1
Eliete Aparecida de Aguiar
Maria Cristina de Jesus Santos
Quevellin Alves dos Santos
A PERCEPÇÃO DAS MULHERES QUANTO A REALIZAÇÃO
DO EXAME DO PAPANICOLAOU NUMA UNIDADE DE
ESTRATÉGIA DE AGENTE COMUNITÁRIO DE SAÚDE
Bragança Paulista
2010
2
Eliete Aparecida de Aguiar 0012007014703
Maria Cristina de Jesus Santos 001200701283
Quevellin Alves dos Santos 001200701637
A PERCEPÇÃO DAS MULHERES QUANTO A REALIZAÇÃO
DO EXAME DO PAPANICOLAOU NUMA UNIDADE DE
ESTRATÉGIA DE AGENTE COMUNITÁRIO DE SAÚDE
Trabalho de Conclusão de Curso, do
Curso
de
Enfermagem,
da
Universidade São Francisco, sob
orientação do Profº Ricardo de
Almeida como exigência para
conclusão do curso de graduação.
Bragança Paulista
2010
3
Dedico aos meus pais: Emilia e José, que já estão na Glória de
Deus, pois, foram a razão da minha luta neste período de
faculdade. Aos meus irmãos: Eliane, Edilaine, João, Kérlia e
Terezinha pelo incentivo e por acreditarem sempre na minha
capacidade.
Eliete
Ofereço a Deus, pois, sem Ele seria impossível. A minha mãe
Maria de Lourdes Santos que sempre foi uma guerreira, um
exemplo de honestidade e dignidade. Ao meu pai Lourival
Santos que sempre está ao meu lado.
Maria Cristina
Dedico àqueles que nos momentos de fraqueza foram meu
apoio, nos momentos de tristeza, meu ombro amigo, e nos
momentos de dúvidas, me indicaram o caminho e caminharam
comigo em busca da realização dos meus sonhos, mesmo que
para tornar os meus reais, esqueceram-se dos seus. Obrigado
pai e mãe pelas orações e lágrimas. Dedico o fruto do meu
árduo e recompensador trabalho a vocês: Maria Sebastiana e
José Edivan.
Quevellin
Dedicamos este trabalho a todos os profissionais envolvidos
com a promoção e prevenção, que asseguram o direito à
saúde e promovem a mesma de forma contínua e humanizada.
Eliete, Maria Cristina e Quevellin
4
Agradeço a Deus por ter me ajudado, me dado força e
paciência para alcançar mais esta conquista de minha vida. À
minha família pelo apoio em todos os momentos. Ao professor
e orientador Ricardo de Almeida pela orientação, atenção e
apoio durante a elaboração deste trabalho.
Eliete
A minha família: meu filho Matheus, minha filha Thainá, ao meu
ex-marido Sergio Luis que tanto me ajudou nesta jornada, a
minha irmã Luciana. As minhas queridas companheiras de
curso por tudo que passamos. A Educafro que me deu a
oportunidade de realizar este sonho tão antigo. A Universidade
São Francisco, por ter aberto para concretizar este sonho. Aos
meus professores que dividiram seu conhecimento com toda a
dedicação. Aos funcionários da USF por toda a atenção. Ao
meu professor orientador Ricardo: obrigado por tudo, que Deus
o ilumine.
Maria Cristina
Agradeço Aquele que é Excelso e o maior mestre sobre toda a
arte: DEUS: ONIPOTENTE, ONISCIENTE e ONIPRESENTE
pela graça e sabedoria em todos os momentos. À minha família
que confiou em minha capacidade e esteve comigo nessa
jornada. Aos meus queridos e pacientes irmãos que me
“suportaram”
e
tiveram
imensa
paciência
comigo
(especialmente nos dias de prova!): Grace Kelly, Ivan Gleison e
Ana Rosa. Ao meu noivo Júnior pelo apoio e compreensão nos
5
momentos de intensa ausência. Ao professor Ricardo de
Almeida por acreditar em nosso projeto e nos orientar em sua
construção. A todos aqueles que de joelho dobrado clamavam
a Deus por mim, mesmo sem eu saber. As minhas mais que
amigas Eliete e Maria Cristina: Amizade não se busca não se
sonha não se deseja, ela se exerce e é uma virtude.
Quevellin Alves dos Santos
Enfim: A todos que nos fizeram acreditar que o conhecimento
pode começar como um sonho, e que este sonho busca a
realidade através do desconhecido,
O nosso muito Obrigado!
6
DURANTE ESTE TRABALHO...
As dificuldades não foram poucas...
Os desafios foram muitos...
Os obstáculos, muitas vezes, pareciam intransponíveis.
Muitas vezes nos sentimos só, e assim, o estivemos...
O desânimo quis contagiar, porém, a garra e a tenacidade foram
mais fortes, sobrepondo esse sentimento, fazendo-nos seguir a
caminhada, apesar da sinuosidade do caminho.
Agora, ao olharmos para trás, a sensação do dever cumprido se
faz presente e podemos constatar que as noites de sono
perdidas, as viagens e visitas realizadas; o cansaço dos
encontros, os longos tempos de leitura, digitação, discussão; a
ansiedade em querer fazer e a angústia de muitas vezes não o
conseguir, por problemas estruturais; não foram em vão.
Aqui estamos, como sobreviventes de uma longa batalha,
porém, muito mais fortes e hábeis, com coragem suficiente para
mudar a nossa postura, apesar de todos os percalços...
Como dizia Antoine Saint Exupèry em sua obra prima “O
Pequeno Príncipe”:
“Foi o tempo que perdeste com a tua rosa,
que fez a tua rosa tão importante.”
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RESUMO
Eliete Aparecida de Aguiar
Maria Cristina de Jesus Santos
Quevellin Alves dos Santos
O câncer do colo de útero, representa uma neoplasia maligna que ocorre com muita
freqüência no Brasil, causando grande número de óbitos, porém, quando diagnosticado
e tratado precocemente apresenta um alto potencial de prevenção e cura. Este trabalho,
teve como objetivo; Identificar a percepção das mulheres quanto à realização do exame
do papanicolaou numa Unidade da Estratégia de Agente Comunitário de Saúde. Foi
abordado durante o estudo, o conceito do câncer cervico-uterino, sua fisiopatologia, seus
fatores de risco, método de prevenção, sua incidência e o papel do enfermeiro no
desenvolvimento de ações educativas e de conscientização quanto à prevenção do
câncer do colo de útero. O papel da enfermagem é de fundamental importância na
educação e orientação junto à população feminina, esclarecendo possíveis dúvidas e
incentivando a realização periódica do exame, contribuindo assim para uma redução do
número de casos.
Palavras chaves: câncer do colo de útero, prevenção, papel do enfermeiro.
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ABSTRACT
Eliete Aparecida de Aguiar
Maria Cristina de Jesus Santos
Quevellin Alves dos Santos
Cancer of the cervix represents a malignancy that arises frequently in Brazil, causing many
deaths, but when diagnosed and treated early has a high potential for prevention and cure.
This study aimed to identify women's perceptions regarding the realization of a pap smear
examination of the Strategy Unit of the Community Health Agent was approached during the
study, the concept of cervico-uterine cancer, its pathophysiology, its risk factors, method
prevention, the incidence and the nurse's role in the development of educational and
awareness about the prevention of cervical cancer. The role of nursing is of paramount
importance in education and guidance by the female population, accounting for possible
questions and encouraging the periodical testing, thereby contributing to a reduction in the
number
of
Keywords: Cervical cancer, prevention, role of nurses.
cases.
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LISTA DE GRÁFICOS, QUADROS E TABELAS
Gráfico 1: Distribuição da idade de início da atividade sexual das mulheres
entrevistadas na EACS Planejada II. Bragança Paulista, 2010 ................................35
Gráfico 2: Distribuição do percentil de mulheres que fazem ou não uso de
preservativo na EACS Planejada II. Bragança Paulista, 2010................................37
Gráfico 3: Distribuição da mulheres com antecedente familiar de câncer na EACS
Planejada II. Bragança Paulista, 2010.......................................................................44
Gráfico 4: Distribuição das mulheres que conhecem ou não a finalidade do
papanicolaou na EACS Planejada II. Bragança Paulista, 2010 ...............................55
Gráfico 5: Distribuição da porcentagem de mulheres que consideram importante a
realização do papanicolaou na EACS Planejada II. Bragança Paulista, 2010...........59
Gráfico 6: Distribuição das mulheres que afirmaram ou não terem suas dúvidas
esclarecidas durante a consulta de coleta de papanicolaou na EACS Planejada II.
Bragança Paulista, 2010.....................................................................................65
Quadro 1: Distribuição das mulheres de acordo com o seu perfil sócio demográfico
na EACS Planejada II. Bragança Paulista, 2010 ...................................................33
Quadro 2: Motivos para não utilizarem preservativo nas relações sexuais. EACS
Planejada II. Bragança Paulista, 2010..................................................................38
Quadro 3: Resultado e tratamento do último papanicolaou realizado pelas mulheres
entrevistadas na EACS Planejada II. Bragança Paulista, 2010................................54
Tabela 1: Porcentagem das mulheres que tiveram ou não mais de um parceiro na
EACS Planejada II. Bragança Paulista, 2010........................................................39
Tabela 2: Total de mulheres que tiveram ou não parceiros com DST’s na EACS
Planejada II. Bragança Paulista, 2010..................................................................40
10
Tabela 3: Distribuição da paridade, tipo de parto, número e tipo de aborto nas
mulheres na EACS Planejada II. Bragança Paulista, 2010.......................................41
Tabela 4: Idade de menarca e menopausa das mulheres na EACS Planejada II.
Bragança Paulista, 2010.....................................................................................43
Tabela 5: Mulheres que apresentam antecedentes de câncer na EACS Planejada II.
Bragança Paulista, 2010.....................................................................................46
Tabela 6: Idade média de realização do primeiro papanicolaou pelas mulheres na
EACS Planejada II. Bragança Paulista, 2010........................................................47
Tabela 7: Periodicidade de realização do papanicolaou pelas mulheres na EACS
Planejada II. Bragança Paulista, 2010.,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,49
Tabela 8: Distribuição das mulheres que apresentam ou não sintomas relacionados
dos fatores de risco ao câncer do colo do útero na EACS Planejada II. Bragança
Paulista, 2010....................................................................................................52
Tabela 9: Respostas das mulheres para a questão sobre a finalidade do
papanicolaou, na EACS Planejada II. Bragança Paulista, 2010..............................56
Tabela 10: Motivos apresentados pelas mulheres para realizar o papanicolaou no
EACS Planejada II. Bragança Paulista, 2010........................................................59
Tabela 11: Mulheres que participaram ou não de palestras sobre saúde da mulher
na EACS Planejada II. Bragança Paulista, 2010...................................................62
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LISTA DE SIGLAS
AIDS: Síndrome da Imunodeficiência Adquirida
BEMFAM: Bem-Estar Familiar no Brasil
CAF: Cirurgia de Alta Freqüência.
CAISM: Centro de Atenção Integral á Saúde da Mulher.
CEBRAP: Centro Brasileiro de Análises e Planejamento.
DNA: Ácido desoxirribonucleico.
EACS: Estratégia Agente Comunitário de Saúde.
HIV: Human immunodeficiency vírus.
HMLMB: Hospital Maternidade Leonor Mendes de Barros.
HPV: Vírus do Papiloma Humano.
INCA: Instituto Nacional do Câncer.
NIC: Neoplasia Intracervical.
OMS: Organização Mundial da Saúde.
SIAB: Sistema de Informação de Atenção Básica.
SISCOLO: Sistema de Informação de Controle do Câncer do Colo do Útero.
TCLE: Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.
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SUMÁRIO
1.0 INTRODUÇÃO ............................................................................................................................................. 13
2.0 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ..................................................................................................................... 16
2.1 ANATOMIA E FISIOLOGIA DO ÚTERO ............................................................................................................ 16
2.2 TUMORES BENIGNOS E MALIGNOS DO TRATO GENITAL FEMININO ............................................................. 17
2.3 FATORES DE RISCO ...................................................................................................................................... 21
2.4 SINAIS E SINTOMAS ..................................................................................................................................... 22
2.5 PREVENÇÃO ................................................................................................................................................. 22
2.6 DETECÇÃO PRECOCE DO CÂNCER DO ÚTERO .............................................................................................. 22
2.7 PROGRAMAS DE PREVENÇÃO ....................................................................................................................... 23
2.8 TRATAMENTO .............................................................................................................................................. 23
3.0 JUSTIFICATIVA .......................................................................................................................................... 26
4.0 OBJETIVOS .................................................................................................................................................. 27
4.1 OBJETIVO GERAL......................................................................................................................................... 27
4.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS .............................................................................................................................. 27
5.0 METODOLOGIA ......................................................................................................................................... 28
5.1 TIPO DE ESTUDO .......................................................................................................................................... 28
5.2 CAMPO DE ESTUDO...................................................................................................................................... 28
5.3 POPULAÇÃO DO ESTUDO.............................................................................................................................. 28
5.4 CRITÉRIO DE INCLUSÃO / EXCLUSÃO ........................................................................................................... 29
5.5 FONTE DOS DADOS ...................................................................................................................................... 29
5.6 PROCEDIMENTOS ......................................................................................................................................... 29
5.6.1 PROCEDIMENTOS ÉTICO-LEGAL ............................................................................................................... 29
5.6.2 PROCEDIMENTO DE COLETA DE DADOS .................................................................................................... 30
5.6.3 PROCEDIMENTOS DE ANÁLISE DOS DADOS ............................................................................................... 30
6.0 ORÇAMENTO .............................................................................................................................................. 30
7.0 CRONOGRAMA........................................................................................................................................... 31
8.0 RESULTADOS E DISCUSSÃO................................................................................................................... 32
RESULTADOS .................................................................................................................................................... 68
CONSIDERAÇÕES FINAIS .............................................................................................................................. 72
REFERÊNCIAS .................................................................................................................................................. 74
APÊNDICE A ...................................................................................................................................................... 82
INSTRUMENTO DE COLETA DE DADOS ............................................................................................................... 82
APÊNDICE B ...................................................................................................................................................... 84
AUTORIZAÇÃO .................................................................................................................................................. 84
APÊNDICE C ...................................................................................................................................................... 85
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO .......................................................................................... 85
13
1. 0 INTRODUÇÃO
Segundo Abrão (2001), o câncer do colo do útero ainda representa a mais freqüente
neoplasia maligna do aparelho genital feminino.
Constituindo um grave problema de saúde que atinge as mulheres em todo o mundo,
sendo os países em desenvolvimento responsáveis por aproximadamente 80% desses
casos. Infelizmente, o Brasil muito contribui para esse panorama (BRASIL, 2009).
No estado de São Paulo estudos sobre mortalidade realizado pela Fundação
Oncocentro de São Paulo, aponta que o câncer de colo uterino, apesar de apresentar
quedas nas suas taxas padronizadas de mortalidade, ainda ocupa lugares de destaque
como causas de óbitos. (BRASIL, 2009).
O acesso fácil ao colo uterino e suas características morfológicas e funcionais
permitiram desenvolver novas técnicas de interpretações da citologia oncológica;
fundamento dos programas de rastreamento de lesões tumorais iniciais ou avançadas. Os
conhecimentos adquiridos a partir dos estudos efetuados com o câncer do colo do útero, ao
longo dos anos, têm sido extrapolados a outros tumores ginecológicos e tumores de outros
órgãos (FOCCHI; RIBALTA, 1993).
O teste de papanicolaou, é um método simples e barato que indica a presença de
lesões neoplásicas ou pré-neoplásicas, e alguns processos de outra natureza (parasitas,
processos inflamatórios, etc.), com o tratamento dessas lesões conseguimos interromper,
em parte, a evolução para lesões mais graves, quebrando “a cadeia evolutiva” da doença,
numa ação preventiva. No entanto, a oferta desse tipo de exame ainda é bem menor do que
o desejado, pois nos serviços públicos de saúde, apenas 15% da população feminina acima
de 20 anos realizam o teste como preconizado. Essa cobertura é muito pequena, mesmo
levando se em conta o fato de que o percentual de mulheres se utiliza de outros serviços
que não são vinculados ao Sistema Único de Saúde (BRASIL, 2009).
14
Para prevenir o câncer a população deve ser informada, sobre os comportamentos
de riscos, os sinais de alerta e a freqüência da prevenção. Em oncologia encontra-se o
termo prevenção classificado em primário e secundário (CESTARI; ZAGO, 2005).
A prevenção primária pode ser realizada através do uso de preservativos durante a
relação sexual, uma vez que a prática de sexo seguro é uma das formas de evitar o
contágio com o HPV (vírus do papiloma humano), vírus esse que tem um papel importante
para o desenvolvimento do câncer e de suas lesões precursoras (BRASIL, 2008).
A estratégia de prevenção secundária ao câncer do colo do útero consiste no
diagnóstico precoce das lesões de colo uterino antes de se tornarem invasivas, a partir de
técnicas de rastreamento compreendidas pela colpocitologia oncológica ou teste de
Papanicolaou, colposcopia, cérvicografia e, mais recentemente, os testes de detecção de
DNA do vírus Papiloma
humano, em
esfregaços citopatológicos ou espécimes
histopatológicos. O exame colpocitológico ou teste de Papanicolaou dentre os métodos de
detecção é considerado o mais efetivo e eficiente a ser aplicado coletivamente em
programas de rastreamento do câncer cérvico-uterino, sendo uma técnica amplamente
difundida há mais de 40 anos, mesmo sem ter sido objeto de avaliação por meio de estudos
experimentais, como os ensaios clínicos aleatorizados (PINHO; IVAN JÚNIOR, 2003).
Diminuir a morbidade e a mortalidade e contribuir para o aumento da qualidade de
vida são aspectos essenciais quando se trabalha na área da saúde (BRANCO, 2005).
Sendo o enfermeiro, o elemento da equipe de saúde que mais se contacta com o
cliente, o seu papel é fundamental na promoção da saúde e na prevenção das doenças. A
sua função de acompanhamento próximo e freqüente junto das pessoas (doentes ou não)
deve privilegiar a educação em saúde, aquisição de hábitos saudáveis, as descobertas de
novas motivações e de outros fatores determinantes nos comportamentos (BRANCO, 2005).
Tendo em vista a problemática descrita, consideramos relevante o uso de pesquisas
para guiar a tomada de decisões clínicas. Essa abordagem proporciona conhecer as
preferências dos clientes, fornece provas, abrange resultado e requer aprendizado para
15
novas habilidades no uso de diferentes processos na tomada de decisões (GALVÃO;
SAWADA; ROSSI, 2002).
Nesse contexto, o presente estudo tem como objetivo verificar a percepção das
mulheres quanto à realização do exame do papanicolaou numa unidade de Estratégia de
Agente Comunitário de Saúde no Município de Bragança Paulista – SP.
16
2.0 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
2.1 Anatomia e fisiologia do útero
O útero é um órgão muscular piriforme com cerca de 7,5 cm de comprimento, 5 cm
de largura e 2,5 cm de altura. A parte superior repousa sobre a face superior da bexiga
urinária; a parte inferior está embutida no assoalho da pelve, entre a bexiga urinária e o reto.
A parte superior mais larga é chamada corpo; a parte inferior, menor é o colo. A pequena
parte arredondada, acima do nível das entradas tubárias é conhecida como fundo (COHEN;
WOOD, 2002).
A cavidade dentro do útero tem um formato um tanto semelhante a um T maiúsculo,
mas é capaz de mudar o formato e dilatar a medida que o feto se desenvolve. O colo leva à
vagina, a parte inferior do canal do parto, que se abre para o exterior do corpo. O
revestimento do útero é um epitélio especializado conhecido como endométrio, e, é esta
lamina que está envolvida na menstruação (COHEN; WOOD, 2002).
O útero recebe o blastócito que se desenvolveu de um ovócito fertilizado e
proporciona o local para sua implantação. O desenvolvimento pré-natal continua no interior
do útero até que a gestação se complete, quando então o útero desempenha um papel ativo
no parto.
Este é um órgão que possui uma cavidade desenvolvida por uma espessa
musculatura com a forma de uma pêra invertida, sua cavidade é o espaço situado no interior
das regiões do útero: fundo e corpo. O estreito canal do colo do útero se estende através do
colo e se abre no lume da vagina. A junção da cavidade do útero com o canal do colo do
útero é chamada de istmo do útero, e a abertura do canal do colo do útero é chamada de
óstio do útero (VAN; KENT, 2003).
Os ligamentos largos sustentam o útero, estendendo-se de cada lado do órgão até a
parede lateral do corpo. Junto com o útero, estas duas partes do peritônio formam uma
divisão que separa a pelve feminina em áreas anterior e posterior (GUYTON; HALL, 2002).
17
Associado à produção cíclica mensal de estrogênios e progesterona pelos ovários
existe um cíclico endometrial do revestimento do útero, que atua através dos seguintes
estágios: primeiro, proliferação do endométrio uterino; seguindo desenvolvimentos de
alterações secretoras no endométrio; e terceiro, descamação do endométrio conhecida
como menstruação. Se o óvulo não tiver sido fertilizado cerca de dois dias antes do final do
ciclo menstrual, o corpo lúteo, no ovário involui subitamente, e os hormônios ovarianos,
estrogênios e progesterona, diminuem para níveis mais baixos (GUYTON; HALL, 2002).
Durante a menstruação normal, ocorre a perda de cerca de 40 mililitros de sangue e
35 mililitros de liquido seroso. O liquido normal normalmente não coagula, devido a liberação
de fibrinolisina, juntamente com material necrótico endometrial. Se ocorrer sangramento
excessivo da superfície uterina, a quantidade de fibrinolisina pode não ser suficiente para
impedir a coagulação. A presença de coágulos durante a menstruação constitui
freqüentemente, e vidência clínica de patologia uterina (GUYTON; HALL, 2002).
Sangramento uterino anormal inclui fluxo menstrual excessivo, menstruação muito
freqüente e sangramento não menstrual. Quaisquer destes podem causar anemias graves e
merecem atenção médica cuidadosa. O sangramento não menstrual pode ser uma
indicação de um tumor, possivelmente câncer (COHEN; WOOD, 2002).
2.2 Tumores Benignos e Malignos do Trato Genital Feminino
O termo câncer não implica um estado estático, o início do qual pode ser postulado
ao tempo em que finalmente o patologista vê na lamina células invadindo o estroma. A
doença é na realidade um processo cinético (carcinogênese). Cuja iniciação começou há
muitos anos antes, desregulando uma função gênica (BRENTANI, 2001).
Neoplasia maligna pode ser definida como acúmulo anormal de células de um tipo
específico que pode levar ao impedimento fatal da função dos órgãos ou tecidos afetados. O
acúmulo anormal de células pode advir ou de uma proliferação aumentada ou da ausência
de perda de células de um determinado compartimento. Esta última situação pode ser uma
18
conseqüência tanto de uma falha na diferenciação celular como de erros nos mecanismos
que iniciam a morte celular programada (apoptose) (BRENTANI, 2001).
Evidências crescentes sugerem que o câncer é uma doença genética de células
somáticas, sendo necessárias pelo menos duas mutações para o desenvolvimento da
neoplasia. As mudanças genéticas aventadas incluem mutação ou super expressão de
protooncogênse (envolvidos na estimulação do crescimento) e perda ou mutação de genes
supressores responsáveis pelo controle do crescimento celular. A identificação dos genes
envolvidos na transformação é auxiliada pela identificação ou estudo de anormalidades
cromossômicas. Particularmente perda de heterozigose entre genes de cromossomas
pareados pode indicar deleção de gene supressor (BRENTANI, 2001).
No entanto, o câncer não é identificado clinicamente por mudanças em velocidades
de crescimento mas pela invasão e perda da arquitetura celular. Uma das características do
tumor, também é a independência da adesão à matriz extracelular (perda de ancoragem).
Vários genes supressores codificam proteínas envolvidas com a matriz extracelular. Perda
de adesão e da arquitetura celular não são conseqüências imediatas da desregulação do
crescimento em virtude da ativação de oncogênese ou perda de genes supressores.
Tumores benignos apresentando crescimento rápido são bem conhecidos.
Mudanças genéticas que leva a ativação irreversível das vias regulatórias do crescimento
são premissas para mutações subseqüentes em genes envolvidos em adesão ou estrutura
do cito esqueleto ou aumento da produção de proteases. Na ausência da mutação inicial
das vias regulatórias de crescimento, perda da adesão em apoptose ou morte celular.
Similarmente expressão aumentada de proteases que degradam a matriz em tecidos
normais induz regressão e apoptose, mas em células cancerosas aumenta a invasão e
metástase (BRENTANI, 2001).
Fibróides, que são mais corretamente chamados miomas são tumores comuns do
útero. Estudos indicam que cerca de 50 % das mulheres que alcançam a idade de 50 anos
tem um ou mais destes tumores nas paredes do útero. Freqüentemente esses tumores são
pequenos e normalmente permanecem benignos e não produzem sintomas. Desenvolvem
19
entre a puberdade e a menopausa e comumente pára de crescer após a mulher ter
alcançado a idade de 50 anos. Em alguns casos, esses tumores interferem com a gravidez
e em uma paciente com mais de 40 anos de idade, um cirurgião simplesmente pode
remover o tumor e deixar o útero completamente intacto. Gravidezes normais têm ocorrido
após tal cirurgia. Os miomas podem se tornar tão grandes que a pressão nas estruturas
adjacentes causa distúrbios graves. Em alguns casos, a invasão de vasos sanguíneos
próximos da cavidade do útero causa hemorragias graves. Por estas e outras razões, pode
ser necessário remover todo o útero ou parte dele. A remoção cirúrgica do útero é chamada
histerectomia (COHEN; WOOD, 2002).
O câncer mais comum do trato genital feminino é o câncer do endométrio (o
revestimento do útero). Este tipo de câncer, normalmente afeta as mulheres antes ou após a
menopausa. É observado em mulheres que tiveram poucas gravidezes, sangramento
anormal ou ciclos nos quais a ovulação não ocorreu. Os sintomas incluem uma descarga
anormal ou sangramento irregular: os métodos comuns de tratamento incluem cirurgia e
irradiação. O tratamento agressivo precoce deste câncer; como de todos os cânceres,
podem salvar a vida da paciente (COHEN; WOOD, 2002).
O câncer de colo, o terceiro tipo de câncer mais comum do trato genital feminino, é
mais freqüente em mulheres de 30 a 50 anos de idade. O exame apropriado permite a
descoberta e o tratamento de muitos casos. Embora nenhuma causa específica, tenham
sido identificadas, as estatísticas indicam que o risco de desenvolvimento de câncer de colo
é acentuadamente aumentado por fatores como a primeira relação sexual em idade
precoce, muitos parceiros sexuais e infecção, por meios de herpes ou um vírus que cause
verrugas genitais (COHEN; WOOD, 2002).
A distribuição da incidência e da mortalidade por câncer nas mulheres é de
fundamental importância para o conhecimento epidemiológico deste agravo, desde os
aspectos etiológicos até os fatores prognósticos envolvidos em cada tipo específico de
neoplasia maligna. O estabelecimento de medidas efetivas de controle é feito com base em
informações sobre a ocorrência dos tumores malignos nas diferentes regiões geográficas.
20
Dentro deste contexto, o cálculo das estimativas de casos novos oferece uma excelente
base para o planejamento e aprimoramento das ações que visam à prevenção e atenção em
todos os níveis (BRASIL, 2006).
Segundo dados do Departamento de Informação e Informática do SUS o coeficiente
de mortalidade por neoplasia maligna do colo do útero no município de Bragança Paulista
em 2005 foi de 8,4 / 100 mil mulheres.
Em 2006, no Brasil, foram registrados aproximadamente 237.480 casos novos de
câncer (todos os tipos de localização) para o sexo feminino. Estima-se que entre os tumores
mais incidentes neste grupo populacional, exceto os tumores de pele não melanoma (61.160
mil casos novos), destacam-se mama, colo do útero, cólon e reto e pulmão (BRASIL, 2006).
A incidência dos casos ocorre de forma heterogênea nas unidades da federação e
capitais do país, observando-se uma grande variação regional na distribuição das taxas
brutas de incidência de câncer; seja de uma forma geral ou por localização primária. Tais
taxas são maiores nas regiões Sul e Sudeste, passando pela região Centro-Oeste, as
menores concentram-se nas regiões Nordeste e Norte, com raras exceções (BRASIL, 2006).
Entre as mulheres, com relação ao câncer do colo do útero, registra-se uma discreta
diminuição da mortalidade por essa causa entre 1979 e 1999, de 0,61%, apesar de ser uma
doença de fácil diagnóstico, com tecnologia simplificada e de tratamento acessível. O
número de casos novos de câncer do colo do útero para o Brasil em 2006 é de 19.260, com
um risco estimado de 20 casos a cada 100 mil mulheres (BRASIL, 2006).
Para o Brasil estima-se em 2010 o número de casos novos seja de 18.430, com um
risco estimado de 18 casos a cada 100 mil mulheres (INCA, 2009).
Segundo o INCA (2009) sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer
do colo do útero é o mais incidente na região Norte (23/100.000). Nas regiões, Centro-Oeste
(20/100.000) e Nordeste (18/100.000), ocupa a segunda posição mais freqüente e nas
regiões Sul (21/100.000) e na região Sudeste é o terceiro mais freqüente (16/100.000).
21
2.3 Fatores de Risco
São considerados fatores de risco de câncer do colo do útero a multiplicidade de
parceiros e a história de infecções sexualmente transmitidas (da mulher e de seu parceiro);
a idade precoce na primeira relação sexual e a multiparidade. Além desses fatores, estudos
epidemiológicos sugerem outros, cujo papel ainda não é conclusivo, tais como tabagismo,
alimentação pobre em alguns micronutrientes, principalmente vitamina C, beta caroteno e
folato, e o uso de anticoncepcionais (BRASIL, 2002).
Atualmente, a teoria mais aceita para a explicação do aparecimento do câncer do
colo do útero repousa na transmissão sexual. Desde 1992, a Organização Mundial de
Saúde (OMS) considera que a persistência da infecção pelo Vírus do Papiloma Humano
(HPV) em altas cargas virais representa o principal fator de risco para o desenvolvimento da
doença. Sabe-se também que a infecção pelo HPV é essencial, mas não suficiente para a
evolução do câncer. Além da tipagem e da carga viral do HPV, adquire importância a
associação com outros fatores de risco que atuam como co-fatores, tais como a paridade
elevada, o início precoce da atividade sexual e o número de parceiros sexuais. Em relação
ao herpes vírus, alguns estudos de caso controle com sorologia têm demonstrado a
presença do DNA viral em lesões pré-cancerosas ou cancerosas, porém, esta presença é
considerada como um marcador de atividade sexual, e não agente ativo da carcinogênese
(BRASIL, 2002).
A análise da associação, se é que existe, entre o uso de contraceptivos orais e o
risco de câncer invasivo do colo do útero é feita com dificuldades. Os contraceptivos orais
são usados por mulheres sexualmente ativas e que, em menor probabilidade, usam
métodos de barreira, sendo por isto mais expostas ao risco de contrair HPV. Em
compensação, essas mulheres comparecem mais ao ginecologista, tendo maior
possibilidade de serem rastreadas para o câncer do colo do útero (BRASIL, 2002).
Em situações de imunossupressão, tais como no tabagismo, corticoterapia, Diabetes,
Lúpus e AIDS, a incidência do câncer do colo do útero está aumentada. Isto também ocorre
22
em situações onde há ingestão deficiente de vitamina A e C, beta-caroteno e ácido fólico,
comumente associado com baixas condições socioeconômicas (BRASIL, 2002).
2.4 Sinais e Sintomas
O câncer do colo do útero é uma doença de crescimento lento e silencioso. Existe
uma fase pré clínica, sem sintomas, com transformações intra-epiteliais progressivas
importantes, em que a detecção de possíveis lesões precursoras é por meio da realização
periódica do exame preventivo do colo do útero. Antes de atingir o estágio invasor da
doença, quando a cura se torna mais difícil, senão impossível. Nessa fase os principais
sintomas são sangramento após relação sexual, dor pélvica e secreção vaginal de odor
fétido (BRASIL, 2002).
2.5 Prevenção
A principal estratégia a ser utilizada é a adoção do sexo seguro por meio do estímulo
do uso de preservativo (BRASIL, 2002).
2.6 Detecção Precoce do Câncer do Útero
A principal estratégia utilizada para detecção precoce dessa doença no Brasil, é
através do rastreamento, que significa realizar o exame preventivo (Papanicolaou) em
mulheres sem os sintomas da doença, com o objetivo de identificar aquelas que possam
apresentar a doença em fase muito inicial, quando o tratamento pode ser mais eficaz. O
exame preventivo (Papanicolaou) é dirigido a mulheres de 25 a 59 anos que devem
submeter-se ao exame periodicamente (BRASIL, 2008).
A periodicidade preconizada para a realização desse exame é, inicialmente, 1 exame
por ano. No caso de 2 exames normais seguidos, (com intervalo de 1 ano entre eles), o
exame deverá ser feito a cada 3 anos. Em caso de exames com resultados alterados a
mulher deve seguir as orientações fornecidas pelo médico que a acompanha (BRASIL,
2008).
23
O exame Papanicolaou pode ser realizado em postos ou unidades de saúde,
próximos a residência da mulher, que tenham profissionais de saúde treinados para essa
finalidade. O ministério da saúde lançou o programa Viva Mulher que introduziu a Cirurgia
de Alta Freqüência (CAF) nas unidades secundárias de saúde, com a capacitação de 244
pólos para este tipo de tratamento. Foi implantado, em nível nacional, o SISCOLO - Sistema
de Informação de Controle do Colo do Útero -, uma base de dados capaz de fornecer
subsídios para a avaliação e planejamento do Programa (BRASIL, 2008).
2.7 Programas de Prevenção
Viva mulher: Criado em 1997 pelo Ministério da Saúde, o Programa tem como
objetivo reduzir a mortalidade e as conseqüências psicossociais que o câncer de colo de
útero pode causar às mulheres brasileiras. Hoje, todas as 27 unidades da federação já
possuem o programa. Nos últimos três anos foram aplicados R$ 135,3 milhões em ações do
Programa
Viva
Mulher
pelo
país
(que
incluem
coleta,
exames
citopatológicos,
anatomopatológicos de colo uterino e cirurgia de alta freqüência). Nesse período, foram
realizados 23 milhões de exames de Papanicolaou pela rede pública de saúde (BRASIL,
2009).
2.8 Tratamento
Segundo Guimarães (2004), antes de qualquer tratamento (destruição ou ablação), é
preciso estabelecer uma correlação entre a citologia e a biópsia dirigida pela colposcopia,
com a finalidade de excluir com segurança a presença de carcinoma invasor, entre os
tratamentos encontram-se:
Cauterização: procedimento realizado através de nitrogênio líquido, nitrato de prata,
eletro cautério ou ácido acético;
Conização: A terapêutica adequada para as lesões de alto grau depende de vários
fatores, entre eles: idade, desejo de manter a fertilidade e condição clínica. Estas lesões
devem ser tratadas pela conização. A técnica de conização assim como o volume de tecido
24
removido depende da extensão da lesão no canal endocervical. Quando a paciente é jovem
a junção escamo colunar geralmente é ectocervical e o cone pode ter menor altura,
preservando-se o orifício interno do colo, evitando-se o risco de incompetência istmocervical. A remoção de toda extensão do canal endocervical é inevitável quando não se
localizou a lesão para biópsia.
Histerectomia abdominal ou vaginal: É aceita como tratamento para as pacientes
com prole formada e indicada para os casos em que o cone apresenta margens
comprometidas também em pacientes com prole formada.
Histerectomia Radical: Operação onde a cérvice, o útero e parte da vagina são
removidos, juntamente com os linfonodos da área;
Radioterapia: Para pacientes consideradas inoperáveis por doenças associadas,
radioterapia é a alternativa.
Braquiterapia: Corresponde ao tipo de radioterapia na qual os materiais radioativos
são implantados nas proximidades do tumor: as doses de radiação são liberadas nas
imediações das células tumorais tentando preservar as células sadias. Como os implantes
radioativos são mantidos no organismo por alguns dias, o tratamento é realizado sob
internação hospitalar em quartos especiais, longe de crianças e gestantes. Existe um outro
tipo de braquiterapia, chamada de "alta taxa de dose", cujo implante radioativo permanece
no organismo da paciente por um curto espaço de tempo, sem que haja necessidade de
hospitalização durante este período.
Quimioterapia: era empregada apenas como conduta paliativa sobretudo nos
tumores recidivantes não passiveis de tratamento cirúrgico ou radioterápico, ou casos da
doença já em fazes metastática, ou como indicação pós tratamento cirúrgico e ou
radioterápico. Hoje a quimioterapia deixou de ser considerada apenas como um último
recurso paliativo, mas passou a ser vista também como um instrumento para ser utilizado
antes de qualquer tratamento cirúrgico e ou radioterápico e neoplasias localmente
avançadas.
25
Durante a gravidez não está indicado tratamento para lesões pré-invasoras do colo.
No entanto, a paciente deve ser acompanhada com exames trimestrais (citologia,
colposcopia e eventualmente nova biópsia) para se detectar a evolução para lesão invasora
(GUIMARÃES, 2004).
26
3.0 JUSTIFICATIVA
No Brasil, existem cerca de seis milhões de mulheres entre 35 a 49 anos que nunca
realizaram o exame citopatológico do colo do útero (Papanicolaou), faixa etária onde mais
ocorrem casos positivos de câncer do colo do útero. As conseqüências são milhares de
novas vítimas a cada ano. Mulheres que, se tivessem tratado a doença a tempo, poderiam
estar vivendo hoje uma vida normal (BRASIL, 2002).
Após o levantamento das informações concluiu-se que todos os esforços realizados
na tentativa de prevenir o câncer de colo de útero, as ações em prevenção tem se mostrado
ineficaz no que diz respeito ao número de coletas do citopatológico, o aumento da
morbidade pela doença e principalmente a educação em saúde, onde o controle do câncer
depende essencialmente de ações nas áreas de promoção, proteção específica e
diagnóstico precoce.
Verifica-se então, a importância do papel do enfermeiro disponibilizando essas ações
na estratégia de agente comunitário de saúde. E de se conhecer a percepção das mulheres
quanto à realização do exame, suas dúvidas e inseguranças, e porque as mesmas deixam
de realizá-lo.
27
4.0 OBJETIVOS
4.1 Objetivo Geral
Identificar a percepção das mulheres quanto à realização do exame do papanicolaou
numa Unidade da Estratégia de Agente Comunitário de Saúde.
4.2 Objetivos Específicos
1. Caracterizar o perfil da clientela que realiza o exame citopatológico do colo do útero
(Papanicolaou);
2. Conhecer a história obstétrica e ginecológica;
3. Conhecer os fatores de risco da população estudada;
4. Identificar o último exame realizado e o seu resultado;
5. Identificar o conhecimento das mulheres quanto à importância do exame
citopatológico do colo de útero (papanicolaou);
6. Enfatizar o papel do enfermeiro no desenvolvimento de ações educativas e de
conscientização quanto à prevenção do câncer de colo de útero.
28
5.0 METODOLOGIA
5.1 Tipo de Estudo
Trata-se de um estudo descritivo, exploratório, de campo, com abordagem
quantitativa.
5.2 Campo de Estudo
O EACS é uma unidade com médicos, clínico de adultos, ginecologista, pediatras
outros especialistas com território definido, e com cobertura de Agente Comunitário de
Saúde, população cadastrada, atendimento domiciliar e vigilância à saúde em domicílio.
Em Setembro de 2003 foi cadastrado no Sistema de Estabelecimentos de Saúde a
Unidade da Estratégia de Agente Comunitário de Saúde do Bairro Planejada II. Totalizando
4 Unidades juntamente com as do bairro do Pedro Megalle, Toró e São Lourenço.
No município de Bragança Paulista no ano de 2006 foram registrados 13,3% de
população coberta pela Estratégia de Agente Comunitário de Saúde.
Esta pesquisa será realizada na unidade de Estratégia de Agente Comunitário de
Saúde (EACS), localizada na Rua Agostinho Rosa 240 Planejada II – CEP -12922820, no
Município de Bragança Paulista, São Paulo. Unidade que presta atendimento de demanda
espontânea e referenciada.
5.3 População do Estudo
A população será composta por usuárias cadastradas e que se submetem a coleta
de papanicolaou no EACS Planejada II.
Segundo dados do SIAB (2010), o total de mulheres cadastradas no EACS
Planejada II é de 2,375, sendo que de 15 a 19 anos : 283 mulheres, de 20 a 39 anos : 1149
mulheres, de 40 a 49 anos : 379 mulheres, de 50 a 59 anos 278 e > 60 anos 286 mulheres;
tendo em vista que, serão entrevistadas 100 mulheres para fazer parte do estudo, de acordo
com os critérios de inclusão e exclusão.
29
5.4 Critério de Inclusão / Exclusão
Inclusão:

Usuárias maiores de 18 anos que realizaram a coleta do exame Papanicolaou, e
que concordaram
em
participar
da
pesquisa
assinando
o Termo
de
Consentimento Livre e Esclarecido –TCLE.
Exclusão:

Usuárias menores de 18 anos, que não realizaram a coleta do exame
Papanicolaou, e que não concordaram em participar da pesquisa assinando o
Termo de Consentimento Livre e Esclarecido –TCLE.
5.5 Fonte dos Dados
Para a coleta de dados serão utilizado duas fontes: um formulário (Apêndice A), será
aplicado á usuária, composto por questões abertas e fechadas, e abordando características,
conhecimento e percepção sobre o exame que será explicado as mulheres, e dados
retirados do prontuário de cada mulher entrevistada.
5.6 Procedimentos
5.6.1 Procedimentos Ético-Legal

O projeto de pesquisa será submetido à aprovação do Comitê de Ética em
Pesquisa da Universidade São Francisco.

Será enviada uma carta para a Secretária de Saúde do Município de Bragança
Paulista (Apêndice B), solicitando autorização para a coleta de dados.

Será apresentado um Termo de Consentimento à população envolvida neste
estudo (Apêndice C).

Somente participarão deste estudo as pacientes que estiverem de acordo com o
Termo de Consentimento.
30
5.6.2 Procedimento de Coleta de Dados
Após autorização da Secretária de Saúde do Município de Bragança Paulista e
aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa, os dados serão coletados, pelos próprios
autores da pesquisa, nos meses de Junho, Julho e Agosto de 2010. Será agendada uma
visita com o enfermeiro que atua no EACS Planejada II com a finalidade de apresentar os
objetivos da pesquisa e obter informações á respeito da população em estudo.
Primeiramente, serão determinadas as mulheres a participar da pesquisa através da
amostragem aleatória. Após, serão realizadas análise dos prontuários e visitas domiciliares
juntamente com os agentes comunitários de saúde, onde serão explicados os termos do
consentimento livre e esclarecido. Após as mesmas serão orientadas a preencher o
formulário.
Este estudo, embora realizado com seres humanos, não acarretará risco conhecido à
saúde física e mental dos mesmos, visto que não será utilizada nenhuma forma de
intervenção, a não ser a aplicação de um questionário.
Será assegurada à participante da pesquisa a manutenção do sigilo da informação
prestada. Todos os instrumentos de coleta de dados ficarão arquivados e sob
responsabilidade do pesquisador (a).
Serão cumpridos os termos da Resolução 196 (10/10/1996), do Conselho Nacional
de Saúde (BRASIL, 1996).
5.6.3 Procedimentos de Análise dos Dados
Serão realizados a analise descritiva dos dados, os mesmos serão apresentados e
após discutidos.
6.0 ORÇAMENTO
Todos os custos da pesquisa serão subsidiados pelos pesquisadores, não incorrendo
qualquer ônus à instituição e ao campo de pesquisa.
31
7.0 CRONOGRAMA
Atividades
Fev
2010
Levantamento
Bibliográfico
x
Elaboração do
projeto
x
Solicitação de
aprovação ao
Comitê de
Ética
Coleta de
dados
Tabulação dos
dados
Discussão dos
dados
Mar
2010
Abr
2010
X
x
Mai
2010
Jun
2010
Jul
2010
Ago
2010
x
x
x
Set
2010
Out
2010
Nov
2010
X
x
X
x
Conclusões
X
Revisão
X
Elaboração
do Pôster
X
Apresentação
do trabalho
Dez
2010
x
32
8.0 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Quadro 1 - Distribuição das mulheres de acordo com o seu perfil sócio demográfico na
EACS Planejada II. Bragança Paulista, 2010.
Idade em anos
18 a 20
21 a 29
30 a 59
≥60
Total
Profissão
Do lar
Aposentada
Balconista
Doméstica
Costureira
Desempregada
Vendedora
Outras
Total
Estado Civil
Casada
Solteira
Viúva
Divorciada
União Consensual
Total
Escolaridade
Ensino Fundamental Completo
Ensino Fundamental Incompleto
Ensino Médio Completo
Ensino Médio Incompleto
Ensino Superior Completo
Ensino Superior Incompleto
Total
N
3
27
54
16
100
N
53
4
4
4
4
3
3
25
100
N
54
14
9
7
16
100
N
10
53
26
7
4
00
100
%
3,0
27,0
54,0
16,0
100,0
%
53,0
4,0
4,0
4,0
4,0
3,0
3,0
25,0
100,0
%
54,0
14,0
9,0
7,0
16,0
100,0
%
10,0
53,0
26,0
7,0
4,0
0,0
100,0
No quadro acima, se observa que as mulheres com faixa etária com maior
distribuição abrangem dos 30 aos 59 anos (54,0%), seguidas pelas com idade entre 21 a 29
anos (27,0%). Como profissão 53,0% referiram serem do lar. Das mulheres entrevistadas,
quanto ao estado civil, 54,0% eram casadas, 14,0% solteiras e 16,0% em união consensual.
Analisando as características sócios demográficas, observou-se uma associação do
grau de escolaridade com conhecimentos, atitudes e práticas frente ao exame. Mais da
33
metade, 53,0%, possui o Ensino Fundamental Incompleto e 26,0% com Ensino Médio
Completo.
Estudo realizado por Oliveira et al. (2006), em São Luís, Maranhão, revelou que
mulheres com menor escolaridade (5 a 8 anos de estudo), tiveram menores percentuais de
realização do preventivo na análise não ajustada. Como a baixa escolaridade é um fator de
risco para o câncer uterino, exatamente as mulheres de maior risco foram às menos
atingidas pelo preventivo.
Ainda sobre o baixo nível sócio econômico, podemos ressaltar que este se encontra
diretamente relacionado à predominância do câncer do colo do útero.
De acordo com estudo realizado em Pelotas – RS foi constatado que o exame do
papanicolaou é menos realizado por mulheres mais jovens e de maior idade, de cor da pele
mulata ou preta, de baixo nível socioeconômico, pouca escolaridade, sem companheiro e
que não consultaram com ginecologista no último ano (HACKENHAAR; CESAR;
DOMINGUES, 2006).
Em trabalho realizado no ambulatório de patologia cervical do HMLMB, houve uma
diferença significativa entre as mulheres com neoplasia invasora comparadas com aquelas
portadoras de NIC, em relação à idade e trabalho. Observou-se maior porcentagem de
mulheres com 40 anos de idade ou mais (85%) e que não trabalhavam fora de casa (81%),
entre aquelas com neoplasia invasora; aquelas que tinham entre 20 e 39 anos
corresponderam a 57 com neoplasia não invasora e 15 com invasora (BRENNA, 1996).
34
No gráfico acima podemos notar que 68% das mulheres iniciaram a atividade sexual
entre 16 a 21 anos, 8% com idade igual ou maior que 22 anos.
O início precoce da relação sexual é um fator de risco para o câncer do colo de
útero, concluindo então que uma parte das mulheres entrevistadas encontra-se dentro
desse grupo de risco, já que 23% relataram terem iniciado atividade sexual com menos de
15 anos. Sendo que essa neoplasia pode ocorrer em mulheres jovens que iniciam atividade
sexual na adolescência e tendem por não apresentarem parceiros fixos constituir um fator
de risco de aumento na predisposição para o desenvolvimento dessa patologia pela
multiplicidade de parceiros sexuais. Muito embora sua incidência maior seja entre os 35 a 49
anos de idade e lesões mais graves podem ser encontradas também nas faixas entre 35 a
55 anos (OLIVEIRA et al., 2006).
No estudo realizado em São Luís no Maranhão (OLIVEIRA et al., 2006), 283
mulheres iniciaram a atividade sexual com idade menor que 20 anos. Já em Maringá – PR,
observou – se que a idade de média de coitarca das mulheres que realizam serviços gerais
na Universidade Estadual de Maringá foi de 20,9 anos (SUZUKI et al., 2003).
No Brasil, a idade mediana de início da vida sexual passou de 16,7 em 1986 para
16,4 entre as meninas de 15 a 24 anos. A idade mediana de iniciação sexual entre os
meninos desta mesma faixa etária foi de 15,3 em 1996 (BEMFAM, 1999).
35
Para Nascimento et al. (2005), a primeira relação sexual ocorre mais precocemente
que nas gerações anteriores, independente do estrato social. Ainda segundo Borges (2005),
esta tendência é, porém, mais notável entre as mulheres que têm se iniciado, sexualmente,
tão cedo quanto os homens, (em média aos 15,3 anos). No estudo de Nascimento et al.
(2005) se colocando no ranking dos mais importantes fatores de risco para a neoplasia
cervical, a sexarca foi analisada e confirmada a tendência à antecipação. No grupo
Adolescente (idade média de 17,4 anos) a sexarca ocorreu em média aos 15,0 anos e no
grupo Adulto (idade média 22 anos) em média aos 16,6 anos. Conforme o supracitado há
que se considerarem as implicações desta antecipação para a saúde sexual e reprodutiva
das mulheres desta região, visto que a composição dos grupos estudados se deu em
estratos definidos por faixa etária, mas provenientes da mesma população e representativos
de gerações imediatamente subseqüentes, que interessam adolescentes e mulheres que
completaram recentemente o período da adolescência com características bastante
semelhantes.
O estudo do CEBRAP realizado para o Ministério da Saúde aponta que em 1984 era
de 35,2% a percentagem de homens jovens de 16 a 19 anos que relatavam ter iniciado a
vida sexual antes dos 15 anos, esse percentual cresceu para 46,7% em 1998. Entre as
meninas esse percentual passou de 13,6 para 32,3. Para os homens a media foi de 14,5
para 16,4 anos e para as mulheres de 15,2 para 20,6 anos neste mesmo período (BERQUÓ
et al., 2000). Esse comportamento não seria preocupante se não fosse o baixo índice de uso
de métodos eficazes de prevenção das DST/AIDS e da gravidez não planejada na
adolescência.
Neste mesmo estudo encontramos os seguintes resultados sobre
comportamentos de risco de adolescentes brasileiros: entre os jovens de 16 a 19 anos, 61%
informaram já ter tido relações sexuais, 48% fizeram uso de preservativos na primeira
relação sexual, sendo que este percentual é maior conforme o estrato socioeconômico e o
nível de escolaridade. Entre os jovens de 16 a 25 anos sexualmente ativos nos últimos 12
meses, o uso de preservativos foi de 52,8% entre os do sexo masculino e 35,4% entre os do
sexo feminino (BERQUÓ et al., 2000).
36
O gráfico acima nos indica a porcentagem das mulheres que fazem ou não uso de
preservativo, das 100 mulheres entrevistadas 80% não usam preservativo durante as
relações sexuais e apenas 20% dispõe dessa proteção.
A partir dos dados apresentados podemos inferir que nessa população do estudo o
uso do preservativo não é a principal opção de método contraceptivo ou medida preventiva
de DST’s.
O inquérito domiciliar realizado em São Luis, no Maranhão (OLIVEIRA et al., 2006)
onde foram entrevistadas 465 mulheres, delineou que dessas 175 disseram fazerem uso de
preservativo, enquanto que 290 não fazem uso.
Fazendo um comparativo ficou claro que ambas as mulheres, tem total
desconhecimento sobre as DST’s, já que em pluralidade não se previnem adequadamente,
um dado alarmante já que a principal estratégia para a prevenção primária da doença é o
uso de preventivo (masculino ou feminino) durante as relações sexuais.
Pesquisa realizada com 116 de mulheres trabalhadoras de um Shopping Atacadista
de Confecções, localizado na cidade de Cianorte no Paraná (DOMINGOS et al., 2008),
chama atenção, pois apenas 9,5% relataram fazer uso de camisinha como método
contraceptivo ou para a prevenção de DST’s.
37
Ainda sobre o uso do preservativo o Quadro abaixo nos mostra os motivos para o
seu desuso:
Quadro 2 : Motivos para não utilização do preservativo nas relações sexuais no
EACS Planejada II. Bragança Paulista, 2010.
Motivos para não utilizar
N
%
Não tem mais relação sexual
Confia no marido
Não tem outro parceiro além do marido
Usa ACO*/ Uso de anticoncepcional injetável
Fez laqueadura/ O marido fez vasectomia
Não tem marido
O marido não gosta e confia no parceiro / O marido não gosta
Não refere / Por que não
Não tem mais menstruação
Não acha necessário / Não acha que é necessário e é laqueada
Não gosta de usar
Nunca precisou
Parceiro não tem dinheiro para comprar
Pretende ter filhos
Não tem necessidade é evangélica
Total
14
11
10
08
07
06
06
04
04
03
03
01
01
01
01
80
11,2
8,8
8,0
6,4
5,6
4,8
4,8
3,2
3,2
2,4
2,4
0,8
0,8
0,8
0,8
64,0
*ACO: Anticoncepcional oral.
Não ter mais relação sexual (11,2%), confiar no marido (8,8%), e não ter outro
parceiro além do marido (8,0%) são as justificativas mais freqüentes para que as mulheres
não façam uso do preservativo durante as relações sexuais.
Estudo realizado em Fortaleza – CE, por Queiroz; Pessoa e Souza (2005) aponta
como motivos para a não-adesão a camisinha: falta de informação, não acreditar na
contaminação de DST’s, diminuição da auto-estima, descaso com o auto cuidado, falta de
autonomia, vergonha, medo de se expor a situação embaraçosa.
Aquelas que responderam que não usam preservativo, pois fazem uso de ACO ou
injetável foi bastante significativo (6,4%). No estudo realizado em Maringá (SUZUKI et al.,
2003) as mulheres que usam ACO totalizaram 26,1% da amostra estudada (n=88). Segundo
o Inca (2002) em relação à associação do uso de contraceptivos orais e o risco de câncer
invasivo do colo do útero, esta é feita com dificuldades. Os contraceptivos orais em sua
38
maioria, são utilizados por mulheres sexualmente ativas e que, em menor probabilidade,
usam métodos de barreira, sendo por isso mais expostas ao risco de contrair HPV. Porém,
essas mulheres apresentam maior freqüência ao ginecologista, tendo assim maior
probabilidade de serem rastreadas para o câncer cérvico-uterino.
Em estudo retrospectivo de 54.985 citologias de colo uterino que analisou dentre
outros fatores o uso do contraceptivo oral por adolescentes com infecção pelo HPV, foram
identificadas 6.498 mulheres nesta faixa etária, e 326 delas apresentaram alterações
compatíveis com a infecção viral, associada ou não a NIC 1; 40 casos de NIC 2, e sete
casos de NIC 3. O percentual de adolescentes do grupo com infecção pelo HPV usuárias de
contraceptivo oral (16,9%) foi mais elevado quando comparado ao grupo controle sem
infecção pelo HPV (13,8%) (MURTA et al., 2001).
Tabela 1: Porcentagem de mulheres que tiveram ou não mais de um parceiro na EACS
Planejada II. Bragança Paulista, 2010.
Tem ou já teve mais de um parceiro
N
%
Sim
Não
46
54
46,0
54,0
Total
100
100,0
O gráfico acima comprova que das mulheres entrevistadas, 54% responderam que
sim, tiveram mais de um parceiro, 46% referiram que não tem ou não tiveram mais que um
parceiro.
É indiscutível a relevância da associação do número de parceiros sexuais com a
neoplasia cervical.
A multiplicidade de parceiros sexual durante a vida e a promiscuidade do parceiro
sexual são fatores de risco importantes para infecção por HPV e de outras alterações
genitais, tendo em vista que as mulheres com tais práticas tendem a se contaminarem mais
facilmente com as DST’s, inclusive com o HIV, fato este que pode favorecer o
desenvolvimento do câncer de colo de útero. A literatura relata, ainda, que parceiros sexuais
de mulheres com câncer cervical tiveram várias infecções genitais, incluindo verrugas e
câncer de pênis. E que a multiplicidade de parceiros sexuais tem sido relacionada com um
39
risco crescente para a aquisição do HPV, sendo o número excedente a cinco parceiros
sexuais um fator de risco para o desenvolvimento do câncer de colo, mesmo quando a
mulher não é portadora de HPV. (SILVA ET AL., 2005, BORGES ET AL., 2004).
Tendo em vista o resultado obtido em Cianorte – PR o elevado percentual de
mulheres com companheiros e a realização do exame citopatólogico, podemos considerar
que a população de mulheres estudadas está menos vulnerável ao câncer de colo uterino, o
que pode ser confirmado com o estudo em Rio Branco – AC por Leal et al. (2003), no qual
as mulheres que tiveram um único parceiro apresentaram freqüência inferior de lesões,
quando comparadas com as que tiveram dois ou mais parceiros, dado confirmado também
em Londrina – PR no estudo sobre a cobertura e os fatores associados à não-realização do
Papanicolaou no qual o número de parceiros foi maior (de dois a três parceiros) no grupo
que apresentava casos confirmados de câncer (SILVA et al., 2006).
Tabela 2: Total de mulheres que tiveram ou não parceiros com DST’s na EACS Planejada
II. Bragança Paulista, 2010.
Parceiros com DST's*
N
%
Não
Sim
91
09
91,0
9,0
Total
100
100,0
*DST’s: Doenças sexualmente transmissíveis.
Segundo podemos verificar na Tabela 2, 91,0% das mulheres entrevistadas referiram
não terem parceiros com DST’s
As Doenças Sexualmente Transmitidas (DST’s) são doenças infecciosas que podem
ser disseminadas através do contato sexual. Algumas podem também ser transmitidas por
vias não sexuais, porém as formas não-sexuais de transmissão são menos freqüentes.
Estão entre as cinco principais causas de procura dos serviços de saúde e podem provocar
sérias complicações, tais como infertilidade, abortamento espontâneo, malformações
congênitas e até a morte, se não tratadas. Além disso, aumentam a chance, em pelo menos
dez vezes, de contaminação pelo Human Immunodefciency Virus (HIV). São doenças de
difícil detecção, uma vez que acarretam poucos sintomas visíveis e, muitas vezes,
apresentam-se de forma assintomática, (DAMASCENO et al, 2009).
40
Foi realizado um estudo no CAISM, em Campinas, (GUIDI, 1997) com os parceiros
das mulheres infectadas pelo HPV e de acordo com a análise realizada, constatou-se que o
antecedente de DST’s mostrou uma positividade geral referida de 46,44% (261/562). Dos
261 parceiros que referiram passado venéreo, 211 (80,8%) tiveram uma única doença,
41(15,7) referiram duas doenças diferentes e 9 (3,4%) referiram três doenças. A doença
mais referida foi à uretrite gonocócica com 58,3% (n=123), seguida pelo condiloma
acuminado com 15,6% (n=33), considerando-se apenas o subgrupo com uma única DST’s.
No entanto, nos outros sub grupos (com 2 e 3 doenças) o condiloma esteve presente em
mais 27 pacientes, o que aponta para um antecedente desta doença de 10,67% (60
pacientes) na população estudada. No mesmo estudo foram encontrados 3 pacientes
suspeitos de portarem AIDS. A sorologia confirmou dois casos com prevalência nessa
população de 0,35%. Todos os casos, incluindo o não confirmado, pertenciam ao grupo com
lesões virais, o que equivale a uma prevalência da soropositividade nesse grupo de 1,06%.
Os dois confirmados sorologicamente tinham lesões acuminadas, e o caso soro-negativo
lesão plana. Os exames laboratoriais para o HIV não foram aplicados rotineiramente, nos
grupos desse estudo, mas segundo refere Guidi, apenas em 8 casos suspeitos, na época
definidos como pertencentes a grupo de risco (antecedente de drogadição por via venosa e
bissexualidade). Desses 6 foram negativos e 2 positivos.
A partir dos subsídios teóricos apresentados acima podemos concluir que a
população em estudo apresenta baixo índice de ocorrência no fator de risco relacionado a
antecedente de DST’s, já que as mesmas em suma maioria não tem ou teve parceiros com
doenças sexualmente transmissíveis.
41
Tabela 3: Distribuição da paridade, tipo de parto, número e tipo de aborto nas mulheres
entrevistadas na EACS Planejada II. Bragança Paulista, 2010.
Paridade
N
%
0
06
6,0
1a5
85
85,0
6a9
05
5,0
≥ 10
04
4,0
Total
100
100,0
Tipo de parto
PC*
PN**
PF***
Total
N
48
60
02
110
%
48,0
60,0
2,0
110,0
Aborto
0
1a3
≥4
Total
N
81
18
01
100
%
81,0
18,0
1,0
100,0
*PC: Parto cesárea. **PN: Parto normal. ***PF: Parto fórceps.
A tabela exprime que 85,0% das mulheres entrevistadas têm de 1 a 5 filhos, 6,0% de
6 a 9 filhos e 4,0% mais que 10 filhos; as nulíparas representam 6,0% das mulheres
entrevistadas. Na mesma tabela podemos analisar que, existe prevalência do parto normal
entre as mulheres (60,0%), o parto cesárea corresponde a 48,0% (n=110, pois uma mesma
mulher por ter tido mais de um tipo de parto).
Oitenta e um por cento das mulheres
referiram nunca terem sofrido aborto e 18,0% de 1 a 3 aborto, sendo que todos
espontâneos.
Durante a gestação o esquema corporal feminino sofre intensa transformação como
resposta às demandas próprias dessa fase. São modificações requeridas durante esse
momento de transição para a maternidade. Nesse período, o corpo da mulher é, constante e
intensamente, sensibilizado e passa a desenvolver uma linguagem própria e particular. Esta
é expressa por muitos sinais e sintomas, mudanças posturais e por toda a expressão
corporal da grávida. A linguagem do sintoma é uma forma de comunicação da grávida com
seu mundo interior, seu corpo e suas sensações. Este conjunto necessita ser interpretado,
42
compreendido, avaliado e compartilhado, inclusive pelos profissionais que a assistem
(REBERT; HOGA, 2005).
No estudo realizado em Maringá – PR as mulheres nulíparas corresponderam a uma
freqüência de 8,0% e as que tinham de 2 a 3 filhos vivos foi de 64,7%. Em relação a filhos,
92.0% apresentaram filhos vivos e 5 mulheres relataram terem sofrido aborto (SUZUKI,
2003).
Estudo retrospectivo realizado no CAISM analisou no período de janeiro de 1987 a
dezembro de 1992, analisou as características sociodemográficas, tocoginecológicas e a
utilização de métodos anticoncepcionais, bem como a classificação do aborto e suas
complicações. O que segundo os autores se observou, foi que entre 22,1% e 30,6% das
pacientes estavam na sua primeira gravidez, sendo de aproximadamente 50% os casos com
três ou mais gestações. Também se constatou que o percentual médio de mulheres sem
parto anterior foi de 32,8%, e de três ou mais partos foi de 23%. O antecedente de aborto foi
referido por 25,7% das pacientes, sendo que 9,1% destas referiram dois ou mais abortos no
passado (GABIATTI, 1994).
Tabela 4: Idade de menarca e menopausa das mulheres na EACS Planejada II. Bragança
Paulista, 2010.
Menarca
N
%
≤ 10 anos
04
4,0
≥ 11 anos
93
93,0
Não lembra
03
3,0
Total
100
100,0
Menopausa
30 a 40 anos
≥ 41 anos
Não menopausadas
Total
N
05
30
65
100
%
5,0
30,0
65,0
100,0
A tabela nos expõe que 93% das entrevistadas tiveram a primeira menstruação
depois dos 11 anos de idade, e 30% chegaram à menopausa depois dos 41 anos.
43
No estudo da cidade de Maringá (PR) a idade média da ocorrência da menopausa foi
em média aos 46,4 anos; e a freqüência para a menopausa natural foi de 40,9% e de 16%,
cirúrgica (ALDRIHI et al., 2003).
Na vida das mulheres, diferentemente do que acontece com os homens, existe
marcos concretos e objetivos que sinalizam diferentes fases ou passagens de suas vidas,
tais como a menarca, a ruptura do hímen e a ultima menstruação. São marcos visíveis no
corpo físico e, obviamente, cada cultura os investe de sua rubrica. De outro lado, podemos
facilmente identificar um traço que parece comum e presente em diferentes sociedades e
épocas históricas: a valorização da mulher na fase reprodutiva e a sua desvalorização na
fase não reprodutiva (TRENCH; SANTOS, 2005).
O climatério é definido como o período da vida da mulher compreendido entre os 40
e 65 anos de idade, e a menopausa se refere à última menstruação. Os sintomas climatérios
acometem entre 60 a 80% das mulheres e são reconhecidos como indutores de desconforto
físico e emocional que aumentam com a severidade dos sintomas. A depender da
intensidade e da freqüência dos sintomas, em especial as ondas de calor, pode haver
interferência no bem-estar e na qualidade de vida (MARTINS et al, 2009).
Segundo a OMS, em relação à realização do papanicolaou em mulheres entre 35 –
64 anos, após um exame negativo de papanicolaou, o exame subseqüente pode ser a cada
três anos, com a mesma eficácia anual. Sendo a redução ao risco seria de 93% se fizesse
exame anual e de 91% se fosse realizado a cada três anos. O efeito protetor a cada cinco
anos do exame preventivo seria de 84% e de cada 4%, a cada 10 anos (WHO, 1998).
44
O gráfico expõe que 50% das mulheres não têm antecedentes familiares com câncer
e 48% tem antecedentes com câncer na família, mediante esse dado, se torna
imprescindível a adoção de hábitos saudáveis e preventivos por parte dessas mulheres;
além de uma educação permanente direcionada a essa população por parte dos
funcionários da EACS Planejada II, para se evitar a existência futura de neoplasias entre
essa população. Quanto ao familiar mais citado como ter apresentado câncer 11
responderam serem os avôs e avós e de acordo com o local atingido 13 referiram terem
antecedente familiar de câncer do colo do útero.
O câncer é caracterizado como uma doença crônico degenerativa, com evolução
progressiva se não sofrer interferência. Trata-se não apenas de uma moléstia, mas de um
processo comum a um grupo heterogêneo de doenças que diferem em sua etiologia,
freqüência e manifestações clínicas. A incidência varia de país para país e de região para
região; as estatísticas não são confiáveis em muitas regiões, mas os dados disponíveis
apontam que os tipos de câncer mais comuns na população em geral são os de: pulmão,
estômago, mamas, cólon/reto e cérvix (BRASIL, 2002). No Brasil, o Ministério da Saúde
estimou, para o ano de 2003, o registro de aproximadamente 467.440 casos novos. O
câncer tem sido estudado tanto no seu aspecto biológico quanto em sua relação com
condições de vida de populações e desenvolvimento das sociedades. As associações entre
45
surgimento de câncer e fatores causais apontam para a forte relação com estilo de vida, em
especial considerando-se o fumo, o álcool, hábitos alimentares e exposição à luz solar
(Gomes, 1999). Quanto à incidência, o câncer reflete a influência do nível de escolaridade,
faixa etária e expectativa de vida, sexo, nível social, recursos de saúde disponíveis e o nível
de desenvolvimento da sociedade (KLIGERMAN, 1999). Além destes fatores são ainda
apontados os fatores pessoais, fatores genéticos, fatores ambientais, ocupação e estilo de
vida como relevantes no processo de adoecer por câncer. O grau de conhecimento destes
fatores e sua relação com o câncer quer pela população, quer pelos profissionais da área de
saúde pode ser fator determinante na prevenção e controle desta doença. O
estabelecimento de medidas preventivas ou de ações aos já acometidos pela doença
(tratamento efetivo ou reabilitação) poderão reduzir perdas de vidas ou mantê-las em
melhores condições de sobrevida (BRASIL, 1995).
Mantendo-se em 2º lugar entre as causas de morte no país, cada vez mais
confirmando as semelhanças nos padrões de incidência e mortalidade dos países
desenvolvidos, o câncer no Brasil, também detém características evolutivas da doença
demarcadas pela grande desinformação da população em geral e acesso precário as
instituições especializadas. Certamente o desenvolvimento econômico, avanço tecnológico,
crescimento industrial, ingresso da mulher no mercado de trabalho, envelhecimento
populacional, são fatores que, desprovidos de condições educacionais capazes de gerarem
na população consciência dos fatores de risco relacionados ao câncer, bem como, do direito
de usufruir dos exames diagnósticos e tratamentos comprovadamente eficientes, tornam-se
ingredientes para a condição desfavorável no controle do avanço do câncer em nossa
sociedade. Muitas ações relacionadas ao controle do câncer dependem do nível de
informação da população, desde os profissionais da saúde que devem ser capazes de
prevenir, diagnosticar, tratar, evoluir e saber notificar os casos de câncer, até o cidadão
morador da zona urbana ou rural. A amplitude da tarefa não é fácil de ser vencida e, por
essa razão, sabe-se que há muito por avançar nesta área (GUTIÉRREZ et al., 2009).
46
Tabela 5: Mulheres que apresentam antecedentes de doença sexualmente transmissível, no
EACS Planejada II, 2010.
Doença Sexualmente Transmissível
N
%
Leucorréia
02
2,0
Candidíase
01
1,0
Corrimento
01
1,0
Sífilis
01
1,0
Não lembra
01
1,0
Nunca apresentou
94
94,0
Total
100
100,0
A tabela acima, torna notório o baixo número de mulheres com antecedentes de
DST’s. Entre as doenças referidas estão leucorréia (2,0%), candidíase (1,0%), corrimento
(1,0%), sífilis (1,0%).
Segundo estudos de prevalência, mulheres com DST’s apresentam lesões
precursoras do câncer do colo do útero cinco vezes mais freqüentemente do que aquelas
que procuram outros serviços médicos. Portanto, essas mulheres têm maior risco para
câncer do colo do útero, principalmente se houver infecção pelo HPV (Papilomavírus
Humano). É razoável que mulheres com DST sejam submetidas à citopatologia mais
freqüentemente, pelo seu maior risco de serem portadoras de câncer do colo do útero ou de
seus precursores. O exame preventivo não tem o objetivo de identificar DST, embora muitas
vezes seja possível a identificação do agente ou de efeitos citopáticos sugestivos da
presença dos mesmos (BRASIL, 2006)
Existem fortes evidências de que os agentes infecciosos sexualmente transmissíveis
estão envolvidos na etiologia deste tipo de câncer (AZEVEDO e MENDONÇA,1993).
Atualmente, a teoria mais aceita para a explicação do aparecimento do câncer do
colo do útero repousa na transmissão sexual. Desde 1992, a Organização Mundial de
Saúde (OMS) considera que a persistência da infecção pelo Vírus do Papiloma Humano
(HPV) em altas cargas virais representa o principal fator de risco para o desenvolvimento da
doença. Sabe-se também que a infecção pelo HPV é essencial, mas não suficiente para a
evolução do câncer. Além da tipagem e da carga viral do HPV, adquire importância a
47
associação com outros fatores de risco que atuam como co-fatores, tais como a paridade
elevada, o início precoce da atividade sexual e o número de parceiros sexuais. Em relação
ao herpes vírus, alguns estudos de caso controle com sorologia têm demonstrado a
presença do DNA viral em lesões pré-cancerosas ou cancerosas, mas esta presença é
considerada como um marcador de atividade sexual, e não agente ativo da carcinogênese
(BRASIL, 2002).
Tabela 6: Idade média de realização do primeiro papanicolaou pelas mulheres da EACS
Planejada II. Bragança Paulista, 2010.
Idade que realizou o primeiro papanicolaou
N
%
≤ 15 anos
09
9,0
16 a 30 anos
72
72,0
≥ 31 anos
11
11,0
Nunca fez
02
2,0
Não lembra
06
6,0
Total
100
100,0
A tabela acima nos revela que 72,0% de um total de 100 mulheres entrevistadas
realizaram seu primeiro papanicolaou entre 16 e 30 anos de idade.
A adolescência é fase de descobertas marcadamente no sentido sexual, implicando
exposição de risco. Início precoce da atividade sexual, relacionamentos com múltiplos
parceiros e padrão histofuncional da cérvice adolescente são fatores relevantes associados
à carcinogênese cervical. (Rever este parágrafo em vermelho, não entendi tal citação do
autor) O câncer de colo uterino é condição rara nesta fase da vida, no entanto, a redução de
suas taxas de incidência e de mortalidade observadas em mulheres adultas nos países
desenvolvidos está atribuída aos programas de rastreamento de lesões pré-invasivas, as
quais ocorrem mais freqüentemente em mulheres jovens, com pico de incidência nos trinta
primeiros anos. Recursos tecnológicos para o controle destas doenças baseados na
citologia estão disponíveis há mais de meio século e permitem diagnosticar e tratar as
lesões pré-neoplásicas em todas as idades, mas ainda não há consenso quanto às reais
conseqüências da abordagem de alterações citológicas detectadas na adolescência. Tanto
aspectos comportamentais relacionados à revolução sexual e experimentados ainda na
48
adolescência quanto aspectos de natureza biológica atribuídos à localização da “zona de
transformação” são riscos adicionais para aquisição de infecção pelo HPV e maior
morbidade cervical. Postulou-se que muitas mulheres adultas que apresentam lesões
cervicais de alto grau foram infectadas pelo HPV durante a adolescência (NASCIMENTO et
al., 2005).
No estudo realizado no Acre, que examinou, com uso da citologia, o colo uterino de
2.397 mulheres entre 15 e 29 anos, observou-se que 1.533 (64%) estavam fazendo o
exame pela primeira vez. As demais referiram exame anterior com resultado normal. A
freqüência de lesões foi 6,3 e 6,6% nos grupos sem e com exame anterior, respectivamente,
não havendo, portanto, diferença significante (LEAL et al., 2003).
Também foi analisado por Nascimento et al. (2005) o hábito de prevenção citológica,
e observou que as condições pré-cancerígenas foram identificadas já no primeiro exame
realizado no grupo Adolescente (RP=2,6), o que pode também ser interpretado como viés
da idade. Ao se constatar o antecedente de prevenção citológica entre as mulheres da faixa
de 20 a 24 anos, verificou-se que algumas delas foram submetidas ao primeiro exame ainda
na adolescência, com repercussão positiva para a saúde destas mulheres e com a repetição
do exame foi possível diagnosticar e tratar a maioria das lesões cervicais ainda em fase pré
invasiva e os casos de câncer foram diagnosticados em fase de cura cirúrgica.
Deduz-se então que as mulheres interrogadas obtiveram resposta positiva em
relação à identificação precoce de lesões já que as mesmas iniciaram na fase da
adolescência o rastreamento do câncer do colo do útero, mas não podemos deixar de
analisar para concluirmos fielmente esta informação, a possível existência de outros fatores
para o câncer do colo do útero e a periodicidade de realização do papanicolaou.
49
Tabela 7: Periodicidade de realização do papanicolaou pelas mulheres na EACS Planejada
II. Bragança Paulista, 2010.
Periodicidade que realiza o papanicolaou
N
%
Semestralmente
7
7,0
Anualmente
64
64,0
A cada dois anos
5
5,0
A cada três anos
8
8,0
A cada cinco anos
4
4,0
Quando apresento sinais e sintomas
9
9,0
Nunca fez
2
2,0
Não coletou mais
1
1,0
Total
100
100,0
Das mulheres questionadas em nosso estudo, 64,0% realizam o papanicolaou
anualmente, isto revela que a periodicidade com que elas realizam o exame é maior que a
preconizada pelo Ministério da Saúde (BRASIL, 2008).
Em geral, a realização do preventivo acontece em conjunção às atividades de rotina
da assistência ginecológica, obstétrica ou de planejamento familiar. Mediante as respostas
referidas nos chama atenção o número de mulheres que realizam o papanicolaou quando
apresenta algum sinal ou sintoma (Tabela 8), este resultado indica a necessidade de
integralizar a atenção à saúde da mulher pela ampliação da oferta do teste Papanicolaou
para além de um procedimento de rotina ofertado durante as consultas ginecológicas e de
pré-natal, objetivando estender seus benefícios para toda mulher, independentemente de
sua experiência maternal e da sua situação conjugal, já que as mesmas podem estar
procurando os serviços de saúde num estágio mais grave da doença.
A falta de conhecimento da condição assintomática da doença pode explicar, em
parte, porque a maioria dos casos de câncer do colo do útero diagnosticados pelo
Papanicolaou já se encontrarem numa fase tardia da doença, cujo prognóstico já não é tão
alentador, contribuindo para a permanência das altas taxas de mortalidade por câncer
cervical (BRASIL, 2002).
Com o objetivo de reduzir as taxas de morbimortalidade por essa neoplasia, desde
1988 o Ministério da Saúde do Brasil, adota como norma a recomendação da Organização
50
Mundial da Saúde (OMS), que propõe a realização do exame citológico do colo do útero a
cada três anos, após dois exames anuais consecutivos negativos para mulheres de 25 - 59
anos de idade, ou que já tenham tido atividade sexual. Iniciativas como o Programa Viva
Mulher, lançado em 1996, e o desenvolvimento de campanhas nacionais sistemáticas têm
contribuído para o aumento da cobertura do exame no país. Contudo, verifica-se que as
taxas de incidência e de mortalidade ainda permanecem desafiando as medidas até então
adotadas, sinalizando possíveis deficiências na oferta, no acesso e na qualidade das
referidas ações (ALBUQUERQUE et al., 2010).
De acordo com Moura et al. (2010), as mulheres entrevistadas em sua pesquisa
realizada num Centro de Saúde de Atenção Primária, na cidade de Paracuru– CE quanto a
questão da realização do exame de papanicolaou, 14 responderam que já haviam feito o
exame antes, e apenas uma respondeu que comparecia ao serviço de prevenção do câncer
do colo do útero pela primeira vez. De acordo com a periodicidade da realização do exame,
uma relatou que era a primeira vez que comparecia ao serviço para a realização do exame
de papanicolaou; uma delas realizava o exame trimestralmente por fazer uso de um
dispositivo intra-uterino (DIU); 8 mulheres referiram fazer o exame uma vez por ano; 2
afirmaram que há mais de dois anos não procuravam o serviço de saúde para a realização
do exame; 2 não o realizavam há mais de três anos e outra usuária há mais de quatro anos.
Como cita o autor, se observarmos o intervalo entre os exames de papanicolaou das
mulheres estudadas em sua pesquisa, podemos constatar que 11 delas mantinham o
intervalo máximo de até três anos para resultados normais, que é a periodicidade
recomendada pelo Ministério da Saúde. Apesar de 2 mulheres relatarem que não realizam o
exame de papanicolaou há mais de dois anos, estas realizaram seus exames num intervalo
de no máximo três anos, pois optaram pelo item do instrumento que continha a
periodicidade de 2 a 3 anos. Isto pode, de acordo com o autor, justificar um aumento real na
sua cobertura, tendo em vista a ocorrência de divulgação da importância do exame na
década de 1980. Se analisarmos, segundo Paula (2003), outra possibilidade diz respeito ao
aumento do número de citologias cervicais realizadas em mulheres como procedimento de
51
rotina durante as consultas de pré-natal e planejamento familiar. Se ressalta, segundo os
pesquisadores que destas mulheres, 3 não realizavam o exame de papanicolaou há mais de
três anos, resultado menor que o obtido em nosso estudo, onde 8 mulheres responderam
realizarem o exame a cada três anos e quatro a cada cinco anos.
Destaca-se que, a população dos estudos se encontram vinculadas a uma Unidade
Básica de Saúde, onde deveria ser realizado um acompanhamento, inclusive por meio de
exames de rotina, por uma equipe de saúde. Contudo, vale ressaltar que o estudo em
questão não revela se a periodicidade das entrevistadas é após dois exames consecutivos
com resultados negativos para displasia ou neoplasia.
Na análise multivariada do estudo de Muller et al. (2008), realizada através da
regressão de Poisson seguindo o modelo hierárquico para o exame preventivo do câncer de
colo uterino não realizado nos últimos três anos, as mulheres pertencentes às classes
sociais C, D, E e aquelas que não se consultaram com médico no último ano continuaram
apresentando maior prevalência de exame atrasado. Observou-se ainda que as mulheres a
partir dos trinta anos de idade e que procuravam os serviços privados foram mais
submetidas ao exame. As mulheres classificadas como cor da pele não branca e com quatro
ou mais filhos apresentaram maiores prevalências de exames atrasados. As mulheres nas
classes econômicas C, D e E apresentaram maior prevalência de exame nunca realizado.
As mulheres nas duas menores categorias de menor renda também tinham maiores
prevalências de nunca realizar o exame, apesar de os intervalos de confiança não
evidenciarem diferenças nas estimativas. Quanto à distribuição por idade, verificou se no
mesmo estudo, que a partir dos cinqüenta anos a prevalência de exame nunca realizado foi
menor do que a encontrada na categoria de base (20 a 29 anos). Foi constatado teste de
tendência linear significativo, mostrando que à medida que aumentava a idade, diminuía o
percentual de mulheres com o exame nunca realizado. As mulheres classificadas como as
viúvas, separadas ou solteiras, que não tiveram filhos, que não consultaram no último ano e
que procuraram preferencialmente o sistema público de saúde apresentaram maiores
prevalências de exame preventivo do câncer do colo do útero nunca realizado.
52
Conforme Cesar et al. (2003), dentre as 1.302 mulheres incluídas em seu estudo,
57% nunca realizaram exame para detecção precoce de câncer de colo uterino. No EACS
Planejada II, responderam nunca terem coletados o papanicolaou apenas 2 mulheres, que
justificaram não ter realizado por terem vergonha e acreditarem ser desnecessário a
realização do mesmo. No estudo de Pinho et al. (2003), quando questionadas sobre o
principal motivo para não realização do Papanicolaou, 45% responderam que achavam que
eram saudáveis por não apresentarem queixas ginecológicas e, conseqüentemente não
viam necessidade de realizá-lo.
Tabela 8 - Distribuição das mulheres que apresentam ou não sintomas relacionados aos
fatores de risco ao câncer do colo do útero na EACS Planejada II. Bragança Paulista, 2010.
Sintomas
N
%
Não apresenta nenhum dos sintomas
80
80
Apresentam 1 ou mais sintomas
20
20
Total
100
100
Como nos ilustra a tabela acima, as mulheres que referem apresentarem um ou
mais sintomas relacionados aos fatores de risco ao câncer do colo do útero totalizaram 20%
e aquelas que não apresentam nenhum dos sintomas 80%, sendo o sintoma mais comum
relatado entre elas dor na região pélvica.
Trabalho de estudo transversal realizado por Freitas; Arantes; Barros (1998); sobre
a Atuação da enfermeira obstetra na comunidade Anhanguera, Campo Grande - MS, na
prevenção do câncer cérvico-uterino; mostra que das 104 mulheres entrevistadas, 77,88%,
referiram ter mais de uma queixa ginecológica. Dessas 39,42% referiram corrimento vaginal,
15.38% referiram prurido vulvar, 37,50% presença de dor no baixo ventre (região pélvica),
39,42% ocorrência de dismenorréia, 31,73% de irregularidade menstrual no ciclo menstrual
e 40,38% referiram alterações na quantidade do fluxo menstrual.
Um estudo com objetivo de analisar o conhecimento das mulheres, que
freqüentavam palestras sobre fatores de risco para o câncer do colo do útero no município
de Kilamba Kiaxi, Angola (ALMEIDA, 2009), evidenciou que das 100 mulheres
53
entrevistadas, 51% nunca ouviram falar sobre o exame do papanicolaou e de seus fatores
de risco e que 89% nunca realizaram o exame preventivo de papanicolaou, após análise foi
concluído que a população tinha pouco conhecimento sobre os fatores de risco e prevenção
do câncer do colo do útero.
Portanto, a equipe de saúde deve orientar e motivar suas clientes à realização do
exame de papanicolaou, principalmente se não estiverem apresentando sinais e sintomas,
pois como já referido anteriormente, este exame é destinado à detecção precoce do câncer
de colo uterino, podendo ser dificultado por presença de secreção abundante, eritema,
edema, prurido, ou dor local, dentre outros. De acordo com o Ministério da Saúde, os sinais
e sintomas de algum processo inflamatório devem ser imediatamente tratados, e
posteriormente, a mulher deve se submeter ao exame de papanicolaou (BRASIL, 2006).
Sabendo que as mulheres com câncer do colo do útero, podem apresentar alguns
sinais e sintomas, principalmente as que se encontram em um estágio mais avançado da
doença, sendo os mais comuns: sangramento vaginal após relação sexual, corrimento
vaginal com odor fétido, dor em baixo ventre, entre outros se mostra necessário ações de
acolhimento para essas mulheres, já que de acordo com as queixas apresentadas as
mesmas encontram-se vulneráveis ao câncer do colo do útero (FREITAS; ARANTES;
BARROS, 1998).
54
Quadro 3 - Resultado e tratamento do último papanicolaou realizado pelas mulheres
entrevistadas na EACS Planejada II. Bragança Paulista, 2010.
Resultado
N
%
Normal
89
89
Inflamação
05
05
01
01
01
01
01
01
Não soube informar
01
01
Nunca fez
02
02
Total
100
100
Tratamento
Cauterização Pomada
Histerectomia
Inflamação (Pólipos)
Tratamento
Histerectomia
NIC I
Tratamento
Metronidazol
NIC III
Tratamento
Radioterapia e Quimioterapia
O Quadro acima, nos mostra que 89% das mulheres referiram que o último exame
do papanicolaou teve resultado normal, 6% relataram ter algum tipo de inflamação, 1% NIC
I, 1% NIC III, 1% não soube informar e 2% nunca fizeram o exame. O tratamento
apresentado pelas mulheres para as alterações relatadas foi o de cauterização, pomadas e
histerectomia para resultados de inflamação e inflamação (pólipos); para o tratamento de
NIC I metronidazol e NIC III radioterapia e quimioterapia. REVER CITAÇÃO DE
TRATAMENTO....não
entendi
histerectomia
para
resultados
de
inflamação
e
inflamação(pólipos)
Segundo análise realizada em Igarapava – SP, dos 1501 exames de papanicolaou
coletados na cidade no ano de 2006, 51,6% (774) estavam dentro dos limites de
55
normalidade de acordo com os dados clínico atuais anteriores. Os resultados com alteração
contabilizaram um total de 47,9% (719) do total de coletas e pode-se observar a prevalência
de inflamações (SOARES; SILVA, 2010).
O Ministério da Saúde (2004) calcula que um total de 30% das mulheres que
colhem o exame poderá necessitar de algum tipo de medicamento, sendo esperada uma
prevalência de inflamações por Gardnerella vaginalles seguida por Cândida SP e
Trichomonas vaginalles. Em um estudo realizado no município de Mozarlândia – GO,
realizado por Cardoso et al.(2005) publicado pela Revista Brasileira de Farmácia, mostrou
que os pesquisadores encontraram uma incidência de 27,6% (159) do total de 577
resultados de papanicolaou com presença de inflamação sendo prevalente Gardnerella
vaginalles, Cândida sp, e Trichomonas vaginalles, respectivamente.
No mesmo estudo
verificaram-se cinco resultados de metaplasia escamosa imatura acompanhadas na própria
Unidade Básica de Saúde, onde o estudo foi realizado, houve ainda segundo os autores um
resultado (0,1%) compatível com Lesão Intra Epitelial de Alto Grau (NIC II, NIC III).
Em Nascimento et al., (2005) apenas a alteração citológica sem graduação, NIC a
esclarecer, foi significante no grupo Adolescente (RP=1,8; IC 95%: 1,26-2,52; p=0,006). No
grupo Adulta foram encontrados um caso de ASCUS , um caso suspeito de carcinoma
invasivo e oito casos de alterações inflamatórias. As alterações classificadas como NIC 1,
NIC 2 e NIC 3 não apresentaram diferença significante na comparação entre os grupos de
seu estudo.
56
Os dados apresentados no Gráfico 4, evidenciam que 92% das mulheres
entrevistadas possuem conhecimento a cerca da finalidade do papanicolaou, porém apenas
30% destas citam papanicolaou como forma de prevenção do câncer cérvico-uterino,
seguidos dos 26% que responderam a finalidade do exame seria prevenir doenças e
identificar feridas/lesões no útero (Tabela 9).
Tabela 9: Respostas das mulheres para a questão sobre a finalidade do papanicolaou, na
EACS Planejada II. Bragança Paulista, 2010.
Explicar a finalidade do exame
N
%
Prevenir o câncer do colo do útero
30
30
Prevenir doenças
26
26
Identificar feridas/leões no útero
26
26
Não sobe explicar
09
09
Identificar câncer do colo do útero
03
03
Identificar infecção/DST
03
03
Identificar câncer, nódulos ou bactérias
02
02
Identificar anomalias no organismo
01
01
Total
100
100
Estudo realizado com 267 mulheres no Nordeste brasileiro, constatou que a maioria
das mulheres entrevistadas (96,2%), considerou necessária a realização do exame. Porém,
apenas 63,3% delas apresentaram atitude adequada, expressando de forma consciente o
reconhecimento de suas vantagens e benefícios, justificando corretamente a importância de
57
fazê-lo periodicamente. Dentre aquelas que apresentaram atitude adequada, 66,9%
justificaram a necessidade da realização do exame como forma de se prevenir do câncer do
colo do útero e 33,1% de se prevenir de câncer, de forma geral. No que se refere ao grau de
conhecimento sobre o exame do papanicolaou, 98,1% das mulheres tinhas ouvido falar do
procedimento, mas somente 46,1% apresentaram conhecimento adequado. A principal fonte
de informação sobre o exame foi o médico, mencionado por 40,1% das entrevistadas,
seguido de amigas ou parentes (20,2%), agentes comunitários de saúde (19,8%), rádio e TV
(8,4%) e demais profissionais das unidades básicas de saúde (6,5%) (FERNADES et al.,
2009).
Valente et al. (2009) em um estudo de caráter epidemiológico, quantitativo,
descritivo, transversal, com estudantes do ensino médio no período noturno em escolas
públicas da cidade de Uberaba/MG, constatou que quando questionadas sobre haver ouvido
falar a respeito do exame de Papanicolaou, 386 alunas (81%) responderam que sim, já
haviam ouvido falar e sabiam do que trata o exame, 80 (17%) já haviam ouvido falar, mas
não sabiam do que se tratava, 3 alunas (1%) nunca havia ouvido falar sobre o exame de
Papanicolaou e 7 (1%) rasuraram ou não responderam a questão.
Em estudo comparativo entre mulheres brasileiras e japonesas verificou-se que o
conhecimento da finalidade do exame de Papanicolaou influencia as mulheres a se
submeterem ao mesmo, resultando em uma maior e mais consciente procura, enquanto que
a desinformação sobre a doença e o exame prejudica a mulher na procura dos cuidados
preventivos. A desinformação pode gerar despreocupação e conseqüente desinteresse pela
prevenção, não só do câncer de colo uterino, como também de outras doenças
ginecológicas. Os resultados do estudo mostraram, ainda, que as mulheres submetem-se ao
exame preventivo quando têm facilidade de acesso ao programa de prevenção de doenças
ginecológicas, e também quando possuem algum suporte de convênio médico (CHUBACI;
MERIGHI e YSUMORI, 2005).
No que se refere à finalidade do exame de Papanicolau, pesquisa realizada por
Davim et al. (2005) mostra a opinião das mulheres entrevistadas, as quais referem em 58%
58
que o mesmo previne contra a formação do câncer e indica o tratamento adequado, 25%
mostra se a mulher tem doenças contagiosas e DST, e 17% se há alteração no útero. Dessa
forma, as pesquisadas, no geral, apresentaram uma opinião satisfatória sobre o exame,
denotando conhecer sua finalidade. Ainda nos revela a literatura que, apesar das mulheres
perceberem a finalidade do exame de Papanicolau, o consideram apenas como instrumento
de detecção de afecções ginecológicas, e não como método de rastreamento da doença, o
qual deve ser realizado, também, por aquelas assintomáticas (PINOTTI, 1994).
Moura et al. (2010) relatou que das mulheres que foram questionadas em sua
pesquisa sobre o conhecimento que elas têm do exame de papanicolaou, 10 delas não
souberam responder. Tal fato mostra a necessidade de esclarecimento sistemático sobre o
exame, pois se acredita que o desconhecimento contribui para aumentar a falta de
aderência ao mesmo. Após insistência da pesquisadora, as mulheres referiram o exame de
prevenção do câncer de colo uterino como meio de diagnóstico para determinadas doenças
ou prevenção de outras, como DST/Aids, como podemos observar:
Eu entendo que é muito importante para a mulher, é através dele
que a gente sabe que tem alguma doença por dentro (TPCF). Eu sabia, é
um exame bom para saber da prevenção, saber se cuidar e evitar essas
doenças que estão aí como a AIDS (MLSB). É bom a gente saber e fazer! A
gente sabe se está com corrimento, inflamação, pra se prevenir, por que se
a pessoa tiver já vem e pede alguma pomada. Bom pra se prevenir! (FVMC)
(MOURA et al. 2010, p. 99)
Como nos mostram as falas transcritas do estudo apontado previamente, muitas
mulheres citam o exame de papanicolaou como um exame preventivo contra as DST/Aids, o
que demonstra, de forma preocupante, mulheres com desconhecimento total das práticas de
prevenção dessas doenças. Como alega o autor, algumas mulheres conseguiram
compreender o real objetivo do exame de papanicolaou, pois relataram o exame como um
meio de prevenção do câncer de colo uterino, sendo de acordo com o mesmo importante
salientar que emergiu o desprazer na realização do exame, indicando vestígios do pudor,
vergonha e medo de possíveis diagnósticos de câncer, no entanto mesmo com essa
percepção que remete a um vivenciar a sexualidade de modo sombrio, elas se submetem a
esse exame, pois sabem de sua importância.
59
Das 15 mulheres entrevistadas, por Moura et al (2010) ,7 delas responderam que o
significado do exame é se cuidar; 5 responderam se prevenir e 6 usuárias acham que serve
como diagnóstico.
O significado cuidar referido pelas mulheres do estudo de Moura et al. remete ao
cuidado de si, diante da possibilidade do acometimento de doenças. Desse modo, cuidar,
prevenir e “saber como está” são sinônimos e remetem a uma postura de busca de
informações sobre o estado de saúde atual, para se cuidar, se prevenir de algo mais grave,
como o câncer. Mas acabam cometendo um equívoco, quando relatam que o exame tem
como significado também prevenir a Aids. Parte das mulheres entrevistados por esse autor
acredita que o exame de papanicolaou significa diagnóstico de doenças, como DST e Aids,
como já referido anteriormente.
Das mulheres entrevistadas, como mostra o gráfico acima, 97% consideram importante a
realização do papanicolaou.
60
Tabela 10: Motivos apresentados pelas mulheres para realizar o Papanicolaou no EACS
Planejada II. Bragança Paulista, 2010.
Por que você acha importante realizar o Papanicolaou
N
%
Para evitar/identificar doenças
54
54
Outras respostas
22
22
Prevenir câncer do colo do útero
15
15
Não explicou/Não tem interesse
07
07
Para prevenção
02
02
Total
100
100
Na tabela acima, as mulheres relataram em sua maioria considerarem importante a
realização do papanicolaou para evitar ou identificar doenças e apenas 15% para prevenir o
câncer do colo do útero, obtivemos outras respostas:

Conhecidos que já tiveram câncer do colo do útero;

Tem medo de ficar doente;

Acha super importante esse exame;

Para obter informações sobre a sua saúde;

Tem que servir para algo se não ninguém faz;

Porque morre de medo de câncer.
De acordo com Ferreira (2009) em estudo aplicado com o objetivo de analisar os
motivos que influenciaram um grupo de mulheres a nunca terem realizado o Papanicolaou: 6
mulheres responderam que achavam desnecessária a realização do exame, 3 disseram
terem medo da realização do exame, 3 medo de se deparar com resultado positivo para o
câncer, 2 exprimem sentimentos de vergonha e constrangimento em relação ao exame,
algumas relataram também que nunca realizaram o exame por questões familiares como
por exemplo a não adesão por parte dos avós e sua longetividade e saúde, entre as
respostas também se encontravam a questão da dificuldade de acesso aos serviços de
saúde por parte dessa população.
Os contextos apresentados pelas funcionárias da indústria têxtil (FERREIRA;
OLIVEIRA, 2006) sobre diferentes abordagens em relação ao assunto papanicolaou o
"motivo para" representa um contexto de significado que é construído sobre o contexto das
61
experiências disponíveis no momento da projeção da ação, sendo essa categoria
essencialmente subjetiva, onde somente a pessoa pode definir o seu projeto de ação, seu
desempenho social. Pensando-se sempre na vida ativa, pode-se notar a evidente
preocupação dessas funcionárias quanto ao trabalho, maternidade e, sobretudo à vida
quando são questionadas sobre o significado do exame de Papanicolaou:
"Preservar o meu futuro, pois se um dia eu quiser ser mãe e se eu tiver algum problema, já vou
descobrir antes...e maiores são as minhas chances..." (M40). "Significa a vida da gente, que é muito
mais importante..." (M46). "Para a minha saúde, isto tem um significado muito grande,... pois sem a
saúde a gente não consegue trabalhar, se sente inútil" (M66) (FERREIRA; OLIVEIRA, 2006,p. 9).
Com esta declaração acima citada, o autor da pesquisa pode evidenciar a ligação
entre a doença e a sensação de inutilidade, pois com a conquista cada vez maior da mulher
no mercado de trabalho, essa tem a necessidade de manter-se sempre ativa e sentir-se útil.
Ainda sobre o autor mencionado, dado o pavor provocado pelo câncer, as mulheres
temem apresentar algo sério e relatam a importância de que se houver algo, no começo o
tratamento pode ter mais sucesso.
Investigação sobre a cobertura e motivos para a realização ou não do teste de
Papanicolaou no Município de São Paulo (PINHO et al., 2003), averiguou que a realização
do exame colpocitológico pode adquirir uma periodicidade mais regular entre essa mulheres,
cujo acesso ao serviço de saúde e potencial conhecimento sobre o teste de Papanicolaou,
sua finalidade e importância lhes tornariam de menor risco para o desenvolvimento de
câncer cervical.
Em relação ao trabalho de pesquisa realizado em Paracuru – CE a maioria das
entrevistadas relatou procurar o serviço por estar sentindo algum incômodo, especialmente
dor. Isso mostra que o serviço de prevenção não está sendo compreendido pelas mulheres
que o procuram. A lógica da prevenção é escamoteada por essas mulheres que procuram
esse serviço com a finalidade curativa de tratar as dores que estão incomodando. Nesse
sentido, remetemos também a prática da Educação em Saúde como um campo de
consolidação de aprendizados, onde os profissionais podem elucidar essas questões.
Lembramos que essa postura curativista ainda se encontra presente no sistema primário de
62
saúde brasileiro, porém, urge a modificação desse panorama visto a importância da
compreensão e prática de um modelo centrado na prevenção. Podemos observar relatos
que mostram a instalação de doenças sexualmente transmissíveis como propulsoras da
procura do serviço de prevenção do câncer de colo uterino, reafirmando a visão errada que
as usuárias têm do serviço. Na sua pesquisa apenas uma das mulheres entrevistadas
relatou que realiza o exame de papanicolaou todo ano sem a necessidade de estar sentindo
nada. Segundo o autor a sua fala nos mostra que é possível inculcar nessas usuárias a
importância da realização do exame anualmente.
Podemos então rematar com a questão do conhecimento das mulheres e suas
atitudes frente ao exame do Papanicolaou, analisando e correlacionando à um processo
fragilizado de educação em saúde para as mulheres, demonstrando a forma mecanicista do
governo e da mídia em suas ações, estimulando a realização do exame entre as mulheres,
porém não fornecem informações claras sobre a doença e seus meios de prevenção, não
cumprindo o que deveria ser o objetivo real das campanhas de promoção à saúde, visto que
a educação da população é uma forma de produzir saúde e fortalecer ações participativas.
Sabe-se que todo conhecimento é de suma importância para a adoção de medidas
preventivas.
Contudo,
para
grande
surpresa,
o
desconhecimento
das
mulheres
entrevistadas, sobre o câncer de colo de útero, suas formas de contágio e manifestações
clínicas, não interfere no grau de adesão destas ao exame preventivo. Apesar de 92% das
mulheres referirem conhecer a finalidade do papanicolaou, quando solicitadas para que
explicassem com suas palavras a intenção da realização do exame apenas 30%
responderam que o mesmo é um exame preventivo ao câncer do colo do útero. Podemos
deduzir que a falta de informação por parte dessas mulheres as tem levado a cometer
equívocos quanto à fidedigna razão para se realizar o exame preventivo. Valendo salientar
que mesmo diante desse desacerto a periodicidade de realização do papanicolaou foi
considerável, já que 64% referiram coletar o exame anualmente.
63
Tabela 11: Mulheres que participaram ou não de palestras sobre Saúde da mulher na EACS
Planejada II. Bragança Paulista, 2010.
Participou de palestras na unidade
N
%
Não
91
91
Sim
09
09
Total
100
100
Os dados analisados e apresentados na tabela acima nos mostram que 91% das
mulheres entrevistadas nunca participaram de palestras sobre saúde da mulher na EACS
Planejada II, e 9% ressalta ter participado de alguma palestra nesta EACS, com temas como
Papanicolaou, DST’s e Métodos Contraceptivos.
Quando foram questionadas sobre quais temas gostariam que fossem abordados
durante palestras pelo enfermeiro da unidade os seguintes temas foram expostos:
 Adolescência;
 Papanicolaou;
 Sexualidade;
 Gestação;
 TPM;
 DST’s;
 Menopausa;
 Prevenção;
 Contracepção;
 Câncer de mama.
a) A qualidade e a humanização da atenção em saúde são condições
fundamentais para que as ações de saúde se traduzam, na resolução dos
problemas identificados, na satisfação das clientes, no fortalecimento da
capacidade das mulheres frente à identificação de suas demandas, no
reconhecimento e reivindicação de seus direitos e na promoção do autocuidado (ALPOROVITCH, 1992). O Ministério da Saúde afirma que, as
histórias das mulheres na busca pelos serviços de saúde expressam
frustrações, discriminação e violações dos direitos e aparecem como fonte de
tensão e mal-estar psíquico-fisico. Contudo, a qualidade e a humanização da
atenção implicam no reconhecimento, na promoção e respeito aos seus
direitos humanos, dentro de um marco ético que garanta a saúde integral e
seu bem-estar. A qualidade da atenção deve estar referida a um conjunto de
64
aspectos que englobam as questões; psicológicas, biológicas, sociais,
ambientais, sexuais e culturais. Isso demanda a superação do enfoque
biologista e medicalizador hegemônico nos serviços de saúde e a adoção do
conceito de práticas e saúde integral que considerem as experiências das
clientes (BRASIL, 2004).
Pouco se valoriza a prevenção especificamente dirigida ao controle das DST
(Educação em Saúde, disseminação da informação para reconhecimento de sinais e
sintomas, busca precoce por assistência, convocação de parceiros, campanha em mídia,
etc.). Há ênfase no diagnóstico etiológico, pouco se conhece o manejo sindrômico e os
profissionais capacitados são insuficientes (BRASIL, 2006).
Pode-se constatar que tais práticas educativas acontecem com maior freqüência
na atenção terciária (unidade hospitalar) e não na atenção primária (unidades de atenção
básica a saúde da família, centros de saúde, escolas, universidades e comunidade)
(CARVALHO; CLEMENTINO; PINHO 2008).
A educação em saúde é enfatizada na Lei n° 8.080, de 19 de setembro de 1990.
Ela regula as ações e os serviços de saúde em todo o território nacional, dispondo, no seu
artigo 2° que: “a saúde é direito fundamental do ser humano, devendo o Estado, prover as
condições indispensáveis ao seu pleno exercício”. Além de determinar a saúde como direito
básico de todos, enuncia também, no artigo 3°, que: “A saúde tem como fatores
determinantes e condicionantes, entre outros, a alimentação, a moradia, o saneamento
básico, o meio ambiente, o trabalho, a renda, a educação, o transporte, o lazer e o acesso
aos bens e serviços essenciais; os níveis de saúde da população expressam a organização
social e econômica do País”. (CARVALHO; CLEMENTINO; PINHO 2008).
Enfermeiros são profissionais chaves no processo de prevenção e detecção do
câncer. Experiências de desenvolver estratégias de ensino direcionadas à prevenção têm
sido descritas na literatura. Uma delas é a reportada por Ash; McCorkle e Frank-Stromborg
(1999). Estas autoras coordenam um programa de treinamento sobre prevenção e controle
do câncer, em países em desenvolvimento. O programa, oferecido a cada 2 anos, já inclui
65
enfermeiras de mais de 50 países através do mundo. O propósito do programa é estimular
interesse e facilitar o aumento do conhecimento de prevenção primária e secundária do
câncer, expandir internacionalmente o número de enfermeiras preparadas para prevenção e
detecção precoce em seus países, expandir uma rede internacional de enfermagem em
oncologia e fazer com que estas enfermeiras auxiliem na redução e incidência do câncer
nos países em desenvolvimento.
Discussão apresentada por Chiesa e Verissimo (2001) nos diz que ao longo do
tempo podemos observar diversas formas de interpretar e explicar a ocorrência das
doenças, que influenciam também a forma de se estruturar as intervenções no âmbito da
educação em saúde. Apesar disso, a organização das ações educativas, ainda na
atualidade, demonstra fragilidade na sua operacionalização aliada á falta de discussão mais
aprofundada sobre os referenciais teóricos mais adequados para sua estruturação, nos
diferentes modelos assistenciais adotados. Associado a esse aspécto, destaca-se a vigência
predominante, nos serviços brasileiros de saúde, de um modelo assistencial que privilegia
as ações curativas e centra-se no atendimento médico segundo uma visão estritamente
biológica do processo saúde-doença. Esse modelo condiciona a prática educativa de ações
que visam modificar práticas dos indivíduos consideradas inadequadas pelos profissionais,
mediante a prescrição de tratamentos, condutas e mudanças de comportamento. Nesse
modelo, ainda quando se propõem atividades chamadas participativas, particularmente a
formação de grupos, sua organização prevê prioritariamente que não sejam dúvidas
pontuais a serem respondidas pelos profissionais. A grande lacuna de informações da
população atendida, acerca do seu processo patológico, das alternativas terapêuticas levam
ao abandono do tratamento, uso incorreto de medicações e ainda a procura excessiva dos
serviços de saúde. Ainda segundo as autoras esse panorama revela que a assistência
prestada nas instituições públicas não tem um caráter educativo emancipador incorporado
no seu bojo, pois, está mais fortemente centrada na atenção curativa e no atendimento
chamado “queixa-conduta”. Além disso, nas atividades ditas educativas, como palestras,
está presente a idéia de que a doença se deve principalmente, à falta de cuidado e ao
66
desleixo da população com sua saúde, deixando a vítima com sentimento de culpa pelo
problema que apresenta.
O gráfico acima mostra que 36% das mulheres têm suas dúvidas esclarecidas
durante a realização do papanicolaou e 64% refere não ter suas dúvidas esclarecidas.
Em pesquisa estatística feita por Feliciano; Chisten e Velho (2010), frente ao
questionamento sobre dúvidas ou medos quanto ao exame colpocitológico, 85% das
mulheres disseram não possuir dúvidas, pois realizam periodicamente o exame e sempre as
esclarecem com os profissionais de saúde. Verificou-se certo grau de entendimento das
mulheres, que pode estar relacionado ao critério de inclusão para a entrevista, sobre a
realização do exame colpocitológico.
Educação em saúde é uma prática constante no cotidiano de um enfermeiro,
principalmente para o que atua em saúde pública (CARVALHO; CLEMENTINO; PINHO
2008). É importante enfatizar que o enfermeiro, dentro da equipe multiprofissional, é um dos
agentes de educação para a saúde, objetivando integração em favor da promoção da saúde
do paciente, da família, dos grupos sociais e da comunidade. A sua ação deve ser integral e
participativa na sua rotina de trabalho, deve estar voltado para o desenvolvimento de ações
de saúde e práticas educativas no sentido de prevenir o câncer (MINISTÉRIO DA SAÚDE,
2002).
67
Notamos uma fragilidade na prática de Educação em Saúde dos profissionais no
local de pesquisa, pois muitos destes não realizam nenhuma atividade educativa
relacionada à prevenção do câncer do colo do útero; e outros, quando realizam, resumemse em palestras. Caberia a estes agir diretamente sobre as mulheres através de grupos
educativos, esclarecendo dúvidas, fornecendo orientações, fazendo com que as mulheres
contem suas experiências de vida, até mesmo no consultório, para informar a prática correta
do exame de papanicolaou.
Os profissionais de saúde devem estar capacitados e habilitados para a realização
do referido exame. As mulheres precisam receber orientações sobre a coleta do exame, tais
como: no que consiste a sua realização, finalidade e importância de fazê-lo periodicamente,
apresentar os materiais utilizados, esclarecimentos sobre a posição da mulher no momento
da coleta, a população alvo e informações sobre o resultado do exame. Deve ser dada
atenção às condições de acesso e recepção da clientela ao promover um ambiente
acolhedor e que forneça privacidade; a oferta de estabelecimentos de saúde e horários
flexíveis para a realização do exame, verificando a proximidade de sua residência ou
trabalho; e, principalmente, o respeito às limitações impostas pela individualidade das
mulheres. A garantia de acesso à atenção à saúde deve estar adequada às necessidades
de assistência, com disponibilidade conforme a demanda e distribuição geográfica, tanto em
áreas urbanas como rurais (MANDÚ, 2009).
Os profissionais de saúde, por estarem mais próximos da população no contexto
familiar, devem construir um vínculo de confiança para discutirem os fatores de sexualidade,
cultura e explanar a importância da prevenção do câncer de colo uterino, através de formas
alternativas que buscam compreender cada indivíduo (PAULA, 2006 ; OLIVEIRA, 2007).
Salienta-se que é preciso haver profissional capacitado para planejar, organizar e
desenvolver atividades que respondam às necessidades das mulheres e assim estimular
sua participação e envolvimento.
68
RESULTADOS
O resultado do estudo nos levaram as seguintes conclusões:

Quanto às características da amostra estudada observamos que a idade
predominante das mulheres foi de 30 a 59 anos (54%), seguida pelas com idade
entre 21 a 29 anos (27%). A profissão de maior prevalência foi a do lar (53%).
Quanto ao estado civil, 54% eram casadas, 14% solteiras e 16% em união
consensual.
Em relação à escolaridade a maioria passou menos de 8 anos na
escola, pois 51% possui apenas o Ensino Fundamental Incompleto e 26% o Ensino
Médio Completo;

Quanto à idade de inicio da relação sexual das mulheres entrevistadas observamos
que 68% das mulheres iniciaram a atividade sexual entre 16 e 21 anos, 23%
relataram terem iniciado atividade sexual com menos de 15 anos e 8% com idade
igual ou maior que 22 anos;

Em relação ao uso ou não de preservativos e quanto aos motivos para não utilização
do mesmo nas relações sexuais, o estudo mostrou que 80% das mulheres não o usa
durante as relações sexuais e apenas 20% dispõe dessa proteção. Quanto aos
motivos apresentados, 14 mulheres (11,2%) não tem mais relação sexual, 11 (8,8%)
disseram que confiam no marido, 10 (8,0%) relataram não ter outro parceiro além do
marido, 8 delas (6,4%), usam ACO ou anticoncepcional injetável, 7 (5,6%) fizeram
laqueadura ou marido fez vasectomia, 6 (4,8%) não têm marido, 6 (4,8%) o marido
não gosta, 4 (3,2%) disseram simplesmente porque não, 4 (3,2%) não têm mais
menstruação, 3 (2,4%) não acham necessário, 3 (2,4%) não gostam de usar, 1
(0,8%) respondeu que nunca precisou, 1 (0,8%) relatou que o parceiro não tem
dinheiro para comprar, 1 (0,8%) referiu que pretende ter filhos e 1 (0,8%) respondeu
que não tem necessidade por ser evangélica;
69

Quanto à porcentagem de mulheres que tiveram ou não mais de um parceiro,
observamos que das mulheres entrevistadas, 46% responderam que sim, tiveram
mais de um parceiro, e 54% referiram que nunca tiveram outro parceiro além do
marido;

Em relação ao total de mulheres que tiveram ou não parceiros com DSTs, 91,0% das
mulheres entrevistadas referiram não terem parceiros com DST’s e 9% relataram
relacionar-se com parceiro que teve algum tipo de DST;

Com relação às variáveis obstétricas, destaca-se o alto percentual de multíparas
(85%), 60% escolheram como via de parto o natural e 81% não sofreu nenhum tipo
de aborto. Quanto à idade de menarca e menopausa das mulheres observamos que
93% tiveram menarca a partir dos 11 anos e 30% já se encontra na menopausa;

Quanto às mulheres com antecedentes familiares com câncer, 50% delas não
apresentam nenhum antecedente e 48% tem antecedentes com câncer na família;

Em relação a mulheres que apresentam antecedentes de doença sexualmente
transmissível, notamos que 94% nunca apresentaram nenhum tipo de DST, 2%
referiram ter sido acometida por leucorréia, 1% por candidíase, 1% por corrimento,
1% por sífilis e 1% não lembra;

Com relação à idade de realização do primeiro papanicolaou pelas mulheres e a
periodicidade com que elas o realizam, observamos que 72% delas realizaram seu
primeiro papanicolaou entre 16 e 30, 9% o realizou antes dos 15 anos, 11% a partir
dos 31 anos, 2% nunca fizeram e 6% relataram não lembrar. Quanto à periodicidade,
64% das entrevistadas o fazem anualmente, dentro do intervalo preconizado pelo
Ministério da Saúde, (a cada três anos, após dois exames anuais consecutivos
negativos para mulheres de 25 a 59 anos de idade ou que já tenham atividade
sexual), 9% realizam este exame apenas quando apresentam sinais e sintomas, 8%
a cada três anos, 7% o realizam semestralmente, 5% a cada dois anos, 4% a cada
cinco anos, 2% nunca fez e 1% coletou uma única vez e não mais procurou o serviço
de saúde para esse fim;
70

Quanto aos sintomas relacionados e aos fatores de risco ao câncer do colo do útero,
80% delas não apresentou nenhum dos sintomas descrito no questionário e 20%
apresentou um ou mais sintomas;

Quanto ao resultado e tratamento do último papanicolaou realizado pelas mulheres
entrevistadas, observamos que 89% referiram que o último exame do papanicolaou
teve resultado normal, 6% relataram ter algum tipo de inflamação, 1% NIC I, 1% NIC
III, 1% não soube informar e 2% nunca fizeram o exame. O tratamento apresentado
pelas mulheres para as alterações relatadas foi o de cauterização, pomadas e
histerectomia para resultados de inflamação e inflamação (pólipos) rever citação;
para o tratamento de NIC I, metronidazol e NIC III radioterapia e quimioterapia;

Quanto à percepção das mulheres na realização do exame citopatológico do colo do
útero, 92% conhecem a finalidade do papanicolaou e 75% sabem como é realizado o
exame. Questionadas a explicar a real finalidade desse exame apenas 30% destas
citam o papanicolaou como forma de prevenção do câncer cérvico-uterino, seguidas
dos 26% que responderam que a finalidade do exame seria prevenir doenças e
identificar feridas ou lesões no útero, 9% não soube explicar, 3% disse que é para
identificar câncer no colo do útero, 3% identificar infecção DST. Além destas,
destacamos também a resposta incorreta apontada por 3% das entrevistadas que
afirmaram que o exame de Papanicolaou tem a finalidade de identificar câncer
(qualquer tipo de câncer), nódulo, bactéria e anomalias no organismo. Esta
informação distorcida é passível de levar estas mulheres a se despreocuparem em
buscar outras especialidades por crerem estar protegidas. Em relação à importância
do exame do papanicolaou, 97% das entrevistadas consideram importante realizar o
exame, no entanto quando perguntamos o motivo pelo qual elas o fazem, apenas
15% delas responderam que seria para prevenção do câncer cérvico uterino, a
maioria (54%) disseram que é para evitar ou identificar doenças (qualquer tipo), 7%
não explicaram ou não tiveram interesse em responder e 2% responderam
simplesmente que é para prevenção. A falta de compreensão da importância da
71
realização do exame por um segmento de mulheres constitui um desafio para os
serviços de saúde, pois limita o acesso ao rastreamento do câncer de colo do útero,
principalmente daquelas consideradas de maior risco;

Em relação ao papel do enfermeiro em ações educativas, concluímos que 91% das
entrevistadas nunca participaram de palestras na unidade e 64% delas dizem não ter
suas dúvidas esclarecidas durante o exame. Com base nos dados notamos a pouca
produção dos enfermeiros da EACS Planejada II em ações educativas para
promoção e proteção da saúde.
O enfermeiro deverá comprometer-se com a
promoção da saúde e acreditar no poder transformador da educação, pois as
mulheres com seus conhecimentos aprimorados se tornam multiplicadoras de
informações.
72
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Este trabalho procurou identificar a percepção das mulheres quanto à realização do
exame papanicolaou, para compreender desta forma, os comportamentos preventivos
destas mulheres. Conhecer estes fatores é o primeiro passo para definir estratégias de
intervenções mais eficientes e adequadas às reais necessidades da população feminina.
Prevenir é antecipar o conhecimento, impedindo que um fato ocorra ou mesmo que tenha
continuidade, portanto a atitude preventiva ao câncer cérvico uterino deve ser abrangente a
fim de evitar o processo de cancerização, ou mesmo a interrupção da evolução de uma
lesão pré-maligna, para isso utilizando-se de todos os recursos diagnósticos disponíveis. Os
dados apresentados neste estudo mostraram que a prevalência de comportamentos de risco
é alta na população de mulheres em geral, e que a auto percepção de risco é muito baixa e
freqüentemente inadequada. Esses fatores contribuem como obstáculos na prevenção ao
câncer cérvico uterino, e podem ainda se perpetuar dentro dos núcleos familiares e sociais,
impedindo o estabelecimento de ações ineficazes no sentido da prevenção. Atender as
necessidades da realidade dessas mulheres significa aproximar-se da transformação social
do comportamento em relação à prevenção. A transformação só é possível através da
modificação do modo de vida, e que seja entendida como benefício e justificativa dos
esforços no sentido de concretizá-la. As medidas educativas são, assim, extremamente
importantes para que a prevenção do câncer de colo uterino seja fundamentada para
condição de vida das mulheres, ao ter como objetivo instruir indivíduos e grupos para
colaborarem na melhoria da saúde da população, pois é sabido que a evolução da saúde
está relacionada com a evolução da sociedade. Educar é um processo contínuo, em que se
ensina e aprende a cada dia, respeitando o saber do outro e aprendendo com ele. Assim
ensinar não é transferir conhecimentos, e sim criar possibilidades para sua construção e
produção.
Enfim, este estudo concluiu que é imprescindível uma atuação diferenciada dos
profissionais da saúde com as mulheres em relação ao exame preventivo papanicolaou.
73
Uma atuação com envolvimento, com respeito à sua intimidade, à sua privacidade, ao seu
direito de conhecer e poder conversar sobre o câncer de colo uterino. Para que haja
diminuição da mortalidade das mulheres e, para que uma alta porcentagem da população
seja rastreada, é necessário busca ativa das mesmas, que nunca realizaram o exame de
papanicolaou ou que não o realizam com freqüência desejada para atender o aspécto da
prevenção do câncer de colo uterino.
Foi de grande importância a realização deste trabalho, tanto para nosso
desenvolvimento profissional, quanto pessoal, pois ele nos trouxe muito conhecimento e
mostrou caminhos pelos quais, o enfermeiro pode percorrer, cabendo a ele assumi-lo.
74
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Apêndice A
Instrumento de Coleta de dados
I- Perfil da Clientela
Idade: ______
Profissão: _______________________________________________________
Estado civil:
( ) casada
( ) solteira
( ) viúva
( ) divorciada
( ) união consensual
Escolaridade:
( ) não alfabetizada
( ) EFC
( ) EFI
( ) EMC
( ) EMI
( ) Ensino Superior Completo
( ) Ensino Superior Incompleto
II – Historia obstétrica e ginecológica.
1) Com que idade iniciou a atividade sexual: _________
2) Faz uso de preservativos?
( ) Sim
( ) Não
Se não. Qual o motivo? ___________________________________________________
______________________________________________________________________
3) Tem ou já teve mais de um parceiro?
( ) Sim
( ) Não
4) Seu parceiro já apresentou alguma doença sexualmente transmissível? (Se não souber o
que é DST, perguntar se o parceiro já apresentou lesão peniana/anal em formato de couveflor ou verruga, presença de secreção)
( ) Sim
( ) Não
5) Nº de gestações: _______
Paridade: _____ (PC__ PN__ PF __)
Aborto: ( ) sim
( ) não
Se sim: (P__ E __)
Menarca: __________
Menopausa: _______________
6) Antecedentes familiares com Câncer? ( )Sim ( ) Não
Quem? _________________________________________________
Tipo de câncer? __________________________________________
7) Antecedentes de doença sexualmente transmissível? (Se não souber o que é DST
perguntar se já apresentou lesão em forma de verruga na parte externa da vagina).
( ) Sim
( ) Não
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Que doença? ___________________________________________________________
8) Com que idade realizou o primeiro exame citopatológico do colo de útero
(Papanicolaou)? ___________
9) Com que periodicidade realiza o exame de Papanicolaou?
( ) Semestralmente
( ) Anualmente
( ) A cada dois anos
( ) A cada três anos
( ) A cada cinco anos
( ) Quando apresento sinais e sintomas
III – Quanto os fatores de risco, já apresentou algum/alguns dos sintomas abaixo
relacionados?
1 - ( ) Sangramento após as relações sexuais;
2 - ( ) Perda de sangue inesperado entre as menstruações, ou após a menopausa (se for o
caso)
3 - ( ) Aparecimento de sangue na urina ou fezes;
4 - ( ) Dor na região pélvica.
IV - Resultados apresentados no último exame de Papanicolaou :
Sistema
Sistema
Sistema
Sistema
Clássico
OMS
NIC
Bethesda
I
Normal
Normal
Dentro dos limites
normais
II
Inflamação
Inflamação
Alterações celulares
benignas
III
Displasia Leve
Displasia
Moderada
Displasia Severa
NIC 1
NIC 2
NIC 3
SIL baixo grau
SIL alto grau
SIL alto grau
IV
Carcinoma in
situ
NIC 3
SIL alto grau
V
Carcinoma
invasor
Carcinoma
invasor
Carcinoma invasor
1) Tipo de tratamento empregado?
( ) não foi utilizado nenhum tratamento, apenas acompanhamento
( ) Medicamentos (especificar): _____________________________________________
( ) Cauterização - através de nitrogênio líquido, nitrato de prata, eletrocautério ou ácido
acético;
( ) Conização - cirurgia para retirada de pequena porção do colo uterino;
( ) Histerectomia - retirada de todo o útero;
84
(
(
(
(
) Radioterapia;
) Quimioterapia;
) Não foi possível colher esta informação por falta de dados em prontuário
) A cliente não soube informar
V - Identificar o conhecimento das mulheres quanto a importância do exame :
1 – Você sabe o que é o exame de Papanicolaou?
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
2 - Você sabe para que serve este exame?
( ) Sim
( ) Não
Se sim. Explicar. ____________________________________________________________
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
3 - Sabe como é realizado o exame?
( ) Sim
( ) Não
4 - Você acha importante realizar o exame de Papanicolaou?
( ) Sim
( ) Não
Por
quê?______________________________________________________________________
_______________________________________________________________________
VI- Enfatizar o papel do enfermeiro no desenvolvimento de ações educativas e de
conscientização quanto à prevenção do câncer de colo de útero :
1 – Você já participou de alguma palestra sobre a Saúde da mulher com o enfermeiro da
sua Unidade?
( ) Sim
( ) Não
Se sim. Quais temas são abordados:
( )Exame preventivo (Papanicolaou)
( )DST
( )Métodos anticonceptivos
2 – Durante a coleta do papanicolaou são esclarecidas as dúvidas quanto ao exame?
( ) Sim
( ) Não
3 – Quais temas você gostaria que fossem abordados pelo enfermeiro da sua Unidade
quanto ao exame do papanicolaou?
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________
Apêndice B
Autorização
Bragança Paulista, ___ de abril de 2010.
85
Exma. Secretária Municipal de Saúde Drª Maria Amália Gouveia Oliveira.
Vimos solicitar as dignas providências no sentido de autorizar a coleta de dados da
pesquisa intitulada “A PERCEPÇÃO DAS MULHERES QUANTO A REALIZAÇÃO DO
EXAME
PAPANICOLAOU
NUMA
UNIDADE
DE
ESTRATÉGIA
DE
AGENTE
COMUNITÁRIO DE SAÚDE” em desenvolvimento pelas minhas orientandas Eliete
Aparecida de Aguiar, Maria Cristina de Jesus Santos e Quevellin Alves dos Santos,
alunas do 7º semestre do curso de enfermagem, do centro de Ciências Biológicas da Saúde
da Universidade São Francisco, como exigência parcial para conclusão do curso de
graduação.
Os dados serão obtidos através de aplicação de uma entrevista, com o objetivo de
identificar o conhecimento das mulheres quanto à importância do exame citopatológico
(Papanicolaou) e o papel do enfermeiro frente à prevenção do câncer do colo do útero na
Estratégia de Agente Comunitário de Saúde.
Somente participarão desta pesquisa as pacientes que estiverem de acordo com o
Termo de Consentimento e a coleta de dados somente será realizada após autorização do
Comitê de Ética em Pesquisa.
Em anexo enviamos o projeto de pesquisa o qual será avaliado pelo Comitê de Ética
em Pesquisa da Universidade São Francisco.
Agradecendo antecipadamente a valiosa colaboração de VS, colocamos à
disposição para quaisquer esclarecimentos.
Atenciosamente
________________________________
Professor Ricardo de Almeida
(orientador)
Fone: (11) 96306272
E-mail: [email protected]
Declaro que conheço o projeto de pesquisa em questão e autorizo a realização do
mesmo após apreciação do Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade São
Francisco.
___________________________________________
Drª Maria Amália Gouveia Oliveira
(Secretária de Saúde de Bragança Paulista)
Apêndice C
Termo de consentimento livre e esclarecido
A PERCEPÇÃO DAS MULHERES QUANTO A REALIZAÇÃO DO EXAME
PAPANICOLAOU NUMA UNIDADE DE ESTRATÉGIA DE AGENTE COMUNITÁRIO DE
SAÚDE
O abaixo assinado:
86
Nome: ____________________________________________________________________
Endereço:
________________________________________________________________
Cidade / Estado: ____________________________________________________________
RG:_______________________________
Idade: ____________
Declara que é de livre e espontânea vontade que está participando como voluntário do
projeto de pesquisa supracitado, de responsabilidade do pesquisador. O voluntário está
ciente que:
I. Os objetivos desta pesquisa são:
Objetivo geral:

Identificar a percepção das mulheres quanto à realização do exame papanicolaou no
Programa de Agente Comunitário de Saúde.
Objetivos específicos:

Caracterizar o perfil da clientela que realiza o exame citopatológico do colo do útero
(Papanicolaou);

Conhecer historia obstétrica e ginecológica;

Conhecer os fatores de risco da população estudada;

Identificar o último exame realizado e o seu resultado;

Identificar o conhecimento das mulheres quanto importância do exame citopatologico
do colo de útero (papanicolaou);

Enfatizar o papel do enfermeiro no desenvolvimento de ações educativas e de
conscientização quanto à prevenção do câncer de colo de útero.
II. A participação neste estudo não acarretará nenhum risco que possa comprometer a sua
saúde ou o seu tratamento.
III. Obteve todas as informações necessárias para poder decidir conscientemente sobre a
participação no referido estudo.
IV. Está livre para interromper a participação no estudo a qualquer momento ou deixar de
responder a qualquer pergunta.
V. A interrupção no estudo não lhe causará prejuízo ao seu atendimento, cuidado e
tratamento pela equipe de saúde do EACS Planejada II.
VI. Responderá a um formulário, o qual não possuirá nenhuma forma de fornecer sua
identidade, visto que todas as informações obtidas serão convertidas em dados numéricos.
VII. Uma vez encerrado o trabalho, os resultados poderão ser divulgados em eventos e
revistas científicas, onde serão mantidos sigilo e anonimato de qualquer informação
fornecida.
87
VIII. Poderá entrar em contato com os pesquisadores, sempre que necessário, pelo telefone
abaixo citado.
IX. Poderá entrar em contato com o Comitê de Ética em Pesquisa para apresentar recursos
ou reclamações em relação ao estudo (Fones: (11) 2454-8981ou 2454-8028 – Comitê de
Ética em Pesquisa – USF).
X. Este termo de consentimento livre e esclarecido constará de duas vias, sendo uma delas
entregue ao voluntário.
Pesquisadoras:
Eliete Aparecida Aguiar RG 11.423.905
Rua do Campo, 337 apto 22 – JD. São José
Bragança Paulista – São Paulo
Fone (11) 6742-8016
E-mail: [email protected]
Maria Cristina de Jesus Santos RG 2.454.195
Rua Dois, 79 – Vila São José II
Atibaia – São Paulo
Fone (11) 7468-6828
E-mail: criss[email protected]
Quevellin Alves dos Santos RG 42.859.721-X
Rua Ezeo Dínamo Rossi, 353
Jardim Águas Claras
Fone: 8996-7389
E-mail: [email protected]
Pesquisador Responsável:
Prof° Ricardo de Almeida
RG: 29.506.250-2
Endereço: Rua Dom Pedro I, 30
Cidade: Bom Jesus dos Perdões - SP
Fone: (11) 96306272
E-mail: [email protected]
Bragança Paulista, ___ de_____________________ de 2010.
Assinatura do (a) voluntário (a) : ____________________________________
Assinatura do Responsável pela pesquisa:
Prof° Ricardo de Almeida
88
Assinatura: ________________________________
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Eliete Aparecida de Aguiar - Universidade São Francisco