A Liahona
A I G R E J A D E J E S U S C R I S T O D O S S A N T O S D O S Ú L T I M O S D I A S • J aneiro D E 2 0 0 9
O Profeta
Como Apóstolo,
p. 28
Venha Participar do
Instituto Conosco, p. 18
Ser Fiel: Tema da Mutual, p. 36
Ben Faz Compras no
Domingo? p. A14
adultos
A Liahona, Janeiro de 2009
Mensagem da Primeira Presidência
2Ergamos Nossa Voz de Advertência Presidente Henry B. Eyring
Mensagem das Professoras Visitantes
25Permanecer Firmes e Inamovíveis na Fé
Artigos
10Como Enriquecer Seu Estudo de Doutrina e
Convênios Presidência Geral da Escola Dominical
jovens
Artigos
8Descobrir Deus Mary Weenig
Fui até o Alasca para trabalhar e para encontrar
resposta a uma dúvida.
Quatro maneiras de aproveitar melhor seu estudo
de Doutrina e Convênios.
22O Conhecimento Mais Útil Élder Clayton M. Christensen
Jovens adultos contam como o instituto fortaleceu
seu testemunho e mudou sua vida.
36Exemplo dos Fiéis Presidência Geral dos Rapazes
18Nutrir a Alma por Meio do Instituto
26Fé para Cruzar o Rio Adam C. Olson
Num rio que transbordara, com água até o peito,
Rafael descobriu que aqueles que estão a serviço
do Senhor têm direito de receber Sua ajuda.
28Joseph Smith: Apóstolo de Jesus Cristo Élder Dennis B. Neuenschwander
Joseph Smith foi chamado por Deus como testemunha
apostólica da veracidade, Ressurreição e poder
redentor de Jesus Cristo.
Eu precisava desesperadamente saber que o Livro de
Mórmon era verdadeiro.
e Presidência Geral das Moças
Você pode fazer a diferença!
40Há Esperança no Haiti Richard M. Romney
Os adolescentes do Haiti estão desenvolvendo o
espírito missionário.
Seções
17Pôster: Deixa Chover
35Mensagens Instantâneas
Uma grande dádiva; um hino favorito.
Seções
14Mensagens de Doutrina e Convênios: Confiança
na Presença de Deus Élder Michael John U. Teh
O que podemos fazer para conquistar a
confiança de Deus?
44Vozes da Igreja
Conselho de mãe; uma bênção em família; paz proporcionada pela Expiação.
48Como Usar Esta Edição
Idéias para a noite familiar; tópicos
desta edição; e uma noite familiar
bem-sucedida.
Na capa
Primeira capa: Vi uma Luz, de Jon
McNaughton.
Última capa: O Martírio de Joseph e Hyrum,
de Gary Smith.
39Linha sobre Linha: I Timóteo 4:12
Explicação do tema da Mutual deste ano.
Janeiro 2009 Vol. 62 No. 1
A LIAHONA 04281 059
Publicação oficial em português d’A Igreja de Jesus Cristo dos
Santos dos Últimos Dias
A Primeira Presidência: Thomas S. Monson,
Henry B. Eyring, Dieter F. Uchtdorf
Quórum dos Doze Apóstolos: Boyd K. Packer, L. Tom Perry,
Russell M. Nelson, Dallin H. Oaks, M. Russell Ballard,
Joseph B. Wirthlin, Richard G. Scott, Robert D. Hales,
Jeffrey R. Holland, David A. Bednar, Quentin L. Cook,
D. Todd Christofferson
Editor: Spencer J. Condie
Consultores: Gary J. Coleman, Kenneth Johnson,
Yoshihiko Kikuchi, W. Douglas Shumway
Diretor Gerente: David L. Frischknecht
Diretor Editorial: Victor D. Cave
Editor Sênior: Larry Hiller
Diretor Gráfico: Allan R. Loyborg
Gerente Editorial: R. Val Johnson
Gerente Editorial Assistente: Jenifer L. Greenwood,
Adam C. Olson
Editores Associados: Ryan Carr
Editora Adjunta: Susan Barrett
Equipe Editorial: Christy Banz, David A. Edwards,
Matthew D. Flitton, LaRene Porter Gaunt, Carrie Kasten,
Jennifer Maddy, Melissa Merrill, Michael R. Morris, Sally J.
Odekirk, Judith M. Paller, Joshua J. Perkey, Chad E. Phares,
Jan Pinborough, Richard M. Romney, Don L. Searle, Janet
Thomas, Paul VanDenBerghe, Julie Wardell
Secretária Sênior: Laurel Teuscher
Gerente Gráfico da Revista: M. M. Kawasaki
Diretor de Arte: Scott Van Kampen
Gerente de Produção: Jane Ann Peters
Equipe de Diagramação e Produção: Cali R. Arroyo,
Collette Nebeker Aune, Howard G. Brown, Julie Burdett,
Thomas S. Child, Reginald J. Christensen, Kim Fenstermaker,
Kathleen Howard, Eric P. Johnsen, Denise Kirby, Scott M.
Mooy, Ginny J. Nilson
Pré-impressão: Jeff L. Martin
Diretor de Impressão: Craig K. Sedgwick
Diretor de Distribuição: Randy J. Benson
A Liahona:
Diretor Responsável: André B. Silveira
Produção Gráfica: Eleonora Bahia
Editor: Luiz Alberto A. Silva (Reg. 17.605)
Tradução: Edson Lopes
Assinaturas: Marco A. Vizaco
© 2009 Intellectual Reserve, Inc. Todos os direitos
reservados. Impresso nos Estados Unidos da América.
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no site www.lds.org. Para vê-la em inglês, clique em “Gospel
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DE CENSURA DE DIVERSÕES PÚBLICAS, do D.P.F., sob
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Dias, Distribuição Européia Ltda., Serviços de Atendimento da
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January 2009 Vol. 62 Nº 1. A LIAHONA (USPS 311-480)
Portuguese (ISSN 1044-3347) is published monthly by The
Church of Jesus Christ of Latter-day Saints, 50 East North
Temple, Salt Lake City, UT 84150. USA subscription price
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crianças
Vinde ao Profeta Escutar
A2Como Nos Tornar Semelhantes a Jesus Cristo O Amigo
Presidente Dieter F. Uchtdorf
Artigos
A8O Show de Talentos Alison Palmer
A14A Semana de Ben Lana Krumweide
Seções
Capa de O Amigo
Ilustração: Steve Kropp.
A4Tempo de Compartilhar: Tenho um Pai Celestial
Que Me Ama Cheryl Esplin
A6Da Vida do Profeta
Joseph Smith: A Publicação
do Livro de Mórmon
A10Fazendo Amigos: Com
Todo o Coração Richard M. Romney
A13Página para Colorir:
Veja se consegue
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nesta edição.
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comentários
Senti-me “Em Casa” em Meu Novo
Ramo
Comecei recentemente a trabalhar em
Bengaluru, Índia, que fica bem longe da
cidade em que nasci, Chennai. Gostei
muito do meu novo emprego, mas
tive um sentimento muito diferente ao
freqüentar um novo ramo. Senti-me um
estranho e tinha saudades de meu antigo
ramo. Foi então que li o artigo “Sentir-se
‘Em Casa’ em Qualquer Ala”, na ­Liahona
de janeiro de 2008. Senti-me consolado
e comecei a apresentar-me para vários
membros. Recebi um chamado e fiz
novos amigos. O mais importante é que
compreendi melhor por que vou à Igreja.
Agora procuro pessoas novas e busco
ajudá-las. Obrigado pelo artigo.
Joseph Isaac, Índia
A L­ iahona Ajuda-me a Pregar o
Evangelho
Sempre posso levar a L­ iahona
comigo. Por isso, consegui muitas referências para os missionários. Quando
tenho que esperar para ser atendida no
hospital, eu a leio, e as pessoas ficam
curiosas, então, aproveito a oportunidade
para conversar com elas sobre o evangelho de Jesus Cristo e o plano de salvação
que Deus nos ensinou. O fato de eu
levar comigo a L­ iahona para toda parte
me ajudou a conversar com as pessoas a
respeito de Jesus Cristo e a ensinar-lhes o
evangelho.
Margarita Herrera de Bello, México
M e n s a g e m
d a
P r i m e i r a
P r e s i d ê n c i a
Ergamos Nossa
Voz de Advertência
Presidente Henry B. Eyring
Primeiro Conselheiro na Primeira Presidência
Ilustrações fotográficas: David Stoker
P
or ser bondoso, o Senhor chama
servos para advertir as pessoas de
perigos. Esse chamado é ainda mais
importante e mais difícil porque as advertências mais valiosas são as que se referem a
perigos que as pessoas não consideram reais.
Pensem em Jonas. A princípio, ele fugiu do
chamado do Senhor de advertir o povo de
Nínive, que estava cego ao perigo por causa
do pecado. Ele sabia que aquele povo iníquo
havia rejeitado os profetas no passado, chegando muitas vezes a matá-los. Mas quando
Jonas agiu com fé, o Senhor o abençoou com
segurança e sucesso.
Também podemos aprender com nossas
experiências pessoais, como pais e como
filhos. Os que são pais já sentiram a ansiedade de pressentir um perigo que nossos
filhos não conseguiam ver. Poucas orações
são tão fervorosas quanto as que são feitas
por pais que desejam saber como tocar o
coração de um filho para afastá-lo do perigo.
A maioria de nós já sentiu a bênção de ouvir
e seguir a voz de admoestação de um pai
ou mãe.
Ainda me lembro do modo terno com
que minha mãe falou comigo, numa tarde de
sábado, quando eu era menino, depois de eu
ter-lhe pedido permissão para fazer algo que
achava ser perfeitamente razoável, mas que
ela sabia ser perigoso. Ainda me admiro com
a capacidade que lhe foi concedida, creio
que pelo Senhor, de conseguir dissuadir-me
com tão poucas palavras. Pelo que me lembro, ela disse: “Oh, acho que você poderia
fazer isso. Mas a escolha é sua.” A única
advertência estava na ênfase que ela colocou
nas palavras poderia e escolha. Mas aquilo
foi o suficiente para mim.
A capacidade que ela teve de advertir-me
com tão poucas palavras era decorrente de
três coisas que eu sabia a respeito dela. Primeiro, eu sabia que ela me amava. Segundo,
eu sabia que ela havia enfrentado situações
semelhantes e tinha sido abençoada por fazer
as escolhas corretas. E terceiro, ela me transmitira seu firme testemunho de que a escolha
que eu teria de fazer era tão importante que
o Senhor me diria o que fazer se eu perguntasse a Ele. Amor, exemplo e testemunho:
essas foram as chaves do sucesso naquele
dia, e continuaram sendo sempre que tive a
bênção de ouvir e seguir a advertência
de um servo do Senhor.
Nossa capacidade de tocar o coração das
pessoas com nossa voz de advertência tem
grande importância para todos os que são
discípulos de Jesus Cristo por convênio. Eis o
encargo dado a cada um dos membros de A
Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias: “Eis que vos enviei para testificar
e advertir o povo, e todo aquele que for
As palavras do
Senhor são verdadeiras para os missionários e para todos nós:
“E agora, se vossa
alegria é grande com
uma só alma que
tiverdes trazido a
mim no reino de meu
Pai, quão grande
será vossa alegria se
me trouxerdes muitas
almas!”
A Liahona JANEIRO DE 2009
3
Q
uando
convidar as
pessoas para
que decidam ser
ensinadas pelos
missionários, você
poderá prestar
testemunho de que
eles vão ensinar a
verdade e que
oferecem as escolhas
que conduzem à
felicidade.
4
advertido deverá advertir seu próximo”
(D&C 88:81).
Nosso Dever de Advertir
O dever de advertir o próximo foi dado
a todos os que aceitaram o convênio do
batismo. Temos que falar do evangelho a
nossos amigos e parentes não-membros.
Nosso propósito é convidá-los a ser ensinados pelos missionários de tempo integral,
que foram chamados e designados para
ensinar. Quando uma pessoa decide aceitar
nosso convite de ser ensinada, uma “referência” muito promissora é criada, com uma
probabilidade bem maior de que entre nas
águas do batismo e permaneça fiel.
Você, que é membro da Igreja, pode esperar que os missionários de tempo integral, ou
os missionários de ala ou ramo, peçam-lhe
uma oportunidade de ajudá-lo a fazer uma
lista de pessoas a quem você poderia levar
o evangelho. Os missionários podem sugerir que você pense em parentes, vizinhos e
conhecidos. Podem pedir que você estabeleça uma data até a qual irá tentar preparar
a pessoa ou família para ser ensinada pelos
missionários. Já tive essa experiência. Como
nossa família aceitou esse convite dos missionários, tive a bênção de realizar o batismo de
uma viúva de 80 anos, que foi ensinada pelas
missionárias.
Quando coloquei as mãos sobre a cabeça
dela para confirmá-la membro da Igreja, fui
inspirado a dizer que sua decisão de ser batizada abençoaria muitas gerações da família
dela, tanto anteriores quanto posteriores.
Mesmo depois que ela faleceu, pude ir ao
templo com o filho dela, que foi selado a ela.
Vocês podem ter esse tipo de experiência
com as pessoas que convidarem para ser
ensinadas, e sentirão que poucos momentos
da vida são mais doces do que esses. Estas
palavras do Senhor são verdadeiras para os
missionários e para todos nós: “E agora, se
vossa alegria é grande com uma só alma que
tiverdes trazido a mim no reino de meu Pai,
quão grande será vossa alegria se me trouxerdes muitas almas!” (D&C 18:16).
Os missionários vão ajudar-nos e incentivar-nos, mas a freqüência com que acontecerão esses momentos na pia batismal e no
templo dependerá muito de como encaramos
nosso encargo e o que decidiremos fazer a
respeito dele. O Senhor não usaria a palavra
advertir se não houvesse perigo. Mas poucas
pessoas se dão conta dele. Elas aprenderam
a ignorar as crescentes evidências de que a
sociedade está desmoronando e que sua vida
e sua família carecem da paz que costumavam considerar possível. Essa predisposição
de ignorar os sinais de perigo pode fazer
com que pensemos: “Por que devo falar
do evangelho a alguém que parece estar
satisfeito com a vida? Que perigo pode haver
para eles ou para mim, se eu não fizer nem
disser nada?”
Talvez seja difícil ver os perigos, mas eles
são reais, tanto para eles quanto para nós.
Para exemplificar, em algum momento no
mundo vindouro, todos aqueles que você
conheceu nesta vida saberão o que você
sabe agora. Eles saberão que a única maneira
de viver para sempre em família e na presença de nosso Pai Celestial e Seu Filho,
Jesus Cristo, é decidir entrar pela porta do
batismo realizado por alguém que tenha
autoridade de Deus. Saberão que a única
maneira de a família se tornar eterna é aceitar
e guardar os convênios sagrados realizados
nos templos de Deus nesta Terra. Eles saberão que você sabia disso. E vão-se lembrar se
você ofereceu a eles aquilo que alguém certa
vez ofereceu a você.
É muito fácil dizer: “Não é o momento
certo”. Mas há perigo na procrastinação. Há
muitos anos, trabalhei para um homem na
Califórnia. Ele me contratou, foi bondoso
comigo e parecia realmente ter grande
consideração por mim. Eu era provavelmente o único santo dos últimos dias que
ele conheceu bem. Não sei por que motivo decidi esperar
que surgisse um momento melhor para falar do evangelho
a ele. Depois que ele se aposentou foi morar em outro
lugar. Lembro apenas o sentimento de pesar que tive
quando fiquei sabendo que ele e a esposa haviam morrido
em um acidente de carro quando voltavam para casa, à
noite, em Carmel, Califórnia. Ele amava a esposa. Amava
os filhos. Amava os pais. Amava os netos e amaria os filhos
deles e gostaria de estar com eles para sempre.
Agora, não sei como tudo isso vai ser resolvido no
mundo futuro, mas acho que quando nos encontrarmos
ele vai olhar bem dentro dos meus olhos, e eu verei em
seu olhar a pergunta: “Hal, você sabia. Por que não me
disse?”
Quando eu penso nele, na viúva que eu batizei e na
família dela que agora está selada a ela, sinto o desejo de
me esforçar mais. Quero aumentar minha capacidade de
convidar as pessoas para serem ensinadas. Tendo esse
desejo e exercendo fé que o Senhor vai-nos ajudar, vamos
ter mais sucesso.
O Amor Vem em Primeiro Lugar
O amor sempre vem em primeiro lugar. Um único gesto
de bondade geralmente não será suficiente. O Senhor
descreveu o amor que precisamos sentir, o mesmo que as
pessoas que convidarmos precisam reconhecer em nós, ao
dizer: “O amor é sofredor” e também “tudo sofre, tudo crê,
tudo espera, tudo suporta” (I Coríntios 13:4, 7).
Eu testemunhei o que significa ser “sofredor” e “tudo
suportar”. Uma família havia-se mudado para uma casa
perto da nossa. A casa era nova, por isso participei do
grupo de santos dos últimos dias que passou várias noites
arrumando o jardim deles. Lembro-me da última noite. Eu
estava ao lado do chefe da família, quando terminamos o
trabalho. Ele olhou para nosso trabalho e disse: “Essa foi
a terceira vez que vocês, mórmons, arrumaram o jardim
para nós, e acho que foi a melhor de todas”. Depois, ele
me disse brandamente, mas com firmeza, que tinha muita
satisfação em ser membro de sua própria igreja. Conversamos várias vezes sobre isso, durante os anos em que eles
moraram ali.
Durante todo aquele tempo, nunca deixou de haver
gestos de bondade realizados para ele e sua família,
porque os vizinhos realmente passaram a amá-los. Certa
noite, voltei para casa e vi um caminhão parado na calçada, diante da casa deles. Fiquei sabendo que eles iriam
mudar-se para outro estado. Fui falar com eles para ver
se poderia ajudar. Não reconheci o homem que estava
colocando os móveis dentro do caminhão. Ele disse serenamente quando me aproximei: Oi, irmão Eyring”. Aquele
era o filho de nossos vizinhos que, nessa época, já estava
homem feito, havia-se casado e não morava mais ali com
os pais, por isso não o reconheci! Graças ao amor que
muitos lhe dedicaram, ele havia-se batizado, havia-se tornado membro da Igreja. Não sei o final da história, porque
ela não tem fim. Mas sei que ela começou com amor.
A Liahona JANEIRO DE 2009
5
Segundo, precisamos ser melhores exemplos naquilo
que convidamos as pessoas a fazer. Num mundo cada vez
mais tenebroso, este mandamento do Salvador se torna
cada vez mais importante: “Assim resplandeça a vossa luz
diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e
glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus” (Mateus 5:16).
A maioria de nós é muito modesta, de modo que
achamos que nossa pequena chama de exemplo é fraca
demais para ser percebida. Mas você e sua família são
muito mais observados do que imaginam. Há algum
tempo, tive a oportunidade de participar e discursar em
uma série de reuniões com quase 300 ministros e líderes
de outras igrejas. Falei individualmente com todos aqueles
com quem consegui conversar. Perguntei por que haviam
prestado tanta atenção na minha mensagem, na qual narrei a história da origem da Igreja e falei da Primeira Visão
do jovem Joseph Smith e dos profetas vivos. Todos me
deram basicamente a mesma resposta. Referiram-se a uma
pessoa ou família, membros da Igreja que eles conheciam. Ouvi muitos dizerem: “Foi a melhor família que já
conheci”. Freqüentemente, ouvi comentários sobre algum
trabalho comunitário ou socorro a catástrofe em que os
membros da Igreja trabalharam de modo extraordinário.
As pessoas que conheci naquelas reuniões ainda não
conseguiam reconhecer a veracidade da doutrina, mas
tinham visto seus frutos na vida dos membros, por isso
estavam dispostas a escutar. Estavam prontas a ouvir as
verdades da Restauração que afirmam que as famílias
podem ser seladas para sempre e o evangelho pode
mudar nossa própria natureza. Estavam prontas, graças ao
exemplo que vocês deram.
A terceira coisa na qual precisamos melhorar é convidar com um testemunho. O amor e o exemplo vão abrir
o caminho, mas ainda temos que abrir a boca e prestar
testemunho. Somos auxiliados pelo simples fato de que a
verdade e o arbítrio estão inseparavelmente relacionados
entre si. Existem escolhas que todos os filhos de nosso Pai
Celestial precisam fazer a fim de se qualificarem para um
testemunho das verdades espirituais. Assim que conhecemos uma verdade espiritual, precisamos decidir se vamos
moldar nossa vida de acordo com ela. Quando prestamos testemunho da verdade a nossos entes queridos ou
amigos, precisamos dizer a eles quais são as escolhas que
terão de fazer, assim que souberem a verdade por si mesmos. Existem dois exemplos importantes: convidar alguém
a ler o Livro de Mórmon e convidar alguém a concordar
em ser ensinado pelos missionários.
Para saber se o Livro de Mórmon é verdadeiro precisamos lê-lo e tomar a decisão de fazer o que está escrito
em Morôni: orar para saber se é verdadeiro (ver Morôni
10:3–5). Quando fizermos isso, poderemos testificar por
experiência própria a nossos amigos, de modo que eles
possam tomar essa decisão e conhecer essa mesma verdade. Assim que souberem que o Livro de Mórmon é a
palavra de Deus, terão outra decisão a tomar: se aceitam
ou não o convite de ser ensinados pelos missionários. Para
fazer esse convite com testemunho, você precisa saber
que os missionários são servos chamados por Deus.
I d é i a s p a r a o s M e s t r e s F am i l i a r e s
D
epois de estudá-la em espírito de oração, dê esta mensagem
utilizando um método que incentive a participação daqueles
a quem for ensinar. Seguem-se alguns exemplos:
1. Faça três chaves de papel, escrevendo nelas as palavras:
“Amor”, “Exemplo” e “Testemunho”. Conte a história da mãe
do Presidente Eyring. Mostre as chaves e pergunte à família
como essas chaves funcionaram na história. Usando exemplos
do artigo, explique a importância de advertir o próximo. Peça à
família que comente sobre como as três chaves podem ajudarnos a advertir nosso próximo. Termine lendo o testemunho do
6
Presidente Eyring, no último parágrafo.
2. Você pode levar alguns doces ou biscoitos para a
família que for visitar. Coloque-os num lugar em que todos
possam vê-los, mas não os ofereça à família. Conte a história
do homem para quem o Presidente Eyring trabalhou na
Califórnia. Troque idéias a respeito de como o Presidente
Eyring se sentiu ao saber do falecimento dele. Pergunte à
família como eles se sentiriam se você não dividisse os doces
com eles. Troque idéias a respeito de como podemos levar o
evangelho a outras pessoas.
Você pode adquirir esse testemunho
convidando os missionários a sua casa para
ensinar sua família ou amigos. Os missionários aceitarão esse convite de boa vontade.
Quando você estiver ensinando com eles,
como eu estive, saberá que eles são inspirados com uma capacidade que está bem
além da idade e da escolaridade deles. Então,
quando convidar outras pessoas para serem
ensinadas pelos missionários, você poderá
prestar testemunho de que eles ensinam a
verdade e oferecem as escolhas que nos conduzem à felicidade.
Detalhe de Ele Ressuscitou, de Del Parson
Uma Certeza
Talvez alguns achem difícil acreditar que
possamos amar o bastante ou que nossa vida
seja boa o suficiente ou que tenhamos capacidade de testificar de modo que o convite
que fizermos seja aceito. Mas o Senhor sabia
que iríamos nos sentir assim. Ouçam Suas
palavras de encorajamento, que Ele ordenou
que fossem colocadas no início de Doutrina
e Convênios, quando nos deu este encargo:
“E a voz de advertência irá a todos os povos
pela boca de meus discípulos, que escolhi
nestes últimos dias” (D&C 1:4).
E ouçam Sua descrição das qualificações
desses discípulos, ou seja, nós: “As coisas fracas do mundo virão e abaterão as poderosas
e fortes” (D&C 1:19).
E depois: “Para que a plenitude do meu
evangelho seja proclamada pelos fracos e
pelos simples aos confins da Terra” (D&C 1:23).
E novamente: “E se [forem] humildes, [sejam]
fortalecidos e abençoados do alto” (D&C 1:28).
Essa certeza foi dada aos primeiros missionários da Igreja e aos missionários de hoje.
Mas foi dada a todos nós também. Precisamos acreditar com fé que podemos amar o
suficiente e que o evangelho já influenciou o
suficiente a nossa vida para que nosso convite seja ouvido como se viesse do próprio
Mestre, que foi quem fez o convite.
Ele deu-nos o exemplo perfeito do que
precisamos fazer. Você sentiu Seu
amor e carinho, mesmo quando
não quis aceitar, assim como
aqueles que você convidar para
conhecer o evangelho podem não
aceitar seu convite. Ele o convidou
muitas e muitas vezes para ser
ensinado por Seus servos. Você
pode não se ter dado conta disso
nas visitas dos mestres familiares,
professoras visitantes ou no telefonema do bispo, mas esses foram
convites Dele para que você fosse
ajudado e ensinado. O Senhor
sempre deixou bem claro quais
seriam as conseqüências, mas permitiu que escolhêssemos por nós mesmos.
O que Leí, um servo do Senhor, ensinou
a seus filhos sempre será verdade para todos
nós: “E agora, meus filhos, gostaria que confiásseis no grande Mediador e désseis ouvidos
a seus grandes mandamentos; e que fôsseis
fiéis a suas palavras e escolhêsseis a vida
eterna, conforme a vontade do seu Santo
Espírito” (2 Néfi 2:28).
E depois, recebemos de Jacó este incentivo para cumprir nossa obrigação de
testificar. A decisão de ser ensinado pelos
missionários é a decisão de entrar no caminho que conduz à vida eterna, a maior de
todas as dádivas de Deus: “Animai-vos,
portanto, e lembrai-vos de que sois livres
para agir por vós mesmos—para escolher o
caminho da morte eterna ou o caminho da
vida eterna” (2 Néfi 10:23).
Testifico que somente aceitando e vivendo
o evangelho restaurado de Jesus Cristo
teremos a paz que o Senhor prometeu nesta
vida e a esperança de vida eterna no mundo
futuro. Testifico que recebemos o privilégio e
a obrigação de apresentar aos filhos de nosso
Pai Celestial, que são nossos irmãos e irmãs,
a verdade e as escolhas que conduzem a
essas bênçãos. Jesus é o Cristo, Ele vive, esta
é a Sua obra. ◼
P
recisamos ter
fé que conseguiremos
amar o suficiente e
que o evangelho já
tocou nossa vida a
ponto de que nosso
convite seja ouvido
como se viesse do
Mestre, que foi quem
fez o convite.
A Liahona JANEIRO DE 2009
7
Descobrir Deus
Mary Weenig
Ilustração: Julie Rogers
Q
uando eu estava com quase 18 anos, viajei de
avião até uma pequena cidade chamada Soldotna, Alasca, para trabalhar durante o verão.
Aquela foi a primeira vez que morei longe da família.
Meus pais tinham combinado com seus bons amigos, a
família Wright, donos da mercearia local, que eu iria trabalhar para eles e morar em sua casa. Eu esperava
conseguir juntar dinheiro suficiente para pagar a faculdade. Também esperava voltar para casa com a resposta
a uma pergunta que não me saía da mente: existe mesmo
um Deus?
Eu precisava encontrar uma resposta por mim mesma.
Por isso, resolvi orar todas as noites e perguntar a Deus
se Ele era real. De certa forma, eu sentia que, se Deus
existisse, Ele responderia a minhas orações. Se eu não
recebesse resposta, então saberia que Ele não existia. Era
bem simples, pensei eu.
Na casa da família Wright, dividi o quarto com a filha
deles, Lisa. Ela estudava na Universidade Brigham Young e
havia voltado para casa, a fim de passar o verão, e trabalhava na mercearia comigo. Senti muita admiração por
Lisa desde o primeiro instante. Ela era bonita, inteligente,
confiante e entusiasmada com a vida. Naquele verão, passamos quase todos os momentos juntas.
Eu adorava ouvir Lisa me contar a respeito da vida na
faculdade. A vida dela parecia muito divertida e independente. Lisa estava com a vida organizada e equilibrada,
com as prioridades certas bem estabelecidas.
Minha admiração por ela aumentou ao vê-la lendo as
escrituras diariamente e orando todas as manhãs e noites.
Eu queria perguntar a Lisa como ela havia adquirido sua
fé em Deus, mas tinha vergonha da minha falta de fé.
Lembro-me de ficar na cama, imaginando o que ela conversava com Deus em suas orações.
Todas as noites, eu me ajoelhava ao lado da cama e
fazia uma oração bem rápida, perguntando a Deus se
Ele existia. Mas ainda não sentira nada de especial ou
espiritual. Não ouvira uma voz. Sentia-me a mesma, antes
e depois das orações. Aquela rotina noturna prosseguiu
por dois meses. Desanimada, senti que minhas dúvidas a
respeito de Deus iam aumentando.
Certa noite, quando estava sentindo muita saudade
de casa, meus olhos se encheram de lágrimas. Eu queria
desesperadamente estar perto da minha família e de meus
amigos, num ambiente conhecido. Ansiando por conversar
com alguém que me conhecesse e amasse, ajoelhei-me
em oração. “Deus, eu realmente preciso de Ti neste exato
momento”, comecei a dizer. Nos minutos que se seguiram,
disse tudo o que sentia a meu Pai Celestial. Contei-Lhe
tudo. Conversei com Ele como se acreditasse que Ele
estava me ouvindo.
Senti um calor me envolver. Comecei a me sentir como
se o Pai Celestial tivesse descido e me envolvido em Seus
braços. Já não estava mais sozinha. Sentia-me envolvida
por um sentimento de paz e amor. Eu sabia que Deus
existia.
Fiquei-me perguntando por que levara mais de dois
meses para receber uma resposta a minhas orações.
Encontrei a resposta em Jeremias 29:13: “E buscar-me-eis,
e me achareis, quando me buscardes com todo o vosso
coração”.
Finalmente eu havia recebido uma resposta a minha
oração, depois de ter buscado com todo o coração. Depositei minha fé na existência de Deus. Busquei bem alto no
céu, com minhas palavras e lágrimas.
Minha vida mudou por causa daquela noite. Servi em
uma missão e casei-me no templo. Minha fé na existência
de Deus continua crescendo.
Penso muito naquele verão no Alasca. Sem o exemplo
de Lisa, talvez eu não tivesse perseverado na oração ao
longo daqueles meses. Eu podia ter desistido e jamais ter
descoberto o amor do meu Pai Celestial. Sempre serei
grata a Lisa por seu exemplo. Ela me ajudou a conhecer
Deus e sentir o amor que Ele tem por mim. ◼
A Liahona JANEIRO DE 2009
9
Como Enriquecer Seu
Estudo de Doutrina
e Convênios
Ler Doutrina e Convênios de
Capa a Capa.
A. Roger Merrill (centro), presidente; Daniel K Judd (à esquerda), primeiro
conselheiro; e William D. Oswald, segundo conselheiro.
Este ano, cada um de nós terá a maravilhosa oportunidade
de receber grandes bênçãos por meio do estudo de Doutrina e
Convênios, um maravilhoso livro de revelações que foi escrito
em nossos dias para nossos dias.
P r e s i d ê n c i a G e r a l d a E s c o l a Dom i n i c a l
Ilustrações fotográficas: Craig Dimond
M
uitas vezes chamado de
manual da Restauração
escrito pelo Senhor, Doutrina e Convênios contém “a voz
terna, porém firme, do Senhor Jesus
Cristo falando novamente, na dispensação da plenitude dos tempos”. 1
Muitos membros já aprenderam a
ter um grande amor por esse livro.
Uma irmã disse: “As revelações específicas para certas pessoas, em Doutrina
e Convênios, são muito úteis. Sinto
que posso me identificar com elas”.
Outra pessoa comentou: “Doutrina e
Convênios me ajuda a aplicar o que
leio às situações que estou enfrentando porque não é um livro tão
antigo”. Um irmão disse: “Gosto de
Doutrina e Convênios porque ele me
ajuda a compreender o sacerdócio”.
Testificamos que Doutrina e Convênios é realmente a voz do Senhor
para nossa época, para cada filho de
Deus, e que aqueles que estudarem
esse livro receberão grandes bênçãos.
Também deixamos quatro sugestões
para tornar seu estudo deste ano
mais satisfatório e sugerimos algumas
maneiras pelas quais a Escola Dominical pode ajudar.
O Guia de Estudo do Aluno de
Doutrina e Convênios e História
da Igreja incentiva os alunos a “ler
Doutrina e Convênios do princípio
ao fim” 2 durante o ano de 2009 e
completar as designações de leitura
de cada domingo, que estão relacionadas por tópico.
Esse modo de estudo nos ajuda a
compreender o contexto das seções
bem como as seções propriamente
ditas. Também nos torna aptos a
participar de excelentes debates na
classe da Escola Dominical que, por
sua vez, nos darão mais compreensão
e inspiração para usarmos em nossa
vida pessoal e familiar.
Em seu estudo diário das escrituras, seria útil que você reservasse
um ou dois dias de cada semana
para estudar especificamente o que
será abordado em classe e depois
continuasse sua leitura de Doutrina
e Convênios do princípio ao fim.
Ler Tendo Perguntas em Mente
O irmão Renzo Molly Barrios
Matias, da Guatemala, descobriu o
poder de usar o estudo das escrituras para receber revelação pessoal
para sua vida.
“Depois que o furacão Mitch
A Liahona JANEIRO DE 2009
11
U
m vigoroso ensino do evangelho e um aprendizado inspirado ocorrem quando professores e alunos compreendem que o verdadeiro
professor, em qualquer classe da Igreja, é o Espírito Santo, e que a
participação na sala de aula convida o Espírito a prestar testemunho.
passou pela América Central, em
2001, deixando tudo arrasado, eu tive
muitas dúvidas”, diz ele. “Buscando
respostas, procurei um amigo a quem
respeito muito. Ele disse: ‘Leia as
escrituras. Encontrará nelas as melhores respostas para suas dúvidas.’”
“Isso revolucionou minha vida”, diz
o irmão Matias. “Depois de estudar as
escrituras por muito tempo, comecei
a encontrar respostas para minhas
dúvidas. Consegui ver que minha
vida tinha significado. Foi então
que decidi servir em uma missão
de tempo integral.”
Pouco depois, o Élder Matias
estava servindo na Missão Honduras
Tegucigalpa, ajudando outras pessoas
a descobrir o poder do estudo das
escrituras.
Ler com perguntas específicas na
mente convida o Senhor a inspirar-nos
12
e orientar-nos em nossos desafios
e oportunidades. Você pode escrever as perguntas para incluí-las em
espírito de oração em seu estudo
das escrituras. Ao receber respostas, talvez você sinta-se inspirado a
compartilhar esse conhecimento na
Escola Dominical. Os alunos ficarão
edificados ao ouvir os outros prestarem um testemunho adequado de
como o Senhor usa as escrituras para
proporcionar orientação e inspiração
pessoais.
Procurar Relações, Padrões e Temas
O Élder David A. Bednar, do Quórum dos Doze Apóstolos, sugeriu que
em todo estudo das escrituras que
fizermos, devemos procurar relações,
padrões e temas. 3
Um exemplo de relação em
Doutrina e Convênios é o vínculo
existente entre nossa obediência e as
bênçãos prometidas. “Eu, o Senhor,
estou obrigado quando fazeis o que
eu digo; mas quando não o fazeis,
não tendes promessa alguma” (D&C
82:10). Nosso estudo das escrituras
torna-se mais significativo quando
reconhecemos essa relação e resolvemos agir de acordo com o que o
Senhor nos ordenou.
Um padrão de Doutrina e
Convênios encontra-se na própria
natureza do livro. Como explica a
introdução: “Estas revelações sagradas foram recebidas em resposta a
orações, em momentos de necessidade, e resultaram de situações da
vida de pessoas reais”. 4 As revelações
foram respostas individuais e específicas a dúvidas referentes a coisas
que o Pai Celestial sabia que seriam
“de maior valor” (D&C 15:6; 16:6)
para cada pessoa. 5 Esse padrão de
buscar e receber revelação pessoal é
um padrão que podemos seguir em
nossa vida.
Um dos temas mais comuns em
todas as escrituras é “procurai-me
diligentemente e achar-me-eis; pedi
e recebereis; batei e ser-vos-á aberto”
(D&C 88:63). Temas como esse nos
incentivam a aceitar responsabilidades maiores em relação a nosso
aprendizado, ao ler e ponderar as
palavras de Deus.
Embora nem sempre haja uma história a ser lida em Doutrina e Convênios, o livro está todo interligado por
meio de relações, padrões e temas.
Uma das bênçãos de debater as escrituras em classe na Escola Dominical
é a de que nos tornamos mais cientes
dessas possibilidades à medida que
falamos do que percebemos e ouvimos o que os outros têm a dizer.
Procurar Ser Edificados e Regozijar-nos
O Senhor disse que quando os
membros da Igreja aprendem e
ensinam uns aos outros pelo Espírito,
“ambos são edificados e juntos se
regozijam” (D&C 50:22). Um vigoroso
ensino do evangelho e um aprendizado inspirado ocorrem quando
professores e alunos compreendem
que o verdadeiro professor, em
qualquer classe da Igreja, é o Espírito
Santo, e que a participação na sala
de aula convida o Espírito a prestar
testemunho.
Na Reunião Mundial de Treinamento de Liderança de fevereiro de
2007, sobre ensino e aprendizado, o
Élder Jeffrey R. Holland, do Quórum
dos Doze Apóstolos, convidou-nos
a assumir maior responsabilidade
pelo aprendizado do evangelho. Ele
demonstrou como professores inspirados podem convidar os alunos
a se tornarem mais ativos, em vez
de serem participantes passivos
Doutrina e Convênios
e História da Igreja
Guia de Estudos do Aluno
dos debates em classe.
O Élder Holland disse: “Se ajudarmos o aluno a assumir a responsabilidade pelo aprendizado e
se testificarmos sobre as verdades
que ensinamos, Deus confirmará
em nosso coração e no coração dos
alunos a mensagem do evangelho de
Jesus Cristo”. 6
Se os alunos estudarem fervorosamente durante a semana e depois
lerem juntos as escrituras e compartilharem pontos de vista, o Espírito
Santo vai prestar testemunho e “levar
ao coração” (2 Néfi 33:1) de cada
aluno aquilo que cada aluno precisa
especificamente saber e fazer (ver
2 Néfi 32:3–5).
Um Convite Pessoal
Ao estudarmos Doutrina e Convênios e aprendermos com esse
livro durante o ano, nossa fé no Pai
Celestial e Jesus Cristo será fortalecida
e nosso testemunho de que Joseph
Smith foi o profeta de Deus na Restauração aumentará. O Senhor abrirá
nosso entendimento, e as escrituras
se tornarão uma parte ainda mais
importante de nossa vida. 7
No início deste novo ano, convidamos vocês a regozijarem-se conosco
ao “[examinar] estes mandamentos,
porque são verdadeiros e fiéis; e as
profecias e as promessas neles
contidas serão todas cumpridas”
(D&C 1:37). ◼
Notas
1. Introdução Explanatória de Doutrina e
Convênios.
2. Guia de Estudos do Aluno do Curso de
Doutrina e Convênios e História da Igreja
(1999), Introdução, p. 3.
3. Ver David A. Bednar, “Um Reservatório de
Água Viva”, (serão para jovens adultos do
Sistema Educacional da Igreja, 4 de fevereiro de 2007), www.ldsces.org.
4. Introdução Explanatória de Doutrina e
Convênios.
5. Para outros exemplos específicos de revelação pessoal, ver D&C 7–9: 11–12; 14– 17.
6. Jeffrey R. Holland, “Ensinar e Aprender na
Igreja”, A Liahona, junho de 2007, p. 73;
­Ensign, junho de 2007, p. 105. A transmissão está disponível em vários idiomas
em www.lds.org. Clique em “Gospel
Library”, “Additional Addresses”, depois em
“Worldwide Leadership Training: Teaching
and Learning”.
7. Ver Joseph Smith—História 1:73–74. Depois
de serem batizados, Joseph Smith e Oliver
Cowdery ficaram “cheios do Espírito
Santo”. A mente deles foi “iluminada, [e] as
escrituras começaram a abrir-se ao [seu]
entendimento”.
Estudar o Guia de Estudos
S
e usarmos o Guia de Estudos do Aluno em nosso estudo, antes de irmos para a Escola
Dominical, ele nos ajudará a estarmos mais bem preparados para “[ensinar] a doutrina do
reino uns aos outros” (D&C 88:77). Esse guia de estudos contém vários recursos didáticos:
• Uma introdução a Doutrina e Convênios.
• As designações semanais de leitura das escrituras e séries de estudo das escrituras.
• Uma breve cronologia da história da Igreja.
• Mapas que mostram onde ficam lugares importantes da história da Igreja.
• Perguntas que promovem a fé e incentivam debates a respeito do evangelho.
• Um exemplar de “A Família: Proclamação ao Mundo”.
A Liahona JANEIRO DE 2009
13
M en s agen s de
D outrina e C on v ênio s
Confiança na
Presença de Deus
É l d e r M i c ha e l J oh n U . T e h
Dos Setenta
O
À medida que
aumentarmos nossa
fé e dedicação, vamos
achegar-nos cada vez
mais ao Pai Celestial.
14
relato de como o Profeta Joseph
Smith procurou saber a qual igreja
deveria filiar-se em meio a “controvérsias [de] grupos de religiosos ( Joseph
Smith—História 1:11) dá inspiração e esperança a todos os que buscam sinceramente
a verdade. Que alívio deve ter sido para
Joseph, um humilde rapaz de 14 anos com
uma dúvida simples e um desejo sincero,
ao ler a seguinte passagem da Bíblia: “E, se
algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a
a Deus, que a todos dá liberalmente, e o não
lança em rosto, e ser-lhe-á dada” (Tiago 1:5).
Essa escritura proporciona uma boa
compreensão do tipo de relacionamento que
cada um de nós deve ter com o Pai Celestial. De fato, esse versículo expressa a terna
misericórdia e atitude de nosso Pai amoroso
em relação a um filho que O procurou com
uma dúvida. O Pai, geralmente, não responde as orações com visões, como Ele fez
no Bosque Sagrado, mas dá respostas que
proporcionam paz e consolo. Foi isso que
Ele nos prometeu: responder liberalmente
sem repreender.
Quando jovem, tive várias oportunidades
de colocar essa promessa à prova. Testifico
que a promessa é verdadeira. Sempre que
eu perdia um brinquedo ou uma moeda ou
qualquer outro pertence valioso, que podia
parecer sem importância para os adultos,
o Pai Celestial respondia minhas orações
e tranqüilizava minha mente. Lembro-me
claramente da confiança que eu tinha de que
a resposta viria. Essa era a fé que eu tinha,
quando menino. Essa era a fé que teve o
jovem Joseph Smith.
Essa fé está de acordo com as condições
pelas quais as orações são respondidas, conforme explica esta passagem das escrituras:
“Peça-a, porém, com fé, em nada duvidando”
(Tiago 1:6).
À medida que fui crescendo, descobri que
essa fé inabalável se torna cada vez mais difícil de ser exercida. O mundo planta sementes
de dúvida e preconceito em nosso coração e
mente. Por esse motivo, o conselho do Salvador de tornar-nos “como meninos” (Mateus
18:3) passou a ser uma busca constante
durante toda a minha vida. Descobri que
uma fé “como um grão de mostarda” (Mateus
17:20) era algo que estava a meu alcance em
certas ocasiões, porém muito distante em
outras.
Como podemos exercer constantemente
esse tipo de fé? O seguinte conselho ajuda-nos
No alto à esquerda: Joseph Smith Escrevendo, de Dale Kilbourn; à direita: Filhos da Luz, de Anne Marie Oborn, cortesia do Museu de História e Arte da Igreja; borda © 2007 Cary Henrie
a compreender essa busca digna: “Aquilo que
é de Deus é luz; e aquele que recebe luz e
persevera em Deus recebe mais luz; e essa
luz se torna mais e mais brilhante, até o dia
perfeito” (D&C 50:24).
Esse foi o processo adotado pelo Profeta
Joseph Smith. Como outros que o precederam, ele provou ser digno exercendo constantemente a fé e utilizando em retidão o
arbítrio, ao longo de sua vida. Perseverou em
Deus, recebeu mais luz, e essa luz se tornou
mais e mais brilhante até o dia perfeito.
Um incidente da vida do Profeta teve uma
vigorosa influência em minha vida, quando
jovem:
“Tarde da noite, Joseph estava deitado,
dormindo profundamente por estar muito
cansado. (…) Pouco depois, uma multidão
enfurecida arrombou a porta e (…) o agarrou, arrastando-o para fora da casa, quando
Emma gritou. (…)
(…) um grupo se reuniu (…) em conselho. (…) Quando o conselho chegou ao fim,
os líderes da multidão declararam que não
iriam matá-lo, mas despi-lo e açoitá-lo com
um chicote. (…) Lançaram-lhe uma colher de
piche mal cheiroso no rosto e tentaram fazer
com que ele o engolisse. (…)
Quando o deixaram, Joseph tentou se
erguer, mas caiu novamente, por causa da
dor e exaustão. Conseguiu, porém, arrancar o piche do rosto para poder respirar
livremente. (…)
Pegando algo para cobrir o corpo, o Profeta entrou em casa e passou a noite limpando o corpo e cuidando das feridas. (…)
A
w admoestação do
Salvador de
tornar-nos “como
meninos” passou a
ser uma busca constante durante toda a
minha vida.
A Liahona JANEIRO DE 2009
15
16
Na manhã seguinte, como era domingo,
as pessoas se reuniram na hora costumeira
de adoração. Entre eles, estavam alguns que
fizeram parte da multidão. (…)
Com feridas e cicatrizes no corpo, Joseph
foi à reunião e colocou-se diante da congregação, encarando seus atacantes da noite
anterior com calma e coragem. Pregou um
sermão vigoroso, e naquele mesmo dia batizou três fiéis na Igreja”. 1
Nem consigo imaginar a dor e o sofrimento que o Profeta Joseph teve que
suportar. Ele tinha todos os motivos para
não pregar na manhã seguinte, mas nem
aquela nem muitas outras experiências pessoais semelhantes ou piores fizeram com
que ele fugisse de suas responsabilidades.
Como podemos, então, sentir-nos justificados em negligenciarmos nosso dever
por causa de um pequeno desconforto ou
inconveniência?
A medida que aumentarmos nossa fé e
dedicação, vamos achegar-nos cada vez mais
ao Pai Celestial.
“Então clamarás, e o Senhor te responderá;
gritarás, e ele dirá: Eis-me aqui” (Isaías 58:9).
“Então tua confiança se fortalecerá na presença de Deus; e a doutrina do sacerdócio
destilar-se-á sobre tua alma como o orvalho
do céu.
(…) E, sem ser [compelida], fluirá para ti
eternamente” (D&C 121:45–46).
É um privilégio para mim testificar que
Joseph Smith é um profeta de Deus. Por ele
ter buscado sabedoria no Bosque Sagrado
e exercido diligência depois disso é que
desfrutamos a plenitude do evangelho de
Jesus Cristo. O seguinte tributo escrito pelo
Presidente John Taylor (1808–1887), quando
era membro do Quórum dos Doze Apóstolos, eloqüentemente descreve o que o Profeta
Joseph Smith fez por todos nós: “Joseph
Smith, o Profeta e Vidente do Senhor, com
exceção apenas de Jesus, fez mais pela
salvação dos homens neste mundo do que
qualquer outro homem que jamais viveu
nele. (…) Viveu grandiosamente e morreu
grandiosamente aos olhos de Deus e de seu
povo; e como a maior parte dos ungidos
do Senhor na antigüidade, selou sua missão
e suas obras com o próprio sangue” (D&C
135:3).
Usemos constantemente nosso arbítrio
com sabedoria, como fez o Profeta Joseph
Smith, exercendo fé inabalável, a despeito de
nossas circunstâncias para que nossa confiança “se [fortaleça] na presença de Deus”. ◼
Nota
1. George Q. Cannon, Life of Joseph Smith the Prophet
(1986), pp. 133–135; ver também History of the
Church, Volume 1, pp. 261–264.
Vi uma Luz, de Jon McNaughton
S
e Joseph
Smith não
tivesse buscado sabedoria no
Bosque Sagrado e
exercido diligência
depois disso não
desfrutaríamos
hoje a plenitude do
evangelho de Jesus
Cristo.
Idéia: Jessica Westenskow; ilustração fotográfica: Welden C. Andersen
Deixa Chover!
Reconheça as bênçãos que são
derramadas sobre você e desfrute-as
com gratidão. (Ver D&C 105:12.)
A liahona JANEIRO DE 2009
17
Nutrir a Alma por
Meio do Instituto
Ajudando os alunos a achegar-se ao Pai Celestial, fazer amigos e estabelecer prioridades,
os institutos fortalecem testemunhos e mudam vidas.
Fortalecer Meu Testemunho
Freqüentemente me surpreendo com o que consigo
aprender no instituto. Não me lembro de ter assistido a uma
única aula sem sair dela tendo aprendido algo novo ou
compreendido melhor algum princípio do evangelho. Como
resultado disso, minha vida mudou.
Entre as muitas bênçãos que recebi por freqüentar o
instituto estão um melhor relacionamento familiar e maior
interesse pelas escrituras. Ele também aumentou meu testemunho. Antes de freqüentar o instituto, eu não tinha certeza
se queria servir em uma missão. Agora, sei que preciso
servir como missionário.
O instituto foi uma experiência maravilhosa para mim.
Ajudou-me a compreender e cumprir os padrões da Igreja.
As doutrinas da Igreja são os meios de salvação e exaltação. Sinto-me grato por poder aprender a respeito delas
no instituto.
Alberto Avilez Rodríguez, México
Alterei Minhas Metas
Certo domingo, na reunião sacramental, ouvi atentamente o orador falar sobre o instituto. Ele repetiu para
nós as palavras do Élder L. Tom Perry, do Quórum dos
O instituto é um ótimo lugar para aprender o evangelho
e fazer amizade com outros santos dos últimos dias.
Extrema esquerda: ilustração fotográfica de Matthew Reier; fotografia do Élder Perry: Craig Dimond
Doze Apóstolos, dizendo: “[O instituto] enriqueceu minha
vida, e sei que fará o mesmo por vocês. Ele vai erguer um
escudo de proteção a sua volta para mantê-los livres das
tentações e provações do mundo”. 1 Foi então que me dei
conta de que a veracidade das palavras do Élder Perry já
tinha-se manifestado para mim. Senti-me extremamente
grata pelas bênçãos que recebera por ter freqüentado o
instituto.
Pouco tempo antes, eu tinha começado a freqüentar
um curso do instituto sobre os ensinamentos de Isaías. Até
hoje, este curso foi o que mais mudou minha vida. Aquele
semestre tinha sido muito confuso para mim. Nem todas
as minhas metas e prioridades estavam condizentes com
os princípios do evangelho. No entanto, eu freqüentava
regularmente o instituto e participava de muitos debates
sobre a doutrina da Igreja com o professor do instituto.
Com o passar do tempo, minhas idéias foram mudando, e
de modo gradual e cuidadoso fui alterando minhas metas
para que estivessem em harmonia com o plano do Senhor
para mim.
Foi só quando ouvi a citação do Élder Perry na reunião
sacramental, naquele domingo, que me dei conta exatamente de como aquelas novas metas estavam me abençoando. Toda a minha vida tinha ficado significativamente
melhor depois que comecei a freqüentar o instituto. Eu me
sentia muito mais receptiva ao Espírito e sucumbia menos
freqüentemente às tentações. Minha atitude e perspectiva
melhoraram por causa do instituto.
Krista Wren, Arizona, EUA
Nota
1. L. Tom Perry, “Receber a Verdade”, E
­ nsign, novembro de 1997,
pp. 61–62.
Promessa Profética
“Não negligenciem a oportunidade
de freqüentar as aulas do seminário e
do instituto. Participem dessas aulas e
tirem o máximo proveito das escrituras
ensinadas nesses importantes locais de
educação religiosa. Isso vai prepará-los
para apresentar a mensagem do evangelho restaurado
àqueles que vocês tiverem a oportunidade de conhecer.”
Élder L. Tom Perry, do Quórum dos Doze Apóstolos, “Elevar
Nossos Padrões”, A ­Liahona e ­Ensign, novembro de 2007,
p. 48.
Demonstrar Fé
Meu amor pelo instituto começou quando eu estava
no seminário. Filiei-me à Igreja aos 14 anos de idade
e tinha sede de conhecimento. Eu gostava muito de
aprender a respeito do evangelho e adorava os maravilhosos amigos e professores que conheci.
Às vezes era difícil freqüentar o seminário. Os membros de minha família, que não eram da Igreja, não me
apoiavam para que o freqüentasse. Mas com a ajuda de
outros membros da Igreja, consegui freqüentar o seminário matutino. Minha família percebeu que eu levava
a sério a Igreja. Foi a minha maneira de caminhar a
segunda milha.
Assim como o seminário enriqueceu minha vida
quando eu era adolescente, o instituto fez o mesmo em
minha vida adulta. Entesourei as palavras de Cristo no
A Liahona JANEIRO DE 2009
19
O instituto destina-se a alunos solteiros e casados,
geralmente de 18 a 30 anos de idade.
Fazer Novos Amigos
coração e na mente (ver D&C 6:20; 84:85). Esses ensinamentos me ajudaram a servir ao Senhor mais eficazmente
como missionária.
Sinto-me grata pelo instituto e sei que ele é um programa inspirado, porque vi suas bênçãos em minha vida
e na de outras pessoas.
Malinda Morrison, Austrália Ocidental, Austrália
Achegar-se ao Senhor
Desde que comecei a freqüentar regularmente o instituto, passei a receber imensas bênçãos espirituais. Desenvolvi amor cristão pelos colegas do instituto, minha fé no
Senhor está ficando mais forte e acheguei-me a Jesus Cristo
por meio do estudo das escrituras.
As aulas deram-me orientação, ajudando-me a compreender melhor como usar o arbítrio. Elas me ajudaram a
enfrentar as dificuldades com uma visão otimista, e aprendi
que Deus está sempre a meu lado para ajudar-me a vencer
os obstáculos. Quando freqüento o instituto, encontro
respostas para minhas dúvidas. Toda vez que coloco em
prática os ensinamentos aprendidos nas aulas, as outras
coisas da minha vida parecem entrar nos eixos com mais
facilidade.
Sinto que a participação no instituto é uma das melhores
maneiras de usar meu tempo enquanto sou jovem.
Ngozichi Okwandu, Abia, Nigéria
20
Poucos anos depois de minha missão, mudei-me
para uma cidade na qual não conhecia ninguém. Fui
ao instituto esperando fazer novos amigos e começar
a ter um relacionamento social com outros jovens
adultos solteiros da região, como fizera anteriormente.
A princípio, porém, achei muito difícil. Ninguém
foi rude comigo, mas não parecia haver muitas coisas
acontecendo, e às vezes eu me sentia solitário e isolado dos outros que já se conheciam muito bem. Por
outro lado, fiz rapidamente boas amizades fora
da Igreja.
Às vezes me parecia que deixar de ir ao instituto
seria mais fácil do que freqüentá-lo. Eu não tinha
carona, por isso precisava caminhar ou ir de bicicleta
todas as semanas para chegar ao instituto. Descobri
bons amigos que tinham interesses em comum em
outros lugares. Além disso, eu já havia-me formado
no instituto.
No entanto, quando pensei em todos esses motivos para não freqüentar, lembrei-me de como havia
crescido no passado, graças às aulas que assisti e aos
amigos que fiz no instituto. O instituto nutriu meu testemunho e ajudou-me a compreender melhor o plano
do Pai Celestial para mim. Decidi continuar freqüentando e hoje sinto-me feliz por ter feito isso. Gradualmente, durante aquele ano, consegui fazer bons
amigos no instituto. Recebi convites para eventos
sociais e, com o tempo, fui ficando bem mais envolvido.
A princípio, foi muito difícil freqüentar o instituto numa área nova, mas
como continuei indo, recebi muitas bênçãos espirituais e sociais que não teria
recebido de outra forma.
Dave J. Green, Inglaterra, Reino Unido
Voltar para Casa
Eu estava morando fora de casa pela primeira vez, quando meus pais se
separaram. Era somente o primeiro mês da faculdade e, como minha vida
familiar havia mudado, eu tinha dificuldade para compreender o significado
da palavra lar. Quando meus pais se divorciaram e minha família mudou-se da
casa onde eu havia morado nos últimos 18 anos, fiquei particularmente confusa. Eu sabia que não estava desabrigada, mas sem dúvida me sentia assim.
Freqüentemente ouvi dizer que a Igreja era um “refúgio contra a tempestade” (D&C 115:6). O instituto tornou-se um refúgio para mim, à medida
que eu combatia aquela nova tempestade em minha vida. Matriculei-me no
instituto e, embora não me recorde exatamente das palavras proferidas nas
aulas, nunca me esquecerei do sentimento que tive de paz e consolo. Comecei a descobrir o amor que o Pai Celestial tem por mim, e conheci bem mais
de perto o melhor conselheiro que já encontrei: Jesus Cristo.
Tenho que pagar a faculdade, mas aprendi que as aulas mais valiosas para
mim são as do instituto, que estão gratuitamente a meu dispor. Vejo agora que
a definição de lar não é obrigatoriamente a casa em que você cresceu, mas,
sim, um lugar em que as lições de vida são ensinadas e que está repleto de
amor. Graças ao que aprendi e ao Espírito que senti, o instituto tornou-se um
novo lar para mim. É maravilhoso ter um lugar em que nos sentimos amados
e bem-vindos. ◼
Alberto
Krista
Malinda
Ngozichi
Dave
Suzanne
Suzanne Goble, Utah, EUA
Ilustração fotográfica: Matthew Reier
Como Encontrar um Programa
do Instituto Perto de Mim?
Entre em http://institute.lds.org para informações
sobre qualquer um dos mais de 500 locais de ensino
do instituto no mundo inteiro. Em muitos casos,
você poderá matricular-se nos cursos pela Internet.
Não tem acesso à Internet em sua casa? Seu bispo
ou presidente do ramo tem uma lista de locais de
ensino do instituto.
O Conhecim
É l d e r C l ay t o n M . Ch r i s t e n s e n
Setenta de Área
Área América do Norte Nordeste
A
queles que conhecem a Universidade
Oxford devem saber que ela é a mais
antiga universidade do mundo. O
prédio em que morei quando era estudante foi construído em 1410. É muito
bonito de se ver, mas desconfortável para
morar. Quando cheguei a Oxford, dei-me
conta de que seria difícil ser um membro
ativo da Igreja. O Rhodes Scholarship
Trust, que pagava meu estudos, tinha
muitas atividades para aqueles que
recebiam uma bolsa de estudos.
Ao pensar em até que ponto gostaria de participar na Igreja, deime conta de que não sabia se o Livro de Mórmon era verdadeiro.
Eu já o lera várias vezes, mas geralmente para cumprir um encargo
que me fora dado por meus pais ou meu professor da Universidade
Brigham Young. Mas naquela ocasião, eu precisava desesperadamente saber se o Livro de Mórmon era verdadeiro. Por isso, decidi
que dedicaria todas as noites o período das 23h à meia-noite para
ler o Livro de Mórmon e descobrir se ele era verdadeiro.
Fiquei me perguntando se não seria ousadia despender tanto
tempo, porque eu tinha um programa acadêmico muito intenso, em
meu curso de economia aplicada. Eu queria tentar terminar o programa em dois anos, ao passo que a maioria das pessoas o concluía
em três. Não sabia se poderia me dar ao luxo de despender uma
hora por dia nesse empenho.
Mas, mesmo assim, foi o que eu fiz. Comecei às 23h, ajoelhandome em oração ao lado de um pequeno aquecedor na parede de
pedra, e orei em voz alta. Disse a Deus que estava desesperado
para descobrir se o Livro de Mórmon era verdadeiro. Disse que
se Ele revelasse para mim que o livro era verdadeiro, então eu
U
ma das coisas mais
valiosas que vocês
podem aprender em
sua busca por instrução
é descobrir por si mesmos
que o Livro de Mórmon é
a palavra de Deus.
Fotografia do Livro de Mórmon: John Luke; fundo: Lushpix/Unlisted Images Inc.
o Mais Útil
dedicaria toda minha vida à edificação de Seu reino. Disse-Lhe que
se ele não fosse verdadeiro, eu também precisava saber disso com
certeza, para poder dedicar minha vida a descobrir onde estava a
verdade.
Li a primeira página do Livro de Mórmon. Quando cheguei ao
final da página, parei. Pensei no que tinha lido naquela página e me
perguntei: “Será que isso poderia ter sido escrito por um charlatão
que estava tentando enganar as pessoas, ou foi realmente escrito
por um profeta de Deus? E o que isso significa para mim em minha
vida?” Depois, coloquei o livro de lado, ajoelhei-me em oração e
pedi novamente a Deus: “Por favor, diga-me se este livro é verdadeiro”. Então, sentei-me na cadeira, peguei o livro, virei a página, li,
parei no fim da página, e fiz a mesma coisa. Fiz isso por uma hora,
todas as noites, noite após noite, naquele quarto frio e úmido de
Oxford.
Certa noite, quando cheguei aos capítulos finais de 2 Néfi, fiz a
minha oração, sentei na minha cadeira e abri o livro. De repente, o
quarto encheu-se de um Espírito belo, cálido e amoroso que me
envolveu e penetrou em minha alma, enchendo-me com um sentimento de amor que eu nem sequer imaginava que poderia sentir.
Comecei a chorar. Ao olhar, em meio às lágrimas, para as palavras escritas no Livro de Mórmon, pude ver a verdade nelas como
nunca imaginara ser capaz de compreender. Pude ver as glórias da
eternidade e pude ver o que Deus tinha reservado para mim, como
C
um de Seus filhos. Esse Espírito permaneceu comigo durante toda aquela hora e em
todas as outras noites em que orei e li o Livro
de Mórmon em meu quarto. Esse mesmo
Espírito sempre retornava, e isso mudou meu
coração e minha vida para sempre.
Relembro o conflito que senti, questionando se poderia me dar ao luxo de passar uma hora por dia longe do estudo de
economia aplicada para descobrir se o Livro
de Mórmon era verdadeiro. Eu uso economia
aplicada talvez uma vez por ano, mas meu
conhecimento de que o Livro de Mórmon é a
palavra de Deus, eu uso muitas vezes a cada
dia de minha vida. De toda instrução que
consegui adquirir, esse foi o conhecimento
mais útil que eu já obtive.
Para aqueles que ainda estejam vivendo
pelo testemunho de outros, convido-os a
24
reservar uma hora todos os dias para descobrir por vocês mesmos se o Livro de Mórmon
é verdadeiro, porque isso vai mudar seu
coração, como mudou o meu. Então, um dia
vocês poderão voltar ao lugar em que moravam quando Deus revelou isso para vocês
e mostrá-lo para seus filhos e seu cônjuge,
dizendo: “Este é um lugar sagrado porque
foi aqui que fiquei sabendo que Jesus é o
Cristo”.
Ao procurar magnificar meu chamado e
conhecer Jesus Cristo, posso testificar que sei
com certeza que Ele é o Filho de Deus e que
Ele vive. Sei com certeza que Ele conhece e
ama cada um de nós. ◼
Extraído de um discurso devocional proferido na
Universidade Brigham Young, em 8 de junho de
2004. Para o texto completo do discurso em inglês,
entre em www.byui.edu/Presentations/transcripts/
devotionals/2004_06_08_christensen.htm.
Acima: Ilustração fotográfica de Frank Helmrich
onvido-os a reservar uma hora por
dia para descobrirem por si mesmos
se o Livro de Mórmon
é verdadeiro, porque
isso vai mudar seu
coração.
M e n s a g e m
d a s
P r o f e s s o r a s
V i s i t a n t e s
Permanecer Firmes
e Inamovíveis na Fé
igreja se dissolveu
em toda a terra, salvo entre alguns
lamanitas que se haviam convertido
à verdadeira fé; e não se afastaram
dela, pois eram firmes e constantes e
inabaláveis, desejando guardar com
todo o empenho os mandamentos do
Senhor”.
da Igreja precisam ser firmes e inamovíveis em sua fé. Elas podem e devem
destacar-se em viver e prestar seu testemunho do Senhor Jesus Cristo e de
Seu evangelho restaurado. Fazemos
isso à medida que:
1. Fazemos convênios com Ele e os
guardamos;
2. Mantemo-nos dignas de adorar
em Seus templos;
3. Estudamos Sua doutrina nas
escrituras e nas palavras dos profetas;
4. Qualificamo-nos para ter a
companhia do Espírito Santo, para
reconhecer Sua influência e segui-Lo;
5. Compartilhamos e defendemos
Seu evangelho;
6. Participamos de orações pessoais e familiares sinceras;
7. Realizamos a noite familiar;
8. Vivemos os princípios da autosuficiência e do viver previdente.
Essas são coisas essenciais que
precisam ser feitas antes das coisas
não essenciais. São práticas simples
e indispensáveis que quase parecem
ser temporais quando conversamos
a seu respeito. (…) Ninguém pode
fazer essas coisas por nós — elas
são práticas e hábitos pessoais, que
nos diferenciam como sendo firmes
e inamovíveis naquilo que é correto” (“O Que as Mulheres da Igreja
Fazem de Melhor: Permanecem
Firmes e Inamovíveis”, A ­Liahona
eE
­ nsign, novembro de 2007,
pp. 109–110).
Sociedade de Socorro:
Primária:
Ilustração fotográfica: Henrik Als; fundo: Shannon Gygi Christensen.
Ensine as escrituras e
citações que atendam
às necessidades
das irmãs que você
for visitar. Preste testemunho da
doutrina. Peça às pessoas que você
ensinar que compartilhem o que
sentiram e aprenderam.
Mosias 5:15: “[Sede] firmes e inamovíveis, sobejando sempre em boas
obras, para que Cristo, o Senhor Deus
Onipotente, possa selar-vos como
seus, a fim de que sejais levados ao
céu e tenhais salvação sem fim e vida
eterna”.
Como Posso Permanecer Firme e
Inamovível na Fé?
3 Néfi 6:14: “A
Julie B. Beck, presidente geral da
“As mulheres
Cheryl C. Lant, presidente geral da
“Nossa conversão pessoal
virá quando começarmos a viver
da forma que o Senhor espera que
vivamos, firmes e inamovíveis em
guardar todos os mandamentos, não
apenas aqueles que são convenientes. Isso então se torna um processo
de refinamento ao tentarmos tornar
cada dia um pouco melhor que o
anterior. Assim, nossas tradições se
tornam boas tradições” (“Boas Tradições”, A L­ iahona e ­Ensign, maio de
2008, p. 14).
Por Que Devemos Ser Firmes e
Inabaláveis na Fé?
Élder M. Russell Ballard, do Quó-
rum dos Doze Apóstolos:
“Sua fé e
seu conhecimento da restauração do
evangelho vão lhe dar forças para
ser fiel e leal aos convênios que fez
com o Senhor e para compartilhar
suas forças e talentos com alegria
para edificar o reino de Deus aqui
na Terra! Seu testemunho de Jesus
Cristo é a âncora mais importante
que você pode ter para ajudá-lo a
permanecer firme e inabalável nos
princípios de retidão, a despeito de
todos os desafios e tentações que
possam surgir no futuro” (“Steadfast
in Christ”, ­Ensign, dezembro de
1993, p. 52).
Élder Richard G. Scott, do Quó-
rum dos Doze Apóstolos: “Você nem
sequer pode imaginar agora o que
essa sua decisão de ser inabalavelmente obediente ao Senhor vai permitir que realize na vida. Sua serena
e imutável determinação de viver em
retidão vai dotá-lo de inspiração e
poder que vão além de sua capacidade de compreensão” (“Making the
Right Decisions”, ­Ensign, maio de
1991, p. 34). ◼
A Liahona JANEIRO DE 2009
25
“Enviou desde o alto, e me tomou; tirou-me
das muitas águas. Livrou-me do meu
inimigo forte” (Salmos 18:16–17).
A d am C . O l s o n
Revistas da Igreja
N
a escuridão de uma tarde de tempestade, Rafael
Mateo e seu filho, Whalincon (conhecido como
“Whally”), fizeram uma pausa e olharam para as
águas turbulentas do rio que subira muito com a chuva.
Rafael, primeiro conselheiro na presidência do ramo, e
Whally, o presidente do quórum de élderes do ramo, estavam voltando para casa depois de um domingo cheio de
reuniões na sua capela em San José de Ocoa, na República
Dominicana.
Já estavam encharcados por terem caminhado sob o
temporal, e o Rio Ocoa, que havia transbordado, criara
uma perigosa barreira que separava a capela da casa
deles. Durante a estação seca a caminhada de 6 quilômetros descendo da capela, que ficava em um dos lados do
vale, até a casa deles, nos montes que ficavam do outro
lado, geralmente durava uma hora. Mas quando o rio
enchia na estação chuvosa, Rafael e sua família tinham
que usar um desvio de 15 quilômetros, levando três horas
para encontrar um lugar em que poderiam atravessar o rio
com certa segurança.
Rafael já perdera a conta de quantas vezes trilhara
aquele caminho. Havia cruzado o rio todos os dias por
12 anos, para trabalhar. O fato de ter sido chamado dois
meses após seu batismo para servir como presidente do
ramo, um chamado que ocupou por seis anos, apenas
aumentou o número de viagens. Depois disso, recebeu
o chamado de presidente do quórum de élderes. Tinha,
então, sido chamado de volta para a presidência do ramo.
Mas o fato de conhecer bem o rio não diminuía o
perigo, e a rápida correnteza dos rios que haviam transbordado poderia ser tão mortal quanto a do rio principal.
Havia pouco tempo, um vizinho tinha sido arrastado pela
correnteza de um rio que transbordara, morrendo afogado
no estreito canal.
Pai e filho hesitaram à beira da correnteza. Então, Rafael
deu um passo adiante. O rio não era largo, mas como
26
havia canalizado muita água, tinha-se tornado surpreendentemente fundo. A correnteza fria e rápida primeiro
chegou a seus joelhos, depois a sua cintura e pouco
depois chegou à altura do peito.
Rafael sabia que estava em apuros. O leito do rio era
escorregadio e acidentado, e a vigorosa correnteza ameaçava desequilibrá-lo. Na metade do caminho, ele usou
todas as suas forças para continuar de pé, mas descobriu
que não conseguia ir nem para frente nem para trás.
Assim que ele sentiu que estava fraco demais para continuar lutando contra a correnteza, sentiu um empurrão
que o lançou em direção à margem oposta. Foi só quando
chegou ao outro lado que se deu conta de que seu salvador não tinha sido Whally, que ainda estava na margem
oposta.
Ele atribui seu resgate ao poder do mesmo Salvador
que o ajudou a sobreviver à força ameaçadora de outras
provações, tanto físicas quanto espirituais.
“Tive muitas vezes que entrar até o peito no rio a
serviço do Senhor”, diz o irmão Mateo. “Mas tenho uma
grande dívida para com o Senhor. Ele me deu não apenas
a oportunidade de servi-Lo mas também a capacidade de
perseverar.”
Tal como o rei Davi, o irmão Mateo sabe que o Salvador [lhe] tomou; tirou-[lhe] das muitas águas. Livrou-[lhe]
do [seu] inimigo forte” (Salmos 18:16–17).
Esse testemunho o susteve durante provações mais
sutis, porém tão reais quanto a travessia do rio naquela
tarde de tempestade junto com Whally.
Apesar dos custos da viagem, o irmão
Mateo, sua esposa Altagracia e três de
seus filhos foram selados no templo,
em 2001. Desde aquela época, eles
têm-se sacrificado para economizar
dinheiro suficiente para ir
ao templo pelo menos duas
vezes por ano.
O trabalho e o sacrifício, tanto físico quanto
espiritual, valem a pena para o irmão Mateo.
“Não é difícil quando sabemos qual é o propósito”, diz ele. “Estamos lutando por algo mais sublime
do que as coisas do mundo.” ◼
Ilustração: Gregg Thorkelson; fotografia: David Newman
Fé para Cruzar o
Rio
Merecer a
Ajuda do
Senhor
“Lembrem-se de que
esta obra não é apenas sua ou minha.
É a obra do Senhor,
e quando estamos a
serviço do Senhor, (…) temos o direito
de receber a ajuda Dele.”
Presidente Thomas S. Monson,
“O Sagrado Chamado ao Serviço”,
A ­Liahona e ­Ensign, maio de 2005, p. 56.
A Liahona JANEIRO DE 2009
27
Joseph Smith
Apóstolo de Jesus Cristo
É l d e r D e n n i s B . N e u e n s c hwa n d e r
Dos Setenta
Joseph Smith Jr., cortesia de Community of Christ Archives; cena do filme da Igreja A Restauração
E
m Doutrina e Convênios, lemos que
Joseph Smith foi “chamado por Deus
e ordenado apóstolo de Jesus Cristo”
(D&C 20:2). O chamado de um apóstolo, em
primeiro lugar, é o de prestar testemunho
de Jesus Cristo. Os profetas do Velho Testamento prestaram testemunho de Sua vinda.
Os Apóstolos do Novo Testamento prestaram
testemunho pessoal de Cristo e da absoluta
realidade de Sua Ressurreição. Esse testemunho apostólico foi a base de seus ensinamentos. “Ser-me-eis testemunhas” (Atos 1:8) foi a
instrução dada por Jesus aos primeiros Doze.
Pedro prestou testemunho, no dia de Pentecostes, aos judeus que haviam-se se reunido
“de todas as nações” (Atos 2:5) que “Deus
ressuscitou a este Jesus, do que todos nós
somos testemunhas” (Atos 2:32). De modo
semelhante, Paulo escreveu aos coríntios,
dizendo que Jesus “me apareceu também a
mim” (I Coríntios 15:8). O firme testemunho
de Cristo e da realidade de Sua Ressurreição
é o primeiro pilar do testemunho apostólico.
O segundo pilar está centralizado no
poder redentor e salvador do Senhor Jesus
Cristo. Pedro ensina que ao Senhor “dão
testemunho todos os profetas, de que todos
os que nele crêem receberão o perdão dos
pecados pelo seu nome” (Atos 10:43).
Sem esses dois pilares de testemunho a
respeito de Cristo, não poderia haver Apóstolo. Esses testemunhos provêm da experiência, da orientação divina e da instrução.
Por exemplo, Lucas escreve que o próprio
Cristo Se mostrou aos Apóstolos “com muitas
e infalíveis provas, sendo visto por eles por
espaço de quarenta dias, e falando das coisas
concernentes ao reino de Deus” (Atos 1:3).
Como o Profeta Joseph Smith se enquadra
nesses requisitos apostólicos? A resposta é:
“perfeitamente”.
A Primeira Visão
O aprendizado apostólico de Joseph
Smith começou em 1820. Ao ponderar sobre
questões religiosas, ele logo descobriu que
não havia como chegar a uma conclusão
lógica e definitiva sobre qual das várias
igrejas ou doutrinas era a correta. Sem uma
manifestação divina, o jovem Joseph somente
O Profeta Joseph
Smith foi chamado
por Deus como testemunha da realidade
e Ressurreição de
Cristo e de Seu poder
redentor e salvador.
A Liahona JANEIRO DE 2009
29
A
acrescentaria mais uma opinião às que já
existiam naquela “guerra de palavras e divergência de opiniões” ( Joseph Smith—História
1:10). Mas as dúvidas de Joseph no tocante à
religião foram respondidas pela manifestação
pessoal e física de Deus, o Pai, e Seu Filho
divino e vivo, Jesus Cristo, uma experiência
pessoal que passou a ser chamada de Primeira Visão.
Como aconteceu com os Apóstolos primitivos, a experiência que Joseph teve com
Deus foi direta e pessoal. Não havia a necessidade da opinião de outras pessoas
ou a deliberação de um concílio
para definir o que ele tinha
visto ou o que aquilo significou para ele. A
visão de Joseph foi, em primeiro lugar, uma
experiência intensamente pessoal: a resposta
para uma dúvida específica. Ao longo do
tempo, porém, iluminado por outras experiências e instruções, ela se tornou a revelação
inicial da Restauração.
Por mais apostólica que essa manifestação
da realidade, existência e Ressurreição de
Cristo tivesse sido para Joseph Smith, não
era a única coisa que Jesus queria ensinar a
ele. A primeira lição aprendida pelo jovem
Joseph resultou da manifestação do poder
absoluto, onipotente e divino de Cristo.
Joseph aprendeu por experiência
O Desejo de Meu Coração, de Walter Rane, cortesia do Museu de História e Arte da Igreja
s dúvidas que
Joseph tinha
a respeito de
religião foram respondidas pela manifestação pessoal e
física de Deus, o Pai,
e Seu Filho divino e
vivo, Jesus Cristo.
30
própria pelo menos um significado do poder redentor e
salvador de Cristo quando foi orar no bosque. Ao começar
a orar, “Uma densa escuridão formou-se ao meu redor e
pareceu-me, por um momento, que eu estava condenado
a uma destruição súbita” ( Joseph Smith—História 1:15).
Com toda energia que Joseph tinha, ele começou a suplicar a Deus que o livrasse das garras daquele inimigo.
“No momento exato em que estava prestes a sucumbir
ao desespero e abandonar-me à destruição (…), vi um
pilar de luz. (…)
Assim que apareceu, senti-me livre do inimigo que me
sujeitava” ( Joseph Smith—História 1:16–17).
O confronto entre Joseph Smith e o adversário é uma
reminiscência da experiência vivida por Moisés, que
seria dada a conhecer ao Profeta alguns anos depois. Ao
contrário do que aconteceu com o menino Joseph, porém,
Moisés viu primeiro a grandiosidade de Deus e depois foi
confrontado com o poder do adversário, antes de ser libertado de sua influência. (Ver Moisés 1.)
A diferença na ordem dos acontecimentos é muito
significativa. Moisés já era bem avançado em maturidade
e tivera muito conhecimento e influência antes daquele
acontecimento. Ao manifestar Seu magnífico poder a Moisés antes de ele enfrentar o adversário, o Senhor ajudou
Moisés a colocar sua vida na devida perspectiva. Depois
de sentir a glória de Deus, Moisés disse: “Ora, por esta
razão sei que o homem nada é, coisa que nunca havia
imaginado” (Moisés 1:10). Esse incidente permitiu que
Moisés resistisse às subseqüentes tentações do adversário.
Joseph Smith, por outro lado, era um jovem inexperiente, que durante toda a vida teria de enfrentar por
diversas vezes o poder do adversário, bem como os
imensos problemas acarretados por isso. Ao enfrentar o
adversário primeiro e depois ser salvo desse ataque pela
aparição do Pai e do Filho, Joseph aprendeu uma lição
inesquecível: por maior que fosse o poder do inimigo, ele
sempre precisa se retirar ao se manifestar a retidão.
Essa lição foi essencial na educação apostólica de
Joseph. Ele precisava desse conhecimento, não apenas por
causa das tribulações pessoais que viriam, mas também
por causa da imensa oposição que enfrentaria para lançar
os alicerces da Igreja e dirigi-la.
O menino Joseph foi ao bosque em busca de sabedoria, e foi o que ele recebeu. Sua instrução apostólica havia
começado. Dentre as grandes lições apostólicas dessa
Primeira Visão estavam tanto a natureza física do Salvador
e do Pai Celestial quanto as lições iniciais e fundamentais
referentes ao poder Deles: cada qual um pilar de testemunho apostólico.
O Livro de Mórmon
As instruções apostólicas iniciais de Joseph Smith continuaram com sua tradução do Livro de Mórmon. O Livro
de Mórmon deu a Joseph o acesso à “plenitude do evangelho eterno” ( Joseph Smith—História 1:34), princípios
que ele precisava compreender antes mesmo da organização da Igreja. Foram apresentados ao Profeta um grande
número de testemunhos proféticos e apostólicos sobre o
Salvador que eram “claros e preciosos” (ver 1 Néfi 13:26),
e todos serviram de modelo para ele.
De fato, os profetas do Livro de Mórmon empregam
mais de 100 títulos em seus ensinamentos de Cristo, tendo
cada um deles ajudado Joseph a compreender o papel
divino do Salvador. 1 Graças a esses ensinamentos, Joseph
Smith passou a conhecer muito bem os antigos profetas,
que lhe deram compreensão do divino propósito de suas
responsabilidades.
O Livro de Mórmon esclarece a universalidade da
Expiação de Cristo. O sagrado sacrifício do Salvador
não se restringe aos limites da Terra Santa de Seus dias
ou mesmo ao mundo apostólico dos primeiros Doze. A
Expiação abrange todas as criações de Deus: passadas,
presentes e futuras. Que grande impressão deve ter deixado na mente do jovem Joseph o ensinamento de Jacó
sobre a “expiação infinita” (2 Néfi 9:7), particularmente em
contraste com os ensinamentos cristãos da época.
O Livro de Mórmon também apresenta o conceito da
universalidade da Ressurreição e outras doutrinas correlatas. Os discursos sobre essa doutrina proferidos por Leí,
Jacó, o rei Benjamim, Abinádi, Alma, Amuleque, Samuel, o
lamanita, e Morôni são ricas fontes de instrução.
Durante a tradução do Livro de Mórmon, o Profeta
recebeu outras instruções pessoais valiosas a respeito
do poder redentor e salvador de Cristo. Em 1828, Martin
A Liahona JANEIRO DE 2009
31
O
Harris persuadiu Joseph a emprestar-lhe as
primeiras 116 páginas do manuscrito do Livro
de Mórmon. Quando Martin Harris perdeu
aquelas páginas, o Profeta sentiu imenso
desespero. 2 Sua mãe, Lucy Mack Smith,
escreveu que Joseph exclamou: “Oh, meu
Deus! (…) Tudo está perdido! Tudo está perdido! O que farei? Pequei. Fui eu que tentei
a ira de Deus. (…) Como vou me apresentar perante o Senhor? Que repreensão não
mereço do anjo do Altíssimo?” 3
Por mais de um mês o Senhor deixou
Joseph nessa terrível situação de remorso. 4
Então, veio o
alívio e a lição
apostólica. O Senhor disse a Joseph:
“As obras e os desígnios e os propósitos
de Deus não podem ser frustrados nem
podem se dissipar. (…)
Pois embora um homem tenha muitas
revelações e tenha poder para realizar muitas
obras grandiosas, contudo, se ele se vangloriar da própria força e ignorar os conselhos de
Deus e seguir os ditames da própria vontade
e de seus desejos carnais, cairá e trará sobre si
a vingança de um Deus justo” (D&C 3:1, 4).
Essas palavras descrevem detalhadamente
as coisas pelas quais Joseph Smith estava
passando. Ele havia aprendido a natureza
minuciosa do chamado apostólico e a quem
Pelo Dom e Poder de Deus, de Simon Dewey
Livro de
Mórmon é
a “pedra
angular de nossa
religião” porque
contém muitos testemunhos proféticos
de Cristo e é uma
testemunha concreta
da Restauração.
32
o Apóstolo, a todo custo, devia sua lealdade. “Embora os
homens ignorem os conselhos de Deus e desprezem suas
palavras,” foi dito a Joseph: “Ainda assim, tu deverias ter
sido fiel” (D&C 3:7–8). Joseph Smith perdeu o acesso às
placas por algum tempo e aprendeu uma lição inestimável. Mais tarde, as placas lhe foram devolvidas e seu cargo
de tradutor foi restaurado.
Quão importantes foram as lições dadas na tradução
do Livro de Mórmon, enquanto Joseph Smith crescia em
seu chamado apostólico! O Livro de Mórmon é a “pedra
angular de nossa religião” 5 porque contém muitos testemunhos proféticos de Cristo e é uma testemunha concreta
da Restauração.
Revelação Contínua e Escritura
Depois de terminar a tradução do Livro de Mórmon,
em 1829, e organizar a Igreja, em 1830, Joseph Smith teve
a oportunidade de receber instrução apostólica contínua
por meio do processo de tradução de outra escritura. Isso
incluiu os três anos de tradução da Bíblia e, a partir de
1835, a tradução do livro de Abraão. A tradução de Joseph
Smith da Bíblia expandiu sua compreensão do papel dos
profetas do Velho Testamento e dos Apóstolos do Novo
Testamento. Também resultou em outras revelações,
como, por exemplo, o livro de Moisés.
O livro de Moisés proporcionou ao Profeta um conhecimento importante do ministério do Salvador, inclusive
Seu papel na Criação. “O Senhor falou a Moisés, dizendo:
(…) Eu sou o Princípio e o Fim, o Deus Todo-Poderoso;
por meio de meu Unigênito eu criei estas coisas” (Moisés
2:1). Além disso, Ele disse: “E mundos incontáveis criei;
(…) e criei-os por meio do Filho, o qual é meu Unigênito”
(Moisés 1:33).
O livro de Moisés esclareceu o relacionamento que
existia entre Cristo e o Pai na existência pré-mortal e fez
com que o Profeta compreendesse ainda melhor a superioridade do poder da retidão. Uma das mais belas lições
apostólicas recebidas por Joseph Smith nessa revelação
foi a confirmação do amor de Deus. Tão diferente do ser
rigoroso, intolerante e condenador que tantos acreditavam
ser Deus, o livro de Moisés revela um Deus de compaixão infinita. Enoque viu que “o Deus do céu (…) chorou”
(Moisés 7:28) por aqueles que não quiseram aceitá-Lo.
Desejando saber como isso era possível, Enoque recebeu
uma resposta que tem um reconhecível caráter bíblico:
“Dei mandamento que se amassem uns aos outros e que
escolhessem a mim, seu Pai. (…) Portanto não deverão os
céus chorar, vendo que eles sofrerão”? (Moisés 7:33, 37;
ver também Deuteronômio 6:5; Levítico 19:18;
Mateus 22:37–39).
Por meio da tradução do livro de Moisés, o Profeta
também pôde conhecer melhor o poder redentor e de
libertação do Salvador. Como o Senhor disse, esta Terra foi
criada “pela palavra de meu poder” (Moisés 1:32) com o
propósito de “levar a efeito a imortalidade e vida eterna do
homem” (Moisés 1:39). Muitos anos antes de o Salvador ter
ensinado a Tomé e aos Doze: “Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim” ( João
14:6), Ele revelou a Moisés: “Este é o plano de salvação
para todos os homens, por meio do sangue de meu Unigênito, que virá no meridiano dos tempos” (Moisés 6:62).
A Primeira Visão no bosque, a tradução do Livro de
Mórmon, a revisão da Bíblia, a revelação do livro de
Moisés e a tradução do livro de Abraão estabeleceram
os alicerces básicos da Igreja, em grande parte, por meio
da rápida expansão do conhecimento e testemunho do
Profeta Joseph Smith em relação a Jesus Cristo.
As revelações que foram dadas a ele e compiladas em
Doutrina e Convênios contêm uma riqueza de conhecimentos referentes ao Salvador. Podemos pesquisar os
diversos tópicos e referências remissivas do Guia para
Estudo das Escrituras relacionadas a Jesus Cristo, sem
ainda chegarmos a compreender o imenso volume de
informações a respeito do Salvador, que o Profeta Joseph
Smith trouxe ao mundo. Sinto-me grato por saber que
Jesus estava “no princípio com o Pai” (D&C 93:21). Sintome grato por saber que Ele “[sofreu] essas coisas por
[mim], para que eu não [precise] sofrer caso [me arrependa]” (D&C 19:16).
Meu Testemunho do Que o Profeta Revelou
Sinto-me grato por mais uma coisa referente ao ministério do Salvador que me toca profundamente a alma.
Ao estudar as promessas de Malaquias, a visita inicial de
A Liahona JANEIRO DE 2009
33
Morôni a Joseph, as palavras do Salvador
aos nefitas e a aparição de Elias, o profeta,
no Templo de Kirtland, aprendi que Deus
ama Seus filhos e que Ele providenciou um
meio para que cada um deles volte a Sua
presença. Não conheço doutrina mais justa
nem ensinamento que me dê mais esperança
do que a doutrina da redenção dos mortos.
Sinto-me extremamente grato pelas revelações que me ensinam que a Expiação do Salvador afeta aqueles que já viveram, amaram,
serviram e esperaram um dia melhor, mas
nunca ouviram falar de Jesus nem tiveram a
oportunidade de aceitar Seu evangelho. Esse
conhecimento, por si só, seria suficiente para
converter-me ao evangelho, se eu nada mais
soubesse. Aqui, ao menos para mim, está o
testemunho final de Jesus Cristo e Seu sacrifício expiatório.
O que, então, pode ser dito sobre o
incomparável poder salvador de Cristo?
Aquilo que Joseph Smith aprendeu no
Bosque Sagrado sobre o poder da retidão
vencendo o mal é um vislumbre da batalha
final. Foi isso o que o Senhor revelou:
“Eu, tendo cumprido e consumado a
vontade daquele a quem pertenço, ou seja,
o Pai, a meu respeito — tendo feito isso para
sujeitar a mim todas as coisas —
Retendo todo o poder, até para destruir
Satanás e suas obras no fim do mundo; e no
34
último grande dia do juízo” (D&C 19:2–3).
Nosso próprio testemunho do Salvador é
moldado pelo testemunho e ensinamentos
do Profeta Joseph Smith. Não é de admirar,
então, que o Profeta Joseph tenha ensinado
que “os princípios fundamentais de nossa
religião são o testemunho dos Apóstolos e
Profetas, concernentes a Jesus Cristo, de que
Ele morreu, foi sepultado e ressuscitou novamente no terceiro dia, e ascendeu ao céu; e
todas as outras coisas pertencentes a nossa
religião são apenas apêndices disso”. 6
O testemunho apostólico de Joseph Smith
sobre a realidade divina e a Ressurreição de
Jesus Cristo, bem como seu conhecimento
do poder redentor e de libertação do Salvador, podem ser mais bem compreendidos no
próprio testemunho belo, vigoroso e sucinto
do Profeta:
“E agora, depois dos muitos testemunhos
que se prestaram dele, este é o testemunho,
último de todos, que nós damos dele: Que
ele vive!
Porque o vimos, sim, à direita de Deus;
e ouvimos a voz testificando que ele é o
Unigênito do Pai —
Que por ele e por meio dele e dele os
mundos são e foram criados; e seus habitantes são filhos e filhas gerados para Deus”
(D&C 76:22–24).
Quão grato sou pelo chamado apostólico
de Joseph Smith. ◼
Adaptado de uma apresentação para os Setenta
Notas
1. Ver Book of Mormon Reference Companion, editado
por Dennis L. Largey (2003), pp. 457–458.
2. Ver Lucy Mack Smith, History of Joseph Smith,
editado por Preston Nibley (1958), pp. 128–129.
3. History of Joseph Smith, pp. 128, 129.
4. As 116 páginas foram perdidas em junho de 1828.
Em julho, Joseph Smith recebeu o que é agora a
seção 3 de Doutrina e Convênios. Em setembro, as
placas foram devolvidas ao Profeta. Ver a introdução
histórica de D&C 3; 10.
5. History of the Church, Volume 4, p. 461.
6. History of the Church, Volume 3, p. 30.
Elias Restaura as Chaves do Poder Selador do Sacerdócio, de Robert Barrett
S
into-me
extremamente
grato pelas
revelações que me
ensinam que a
Expiação do Salvador afeta aqueles
que já viveram,
amaram, serviram
e esperaram um
dia melhor, mas
nunca ouviram
falar de Jesus nem
tiveram a oportunidade de aceitar Seu
evangelho.
M e n s a g e n s
Um Jovem
Missionário
Laukau Mokofisi
E
ra o aniversário da minha melhor
amiga, e ela estava fazendo 13
anos. Corri para procurar um
presente para ela antes da escola, mas
não consegui encontrar nada. Então,
vi o Livro de Mórmon. Decidi desafiar
a mim mesma a dá-lo de presente
para ela. Senti-me bem, mas um
pouco amedrontada, porque nunca
tinha dado um Livro de Mórmon para
alguém antes. Tive medo de que ela
não o aceitasse.
Quando cheguei à escola, eu a
procurei e disse que tinha um livro
especial para dar-lhe de presente.
Ela pegou o livro e viu a fotografia
da minha família na capa. Eu lhe
disse que era o Livro de Mórmon,
um livro que conta a verdade sobre
o motivo pelo qual estamos aqui na
Terra. Também disse que sentia muito
por não poder dar-lhe um presente
melhor.
Ela me fitou nos olhos e disse
que era a melhor coisa que
eu podia ter-lhe dado.
Suas palavras tocaram-me
o coração, e quase chorei.
Senti como se já fosse missionária! Mal posso esperar
para ter idade suficiente para servir
em uma missão,
de modo a poder
compartilhar o
evangelho com outras
pessoas como minha
amiga. ◼
I n s t a n t â n e a s
Procurar um
Hino Favorito
N
Michael Paul Inyang
osso presidente de missão
tinha admoestado os missionários da Missão Gana
Acra a “manter a concentração”. Era
uma frase característica dele. Em uma
de nossas conferências de zona, ele
sugeriu maneiras pelas quais poderíamos fazer isso, e um ponto-chave era
escolher um hino favorito.
Ele disse que devíamos escolher
um hino favorito, memorizá-lo e
cantá-lo nos momentos em que estivéssemos sendo tentados ou desanimados. Fiquei com aquela frase na
lembrança o dia inteiro.
Eu estava com saudades de casa.
Ninguém da minha família tinha
escrito para mim recentemente, e eu
me sentia deprimido. Eu não estava
conseguindo me concentrar. Era o
momento em que eu precisava escolher um hino para
elevar meu espírito. Eu conhecia muitos hinos do nosso hinário verde, mas
de qual eu gostava mais?
Naquela noite, peguei o hinário
e folheei as páginas, procurando
um hino que tivesse um significado
consolador para mim. Imediatamente,
tive uma idéia. O Élder Sheldon F.
Child, dos Setenta, que na época era
Presidente da Área África Oeste, havia
conversado com nosso grupo no
centro de treinamento missionário e
falado sobre a Expiação. Ele concluiu,
dizendo: “Se todos vocês, jovens missionários, compreendessem a Expiação de nosso Senhor Jesus Cristo,
não haveria necessidade de regras da
missão”.
Era aquele o tipo de hino que eu
precisava. Não mais me senti confuso.
Se eu escolhesse um hino que falasse
sobre a Expiação, sentiria o amor de
meu Salvador, seria consolado e manteria a concentração nas coisas que
Ele queria que eu fizesse.
Por fim, escolhi o hino número
70, “Eu Sei Que Vive Meu Senhor”.
Hoje, sinto-me grato pelo sábio
conselho de meu presidente de
missão. Agora tenho um hino favorito
memorizado que pondero sempre e
lembro de cantar nos momentos de
depressão, provação e dificuldade.
“Eu sei que vive meu Senhor! O
meu sublime Salvador! (…) Que
vive para me amparar e minha
alma acalentar.” ◼
A Liahona JANEIRO DE 2009
35
T e ma
da
M u t ual
d e
2 0 0 9
“Sê o exemplo dos fiéis,
na palavra, no trato, no
amor, no espírito, na fé, na
pureza” (I Timóteo 4:12).
Exemplo
dos Fiéis
P r e s i d ê n c i a G e r a l d o s Rapa z e s e P r e s i d ê n c i a G e r a l d a s M o ç a s
S
erá que a influência de um
jovem justo pode fazer alguma
diferença no mundo? A resposta
é: sim!
O Salvador Jesus Cristo confiou a
você o nome Dele, que você recebeu no batismo. Ele confia que você
represente a Igreja e sua família,
levando uma vida justa com muita
gratidão. Ele pede que você seja “o
exemplo dos fiéis”, alguém que conduza as pessoas a Ele, opere milagres
e ajude a edificar o reino de Deus na
Terra.
O tema da Mutual de 2009 encontra-se em I Timóteo 4:12, em que o
Apóstolo Paulo dá conselhos a seu
jovem amigo Timóteo. O que Paulo
ensinou a Timóteo também se aplica
a você hoje, porque como Timóteo,
você é um dos fiéis! “Vocês são espíritos escolhidos que nasceram nestes
dias” em que o evangelho de Jesus
Cristo foi restaurado. Você faz parte
de uma geração especial que tem “as
responsabilidades de edificar o reino
de Deus”. 1 Você pode influenciar o
36
mundo inteiro pelo poder de sua fé e
seu exemplo digno. Paulo sabia disso
em relação a Timóteo, e nós sabemos
disso em relação a você!
O Presidente Thomas S. Monson
deu um conselho excelente sobre
como podemos ser “o exemplo dos
fiéis”. Ele disse: “Façam com que cada
decisão que planejem tomar passe
pelo seguinte teste: O que isso vai
fazer comigo? O que isso vai fazer
por mim? E deixe que seu código
de conduta enfatize não “O que os
outros vão pensar de mim?”, mas sim:
“O que eu pensarei de mim mesmo?”
Sejam influenciados por aquela voz
mansa e suave. Lembrem-se de que
alguém com autoridade colocou as
mãos sobre sua cabeça na hora de
sua confirmação e disse: “Recebe o
Espírito Santo”. “Abram o coração e
sua própria alma ao som daquela voz
especial que testifica da verdade.” 2
Os fiéis têm um crescente testemunho pessoal de Jesus Cristo, reconhecem a grande bênção do testemunho
pessoal e desejam compartilhar esse
conhecimento com outras pessoas.
Você pode compartilhar seu testemunho com palavras e com seu
exemplo.
O Presidente Monson também
ensinou: “Quando assentado solidamente, seu testemunho (…) influenciará tudo o que fizerem durante
a vida. Ele ajudará a determinar
como despender seu tempo e com
quem decidirão associar-se. Afetará
a maneira como tratarão sua família,
como interagirão com outros. Trará
amor, paz e alegria a sua vida”. 3
Você vive em um mundo que
procura atrair seu tempo e atenção.
Você enfrenta muitas pressões e está
cercado constantemente por muitas
vozes convidativas. Às vezes, você
pode ficar confuso em relação ao que
deve fazer e ao que é certo. Todas as
semanas, você tem a oportunidade
de tomar o sacramento e renovar seu
convênio de “se recordar sempre [do
Salvador] e guardar os mandamentos que ele lhes deu” (D&C 20:77).
Ao fazer isso, você mostra ao Pai
Ilustrações fotográficas: Craig Dimond, John Luke e Christina Smith
Convite para
as Moças
Celestial sua disposição de
tomar sobre si o santo nome
de Seu Filho. Suas palavras
e ações mostram às pessoas
que você está realmente
guardando seus convênios.
Se você renovar e guardar
seus convênios, o Espírito
Santo vai guiá-lo e “[dizer]
todas as coisas que [você
deve] fazer” (2 Néfi 32:3).
Os padrões de Para o
Vigor da Juventude também vão fortalecê-lo e
ajudá-lo a permanecer
firme como exemplo. Se
você viver esses padrões,
terá a orientação e a
companhia constante do
Espírito Santo. Seus pensamentos e ações serão
diferentes dos que o
mundo tem, e seu exemplo vai influenciar outras
pessoas. “Sentir-se-ão
bem consigo mesmos
e serão uma influência
S
er “o exemplo dos fiéis” não
é fácil. Exige esforço diário
para lembrar quem somos e o
que fazem os fiéis. Gostaríamos de
convidá-la a fazer todos os dias três
coisas que podem lhe proporcionar
forças e auxílio para ser um exemplo para sua família e amigos. Como
presidência, estamos fazendo essas
coisas, o tempo todo. Você gostaria de
acompanhar-nos?
Primeiro, ore todos os dias.
Segundo, leia o Livro de Mórmon
todos os dias por, no mínimo, cinco
minutos.
Terceiro, sorria todos os dias.
Convidamos você a sorrir porque
você está aqui na Terra nesta época
incrível em que o evangelho de Jesus
Cristo foi restaurado. Você foi ensinada por um profeta de Deus que as
pessoas boas do mundo serão atraídas
para perto de você, na medida em que
você for “vista como alguém diferente e
distinta, de um modo feliz”. 1
Pense no que aconteceria se milhares
de jovens como você fizessem essas três
coisas todos os dias!
Muitos sucessos duradouros na
vida são edificados sobre um alicerce de pequenas coisas executadas
Elaine S. Dalton (centro), presidente;
Mary N. Cook (à esqueda), primeira
conselheira; e Ann M. Dibb, segunda
conselheira.
constantemente ao longo de um
grande período de tempo. Essas
três coisas são pequenas e simples,
mas lembre-se de que “é por meio
de coisas pequenas e simples que
as grandes são realizadas” (Alma
37:6). Sabemos que você descobrirá
as bênçãos de fazer essas três coisas
diariamente. E, se esquecer um dia,
pode recomeçar no dia seguinte.
Testificamos que se você orar, ler
o Livro de Mórmon e sorrir todos os
dias, será abençoada por seu esforço
e será um exemplo para os fiéis: uma
moça que pode fazer diferença no
mundo.
Nota
1. Spencer W. Kimball, “The Role of Righteous
Women”, ­Ensign, novembro de 1979,
p. 104.
A Liahona JANEIRO DE 2009
37
positiva na vida dos outros.” 4 Você
será feliz, e seus amigos e familiares
serão atraídos para perto de você
pela luz e felicidade que você irradia.
Então, podemos perguntar: “Será
que um jovem que se esforça para
viver o evangelho e ser o exemplo
digno dos fiéis pode fazer diferença
no mundo”? Sabemos de todo o
coração que a resposta é um vigoroso sim! Acreditamos que se você
for puro em pensamentos, palavras e
ações, fará diferença no mundo. Nós
acreditamos em você! ◼
Notas
1. Para o Vigor da Juventude (2001), pp. 2–3.
2. Thomas S. Monson, “Sê o Exemplo”, A
­Liahona e ­Ensign, maio de 2005, p. 113.
3. A ­Liahona e ­Ensign, maio de 2005, p. 114.
4. Para o Vigor da Juventude, p. 2.
Para os Rapazes do
Sacerdócio Aarônico
P
aulo lembrou uma coisa muito
importante a Timóteo, uma
coisa que era importante para
Timóteo mas também para todo portador do Sacerdócio Aarônico: “Não
desprezes o dom que há em ti, o qual
te foi dado por profecia, com a imposição das mãos” (I Timóteo 4:14).
Paulo estava falando da importância
do sacerdócio.
O que significa “não desprezar”
nosso sacerdócio? Primeiro, significa viver de modo a ser digno das
bênçãos que fluem por intermédio
do sacerdócio. Cuidarmos para que
nossos pensamentos, palavras e ações
sejam puros. Vivermos de modo a
ser “o exemplo dos fiéis” em tudo
o que fizermos: orando e lendo as
escrituras diariamente, freqüentando o
38
seminário, pagando o dízimo e, quando
possível, freqüentando o templo para
realizar batismos pelos mortos.
Segundo, significa magnificar o
sacerdócio: usar o sacerdócio para
servir e abençoar a vida das pessoas.
Podemos fazer isso cumprindo as
designações do sacerdócio; prestando
serviço individual e no quórum; ou
estendendo a mão para alguém, em
casa, na escola ou no trabalho, que
esteja precisando de uma palavra
gentil, um sorriso ou um tapinha nas
costas.
Terceiro, significa aprender a respeito do sacerdócio e seus deveres.
Leia e pondere as escrituras sobre o
sacerdócio, especificamente Alma 13
e Doutrina e Convênios seções 13,
20, 84, 107 e 121. Leia os discursos
Charles W. Dahlquist (centro), presidente; Dean R. Burgess (à esquerda),
primeiro conselheiro; e Michael A.
Neider, segundo conselheiro.
proferidos na sessão do sacerdócio
da última conferência geral e depois
pergunte a si mesmo: “Como posso
aplicar o que aprendi para magnificar
o sacerdócio”?
Amamos você. Confiamos em
você. Se você se esforçar para magnificar seu sacerdócio, estará mais
bem preparado para servir ao Senhor
como missionário de tempo integral e, tal como Paulo prometeu a
Timóteo, seu serviço e seu exemplo
abençoarão sua vida e a das pessoas
a sua volta. Que Deus o abençoe em
seus esforços.
L i n h a
s o b r e
L i n h a
I Timóteo 4:12
O tema da Mutual deste ano diz-nos como
podemos dar exemplo ao mundo.
Ninguém Despreze a Tua Mocidade
Paulo disse a Timóteo que sua relativa pouca idade não
devia importar no tocante a viver o evangelho e servir na
Igreja. Muitos jovens têm experiências espirituais vigorosas. Procurem estas referências para ler a respeito de
algumas delas: I Samuel 17:12–49 (Davi), 2 Néfi 2:4 ( Jacó),
Mórmon 1:15 (Mórmon) e Joseph Smith—História 1:7–20
( Joseph Smith).
Como você pode demonstrar sua dedicação ao evangelho nesta fase da sua vida? Escreva a
respeito disso em seu diário.
Palavra
Demonstramos grande autodisciplina quando dominamos nossas palavras (ver Tiago 3:2). Em vez de criticar destrutivamente as pessoas, nossas palavras devem edificar (ver
Efésios 4:29; D&C 108:7). Para melhorar nesse aspecto, você
pode, por exemplo, escrever metas específicas de cumprimentar as pessoas, falar com mais brandura com seus familiares, usar um tom de voz ou expressões mais agradáveis, e
abster-se de usar linguagem profana ou ofensiva.
Conversas
A palavra grega significa conduta
ou comportamento.
Exemplo
Fotografia do Presidente Monson: David Newman
“Não precisamos esperar um
evento cataclísmico,
um acontecimento
drástico no mundo em que vivemos, ou
um convite especial para que sejamos um
exemplo a ser seguido. As oportunidades estão diante de
nós aqui e agora. Mas elas são efêmeras. É provável que
surjam em sua própria casa e nos atos cotidianos de sua
vida. Nosso Senhor e Mestre indicou o caminho: ‘[Ele]
andou fazendo bem’ (Atos 10:38). Ele é verdadeiramente
nosso exemplo a seguir, sim, o exemplo dos fiéis.
E nós”?
Presidente Thomas S. Monson, “An Example of the Believers”,
­Ensign, novembro de 1992, p. 98.
Fé
Para ser um exemplo de fé, siga o ensinamento do
Apóstolo Tiago: “Eu te mostrarei a minha fé pelas minhas
obras” (Tiago 2:18).
Caridade
“Devemos plantar
em nosso coração
a semente da caridade, o puro amor
de Cristo. Ele é o exemplo perfeito de
caridade. Toda Sua vida, em especial Seu
sacrifício expiatório, foi uma lição de caridade. Seus atos
expressam um amor absoluto e inequívoco por toda a
humanidade e por todos nós. Seu exemplo nos ensina que
a caridade significa subordinar os interesses pessoais, de
espontânea vontade e com alegria, para o bem de outras
pessoas. Creio que nosso progresso rumo à exaltação e
vida eterna dependerá de como aprendermos e vivermos
o princípio da caridade”.
Élder Joseph B. Wirthlin, do Quórum dos Doze Apóstolos,
“Seeds of Renewal”, ­Ensign, maio de 1989, p. 8.
Pureza
Leia a letra do hino “Mais Vontade Dá-me” (Hinos,
n° 75) e pondere o que significa ser um exemplo de
pureza.
Nota do Editor: Esta página não tem o propósito de fornecer uma
explicação completa do versículo em questão. Seu propósito é servir como
ponto de partida para o estudo individual.
A Liahona JANEIRO DE 2009
39
Há
Esperança
no Haiti
40
O espírito missionário está vivo
e ativo nesta nação insular, e a
nova geração está determinada a
mantê-lo assim.
R i c ha r d M . Rom n e y
Revistas da Igreja
Nota do Editor: Devido à instabilidade
política, todos os missionários estrangeiros
foram retirados do Haiti em 2005.
Atualmente os 67 missionários da Missão
Haiti Porto Príncipe são haitianos e a Igreja
prospera no país.
Fotografias: Richard M. Romney
D
ieuveut Demosthène, 18 anos, e
Robenson Marcel Laroque Jean, 19
anos, são grandes amigos. E pretendem continuar assim. Para sempre.
“Somos vizinhos e jogamos basquete
juntos”, explica Robenson. “Filiei-me à Igreja
quando tinha 16 anos. Algum tempo depois,
sugeri ao Dieuveut que se filiasse também.
Orei muito e persisti. Olhem só para ele
agora, um membro firme da Igreja. Tenho
orgulho dele.”
“O Robenson me convidou muitas vezes”,
diz Dieuveut, “e com o tempo acabei aceitando. Ele sempre usava palavras excelentes
ao falar, como se entendesse tudo. Por isso,
seu convite não foi preocupante, mas, sim,
extraordinário. Depois de um tempo, comecei a receber as lições dos missionários e
filiei-me à Igreja quando tinha 17 anos”.
O Ideal
Esse é o modo ideal pelo qual o trabalho
missionário deve ser feito: amigos que compartilham o evangelho com outros amigos
e dão referências aos missionários para que
A esperança está
florescendo para os
jovens santos dos últimos dias, como Robenson Jean, Dieuveut
os ensinem. “Começou comigo, uma pessoa
da Igreja, agora somos dois, e continuamos a fazer o mesmo trabalho juntos”, diz
Robenson. Como resultado de seus esforços,
um dos irmãos mais velhos de Dieuveut e
outro amigo também se filiaram à Igreja. De
início apenas um, em seguida dois, e agora
tornaram-se quatro.
Robenson e Dieuveut, da Ala Centrale,
Estaca Porto Príncipe Haiti Norte, são um
exemplo típico do que está acontecendo
com o trabalho missionário no Haiti, desde
que os missionários de outros países foram
evacuados, em 2005, devido aos distúrbios
políticos. A Missão Haiti Porto Príncipe procurou forças em seus próprios membros e as
encontrou. Hoje, somente haitianos servem
como missionários no Haiti, e os adolescentes esperam servir quando chegarem à idade.
Mesmo antes de serem chamados como
missionários de tempo integral, eles já estão
estendendo a mão para vizinhos e amigos.
“Onde quer que se veja A Igreja de Jesus
Cristo dos Santos dos Últimos Dias no Haiti,
sabe-se que os membros são haitianos”, diz
Demosthène, Nathalie
LaGuerre e Farah
Jean-Baptiste, que
acreditam que o evangelho pode transformar a vida deles, bem
como a de seu país. Do
alto de um morro em
Porto Príncipe, onde
a terra foi dedicada
para a pregação do
evangelho, e por toda
a nação, os santos dos
últimos dias haitianos
estão compartilhando
sorrisos e preparandose para o futuro.
A Liahona JANEIRO DE 2009
41
verdadeiros discípulos de Jesus Cristo, que
somos testemunhas Dele e que seguimos
Seu exemplo”.
A Esperança
No alto: O presidente
da missão e sua esposa
conversam com os élderes que estão servindo
no escritório da missão.
O presidente Pierre-Nau
incentiva os jovens santos dos últimos dias
a começarem desde já
a compartilhar o evangelho. “Vocês já são
missionários”, diz ele.
Acima: Presidente Francillon, da Estaca Porto
Príncipe Haiti Norte,
com a esposa e filhos.
Ele diz que a Igreja
abençoa os jovens de
muitas maneiras.
42
Farah Jean-Baptiste, de 18 anos, uma moça
que também é da Ala Centrale. “É uma
verdadeira motivação para os jovens ver que
somos responsáveis pelo futuro da Igreja
aqui”.
“Os rapazes e moças da Igreja, aqui do
Haiti, estão motivados a seguir o Salvador”,
diz Nathalie LaGuerre, a amiga de Farah, que
tem de 17 anos e é da mesma ala. “Queremos andar no caminho Dele, para ver Sua
obra progredir. Por isso, sentimos grande
alegria quando vemos missionários haitianos
trabalhando no Haiti. Eles são entusiasmados
e felizes, e depois da missão eles nos contam
as boas experiências que tiveram. Depois,
eles nos convidam a ter as mesmas experiências, começando hoje a compartilhar o
evangelho com nossos amigos.”
Ela diz que embora as moças não tenham
a obrigação do sacerdócio de servir em
uma missão de tempo integral como os
rapazes, “também vemos que aquelas que
servem recebem muitas bênçãos. Podemos
abençoar outras pessoas, e ser edificadas
com isso. Isso nos fortalece para os desafios
que enfrentaremos na vida, dando-nos uma
âncora no evangelho. Isso mostra que somos
“Há muita esperança para o reino de Deus
aqui no Haiti”, diz o Presidente Gh. Ghammald Francillon, da Estaca Porto Príncipe
Haiti Norte. “Os jovens estão realmente
motivados a servir em uma missão. Faz parte
da vida deles incluir a missão em suas prioridades, até mesmo antes da faculdade. Se
encontrarmos os missionários na rua, basta
perguntar, e eles dirão que deixaram seus
estudos de lado porque foram chamados
para a obra do Senhor.”
Ele menciona as bênçãos que recebe em
sua própria casa por sua esposa ter servido
como missionária. Ele diz que as famílias
mais fortes e os líderes mais fortes são um
resultado direto do trabalho missionário.
“Imagine”, diz ele, “daqui a 15 ou 20 anos,
se todos esses haitianos servirem como
missionários no Haiti, o tipo de Igreja que
teremos aqui!” Ele diz que os membros
“sentem o amor e apoio de muitas pessoas,
desde o profeta e as Autoridades Gerais, até
os antigos missionários de outros países que
serviram aqui e já retornaram para casa. Mas
agora são cem por cento haitianos, inclusive
o presidente da missão, Fouchard PierreNau, um ex-missionário que serviu no Haiti
há cerca de dez anos”.
Os jovens do Haiti
estão profundamente
envolvidos nas classes
O Futuro
Algumas pessoas achavam que a Igreja
poderia ter problemas sem ajuda externa.
“Mas eu nunca me preocupei”, diz um
missionário que está servindo atualmente na
Missão Haiti Porto Príncipe, o Élder J. Henry
Michel. “A Igreja nunca vai fracassar. É a
Igreja de Jesus Cristo, por isso ela não pode
fracassar.”
Em vez disso, diz Dieuveut, à medida que
as pessoas se derem conta da felicidade que
o evangelho proporciona, a Igreja no Haiti
continuará crescendo. “Sinto-me verdadeiramente grato ao Robenson por ter compartilhado o evangelho comigo”, diz ele, “e é por
isso que quero compartilhar o evangelho
com outras pessoas. Na semana passada,
eu me perguntei se no passado eu sabia o
que era alegria. Porque hoje, mesmo que
eu não tenha tudo o que quero em termos
materiais, sempre me sinto em paz. Tenho
grande esperança de achegar-me a meu Pai
Celestial”.
“Já estou procurando ser um missionário”, diz Robenson. “Todos os dias, coloco
vários exemplares do Livro de Mórmon na
minha mochila, só para compartilhar com
as pessoas. Muitos sabem que sou membro
da Igreja, e estou ansioso por compartilhar
meu testemunho. Partir em missão de tempo
das Moças e quóruns
integral será uma grande oportunidade de
servir a Deus, servindo Seus filhos. Meu
grande desejo é ser missionário.”
Dieuveut diz que conversa muito com os
missionários que retornaram do campo. “Eles
me contaram como o Senhor pôde abençoar
as pessoas por intermédio dos missionários,
e eu gostaria de compartilhar essas bênçãos.
Eles me disseram como viviam no campo
missionário e como gostavam do trabalho.
Além disso, depois da missão, eles são
dignos, são bons exemplos. Quero ser como
eles.”
O que o futuro reserva? “O Pai Celestial
tem Seu plano para o Haiti”, diz Dieuveut.
“Ele está dando aos membros daqui a oportunidade de tornarem-se fortes. São haitianos
ensinando haitianos, e isso vai abençoarnos.”
Robenson receberá em breve seu chamado para a missão e ele espera que seja
para trabalhar no Haiti. Dieuveut não fica
muito atrás e também espera servir em sua
terra natal. Mas quer eles sejam chamados
para o Haiti ou para outro país, sabem que
farão muitos outros amigos na Igreja e que
sua própria amizade continuará forte. Porque
quando somos amigos no evangelho, somos
amigos para a eternidade. ◼
do sacerdócio. Eles não
apenas se lembram
das promessas que
fizeram quando foram
batizados, mas vivem
de acordo com essas
promessas todos os
dias.
A Liahona JANEIRO DE 2009
43
V o z e s
d a
I g r e ja
Nunca Esqueça Que
Você É Mórmon
S
“
empre que cometemos um
erro, sempre que fazemos
menos do que deveríamos,
estamos verdadeiramente esquecendo nossa mãe”, declarou o
Presidente Thomas S. Monson. Ele
acrescentou: “Os homens afastam-se
do mal e mostram o melhor que têm
em si quando a mãe é lembrada”. 1
A mensagem do Presidente Monson é muito vigorosa para mim, tanto
que quando a li pela primeira vez,
fez-me recordar minha mãe e o sábio
conselho que ela me deu há
muitos anos, pouco depois
de eu filiar-me à Igreja.
D
Ilustrações: Daniel Lewis
Hildo Rosillo Flores
participei das comemorações do Dia
do Jornalismo, no meu país natal, o
Peru. Na festa em que eu estava, as
pessoas conversavam e cumprimentavam-se umas às outras. As pessoas
começaram a fazer brindes com
bebidas alcoólicas. À medida que a
Minha mãe era membro de outra
festa foi-se tornando mais animada,
igreja cristã, mas foi gentil com os
senti-me cada vez mais tentado a
missionários que me ensinaram o
beber com meus amigos.
evangelho. Depois
A mudança que os converque decidi tornar-me
ecidi não
sos da Igreja precisam fazer
santo dos últimos
ir mais
quando aceitam o evangelho
dias, ela sempre me
à Igreja.
muitas vezes implica fazer
apoiou.
Uma semana
Tudo estava indo
depois, minha mãe novos amigos. Em alguns casos,
como descobri, os velhos amibem em minha nova fitou-me intensagos podem ser instrumentos
vida como membro
mente e disse algo
do adversário para tentar-nos
da Igreja, até que
que sempre procua quebrar os mandamentos e
rei lembrar.
voltar aos velhos costumes.
Quando meus colegas de
trabalho me ofereceram
um copo de
cerveja, eu o
aceitei, bebi
e continuei
bebendo. No final da festa,
senti um peso na consciência. Eu tinha errado. O
que minha mãe iria dizer?
Quando cheguei em casa,
entrei silenciosamente e fui imediatamente para o quarto. Minha mãe
não disse nada, mas senti-me envergonhado e decidi não ir
mais à Igreja. Uma semana
u não
depois, quando estávamos
sabia se
almoçando, ela olhou-me
nossos
nos olhos e disse: “Filho,
bebês iriam viver
nunca esqueça que você é
ou morrer, mas
mórmon”.
eu sabia que se
Na ida ao trabalho e na
buscasse o Senhor,
volta, eu passava de biciEle me ajudaria
cleta na frente da capela
a carregar meus
da Igreja. Toda vez que o
fardos.
fazia, minha consciência
me incomodava. Certa
noite, decidi que não podia
mais viver com aquela
culpa. Parei a bicicleta bem
na frente da capela, fui até
a sala do presidente do ramo, entrei
e pedi uma entrevista.
Contei ao presidente do ramo o
que eu tinha feito e pedi perdão,
Angela Lee
então ele me aconselhou. Daquele
momento em diante, nunca mais
inha vida mudou para
quebrei a Palavra de Sabedoria.
sempre quando fui com
Minha mãe morreu há mais de 20
meu marido à médica para
anos, mas sempre procuro lembrar
saber qual era o sexo e como estava
o que ela me disse, e eu nunca
o desenvolvimento do meu bebê
esqueci: sou membro de A Igreja de
que estava para nascer. Chorei de
Jesus Cristo dos Santos dos Últimos
alegria quando descobri que estava
Dias. ◼
esperando gêmeos. Mas as lágrimas
se tornaram de desespero quando a
Nota
1. “Eis Aí Tua Mãe”, A ­Liahona, abril de 1998,
médica me explicou que uma série
p. 4; E
­ nsign, abril de 1998, pp. 2, 4.
de complicações possivelmente não
E
Duas Vezes
Abençoada
M
permitiriam que os gêmeos sobrevivessem até a hora do parto. Ela sugeriu que eu interrompesse a gestação.
Disse que o procedimento seria arriscado e que eu teria de ser hospitalizada mais cedo ou mais tarde.
Apesar dos riscos, decidimos dar
continuidade à gestação.
No caminho de volta para casa,
dei-me conta da gravidade da situação. Perguntei-me como eu poderia
deixar meu marido e nossos três
filhos para passar um longo tempo no
hospital. Saber que nossos bebês provavelmente nasceriam prematuros, e
talvez não sobrevivessem, foi demais
para mim. Não tinha certeza se conseguiria suportar aquela provação.
Somente depois de receber uma
liahona Janeiro de 2009
45
bênção do sacerdócio de meu marido
e de meu sogro foi que me senti
em paz. Dei-me conta de que, não
importando o que viesse a acontecer, minha família e eu ficaríamos
bem. Senti o amor do meu Salvador
e soube que Ele estaria conosco, na
alegria ou na tristeza.
Algum tempo depois, despedi-me
da família e me internei no hospital
sem saber quanto tempo ficaria ali.
O coração dos bebês era monitorado constantemente para assegurar
que estavam bem. Foi difícil para
mim ver o batimento cardíaco deles
cair, e fiquei-me perguntando se
eles conseguiriam atingir a meta de
34 semanas para o parto. Quando
eu estava quase na vigésima sexta
semana, o batimento cardíaco de um
dos bebês caiu até um nível crítico,
quase parando. Os médicos decidiram que se o coração não começasse
a bater normalmente, os dois bebês
teriam que ser retirados por cirurgia
cesareana, em questão de minutos.
Entrei em pânico quando ouvi a
enfermeira chamar meu marido e
dizer-lhe que eu estava sendo preparada para a cirurgia
e que a equipe
neonatal estava de
prontidão.
Eu sabia que para suportar aquela
provação precisaria da ajuda do Pai
Celestial. Orei em silêncio, suplicando
para que nosso bebê se recuperasse,
permitindo que os dois gêmeos
tivessem o tempo necessário para
desenvolverem-se no útero. Orei
também pedindo consolo. Novamente senti paz, tal como acontecera
quando recebi a bênção do sacerdócio. Eu não sabia se nossos bebês
iriam viver ou morrer, mas sabia que
não importava o que acontecesse, se
eu buscasse o Senhor, Ele me ajudaria a suportar meu fardo. No final, o
batimento cardíaco do bebê voltou ao
normal, e a cirurgia não foi necessária.
Continuei no hospital por dois
meses, e houve muitas vezes em que
nos preocupamos com o batimento
cardíaco instável dos bebês. Mas felizmente, nenhum dos bebês chegou a
ficar com o batimento cardíaco tão
baixo como havia acontecido. Nossos
filhos, John e Jacob, nasceram com
33 semanas. Os cordões umbilicais
estavam entrelaçados em oito nós, e
o cordão umbilical de John, o filho
cujo batimento cardíaco havia caído
muito, dava duas voltas no pescoço
dele. Nossos gêmeos permaneceram
na unidade de terapia
intensiva do hospital
para que sua temperatura corpórea e
respiração se normalizassem. Apesar
dos possíveis
problemas que acompanham os partos prematuros, John e Jacob puderam vir para casa em apenas 19 dias.
Nossos gêmeos agora estão engatinhando e não têm nenhuma seqüela,
apesar de terem nascido prematuros.
Sinto-me grata por ter visto algo que
começou como uma provação se
tornar uma das maiores bênçãos da
minha vida. Recebi dois filhos sadios,
e meu testemunho do poder das bênçãos do evangelho e da oração foi
fortalecido. Sinto-me grata também
por poder relembrar a paz e o amor
que senti, ao saber que o Senhor
estava ciente da minha situação.
Aprendi então que, com a ajuda do
Senhor, temos forças para suportar as
provações. ◼
Posso Deixar
o Passado
para Trás?
Marcos A. Walker
U
ma atitude positiva e feliz é
indispensável para os que
trabalham com vendas, como
eu. Mas há alguns anos, eu estavame sentindo desanimado e não tinha
desejo de conversar com ninguém.
Certa tarde, este sentimento estava
particularmente forte.
A expressão de meu rosto devia
deixar transparecer meu desânimo,
porque um de meus colegas, com
quem eu sempre conversava, perguntou-me se havia algo errado comigo.
Expliquei que, depois de seis anos de
casamento, eu havia-me separado da
minha mulher. Naquele mês eu estaria
completando seis anos
de divórcio, portanto
estava divorciado há
tanto tempo quanto
ficara casado. Sentia
inha
angústia no coração
alma se
e na mente, e minha alma
encheu de
estava cheia de dor e trisdor e sofrimento.
teza. Eu sabia que estava
Eu disse a meu
perdendo muitas expecolega de trabalho
saber o que dizer. Elas
riências que meus filhos
que aquele era o
ressoaram dentro de
estavam tendo, e isso era
preço que eu tinha
mim a tarde inteira. Sim,
uma constante tortura
de pagar pelos
mesmo que eu estivesse
para mim. A solidão me
meus erros.
sofrendo as conseqüênconsumia, e eu não via
cias de meus erros, Jesus
solução nem esperança no
Cristo havia pago o preço.
horizonte. Eu disse a meu
Por que eu não tinha-me dado conta
colega que aquele era o preço que
disso? Eu conhecia a doutrina e sabia
teria de pagar pelos meus erros.
que ela era verdadeira. O reconheciMeu colega, que era membro de
mento de que a Expiação tinha poder
outra igreja cristã, replicou. “De que
em minha vida encheu-me de paz e
preço você está falando?” perguntou
consolo, e lembro-me até hoje desse
ele. “Jesus Cristo pagou o preço, se
sentimento.
você realmente se arrependeu de
Muitos anos se passaram desde
seus pecados. Ou você não lembra
aquela experiência no trabalho.
por que Ele veio à Terra?”
Aprendi que algumas conseqüênFiquei atônito com sua resposta,
cias de nossas ações permanecem
e suas palavras me deixaram sem
M
conosco por toda a vida. Muitas delas
afetam a vida de nossos entes queridos. A solidão não tem sido fácil,
mas ajudou-me a reconhecer minhas
fraquezas e pedir perdão a meu Pai
Celestial e às pessoas que foram mais
afetadas: meus filhos e a mãe deles.
Ao contrário do que eu sentia
naquela tarde, hoje posso dizer que
tenho paz e esperança. Sei que Jesus
Cristo pagou o preço e não tenho
dúvida disso porque me arrependi.
Ele me susteve durante aqueles anos
de provação. Embora as provações
continuem, sei que se eu me arrepender, buscar o Senhor e guardar
os mandamentos, Ele vai continuar a
me suster. ◼
A Liahona JANEIRO DE 2009
47
C o m o
U s a r
E s t a
E d i ç ã o
Idéias para a Noite Familiar
As sugestões didáticas a seguir
podem ser usadas na sala de aula
e no lar. Elas podem ser adaptadas
para sua família ou sua classe.
”Como Enriquecer Seu Estudo de
Doutrina e Convênios”,
p. 10: Troque
idéias com seus filhos mais
velhos sobre diferentes
maneiras de ir para a Escola
Dominical preparados para
aprender e participar. Convide-os a estabelecerem
uma meta específica de
estarem mais bem preparados para a Escola Dominical neste
ano, ou estabeleça uma meta para
toda a família trabalhar em conjunto.
Ajude as crianças mais novas a estabelecer metas condizentes com sua
capacidade, como levar as escrituras
para as aulas, chegar no horário, orar
pelo professor ou erguer a mão para
falar em aula. Troquem idéias sobre
algumas maneiras pelas quais vocês
podem ajudar uns aos outros a cumprir suas metas.
T
p. 36:
Peça aos membros da família que
descrevam ocasiões em que viram
outros serem um “exemplo dos fiéis”.
Leiam suas listas uns para os outros e
troquem idéias sobre maneiras pelas
quais cada membro da família pode
ser um bom exemplo. Estabeleça
metas de como fazer isso.
”O Show de Talentos”,
p. A8: Leia o artigo e
saliente qual talento
Marie descobriu que possuía. Para ajudar os membros da
família a descobrir seus talentos ocultos, peça a cada pessoa que descreva
o talento da pessoa a sua esquerda.
Se o tempo permitir, você pode dar
continuidade a esse processo, em
várias ocasiões. Encerre lendo Morôni
7:47 e a citação do Élder L. Tom
Perry.
”A Semana de Ben”, p. A14: Leia
o artigo, observando a coragem
que Ben precisou ter ao pedir ao
O número representa a primeira página do
artigo.
A = O Amigo
Hinos, 35
Amor, 2, A4, A8
Instituto, 18
Apóstolo, 28
Jesus Cristo, 46, A2
Arrependimento, 46
Livro de Mórmon, 22, 28,
Atributos semelhantes
aos de Cristo, A2
Bênçãos, 17, 18, 26, 45
35, A6
Obra missionária, 2,
35, 40
Dia do Senhor, A14
Oração, 8, 10, 14, 45
Doutrina e Convênios, 10
Primária, A4, A8
Educação, 22
Professoras visitantes, 25
Ensino, 10
Reunião familiar, 48, A10
Escola Dominical, 10
Sacerdócio Aarônico, 38
Escrituras, 10, 22, 28,
Sacrifício, 26
39, A4
Esperança, 40, A2
Exemplo, 2, 8, 36, 39, 40,
A2, A10, A14
Expiação, 28, 35, 46
Fé, 14, 18, 25, 26, 39,
Smith, Joseph, 10, 14,
28, A6
Talento, A8
Tentação, 44
Testemunho, 2, 8, 18, 22,
28, 36
45, A2
avô que não fossem fazer compras no domingo. Troquem idéias
sobre como os membros da família
podem ser corajosos ao esforçarem-se para cumprir os mandamentos. Faça uma dramatização de
situações que exijam coragem para
escolher o certo.
Uma Lição Que Mudou Nossas
Noites Familiares
emos três filhos pequenos, com
cinco, três e um ano de idade.
A princípio, nossas noites familiares eram um desastre. As crianças
ficavam chamando a atenção para si
mesmas. Minha mulher e eu quase
nos sentimos derrotados.
Então, em uma certa noite de
segunda-feira, minha mulher deu uma
aula sobre Samuel, o lamanita, usando
gravuras de flanelógrafo como auxílio
visual. Todos nos revezamos em colocar as gravuras no flanelógrafo que
48
”O Exemplo dos Fiéis”,
Tó pi cos D es ta E d i ç ão
correspondessem aos personagens
citados no relato. As crianças gostaram tanto da atividade que tivemos
nossa primeira noite familiar tranqüila
e cheia do Espírito em muitos meses.
Aquela lição revolucionou as
nossas noites familiares. Começamos
a preparar lições mais interativas, e as
crianças se dispuseram a colaborar em
todo tipo de coisa para fazer com que
a noite familiar desse certo. Também
passamos a dedicar mais tempo ao
planejamento de nossa noite familiar.
Sua Noite Familiar Preferida
Tomamos cuidado para garantir que
nunca houvesse duas noites familiares
com a mesma agenda. A variedade de
atividades ajudou a manter as crianças
interessadas.
Foi necessário esforço consciente
de nossa parte para instituir e manter
esses elementos de nossa noite familiar. Mas nossos filhos agora anseiam
pela noite familiar e participam de
modo mais construtivo.
Francis O. e Ada U. Nmeribe, Abuja,
Nigéria
Envie uma descrição de sua noite familiar preferida para [email protected].
O Amigo
P ara as C rian ç as • A I greja de J esus C risto dos S antos dos Ú ltimos D ias • J aneiro de 2 0 0 9
V i n d e a o P r o f e t a
E s cu t a r
Como Nos Tornar
Semelhantes a Jesus Cristo
P r e s i d e n t e D i e t e r F. U c h t d o r f
J
Segundo Conselheiro na Primeira Presidência
explica o que
significa desenvolver
qualidades
semelhantes às
de Cristo.
A2
Seus mandamentos — mesmo que não
compreendamos completamente as razões
pelas quais eles existem. Ao buscarmos ser
mais semelhantes ao Salvador, precisamos
reavaliar regularmente nossa vida e confiar,
pelo caminho do verdadeiro arrependimento, nos méritos de Jesus Cristo e nas
bênçãos da Expiação.
À medida que desenvolvermos qualidades cristãs em nossa própria vida, passo a
passo, elas “[nos sustentarão] como sobre
asas de águias” (D&C 124:18). Tanto a fé
como a esperança nos conduzirão através
de oceanos de tentações e montanhas de
aflições, e nos trarão em segurança de volta
a nosso lar e destino eternos. ●
Extraído de um discurso proferido na conferência
geral de outubro de 2005.
Coisas em Que Pensar
1. As escrituras nos ajudam a aprender como
era Jesus. Qual é sua história favorita das escrituras a respeito de Jesus?
2. Jesus era humilde e fiel. Quais são outras
palavras que O descrevem?
3. Aprendemos a ser semelhantes a Jesus passo
a passo. O que você poderia fazer para expressar seu amor por um amigo ou membro da sua
família?
Perfeito Amor, de Del Parson, reprodução proibida
O Presidente Uchtdorf
esus Cristo instruiu Seus Apóstolos,
no começo de Seu ministério mortal: “Vinde após mim, e eu vos farei
pescadores de homens” (Mateus 4:19).
Precisamos “segui-Lo” e, se assim fizermos,
o Senhor nos abençoará além de nossa
própria capacidade para nos tornarmos o
que Ele deseja que sejamos.
Seguir Cristo é tornar-se mais semelhante a Ele. É aprender com o Seu caráter.
O Salvador nos convida a aprender Seu
evangelho, vivendo Seus ensinamentos. Os
profetas antigos e modernos descreveramnos em três palavras: “Guardem os mandamentos” — nem mais, nem menos.
As escrituras descrevem várias qualidades cristãs que precisamos desenvolver
durante o curso de nossa vida. Isso inclui
conhecimento e humildade, caridade e
amor, obediência e diligência, fé e esperança. As qualidades cristãs são dádivas de
Deus. Elas não podem ser desenvolvidas
sem Sua ajuda. A ajuda de que todos nós
precisamos é concedida gratuitamente por
intermédio da Expiação de Jesus Cristo.
Ter fé em Jesus Cristo e em Sua Expiação significa confiar plenamente Nele —
confiar em Seu poder, inteligência e amor
infinitos. Quando temos fé em Cristo, confiamos no Senhor o bastante para cumprir
.
ama
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82
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Celestial
Pai
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Tenho
Observação: Esta atividade pode ser copiada ou
impressa a partir da Internet
no site www.lds.org. Para
inglês, clique em Gospel
Library. Para outros idiomas, clique em Languages.
T e mp o
d e
C o mpa r t i l h a r
Tenho um Pai Celestial
Que Me Ama
Tenho
um
Pai
Celestial
Ilustração: Dilleen Marsh
Atividade
Recorte o marcador de livro da página A4 e cole em
papelão ou cartolina. Dobre ao meio. Cole a parte de
trás e faça um furo na parte de cima. Prenda um laço ou
fita no furo. Use esse marcador de livro em suas escrituras para lembrar-se de que você tem um Pai Celestial
que o conhece, que o ama e sempre ouvirá e responderá a suas orações.
Idéias para o Tempo de Compartilhar
1. Usando o manual Primária 6, página 2, prepare
desenhos e fitas com palavras representando as gravuras do plano de salvação e mostre-as em ordem. Comece
.
ama
Como você pode realmente saber que é
filho de Deus? Muitas crianças não sabem
que têm um Pai Celestial, que as ama e
que pode ajudá-las. Muitas crianças não
sabem que viveram com o Pai Celestial antes de virem
para a Terra. Não sabem que podem orar a Ele.
Como você, elas esqueceram como era viver no
céu.
Você tem as escrituras, os profetas, o
Espírito Santo e uma família para ensiná-lo e
lembrá-lo como era viver com o Pai Celestial como
filho Dele. As escrituras ensinam que você recebeu
no céu suas primeiras lições e foi preparado para vir
à Terra (ver D&C 138:56). Elas também ensinam que
o Espírito Santo “testifica com o nosso espírito que
somos filhos de Deus” (Romanos 8:16). Os hinos “Sou
um Filho de Deus” e “No Céu Eu Vivi” (Músicas para
Crianças, pp. 2–3, 4) podem ajudá-lo a lembrar quem
você é e de onde veio.
O Pai Celestial quer que você lembre que Ele é o Pai
do seu espírito. Ele criou você. Quando você faz suas
orações, o Pai Celestial o ajuda a lembrar que você é
filho Dele. O Espírito Santo pode ajudá-lo a pensar e
agir como um filho de Deus.
me
Ch e r y l E s p l i n
dizendo às crianças que o Pai Celestial nos ama e nos deu
um plano perfeito. Jesus Cristo é a figura central do plano,
e se O seguirmos, poderemos voltar a viver com nosso Pai
Celestial. Divida a Primária em quatro grupos, e atribua
a cada grupo uma fase diferente da existência. Distribua papéis, lápis ou giz de cera, referências
das escrituras e um hino ou ação (relacionados
abaixo). Peça a cada grupo que leia suas escrituras e, depois, desenhe uma coisa que acontece
naquela fase do plano. Quando os grupos estiverem
prontos, ensine o plano de salvação na ordem correta,
usando os grupos para ajudá-lo a ensinar cada parte.
Vida pré-mortal: D&C 138:56; Moisés 4:2; Abraão 3:22–
23 (ação: erguer as mãos e sussurrar, “Viva!”). Vida na
Terra: Abraão 3:24–25; Regras de Fé 1:3 (hino: “Guarda
os Mandamentos”, Músicas para Crianças, pp.68–69).
Mundo espiritual: Alma 40:11–14; D&C 138:30–32.
Reinos de glória: telestial—D&C 76:81; terrestre—D&C
76:71; celestial—D&C 76:92–96 (hino: “As Famílias Poderão Ser Eternas” Músicas para Crianças, p.98).
2. Mostre a fotografia de um templo. Pergunte: “Em que
vocês pensam quando vêem um templo ou a gravura de um
templo? Por que vocês acham que as pessoas se esforçam tanto
para manter o templo belo e limpo”? Explique às crianças que
o templo é um lugar sagrado e santo. Ajude as crianças a
memorizar I Coríntios 3:16. Explique-lhes que, tal como o
templo, nosso corpo é sagrado e santo. Precisamos cuidar
bem dele. Mostre a gravura 114, do Pacote de Gravuras
do Evangelho (Daniel Recusa a Comida e o Vinho do
Rei). Conte o que aconteceu com Daniel e seu amigos
quando eles cuidaram do corpo deles como se fosse um
templo (ver Daniel 1:5–20). Mostre objetos que representem dormir, bons alimentos, exercício físico, limpeza e
recato (exemplos: travesseiro, fruta, bola, pente, gravata).
Peça às crianças que passem os objetos umas para as
outras enquanto cantam um hino sobre o templo. Pare
a música freqüentemente e peça às crianças que estiverem segurando um objeto, que digam uma coisa que
elas podem fazer para cuidar do corpo como se fosse um
templo. Preste testemunho de que, assim como o templo,
nosso corpo é sagrado e santo. ●
que
“Todos vós [sois] filhos do Altíssimo” (Salmos 82:6).
O Amigo JANEIRO DE 2009
A5
D a Vida do P ro f e t a J o s ep h Smi t h
A Publicação do
Livro de Mórmon
Em 1829, Joseph Smith, com a ajuda
de seu escrevente Oliver Cowdery,
terminou a tradução do Livro de
Mórmon.
Oliver,
o Senhor está
contente conosco.
Agora
precisamos apenas
publicar este grandioso
livro.
Precisamos de 5.000
exemplares deste livro,
assim que possível.
Vai custar
3 mil dólares.
Como vocês
querem muitos
exemplares e como o
livro é muito grande,
pode ser que leve mais
de um ano.
Vários meses depois, o Sr. Grandin ficou preocupado,
achando que Joseph não iria pagar. Ele parou de imprimir o Livro de Mórmon, até ter certeza.
Hipotequei minha fazenda para imprimir
o Livro de Mórmon. Isso deve deixar o
Sr. Grandin tranqüilo.
Isso é
maravilhoso,
Martin!
A6
Ilustrações: Sal Velluto e Eugenio Mattozzi
Joseph e Oliver foram até Palmyra, Nova York,
e falaram com Egbert B. Grandin, que tinha uma
gráfica.
O Sr. Grandin havia comprado uma prensa nova que
tornou o processo de impressão muito mais rápido que os
anteriores. Ainda assim, levou
muito tempo.
Sr. Grandin,
estamos quase acabando,
e passaram-se só
sete meses!
Não
entendo bem
como isso
aconteceu.
Depois que o Livro de Mórmon foi publicado,
o Senhor ordenou a Joseph que organizasse a
Igreja. No dia 6 de abril de 1830, aproximadamente 60 pessoas se reuniram na casa de Peter
Whitmer Sênior.
Os membros apoiaram
Joseph como o profeta e
tomaram o sacramento.
Bem-vindos,
irmãos e irmãs.
Embora a Igreja tenha
começado com apenas poucos membros, mais tarde,
Joseph contou a alguns
irmãos, em Kirtland, qual
seria o destino dela.
Adaptado de Ensinamentos dos Presidentes da Igreja: Joseph Smith (Curso de estudo do Sacerdócio de Melquisedeque e da Sociedade de Socorro, 2007), pp. 9–11, 143–144; e History of the
Church, Volume 1, pp. 71–80.
Vocês estão vendo somente uns
poucos portadores do sacerdócio aqui reunidos nesta noite,
mas esta Igreja vai encher a
América do Norte e do Sul. Ela
vai encher o mundo inteiro.
O Amigo JanEIRO DE 2009
A7
“Mas a caridade é o puro amor
de Cristo e permanece para
sempre; e para todos os que a
possuírem, no último dia tudo
estará bem” (Morôni 7:47).
Alison Palmer
Inspirado em uma história verídica
M
arie olhou pela janela do carro enquanto
ela e sua classe da Primária se dirigiam
à casa de repouso. Ela esperava que
nenhuma das meninas percebesse as lágrimas que estavam em seus olhos.
Quando a irmã Gibson sugeriu o show de talentos
como atividade do dia, parecia ser uma excelente idéia. Todas as meninas se puseram a
A8
planejar o talento que iriam compartilhar. Marie havia tentado, mas
não tivera nenhuma
idéia do que
poderia fazer.
Duas meninas
iriam tocar piano. Uma
menina iria tocar violino, e outra
iria cantar. Outra iria recitar um
poema que ela mesma havia composto, e a melhor amiga de Marie,
Shelley, iria dar um salto mortal
de costas. Andrea não iria apresentar nada, mas tinha feito biscoitos
para todos comerem depois do show.
Quanto mais Marie pensava no
show de talentos, mais ficava convencida de que não tinha nenhum
talento. Nem mesmo sabia por que
estava indo. A irmã Gibson tentou
fazer com que ela se sentisse melhor,
dizendo-lhe que ainda não tinha
descoberto o talento muito especial
que o Pai Celestial lhe concedera.
Mas Marie achava difícil acreditar naquilo. Ela achava que
nunca seria boa em coisa alguma.
A sala de reuniões da casa de repouso estava bem
silenciosa. Havia pessoas idosas por toda a parte, e isso
deixou Marie ainda mais nervosa. Ela não sabia o que
dizer para elas nem como agir. As outras meninas pareciam estar sentindo o mesmo. Elas estavam agrupadas
em um canto, olhando timidamente em volta, até que a
irmã Gibson mostrou-lhes onde deveriam sentar-se.
Marie ainda estava-se sentindo triste quando o
programa começou. Então, logo após o primeiro solo
de piano, ela ouviu alguém tossindo atrás dela. Marie
Ilustrações: Brandon Dorman
Show de Talentos
virou-se e viu uma mulher grisalha que se contraía cada
vez que tossia.
Marie parou de pensar em si mesma e começou a
se preocupar com a mulher. Tirou uma bala do bolso
e foi até onde ela estava. Colocou a mão no ombro da
mulher e lhe entregou o presentinho. Quando estendeu
a mão enrugada para aceitá-lo, a mulher sorriu para ela,
e Marie sentiu felicidade e paz.
Marie ficou ao lado da mulher durante todo o restante do programa. Ela ficou segurando a mão dela,
dizendo, às vezes, o que estava acontecendo. Sentiu-se
bem em fazer algo por outra pessoa, e isso a impediu
de sentir pena de si mesma.
Na hora de partir, a mulher deu um abraço em Marie
e sussurrou: “Obrigada por ter conversado comigo.
Você tem um verdadeiro talento para fazer as pessoas
se sentirem amadas”.
No caminho de volta para a Igreja, Marie sentiu-se
grata por saber que tinha um talento, afinal. Quando
servia o próximo, ela sentia o amor do Pai Celestial, e
podia ajudar as pessoas a sentirem esse amor também.
Era um talento muito especial. ●
“Todos nós fomos dotados
com muitos talentos, beleza e
capacidade.”
Élder L. Tom Perry, do Quórum dos
Doze Apóstolos, “Staying Power”,
­Ensign, julho de 2003, p. 42.
O Amigo JANEIRO DE 2009
A9
F a z e n d o
A m i g o s
Com Todo o Coração
Há crianças no mundo inteiro que amam e adoram Jesus Cristo, tal como você! Neste mês, vamos conhecer Ricardo
R i c ha r d M . Rom n e y
T
Revistas da Igreja
udo o que Ricardo Fortuna faz, ele faz
com entusiasmo. Esse menino de oito
anos, de Santo Domingo, na República
A10
Dominicana, joga beisebol com a energia de um profissional. Ele se reúne com seus amigos e seu irmão
para brincar de corrida de caminhões de brinquedo ou
simular uma batalha imaginária entre dinossauros. Ele
fica muito animado quando sua mãe o chama da cozinha para ajudá-la a preparar tostones (bananas-da-terra
fritas).
Ricardo participa com entusiasmo da noite familiar.
Ele ora fervorosamente com a família todos os dias,
pela manhã e à noite. Lê seus livros e escrituras. E
gostaria que houvesse Primária mais de uma vez por
semana! Tudo o que Ricardo faz, ele faz com o coração.
Há uma coisa que Ricardo faz com todo o coração:
amar o Senhor. Ele sabe que isso é um mandamento,
porque leu na Bíblia: “Amarás o Senhor teu Deus de
todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o
teu pensamento” (Mateus 22:37).
“Isso significa que devemos amá-Lo o máximo que
pudermos”, diz Ricardo. Esse amor fica especialmente
evidente no apartamento da família quando comemoram o Natal. Todas as noites, a família lê escrituras sobre o nascimento do Salvador. Alguém conta
o que aconteceu na Terra Santa. Outros contam o
que aconteceu no Novo Mundo.
Ricardo diz que é importante lembrar-nos de
Jesus Cristo no Natal, porque esse é o dia em que as
pessoas comemoram Seu nascimento. “Mas é importante pensar em Jesus todos os dias e seguir Seu exemplo”, diz ele. “Devemos lembrar que Ele nos ensinou a
respeito do Pai Celestial e sobre como devemos adoráLo e que Ele também nos enviou o Espírito Santo.”
Do lado de dentro da porta de entrada, do apartamento da família Fortuna, há uma grande gravura
do Salvador. Não importa onde estejamos na
sala, podemos vê-Lo. “A gravura nos
Fotografias: Richard M. Romney, exceto quando mencionado
Fortuna, de Santo Domingo, República Dominicana.
lembra que devemos pensar Nele”, diz
Ricardo, “não só no Natal, mas durante
o ano inteiro”.
A Escritura Favorita de Ricardo
Ricardo gosta muito das Regras de Fé, especialmente a de número cinco, que ele consegue recitar muy rápidamente. “Cremos que um
homem deve ser chamado por Deus, por profecia e pela imposição de mãos, por quem possua
autoridade, para pregar o Evangelho e administrar
suas ordenanças”, cita ele. “Ela nos diz que o Senhor
chama os líderes de Sua Igreja e
que ensinamos o evangelho com
autoridade.”
Guloseimas Divertidas
É hora de preparar sua guloseima
preferida, tostones, e Ricardo acha
que vale cada minuto gasto para
isso. Ele e a mãe descascam
cuidadosamente e fatiam
as bananas-da-terra, uma
espécie de banana que
não é doce. Eles fritam
as bananas em óleo
quente, deixam esfriar e escorrer bem, até ficarem bem secas.
Então, vem a parte preferida de
Ricardo. Ele coloca cada fatia
em uma prensa de madeira para
achatá-la. Depois, cada fatia é
novamente frita. Ele gosta de
comer tostones com lingüiça.
Bons Exemplos
Ricardo sempre brinca com seu irmão Marcus e
outro amigo, o Manuel, que é membro da Igreja e mora
no apartamento vizinho. Ele sabe que os amigos de
verdade incentivam uns aos outros
a fazerem o que é
certo. “Como eles
me consideram seu
Ricardo diz que é importante pensar
em Jesus Cristo todos os dias. Com seu
pai, ele sempre olha para a gravura
que está pendurada no apartamento,
e Ricardo lê escrituras sobre a vida do
Salvador.
O Amigo JANEIRO DE 2009
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O ceano Atl â ntico
República Dominicana
Puerto Rico
Haiti
Santo Domingo
Ricardo mora na República Dominicana, um país localizado na mesma
ilha em que fica o Haiti. Ele prepara
bananas-da-terra com lingüiça,
gosta de beisebol e brinca
com dinossauros e
caminhões de
brinquedo.
A12
exemplo, preciso dar um bom exemplo para eles”, diz
ele.
Ricardo também gosta muito de seu pai e sua mãe.
“Amo minha mamãe e meu papai”, diz ele. “Eles me
ajudam e brincam comigo. Eles me ensinam e lêem
comigo. Fazemos oração juntos todos os dias, pela
manhã e à noite.”
Ele também considera o Presidente Thomas S. Monson um exemplo. “Sei que ele é um profeta de Deus e
que fala a palavra de Deus”, diz Ricardo. “Sei que ele faz
orações e lê as escrituras, por isso devo fazer o mesmo.”
E Ricardo diz que Jesus Cristo é seu maior exemplo. “Ele nos ensina a fazer o que
é certo, a ser obedientes, a orar
corretamente e a ser reverentes e
respeitosos.” ●
Mapa © Mountain High Maps
Onde É Que Fica Santo Domingo,
República Dominicana?
Cuba
Ilustração: Apryl Stott
Pá g i n a pa r a C o l o r i r
Sou um filho espiritual do Pai Celestial
“Todos vós [sois] filhos do Altíssimo” (Salmos 82:6).
O Amigo JANEIRO DE 2009
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n
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B
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a
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A Sem
Inspirado em uma história verídica
“Abençoou o Senhor o dia do sábado e santificou-o”
(Mosias 13:19).
en descansou o braço na mala
que estava a seu lado no
carro. A mamãe e o papai
estavam levando-o de carro para a
casa do vovô. Ben ia ficar com o
avô a semana inteira. Sem irmãos,
sem babá. Só Ben e o vovô.
Ben havia conversado
com o vovô sobre a semana
que passariam juntos. O vovô
dissera que aquela seria a
semana de Ben, e ele poderia fazer todas as suas coisas
favoritas. Ben olhou pela janela.
Será que havia-se lembrado de
pôr tudo na mala? Ele havia
colocado seu chapéu de pesca
sortudo, seus óculos escuros e seus
livros favoritos.
“Lembre-se”, disse a mãe no banco da
frente, “o vovô não é membro de nossa Igreja.
É uma boa pessoa e um bom avô. Mas algumas
coisas vão parecer diferentes para você na casa dele”.
“Como o quê?” Ben sabia que seu avô não ia à Igreja.
Mas não havia pensado sobre que diferença isso faria.
“Talvez você tenha que lembrar a ele que você não
toma chá gelado”, disse o pai.
“Está bem”, disse Ben.
“Você não poderá ir à Igreja no domingo, mas pode
guardar o Dia do Senhor de outras maneiras”, disse a mãe.
B
A14
“Vou fazer isso”, disse Ben.
Quando chegaram à casa do avô, ele estava
esperando por eles na varanda.
Ben foi o primeiro a sair do carro.
“Vovô!”
“Como vai meu menino de sete
anos preferido?” O vovô deu-lhe um
forte abraço. “Está pronto para sua
semana muito especial? Podemos
fazer tudo o que você quiser.”
“Podemos pescar?” perguntou
Ben. “Eu trouxe meu chapéu
de pesca sortudo.”
“Claro que podemos”,
disse o avô.
“E podemos ir ao zoológico?” perguntou Ben.
“Eu trouxe meus óculos
escuros.”
“Claro que podemos”,
disse o avô.
“E podemos ler juntos?”
perguntou Ben. “Trouxe meus
livros favoritos.”
“Claro que podemos”, disse o avô.
“E acho que precisamos fazer umas compras para que
você escolha um brinquedo na loja.”
“Oh, puxa!”, disse Ben. “Vai ser uma ótima
semana!”
Na sexta-feira, o vovô e Ben foram pescar.
No sábado, os dois foram ao zoológico.
No dia seguinte, o avô preparou panquecas para
Ilustrações: Craig Stapley
La n a K r umw i e d e
“Seja um verdadeiro santo
dos últimos dias. (…) Santifique o Dia do Senhor.”
Presidente Ezra Taft Benson
(1899–1994), “To The Children
of the Church”, E
­ nsign, maio
de 1989, p. 82.
”É por Meio de Coisas Pequenas e Simples Que as Grandes São Realizadas” (Alma 37:6), David Koch
A jovem Lucy Mack Smith lê as escrituras para seus filhos Joseph e Hyrum na cabana de toras que fica perto
do Bosque Sagrado, na Cidade de Palmyra, Nova York. A partir desse humilde início, Joseph, o profeta da última
dispensação, restaurou a plenitude do evangelho na Terra. Em 27 de junho de 1844, os dois
meninos, já adultos, morreram como mártires e testemunhas da veracidade da Restauração.
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4
PORTUGUESE
1
“O menino Joseph foi ao bosque em busca de sabedoria, e foi o que ele
recebeu. Sua instrução apostólica havia começado. Dentre as grandes lições apostólicas dessa Primeira Visão estavam tanto a natureza
física do Salvador e do Pai Celestial quanto as lições iniciais e fundamentais referentes ao poder Deles: cada qual um pilar de testemunho
apostólico”. Ver “Joseph Smith: Apóstolo de Jesus Cristo”, p. 28.
o desjejum. “Vamos fazer compras hoje”,
disse o vovô.
“Oba!” exclamou Ben. “Que tipo de brinquedo vou ganhar?”
Então, Ben se lembrou que era
domingo. Como é que ele ia explicar
ao avô que não devia fazer compras no
domingo?
Depois do desjejum, Ben fez uma
oração em seu quarto. Ele pediu ao Pai
Celestial que o ajudasse a explicar ao avô
sobre a importância de santificar o Dia do
Senhor.
Depois da oração, Ben sentou-se
na cama. Vovô disse para o Ben:
“Deixe-me calçar-lhe os sapatos
e vamos sair”.
Ben respirou fundo e ficou de pé. Viu
que o avô estava amarrando o cadarço
de seus sapatos.
“Vovô, obrigado por me levar para pescar e também ao zoológico. Mas acho que
hoje devemos descansar.”
“Como assim?” perguntou o avô. “Eu
prometi que o levaria para fazer compras.”
“Eu sei, mas será que poderíamos ir
outro dia?”
“Você está-se sentindo mal? Está
doente?”
“Não, vovô”, disse Ben. “Hoje é
domingo. Em casa não fazemos compras
aos domingos.”
O avô não disse nada.
“Podemos ficar em casa hoje?” perguntou Ben. “Podemos fazer uma caminhada.
Podemos ler livros.”
O avô sorriu para Ben. “Claro que podemos”, disse ele. “Esta é a sua semana, por
isso você é quem escolhe.”
Ben deu um forte abraço no avô.
“Eu sabia que esta seria uma ótima
semana”, disse Ben. ●
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Janeiro de 2009 A Liahona