ATUAÇÃO DA FISIOTERAPIA NO DESMAME PROLONGADO DO PORTADOR
DE DOENÇA PULMONAR OBSTRUTIVA CRÔNICA: RELATO DE
EXPERIÊNCIA DO ESTÁGIO SUPERVISIONADO II
Autores: Gisleynne Tallita Florencio Ramos1; Louisiana Carolina Ferreira de
Meireles1; Mayara Wanderly Lira Machado1; Renatha Vieira da Silva Lima1;
Kássya Mycaela Paulino Silva2.
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Discentes do 10° período do curso de Fisioterapia da Faculdade ASCES;
Especialista em Fisioterapia na UTI e Preceptora do Estágio Supervisionado II da
Faculdade ASCES.
Email: [email protected]
Introdução: A doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) é definida como um
conjunto de condições que se caracteriza pela presença de obstrução crônica ao
fluxo aéreo de progressão lenta, persistente e irreversível. A infecção respiratória
constitui a principal causa de agudização em pacientes com DPOC e essas
exacerbações com insuficiência respiratória muitas vezes levam o paciente a
necessitar de suporte ventilatório em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). O
desmame do paciente com DPOC da ventilação mecânica (VM) deverá ser
iniciado após estabilização da causa da exacerbação e preenchimento de outros
critérios básicos. De acordo com nova nomenclatura para desmame que o
classifica em simples, difícil e prolongado, o DPOC integra na maioria das
ocasiões o grupo dos pacientes em desmame prolongado que são aqueles que
falharam a mais de 3 testes de respiração espontânea (TRE) ou entre o primeiro e
o ultimo TRE decorreram mais que sete dias ate a resolução da causa de
insucesso. Objetivo: Abordar a atuação da fisioterapia em UTI durante o
processo de desmame da VM em um paciente portador de DPOC. Método: Tratase de um relato de experiência realizado na UTI do Hospital Municipal de Caruaru
Casa de Saúde Bom Jesus durante o período de nove de fevereiro a 21 de março
de 2011 durante os atendimentos fisioterapêuticos do estágio supervisionado II.
Relato de Experiência: Paciente F. B. S., 84 anos, sexo masculino, tabagista há
40 anos e com diagnóstico de DPOC foi internado dia quatro de fevereiro de dois
mil e onze, por pneumonia e insuficiência respiratória aguda necessitando de
assistência ventilatória mecânica. Evoluiu acumulando secreção traqueobrônquica
mucopurulenta de moderado volume, retenção hídrica, edema global e paresia
adquirida na UTI. A intervenção da fisioterapia consistiu na utilização de
manobras de higiene brônquica, técnicas reexpansivas e aplicação do protocolo
de mobilização precoce para pacientes internados em UTI. Quanto à VM, o
paciente evoluiu de modos controlados para espontâneos em cerca de 10 dias
através da redução progressiva dos parâmetros ventilatórios. Mediante avaliação
diária e, preenchendo os critérios para TRE, realizamos duas provas de
autonomia em PSV (ventilação com pressão de suporte) e duas em tubo T com
macronebulização, nos quais o paciente falhou em todos por fraqueza muscular.
Nos 15 dias subseqüentes às falhas e entre os TRE, foi investido no treino de
endurance da musculatura respiratória através de períodos de respiração
espontânea alternados com PSV, uso do threshold (dispositivo de carga linear) e
avançamos com o protocolo de mobilização precoce introduzindo exercícios
resistidos às atividades do paciente. Após um mês e cinco dias de internamento
realizamos o último TRE, este com sucesso, deixando-o em macronebulização
por 48h e, posteriormente em cateter nasal. Sete dias após o sucesso do TRE, o
traqueóstomo Portex foi trocado pelo metálico e depois de alguns dias a cânula foi
retirada definitivamente, momento em que o paciente recebeu alta da UTI.
Resultados: A atuação da fisioterapia foi fundamental no ganho de força e
endurance muscular observado pela mensuração de força muscular periférica e
resolução do processo de transição da VM para a respiração espontânea.
Conclusão: Contatamos que o desmame do DPOC é prolongado devido à
cronicidade da patologia associada às perdas musculares já esperadas em
pacientes submetidos à VM. Contudo, uma abordagem fisioterapêutica precoce e
integral, que assista a musculatura respiratória e periférica possibilitando o ganho
de força e endurance muscular é primordial para um desmame eficaz e redução
do tempo de internação em UTI.
Palavras-chave: DPOC; Exercício físico; Fisioterapia.
Autor Principal: Gisleynne Tallita Florencio Ramos.
Endereço eletrônico: [email protected]
Telefone: 81 9265 1902
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atuação da fisioterapia no desmame prolongado do