CRISTOLOGIA
METODOLOGIA DO ESTUDO
É do nosso interesse manifestar que o propósito, a metodologia e a aplicação que iremos
abordar nesta apostila visam gerar maturidade e entendimento de conteúdos aprofundados
da doutrina da teologia propriamente dita.
Entendemos que a teologia não deve ser abordada apenas como conteúdo ministerial, e sim
como parte integrante de nossa vida. Assim torná-la aplicável do ponto de vista do ministro
em seu exercício ministerial.
PROPÓSITO DO ESTUDO
O propósito de nossas ministrações de reciclagem pastoral deste semestre visa alcançar as
seguintes metas:
• Aprofundamento de nosso entendimento no fundamentos de fé.
• Desenvolvimento conceitual da importância da Cristologia.
PLANO DE ESTUDO (1 TÓPICO A CADA 30 MINUTOS)
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A ESPERANÇA MESSIÂNICA.
MESSIAS EM SUAS FUNÇÕES PROFÉTICA, SACERDOTAL E REAL.
LOGOS PRÉ-EXISTENTE.
A NATUREZA HUMANA E DIVINA DE JESUS CRISTO
O NACIMENTO VIRGINAL DE CRISTO.
SEU MINISTÉRIO TERRENO.
A RECONCILIAÇÃO VICÁRIA.
O MINISTÉRIO DE TRÊS DIAS ENTRE MORTE E RESSURREIÇÃO.
A RESSURREIÇÃO CORPORAL DE JESUS
A ASSENÇÃO DE JESUS CRISTO.
O SACERDÓCIO CELESTIAL.
A VINDA DE CRISTO; PAROUSIA.
INTRODUÇÃO
A doutrina fundamental da fé cristã é que Jesus é o Cristo, o Ungido de Deus para o
cumprimento da sua promessa a Israel e através de Israel para o mundo. Esta doutrina pode
ser vista nos seus três estágios:
•
•
•
Jesus é o Messias de Israel;
Jesus é mistério da divindade;
Jesus é o único mediador entre Deus e o homem.
A ESPERÂNÇA MESSIÂNICA
No princípio da vida estatal de Israel, qualquer governante político que ganhava uma guerra
e trazia libertação a Israel era considerado um MOSHI'A, isto é, salvador, libertador.
Posteriormente esta idéia foi tomando características próprias e sendo idealizada, ou
personificada, chegando ao conceito de um “ilustre libertador”, o enviado de Yahwéh, que
trará a salvação em suas asas, Ml.4:4; Gn.49:10,18. Sl.18:1,2.
Por meio desta aliança os judeus criam que Deus interviria na história e que viria ao
encontro de Israel no meio da calamidade para libertá-los. Porém, longe estava na
mentalidade do judeu com exceção de alguns que a salvação de Deus viria basicamente a
nível espiritual e não político-econômico. Por isso que muitos não compreenderam a forma
e o caráter espiritual de Deus quando enviou o seu filho amado.
O significado do termo messiânico tem duas conotações, uma se refere a era messiânica,
um período político-religioso onde em Israel será estabelecida a ordem e do qual haverá
abundante paz e justiça. Outro refere-se mais a personificação desta época determinada na
vinda de um homem, o messias ( ungido de Deus ). Dentro da concepção literário do A.T.,
em geral, esperança messiânica refere-se a crença da vinda do reino perfeito de Deus.
Desde os primórdios do A.T. a concepção da esperança messiânica vinha sendo abordada,
sendo relacionada desde a queda do homem Gn.3:15; a promessa de Deus feita a Abraão
Gn.12:1-3; 15:1-18 na eleição de um povo escolhido, no surgimento de um grande profeta
que há de vir, vaticinado pelo período mosaico.
“O SENHOR, teu Deus, te suscitará um profeta do meio de ti, de teus irmãos, semelhante
a mim; a ele ouvirás, segundo tudo o que pediste ao SENHOR, teu Deus, em Horebe,
quando reunido o povo: Não ouvirei mais a voz do SENHOR, meu Deus, nem mais verei
este grande fogo, para que não morra. Então, o SENHOR me disse: Falaram bem aquilo
que disseram. Suscitar-lhes-ei um profeta do meio de seus irmãos, semelhante a ti, em
cuja boca porei as minhas palavras, e ele lhes falará tudo o que eu lhe ordenar. De todo
aquele que não ouvir as minhas palavras, que ele falar em meu nome, disso lhe pedirei
contas.” Dt.18:15-19.
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O estabelecimento de um justo no período pré-monárquico 1 Sm.2:35; a eleição de um
monarca eterno, filho de Deus, dentro da linhagem davídica 2 Sm.7:12-16; dando por
conseguinte margem a grandes revelações nos salmos messiânicos na época davídica e
sapiencial Sl. 89; 72; 2; 110. A vinda do renovo, servo, rei, juiz, nas teologias de Isaías e
Jeremias Is.7:13-15; 9:1-7; 11:1-10; 32:1-5; 42:1-9; 49:1-7; 52:13-53:12; Jr.23:1-8.
O MESSIAS EM SUAS FUNÇÕES: PROFÉTICA, SACERDOTAL E REAL
A obra de Cristo pode ser esquematizada como profeta, sacerdote e rei. Ap.1:5, o apresenta
como a fiel testemunha, o primogênito dos mortos e o príncipes dos reis.
1. A MISSÃO PROFÉTICA DE JESUS
A concientização messiânica de Jesus, Jo.4:19,29.
A concientização profética de Jesus, Jo.4:19,29.
Jesus fala de si mesmo como profeta, Mc.6:4; Mt.13:57; Lc.4:24; Jo.4:44 Lc.13:32-33.
Outros o tinham como profeta, Mc.6:15; 8:27,28; 16:14,15; Lc.7:16,39; 24:19; Jo.9:17.
Quando Jesus e Moisés são comparados, há pontos semelhantes e outros que
mostram a superioridade de Jesus. Ambos eram profetas porque foram enviados por
Deus. Êx.7-12; Dt.34:10-12; Jo.3:2.
Jesus e Moisés foram reconhecidos pelos sinais que fizeram. Moisés recebeu a
Toráh, mas Jesus deu a nova Toráh conforme aparece em Mt.5:1-7:29.
Os filhos dos profetas ( 1 Sm.10:5,10; 19:18-24 ) não são diferentes dos setenta
enviados por Jesus Mt.25:3.
O próprio Jesus teve visões e experimentou êxtase, Lc.10:18,22.
Jesus era mais parecido com os últimos profetas ( séc. VIII em diante).
A clássica chamada dos profetas é sempre vista em detalhes. Todos os evangelhos
falam da descida do Espírito Santo sobre Jesus no seu batismo.
Outra característica importante no profeta era a palavra. Ele sempre tinha uma
palavra do Senhor. Ele era inclusive, a palavra encarnada. Além disso, ele tinha uma
palavra para proclamar.
A Mensagem Profética De Jesus
A forma da mensagem de Jesus acompanha o estilo dos profetas clássicos.
As parábolas de Jesus seguem a forma profética de falar ( Is.5 com Mc.12:1,2;
Mt.21:33-46; Lc.20:9-19 ).
O conteúdo da mensagem de Jesus continuou a seguir a forma profética. São
oráculos de advertência e perdão, de julgamento e libertação. ( compare Am.5:18-20
com Mt.11:20).
Assim como a justiça de Deus era o maior tema de Amós, a misericórdia de Deus em
Oséias, a santidade de Deus em Isaías, a glória de Deus em Ezequiel, assim o Reino
de Deus era o tema principal de Jesus.
O evangelho do Reino desenvolve as boas novas preditas em Is.40:9; 52:7; 61:1 ss..
e até parece que o livro de Isaías é a fonte da própria palavra traduzida por
evangelho ou boas novas.
2. JESUS COMO SACERDOTE
Apesar das posição central que o templo desempenhava na vida religiosa e política
dos judeus e por consequência da posição única do Sumo-sacerdote, é
surpreendente que o V.T. nunca fala do Messias em termos de sacerdócio.
Temos uma referência do período inter-testamentário, onde o Messias é visto como
sacerdote e rei, ( o testamento de Levi 18 ) apócrifo interbíblico.
No N.T., o autor de Hebreus dedica muitas páginas ao tema, há pelo menos três
concepções:
É função do sacerdote entrar na presença de Deus pelo povo. Ele é representante do povo
para fazer aquilo que o povo não podia nem devia fazer, Êx.33:20; Dt.5:24; Jz.6:22,23: 13:22.
Jesus é o sacerdote que nos dá acesso a Deus, a realidade Hb.10:19-22.
O velho pacto era diferente em dois sentidos: nos seus sacrifícios e no seu sacerdócio. No
novo pacto, Jesus é ao mesmo tempo o perfeito sacrifício e o perfeito sacerdócio.
3. JESUS, REI DOS REIS E SENHOR DOS SENHORES
"a qual em épocas determinadas, há de ser revelada pelo bendito e único Soberano, o
Rei dos reis e Senhor dos Senhores;" 1 Tm.6:15.
A expressão "Reis dos reis" é uma expressão semítica que confere o título de Único
imperador e Soberano, conforme Ed.7:12. Sendo assim, Jesus será o Imperador que reinará
sobre todos os reinos e reis da terra.
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O Filho de Davi como Rei
As raízes da esperança de Israel por um Rei-Messias foram expressas em vários títulos. A
esperança mais desenvolvida e primeira apontava, para um messias que seria filho de Davi.
O exemplo do rei ideal de Israel. Depois da unção de Saul por Samuel ( 1 Sm.10:1 ), o rei
Davi era o ungido do Senhor, o representante do reinado de Deus entre seu povo. Em
muitos lugares do V.T. esta esperança era muito vívida.
O Pentateuco apontava para Siló (Gn.49:10) e para a estrela de Jacó (Nm.24:17). Após a
vinda de Jesus, havia os que saudaram Bar Kokhba, o líder da revolta dos judeus contra
Roma (132-135) como filho da estrela.
Os profetas do séc. VIII a.C., apontava para um legislador ideal da linha de Davi ( Is.7:10-16;
9:1-7; 11:1-9; Mq.5:2-4. ). Cem anos mais tarde, Jeremias não tinha abandonado a
esperança ( 23:5s) e Ezequiel manteve esta chama acesa mesmo no exílio ( 34:23,24. ). Os
salmos que mais tarde seriam usados para dar forma a esta esperança vão até o período da
monarquia unida ( 2, 20, 21, 45, 72, 89, 110, 132 ).
Em alguns profetas pós-exílicos a idéia de sacerdote e reinado estão combinados ( Ag.2:23;
Zc.3:8-10; 4:7; 6:9-14). Os escritos de Qumram aguardavam dois messias: um real e outro
sacerdotal.
O Evangelho de Marcos apresenta Jesus como Filho de Davi. A confissão de Pedro ( Mc.8:2733) e de Jesus diante de Caifás ( Mc.14:61) indicam o quanto esta crença estava enraizada
como parte da fé dos primeiros cristãos, mesmo que o título "Filho de Davi" não fosse
usada. Passagens com este título são: Mc.10:46-52; Mt.22:41-46; Mt.10:25-34; Lc.18:35-43;
Mc.12:35-37, Lc.20:41-44 e a inscrição na cruz Mc.15:26. Não é possível que a igreja
primitiva tenha inventado estas histórias. A igreja primitiva teve também essa idéia e isto se
apresenta em Lc.1:32,69; 2:10. O evangelho de Mateus apresenta a descendência davídica
do Messias (Mt.1:18-25; 2:1-12 ). A cristologia davídica permeou a pregação apostólica nos
Atos ( 2:22-36; 13;16-41 ). O melhor resumo de Jesus Cristo como filho de Davi é dado por
Paulo em Rm.1:3,4.
O Filho de Deus como Rei
Jesus como Filho de Deus tem as mesmas raízes que Jesus como filho de Davi. Um dos hinos
reais de coração dão esses dois conceitos ( Sl.2:6,7 ). Os primeiros profetas também
pensavam assim, ( 2 Sm.7:12-14 ).
Isto não quer dizer que Jesus foi adotado como filho de Deus no seu batismo, ou na sua
ressurreição conforme algumas interpretações de Rm.1:3. Israel foi filho de Deus por
adoção ( Êx.4:22; Os.11:1 ) e os reis de Israel também ( Sl.2:7; 2 Sm.7:14 ), mas esta nunca
foi a relação entre Jesus e Deus.
Jesus como filho de Deus é dramaticamente proclamado em Marcos por uma voz no céu (
Mc.1:11; 9:7 ), vozes de demônios ( Mc.1:24; 5:7 ), ditos de Jesus ( Mc.12:6; 13:32 )e
finalmente pelo centurião romano ( Mc.15:39 ). No Evangelho de Lucas, a mesma verdade é
dita na mensagem do anjo Gabriel a Maria ( Lc.1:32,35 ).
O Filho Homem como Rei
A origem dessa designação nos lábios de Jesus é a visão real em Dn.7:13. O título "O Filho do
Homem" é utilizado para descrever a autoridade do Jesus histórico, ( Mc.2:1-3:6; 11:27-33;
12:13-37 ). Jesus não apenas se identificou como servo sofredor de Isaías 53, mas também
como filho do homem em Dn.7:13 que está destinado a vir na glória do Pai depois de sofrer
muitas coisas. Jesus combina o Sl.110:1 e Dn.7:13 ao responder ao sumo-sacerdote Caifás (
Mc.14:62), " Eu o Sou"
Senhor dos Senhores
Jesus foi confessado como Senhor tanto na cristologia funcional como na ôntica. A primeira
se preocupa somente com a ação de Deus em Jesus, enquanto que a outra, inclui Jesus no
eterno ser de Deus. Quando a autoridade de Jesus foi questionada, Ele apelou para o
Sl.110:1, ( Mc.12:36).
Em Atos 2:35, Jesus está identificado como Senhor e Messias. Jesus não é reconhecido como
Senhor somente depois da ressurreição. Atos 2:36 fala de Jesus reinando como Senhor. A
confissão de que Jesus era o Senhor foi a proclamação dos missionários judeus helenistas (
At.11:20; 14:3; 5:31 ) e era condição para o batismo, ( At.8:16; 11:17; 19:5 ).
A cristologia ôntica inclui a pré-existência de Jesus e sua participação no ser eterno de Deus.
A confissão de Jesus como Senhor tornou-se formalizada em 1 Co.12:3 e também integrante
na crença na Trindade ( 1 Co.12:4-6 ).
O senhorio de Jesus tanto no céu, no presente, quanto na terra, no futuro, estão
firmemente unidas nas cartas de Paulo. A confissão de Jesus como Senhor é parte da
teologia batismal ( Rm.10:9 ) e parte da hinologia de adoração ( Rm.8:34 ). O hino em Fil.2:611 tem todo o universo reunido em adoração a Jesus Cristo como o Senhor. Col.3:1-4, fala
do Cristo como assentado a destra de Deus.
O Evangelho de João culmina com a afirmação de Tomé " Senhor meu, Deus meu". Jo.20:28.
O apóstolo João descreve os santos que já partiram como cantando ao Cordeiro, Ap.5:9. Isto
acontecerá quando Cristo ressuscitado, retornar em glória com todos os santos para reinar
sobre a terra, Ap.20:4. Então todos saberão que Jesus é o Rei dos Reis e Senhor dos
Senhores.
CRISTOLOGIA
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O LOGOS PRÉ-EXISTENTE
O V.T., no seu todo, silencia quanto a pré-existência do Messias. O único versículo que
permite uma interpretação neste sentido é Mq.5:2. Mesmo aí, muitas traduções falam "cuja
origem é de tempos idos" e não da eternidade. No N.T. quase todos os versículos que falam
da existência posterior de Jesus, também falam de sua pré-existência, principalmente na
cristologia de Paulo, Hebreus e João. Nestes textos encontramos:
1) Cristo, como a Eterna Sabedoria de Deus
A identificação do Jesus crucificado com a sabedoria eterna ou pré-existente de Deus, pode
ser vista claramente em I Corintios.
Cristo é identificado como a sabedoria de Deus 1 Co.1:24,30.
Cristo é identificado como sabedoria pré-existente 1 Co.2:6-9.
Esta sabedoria estava oculta (2:6-9), depois revelada pelo espírito (2:10-13) e
recebida por todos que possuem o Espírito (2:14-16).
A forma litúrgica que encontramos em 1 Co.8:5-6 mostra que já era uso corrente dos
primeiros cristãos a crença na pré-existencia de Cristo. O Jesus crucificado é
relacionado não só com a redenção, mas com a própria criação.
1 Co.15:28, fala da pré-existência de Cristo antes da existência histórica de Jesus.
O Cristo crucificado, o Cristo criador foi também o Cristo da história de Israel, 1
Co.10:4.
A referência de Jesus como homem do céu em 1 Co.15:47, também aponta para sua
pré-existência.
2 Co.8:9 mostra o estado de Cristo na sua pré-existência.
Deus enviou o seu único filho na plenitude dos tempos, Gl.4:4. Isto não é mera
vocação, mostra a origem do filho e sua pré-existência.
Em Fl.2:6-11, subsistindo em forma de Deus, significa participação na própria
essência de Deus.
Nas Epístolas Pastorais, a mesma verdade é revelada em 1Tm.1:15, onde se diz que
Cristo veio ao mundo. Aqui não é apenas vocação profética, mas a própria essência
de Deus.
2) Cristo, como a Eterna Palavra de Deus
Cristo é proclamado como palavra de Deus pré-existente em Jo.1: 1-4, a mesma coisa
é dita em 1 Jo.1:1-18
A pré-existência é vista em Jo.6: 35, 38, 41, 44, 48 e 51. Jesus é o pão verdadeiro que
desceu do céu.
No Ap.1:8; 4:8; 21:7; 1:17; 3:14. A mesma verdade é dita. Assim como no evangelho
de João, também no Apocalipse, Jesus é proclamado como palavra de Deus (19:13).
3) Cristo, como o Eterno Filho de Deus
A pré-existência do Filho de Deus, em Hebreus, combina com a cristologia de
Sabedoria de Deus de Paulo e com a cristologia da Palavra de Deus em João. Em
todos os três, a pré-existência significa que o próprio ser de Deus estava unido a
existência humana de Jesus Cristo.
Jesus como o primeiro e o último no Apocalipse, é visto em Hebreus como Filho de
Deus a quem Ele constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo,
Hb.1:1-3.
A NATUREZA HUMANA E DIVINA DE JESUS CRISTO
A cristologia da encarnação inclui a humilhação do Cristo pré-existente e exaltado,
conforme Paulo; a encarnação da Palavra eterna, conforme João; e a perfeição do
eterno filho de Deus que apareceu como Jesus conforme Hebreus.
Em Fl.2:6-11, vemos a pré-existência celeste, a humilhação terrena e a exaltação
celeste.
A relação única entre o Pai e o Filho é que Deus habitou no homem Jesus. A
encarnação da Palavra na carne de Jesus foi um ato de completa habitação em que a
Palavra permaneceu Palavra e Jesus permaneceu um homem verdadeiro; Portanto,
Jesus é e foi 110% Deus e 100% homem.
Na encarnação o Pai está no Filho e o Filho está no Pai. Vários diálogos de Jesus, no
Evangelho de João mostram isto (5:19-28).
A unidade do Pai e do Filho não é identidade. Jesus disse: "O Pai e eu somos um",
(10:30). mas isto está explicado nas palavras: "O Pai está em mim e Eu estou no Pai,
(10:38). O Pai e o Filho são um, mas não o mesmo. Ver (14:9-11 e 17:20-26).
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O NACIMENTO VIRGINAL DE CRISTO
Jesus Cristo nasceu de uma virgem, pelo Espírito Santo (Lc. 1.34 e 35). O seu nascimento
virginal é o testemunho que só o Espírito pode procriar o que é espiritual (Jo. 3.6).
Concebido e nascido da Virgem Maria, como completo Deus e completo homem em uma
pessoa, Ele é Deidade perfeita e verdadeira humanidade unidas em uma só pessoa.
SEU MINISTÉRIO TERRENO.
Jesus viveu uma vida sem pecado (Hb. 4.15), e voluntariamente doou-se pelos pecados da
humanidade, morrendo na cruz, substituindo-nos (Hb. 9.14), satisfazendo a justiça de Deus.
Conquistou a salvação para todos os que nEle cressem.(Atos 4.12).
Nestes textos, você verá que Jesus viveu como exemplo e se tornou um modelo a ser
seguido.
Sua vida
Obediente ao Pai
“De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus,
que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus. Mas
aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos
homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente
até à morte e morte de cruz.” Fl 2.5-8
“Porque eu desci do céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que
me enviou.” Jo 6.38
“Eu glorifiquei-te na terra, tendo consumado a obra que me deste a fazer.” Jo 17.4
“dizendo: Pai, se queres, passa de mim este cálice; todavia, não se faça a minha
vontade, mas a tua.” Lc 22.42
Obediente a Lei
“Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim abrogar, mas cumprir.” Mt
5.17
“mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher,
nascido sob a lei, para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a
adoção de filhos.”Gl 4 .4- 5
Dependente do Espírito Santo
“E, sendo Jesus batizado, saiu logo da água, e eis que se lhe abriram os céus, e viu o
Espírito de Deus descendo como pomba e vindo sobre ele.” Mt 3.16
“E Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão e foi levado pelo Espírito ao
deserto. Então, pela virtude do Espírito, voltou Jesus para a Galiléia, e a sua fama
correu por todas as terras em derredor. O Espírito do Senhor é sobre mim, pois que
me ungiu para evangelizar os pobres, enviou-me a curar os quebrantados do coração.”
Lc 4. 1,14, 18
“como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com poder, o qual andou
por toda parte, fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus
era com ele.” At 10.38
“Mas, se eu expulso os demônios pelo Espírito de Deus, é conseguintemente chegado
a vós o Reino de Deus.” Mt 12.28
O homem perfeito
“Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai, que está nos céus”. “Eu e o Pai
somos um.” Mt 5.48; Jo 10.30
“até que todos cheguemos à unidade da fé e ao conhecimento do Filho de Deus, a
varão perfeito, à medida da estatura completa de Cristo.” Ef. 4.13
“Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas
fraquezas; porém um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado.” Hb 4.15
“Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus,
vivendo sempre para interceder por eles. Porque nos convinha tal sumo sacerdote,
santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores e feito mais sublime do que os
céus, que não necessitasse, como os sumos sacerdotes, de oferecer cada dia
sacrifícios, primeiramente, por seus próprios pecados e, depois, pelos do povo; porque
isso fez ele, uma vez, oferecendo-se a si mesmo. Porque a lei constitui sumos
sacerdotes a homens fracos, mas a palavra do juramento, que veio depois da lei,
constitui ao Filho, perfeito para sempre.” Hb 7. 25-28
Seu ministério
Em sua vida terrena, Jesus Cristo desempenhou um ministério de cinco aspectos. Após Sua
ascensão, repartiu-o com os homens, para que edificassem Sua igreja. Esses dons são
ferramentas nas mãos destes homens, para que ela (igreja) seja aperfeiçoada e
desempenhe a obra do ministério. Nós não detalharemos os cinco aspectos do ministério
terreno de Cristo, porque o faremos em outro estudo. O que segue abaixo, são algumas
referências bíblicas, que demonstram o serviço de Cristo em seu ministério terreno de cinco
aspectos:
Apostólico
“Pelo que, irmãos santos, participantes da vocação celestial, considerai a Jesus Cristo,
apóstolo e sumo sacerdote da nossa confissão.” Hb 3.1
Evangelístico
“O Espírito do Senhor é sobre mim, pois que me ungiu para evangelizar os pobres,
enviou-me a curar os quebrantados do coração.” Lc 4.18
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Mestre
“Este foi ter de noite com Jesus e disse-lhe: Rabi, bem sabemos que és mestre vindo
de Deus, porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não for com
ele.” Jo 3.2
Profético
“E Jesus lhes dizia: Não há profeta sem honra, senão na sua terra, entre os seus
parentes e na sua casa”. Mc 6.4
“E ele lhes perguntou: Quais? E eles lhe disseram: As que dizem respeito a Jesus, o
Nazareno, que foi um profeta poderoso em obras e palavras diante de Deus e de todo
o povo.” Lc 24.19
Pastoral
“Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas.” Jo 10.11
Jesus Cristo derramou esses dons sobre seus servos, nestes dias, para que edifiquem Sua
igreja e aperfeiçoem seus santos e amados servos, conforme está escrito em Ef 4. 8-11
A RECONCILIAÇÃO VICÁRIA.
“Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus,
homem, o qual a si mesmo se deu em resgate por todos: testemunho que se deve prestar
em tempos oportunos.” I Tm. 2.5,6.
Na morte vicária, nossa condenação foi removida pelo perdão, nossa culpa pela justiça e a
separação pelo amor. O perdão é um ato de misericórdia divina, e a justificação é muito
mais do que o perdão. Ela é completa, abrange o passado, o presente e o futuro de nossas
vidas.
“justiça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo, para todos e sobre todos os que
crêem; porque não há distinção.a quem Deus propôs, no seu sangue, como
propiciação, mediante a fé, para manifestar a sua justiça, por ter Deus, na sua
tolerância, deixado
impunes os pecados anteriormente cometidos; Concluímos, pois, que o homem é
justificado pela fé, independentemente das obras da lei” Rm 3. 22,25,28
“Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele,
fôssemos feitos justiça de Deus” II Co 5.21
“e, por meio dele, todo o que crê é justificado de todas as coisas das quais vós não
pudestes ser justificados pela lei de Moisés” At 13.39
O MINISTÉRIO DE TRÊS DIAS ENTRE MORTE E RESSURREIÇÃO.
O credo apostólico declara: "Ele desceu ao inferno, ressuscitou ao terceiro dia, subiu para o
céu, sentou-se a mão direita do Pai, de onde vive para julgar os vivos e os mortos."
Em anos recentes muitos tem achado difícil repetir com honestidade o credo tradicional.
Principalmente depois do livro de Rudolf Bultmann sobre "Novo Testamento e Mitologia".
Jesus foi quase que completamente despido da sua historicidade. Por isso, cada declaração
do credo precisa ser examinada. A lógica na crença histórica dos eventos tem sido a
seguinte:
A crença na descida ao inferno, o reino dos mortos e dos anjos caídos tem sido resposta à
pergunta sobre o que Jesus fez entre a morte e a ressurreição.
A crença no túmulo vazio e na sua ressurreição ao terceiro dia, estão baseadas nas várias
aparições de Jesus aos seus discípulos.
Quando Ele não mais apareceu aos discípulos, a crença na sua ascensão permanente para o
céu e sua posição à mão direita de Deus se estabeleceu.
A esperança da sua volta completará a salvação iniciada na sua primeira vinda.
ELE DESCEU AO INFERNO
Há vários textos bíblicos com referência a este credo expresso em 359 e 360 d.C. e de
origem ariana. O evangelho de Mateus fala da vitória de Cristo sobre os poderes da morte,
as portas do Hades ( 12:29,40; 16:18.) e com alguns santos que dormiam e foram
ressuscitados quando Jesus morreu.
A promessa do evangelho de Lucas de que Jesus estaria com o ladrão arrependido, no
paraíso, mostra que ele esteve no Hades entre a sua morte e ressurreição (At.2:27-31). Isto
talvez reflita a crença de que o paraíso estava no Hades até a ressurreição de Jesus. O
evangelho de João diz que Jesus foi preparar lugar para os oseus discípulos, depois da morte
( Jo.14:2 ), mas Ap.1:18, também fala da sua vitória sobre o Hades pela sua ressurreição de
entre os mortos.
Quando Paulo fala em Rm.10:7 do assunto, esta implicando que de fato Jesus desceu ao
abismo na hora da morte. Fl.2:10, fala dos que estão embaixo na terra, confessando Jesus
como Senhor. Isto quer dizer que sua descida lhes trouxe a notícia de libertação e exultação.
Em Ef.4:8-10, fala de Cristo subindo as partes mais baixas da terra e trazendo consigo o
cativeiro ( os que estavam mortos e esperavam o Messias). Se o texto de 1 Tm.3:16 é
interpretado como seis eventos em seqüência histórica, isto requer então a crença na
descida de Jesus ao estado dos anjos caídos e dos mortos. Devemos comparar o texto de
Timóteo com 1 Pe.3:18,19,22; 4:6.
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A RESSURREIÇÃO CORPORAL DE JESUS
A crença no túmulo vazio e na sua ressurreição ao terceiro dia, estão baseadas nas várias
aparições de Jesus aos seus discípulos.
Quando Ele não mais apareceu aos discípulos, a crença na sua ascensão permanente para o
céu e sua posição à mão direita de Deus se estabeleceu.
A RESSURREIÇÃO AO TERCEIRO DIA
Se Jesus ressuscitou dos mortos no terceiro dia, como a Igreja Cristã sempre confessou,
então a pergunta sobre a descida ao reino dos mortos é muito lógica. A não ser que se
aplique a Jesus a doutrina do sono da alma para Ele. A ressurreição de Jesus dos mortos é
doutrina fundamental do N.T. As duas evidências que afirmam a crença é :
1) O túmulo vazio
2) A aparição de Jesus a seus discípulos.
Com os quatro evangelhos relatando sobre a sua ressurreição ficaria muito difícil dizer que o
acontecido foi uma invenção posterior que brotou da fé dos apóstolos. Pelo menos três
testemunhas diferentes dão evidências bastante seguras ( Mc.16:1-8; Mt.28:1-8; Lc.24:1-12;
Jo.20:1-10). E ainda há referência do sepultamento de Jesus com Paulo ( 1 Co.15:4). Há uma
clara distinção nos relatos de Paulo entre um corpo físico que não é ressuscitado e um corpo
espiritual que é ressuscitado ( 1 Co.15:35-58 ).
Os maiores detalhes da ressurreição, em Paulo, são encontrados em 1 co.15;1-11. Aí
podemos ver: 1) a morte ( 15:3 ), 2) o sepultamento ( 15:4a ), 3) a ressurreição ( 15:4b ) e 4)
as aparições ( 15:5-7 ).
A ASCENÇÃO
Muitos que afirmam a historicidade de Jesus na sua ressurreição e das aparições passam de
largo sobre a ascensão ou ascensões. A ascensão é importante no Evangelho de João (3:13;
6:62; 14:2; 16:7,16; 20:17 ). A última referência mostra que houve uma ascensão no 1º dia
da ressurreição. O Espírito também foi dado na primeira noite pascal ( 20:22). Há também
uma ascensão em Lucas no 1º dia da ressurreição ( 24:50ss) e At.1:2 indica que Jesus
ensinou os discípulos pelo "Espírito Santo" por um período de 40 dias até que ele foi
elevado aos céus. Esta ascensão depois dos 40 dias certamente não prejudicou o
aparecimento a Paulo, sete anos após ( At. 9:1-19; 22:6-21; 26:12-23).
1) Ele sentou-se à mão direita do Pai
A exaltação de Jesus é o último passo antes do seu retorno em glória. Ela é clara e central na
cristologia e escatologia da igreja primitiva ( At.3:19-21; 2:29-36; 5:31; 7:55ss; 13:33-37 ).
2) Jesus como cabeça, em Paulo
A exaltação de Jesus é o clímax depois da descida ao inferno, ressurreição e ascensão (
Rm.1:3; 8:17,34; 14:19 ). Porém o quadro central é de Jesus exaltado como cabeça da Igreja
seu corpo, acima de todo principado e potestade ( Fl.2:9; Cl.1:17; 2:9; 3:1; Ef.1:22ss; 4:15 ).
3) Jesus como Sumo-Sacerdote em Hebreus
Nada é dito em Hebreus sobre a descida de Jesus ao inferno, ou ascensão, mas a sua
ressurreição aparece na Bendição ( 13:20). Porém, o conceito de sua exaltação inclui todos
os eventos entre a morte de Jesus e sua exaltação como sumo-sacerdote ( 1:3; 2:9; 10:12;
12:2).
4) Jesus como rei em João
A descida, ressurreição, ascensão são ensinadas no Evangelho de João e suas cartas (
Ap.1:18; Jo.20 ). A exaltação de Jesus em João inclui tudo entre o evento da cruz e a
consumação, no tato singular de Jesus ser levantado da terra ( 3:14; 8:28; 12:32,34 ). A
figura central de Jesus exaltado no apocalipse é " dominar sobre os reis da terra ", ( 1:3-7;
3:21; 5:6; 19:11-16 ).
A EXISTÊNCIA POSTERIOR DE JESUS
A esperança da sua volta completará a salvação iniciada na sua primeira vinda. A
ressurreição de Jesus Cristo, em seu corpo físico, depois da crucificação foi literal. Assim
será a ressurreição do justo quando Ele voltar e do injusto no Dia do Julgamento (Ap.20.13;
Dn. 12.2).
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