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11 mai 2015 O Globo JULIANA CASTRO juliana. azevedo@oglobo.com.br
Deputado usa verba da Câmara para
se defender
Sperafico gastou R$ 10,6 mil para divulgar mandato, incluindo versão para
inclusão de seu nome na Lava­Jato
Um dos políticos investigados no Supremo Tribunal Federal (STF) em decorrência da Operação Lava­
Jato, o deputado federal Dilceu Sperafico (PP­PR) usou verba da Câmara dos Deputados para divulgar em
rádios do interior do Paraná um artigo em que se defende da acusação de que teria sido beneficiado pelo
esquema de corrupção na Petrobras. As explicações foram veiculadas na mídia local em meados de março,
após o ministro Teori Zavascki, relator do caso no STF, ter autorizado a abertura de inquérito contra 49
políticos, entre eles Sperafico. O parlamentar é investigado por lavagem de dinheiro, corrupção passiva e
formação de quadrilha.
Em março, o deputado gastou R$ 10,6 mil da verba indenizatória para a divulgação da atividade
parlamentar. A despesa está registrada em 14 notas fiscais. Em oito delas, num total de R$ 6,6 mil,
aparece a descrição de que o pagamento foi efetuado por conta da veiculação de três artigos, um deles
intitulado “Os resultados positivos e negativos da Operação Lava­Jato”.
Os outros dois são sobre o agronegócio brasileiro e sobre produtos transgênicos. Essas oito notas
fiscais são de rádios dos municípios de Toledo, Formosa do Oeste, Iporã, São Miguel do Iguaçu, Medianeira
e Marechal Cândido Rondon, localizados no oeste paranaense, base eleitoral de Sperafico.
No artigo sobre a Lava­Jato, Sperafico se diz surpreso e decepcionado com sua inclusão na lista
enviada ao STF pelo procurador­geral da República, Rodrigo Janot. O parlamentar diz que nunca teve
contato com o ex­diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e com o doleiro Alberto Youssef.
“Estamos surpresos e tristes, pois nosso nome foi manchado, mas ao mesmo tempo tranquilos, já que
certamente nossa inocência não demorará a ser comprovada”, diz um trecho do artigo.
No fim, Sperafico diz esperar que a divulgação da lista não tenha sofrido influência do governo federal:
“Só esperamos que a inclusão de nosso nome na lista não tenha sido um tipo de retaliação, pelas nossas
posições sobre os equívocos, falhas e erros do governo”.
O nome de Sperafico está ligado a outro escândalo, em 2009, o da “farra das passagens aéreas” em
que deputados negociavam com agências de viagens passagens da cota parlamentar. Por conta disso,
enfrenta um outro inquérito no STF.
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