PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE GOIÁS
PRÓ-REITORIA DE GRADUAÇÃO
COORDENAÇÃO DE ADMISSÃO DISCENTE
Processo Seletivo 2016/1 - Social
Edital 60/2016 - PROGRAD - 17/10/2016
PROVA 1 • Linguagens e Códigos
• Ciências Sociais
• Ciências da Natureza
• Matemática
• Língua Estrangeira
PROVA 2 • Redação em Língua Portuguesa
INSTRUÇÕES
• O início da prova está previsto para as 13h e o seu
encerramento para as 16h30. Você somente poderá sair
duas horas após o início da prova.
• Não se comunique, em hipótese alguma, com outros
candidatos. Não é permitido consulta a apontamentos,
livros ou dicionários. Solicite a presença do fiscal apenas
em caso de extrema necessidade.
• Para marcar as respostas no Cartão-Resposta, utilize
caneta esferográfica azul ou preta.
• A resposta final de cada questão deverá ser transportada
para o Cartão-Resposta, sem rasuras.
• Não serão consideradas as respostas que não forem
transportadas para o Cartão-Resposta.
• A Prova 1 é objetiva, com 20 questões de múltipla
escolha, com quatro alternativas cada. Dessas quatro,
apenas uma é correta.
• Em nenhuma hipótese será distribuída duplicata do
Cartão-Resposta, cuja numeração é única, personalizada
e gerada automaticamente.
• A Prova 2 – Redação em Língua Portuguesa – é
discursiva, portanto deverá ser manuscrita, com
letra legível, sendo obrigatória a utilização de caneta
esferográfica de tinta azul ou preta.
• Ao terminar as provas, o candidato terá de devolver
para o fiscal:
1) o Cartão-Resposta;
2) a Folha de Redação definitiva.
• Ao utilizar o Cartão-Resposta, primeiro confira o número
de sua inscrição e o seu nome. Depois, assine no retângulo
adequado (não faça outras anotações ou marcas).
• Apenas os candidatos que saírem após as 16h poderão
levar o Caderno de Provas.
RESULTADO -29/10/2015 - publicação na internet
(www.pucgoias.edu.br). Poderá haver outras chamadas,
que terão editais próprios e serão divulgadas na sequência.
MATRÍCULA - A matrícula poderá ser efetuada de 2
a 5/11/2015 pelo próprio aluno ou por seu procurador
legal, que deverá dirigir-se à Secretaria Departamental
do curso.
ENTREVISTA SOCIOECONÔMICA - O candidato
aprovado em 1a chamada e matriculado deverá comparecer à Coordenação de Assuntos Estudantis (CAE), para
entrevista socioeconômica, de 3 a 30/11/2015, conforme
item 13.3 do Edital 60/2015 - PROGRAD, de posse dos
documentos listados no Anexo III do referido Edital. O
resultado da entrevista socioeconômica será publicado no
dia 10/12/2015 pelo site www.pucgoias.edu.br.
Documentos - O aluno deverá apresentar, na
matrícula, os seguintes documentos: 1 foto 5x7 recente; 1 fotocópia da Carteira de Identidade; 1 fotocópia
do Título Eleitoral; 1 foto­­cópia do Certificado de Reservista; 1 fotocópia da Certidão de Nascimento ou de
Casamento; 1 fotocópia do CPF; 1 fotocópia autenticada
do Diploma ou do Certificado de Conclusão do Ensino
Médio devidamente registrado; 1 fotocópia autenticada
do Histórico Escolar do Ensino Médio e 1 fotocópia de
comprovante de endereço.
Para o curso de Educação Física: o candidato deverá
apresentar, no ato da matrícula, um relatório médico
atestando sua saúde física.
Em caso de Ensino Médio cursado no exterior: 1 fotocópia autenticada do Diploma ou do Certificado e
1 fotocópia autenticada do Histórico Escolar, ambos
com legalização da embaixada ou do consulado brasileiro no país de origem, bem como 1 fotocópia autenticada de sua tradução oficial; 1 fotocópia autenticada da
revalidação desses documentos emitida pelo Conselho
Estadual de Educação (CEE).
2
PROCESSO SELETIVO 2016/1 - SOCIAL
Tendo em vista a característica desta prova –
a integração das áreas de conhecimento –, você
encontrará questões de diferentes disciplinas explorando um eixo temático ou uma referência inicial
comum.
ATENÇÃO
As questões com numeração repetida
são de Língua Estrangeira e estarão incluídas
no decorrer da prova. Você deverá resolver
APENAS as questões da Língua Estrangeira
que assinalou como opção em sua ficha de
inscrição.
TEXTO 1
VIII
Para que a vida
me fosse estrada
e o mundo um labirinto,
fiz da força esta humana
incerteza do que sinto.
(VIEIRA, Delermando. Os tambores da tempestade.
Goiânia: Poligráfica, 2010. p. 30.)
QUESTÃO 01
Em relação ao processo de construção lógica do texto de Delermando Vieira, assinale a alternativa correta:
A ( )A conjunção “e”, apesar de ser normalmente associada a acréscimo de ideias, no texto, foi usada
com sentido de adversidade.
B ( )No texto, a vida é metaforizada como uma estrada,
o mundo como labirinto e a força como incerteza
humana.
C ( )A construção “para que” estabelece com o enunciado seguinte uma relação de proporcionalidade
em relação à vida e ao mundo.
D( )No poema, o sentimento do poeta é descrito como
claro e definido tal como se apresentam os componentes de uma estrada.
QUESTÃO 02
No fragmento do Texto 1, “fiz da força esta humana / incerteza do que sinto”, temos o termo força usado
com um sentido diferente do que se usa geralmente para
classificar determinadas grandezas físicas. Analise as
afirmações:
I - Uma carga puntiforme negativa colocada numa região em que existe um campo elétrico uniforme
sofre uma força elétrica, gerada por esse campo, na
mesma direção e com sentido contrário ao campo.
II - Uma carga puntiforme positiva em repouso numa
região em que existe um campo magnético uniforme sofre uma força magnética, gerada por esse campo, na direção perpendicular ao campo.
III - A força elétrica de atração entre duas cargas puntiformes de sinais opostos não é alterada se colocarmos uma terceira carga puntiforme, positiva ou negativa, próxima das duas.
IV - Se uma partícula carregada com carga positiva estiver em equilíbrio sob a ação apenas de uma força gravitacional e uma força magnética, os campos
gravitacional e magnético geradores dessas forças
estão na mesma direção e com sentidos opostos.
Consideradas as afirmativas apresentadas, assinale
a única alternativa cujos itens estão todos corretos:
A ( )I e III.
B ( )I e IV.
C ( )II e III.
D( )II e IV.
QUESTÃO 03
O Texto 1 faz referência a labirinto. Um labirinto
consiste de uma entrada e uma saída. Para percorrê-lo,
é necessário escolher uma entre duas passagens, uma
que leva a lugar nenhum e outra que possibilita avançar
na direção da saída, num total de 10 passagens. Qual a
probabilidade de uma pessoa encontrar a saída em uma
única tentativa? Assinale a única alternativa correta:
A ( )0,00092.
B ( )0,00094.
C ( )0,00096.
D ( )0,00098.
HO
N
U
SC
RA
PROCESSO SELETIVO 2016/1 - SOCIAL
TEXTO 2
Mulher proletária
Mulher proletária — única fábrica
que o operário tem (fábrica de filhos),
tu
na tua superprodução de máquina humana
forneces anjos para o Senhor Jesus,
forneces braços para o senhor burguês.
Mulher proletária,
o operário, teu proprietário
há de ver, há de ver:
a tua produção,
a tua superprodução,
ao contrário das máquinas burguesas
salvar teu proprietário.
(LIMA, Jorge de. Melhores poemas. 3. ed. São
Paulo: Global, 2006. p. 69.)
QUESTÃO 04
O Texto 2 faz referência a máquinas. Suponha que
uma Máquina Térmica de Carnot, com eficiência de 32%,
receba a cada ciclo 5000 joules de energia de uma fornalha a 227 °C. Com base nessas informações, analise as
afirmações a seguir:
Adote 0oC igual a 273 K.
I - O trabalho por ciclo realizado por essa máquina é
igual a 1600 joules.
II - A fonte fria que recebe o calor expelido se encontra a
87 °C.
III - Se a fonte fria estivesse a 182 °C, a eficiência dessa
máquina cairia para 9%.
IV - Se os ciclos dessa máquina se repetem a uma taxa de
0,25 Hz, então ela produz 300 W de potência útil.
Marque a alternativa que apresenta todos os itens
corretos:
A ( )I e II.
B ( )I e III.
C ( )I e IV.
D( )II e IV.
QUESTÃO 05
O Texto 2, ao discorrer sobre a mulher proletária, remete à dupla função da mulher, como produtora de filhos
e também como trabalhadora em fábrica. Acerca dessa temática, vale ressaltar que essa situação vem mudando nas
últimas décadas, tendo em vista a maior participação da
mulher no mercado de trabalho e a consequente redução
das taxas de fecundidade e natalidade.
Acerca dessa temática, analise as assertivas a seguir:
I - A redução das taxas de fecundidade e natalidade é um
fenômeno tipicamente urbano e decorre do fato de a
mulher passar a trabalhar.
3
II - O crescimento do setor terciário possui estreita relação com a maior profissionalização e participação da mulher no mercado de trabalho.
III - Atualmente, além de geradora de filhos, a mulher
vem arcando, cada vez mais com a função de prover o sustento da família.
IV - Dada a importância da mulher como geradora de
filhos, nas últimas décadas têm-se intensificado os
cuidados com a saúde da gestante.
Em relação às proposições analisadas, assinale a
única alternativa que contém todos os itens corretos:
A ( )I, II e IV.
B ( )II e III.
C ( )II, III e IV.
D( )II e IV.
QUESTÃO 06
O título do Texto 2 remete-nos ao tema da mulher no mercado de trabalho. Dados do último censo do
IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística),
de 2010, revelam que cerca de 40,9% das mulheres contribuem para a renda das famílias do País. No campo,
esse índice é de 42,4%. Especificamente no Nordeste,
esse índice chega a 51%. Supondo-se que 55% dessas
mulheres não sejam brancas, o percentual de mulheres
brancas que trabalha no campo, no Nordeste, é de aproximadamente (assinale a única alternativa correta):
A ( )20,35%.
B ( )21,55%.
C ( )22,95%.
D( )23,15%.
HO
N
U
SC
RA
4
PROCESSO SELETIVO 2016/1 - SOCIAL
TEXTO 4
TEXTO 3
XIII
Da condição humana
A notícia correra a cidade, o vigário, o farmacêutico
da casa, o médico, todos mandaram saber se era
verdadeira. O agente do correio, que a lera nas folhas,
trouxe em mão própria ao Rubião uma carta que viera
na mala para ele; podia ser do finado, conquanto a
letra do subscrito fosse outra.
— Então afinal o homem espichou a canela?
disse ele, enquanto Rubião abria a carta, corria à assinatura e lia: Brás Cubas. Era um simples bilhete:
“O meu pobre amigo Quincas Borba faleceu ontem em minha casa, onde apareceu
há tempos esfrangalhado e sórdido: frutos da
doença. Antes de morrer pediu-me que lhe escrevesse, que lhe desse particularmente esta
notícia, e muitos agradecimentos; que o resto se
faria, segundo as praxes do foro.”
Os agradecimentos fizeram empalidecer o professor; mas as praxes do foro restituíram-lhe o sangue. Rubião fechou a carta sem dizer nada; o agente
falou de uma coisa e outra, depois saiu. Rubião ordenou a um escravo que levasse o cachorro de presente
à comadre Angélica, dizendo-lhe que, como gostava
de bichos, lá ia mais um; que o tratasse bem, porque
ele estava acostumado a isso; finalmente que o nome
do cachorro era o mesmo que o do dono, agora morto, Quincas Borba.
A minha condição de escritor está indissoluvelmente comprometida à minha condição de estar preso,
de estar vivendo há dez anos num presídio. Mais que
um paradoxo, trata-se de um oxímoro. Foi o processo de desfazer-me das amarras sociais, dos medos e
das vergonhas que me abriram as possibilidades de
me encontrar com a palavra, como forma de expressar o mundo.
Durante anos alimentei a ideia de sair daqui.
Durante anos imaginei estar nas ruas, tomar sorvete na praça, ir ao cinema aos domingos, comer ovos
mexidos com bacon frito saídos na hora, prosear sem
pressa com amigos no bar da esquina e até discutir
questões sem importância com pessoas que nunca vi.
Durante anos alimentei a ideia de sair daqui. E agora, que acabo de pegar meus poucos pertences que
há muito não usava, descobri que meus valores pessoais mudaram. Meus documentos (CPF, RG, CH),
meu relógio, minha carteira contendo fotos de minha filha e de minha mãe, alguns pequenos bilhetes
que julgava imprescindíveis, alguns endereços, tudo
isso dentro de um saquinho de plástico. Além disso,
um velho canivete que guardava desde a adolescência
por ter ganhado de meu pai. Esses eram os índices de
minha existência para a sociedade. Interessante que
entre a penitenciária e a UTI de um hospital não há
grandes diferenças. Ambos ficam com nossos objetos
pessoais por algum tempo. Na verdade, é fundamental que se inverta essa comparação. Há algumas similaridades e grandes diferenças. [...]
(ASSIS, Machado de. Quincas Borba. 18. ed. São Paulo: Ática, 2011. p. 34-35.)
QUESTÃO 07
Considere o fragmento extraído do Texto 3: “O meu
pobre amigo Quincas Borba faleceu ontem em minha
casa, onde apareceu há tempos esfrangalhado e sórdido:
frutos da doença.”
Observe que o autor refere-se à morte, fruto de uma
doença. Marque a alternativa correta sobre o binômio
saúde-doença definido pela Organização Mundial de
Saúde (OMS):
A ( )Segundo a OMS, o bem estar social não está incluído como quesito básico na definição de saúde.
B( )A ausência de enfermidade constitui, segundo a
OMS, o quesito único na conceituação de Saúde.
C ( )A OMS define saúde como o bem estar físico, social e mental, e não simplesmente a ausência de
enfermidade.
D ( )Segundo a OMS, apenas o ambiente social e econômico são determinantes na saúde da população.
(GONÇALVES, Aguinaldo. Das estampas. São
Paulo: Nankin, 2013. p. 139.)
QUESTÃO 08
O trecho de “Da condição humana” (Texto 4), do
livro Das Estampas, de Aguinaldo Gonçalves, faz alusão
à fronteira que há entre o homem comum e o escritor,
fronteira que pode se estender pela leitura mais aprofundada do trecho.
Marque a alternativa correta, observando o que foi
afirmado anteriormente e o que será dito em seguida:
A( )O trecho citado faz uma comparação entre dois
ambientes: a penitenciária e a UTI hospitalar. Com
isso, ele afirma, metaforicamente, que a vida de escritor é tão somente uma reclusão em que não se
tem escolha.
B ( )Vê-se nesse trecho a confirmação de que a similaridade entre dois lugares, aparentemente tão diferentes, é muito grande, uma vez que, penitenciária e
UTI são tomados como espaços de expiação imprescindíveis a quem quer alcançar sucesso na vida.
PROCESSO SELETIVO 2016/1 - SOCIAL
C ( )O trecho sugere, literariamente, a condição do escritor ao aludir metaforicamente a pontos capitais
da condição humana, como desfazer-se das amarras sociais, dos medos e das vergonhas. Ir ao cinema, documentos identificatórios, bar da esquina e
muitos outros objetos, ações e atitudes tomam outra dimensão na voz do escritor.
D( )Na verdade, o trecho nos reporta a um dilema muito grande de quem quer se tornar escritor: abandonar toda a história passada e seguir um novo rumo
ou abdicar de um sonho para não ter de deixar
pertences pessoais e pessoas queridas.
QUESTÃO 09
Considere o fragmento extraído do Texto 4: “comer
ovos mexidos com bacon frito saídos na hora”. Esse trecho descreve alimentos que constituem uma rotina na
dieta de muitas pessoas. Acerca dos elementos nutricionais dos ovos e do bacon, marque a alternativa correta:
A( )São fontes de fibras e sais minerais indispensáveis
ao bom funcionamento do intestino.
B ( )Apresentam baixo teor calórico e podem, de forma irrestrita, participar diariamente da dieta dos
indivíduos.
C( )Os ovos mexidos não representam fonte de proteínas, uma vez que foram submetidos a temperaturas responsáveis por sua desnaturação.
D( )Como elemento nutricional, tal combinação apresenta altos níveis de colesterol, cujo excesso está
relacionado a doenças do coração e dos vasos
sanguíneos.
QUESTÃO 10
O Texto 4 nos fala como a posse de bens materiais
é condição imprescindível para o reconhecimento do
sujeito na sociedade. Essa afirmação nos leva a pensar
como a industrialização conseguiu separar e automatizar o sujeito e o objeto no processo de produção, para
que ambos realizassem o próprio desenvolvimento de
forma mais eficiente em uma economia de mercado. Assinale, a seguir, a alternativa que faz uma afirmação correta relacionada a esse processo:
A ( ) As corporações de ofício passaram a cuidar dos
interesses específicos de seus membros nos aspectos técnicos, sociais, políticos, religiosos, dentre
outros.
B ( )O trabalhador foi valorizado, visto que seu desempenho individual garantia-lhe excelentes salários e
autonomia pessoal.
C ( )Os sindicatos, sustentados por contribuições monetárias de seus membros, passaram a ter caráter
técnico, impessoal e autônomo.
D( )Ocorreu o aumento dos laços entre os homens e
da reunião comunitária, pois estabeleceu-se entre
eles um nível de interesse comum e abrangente que
fortificava as relações sociais.
5
TEXTO 5
[...]
Como o destino consegue ser perverso! Doce,
meiga, bonita como a Vênus. Aquela menina teria
explodido de orgulho o coração de qualquer mãe; no
entanto, o meu, a criaturinha azinhavrou. Só com
você, Ana, posso escancarar o coração. Admitir o
adultério que nunca antes tive coragem de confessar.
Não é estranho, de repente, eu, uma velha com o pé
na cova, conseguir verbalizar meu delito, pecado que
nunca antes fora confessado? Foi em razão disso que
esperei por você todos esses anos.
A noção do perigo começa a me rondar. A víbora é esperta, mais ardilosa do que eu tinha imaginado. Como sempre, eu tinha agido precipitadamente.
Permaneço armada enquanto ela continua rasgando
seus véus.
Sei que você me entende, entende sim senhora,
ambas caímos na armadilha de amar um homem que
pertence a outra.
Alto lá tia! Que ideia estapafúrdia é essa agora?
São situações completamente diferentes, eu não roubei o homem de outra mulher.
Tampouco eu. Não cometi o desatino do roubo;
pelo contrário, a roubada fui eu. Vitor foi o homem
que a vida talhou, burilou com lixa fina só pra mim,
pra mim e mais ninguém. Aquele era o meu homem,
entende? Fomos feitos sob medida, um se ajustando
ao outro. O que mais doía, e como doía, era justamente a consciência que tínhamos de nossa justaposição, do encaixe perfeito, coisa rara entre duas pessoas. [...] Lembro-me que, durante aquele noivado
absurdo, o acaso nos impingiu, eu passava a semana toda guardando pequenos assuntos que só com
ele valeria a pena discutir. Um homem inteligente,
letrado e esclarecido, num universo de analfabetos.
Você sabe, apesar de muito jovem, você também o
admirava, vezes incontáveis vi seus olhos infantis
brilhando de encantamento pelo Vitor.
[...]
(BARROS, Adelice da Silveira. Mesa dos inocentes. Goiânia: Kelps, 2010. p. 16-17.)
QUESTÃO 11
Considerando-se que a referenciação pode ser
construída lexical ou gramaticalmente, assinale a única
alternativa que se refere ao personagem Vitor por meio
de um grupo nominal:
A ( )“Fomos feitos sob medida, um se ajustando ao
outro.”
B ( )“Você sabe, apesar de muito jovem, você também
o admirava.”
C ( )“Aquele era o meu homem, entende?”
D( )“Eu passava a semana toda guardando pequenos
assuntos que só com ele valeria a pena discutir.”
6
PROCESSO SELETIVO 2016/1 - SOCIAL
QUESTÃO 12
O Texto 5, em “Aquela menina teria explodido de
orgulho o coração de qualquer mãe; no entanto, o meu,
a criaturinha azinhavrou”, faz, figuradamente, alusão ao
azinhavre, que é um carbonato básico de cobre formado
a partir do cobre metálico em contato com o ar úmido
e na presença de dióxido de carbono. “O azinhavre, tal
como ocorre na natureza, é chamado de malaquita. Trata-se de uma substância de cor verde que, na superfície
de objetos de cobre, forma uma película protetora que
impede a corrosão ulterior do metal. Em presença de ar
seco, o cobre forma o óxido cúprico (CuO), que também
é uma película protetora.”
(Disponível em: http://crv.educacao.mg.gov.br/sistema_
crv/documentos/md/em/quimica/2010-08/md-em-qu-02.
pdf. Acesso em 23 jul. 2015.)
A equação química para a reação citada é :
2Cu(s) + CO2 (g) + H2O(l) + O2 (g) → CuCO3.Cu(OH)2 (s)
Sobre o cobre e as observações feitas no enunciado,
assinale a única alternativa correta:
A ( ) O cobre é exemplo de um metal de transição
interna.
B( ) O cobre e o estanho formam uma liga metálica
conhecida por latão.
C ( )O valor da soma dos números de oxidação do cobre em CuCO3, Cu2O, Cu (s) é igual a +3.
D( )Na equação química apresentada, o valor da soma
dos coeficientes dos reagentes é igual a 2.
TEXTO 6
6
Garimpo – terra rica de gente pobre...
Um pedaço no meio da Amazônia transformado em turbulento reduto de aventureiros.
Com as notícias de riqueza fácil, toda a espécie de
gente acorria desordenada como um formigueiro desfeito. Vinha tentar a sorte. Cada forasteiro, sem nada
nos bolsos, se mostrava mais ganancioso do que o outro.
Era uma massa de gente que não prestava, desbandeirada, sem pouso nem destino certo. Por toda
parte, existia gente que não prestava, mas em menor
proporção. Ali, a maioria não valia um níquel, numa
ânsia de enriquecer de qualquer jeito. Na luta pela
posse do ouro, a ambição cega atropelava. Homens
cegos sedentos por ganhos rápidos.
A maioria vinha só, sem mulher e filhos. Para
que levar a família no meio da floresta? Logo, entretanto, a fome por sexo falava mais alto. Não havia mulheres para todos e isso causava pânico. Os
homens se tornavam nervosos e inquietos, como se
os corpos ardessem em chamas. Então, bebiam. Por
qualquer palavra desentendida, as brigas, seguidas
de mortes, explodiam. O pequeno cemitério crescia
como um organismo vivo. [...]
(GONÇALVES, David. Sangue verde. Joinville:
Sucesso Pocket, 2014. p. 13.)
QUESTÃO 13
Assinale a alternativa que delimita corretamente os
tipos de recursos linguísticos predominantes no trecho
“O pequeno cemitério crescia como um organismo vivo”
para produzir efeito de sentido:
A( )Antítese e ironia: o lugar onde se enterravam os
mortos é comparado paradoxal e ironicamente a
um organismo vivo.
B ( )Ambiguidade e polissemia: os diferentes significados do verbo “crescer” levam a entender “cemitério” tanto no sentido literal quanto no figurado.
C ( )Metonímia e pleonasmo: a referência ao tamanho de
uma parte do espaço físico é feita de maneira exagerada para se referir ao todo do reduto dos aventureiros.
D( )Alusão e intertextualidade: a alusão ao crescente
aumento de mortos tem relação com o discurso da
biologia.
QUESTÃO 14
In this passage, you can feel that Mr. Gonçalves’s
attitude towards the gold miners he describes is of (mark
the correct answer):
A ( ) indifference.
B ( )admiration.
C ( )anxiety.
D ( )criticism.
QUESTÃO 14
Observe cuatro de las palabras, sacadas del texto
de David Gonçalves (Texto 6), que reciben acentuación
gráfica y su respectiva traducción al español: Amazônia –
Amazonia, níquel – níquel, pânico – pánico y cemitério –
cementerio. A seguir, señale la única opción que justifica
correctamente el uso o no del acento gráfico en español
en la palabra presentada:
A ( )Amazonia – no se acentúan las palabras agudas
terminadas en diptongos crecientes.
B ( )Pánico – se acentúan todas las palabras
sobresdrújulas.
C ( )Níquel – se acentúan las palabras llanas terminadas en consonante, excepto “n” y “s”.
D( )Cementerio – no se acentúan las palabras graves
con más de tres sílabas.
QUESTÃO 15
O Texto 6 versa sobre a corrida pelo ouro na região
amazônica e alguns problemas decorrentes da elevada
concentração de trabalhadores em grupos desorganizados. As características geomorfológicas de ambientes em
que o ouro pode ser encontrado estão corretamente descritas em (assinale a alternativa correta):
A ( )Terraços sedimentares e sedimentos ativos de rios.
B ( )Ambientes de metamorfismo, devido à facilidade
de desagregação e extração do minério.
C( )Ambientes de relevo plano e rebaixado, propícios
ao processo de sedimentação.
D( )Exutórios dos principais canais fluviais, o que facilita a coleta de sedimentos e posterior separação.
PROCESSO SELETIVO 2016/1 - SOCIAL
QUESTÃO 16
O Texto 6 faz alusão à Amazônia brasileira, suas riquezas, seus vislumbres, seus grandes desafios, conflitos
e suas contradições.
Dentre as afirmações a seguir, extraídas do texto
em questão, assinale a opção que melhor ilustra tal assertiva:
A ( )“Não havia mulheres para todos e isso causava pânico. Os homens se tornavam nervosos e inquietos, como se os corpos ardessem em chamas.”
B ( )“A maioria vinha só, sem mulher e filhos. Para que
levar a família no meio da floresta?”
C ( )“Então, bebiam. Por qualquer palavra desentendida, as brigas, seguidas de mortes, explodiam.”
D( )“Com as notícias de riqueza fácil, toda a espécie de
gente acorria desordenada como um formigueiro
desfeito.”
TEXTO 7
Os leões
Hoje não, mas há anos os leões foram perigo.
Milhares, milhões deles corriam pela África, fazendo
estremecer a selva com seus rugidos. Houve receio de
que eles chegassem a invadir a Europa e a América.
Wright, Friedman, Mason e outros lançaram sérias advertências a respeito. Foi decidido então exterminar os
temíveis felinos. O que foi feito da maneira que se segue.
A grande massa deles, concentrada perto do
Lago Tchad, foi destruída com uma única bomba atômica de média potência, lançada de um bombardeiro,
num dia de verão. Quando o característico cogumelo
se dissipou, constatou-se, por fotografias, que o núcleo
da massa leonina tinha simplesmente se desintegrado. Rodeava-o um setor de cerca de dois quilômetros,
composto de postas de carne, pedaços de osso e jubas
sanguinolentas. Na periferia, leões agonizantes.
A operação foi classificada de “satisfatória”
pelas autoridades encarregadas. No entanto, como
sempre acontece em empreendimentos desta envergadura, os problemas residuais constituíram-se, por
sua vez, em fonte de preocupação. Tal foi o caso dos
leões radioativos, que tendo escapado à explosão, vagueavam pela selva. É verdade que cerca de vinte por
cento deles foram mortos pelos zulus nas duas semanas que se seguiram à explosão. Mas a proporção de
baixas entre os nativos (dois para cada leão) desencorajou mesmo os peritos mais otimistas.
Tornou-se necessário recorrer a métodos mais
elaborados. Para tal criou-se um laboratório de treinamento de gazelas, cujo objetivo primário era liberar os animais do instinto de conservação. Seria fastidioso entrar nos detalhes desse trabalho, aliás muito
elegante; é suficiente dizer que o método utilizado foi
7
o de Walsh e colaboradores, uma espécie de brain-wash adaptado a animais. Conseguido um número
apreciável de gazelas automatizadas, foi ministrada
às mesmas uma forte dose de um tóxico de ação lenta. As gazelas procuraram os leões, deixaram-se matar e comer; as feras, ingerindo a carne envenenada,
vieram a ter morte suave em poucos dias.
A solução parecia ideal; mas havia uma raça de
leões (poucos, felizmente) resistente a esse e a outros
poderosos venenos. A tarefa de matá-los foi entregue
a caçadores equipados com armamento sofisticado e
ultrassecreto. Desta vez, sobrou apenas um exemplar,
uma fêmea que foi capturada e esquartejada perto de
Brazzaville. Descobriu-se no útero da leoa um feto viável; pouco radioativo, o animalzinho foi criado em
estufa. Visava-se, com isso, a preservação da fauna
exótica.
Mais tarde o leãozinho foi levado para o Zoo de
Londres onde, apesar de toda a vigilância, foi assassinado por um fanático. A morte da pequena fera foi
saudada com entusiasmo por amplas camadas da população. “Os leões estão mortos!” — gritava um soldado embriagado. — “Agora seremos felizes!”
No dia seguinte começou a guerra da Coreia.
(SCLIAR, Moacyr. Melhores contos. 6. ed. São
Paulo: Global, 2003. p. 159-160.)
QUESTÃO 17
Based on the types of texts, can you tell whether
Text 7 is (mark the correct answer):
A ( )A letter to the editor.
B ( ) A passage from a textbook on sociology.
C ( )A passage from a short story.
D( )A passage from a scientific magazine.
QUESTÃO 17
La palabra “gazela”, que aparece en el Texto 7,
tiene una forma bien parecida en español: “gacela”.
Eso se da porque, aunque las lenguas española y
portuguesa tengan mucho vocabulario común, hay
bastante diferencia en los niveles fonético, fonológico e
ortográfico. Sobre ese tema, señale la única alternativa
a seguir que presenta una afirmación correcta sobre el
español.
A ( )Las letras “b” y “v” son intercambiables, puesto
que, en ambos casos, la pronunciación será igual;
por eso, algunas palabras tienen dupla ortografía.
B ( ) El alfabeto del español cuenta con 29 grafemas
que son los mismos del portugués acrecidos de
las letras “ch”, “ll” y “ñ”.
C ( )Las vocales “e” y “o” deben ser tildadas como “é”
y “ó” cuando su pronunciación es más abierta o
cuando marquen la sílaba tónica.
D ( ) Las nasales “m”, “n” y “ñ” además de servir como
consonante, también generan nasalización en las
vocales que las anteceden.
8
PROCESSO SELETIVO 2016/1 - SOCIAL
QUESTÃO 18
O Texto 7 fala da tentativa de extermínio por meio
da utilização de uma bomba atómica. Apesar de os nazistas terem aventado em seu programa uma “solução
final”, foram os norte-americanos que utilizaram a poderosa arma contra um povo. Em questão de segundos
foram eliminadas milhares de vidas. Isso foi feito mais
de uma vez, em duas cidades diferentes. A decisão pela
bomba atômica foi tomada com o objetivo de que o Japão
se rendesse e a Segunda Grande Guerra chegasse ao fim.
Acerca desse conflito, assinale a alternativa correta:
A ( ) A Segunda Grande Guerra surgiu da aliança do
regime nazista alemão com os movimentos comunistas. Para derrotá-los de maneira incisiva, os
Estados Unidos, liderando os países capitalistas,
desenvolveram armas de alto poder destrutivo, a
exemplo da bomba atômica.
B ( ) A Segunda Guerra Mundial expandiu-se além da
Europa porque os judeus estavam espalhados por
vários países. Estes se mobilizaram para financiar
as forças militares e pressionar para que os governos declarassem guerra aos nazistas, com a finalidade de salvar seus compatriotas dos campos de
concentração.
C ( ) A Segunda Grande Guerra foi causada pela Guerra Fria, uma corrida competitiva pelo desenvolvimento tecnológico de armas cada vez mais poderosas, que puderam ser utilizadas depois de assinado
o Pacto de Genebra pelas diversas potências.
D ( ) A Segunda Guerra Mundial teve como principais
vitoriosos os Estados Unidos da América e a União
das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Apesar da
aliança entre os dois e do posterior armistício,
ambos passaram a colidir hegemonicamente no
mundo, através, principalmente, da guerra ideológica e da produção de armamentos cada vez mais
destrutivos.
QUESTÃO 19
Leia com atenção o fragmento extraído do Texto
7: “A grande massa deles, concentrada perto do Lago
Tchad, foi destruída com uma única bomba atômica de
média potência, lançada de um bombardeiro, num dia
de verão.”
O controle das reações nucleares foi um passo
importante para o homem. Mesmo que estas tenham
grande potencial destruidor, pode-se obter delas muitos
benefícios, como a utilização da radiação gama para esterilização, o desenvolvimento de equipamentos de diagnostico médico e de controle do câncer, entre outros.
Sobre a radioatividade, assinale a alternativa correta:
A ( )Fissão nuclear é a união de dois ou mais átomos
formando outro átomo de maior número atômico.
B ( ) Fusão nuclear é a divisão de um átomo instável, levando à formação de dois ou mais núcleos
atômicos.
C ( )Emissão alfa se dá quando um núcleo instável emite uma partícula alfa. Esta corresponde a um núcleo de um átomo de hélio.
D( )Emissão beta ocorre quando um núcleo instável
emite uma partícula beta. Esta é um núcleo de um
átomo de hidrogênio.
QUESTÃO 20
Observando-se o conto “Os Leões”, retirado do livro Melhores contos, de Moacyr Scliar (Texto 7), verifica-se que alguns pontos se destacam, tanto na temática
quanto no modo de escrever. Com base nessa afirmação,
assinale a alternativa correta:
A ( )Predominam a crítica social e a metáfora.
B ( )Destacam-se a fragilidade humana e a ironia.
C ( )Está em evidência a ganância e a metonímia.
D( )Está explícito o desapego e a hipérbole.
HO
N
U
SC
RA
PROCESSO SELETIVO 2016/1 - SOCIAL
9
10
PROCESSO SELETIVO 2016/1 - SOCIAL
Coletânea
Redação
EM LÍNGUA PORTUGUESA
TEXTO 1
Cultura do encontro
ORIENTAÇÕES GERAIS
Há, a seguir, duas propostas de produção de
texto escrito, a partir da concepção de gêneros
textuais. Escolha uma delas e desenvolva o seu
texto, em prosa, observando atentamente as
orientações que acompanham cada proposta.
Você deverá se valer das ideias presentes na
coletânea desta Prova de Redação (mas sem
fazer cópia), bem como de seu conhecimento
de mundo e dos fatos da atualidade. Observe
que cada proposta se direciona para um gênero
específico de texto (artigo de opinião, carta de
leitor).
• Sua Prova de Redação deverá ter no máximo
30 linhas.
• Se a sua redação não corresponder ao gênero
textual exigido, ela será penalizada.
• Você pode utilizar o espaço destinado para
rascunho, mas, ao final, deve transcrever o texto
para a folha definitiva da Prova de Redação
em Língua Portuguesa no local apropriado,
pois não serão avaliados fragmentos de texto
escritos em locais indevidos.
ATENÇÃO
Esta prova receberá pontuação ZERO caso
a redação apresente:
• Fuga ao tema;
• Extensão inferior a sete linhas (incluindo o
título);
• Transcrição para a folha definitiva a lápis;
• Letra ilegível/incompreensível;
• Problemas sistemáticos e graves de domínio
da norma padrão ou total comprometimento
na produção de sentido do texto;
• Sinais inequívocos de que seja cópia
da coletânea apresentada ou de outros
textos, exceto se usados como recurso de
intertextualidade;
• Outra identificação do candidato, senão a
codificada, previamente impressa na prova;
• Presença de marcas ou sinais que possam
levar à identificação do candidato: nome;
prenome; sobrenome; denominação genérica
(O Editor, Leitor, Seu fã etc.); apelido;
pseudônimo; codinome; rubrica; patronímico;
heterônimo; alcunha; epíteto; vulgo; vocatório;
cognome; agnome; siglas e/ou formas gráficas
de sinalização: números; letras; símbolos;
cores; manchas etc.
Pe. Alfredo J. Gonçalves
[...]
[...] Muitos “encontros” de pessoas, raças, povos e
culturas, em lugar de uma verdadeira abertura a uma
transformação recíproca, acabam caindo num isolamento sobre si mesmo ainda mais hermético e incomunicável. Inversamente, os aparentes contatos eventuais,
transitórios e superficiais – hoje dir-se-iam virtuais ou
voláteis – podem sim progredir para um verdadeiro encontro sólido e duradouro. A verdade é que, ao mesmo
tempo em que se multiplicam as possibilidades de encontro, crescem na mesma proporção o preconceito e
a discriminação, o racismo e a xenofobia, vale dizer, o
desencontro.
A migração, ao privar do solo pátrio, representa
sempre um golpe. Provoca feridas em quem parte e em
quem fica, requerendo sempre um período de cicatrização. Por parte de quem se desloca, às vezes com as raízes
expostas ao sol, impõe-se a necessidade de um novo lugar para recomeçar a vida. Dignidade e direitos humanos, cidadania e pátria são os conceitos que expressam
essa carência. Por parte da comunidade que recebe os
migrantes, também as raízes são sacudidas, embora em
grau inferior. A chegada de estranhos agita as águas tranquilas do cotidiano, chegando a desencadear tormentas
imprevistas. Em outras palavras, tanto para quem chega
quanto para quem acolhe, em diferentes níveis, impõe-se a tarefa de avaliar e, quem sabe, rever o próprio modo
de pensar e agir.
Daí o confronto de valores e contravalores, sempre carregado de ambivalência, como vimos. Ao mesmo
tempo em que pode abrir-se a possibilidades inéditas de
crescimento e enriquecimento recíproco, também pode
acirrar as tensões e os conflitos, aprofundando o abismo entre os “de dentro” e os “de fora”. Isso mostra que o
desafio ao interculturalismo tem sempre mão dupla. Os
migrantes, por um lado, e a comunidade de destino, por
outro, são ambos desafiados a superar o individualismo.
A confiança deve vencer a desconfiança, mas nem sempre é isso que ocorre. Ao contrário, o medo e a insegurança frente à “invasão do outro” ou às “ondas de clandestinos”, em vez de pontes costumam erguer muros, na
maioria das vezes invisíveis, feitos não raro com a própria
subtileza de uma linguagem inconsciente, como nas expressões acima.
Em síntese, a cultura do encontro, a exemplo dos
próprios migrantes, tem um longo caminho a percorrer.
Longo e quase sempre pavimentado de dores, temores
e contradições. Não o encontro de superfície, folclórico,
midiático. Mas um encontro de valores profundos, de
PROCESSO SELETIVO 2016/1 - SOCIAL
almas em busca de algo. Encontro que, em última instância, desafia a ressignificação da própria identidade.
Pois esta jamais pode ser algo fixo, acabado, estanque,
mas um modo sempre novo de relacionar-se com o outro. Mais do que um ponto de chegada, a identidade
constitui um caminho com horizontes abertos, ou melhor, se revela no ato mesmo de caminhar.
(GONÇALVES, Alfredo J. Cultura do encontro. Disponível em: http://www.scalabrini.org/es/354-attualita/
in-rilievo/4132-cultura-do-encontro. Acesso em: 15 jul.
2015. Adaptado.)
TEXTO 2
Interculturalidade. Você sabe o que é?
Lucas Hackradt
[...]
“A Comunicação Intercultural é uma evolução da
Teoria da Comunicação para um contexto mais global;
defende que as pessoas precisam primeiro entender a si,
aprender a dar significado a suas próprias formas de comunicação, para só então poder criar significados que
façam sentido para todos os outros”, afirmou, a ÉPOCA,
o interculturalista Milton J. Bennett, considerado um
dos pais da área e um dos mais importantes estudiosos
do tema, que concedeu a entrevista abaixo.
ÉPOCA – Qual a importância do interculturalismo
para a sociedade moderna?
BENNETT – [...] Os estudos realizados até hoje
para comprovar a existência de uma cultura global não
chegaram a nehuma conclusão – as pessoas estão mantendo firmemente suas visões de mundo e suas culturas próprias, o mundo não está se “globalizando” como
as pessoas achavam que o faria. O que acontece é que
as pessoas estão interagindo mais umas com as outras.
Acredito que esse aspecto seja consistente com aquilo
que nós, interculturalistas, defendemos, que é: por causa
desse contato maior entre as pessoas, há uma necessidade de melhorarmos a forma como nos expressamos uns
com os outros, e principalmente focar naqueles pontos
em que falhamos na comunicação entre duas culturas
distintas. À medida que as sociedades tornam-se mais
multiculturais, e isso quer dizer que há mais mobilidade
entre as pessoas, que há mais movimentos de imigração
da população, a comunicação, a linguagem precisa melhorar.
[...]
ÉPOCA – Como um brasileiro, por exemplo, que
recebe tantos imigrantes, consegue se adaptar à cultura
estrangeira e continuar a funcionar dentro de sua própria sociedade?
BENNETT – Bom, esse é o centro de toda a questão. Por causa do aumento na demografia multicultural
em todos os países, nós temos cada dia mais contato
com pessoas de criações diferentes e de passados distin-
11
tos. Gordon Allport, que escreveu o livro The Nature of
Prejudice (A natureza do preconceito, sem tradução no
Brasil), afirmou há quase meio século que, quando você
interage com pessoas culturalmente diferentes, e essa
interação se dá em um âmbito socioeconômico relativamente semelhante, há uma diminuição nos estereótipos
que criamos do outro. No entanto, na maior parte das
situações, essa interação envolve pessoas de classes diferentes, ou seja, com noções de poder diferentes. Isso
faz com que queiramos nos segregar do grupo “mais fraco”. E quanto mais as pessoas são alimentadas com essa
ideia de suposta superioridade – ou de que, na verdade,
os outros é que são simplesmente inferiores –, ou ainda
de que a pessoa de outra região está vindo roubar seus
empregos, enfim, tudo isso cria estereótipos negativos
que podem resultar em agressões. Mas no fundo somos
todos iguais.
ÉPOCA – Existe uma forma de evitarmos esses estereótipos negativos?
BENNETT – Bom, podemos falar de um ponto de
vista mais filosófico, e esse ponto de vista é que as pessoas podem mudar. Pegue, por exemplo, o homem das
cavernas. Somos tão diferentes deles! E a nossa diferença
para eles foi construída por atos conscientes de educação:
nós ensinamos nossos filhos a fazer aquilo que achamos
correto, criamos leis baseados no que acreditamos ser
melhor para nossa sociedade... Por mais que o ser humano em si não seja modificável, seu comportamento o é.
O que acontece é que nosso comportamento natural, desde sempre, tem sido o de evitar as diferenças, e
isso, infelizmente, pode ser traçado de volta até o mesmo homem das cavernas. Quando nos deparamos com
o diferente, tentamos evitá-lo. Em um primeiro momento, tentamos até convertê-lo para que seja igual ao nosso ponto de vista, e aí acreditamos que está tudo bem.
Basicamente, queremos que todas as pessoas no mundo
sejam como nós, porque, afinal de contas, achamos que
nosso ponto de vista é o correto. Infelizmente, porém, se
essa conversão falha, a história mostra que o ser humano
parte para a saída mais simples, que é eliminar o povo
culturalmente diferente – e frequentemente isso acontece das maneiras mais horrendas.
Portanto, o que precisamos fazer é nos afastar dessa tendência natural; precisamos chegar a um ponto em
que haja igualdade entre todos e entre diferentes sociedades; um ponto em que pelo menos a tolerância – e veja
que não falo nem em apreciação pela diferença, mas na
simples tolerância ao diferente – seja a base das relações
sociais. Para tanto, precisaríamos de um esforço maior
de toda a sociedade, principalmente dos pais, educadores
e políticos, para constantemente lembrar-nos e nos ensinar que conviver com pessoas diferentes é bom.
(HACKRADT, Lucas. Interculturalidade. Você sabe o
que é? Disponível em: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI250960-15228,00 INTERCULTURA
LIDADE+VOCE+SABE+O+QUE+E.html. Acesso em: 15
jul. 2015. Adaptado.)
12
PROCESSO SELETIVO 2016/1 - SOCIAL
TEXTO 3
Tsunami migratória: mais de 103 mil refugiados
chegaram à Europa pelo Mediterrâneo em 2015
Marina Gonçalves e Carolina Lima
Os 103 mil imigrantes que chegaram à Europa apenas pelo Mediterrâneo este ano acenderam o alerta para
uma nova crise que deve ultrapassar os números recordes
do ano passado. E para um novo destino, a Grécia, que já
quase se equipara à Itália, país que mais recebe refugiados
e ilegais pela via marítima. Segundo o Alto Comissariado
das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), a cifra foi
alcançada no último fim de semana com o resgate de
seis mil pessoas ao Sul da Itália, socorridas na operação
Triton, conduzida pela Frontex — agência europeia que
conta com a participação de 26 países.
[...]
Os números deste ano devem crescer significativamente na Grécia, onde uma média de 600 imigrantes
chegam por mar todos os dias — cifras seis vezes maiores do que no ano passado. Entre janeiro e dezembro de
2014 foram cerca de 34 mil, enquanto nos primeiros cinco meses deste ano chegaram ao país 48 mil imigrantes.
Neste caso, as principais nacionalidades são síria e afegã,
ou seja, refugiados.
— A guerra na Síria é a principal razão para o aumento: 60% dos migrantes são de lá, além de países como
Iraque, Afeganistão e Somália — revela William Spindler,
responsável pelo Acnur na Europa. [...] Noventa por cento dos que chegam à Grécia fogem de uma guerra. São
refugiados políticos, e não ilegais.
Com 54 mil migrantes este ano, a crise maciça na
Itália se converteu em um tema que divide o país e provocou uma rebelião em diversas regiões do Norte, governadas pela xenófoba Liga Norte. A Hungria — que recebeu
mais de 50 mil pedidos de asilo este ano — anunciou,
por sua vez, que tomará medidas para fechar o cerco em
sua fronteira Sul com a Sérvia para conter o fluxo crescente de migrantes e requerentes de asilo. [...]
— A xenofobia está crescendo na Europa e é uma
das nossas maiores preocupações. Principalmente porque as pessoas que estão chegando procuram proteção,
e não ódio. Entendemos os problemas de integração dos
imigrantes, mas ao mesmo tempo não podemos tolerar o
preconceito, que não é uma tendência apenas na Europa
— defende Spindler.
[...]
De acordo com dados oficiais do Ministério italiano do Interior, houve um ligeiro aumento em comparação ao mesmo período do ano passado, que registrou 41.243 chegadas. A grande maioria vem da Eritreia
(10.985), seguidos da Somália e da Nigéria. Grécia, Itália
e União Europeia como um todo já se comprometeram
a proteger os direitos dos refugiados e não devolvê-los a
países onde eles possam estar em perigo de maior perseguição ou ofensa.
[...]
O número de mortos na travessia também vem
crescendo substancialmente: foram 425 nos cinco primeiros meses de 2014 e 1.840 no mesmo período deste
ano. Só em abril, 1.265 pessoas morreram tentando chegar à Europa.
(GONÇALVES, Marina; LIMA, Carolina. Tsunami migratória: mais de 103 mil refugiados chegaram à Europa
pelo Mediterrâneo em 2015. 9 jun. 2015. Disponível em:
http://oglobo.globo.com/mundo/tsunami-migratoria-mais-de-103-mil-refugiados-chegaram-europa-pelo-mediterraneo-em-2015-16389320. Acesso em: 15 jul. 2015.
Adaptado.)
TEXTO 4
Imigrações atuais no Brasil
Rodolfo Alves Pena
[...]
Ao longo dos últimos anos, houve um movimento crescente de grupos estrangeiros no Brasil, advindos
tanto de países desenvolvidos quanto de países subdesenvolvidos. Segundo dados do Conare (Comitê Nacional para Refugiados) e do Ministério da Justiça, só entre
os anos de 2010 e 2012, o número de pessoas pedindo
refúgio para o Brasil triplicou.
A tendência é que as imigrações atuais no Brasil
continuem aumentando, sobretudo de populações advindas de países subdesenvolvidos ou com precária situação econômica, além de povos de regiões marcadas por
grandes conflitos, com destaque para povos da Palestina.
Nos últimos anos, uma grande leva de haitianos
veio para o Brasil, através da Amazônia, em busca de emprego e melhores condições de vida. Durante a Copa do
Mundo de 2014, o mesmo processo ocorreu, destacando-se os imigrantes oriundos de Gana, que se deslocaram
para o Brasil em função do torneio, mas não retornaram
para o seu país de origem. Outros países que se destacaram no envio de imigrantes foram Bangladesh, Senegal,
Angola, entre outros.
[...].
O que se percebe é que as recentes evoluções do
Brasil no cenário econômico, além da relativa prosperidade dos países emergentes frente à crise financeira no
mundo desenvolvido, vêm contribuindo para que países
em desenvolvimento – principalmente os do grupo do
BRICS – tornem-se lugares atrativos para as rotas migratórias internacionais.
Mas a expansão das imigrações atuais no Brasil
vem acompanhada por uma série de fatores, como o
aumento da xenofobia, condições de vida precárias, aumento do tráfico de pessoas. [...] Apesar de ser necessário o estabelecimento de maior controle sobre o número
de imigrações atuais no Brasil, além de maior empenho
no combate a quadrilhas de tráfico de pessoas, é preciso também atender as necessidades básicas daqueles que
aqui chegam. Um exemplo é o caso dos migrantes advin-
PROCESSO SELETIVO 2016/1 - SOCIAL
dos do Haiti: eles não poderiam permanecer no Brasil
segundo nossas leis de imigração, mas muitos receberam
vistos humanitários, haja vista que uma deportação em
massa e imediata poderia transformar-se em um terrível
crime de violação aos direitos humanos.
(PENA, Rodolfo Alves. Imigrações atuais no Brasil.
Disponível em: http://www.brasilescola.com/geografia/
imigracoes-atuais-no-brasil.htm. Acesso em: 15 jul. 2015.
Adaptado.)
TEXTO 5
Por um porto seguro
Amanda Lourenço
Nem muros, nem cercas, nem mares. Muito menos passaportes: quando uma pessoa decide abandonar
seu próprio país para tentar uma vida melhor em outro
lugar, nenhuma dessas barreiras é obstáculo forte o suficiente para dissuadi-la. As fronteiras europeias nunca
estiveram tão fechadas e, ao mesmo tempo, nunca tantos
imigrantes ilegais entraram no Continente. Um estudo
da Frontex, agência europeia de vigilância das fronteiras,
aponta que entre julho e setembro de 2014, cerca de 110
mil pessoas chegaram à Europa clandestinamente por
terra e, sobretudo, por mar. Esse número é quase três vezes maior que o pico da Primavera Árabe, em 2011.
O caminho, porém, é perigoso e sem a menor garantia de sucesso. Em uma hipótese otimista, o imigrante pode ser descoberto por autoridades locais e encaminhado de volta, caso não seja um refugiado, mas pode
ser também que seu destino seja mais trágico e ele sequer consiga completar o percurso em vida. Este foi o
caso de mais de 1.800 pessoas apenas neste 2015, a maior
parte vítimas de afogamento no Mar Mediterrâneo. No
mês de abril, em apenas um único naufrágio, morreram
aproximadamente oitocentos clandestinos. Segundo sobreviventes, o barco em que estavam teria virado após os
passageiros avistarem um grande navio e se deslocarem
massivamente para um dos lados para pedir ajuda.
[...]
Para uma solução mais duradoura, o representante da Anistia Internacional na França, Jean-François
Dubost, responsável do programa Pessoas sem Raízes,
acha que a abertura do acesso às vias legais de imigração para a União Europeia, principalmente para os refugiados, é o ideal. “Hoje, mais da metade das pessoas que
atravessam o Mediterrâneo são refugiados, isto é, pessoas
que fogem da guerra e da perseguição em seus países. Eles
virão de qualquer forma, temos que lidar com este fato”.
[...]
Catherine de Wenden, socióloga especialista em
migrações internacionais da Siences Po (Instituto de
Estudos Políticos de Paris) afirma que a atual política
de resitências à entrada de refugiados, além de inútil, é
contraproducente para todos. “Dificultar o acesso a estas
pessoas não significa que elas desistirão de vir, significa
apenas incentivar a existência do tráfico humano. De-
13
pois, uma vez dentro da Europa, os imigrantes ilegais
acabam caindo na precariedade por não conseguirem
trabalho e alojamento decentes. Se estivessem regularizados, poderiam circular mais e ter mais chances de sucesso. Sem contar que toda essa proteção excessiva acaba
criando uma aura de revolta, que pode gerar rancor e,
consequentemente, violência”, explica Wenden.
[...]
Abrir as fronteiras definitivamente não está nos
planos de nenhum governo europeu por enquanto. Entretanto, o debate continua, e um dos capítulos mais importantes da discussão foi o plano de propostas apresentado pela Comissão Europeia em maio. O projeto prevê,
entre outras medidas, a redistribuição de 40 mil refugiados em diferentes países europeus. No momento, eles
estão concentrados na Itália e Grécia, devido à proximidade desses locais com as principais zonas de conflito.
É importante fazer a diferenciação entre refugiados
e imigrantes quando o tema é fluxo migratório e políticas de asilo. O primeiro grupo é considerado mais vulnerável que o segundo, pois as razões que os expulsaram
de seus próprios países seriam mais graves, geralmente
questões de vida ou morte. [...]
Jean-François Dubost afirma que um dos problemas da questão da imigração é que geralmente pensa-se em extremos: “A questão da imigração não é binária:
ou abre as portas para todo mundo, ou para ninguém.
A realidade é bem mais complicada que isso. É preciso
levar em conta as categorias jurídicas que separam refugiados e migrantes. Os estados têm menos espaço de
manobra no que diz respeito ao primeiro grupo, pois há
leis de proteção e asilo. Não podemos cair em simplificações perigosas”, argumenta. “Mas enquanto discutimos,
é preciso ir lá e salvar os clandestinos no Mar Mediterrâneo. É o mais urgente”, conclui Dubost.
(LOURENÇO, Amanda. Por um porto seguro. In: Caros
Amigos. Ano XIX, n. 220, jul. 2015, p.14-16. Adaptado.)
TEXTO 6
(MACHADO, Gilmar. Imigração na Europa. 1 jun.
2015. Disponível em: http://gilmaronline.blogspot.
com.br/. Acesso em: 15 jul. 2015.)
14
PROCESSO SELETIVO 2016/1 - SOCIAL
PROPOSTA 1 – ARTIGO DE OPINIÃO
Artigo de opinião é um gênero do discurso argumentativo em que o autor expressa a sua opinião sobre
determinado tema, deixando bem marcada uma argumentação que sustente a defesa do ponto de vista apresentado.
Imagine a seguinte situação: você é um articulista de uma revista semanal e terá de produzir um texto
sobre o tema: Imigração no mundo contemporâneo: é
preciso abrir as fronteiras? Com base nas informações
presentes na coletânea de textos e em seus conhecimentos prévios sobre o tema, produza um artigo de opinião,
argumentando convincentemente em defesa de seu ponto de vista.
NÃO SE IDENTIFIQUE NO TEXTO
PROPOSTA 2 – CARTA DE LEITOR
Carta de leitor é um gênero discursivo em que o
autor do texto dirige-se a um interlocutor específico ou
ao editor da mídia jornalística com o objetivo de defender um ponto de vista sobre um tema. Apresenta informações, fatos e argumentos que demarcam sua opinião
sobre determinada questão.
Reflita sobre o tema Imigração no mundo contemporâneo: é preciso abrir as fronteiras? e escreva
uma carta de leitor endereçada à revista Caros Amigos,
comentando a reportagem “Por um porto seguro”, de
Amanda Lourenço (Texto 5) e apresentando o seu ponto
de vista sobre o tema.
Considere as marcas de interlocução peculiares
ao gênero carta na construção do seu texto e apresente
argumentos convincentes. Utilize a coletânea e seus conhecimentos prévios sobre o tema.
NÃO IDENTIFIQUE O REMETENTE DA CARTA
RASCUNHO - Redação EM LÍNGUA PORTUGUESA
PROCESSO SELETIVO 2016/1 - SOCIAL
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
15
16
PROCESSO SELETIVO 2016/1 - SOCIAL
Download

Processo Seletivo 2016/1 - Social - Site do Vestibular