Fundação Getulio Vargas
Tópico: EPGE
Veículo: Veja Online - SP
Página: 00:00:00
Data: 13/10/2014
Editoria: Economia
Nobel de economia deu novo fôlego ao debate sobre competição
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(Não Assinado)
Aos 61 anos, o professor francês Jean Tirole foi nomeado nesta segunda-feira vencedor do Nobel de
Economia por sua análise do poder e da regulação de mercado, especialmente na questão de
monopólios. Apresentado pelo comitê da Real Academia Sueca de Ciências como "um dos economistas
mais influentes de nossa época" ele se disse surpreso com a notícia e mostrou-se muito alegre. "Você
não é um juiz muito bom dos próprios trabalhos, então não é algo que eu esperava", disse Tirole à
agência France-Presse.
Jean Tirole é o terceiro francês a receber o Nobel de Economia, depois de Gérard Debreu em 1983 e
Maurice Allais em 1988. Ele já esteve entre os favoritos ao Nobel há alguns anos. A academia destacou,
nesta segunda, sua contribuição para o campo da compreensão e regulação de indústrias. Ele já lecionou
no MIT, nos EUA, mas, hoje é pesquisador na Universidade de Toulouse (sul da França).
Teoria - Os estudos de Tirole focam especialmente no comportamento das grandes empresas e a
regulação antitruste moderna. Sua tese é de que grandes empresas, mesmo improdutivas, mantêm-se na
liderança de seus setores por aproveitarem monopólios e regulação favorável. Seu trabalho aborda
essencialmente a questão da concentração de mercado e como domar (regular) empresas poderosas.
Na apresentação do vencedor, a academia comentou que muitos setores são dominados por um pequeno
número de grandes empresas ou por um monopólio puro (quando apenas uma domina). Se se esses
setores não tiverem uma regulação apropriada, esse quadro pode produzir resultados sociais
indesejáveis, como preços mais altos ou empresas improdutivas que sobrevivam para bloquear a entrada
de novas companhias mais produtivas.
Para o pesquisador, incentivos e proteção de mercado não funcionam bem no longo prazo para essas
empresas, que tendem a se tornar improdutivas, ineficientes e difíceis de serem administradas. Ele deu
um novo fôlego às pesquisas sobre “falhas de mercado”. Suas análises sobre empresas poderosas, que
começaram na década de 1980, levaram a questionamentos políticos importantes, como, por exemplo: o
governo deveria lidar com fusões e cartéis e como deveria regular os monopólios?
Em suas pesquisas mais recentes, ele estuda o poder de mercado de empresas de tecnologia como
Google e Apple, que se valem de pesquisa e inteligência de mercado para se manterem competitivas em
relação aos concorrentes.
Brasil - Segundo o professor da FGV e do Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (Impa),
Aloisio Araújo, os trabalhos de Tirole influenciaram indiretamente a abertura do setor de energia elétrica à
iniciativa privada. Isso porque o Brasil baseou-se muito no modelo inglês, que, por sua vez, foi inspirado
pelas pesquisas de Tirole e Jean-Jacques Laffont, seu parceiro de trabalhos sobre regulação.
"Ainda há muito para o Brasil aprender com suas pesquisas, especialmente na área de competição. A
pergunta que deveria ser debatida é se o Brasil tem um índice de concentração muito elevado em algunn
setores, como o de telefonia celular", comentou ao site de VEJA, Araújo. Ele diz, por exemplo, que pouco
se discute no Brasil - e nem foi citado no debate eleitoral - como a regulação dos mercados, evitando
monopólios, pode contribuir para a queda de preços ao consumidor, como no setor de telefonia celular.
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Esta é a primeira vez em mais de 30 anos que o prêmio vai para estudos na área de regulação. O tópico,
complexo, é apresentado por modelos repletos de fórmulas matemáticas para descrever os conceitos de
monopólio e oligopólio e traz exemplos setoriais, como as indústrias de cartão de pagamento e
telecomunicação.
“Jean Tirole é um dos economistas mais influentes do nosso tempo. Ele fez contribuições teóricas
importantes a várias áreas, mas, principalmente, ele esclareceu como entender e regular setores com
algumas poucas empresas. Tirole recebe o prêmio deste ano por sua análise do poder e regulação de
mercado”, disse a academia.
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