ROGERIO STUDART
Membros do FMI e Banco
Mundial não encontram a
receita para o crescimento. P9
EBOLA
Exames descartam infectado
no Brasil. Confirmada a 1ª
contaminação nos EUA. P26
OCTÁVIO COSTA
O mercado comemora antes
da hora. Ainda falta muito
tempo para a eleição. P32
BOLÍVIA
Evo Morales é reeleito
presidente com mais de 60%
dos votos. P28
INDICADORES
Brasil
Econom ico
Ações do
Banco do Brasil ON
(em R$)
33,48
31,60
30,24
30,43
7/10
8/10
30,20
www.brasileconomico.com.br
9/10
10/10
13/10
PUBLISHER RAMIRO ALVES . CHEFE DE REDAÇÃO OCTÁVIO COSTA . EDITORA CHEFE SONIA SOARES . TERÇA-FEIRA, 14 DE OUTUBRO DE 2014 . ANO 6 . Nº 1.286 . R$ 3,00
Fred Lancelot/ Reuters
Tirole, na
camiseta: “Eu
amo a Escola
de Economia de
Toulousse”
Pote plástico
imune à crise
No mercado há mais de 60 anos, a Tupperware comemora o aumento de vendas em países
emergentes, onde uma nova classe média
surgiu nos últimos anos, compensando a redução do consumo nos países ricos. P12e13
Nobel para livre concorrência
O estudo sobre a aplicação de políticas de regulação do mercado
para a livre concorrência deu ao professor Jean Tirole o Prêmio
Nobel de Economia, condedido pela Real Academia Sueca de
Ciência. É a segunda vez que um francês ganha na categoria. P6e7
TOLERÂNCIA
FOCUS
Igreja Católica
muda o tom
sobre gays
Bancos elevam
as projeções
para o PIB
Documento resultante do Sínodo da Família
prega a abertura de espaço para os homossexuais na comunidade
cristã. P27
Após 19 semanas de queda, o BC detectou melhora na estimativa do
PIB, que passou a 0,28%.
Já para a inflação, o cenário piorou. P10
Carlos Barria/ Reuters
Real valoriza e
juros caem na
onda da eleição
O mercado torce mas ainda não tem certeza sobre a vitória de Aécio
Neves. Este é o motivo, aponta o colunista Luiz Sérgio Guimarães, para a
queda de 1,27% do dólar, em dia de pouco volume de negócios. Mesmo
assim, o real foi a moeda que mais se valorizou ontem. Os juros futuros
caíram e a Bovespa fechou com alta de 4,78%. P20e22
RESISTÊNCIA Militantes do movimento
pró-democracia de Hong Kong montam
barricadas nas ruas, mais vazias. Ontem,
mascarados atacaram estudantes, que
perdem apoio de parte da população. P29
2 Brasil Econômico Terça-feira, 14 de outubro, 2014
MOSAICO POLÍTICO
GILBERTO NASCIMENTO
[email protected]
COM LEONARDO FUHRMANN
SP: PUBLICIDADE MUDA DE MÃOS
“
Sem Lula, Eduardo
Campos não teria
feito o governo
que fez.
As pessoas
esquecem”
O
prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT) assinou um decreto que retira a Coordenação de
Publicidade da Secretaria de Comunicação e passa o departamento para a Secretaria de
Governo. Com a decisão, a publicidade legal e as publicações de interesse do município passam a
ser geridas pelo secretário Chico Macena, militante petista considerado próximo ao ministro-chefe da
Casa Civil da presidenta Dilma Rousseff, Aloízio Mercadante. A comunicação de Haddad é alvo de críticas
públicas do partido, inclusive do ex-presidente Lula, que culpa a falta de publicidade pela baixa
popularidade da gestão. O prefeito sempre defendeu que sua popularidade viria das ações de seu
governo e, por isso, não teria dificuldade de divulgá-las sem aumentar gastos com publicidade.
Gilberto Carvalho
Divulgação
Secretário-geral da
Presidência, sobre o apoio
do petista à gestão do
ex-governador de
Pernambuco, cuja família e o
partido declararam voto no
tucano Aécio Neves
Divulgação
Alguns petistas chegaram inclusive a responsabilizar a falta de preocupação do prefeito com a propaganda de seus feitos pelas dificuldades do partido na disputa eleitoral deste ano, em que o senador
Eduardo Suplicy e o candidato ao
governo paulista Alexandre Padilha foram derrotados. O PT também reduziu as bancadas estadual
e federal por São Paulo e a presidenta Dilma Rousseff teve no Estado uma votação muito abaixo do
esperado no primeiro turno. Macena já produzia um boletim de divulgação das ações da administração paulistana. Outros secretários
também já contavam com o apoio
de agências de comunicação para
divulgar seus feitos a frente do cargo. Agora com menos atribuições,
o secretário de Comunicação,
Nunzio Briguglio, é uma escolha
pessoal de Haddad, de quem foi assessor de imprensa no Ministério
da Educação.
Rede começa a ter primeiros furos
Fundadores da Rede Sustentabilidade já consideram a hipótese de criar
um novo partido para manterem vivas as ideias de "nova política" e
"horizontalidade nas decisões". Para eles, o apoio de Marina Silva (PSB),
principal líder da Rede, a Aécio Neves (PSDB) fere os princípios pregados
pelo grupo nos dois últimos anos. A insatisfação já vinha desde as
propostas tidas como neoliberais do programa da candidata, mas ficou
ainda mais grave agora, depois da declaração dela em favor do tucano.
Janine Moraes/Divulgação
Aécio deixa gosto
amargo entre
marineiros
Volta por cima de um ex-dissidente
Jango 2
No primeiro turno, o prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB)
se recusou a dar apoio ao candidato de seu partido ao governo de
Minas, o ex-prefeito de Juiz de Fora Tarcísio Delgado, pai do deputado
Júlio Delgado. Lacerda é aliado fiel do presidenciável Aécio Neves
(PSDB) na política local e, por isso, preferiu permanecer ao lado do
tucano Pimenta da Veiga, derrotado já no primeiro turno pelo petista
Fernando Pimentel. Agora, com a declaração de apoio dos pessebistas a
Aécio na segunda etapa da disputa nacional, o prefeito voltou a se sentir
mais a vontade dentro de seu próprio partido e superou as divergências.
João Alexandre Goulart, neto do
presidente da República deposto
pelo golpe militar de 1964, é um
defensor da reeleição da
presidenta Dilma Rousseff (PT).
Filiado ao PDT, Goulart vê a petista
como vítima de um “golpe do
neoliberalismo” e compara a
situação atual dela com a de Jango.
FALE CONOSCO
O porta-voz da Rede, Walter
Feldman, considera que a
divisão em torno do apoio de
Marina Silva ao presidenciável
Aécio Neves (PSDB) no segundo
turno não deve provocar rachas
dentro do grupo. Mas ele admite
que alguns colegas que
defendiam a neutralidade e até
mesmo apoiam a presidenta
Dilma Rousseff (PT) ficaram
“amargurados” com a situação.
E-mail: [email protected] Cartas para a redação: Rua dos Inválidos, 198, 1º andar,
CEP 20231-048, Lapa, Rio de Janeiro (RJ). As mensagens devem conter nome completo, endereço, telefone e assinatura.
Em razão de espaço ou clareza, Brasil Econômico reserva-se o direito de editar as cartas recebidas. Mais cartas em www.brasileconomico.com.br
Quem não sabe que Renovação da
política nacional
política muda ao
fica para depois
sabor do vento?
Segurança não é o
ponto forte do
transporte carioca
Não entendo o espanto da
população no que diz respeito ao
apoio da Marina Silva a Aécio
Neves no segundo turno das
eleições. Nada é mais ao sabor do
vento do que a política no que diz
respeito a coligações e parcerias.
Sempre foi assim. Ainda mais com
uma candidatura que foi
costurada aos quarenta e cinco
minutos do segundo tempo.
A possível renovação da
Presidência da República foi por
água abaixo no primeiro turno.
Parece que vamos ficar na
mesma, independente do
resultado das eleições. A tal
alternância no poder é que
impede nossa evolução. Um pouco
de ar fresco e de novas ideias não
seria nada mau para nós. Vamos
ter que esperar mais quatro anos.
Muitas áreas do Rio de Janeiro
precisam de fiscalização urgente
no que diz respeito à velocidade
de veículos. Ônibus, em sua
maioria, cruzam vias como o Alto
da Boa Vista, Estrada
Grajaú-Jacarepaguá e Avenida
Niemeyer em velocidades
criminosas à noite. Os passageiros
passam por risco de acidente
diariamente e ninguém é punido.
Giuliana Cavalcanti
Patricia Leite
Marcio Nabuco
Recife, PE
São Paulo, SP
Rio de Janeiro, RJ
INDICADORES
Impulsionado pelas eleições, o Ibovespa terminou o dia com ganhos de
4,78%, aos 57.956 pontos, o maior avanço percentual do índice desde
agosto de 2011. O giro financeiro da sessão foi de R$ 10,3 bilhões.
TAXAS DE CÂMBIO
▼ Dólar comercial (R$ / US$)
COMPRA
VENDA
2,3917
2,3927
▼ Euro (R$ / E)
3,0370
3,0389
JUROS
■ Selic (ao ano)
META
EFETIVA
BOLSAS
▲ Bovespa - São Paulo
▼ Dow Jones - Nova York
▲ FTSE 100 - Londres
11%
VAR. %
10,90%
ÍNDICES
4,78
57.956,54
1,35
16.321,07
0,41
6.366,24
Terça-feira, 14 de outubro, 2014 Brasil Econômico 3
▲
BRASIL
Divulgação
MACONHA
Embate sobre regulamentação será duro
O senador Cristovam Buarque (PDT-DF), relator da sugestão popular
da regulamentação do uso recreativo e medicinal da maconha, está
convencido da urgência da discussão. Mas ontem, na sexta audiência
pública do Senado sobre o tema, o senador Magno Malta (PR-ES,
foto) disse que já tem apoio suficiente para instalar uma Frente
Parlamentar Mista Contra a Legalização das Drogas no Brasil. ABr
Editor: Paulo Henrique de Noronha
[email protected]
Rodrigo Rollemberg confirma
favoritismo no 2º turno do DF
Candidato do PSB desponta na liderança das pesquisas eleitorais, depois de encerrar o primeiro turno com
45,7% dos votos válidos. Mas Jofran Frejat, do PR, tem chances de crescer. Ambos disputam o apoio de Aécio
Fotos Divulgação
Patrycia Monteiro Rizzotto
[email protected]
São Paulo
Rodrigo Rollemberg (PSB) desponta como favorito no segundo
turno da eleição para o governo
do Distrito Federal. Segundo pesquisa de intenção de voto realizada pelo Instituto Veritá, divulgada no último dia 9, o candidato
detém 61,7% da preferência do
eleitorado, enquanto seu adversário Jofran Frejat (PR), tem 38,3%.
De acordo com o cientista político Antônio Flávio Testa, professor da Universidade de Brasília
(UnB), a liderança de Rollemberg, que encerrou o primeiro turno com 45,7% dos votos válidos,
pode ser atribuída à estratégia de
se apresentar como o candidato
das mudanças.
“Rollemberg levou dois anos
construindo sua candidatura, se
lançando com um programa de
governo bem amarrado, construído a partir de diálogo com lideranças, comunidades e movimentos sociais. Ele fez parte do governo de Agnelo Queiroz, mas saiu e
foi para oposição. Durante o primeiro turno, tentou desvincular
sua imagem do atual governador”, relembra. Segundo Testa, o
candidato do PSDB iniciou a corrida eleitoral em terceiro lugar,
mas começou a disparar logo que
o ex-governador José Arruda teve sua candidatura impugnada
pela Justiça eleitoral.
“Foi nessa ocasião em que Frejat — que há anos estava afastado
da política — foi lançado candidato, após enfrentar disputas internas dentro do PR. Alguns correligionários defenderam a candidatura da filha do ex-governador
Joaquim Roriz. Ainda no primeiro
turno, ele assumiu o mesmo discurso de Arruda, defendendo as
obras de infraestrutura que foram
realizadas no Distrito Federal na
gestão dele”, afirma o cientista político, lembrando que, na época
em que teve o mandato de governador cassado por denúncias de
corrupção, Arruda deixou muitas
obras em andamento que foram assumidas pela gestão do PT.
Para o cientista político, o governador Agnelo Queiroz (PT) ficou de fora do segundo turno porque sua gestão é muito mal avaliada e seu índice de rejeição é alto.
Rodrigo Rollemberg se apresenta como o candidato das mudanças
Para Antonio Flávio
Testa, o governador
Agnelo Queiroz ficou
de fora do 2º turno por
ser mal avaliado e deter
alto índice de rejeição.
Para ele, sentimento
anti-PT no DF também
prejudicou candidato
“Queiroz é tido como um gestor
ineficiente, mas, além disso, também há um forte sentimento antipetista entre os eleitores locais,
tanto que a presidenta Dilma encerrou o primeiro turno em terceiro lugar, com 23,02% dos votos válidos”, diz. No Distrito Federal, Aécio venceu a disputa eleitoral com
36,10% dos votos, seguido por Marina, que obteve 35,81%. “O atual
governador é tão rejeitado que nenhum dos candidatos que disputam o segundo turno quis seu
apoio”, frisa. Coincidência ou não,
a Executiva do PT no Distrito Federal decidiu que o partido vai se
manter neutro no segundo turno.
Segundo o coordenador de
campanha de Rollemberg, Hélio
Doyle, não haverá mudanças estratégicas na campanha do candidato peessedebista. “Só muda na
questão da intensidade, porque
agora é uma campanha de menos
tempo e com um tempo bem
maior de TV. Mas, o programa de
governo não muda, as propostas
são as mesmas”, afirmou. E, ao
que tudo indica, Jofran Frejat também pretende manter a tática adotada no início do pleito. A única
Jofran Frejat defende legado de obras da gestão José Arruda
novidade é que ambos os candidatos agora disputam o apoio de Aécio Neves.
No primeiro debate de rádio e
TV, promovido pela Rede Bandeirantes, no último dia 9, Frejat afirmou que seu adversário não vai
imprimir mudanças no Distrito Federal porque fez parte do governo
Agnelo Queiroz e o chamou de
oportunista, já que na reta final decidiu abraçar a candidatura presidencial do tucano. “Nós sempre
estivemos com Aécio, mesmo
quando ele estava com 15%, correndo risco de não ir ao segundo
turno. Você está indo de acordo
com o vento. Se o vento caminhasse para Dilma, você estaria com a
Dilma. Quando o vento caminhou
para Marina, você pulou para Marina”, disparou Frejat.
“O candidato do PR tem chances de crescer, mas o favorito é
mesmo Rodrigo Rollemberg, que
tem apenas 5% de rejeição e que
encerrou o primeiro turno com
quase o dobro de votos de Frejat.
Claro que tudo pode acontecer,
mas calculo que Rollemberg vai
se eleger”, comenta Antônio Flávio Testa.
Rodrigo Rollemberg,
que fez parte da gestão
Agnelo Queiroz,
desvinculou a sua
imagem do governador
e planejou candidatura
por dois anos. Sua
vantagem é o baixo
índice de rejeição
4 Brasil Econômico Terça-feira, 14 de outubro, 2014
▲
BRASIL
PT questiona no TSE pesquisas
que dariam a vitória a Aécio
Comando da campanha de Dilma diz ter levantamentos internos que mostram favoritismo da candidata petista
Ichiro Guerra/Divulgação
Edla Lula
[email protected]
Brasília
As recentes pesquisas, que colocam o candidato Aécio Neves (PSDB) bem à frente de Dilma Rousseff, incomodaram a campanha da
petista a ponto de a coligação
Com a Força do Povo entrar com
representação contra dois institutos. Um deles, o Sensus, cujo levantamento foi divulgado no último dia 11, coloca Aécio com vantagem de 17 pontos sobre Dilma.Outro, o Instituto Paraná de Pesquisa, divulgou pesquisa no qual o
candidato tucano aparece com
54% das intenções de votos contra 46% da presidenta.
Ontem, ao informar que a coligação entrou com ação para que o
Tribunal Superior Eleitoral (TSE)
investigue a veracidade das duas
pesquisas, o presidente do PT e
coordenador da campanha Rui
Falcão citou dois levantamentos
internos que apontam favoritismo da sua candidata: “Em uma
das pesquisas a candidata Dilma
aparece com um ponto à frente de
seu adversário e em outra, ela tem
quatro pontos de vantagem”.
Tanto Rui Falcão quanto Dilma
procuraram minimizar o apoio dado por Marina Silva a Aécio Neves.
“A campanha em questão, composta pelo PSB e pela Rede, não
apoia totalmente o Aécio e nem
apoia totalmente a mim”, afirmou a presidenta Dilma, que citou lideranças importantes do
PSB que já declaram apoio, como
o governador da Paraíba, Ricardo
Coutinho. Ontem, após evento
com integrantes dos movimentos
sociais ligados ao plebiscito da reforma política, Dilma recebeu, no
Dilma Rousseff: “A reforma política é a mãe de todas as reformas”
OS NÚMEROS DA NOVA
PESQUISA VOX POPULI
VOTOS
VÁLIDOS
(excluídos votos
em branco e nulos)
DILMA PT
AÉCIO PSDB
X
VOTAÇÃO GERAL
(inclui votos em branco e nulos e indecisos)
DILMA PT
AÉCIO PSDB
X
Em branco/
nulo
5%
Indecisos
5%
Dilma evitou comentar
sobre o fim da
reeleição, mas
sinalizou que quatro
anos é um tempo curto
para as realizações e
que gostaria de saber
que negociação está
por trás dessa proposta
Palácio da Alvorada, o ex-presidente do PSB, Roberto Amaral, outro que já deu seu voto a Dilma.
“Tenho certeza de que a base fundamental, mais ligada à tradição
do PSB, nunca ficaria com o Aécio
Neves”, disse a candidata. Ela, porém, voltou a afirmar que o voto é
individual. “Todo mundo tem direito de escolher quem apoiar. No
dia 26 de outubro é que vamos ver
quem apoia quem, quem vai ganhar ou quem vai perder”.
Para Rui Falcão, os eleitores de
Marina não esperavam que ela seguisse na direção tucana. “Vai ter
um impacto também para os eleitores dela. Poucos esperavam que
ela fosse nessa direção. O PSB está
dividido, inclusive o presidente
que está saindo, Roberto Amaral,
está apoiando a Dilma.”
Dilma também disse ser “desproporcional” a comparação feita
por Marina, ao divulgador seu voto, entre Aécio e Lula. “Acho desproporcional a comparação entre
um líder político do porte de Lula e
o meu adversário, seja pela trajetória política, seja pelas convicções
ou seja pelo que realizaram, disse.
Ontem Dilma participou da
abertura da Plenária e Acampamento Nacional do Plebiscito Popular por Constituinte Exclusiva,
em Brasília, movimento que coleta assinaturas para a realização da
reforma política no Brasil. Antes
do evento, em conversa com jornalistas, Dilma Rousseff disse ser a favor a vários pontos propostos pelo
Tanto Rui Falcão
quanto Dilma Rousseff
procuraram minimizar
o apoio dado por
Marina Silva a Aécio
Neves. A presidenta
destacou que lideranças
do PSB declararam
seu apoio a ela
projeto, entre os quais o financiamento público de campanha, as
eleições proporcionais em dois turnos e a paridade de candidaturas
entre homens e mulheres. “Acredito que a reforma política é a mãe
de todas as reformas”, declarou.
Dilma evitou comentar sobre a
reeleição, mas sinalizou que acha
quatro anos um tempo curto para
as realizações. “Quero saber que
negociação está por trás dessa proposta (da reeleição). Este é o tipo
de proposta que tem que vir para
mesa clarinha”, disse. “Ninguém
consegue fazer um governo efetivo com quatro anos”, completou.
A candidata se prepara hoje para o debate na TV Bandeirantes.
Terça-feira, 14 de outubro, 2014 Brasil Econômico 5
Divulgação
TELECOMUNICAÇÕES
Acréscimo de 1,26 mi linhas celulares
O número de linhas de celulares ativas no país chegou a 277,41 milhões
em agosto deste ano. De acordo com a Agência Nacional de
Telecomunicações (Anatel), houve um acréscimo de 1,26 milhão de
linhas no mês. As pré-pagas são maioria (76,73%), e as pós-pagas
representam 23,27% do total. A teledensidade de celulares, em
agosto, chegou a 136,7 acessos para cada grupo de 100 habitantes. ABr
Aécio Neves espera por Marina
Em visita ao Paraná, onde obteve sua segunda melhor votação, presidenciável do PSDB agradeceu pelo
apoio da ex-ministra e disse que o encontro com sua adversária no primeiro turno não passará desta semana
Eduardo Miranda
[email protected]
O candidato do PSDB à Presidência, senador Aécio Neves, disse
ontem, em visita a Curitiba (PR),
que seu encontro com Marina Silva se dará nos próximos dias. “É
possível que nós estejamos juntos
esta semana. Não definimos ainda o dia. Falei com ela por telefone mais uma vez depois do evento
e liguei pessoalmente para ela pra
agradecer a clareza da sua manifestação”, afirmou ele, que recebeu o apoio formal de Marina no
último sábado.
O candidato disse, ainda, que
Marina “tocou no fundo do seu
coração”, porque seu apoio não é
eleitoral, já que a decisão da exministra “não era consenso absoluto no seu entorno, mas é uma
decisão dela, corajosa, a favor do
Brasil”.
“E o segundo turno o que é? É
exatamente isso, quando forças
políticas que têm projetos distintos, mas têm no objetivo maior o
seu ponto de convergência, se somam. Eu estaria ao lado dela,
não tenho a menor dúvida, se o
resultado fosse diferente”, disse.
Ao lado do governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), reeleito no primeiro turno, e dos senadores Álvaro Dias (PR) e José Serra (SP), ambos eleitos para o Congresso no último dia 5, Aécio afirmou que a presidenta Dilma
Rousseff (PT), sua adversária na
disputa presidencial, está “à beira de um ataque de nervos”.
“O que estamos assistindo no
campo situacionista hoje, é uma
candidata à beira de um ataque
de nervos que infelizmente e indiretamente volta a fazer aquilo
que foi sempre a principal arma
do PT, não apenas contra mim,
foi contra o Eduardo e contra a Marina . Mas comigo isso não vai pegar”, alfinetou.
O senador mineiro voltou a repetir que “o sentimento é de mudança”, pediu votos no estado onde teve a segunda melhor votação
no Brasil e disse que precisará de
apoio também para governar, caso vença as eleições em 26 de outubro: “O sentimento de mudança
foi amplamente majoritário no pri-
meiro turno. Talvez tenha sido esse, me permitam dizer, o único
acerto das pesquisas de opinião,
que captavam já há algum tempo
esse amplo sentimento de mudança na sociedade brasileira. Precisarei de todos pra vencer e para governar, mas principalmente ao cidadão e à cidadã paranaense, pelo
voto de confiança que tive, meu
enorme agradecimento”.
Ao citar as medidas que pretende por em prática no país, o candidato tucano mencionou as propostas de melhorias para educação,
saúde e segurança pública. Segundo ele, tratar a segurança pública
como responsabilidade do governo federal será uma das prioridades da sua gestão. Aécio pretende
ampliar as relações com os países
vizinhos para intensificar a segurança de fronteiras e também o
combate às drogas.
“No meu governo, segurança
pública será responsabilidade também do governo federal e eu, pessoalmente, vou coordenar uma Política Nacional de Segurança, rompendo o contingenciamento dos
recursos da área, cuidando efetivamente das nossas fronteiras”, ressaltou o presidenciável.
Aécio garantiu mais investiIgo Estrela/Divulgação
Aécio pediu votos ao lado do governador Beto Richa e dos senadores eleitos José Serra e Álvaro Dias
mentos para a Polícia Federal e para as Forças Armadas, informando que pretende mudar a forma
de combate às drogas por meio de
medidas de prevenção e repressão, revisitando o Código Penal.
À tarde, em visita à sede da Pastoral da Criança em Curitiba, o tucano assumiu o compromisso de
criar um amplo programa de atendimento neonatal na rede pública
de saúde do país e priorizar as políticas voltadas para a criança. Após
assinar moção pela beatificação
da médica pediatra e sanitarista
Zilda Arns, Aécio lembrou a sua
experiência recente, com o nascimento prematuro do casal de gêmeos há cerca quatro meses.
“Vivi uma experiência pessoal
muito sofrida, mas muito estimuladora do ponto de vista do que poderemos fazer. Eu tive um casal
de gêmeos prematuro há quatro
meses. Vi que se não fosse o atendimento adequado, talvez eles não
estivessem aqui”, disse o tucano.
Tucano disse que
Marina “tocou
no fundo do seu
coração”, porque seu
apoio não é eleitoral,
já que a decisão da
ex-ministra “não
era consenso absoluto
no seu entorno”
Desafeto de ex-ministra é novo presidente do PSB
Carlos Siqueira reafirmou
apoio ao PSDB, mas sem
aderir “à perspectiva de
mundo” dos tucanos
O coordenador da campanha eleitoral de Eduardo Campos e ex-secretário-geral do PSB, Carlos Siqueira é o novo presidente nacional do partido. Ele foi eleito ontem, em eleição da nova Executiva Nacional da sigla, em Brasília,
apra o lugar de Roberto Amaral —
que nos últimos dias posicionouse contra a decisão do PSB de
apoiar Aécio Neves (PSDB), manifestando publicamente sua insatisfação e declarando apoio à reeleição de Dilma Rousseff (PT).
Em seu discurso como o novo
presidente do partido, Siqueira citou cinco vezes a palavra socialismo e disse que o apoio formal a Aécio Neves não significa que a legenda aderiu à perspectiva de mundo
dos tucanos.
“Se nesse momento nos unimos a um partido de conformação
social-democrata, não é para aderir a sua perspectiva de mundo.
Tampouco queremos ou podería-
mos tomá-la por acessória no contexto de uma aliança. O PSB precisa emprestar ao novo governo as
perspectivas de um projeto que
aprofunde as conquistas sociais
das últimas décadas e uma proposta de desenvolvimento político e
social que corresponda às potencialidades de nosso país, o que pode ser conferido à aliança exatamente do mesmo modo que o pouco de sal que se acrescenta ao prato lhe confere o sabor, em sua inteireza”, disse Siqueira, sem mencionar nominalmente o presidenciável tucano e o PSDB.
Integrante histórico do PSB, o
novo presidente da legenda deixou o posto de coordenador da
campanha, logo após a morte de
Campos, e um dia após o partido
indicar formalmente Marina Silva
como a cabeça da chapa presidencial. Na saída de uma reunião do
PSB, no final de agosto, o ex-secretário geral do partido demonstrou
discordância em relação à indicação da ex-ministra e declarou a
jornalistas: “Da senhora Marina
Silva eu quero distância. Eu não
participo de campanha de Marina
Silva. Ela não é do PSB”.
Marina não entrou na briga pública e declarou apenas que tratava-se de um “mal entendido”. O
PSB tentou, mas não conseguiu demover Siqueira da decisão. Os
dois não se cruzaram mais, e a
coordenação de campanha foi assumida pela deputada federal Luiza Erundina (SP).
A eleição de Siqueira vem sendo apontada como mais um sinal
de que Marina aguarda apenas o
fim do processo eleitoral para dar
prosseguimento à coleta de assinaturas para legalizar a Rede Sustentabilidade como partido. EM
6 Brasil Econômico Terça-feira, 14 de outubro, 2014
▲
BRASIL
Fred Lancelot/Reuters
Tirole possui mais de 200 livros e artigos publicados sobre modelos que levem monopólios e oligopólios naturais a praticarem preços de mercado mais justos
Sonia Filgueiras
[email protected]
Brasília
Em um mundo onde um dos principais desafios dos governos é lidar
com o poder de mercado de monopólios e oligopólios que agem de forma cada vez mais sofisticada, a
Real Academia Sueca de Ciências
decidiu dar o Prêmio Nobel de Economia 2014 ao economista francês
Jean Tirole, cuja pesquisa tem como foco principal desenvolver conhecimento capaz de contribuir para conter o poder destes grupos
através de boas práticas regulatórias. "O prêmio deste ano de Ciências Econômicas é sobre como domar empresas poderosas", declarou Staffan Normark, secretário
permanente da academia ao anunciar a decisão. A escolha também
fugiu ao padrão da academia: economistas dos Estados Unidos conquistarama grande maioria dos prêmios desde sua criação, tendo apenas poucos vencedores de outras
partes do mundo depois de 1994.
O trabalho de Tirole, além de
vasto - mais de 200 artigos e livros publicados - é dedicado ao
desenvolvimento de modelos capazes de oferecer incentivos e re-
Livre concorrência no
Nobel de economia
O francês Jean
Tirole levou o
prêmio de economia
da Real Academia
Sueca de Ciência
com trabalho sobre
a regulação do
poder dos grandes
grupos empresariais
gras que levem monopólios e oligopólios naturais (por exemplo,
telefonia, energia elétrica, cartões de crédito, distribuição de
água) a praticarem preços mais
próximos daqueles dos mercados
competitivos, nos quais os preços são a partir da oferta e da procura, e não pela força dos fabricantes defini-los. Diz a teoria econômica que a tendência dos oligopólios/monopólios é praticar preços elevados, produzindo uma
quantidade aquém daquela demandada pelos consumidores.
Ou seja, a posição de domínio permite à indústria dominante apropriar-se de um lucro excessivo,
extraindo da sociedade uma renda maior do que se estivesse em
um mercado competitivo. O do-
mínio também estimula o monopolista ou oligopolista a não investir em inovação e melhoria
tecnológicas. Resumido: empresas com poder de mercado, se deixadas livres, tenderão a oferecer
produtos mais caros e piores.
Jean Tirole é presidente da Fundação Jean-Jacques Laffont, na Escola de Economia de Toulouse, diretor científico do Instituto de Economia industrial, também ma mesma
cidade francesa. Ele aprofundou e
expandiu o conhecimento sobre o
funcionamento as indústrias com
poder de mercado e desenvolveu
modelos capazes de oferecer aos governos soluções para contornar este tipo de problema, definindo regras para ampliar a concorrência
ouaproximar os preços dos oligopó-
lios ao um patamar mais adequado,
capaz de remunerar os investimentos necessários (em geral muito elevados neste tipo de mercado) e evitar a expropriação dos consumidores por intermédio de tarifas elevadas demais. Tirole desenvolveu seu
trabalho “sempre com os olhos no
mundo real, buscando o benefício
da sociedade”,diz oprofessor da Escola de Economia da FGV-SP, Clemens Nunes. “As situações de oligopólios e monopólios são muito
mais frequentes que as de mercados de concorrência perfeita. Daí a
importância de Tirole para nossas
análises”, diz o secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Pablo Fonseca
que tem entre suas atribuições analisar situações de potencial concen-
Terça-feira, 14 de outubro, 2014 Brasil Econômico 7
Uanderson Fernandes
COMÉRCIO
Vendas crescem na Semana da Criança
As vendas do comércio na Semana da Criança, de 6 a 12 deste mês,
cresceram 1,3% no país, em relação ao mesmo período do ano
passado. De sexta a domingo (10 a 12), o crescimento das vendas foi
maior, com aumento de 1,5% na comparação com o fim de semana
equivalente do ano anterior. Os dados, divulgados ontem, fazem
parte de levantamento da Serasa Experian. ABr
“
O prêmio deste
ano de Ciências
Econômicas é sobre
como domar
empresas poderosas”
Staffan Normark
Secretário da Real
Academia Sueca
traçãoeconômica. O consultor e expresidente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), Gesner Oliveira, confirma: “É
impossível estudar a organização
industrial sem ler os textos de Tirole. Ele revolucionou a área da regulação”.
A pesquisa de Tirole mostrou
que a regulação do mercado deve
ser cuidadosamente adaptada às
condições específicas dos setores.
A imposição de normas gerais,
tais como preços máximos podem
fazer mais mal do que bem. Tirole,
em parceria com Jean-Jacques Laffont, desenvolveu modelos matemáticos específicos para monopólios e oligopólios cujos resultados
são bastante próximos à realidade, trazendo uma preciosa ferramenta aos reguladores. Em relação às concessões na área de infraestrutura como rodovias e ferrovias (conhecidos exemplos de
monopólios naturais), o economista francês contribuiu com o desenvolvimento da teria dos contratos incompletos. Trata-se de uma
situação em que, é impossível prever todas as variáveis futuras que
interferirão no preço a ser cobrado do consumidor. Esta limitação
pode resultar em uma situação na
qual o monopolista tenta assegurar previamente tarifas que reduzam suas incertezas futuras. Tirole ajudou, com seus estudos, no
desenho de contratos mais eficientes e completos, com regras prédefinidas para o reequilíbrio financeiro do contrato e prazos de duração mais adequados (nem longos
nem curtos demais).
O economista desenvolveu
também a teoria do “mercado de
dois lados”, no qual o oligopolista
tem relações com dois ou mais lados no fornecimento do produto
ou serviço. Um exemplo típico é o
dos cartões de crédito, no qual a
administradora de cartões tem de
um lado o consumidor e de outro,
o lojista. Os dois lados pagam tarifas e a definição de preços mais
equilibrados a serem cobrados da
sociedade, do ponto de vista do regulador, é muito mais complexa.
“Nesses casos, qualquer interferência no preço cobrado ao consumidor terá impacto sobre os atores presentes do outro lado do mercado. Tirole aprofundou o conhecimento sobre esse tipo de situação”, diz Gesner Oliveira. A mesma situação pode ser aplicada a aeroportos (de um lado, o público,
de outro as companhias aéreas).
Pelo prêmio, o francês (terceiro na história do Nobel de Economia) receberá um prêmio de 8 milhões de coroas suecas (US$ 1,1 milhão). Ao saber da escolha, Tirole
se disse surpreso em entrevista ao
Financial Times. Contou primeiro
a sua esposa e depois à mãe de 90
anos. “Foi um trabalho em equipe”, disse, ao lembrar se seu
“mentor” e falecido colega JeanJacques Laffont.
PRÊMIOS NOBEL DE ECONOMIA
O predomínio dos americanos entre os vencedores do
Nobel de Economia é histórico. Nos últimos anos, essa
hegemonia aumentou — pela primeira vez, o país recebeu
três prêmios consecutivos, de 2011 a 2013.
2010
Peter Diamond, Dale Mortensen e Christopher Pissarides - Os
acadêmicos foram premiados por suas teorias sobre mercados de
trabalho com fricções de procura, nas quais abordam o efeito das
políticas econômicas no combate ao desemprego. O foco das
pesquisas é a adequação entre oferta e demanda no mercado.
2011
Thomas Sargent e Christopher Sims - Os pesquisadores
norte-americanos foram selecionados por sua investigação
empírica sobre causa e efeito na macroeconomia. Eles provaram
que o governo não somente influencia a economia, como também é
impactado por seus efeitos.
2012
Alvin Roth e Lloyd Shapley - Os economistas venceram o Prêmio
Nobel por seus trabalhos de engenharia econômica sobre os
mercados e a maneira de associar seus agentes — como
estudantes e escolas ou doadores de órgãos e pacientes —, de
modo a otimizar a oferta e a demanda.
“
É impossível estudar a
organização industrial
sem ler os textos de
Tirole. Ele revolucionou
a área da regulação”
Gesner Oliveira
Consultor e ex-presidente
do Cade
2013
Eugene Fama, Lars Peter Hansen e Robert Shiller - Os economistas
foram premiados por trabalhos desenvolvidos separadamente, nos
quaisbuscaram mostrar de que forma é possível calcular ou prever
a valorização do papel de uma empresa. Shiller foi um dos
responsáveis por prever a bolha imobiliária dos EUA.
Trabalhos de
Tirole amparam
Cade e Seae
“A enorme maioria dos textos
relevantes que utilizamos em
nossas análises de normas
regulatórias e preços de tarifas
públicas cita Jean Tirole”, diz o
secretário de
Acompanhamento Econômico
(Seae) do Ministério da
Fazenda, Pablo Fonseca. Os
textos do francês
fundamentam também
diversas análises do Conselho
Administrativo de Defesa da
Concorrência (Cade), cuja
missão, entre outras, é
proteger a livre concorrência,
investigar e decidir sobre casos
de concentração de poder
econômico. “O trabalho de
Tirole é uma referência diária
para o trabalho do Cade,
sobretudo no Departamento de
Estudos Econômicos do órgão”,
diz o presidente do conselho,
Vinícius Marques de Carvalho.
“O prêmio a ele concedido
contribui para reforçar o papel
das autoridades de defesa da
concorrência”, acrescenta.
Em nota divulgada ontem na
qual na qual congratula o
francês pelo prêmio, a Seae
afirma que o trabalho de Tirole
sobre o “mercado de dois lados”
foi relevante, por exemplo, na
atividade de análise de atos de
concentração e ampararam um
dos primeiros trabalhos de
advocacia da concorrência
desenvolvidos pela secretaria
entre 2008 e 2009, em
conjunto com o Banco Central
do Brasil e o Ministério da
Justiça. Foi um estudo sobre o
mercado de cartões de crédito
no Brasil, setor cuja
compreensão, segundo a
secretaria, dificilmente seria
atingida “sem esse insight” de
Tirole. “Também no setor de
telecomunicações, Tirole tem
contribuições decisivas tanto na
questão das políticas tarifárias
quanto de promoção da
concorrência”, diz o texto.
O trabalho de Tirole
é dedicado a
modelos que levem
monopólios e
oligopólios naturais
a praticarem preços
mais próximos
dos de mercados
competitivos
8 Brasil Econômico Terça-feira, 14 de outubro, 2014
Divulgação
▲
BRASIL
INMETRO
Potência limitada para brinquedo a laser
Brinquedos que emitem raios laser podem causar lesões oculares.
Para evitar esse tipo de acidente, o Inmetro determinou ontem, em
portaria no Diário Oficial da União, que a potência óptica máxima
para fontes de radiação laser em brinquedos seja de 1 miliwatt (mW).
Os objetos que estiverem fora do novo padrão terão de ser
imediatamente retirados do mercado pelos fabricantes. ABr
Desemprego na indústria está
longe de mudar de trajetória
Após primeiro trimestre positivo, desde abril a indústria de transformação não registra saldo positivo de vagas
Henrique Manreza
Patrícia Büll
[email protected]
São Paulo
A indústria de transformação
bem que tentou, mas não conseguiu segurar as demissões com o
desempenho fraco no primeiro semestre deste ano. Apesar das reduções na margem e na capacidade
instalada, o setor entra agora no
que os especialistas chamam de
“último degrau” de ajuste. Essa é
a conclusão que economistas apresentam na última edição da revista “Conjuntura Econômica”, do
Instituto Brasileiro de Economia
da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/
FGV), que circula a partir de hoje.
Com queda de 2,8% na produção total até julho, segundo a Pesquisa Industrial Mensal - Produção Física (FIM-PF) do IBGE, a indústria de transformação intensificou nos últimos meses o processo
de redução do pessoal ocupado.
Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho
apontam que, desde abril, o setor
não registra nenhum mês com saldo positivo entre contratações e
demissões. De abril até agosto foram fechadas 80.016 vagas, volume maior do que uma Petrobras inteira — a estatal tinha pouco mais
de 67 mil empregados em agosto.
Embora em agosto a intensidade da queda tenha diminuído
(-0,05%), Aloisio Campelo, superintendente adjunto de Ciclos Econômicos do Ibre diz que o ajuste está longe de terminar — ao menos
na indústria de transformação.
Ele explica que a série histórica do
Indicador de Emprego Previsto
apurado mensalmente pelo Ibre,
como parte da Sondagem da Indústria de Transformação, mostra
uma curva evolutiva que antecipa
os momentos de alta e de baixa do
emprego industrial apurados pelo
Caged. “Desde maio, o Indicador
revela que o ímpeto de contratações dos empresários vem posicionando-se abaixo de 100, o que significa que as empresas pretendem
reduzir pessoal nos três meses seguintes. Abaixo de 100 é desastre”, resume Campelo.
Campelo enxerga as causas
conjunturais do problema vindo
desde o primeiro semestre do ano
passado, começando pelo aperto
da taxa de juros básica (Selic). Ele
lembra que a sequência iniciada
em abril de 2013 elevou o preço bá-
“
Desde maio, o
Indicador de Emprego
revela que o ímpeto de
contratações está
abaixo de 100, o que
significa que as
empresas pretendem
reduzir pessoal nos
três meses seguintes”
Aloisio Campelo
Superintendente adjunto do
Ibre/FGV
Setores intensivos em mão de obra, como o de calçados, são os que mais sofrem com o desemprego
INDÚSTRIA DE TRANSFORMAÇÃO NA BERLINDA
Após um primeiro trimestre com crescimento, setor volta a demitir
SALDO DE VAGAS
VARIAÇÃO (%)
(entre parênteses, a variação frente ao mês anterior)
51.951
(0,62%)
NO ANO
EM 12 MESES
JAN
0,46
1,31
FEV
1,10
1,49
MAR
1,21
1,18
ABR
1,18
0,59
MAI
0,86
0,04
JUN
0,53
-0,40
JUL
0,36
-0,68
AGO
0,34
-0,88
38.516
(0,46%)
5.484
-4.111
-3.427
(0,06%)
(-0,05%)
(-0,04%)
-15.392
(-0,18%)
-28.533
-28.533
(-0,34%)
JAN
FEV
MAR
ABR
(-0,34%)
MAI
JUN
JUL
AGO
Fonte: Caged
Apesar das reduções
realizadas na margem
e na capacidade
instalada, o setor de
transformação entra
agora no que os
especialistas chamam
de “último degrau” de
ajuste: as demissões
sico do dinheiro de 7,25% para
11% ao ano em abril último.
Quando se olha apenas para
São Paulo, a maior concentração
industrial do país, o ajuste da indústria é bem mais forte. Segundo
o Caged, a indústria paulista encerrou agosto com demissões líquidas de 12.099 vagas formais ao
longo do ano.
Os números apurados pela Federação das Indústrias do Estado
de São Paulo (Fiesp) são ainda
maiores: 31,5 mil vagas fechadas
nos oito meses de 2014 até agosto,
sendo que os setores de máquinas
e equipamentos (14 mil) e de veículos automotores (17,6 mil) cortaram juntos mais empregos do que
o saldo líquido do balanço entre todos os setores. Outro segmento de
uso intensivo em mão de obra que
tem sofrido é o de calçados.
Diretor do Departamento de
Pesquisas e Estudos Econômicos
da Fiesp, Paulo Francini diz que os
cortes mostram que a situação
chegou a tal ponto que as empresas foram obrigadas a ignorar os
elevados custos dde demissão no
Brasil — segundo seus cálculos,
cinco vezes o salário do empregado — e o custo adicional de uma
eventual recontratação futura, se
o trabalhador já não tiver migrado
para outro setor.
Já o economista Rodrigo Lobo,
da coordenação de Indústria do
IBGE, aponta uma coleção de números ruins. Ele afirma que o grupo “meios de transporte”, que inclui veículos automotores, veio
desde dezembro escalando a lista
das maiores influências negativas
para a queda do emprego industrial, saindo do oitavo lugar para
alcançar o primeiro em junho,
mantido no mês seguinte. Segundo Lobo, isso mostra que já não
eram suficientes as ações protelatórias, como férias coletivas e banco de horas, usadas pelo setor.
“O cenário não muda pelo menos até depois das eleições, por
causa da incerteza política que se
alia ao baixo crescimento com inflação elevada; as contas externas
pressionando; e a taxa de juros já
muito elevada. Teremos que fazer
um ajuste e ele terá que vir pelo lado da política fiscal”, analisa o gerente de Estudos Econômicos da
Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), economista Guilherme Mercês.
Terça-feira, 14 de outubro, 2014 Brasil Econômico 9
RELATÓRIO D.C.
ROGERIO STUDART
[email protected]
CRISE: INFELIZMENTE, MAIS DO MESMO
Editoria de Arte
N
o fim de semana, concluiu-se mais uma Reunião Anual do
Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial — a
sétima desde o início da crise de 2008. E, mais uma vez, as
discussões entre autoridades econômicas dos seus mais de 180
membros giraram em torno de um tema: o crescimento, ou a falta
dele. A percepção geral é que a economia global tem apresentado um
desempenho fraco, cercado de armadilhas e perigos por todos os
lados. O debate sobre o que fazer tem polarizado economistas, mas
nenhuma linha de pensamento tem podido dar uma receita
convincente contra a crise. E o “cada um por si” impede uma solução
em que todos possam navegar este momento complexo.
O Fundo Monetário Internacional
jogou um balde de gelo sobre os
que acham que a economia global
está no bom caminho. Foi além de
revisar, para baixo, o crescimento
global. O seu “Perspectivas da
Economia Global” (“World Economic Outlook”) alertou para o fato
de que, entre os desenvolvidos, somente Estados Unidos e Reino Unido se recuperam, enquanto a zona
do euro e o Japão, que estavam andando de lado, agora começam a
andar para trás. Também chamou
a atenção para a perda de dinâmica que é clara na China, na Índia e
nos demais motores asiáticos que
estão reduzindo a marcha de forma preocupante. Na nossa América Latina, as expectativas tanto
do FMI quanto do Banco Mundial
são também de diminuição do
crescimento. E, ainda de acordo
com o FMI, mesmo que os ventos
melhorem, as armadilhas continuam enormes: fragilidade financeira na China, deterioração do
ambiente econômico causado pela “normalização” da política monetária nos Estados Unidos, crescente risco geopolítico no meio
oriente, crise de epidemia de Ebola — só para citar uns que deveriam tirar o sono de qualquer pessoa informada.
Neste contexto, o FMI decidiu
partir para o ataque: a instituição
conhecida por sempre recomendar austeridade fiscal, passou agora a rogar que os seus sócios ampliem seus gastos públicos, especialmente em infraestrutura. Neste aspecto, tem o total apoio de diversos economistas renomados inclusive Larry Summers que, por
exemplo, publicou dois artigos reforçando a tese, que agora prevalece no FMI, de que os investimentos públicos em infraestrutura “se
pagam por si mesmo”, ao gerar retornos do empreendimento, via o
crescimento e aumento da base tributária. O problema dessas recomendações é que nem todos temos os mesmos graus de liberdade. Quando economias desenvolvidas colocam seu arsenal anticíclico em funcionamento, com políticas monetárias não convencionais e políticas de investimento público anticíclicas, alguns podem
O mundo não estaria
passando este aperto se
tivéssemos conseguido
desenvolver
coletivamente
respostas anticíclicas.
Poderíamos ter
coordenado as políticas
anticíclicas domésticas
reclamar — mas nem o FMI, nem
os mercados, fazem muito ruído.
Já quando as economias em desenvolvimento ensaiam políticas anticíclicas, sobrancelhas são levantadas por todos — e somos ameaçados, inclusive de rebaixamento pelo falido clube das agências de rating internacional. A exceção é só
a China, que com suas elevadíssimas reservas e centralidade para o
comércio internacional, tem esnobado o mundo com um contínuo
controle dos fluxos de capital e da
taxa de câmbio, e com agressivas
políticas de investimento em infraestrutura e construção civil.
O mundo não estaria passando
este aperto se tivéssemos conseguido desenvolver coletivamente respostas anticíclicas. Para começar,
poderíamos ter coordenado as políticas anticíclicas domésticas. Dado que a crise é fruto de um processo de desregulamentação irresponsável, deveríamos ter buscado aprimorar a regulamentação do sistema financeiro internacional, de
forma a evitar que as políticas anticíclicas de uns não gerassem desnecessários desequilíbrios para outros — como tem sido o caso da política monetária americana, que
só faz criar mais fluxos de capitais
desestabilizadores. Poderíamos
ter ampliado “pra valer” o acesso
das economias a um financiamento externo mais barato e com maiores prazos, inclusive capitalizando
as instituições financeiras multilaterais (como o Banco Mundial, o
Banco Interamericano e os demais
bancos regionais). Deveríamos ter
Poderíamos ter
ampliado “pra valer” o
acesso das economias a
um financiamento
externo mais barato e
com maiores prazos,
inclusive capitalizando
instituições financeiras
multilaterais
trabalhado juntos para um comércio que abrisse as possibilidades
para os países em desenvolvimento, especialmente os mais vulneráveis economicamente, pudessem
enfrentar crises domésticas com
expansão de suas exportações. Poderíamos e deveríamos, mas tudo
isto requer consolidar o diálogo
global — entre autoridades políticas, governos e mesmo sociedade
civil. Infelizmente, além dos belos
discursos, pouco tem sido feito. Pelo contrário: passamos de reunião
internacional em reunião internacional enquanto o mundo aumenta sua divisão, e vai de mal a pior.
Para o Brasil, tanto o FMI quanto o Banco Mundial mais uma vez
reconheceram a importância dos
avanços econômicos e sociais.
São esses avanços que nos possibilitarão caminhar sobre sólidos
alicerces, consolidando uma economia mais resiliente, mais competitiva e mais justa. Sobre o nosso desafio atual de crescimento,
nada dito aqui difere do que já sabemos no Brasil: a solução requer
mais investimento (em infraestutura, em logística, em educação)
e mais reformas para melhorar o
ambiente de negócios e da política. Tudo isto vai exigir dar continuidade e aprimorar as políticas
que já estão em curso. Nós, brasileiros, sabemos que esta será
uma tarefa difícil — e, de Washington, parece bem mais fácil
do que efetivamente é.
Coluna publicada às terças-feiras
*Rogerio Studart, Professor da UFRJ e Diretor
Executivo Adjunto pelo Brasil no Banco Mundial.
As opiniões aqui expressas são pessoais.
10 Brasil Econômico Terça-feira, 14 de outubro, 2014
▲
BRASIL
Focus eleva previsão do PIB
após 19 semanas de quedas
Nova expectativa é de que PIB em 2014 feche com crescimento de 0,28%, contra 0,24% da projeção anterior
A última pesquisa Focus realizada
pelo Banco Central com instituições do mercado financeiro apontou uma alta na projeção de crescimento do Produto Interno Bruto
(PIB) neste ano: 0,28%, contra
0,24% na semana anterior. Foi a
primeira alta após 19 semanas seguidas de queda nas previsões do
Focues. Já para 2015, a estimativa
para o crescimento do PIB continuou em 1,0%.
Os economistas de instituições financeiras também elevaram a projeção de inflação deste
ano, diante de sinais de maior
pressão da alta dos preços, ao
mesmo tempo em que mantiveram a perspectiva de novo aperto
monetário em 2015. A estimativa
de alta do IPCA neste ano subiu a
6,45%, contra 6,32% anteriormente. A meta do governo é de
4,5%, com teto de 6,5%.
O salto aconteceu após a divulgação, na semana passada, de que
a inflação oficial brasileira sur-
Divulgação, na semana
passada, de uma alta
surpreendente do
IPCA, fez economistas
das instituições
financeiras
aumentarem sua
previsão de inflação
para este ano
preendeu em setembro e atingiu
em 12 meses o maior nível em quase três anos, de 6,75 por cento.
Em relação a 2015, os especialistas consultados no Focus mantiveram a perspectiva de que o IPCA subirá 6,30%. Para os próximos 12 meses, a perspectiva para
a inflação na pesquisa permaneceu em 6,38%.
Já o Top-5 de médio prazo,
com as instituições que mais acertam as projeções, vê estouro da
meta neste ano com o IPCA a
6,51%, alta de 0,2 ponto percentual sobre a estimativa anterior.
Para 2015, entretanto, o grupo reduziu sua projeção em 0,02 ponto, a 6,38%.
Apesar de verem a inflação
maior neste ano, os analistas consultados pelo BC não mudaram
suas contas sobre a Taxa Selic, vendo novo aperto monetário apenas
no próximo ano.
A taxa básica de juros deve encerrar este ano no atual patamar
de 11%, e também não alteraram a
perspectiva para 2015 de 11,88%
na mediana das projeções.
O Banco Central começou a elevar a Selic em abril do ano passado, tirando a taxa da mínima histórica de 7,25% para o atual nível. A
autoridade monetária tem dado sinais de que não deve mexer tão cedo na taxa, mas já deixou aberta a
porta para novas elevações.
Essa foi a primeira pesquisa
Focus em que os analistas forneceram suas projeções após a definição da disputa do segundo turno das eleições presidenciais, entre a presidenta Dilma Rousseff,
do PT, e o candidato do PSDB, Aécio Neves.
Pesquisas eleitorais vêm ditando o ritmo dos mercados, com o
candidato tucano sendo o preferido dos investidores, já que promete uma postura mais ortodoxa, enquanto a política econômica do atual governo é bastante
criticada.
PREVISÕES FOCUS
0,28%
Nova previsão dos
economistas das
principais instituições
financeiras para o
crescimento do PIB em
2014. A previsão anterior
era de 0,24%.
6,45%
Projeção de inflação anual,
pelo IPCA, apra 2014 —
acima da estimativa
anterior, de 6,32%.
11%
Expectativa da Taxa Selic ao
final de 2014.
Venda da soja em ritmo muito lento: apenas 3%
Daniel Acker/Bloomberg
No mesmo período em
2013, 31% da produção
esperada já haviam
sido comercializados
Produtores de soja do Brasil venderam até o final de setembro apenas 13% da produção esperada para a safra 2014/15, o menor índice
de vendas antecipadas para esta
época desde a temporada
2009/10, apontou levantamento
da AgRural divulgado ontem.
“A comercialização da soja
2014/15, que deverá ser colhida
a partir do início de 2015, manteve em setembro o ritmo lento observado em agosto”, afirmou a
consultoria, que apontou um
avanço de somente três pontos
percentuais no mês passado.
Um ano atrás, quando os preços
estavam mais interessantes,
31% da safra 2013/14 estava vendida. A média de cinco anos de
vendas antecipadas para esta
época é de 32%.
Para a safra 2014/15, com um
cenário de produção recorde nos
Estados Unidos, maior produtor
Calor e escassez de chuva
devem afetar o café e a cana
Embarque de soja: a venda neste período está em seu menor nível desde a temporada 2009/10
global, os preços de referência da
bolsa de Chicago estão oscilando
perto de mínimas de quatro anos,
limitando vendas de produtores
brasileiros.
Apesar da alta do dólar na segunda quinzena de setembro, que
limita as quedas da commodity
em reais, a maioria dos produtores preferiu segurar as vendas,
preocupados com a baixa rentabilidade, disse a AgRural. O maior
atraso está no Centro-Oeste, onde a evolução mensal foi de 3 pon-
tos percentuais em setembro.
“A alta do dólar estimulou os
negócios, mas não o suficiente para diminuir a diferença entre os
15% comercializados nesta safra e
os 39% de um ano atrás", afirmou
a consultoria.
As altas temperaturas e a falta
de chuva esta semana deverão
afetar áreas de cultivo de café e
cana-de-açúcar, ameaçando reduzir mais do potencial produtivo das lavouras, disseram meteorologistas.
“Em São Paulo e Minas Gerais o
tempo segue muito quente e sem
nenhuma previsão para chuvas
tanto para essa segunda-feira
quanto para toda a semana”, disse
o agrometeorologista Marco Antonio dos Santos, da Somar.
Os contratos futuros do café
arábica e do açúcar bruto negociados em Nova York registraram altas por três semanas consecutivas
e subiram novamente ontem,
com temores relacionados às chuvas de primavera, que estão atrasadas no país que é o maior produtor
das duas commodities.
A umidade consistente ao longo dos próximos seis meses vai definir o tamanho das colheitas previstas para começarem, em sua
maioria, no segundo trimestre de
2015. Reuters
Terça-feira, 14 de outubro, 2014 Brasil Econômico 11
Divulgação
BALANÇA COMERCIAL
Exportações superam importações
O Brasil exportou US$ 140 milhões a mais do que importou, nas duas
primeiras semanas de outubro. O valor foi divulgado ontem, pelo
Ministério do Desenvolvimento, indústria e Comércio Exterior (Mdic).
No mês, o país exportou US$ 6,752 bilhões e importou US$ 6,612
bilhões. O superávit seria maior, não fosse o desempenho
desfavorável da balança comercial na segunda semana do mês. ABr
Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr
Brasil sobe
em ranking de
energia renovável
Segundo a consultoria EY, país é o 9º mercado mais atrativo para o
investimento estrangeiro, graças aos leilões de energia solar e eólica
Patrycia Monteiro Rizzotto
[email protected]
São Paulo
O Brasil é apontado como o nono
país do mundo mais atraente para
investimentos em geração de energias renováveis, segundo o ranking Renewable Energy Country Attractiveness Index, da consultoria
EY, que analisa o mercado de fontes limpas em 40 países. O ranking leva em consideração potencial de mercado, capacidade instalada, política setorial, cenário macroeconômico, infraestrutura e
custo local de capital.
“Pela primeira vez o Brasil configura no top 10 do ranking, graças a algumas características positivas do mercado”, afirma Mário
Lima, diretor de consultoria em
sustentabilidade da EY. Segundo
ele, há potencialidades brasileiras
que vêm despertando o interesse
de grandes investidores estrangeiros como o leilão de reserva energia solar, programado para o próximo dia 31 de outubro. De acordo
com a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o leilão registrou
400 projetos de energia solar fotovoltaica, que totalizam 10.790 megawatts (MW) de energia.
“Além disso, o Brasil tem como
De acordo com a
Empresa de Pesquisa
Energética (EPE),
o leilão do dia 31 de
outubro registrou
400 projetos de energia
solar fotovoltaica,
que totalizam 10.790
megawatts (MW)
meta aumentar de três para 12 megawatts a participação da energia
eólica na matriz energética nacional nos próximos dez anos”, ressalta, mencionando que o anúncio de
linhas de crédito com taxas atrativas por parte do BNDES e a curva
de aprendizado das empresas que
atuam no país também contribuem para beneficiar ainda mais o
ambiente de negócios do país.
“A tendência é que com os investimentos feitos pelo governo,
o preço da energia solar caia pela
metade em quatro ou cinco
anos”, afirma, frisando que por
permitir uma instalação mais rápida, a energia solar passou a ser
vista como principal alternativa
no Brasil.
Entre os pontos negativos brasileiros, Lima menciona a burocracia, carga tributária e os problemas de infraestrutura e logística.
Para o especialista, a política de
conteúdo local, que obriga que
60% dos fornecedores da indústria sejam nacionais, precisa ser
flexibilizado. “A indústria nacional ainda não domina certas tecnologias de geração de energia renováveis, exigindo mais tempo e
investimentos para o desenvolvimento de projetos”, explica.
De acordo com Lima, apesar
do grande potencial climático, a
geração de energia solar ainda não
deslanchou no Brasil porque falta
realizar o mapeamento, com medição histórica, de locais com potencial para geração. Ele menciona que ainda não há clareza sobre
o futuro da geração de energia solar no país. “Em breve teremos o
primeiro leilão reserva, mas sem
definição de metas, como foi estabelecido para a energia eólica, indicando o que se espera da fonte
solar nos próximos dez anos”, diz.
Para o especialista da EY, há
um grande potencial de negócios
da geração de energia por biomassa de cana-de-açúcar. “O país
precisa desenvolver novas tecnologias que diminuam os custos
dessa fonte de energia, conferindo também mais eficiência a ela”,
argumenta. Lima também aponta
para a potencialidade existente no
nicho das Pequenas Centrais Hi-
RANKING DOS PAÍSES
MAISATRATIVOS PARA
INVESTIMENTOEM
ENERGIARENOVÁVEL
1º - China
2º - Estados Unidos
3º - Alemanha
4º - Japão
5º - Canadá
6º - Índia
7º - Reino Unido
8º - França
9º - Brasil
10º - Austrália
11º - Coreia do Sul
12º - Chile
13º - Holanda
14º - Bélgica
15º - Itália
16º- África do Sul
17º - Dinamarca
18º - Portugal
19º - Turquia
20º - Tailândia
Fonte: EY
drelétricas (PCHs), já que o país
tem grande potencial fluvial.
“Mas para essas alternativas avançarem é necessário desenvolver
soluções de crédito para a geração
distribuída de energia”.
Segundo Mário Lima, a China
desponta no ranking da EY porque estabeleceu metas para limpar sua matriz energética e reduzir a emissão de poluentes, investindo muito em energia solar e eólica. Já os Estados Unidos estão
atravessando um período de transição que visa tornar sua indústria mais competitiva, diminuindo os subsídios direcionados ao
setor de energia. “Lá está em discussão a necessidade de mudança. Ao contrário do Brasil, a política energética é de competência
dos estados e não do governo central e esse cenário de transição
apresenta grandes oportunidade
de negócios”, afirma.
Mantega:ressarcimentoserá emetapas,nospróximos dois anos
Mantega prevê
unificação de PIS e
Cofins após eleições
Ministro diz que fusão
dos tributos custaria
R$ 15 bi, por estoque
de crédito tributário
A proposta de unificação de
dois tributos — Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para o Financiamento
da Seguridade Social (Cofins)
— poderá sair até o fim do ano,
disse ontem o ministro da Fazenda, Guido Mantega. “Estamos trabalhando no PIS e na
Cofins há algum tempo, de modo que eles (os dois tributos)
vão vir reformados. Porém, a
proposta não tem prazo para ficar pronta. Certamente não será nas próximas duas semanas
(de campanha eleitoral), mas
depois, ainda este ano”, disse.
De acordo com o ministro, a
unificaçãodoPISedaCofinscustaria R$ 15 bilhões, por causa do
estoque de crédito tributário que
asempresasdeserviçoedeeletricidade terão direito a receber. Ele
disse que o ressarcimento pode ser
feito em etapas nos próximos dois
anos, diluindo o custo para o governo. “A gente pode fazer (o ressarcimentodecréditostributários)aolongo do tempo ”, explicou Mantega.
O ministro afirmou que o governo pode retomar a reforma do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) antes do
fim do ano. A resolução que reduz
gradualmente a alíquota do ICMS
interestadual e cria fundos regionais de desenvolvimento, para acabar com a guerra fiscal entre os estados, está parada no Senado desde o início do ano. “Temos anunciado medidas econômicas de curto prazo necessárias para o andamento da economia, mas estamos
falando de uma medida de reforma tributária”, reiterou.
ComafusãodoPISedaCofins,seria cobrada alíquota única, de
9,25%, sobre o faturamento. O governoteriaqueacabarcomacobrançaem cascata dos dois tributos sobre
ossetoresdeserviçosedeeletricidade, entre outros segmentos. ABr
CURTA
BNDES obtém empréstimo de US$ 100 mi
O Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico e
Social (BNDES) obteve
empréstimo de US$ 100
milhões com a Swedish Export
Credit Corporation (SEK),
instituição sueca de apoio ao
comércio exterior. “Os
recursos serão destinados,
mas não limitados, a projetos
de investimentos no Brasil de
interesse dos dois países,
incluindo subsidiárias e
fornecedores de companhias
suecas e joint-ventures entre
companhias dos dois países",
disse o BNDES. O contrato,
assinado em Washington pelo
diretor de Planejamento do
BNDES, João Carlos Ferraz, e pela
presidente da SEK, Catrin
Fransson, tem prazo de cinco
anos, com amortização única na
data de vencimento. Reuters
12 Brasil Econômico Terça-feira, 14 de outubro, 2014
▲
EMPRESAS
Editora: Flavia Galembeck
[email protected]
Emergentes
impulsionam
receita da
Tupperware
Economias em
desenvolvimento
responderam
por 66% do
faturamento da
norte-americana
e registraram alta
de 10% no
segundo
trimestre.
No país, acesso
da classe C ao
micro-ondas ajuda
a explicar o
incremento
Rodrigo Carro
[email protected]
Brasileiros, chineses, turcos e
venezuelanos têm algo em comum quando se trata de esquentar comida no micro-ondas ou
guardar sobras na geladeira: a
predileção pelos potes plásticos
da Tupperware. Os quatro países emergentes foram os que
apresentaram maior expansão
no volume de vendas entre abril
e junho deste ano. No Brasil, a
marca norte-americana parece
imune à competição de produtos genéricos mais baratos vem crescendo a taxas de dois dígitos há, pelo menos, quatro trimestres consecutivos.
O resultado pode parecer surpreendente em se tratando de
um produto há 60 anos no mercado e que é praticamente uma
commodity. Mas a ascensão da
nova classe média no Brasil —
A EMPRESA PELO MUNDO
Mercados
estabelecidos
34% do total
Mercados
emergentes
66% do total
Rússia
38
EUA/Canadá
Alemanha
29
6
Turquia
Itália
Países
onde houve
crescimento
de vendas (%)
Países
onde houve
diminuição
de vendas (%)
China
28
28
32
México
3
Índia
Venezuela
9
90
Malásia
8
Indonésia
VENDAS
(% do total no segundo trimestre)
América do
Norte (beleza)
Ásia/
Pacífico
11%
31%
América
do Norte
14%
Europa
28%
16
BRASIL
América
do Sul
16%
22
África do Sul
3
Terça-feira, 14 de outubro, 2014 Brasil Econômico 13
Divulgação
ENERGIA
Gas Natural Fenosa faz oferta por chilena
A espanhola Gas Natural Fenosa fará uma oferta de US$ 3,3 bilhões
para adquirir a maior distribuidora de energia elétrica chilena, a
Compania General de Electricidad (CGE), em uma tentativa de
aumentar sua presença no crescente mercado latino-americano.
Com a aquisição, a Gas Natural Fenosa estará presente em sete das
maiores cidades da América Latina. Reuters
onde as vendas (em reais) aumentaram 22% no segundo trimestre, na comparação com o
mesmo período de 2013 — deu
novo impulso à demanda. “A
classe C está começando a ter
micro-ondas, freezer e menos
tempo para cozinhar. A mulher
sai de casa para trabalhar e pode deixar a comida para a família esquentar no micro-ondas”,
argumenta Paulo Vicente Alves,
professor de estratégia da Fundação Dom Cabral.
Segundo dados da Associação Nacional de Fabricantes de
Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), as vendas de micro-ondas até agosto deste ano ultrapassaram a marca de três milhões de unidades vendidas das
fabricantes aos varejistas. No
ano passado, esse montante passou de 4,2 milhões de unidades,
ante 3,9 milhões de aparelhos
comercializados em 2012.
A mudança está longe de ser
uma particularidade do mercado brasileiro. “Nos países emergentes, a população está começando a ter novos padrões de
consumo”, acrescenta Alves.
Os dados do mais recente relatório de resultados da Tupperware, referente ao segundo trimestre de 2014, deixam claro a força
da marca nos países emergentes. Esses mercados responderam por 66% das vendas no período, contra 34% de participação dos países onde a companhia está estabelecida há mais
tempo. Enquanto a receita da
empresa nos emergentes aumentou 10% no segundo trimestre,
em relação ao mesmo período
de 2013, a dos mercados consolidados encolheu 7%. Entre abril
e junho, o faturamento da norteamericana alcançou US$ 674 milhões, uma retração de 2% no
montante em dólar na comparação com igual período de 2013,
mas um avanço de 3% se a conta
for feita nas moedas locais dos
países onde a Tupperware atua.
A diferença está relacionada à
desvalorização cambial de algumas dessas moedas.
Lançada em 1946, nos Estados Unidos, a marca Tupperware nasceu do esforço do inventor
Earl Tupper. Antes de chegarem
ao consumidor final, as embalagens plásticas de Tupper eram
parte do esforço americano na
Segunda Guerra Mundial. Inicialmente, a inovação não foi recebida pelas donas-de-casa norte-americanas no pós-guerra.
O produto não vendia bem no varejo principalmente por conta
da necessidade de demonstrações, para que o consumidor entendesse como funcionavam os
novos vasilhames plásticos. Para apresentar novidade à clientela, foi realizada em 1948, nos Estados Unidos, a primeira Tupperware Home Party (Festa em
Casa da Tupperware).
Em meio a
um mar de
concorrentes,
nacionais
e chineses,
a Tupperware
busca se
diferenciar por
meio da qualidade
- os produtos da
empresa têm dez
anos de garantia
Dentro da
estratégia de
perpetuar a
marca, a empresa
lançou no país
a linha Meu
Primeiro
Tupperware,
com miniaturas
de seus produtos,
para o público
infantil
Ao longo das décadas, as reuniões de vendas se transformaram em marca registrada da companhia, que hoje conta com uma
força de trabalho de 2,9 milhões
de revendedoras espalhadas por
cem países. “As reuniões são
eventos sociais, criam uma rede
entre elas (revendedoras e consumidoras)”, explica Stella Kochen
Susskind, presidente da consultoria Shopper Experience, especializada em pesquisa de mercado. Apesar do avanço do comércio eletrônico, Stella destaca a importância que o canal de vendas
diretas ainda tem no país. “Marcas que não investiam no atendimento porta-a-porta, como o Boticário, estão apostando na venda direta”, lembra. A empresa
não divulga o total de revendedoras no Brasil, onde aportou há 37
anos, mas na América do Sul
eram 388,2 mil no fim de junho,
de acordo com o relatório de resultados do segundo trimestre.
Um dos trunfos da marca é o
fato de passar de geração para geração. “Adoro vender tupperware para homem. Eles me dizem:
‘Eu levava um copo desses na
lancheira quando tinha quatro
anos’”, conta a mato-grossense
Sandra Silva, que começou seis
anos atrás como revendedora da
marca em Brasília e hoje lidera
um grupo de 350 mulheres. Dona de um quiosque no Shopping
Conjunto Nacional, na capital federal, Sandra destaca que o espaço funciona muito mais para
atrair revendedoras do que para
comercializar produtos. “É um
ponto de apoio, uma forma de recrutar vendedoras”, diz.
Dentro da estratégia de perpetuar a marca, a empresa lançou
no país a linha Meu Primeiro Tupperware, com miniaturas de alguns de seus produtos, voltadas
para o público infantil. Como as
reuniões de vendas geralmente
acontecem em casas de família,
é comum a presença de crianças. Ao mesmo tempo em que as
minijarras e copos (entre outros
produtos) mantêm as crianças
entretidas, abrem um novo mercado potencial.
Em meio a um mar de concorrentes, nacionais e chineses, a Tupperware busca se diferenciar por
meio da qualidade — os produtos
da empresa têm dez anos de garantia. “O Tupperware tem um
plástico mais resistente. O consumidor sabe que aquele é um bem
que vai durar mais, por isso paga
mais caro”, sustenta Stella. Para
a nova classe média, a questão de
adquirir uma marca original e
não um produto genérico, tem
um apelo emocional especial,
destaca a presidente da Shopper
Experience. “A classe C tem o
maior orgulho em adquirir um
produto de marca, mais do que alguém das classes A e B”, ressalta.
Procurada, a Tupperware
não concedeu entrevista.
Revendedoras não
compraram ideia dos
cosméticos Fuller
Erica Ribeiro
[email protected]
O Tupperware passa pelo desafio
de conquistar novos compradores, rejuvenescer a marca e contornar a resistência de suas revendedoras a produtos diferentes do tradicional, afirmam especialistas
do mercado de venda direta. A entrada da linha de cosméticos Fuller, adquirida há sete anos da Sara
Lee (cujo foco está na produção de
café), criou uma nova unidade de
negócios dentro da Tupperware
Brands, bandeira criada para abarcar novas marcas e diversificar o
atendimento ao consumidor. Em
outros países, caso do México, a
Fuller vem dando certo e é considerada uma marca importante
nas vendas da Tupperware. O mesmo vale para o mercado norteamericano, onde a divisão respondeu por 11% das vendas no segundo trimestre deste ano, com receita de US$ 59,6 milhões.
No entanto, no Brasil, dois problemas freiam o desenvolvimento desta marca: a concorrência,
que vem de gigantes como Avon,
Natura e O Boticário, e a resistência das revendedoras, que reclamam do baixo desconto que é dado para a aquisição de produtos
por elas. Enquanto as empresas
de venda direta de cosméticos
dão descontos de 30%, em média, a Tupperware oferece 21%,
mesmo percentual que é dado pa-
No Brasil, dois
fatores freiam o
desenvolvimento
desta marca:
a concorrência,
que vem de gigantes
como Avon, Natura
e O Boticário,
e a resistência
das revendedoras
ra os produtos plásticos.
“Quando houve a aquisição
da Fuller, a Tupperware quis
agregar outro segmento à sua
marca e escapar da dificuldade
de vender seus produtos. Isso foi
por volta dos anos 2000, quando
a febre do R$ 1,99 dominava o
mercado, além da invasão de
itens chineses, bem mais baratos
que os Tupperware”, explica Marcelo Pinheiro, sócio diretor da DirectBiz, consultoria que estuda o
mercado de venda direta.
A resistência das revendedoras — hoje são 100 mil cadastradas, sendo 50 mil ativas, segundo o especialista — em oferecer
cosméticos junto com os tradicionais potes de plástico acabou
sendo mais difícil de contornar.
“A força de vendas da Tupperware é ultra treinada. A venda destes produtos é por apresentação, com reuniões na casa dos
clientes e demonstrações. Vender
outros produtos, como perfumes
e maquiagem, gera resistência das
vendedoras, que trabalham efetivamente a marca Tupperware.
Um consumidor não vai encontrar esta revendedora com outros
catálogos, de outras marcas. O desafio é criar produtos que chamem a atenção dos clientes para
que comprem, além dos potes, as
linhas oferecidas pela Fuller”, diz
Rubia Dias, consultora especialista em treinamentos da FBiz.
Para Marcelo Pinheiro, a dificuldade com os cosméticos da
Fuller no Brasil, além da acirrada concorrência, está na carência de diferenciais.
“Enquanto a Tupperware é a
Ferrari dos potes, na linha de cosméticos e fragrâncias não há muito diferencial competitivo. As maquiagens são em tons vibrantes,
mas é preciso chegar à faixa etária que consome estes produtos”,
diz o especialista. “A linha Meu
Primeiro Tupperware também é
um meio de atrair novos consumidores. É preciso vencer barreiras
culturais e etárias, tanto pelo lado das revendedoras quanto das
compradoras. Antes, a Tupperware ensinava às clientes a congelar
alimentos, hoje, perdeu esse espaço social e precisa oferecer praticidade”, completa.
Para ele, a empresa precisa
criar uma nova geração de compradores e modernizar o pensamento das revendedoras, que,
juntos, envelheceram. “O caminho está na multicanalidade e no
entendimento do que quer o consumidor”, diz Pinheiro.
14 Brasil Econômico Terça-feira, 14 de outubro, 2014
▲
EMPRESAS
Senior investe em
aceleração de start-ups
Para encurtar o caminho e o contato com o desenvolvimento de inovações, a companhia
brasileira de software criou um programa para selecionar até dez projetos de todo o país
[email protected]
São Paulo
Em polos como o Vale do Silício, o
investimento de empresas de
maior porte em companhias novatas é uma cultura já enraizada e
que ajuda a alimentar toda a cadeia de inovação. No Brasil, essa
abordagem ainda está mais restrita às multinacionais que operam
no país. Empresa de software de
gestão, a brasileira Senior está desafiando esse comportamento. A
companhia estálançando a primeira edição do Inove Senior, programa de aceleração voltado a startups. Mais que uma iniciativa isolada, a ideia é estabelecer um fluxo
contínuo de relação com projetos
de inovação e incorporar a prática
às estratégias de crescimento da
empresa para os próximos anos.
Cada projeto
selecionado receberá
um aporte inicial de
R$ 40 mil, com um
valor adicional de
mesmo valor para
custos operacionais
O projeto começou a ser desenhado em 2013 e envolveu, entre
outros processos, visitas a empresas como Google e Microsoft, universidades, centros de pesquisa,
start-ups e aceleradoras no Vale
do Silício. “Temos demandas de
clientes que não conseguimos
atender. Hoje, por conta do volume das nossas operações, muito
do que fazemos está restrito à inovação incremental. É um problema de muitas empresas que atingem um certo porte. Às vezes
elas ficam míopes e não enxergam o que está acontecendo em
termos de inovação externa”, diz
Alencar Berwanger, diretor de
marketing e produtos da Senior.
Com inscrições abertas até fevereiro, o programa é válido para
start-ups de todo o país, com ênfase em soluções para o mercado
B2B. A expectativa da Senior é receber cerca de 200 projetos, que
serão avaliados por um comitê
formado por executivos externos
e da empresa. Nessa fase inicial,
serão selecionados até dez projetos, que receberão um aporte de
R$ 40 mil e terão nove meses para colocar suas ideias em prática.
Nesse período, os empreendedores contarão com o apoio da infraestrutura da Senior, o que inclui recursos administrativos, de
marketing, de tecnologia e o contatos com clientes da base da empresa. Cada projeto terá ainda
uma verba adicional de R$ 40 mil
para cobrir custos operacionais.
A cidade de Florianópolis vai
abrigar essa primeira edição. Segundo Berwanger, a proximidade
com a sede da Senior, em Blumenau, e o fato de a capital catarinense já possuir um ecossistema de
empreendedorismo contribuíram para essa decisão. No dia a
dia, as start-ups contarão com o
apoio da Acelere, aceleradora local, e de um gestor da Senior. A
companhia avalia agora qual será
a estrutura que abrigará essas operações durante os nove meses de
desenvolvimento. Uma das opções são os espaços de coworking.
Concluído operíodo,cada startup poderá receber uma segunda
rodada de investimentos, no valor
de R$ 200 mil. Diferentemente da
primeira fase, na qual os aportes
serão baseados apenas no direito
de compra das operações, essa etapa envolverá a compra de participações. O volume acionário irá variar de acordo com o projeto. Para
esses aportes, a companhia está
constituindo — com recursos próprios — a Senior Participações,
que responderá por todas as iniciativas da empresa nessa frente.
Entre os critérios para esse novo aporte, a Senior irá avaliar questões como o tamanho potencial do
mercado — nacional e global —, e
os clientes conquistados no período de desenvolvimento. O alinhamento com o portfólio e o mapa
de inovação da Senior será um elemento adicional. Nessa frente, soluções para setores como agronegócios, varejo, logística, manufatura e governo poderão ter vantagem. “Estamos olhando projetos
ligados à nuvem, mobilidade, social e sistemas analíticos”, diz
Berwanger.
Os esforços de inovação da
Senior não estão limitadas ao
mercado externo. Recentemente, a companhia criou seu
primeiro programa para receber ideias de seu próprio time. Um
projeto foi selecionado e já está
NÚMEROS
R$ 190,8 mi
É previsão de faturamento da
Senior para 2014. Em 2013, a
companhia brasileira registrou
um faturamento de R$ 141,3 mi,
alta de 23% sobre 2012.
35%
É o salto previsto pela empresa
para os investimentos em P&D
em 2014. A companhia projeta
encerrar o ano com um aporte de
R$ 35,22 milhões nessa área.
sendo tocado por três profissionais, que podem dedicar 20% de
seu tempo na empresa a essa iniciativa. No modelo, essa equipe terá um prazo de quatro meses para
desenvolver a solução em conjunto com um ou mais clientes. Se a
ideia for bem sucedida, a tecnologia será incorporada ao portfólio
da Senior e esses colaboradores
passarão a ter uma participação —
não revelada — na receita da empresa. “Esses programas — internos e externos — serão contínuos
e incorporados à nossa operação.
No futuro, queremos atrair outros
investidores de risco. Esse será
um bom termômetro de que estamos no caminho certo”, afirma.
Divulgação
Moacir Drska
Berwanger:
aceleração
da inovação
com projetos
para start-ups
Na AL, 40%
pagariam mais
por rede móvel
de qualidade
Estudo da Ericsson
mostra ainda que 18% dos
brasileiros já possuem PC,
smartphone e tablet
Numa época em que o consumo de
serviços e a realização de tarefas
on-line estão cada vez mais fragmentados em diversas telas e momentos do dia a dia dos usuários, a
qualidade da rede para suportar esses recursos é a principal demanda
dos consumidores. Essa é uma das
conclusões de um estudo do Consumer Labs, da Ericsson, que será divulgado globalmente hoje. A fabricante de equipamentos de rede entrevistou mais de 47 mil pessoas
em 23 países, incluindo o Brasil, na
faixa etária de 15 a 69 anos.
“Hoje, a tela e a localização física do usuário são irrelevantes. O
que importa para esse consumidor
é sua experiência de conexão e navegação nos serviços móveis”, diz
Clayton Cruz, diretor de banda larga móvel da Ericsson para o Brasil e
a América Latina. Como reforço a
essa visão, o executivo cita o fato
de que 40% dos usuários disseram
estar dispostos a pagar mais para
ter acesso a uma rede de banda larga móvel indoor — em ambientes
como shoppings, aeroportos e escolas — de melhor qualidade. Globalmente, esse índice foi de 50%.
A prioridade dos usuários pela
melhoria dos serviços indoor se explica justamente pelo fato de que
grande parte do dia desses consumidores se passa nesses ambientes. “A razão de uso de banda larga
móvel indoor e outdoor é de sete
para um. Hoje, no Brasil, esses serviços são aceitáveis apenas no ambiente residencial, quando associados à banda larga fixa”, diz. “Existe um grande desafio e, ao mesmo
tempo, uma ótima oportunidade
para as teles avançarem nessa frente para rentabilizarem e fidelizarem seus assinantes”, afirma.
O estudo também mostrou que
21% dos entrevistados possuem
um smartphone, um notebook e
um tablet. No Brasil, esse índice é
de 18%. Ao mesmo tempo, 52%
dos internautas usam regularmente mais de uma tela para uma mesma atividade, como assistir vídeos
ou fazer compras online.
Como parte dessa tendência, a
pesquisa destaca que atividades antes associadas a determinadas situações do cotidiano estão ultrapassando fronteiras. Enquanto 12%
das pessoas fazem compras online
durante seus expedientes, outras
23% realizam tarefas ligadas ao trabalho durante a noite. Moacir Drska
Terça-feira, 14 de outubro, 2014 Brasil Econômico 15
Divulgação
TECNOLOGIA
Linx oferece R$ 38,7 mi por Big Sistemas
A Linx, empresa de tecnologia de gestão para o varejo,
anunciou a aquisição da Big Sistemas, em operação que pode
chegar a R$ 38,7 milhões. A Big Sistemas atua no desenvolvimento
e comercialização de softwares de gestão e automação
de farmácias, com foco em redes de pequeno e médio porte,
e obteve faturamento de R$ 13,4 milhões nos últimos 12 meses. Reuters
Luxottica perde seu segundo CEO por
conflitos no conselho de administração
Líder mundial em óculos, grupo italiano, fundado em 1961, nega que vá indicar alguém da família para compor o board da companhia
Divulgação
O Luxottica Group perdeu seu segundo executivo chefe em pouco mais de um mês, quando surgiu uma disputa sobre as nomeações para o conselho de administração da empresa, de acordo
com uma pessoa familiarizada
com o assunto.
Enrico Cavatorta vai deixar a
maior empresa de óculos do mundo depois de uma discussão sobre a nomeação de uma pessoa
próxima à família fundadora da
Luxottica para o conselho, disse
a fonte, que pediu para não ser
identificada porque o assunto é
confidencial.
O presidente do conselho da
Luxottica Leonardo Del Vecchio
irá propor Massimo Vian como o
novo co-CEO da empresa. Vian,
atualmente diretor de operações
da empresa, será co-CEO de operações e de produtos a título provisório, de acordo com um comunicado da empresa.
As ações caíram 10% ontem
em Milão para € 38, anulando o
ganho do ano e dando valor à
empresa de € 18 bilhões. A partida de Cavatorta vem na esteira
da demissão de Andrea Guerra,
que liderou Luxottica por uma
década, no mês passado. A companhia colocou seu então diretor financeiro Cavatorta como
parte de um trio de liderança
que incluiu Del Vecchio e uma
pessoa de fora Luxottica, ainda
a ser nomeada.
EnricoCavatortadeixaocargologodepoisdasaídadeAndreaGuerra
Querer ser um doador de órgãos é o primeiro passo de um lindo gesto que salvará
outras vidas. Depois, é preciso ter uma conversa baseada em amor, confiança e respeito
com a sua família. No momento certo, são eles que decidirão respeitar o seu desejo.
SEJA DOADOR DE ÓRGÃOS E AVISE À SUA FAMÍLIA. SUA FAMÍLIA É A SUA VOZ.
Saiba como. Acesse facebook.com/doacaodeorgaos
#doeorgaos
Sua renúncia põe em dúvida a
capacidade da Luxottica para recrutar um gestor externo no futuro, disseram analistas. A Luxottica "pode ter dificuldades para
atrair candidatos fortes para a
ainda não preenchida vaga de coCEO, disse o analista do Citigroup em Milão, Mauro Baragiola, por meio de nota.
Del Vecchio, no mês passado,
negou que está pensando em
seus filhos para funções de gestão na empresa que ele fundou
em 1961. O bilionário de 79 anos
de idade, que detém 65% da
companhia, teria dito ao jornal
“Il Sole 24” que a saída de Guerra abriu espaço para sua família,
o que ele negou.Bloomberg
16 Brasil Econômico Terça-feira, 14 de outubro, 2014
Victor J. Blue/Bloomberg
▲
EMPRESAS
GOOGLE
Amazon é o maior concorrente, diz CEO
A Amazon é o principal concorrente do Google, revelou ontem
em Berlim o presidente-executivo da companhia, Eric Schmidt.
“Muita gente pensa que nossos principais concorrentes são
o Bing e o Yahoo, mas em matéria de busca on-line é a Amazon.
Eles se concentram mais no aspecto comercial, mas respondem
às perguntas e às buscas dos usuários, como nós.” AFP
Frieze aquece mercado de arte
Com US$ 2,2 bilhões em obras, feira em Londres reúne 162 galerias na principal mostra. A Frieze Masters, evento
irmão que também acontece no Regent's Park e traz trabalhos modernos e históricos, terá 127 expositores
Divulgação
A Frieze Week de Londres, maior
semana de concentração de eventos de arte da Europa, com leilões, galerias e feiras que oferecem até US$ 2,2 bilhões em trabalhos artísticos, mostra que esse
mercado não emite sinal de esfriamento ou desaceleração.
AFrieze Art Fair, no Regent's Park, começa hoje a selecionar colecionadores ricos em busca de obras
de arte de estrelas contemporâneas
e de velhos mestres, como uma tela
de Cy Twombly , avaliada em US$
24 milhões, e um retrato de Rembrandt, de US$ 48,5 milhões.
Coincidindo com a feira,
Christie's, Phillips e Sotheby's leiloarão 972 trabalhos em suas vendas de dia e noite, estimados em
até 264 milhões de libras (US$
426 milhões), mais que o dobro
dos 118 milhões de libras em objetos de arte vendidos em leilões
equivalentes no ano passado. Os
novos compradores “de todos os
bolsos do mundo” estão adquirindo arte e jogando os preços para cima, disse Suzanne Gyorgy, chefe
de assessoria para arte e finanças
do Citi Private Bank, do Citigroup, com sede em Nova York.
“Em2008, quandoalgumaspartes do mercado de arte foram atingi-
Coincidindo com a
feira, Christie’s,
Phillips e Sotheby's
leiloarão 972
trabalhos, estimados
em até 264 milhões de
libras, mais que o
dobro das 118 milhões
de libras de 2013
"Gartenkinder" é o playground da Gagosian Gallery na Frieze
relatório da empresa de pesquisas
de informações sobre artes Artprice, com sede em Paris. Os números não incluem comissões. Em
2000, as vendas semelhantes foram de menos de US$ 90 milhões,
afirmou a Artprice.
“Omercadodeartecontemporânea é muito robusto e os compradores ativos de arte estãomuitodecididosemgastardinheironesses trabalhos”, disse Andrew Gristina, chefe
de Belas Artes nacionais da Travelers Cos., que assegura uma série de
galerias na Frieze. “A feira continua
sendo um evento popular e esperase uma quantidade equivalente de
peças de alta qualidade.”
“Aarte contemporânea,que costumava ser o elo mais fraco do mercado de artes, agora é tão importante quanto o segmento de arte moderna”, disse Thierry Ehrmann,
CEO da Artprice.
A Frieze projeta que a participação neste ano continue em 70.000
visitantes, com 162 galerias na feira
principal. A Frieze Masters, um
evento irmão também no Regent's
Park, que mostra trabalhos modernos e históricos, terá 127 galerias.
No ano passado, 152 galerias exibiram trabalhos na Frieze e 130 na
Frieze Masters. Bloomberg
das duramente, a fatia de alto padrão continuou indo bem”, disse
Suzanne.“Asvendas privadas continuaram. Muita riqueza ainda está
sendocriada e maispessoas ricasestão se tornando colecionadoras.”
As obras de arte oferecidas na
Frieze, em leilões, galerias e em algumas feiras satélites haviam sido
estimadas em até US$ 2 bilhões no
ano passado. Os valores provavelmente serão de cerca de US$ 2,2 bilhões neste ano, ou 10% a mais, segundo as seguradoras.
As vendas de peças de arte contemporânea em leilões públicos
em todo o mundo totalizaram ¤
1,5 bilhão(US$ 1,9 bilhão) nos 12
meses até 3 de julho, 33% a mais
que no ano anterior, segundo um
That Girl embala “kit de primeiros socorros social” para mulheres
Maíra Coelho
Pequena empresa
vende itens como as
canetas que tiram
manchas de vinho,
fabricados na China.
Distribuição é feita
em farmácias
Foi com a proposta de vender
aqueles produtos que ajudam as
mulheres em um momento de
emergência, ou que poderiam
estar na bolsa ou no armário de
casa na hora em que mais se precisa, que Maria Fernanda Mamede deixou seu trabalho na área financeira na Sony no Brasil para
criar, em 2012, a That Girl, pequena empresa com sede no Rio
de Janeiro que distribui itens como canetas que tiram manchas
de vinho, maquiagem ou mesmo fitas adesivas que ajudam a
prender decotes ou seguram o
tomara que caia.
Os produtos são inspirados
em itens que já são encontrados em outros países. No caso
da linha vendida por Maria
Fernanda em farmácias do Sudeste e Sul do Brasil, todos são
fabricados na China, onde, segundo ela, mesmo com o custo do frete, acabam sendo
mais baratos.
“Criei uma linha de acessórios que já existia no mundo e
adaptei à nossa realidade, com
a embalagem com a mensagem brasileira. Pesquisei o que
tem lá fora e não encontramos
facilmente no Brasil. A média
de preços destes produtos está
em torno de R$ 20. Mas temos
produtos em torno de R$ 7, caso do protetor de axilas. Vimos
neste mercado um nicho para
crescer com a distribuição em
farmácias. Atualmente, temos
14 itens para venda ao consumidor. Muitos têm sua particularidade. O cinto que deixa a
calça jeans certinha no corpo
sem o chamado ‘cofrinho’ à
vista é o preferido das mães de
adolescentes, enquanto o pro-
tetor de axilar é comprado
mais pelo nosso e-commerce
e pelos homens, que sofrem
mais com a sudorese e não ficam à vontade em comprar em
farmácias”, diz ela. Erica Ribeiro
Terça-feira, 14 de outubro, 2014 Brasil Econômico 17
E$PORTE CLUBE
CHICO SILVA
[email protected]
Gabriel Bouys/AFP
RO
PARA LÁ
RO
Cruzeiro líder dentro
e fora dos gramados
Líder do Brasileirão e favorito ao
bicampeonato , o Cruzeiro vive boa
fase dentro e fora dos campos. Os
torcedores do clube foram os que
mais se beneficiaram dos descontos
do Super-Final de Semana do
Movimento por um Futebol Melhor.
No total, os cruzeirenses
economizaram R$ 2 milhões na
compra dos produtos da ação. Logo
atrás, vieram os arquirrivais
atleticanos, com R$ 850 mil.
PARA CÁ?
D
entro de campo, Romário e Ronaldo
formaram um dos maiores ataques da
história da Seleção Brasileira. E olha que
nem jogaram tanto assim. Ao todo, a dupla
Ro-Ro, como ficou conhecida, entrou em campo
em 19 partidas. O retrospecto é impressionante.
Foram 14 vitórias, três empates e apenas duas
derrotas com a camisa amarelinha.
Conquistaram os títulos da Copa América de
1997 e da Copa das Confederações do mesmo
ano, nessa com exibição de gala na final, uma
goleada de 6 x 0 contra a Austrália, com três gols
de cada. Todos esperavam o auge da parceria na
Copa da França, em 1998. Mas uma lesão tirou o
“Baixinho” daquele Mundial. Por coincidência, a
partir dali a amizade começou a esfriar e morreu
de vez quando Ronaldo se tornou um dos
executivos do Comitê Organizador Local da Copa
de 2014. Um dos maiores críticos da realização
do torneio no Brasil, Romário centrou boa parte
de sua munição no ex-companheiro de ataque.
De parceiros, passaram a desafetos . Mas, por
uma dessas ironias da vida, a dupla Ro-Ro pode
voltar a jogar no mesmo time. Se Aécio Neves
(PSDB) vencer a eleição, o Fenômeno é favorito
para ocupar o cargo de ministro dos Esportes do
governo do amigo tucano. O partido de Romário,
o PSB, anunciou apoio a Aécio no segundo turno
contra Dilma Roussef. Ao ser questionado pela
coluna sobre a postura de Romário caso Ronaldo
assuma o Ministério, a assessoria do senador
recém-eleito afirmou que ele não falaria
sobre hipóteses. É esperar para ver.
INVESTCRAQUE
Dani Lins, levantadora
campeã olímpica em Londres-2012
Acostumadas a títulos olímpicos e da Liga
Mundial, o bronze conquistado no
recém-encerrado Mundial de vôlei feminino da
Itália acabou sendo um prêmio de consolação para
as comandadas do técnico José Roberto
Guimarães. A derrota por 3 x 0 para
os Estados Unidos na semifinal
soterrou o sonho de Dani Lins de
conquistar o ainda inédito título
Divulgação
Netshoes “bomba”
nos suplementos
Maior e-commerce de artigos
esportivos do mundo, a Netshoes
está batendo recordes de vendas
em seu canal de suplementos
alimentares. De um ano para cá,
o faturamento do
segmento duplicou.
E desde 2011 a
média mensal
de vendas
aumentou
quatro vezes.
A mega loja
virtual possui um
estoque com mais
de 1,7 mil itens. Os mais
procurados são proteínas
concentradas, termogênicos,
hipercalóricos e BCAAs. Tem até
cupcake e ovo de páscoa para
os malhadores “gourmet”.
Divulgação
da competição, o único que falta na vitoriosa galeria
de conquistas do vôlei feminino brasileiro.
Sucessora direta de Fernanda Venturini e Fofão, as
duas maiores jogadoras da história da posição, a
levantadora titular da Seleção e do Molico/Osasco
conquistou o título olímpico em Londres-2012. Dani
Lins gosta de diversificar nos negócios. Seus
investimentos estão divididos em renda fixa
(45%), imóveis para compra e
locação (35%), renda variável
(15%) e agronegócio, mas
especificamente na compra de
mogno africano (5%).
Número da semana
€ 129 mil
Esse é o valor do novo salário mínimo
dos jogadores da milionária Liga
Espanhola de Futebol. O montante
corresponde a 14 vezes a
remuneração de um trabalhador
espanhol, que recebe o soldo mínimo
do país. Porém, é 130 vezes menor do
que os rendimentos de Messi, o
craque mais bem pago da Liga
Coluna publicada às terças-feiras
18 Brasil Econômico Terça-feira, 14 de outubro, 2014
▲
FINANÇAS
Editora: Eliane Velloso
[email protected]
Léa De Luca
[email protected]
São Paulo
A principal e mais barata fonte para financiamento imobiliário — os
recursos das cadernetas de poupança — estão chegando a um limite, depois de meses registrando aumento menor do que os desses empréstimos. Considerando os cinco
maiores bancos, 66% dos recursos das cadernetas estavam aplicados em crédito para imóveis em junho — o Banco Central (BC) obriga
os bancos a aplicarem 65%.
Mas esses 66% representam
apenas uma média que esconde
desequilíbrios: em alguns bancos,
o montante aplicado é bem maior
e em outros, bem menor. No Itaú e
Banco do Brasil (BB), os percentuais estavam ligeiramente maiores do que 20% no final de junho;
no Bradesco, em 44% e no Santander, 61%.
Já na Caixa Econômica Federal, o saldo dos empréstimos imobiliários atingiu R$ 304 bilhões —
quantia 37,5% acima do total dos
R$ 221 bilhões em poupança. A
Caixa vem usando outras fontes
de recursos, como Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e Certificados
de Recebíveis (CRI), que têm, contudo, custos mais elevados do que
a poupança. A partir do ano que
vem, os bancos poderão emitir
também Letras Imobiliárias Garantidas (LIG) para complementar suas fontes.
“As LIG vão beneficiar principalmente a Caixa”, diz relatório
da Moody's divulgado ontem. Por
meio da sua assessoria de imprensa, a Caixa disse que considera a
criação importante e “aguarda a
regulamentação das LIG para considerar esta nova possibilidade
em sua estratégia”.
Uso da poupança
está desequilibrado
Caixa já aplicou em crédito imobiliário 37% a mais do seu saldo da caderneta, enquanto
Itaú e BB só pouco mais de 20%; Letra Imobiliária Garantida pode reforçar captação
Murillo Constantino
“
Há um potencial de
emissão de R$ 300
bilhões em Letras
Imobilárias Garantidas
nos próximos dois
anos. Mas vai depender
da aceitação do
mercado e das
condições econômicas”
Octavio de Lazari Junior
Presidente da Abecip
ESTOQUES EM ALTA
DESEQUILÍBRIO
Volume de funding para financiamentos imobiliários, em R$ bilhões
Saldo dos empréstimos imobiliários e da poupança nos cinco maiores bancos (R$ bilhões)
Poupança*
304
(137,5%)
648,24
620,33
0 33
0,33
Empréstimos imobiliário
614,98
221
133,99
LCI**
146
111
32
(21,2%)
113,42
84
26
(23,4%)
37
(44%)
Banco d
do B
Brasil
It
Itaú
úU
Unibanco
ib
Bradesco
124,86
118,79
79
CRI**
36 22
(61%)
Santander
t d B
Brasil
Fonte: Moody's
51,18
51,26
49,24
48,97
16/ABR
Caixa Econômica
Federal
638,47
Depósito em poupança
13/MAI
13/JUN
14/JUL
*Saldo; **Estoque Valorizado Fontes: Banco Central e Cetip
13/AGO
12/SET
13/OUT
Terça-feira, 14 de outubro, 2014 Brasil Econômico 19
Mas, segundo a Moody's, os
bancos que ainda tem saldo excedente de poupança para investir
em crédito imobiliário, como BB e
Itaú, tendem a não usar o instrumento para esse fim.
“Há um potencial de emissão
de R$ 300 bilhões em LIGs nos próximos dois anos”, diz o presidente
da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) e diretor do Bradesco, Octavio de Lazari Junior.
“Vai depender de como sair a regulamentação do Conselho Monetário Nacional (CMN), da aceitação
do mercado e das condições da
economia”, acrescentou. “Os recursos das LIG podem ir para outras finalidades mas, pelas condições estabelecidas, é um instrumento pronto para substituir a
poupança”, diz.
As LIG foram anunciadas em
agosto pelo ministro Guido Mantega e criadas por meio da Medida
Provisória nº 656 na semana passada. A regulamentação só sai depois que a MP for assinada e virar
lei, o que envolve um prazo de até
180 dias. Ou seja: emissões só no
ano que vem. Mas, segundo Lazari Junior, a maioria dos aspectos
que vinham sendo discutidos
com o governo foram acatados e a
regulamentação vai tratar de detalhes operacionais. “A isenção de
imposto para investidores estrangeiros e possibilidade de emissão
em dólares tornam o papel muito
atraente”, diz.
“Uma das coisas que o CMN vai
definir é o que é pode ser lastro
dos papéis. Mas acredito que o
principal objetivo seja aumentar o
funding para o crédito imobiliário”, diz Carlos Ratto, diretor-executivo comercial e de produtos da
unidade de títulos e valores mobiliários e de marketing e comunicação da Cetip. Ratto lembra que a
instituição depositária das LIGs — que provavelmente será a
própria Cetip - terá um papel
importante no sistema, pois a
LIG não será emitida fisicamente, será apenas registrada — e
todos os ativos que compõe a
carteira que serve de lastro para a emissão do papel também
tem que ser registrados e acompanhados na instituição.
As LIG são a versão brasileira dos “covered bonds”, ou “títulos cobertos (garantidos)”
que, como o nome diz, contam
com uma cobertura adicional e
portanto, são mais seguros. “O
risco primário é da instituição
financeira. O investidor corre
esse risco - somente em caso
de calote do banco é que o investidor terá direito a recorrer
aos ativos que estarão segregados”, explica Ratto, da Cetip.
Outra vantagem das LIG, segundo os entrevistados, é o prazo mais longo. “As Letras Financeiras tem prazo de dois anos
enquanto as LIG deverão ter
prazo médio (‘duration’)
maior para contar com as isenções”, lembra Ratto.
“
Uma das coisas que
o CMN vai definir é o
que pode ser lastro
dos papéis. Mas
acredito que o
principal objetivo
seja aumentar o
funding para o
crédito imobiliário”
Carlos Ratto
Diretor da Cetip
LIG é positiva para grandes
bancos do país, diz Moody’s
A criação das Letras
Imobiliárias Garantidas (LIG)
tem impacto positivo sobre a
nota de crédito (rating) dos
grandes bancos brasileiros. A
avaliação foi feita pela
agência de classificação de
risco Moody's em relatório
divulgado ontem. No último
dia 2, a agência havia
rebaixado a perspectiva para
os bancos brasileiros, de
estável para negativa.
“As LIGs representam uma
alternativa de funding de
longo prazo para a carteira
de crédito imobiliário dessas
instituições. Vão reforçar a
liquidez dos bancos e ajudar
a lastrear o aumento das
operações de forma mais
sustentável. Além disso, por
ser uma nota subordinada
(garantida pelas operações),
deve atrair mais investidores
estrangeiros ao mercado de
capitais brasileiro”, diz o
relatório, acrescentando que a
isenção tributária é outro
importante fator de atração.
A carteira de crédito
imobiliário que dá lastro às LIGs
permanecerá no balanço do
banco, mas estará protegida
contra uma eventual
intervenção ou insolvência. Os
ativos segregados não serão
usados para pagar dívidas
trabalhistas ou tributárias, o que
protege melhor os investidores
do que instrumentos lastreados
em créditos imobiliários, mas
emitidos por companhias
securitizadoras, diz a Moody’s.
Fundo florestal é
opção a investidor
institucional
Baixa volatilidade e a fraca correlação do fundo com a maioria
das classes de investimentos tradicionais torna produto atrativo
Divulgação
Alessandra Taraborelli
[email protected]
São Paulo
Ao largo do rali eleitoral que tem
comandado os negócios na Bolsa
de Valores, os fundos florestais
têm se mostrado uma alternativa
para a diversificação de portfólio
de investidores institucionais. A
baixa volatilidade e a fraca correlação do fundo com a maioria das
classes de investimentos tradicionais têm sido consideradas pelos
investidores que pensam no longo prazo.
O diretor da Tree Florestal e
mestre em economia e política
florestal, Marco Tuoto, ressalta
que embora seja um mercado novo, vem conquistando investidores. Entre os atrativos, está o fato
de o investimento fazer frente às
oscilações e turbulências no mercado. “Por exemplo, surge uma
crise no mundo inteiro, o mercado de construção começa a recuar e a madeira cai 50%. Eu não
preciso vender a madeira, deixo
ela em pé e quando o mercado recuperar eu vendo”, diz. O objetivo desses fundos é formar florestas e fechar contratos de venda
com consumidores de madeira.
Esse é um negócio novo no país,
que tem atraído investidores estrangeiros e também brasileiros.
A Tree Floresta é um player nacional que atua no desenvolvimento sustentável de plantações de pinus e eucalipto, bem como na gestão florestal e comercial de madeira e é 100% controlada pelo Fundo
de Investimento de Participações
(FIP) Ático Florestal. O fundo tem
patrimônio de R$ 182 milhões e o
objetivo de rentabilidade é IPCA
mais 9% ao ano. “O prazo do nosso
fundo é seis anos, quando completar fazemos o desinvestimentos e,
uma das estratégias é trabalhar um
IPO, vai depender do quanto consolidado estiver a empresa”, diz.
O sócio executivo da área de
produtos estruturados da Claritas
Investimentos, Cassiano Morelli,
que administra um fundo florestal
com patrimônio de R$ 215 milhões, ressalta que essa é uma opção de longo prazo e, atende os
“
Surge crise no mundo
inteiro, mercado de
construção começa
recuar e a madeira cai
50%. Eu não vendo,
quando o mercado
recuperar, vendo”
Marco Tuoto
Diretor da Tree Florestal
fundos institucionais que têm metas atuariais para cumprirem. “É
o tipo de produto que os investidores estão se familiarizando. Hoje,
faz muito sentido para fundação e
investidor institucional”, diz, ressaltando ainda que no atual cenário de desaceleração econômica e
indefinição política, esse segmento continua sendo atrativo. Além
disso, ele destaca que o Brasil, geo-
graficamente, é “disparado” o melhor lugar para reflorestamento.
O sócio da Lacan Investimentos
Guilherme Ferreira, ressalta que esse é um investimento alternativo
bem adequado, principalmente,
porque tem um risco retorno moderado. O executivo explica que não
há necessidade de comprar uma
floresta, se não for de interesse, é
possível arrendar uma fazenda. Ele
também destaca a vantagem de investir neste segmento, já que o ativo não tem prazo definido de corte. “No caso do eucalipto, você consegue cortar com 5 anos, 6, 7, 8,
ou, no limite, 9 anos. De um ano para outro você agrega valor em termos de volume do ativo”, diz, ressaltando que esse é um dos fatores
que mitigam o risco do investimento. Outro, segundo ele, é que pode
ser consumido por várias indústrias, como a de papel e celulose,
painel de madeiras, carvão vegetal
e madeira para energia. “Existe diversificação das indústrias consumidoras e, isso, também mitiga o
risco”, pondera.
A Lacan que já tem um fundo
com patrimônio de R$ 220 milhões e expectativa de retorno de
IPCA mais 10% ao ano, já está em
fase de conclusão de um segundo
fundo. “O Lacam Florestal 2 segue a mesma linha do primeiro.
Resolvemos fazer esse em razão
do grande sucesso do anterior. Teve grande demanda de investidores institucionais”, diz, ressaltando que até o final do ano a captação já deve estar concluída e, em
2015, devem começar os investimentos. “Estamos em negociação
para compra de terras ou arrendamento de fazenda para o plantio
do eucalipto”, revela.
O BTG Pactual informou, através a assessoria de imprensa, que
registrou na Comissão de Valores
Mobiliários (CVM) o Timberland
Fund I FIP, fundo de investimento
em participações que investirá
em companhias dos setores florestal e madeireiro. O patrimônio do
fundo é de cerca de US$ 750 milhões, sendo que deste total, US$
200 milhões serão aportados pelo
banco. A rentabilidade esperada é
de IPCA mais 10% a 12% ao ano.
20 Brasil Econômico Terça-feira, 14 de outubro, 2014
O MERCADO COMO ELE É...
LUIZ SÉRGIO GUIMARÃES
[email protected]
EXALTAÇÃO AINDA É APARENTE
Editoria de Arte
O
real foi a moeda que mais se valorizou ontem
entre as mais de três dezenas de divisas importantes.
O pano de fundo global favorecia a apreciação: a aversão
a risco que imperou sexta-feira por causa da fragilidade
econômica da zona do euro foi substituída por um apetite
frugal estimulado por indicadores melhores sobre a China.
Mas o fator que fez a diferença mesmo foram os últimos lances
da corrida eleitoral. O dólar e os juros futuros fecharam
com fortes quedas em razão de nova pesquisa pró-Aécio
e dos apoios que o candidato recebeu de Marina Silva e da
família de Eduardo Campos. Mas os três fatores não foram
“precificados” em sua plenitude. O dólar caiu 1,27%, cotado
a R$ 2,3927, mas poderia ter mergulhado muito mais se o
mercado tivesse confiança na vitória do tucano.
Ainda não tem. Os analistas trataram a pesquisa Sensus divulgada no fim de semana como um
ponto fora da curva. Quando se
trata de projeções, o mercado
gosta de operar com a “mediana”, uma medida que, por expurgar os extremos, é mais confiável do que uma simples média. A
vantagem de 17 pontos de Aécio
em relação a Dilma foi considerada um ponto extremado, sem
exatidão. O resultado precisa ser
confrontado com os de institutos que, como o Datafolha e o
Ibope, desfrutam de maior credibilidade junto aos executivos. Seria muito temerário ou francamente estúpido sair apostando
dinheiro a rodo numa amostra
sem confiabilidade. A menos
que a sondagem indique o início
de uma tendência irrefreável.
Nesse caso, quem sai na frente
ganha mais. Ninguém confiaria
nisso a menos que dispusesse de
informação privilegiada de qualidade superior. Não parece ser o
caso, em face até do baixo volume de negócios registrado ontem no mercado de câmbio, de
apenas US$ 800 milhões.
Ainda não tem também por
dois outros motivos. O peso do
apoio da família Campos parece
restringir-se a Pernambuco e
não se sobrepõe ao racha interno do PSB. O peso de Marina Silva também é discutível. Será aferido com maior acuidade nas
próximas pesquisas. Mas, em
princípio, os analistas relativizam a influência do apoio. Este
parece nutrir a lista de contradições da ex-senadora, ampliando a divisão no seio da agremiação política que ainda não conseguiu o status de partido. A maior
parte do eleitorado de Marina,
de esquerda, não se deixará seduzir pela inclusão no programa
econômico tucano de uns adendos de natureza estranha aos
postulados básicos do PSDB. Isso não engana o marinista de
raiz e não constrange o mercado. A pureza liberal-ortodoxa
do PSDB não foi conspurcada: o
viés esquerdista foi introduzido
para atrair incautos, não para
ser cumprido.
Um desvalorização do dólar,
portanto, na casa de 1,3% não
está inteiramente fora dos padrões especulativos “normais”
do mercado de câmbio em período de tiroteio eleitoral. O preço
de R$ 2,39 parece ser um patamar confortável, de onde poderia partir tanto para cima (se
houver a comprovação de que o
Sensus foi extravagante) quando para baixo, se a onda antipetista crescer. A baixa parece
exagerada se o parâmetro for a
cena externa. O índice que mede a variação do dólar frente a
uma cesta de divisas, o DXY, recuou ontem apenas 0,45%. E
não havia negociação no mercado secundário de títulos do Tesouro americano. O feriado do
Dia de Colombo não permitiu a
que a taxa da T-Note de 10 anos
subisse do nível de 2,29% no
qual fechou na sexta-feira para
refletir a maior predisposição
global ao risco. Nem a nova declaração do vice-presidente do
Federal Reserve (Fed), Stanley
Fischer, segundo a qual a expansão mais contida do mundo deve levar o banco central americano a frear a retirada dos estímulos monetários.
A fala de Fischer e o dado sobre comércio exterior da China
não seriam capazes, sozinhos,
de mover o dólar para perto da
faixa de R$ 2,39. O crescimento das exportações chinesas
em 15,3% no mês passado,
quando os especialistas previam uma alta de 12%, compens ou o s u p eráv it c omercia l
aquém do esperado. Enquanto
o mercado projetava um saldo
de US$ 41,1 bilhões, a balança
comercial registrou um superávit de US$ 30,94 bilhões. Não
foi possível porque as importações cresceram 7%, ao passo
que se previa uma queda de
2%. De qualquer forma, os indicadores sugerem uma melhora
da economia chinesa.
O dólar caiu 1,27%,
cotado a R$ 2,3927,
mas poderia ter
mergulhado
muito mais se o
mercado tivesse
confiança na
vitória do tucano
Sem o respaldo do mercado
de “treasuries”, o pregão de
juros futuros da BM&F movimentou-se em função do dólar. As quedas dos contratos
não foram suavizadas pela piora na expectativa de IPCA para este ano do boletim Focus.
A mediana das cem instituições pesquisas apontou taxa
de 6,45% no acumulado de
2014, ante 6,32% no boletim
anterior. A garantia dada pelo
presidente do Banco Central,
Alexandre Tombini, em entrevista após a reunião anual do
FMI em Washington, de que
não será “complacente” com
a inflação só fará preço no DI
se crescerem as chances eleitorais de Dilma.
Embora os contratos futuros
de DI tenham caído em bloco,
a curva a termo intensificou
sua inclinação negativa. Isso
porque os contratos longos recuaram mais acentuadamente
que os curtos. Quanto mais
marcado o declive, maior a
aposta na vitória de Aécio Neves. Enquanto a taxa para janeiro de 2016 cedeu 0,09 ponto
(de 11,97% para 11,88%), o juro para janeiro de 2017 caiu
0,17 ponto (de 11,93% para
11,76%) e a taxa para janeiro
de 2021 tombou 0,28 ponto (de
11,43% para 11,15%).
Terça-feira, 14 de outubro, 2014 Brasil Econômico 21
Seminário Internacional
17 OUT - 2014
INSTITUTO
EUROPEO DI
DESIGN - RIO
Av. João Luis Alves,
nº 13, Urca
ENTENDA COMO UTILIZAR ESTRATÉGIAS DE MARCA PARA APRIMORAR
A IMAGEM E REPUTAÇÃO DE LUGARES, CIDADES E DESTINOS.
DIRECTIONS é uma oportunidade única para pessoas
interessadas em adquirir uma visão abrangente e atual para
criação, promoção e gestão de marca para lugares, cidades
e destinos. A partir de casos de sucesso e da experiência
de profissionais renomados internacionalmente, este evento
pioneiro vem acender no Brasil um debate que começa a ganhar
grandes proporções no mundo.
DIRECTIONS VAI ATRAIR O INTERESSE DE: profissionais
e estudantes das áreas de Marketing, Estratégia, Design,
Planejamento Urbano, Turismo, Hotelaria, Eventos, Pesquisa,
Administração, Arquitetura, Comunicação, Jornalismo, Economia,
Comércio Exterior, Ciências Sociais e Relações Internacionais,
além de representantes das esferas governamentais, da gestão
pública, federações, indústrias e ONGs.
PALESTRANTES
MARTIN BOISEN
Phønix - The International Place Branding Panel
Geógrafo urbano, consultor de mais de 50
projetos na Europa e professor da Universidade
de Groningen, Holanda.
ADAM MIKOLAJCZYK
Best Place - European Place Marketing Institute
Presidente do Best Place e professor na Universidade
de Varsóvia, Polônia. É um dos especialistas vinculados
pelo British Council no “City Idea Bakers”.
MIKE RAWLINSON
City ID
Designer urbano e sócio fundador da City ID, empresa
britânica que aprimora a experiência que as cidades
oferecem a seus usuários.
ANA LYCIA GAYOSO
Rio Eu Amo Eu Cuido
Gestora executiva e coordenadora do projeto
Move Rio / Rio Eu Amo Eu Cuido.
MASSIMO GIOVANARDI
Universidade de Estocolmo
PhD em Sociologia e Fenômenos Culturais,
professor de Place Branding na Universidade
de Estocolmo, Suécia.
WASHINGTON FAJARDO
Instituto Rio Patrimônio da Humanidade
Arquiteto e urbanista, presidente do Instituto Rio
Patrimônio da Humanidade.
JOSÉ PABLO ARANGO CALLE
Marca País Colômbia
Publicitário responsável pela gestão da Marca
País Colômbia.
RAQUEL GOULART
Saravah
Diretora de Branding da Saravah, professora de Place
Branding do IED e do Instituto Gênesis da PUC Rio.
A participação no evento inclui:
ACESSO A TODAS AS PALESTRAS
TRADUÇÃO SIMULTÂNEA
ALMOÇO E COFFEE BREAKS
KIT DO PARTICIPANTE
CERTIFICADO DE PARTICIPAÇÃO
REALIZAÇÃO
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www.directionsrio.com
22 Brasil Econômico Terça-feira, 14 de outubro, 2014
▲
FINANÇAS
Patricia Stavis
Futuros de boi na
BM&F atingem
máximas com seca
Vencimentos de contrato
para dezembro chegou a
alcançar pico de R$
137,43 por arroba
Na contramão da bolsa, a expectativa eleitoral derrubou o dólar, que caiu 1,27%, cotado a R$ 2,393
Ibovespa sobe
4,7%, com melhor
pregão em 3 anos
Índice fecha o dia aos 57.956 pontos, impulsionado pelas ações das
estatais, após formalização do apoio de Marina Silva à Aécio Neves
Priscilla Arroyo
[email protected]
São Paulo
O mercado financeiro reagiu de
forma positiva ao fortalecimento
da campanha de Aécio Neves (PSDB) após a formalização do apoio
da ex-candidata à Presidência
Marina Silva. O Ibovespa abriu
ontem em forte alta, ultrapassou
os 6% na máxima do dia e terminou com ganhos de 4,78%, aos
57.956 pontos, impulsionado pelas ações do “kit eleição” — as estatais. Foi o maior avanço percentual do índice desde o dia 9 de
agosto de 2011. O giro financeiro
foi de R$ 10,3 bilhões.
Na contramão da bolsa, a expectativa eleitoral derrubou o dólar, que caiu 1,27%, cotado a R$
2,393 na venda.
A favor da oposição, a pesquisa Sensus mostrou, no fim de semana, ainda vantagem de 17 pontos do tucano em relação à Dilma
Rousseff (PT), resultado que diverge dos últimos levantamentos
do Datafolha e do Ibope, que
apontaram empate técnico entre
os candidatos. “Acredito que o
mercado não esteja comprando
uma diferença dessa magnitude.
O que animou os investidores foi
o fortalecimento da campanha
do tucano”, avaliou o analista de
equity da CM Capital Markets,
Marco Aurélio Barbosa.
As estatais se destacaram na
ponta positiva do índice. À frente
dos ganhos, Banco do Brasil On subiu 10,86%, seguida por Petrobras PN, que valorizou 10,54% e
Eletrobras ON, com alta de
À frente dos ganhos,
Banco do Brasil On
subiu 10,86%, seguida
por Petrobras PN, que
valorizou 10,54% e
Eletrobras ON, com alta
de 6,08%. Na ponta
negativa, Embraer ON
teve queda de 4,48%
6,08%. Na ponta negativa, as
ações de empresas exportadoras
refletiram a queda do dólar. Embraer ON teve queda de 4,48% e Fibria ON caiu 3,71%.
O Ibovespa ganhou impulso extra com os papéis dos bancos e da
Vale. Bradesco PN valorizou
7,82% e Itaú PN avançou 7,56%.
Vale PN, por sua vez, subiu 4,87%
como reflexo da recuperação do
preço do minério de ferro no mercado chinês. O valor da tonelada
da commodity abriu a semana
com alta de 4%, cotada a US$
81,1, na esteira do dado positivo
do comércio exterior da China —
as exportações subiram 15,3% em
setembro, na comparação anual.
Nos Estados Unidos, o índice
Dow Jones caiu 1,35%, o S&P perdeu 1,65% e o Nasdaq recuou
1,46%. As ações das companhias
aéreas sofreram impacto negativo
por conta das preocupações com
o vírus ebola no mundo. Já os papéis de empresas do setor de energia recuaram como reflexo da queda no preço do petróleo tipo
‘brent’, cujo o barril foi negociado
no valor mais baixo em quatro
anos ontem.
Os contratos futuros da arroba
do boi negociados na BM&FBovespa atingiram máximas históricas ontem, com a persistência
do tempo seco aumentando as
preocupações sobre a recuperação das pastagens, o que pode
atrasar a engorda do gado criado no pasto após um ano de baixa oferta.
“Não tem boi. Não chove, está uma falta de chuva, já era para
estar com pasto verde. É a pior situação em 25 anos”, afirma à
Reuters o presidente da Associação Brasileira dos Criadores de
Zebu, Luiz Claudio Paranhos.
O preço da arroba ficou sustentado ao longo de 2014 com
uma oferta apertada de animais
prontos para o abate, após uma
das piores secas da história no
Sudeste durante o último verão,
somada a problemas estruturais
do setor.
Os vencimentos outubro, novembro, dezembro e janeiro da
BM&F marcaram novas máximas de contrato na véspera,
com o dezembro operando em
um pico de R$ 137,43 por arroba
por volta das 16h15. O contrato
outubro superou R$ 135.
O mercado futuro tem espelhado o físico. Os preços da arroba do boi gordo no Estado de São
Paulo fecharam a semana passada com valor nominal recorde,
segundo o Indicador Esalq/BM&
FBovespa, que apura os preços à
vista, a R$ 131,84.
Grande parte da pecuária
brasileira é extensiva, o que explica o impacto da seca para a
oferta de animais prontos para
os frigoríficos.
Nesta época do ano, de entressafra de gado, a oferta de animais criados em confinamentos
ajuda garantir o abastecimento
aos frigoríficos.
Mas nem o gado confinado,
cuja oferta é menor mas concentrada neste período do ano, está
segurando os preços, disse Paranhos. “Além do clima, os confinamentos não deram conta. É
uma série de fatores convergentes (para a alta)”, afirma.
O único limitador para o
preço da arroba seria um arrefecimento no consumo interno de carne bovina, pelos preços em patamares elevados, segundo especialistas. Os preços em alta levam consumidores a procurarem opções à carne bovina.
As altas temperaturas e a falta de chuva previstas para esta
semana também deverão afetar
áreas de café e cana-de-açúcar
do Brasil, ameaçando reduzir
mais do potencial produtivo
das lavouras, disseram meteorologistas ontem. No caso da soja
e do milho, a seca tem atrasado
o plantio.
A Somar Meteorologia e outros especialistas esperam que
as precipitações mais fortes e
generalizadas retornem somente depois do dia 23 de outubro,
quando uma massa de ar seco
sobre o Sudeste do Brasil será
rompida. Isso permitirá que as
frentes frias tragam umidade às
regiões produtoras. Reuters
Robson Oliveira /Divulgação
Clima pode atrasar engorda no pasto após um ano de baixa oferta
Terça-feira, 14 de outubro, 2014 Brasil Econômico 23
RESSEGURO
Allianz planeja lucrar no Brasil em 2015
A unidade de resseguros da Allianz na América Latina está
ampliando sua atuação em mercados de nicho no Brasil, dentro do
plano de crescer e alcançar lucratividade já em 2015. Grandes obras
de infraestrutura são uma das mais importantes fontes de receita
para a resseguradoras. No ano passado, a receita de prêmios foi de
cerca de US$ 115 milhões, dos quais 98% no Brasil. Reuters
Fabrice Dimier/Bloomberg
Cade aprova cessão de ativos
do BES Investimentos
para banco Brasil Plural
Instituição brasileira vai
assumir carteira de
R$ 1,5 milhão em gestão
de terceiros e fortunas
Os pagamentos via tuítes serão administrados pelo serviço S-Money do francês Groupe BPCE
Banco vai operar
com Twitter
Groupe BPCE, maior em número de clientes da França,
permitirá a seus clientes movimentar dinheiro por tuítes
O Groupe BPCE, um dos maiores bancos da França, vai trabalhar junto com o Twittera partir
desta semana para permitir que
seus clientes transfiram dinheiro via tuítes. A decisão do banco, segundo maior em número
de clientes na França, coincide
com a investida do próprio Twitter no mundo de pagamentos online — para que a rede social consiga novas fontes de receita
além de publicidade.
O Twitter está competindo
com outras gigantes de tecnologia como a Apple e o Facebook
para estabelecer uma presença
de peso em novos serviços de pagamentos para telefones móveis
ou aplicativos. Elas estão colaborando ou, em alguns casos, competindo com bancos e emissores
de cartões de crédito que administram o negócio há décadas.
O banco disse no mês passado que está preparado para oferecer simples transferências de dinheiro entre pessoas via Twitter
para clientes da França, independentemente do banco que usarem, e sem exigir que o remetente saiba os detalhes bancários
do destinatário.
“A S-Money oferece a usuários do Twitter na França uma nova maneira de enviar dinheiro
uns aos outros, independente-
O Twitter está
correndo contra
outras gigantes de
tecnologia, como a
Apple e o Facebook,
para conseguir
presença
em novos serviços de
pagamentos para
dispositivos móveis
mente de seus bancos e sem ter
que inserir os detalhes bancários
do beneficiário”, disse Nicolas
Chatillon, presidente-executivo
da S-Money, unidade de pagamentos móveis do BPCE, no comunicado.
Os pagamentos via tuítes serão administrados pelo serviço
S-Money do banco, que permite transferências de dinheiro
através de mensagens de texto e
usa os padrões de segurança de
dados da indústria de cartões
de crédito.
Jean-Yves Forel, executivo
chefe do Groupe BPCE, afirmou
em comunicado que a iniciativa
S-Money abre também um novo
leque de oportunidades de pagamento em redes sociais.
“Esta iniciativa é um exemplo
de uma boa estratégia de inovação
em relação aos pagamentos. Groupe BPCE é o primeiro grupo bancário a oferecer aos consumidores
uma solução de pagamentos onde
podem transferir dinheiro com
um simples tuíte”, disse ele.
Já Olivier Gonzalez, presidente-executivo do Twitter na França, afirmou que o formato do portal de mensagens foi bem adequado para os pagamentos online
por causa de sua dimensão, que
atende a um público variado.
A empresa não explicou ainda se a transação seria privada
ou visível para as pessoas que os
usuários conhecem, como no
aplicativo do PayPal. No mês passado, o Twitter começou os testes de seu próprio novo serviço,
chamado de “Twitter Buy”, que
permite que consumidores encontrem e comprem produtos
na rede social.
O Facebook, maior rival do
Twitter, solicitou no início do ano
as licenças para incluir serviços financeiros , e contratou David Marcus, ex-presidente-executivo da
PayPal, para chefiar a divisão de
mensagens. A expectativa é de
que os pagamentos via Facebook
poderão ser incluídos no aplicativo messenger nos próximos meses. Com Reuters
O Conselho Administrativo de
Defesa Econômica (Cade) aprovou, sem restrições, a cessão de
ativos intangíveis relacionados
aos negócios de gestão de ativos
e de patrimônio do português
Banco Espírito Santo Investimentos Brasil (BESI Brasil) para o banco Brasil Plural, conforme despacho publicado ontem no Diário
Oficial da União.
A operação, que já havia sido
confirmada pela assessoria de imprensa do Brasil Plural no fim de
setembro, contempla a cessão onerosa ao banco brasileiro do direito
de uso irrestrito sobre a lista de
clientes e de fundos de investimento para fins de exercício das
atividades de gestão de ativos e
gestão de patrimônio. Segundo comunicado do Brasil Plural na ocasião, a instituição assumiu as carteiras de gestão de recursos de terceiros, no valor de R$ 600 milhões, e de fortunas, avaliada em
R$ 900 milhões.
Em documento apresentado
ao Cade, as partes informaram
que, para a Brasil Plural, a transação possui “cunho estratégico
e econômico, sendo uma boa
oportunidade de expansão de
sua carteira de clientes e serviços, especialmente associados à
gestão de ativos”.
Maior banco listado de Portugal, o BES, controlador do negócio brasileiro, teve que ser resgatado em agosto, após o colapso do
império empresarial da sua fundadora, a família Espírito Santo,
cujas principais holdings estão
sob proteção contra credores.
O plano de resgate envolveu a
injeção de € 4,9 bilhões no banco,
a maioria via empréstimo do governo, e a divisão da instituição financeira no chamado Novo Banco
e no “banco ruim”, que abriga a
exposição aos negócios da família
controladora do BES e outros ativos problemáticos.
BESI Brasil lidera captação de FIDC
da Omni Financeira
A Omni e o BESI/Grupo Novo Banco anunciaram ontem a conclusão
da captação do Fundo de Investimento em Direitos Creditórios
Omni Veículos X (FIDC Omni X),
no total de R$ 158,9 milhões. Foram ofertadas Cotas Sênior e Mezanino . O BESI foi o coordenador
líder da oferta, que contou ainda
como coordenadores o Banco de
Investimento Credit Suisse (Brasil) S.A (Estruturador), Banco Caixa Geral Brasil S.A e Banco Indusval S.A. Com Reuters
MINISTÉRIO DA DEFESA - EXÉRCITO BRASILEIRO
CMNE - 7ª RM/7ª DE COMISSÃO REGIONAL DE OBRAS/7 - (CRO 1/7ª RM - 1965)
COMISSÃO DE OBRAS BATALHA DAS SALINAS
AVISO DE LICITAÇÃO – TOMADA DE PREÇOS 06/2014
A Comissão Regional de Obras da 7ª Região Militar (CRO/7), situada na Avenida Norte, nº 245, Santo
Amaro, Recife-PE, CEP 50.040-200, realizará através da modalidade Tomada de Preços,
contratação de empresa especializada para execução de obra da Construção do posto de
combustível do Campo de Instrução Marechal Newton Cavalcanti.
Local do Certame: Sede da CRO/7 - Avenida Norte, 245, Santo Amaro, Recife;
Data da abertura: 29/10/14 às 10:00 horas (horário de Brasília-DF)
O edital da Tomada de Preços 06/2014 pode ser adquirido a partir do dia 14/10/14 no sítio
www.comprasnet.gov.br ou na sede da CRO/7 – Av. Norte, 245, Santo Amaro, Recife.
MARCO AURÉLIO CHAVES FERRO – Coronel QEM
Ordenador de Despesa da Comissão Regional de Obras da 7ª Região Militar
TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO
SECRETARIA-GERAL DE ADMINISTRAÇÃO
SECRETARIA DE CONTROLE EXTERNO
NO ESTADO DO MATO GROSSO
AVISO DE LICITAÇÃO
CONCORRÊNCIA Nº 01/2014
Objeto: Contratação de empresa especializada em engenharia para construção da Sede
da Secretaria de Controle Externo do Tribunal de Contas da União no Estado do Mato
Grosso - Secex-MT, em Cuiabá, conforme Projeto Básico e demais condições constantes
do Edital. Processo Administrativo n.º 019.106/2014-9. Sessão Pública: dia 18/11/2014, às
10 horas. Local: Secex-MT, Rua 2 - esquina com Rua C – Setor A – Quadra 4 – Lote 4 –
Centro Político Administrativo (CPA) – Cuiabá – MT. Edital à disposição dos interessados
no site do TCU (www.tcu.gov.br), na opção "Licitações e Contratos do TCU", ou no
endereço citado, das 10 às 12h e das 14 às 18h. Cópias dos projetos e planilhas deverão
ser obtidas no endereço mencionado. Esclarecimentos pelo e-mail [email protected] ou
pelos telefones (61) 3316-7004/5330 ou (65) 4009-2156 e (65) 3644-2772 ramais 208/210.
ELIESER CAVALCANTE DA SILVA
Presidente da Comissão Especial de Licitação
24 Brasil Econômico Terça-feira, 14 de outubro, 2014
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FINANÇAS
BANCO DA INGLATERRA
Carney diz que crescimento é prioridade
O presidente do BC do Reino Unido, Mark Carney disse ontem que os
resposáveis pelas políticas monetária e econômica, ao optarem por
reduzir os estímulos, devem priorizar o desenvolvimento da
economia e deixar em segundo plano potenciais volatilidades do
mercado. “O cenário externo, inflação controlada e um mercado de
trabalho saudável devem pesar nas decisões”. Blomberg
Desaceleração europeia deve
adiar alta dos juros nos EUA
Mercado futuro projeta elevação das taxas após setembro de 2015; vice-presidente do Fed, Stanley Fischer
sinaliza que a estagnação econômica na Zona do Euro pode retardar o início do aperto monetário
norte-americano
Joshua Rberts/Reuters
O desempenho recente do mercado futuros de juros nos EUA refletiu as incertezas do mercado quanto à estratégia do Federal Reserve
(Fed), o banco central dos EUA em
relação à política monetária. Os
números do mercado mostram
que a expectativa dos agentes é de
que são cada vez menores as chances das taxas de juros subirem antes de setembro de 2015. Essa percepção ficou ainda mais clara
após as declarações do vice-presidente do Fed, Stanley Fischer no
fim de semana, de que há uma
preocupação crescente com o desempenho da economia europeia.
Ao afirmar que o crescimento
abaixo do previsto de economias
estrangeiras poderá afetar o ritmo
com que o Fed vá iniciar o ciclo de
aperto monetário, o vice-presidente Stanley Fischer “deixou claro que se o principal bloco econômico do mundo mergulhar na recessão, esse cenário vai afetar o
cronograma do Fed em relação à
política monetária norte-americana”, explica Stan Jones, operador
veterano, e especialista no mercado de derivativos que opera desde
que o mercado futuro Eurodollars
entrou em operação, em 1981.
Os integrantes do Fed elevaram no mês passado as projeções
para os juros em dezembro de
Em reunião do FMI, Fischer deixou clara a preocupação com a desaceleração da economia europeia
2015. Em junho passado, a taxa
era de 1,125%, contra 1,375%. As
taxas estão fixadas entre zero e
0,25% desde dezembro de 2008.
A maioria dos economistas consultados pela Bloomberg acredita
que o Fed só deverá se decidir pela
elevação dos juros, ek março, junho, setembro ou dezembro de
2015, que são aquelas em que a presidente Janet Yellen concede entrevistas coletivas logo após a di-
vulgação da decisão do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc,
na sigla em inglês).
As preocupações de Fischer refletem a falta de confiança na capacidade da economia norte-
americana em resistir à recessão
externa e à valorização excessiva
do dólar.
Um dos oficiais do bc norteamericano que também defende
um estratégia mais cautelosa é o
presidente do Fed de Chicago,
Charles Evans.
“O maior e mais custoso risco
é o de que, em nossa pressa de voltar à política monetária ‘de sempre’, possamos travar o progresso
e voltar às circunstâncias econômicas de anos recentes” com crescimento baixo, inflação baixa e taxas de juros perto de zero, disse
Evans em discurso em Indiana.
“Deveríamos ser excepcionalmente pacientes” ao elevar os juros, mesmo ao ponto de deixar a
inflação subir acima da meta do
Fed, completou ele.
Como está, Evans projeta que a
economia não atingirá as metas de
pleno emprego e inflação de 2%
em até três anos, durante os quais
o Fed pode deixar a taxa de juros
em níveis que garantam estímulo
enquanto cautelosamente a eleva.
Ao comentar as dificuldades da
Europa e do Japão em elevar a inflação, Evans disse que vê pouca pressão de preços, fraco crescimento
de salários e nenhuma mudança
nas expectativas do público sobre
os níveis de preços. Com agências
Estratégia de Draghi para o BCE é alvo de críticas
Economistas querem
mais detalhes sobre o
tamanho do programa
de compra de títulos
A última estratégia de Mario Draghi para a zona do euro não está
conseguindo entusiasmar os
economistas.
Mais de 60% dos consultados
na pesquisa mensal da Bloomberg
dizem que o plano do presidente
do Banco Central Europeu (BCE)
para trazer o balanço de volta aos
níveis do início de 2012 não será
bem sucedido e um número cada
vez maior prevê que ele recorrerá
à compra em grande escala de títulos públicos. Dois terços estão des-
contentes com a falta de detalhes
sobre o programa de aquisição de
ativos que começará neste mês,
pois o BCE não quis dizer de que
tamanho será.
A pesquisa aponta para possíveis batalhas no Conselho do
BCE. Algumas autoridades já estão se opondo ao plano de compra
de títulos garantidos por ativos e
de bônus com garantias hipotecárias. Nas reuniões anuais do FMI
em Washington, Draghi voltou a
sinalizar que pretende expandir o
balanço do BCE em até € 1 trilhão
(US$ 1,3 trilhão) para evitar uma
deflação na zona do euro.
“O BCE manteve-se extremamente vago a respeito dos detalhes, especialmente sobre o tama-
nho do programa de compra”, disse , economista do NIBC Bank,
Duncan de Vries, em Haia. “Para
o BCE, a vantagem de não proporcionar todos os detalhes é que ele
conserva a flexibilidade. A des-
O presidente do BCE
voltou a sinalizar
que pretende
expandir o balanço
da autoridade
monetária em até
€ 1 trilhão para
evitar uma deflação
na zona do euro
vantagem é claramente que os
mercados financeiros continuam
questionando a capacidade e a disposição do BCE para combater a a
inflação baixa”.
As apostas de investidores sobre
futuros preços ao consumidor vêm
se deteriorando desde a reunião sobre política monetária do BCE no
dia 2 de outubro. A inflação da zona
do euro caiu para 0,3% em setembro e está muito distante da meta
de estabilidade de preços de pouco
menos de 2% desde o começo de
2013. Na semana passada, o FMI reduziu suas previsões econômicas
paraaregiãoepediuaoBCEqueavaliasse a compra de dívida soberana.
Em 11 de outubro, Draghi disse
no FMI que a expansão do balan-
ço do BCE é a última ferramenta
monetária que resta para reavivar
a inflação, mas novamente não
quis dar um objetivo específico.
“É muito difícil dar um valor
exato neste momento”, disse ele
aos repórteres.
Os ativos do BCE atingiram seu
pico de € 3,1 trilhões no primeiro
semestre de 2012 e desde então
caíram para € 2,1 trilhões.
O programa de compra e os empréstimos de longo prazo do BCE
a bancos acrescentarão € 600 bilhões, segundo a média das estimativas da pesquisa. O balanço se
expandirá em € 150 bilhões neste
ano, € 250 bilhões em 2015 e €
200 bilhões em 2016, mostra a pesquisa. Bloomberg
Terça-feira, 14 de outubro, 2014 Brasil Econômico 25
ITÁLIA
UniCred venderá unidade de crédito podre
O banco italiano UniCredit vai avançar com a venda de sua unidade
de empréstimos podres UniCredit Credit Management Bank
(UCCMB) após receber ofertas que estão perto do que o banco
almeja, disse ontem o presidente-executivo Federico Ghizzoni.
A venda, que pode render cerca de € 700 milhões, faz parte
dos planos do UniCredit para fortalecer seu balanço contábil. Reuters
Investidor se afasta da Europa
Fundos efetuando resgates em um momento em que a economia da zona do euro ameaça cair em outra recessão
Os investidores estão cansados da
Europa. Em meio a uma liquidação
global que empurrou o Standard
Poor’s 500 Index a uma baixa de
5,2% em três semanas, os prejuízos foram quase duas vezes maiores no Euro Stoxx 50 Index, cujo recuo de 4,5% na semana passada foi
o maior desde 2012. Um montante
recorde de US$ 1 bilhão foi sacado
de um fundo negociado em bolsa
(ETF) que monitora a Europa depois que o presidente do Banco
Central Europeu (BCE), Mario Draghi, alertou para sinais de que a recuperação está perdendo impulso.
Os investidores estão efetuando
resgates em um momento em que
a economia ameaça cair em outra
recessão após encerrar no ano passado a contração mais longa de sua
história. As perdas acionárias, que
atingiram US$ 1,6 trilhão desde se-
tembro, marcam uma reversão para os mercados que os gestores de
fundos diziam recentemente, em
junho, que eram seus favoritos.
“A semana passada realmente
abalou os mercados e a Europa ocupou os holofotes por todos os motivos errados”, disse Jeremy Gaudichon, que gerencia ações europeias na KBL Richelieu Gestion,
em Paris. “É loucura até mesmo
que estejamos falando sobre o risco de recessão novamente. É claro
que os investidores internacionais
iam querer reduzir sua exposição”.
O Euro Stoxx 50 caiu por três semanas consecutivas, a sequência
mais longa desde junho de 2013.
As avaliações não estão conseguindo oferecer um limite inferior. As
empresas que compõem o indicador estão sendo negociadas a 13,6
vezes os lucros projetados, propor-
Um montante recorde
de US$ 1 bilhão foi
sacado de um ETF que
monitora a Europa
depois que o presidente
do BCE, Mario Draghi,
alertou para sinais de
que a recuperação está
perdendo impulso
ção 84% maior que a baixa registrada em setembro de 2011 e 20 por
cento mais elevada que a média
dos últimos cinco anos.
Após adicionar dinheiro no Vanguard FTSE Europe ETF durante oito trimestres seguidos, os investidores retiraram quase US$ 2 bilhões nos últimos três meses, o
maior volume da história, mostram dados compilados pela
Bloomberg. Eles retiraram recordes US$ 293 milhões do iShares MSCI Italy Capped ETF e US$ 50 milhões do iShares MSCI Spain Capped ETF, o primeiro saque em
dois anos. O iShares MSCI Germany ETF teve um terceiro trimestre de saída de capital.
Na semana passada, o Fundo
Monetário Internacional reduziu
sua projeção de crescimento para a
zona do euro e disse que a região en-
frenta o risco de uma recessão. O
bloco terá uma expansão de 1,3%
no ano que vem, mais lenta que o
ritmo de 1,5% previsto em julho,
após um incremento de 0,8% em
2014, disse o FMI.
Para combater a queda nos
preços, impulsionar os empréstimos e trazer o crescimento econômico de volta, Draghi reduziu
as três principais taxas de juros
do BCE no mês passado e anunciou um plano de compra de ativos. A estratégia não está convencendo os economistas.
Os investidores estão ficando céticos de que os lucros se igualem às
estimativas dos analistas. A projeção é que os lucros subam uma média de mais de 13% no ano que vem
na Europa, após uma elevação de
6,2% em 2014, segundo mais de
10.000 estimativas. Bloomberg
26 Brasil Econômico Terça-feira, 14 de outubro, 2014
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MUNDO
Editora: Florência Costa
Reuters
[email protected]
Medo do Ebola nos EUA
Redação
[email protected]
O surgimento do primeiro caso
de contaminação pelo vírus Ebola nos Estados Unidos, no domingo, o de uma enfermeira do Texas, alimentou o temor de que o
sistema de saúde do país não esteja preparado o suficiente para lidar com um eventual surto. Thomas Frieden, diretor do Centro
de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC, na sigla em inglês), disse ontem que o país deve
repensar como lidar com o problema. Ao mesmo tempo, Frieden
admitiu que não se sabe ainda como a enfermeira, identificada como Nina Pham, de 26 anos, foi
contaminada em uma ala isolada
do Texas Health Presbyterian
Hospital, onde ela atendeu o paciente Thomas Duncan, infectado na Libéria. Nina usava as roupas e materiais de proteção recomendados. Não existe vacina ou
tratamento contra o vírus, que é
transmitido por contato com fluidos corporais quando o doente desenvolve os sintomas (febre, vômitos, dores).
Frieden informou ontem que a
enfermeira está "clinicamente estável". Segundo ele, a agência vai
ampliar o treinamento dos profissionais do sistema de saúde dos
EUA. O diretor do CDC disse que
"apenas uma única pessoa" teve
contato com a enfermeira enquanto ela poderia transmitir a
doença. Nina Pham é a segunda
pessoa contaminada fora da África, depois da espanhola Teresa
Romero, auxiliar de enfermagem
de 44 anos que contraiu o vírus
ao cuidar de dois missionários repatriados da Libéria e de Serra
Leoa em agosto e em setembro.
Romero pode ter sido infectada
ao tocar o rosto com uma luva infectada, segundo o Hospital Carlos III, de Madri, onde ela está internada.No mesmo hospital estão isoladas 15 pessoas que mantiveram contato com os missionários e com Romero desde que ela
começou a se sentir mal, em 29
de setembro, até ser diagnosticada com Ebola, em 6 de outubro.
O paciente Thomas Duncan,
que morreu na semana passada
em Dallas, no Texas, foi o primeiro caso de diagnóstico do Ebola
nos EUA. Seu caso já havia deflagrado críticas ao sistema de saúde, já que Duncan, quando passou
mal pela primeira vez, foi ao hospital e os médicos o dispensaram,
prescrevendo apenas antibióticos. No domingo, Thomas Frieden disse que teria havido uma
“violação do protocolo” de atendimento, dando a entender que a falha teria sido da enfermeira Nina
Piam ao tratar de Duncan. A declaração provocou protestos de funcionários de saúde americanos.
Contaminação de
uma enfermeira em
uma ala isolada de
um hospital do
Texas, nos EUA,
acende debate sobre
preparo do país para
lidar com uma
eventual epidemia
Criança suspeita de estar contaminada pelo Ebola em Serra Leoa
Jaime R. Carrero/Reuters
Equipe de saúde desinfeta entrada da casa de enfermeira em Dallas
Eles disseram que o caso mostra a
inadequação das equipes dos hospitais do país para lidar com o vírus mortal. Especialistas em controle de infecções afirmaram que
a equipe do hospital precisa ser esclarecida a respeito das etapas de
tratamento de pacientes com o
Ebola e ter o equipamento de segurança e o conhecimento adequados para evitar contaminações.
“Você não procura um bode expiatório quando tem um surto de
doença”, criticou Bonnie Castillo,
do Sindicato Nacional das Enfermeiras. “Temos uma falha no sistema. É isso que temos que corrigir”, completou ela.
Terça-feira, 14 de outubro, 2014 Brasil Econômico 27
OPERAÇÃO CONDOR
Julgamento de repressores na Itália
A justiça italiana iniciará em fevereiro de 2015, em Roma, o primeiro
julgamento contra vinte repressores da Bolívia, Peru e Uruguai por
envolvimento na morte de 23 cidadãos italianos dentro do chamado
Plano Condor, ação orquestrada pelas ditaduras militares desses
países nos anos 70 e 80. Trata-se do primeiro processo na Europa
relativo à Operação Condor. AFP
Texto do Vaticano
defende mudança
em relação a gays
Servidor de
saúde de
Monróvia,
na Libéria
veste roupa
protetora
contra o
vírus; em
Serra Leoa,
exames são
feitos em
corpos de
suspeitos
de terem
morrido
por Ebola
As equipes de saúde da Libéria, o país mais afetado pela epidemia de Ebola, ameaçaram ontem
endurecer sua greve para conseguir receber adicional de periculosidade. Na Libéria morreram
2.316 das 4.033 vítimas do Ebola
em sete países, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS).
Além da Libéria, Serra Leoa e Guiné foram os países mais afetados,
todos na África Ocidental. As
equipes médicas são muito vulneráveis: 201 profissionais de saúde
contraíram a doença na Libéria,
95 dos quais morreram, segundo
a OMS.
Ontem, a entidade advertiu
que a epidemia de Ebola ameaça
a “própria sobrevivência” das sociedades e pode levar à falência
de Estados. O surto desencadeou
uma crise “da paz e da segurança
internacional”, afirmou Margaret Chan, chefe da OMS. Ela advertiu ainda para o custo do pânico “se espalhar mais rápido do
que o vírus”. Chan também criticou as indústrias farmacêuticas
por não focarem no combate ao
Ebola e por guiarem-se apenas
pelo lucro. Os presidentes francês e americano, François Holande e Barack Obama, pediram ontem "uma maior mobilização da
comunidade internacional" para
lutar contra a epidemia, após conversarem pelo telefone. Redação,
com Reuters e AFP
Documento do Sínodo
dos Bispos diz que os
homossexuais têm “dons
e qualidades a oferecer”
Os homossexuais têm “dons e qualidades a oferecer”, declarou um
documento divulgado ontem pelo
Vaticano, que está sendo debatido
no Sínodo dos Bispos sobre a Família, na sua segunda e última semana de trabalho. O texto revela uma
grande mudança de tom com relação aos gays, ao discutir se o catolicismo pode aceitar os gays e reconhecer aspectos positivos de casais do mesmo sexo. O documento disse que a Igreja deveria aceitar encontrar “um espaço fraternal” para os homossexuais sem abdicar da doutrina católica sobre família e matrimônio.
“Os homossexuais têm dons e
qualidades a oferecer à comunidade cristã: seremos capazes de acolher essas pessoas, garantindo a
elas um espaço maior em nossas
comunidades? Muitas vezes elas
desejam encontrar uma igreja que
ofereça um lar acolhedor”, afirma
o texto, que servirá como base pa-
Segundo exame descarta
caso de Ebola no Brasil
Foi descartada ontem a
hipótese de que o paciente
da Guiné internado no Rio de
Janeiro estivesse
contaminado com o vírus
Ebola. O segundo exame
para diagnóstico da febre
hemorrágica teve resultado
negativo. Assim, a doença foi
definitivamente descartada,
informou o Ministério da
Saúde. "A informação é de
que o estado geral dele é
excelente. Ele está bem. Não
não é Ebola, com certeza",
afirmou o ministro da Saúde,
Arthur Chioro.
A contraprova confirma o
resultado negativo do
primeiro exame realizado na
sexta-feira no Instituto
Evandro Chagas, em Belém,
para o primeiro caso
suspeito no Brasil do vírus
letal. Souleymane Bah, de 47
anos, chegou ao Brasil em 19
de setembro procedente da
Guiné, um dos principais
países afetados pela doença,
na África Ocidental. Ele
havia se declarado refugiado
político, mas foi considerado
um caso suspeito de
infecção por Ebola depois de ter
recorrido, na quinta-feira
passada, a uma Unidade de
Pronto Atendimento em
Cascavel, no Paraná, com febre.
O homem foi transferido no dia
seguinte para o Instituto
Nacional de Infectologia
Evandro Chagas, no Rio, onde
permaneceu em isolamento
para evitar contaminação.
Com a confirmação do
resultado negativo na
contraprova, o paciente sairá
do isolamento e o sistema de
vigilância das 64 pessoas que
tiveram contato direto ou
indireto com ele durante
período de possível transmissão
da doença será desmontado,
de acordo com o ministério.
Arthur Chioro disse que as
medidas de prevenção da
doença permanecem iguais.
“Todas as medidas de
prevenção e de vigilância em
relação ao Ebola permanecem.
Ao mesmo tempo em que
passamos tranquilidade à
população, não podemos
descartar as medidas de
prevenção”, avaliou o ministro.
Com ABr e Reuters
O documento do
Sínodo dos Bispos diz
que a Igreja deveria
aceitar encontrar “um
espaço fraternal” para
os homossexuais sem
abdicar da doutrina
católica sobre família
e matrimônio
ra um documento final que será
votado no fim de semana, depois
de vários dias de pequenos grupos
de trabalho.
Embora o documento não assinale nenhuma mudança na condenação da igreja aos atos homossexuais ou em sua oposição ao casamento gay, usa uma linguagem
menos condenatória e mais compassiva que comunicados anteriores do Vaticano, sob o comando
de outros papas. A declaração servirá para aprofundar a reflexão entre católicos de todo o mundo antes da realização de um segundo e
definitivo sínodo no ano que vem.
John Thavis, vaticanista e autor do bem-sucedido livro “Os
Diários do Vaticano”, classificou o
comunicado como “um terremoto” na atitude da Igreja em relação
aos gays. “O documento reflete
claramente o desejo do papa Francisco de adotar uma abordagem
pastoral mais clemente no tocante
ao casamento e aos temas da família”, disse.
Vários participantes na reunião a portas fechadas afirmaram que a Igreja deveria amenizar sua linguagem condenatória
em referência aos casais gays e
evitar frases como “intrinsecamente desordenados” ao falar sobre os homossexuais.Essa foi a
frase usada pelo ex-papa Bento
16 em um documento escrito antes de sua eleição, quando ainda
era o cardeal Joseph Ratzinger e
chefe da Congregação para a Doutrina da Fé. O texto, ainda provisório, imediatamente provocou
uma avalanche de reações, entre
as quais uma série de críticas, durante um debate acalorado ontem. Segundo fontes do Vaticano, os cardeais mais resistentes
são os da África.Reuters e AFP
Tony Gentile/Reuters
Papa Franciso celebra missa em Sínodo da Família, no Vaticano
28 Brasil Econômico Terça-feira, 14 de outubro, 2014
MUNDO
Reuters
▲
Redação
[email protected]
Evo Morales foi reeleito para a presidência da Bolívia com mais de
60% dos votos, segundo resultados provisórios do pleito. Morales,
que já reconheceu a vitória, vai para o seu terceiro mandato até 2020.
Levantamentos das consultorias Equipos Mori e Ipsos estimam
que Morales, de 54 anos, obteve
uma vantagem de quase 40 pontos sobre o segundo colocado, o
empresário do ramo de cimento
Samuel Doria Medina, que deve
ter pouco além de 20% dos votos.
Essas previsões, no entanto, não
são oficiais. O Tribunal Eleitoral
do país suspendeu a apuração oficial ainda no domingo, com menos de 3% dos votos contabilizados, e retomou ontem.
Crítico dos Estados Unidos, ele
saudou seus eleitores na Praça Murillo, no centro histórico de La
Paz. “Muito obrigado irmãs e irmãos por este novo triunfo do povo boliviano. Dedico aos que lutam contra o imperialismo. Dedico a Fidel Castro e a Hugo Chávez,
que em paz descansa”, disse. Com
a multidão aos gritos de “Pátria
sim, colônia não”, Morales definiu o resultado como uma vitória
das reformas socializantes que erradicaram o analfabetismo, reduziram a pobreza e estenderam o papel do Estado em uma economia
em franca expansão. Agora, a única dúvida com relação à eleição
majoritária, é se ele vai superar a
marca de 2009, quando recebeu
64% dos votos.
Morales venceu em oito dos nove estados da Bolívia. A surpresa ficou por conta da maioria obtida
Evo Morales reeleito com
mais de 60% na Bolívia
O presidente boliviano tem vitória esmagadora nas urnas e conquista seu terceiro mandato
Gaston Brito/Reuters
no departamento de Santa Cruz
ao leste do país, onde venceu com
51% de acordo com a Ipsos. Um
dos motores econômicos da Bolívia, este centro de agronegócio
concentrou por algum tempo a
oposição mais radical às políticas
indigenistas, antiamericanas e estatizantes de Morales. Para especialistas, o que explica essa virada
local é o crescimento econômico e
o bom momento dos negócios no
país. Segundo o Fundo Monetário
Internacional, esse ano, a Bolívia
deve registrar uma alta de 6,5%
no PIB, o maior crescimento da
América Latina. Além disso, a política econômica de contenção da
inflação e controle da dívida pública já foi publicamente elogiada pelo FMI e pelo Banco Mundial, instituições às quais o governo Morales
é cético. “O FMI fala bem da nossa
estabilidade econômica, mas este
não é um patrimônio do FMI, nem
dos economistas neoliberais”, disse o ministro da Economia da Bolívia, Luiz Arce. “Chegamos aos resultados que eles pedemsem usar
as fórmulas deles. Usamos nosso
modelo, que tem ingerência do Estado e investe dinheiro na área social”, completou.
Bolivianos votaram no domingo; mandato de Morales vai até 2020
Para especialistas, o
que explica a vitória do
presidente Evo
Morales, que garantiu
seu terceiro mandato,
é o crescimento
econômico e o bom
momento dos
negócios no país
Na visão de Arce, o mérito dos
mandatos Morales foi nacionalizar a produção de minério e gás natural, o que permitiu ao país se capitalizar para investir em educação, em saúde e em projetos sociais. “O petróleo rende US$ 6 bilhões ao ano, que equivalem a cerca de um quinto do nosso PIB
(US$ 31 bilhões). Agora, 85% desse dinheiro ficam no país e apenas
15% com as transnacionais”, expli-
cou. Os altos preços das commodities favoreceram o governo Morales até 2011, quando começaram a
cair e afetar a economia latina.
Mas a Bolívia continuou a crescer .
Para o ministro da Economia boliviano, a continuidade dos avanços se deve à expansão do mercado interno, que compensou a desaceleração da demanda externa.
“A vitória esmagadora de Morales é um reconhecimento da gestão do governo e mostra que a oposição nunca teve uma visão de
país”, analisa Reymi Ferreira, professor da Universidade Gabriel René Moreno, de Santa Cruz. O líder
da oposição, Doria Medina, disse
que agora é necessário garantir
que “não aconteçam mais reeleições, que a Constituição seja cumprida e que a economia seja administrada de maneira adequada”. É
justamente para o tema da reeleição que a política boliviana deve
se voltar agora. Para que Morales
chegue a um eventual quarto mandato, seria necessária uma reforma constitucional somente possível com o controle de dois terços
do Congresso e tudo indica uma
“falha” do MAS em repetir essa
maioria necessária. Com ABr
Terça-feira, 14 de outubro, 2014 Brasil Econômico 29
Reprodução
CHINA
País terá parque temático de Hollywood
Centenas de pessoas, algumas
usando máscaras cirúrgicas para
esconder suas identidades, e armadas com pés-de-cabra e objetos cortantes atacaram, ontem de
manhã, manifestantes pró-democracia de Hong Kong que há duas
semanas ocupam ruas e avenidas
no bairro dos ministérios, o Admiralty, exigindo sufrágio universal
nas eleições de 2017. Houve confrontos entre manifestantes, que
também usavam máscaras para se
protegerem de spray de pimenta,
e grupos contrários aos protestos.
Os manifestantes acusaram estes
grupos de serem formados por integrantes da máfia chinesa, chamada de “tríades”, que já havia sido apontada como a responsável
por incidentes violentos antes.
Deputados pró-democracia da
Câmara Legislativa protestaram
contra as autoridades chinesas,
acusando-as de ter enviado os provocadores. “Esta é uma das táticas
usadas às vezes pela China continental. Recorrem a tríades ou grupos pró-governo para tentar atacar, e assim o governo não é obrigado a assumir suas responsabilidades”, disse o deputado Albert Ho,
do Partido Democrático. Ao mesmo tempo, os ativistas, que armaram barricadas no coração do distrito financeiro foram alvo de protestos de motoristas de táxis que os
acusam de prejudicar seu trabalho. “Abram as ruas”, gritavam um
grupo de motoristas de táxi e de caminhão. Os motoristas deram um
prazo até quarta-feira para os manifestantes liberarem as ruas.
Muitos habitantes de Hong
Kong, comerciantes e empresários passaram a se voltar contra os
protestos, frustrados contra os
prejuízos que têm causado. “Eu
apoiava o movimento, mas meus
negócios foram prejudicados. O
que eles fazem é inútil de qualquer forma”, disse Lee, um motorista de táxi de 25 anos. Lee fazia
parte de um grupo de 15 pessoas
que carregavam faixas com a mensagens: “Associação de Motoristas
de Táxis: salve a subsistência. Não
podemos tolerar mais”.
“Nós vamos ficar aqui até o fim
e nos defender”, reagiu um dos
manifestantes, de 25 anos, que se
identificou como John, e consertava barricadas que haviam sido
quebradas. Os manifestantes, a
maioria estudantes, se revoltaram
a partir do anúncio de Pequim,
em agosto, de que os candidatos
para as eleições do governo local
na eleição que será realizada daqui a dois anos, deverão passar pelo crivo do governo chinês. Eles
reivindicam também a renúncia
de Leung Chun-ying, o chefe do
Executivo local que apoiou a decisão de Pequim e além disso está
sendo acusado de corrupção.
Leung Chun-ying declarou no
domingo que seus críticos não
HouveconflitoentreestudantesdeHKegruposnão-identificados
Homens com
máscaras em
HK atacam
estudantes
Protesto pró-democracia, que já dura duas
semanas, é criticado por motoristas de táxis
Os manifestantes
pró-democracia de
Hong Kong, que
protestam há duas
semanas, acusaram
os homens mascarados
que o atacaram
de pertencerem
à máfia chinesa
têm praticamente nenhuma possibilidade de conseguir a aprovação
de Pequim para suas demandas.
Hong Kong é um território com
status especial, governado por Pequim pela fórmula “um país, dois
sistemas”. Ao contrário da China
continental, esta região administrativa especial goza de muitas liberdades, como a de expressão e
manifestação. Hong Kong, que foi
colônia britânica até 1997, quando foi devolvida à China, tem um
sistema político multipartidário.
O restante do país é governado pelo Partido Comunista. Redação, com Reuters
Bobby Yip/Reuters
[email protected]
Bobby Yip/Reuters
Redação
Fotos Tyrone Siu/Reuters
A Universal Parks & Resorts, dos Estados Unidos, investirá mais de
US$ 3 bilhões , junto com um sócio chinês , a Beijing Shouhuan
Cultural Tourism, para abrir um parque temático de cinema em
Pequim em 2019. O parque, de 120 hectares, mostrará sucessos de
Hollywood. A ideia é rivalizar com um parque Disney de Xangai, que
está em construção desde 2011 e será inaugurado em 2015. AFP
30 Brasil Econômico Terça-feira, 14 de outubro, 2014
OPINIÃO
Editoria de Arte
Fonte
alternativa de
energia para
mobilidade
Bernadette Anderko
[email protected]
esquisadores norte-americanos
apontam que o número de veículos a motor no mundo chegará a
dois bilhões em 2020. O transporte representou 28% das emissões de gases de efeito estufa daquele país em 2012, segundo a Agência
de Proteção Ambiental dos Estados Unidos. Embora carros a diesel emitam menos dióxido de carbono, eles podem
emitir até 400 vezes mais partículas de
carbono preto por quilômetro. Então,
que outras opções sustentáveis teria o
motorista? Atualmente, e dependendo
do orçamento, muitas.
Nas últimas décadas, os carros elétricos tornaram-se uma opção real, mas
com alguns problemas associados,como o tempo para recarregá-los, o custo
de fabricação das baterias e a quilometragem máxima possível por carga. A
Tesla Motors começou recentemente a
instalar nas estradas da Grã-Bretanha
estações de recarga em 20 minutos
mais rápido do que o usual.
Os fabricantes de baterias e os de automóveis estão entrando no ramo de veículos elétricos. Em julho de 2014, a
BMW anunciou que está aberta a compartilhar a tecnologia que usa em seus
veículos plug-in i3 e i8 com outras montadoras. Segundo a empresa,compartilhar a tecnologia que desenvolveu em
parceria com a Samsung pode reduzir o
custo das células da bateria.
As baterias de lítio, comuns em eletrônicos de consumo geral, também estão sendo usadas em alguns carros, já
que atingem 200 Watts hora/quilograma (Wh/K)enquanto uma bateria de
carro comum atinge cerca de 40Wh/K.
Pesquisadores da Califórnia já possuem
tecnologia para produzir uma bateria
de lítio com células modificadas, possibilitando maior capacidade de armazenamento e ciclos de carga. Embora a experiência esteja no início, essa é uma
área a se observar.
Carros movidos a células também
são uma opção à gasolina. A Toyota planeja lançar um dos primeiros carros movidos a hidrogênio em 2015. Esse carro
combina hidrogênio armazenado com
o oxigênio da atmosfera para gerar eletricidade e a água é o único outro produto envolvido na reação, de modo que o
vapor é a única emissão gerada a partir
do processo de combustão. O carro será
lançado na Califórnia e, se a experiên-
P
A mobilidade inteligente
ainda é incipiente em
termos de aceitação
pela população em geral.
A penetração no
mercado ainda é
insignificante
cia der certo, a infraestrutura de abastecimento será replicada nos demais locais de produção e venda.
Mesmo diante de todo esse cenário
de avanços, a participação no mercado
ainda é tímida. A maioria das grandes
empresas fabricantes de automóveis já
está produzindo veículos elétricos, muitas através de joint-ventures. Porém, a
participação que esses veículos respondem nas vendas do mercado ainda é pequena.Por exemplo, durante o primeiro
semestre de 2014, apenas cinco países
conseguiram atingir vendas de carros
elétricos plug-in com uma cota de mercado superior a 1% das vendas de carros
novos. Foram eles: Noruega (14,49%),
Holanda (4,58%), Islândia(2,2%), Suécia(1,52%) e Estônia (1,05%).
A mobilidade inteligente ainda é incipiente em termos de aceitação pela população em geral. A penetração no mercado ainda é insignificante, a tecnologia está em desenvolvimento e a infraestrutura precisa ser ampliada. Problemas como tempo para carregar e a distância que pode ser percorrida também
precisam ser resolvidos. Dito isso,a mudança climática não é um assunto que
irá acabar e, cada vez mais, países começam a exigir que o cidadão também faça
sua parte, reduzindo emissões. Os carros são um dos focos para isso. A tendência para mobilidade “mais limpa” só
tende a crescer.
Bernadette Anderko é analista de investimento
do Banco Julius Baer
Terça-feira, 14 de outubro, 2014 Brasil Econômico 31
ANDRÉ RAMOS TAVARES
JORGE MIGUEL
É diretor da Escola de Direito da
Universidade Anhembi Morumbi
Diretor-executivo do Sindicato das Empresas de
Transporte por Fretamento e por Turismo da
Região Metropolitana de São Paulo (Transfretur)
A instituição da terceirização
e o direito econômico
Poder público para facilitar o
transporte coletivo privado
Recentemente, o STF reconheceu a importância do tema da
terceirização. Trata-se de uma das formas de produção da riqueza em um país. Mas se questiona a licitude dessa forma.
Há dois casos sobre a mesa do STF. O primeiro é sobre os serviços de “callcenter” terceirizados por empresa telefônica.
No segundo, houve a terceirização da atividade-fim de empresa de celulose. O primeiro caso envolve atividade da Lei
de Telecomunicações, cujo teor autoriza a terceirização, o
que não ocorre na exploração de celulose.
Movimentos no mercado têm acontecido para que a regulamentação do fretamento na cidade de São Paulo seja ajustada de forma a contribuir para a mobilidade urbana trazendo
mais usuários. O transporte coletivo privado tem se mostrado como uma alternativa mais confortável e economicamente viável ao passageiro de rotas contínuas e frequentes do
que o veículo de transporte individual. Ao contar com ajuda
do poder público no desenvolvimento de melhorias, o cenário é ainda melhor.
Todos os casos questionam a
Orientação nº 331 do Tribunal Superior do Trabalho, que simplesmente
assume como universalmente ilícita
a terceirização da atividade-fim de
qualquer empresa. Assim, a terceirização resulta (necessariamente) na
precarização do trabalho. E como a
Constituição estabelece um Estado
social com valores sociais do trabalho — o que é incontestável — a terceirização seria uma fraude. Nesse
contexto, leis autorizadoras da terceirização seriam, inclusive, nulas.
O argumento é sedutor e socialmente engajado.
Agências reguladoras, sindicatos,
federações e diversas instituições do
setor de transporte coletivo privado
de passageiros têm buscado, por
meio de parcerias, discussões e elaboração de documentos, levantar tópicos que possam trazer mudanças benéficas a toda a indústria, cadeia produtiva e, principalmente, à sociedade. A motivação é o conhecimento de
que grande parcela dos usuários de
transporte individual está disposta a
migrar para o coletivo.
Atualmente os veículos de fretamento têm dificuldades para atender
a demanda de passageiros com consciência coletiva devido à grande zona
de restrição e proibição de uso das faixas exclusivas para ônibus urbanos.
Porém, trabalhando em parceria com
órgãos públicos a fim de desenvolver
ações, legislações e alternativas, será
possível contemplar esse usuário.
O instituto da
terceirização é
corolário das liberdades,
eis que compreende,
nitidamente, uma opção
específica pela melhor
forma de organização
Essa crítica à terceirização transformou o instituto em uma “bandeira” ideológica que tem contaminado
o rigor de análise e aplicação do Direito. Considero que a tese não é mero descolamento de uma leitura liberal — que também entendo insuportável — da vetusta e ampla liberdade
das empresas. Não se trata de apenas
combater a supremacia de um mercado socialmente irresponsável. Parece haver também uma falsa percepção do próprio fenômeno.
O instituto da terceirização é corolário das liberdades, eis que compreende, nitidamente, uma opção
específica pela melhor forma de organização. Cada um abraça, conforme opções pessoais, a forma que de-
sejar para fins de exercer sua atividade. Mais do que isso, entendo que admitir a terceirização significa respeitar a vontade do trabalhador, que
deixa de ser visto como uma figura
universalmente desprovida de autonomia, sujeita ao eterno paternalismo estatal. Abusos não decorrem do
modelo em si, mas de ocorrências
concretas, como quando um dos
agentes econômicos cria empresa
de fachada, reunindo verdadeiros
empregados, e não agentes econômicos autônomos e livres.
Prefiro apostar em uma fiscalização enérgica dentro das determinações legais e constitucionais, e não
criando suas próprias compreensões
e generalizações do fenômeno. É inerente ao poder de polícia combater
qualquer forma de exploração e subjugação do trabalho. Mas para bem e
fielmente exercer essa função fiscalizadora, o Estado não deve aniquilar
cláusulas constitucionais e a bemvinda autonomia pessoal.
Não pretendo aqui fazer apologia
à terceirização como melhor solução
para a economia brasileira ou para os
trabalhadores. Isto também varia de
acordo com contingências fáticas,
pessoais, culturais e regionais. Mas,
só o caso concreto, poderá comprovar haver precarização ilícita, e não
conjecturas abstratas. Minha conclusão é a de que essa é uma modalidade
lícita no Brasil, nem sempre atentatória a direitos, não sendo modalidade
necessariamente fraudulenta. Coisa
distinta é combater certas escolhas
concretas, como a mão de obra colocada em situação efetivamente análoga à escravidão, em pleno século
XXI. Mas nem a confusão nem a generalização servem ao desenvolvimento do país.
O governo municipal tem
se mostrado aberto e
preocupado em ouvir os
agentes do setor. Uma das
medidas foi a revisão da
Lei do Fretamento que
ainda está para ser votada
Com auxílio do poder público é
possível atrair mais usuários para o
fretamento que trabalha como sistema complementar aos trajetos diários do cidadão paulistano que se desloca ao trabalho ou faculdade. É importante que haja regulamentação e
capilaridade para que o transporte
contínuo de executivos atue de forma
natural e complementar ao sistema.
O governo municipal atual tem se
mostrado aberto e preocupado em ou-
vir os agentes do setor. Uma das recentes medidas foi a revisão da Lei do
Fretamento que ainda está para ser votada na Câmara Municipal. Porém,
apesar da Zona Máxima de Restrição
ao Fretamento, as empresas que trabalham de forma regularizada podem
circular desde que possuam uma Autorização Especial de Trânsito.
Também com a gestão atual está
sendo discutida a exceção de circulação, embarque e desembarque nas faixas exclusivas do transporte público e
também prioridade de circulação em
outras vias. A expectativa? De que o
setor será atendido!
Com a realização dessas solicitações e outras de fácil execução, como
a criação de estacionamentos e bolsões para embarque e desembarque
em vias adequadas, veremos o crescimento desse tipo de transporte na cidade, contribuindo para a redução
dos carros e consequentemente estresse, poluição sonora e ambiental.
Como pincelado acima, o próprio
passageiro demonstra interesse em
conhecer o transporte por fretamento. Pesquisa realizada nos estacionamentos do centro expandido da cidade de São Paulo indica que mais de
30% dos 750 motoristas entrevistados estão dispostos a deixar seus carros em casa em busca do conforto e
tranquilidade oferecidos pelo coletivo privado.
Ou seja, se todos os agentes interessados trabalharem de forma conjunta
e, principalmente, com o apoio do poder público, veremos esses 30% de
motoristas circulando em ônibus por
fretamento retirando cerca de 5% dos
veículos individuais das vias paulistanas, possibilitando assim um pouco
de respiro no meio do caos. Resumindo, fora do coletivo não há salvação!
Presidente do Conselho de Administração Maria Alexandra Mascarenhas
Diretor Presidente José Mascarenhas
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32 Brasil Econômico Terça-feira, 14 de outubro, 2014
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PONTO FINAL
OCTÁVIO COSTA Chefe de Redação
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Para Ricardo Guedes, diretor do
Sensus, o espanto não se justifica.
Seu instituto ouviu 200 pessoas em
24 estados e 136 municípios e foi o
primeiro a captar os efeitos das denúncias feitas peloex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, sobre
o esquema de corrupção na Petro-
AROEIRA
bras. “Além do crescimento da candidatura de Aécio Neves, observase um forte aumento da rejeição de
Dilma Rousseff”, afirmou Guedes,
em entrevista à revista da Editora
Três. O índice de rejeição de Dilma
subiu para 46,3%, enquanto o de
Aécio Neves é de apenas 29,2%.
O mercado está
comemorando antes
da hora. Muita água
vai rolar até o dia
26 de outubro.
E haverá tempo
de sobra para as
pesquisas se ajustarem
dos programas sociais. E tende a
concordar que as denúncias nesta
hora têm fundo eleitoreiro.
Dilma pode ter perdido votos
nos últimos dias e novas pesquisas
devem apontar nesta direção. Certamente, porém, a presidente não
estáa17pontosdeAécio.Masomercado financeiro gosta de apostas arriscadas e recebeu os dados do Sensus como retrato fiel do momento
eleitoral. Críticos da política econômica do atual governo e torcedores
ostensivos do tucano, os responsáveis pelos negócios de bancos e corretorasfizeramfestadianteda possibilidade de vitória de Aécio. As
ações de Petrobras subiram mais de
10% e a Bolsa fechou em alta de
4,7%. O dólar caiu 1,27%, cotado a
R$ 2,39. O mercado não esconde as
afinidades eletivas com o ex-presidente do BC Armínio Fraga e torce
para que ele assuma o posto de Guido Mantega em janeiro. Masestá comemorando antes da hora. Muita
água ainda vai rolar até o dia 26 de
outubro. E haverá tempo de sobra
para as pesquisas se ajustarem.
SOBE E DESCE
Claudio Peri/Pool/Reuters
O
Instituto Sensus, que faz pesquisas de opinião para a revista
IstoÉ, não tem a mesma credibilidade do Datafolha. E também
não tem a tradição do Ibope. Isso lhe permite maior ousadia. A
exemplo do Vox Populi, costuma divulgar dados que destoam da
tendência mais cautelosa de seus concorrentes mais fortes. E, no caso de
erro, não há problema. Basta corrigir a pesquisa quando a ida às urnas
estiver mais próxima. Mas, independentemente da autoria, as pesquisas
sempre têm impacto e chamam a atenção do mercado financeiro. Foi o
que aconteceu com o surpreendente levantamento divulgado pelo
Sensus no fim de semana. Em suas contas, novamente alvo de
controvérsia, o instituto apontou larga vantagem de Aécio Neves sobre
Dilma Rousseff: 58,8% dos votos válidos para o tucano e apenas 41,2%
para a presidente. Uma incrível diferença de 17,6 pontos percentuais.
Considerando-se o total de votos,
Aécio tem 52,4%, Dilma ficou com
36,7% e indecisos, brancos e nulos
somaram 11%. A margem de erro é
de 2,2%, com índice de confiança
de 95%, igualando-se, portanto,
aos de Ibope e Datafolha.
Indiferente à celeuma criada,
Guedes mostra absoluta convicção
no resultado: “O tamanho da rejeição à candidatura de Dilma torna
praticamente impossível a reeleição da presidente”. Sua conclusão
parece precipitada, quando se sabe que Ibope e Datafolha, na semana passada, apontaram empate técnico, com pequena vantagem de
Aécio, 51% contra 49% de Dilma.
É difícil acreditar que o enorme fosso revelado agora tenha sido aberto em pouco mais de dois dias, no
rastro do noticiário negativo sobre
a Petrobras. As notícias são contundentes, mas deixam revoltadas pessoas que já haviam decidido não votar em Dilma. Para a maioria dos
analistas, a faixa de eleitores que
permanece fiel ao PT está mais
preocupada com a preservação
■ O documento resultante do
Sínodo Extraordinário sobre a
Família diz que a Igreja Católica
deve garantir mais espaço para os
homossexuais, que “têm dons e
atributos para oferecer à
comunidade cristã”.
Divulgação
ACREDITE QUEM QUISER
■ Mais umavezoSenado podeter
dezdesuascadeirasocupadaspor
políticossemvotos.Sãoos
suplentesdossenadoresqueestão
disputandogovernosestaduais.Se
perderem,elevoltam.Seganharem,
dãoempregoadesconhecidos.
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