UNIVERSIDADE CASTELO BRANCO
ESPECIALIZAÇÃO “Lato Sensu” EM PRODUÇÃO E
REPRODUÇÃO EM BOVINOS
SISTEMA DE PASTEJO
Veruska Miranda Araújo
Brasília, dez. 2007
VERUSKA MIRANDA ARAÚJO
Especialização “Lato Sensu” em Produção e Reprodução em Bovinos
SISTEMA DE PASTEJO
Trabalho monográfico de conclusão da
Especialização “Lato Sensu” em
Produção e Reprodução em Bovinos
(TCC), apresentado a UCB como
requisito parcial para obtenção do
título de Especialista em Médico
Veterinário, sob a orientação do Prof.
Paulo Cláudio Machado Junior.
Brasília, dez. 2007
Dedico
este
trabalho
primeiramente a Deus, pelo
Dom da Vida, a minha família
e aos meus amigos de turma,
principalmente as meninas,
que sempre me incentivaram,
ajudaram e apoiaram.
Agradecimentos
A minha família que sempre
me incentivou e apoiou nos
meus estudos;
Ao meu querido professor
Paulo Machado, que mesmo
não sendo mais meu professor
aceitou a ser meu orientador e
me ajudou muito;
Ao meu professor de Inglês
Igor, que sempre está me
ajudando.
A todos os professores e
amigos da pós-graduação que
ajudaram no meu crescimento
profissional.
SUMÁRIO
RESUMO..............................................................................................................................v
LISTA DE FIGURAS.........................................................................................................vi
LISTA DE TABELAS.......................................................................................................vii
1. INTRODUÇÃO..................................................................................................................ix
2 - SISTEMAS DE PASTEJO NA EXPLORAÇÃO PECUÁRIA BRASILEIRA ................... xii
3 - SISTEMA PLANTA-ANIMAL.........................................................................................xvi
4 -MANEJO DE PASTAGENS ...........................................................................................xvii
5 - MANEJO DE FORMAÇÃO ...........................................................................................xix
6 - SISTEMAS DE PASTEJO ...............................................................................................xx
7 - CAPACIDADE DE SUPORTE ....................................................................................xxiii
8 - TAXA DE LOTAÇÃO................................................................................................... xxiv
9 - MÉTODOS DE UTILIZAÇÃO DE PASTAGENS ........................................................ xxvi
9.1 - PASTEJO CONTÍNUO..................................................................................... xxvi
9.2 – PASTEJO ROTACIONADO .......................................................................... xxvii
9.2.1 - DIFERENTES NOMECLATURAS DO PATEJO ROTACIONADO ....... xxvii
9.2.2 - TIPOS DE MANEJO DE PASTEJO ROTACIONADO............................ xxviii
9.2.2.1 - LOTAÇÃO ROTACIONADA .............................................................. xxix
9.2.2.2 - PASTOREIO RACIONAL VOISIN ...................................................... xxx
9.2.2.3 – PASTEJO EM FAIXAS....................................................................... xxxv
9.2.2.4 – PASTEJO ROTACIONADO COM DOIS GRUPOS DE ANIMAIS xxxvi
9.2.2.5 - "CREEP GRAZING".......................................................................... xxxvii
9.2.2.6 - "CREEP-GRAZING AVANÇADO".................................................. xxxvii
9.2.2.7 - PASTEJO LIMITE ............................................................................. xxxvii
9.2.2.8 – PASTEJO DIFERIDO....................................................................... xxxviii
10- CERCA ELÉTRICA E OUTROS................................................................................... xli
11- COMPARATIVO DO SISTEMA CONTÍNUO E DO ROTACIONADO. .....................xliv
12 - CONSIDERAÇÕES FINAIS...........................................................................................lv
13 – REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS......................................................................... lviii
RESUMO
O objetivo de um bom sistema de pastejo é permitir aos animais uma eficiente
utilização de forragem da melhor qualidade, durante o ano inteiro, sem comprometer a
sustentabilidade da pastagem. Dessa forma, o manejo das pastagens deverá permitir uma
adequada colheita da forragem produzida por parte dos animais. As opiniões sobre qual o
melhor sistema de utilização das pastagens são numerosas e divergentes, principalmente
com relação ao sistema contínuo e rotacionado. Apesar de muitos experimentos terem sido
conduzidos, os resultados tem sido contraditórios e não permitem uma conclusão
definitiva. O presente trabalho relatou os sistemas de pastejo na exploração pecuária, assim
como o comparativo entre os dois sistemas mais utilizados: contínuo x rotacionado, e suas
variações.
Palavras-Chaves: Pastagem, Forragem, Pastejo.
ABSTRACT
The objective of a good system of pastejo is to allow to the animals an efficient use of
fodder plant of the best quality, all over the year, without compromising the sustainability
of the pasture. So, the handling of the pastures may allow an adequate harvest of the fodder
plant produced on the part of the animals. The opinions on which the best system of use of
the pastures is, are numerous and divergent, mainly with relation to the continuous and
rotated system. Although many experiments have been done, the results have been
contradictory and they do not allow a definitive conclusion. The present work explained
the systems of pastejo in the cattle raise, as well as the comparison between the two most
used systems: continuous x rotated, and its variations.
Key-Words: Pasture, Fodder plant, Pastejo.
LISTA DE FIGURAS
1. Relação da pressão de pastejo (N) com ganho por animal (g) e ganho por unidade
de área(G)..................................................................................................................14
2. Esquemas ilustrativos de algumas variantes de pastejo rotacionado........................32
3. Mudanças na taxa de crescimento instantâneo (dW/dt), na massa da pastagem (w) e
na taxa média de crescimento ((W-Wo)/t) de uma pastagem durante a rebrota a
partir de uma baixa área folicular.............................................................................39
LISTA DE TABELAS
1. Relação de alguns trabalhos comparando os dois métodos de pastejo.....................41
2. Associação generalizada entre parâmetros do sistema planta – animal sob várias
pressões de pastejo...................................................................................................44
1. INTRODUÇÃO
O princípio básico e universal de qualquer sistema de produção animal é a obtenção
do equilíbrio entre suprimento e demanda por alimentos (SILVA & PEDREIRA, 1996).
Para sistemas de produção envolvendo pastagens essa afirmativa não poderia ser
diferente, pois a pastagem está devidamente inserida no sistema de produção como um dos
principais fatores produtivos. Porém um sistema de produção é muito mais complexo e
dinâmico do que se possa parecer, existem diversos fatores fazendo parte desse sistema que
interagem entre si, tais como, solo, planta, clima, animais e o próprio homem. É normal
que mudanças num desses componentes gerem modificações num outro. É dentro desse
contexto que devemos estabelecer sistemas de suprimento de forragem de modo a tornar a
atividade pecuária uma alternativa competitiva e interessante do ponto de vista econômico.
Soluções pontuais e/ou localizadas dentro desse sistema certamente não permitirão a
obtenção de resultados líquidos efetivos satisfatórios, já que existem mecanismos de
compensação que faz com que respostas de componentes individuais ao manejo sejam
equilibradas por outras indiretas (SILVA & PEDREIRA, 1996).
Máximo rendimento por animal e por unidade de área nunca poderão ser obtidos
simultaneamente. Como isto é verdade, deve-se ter em mente de que uma eficiente
utilização de forragem para a produção de produtos de origem animal exige decisões que
satisfaçam a demanda para a produção por animal e por unidade de área (BLASER citado
por MARASCHIN, 1994). Dessa forma, para o adequado manejo de um sistema de
produção, particularmente baseado no uso de pastagens, é de grande importância se
conhecer todos os seus componentes e suas interações.
Considerando o pasto como meio por onde circulam todos os fatores já
mencionados, vemos a importância que o seu manejo pode ter na produção animal. Não é
difícil perceber que não há um sistema de pastejo ótimo para as mais diversas situações, na
verdade para cada sistema de produção há um sistema de pastejo que melhor se ajusta aos
fatores de produção.
No entanto para a obtenção de uma alta produção animal em pastagens três
condições básicas devem ser atendidas (MCMEEKAN, 1956):
a) deve ser produzida uma grande quantidade de forragem de bom valor nutritivo,
cuja distribuição estacional deve coincidir com a curva anual de requisitos nutricionais dos
animais;
b) uma grande proporção dessa forragem deve ser colhida pelos próprios animais,
c) a eficiência de conversão dos animais deve ser elevada.
A primeira condição é muito difícil de ser atendida, porque, na maioria das
pastagens no mundo, o suprimento de forragem ao longo do ano não coincide exatamente
com as necessidades dos rebanhos (SPEEDING, 1965). O que ocorre na verdade, é que há
um excesso de forragem produzida na época das chuvas e um forte déficit de forragem nos
períodos de seca na grande maioria dos casos. As pastagens raramente estão em estado de
equilíbrio.
Na maioria das vezes os animais consomem quantidades de forragem acima ou
abaixo do que está sendo produzido. Alguma estabilidade do sistema solo-planta-animal é
importante para a persistência de produção das pastagens. Isso só poderia ser conseguido
através da combinação adequada dos fatores ambientes com aqueles controlados pelo
homem, quais sejam: pressão e sistema de pastejo e tipo de animais utilizados. Porém, temse observado que, na maioria das fazendas de produção de bovinos, os administradores não
têm dado as pastagens à devida atenção e vêm utilizando mais freqüentemente dentro dos
princípios do extrativismo (NETO, 1994).
O objetivo deste trabalho é apresentar os diversos tipos de sistemas de pastejo,
fixando o sistema contínuo e rotacionado, com suas variações. Mostrar que com um bom
sistema de pastejo, adequado a cada situação, irá permitir que os animais tenham uma
eficiente utilização de forragem da melhor qualidade, durante o ano inteiro, sem
comprometer a sustentabilidade da pastagem, fazendo um comparativo dos dois principais
sistemas.
2 - SISTEMAS DE PASTEJO NA EXPLORAÇÃO PECUÁRIA BRASILEIRA
A indústria pecuária nas regiões tropicais tem passado por mudanças importantes
em tempos recentes. No Brasil o final do século XX foi marcado pela necessidade de
reavaliação de postura e procedimento em diversos setores, em função da estabilidade
econômica. Nesse contexto, o setor primário foi forçado a direcionar esforços para a
tecnificação e para o aumento de eficiência do processo produtivo. Uma das atividades do
setor que talvez tenham sido atingidas com mais intensidade foi à pecuária, que, no Brasil
é essencialmente baseada no uso de pastagens. (PEDREIRA et al., 2005)
Todos os sistemas de produção no mundo têm em comum a mesma problemática de
qualquer sistema de produção baseado em pastagens. Há sempre um ciclo de maior
produção de forragem e um outro de menor produção de forragem. Varia a amplitude desta
produção/escassez (em massa de forragem) e o tempo no qual esta se verifica (meses).
(SANTANA, 1997)
Como em todos os setores, a busca por soluções para problemas que antes eram
crônicos e assumidos como inerentes e inevitáveis, teve início com a conscientização de
que sobrevivência era sinônimo de eficiência. Numa atividade em que escala de produção e
margem de lucro têm que ser entendidas com exatidão, a demanda por tecnologia
aumentou significativamente. Começou-se, em muitos casos, a discutir o "sistema" de
produção animal e a entender a sua natureza multi-disciplinar e, aos poucos, aceita-se o
fato de que custo baixo não é sinônimo de lucro máximo. Esses sistemas precisam sim ser
retro-alimentados com investimento em recursos produtivos e tecnologia, e, ao mesmo
tempo em que as pressões sociais e governamentais requerem a conscientização ecológica
e o produto animal de qualidade, as econômicas demandam que sejam viáveis. Em uma
palavra, deve haver sustentabilidade. (PEDREIRA et al., 2005)
Nos países desenvolvidos, tais pressões têm em anos recentes determinado grandes
mudanças de procedimento na indústria pecuária. Sistemas intensivos de produção em
confinamento têm sido associados a problemas de doenças e de poluição de mananciais e
em muitas situações, a "volta aos pastos" está sendo conclamada. Isso coloca o setor
produtivo diante do dilema de ter que manter os níveis de produtividade, estrutura de
custos, gerenciamento dos sistemas etc, pelo menos em níveis semelhantes àqueles
praticados nos sistemas confinados. Ocorre que, na pastagem, o manejo da alimentação
que é crítico para o bom manejador de pastos, passa a ser um novo universo para o
pecuarista habituado a gerenciar ingredientes de rações. Embora o pasto pastejado seja a
fonte de alimento mais barata para falta de conhecimento sobre como usá-lo, pode custar
caro. Às vezes caro demais. (PEDREIRA et al., 2005)
A situação da pecuária no Brasil é difícil. Se a dita ocupação do Centro-Oeste,
através da abertura de novas áreas de pastagens, teve grande impacto no que diz respeito ao
aumento do efetivo bovino no país, o mesmo não se pode dizer em relação aos índices de
produtividade. Eles são muito baixos e estão estagnados há algumas décadas, com tímidas
melhorias em alguns índices. (SANTANA, 1997)
A taxa anual de crescimento do efetivo bovino na década de 90 no Centro-Oeste é
de 4,2%, enquanto na Região Sul é de 1,1%, basicamente sustentada pelo Paraná. A
pecuária no RS é baseada essencialmente na produção do seu campo nativo, presente em
aproximadamente 10,5 milhões de ha. Este campo, de alta diversidade florística, tem o seu
de crescimento nos meses de primavera e verão, já com acentuada redução de crescimento
no outono e insignificante no inverno. A comparação com diferentes biomas no mundo
revela que esta região é uma das de maior potencial de crescimento vegetal. As regiões
Sudeste, Centro-Oeste e Norte transformaram boa parte de sua vegetação nativa em
pastagens utilizando essencialmente espécies dos gêneros Brachiaria, Panicum,
Pennisetum e Andropogon. As causas da baixa produtividade dos sistemas de produção em
pastagens são muitas. (SANTANA, 1997)
As literaturas científica e técnica são ricas em publicações sobre produção e manejo
de pastagens, sobretudo no que diz respeito a espécies de clima temperado. Nos últimos
anos, muito tem se avançado no campo das espécies tropicais. Sistemas de pastejo
(entendidos como a combinação integrada dos componentes animal, planta, solo, clima,
manejo, e mercado) têm sido concebidos e testados na tentativa de se chegar a receitas
ótimas, mas logo se percebe que as individualidades de cada sistema, definem
obrigatoriamente individualidades filosóficas na sua condução. (PEDREIRA et al., 2005)
Segundo PEDREIRA et al (2005), dentre os componentes mais estudados os
métodos de pastejo têm recebido grande atenção por parte da pesquisa. A diversidade de
espécies de plantas forrageiras tropicais, aliada à diversidade de ambientes em que serão
utilizadas, impossibilita a proposição de receitas para cada combinação. Assim, é fácil
reconhecer que, mais importante do que saber "o que acontece", é mais importante saber
"por que acontece", e, portanto, a adoção bem sucedida de tecnologia de manejo de
pastagens passa obrigatoriamente pelo entendimento das bases biológicas que regem as
respostas das plantas forrageiras às estratégias de desfolha dentro dos sistemas de
produção.
3 - SISTEMA PLANTA-ANIMAL
A produção de uma pastagem deve ser interpretada como uma inter-relação de
fatores que envolvem dois sistemas biológicos: a pastagem e o animal (SPEEDING, 1965
& MATCHES, 1970). Qualquer outro fator que influencie um dos sistemas afetará o
desempenho animal e o rendimento da pastagem por unidade de área. O desempenho
animal depende da quantidade e qualidade da forragem produzida e sua conversão quando
consumida pelo animal. MOTT (1973) considerou a produção de forragem por unidade de
área, em termos de unidades alimentares, como o aspecto quantitativo da produção animal,
e a resposta do animal à pastagem como uma medida de sua qualidade total, se o potencial
do animal for constante e a pastagem a única fonte de alimento para o animal e a
quantidade disponível não for limitante.
Um dos objetivos primários no manejo de pastagens deve ser a definição da relação
planta-animal e como ela afeta o desempenho do animal e o rendimento da pastagem.
Quando se pretende estabelecer o valor potencial de uma pastagem, deve-se ter em mente
que as técnicas de avaliação de pastagens com animais medem ou o potencial do animal ou
o potencial da pastagem, isto é, o fator limitante no sistema planta-animal (IRVINS et al.,
1958). Isto significa que devem ser evitadas as lotações conservativas e alta pressão de
pastejo impostas, se se pretende identificar as melhores pastagens (BRYAN, et al., 1964).
4 -MANEJO DE PASTAGENS
O manejo eficiente da pastagem requer um plano compreensivo de utilização para
assegurar o melhor aproveitamento dos recursos disponíveis. As decisões operacionais
necessárias para viabilizar um plano de manejo envolvem considerações biológicas,
econômicas e de manejo geral da propriedade. Neste sentido, um sistema de pastejo ideal é
aquele que permite maximizar a produção animal sem afetar a persistência das plantas
forrageiras. Contudo, a escolha de um sistema de pastejo é bem mais complexa do que
simplesmente se adotar algumas técnicas de manejo, haja vista que envolve uma série de
variantes interagentes, tais como a planta forrageira, a animal, o clima e o solo. (REIS,
1997)
A diversidade climática e edáfica existente nas diferentes regiões pastoris
propiciaram o desenvolvimento de grande número de sistemas de pastejo. Nos Estados
Unidos vários sistemas envolvendo rotação de pastagens sugeriram nos últimos 40 anos, de
forma cíclica e regional, despertando grande interesse de pecuaristas e considerável
experimentação de longo prazo sobre os vários componentes dos sistemas. (RODRIGUES,
1997)
Segundo REIS (1997) os estudos publicados até o momento mostram que os
sistemas de pastejo testados apresentam resultados bastante confiantes. Alguns sistemas
melhoraram a cobertura vegetal da pastagem, mas não afetam a produção animal. Outros
aumentam a produção animal. Outros aumentaram a produção animal a curto prazo, mas
não resultam em efeitos benéficos para a persistência das plantas na pastagem.
No manejo de pastagens o principal objetivo é assegurar a produtividade animal, a
longo prazo, mantendo sua estabilidade e persistência. Para que se possa alcançar alta
produção animal em pastagens, três condições básicas devem ser atendidas (COSTA,
2007):
a) alta produtividade de forragem com bom valor nutritivo, se possível, com
distribuição estacional concomitante com a curva anual dos requerimentos nutricionais dos
animais;
b) propiciar aos animais elevado consumo voluntário;
c) a eficiência de conversão alimentar dos animais deve ser alta.
Dentre os fatores de manejo que mais afetam a utilização das pastagens, destacamse a carga animal e o sistema de pastejo. A carga animal ou intensidade de pastejo influi na
utilização da forragem produzida, estabelecendo uma forte interação com a disponibilidade
de forragem como conseqüência do crescimento das plantas, da desfolhação e do consumo
pelos animais. Já, o sistema de pastejo está relacionado com os períodos de ocupação e
descanso da pastagem e tem por finalidade básica manter uma alta produção de forragem
com bom valor nutritivo, durante a maior parte do ano, de modo a maximizar a produção
por animal e/ou por área. (COSTA, 2007)
5 - MANEJO DE FORMAÇÃO
A utilização intensa das pastagens logo após o seu estabelecimento pode
comprometer sua produtividade e diminuir sua vida útil. Se o plantio foi bem sucedido e
ocorreu boa emergência de plantas, aproximadamente 3 a 4 meses após, quando a espécie
forrageira atingir uma altura aproximada de 30-40 cm (plantas prostradas) e 60-100 cm
(plantas cespitosas), faz-se um pastejo inicial e rápido com uma carga animal de 4 a 6
UA/ha, preferencialmente utilizando-se animais jovens, visando consolidar o sistema
radicular e estimular novas brotações, contribuindo também para maior cobertura do solo.
(COSTA, 2007)
Independente dos sistemas de pastejo utilizados deve-se lembrar que a
disponibilidade da pastagem é uma ferramenta de manejo do pastejo obtida pelo controle
da lotação. (BLASER et al, 1986).
Segue-se uma limpeza das plantas invasoras, replantio das áreas descobertas e
descanso das pastagens até o completo estabelecimento. No entanto, recomenda-se não
iniciar o pastejo durante a primeira estação chuvosa. Quando se tem uma densidade de
plantas muito baixa, é desejável deixar que estas cresçam livremente para a produção de
sementes e, então, dar-se-á um pastejo para que os animais auxiliem na queda e
distribuição das sementes em toda a área, favorecendo, dessa forma, a ressemeadura
natural na estação chuvosa seguinte. (COSTA, 2007)
6 - SISTEMAS DE PASTEJO
Em qualquer que seja a situação de pastejo com animais, existem três fatores
fundamentais e que fazem parte de qualquer sistema de pastejo (COSTA, 2007):
a) Dias de ocupação: período em que os animais permanecem pastejando uma
determinada área;
b) Dias de descanso: período compreendido entre dois pastejos subseqüentes, no
qual a pastagem fica em repouso para rebrotar, variando desde o pastejo contínuo, com
zero dia de descanso, até sistemas com uma ampla relação de dias de descanso, em que o
período de ocupação pode ficar reduzido a um dia ou menos, como ocorre no pastejo
rotativo;
c) Pressão de pastejo: é a relação entre o peso vivo dos animais em pastejo e a
quantidade de forragem disponível na pastagem, normalmente é expressa em kg de Matéria
Seca (MS) oferecida (disponível) por 100 kg de peso vivo/dia, ou seja, uma pressão de
pastejo de 3% significa uma oferta diária de 3 kg de MS disponível para cada 100 kg de
peso vivo/dia. Diferencia-se do conceito de taxa de lotação, pois este relaciona a carga
animal com a área, não levando em consideração a disponibilidade de forragem.
Independentemente do método de pastejo contínuo ou rotativo, a pressão de pastejo é o
principal fator que determina o sucesso ou insucesso no manejo de uma pastagem.
Segundo COSTA (2007) partindo-se do principio em que os demais componentes
do sistema não sejam limitantes, a máxima produção por animal (p.e. kg de leite/vaca) é
determinada pelo valor nutritivo (qualidade) da forragem disponível, e a máxima produção
por área (kg de leite/ha = kg de leite/vaca x número de vacas/ha) é função da quantidade de
forragem disponível na pastagem.
A máxima produção por animal e por área não podem ser atingidas
simultaneamente. O máximo ganho por animal ocorre quando a pressão de pastejo é baixa
e/ou a disponibilidade de forragem é alta, o que propicia o pastejo seletivo por parte dos
animais (área de subpastejo); em casos extremos o desempenho animal poderá ser
prejudicado, devido ao decréscimo na qualidade da forragem, em função do acúmulo de
material senescente. (COSTA, 2007)
À medida que a pressão de pastejo vai aumentando e/ou a disponibilidade de
forragem vai diminuindo o ganho/área é crescente e o por animal é decrescente;
inicialmente as taxas são pequenas, mas com o aumento na restrição de forragem
disponível as taxas de decréscimo passam a ser maiores, até ser atingido o ponto em que
tanto o ganho/área como por animal, passam a ser decrescentes (área de superpastejo),
chegando-se ao platô em que os ganhos são nulos. (MOTT, 1960)
No manejo de uma pastagem deve-se procurar manter a pressão de pastejo e/ou
disponibilidade de forragem em níveis que, embora não representem o máximo ganho por
animal, propiciem os maiores ganhos por área (zona de amplitude ótima), pois, desta
forma, a pastagem estará expressando o seu potencial produtivo, ou seja, conciliando
elevada produção de forragem de alto valor nutritivo. (COSTA, 2007)
Segundo COSTA (2007) um dos fatores que limitam o manejo de pastagens com
base na pressão de pastejo é a determinação da disponibilidade de forragem, pois as
técnicas tradicionais de corte e pesagem da forragem são onerosas (mão-de-obra, tempo,
custo), embora as metodologias de dupla amostragem, que procuram correlacionar
amostragens de corte com estimativas visuais, realizadas por avaliadores treinados,
representem um grande avanço neste sentido. Uma forma simples e prática de se estimar a
disponibilidade de forragem em uma pastagem é através da altura de suas plantas, desde
que a densidade e a composição botânica estejam adequadas, uma vez que estas variáveis
guardam uma estreita correlação entre si.
A combinação dos dois primeiros componentes determina o sistema de pastejo que
convencionalmente conhecemos como pastejo contínuo e pastejo rotacionado.
O gráfico abaixo representa um trabalho clássico de MOTT (1960) mostrando a
relação entre pressão de pastejo(n) e ganho por animal(g) e ganho por unidade de área(G).
(Figura 1)
Figura 1. Relação da pressão de pastejo (N) com ganho por animal (g) e ganho por unidade de área (G).
Fonte: MOTT (1960)
7 - CAPACIDADE DE SUPORTE
A taxa de lotação máxima que irá permitir um nível determinado de desempenho
animal em um método de pastejo especificado, o qual poderá ser aplicado, durante um
período de tempo definido sem causar a deterioração do sistema. (REIS & RODRIGUES,
1997)
8 - TAXA DE LOTAÇÃO
A taxa de lotação (TL) é o número de animais ou de unidades animais (UA) por
unidade de área da pastagem, geralmente expressa em cabeças/ha ou UA/ha. É a variável
mais importante no manejo de pastagens, seja sob pastejo contínuo ou rotacionado. O uso
de taxa de lotação superior à capacidade de suporte da pastagem implica em superpastejo,
e o inverso em subpastejo, ambas as situações sendo indesejáveis. (ANDRADE et al,
2003)
Uso da TL pode não ser muito significativa. Isso pode ser verdade se analisar-mos
que num rebanho temos normalmente diferentes tipos de categorias animais (animais
jovens e leves até animais adultos e mais pesados) e que a TL por si só, não faz referência
a disponibilidade de forragem. Por essa razão tem sido sugerida a utilização da pressão de
pastejo para melhor representar uma relação entre suprimento e demanda de alimento em
sistemas de produção a pasto. (MOTT,1960)
Conforme ANDRADE et al (2003) a capacidade de suporte da pastagem é função
da produtividade (crescimento) do pasto, determinada principalmente pelo potencial
produtivo da espécie forrageira, pela condição da pastagem (produtiva, em degradação ou
degradada), pela disponibilidade de água e pela fertilidade do solo. A capacidade de
suporte das pastagens é sempre menor durante o período seco, com a diferença entre as
estações do ano sendo função da intensidade do período seco. Da mesma forma, pastagens
recém-formadas possuem maior capacidade de suporte do que pastagens antigas nãoadubadas, devido à maior fertilidade inicial do solo.
Portanto, não é possível fazer uma recomendação geral sobre as taxas de lotação a serem
adotadas no manejo das pastagens do Acre. Mesmo dentro de uma propriedade, existem
pastagens com maior e menor capacidade de suporte, que deverão ser manejadas com
diferentes taxas de lotação. Apenas como parâmetro para comparação, as pastagens
produtivas e manejadas sob pastejo rotacionado podem suportar 2 a 3 UA/ha, enquanto que
pastagens pouco produtivas, grandes e sob pastejo contínuo suportam apenas 0,5 a 1,0
UA/ha. Para auxiliar no ajuste da taxa de lotação da pastagem manejada sob pastejo
rotacionado, devem ser observadas as alturas do pasto na entrada e na saída do lote de
animais dos piquetes. Não há necessidade de acompanhamento “milimétrico” destas
alturas; o simples monitoramento visual representa um guia prático para identificar a
necessidade de aumentar ou diminuir a quantidade de animais do lote. O bom senso e o
dia-a-dia ajudarão neste controle. (ANDRADE et al, 2003)
9 - MÉTODOS DE UTILIZAÇÃO DE PASTAGENS
Os Métodos de utilização de pastagens oferecem oportunidades de utilização para
objetivos distintos. Estes podem variar desde o melhoramento da pastagem, sem
preocupação com o desempenho do animal, até o ponto em que este merece toda a
consideração. Neste caso, o objetivo pode ser ganho de peso, produção de leite por animal
e/ou por área, ou uma combinação de carne e lã. (SPEDDING, 1965).
BLASER et al.,(1973) mostram que os métodos de utilização de pastagens estão
associados com a morfologia das plantas, estádio de crescimento, qualidade, persistência e
composição botânica. O objetivo básico de qualquer método de pastejo deve ser o de
manejar a pastagem e outros insumos de forma a aumentar eficiência na produção animal.
Basicamente existem dois tipos de sistemas de utilização das pastagens: pastejo contínuo e
pastejo rotacionado. Há variações dentro e entre esses sistemas.
9.1 - PASTEJO CONTÍNUO
O pastejo contínuo é um sistema de pastejo no qual os animais permanecem numa
mesma área durante o período de produção da pastagem. A permanência pode ser de
algumas semanas ou meses, como em pastagens temporárias e anuais, ou até mesmo vários
anos. Embora simples, também oferece oportunidade para planificação, como ocorre com
os métodos mais sofisticados. Diversas práticas podem ser adotadas para aumentar sua
eficiência e promover maiores produções de produto animal com oportunidades de
melhoramento crescente das condições da comunidade vegetal. (BARRETO, 1994 &
COSTA, 2007)
Algumas dessas práticas são (BARRETO, 1994):
a) Utilização do número adequado de animais e suas diferentes categorias, de
acordo com a capacidade de produção da pastagem;
b) Utilizar a categoria de animal indicada para cada tipo de pastagem e estação por
ano;
c) Construção de cercas e adequada distribuição de aguadas, sal e sombra;
d) Práticas de limpeza de pastagens;
e) Diferimento de áreas, com vistas a reduzir períodos críticos;
f) Suplementação mediante forragem conservada e/ou utilização de pastagens
suplementares.
Entre as desvantagens apontadas para o pastejo contínuo, podem ser citadas:
a) Seletividade de espécies e áreas;
b) Irregular distribuição de excrementos (transferência de fertilidade);
c) Aumento de espécies invasoras quando o pastejo é mantido com alta lotação,
mesmo em períodos críticos.
9.2 – PASTEJO ROTACIONADO
9.2.1 - DIFERENTES NOMECLATURAS DO PATEJO ROTACIONADO
Na França, o pastoreio intensivo é igualmente conhecido sob as seguintes
nomenclaturas: rotação de pastagens, pastoreio rotativo, pastoreio por rotação, pastoreio
intensivo, pastoreio giratório, pastoreio divididos, exploração intensiva das pastagens
exploração racional das pastagens, pastoreio por faixas, pastoreios por parcelas, pastoreio
restrito, pastoreio controlado, pastoreio racionado, sistema Warmbold, sistema de
Hohenheim, sistema de pastos (na Suíça) e pastejo rotacionado (no Brasil). Voisin adotou
o termo pastoreio racional para se referir ao pastejo rotacionado. (VOISIN, 1974).
9.2.2 - TIPOS DE MANEJO DE PASTEJO ROTACIONADO
Vários sistemas de manejo utilizam diferentes maneiras para subdividir e utilizar as
pastagens para controle do pasto. As subdivisões representam uma ferramenta de manejo
para controlar as respostas das plantas forrageiras e das diferentes classes de animais.
Portanto, o objetivo do método deve ser o de manejar a pastagem e outros insumos
alimentares de forma a aumentar eficientemente a produção animal, (REIS &
RODRIGUES, 1997)
SMETHAM (1995) & MELADO (2OO3) classificaram os diferentes métodos de
pastejo rotacionado:
•
Lotação rotacionada (convencional)
•
Pastoreio Racional Voisin – PRV
•
Pastejo em faixas
•
Pastejo rotacional com dois grupos de animais
•
Creep "grazing"
•
“Creep grazing Avançado"
•
Pastejo Limite
•
Pastejo Diferido
9.2.2.1 - LOTAÇÃO ROTACIONADA
No pastejo rotacionado as áreas são subdivididas em dois ou mais piquetes,
proporcionando descansos periódicos às plantas forrageiras, cuja duração depende do
número de divisões e extensão do período de ocupação de cada piquete. A carga animal ou
a pressão de pastejo pode ser fixa ou variável. (SMETHAM, 1995)
Este método caracteriza-se pela mudança dos animais de forma periódica e
freqüente de um piquete para outro de forma sucessiva voltando ao primeiro após
completar o ciclo.
Este
processo
exige
elevado
investimento em instalações,
principalmente
bebedouros e cercas, caracterizando-se por restringir a seletividade animal. O pastejo e a
distribuição de excrementos são de maneira mais uniforme e a forragem pode ser mantida
em estado mais tenro e com melhor valor nutritivo. O sistema rotativo, quando
corretamente executado, dificulta o estabelecimento de plantas invasoras e permite o
aproveitamento do excesso de forragem produzida na estação das chuvas, sob a forma de
feno. (MELADO, 2OO3)
O método de pastejo rotacionado tem sido recomendado com base na pressuposição
de que as plantas necessitam de um período de descanso a fim de se recuperarem dos
efeitos da desfolhação, possibilitando a reposição de folhas e o restabelecimento dos níveis
de reservas (HUMPHREYS,1997). O número de subdivisões deve minuciosamente
calculado, para que o investimento não se torne antieconômico, ou proporcione retorno
menor do que o investimento com fertilizantes para a recuperação ou renovação da
pastagem. O número de piquetes pode ser calculado através da seguinte formula:
Período de descanso (dias)
N. DE PIQUETES = ---------------------------------------- + 1
Período de pastejo (dias)
SMETHAM (1995) & MELADO (2OO3) consideram que o sistema de pastejo
rotacionado apresenta inúmeras variações em função do número de subdivisões e período
de ocupação e descanso utilizados, os quais variam de acordo com a área disponível, clima
da região, fertilidade do solo, tipo de exploração, características morfológicas e
fisiológicas das plantas forrageiras, etc.
No método de pastejo rotacionado convencional o grupo de animais e deslocado de
um piquete para outro a medida que a altura da vegetação ou matéria seca residual
desejada e atingida. A disponibilidade de forragem e alta no inicio do pastejo de cada
piquete e baixa ao final do período de ocupação. (SMETHAM, 1995 & MELADO, 2OO3)
9.2.2.2 - PASTOREIO RACIONAL VOISIN
O pastoreio Racional Voisin (PRV) que é um sistema intensivo de manejo de gado,
da pastagem e do solo, proposto por André Voisin que procura manter um equilíbrio do
trinômio solo-capim-gado, sem prejudicar um em benefício do outro. Isto é obtido, quando
se consegue que o gado colha o capim sempre próximo do seu ponto ideal de
desenvolvimento. (MELADO,2003). Esse pastoreio é regido por leis que, obedecidas nas
suas diretrizes gerais, permite ao produtor obter máximos rendimentos técnicos e
econômicos, não só sem agressão ao meio ambiente, mas com um balanço ambiental
altamente positivo, com elevado nível de seqüestro de CO2. (MACHADO, 2004)
Segundo MACHADO (2004), o pastoreio é o encontro do animal com o pasto,
comandado pelo humano. O ato de fazer pastar consiste em satisfazer plenamente as
necessidades de um e do outro, com o fim de viabilizar o máximo rendimento entre ambos.
Em termos etológicos, estabelece-se uma relação alelomimética entre a vaca e o pasto: a
vaca necessita do pasto para sobreviver e deixar a saliva para estimular seu rebrote e o
pasto, base da sobrevivência da vaca, precisa ser comido em seu ponto ótimo de repouso
para perenizar-se.
Para alcançar-se esse objetivo, Voisin estabeleceu quatro leis que devem ser
rigorosamente cumpridas. (MELADO, 2003 & MACHADO, 2004)
PRIMEIRA LEI: LEI DO REPOUSO OU PRIMEIRA LEI DOS PASTOS
“Para que o pasto cortado pelo dente do animal possa dar a sua máxima
produtividade, é necessário que entre dois cortes consecutivos tenha passado um tempo
que permita ao pasto:
a) Armazenar em suas raízes as reservas necessárias para um começo de rebrote
vigoroso;
b) “Realizar sua “labareda de crescimento” ou grande produção diária de massa
verde.”
Corolário:
O período de repouso necessário varia com a estação do ano, as condições
climáticas e a fertilidade do solo e demais condições ambientais.
O tempo de repouso não são iguais durante todo o ano, havendo períodos de
crescimento acelerado e outros de crescimento lento ou quase nulo. No sul do país, o que
mais causa o baixo crescimento das pastagens são as baixas temperaturas registradas no
outono e inverno. Já na região Centro-Oeste, a causa reside no longo período de estiagem,
e no conseqüente déficit hídrico. Em média, os piquetes de um sistema de Pastoreio
Racional Voisin são ocupados de seis a oito vezes, durante o ano, em qualquer das regiões
do Brasil. Nos períodos mais favoráveis do ano, os piquetes chegam a ser usados com
intervalos entre pastejos, de 28 a 35 dias. Por outro lado, nos períodos críticos, esse
intervalo pode chegar a 120 dias. A boa condução do Pastoreio Racional vai depender de
decisões acertadas no gerenciamento dessas variáveis.
SEGUNDA LEI - LEI DA OCUPAÇÃO OU SEGUNDA LEI DE PASTOS
“O tempo global de ocupação de uma parcela ou piquete deve ser o suficientemente
curto de modo a não permitir que uma planta cortada pelos animais no início da ocupação,
seja novamente cortada antes que os animais deixem o piquete.”
A finalidade fundamental dessa lei não é permitir que os animais comam
sucessivamente os rebrotes do capim, provocando o esgotamento de suas reservas e a
conseqüente degradação das pastagens. Um erro comum, ao se implantar um sistema de
rotação de pastagens, é usar um número reduzido de piquetes, prolongando a permanência
do gado nos piquetes, pressupondo que basta um tempo adequado de repouso para o
sucesso do manejo. A realidade, porém, é outra, bastando poucos dias em períodos de
chuvas intensas para que a brotação do capim já possa ser colhida novamente pelos
animais, na mesma passagem pela parcela.
TERCEIRA LEI – LEI DA AJUDA OU PRIMEIRA LEI DOS ANIMAIS
“É preciso ajudar os animais que possuam exigências alimentares mais elevadas a
colherem a maior quantidade de pasto seja da melhor qualidade possível”.
Corolário I: Um pasto de 15 a 22 cm de altura é o que permite ao animal (bovino) colher
as máximas quantidades de pasto de melhor qualidade.
Corolário II: Quanto menos trabalho de raspagem (ou terminação do pastoreio) se
imponha ao animal, mais pasto ele cobrará.
Uma maneira eficaz de atender melhor às necessidades dos animais mais exigentes
é a divisão dos animais que vão participar do pastoreio, em dois grupos, sendo um grupo
menos, composto dos animais que se pretende beneficiar e outro grupo com os animais
restantes. No pastoreio de cada piquete, o primeiro grupo (menor) entra na frente, durante a
metade do tempo de ocupação do piquete, fazendo apenas o “desnate”, ou seja, colhendo
com maior facilidade a melhor parte do alimento. Na segunda metade do período de
pastoreio, entraria o segundo grupo (maior), fazendo a “raspagem” final do pasto. Para que
esse esquema surta os melhores efeitos, o primeiro grupo deverá ser bem pequeno em
relação ao total de animais, de modo que seja fácil colher a melhor parte do alimento, em
quantidade e qualidade.
QUARTA LEI – LEI DOS RENDIMENTOS REGULARES OU
SEGUNDA LEI DOS ANIMAIS
“Para que o animal (bovino) produza rendimentos regulares, ele não deve
permanecer mais que três dias em uma mesma parcela. Os rendimentos serão máximos, se
o animal não permanecer no piquete mais que um dia.”
Essa lei tem finalidade de evitar uma variação na produção animal, seja na
quantidade de leite produzida, ou no crescimento ou no ganho de peso dos animais em
engorda. Quando um animal é colocado a pastar em um piquete, ele atinge o seu
rendimento máximo logo após o primeiro dia. O rendimento decresce, à medida que o
tempo de permanência no piquete se prolongue. Esse fato é uma conseqüência direta da
terceira lei, pois, à medida que o pasto fica mais “rapado”, o animal colherá quantidades
cada vez menores de um pasto de qualidade cada vez mais inferior. Com uma permanência
de três dias ou menos, esse decréscimo no rendimento é menos sensível, dados os
mecanismos compensatórios próprios do metabolismo dos animais. Porém, com uma
permanência de mais de três dias, a dificuldade cresce na “colheita” do alimento resultará
num decrescente rendimento na nutrição do animal, o que refletirá numa menor produção
leiteira, ou num crescimento ou ganho de peso mais lento.
UM PRINCÍPIO GERAL DOMINA AS QUATROS LEIS
“Devemos proteger e auxiliar o pasto no seu crescimento, e devemos auxiliar o
animal em sua colheita de pasto.” (MELADO, 2004)
Segundo FILHO (2007) o método de pastejo Voisin não é recomendado para as
nossas pastagens tropicais porque está fundamentado em apenas explorar as reservas
orgânicas e por isso não funciona com capins tropicais, devido à fisiologia dos capins
tropicais e também porque não há reposição da fertilidade do solo. As pesquisas mais
recentes demonstram que as reservas orgânicas não é o mais importante para a rebrota da
pastagem, isto é, outros parâmetros são mais importantes como resíduo de área foliar e
nível de fertilidade do solo. O método Voisin não é sinônimo de pastejo rotacionado como
muitos pecuaristas pensam.
9.2.2.3 – PASTEJO EM FAIXAS
SMETHAM (1995) & MELADO (2OO3) afirmam que o método de pastejo em
faixas, também denominado de pastejo racionado, e caracterizado pelo acesso dos animais
a uma área limitada ainda não pastejada. Neste método o manejo e conduzido com o
auxilio de duas cercas elétricas, de fácil remoção, de tal forma que a cerca de trás impede o
retorno dos animais as áreas pastejadas anteriormente.
O tamanho da área de cada faixa e calculado para fornecer os animais a quantidade
de volumosos de que necessitam por dia . Este tipo de exploração e recomendado para
animais leiteiros de produção elevada, devendo ser utilizadas forrageiras que apresentem
elevado valor nutritivo. (SMETHAM,1995)
9.2.2.4 – PASTEJO ROTACIONADO COM DOIS GRUPOS DE ANIMAIS
Dentre as modalidades de pastejo rotativo, o método de pastejo primeiro -último,
também conhecido como método da pastejo com dois grupos de animais ou ainda como
método de pastejo lideres - seguidores (despontadores - rapadores) é um procedimento
vantajoso quando se dispõe de animais de diferentes categorias e que apresentem
diferenças na capacidade de resposta a forragem de alta qualidade. (SMETHAM,1995)
Segundo SMETHAM (1995) & MELADO (2OO3) os animais que respondem mais
as melhores condições de qualidade de forragem pastejam na frente, constituindo o
primeiro grupo, ou grupo de desponte. A alta disponibilidade inicial de forragem permite
pastejo seletivo e alta ingestão, de nutriente, o que resulta em maior produção animal. Os
animais de desponte pastejam por dois a três dias, consumindo a forragem de melhor
qualidade e, a seguir, passam para outro piquete cedendo lugar ao segundo grupo de
animais, denominado grupo de rapadores, que são obrigados a consumir o que sobrou. O
número de piquetes pode ser calculado através da seguinte formula:
Período de descanso (dias)
N. de piquetes = -------------------------------------- + 2
Período de pastejo (dias)/2
9.2.2.5 - "CREEP GRAZING"
Este método permite que bezerros jovens ou cordeiros passem através de uma
abertura na cerca para uma pequena área contendo forragem de melhor qualidade do que
aquela onde as mães são mantidas. (SMETHAM, 1995)
O sistema não exige gastos elevados haja vista que requer somente a formação da
área com forrageiras de alta qualidade (milheto, alfafa etc.) para os animais jovens e as
despesas adicionais para cercá-la. Como regra o ganho /bezerro aumenta e a condição da
vaca e melhorada. (MELADO, 2OO3)
9.2.2.6 - "CREEP-GRAZING AVANÇADO"
Segundo SMETHAM (1995) & MELADO (2OO3) que o método é semelhante ao
anterior, onde alguns animais ou categorias animais, por meio de um dispositivo adequado
(meio físico, ex: cerca), tem acesso ao piquete seguinte, sem que outros animais o tenham
(passagem preferencial). Isso permite um pastejo seletivo numa baixa condição de
competição.
9.2.2.7 - PASTEJO LIMITE
Método que tem como objetivo manter os animais em pastagem de baixa qualidade
recebendo ou recebendo feno. Porém, permite que tenham acesso a uma pastagem anual de
alta qualidade durante poucas horas diariamente ou a cada dois dias, para reduzir as perdas
por pisoteio. (SMETHAM, 1995 & MELADO, 2OO3)
9.2.2.8 – PASTEJO DIFERIDO
O pastejo diferido consiste na vedação de uma parte aérea da pastagem, durante o
período da estação de crescimento, com finalidade de revigorar a pastagem e permitir o
acumulo de forragem no campo, para ser utilizado durante o período de inverno. Alguns
autores consideram o pastejo diferido como uma alternativa de pastejo rotacionado.
(SMETHAM, 1995 & MELADO, 2OO3)
O pastejo é dito diferido quando a pastagem é deixada em descanso, sem animais,
por algum período de tempo. As razões mais comuns para isto, são a ressemeadura de uma
ou mais espécies que compõem a pastagem, como reserva de alimentos para o período da
seca (feno em pé); com finalidade de revigorar as plantas forrageiras ou como estratégia
auxiliar na alteração da composição botânica dos piquetes. (SMETHAM, 1995 &
MELADO, 2OO3)
Este sistema reconhece que existem períodos críticos na fenologia das plantas
desejadas na pastagem como, por exemplo, florescimento e produção de sementes
(WHITEMAN,1980). Assim, o diferimento ou processamento tem por objetivo permitir
que as espécies mais palatáveis se recuperem e aumentam a sua capacidade de competição
com as espécies menos desejadas.
Esta pratica deve ser aplicada de forma alternada em cada piquete com intervalos
de alguns anos.
Por exemplo, o diferimento de pasto consorciados com B. decumbens e
calopogônio, durante o mês de abril, favorece a ressemeadura natural do calopogônio, e
acúmulo de forragem para o uso posterior. Este manejo consiste em selecionar
determinadas áreas e vedá-las entre janeiro e marco para pastejo direto durante o período
critico. (SMETHAM, 1995 & MELADO, 2OO3)
Num experimento conduzido no CNPGC, verificou-se a viabilidade desta prática,
desde que sejam selecionadas forrageiras adequadas para os períodos de diferimento e de
utilização específicos. Das sete espécies de gramíneas utilizadas, a B. decumbens a B.
humidicola e o capim-estrela destacaram-se como promissoras (EUCLIDES et al.,1990).
Mais recentemente, houve um grande incremento na utilização de misturas múltiplas, ou
seja sal mineral balanceado (NaCl; P; K; etc.) e fontes de energia, proteína e vitaminas
visando o melhor aproveitamento das forrageiras diferidas.
Neste sentido, a utilização de duas ou mais espécies de gramíneas com ciclos
vegetativos diferentes e mesmo a introdução de leguminosas que mantém o valor nutritivo
com a idade seriam praticas vantajosas em sistemas que utilizam o pastejo diferido
(CORSI, 1976).
O pastejo diferido tem a vantagem de dispensar investimentos em maquinas
utilizadas na conservação de forragens. Contudo, e importante salientar que a eficiência do
sistema de pastejo diferido esta estritamente associada com qualidade que a planta
forrageira, na área diferida, terá na ocasião de ser consumida (CORSI, 1976 &
MARASCHIN, 1986).
Segue abaixo esquemas ilustrativos de algumas variantes de pastejo rotacionado
(Figura 02).
Figura 2: Esquemas ilustrativos de algumas variantes de pastejo rotacionado
Fonte: RODRIGUES, 1997.
10- CERCA ELÉTRICA E OUTROS
A cerca eletrificada, ao contrário das cercas convencionais, não é um obstáculo
físico, pois o arame eletrificado é um obstáculo mental, que exerce um controle
psicológico (JOHNSTON, 2002), que animal respeita para não receber o impacto do
choque elétrico. Ao receber o choque, o animal fica sensibilizado, associando a presença
do arame ao choque. Trata-se, por tanto de um aprendizado aversivo, em que o animal é
treinado para evitar o choque. Para que esse aprendizado seja efetivo é conveniente um
reforço periódico e a corrente deve permanecer sempre ligada e com voltagem adequada.
Uma cerca elétrica é composta basicamente de três componentes (MELADO, 2003
& MACHADO, 2004)
1- um aparelho eletrificador, que transforma a corrente alternada, de 110 ou 220
V ou a corrente contínua de uma bateria em impulsos elétricos intermitentes, de alta tensão
e intensidade (acima de 5.000 VOLTS), porém, de baixíssima amperagem e pequena
duração (em torno da milésima parte de um segundo), de modo que a quantidade de
eletricidade que passa pelo corpo do animal é muito pequena para provocar qualquer dano.
2 – arames condutores, que constituem propriamente a cerca e que tem a
finalidade de conduzir o impulso elétrico.
3 – isoladores, cuja finalidade é isolar eletricamente o arame condutor, de modo
que o impulso gerado pelo aparelho não se perca para a terra, indevidamente, através dos
elementos de sustentação (lascas e estacas intermediárias).
Como qualquer outro empreendimento, uma cerca elétrica pode ser executada
dentro de variados padrões de qualidade. Porém, sendo a cerca elétrica uma instalação
permanente, ela deverá ser construída de modo a atender seus objetivos por um longo
período, com um mínimo de manutenção. (MELADO, 2003)
A cerca elétrica deve ser entendida por uma rede dentro de uma superfície. Assim
por exemplo, um energizador para 60 km, não significa eletrificar uma linha reta de 60 km,
significa eletrificar uma rede de até 60 km, desde que inscrita em um perímetro 350-450
ha, com um raio máximo, desde o energizador até o perímetro de 2500m. (MACHADO,
2004)
Segundo ROMERO (1994) é conveniente trabalhar com cercas eletrificadas que,
conforme os acidentes do terreno, poderão ser utilizados moirões com 50, 60 ou até 200m
de distância, intercalados com tramas a cada 25m uma das outras. O arame, com espessura
14x16 ou mais fino, e a cercas de um ou dois fios. E como porteiras as chamadas “velas”,
de cana ou PVC com 2 metros de altura, cuja função é levantar o fio para a passagem do
gado de um piquete a outro, ou para fonte de água.
A vela é retirada após o pasto ser consumido pelos animais. A máquina produtora
de energia (energizador) deve ter capacidade para eletrificar de 25 km em diante.
Dependendo do aparelho chega a mais de 125 km.(ROMERO, 1994)
É conveniente deixar os animais por dois ou três dias dentro de uma mangueira
convencional, mas eletrificada por dentro (escola) para que os animais se acostumem com
este novo sistema, isto é, obedeçam os limites do piquete onde estão colocado.(ROMERO,
1994)
A divisão da área em parcelas é essencial para implantação do Pastejo Racional
Voisin (PRV). A generalização do uso das cercas eletrificadas reduziu substancialmente o
custo de implantação dos projetos PRV, já que a cerca eletrificada custa perto de 30% do
custo das cercas convencionais. Por outro lado, a alternativa de um bebedouro para cada
quatro parcelas reduziu ainda mais o custo do investimento por ha. Em relação aos valores
vigentes nas décadas 70 e 80, houve uma redução superior a 60% na implementação da
infra-estrutura física de um projeto PRV. Ao contrário, o custo das sementes que, quando
necessárias representam o único insumo externo, afora os produtos de proteção sanitária,
aumentou em mais de 100%. (MACHADO, 2004)
11- COMPARATIVO DO SISTEMA CONTÍNUO E DO ROTACIONADO.
As opiniões sobre qual o melhor sistema de utilização das pastagens são numerosas
e divergentes, principalmente com relação ao sistema contínuo e rotacionado. Apesar de
muitos experimentos terem sido conduzidos para comparar os dois sistemas, ainda existe
considerável controvérsia sobre os méritos relativos de cada um. Em geral os resultados
tem sido contraditórios e não permitem uma conclusão definitiva (MARASCHIN;
BLASER citados por RODRIGUES, 1997).
Comparando o pastejo contínuo com o pastejo rotacionado em pastagens mistas de
gramíneas e leguminosas, STOBBS (1969) verificou uma redução na percentagem de
gramíneas, aumento de espécies invasoras e manutenção de leguminosas no pastejo
contínuo quando comparado com o pastejo rotacionado, indicando uma sensível
modificação na composição botânica da pastagem de acordo com o sistema de pastejo
adotado.
Uma das dificuldades na comparação do pastejo contínuo com pastejo rotacionado,
está no uso de diferentes taxas de lotação. MCMEEKAN (1956) fez estudos comparando o
pastejo contínuo com o rotacionado e verificou pequena diferença entre um e outro. O
referido autor comparou os dois sistemas à mesma taxa de lotação (TL). Quando elevou a
TL em 25% a produção animal por hectare foi 13% superior no pastejo rotacionado.
Quando a TL é baixa, ou as vezes moderado, o pastejo contínuo tem sido similar ou melhor
que o pastejo rotacionado, mas quando a TL é alta, o pastejo rotacionado tem sido superior
ao contínuo(CASTLE & WATKINS, 1979).
Segundo CASTLE & WATKINS (1979) em condições extensivas, o pastejo
contínuo parece ser melhor que os rotacionados. Em condições intensivas, envolvendo
forrageiras de alta produção, fertilizadas e/ou irrigadas, um sistema rotacionado seria
preferível. Porém, deve-se considerar que:
a) os sistemas rotacionados são de menor importância, até que altas TL sejam
atingidas;
b) aumentando-se a TL, a produção/hectare é acrescida e a produção por animal é
reduzida, e isto nem sempre é desejável.
Um estudo para comparação entre pastejo contínuo e rotacionado foi realizado por
HULL et al,(1967). As pastagens foram submetidas a duas lotações fixas: média e alta; e
uma variável, equilibrada com a disponibilidade de forragem. O ganho por animal em
todas as situações foi maior para o pastejo contínuo. Para lotações fixas, o maior ganho por
hectare foi para o pastejo rotacionado. Porém com o uso de uma TL equilibrada com a
disponibilidade de forragem, o pastejo contínuo mostrou-se mais produtivo que o
rotacionado. A superioridade do contínuo nessa situação evidencia que um certo grau de
oportunidade de seleção no pastejo é necessário para altos rendimentos por hectare.
O padrão de desfolhamento de uma pastagem depende primeiramente do sistema de
pastejo, ou seja, se contínuo ou rotativo. No pastejo rotativo, em que os animais utilizam a
forragem acumulada por um período variável de 12 a 72 horas, a freqüência de desfolha é
estreitamente correlacionada com o intervalo de desfolha (tempo de descanso), o qual é
determinado pelo sistema na propriedade como um todo. A intensidade de desfolha em tal
sistema pode ser expressa como a proporção do comprimento inicial da folha que foi
removida no final do período de pastejo. Este método é válido onde o período de pastejo é
suficientemente curto para que se possa ignorar o alongamento foliar no período em que os
animais estão pastejando a parcela. A intensidade de desfolha depende diretamente da
carga animal e da duração do período de pastejo, as quais são ambas uma escolha do
sistema de manejo (NABINGER, 1997).
O pastejo contínuo cria uma situação onde o processo de desfolha é suficientemente
leve para a simultânea reconstituição da camada pastejada enquanto que, em pastejo
rotativo, a desfolhação e a rebrotação são mais claramente separados no tempo e desta
forma são mais distinguíveis (NABINGER, 1997).
WADE et al. citado por NABINGER(1997) demonstram que vacas leiteiras
pastejando tanto de forma contínua como rotativa numa ampla gama de alturas da
pastagem, a profundidade média de desfolha parece ser uma proporção relativamente
constante (35%) do comprimento do perfilho estendido, independentemente do método de
pastejo.
No pastejo rotacionado, a freqüência de desfolha é determinada pela freqüência
com que os animais são movimentados de um piquete para outro, o que é função do
tamanho do piquete, número de piquetes, taxa de acúmulo líquido de forragem e número
de animais. Assim, num tal sistema, a duração média do período de descanso pode ser
ajustada de forma a minimizar a perda de tecidos foliares devido à senescência, desde que
a lotação e a duração do período de pastejo sejam suficientes para remover a máxima
proporção da forragem acumulada. Neste sistema, pode ser possível manter alta eficiência
de utilização apesar da diminuição no crescimento da pastagem e, por conseqüência, na
lotação. Desta forma, a redução na lotação que resulta da extensificação do sistema pode
levar ao uso de um sistema rotacionado com um apropriado período de descanso (mais
curto do que a duração média de vida das folhas) no lugar de um sistema de pastejo
contínuo. (NABINGER, 1997).
No pastejo rotacionado pode ser possível manter um equilíbrio estável entre o
consumo de forragem e crescimento da pastagem e assim evitar um excesso de acúmulo de
material senescente e o desenvolvimento de áreas de rejeição com alto conteúdo de
material morto. Cabe, no entanto, lembrar sempre que a senescência é inevitável em função
da necessidade de priorizar a produção por animal, o que conduz necessariamente a ofertas
de forragem muito acima da capacidade de ingestão dos animais. (NABINGER, 1997).
Figura 3 – Mudanças na taxa de crescimento instantâneo (dW/dt), na massa da pastagem (w) e na taxa média de
crescimento ((W-Wo)/t) de uma pastagem durante a rebrota a partir de uma baixa área folicular .
Fonte: PARSONS et al, 1988
Para otimizar a produção colhida em sistemas rotacionados, análises teóricas
baseadas em modelos mecanicistas de funcionamento da pastagem(PARSONS; ROBSON
citados por NABINGER, 1997) mostram que esta deve ser colhida ao final da fase
exponencial de acúmulo de biomassa aérea, o que coincide com a máxima taxa média de
crescimento (kg de MS acumulada por dia) para o período total de rebrotação, e não
quando ocorre a máxima taxa instantânea. (Figura 3)
Mannetje et al (1976), fizeram estudos comparando os dois sistemas e sumarizando
os resultados de 16 experimentos de pastejo, verificaram que em 12 deles o ganho de peso
permitia a realização de tal comparação. Em 8 desses experimentos a lotação contínua foi
superior a rotacionada, em 2 o rotacionado foi superior e em 2 os resultados foram
semelhantes.
A tabela 1 mostra um resumo de alguns trabalhos mais atuais comparando os dois
métodos. Como pode ser observado, dos 24 trabalhos sumarizados, 7 dão vantagem ao
rotacionado, 3 ao contínuo e em 14 não observou-se diferenças. Somando-se esses
resultados àqueles obtidos por Mannetje et al (1976), verifica-se que, dos 36 trabalhos
revisados, 9 dão vantagem ao rotacionado, 11 para o contínuo e, em 16, os resultados são
semelhantes.
Tabela 1. Relação de alguns trabalhos comparando os dois métodos de pastejo.
Autor
Ano
Aiken, G.E.
Local
Planta utilizada
Resultados
1998 EUA
L. perenne + wheat
Rotacionado
Aiken, G.E.
1998 EUA
Cynodon dactylon
Igual
Popp, J.D. et al.
1997 Canada
Medicago sativa
Igual
Hafley, J.L.
1996 EUA
Lolium perenne
Rotacionado
Thomas, V.M. et al.
1995 Não citado
D. glomerata + M. sativa
Igual
Mathews, B.W. et al.
1994 EUA
Cynodon dactylon
Igual
Villiers, J.F. de et al.
1994 África do Sul Pennisetum clandestinum
Contínuo
Cavallero, A. et al.
1993 Itália
L. perenne + T. repens
Igual
Allen, V.G. et al.
1992 EUA
Festuca spp.
Contínuo
Chestnut, A.B. et al.
1992 EUA
F. arundinacea + Trifolium Igual
Berti, R.N
1989 Argentina
Melilotus alba
Igual
Jones, R.J. et al.
1989 Austrália
Setaria sphacelata
Igual
Jones, R.J. et al.
1989 Austrália
Chloris gayana
Igual
Tharel, L.M.
1989 EUA
Cynodon dactylon
Rotacionado
Gonçalves, C.A. et al.
1988 Brasil
Setaria sphacelata
Rotacionado
Grant, S.A. et al
1988 Inglaterra
Lolium perenne
Igual
Chen, C.P.
1986 Malásia
Digitaria setivalva
Rotacionado
Smith, M.A. et al.
1985 Austrália
Brachiaria decumbens
Contínuo
Aguirre-Hernandez, A.et al.
1984 México
Brachiaria mutica
Igual
Aguirre-Hernandez, A.et al.
1984 México
Digitaria decumbens
Igual
Eguiarte, V. JÁ. et al.
1984 México
Cynodon plectostachyus
Igual
Irulegui , G.S. de et al.
1984 Brasil
Paspalum guenoarum
Rotacionado
O’Sullivan, M.
1984 Não citado
Lolium perenne
Rotacionado
Lucci, C de S. et al.
1983 Brasil
Chloris gayana
Igual
FONTE: ‘t Mannetje et al. (1976)
Numa análise mais detalhada, verifica-se que a maioria dos trabalhos realizados
com o intuito de se comparar os métodos foi conduzida em situações onde não se tinha
controle nenhum do pasto (i.e., taxas de lotação e/ou freqüências fixas). Esta é uma
situação que, em última análise, não permite uma real comparação, pois a estrutura da
pastagem modifica-se de acordo com o manejo imposto e, muitas vezes, mesmo sem saber,
pode-se estar favorecendo um método e prejudicando outro. (Mannetje et al, 1976)
Desta forma a comparação somente passa a ter significado a partir do momento em
que, através de algum atributo fisiológico ou estrutural (i.e., altura do pasto, massa de
forragem, resíduo, IAF etc.), se estabelece a condição ótima de utilização para cada um dos
métodos. Assim, antes de qualquer comparação, existe a necessidade de uma análise
fundamental dos fatores afetando os principais processos envolvidos no crescimento e
utilização de gramíneas sob esses métodos (Hodgson, 1985).
Vários trabalhos foram conduzidos com plantas temperadas (Bircham e Hodgson,
1983; Parsons et al., 1983a,b; Grant & King, 1982; Parsons et al., 1988b e Wade, 1991)
com a finalidade de entender esses mecanismos de resposta das plantas quando submetidas
à desfolha. Infelizmente a pesquisa com gramíneas tropicais não tem recebido este enfoque
ecofisiológico o que, em última instância, limita muito a interpretação e a elaboração de
guias práticos de manejo de plantas forrageiras tropicais.
Relativamente poucos trabalhos publicados apresentam resultados da comparação
de métodos de pastejo com pastagens tropicais e os resultados obtidos até o momento nos
trópicos, não permitem afirmar que o sistema rotacionado seja superior ao sistema
contínuo em termos de produção animal, uma vez que o contínuo, geralmente, proporciona
maior oportunidade de pastejo seletivo e, consequentemente, ingestão de uma dieta de
melhor qualidade.
A qualidade da forragem, refletida pelo desempenho animal e produto animal por
hectare, é interdependente da lotação (ou pressão de pastejo) e do pastejo seletivo. A tabela
2 mostra as inter-relações entre estes fatores e o desempenho esperado por animal e por
hectare. Note-se que se compararmos uma lotação média no pastejo contínuo com os
valores médios obtidos no rotacionado, os resultados de desempenho esperados são
semelhantes. (Blaser et al, 1974)
Os resultados demonstram que o ajuste da lotação em uma determinada área em
função da disponibilidade de forragem (pressão de pastejo) é muito mais determinante do
desempenho animal do que o sistema de pastejo (contínuo ou rotacionado). O sucesso
obtido por muitos consultores na área de forragicultura utilizando o sistema rotacionado é,
provavelmente, função do ajuste da pressão de pastejo e comparação freqüentemente
efetuada com o pastejo contínuo mal conduzido feito pelos produtores. (Blaser et al, 1974)
Tabela 2 - Associação generalizada entre parâmetros do sistema planta – animal sob várias
pressões de pastejo.
Lotação Pressão MS /
*
Pastejo Forragem Nível nutrição Produção /
pastejo Animal seletivo perdida
/animal
Animal
Hectare
Pastejo contínuo
Baixa
Baixa
Alta
Alta
Alta
Alto
Alta
Baixa
Média
Média
Média
Média
Média
Médio
Média
Alta
Alta
Alta
Baixa
Baixa
Baixa
Baixo
Baixa
Média
Alta
Alta
Alto
Alta
Bem Alta
Pastejo rotativo
a) Início do pastejo
Média
Baixa
Alta
B) Final do pastejo
Média
Alta
Baixa
Baixa
Baixa
Baixo
Baixa
Bem Baixa
Média
Média
Média
Média
Médio
Média
Alta
Valores
Médios
Fonte: Adaptado de Blaser et al, 1974 - * Lotação constante não significa pressão de pastejo constante.
Por outro lado, os australianos sugerem que as pastagens tropicais adubados com
nitrogênio(N) aproveitam melhor este elemento, se for utilizado o pastejo rotacionado.
As plantas necessitam de um período de descanso para transformar o N absorvido em
tecido novo e desta forma, a eficiência da adubação poderá ser maior no sistema
rotacionado. Reconhece-se também que a adoção do pastejo rotacionado facilita o manejo
de pastagens de alta produção de forragem, inclusive daquelas constituídas por espécies
cespitosas que apresentam o alongamento precoce do caule como algumas cultivares de
Panicum maximum. (Blaser et al, 1974)
Porém, experimentos conduzidos no Paraná têm demonstrado a viabilidade da
obtenção de altas produções animais em pastejo contínuo e adubados com N, desde que o
ajuste da pressão de pastejo seja adequado. Isto não significa, entretanto, que mesmo com
adoção de um sistema de pastejo contínuo, as áreas de pastagem não devam ser
subdivididas, e que o manejo não seja necessário. As subdivisões são necessárias para
permitir separação do rebanho por categorias ou outros propósitos, como controle de
pragas ou invasoras, conservação de forragem, recuperação das pastagens etc. (Blaser et al,
1974)
Caso o pastejo rotacionado seja o mais adequado, o número de subdivisões deve ser
cuidadosamente calculado, de maneira que o investimento não torne antieconómico, ou
proporcione um retorno menor do que o investimento com fertilizantes para a recuperação
ou renovação das pastagens. A menos que um sistema particular de pastejo, comparado
a um outro qualquer, resulte no aumento da produção, da qualidade da pastagem, ou
melhore a eficiência de utilização desta, o sistema de manejo não influenciara a relação de
lotação e produção animal. Desta forma, a escolha de um determinado sistema de pastejo
deve-se basear na simplicidade e conveniência das operações envolvidas e na manutenção
da produtividade da pastagem. (Blaser et al, 1974)
Obviamente, um sistema de pastejo ideal é aquele que permite maximizar a
produção animal sem afetar a persistência das plantas forrageiras. Assim, a utilização de
plantas forrageiras sob condições de pastejo e um fator de grande importância a
ser considerado na exploração de pastagem.
O pastejo alternado está entre os dois sistemas e para cada lote de bovinos, dois a
quatro pastos podem ser utilizados. Esta prática é bastante viável, principalmente quando
se trata de propriedades maiores, levando, inclusive, a melhorias na qualidade da gramínea
ingerida, via melhoria no controle do "corte e rebrote". (PAULINO, 2004).
12 - CONSIDERAÇÕES FINAIS
O objetivo de um bom sistema de pastejo é prover os animais com suprimento
diário de forragem de boa qualidade para atender suas exigências nutricionais, de forma
econômica; O sistema ideal de pastejo é aquele que permite maximizar a produção animal
sem afetar a persistência das plantas forrageiras. Deste modo, a utilização de plantas
forrageiras sob condições de pastejo é um fator de grande importância a ser considerado na
exploração de pastagens.
A opção por um determinado sistema de pastejo deve sempre se fundamentar na
simplicidade e conveniência das operações e na manutenção da produtividade da pastagem.
Ao decidir sobre qual sistema a ser utilizado, o produtor deve analisar criticamente suas
condições locais; Já que o homem pode intervir para determinar a condição ideal e as
modificações subseqüentes que ocorrem na pastagem, pelo controle do tipo e número de
animais e de outros fatores, a pastagem deve ser vista como eixo de referência para o
sistema. Os outros fatores que também afetam o desempenho animal podem ser
considerados condicionantes da resposta animal. Na transformação da pastagem em
produto animal comercializável, o método de pastejo, o tipo de animal e a lotação têm
papel importante e podem ser manejados pelo homem.
Aumentos na produção por área em pastejo rotacionado precisam ser
cuidadosamente analisados para verificar se os custos adicionais de sua implantação são
compensadores; A sofisticação que envolve certos sistemas, muitas vezes desnecessária,
exigindo constante acompanhamento técnico, além de freqüentes decisões de manejo, é
fator limitante a sua adoção uma vez que resultados semelhantes podem ser obtidos por
processos mais simples e de menor custo;
A seletividade no pastejo pode influenciar mais a produção animal do que a simples
adoção de um determinado sistema de pastejo. O manejo da taxa de lotação gera alterações
no padrão de desfolhamento, por meio de uma maior ou menor seletividade. Baixas taxas
de lotação estimulam a seletividade. A taxa de lotação junto ao sistema de pastejo
influenciam a composição botânica da pastagem;
O manejo dos componentes do sistema de pastejo é de fundamental importância na
persistência da capacidade produtiva de uma pastagem e sua sustentabilidade. O pastejo
rotacionado causa uma alternância de períodos de alta e baixa produção líquida de
forragem, já o pastejo contínuo mantém a pastagem mais próxima de uma condição de
estado constante. Essa situação é resultado do efeito, entre outros fatores, da maior
flutuação do IAF no pastejo rotacionado que no pastejo contínuo. O manejo da pastagem
dentro de qualquer sistema deve levar em conta o efeito do IAF na produção líquida de
forragem, assim como sua interação com o ambiente.
Qualquer sistema de pastejo poderá resultar em ótimo desempenho animal,
dependendo do consumo de energia, o qual está relacionado com a disponibilidade de
forragem, proporção de folhas na pastagem, digestibilidade e consumo. Da mesma forma, a
produção animal por hectare obtida em diferentes sistemas de pastejo depende das
características morfológicas das plantas e da freqüência, da intensidade e da época de
utilização das pastagens.
As opiniões sobre qual o melhor sistema de utilização das pastagens são numerosas
e divergentes, principalmente com relação ao sistema contínuo e rotacionado. Apesar de
muitos experimentos terem sido conduzidos para comparar os dois sistemas, ainda existe
considerável controvérsia sobre os méritos relativos de cada um. Em geral os resultados
tem sido contraditórios e não permitem uma conclusão definitiva.
13 – REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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SUMÁRIO
RESUMO.............................................................................................................................iv
LISTA DE FIGURAS..........................................................................................................v
LISTA DE TABELAS.........................................................................................................vi
1. INTRODUÇÃO..................................................................................................................ix
2 - SISTEMAS DE PASTEJO NA EXPLORAÇÃO PECUÁRIA BRASILEIRA ................... xii
3 - SISTEMA PLANTA-ANIMAL.........................................................................................xvi
4 -MANEJO DE PASTAGENS ...........................................................................................xvii
5 - MANEJO DE FORMAÇÃO ...........................................................................................xix
6 - SISTEMAS DE PASTEJO ...............................................................................................xx
7 - CAPACIDADE DE SUPORTE ....................................................................................xxiii
8 - TAXA DE LOTAÇÃO................................................................................................... xxiv
9 - MÉTODOS DE UTILIZAÇÃO DE PASTAGENS ........................................................ xxvi
9.1 - PASTEJO CONTÍNUO..................................................................................... xxvi
9.2 – PASTEJO ROTACIONADO .......................................................................... xxvii
9.2.1 - DIFERENTES NOMECLATURAS DO PATEJO ROTACIONADO ....... xxvii
9.2.2 - TIPOS DE MANEJO DE PASTEJO ROTACIONADO............................ xxviii
9.2.2.1 - LOTAÇÃO ROTACIONADA .............................................................. xxix
9.2.2.2 - PASTOREIO RACIONAL VOISIN ...................................................... xxx
9.2.2.3 – PASTEJO EM FAIXAS....................................................................... xxxv
9.2.2.4 – PASTEJO ROTACIONADO COM DOIS GRUPOS DE ANIMAIS xxxvi
9.2.2.5 - "CREEP GRAZING".......................................................................... xxxvii
9.2.2.6 - "CREEP-GRAZING AVANÇADO".................................................. xxxvii
9.2.2.7 - PASTEJO LIMITE ............................................................................. xxxvii
9.2.2.8 – PASTEJO DIFERIDO....................................................................... xxxviii
10- CERCA ELÉTRICA E OUTROS................................................................................... xli
11- COMPARATIVO DO SISTEMA CONTÍNUO E DO ROTACIONADO. .....................xliv
12 - CONSIDERAÇÕES FINAIS...........................................................................................lv
13 – REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS......................................................................... lviii
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