Revista Eletrônica Novo Enfoque, ano 2012, v. 15, edição especial, p. 16 – 19
A CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE UDENISTA 1
NASCIMENTO, Thalitha Saboia do 2
LAMBLET, Luciana 3
Palavras-chave: UDN. Partido político. Democracia.
Através do tema proposto pela a orientadora, A UDN E O PENSAMENTO
LIBERAL NO BRASIL, a temática escolhida para meu trabalho foi: A
CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE UDENISTA. Esta vertente de pesquisa é o
surgimento da União Democrática Nacional que nascera como um movimento
agregador reunindo diversas tendências políticas e de raízes históricas divergentes que
se haviam colocado contrários à ditadura do Estado Novo implantado desde 10 de
novembro de 1937, formando um grupo extremamente heterogêneo. Entretanto, os
udenistas possuíam alguns ideais políticos em comum: apressar a queda de Getúlio
Vargas, conquistar a redemocratização brasileira e o combate ao comunismo.
Sempre visto como partido oposicionista e muitas vezes como entreguista, a
UDN reuniu vários setores das elites, oligárquicos liberais, visto como um partido
elitista, como partido de cartolas, e intitulada por seus próprios integrantes como o
partido da “Eterna Vigilância”. Dotada de um extremo moralismo e bacharelismo, seu
principal objetivo era chegar à presidência, porém sendo frustrado logo na sua primeira
tentativa, com a derrota do brigadeiro Eduardo Gomes para o general Eurico Gaspar
Dutra, o candidato do Partido Social Democrático, porém tal frustração não diminui a
importância da UDN no cenário político nacional, tendo extrema atuação e influência
no cenário político de Minas Gerais, elegendo vários governadores pelo Brasil,
inclusive Carlos Lacerda que governou o extinto Estado da Guanabara de 1960 a 1964 e
que também tentou chegar a presidência da República, obtendo um fracasso, porém não
por derrota, e sim por suspensão da eleição para a presidência devido ao golpe civil
militar de 1964, esta derrota eleitoral do brigadeiro Eduardo Gomes foi decisiva para
1
- Resumo expandido do trabalho apresentado no IX Simpósio de História da Universo.
2
- Acadêmica do Curso de História e Pesquisadora do PIBIC&T da Universidade Castelo Branco.
3
- Professora da Universidade Castelo Branco. Doutoranda em História Social pela Universidade Federal
Fluminense.
influenciar a linha política do partido que estava indefinida até este momento, foi o
começo de uma tentativa de uma política mais popular para a UDN, porém nunca foi
alcançado esse objetivo de alguns dirigentes realistas que passaram a crer que era
necessária a popularização do partido (projeto de popularização que nunca foi posto em
prática), e isso se justifica pela aversão a Getúlio Vargas, que possuía um caráter mais
populista em seu governo. Esta aversão por Vargas transformou-se em terror ao
populismo. Em um de seus discursos, Carlos Lacerda chegou a alfinetar esta ideia de
popularização e populismo, declarando que “a UDN não é um partido populista, e sim
um partido popular, não preciso vestir macacão para apresentar ao trabalhador, ela lhe
oferece bandeira dando-lhe a direção a sociedade brasileira”.
No momento de sua formação, o caráter principal da UDN era a restauração do
liberalismo tradicionalista, porém com o passar do tempo, e o decorrer dos fatos, este
caráter liberal acabou ficando no ideal da UDN, pois em relação às atitudes políticas foi
se revelando um caráter conservador, autoritário, em muitos sentidos anacrônicos, em
outros no autoritarismo e no elitismo.
E este desvirtuamento do caráter inicial foi fazendo com que se traçasse um
perfil mais homogêneo, A UDN tornou-se progressista enquanto lutava contra o regime
autoritário de Getúlio Vargas, o Estado Novo, e reacionário enquanto ideal histórico,
revelando-se progressista no que se opõe e reacionário no que propõe.
Este dualismo está relacionado também ao grande número de afastamento de
grandes nomes udenistas (os liberais históricos) do regime e pode explicar a
permanência de realistas devido à indefinição ideológica. No ano seguinte de sua
formação, a Esquerda Democrática abandonaria a UDN para organizar o Partido
Socialista Brasileiro (PSB).
Com essa indefinição ideológica evidente, além do receio de se tornar
ostensivamente autoritária e a falta de interesse de se tornar um partido com um ideal
inteiramente democrata, a UDN acaba perdendo o seu poder em alguns estados no qual
chegou a dominar o cenário político. Até o momento de sua extinção em 1965, o partido
esteve no centro dos principais acontecimentos da vida política do país. Caracterizou-se
pela defesa da democracia liberal e pelo combate assíduo às correntes getulistas.
Com o tema e a problemática de minha vertente de trabalho definidas, foram
lidos trabalhos (livros, artigo, entre outros) sobre o tema principal e temas que de
alguma forma estão relacionados ao período estudado e trabalhado. Além de fontes
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primárias como periódicos, jornais de diferentes óticas sobre o tema, atas de reuniões de
partido (formação, convenções), cartas de grandes nomes da UDN (enviadas e
recebidas), tendo no total 1476 documentos coletados. E dentre estas fontes de pesquisa,
nos estudos com os periódicos encontrados no Arquivo Nacional, Biblioteca Nacional e
no IHGB, tivemos resultados relevantes.
Através de análises comparativas, críticas e contextualizadas com outras fontes
contemporâneas a elas, pode ser feita uma análise crítica e comparativa sobre todo o
contexto da formação do perfil udenista.
Dentro deste um ano de pesquisa, tivemos resultados consideráveis, como
apresentação em congressos na Universidade Federal Fluminense, na UNIVERSO,
obtendo assim dois artigos publicados em anais dos congressos.
A pesquisa encontra-se em andamento, com a continuação de levantamento de
fontes no IHGB, que por motivos de disponibilidade é difícil ter acesso imediato às
fontes desejáveis, tendo que solicitá-las com no mínimo de 5 dias, e não podendo tirar
cópias, e nem fotografá-las, sendo assim temos que transcrever os documentos.
Em relação a fontes importantes para o andamento de nossa pesquisa, temos
diversas obras, inclusive uma biografia de Carlos Lacerda, que foi uma das figuras mais
reconhecidas e lembradas da União Democrática Nacional, que possui um papel político
de extrema importância para o dual caráter que a União Democrática Nacional revelou
durante o período de sua existência.
E como projeto, temos a apresentação de nosso artigo no Congresso de História
Política da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, realizado no dia 24 de outubro de
2012, e a apresentação do andamento no Congresso de Iniciação Científica da
Universidade Castelo Branco, para o resultado de um ano de pesquisa, e as novas
propostas do projeto para mais um ano.
O único ponto de dificuldade que nos deparemos neste um ano de pesquisa foi a
questão de algumas fontes estarem indisponíveis e\ou danificadas devido ao tempo de
existência, e ao horário de pesquisa ser bem curto, pois no IHGB a pesquisa só pode ser
feita das 12h às 17h, e levando em consideração o horário de aula, das 18h às 22h, e
pela distância entre os lugares, o tempo disponível para nossa pesquisa no centro
histórico se torna um tanto reduzido, exigindo de nós um esforço maior para cumprir
nossas 15 horas semanais, que exige o regulamento do PIBIC&T.
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Referências
BENEVIDES, Maria Victoria de Mesquita. A UDN e o udenismo. Rio de Janeiro: Paz
e Terra, 1981.
DELGADO, Lucilia de A. N. & FERREIRA, Jorge (org.). O tempo da experiência
democrática: da democratização de 1945 ao golpe civil-militar de 1964. Rio de
Janeiro: Civilização Brasileira, 2008.
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