ou procedimentos endodônticos em
condições técnicas estritamente adequadas, o
profissional da Odontologia deve estar bem
familiarizado com os aspectos anatômicos da
cavidade pulpar e da região periapical de todos os
dentes (TIKU et al, 2005). Estes conhecimentos são
muito importantes para a obtenção de bons resultados
na recuperação de dentes lesados (SOARES et al,
2005). Os dentes incisivos têm forma de cunha ou
chave de fenda para proporcionar sua principal
função de cortar alimentos. Sua face vestibular
apresenta dois sulcos rasos de disposição cérvicoincisal. Exibem borda incisal serrilhada, pela presença
de três eminências arredondadas, pequenos
tubérculos que, constituem vestígios da separação
dos lobos de desenvolvimento (MADEIRA, 2007).
O incisivo central inferior é o menor e mais
simétrico dente da dentição humana. Apresenta
câmara pulpar com características semelhantes ao
homólogo superior. A coroa é bastante achatada no
sentido vestíbulo-lingual e a raiz comprimida e
achatada no sentido mésio-distal. Em observação por
cortes a raiz apresenta a face vestibular e lingual
paralelas entre si convergindo para o ápice. As faces
mesial e distal são planas, achatadas e percorridas
por sulcos de profundidade maior na vizinhança do
colo do dente. O comprimento total do incisivo central
inferior, em média, é de 20,8mm, sendo o máximo de
27,5mm e o mínimo de 16,5mm (LEONARDO,
1998). Um corte longitudinal no sentido vestíbulo
lingual mostra-nos um canal bastante amplo na sua
porção média. A presença de septos de dentinas
nesse local determina, freqüentemente, a bifurcação
do canal que é verificada em 30% dos casos. Após
essa bifurcação, os canais assim formados (vestibular
e lingual), se unem novamente terminando num único
forame. Raramente a separação dos canais é
completa podendo, nesses casos, existir forames
separados (DELLA SERRA e FERREIRA, 1970).
Em conseqüência, o canal radicular também
é bastante achatado no sentido próximo-proximal, o
que lhe confere um acentuado aumento por vestíbulolingual. Em virtude desse grau de achatamento
radicular, é comum notarem-se “ilhotas de dentina”
ou bifurcações do canal. O acentuado achatamento
mésio-distal determina a divisão do canal radicular
em dois: um vestibular e outro lingual. Na maioria
das vezes, esses canais convergem para um único
forame apical. Em alguns casos, no entanto, seguem
trajetórias independentes e terminam apicalmente em
forames separados (MIYASHITA et al, 1997).
70
Ciência e Cultura
CERVI et al
A presença de dilacerações e curvas
excessivas, muitas vezes dificulta ou até mesmo,
impedem a execução do tratamento de canais
radiculares (LEONARDO, 1998).
As variações da anatomia interna de cada
canal radicular podem interferir no sucesso da
terapêutica endodôntica devido ao fato de que os
canais radiculares achatados podem persistir
remanescentes teciduais em istmos, reentrâncias e
ramificações, dificultando a execução das técnicas
de instrumentação. (MARCHESAN et al, 2003).
Diante do exposto, nos propomos identificar
radiograficamente em dentes incisivos centrais
inferiores humanos, já extraídos, as principais
variações anatômicas internas como duplicidade,
dilaceração e septo dentinário.
O presente estudo tem como objetivo
analisar radiograficamente em dentes humanos
extraídos, as principais variações anatômicas
existentes nos canais radiculares dos incisivos
centrais inferiores, quanto a duplicidade de canais,
septo dentinário e dilacerações.
MATERIAL E MÉTODOS
Foram utilizados 600 dentes incisivos
centrais inferiores armazenados pela disciplina de
Endodontia do curso de Odontologia do Centro
Universitário da Fundação Educacional de Barretos,
que foram utilizados por alunos do quarto termo do
curso de Odontologia para o aprendizado da
realização de aberturas coronárias nestes dentes. Os
quais, em seguida, foram fornecidos pelos mesmos
para a realização deste trabalho.
Os critérios de exclusão foram os dentes
com extensas lesões de cárie, grandes restaurações,
canais radiculares com tratamento endodôntico já
realizado e análise com relação às aberturas
coronárias discrepantes (erros grosseiros cometidos
durante a realização das aberturas coronárias). A
amostras foram limpas com solução de hipoclorito
de sódio de 4 à 6% e a água oxigenada (Faculdade
de Química da Fundação Educacional de Barretos),
sendo utilizadas para eliminação de microrganismos,
amolecimento dos cálculos dentários e de
remanescentes ósseos das amostras, onde ficaram
embebidas durante setenta e duas horas, evitando
assim qualquer tipo de contaminação. As remoções
dos cálculos e remanescentes ósseos já amolecidos
foram realizadas com uma cureta de periodontia
Mcall N° 17/18 e Mcall N° 13/14. As amostras foram
fixadas em películas radiográficas com cera rosa no
7, contendo 4 amostras por película colocadas no
sentido mésio-distal, (Figura1).
CIÊNCIA E CULTURA - Revista Científica Multidisciplinar do Centro Universitário da FEB
v. 7, nº 2, Novembro/2011 - ISSN 1980 - 0029
Figura 1: Seleção e Limpeza das amostras
Este tipo de tomada radiográfica foi
preconizado para se evitar sobreposição dos canais
(vestibular e lingual), nas amostras que pudessem
conter dois canais (Figura 2).
Figura 2: Radiografia para visualização das variações anatômicas das amostras
Também foi realizada para podermos
observar com mais detalhes as variações anatômicas
dos canais radiculares. Foi utilizada a técnica ortoradial de direcionamento do feixe de raio-X ( Dabi
Atlante – Spectro 70X, Ribeirão Preto, SP), sobre a
película, com tempo de exposição de 0.5 segundos, e
com o cone direcionador a uma distância de 20cm
da película.
Em seguida foram analisados, os aspectos
anatômicos das amostras pela imagem radiográfica,
utilizando um negatoscópio, em um ambiente escuro,
com uma lupa com X5 de aumento como auxiliares
na determinação das anomalias anatômicas. A análise
radiográfica foi realizada por três examinadores (um
estudante do 4º ano de Odontologia – examinador no
1; um especialista em Endodontia com mais 10 anos
de experiência – examinador no 2 e um professor de
Endodontia da UNIFEB Barretos – examinador no
3); que foram préviamente calibrados quanto a
visualização das variações abordadas no presente
trabalho: duplicidade de canais, septo dentinário e
dilacerações. Os dados obtidos foram analisados por
média e porcentagens.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A leitura das variações anatômicas por cada
examinador e o número médio de observações das
variações encontradas, pode ser observada na tabela
1. Em média, verificou-se que 16,3 dentes
apresentaram dilacerações, 32 dentes mostraram
duplicidade de canais e 77 dentes possuiam septo
dentinário. A tabela 2 mostra o número de
observações e as freqüências encontradas para cada
variação anatômica. Pode-se destacar que o septo
dentinário apresentou-se com maior freqüência
(12,83%) em comparação com as demais variações.
As dilacerações estiveram presentes em apenas
2,73% dos dentes, enquanto a duplicidade de canais
mostrou-se em 5,33%. Sendo que 79,11% dos dentes
não apresentaram qualquer variação anatômica.
Ciência e Cultura
71
Avaliação radiográfica das variações anatômicas do incisivo central inferior
CERVI et al
Tabela 1: Número médio de observações das variações anatômicas
Tabela 2: Número de variações e porcentagens obtidas
Figura 3: Representação gráfica de acordo com as freqüências observadas em dilacerações, septo
dentinário, duplicidade de canais e sem variações.
Várias metodologias foram desenvolvidas
para observar as variações anatômicas dos incisivos
centrais inferiores, encontrando entre elas grandes
divergências nos resultados. Ressecção apical:
Mauger., et al (1998); Diafanização: Pécora et al
(1990); Galafassi et al (2007); Radiográfico: Oliveira
et al (1999) e Campos et al (2001);
Radiovisiógrafo: Oliveira et al (2009); Microscópio
Operatório: Prado et al (2010). Em nosso trabalho
analisando radiograficamente 600 amostras de dentes
incisivos centrais inferiores, constatamos uma
porcentagem de septos dentinários de 12,83%, com
5,33% de duplicidades de canais e 2,73% de
dilacerações.
72
Ciência e Cultura
Campos et al (2001), avaliaram “in vitro”
radiograficamente (com uma tomada radiográfica
ortoradial e outra sentido mésio distal), a relação entre
as formas das imagens das câmaras pulpares e o
numero de canais radiculares em 141 amostras de
incisivos centrais inferiores. Encontraram 60,9% de
duplicidades de canais, diferentemente de nossos
resultados que foram de 5,33%. Considerando na
metodologia do trabalho, os autores, analisaram
duplicidade de canais e septos-dentinários como
sendo somente uma única variação.
Oliveira et al (2002), observaram “in vivo e
in vitro”, pelo método radiográfico digital direto (ortoradial e distal), a incidência de bifurcação do canal
CIÊNCIA E CULTURA - Revista Científica Multidisciplinar do Centro Universitário da FEB
radicular dos incisivos centrais inferiores em 400
amostras. No estudo “in vitro” foram utilizadas 200
amostras radiografadas por vestíbulo – lingual e mésio
– distal. Os resultados obtidos foram de que 15%
das amostras apresentavam bifurcação quando
radiografadas no sentido vestíbulo-lingual e 20% para
radiografias no sentido mésio-distal. Se
considerarmos duplicidade de canais, juntamente com
septo dentinário como sendo bifurcações de canais,
e somando os nossos resultados praticamente
corroboram com as dos autores, ou seja, de 18,16%
(Figura 3). Concluíram neste trabalho a necessidade
de nos enquadrarmos na necessidade da variação
da angulação da tomada radiográfica para
visualização das variações anatômicas destes dentes.
Willershausen et al (2008), estudaram “in
vitro”, com radiografias digitalizadas e com a técnica
do paralelismo, a avaliação do grau e localização das
curvaturas do canal radicular de 248 incisivos centrais
anteriores inferiores. A distância da junção cemento
- dentina para a primeira curvatura foi registrados.
Os resultados foram analisados descritivamente. Em
um total de n=82 (33,1%), das amostras
apresentavam curvaturas. Os resultados mostraram
uma elevada percentagem de incisivos anteriores com
uma curvatura média localizada a 13 milímetros
apicalmente. Diferentemente do nosso trabalho, onde
foram consideradas somente as dilacerações
propriamente ditas, com um total de 2,73%.
Mas, independente dos resultados obtidos nas
várias metodologias empregadas para a verificação
da anatomia internas de dentes, temos que considerar
que o clínico geral e, ou especialista em Endodontia,
não contam em seus consultórios com as metodologias
empregadas, a não ser em larga escala, a radiográfica.
E, em alguns casos, é muito difícil identificar canais
adicionais por meio da análise radiográfica,
necessitando, portanto, de um bom conhecimento
prévio da anatomia dental, de uma boa tomada
radiográfica (orto-radial, mesialisando ou
distalizando), assim como de uma boa visualização
da radiografia inicial. Salienta os pesquisadores que
ao tratar endodonticamente o dentre incisivo central
inferior deveremos realizar uma abertura coronária
adequada, com uma profunda sondagem inicial
(cateterismo), que são essenciais para a localização
dos canais e suas variações anatômicas (KABAK e
ABOTT, 2007, YURY e PAUL, 2007).
A proposta maior deste trabalho foi mostrar
que as variações anatômicas do dente incisivo central
inferior existem e, quando não tão bem conhecidas
pelos profissionais odontólogos (OLIVEIRA et al,
1999), podem reverter no insucesso do tratamento
endodôntico destes dentes.
v. 7, nº 2, Novembro/2011 - ISSN 1980 - 0029
CONCLUSÕES
Podemos concluir neste trabalho, com base
nos resultados da análise radiográfica de 600 amostras
de dentes incisivos inferiores, que ocorrem
dilacerações em 2,73%, duplicidade de canais em
5,33%, presença de istmus em 12,33% e sem
nenhuma variação anatômica em 79,11%.
Que estes dentes apresentam uma variação
anatômica considerável e o conhecimento da
anatomia interna dos mesmos (por parte dos
profissionais odontólogos), é de fundamental
importância para realizar o tratamento endodôntico
e obter o sucesso desejado.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICAS
CAMPOS, P.S.F., ALBEGARIA, S.J.,
JURANDIR., F., MOREIRA, D. Avaliação da
relação entre a imagem radiográfica da câmara
pulpar e o número de canais radiculares dos incisivos
inferiores, Rev. Pós Graduação (Faculdade de
Odontologia Fundação para o Desenvolvimento
CientÍfico e Tecnológico da Odontologia), v. 8: p. 116120, 2001
DELLA SERRA, O., FERREIRA, F.V. Dentes
incisivos permanentes. In: Anatomia Dental. 1ª ed.
São Paulo: Livraria e Editora Artes Médicas Ltda;
1970. cap. IV, p.81-84.
GALAFASSI, D., LAZZARETTI, D.N., SPAZZIM,
A.O., VANNI., J.R, SOLUETE, O. Estudo da
anatomia interna do canal radicular em incisivos
inferiores pela técnica de diafanização. Rev. Sulbrasileira Odontol., v. 4: p. 7 -11, 2007.
KABAKY, S., ABOTT, P. Endodontic treatment of
mandibular incisors with two root canals: Report of
two cases. Aust. Endod. J., v. 33, p. 27–31, 2007.
LEONARDO, M.R. Aspectos anatômicos da
cavidade pulpar. In: Endodontia, Tratamento dos
canais radiculares. 3ª ed. São Paulo: Ed. Medicina
Panamericana Editora Brasil Ltda, 2008. cap. 9,
p.190 – 214.
MADEIRA, C.M. Anatomia individual dos dentes.
In: Anatomia do dente. 5ª ed. São Paulo. Ed. Sarvier
Editora de Livros Médicos Ltda, 2007. cap 7, p. 5768.
MARCHESAN, M.A., ARRUDA, M.P., SILVA
Ciência e Cultura
73
Avaliação radiográfica das variações anatômicas do incisivo central inferior
SOUSA, Y.T.C., SAQUY, P.C., PÉCORA, D.J.,
SOUSA NETO, M.D. Análise morfológica da
capacidade de limpeza promovida pela
instrumentação rotatória, associada à soluções
irrigantes, com limas de níquel-titânio em canais
radiculares com achatamento mesio-distal. J. Appl.
Oral Sci., v.11, p. 09-55, 2003.
MAUGER, M.J., SCHINDLER, W.G., WALKER,
W.A. An evaluation of canal morphology at different
levels of root resection in mandibular incisors. J.
Endod., v. 24, p. 607-609, 1998.
MYASHITA, M., KASAHARA, E., YASUDA, E.,
YAMAMOTO, A., SEKIZAWA, T. Root canal
system of the mandibular incisor. J. Endod., v. 23, p.
484-479, 1997.
OLIVEIRA, S.H.G. OLIVEIRA,, S. H. G. Luiz
César de MORAES, L. C., H., F. L., CAMARGO,
S. E.A., CAMARGO, C.H.R. In vitro incidence of
root canal bifurcation in mandibular incisor by
radiovisiography. J. Appl. Oral Sci., v. 17, n.3, p. 2349, 2009.
OLIVEIRA, S.H.G., LEITE, H.F., MADEIRA, M.C.
Estudo radiográfico da incidência de bifurcações do
canal radicular de incisivos inferiores. Rev. Odontol.
Unesp., v. 28, p. 73-405, 1999.
PRADO, R.G., CARVALHO, M.C.C., ZUOLO,
M.L. Localização de canais em incisivos inferiores
com uso de microscópio operatório. Rev. Assoc.
Paul. Cir. Dent., v. 64, nº 3, p. 222 -225, 2010.
74
Ciência e Cultura
CERVI et al
PÉCORA, D.J., SAVIOLI, R.N., MURGEL, C.A.F.
Estudo da incidência de dois canais nos incisivos
inferiores humanos. Rev. Bras. Odontol., v. 47, p.
07-44, 1990.
RAMACHANDRAN, S., UMA C.H., INDIRA, R.,
SHANCAR, P. Canal and isthmus morphology in
mandibular incisors – An in vitro study.
Endodontology, v.16, p. 7-11, 2004.
SOARES, R.G., IRALA, L.E.D., SALLES, A.A.,
LIMONG, O. Retratamento endodôntico de incisivo
central inferior com ilha de dentina e portador de
lesão periapical: relato de caso. Rev. Sul-brasileira
de Odontol., v. 2, p. 7-52, 2005.
TIKU, A.M., KALASKAR, R.R., DAMLE, S.G. An
unusual presentation of all the mandibular anterior
teeth with two root canals - A case report. J. Indian
Soc. Pedod. Prev. Dent., v. 23, p. 204-6, 2005.
YURI SK., PAUL, VA. Endodontic treatment of
mandibular incisors with two root canals: Report of
two cases. Aust. Endod., v. 33, p. 27–31, 2007.
WILLERSHAUSEN, B., KASAJ, A., ROHRIG, B.,
MARROQUIM, B.B. Radiographic Investigation of
Frequency and Location of Root Canal Curvatures
in Human Mandibular Anterior Incisors In Vitro. J.
Endod., v. 34, p. 152-156, 2008.
CIÊNCIA E CULTURA - Revista Científica Multidisciplinar do Centro Universitário da FEB
v. 7, nº 2, Novembro/2011 - ISSN 1980 - 0029
Presença de Pseudomonas aeruginosa multirresistente em fonte
ambiental hospitalar
Presence of multidrug-resistant Pseudomonas aeruginosa in hospital
environmental source
Cátia REZENDE*, Ana Paula MENON, Gabriela BAIDA, Juliana Eustachio ROSOLEM, Renata Camacho MIZIARA,
Simone Barone Salgado MARQUES.
Centro Universitário da Fundação Educacional de Barretos – UNIFEB, Curso de Farmácia, Av. Professor Roberto Frade
Monte 389, Aeroporto, CEP 14783-226, Barretos, SP.
RESUMO
A Pseudomonas aeruginosa pode ser isolada de águas, do solo, de plantas, de esgotos e de ambientes
úmidos, vivendo como saprófita. É um microrganismo que causa infecção em pacientes imunodebilitados. O
estudo objetivou avaliar o perfil de suscetibilidade aos antimicrobianos de amostras de Pseudomonas
aeruginosa isoladas da água utilizada na limpeza ambiental de diferentes setores de um hospital de um
município do interior paulista. As coletas foram realizadas em dias e horários aleatórios, em locais prédeterminados: sala de parto, unidade de terapia intensiva (UTI), quarto e pronto átendimento. Vinte amostras
da água de limpeza, de superfícies inanimadas de diferentes setores da Unidade Hospitalar, foram analisadas
quanto à presença de Pseudomonas aeruginosa. A contaminação foi detectada em 85 % das amostras,
sendo 3 amostras da sala de parto, 5 da UTI, 4 do quarto e 5 do pronto atendimento. Quanto a perfil de
suscetibilidade, houve um elevado índice de resistência aos antimicrobianos: cefoxitina, cefalotina, sulfazotrim
e amoxixilina/ ácido clavulânico. O presente estudo confirmou a importância de uma vigilância epidemiológica
hospitalar, na tentativa de controlar o surgimento e a disseminação de cepas multirresistentes, contribuindo
no prognóstico do paciente.
Palavras-Chave: Pseudomonas. Água. Hospital. Resistência.
ABSTRACT
Pseudomonas aeruginosa can be isolated from water, soil, plants, sewerage and humid environments,
living as saprophytic microorganism. It is an organism that causes infection in patients immunossupressed.
The study aimed to evaluate the profile of antibiotic susceptibility of Pseudomonas aeruginosa isolated
from samples of water used in cleaning the environment of different sectors of a hospital from thee São
Paulo state interior. Samples were collected on days and at random times and at pre-determined locals:
delivery room, intensive care unit (ICU), room and emergency care. Twenty samples of water for cleaning,
inanimate surfaces of different sectors of the Hospital Unit, were analyzed for the presence of Pseudomonas
aeruginosa. The contamination was detected in 85% of samples, three samples from the delivery room, 5
from the ICU, 4 from the room and 5 from the emergency care. With relation to the susceptibility profile,
there was a high level of resistance to cefoxitin, cephalothin, and to sulfazothrim amoxicillin/clavulanate.
This study confirmed the importance of hospital surveillance in an attempt to control the emergence and
spread of multiresistant strains contributing to patient prognosis.
Keywords: Pseudomonas, Water, Hospital, Resistance.
*Autor para correspondência:
Telefone: (17) 34216439
E-Mail: [email protected]
Recebido em: 13/03/2011
Aceito para publicação em: 23/05/2011
Ciência e Cultura
75
Presença de Pseudomonas aeruginosa multirresistente em fonte ambiental hospitalar
INTRODUÇÃO
A Pseudomonas aeruginosa pode ser
isolada de águas, do solo, de plantas, de esgotos e de
ambientes úmidos, vivendo como saprófita
(FERREIRA e SOUSA, 2000). As necessidades
nutricionais mínimas associadas à capacidade de
utilizar diversos compostos orgânicos fazem desta
bactéria ubíqua (ROSSOLINI e MANTENGOLI,
2005).
Na comunidade, a Pseudomonas
aeruginosa é inócua, sendo raramente um agente
patogênico. Entretanto, atualmente, é reconhecida
como um importante patógeno nosocomial podendo
ocasionar infecções graves com elevada letalidade
(SAFDAR et al., 2004; PELLEGRINO et al., 2007),
posicionando-se entre as principais bactérias,
juntamente com o Staphylococcus coagulase
negativo e o Staphylococcus aureus (SADER et
al., 2001).
Estudos sugerem que a Pseudomonas
aeruginosa é um patógeno comum em pacientes
críticos na Unidade de Terapia Intensiva, por
apresentarem elevado grau de imunodebilidade
(AKINCI et al., 2005). As principais topografias
envolvidas são: pneumonia, infecção do trato urinário,
bacteremia e infecção do sítio cirúrgico, com uma
alta taxa de mortalidade nesta população (MARTINS
et al., 2004).
A umidade é um fator crítico para
manutenção da P. aeruginosa em reservatórios
hospitalares, como: equipamentos de ventilação
mecânica, soluções de limpeza, desinfetantes, pias,
panos de chão. Relatos demonstraram que, em
situações epidêmicas de infecção por este patógeno
no ambiente hospitalar, os respiradores, os
umidificadores, os reservatórios de água, os alimentos,
a água de torneira, as medicações e a transmissão
cruzada através da mão são as principais fontes de
contaminação. Além disso, a colonização humana
inicial é efetiva em sítios úmidos como períneo, axilas
e ouvidos (MARTINS et al., 2004).
Relatos de redução da suscetibilidade da P.
aeruginosa aos antimicrobianos vêm sendo
publicados no Brasil e em outros países (ANDRADE
et al., 2003; BLOT et al., 2003; VAN, 2003),
geralmente em pacientes com maior tempo de
internação e uso prévio de antimicrobianos
(MCGOWAN, 2006).
A vigilância do perfil de sensibilidade de P.
aeruginosa é importante devido ao grande número
de casos de pacientes críticos que são submetidos à
terapia empírica e a elevada falha nesta, resultando
no aparecimento de microrganismo multirresistentes
76
Ciência e Cultura
REZENDE et al
(ROSSOLINI e MANTENGOLI, 2005).
Infelizmente, com o uso abusivo e
indiscriminado de antimicrobianos, a incidência de P.
aeruginosa multirresistente está aumentando e o
tratamento clínico destas infecções se torna um
desafio para equipe de saúde (LIMA, 2006).
Dentro deste contexto, o presente estudo
objetivou avaliar o perfil de suscetibilidade aos
antimicrobianos de amostras de Pseudomonas
aeruginosa isoladas da água utilizada na limpeza
ambiental de diferentes setores de um Hospital do
Interior de São Paulo.
MATERIAL E MÉTODOS
As coletas foram realizadas em dias e
horários aleatórios, em locais pré-determinados:
Sala de Parto (SP), Unidade de Terapia Intensiva
(UTI), Quarto (QT) e Pronto Atendimento (PA),
no período de Julhos a Setembro de 2010.
Os critérios de inclusão das amostras
foram: presença de desinfetante e ao menos uma
lavagem do pano utilizado para a limpeza de
superfícies inanimadas (chão). Coletaram-se 100
mL de amostra (água) em frascos estéreis
provenientes do Kit de análise de água
Pseudomonasbac (PROBAC®), contendo meio
seletivo para Pseudomonas. As amostras foram
transportadas imediatamente para o Laboratório de
Microbiologia do UNIFEB, sendo incubadas à 35º37ºC por 8-10 horas. Após este período, o frasco
contendo um laminocultivo, pertencente ao Kit, foi
acoplado, e realizado movimento de inversão para
inoculação da amostra. O frasco inferior juntamente
com o laminocultivo foi incubado à 35º-37ºC por 2448 horas.
A porção do laminocultivo apresentava dois
componentes: um meio de cultivo seletivo para
Pseudomonas aeruginosa, que inibe o crescimento
de enterobactérias (coliformes totais e fecais) e
bactérias Gram positivas, no qual as colônias são
esverdeadas a azuis esverdeadas na cavidade
redonda, e ágar acetamida para determinação da
utilização deste substrato como fonte de carbono,
produzindo uma coloração vermelha.
A identificação de Pseudomonas
aeruginosa foi confirmada pela presença de
crescimento cor azul/esverdeado e de coloração
avermelhada, no laminocultivo. As amostras que
obtiveram resultado negativo foram invertidas
novamente, incubadas por mais 24-48 horas e
reavaliadas.
Os testes de suscetibilidade aos
CIÊNCIA E CULTURA - Revista Científica Multidisciplinar do Centro Universitário da FEB
antimicrobianos foram desenvolvidos através da
técnica de difusão em disco. Para tanto, uma
suspensão em solução fisiológica comparada com 0,5
da escala MacFarland foi padronizada. Swab estéril
foi umedecido na suspensão e inoculado em três
sentidos (ângulo de 60°) em placa de ágar Mueller
Hinton (Himedia®). Em seguida, aplicaram-se os
discos de antimicrobianos para Gram negativos
(DME®): amicacina (AMI 30), amoxicilina/ ácido
clavulânico (AMC 30), ampicilina (AMP 10),
aztreonam (ATM30), cefalotina (CFL 30), cefepime
(CPM 30), cefoxitina (CFO 30), ceftadizima (CAZ
30), ceftriaxona (CRO 30), ciprofloxacina (CIP 05),
cloranfenicol (CLO30), gentamicina (GEN 10),
piperacilina/tazobactam (PIT 110), sulfazotrim (SUT
25) e tetraciclina (TET 30).
As placas foram incubadas, invertidas, a
35±1°C por 18-24 horas. Após este período, avaliou-
v. 7, nº 2, Novembro/2011 - ISSN 1980 - 0029
se a presença e a medida do diâmetro do halo de
inibição formado ao redor dos discos de
antimicrobianos. Os resultados foram comparados
com valores fornecidos pelo fabricante, sendo
intitulado: resistente, intermediário ou sensível. Os
antimicrobianos utilizados foram os padronizados pelo
CLSI (M100-S20/2010).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Vinte amostras da água de limpeza, de
superfícies inanimadas de diferentes setores da
Unidade Hospitalar de uma cidade do interior paulista,
foram analisadas quanto à presença de
Pseudomonas aeruginosa. A contaminação foi
detectada em 85% das amostras, sendo 3 amostras
da Sala de Parto, 5 da UTI, 4 do Quarto e 5 do Pronto
Atendimento (Tabela 1).
Tabela 1 – Correlação dos setores avaliados com positividade de amostras de Pseudomonas aeruginosa
A Pseudomonas aeruginosa é um
microrganismo que se desenvolve com facilidade em
materiais e equipamentos hospitalares, principalmente
em contato com componentes líquidos (SANTUCCI
et al., 2003).
Rezende et al. (2010) demonstraram 91,66%
de positividade para Pseudomonas aeruginosa em
amostras de água utilizadas na limpeza da sala de
curativos e de vacinação de Unidades Básicas de
Saúde. Este dado corrobora com nosso estudo que
apresentou índice de 85% de positividade para
Pseudomonas aeruginosa.
As amostras analisadas apresentaram 100%
de resistência ao antimicrobiano cefoxitina, seguido
de cefalotina (80%), sulfazotrim (75%) e amoxixilina/
ácido clavulânico (55%). Quanto à sensibilidade,
100% das amostras eram à piperacilina/tazobactam,
75% à ceftadizima, 70% à ciprofloxacina, 65% à
amicacina e 55% à gentamicina e à tetraciclina, cada
um. A resistência bacteriana aos antimicrobianos é
um fenômeno espontâneo que ocorre nos
microrganismos e considerada como sendo um
problema de saúde pública devido ao desafio do
tratamento de doenças infecciosas bacterianas, por
este motivo é preciso sempre à busca de novos
antimicrobianos (SILVA et al., 2007).
A UTI foi o setor que concentrou maior
número de amostras resistentes aos antimicrobianos
testados, seguido da Sala de Parto. Este dado é
preocupante, uma vez que neste local é freqüente a
presença de pacientes imunodebilitados ou submetidos
aos procedimentos invasivos (Gráfico 1).
Ciência e Cultura
77
Presença de Pseudomonas aeruginosa multirresistente em fonte ambiental hospitalar
REZENDE et al
Gráfico 1 - Correlação dos perfis de suscetibilidade aos antimicrobianos com as taxas de porcentagem
nos setores analisados.
Durante a análise do antibiograma de todas
as amostras em estudo, observou-se a presença de
colônias com crescimento no halo de inibição. Este
evento ocorreu em: amoxicilina/ácido clavulânico
(23,5%), ampicilina (5,9%), aztreonam (11,8%),
cefepime (11,8%), ceftadizima (17,6%), ceftriaxona
(17,6%), ciprofloxacina (11,8%), cloranfenicol
(11,8%), piperacilina/tazobactam (11,8%) e
tetraciclina (5,9%).
No Pronto Atendimento, 26,7% das
amostras analisadas, apresentaram colônias no halo
de inibição para os seguintes antimicrobianos:
amoxicilina/ ácido clavulânico, ampicilina, aztreonam,
cefepime, ceftadizima, ceftriaxona, ciprofloxacina e
cloranfenicol. Já, na UTI, houve o registro de 4%,
sendo estas colônias observadas em: amoxicilina/
ácido clavulânico, ceftriaxona e tetraciclina. Os
quartos apresentaram 3,3% de positividade, e as
colônias foram observadas em: ceftadizima e
piperacilina/tazobactam. Nas Salas de Parto, obtevese 2,2% de resultados positivos, com colônias no halo
de inibição na amoxicilina/ácido clavulânico.
Estudo semelhante foi realizado por Pietro
et al. (2005), que analisaram o perfil de suscetibilidade
de Pseudomonas aeruginosa em superfícies
inanimadas de consultório odontológico. Do total de
bacilos Gram-negativos isolados, 40,09% eram de P.
aeruginosa. Destas, 18,77% eram resistentes aos
antimicrobianos testados. Além disso, 62,82% dos
isolados demonstraram resistências aos
monobactâmicos, azactam, 39,10% à cefotaxima e
100% à cefazolina. Já, os antimicrobianos que
apresentaram elevada atividade contra P.
aeruginosa foram meropenem, imipenem,
78
Ciência e Cultura
ciprofloxacina, ticarcilina e mezlocilina.
Resende et al. (2009) detectaram 100% de
Pseudomonas aeruginosa resistentes à ampicilinasulbactam e intermediária à gentamicina, em efluentes
de esgoto de 10 hospitais e da estação de tratamento
de esgoto em Goiânia.
O aparecimento de amostras resistentes e
multirresistentes no ambiente hospitalar é um
problema de saúde pública em vista da gravidade
em que se enquadra (ORTEGA et al., 2004),
propiciando a transferência de genes em diferentes
cepas bacterianas. Sabe-se que o perfil de
suscetibilidade aos antimicrobianos, de amostras
ambientais e clínicas hospitalares, deve ser avaliado
e divulgado periodicamente, visto que é específico
para cada hospital. Esta medida contribui para inibir
padronizar protocolos de antibioticoterapia,
minimizando o desenvolvimento de novas cepas
resistentes e contribuindo com um melhor prognóstico
do paciente.
Todas as amostras analisadas apresentaram
multirresistências, definida por resistência de pelo
menos 3 antimicrobianos concomitantemente. Cinco
amostras do Pronto Atendimento positivas para
Pseudomonas aeruginosa demonstraram 5 tipos de
associações de antimicrobianos sendo: 3
antimicrobianos, 4 antimicrobianos, 5 antimicrobianos,
6 antimicrobianos e 10 antimicrobianos, 1 amostra
em cada um. Quatro amostras positivas isoladas no
Quarto apresentaram 3 associações, sendo: 2
amostras multirresistentes aos 6 antimicrobianos, 1
amostra multirresistente aos 7 antimicrobianos e 1
amostra multirresistente aos 8 antimicrobianos. Na
UTI, 5 amostras apresentaram multirresistência,
CIÊNCIA E CULTURA - Revista Científica Multidisciplinar do Centro Universitário da FEB
sendo: 2 amostras multirresistentes aos 13
antimicrobianos, 1 amostra multirresistente aos 6, 9
e 12 antimicrobianos, cada um com 1 amostra. Já,
na Sala de Parto, duas amostras foram
multirresistente aos 5 antimicrobianos e 1 amostra
aos 9 antimicrobianos.
Jung et al. (2004) demonstraram crescimento
de resistência aos antimicrobianos pela
Pseudomonas aeruginosa, maior que 20% nos
últimos 5 anos, com índices dramáticos contra
fluoroquinolonas, tobramicina e imipenem. Em 1998,
nenhum isolado foi considerado multirresistente.
Entretanto, em 2002, 32% foram considerados
multirresistentes.
Friedland et al. (2003) relataram que as
amostras de Pseudomonas aeruginosa isoladas em
hospitais nos EUA, no período de 1995 a 2000,
apresentaram sensibilidade ao antimicrobiano
amicacina. Entretanto, houve crescimento da
resistência marcante à ciprofloxacina.
Guerreiro et al. (2010) relataram níveis
crescentes de resistência de Pseudomonas spp.
hospitalar aos inúmeros antimicrobianos, com
exceção ao meropenenm, imipenem, cefepima e
piperacilina/tazobactam. Resultados semelhantes de
elevadas taxas de resistência aos antimicrobianos
foram relatados por Gale et al. (2002), em amostras
clínicas obtidas de pacientes hospiatalizados. Contra
os antimicrobianos testados, o meropenem, a
amicacina e a piperacilin/tazobactam apresentaram
índices de sensibilidade de 71,6%, 71% e 70,4%,
respectivamente. Além disso, encontraram 2,2% de
multirresistência à piperacilina, ceftazidina, imipenem
e gentamicina.
Andrade et al. (2003) analisaram 1894
amostras de P. aeruginosa isoladas de amostras
clínicas de pacientes, no ambiente hospitalar no
período de 1997 a 2001, relatando decréscimo no
perfil de suscetibilidade para os antimicrobianos βlactâmicos, aminoglicosídeos e fluoroquinolonas.
Brito et al. (2003) relataram surtos de P.
aeruginosa em uma Unidade de Terapia Intensiva
Neonatal em Uberlândia, Minas Gerais. Os isolados
de P. aeruginosa foram resistentes a ampicilina/
sulbactam, gentamicina e ciprofloxacina.
O estudo realizado por McGowan (2006)
relatou que dentre as amostras analisadas, as
resistências se concentraram nos antimicrobianos:
aztreonam e amicacina, o que não foi confirmado
neste estudo, que obteve maior índice em cefoxitina
e cefalotina.
A unidade de cuidados intensivos se constitui
no epicentro da infecção hospitalar por
microrganismos multirresistentes (JARWIS, 2000).
v. 7, nº 2, Novembro/2011 - ISSN 1980 - 0029
Tal dado se confirma no presente estudo, com
prevalência de 70,7% de resistência na UTI, o maior
índice entre todas as amostras analisadas. Além disso,
as amostras multirresistentes foram que
apresentaram maior número de antimicrobianos
associados. Vale ressaltar que em todas as amostras
utilizadas neste estudo foram detectadas
Pseudomonas aeruginosa multirresistentes. Esta
prevalência de multirresistência está acima da
apresentada por Pathmanathan et al. (2009), que
relataram 19,6% em isolados de P.aeruginosa num
hospital da Malásia.
Kiffer et al. (2005) mostraram em sua
pesquisa que a multirresistência das bactérias
analisadas apresentaram um número mínimo de
resistência a três antimicrobianos, neste trabalho a
multirresistência apresentou-se à pelo menos nove
antimicrobianos.
Fuentefrial et al. (2008) demonstraram
bactérias multirresistentes, com resistência
principalmente à gentamicina, à ciprofloxacina, à
ceftazidima, à piperacilina-tazobactam, à ticarcilinaácido clavulânico, ao imipenem e ao aztreonam.
Neste trabalho, as bactérias apresentaram
multirresistência à Cefoxitina, à Cefalotina, à
Ampicilina, ao Sulfazotrim, ao Cloranfenicol, à
Amoxicilina/ Ácido Clavulânico, à Ceftriaxona;
mostrando-se diferente ao citado anteriormente. O
fato das colônias com crescimento no halo de inibição
terem maior prevalência nas amostras do ProntoAtendimento, pode ser explicada por este local ter
grande fluxo de pessoas e consequentemente maior
troca de material genético entre diferentes cepas,
contribuindo no surgimento de cepas resistentes.
Na Unidade de Terapia Intensiva, a presença
dessas colônias, requer uma atenção especial, pois
na UTI se encontram pacientes imunodebilitados, e
assim, mais suscetíveis às infecções. O mesmo
ocorre na Sala de Parto, tanto para os recémnascidos, que ainda não possuem imunidade formada,
quanto para as mães que passam por um processo
cirúrgico.
CONCLUSÃO
O presente estudo confirmou a importância
de um controle epidemiológico no ambiente hospitalar,
que é um local que apresenta um fluxo muito grande
de pessoas, tanto pacientes como funcionários e
familiares, o que influencia a uma microbiota
transitória ambiental, propiciando o surgimento de
cepas multirresistentes em prejuízo a recuperação
dos pacientes.
Ciência e Cultura
79
Presença de Pseudomonas aeruginosa multirresistente em fonte ambiental hospitalar
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
AKINCI, E.; COLPAN, A.; BODUR, H.;
BALABAN, N.; ERBAY, A. Risk factors for ICUacquired imipenem-resistant Gram-negative bacterial
infections. J Hosp Infect. v. 59, n. 4, p. 317-23, 2005.
ANDRADE, S.S., JONES, R.N., GALES, A.C.
Increasing prevalence of antimicrobial resistance
among Pseudomonas aeruginosa isolates in Latin
American medical centers: 5 year report of the
SENTRY Antimicrobial Surveillance Program (19972001). J Antimicrob Chemother. v. 52, p. 140-141,
2003.
BLOT, S.; VANDEWOUDE, K.; HOSTE, E.;
COLARDYN, F. Reappraisal of attributable
mortality in critically ill patients with nosocomial
bacteraemia involving Pseudomonas aeruginosa.
J Hosp Infect. v. 53, n. 1, p.18-24, 2003.
BRITO, D.V.D.; OLIVEIRA, E.J.; DARINI,
A.L.C.; ABDALLAH, V.O.S.; GONTIJO-FILHO,
P.P. Nosocomial outbreaks due to Pseudomonas
aeruginosa and Acinetobacter baumannii in a
neonatal intensive care unit (NICU) of the Uberlândia
Federal University Hospital. Brazilian Journal of
Microbiology, v.34, p.27-28, 2003.
CLSI M100-S20. Clinical and Laboratory Standards
Institute. Performance Standards for Antimicrobial
Susceptibility Testing, v. 30, n.15, 2010.
FERREIRA, W.; SOUZA, J.C. Microbiologia. Lidel,
v.2, p. 123-135, 2000.
FRIEDLAND, I.; STINSON, L.; IKAIDDI, M.
Phenotypic antimicrobial resistance patterns in
Pseudomonas aeruginosa and Acinetobacter:
results of a Multicenter Intensive Care Unit
Surveillance, 1995-2000. Diagn Microbiol Infect Dis.,
v. 45, p. 245-250, 2003.
FUENTEFRIAL, D. B.; FERRERIRAL, A. E.;
GRÄF, T.; CORÇÃO, G. Pseudomonas
aeruginosa: disseminação de resistência
antimicrobiana em efluente hospitalar e água
superficial. Revista da Sociedade Brasileira de
Medicina Tropical., v.41, n.5, p. 470-473, 2008.
GALES, A.C.; SADER, H. H.S.; JONES, R.N.
Respiratory tract pathogens isolated from patients
hospitalized with suspected pneumonia in Latin
America: frequency of occurrence and antimicrobial
80
Ciência e Cultura
REZENDE et al
susceptibility profile: results from the SENTRY
Antimicrobial Surveillance Program (1997-2000).
Diagn Microbiol Infect Dis., v. 44, p. 301-311, 2002.
GUERREIRO,
R.B.;
SOUZA,
P.G.C.;
CARVALHO, R.F.; ARAÚJO-FILHO, I.;
AZEVEDO, I.M.; REGO, A.C.M.; CARVALHO,
M.D.F.C.; MEDEIROS, A.C. Antimicrobial
susceptibility among bacterial isolates from patients
of a tertiary-care university hospital from northeast
Brazil. J. Surg Cl Res, v.1, n.1, p.3-12, 2010.
JARWIS, W. R. Resistência antibiótica no ambiente
hospitalar: impacto, tendências e intervenções bem
sucedidas para sua prevenção e controle de surtos.
In: CONGRESSO INTERNACIONAL DE
CONTROLE DE INFECÇÕES HOSPITALARES;
2000; Belo Horizonte. Anais Belo Horizonte:
Disponível em: <http://www.ccih.med.br/
resistantantibiotica-1.html>
JUNG, R.; FISH, D.N.; OBRITSCH, M.D.;
MACLAREN, R. Surveillance of multi-drug resistant
Pseudomonas aeruginosa in an urban tertiary-care
teaching hospital. J Hosp Infect., v.57, n. 2, p. 105111, 2004.
KIFFER, C.; HSIUNG, A., OPLUSTIL, C.
Antimicrobial susceptibility of Gram-negative bacteria
in Brazilian hospitals: the MYSTYC Program Brazil
2003. Braz J Infect Dis., v. 9, p. 216-224, 2005.
LIMA, D. Pseudomonas aeruginosa resistente a
múltiplos antimicrobianos: avaliação do seu
mecanismo de disseminação na Unidade de
Emergência do HCFMRP-USP com base na análise
de fatores de risco dos pacientes e na genotipagem
das amostras. Ribeirão Preto, SP: Tese, Faculdade
de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de
São Paulo, 2006.
MARTINS, S. T.; MOREIRA, M.; FURTADO,
G.H.; MARINO, C.G.; MACHADO, F.R.; WEY,
S.B.; MEDEIROS, E.A. Application of control
measures for infections caused by multi-resistant
gram-negative bacteria in intensive care unit patients.
Mem. Inst. Oswaldo Cruz. p.334, 2004.
MCGOWAN, J.E. JR. Resistance in nonfermenting
gram-negative bac-teria: multidrug resistance to the
maximum. Am J Infect Control., v.34, n.1, p.29-37,
2006.
ORTEGA, B.; GROENEVELD, A.B.; SCHULTSZ,
CIÊNCIA E CULTURA - Revista Científica Multidisciplinar do Centro Universitário da FEB
C. Endemic multidrug-resistant Pseudomonas
aeruginosa in critically ill patients. Infect Control
Hosp Epidemiol., v.25, n. 10, p. 825-31, 2004.
PATHMANATHAN, S.G.; SAMAT, N.A.;
MOHAMED, R. Antimicrobial susceptibility of
clinical isolates of Pseudomonas aeruginosa from a
Malaysian Hospital. Malaysian Journal of Medical
Sciences, v.16, n.2, p.28-33, 2009.
PELLEGRINO, F.L.P.; TEIXEIRA, L.M.;
CARVALHO, M.G.S.; NOUÉR, S.A.; RAJA, N.S.;
SINGH, N.N. Antimicrobial susceptibility pattern of
clinical isolates of Pseudomonas aeruginosa in a
tertiary care hospital. J Microbiol Immunol Infect.,
v.40, p.45-49, 2007.
PIETRO, R.C.L.R.; KASHIMA, S.; ALMEIDA,
A.M.F.; SILVA, C.H.P.M.; ROCHA, L.B.;
PÁDUA, J.M.; LIA, R.C.C. Analysis of
susceptibility profile of Pseudomonas spp. and
prevalence of bacterial samples from the surfaces
of dental consulting-rooms. Rev Cienc Farm Básica
Apl., v.26, n.2, p.145-148, 2005.
RESENDE, A.C.B.; SANTOS, D.B.; CARMO,
J.R.F.; SOARES, R.B.A.; MONTALVÃO, E.R.
Detection of antimicrobial-resistant gram-negative
bacteria in hospital effluents and in the sewage
treatment station of Goiânia, Brazil. O Mundo da
Saúde, v.33, n.4, p.385-391, 2009.
REZENDE, C.; RIBEIRO, F.A.S.; CAVATÃO,
S.A.; SANTOS, V.L.F. Presença de Pseudomonas
spp. em fonte ambiental de unidades básicas de saúde.
Revista Enfermagem Brasil, v. 9 n. 5 p. 317-320,
2010.
v. 7, nº 2, Novembro/2011 - ISSN 1980 - 0029
ROSSOLINI, G.M.; MANTENGOLI, E. Treatment
and control of severe infections caused by
multiresistant Pseudomonas aeruginosa. Clinical
Microbiology and Infection, v.11, p.17-32, 2005.
SADER, H.; GALES, A.C.; PFALLER, M.A.;
MENDES, R.E.; ZOCCOLI, C.; BARTH, A.;
JONES, R.N. Pathogen Frequency and Resistance
in Brazilian Hospitals. Summary of Results from
Three Years of SENTRY Antimicrobial Surveillance
Program. BJID., v.5, p.200-214, 2001.
SAFDAR, N.; HANDELSMAN, J., MAKI, D.G.
Does combination antimicrobial therapy reduce
mortality in Gram-negative bacteraemia? A metaanalysis. Lancet Infect Dis., v.4, p.519-527, 2004.
SANTUCCI, S.G.; GOBARA, S.; SANTOS, C.R.;
FONTANA, C.; LEVIN, A.S. Infections in a burn
intensive care unit: experience of seven years. J Hosp
Infect., v. 53, n.1, p.6-13, 2003.
SILVA, J.G.; SOUZA, I.A.; HIGINO, J.S.;
SIQUEIRA, J.P.J.; PEREIRA, J.V.; PEREIRA,
M.S.V. Atividade antimicrobiana do extrato de
Anacardium occidentale Linn. em amostras
multiresistentes de Staphylococcus aureus. Revista
Brasileira de Farmacognosia., v.17, n.4, 2007.
VAN, E.J. Multicentre surveillance of Pseudomonas
aeruginosa susceptibility patterns in nosocomial
infections. J Antimicrob Chemother, v.51, p.347-352,
2003.
Ciência e Cultura
81
82
Ciência e Cultura
CIÊNCIA E CULTURA - Revista Científica Multidisciplinar do Centro Universitário da FEB
v. 7, nº 2, Novembro/2011 - ISSN 1980 - 0029
NORMAS PARA APRESENTAÇÃO DOS ORIGINAIS DE MANUSCRITOS
CIÊNCIA E CULTURA
Revista Multidisciplinar de Divulgação Científica do Centro Universitário da Fundação Educacional de Barretos
Finalidade
A Revista Ciência e Cultura é uma publicação multidisciplinar do Centro
Universitário da Fundação Educacional de Barretos. É editada semestralmente,
mas, em função do número de trabalhos submetidos e aprovados, podem ser
produzidos dois números no mesmo semestre. Destina-se à difusão dos
conhecimentos produzidos pelas pesquisas desenvolvidas na Instituição ou
fora dela, nas diferentes áreas do conhecimento. Poderão ser publicados trabalhos
originais, revisões de literatura, comunicações breves, relato de casos,
desenvolvimento de técnicas ou metodologias, em português ou inglês.
Exigências para apresentação dos manuscritos.
Os manuscritos deverão ser enviados para: [email protected] em 2 (dois) arquivos
sendo um no formato doc e outro no formato pdf, contendo inclusive as ilustrações.
O recebimento dos originais não implica na obrigatoriedade de publicá-los e
o(s) autor(es) devera(ão) manter em seu poder por segurança uma cópia do artigo.
O conteúdo do manuscrito deverá ser inédito ou parcialmente inédito e não ter
sido publicado ou enviado para publicação em outro periódico. Os autores
deverão enviar por fax ou por via eletrônica uma declaração assinada autorizando
a publicação do trabalho e transferindo os direitos autorais à Revista Ciência
e Cultura.
Todos os trabalhos que relatam experimentos realizados em seres vivos devem
vir acompanhados do certificado de aprovação do protocolo de pesquisa pelo
Comitê de Ética em Pesquisa da Instituição do autor ou da Instituição onde os
sujeitos da pesquisa foram recrutados, conforme Resolução vigente do Conselho
Nacional de Saúde do Ministério da Saúde. Os trabalhos financiados deverão
conter, em forma de agradecimento, o nome da agência financiadora e o número do
processo.
Preparação e Apresentação dos Manuscritos
O texto, incluindo resumo, “abstract”, tabelas, figuras e/ou gráficos e referências
deverá estar digitado no formato “Word for Windows”, fonte “Times New
Roman”, tamanho 12, espaçamento simples, margens laterais de 3 cm, superior e
inferior com 2,5 cm e papel tamanho A4. Todas as páginas deverão estar numeradas
a partir da página de identificação, num total de até 15 laudas, incluindo as
figuras, tabelas e referências. Os manuscritos deverão fazer menção a uma das
seguintes áreas de conhecimento de acordo com o seu enquadramento: Ciências
Agrárias, Ciências Biológicas, Ciências da Saúde, Ciências Exatas e da Terra,
Engenharias, Ciências Humanas, Ciências Sociais e Aplicadas e Lingüística,
Letras e Artes.
Página de Identificação
A página de identificação deverá conter as seguintes informações:
. título em português e inglês de forma clara e concisa;
. título resumido do trabalho para cabeçalho de página (máximo de 60 caracteres
incluindo espaços);
. nome por extenso dos autores, com destaque (letras maiúsculas e em negrito)
para o sobrenome. Utilizar sobrescrito numérico para identificar a instituição de
origem de cada autor.
. nomes das instituições com respectivos endereços e CEP. Iniciar cada nome da
instituição com o sobrescrito numérico estabelecido no item anterior;
. endereço de e-mail, telefone e fax do autor para correspondência;
. área de conhecimento do trabalho.
Resumo e “Abstract”
Os manuscritos deverão conter Resumo e “Abstract” precedendo o texto, com
o máximo de 250 palavras, em um só parágrafo. O resumo deve conter detalhes
suficientes para descrever a pesquisa contendo introdução, objetivo, material e
métodos, resultados e conclusões.
Palavras-Chave/Keywords
As Palavras-Chave e Keywords, em número de 3 a 6, que identificam o conteúdo
do artigo, deverão ser indicadas logo após o Resumo e o “Abstract”,
respectivamente.
Texto
O texto deverá apresentar os seguintes elementos: Introdução, Material e
Métodos, Resultados e Discussão, Conclusão e Referências Bibliográficas.
Introdução: deverá apresentar claramente o assunto e o objetivo do estudo,
citando somente a literatura relevante ao tema.
Material e Métodos: devem ser apresentados com detalhes suficientes para
confirmarem as observações, incluindo critérios para o controle das variáveis,
padronização do experimento, total das amostras e planejamento estatístico.
Resultados e Discussão: o relato dos resultados deve ser objetivo, seguindo a
ordem descrita no tópico material e métodos e apresentado em forma de texto,
tabelas e gráficos. Os resultados deverão ser discutidos em relação à achados
relevantes, em confronto com os da literatura. Limitações na metodologia deverão
ser indicadas, bem como, implicações em pesquisas futuras.
Conclusão: deverá ser clara, concisa e responder aos objetivos do estudo.
Agradecimento: este item é opcional e deverá ser reservado para citação de
instituições financiadoras e de apoio material ou de pessoas que prestaram ajuda
técnica.
Referências Bibliográficas: usar o sistema autor-data. Deverão estar de acordo
com as Normas da ABNT (NBR 6023). Referências a comunicação pessoal,
trabalhos em andamento e submetido à publicação não deverão constar da
listagem de referências. Quando essenciais essas citações deverão ser citadas no
rodapé da página do texto. A exatidão das referências constantes da listagem e a
correta citação no texto são de responsabilidade do(s) autor(es) do manuscrito.
Dar preferência às referências mais atualizadas e relevantes ao estudo.
Exemplos:
Livros e outras monografias
AUTOR. Título. Edição. Local: Editora, Data. Número de páginas.
BAILLEY, J. E.; OLLIS, D. F. Biochemical engineering fundamentals. 2 nd. ed.
Singapore: McGraw-Hill, 1986. 984 p.
Parte de livros:
AUTOR DO CAPÍTULO. Título do Capítulo. AUTOR DO LIVRO. Título do
Livro. Edição. Local: Editora, Data. Capítulo, página inícial-página final.
GUEDES PINTO, A. C.; CORREA, M. S. N. P. Manejo da criança no consultório.
In: GUEDES PINTO, A. C. Odontopediatria. 7. ed. São Paulo: Livraria Santos,
2003. cap. 14, p. 163-179.
Dissertações e teses
AUTOR. Título. Local: Tipo de trabalho, Instituição, Data.
BARATIERI, N. M. M. Avaliação do processamento radiográfico, utilizando
uma solução monobanho (experimental) comparada às soluções processadoras
convencional (Kodak) e rápida (Ray). Bauru, SP: Tese Doutorado em Diagnóstico
Bucal, Faculdade de Odontologia, Universidade de São Paulo, 1985.
Periódicos e Eventos
AUTOR. Título do trabalho. Título da publicação, Local de publicação. Volume,
fascículo ou número, paginação inicial-final, data.
GURGEL, C. Reforma do Estado e segurança pública. Política e Administração,
Rio de Janeiro, v. 3, n. 2, p. 15-21, 1997.
AUTOR. Título do trabalho apresentado seguido da expressão In: NOME DO
EVENTO, numeração do evento (se houver), ano, local (cidade). Título do
Documento (anais, resumo, atas)… Local: Editora, Data de publicação. Página
inicial e final da parte referenciada.
SOUZA, L. S.; BORGES, A. L.; RESENDE, J. O. Influência da correção e do
preparo do solo sobre algumas propriedades químicas do solo cultivado com
bananeiras. In: REUNIÃO BRASILEIRA DO SOLO E NUTRIÇÃO PLANTAS,
21., 1994, Petrolina. Anais…Petrolina: EMBRAPA, CPATSA, 1994. p. 3-4.
Documento em formato eletrônico
AUTOR. Título do trabalho. Título da publicação, Local de publicação. Volume,
fascículo ou número, paginação inicial-final, data. Descrição física do meio
eletrônico ou endereço eletrônico e data do acesso da obra on-line.
VIEIRA, C. L.; LOPES, M. A queda do cometa. Neo Interativa, Rio de Janeiro,
n. 2, p. 131-148, 1994. 1 CD ROM.
SILVA, M. L. L. Crimes da era digital. .Net, Rio de Janeiro, nov. 1998. Seção
Ponto de Vista. Disponível em: <http://www.brasilnet.com.br/contexts/
brasilrevistas.htm>. Acesso em: 28 nov. 1988.
Citações no texto
A citação de um autor no texto deverá ser feita pelo sobrenome em letra minúscula,
seguido do ano entre parênteses. No caso de apenas referenciar um trabalho,
colocar entre parênteses, o sobrenome do autor em letra maiúscula seguido do
ano da publicação. Se houver dois autores, ambos deverão ser citados e ligados
pela conjunção “e”. Mais de dois autores deverão ser indicados apenas pelo
sobrenome do primeiro seguido da expressão “et al”.
Exemplos:
. No Brasil, Tamaki et al. (1997) indicaram essa linha de pesquisa avaliando
fichas clínicas de pacientes desdentados totais.
. Apesar das aparências, a desconstrução do logocentrismo não é uma psicanálise
da filosofia (DERRIDA, 1967).
. Oliveira e Leonardo (1943) afirmam que a relação da série São Roque com os
granitos porfiróides pequenos é muito clara.
Tabelas e Quadros
Devem conter na parte superior legendas auto-explicativas e numeradas
consecutivamente com algarismos arábicos na ordem em que foram citadas no
texto. As notas explicativas deverão ser colocadas no rodapé. Se a tabela e o
quadro forem extraídos de outros trabalhos, deverá ser mencionada a fonte de
origem.
Figuras
As ilustrações (fotografias, desenhos, gráficos, mapas, etc.) são consideradas
figuras, que deverão ser limitadas ao mínimo indispensável e numeradas
consecutivamente com algarismos arábicos, na ordem em que foram citadas no
texto. Deverão ser suficientemente claras para permitirem a sua reprodução em
8,2 cm (largura da coluna do texto) ou 17,2 cm (largura da página) com resolução
mínima de 300dpi. Deverão ser apresentadas com suas respectivas legendas na
parte inferior e posicionadas no texto nos locais considerados mais apropriados
pelos autores. Não serão publicadas fotos coloridas, a não ser em casos de
absoluta necessidade e a critério da Comissão Editorial, sendo custeados pelos
autores. Se houver figuras extraídas de outros trabalhos, deverão ser mencionadas
as fontes de origem.
Abreviaturas, Siglas e Unidades de Medida
Para unidades de medida deverão ser utilizadas as unidades legais do Sistema
Internacional de Medidas. Nomes de medicamentos e materiais registrados, bem
como produtos comerciais, devem aparecer em notas de rodapé; o texto deverá
conter somente nomes genéricos.
Avaliação dos manuscritos originais pela Comissão Editorial
Os manuscritos encaminhados à Revista serão primeiramente analisados pelo
Comitê Editorial nos seus aspectos gerais e normativos. Havendo alguma
irregularidade, serão devolvidos aos autores para as devidas correções; não
havendo serão encaminhados a dois relatores membros do Conselho de Editores
ou Consultores Científicos “Ad hoc”, capacitados e especializados nas áreas
especificas do conteúdo do manuscrito, que após a avaliação irão decidir sobre
a sua aceitação. Os pareceres dos relatores serão encaminhados aos autores para
eventuais correções. Somente serão aceitos para publicação após um parecer
final favorável pelos relatores. Casos omissos nestas normas serão resolvidos
pelo Comitê Editorial.
Ciência e Cultura
83
84
Ciência e Cultura
Download

2 - Unifeb