PORTUGAL
Madeira
A ilha dos
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R O TA S D O M U N D O
TE
Florestas verde-esmeralda, cenários
tropicais, túneis e levadas, jardins
luxuriantes. A pé ou de carro,
a Madeira é uma caixinha
de surpresas, onde a beleza natural
nos abraça generosamente
TEXTO CÉLIA HATHERLY FOTOS RUTH SCHAFFRATH
SOUROS
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AUSTRÁLIA
INESQUECÍVEL
As cascatas
surpreendem
o caminhante
durante as levadas,
como na do Risco
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MAJESTOSA
A vista dos Vinháticos
para a serra de
Água leva-nos
a pensar em paragens
sul-americanas,
em Machu Picchu
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AUSTRÁLIA
A
ACELERANDO ENCOSTA ACIMA, curva e contracur-
va, e vencido o contratempo de ficar sem gasolina, vejo o crepúsculo aproximar-se. O «espectáculo» estava quase a começar e bastaria um
pequeno atraso de minutos para o perder para
sempre, até porque ali não há encore. As nuvens,
«convidadas especiais», já tinham entrada em cena
no Pico do Arieiro. Só faltávamos mesmo nós, ainda no Poiso, a cerca de 7 quilómetros. Todos os
dias, a «encenação» é diferente e a de hoje prometia ser brilhante. Uma vez chegadas ao cimo, a
«plateia» e o «balcão» estavam só por nossa conta. Pontualmente, o Sol inicia a sua descida gloriosa no horizonte e parece que alguém acendeu um
braseiro gigante nas montanhas. O céu estava, dir-
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-se-ia, a arder e as nuvens, por baixo de nós, serviam de filtro. É um daqueles momentos que apetece congelar, em que desejamos que o tempo pare,
para que o possamos saborear mais. Mas não. É
tudo tão belo quanto fugaz. Ruth tinha desaparecido numa passerelle de rocha e nuvens com o tripé e a máquina fotográfica. Sentei-me num banquinho de pedra a observar a última valsa do sol.
Nunca me sentira tão pequenina perante a majestosa natureza a meus pés. Poderia estar ali horas
infinitas a admirar as danças de tons de fogo e de
sombras, mas tudo acabou em escassos minutos,
num festim crepuscular laranja-dourado, antes de
conseguir sequer recompor-me. Engoli em seco e,
quando voltei ao carro, a noite já caíra. Perdoem-
-me o lugar-comum, mas esta fotografia vale mesmo mil palavras.
Quando decidi conhecer a ilha da Madeira muitas foram as vozes que me criticaram. «Vais ficar
lá uma semana? Mas aquilo vê-se em três dias...»
O cliché permanece na cabeça da maioria das pessoas, sem que se perceba bem porquê. A ilha principal do arquipélago, indiferente às modas e chavões, guarda pequenos e grandes tesouros naturais
impossíveis de descobrir numa escapada de fim-de-semana. Julgava ser difícil de encontrar numa
superfície de 737 quilómetros quadrados tanta biodiversidade. A verdade é que para conhecer a beleza natural da região são necessários vários dias.
Pelo menos seis....
Mal desembarquei no aeroporto, os aromas doces das plantas e a temperatura amena aqueceram-me e descontraíram os sentidos. Por momentos, pensei que estava num destino exótico e
longínquo, mas afinal só tinha andado hora e meia
de avião... Nem sabia o que me esperava. E até ao
final da semana passei por montanhas com recortes caprichosos que se assemelham a Machu Picchu, por vales e encostas luxuriantes que pareciam postais de florestas tropicais, atravessei túneis
que Enid Blyton não desdenharia ter em Os Cinco,
vi árvores mais antigas e fantasmagóricas que as
imaginadas por J.K. Rowling em Harry Potter, vislumbrei cenários que Peter Jackson podia ter usado em King Kong e até conduzi num planalto saí-
SUAVES
CONTRASTES
Depois do pôr-do-sol
no Pico Arieiro, ainda
se pode observar este
cenário inesperado
na estrada de regresso.
Na levada do Caldeirão
Verde, entramos
no coração da floresta
Laurissilva
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Queensland |
Percursos para sonhar
AUSTRÁLIA
É CERTO QUE PRECISA DE CAMINHAR UM POUCO E, EM ALGUNS CASOS,
AFRONTAR O CANSAÇO QUE LHE ATACARÁ AS PERNAS.
MAS EM CADA UM DESTES CAMINHOS TERÁ UM PRÉMIO À SUA ESPERA
1
125 Fontes
Começa no Rabaçal e termina no lago das 25 Fontes,
onde confluem 25 cascatas num lago lindíssimo.
Distância: 11 quilómetros, ida e volta.
Duração: Cerca de quatro horas.
Dificuldade: Baixa.
Apanhe a estrada ER110, que atravessa o planalto do Paul da Serra, e estacione
na zona do Rabaçal. Há um vaivém da Câmara da Calheta que o leva até
à Casa do Rabaçal, onde começa a levada. Se tiver tempo, pode fazer um pequeno
desvio até ao Risco, a cerca de 1 quilómetro. A caminho das 25 Fontes, no início,
há escadas íngremes. Algumas partes da levada têm a protecção natural
da vegetação, mas a maioria não, pelo que deve ter cuidado.
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2Caldeirão Verde
Começa no Casa de Abrigo das Queimadas e termina na cascata
impressionante do Caldeirão Verde.
Distância: 13 quilómetros, ida e volta, no coração da floresta Laurissilva.
Duração: Conte com cinco horas e meia para poder passear à vontade
e observar o cenário envolvente.
Dificuldade: Moderada.
Leve lanternas para atravessar os quatro túneis, um deles bastante
extenso. A dificuldade do passeio é moderada, plano na sua maioria
e toda a levada está bem protegida com uma nova vedação. Para chegar
às Queimadas toma-se a estrada ER103 em direcção a Santana e, ali,
seguem-se as indicações.
3Ribeiro Frio-Portela
A partir de Ribeiro Frio, uma caminhada até à Portela. É possível
acabar a levada na Portela e a partir daí apanhar um transporte até
ao ponto de partida. Aconselha-se a combinar previamente com um táxi,
por exemplo.
Distância: 10 quilómetros, ida e volta
Duração: Cerca de quatro horas.
Dificuldade: Moderada.
No Poiso, apanhe a estrada ER103 até Ribeiro Frio e deixe o carro ao pé
do café com o mesmo nome, em frente à loja de artesanato. Inicie aí
a levada e antes se tiver tempo dê um passeio pelo Parque Florestal, para
observar os viveiros de trutas, criadas na água fria.
2
4
3
4Pico Arieiro-Pico Ruivo
Esta vereda parte do Pico Arieiro até ao ponto mais alto da ilha, o Pico Ruivo, e passa pelo
miradouro do Ninho da Manta. Atravessa vários túneis e permite vistas impressionantes sobre
desfiladeiros, mas exige um caminhante experimentado e em forma pois o trilho é difícil.
Distância: 6 quilómetros.
Duração: Três horas, só ida, mais tempo de descanso.
Dificuldade: Elevada.
Do Funchal suba em direcção ao Poiso e aí apanhe a E202 para o Pico Arieiro.
Deixe o carro no parque da pousada.
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AUSTRÁLIA
Pico Arieiro
Curral das Freiras
Caldeirão Verde
Fanal
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Numa superfície tão pequena como a da Madeira,
o viajante descobre as paisagens mais variadas
do de um road-movie americano. Em seis dias não
parei um segundo: dei voltas de carro à ilha, palmilhei muitos quilómetros a pé, mas gozei muito
mais do que se tivesse ficado de papo para o ar
numa qualquer praia ou piscina…
A pé pela preciosa Laurissilva
A situação privilegiada no Atlântico permite
que aqui se encontrem espécies botânicas únicas.
O geógrafo e professor Raimundo Quintal escreve num dos seus livros sobre a ilha que «Charles
Darwin em A Origem das Espécies referiu-se mais
vezes à Madeira do que ao arquipélago das Galápagos». A floresta autóctone, a Laurissilva, classificada pela Unesco como Património Natural da
Humanidade, há sete anos, encontra aqui um reduto precioso. Para a admirar no seu esplendor
nada como caminhar a pé pelas levadas, para observar o til, o vinhático, o loureiro, arbustos como
a urze ou os musgos.
De automóvel, também é possível alcançar o
Fanal, uma região do Parque Natural onde se en-
contram os exemplares mais antigos dos tis. Infelizmente, além das vacas que ali pastam felizes,
pouco mais se encontra. Nomeadamente, informação sobre aquele valioso templo vegetal. A Laurissilva madeirense ocupa no total uma superfície
de 15 mil hectares (cerca de 20 por cento do total
da ilha) e constitui a mais extensa e a mais bem
conservada das ilhas atlânticas.
Percorrer uma levada ensinou-me imenso sobre a fauna e a flora da Madeira e sobre o legado
deixado por aqueles que, a altitudes consideráveis,
rasgaram pequenos aquedutos nas montanhas
para transportar água para as zonas baixas e com
menor precipitação. Estas notáveis obras de engenharia começaram a ser construídas no início
da colonização e hoje constituem uma mais-valia
turística, que cativa mais estrangeiros, sobretudo
alemães e ingleses, que munidos de mapas e equipados a rigor, «patrulham» os trilhos paralelos aos
canais, que têm a vantagem de serem planos. No
total, são mais de duzentas as levadas que atravessam a ilha.
COSTA NORTE
Vale a pena conduzir
pela estrada antiga
da costa norte, a 101,
que liga São Vicente
a Porto Moniz
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AUSTRÁLIA
A avifauna e as plantas, como a emblemática
estrelícia, marcam toda a paisagem
Na primeira que pisei, a do Ribeiro Frio para a
Portela, uma das mais frequentadas, apreciei demoradamente cada truta que via na levada, cada
árvore e rocha, cada queda de água. As condições
meteorológicas são sempre uma lotaria, mas nesta
apanhei chuva e frio, já que se atravessa um denso
bosque onde a humidade domina e o sol quase não
entra. Esta levada permite ainda ter uma ideia de
que como deve ter sido difícil a construção destes
canais de irrigação, encavalitados nas alturas e irrompendo entre a rocha e a vegetação luxuriante.
No Rabaçal e no Caldeirão Verde
Feita a primeira levada, estava em pulgas pela
do dia seguinte, a das 25 Fontes. Antes, porém, parei no Fanal, onde os majestosos tis, com musgo e
uma névoa persistente, parecem saídos de Harry
Potter e atravessei o curioso e cinematográfico planalto do Paul da Serra, também ele cheio de nevoeiro, até ao Rabaçal. Na segunda caminhada, já me
senti mais confiante e, refeita da surpreendente
paisagem, caminhei a um ritmo mais rápido. Aqui
vive e nidifica o raríssimo pombo trocaz, espécie
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R O TA S D O M U N D O
LEVADAS SEGURAS
1 Levar água e comida.
2 Não ir sozinho.
3 Levar equipamento
apropriado: botas
antiderrapantes
e impermeável.
4 Levar lanterna.
5 Se está num hotel
avise para onde vai.
6 Antes da caminhada,
informe-se no local
sobre as condições
do tempo e o estado
da levada.
7 Levar telemóvel.
8 Não sair do trilho
indicado.
9 Concentre-se nos
passos e no caminho.
10 Se for num grupo,
respeite a pessoa mais
fraca e o seu ritmo.
endémica e exclusiva da ilha, mas não tive a sorte
de o avistar, apesar do silêncio que caracteriza as
montanhas. A cerca de 1000 metros, domina o
urzal de altitude numa área integrada na mancha
da Laurissilva e que faz parte da rede europeia de
sítios de importância comunitária – a Rede Natura 2000. Apesar de o trilho não oferecer dificuldades, convém ver onde se põe os pés. De início,
tropecei frequentemente nos calhaus, de tão deslumbrada que estava com as vistas. Por outro lado,
há caminhos estreitos e sem protecção, pelo que
não se aconselha a pessoas com vertigens. Esta levada começou a ser construída em 1835 e só vinte anos depois as águas correram ali pela primeira vez, passando de norte para o sul.
Deixando para trás locais de sonho, chega-se a
uma lagoa com uma parede em rocha onde brotam
mais de vinte e cinco fontes de água, que descem
do Paul da Serra. Neste pacífico e inspirador cenário é tempo de uma pausa e de um piquenique para
reabastecer energias, até porque já fizéramos quase cinco quilómetros… Nas levadas é importante levar água e comida, que tanto pode ser barras ener-
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AUSTRÁLIA
Na costa norte, encontram-se ainda vilas
CALDEIRÃO
MÁGICO A magia
do Caldeirão
Verde deslumbra
os caminhantes
e faz esquecer
os 6,5 quilómetros
de regresso
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R O TA S D O M U N D O
géticas como uma sanduíche, para ganhar forças
para o caminho de regresso. Uma vez de volta ao
parque de estacionamento, suba ao posto de vigilância contra incêndios (que este ano tanto fustigaram a região), bem perto da câmara de carga da central hidroeléctrica da Calheta. Em dias limpos,
avista-se o mar e o vale da Ribeira da Janela.
A terceira levada, a do Caldeirão Verde, foi a mais
comprida e decididamente a minha favorita. Inicia-se em pleno Parque Natural, na curiosa Casa de
Abrigo das Queimadas, com o telhado de colmo típico de Santana. Construída no século XVIII, a levada atravessa encostas e escarpas abruptas, rochas
profundas através de túneis, transportando água da
montanha para os terrenos agrícolas do Faial.
As características do relevo e da paisagem emprestam-lhe uma certa mística que se transforma
em aventura plena quando se atravessa o primeiro
túnel. Aí senti que estava numa história de Os Cinco, a tentar adivinhar, no meio da escuridão, que bichos estariam no tecto e se o chão escorregadio era
mesmo só lama ou algo mais... A segunda passagem tem quase duzentos metros e ainda se torna
mais emocionante. A escuridão é total e só as luzes
das obras de beneficiação da levada estragam, no
início, a aventura. Mesmo assim, durante algum
tempo não se vê a luz ao fundo do túnel…
Ao caminhar dentro dos túneis devemos ter em
atenção os tectos baixos, protegendo a cabeça com
o braço. Uma pequena distracção valeu-me uma
recordação saliente e dolorosa na cabeça. Também
o uso de lanternas é aqui obrigatório. Que o diga
o casal de portugueses continentais – o único com
quem me cruzei nas três levadas – que sem o devido equipamento caminhava de sandálias e tentava, em vão, iluminar os túneis com a luz emitida pelo telemóvel…
O terceiro túnel reserva uma surpresa e uma
oportunidade fotográfica singular: uma janela do
lado direito mostra a exuberante vegetação do vale
e da encosta oposta. Visto assim, parece a gruta
do King Kong, com o verde-esmeralda da floresta
de tis, urzes centenárias ou da uveira da serra a
dar o tom ambiente a todo o cenário.
Nesta levada, agora com protecções reforçadas
em aço e ferro (uma opção de gosto duvidoso, em vez
da tradicional urze que se integra na paisagem), pode
avistar-se o melro preto, o bisbis, o tentilhão, a lavandeira e o mais raro pombo trocaz. Cerca de um
quilómetro depois do último túnel, uma tabuleta as-
piscatórias características como o Seixal
sinala CALDEIRÃO VERDE para um lado e CALDEIRÃO DO INFERNO para outro. Seguimos a primeira
e, subindo alguns metros pelo leito do ribeiro, entre
pedregulhos e lama, lá está a enorme cascata do Caldeirão Verde, que cai de uma altura superior a cem
metros num pequeno lago em forma de anfiteatro.
O «espectáculo» é novamente avassalador e naquele recanto mágico sento-me embasbacada. Será
difícil descrever isto, penso então, adivinhando o
momento de explicar no papel as sensações do momento. Tal como muitos estrangeiros que se vão espalhando pelas rochas, puxo do farnel e, apesar de
a fome apertar, vou comendo devagar, observando
a cascata e a beleza que nos abraça generosamente.
Nesta altura, já Ruth trepara para as alturas, para
captar a essência do caldeirão.
Os caminhantes chegam e partem, não sem antes
encherem o cartão das máquinas e dos telemóveis
com instantâneos. Ao cruzarmo-nos, cumprimentamo-nos com um sorriso e um «olá», «hello» ou «hallo»
que denuncia a respectiva origem. Os alemães estão
em maioria, mas os madeirenses também aparecem
em grupos ou em passeios descontraídos a dois.
Custa sair dali, mas ainda há muito para ver e o
dia está quase a acabar. O caminho de regresso já
nem custa a fazer, depois daqueles momentos de
inspiração pura. Na manhã seguinte, ao viajar para
o lado norte da ilha, e ao tomar um café na acolhedora Pousada dos Vinháticos, tive a sensação de
que estava na América do Sul, em Machu Picchu.
Mas não. Eram apenas as montanhas da serra da
Água recortadas no céu azul, mais uma paisagem
inesperada nesta «caixinha de surpresas»
Atravessada a Encumeada em direcção a São
Vicente, vale a pena percorrer de automóvel toda
a costa norte pela estrada antiga, desde que o tempo esteja bom, com túneis e cascatas, passar no
Seixal, mergulhar nas piscinas naturais de Porto
Moniz e parar em Achadas da Cruz, Ponta do Pargo, Paul do Mar, Jardim do Mar (nem que seja para
ver como o polémico molhe e a promenade estragaram a praia santuário do surf...), Ponta do Sol,
Ribeira Brava... E guardar um bocadinho do dia
para alimentar o espírito no magnífico Centro das
Artes Casa das Mudas, na Calheta. Além da riqueza arquitectónica do edifício cinzento e geométrico, a sugerir uma ruptura com a paisagem, encontra-se ali uma exposição da Colecção Berardo.
Se eu tivesse ido apenas três dias não tinha visto mesmo nada… p
ÁGUAS
TEMPERADAS
As piscinas naturais
de Porto Moniz
ou a praia da Laje,
uma das poucas
com areia, convidam
a um mergulho
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GUIA DO VIAJANTE
MADEIRA
à tarde as nuvens tomam conta
dos cenários, criando aquilo que os
madeirenses chamam «capacete»:
uma coroa de nuvens que, muitas
vezes, traz chuva.
p TRANSPORTE A melhor forma
de ver a ilha é alugar um
automóvel e combinar os passeios
de carro com os pedestres.
As agências de viagens
disponibilizam também excursões
variadas por terra e mar.
Quem quiser conhecer as levadas,
mas não tiver experiência
de caminhadas, deve contactar
uma agência ou o balcão do
Turismo (na Av. Arriaga) e pedir
um guia de montanha.
Para ver
As típicas casas de Santana
Planear a viagem
A Tap e a Portugália são as únicas
hipóteses directas de alcançar
a ilha. Enquanto não houver uma
low-cost a voar para o Funchal,
os preços continuam altos.
Na Tap, os voos rondam 210 euros;
na Portugália, 190.
Quando ir
Todas as épocas do ano são boas.
Para além dos picos do fim de ano
e do Carnaval, a Primavera
é particularmente apreciada pelos
amantes das plantas e da natureza.
Setembro, mês das vindimas,
também atrai muitos visitantes.
O que deve saber
p O QUE LEVAR Roupa e sapatos
confortáveis, botas de montanha,
impermeável, agasalho e lanterna
4
para as levadas, chapéu, protector
solar e óculos escuros.
p CLIMA A ilha da Madeira não
tem um só clima, mas vários. Além
da latitude, que lhe dá um clima
subtropical, e da situação oceânica,
o relevo influencia as condições
meteorológicas. Assim, no Funchal,
as temperaturas são amenas,
o calor húmido e os dias mais
solarengos. No Inverno, mantêm-se
nos 16 graus centígrados,
mas nas montanhas as descidas
são acentuadas e chegam
a registar-se temperaturas
negativas e até queda de neve
no Pico Arieiro (onde ainda existe
o iglu Poço da Neve a lembrar
tempos passados) e no Pico Ruivo.
Os locais dizem que é normal
num só dia testemunhar as
quatro estações, bastando para isso
alcançar os pontos mais altos.
De manhã, há mais possibilidade
de céu limpo nas montanhas, mas
Se quiser
fazer um
passeio pelas
levadas,
informe-se
numa agência
especializada
DE CARRO
Subir até à Eira do Serrado para
ver o famoso vale do Curral das
Freiras; ir ao cabo Girão, onde tal
como na Achada da Cruz, também
existe um teleférico para descer
até à Fajã. Subir até à Encumeada
(parar na Pousada dos Vinháticos,
tel. 291 775936, para admirar
a vista), seguir para a bonita São
Vicente e fazer a antiga estrada
à beira-mar da costa norte,
admirando o litoral, as quedas
de água, as localidades em cima
dos rochedos, como o Seixal,
a praia da Laje (com areia), o tom
apetitoso do mar até chegar
às piscinas naturais nas rochas
de Porto Moniz. Depois, continuar
pela mesma estrada até à Achada
da Cruz (ir ao miradouro), e seguir
para a Ponta do Pargo, Fajã
de Ovelha, Paul do Mar, Jardim
do Mar, Calheta (onde se
encontra a Casa das Mudas,
tel. 291 822 808), Ponta do Sol
e Ribeira Brava, até ao Funchal.
Para o lado oriental, suba até
ao Ribeiro Frio, Santana (com
as típicas casas de colmo), Porto
da Cruz (com outra praia de areia
e vista para o rochedo da Penha
Na Rede
2 www.madeiratourism.org A página oficial do Turismo da Madeira, com informação extensa sobre o que fazer, alojamento, mapas, brochuras
e calendários de eventos.
2 www.madeira-web.com e www.guia-madeira.net Guias com locais a visitar, contactos, directório de hotéis, excursões e actividades,
história do arquipélago.
2 http://isnova.madeiratecnopolo.pt Página com informação detalhada sobre levadas e veredas. Um site pensado e desenvolvido no âmbito
do Projecto Comunitário Isnova, construído em parceria pelas Regiões da Madeira, Canárias e Baleares e coordenado pelo Madeira Tecnopolo.
2 www.levadaseveredasmadeira.com. Outro site com conselhos e sugestões sobre passeios pedestres.
46
R O TA S D O M U N D O
da Águia), Portela, Caniçal até
à Ponta de São Lourenço, onde
há um miradouro que permite
observar esse extremo da ilha,
com uma paisagem completamente
diferente da restante.
NO FUNCHAL
É difícil escolher entre os muitos
jardins, mas o Monte Palace,
o Jardim Botânico (acessíveis pelo
teleférico, cerca de 14 euros, ida
e volta) ou o Palheiro Ferreiro
(Blandy’s Garden), apanhando
o autocarro 36, são
imprescindíveis. Entre os muitos
museus funchalenses, destaque para
o Museu do Instituto do Vinho
da Madeira, R. 5 de Outubro,
tel. 291 204600, e para o
Photographia-Museu “Vicentes”,
R. da Carreira, 43, o mais antigo
estúdio de fotografia existente
em Portugal, fundado em 1848.
Ainda o Museu da Quinta
das Cruzes, Calçada do Pico,
uma quinta madeirense dedicada
às artes decorativas, e o Museu
de Arte Contemporânea,
na Fortaleza de São Tiago.
Para dormir
Choupana Hills De entre a vasta
oferta hoteleira, os bungalows
exóticos deste hotel marcam a
diferença. Da encosta da Choupana
obtém-se uma boa vista do Funchal,
quando o tempo o permite.
O restaurante Xôpana é igualmente
uma tentação, tal como o Spa.
Tel. 291 206020.
www.choupanahills.com
Quinta da Bela Vista Um hotel
clássico premiado, numa zona
sossegada do Funchal. A qualidade
do serviço e a colecção
de antiguidades distingue-o
dos demais. Tel. 291 706400.
www.belavistamadeira.com
Quinta da Casa Branca Uma
pérola arquitectónica no meio
de exuberantes jardins. O Spa
e o restaurante são outros pontos
fortes. Reservas: tel. 21 780 3470.
Quinta das Vinhas No Estreito da
Calheta, numa quinta de vinhedos,
encontram-se estas acolhedoras
casinhas de turismo rural. O edifício
principal data do século XVII.
Tel. 291 824086.
www.qdvmadeira.com
Estalagem Ponta do Sol
Tem uma localização privilegiada
em cima dos rochedos,
na Ponta do Sol. Tel. 291 970200.
www.pontadosol.com
Para comer
A gastronomia madeirense é mais
do que as famosas espetadas
em pau de loureiro. Alguns
restaurantes, como o da Quinta
da Casa Branca, uma referência
no Funchal, sob orientação do chef
Fausto Airoldi, já oferecem
menus de fusão, utilizando com
criatividade as especialidades locais,
como os filetes de peixe-espada
ou um delicioso gelado com
bolo de mel. Os bifes de atum,
o milho frito, o pão com
batata-doce e o bolo do caco
são igualmente apetecíveis,
tal como a poncha, uma bebida
feita com aguardente, mel
de cana e sumo de limão. De beber
e chorar por mais... (quando
não se conduz).
Chega de Saudade R. dos Aranhas,
20, tel. 291 242289. Restaurante
e café acolhedor durante o dia,
à noite funciona como bar de jazz.
Golden Gate Grand Café
Av. Arriaga, 29, tel. 291 234383.
Café histórico do Funchal, também
tem restaurante e uma agradável
esplanada.
Café do Museu (de Arte Sacra)
Pça. do Município. Oferece refeições
O automóvel
é a melhor
opção para
conhecer a
ilha de ponta
a ponta
criativas com boa relação qualidade/
preço.
Café do Teatro Av. Arriaga,
tel. 291 226371. Um espaço sempre
in, que à noite funciona como bar.
Restaurante do Miranda (Perto do
Jardim Botânico e Choupana Hills)
Muito popular, serve boa comida
tradicional a preços acessíveis.
O Abrigo do Pastor Restaurante
serrano, entre o Poiso e a Camacha,
especialista em pratos de montanha
e grelhados. Tel. 291 922060.
CASAS DE CHÁ
Integram a tradição madeirense
e em algumas até se pode comer
muito bem, para além do simples
lanche ou snack. Sugerimos
duas pela localização privilegiada:
na Quinta do Monte (à saída
do teleférico do Monte) e O Fio,
na Ponta do Pargo, com uma
vista soberba sobre o oceano. Outra
hipótese menos tradicional
mas igualmente com boas vistas
é o café-esplanada do Centro das
Artes Casa das Mudas, na Calheta.
Para comprar
, Ler
2 MADEIRA,
LEVADAS E VEREDAS
De David Francisco
e Ana Lecoq, uma
rota dos vários
passeios pedestres
na Madeira e Porto
Santo. Edição Livros
e Livros. Por € 9,90
na Webboom.
GUIA ESSENCIAL
DA MADEIRA
De Nick Gibbs.
Por € 9, na Fnac.
O famoso bolo de mel e o mel
de cana podem ser adquiridos
na Sociedade dos Engenhos
da Calheta, na Calheta,
tel. 291 822264. Aqui pode ver
também o modo de produção
do mel e do açúcar, outrora um
dos pontos fortes da economia
madeirense. A Fábrica de
Bolachas de Santo António,
no Funchal, é também obrigatória
(Trav. do Forno, 27), com bolos,
compotas e rebuçados de funcho
e eucalipto. Para comprar vinho
da Madeira, o Old Blandy Madeira
Wine Lodge (Av. Arriaga, 28,
tel. 291 740110) é um dos mais
recomendados. Quanto aos
bordados, deixe-se tentar nas várias
lojas da baixa do Funchal. p
Ganhe viagens e livros
A ROTAS DO MUNDO em colaboração com a HALCON VIAGENS oferece
um fim-de-semana na Madeira a um leitor (e acompanhante) da nossa
revista. Para o ganhar, só precisa de escrever uma frase sobre a Madeira
e enviá-la, por correio (até 20 de Janeiro), para Passatempo Madeira, Rotas
do Mundo, Rua Calvet de Magalhães, n.º 242, Laveiras, 2770-022 Paço de
Arcos. O autor da frase mais original e criativa ganhará um fim-de-semana
na Madeira (para duas pessoas), incluindo as viagens de avião, transfers,
estadia na Estalagem do Santo e ainda passeio em duas levadas.
Os autores das primeiras 50 frases a chegarem à nossa redacção serão
automaticamente premiados com a oferta de um livro fundamental para
conhecer a ilha: Madeira, À Descoberta da Ilha de Carro e a Pé, de Raimundo
Quintal, um especialista madeirense que tem promovido os passeios pedestres
na região. Trata-se de uma obra com informação detalhada sobre a fauna, a
flora, as levadas, veredas e outros passeios, com mapas.
R O TA S D O M U N D O
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