A aula feita em vídeo, o vídeo feito em aula: uma transformação no ensino de
Química.
The class made a video, the video made in class: a transformation in the
teaching of chemistry.
José Timoteo de Gouvea
1
Resumo
Este trabalho desenvolvido no Colégio Estadual Antonio Garcez Novaes - Ensino
Fundamental e Médio, (Arapongas - PR), ofereceu oportunidade aos alunos de
conhecer normas e sinalização de segurança para as aulas práticas de química.
Através de produção de vídeos procurou-se fornecer orientações de segurança
para os alunos do ensino médio, mostrando como esta disciplina é uma ciência
inserida no cotidiano e que toda manipulação de produtos químicos requer
cuidados não só na escola, mas também em casa. A escola possui recursos
tecnológicos de fácil acesso aos alunos tais como, computadores, TV pendrive,
câmeras fotográficas, filmadoras e celulares que também fotografam e filmam,
vencendo, portanto mais um desafio, o de despertar o interesse pela química
utilizando o meio visual. O crescente estímulo pelas aulas e a assiduidade às
aulas foram os resultados mais expressivos. Observou-se que o uso da imagem
como um recurso didático no ensino da química é fundamental para seu
aprendizado.
Palavras Chaves: ensino de química; segurança; aulas práticas; expressão;
imagem; vídeo; tecnologia; comunicação; informação.
1
Colégio Estadual Antonio Garcez Novaes. CEP 86701-420 – Arapongas – PR. E-mail: [email protected]
Abstract
This work in State College Antonio Garcez Novaes - Primary / Secondary
Education, (Arapongas - PR), offered an opportunity to students to meet standards
of safety and for the practical lessons of chemistry. Through the production of
videos we have tried to provide guidance for the safety of high school students,
showing how this discipline is a science in everyday life and added that all handling
of chemicals requires care not only in school but also at home. The school has
easy access to technological resources to students such as computers, TV
Pendrive, photographic cameras, camcorders and mobile phones that also photos
and movies, winning, so one more challenge, to arouse the interest in chemistry by
using the visual medium. The stimulus for increasing attendance at classes and
lessons were the most expressive. It was observed that the use of the image as a
teaching resource in the teaching of chemistry is essential to their learning.
Keywords: teaching of chemistry, safety, practical classes, expression, image,
video, technology, communication, information.
INTRODUÇÃO:
Despertar o interesse dos alunos para o aprendizado da química é uma
preocupação constante principalmente quando se tem uma disciplina dita
experimental, mas que o seu conteúdo é repassado aos alunos muitas vezes em
uma aula expositiva, o que dificulta o seu entendimento e a contextualização da
mesma. As aulas práticas colocam os alunos frente a uma outra realidade, e eles
se posicionam com mais clareza diante dos fenômenos que a química aborda.
Araújo (2007) diz que o compromisso com a melhoria do processo de ensino
aprendizagem em Química justifica a necessidade de o professor utilizar
diferentes estratégias pedagógicas, uma vez que este processo acontece
com a sua prática em sala de aula. Uma maneira atraente de abordar os
conteúdos de Química é produzir vídeos durante as aulas. Filmar uma aula prática
que mostre, por exemplo, as maneiras seguras de realizar um experimento no
laboratório é uma inovação no estudo de química do ensino médio principalmente
quando eles, os alunos, são os protagonistas do filme e isto provoca o despertar
para um mundo ainda desconhecido cheio de imaginações. Moran (1995) faz
várias colocações sobre o uso do vídeo na escola em um de seus trabalhos
escritos: O vídeo ajuda a um bom professor, atrai os alunos,... ... Aproxima a
sala de aula do cotidiano, das linguagens de aprendizagem e comunicação
da sociedade urbana, mas também introduz novas questões no processo
educacional.
O vídeo parte do concreto, do visível, do imediato, próximo, que toca todos
os sentidos. Mexe com o corpo, com a pele nos toca e "tocamos" os outros,
estão ao nosso alcance através dos recortes visuais, do close, do som
estéreo envolvente. Pelo vídeo sentimos, experienciamos sensorialmente o
outro, o mundo, nós mesmos. A linguagem audiovisual desenvolve múltiplas
atitudes perceptivas: solicita constantemente a imaginação e reinveste a
afetividade com um papel de mediação primordial no mundo, enquanto a que
a linguagem escrita desenvolve mais o rigor, a organização, abstração e a
análise lógica. TV e vídeo encontraram a fórmula de comunicar-se com a
maioria das pessoas, tanto crianças como adultas.
Isto é verídico, pois uma pessoa de qualquer idade, após assistir a um filme,
passa a narrar a história assistida para as outras pessoas com quem se relaciona
socialmente. Alguns telespectadores passam a viver as cenas de uma telenovela
a ponto de derramar lágrimas como se fosse real o que estão vendo. Assim, fica
bem claro pedagogicamente, que o uso do vídeo na sala de aula como um recurso
de ensino, se bem conduzido pelo professor, leva a uma aprendizagem
significativa em um tempo muito menor do que se fosse com giz e quadro negro.
Voltando aos estudos de Moran (1995), lê-se: as mensagens dos meios
audiovisuais exigem pouco esforço e envolvimento do receptor. Este tem
cada vez mais opções, mais possibilidades de escolha (controle remoto,
canais por satélite, por cabo, escolha de filmes em vídeo). Há maior
possibilidade de interação: televisão bidirecional, jogos interativos, CD e
DVD. A possibilidade de escolha e participação e a liberdade de canal e
acesso facilitam a relação do espectador com os meios. As linguagens da TV
e do vídeo respondem à sensibilidade dos jovens e da grande maioria da
população adulta. São dinâmicas, dirigem-se antes à afetividade do que à
razão. O jovem lê o que pode visualizar, precisa ver para compreender. Toda
a sua fala é mais sensorial-visual do que racional e abstrata. Lê, vendo.
Moran (1995) ainda argumenta: Estamos deslumbrados com o computador e a
Internet na escola e vamos deixando de lado a televisão e o vídeo, como se
já estivessem ultrapassados, não fossem mais tão importantes ou como se
já dominássemos suas linguagens e sua utilização na educação. A televisão,
o cinema e o vídeo – os meios de comunicação audiovisuais –
desempenham, indiretamente, um papel educacional relevante. Passam-nos
continuamente
comportamento,
informações,
ensinam-nos
interpretadas;
linguagens
mostram-nos
coloquiais
e
modelos
de
multimídia
e
privilegiam alguns valores em detrimento de outros.
Moran (2005) em uma autocrítica critica o modelo de educação atual: Nós,
educadores, costumamos contrapor a diferença de funções e da missão da
televisão e da escola. A TV somente entretém, enquanto a escola educa.
Justamente porque a televisão não diz que educa, mas o faz de forma mais
competente. Ela domina os códigos de comunicação e os conteúdos
significativos para cada grupo: pesquisa-os, aperfeiçoa-os, atualiza-os. Nós,
educadores,
fazemos
pequenas
adaptações,
damos
um
verniz
de
modernidade nas nossas aulas, mas fundamentalmente continuamos
prendendo os alunos pela força e os mantemos confinados em espaços
barulhentos, sufocantes, apertados e fazendo atividades pouco atraentes.
Quem educa quem a longo prazo? Isso nos dá pistas para começar na sala
de aula pelo sensorial, pelo afetivo, pelo que toca o aluno antes de falar de
idéias, de conceitos, de teorias. Partir do concreto para o abstrato, do
imediato para o mediato, da ação para a reflexão, da produção para a
teorização.
Já é tempo de a escola começar a utilizar as tecnologias que estão nas mãos dos
alunos, que fazem parte do seu cotidiano. Os professores fazem cursos e mais
cursos de formação continuada, mas a sua ação em sala de aula é a mesma. É
necessário atualizar as metodologias de ensino ao material didático existente.
Segundo Almeida (2005), cabe ao professor promover o desenvolvimento de
atividades que provoquem o envolvimento e a livre participação do aluno,
assim como a interação que gera a co-autoria e a articulação entre
informações e conhecimentos, com vistas a construir novos conhecimentos
que levem à compreensão do mundo e à atuação crítica no contexto.
Para Behrens (2005), em parceria, professores e alunos precisam buscar um
processo de auto-organização para produzir conhecimento significativo e
relevante... ... A exigência de tornar o aluno um competente produtor do seu
próprio conhecimento implica valorizar a reflexão, a ação, a curiosidade, o
espírito crítico, a incerteza, a provisoriedade, o questionamento e, para
tanto, exige que o professor reconstrua a prática conservadora que vem
desenvolvendo em sala de aula.
Modificar o cotidiano de sala de aula é um grande desafio para o professor que há
décadas vem desenvolvendo um trabalho arcaico de repetições de conteúdos que
devem ser repassados em determinados intervalos de tempo. Porque não
modificar, inovar? A produção de vídeos nas aulas é moderna, é da hora, pois
basta acessar um site da internet chamado youtube para descobrir quão grande é
o número de vídeos feitos pelos jovens do mundo todo que sem se preocupar com
a qualidade, simplesmente querem fazer vídeos, se projetar, aparecer na mídia,
comunicar-se.
Garcez privilegia a aprendizagem através da imagem quando diz: o mundo
contemporâneo faz com que todos nós estejamos imersos em imagens. A
competição comercial, própria do capitalismo, associada às facilidades da
imprensa, da fotografia, do cinema, da televisão e dos computadores, faz
com que sejamos mergulhados em um universo em que o aspecto visual é
preponderante.
Diante dessa evidência, a escola não pode continuar restrita ao texto verbal
escrito, embora ele seja imprescindível. É urgente que a imagem pertença ao
contexto escolar, não apenas para que esse ambiente seja mais coerente
com o cotidiano do aluno, mas também para educá-lo para a leitura crítica
das imagens. Produzir vídeos nas aulas com os alunos não é utopia, pois Moran
(1995) considera o vídeo como expressão, como nova forma de comunicação,
adaptada à sensibilidade principalmente das crianças e dos jovens. As
crianças adoram fazer vídeo e a escola precisa incentivar o máximo possível
a produção de pesquisas em vídeo pelos alunos. A produção em vídeo tem
uma dimensão moderna, lúdica. Moderna, como um meio contemporâneo,
novo e que integra linguagens. Lúdica, pela miniaturização da câmera, que
permite brincar com a realidade, levá-la junto para qualquer lugar. Filmar é
uma das experiências mais envolventes tanto para as crianças como para os
adultos. Os alunos podem ser incentivados a produzir dentro de uma
determinada matéria, ou dentro de um trabalho interdisciplinar. E também
produzir programas informativos, feitos por eles mesmos e colocá-los em
lugares visíveis dentro da escola onde muitas crianças possam assisti-los.
Neves (2005), quando escreve sobre a televisão digital interativa, diz: prepare-se,
caro educador. A televisão digital interativa está chegando e vai afetar sua
escola e sua vida. É mais um desses avanços tecnológicos que surgem,
independentemente das vontades individuais. A TV digital interativa é uma
integração do sistema clássico da TV com o mundo das telecomunicações,
da informática, permitindo o acesso à Internet e à informação, facilitando a
interatividade... ... Além dos filmes, haverá imagens, músicas, sons, textos,
permitindo aos educadores e aos alunos a montagem de seqüências
próprias. Por exemplo, podem ser misturadas imagens de arquivos da TV
Escola com imagens captadas pela própria escola, incluindo uma trilha
sonora composta por alunos ou por artistas locais. Pense a respeito. Faça
projeções sobre como será possível fazer produtos que retratem seus
estudantes, sua escola, sua localidade... Quantas idéias – suas e de seus
alunos – podem ser postas em prática a partir dessa realidade? As
possibilidades pedagógicas da disponibilização somente serão limitadas por
nossa criatividade.
Por estas razões, e por outras não citadas, mas existem, poder-se-ia teorizar que
se alunos produzissem seus próprios vídeos no decorrer do período letivo, sendo
os autores e atores principais do filme eles aprenderiam mais e com maior
rapidez? Este é o objetivo deste trabalho, produzir vídeos com os alunos sobre o
tema segurança nas aulas práticas de Química. O tema escolhido foi porque
pensando em segurança e na preservação do meio ambiente, as aulas de
Química se tornam um ambiente propício para a divulgação de normas,
simbologia de riscos, conhecimento e a conscientização dos alunos quanto ao uso
seguro de produtos químicos.
Materiais e Métodos
Utilizou-se neste trabalho câmeras digitais e celulares para fazer as filmagens e
computadores para editar os vídeos e passá-los para DVD ou para pendrive.
Alguns foram produzidos por gravação direta ou na forma de videoclipe usando o
aplicativo windows movie maker e em seguida trasformados em formatos mpeg 1
e 2 ou AVI a fim de ser usados na TV pendrive. As filmagens foram feitas na
escola e nas casas dos alunos seguindo as etapas de produção de vídeo que
segundo Girao (2005) são cinco: a) criação e planejamento; b) roteiro; c) préprodução; d) direção e gravação; e) edição e finalização.
As turmas foram divididas em grupos de alunos e cada grupo desenvolveu o
trabalho como se segue:
a) Os alunos criaram uma história e fizeram planos das ações que seriam
desenvolvidas.
b) As ações foram desenvolvidas mediante um roteiro, isto é, com uma
seqüência lógica, elaborado pelos alunos sob orientação do professor.
c) Produziu-se um primeiro vídeo (ensaio) a fim de corrigir defeitos de
filmagens, ações irregulares que trazem insegurança nos trabalhos de
Química, erros de linguagem química e de ortografia.
d) Foram feitas as devidas correções para que se pudesse editar os vídeos e
finalizar passando-os para DVDS ou para pendrives.
RESULTADOS E DISCUSSÕES
Produzir vídeos durante as aulas não é uma tarefa muito fácil e requer alguns
conhecimentos de algumas tecnologias e, além disso, toda inovação no ensino é
contraditório nas escolas perante os colegas que não admitem mudanças nas
metodologias de ensino. O novo é difícil de ser aceito, pois provoca mudanças e
causa polêmicas principalmente no que diz respeito à avaliação. Os alunos
conseguiram produzir vários filmes e videoclipes de acordo com o tema previsto.
Percebeu-se durante o trabalho que os alunos sabem utilizar bem o computador
para comunicações no MSN e orkut, mas quando precisaram da máquina para
produzir e editar os vídeos houve muitas falhas e foi preciso a intervenção do
professor. As filmagens de câmeras e celulares são produzidas em formatos não
compatíveis com a TV pendrive e eles não tinham o conhecimento dos aplicativos
que convertem para outros formatos. Além de ser principiantes na arte de filmar
utilizaram câmeras de máquinas fotográficas e de celulares que fornecem filmes
com baixa qualidade de resolução. Os alunos ficaram mais motivados para
continuar o trabalho depois do seminário avaliativo, quando foram apresentados
os vídeos produzidos. Eles se sentiram realizados. A questão de segurança no
uso e manipulação de produtos químicos ficou bem caracterizada para os alunos.
Notou-se também o desinteresse por parte de alguns alunos, talvez por ter sido
quebrada a rotina de sala de aula, um obstáculo ainda a ser vencido.
REFERÊNCIAS
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BEHRENS, Marilda Aparecida. Tecnologias na escola: Tecnologia interativa a
serviço da aprendizagem colaborativa num paradigma emergente. in Integração
das Tecnologias na Educação/ Secretaria de Educação a Distância. Brasília:
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GARCEZ, Lucília Helena do Carmo. Tecnologias audiovisuais: a TV e vídeo na
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GIRAO, Lígia Cirino. Tecnologias audiovisuais: a TV e vídeo na escola.
Processos de produção de vídeos educativos. in Integração das Tecnologias
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MORAN, José Manuel. O Vídeo na Sala de Aula. Revista Comunicação &
Educação. São Paulo, ECA-Ed. Moderna, [2]: 27 a 35, jan./abr. de 1995.
MORAN, José Manoel. Tecnologias audiovisuais: a TV e vídeo na escola.
Desafios da televisão e do vídeo à escola. in Integração das Tecnologias na
Educação/ Secretaria de Educação a Distância. Brasília: Ministério da Educação,
Seed, 2005.
NEVES, Carmen Moreira de Castro. Próxima atração, a TV que vem aí.
Tecnologias audiovisuais: a TV e vídeo na escola. in Integração das Tecnologias
na Educação/ Secretaria de Educação a Distância. Brasília: Ministério da
Educação, Seed, 2005.
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